"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 27 de junho de 2012

DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

Merval Pereira
O que está sendo colocado em xeque no episódio do impeachment do presidente do Paraguai é a democracia representativa. Quando se questiona a capacidade do Congresso paraguaio de promover a deposição de um presidente de acordo com as normas constitucionais alegando que houve “ruptura democrática”, está-se na verdade colocando em questionamento o próprio sistema eleitoral.

Por que a Unasul não questiona as manobras que os governos de Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina vêm fazendo permanentemente para, utilizando-se dos mecanismos democráticos, moldar um Congresso e um Judiciário à sua feição?

Assim como definir que não houve o cumprimento do devido processo legal na deposição de Lugo é uma questão de interpretação, da mesma maneira considerar que na Venezuela há “democracia demais” é uma questão de simpatia pessoal.

Até o momento a Venezuela não foi aceita no Mercosul justamente devido à cláusula democrática, e o processo vem demorando porque há muitas desconfianças de que o que existe naquele país não é exatamente uma democracia.

O Congresso paraguaio é o último bastião contra a aprovação da Venezuela e por isso é acusado de ser dominado por oligarquias direitistas que deram um “golpe parlamentar” em Lugo.
Mas e as oligarquias, direitistas, e os capitalistas selvagens que foram cooptados pelos governos “bolivarianos” em todos esses países, inclusive no Brasil, esses estão autorizados a continuar atuando como sempre atuaram, e com as bênçãos dos governos populares a que servem.

Para “desencorajar ações do gênero” no continente, os membros da Unasul sentem-se no direito de dar lições de democracia a um de seus membros.

O importante a avaliar é que o Congresso paraguaio obedeceu às regras constitucionais. O próprio advogado de Lugo admitiu que tudo correu dentro da lei, e a Suprema Corte recusou liminarmente a reclamação de que Lugo não tivera tempo para se defender. É muita pretensão de outros países quererem interpretar as circunstâncias históricas locais e decidir se houve ou não um rito democrático.

Ninguém tem informações seguras para compreender o que estava em curso no Paraguai para que o presidente ficasse tão isolado, a ponto de ter tão poucos votos de apoio e menos ainda apoio popular.
Não houve imposição de um grupo político, houve um consenso no Congresso. Daí a dizer que o Congresso está dominado pelas oligarquias e que Lugo foi derrubado porque estava trabalhando com os sem-terra de lá, aí já se discute a qualidade da democracia paraguaia, o que não é função de qualquer organismo internacional.

O fato é que não houve ruptura alguma da ordem democrática, razão alegada pelo Mercosul para suspender o Paraguai. O país está em ordem, não há tanques nas ruas, não há manifestações populares, os Poderes todos funcionam normalmente, não há censura à imprensa.

No Brasil, diferentemente de outros países da região, não houve fechamento do Congresso ou mudanças no Judiciário, nem recurso a novas eleições para que uma maioria se formasse, o que torna questionável o nível democrático em vigor.

A maioria no Congresso brasileiro, desde o mensalão de 2005, é formada à base de troca de favores, inclusive dinheiro público e cargos, não para aprovar algum programa de governo, mas uma “maioria defensiva” para evitar episódios como o ocorrido no Paraguai, que quase atingiu Lula no auge da crise do mensalão.

É uma maneira de neutralizar o Congresso. Nesse caso, não faz mal que as oligarquias façam parte da chamada base aliada e continuem governando desde que garantam a proteção necessária.
É muita pretensão de outros países quererem interpretar as circunstâncias históricas locais e decidir se houve ou não um rito democrático
Nem que os “companheiros” estejam envolvidos em malfeitos diversos: os líderes populares que estão prontos a sair às ruas, mobilizando as massas para acusar uma “ruptura democrática”, são os mesmos que se utilizam dos mesmos instrumentos para defender seus oligarcas de estimação.

Não é à toa que em todos esses países da órbita “bolivariana”, inclusive o Brasil, mais e mais defensores da “democracia direta” surjam, justamente para desacreditar o Congresso como instrumento de representação popular.

O Brasil tem mais interesses no Paraguai do que todos os demais países da América do Sul e deveria, isto sim, estar liderando a Unasul, e não sendo liderado, para defender os nossos interesses na região.
Mas a diplomacia brasileira está se acostumando a seguir, não a liderar. Quando a Bolívia invadiu as instalações da Petrobras, o Brasil também não reagiu.

