"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 10 de junho de 2012

"QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ"

O dia em que José Dirceu e Eduardo Paes se uniram contra a “mídia” e as leis para dar um pé no traseiro dos fatos.

O que esta foto faz aqui?

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Revelei, então, o que o Zé andava dizendo a seus interlocutores. Como as tais “massas” não sabem direito quem ele é — e a parte que sabe o repudia —, resta-lhe apelar à militância que mama nas tetas do governo e que se locupleta da coisa pública (os espertalhões dizem que é para construir o socialismo, sabem?) para pressionar o STF. Dirceu, como é sabido, numa ação combinada com Lula, agiu para tentar desmoralizar o Supremo Tribunal Federal. Como a operação foi malsucedida, pretende agora criar um falso clamor público em favor da sua absolvição.

Foi o que fez ontem. Ele era um dos convidados do 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), um dos braços do PCdoB, que aconteceu na Universidade do Estado do Rio (ver posts abaixo). Chamou o julgamento do mensalão de “batalha política”, que tem de ser “travada nas ruas”, para enfrentar, segundo disse, o “monopólio da mídia”. Convocou a UNE a sair em sua defesa.

Sim, meus caros, a UNE é aquela entidade dirigida pelo PCdoB que recebeu milhões do governo federal para tocar alguns projetos e que apresentou notas frias na prestação de contas. Com o dinheiro, a boa juventude socialista andou comprando uísque, tanquinho, freezer e pagando contas em bares e restaurantes.
O Congresso também aprovou um repasse de R$ 30 milhões para a reconstrução da sede daquela que já foi a representação máxima dos estudantes. Até agora, a coisa não saiu do papel. Daniel Iliescu, o tiozinho-presidente, deu de ombros. Segundo ele, a UNE é uma entidade privada e não tem de prestar contas da grana.

Dirceu não foi o único convidado a falar no evento, não! Também o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), compareceu. E deu a sua contribuição ao grotesco. Referindo-se à prestação de contas eivada de irregularidades apresentada pela UNE, Paes deu seu apoio ao presidente da entidade, Daniel Iliescu, que estava presente, nestes termos:
“Daniel, é assim mesmo. O problema é o seguinte: as eleições estão chegando. Como a UNE se posiciona, fica difícil não apanhar. Então, casca grossa, vai em frente que a UNE é maior do que tudo isso”.
A convivência com Sérgio Cabral — ou sua real natureza, que antes não se revelava — está fazendo com que Paes perca a noção de limites e o senso de ridículo. Fala o que dá na telha. Como está sendo bem sucedido até aqui, é possível que prossiga nessa trilha.
O dedicado ex-integrante da CPI dos Correios (a do mensalão) e ex-secretário-geral do PSDB, hoje convertido ao PMDB e ao lulismo fanático, está acusando de eleitoralismo o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal, que apontam as irregularidades, e claro!, a imprensa que noticia os fatos. Outra estrela do evento era Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, pasta que, ora vejam…, havia deixado de cobrar da UNE a prestação de contas — coisa de “camaradas”, vocês sabem…

E agora volto àquela foto lá do alto, do dia 25 de maio de 2005.
Na ponta direita, vemos o então deputado tucano Eduardo Paes segurando uma faixa em que se via o logo do PT e se lia a expressão “Quem te viu, quem te vê”. À sua esquerda, os deputados Jutahy Jr (PSDB-BA) e Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Ao microfone, discursa o também tucano Alberto Goldman, líder do partido na Câmara. Exige a instalação da CPMI dos Correios, que o governo tentava a todo custo abafar. Reportagem da VEJA havia demonstrado a cobrança de propina na estatal. No dia 6 de junho, a Folha publicou a entrevista com Roberto Jefferson, denunciando o mensalão, e o resto é história.

Paes resolveu mudar de lado, bandear-se para o petismo, fazer mea-culpa, arrepender-se de ter sido oposição um dia, lastimar o seu passado, tudo para atingir a glória? Que o fizesse! Ninguém poderá negar que, sob certo ponto de vista, fez a escolha correta, não é mesmo? Eis aí o prefeito, com excelentes chances de se reeleger. Pode ambicionar o lugar de Cabral daqui a dois anos. 

Caso logre esse intento, terá sido uma carreira meteórica do jovem que começou na política pelas mãos de César Maia, em 1993, como subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Era, então, do PV. Migrou para o PFL, foi para o PTB, voltou para o PFL, voou para o PSDB e dali migrou para o PMDB. Quando o fez, era nada menos do que secretário-geral do partido, o segundo cargo na hierarquia.

Paes foi um dos mais aguerridos membros da CPI dos Correios, conhecida como CPI do Mensalão. Sete anos depois, ele e Dirceu discursam no mesmo evento, e suas respectivas falas têm um mesmo vetor moral. Nota fria, como sabe o prefeito, não é questão de opinião e de lado. Seja ele tucano ou peemedebista, se fria, fria é.
O que quero dizer com isso é que as pessoas podem até mudar de posição em razão da conjuntura política ou, sei lá, porque passaram por uma crise de consciência ou chegaram à conclusão de que estavam erradas. Mas nem por isso precisam justificar a lambança, a trapaça, a sem-vergonhice.

Na semana passada, Lula participou de uma inauguração no Rio ao lado do prefeito e, mandando às favas a lei, fez campanha eleitoral. “Casca grossa, Paes, vá em frente…”
Dito isso, republico a foto. Quem te viu! Quem te vê!