O Itamaraty tinha informações há muito tempo de que os brasiguaios estavam sendo maltratados pelo governo paraguaio, que os estava expondo à violência dos sem-terra paraguaios, e não usou os muitos interesses econômicos para pressionar o governo Lugo a defender o setor agropecuário brasileiro.
Há entre 350 e 400 mil brasileiros no Paraguai, que produzem na agricultura a ponto de terem tornado o Paraguai o 4 exportador de soja do mundo, cuja produção é exportada através de portos brasileiros.

Esses agricultores são também grandes consumidores de insumos brasileiros como sementes, defensivos agrícolas e maquinário.

Além da questão agrícola, o Brasil depende de Itaipu para o fornecimento de cerca de 20% da energia que consome, e qualquer problema nessa geração provocaria um desastre econômico.
Mas o país já havia se submetido a uma chantagem do governo paraguaio, que rasgou o contrato existente e conseguiu um aumento no pagamento da energia produzida por Itaipu.
O governo brasileiro está colocando os interesses políticos de um grupo da região à frente dos interesses econômicos do país.

A reação contrária da Unasul ao que aconteceu no Paraguai é, na verdade, mais um movimento político dos chamados países “bolivarianos” do que uma reação em defesa da democracia, que continua em pleno vigor no Paraguai.
O governo brasileiro, mais uma vez, está a reboque de uma ação política de Chávez, assim como no caso de Honduras no ano passado.

Merval Pereira
27 de junho de 2012

Fonte: O Globo

DATA FOLHA - 59% DOS ELEITORES DIZEM NÃO VOTAR EM CANDIDATO APOIADO POR MALUF

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O apoio do deputado Paulo Maluf (PP-SP) ao petista Fernando Haddad é rejeitado por 62% dos eleitores de São Paulo, mostra pesquisa concluída ontem pelo Datafolha. Entre os que declaram preferência pelo PT, a reprovação da aliança chega a 64%.

Este é o primeiro levantamento a medir o impacto da união patrocinada pelo ex-presidente Lula, que abriu crise na campanha petista e levou a ex-vice Luiza Erundina (PSB) a abandonar a chapa.

Os números indicam que a foto com Maluf pode prejudicar Haddad na corrida à prefeitura. A maioria dos entrevistados (59%) disse que não votaria num candidato apoiado pelo ex-prefeito. Outros 12% seguiriam sua indicação, e 26% seriam indiferentes.

“A rejeição ao apoio de Maluf é muito alta e pode vir a ser determinante na eleição. Agora temos quever como isso será explorado na campanha”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

27 de junho de 2012
Por Bernardo Mello Franco, na Folha

"MAUSOLÉU DA DEMOCRACIA"

LULA CRIA MONUMENTO PARA SI MESMO EM TERRENO PERTENCENTE AO MUNICÍPIO DE SP
 

Fotomontagem que circula pelas redes sociais anunciando o "Mausoléu da Democracia"

Transcrevo do blog do Reinaldo Azevedo post referente ao Memorial de Lula que ele próprio se ocupa de construir em São Paulo com dinheiro público. O nome desse troço que Lula quer erquer em terreno pertencente ao município de São Paulo, é denominado "Memorial da Democracia", mas na verdade é a história de Lula e do PT. Creio que o nome mais apropriado para essa montagem marketeira do PT é "Mausoléu da Democracia", sim porque eu nunca vi partido comunista democrático. Há quem sugira também que essa coisa deveria ser chamada de "Memorial do Mensalão". Recomendo que cliquem no link ao final do texto para ler o restante que consiste num rol dos "atos democráticos" da história petista. Vale a pena!
 
Lula, o sem-limites, agora quer dinheiro público — incentivo da Lei Rouanet — para erguer o seu “Memorial da Democracia”. Ele já ganhou um terreno em São Paulo. É a privatização de uma área pública, da nossa grana e da história. Lembram-se quando afirmei que era errada a ideia de que ele e Paulo Maluf são seres constrastantes? Leiam. Debatam. Passem adiante.*
Se o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), fundador do PT e autor de “Raízes do Brasil”, vivo fosse, estaria diante de uma excelente oportunidade para refletir sobre as relações de compadrio, familismo e patrimonialismo que remanescem na política brasileira, só que agora sob o comando e o controle do partido que ele ajudou a criar. Talvez se deprimisse: se um dos filhos, Chico Jabuti, compôs, por assim dizer, a trilha sonora da mistificação partidária, uma das filhas, Ana de Hollanda (com dois “eles”) será a operadora de um assalto aos cofres públicos.
 
Bernardo Mello Franco informa na Folha de hoje que a ministra da Cultura decidiu que o Instituto Lula poderá captar recursos da Lei Rouanet para criar o tal “Memorial da Democracia”. É aquela iniciativa para a qual o prefeito Gilberto Kassab, atendendo a um pedido expresso do Babalorixá de Banânia, doou um terreno no centro de São Paulo, com aprovação da maioria da Câmara dos Vereadores.
 
O tal memorial vai reunir elementos que estejam ligados, ora vejam!, diretamente à trajetória de… Lula! Isto mesmo: a história do Apedeuta é agora a história universal. Privatiza, assim, um terreno que pertence ao povo de São Paulo, o dinheiro público e a própria democracia!
 
Ana de Hollanda estava entusiasmada. Acusada de ser imprecisa e hesitante, ontem ela se mostrou direta e firme ao garantir que será o dinheiro público a irrigar o “Memorial Eu Me Amo”, orçado, inicialmente, em R$ 100 milhões. “Claro que vai poder ter captação pela Lei Rouanet. Pode sim, claro! Nada impede. Abri todas as possibilidades institucionais possíveis”, disse a improvável filha de Sérgio, mas certamente irmã de Chico.
 
É uma vergonha! Lula já havia anunciado que seu instituto seria construído sem dinheiro público. Não é o caso, e nunca foi, de confiar nas suas palavras.
 
 
 
27 de junho de 2012
in aluizio amorim

MALUF ENTERROU ATÉ O LULA

O número mais impressionante da pesquisa Datafolha é a queda da capacidade de influenciar votos do Lula. Antes do Maluf, 49% dos eleitores poderiam votar em candidato indicado por ele. Depois de Maluf, este número caiu para 36%.
 
É um tombo e tanto. É uma queda que coloca Lula no patamar histórico de votos do PT em São Paulo. Maluf pode ter decidido a eleição, se Alckmin se livrar agora mesmo dos malufalhas no seu governo. Para que o Serra possa mostrar aquela foto durante a campanha inteira.
 
Como está escrito no post anterior, Serra está precisando de um fato novo e ele pode estar no distanciamento de fato do procurado pela Interpol. Agora convence os tucanomonhangabas...
 
27 de junho de 2012
coroneLeaks

DE NOSSA PARTE...

Pesquisa Datafolha desta semana, traz informações de que a foto com Maluf pode prejudicar Haddad na corrida à prefeitura. Nada menos de 59% dos entrevistados disseram que não votariam num candidato apoiado pelo ex-prefeito.
Foto/Div.Inst.Lula

Por ter acompanhado a sua trajetória pífia no Ministério da Educação, onde e quando mandou editar a cartilha que dizia estar certo falar "nós pega os peixe" e que 10 menos sete é igual a quatro; por não ter conseguido realizar uma prova de Enem e qualquer outra do Enad sem promover um escândalo; por editar e renegar o Kit Gay, o Sanatório da Notícia edita mais uma vez este flagrante delito eleitoral. Pronto, fizemos a nossa parte.

REPUBLICANAGEM




A Google Brasil conseguiu reverter, ontem, no STJ a decisão da Justiça carioca que fixou multas de 20 mil reais para cada link, foto ou vídeo que fosse encontrado ligando a apresentadora Xuxa - velhusca musa dos baixinhos, a sexo ou pedofilia.

Os tais links surgiram a partir de cenas do filme Amor Estranho Amor, de 1982, em que Xuxa interpreta uma personagem que tem relações sexuais com um adolescente. Pela primeira vez o STJ entendeu que um site de busca não pode ser responsabilizados por encontrar conteúdos de terceiros. Quer dizer, então pode. Pode sim, mostrar essa chata de galocha do jeito que ela não se cuidou para ser mostrada por aí. Fez pornochanchada no cinema e agora vem fazer fita?!?