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10 de junho de 2012
Reinaldo Azevedo

VOCÊS TÊM DE LER UM ARTIGO INTITULADO "O ÚNICO CAMINHO É A CIVILIZAÇÃO"

A ECOTEOLOGIA TEM DE CEDER À TEOLOGIA DA MODERNIZAÇÃO

A edição de VEJA desta semana traz uma série de textos sobre a “Rio+20″. Entre eles, está um artigo de seis páginas, escrito especialmente para a revista, de autoria dos antropólogos americanos Michael Schellenberger e Ted Nordhaus. Eles são autores de um texto que se tornou um clássico dos debates sobre ecologia e meio ambiente: “A Morte do Ambientalismo”.
Não! Não se trata de um libelo de céticos contra as teses do aquecimento global ou das mudanças climáticas. Ainda que assim fosse, noto, o ceticismo não é um mal em si. O mal está nas hipóteses não testadas que se querem teoria. Schellenberger e Nordhaus nem perdem tempo especulando se o homem altera ou não o meio ambiente, o clima etc. Dão de barato que sim. O ponto é outro: qual seria a alternativa e em que resultaram essas mudanças?
Eles acham que os problemas que a cultura humana criou para si mesma têm uma resposta: avanço técnico, saber, civilização. Como lembram, com leve ironia, o risco do bug do milênio não nos devolveu às máquinas de escrever, certo? O texto é longo e tem de ser lido na íntegra, na edição impressa da revista. Destaco abaixo alguns trechos.

A NOSSA NATUREZA É MUDAR A NATUREZA(…)
A transformação das mãos e dos pulsos permitiu aos nossos antepassados andar cada vez mais eretos, caçar, comer carne e, assim, evoluir. Com a mudança na postura, o homem conseguiu correr atrás de animais atingidos por suas armas. A corrida de longa distância foi facilitada por glândulas sudoríparas que substituíram os pelos. O uso do fogo para cozinhar a carne adicionou uma quantidade muito maior de proteína à dieta, o que resultou em crescimento significativo do cérebro - tanto que algumas de nossas ancestrais começaram a dar à luz prematuramente. Esses bebês prematuros sobreviveram graças à criação de ferramentas feitas com vesículas e peles de animais que amarravam os recém-nascidos ao peito da mãe. A tecnologia, resumindo, nos tornou humanos.
É claro que, conforme nosso corpo, nosso cérebro e nossas ferramentas evoluíram, também evoluiu nossa habilidade de modificar radicalmente o ambiente. Caçamos mamutes e outras espécies até a extinção. Queimamos florestas e savanas inteiras para encontrar mais facilmente a caça e limpar a terra para a agricultura. E, muito antes de as emissões de CO² pela ação humana começarem a afetar o clima, já tínhamos alterado o albedo da Terra, substituindo muitas das florestas do planeta por áreas de agricultura cultivada. Mesmo que a capacidade do homem de alterar o ambiente, ao longo do último século, tenha aumentado substancialmente, essa tendência é antiga. A Terra de 100, 200 ou 300 anos atrás já havia sido profundamente moldada pelos esforços humanos — os entretítulos são deste escriba.
(…)

ESQUERDISMO FÁCIL E HIPOCRISIA(…)
Líderes mundiais - para a alegria de um eleitorado de tendência esquerdista que controla o equilíbrio do poder político em muitas economias desenvolvidas - fazem promessas atrás de promessas sobre a mudança climática, a extinção de espécies, o desmatamento e a pobreza no mundo. Tudo enquanto cuidadosamente evitam qualquer ação que possa impor custos ou sacrifícios reais a seus eleitores. Mesmo que tenha sido conveniente para muitos observadores simpatizantes relacionar o fracasso de tais esforços à ganância corporativa, à corrupção e à covardia política, a verdade é que todo o projeto que poderíamos definir como pós-materialista é, de maneira confusa, construído sobre uma base de abundância e consumo material que seria consideravelmente ameaçada por qualquer tentativa séria de resolver as crises ecológicas por meio de uma redução substancial da atividade econômica. Não é tão difícil entender como essa hipocrisia acabou por contaminar uma parcela da nossa cultura com intenções aparentemente tão boas.
(…)

A ECOTEOLOGIA COM iPAD(…)
Esses valores pós-materialistas abriram espaço para a ascensão de uma ecoteologia secular em grande parte incipiente, com medos apocalípticos de um colapso ecológico, noções desencantadas de uma vida em um mundo arruinado e a convicção crescente de que algum tipo de sacrifício coletivo é necessário para evitar o fim do mundo. Ao lado dessa pregação sombria, brilham visões nostálgicas de um futuro transcendente, era que os humanos poderiam, mais uma vez, viver em harmonia com a natureza por meio do retomo da agricultura em pequena escala ou até do estilo de vida dos caçadores-coletores.
As contradições entre o mundo como ele é - cheio de consequências não intencionais das nossas ações - e o mundo como muitos de nós gostaríamos que ele fosse resultam em uma quase rejeição da modernidade. Gestos ocos são os sacramentos que definem essa ecoteologia. A crença de que devemos reduzir radicalmente nosso consumo para sobreviver enquanto civilização não é impedimento para as elites que pagam por universidades particulares, viagens frequentes de avião e iPads.
(…)

A ANTIMODERNIDADE DOS RICOS DE NY, SP E RIO(…)
Embora a ecoteologia seja mais forte em nações desenvolvidas da Europa e em cidades costeiras como Nova York e Los Angeles, nos Estados Unidos, essa tendência também pode ser facilmente identificada nos bairros ricos e bem-educados do Rio de Janeiro, de Nova Délhi e da Cidade do Cabo.