TRANSGRESSÃO BARATA
A Justiça multou Lula e HaHaHaddad, Sílvio Santos e Ratinho por propaganda política antecipada na TV. Cada um vai pagar R$ 5 mil pela esperteza. Muito pouco para enganar a lei. O pior é que eles não viram ficha-suja por uma condenaçãozinha dessas. E tão ruim quanto isso é que foram multados por transgressão à legislação eleitoral, mas não receberam punição alguma pelo delito de propaganda enganosa.


O CREME COMPENSA
Embora o programa do Ratinho com Lula e HaHaHaddad tenha sido uma reverenda meleca, a multa irrisória que a Justiça lhes aplicou, mostra apenas que em termos de politicalha o crime compensa. No caso de melecas, o creme compensa.

VIDA BARATA
Coronel Ustra é condenado a pagar R$ 100 mil por tortura durante a ditadura. Um pouco mais que os R$ 5 mil de Lula, HaHaHaddad & Cia. mas muito menos do que pode valer a vida de uma pessoa. Fazendo as contas, isso quer dizer que bastariam, por exemplo, 20 participações antecipadas em programas de TV para redimir a morte do prefeito Celso Daniel.

PRESTÍGIO EM BAIXA
Pesquisa realizada em São Paulo revela que a rejeição de eleitores petistas à aliança com Paulo Maluf chega a 64%. Outra dor de cabeça para o hilário Fernando HaHaHaddad é que a influência de Lula continua caindo. Baixou de 49% para 36% o índice de eleitores que por causa de Lula eles escolheriam qualquer candidato. Hoje, o criador de postes está mais para ser Lulalelé do que para ser o Cara.


OUTRO CHUTE
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke esteve no Recife visitando a Arena Pernambuco. Não gostou do que viu. Ele disse que vai continuar insistindo para que as obras saiam a tempo. Valcke disse também, assim como quem dá um chute no traseiro, que "hoje não há cidade capaz de sediar a Copa". Acostumados, os organizadores oficiais, de cartolas a ministros de Estado, receberam isso com naturalidade, tomaram como um comentário e não como mais um bom e merecido pontapé nos fundilhos.

ENTENDIDO EM MILAGRE
Mesmo que ainda presidente decaído da Unasul, Lugo o bispo-papão, desistiu de ir à reunião de cúpula do Merdosul. Ele admitiu que somente um “milagre” convencerá o Senado paraguaio a rever o impeachment. Se um bispo não entendesse de milagre não seria o fim do Paraguai, seria o fim do mundo.


ENTENDIDO EM GOLPE

Fernandinho Beira-Collor acha legítimo o impeachment de Lugo. Agora senador da República, aquele que, por causa de uma Fiat Elba renunciou para escapar de impeachment bafejou ontem que interesses pessoais e ideológicos impedem a clareza na análise da crise paraguaia. Beira-Collor cobrou também uma ação mais efetiva da diplomacia brasileira: "Não há golpe de Estado ou quebra da legalidade". Se ele não entendesse de golpe, não seria nenhum fim de mundo; seria apenas o que é, nada mais.


CAMPEÃO É VICE

De 2001 a 2005, Nádia Campeão foi secretária municipal de Esporte durante a gestão Marta Suplicy. Hoje, Nádia Campeão será anunciada vice de HaHaHaddad na chapa de Lula para a prefeitura de São Paulo. Campeão vira vice por ambição política. Quanto despojamento.



DESDENHANDO

A turma de Zé Serra, antes mesmo que Nádia mergulhe de vez na campanha de HaHaHaddad, já faz pouco caso da mais recente adversária: - Se Nádia fosse quem diz que é não seria Campeão; seria campeã.


PCdoB NA GUERRA FRIA

Essa coisa de Nádia Campeão ser vice de HaHaHaddad, foi mais uma armação do grande articulador Lulalelé da Cuca. Driblou o PCdoB escanteando Netinho como se fosse escalar a ex-pagodeira Leci Brandão para a chapa do PT. Os comunistas ficaram a ver navios com cara de deportados que entraram numa guerra fria. Netinho e Leci são a Marta e a Erundina do PCdoB
27 de junho de 2012
sanatório da notícia

QUANDO FALTA VERGONHA, NÃO HÁ LIMITE

Memorial “Eu Me Amo”, de Lula, será erguido com dinheiro público em terreno público.
É a privatização da história, da democracia, do patrimônio coletivo e do dinheiro dos pobres!

Lula, o sem-limites, agora quer dinheiro público — incentivo da Lei Rouanet — para erguer o seu “Memorial da Democracia”. Ele já ganhou um terreno em São Paulo. É a privatização de uma área pública, da nossa grana e da história. Lembram-se quando afirmei que era errada a ideia de que ele e Paulo Maluf são seres constrastantes? Leiam. Debatam. Passem adiante.
*
Se o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), fundador do PT e autor de “Raízes do Brasil”, vivo fosse, estaria diante de uma excelente oportunidade para refletir sobre as relações de compadrio, familismo e patrimonialismo que remanescem na política brasileira, só que agora sob o comando e o controle do partido que ele ajudou a criar.
Talvez se deprimisse: se um dos filhos, Chico Jabuti, compôs, por assim dizer, a trilha sonora da mistificação partidária, uma das filhas, Ana de Hollanda (com dois “eles”) será a operadora de um assalto aos cofres públicos.

Bernardo Mello Franco informa na Folha de hoje que a ministra da Cultura decidiu que o Instituto Lula poderá captar recursos da Lei Rouanet para criar o tal “Memorial da Democracia”. É aquela iniciativa para a qual o prefeito Gilberto Kassab, atendendo a um pedido expresso do Babalorixá de Banânia, doou um terreno no centro de São Paulo, com aprovação da maioria da Câmara dos Vereadores.

O tal memorial vai reunir elementos que estejam ligados, ora vejam!, diretamente à trajetória de… Lula! Isto mesmo: a história do Apedeuta é agora a história universal. Privatiza, assim, um terreno que pertence ao povo de São Paulo, o dinheiro público e a própria democracia! Ana de Hollanda estava entusiasmada.

Acusada de ser imprecisa e hesitante, ontem ela se mostrou direta e firme ao garantir que será o dinheiro público a irrigar o “Memorial Eu Me Amo”, orçado, inicialmente, em R$ 100 milhões. “Claro que vai poder ter captação pela Lei Rouanet. Pode sim, claro! Nada impede. Abri todas as possibilidades institucionais possíveis”, disse a improvável filha de Sérgio, mas certamente irmã de Chico.

É uma vergonha! Lula já havia anunciado que seu instituto seria construído sem dinheiro público. Não é o caso, e nunca foi, de confiar nas suas palavras.

O que haverá no acervo?

Já escrevi sobre esse memorial algumas vezes. Acrescento a perguntas antigas algumas novas. Lula vai reunir no acervo as evidências de que tentou chantagear um ministro do Supremo Tribunal Federal para livrar a cara dos mensaleiros? Lembrará que decidiu criar uma CPI com o propósito único de intimidar o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República e a imprensa? A foto ao lado de Paulo Maluf fará parte da “história da democracia”? Num post do dia 15 de fevereiro, já havia feito algumas perguntas.

Constituição — A negativa dos petistas em participar da sessão homologatória da Constituição de 1988, uma das atitudes mais indignas tomadas até hoje por esse partido, fará parte do “Memorial da Democracia”, ou esse trecho será aspirado da história?

Expulsões — A expulsão dos três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, pondo fim à ditadura — Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes — fará parte do “Memorial da Democracia”, ou isso também será aspirado da história? Em tempo: vi dia desses Soares negar na TV Cultura que tivesse sido expulso. Diga o que quiser, agora que fez as pazes com a legenda. Foi expulso, sim!

Governo Itamar — A expulsão de Luiza Erundina do partido porque aceitou ser ministra da Administração do governo Itamar, cuja estabilidade era fundamental para a democracia brasileira, entra no “Memorial da Democracia”, ou esse fato será eliminado da história?

Voto contra o Real — A mobilização do partido contra a aprovação do Plano Real integrará o acervo do “Memorial da Democracia”, ou os petistas farão de conta que sempre apostaram na estabilidade do país?