(…)
Pregando a antimodernidade enquanto vivem como pessoas modernas, as elites ecológicas, seja em São Paulo, seja em São Francisco, confirmam seu status no topo da hierarquia pós-industrial do conhecimento. As elites abastadas dos países desenvolvidos oferecem tanto a seus compatriotas menos favorecidos quanto aos pobres do resto do mundo uma extensa lista de “não façam” - não se desenvolvam como nós nos desenvolvemos, não dirijam utilitários bregas, não consumam demais. Isso gera o ressentimento, e não a emulação, de seus companheiros cidadãos no próprio país e no exterior. Que essas elites ecológicas se mantenham em um padrão diferente e ao mesmo tempo insistam que todos são iguais é mais uma demonstração de seu status superior, pois, dessa forma, elas não têm de responder nem mesmo à realidade.
Apesar de propor uma solução, a atual ecoteologia que nega o mundo é, na verdade, um obstáculo importante no tratamento dos problemas ecológicos criados pela modernização - obstáculo que deve ser substituído por uma nova visão de mundo criativa e que celebre a vida. Afinal, o desenvolvimento humano, a riqueza e a tecnologia nos libertaram da fome, da privação e da insegurança. Agora, eles devem ser considerados essenciais para superar os riscos ecológicos.


POR UMA TEOLOGIA DA MODERNIZAÇÃO(…)
Enquanto a ecoteologia imagina que nossos problemas ecológicos são consequência da violação humana da natureza, a teologia da modernização enxerga os problemas ambientais como uma parte inevitável da vida na Terra. Enquanto a última geração de ecologistas via uma harmonia natural na Criação, os novos ecologistas veem mudanças constantes. Enquanto os ecoteólogos sugerem que as consequências não intencionais do desenvolvimento humano podem ser evitadas, os patrocinadores da modernização enxergam essas consequências como inevitáveis, tanto de forma positiva como negativa. Enquanto as elites ecológicas veem os poderes da humanidade como inimigos da Criação, os modernistas os veem como ponto fulcral para sua salvação. A teologia da modernização deveria, portanto, louvar, e não profanar, as tecnologias que levaram nossos ancestrais a evoluir.
(…)

10 de junho de 2012
Por Reinaldo Azevedo

FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO. JOSÉ DIRCEU E CIA. À BEIRA DA CONDENAÇÃO

Não adiantou nada a leniência do ministro Ricardo Lewandoswki nem a cumplicidade do ministro Dias Toffoli, que já estavam convencidos da necessidade de atrasar o mensalão. Se o ex-presidente Lula, com sua mania de grandeza, não tivesse resolvido se intrometer, o julgamento do mensalão seria atrasada naturalmente, nem precisava forçar a barra.

O Supremo ia julgar o mensalão este ano? E com quantos ministros? Você acreditava nessa possibilidade? Seria um tolo se acreditasse. Antes das trapalhadas de Lula, surgiam informações de que alguns ministros tinham reagido mal diante da proposta feita por Ayres Brito, que queria aproveitar o recesso de julho para analisar o caso. Diversos ministros foram contra, não queriam perder as férias, vejam só que impecável espírito público.

Ayres Brito terá de se aposentar em novembro e queria um fecho de ouro para sua gestão na presidência do Supremo. Por isso, sugeriu separar um mês na agenda do trinunal para julgar o caso, mas não conseguiu. Os ministros chegaram a decidir também que o julgamento não ocorreria em todos os dias da semana. Assim, a análise da ação poderia levar vários meses para terminar.

Como começaria em agosto, surgiu logo um problema. No início de setembro o ministro Cezar Peluso deixa o Supremo, completa 70 anos e será obrigado a se aposentar. Tudo conspirava para que o julgamento fosse retardado.

Alguns ministros também se queixaram da vontade do novo presidente de julgar semanalmente um caso relevante. Um deles disse que não é prudente colocar na pauta “uma final de Copa por semana”, porque logo no primeiro mês como presidente da Corte, Ayres Britto colocou em julgamento importantes casos como a validade das cotas raciais em universidades e o conflito fundiário entre índios e fazendeiros no sul da Bahia.

Com a péssima repercussão das pressões de Lula, tudo mudou no Supremo. Ayres Brito convocou mais uma sessão administrativa para discutir a tramitação do julgamento e dois ministros faltaram, justamente Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, dois amigos de fé, irmãos e camaradas de Lula, que devem diretamente a ele a nomeação ao Supremo. Se Lula não fosse presidente, jamais chegariam lá.

A ausência dos dois ministros foi demais. Funcionou como uma ofensa à moral dos demais ministros. Resultado: o julgamento começa dia 1º de agosto, e não tem mais jeito. O feitiço virou contra o feiticeiro e José Dirceu e o resto da quadrilha estão a um passo da condenação. Lula perdeu uma grande oportunidade de ficar quieto.
As penas menores já estão prescritas. Alguns dos 36 réus deixarão de cumprir pena. E assim caminha a humanidade.
10 de junho de 2012
Carlos Newton

ALPINO E A AJUDA INTERNACIONAL À ESPANHA

UM VARGAS DISTORCIDO


O PT já foi a iniciativa mais importante no quadro dos partidos políticos nacionais, desde a fundação do PTB por Getúlio Vargas, em 1945. A nova legenda resgataria a oportunidade que um dia conduziu o trabalhador a um estuário firme e ordenado para concretizar suas reivindicações, além de empolgar a intelectualidade e a juventude a partir não só da resistência contra a ditadura, mas, em especial, da construção de um socialismo democrático no país.

Belos tempos, aqueles. Com a ascensão do partido ao poder, os intelectuais caíram fora, marginalizados pelos companheiros ávidos de usufruir benesses, nomeações e ONGs. Os jovens ficaram adultos e não houve mudança de guarda.

Constata-se todos os dias haver o Partido dos Trabalhadores se transformado num aglomerado nem sempre compacto de aproveitadores daquilo que os governos tem de pior a oferecer, ou seja, as facilidades para seus integrantes viverem às custas de estruturas públicas e privadas em benefício próprio. Até abandonando postulados e conquistas que antes exprimiam o aprimoramento das instituições. Com exceções, é claro, mas servindo apenas para justificar a regra.

Exemplo mais flagrante dessa realidade acaba de ser dado pelo secretário nacional de comunicação do PT, André Vargas, que pelo sobrenome não poderia ter-se perdido, mas perdeu-se ao escancarar o jogo mesquinho do partido na preservação de suas regalias.
Não por coincidência, pois às vésperas do início do julgamento do mensalão, o singular companheiro propõe que as sessões do Supremo Tribunal Federal não sejam mais transmitidas ao vivo, como vem acontecendo há anos, naquilo que exprimiu mais uma conquista democrática nacional.

O que esse Vargas distorcido pretende é que a sociedade não assista a exposição das vigarices de alguns de seus companheiros de fé, obviamente prestes a aparecer nas telinhas. No particular, segue as lições do Lula, mesmo o mestre tendo sido mais explícito ao defender simplesmente que se adiasse o julgamento dos mensaleiros. Como aceitar que se proíba a transmissão das sessões da mais alta corte de justiça do país, numa hora em que as entranhas do PT serão vistas a cores? De que maneira acusar os ministros do Supremo de popstars?
É por ai que o PT comprova ser um partido igual aos demais.

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ERRO DE FATO

Alguns processos judiciais são anulados por erro de fato. Ou as provas produzidas foram ilegais ou os personagens eram outros.

Esta semana estaremos diante de situação parecida. O governador de Brasília, Agnelo Queiroz, irá depor na CPI do Cachoeira, menos porque seu nome apareceu em algumas gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal entre o bicheiro e sua quadrilha, mais porque alguns de seus secretários não podem explicar o envolvimento em contratos de prestação de serviços.

Na realidade, se o governador deve prestar contas, não será à CPI do Cachoeira, mas à população do Distrito Federal. Porque raras vezes se tem visto um desgoverno igual,apesar da farta publicidade distribuída aos meios de comunicação.

Ruas esburacadas há mais de um ano, no centro da capital, deixam de merecer a simples presença de caminhões de asfalto para tapar as crateras. Um trânsito infernal paralisa avenidas onde se estaciona não mais nas filas duplas, mas nas triplas, que se tornaram rotina. Desde a posse de Agnelo que não se encontra um guarda sequer, para ordenar os cruzamentos caóticos.

Nos hospitais públicos e postos de saúde, sofre-se mais do que nas salas de cirurgia. Ainda existem escolas onde a chuv
a entra e as merendas, não, deixando-se de registrar a falta de professores, como de médicos.
Seqüestros relâmpagos não são mais notícia, para o noticiário local, tantos se sucedem à luz do dia. De noite é pior, o cidadão das cidades satélites e da periferia conforma-se em ficar prisioneiro em sua própria casa, quando ela não é invadida por bandidos.
Por essas e outras é que o governador deveria estar sendo cobrado.

DESABAMENTO DA DELTA: CONSEQUÊNCIAS SÃO MAIORES QUE O ESCÂNDALO

Com a decisão do grupo JF Friboi de não assumir ativo e passivo da Delta Construções, anunciada pelo empresário Joesley Batista, divulgada pelo Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, e com a reportagem de Hugo Marques e Rodrigo Rangel, Veja, que circulou sábado, o desmoronamento de Fernando Cavendish passou de parcial a total. A decisão da JF parece ter sido uma consequência de veto da presidente Dilma Roussef, já que o BNDES possui participação de 30% do capital da Friboi.

E, na verdade, com poderia uma empresa de abate de gado e frigorífico administrar uma empreiteira de obras? Nada a ver. Exatamente o oposto dos anúncios que a Rede Globo divulga para si mesma nos intervalos. As fotos que acompanham a matéria da Veja são de Cristiano Mariz e Manoel Marques.

Aliás não é a primeira vez que o Palácio do Planalto intervém numa operação do BNDES.
Lembram-se do episódio Pão de Açúcar, Carrefour, Grupo francês Casino? Pois é. O Banco chegou a pensar em conceder financiamento para Abílio Diniz, não levando em consideração a divergência contratual com o Casino. Dilma Rousseff mandou Luciano Coutinho rever. Mandou rever, está revisto. O problema, agora, é da sociedade particular.

Entretanto, o problema da Delta, de Fernando Cavendish é, ao mesmo tempo, tanto público quanto particular. Mais que isso: um caso policial. A Delta é (ou era) detentora de cem obras estatais, parte delas integrantes do PAC. No Rio de Janeiro, participava da modernização do Maracanã e da Transcarioca.

Segundo publica a Veja, a maioria dos empreendimentos já se encontra paralisada. No Maracanã foi substituída pela Odebrecht e Andrade Gutierrez. E nas demais?

A lei, bela definição de Hegel há cerca de 200m anos, é a conciliação entre os contrários. Sem lei não há civilização. Fernando Cavendish, vítima da embriaguez do sucesso, violou a legislação em vários pontos e diversos sentidos. Espalhou laranjas pelo país a fora, como escreveram Rodrigo Rangel e Hugo Marques. Ultrapassou as barreiras que separam o plano legal do ilegal.

Pensou que seus lances de desenvolvimento político fossem assegurar o êxito progressivo de seus negócios. Foi justamente o contrário. Se respeitasse os limites, a que todas as pessoas são obrigadas a considerar, seria um bilionário para sempre. Agora, penso que pessoalmente permanecerá rico.

Dificilmente será alcançado pelo Imposto de Renda que sonegou através dos laranjas. Tampouco será preso. Pode permanecer detido alguns dias. Mas receberá logo um habeas corpus, como aconteceu com vários outros acusados. Ele permanecerá em vôo de cruzeiro. Sua empresa não. No Brasil, o empresário, salvo exceções, não tem o seu destino vinculado ao fracasso da própria empresa.