Guerra contra as privatizações — As guerras bucéfalas contra as privatizações — o tema anda mais atual do que nunca — e todas as indignidades ditas contra a correta e necessária entrada do capital estrangeiro em setores ditos “estratégicos” merecerá uma leitura isenta, ou o “Memorial da Democracia” se atreverá a reunir como virtudes todas as imposturas do partido?

Luta contra a reestruturação dos bancos — A guerra insana do petismo contra a reestruturação dos bancos públicos e privados ganhará uma área especial no “Memorial da Democracia”, ou os petistas farão de conta que aquilo nunca aconteceu? Terão a coragem, já que são quem são, de insistir na mentira e de tratar, de novo, um dos pilares da salvação do país como um malefício, a exemplo do que fizeram no passado?

Ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal — Os petistas exporão os documentos que evidenciam que o partido recorreu à Justiça contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, tornada depois cláusula pétrea da gestão de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda?

Mensalão — O “Memorial da Democracia” vai expor, enfim, a conspiração dos vigaristas, que tiveram o desplante de usar dinheiro sujo para tentar criar uma espécie de Congresso paralelo, alimentado por escroques de dentro e de fora do governo? O prédio vai reunir os documentos da movimentação ilegal de dinheiro?

Duda Mendonça na CPI — Haverá no “Memorial da Democracia” o filme do depoimento de Duda Mendonça na CPI do Mensalão, quando confessou ter recebido numa empresa no exterior o pagamento da campanha eleitoral de Lula em 2002? O museu de Lula terá a coragem de evidenciar que ali estava motivo o bastante para o impeachment do presidente?

Dossiê dos aloprados — O “Memorial da Democracia” trará a foto da montanha de dinheiro flagrada com os ditos aloprados, que tentavam fraudar as eleições — para não variar —, buscando imputar a José Serra um crime que não cometera? Exibirá a foto do assessor de Aloizio Mercadante, que disputava com Serra, carregando a mala preta?

Dossiê da Casa Civil — Esse magnífico “Memorial da Democracia” trará os documentos sobre o dossiê de indignidades elaborado na Casa Civil contra FHC e contra, pasmem!, Ruth Cardoso, quando a titular da pasta era ninguém menos do que Dilma Rousseff, e sua lugar-tenente, ninguém menos do que Erenice Guerra?

Censura à imprensa — o “Memorial da Democracia” reunirá as evidências das muitas vezes em que o PT tentou censurar a imprensa, seja tentando criar o Conselho Federal de Jornalismo, seja introduzindo no Plano Nacional de Direitos Humanos mecanismos de censura prévia?

Imprensa comprada e vendida — Teremos a chance de ver os contratos de publicidade do governo e das estatais com pistoleiros disfarçados de jornalistas, que usam o dinheiro público para atacar a imprensa séria e aqueles que o governo considera adversários nos governos dos estados, no Legislativo e no Judiciário?

Novo dossiê contra adversário — O “Museu da Democracia” do Instituto Lula reunirá as evidências todas das novas conspiratas do petismo contra o candidato da oposição em 2010, com a criação de bunker para fazer dossiês com acusações falsas e a quebra do sigilo fiscal de familiares do candidato e de dirigentes tucanos?

Uso da máquina contra governos de adversários — A mobilização da máquina federal contra o governo de São Paulo em episódios como o da retomada da Cracolândia e da desocupação do Pinheirinho entrará ou não no “Memorial da Democracia” como ato indigno do governo federal?

Apoio a ditaduras — O sistemático apoio que os petistas empenham a ditaduras mundo afora estará devidamente retratado no “Memorial da Democracia”? Veremos Lula a comparar presos de consciência em Cuba a presos comuns no Brasil? Veremos Dilma Rousseff a comparar os dissidentes da ilha a terroristas de Guantánamo?

Poderia passar aqui a noite listando as vigarices, imposturas, falcatruas e tentativas de fraudar a democracia protagonizadas por petistas e por governos do PT. As que se leem são apenas as mais notórias e conhecidas.