Basta citar os financiamentos públicos concedidos a juros zero. Surpresa? Nem tanto. A TJLP, do BNDES, é de seis por cento ao ano. Em 2011, de acordo com o IBGE, a inflação oficial alcançou 6,3 pontos. Custo zero, na verdade, não. Juros de longo prazo negativos em 0,3%. Mas esta é outra questão.

Prisão em nosso país, tradição histórica, não é para os que usam colarinho branco ou camisas sociais de duas cores. Fernando Cavendish não corre esse risco. Risco correm as obras públicas das quais a Delta era titular. Algumas ligadas à Copa do Mundo, à Copa das Confederações, às Olimpíadas. A presidente da República deve buscar uma solução urgentemente. Caso contrário, aí sim, a imagem brasileira pode afundar como o Titanic afundou há 100 anos.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

NÃO VALE O ESCRITO

14 de dezembro de 1968. O Brasil acordou com o AI-5 na cabeça e o ministro da Justiça Gama e Silva com a ressaca na boca. Iracema Silveira, mulher de Joel Silveira, telefonou cedo para Rubem Braga:

- Prenderam Joel. Cuide-se.

- Vou tomar uma providência.

E fugiu. Foi para a casa de Fernando Sabino. À tarde, ligou para a casa dele, em Ipanema, a empregada tinha notícias:

- Chegaram aqui dois homens de cabelinhos cortados, com um jipe lá embaixo, procurando o senhor.

***

ADONIAS

Fernando e Rubem telefonaram para o escritor Adonias Filho, amigo do general Sizeno Sarmento, rei da Vila Militar. Daí a pouco, Adonias, baiano solidário e eficiente, chamou:

- Falei com o Sizeno, ele disse para o Rubem ficar onde está e aguardar instruções.
Rubem ficou três dias onde estava: no uísque de Fernando. Adonias ligou de novo:

- Rubem, você vai ser ouvido, mas não vai ser preso. Será ouvido por um ex-colega seu da FEB, o coronel Andrada Serpa. Amanhã, 8 da manhã.

- Não pode ser às 10? 8 é muito cedo.

***

BRAGA

Rubem chegou ao quartel, o coronel Serpa o esperava:

- Dr. Rubem, bom-dia.

- Um momento, coronel. Se vai me tratar com cerimônia, me chame de embaixador e eu o chamo de coronel. Sem cerimônia, sou Rubem e você é Serpa, o Rubem e o Serpa da FEB lá na Itália.

Rubem depôs até às 9 da noite. As crônicas de Rubem estavam todas sobre a mesa do coronel, marcadas, grifadas em lápis vermelho forte. E o coronel investigando:

- O que é que você quis dizer com estas frases aqui, Rubem?

- Serpa, você conhece o “Constantino”, aquele jogo do bicho de Niterói? A pule diz assim: “Vale o escrito.” Minhas crônicas, Serpa, são como o “Constantino”. Valem o escrito.
E voltou para o uísque mineiro e generoso de Fernando Sabino.

***

DIRCEU E PALOCCI

Esse foi o problema do governo de Lula e é o do governo de Dilma : nunca vale o escrito. O PT não deixa. Para o PT, o escrito não vale nada. O ex- procurador-geral da Republica Fernando Souza acusou (e o Supremo Tribunal concordou, recebeu a denuncia e abriu o processo) que o Mensalão era “uma organização criminosa” e José Dirceu o “chefe da quadrilha”.

Lula defendeu Dirceu, dizendo que não houve mensalão, mas “só caixa dois, que todo mundo faz”. Não valia o escrito.

Palocci primeiro negou, depois foi obrigado a confessar que faturou R$ 20 milhões durante a campanha de Dilma, da qual era coordenador, e desses, R$ 10 milhões entre a vitória e a posse, quando era chefe da Comissão de Transição e já convidado para a Casa Civil.

Lula defendeu Palocci e foi ao palácio pressionar Dilma para não demiti-lo, porque “o que ele fez todo mundo faz”. Não valia o escrito.

IVAN LESSA, O CARIOCA LONDRINO

Sempre temi o dia em que como jornalista teria que escrever sobre um amigo que acabara de morrer. Sabia que esse dia, assim como a inevitabilidade da própria morte, acabaria por vir.

Quero acreditar que a faina de revirar o passado da minha convivência com Ivan Lessa vai amenizar a dor pela perda do companheiro de redação e, principalmente, de cantina da BBC, onde, em grupo que variava de tamanho, diariamente almoçávamos, trocávamos ideias, ríamos, discutíamos e por vezes nos desentendiamos, quase sempre nesta ordem.

Ivan era papo para qualquer obra. Desde que houvesse um ouvido diligente, cujo dono não tivesse grande vocação ou disposição para a locução.

Sempre atualizadissimo pela internet, que adorava (a quem chamava carinhosamente de “Dona Nette”), disparava sua crítica contra tudo e todos com o mesmo furor, sarcasmo e eloquência que usava nas páginas do Pasquim nos anos 70.

Pulava de um assunto para outro sempre muito ligado em tudo que rolava, e descia o pau nas tolices que detestava (quase tudo). Ia da música ao cinema, passando por política, esportes, show business, jornalismo, não escapava nada ou ninguém.

Dos atuais, gostava de muito poucos. Sua admiração tinha congelado num passado distante. Quer dizer, distante para nós, os ouvintes. Para ele tudo tinha acontecido ontem, ou, na pior das hipóteses, na semana passada.

A memória privilegiada garantia precisão à narracao e tornava tão vívidos fatos ocorridos 30, 40 anos atrás. Capaz de contar em detalhes um Botafogo x Flamengo estrelado por Leonidas da Silva ou Heleno de Freitas.

Na última vez em que estivemos juntos, há cerca de um mês, em sua casa, no bairro londrino de South Kensigton, me contou graças ocorridas na Ipanema de sua juventude, em mesas de pôquer que dividiu com Millôr Fernandes, Samuel Wainer e Antonio Maria, em peladas do Dínamo, time que defendeu no futebol de praia do Posto 6 em Copacabana.

Esse era o mundo que amava, esse era o mundo em que teimosa e anacronicamente ainda vivia. O exílio voluntário em Londres de mais de 30 anos ajudou a cristalizar sua lembrança do amado Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.

Só voltou à cidade que adotou uma única vez, em 2006, convidado pelo amigo Mario Sergio Conti a escrever um texto para o primeiro número da revista Piauí. Me disse que doeu ter voltado. Detestou o que viu. Pelas mesmas ruas do centro e zona Sul onde viveu intensamente a liberdade e a tranquilidade do balneário-metrópole-capital nacional, disse que viu um Rio desfigurado, pobre, sujo, feio, sem charme, deselegante, retrógrado, tenso, de trás de grades, preso em seu próprio medo. Não encontrou vestígios do que deixou.

Acabaram com o Jangadeiros, nao existia mais o Zeppelin, nem a Sucata, só tolices, me disse ele. Nos contou emocionado a tristeza que sentiu pela destruição de parte de sua memória. Tentativa de destruição, eu corrijo.

Ivan ainda era capaz de ver e viver a mesma praia de Copacabana onde pegou seus primeiros jacarés. Ainda podia saborear um salgadinho da Colombo ou um refresco de coco que era servido em um pequeno bar da Avenida Rio Branco. Descrevia com precisão a vitrine da Casa Sloper, sabia de cor letras de músicas de carnaval dos anos 40, lembrava do nome do lanterninha do Cine Rex.

Ainda mantinha o mesmo desprezo pelos militares que tomaram o poder no Brasil e governaram o país por quase 30 anos. Ainda curtia intensamente a Ipanema capital cultural do Brasil, assim como curtia a bossa-nova, as modinhas de carnaval e o chamado samba autêntico.

Talvez por amar o Rio como ele, por ter partilhado inúmeras memórias cariocas com ele, decidi que é esse lado do Ivan Lessa que vou manter na memória para o resto da minha vida, já que acho que a gente, consciente ou incoscientemente, escolhe como consolidar nossa lembrança dos que nos deixam.
É asim que vou lembrar sempre dele, como o Ivan Lessa arquivo-ambulante, Ivan Lessa o londrino-carioca, amante de um Rio, que assim como ele, tristemente, não existe mais.

BRASIL JOGOU BEM, FALTOU COBERTURA PARA MARCAR MESSI

O título, creio, exprime a síntese da excelente partida que o Brasil e Argentina disputaram na tarde de hoje, sábado, em Nova Jersey, cidade separada de Nova York apenas pelo túnel que leva o nome do presidente Abraham Lincoln. O time jogou com firmeza, destemor, avançou bem, partiu sempre para a vitória e poderia até ter vencido. A causa da derrota por 4 a 3 está no fato de o técnico Mano Menezes não ter armado um sistema defensivo à base da cobertura indispensável para marcar Leonel Messi, um gênio do futebol, habilidade e senso de espaço notáveis.

Para isso, os homens de meio campo teriam que voltar mais e participarem com intensidade das ações defensivas. Futebol não se vence apenas no ataque. Antigamente jogávamos assim. Dávamos shows de bola, mas perdíamos. Quando as seleções aprenderam a defender, usando o sistema de cobertura, modalidade que surgiu com Zezé Moreira, passamos a vencer.

Começou contra o Uruguai no Panamericano de 52, Santiago do Chile, primeiro título do futebol brasileiro conquistado fora do país. Devolvemos a derrota de 50, batendo o Uruguai por 4 a 2. Foi um resultado histórico. Maiores que este só as cinco decisões que levaram ao pentacampeonato do mundo.

Se houvesse senso de cobertura, na Taça de 50, com alguém do meio campo, no caso Jair da Rosa Pinto, Danilo ou Zizinho, caindo nas costas do lateral esquerdo Bigode, que estava sendo ultrapassado seguidamente por Gighia, teríamos pelo menos empatado, o que, pelo regulamento da época nos daria o título.

O mesmo aconteceria em 82, quando perdemos para a Itália. Três gols de Paolo Rossi, que se deslocava à vontade no espaço aberto da meia cancha, onde na verdade as partidas se decidem. Por uma coincidência, na tarde de hoje fomos derrotados por três gols de Leonel Messi.

Mais um exemplo da falta de marcação e cobertura: em 86, estávamos um a zero contra a França. Platini, hoje diretor da FIFA, jogador de alta categoria, não recebeu a marcação devida. Resultado, ele carregou a bola e empatou a partida. Perdemos nos pênaltis.

A cobertura é essencial no futebol. Engana-se quem pensar o contrário. Hoje, atuamos na parte ofensiva, fomos mal no setor defensivo. A defesa da Argentina tampouco esteve firme.
O resultado final atesta as falhas de lado a lado. Mas os argentinos tinham Leonel Messi. De nosso lado, Neymar desenvolveu atuação fraca. Aliás já venho notando que, à medida em que a responsabilidade cresce, ele decai.
Nas competições importantes não é tão bom quanto nas exibições. Cai muito, resiste pouco aos choques com os adversários. Há certos lances (decisivos) em que o atleta tem de resistir à falta e ao tranco. Neymar suporta pouco.

Mas a Seleção de Ouro cumpriu boa exibição em Nova Jersey. Entrou em campo a equipe olímpica, jovem, menos experiente que a equipe argentina. Perdemos, mas enfrentamos de igual para igual. Coragem não faltou.

Disposição de luta também não. Encontramos finalmente um homem de frente para segurar a zaga adversária e intranqüilizar os sistemas defensivos com os quais nos defrontaremos em Londres.
Estou falando do jovem Hulk. O time brasileiro melhorou muito da derrota ruim para o México para o desempenho de hoje. Costumamos dizer, brincando, que ganhamos experiência. Mas na derrota de poucas horas atrás isso é verdade mesmo. Experiência e disposição para o combate. Outros confrontos virão.

O GRANDE PESADELO


REFLEXÕES SOBRE AS COTAS RACIAIS E A SITUAÇÃO DO NEGRO NO BRASIL

 
O jurista Heleno Fragoso, depois da “lei de vadiagem” promulgada por Carlos Lacerda aqui no Rio na época da ditadura. Cunhou uma frase que depois reproduziu em livro: A polícia só prende preto(negro), puta e pobre (os três PPP). Isso ficou introjetado no inconciênte dos intelectuais, principalmente os que estudavam direito, passando a ser uma verdade absoluta, mas não é.

Fala-se em maioria de negros pardos. O que é pardo? Uma designação usada pela elite que contraria nossas tradições e costumes.Pardo é algo sem definição. Nossa tradição diz: filho de indio e branco é mameluco, há muito esquecido, filho de branco e negro é mulato, filho de indio e negro é cafuzo.

Fala-se em um só ministro negro, não é verdade. Em 1902 foi nomeado o primeiro ministro negro do STF em 1912 o segundo (procurem nos anais). Presidente, tivemos Nilo Peçanha mulato.
Governadores: aqui no Rio de Janeiro: Benedita da Silva (PT); Espirito Santo, Albuino Azeredo (PDT); Rio Grande do Sul, Alceu Colares (PDT).

Em 1902 foi gravado o primeiro disco no Brasil. O lundu “Isto é Bom”, composição de Xisto Baia, cantado pelo popular Baiano – um negro, outro mulato. Machado de Assis, mulato fundador da Academia Brasileira de letras em 1897; Gustavo Lacerda, fundador da ABI em 1908.

Ficaria aqui 24 horas, respeitosamente, provando que quem enfeia e desmerece o povo brasileiro são só intelectuais que se empanturraram da cultura americana sem conhecer seu país. Falam em cotas, que é a mais brutal desqualificação dos descendentes de negros. Faz crer que são coitadinhos, pobres de intelecto e que precisam passar, ajudados pela generosidade do estado. No momento, fico aqui.

10 de junho de 2012
Antonio Santos Aquino

A VELHA QUADRILHA DO MENSALÃO EXPLODE O COFRE EM MARICÁ

Com pouco menos de 130.000 habitantes, o município de Maricá, a 60 quilômetros do Rio de Janeiro, faz parte de um punhado de localidades fluminenses que enriqueceram de repente por um capricho da natureza: está na rota do pré-sal. Por obra e graça da exploração de petróleo, o orçamento municipal de 200 milhões de reais teve, só nos primeiros três meses deste ano, um acréscimo de 35 milhões relativos a sua fatia dos 100.000 barris extraídos do campo de Tupi, rebatizado de Lula. É uma pequena fração de uma bolada que, nos cálculos mais otimistas, pode beneficiar os cofres maricaenses em até 1 bilhão de reais nos próximos anos.

Como prova do reposicionamento de Maricá na ordem de interesses, um dos principais caciques do PT, José Dirceu, visitou a cidade pelo menos duas vezes desde a posse do prefeito petista Washington Siqueira, o Quaquá, em 2009. Em franca preparação para a reeleição, Quaquá vem espalhando pelo município cartazes de obras milionárias. Os milhões têm saído dos cofres da prefeitura, não há dúvida, mas a cidade pouco tem se beneficiado deles. Nesses três anos e meio, Quaquá e sua turma passaram a ser alvo de 21 processos e cinquenta inquéritos. No rol de abusos, o beabá da cartilha da corrupção: improbidade administrativa, danos ao Erário, prevaricação, peculato, abuso de poder econômico, superfaturamento, contratação de empresas-fantasma - maracutaias que podem ter feito evaporar do caixa oficial cerca de 150 milhões de reais.

Ao montar sua máquina administrativa, Quaquá convocou duas pessoas de fora. Uma é Marcelo Sereno, ex-assessor dele mesmo, José Dirceu, nos tempos em que era ministro da Casa Civil. Em 2010, Sereno assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo de Maricá no lugar de Aleksander Santos, político local que, por sinal, enquanto esteve no cargo, também se aproximou de Dirceu, passando a usar essa relação como cartão de visita nos contatos que fazia. Gostava até de expor em redes sociais fotos desse convívio. Sereno se afastou em abril, para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio, mas seus tentáculos na política maricaense continuam firmes.

Outro laço do chefão petista no município é com Maria Helena Alves Oliveira, a secretária executiva e de Administração, que tem no currículo cargos semelhantes, sempre por indicação de Dirceu, nas prefeituras de Nova Iguaçu e Manaus. Até Lurian, a filha do ex-presidente Lula, hoje funcionária da prefeitura de São José dos Campos, no interior de São Paulo, já prestigiou Maricá: esteve lá no Carnaval e, três meses depois, foi até agraciada com o título de cidadã maricaense.
 
10 de junho de 2012
in coroneLeaks

UNE TAMBÉM METEU A MÃO NO DINHEIRO DA SAÚDE


Da Saúde, a UNE fraudou convênio de quase R$ 3 milhões. A União Nacional dos Estelionatários não tem limites. E agora vai ajudar José Dirceu. Veja no post abaixo.
 
10 de junho de 2012
coroneLeaks

CHEFE DA QUADRILHA DO MENSALÃO COMANDA ENCONTRO DE GERAÇÕES DE LADRÕES NO RIO


Um dos 38 réus do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu convocou os estudantes a irem às ruas defendê-lo durante o julgamento do processo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que começa no dia 1º de agosto.
Dirceu participou neste sábado à tarde do 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo ele, a partir de agora será “a batalha final". "Todos sabem que este julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês", discursou Dirceu, aplaudido pelos 1.100 estudantes que lotaram o auditório da Uerj.

Ao lado do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, demitido pela presidente Dilma Rousseff após suspeitas de corrupção na pasta, Dirceu disse para os jovens ficarem “vigilantes”: — Não podemos deixar que este processo (do mensalão) se transforme no julgamento da nossa geração. Por isso, peço a vocês, hoje aqui, fiquem vigilantes. Não permitam julgamento político. Não permitam julgamentos fora dos autos (do processo). A única coisa que nós pedimos é o julgamento nos autos e que a Justiça cumpra o seu papel.

Dirceu afirmou ainda que deseja “olhar nos olhos dos que o acusaram”: — Eu tenho que provar a minha inocência. Eu deveria ter a presunção da inocência. Mas sou eu que tenho de provar. Me lincharam, me condenaram. Se eu estou aqui hoje de pé é graças a vocês, com a UJS, com a UNE (União Nacional dos Estudantes). Mas agora é a batalha final. É a reta final. Eu quero este julgamento. Quero olhar nos olhos daqueles que me acusaram e me lincharam esses anos todos.

O ex-ministro concentrou seus ataques na imprensa: — Estamos travando uma batalha contra quem? Contra a oposição? Não. São partidos que foram derrotados em duas eleições presidenciais. Estamos enfrentando o poder da mídia, do monopólio dos veículos de comunicação.

Pela manhã, o 16º Congresso Nacional da UJS contou com a presença de vários políticos, entre eles o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição. Em seu discurso, Paes defendeu a UNE e o presidente da entidade, Daniel Iliescu. Investigação do Ministério Público aponta indícios de irregularidades em convênios entre a UNE e o governo federal, como revelou o GLOBO na sexta-feira.

Ao analisar as prestações de contas do Ministério da Cultura com a UNE para apoio ao projeto Atividades de Cultura e Artes, o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, constatou o uso de notas frias e gastos com a compra de bebidas, como vodca, cachaça e uísque, entre outros itens. — Daniel, é assim mesmo. O problema é o seguinte: as eleições estão chegando. Como a UNE se posiciona, fica difícil não apanhar. Então, casca grossa, vai em frente que a UNE é maior do que tudo isso — declarou Paes.

Momentos antes e na presença do prefeito, uma dirigente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos, Luana Bonone, também defendeu a UNE: — Não é nenhuma matéria de jornal que vai nos calar. A UNE até hoje não construiu a sua nova sede, no Rio, apesar de ter recebido R$ 30 milhões do governo Lula, em 2010. O lançamento da pedra fundamental contou com a presença de Lula e do arquiteto Oscar Niemeyer, que doou o projeto. No terreno doado pelo governo Itamar Franco, na Praia do Flamengo, era para ter sido erguido um prédio de 13 andares. O espaço continua vazio.

No congresso da UJS, Paes elogiou ainda o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, demitido por Dilma após denúncias de corrupção na pasta. Paes se referiu a Orlando como “uma das maiores lideranças políticas do país”.
O ex-ministro pertence ao PCdoB, partido que faz parte da base de apoio a Paes nas próximas eleições.
— Você (Orlando) já superou a crise. Vai se eleger vereador de São Paulo.

Paes destacou as realizações de seu governo, principalmente projetos voltados aos jovens. No fim, o prefeito assinou um termo de compromisso com uma série de reivindicações dos estudantes. Silva também discursou e lembrou do período em que deixou o governo Dilma:
— Na política, não há limites para os ataques. Foi difícil acordar de manhã e ler os jornais cheios de mentiras. A deputada federal Manuela D’ Ávila (PCdoB), pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre (RS), também marcou presença. O congresso teve início na quinta-feira e vai até amanhã.
(O Globo)
in conroneLeaks
10 de junho de 2012

O VOTO SECRETO NO CONGRESSO


Poucas situações causam mais repugnância em Brasília do que as votações secretas nas quais deputados ou senadores absolvem colegas encrencados.
O caso mais recente foi o da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Flagrada colocando dinheiro de origem indefinida em sua bolsa, ela foi salva por duas razões. Primeiro, por uma malandragem travestida de argumento formal: o fato ocorreu antes de sua eleição (como se malfeitores pudessem limpar suas fichas no momento da posse). A segunda razão foi a votação ter sido secreta. Venceu o espírito de corpo.
Apesar do sobrenome tradicional da política de Brasília, Jaqueline Roriz é uma pobre coitada do baixo clero do Congresso. Não apita nada na política nacional. Muitos deputados me disseram à época não ter coragem de cassá-la por se sentirem constrangidos com a situação.
Se o voto não fosse secreto, o constrangimento por causa do vício insanável da amizade seria suplantado pela reação do público.
Ontem, deu-se um passo importante para corrigir tal anomalia corporativa. O presidente do Senado, José Sarney, anunciou a votação na semana que vem de propostas de emenda constitucional que sepultam o voto secreto no Congresso.
O assunto voltou à ordem do dia devido ao processo contra Demóstenes Torres, o senador de Goiás e sem partido (era do DEM). Mesmo se aprovada, a nova regra não chegará a tempo de valer na votação sobre o mandato de Demóstenes. Mas será um grande avanço para futuros episódios.
Há uma discussão correlata a respeito da amplitude da transparência do voto no Congresso. A aprovação da indicação de magistrados para tribunais superiores deve ser aberta? E o voto que mantém ou derruba vetos presidenciais?
Se o Congresso começar abrindo o voto em cassações de mandato, o passo já será enorme   
zio