NÃO! ERRAM AQUELES QUE ACHAM QUE QUERO IMPEDIR LULA — E O PT — DE CONTAR A HISTÓRIA COMO LHE DER NA TELHA. QUEM GOSTA DE CENSURA SÃO OS PETISTAS, NÃO EU! O Apedeuta que conte o mundo desde o fim e rivalize, se quiser, com Adão, Noé, Moisés ou o próprio Deus, para citar alguém que ele deve julgar quase à sua altura. MAS NÃO HÁ DE SER COM O NOSSO DINHEIRO.

A conversa de que o memorial será uma instituição suprapartidária é mentirosa desde a origem. Supor que Paulo Vannuchi — JUSTAMENTE O RESPONSÁVEL POR AQUELE PLANO SINISTRO QUE DIZIA SER DE DIREITOS HUMANOS E QUE PREVIA CENSURA PRÉVIA — e Paulo Okamotto possam ter qualquer iniciativa que não traga um viés petistas é tolice ou má-fé.

Herói é você, leitor!

Espalhe de novo este texto. Herói é você, que sobrevive no Brasil mesmo com a classe política que aí está, não Lula. Ele é só um contumaz sabotador de governos alheios, que agora pretende, com a privatização de terreno e dinheiro públicos, erguer o Museu das Imposturas. De resto, basta que ele estale os dedos, e haverá empresários em penca dispostos a lhe encher as burras de grana.
Por que essa verdadeira compulsão pelo nosso dinheiro, Lula?

27 de junho de 2012
Por Reinaldo Azevedo

OS OBSTÁCULOS DO CORINTHIANS SERÃO O BOCA E A PRESSÃO EMOCIONAL DE GANHAR O TÍTULO PELA PRIMEIRA VEZ

Corinthians e Boca Juniors estão no mesmo nível técnico. O Corinthians vai adotar a marcação mais à frente, como algumas vezes faz, ou vai marcar mais atrás, com duas linhas de quatro encostadas à grande área, como fez em boa parte dos jogos contra o Santos?
O Boca deve fazer muitos cruzamentos para a área. Para isso, o Corinthians tem um goleiro muito alto e muito bom. Cássio me passa a impressão de que será um goleiro excepcional. Ou já é? Não sei. Temos de vê-lo mais vezes.

Com a queda técnica de Julio Cesar, o Brasil ficou sem um grande goleiro, como foram, recentemente, Marcos, Rogério Ceni, Dida e o próprio Julio Cesar. Quem sabe será Cássio? Apesar do erro contra o Vasco, Fábio é, hoje, o melhor. Jéferson e Rafael, bons goleiros, preferidos de Mano Menezes, falham mais que o goleiro do Cruzeiro.

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EUROCOPA

Hoje e amanhã, conheceremos os finalistas da Eurocopa. Durante a Copa de 2010, diziam, como agora, que a Alemanha era a melhor equipe e que a Espanha trocava passes em excesso, sem objetividade. No sábado, contra a França, na Copa, diante da Alemanha e contra a maioria dos adversários, a Espanha, pelo estilo e por ter os melhores armadores do mundo, ficou com a bola, deixou os rivais longe de sua área e ganhou, várias vezes por 1 a 0. Evidentemente, se a Espanha tivesse um ótimo atacante, seria mais forte.

É muito bom ver a Itália com nova postura. O time troca muitos passes e chega à frente com vários jogadores. Só não entendo o cartaz que dão a Balotelli, como se ele fosse, além de fanfarrão e exibicionista, um craque. É um bom jogador. De vez em quando, faz belos gols. Craque é Pirlo, com seus excepcionais passes.

Enquanto isso, continuam, no Brasil, a correria, os chutões e os passes longos e errados. As razões não são apenas falta de qualidade técnica ou de treinar passes. Acontece, principalmente, porque os jogadores se acostumaram, desde as categorias de base, a ter pressa para chegar ao gol, como se isso fosse moderno. Sem passe, não existe futebol coletivo, apenas espasmos individuais.

Ainda bem que poderei ver, na íntegra, o jogo da Libertadores e os outros dois pela Eurocopa, sem ficar curioso para saber os detalhes de outra partida simultânea. A turma especializada nos melhores momentos, que assiste a três jogos ao mesmo tempo e que olha mais para o computador do que para o jogo, para twittar e buscar informações, deve me achar esquisito, perdido no tempo e no espaço.

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LÍDER E VICE

Contra o Vasco, Celso Roth armou bem novamente a equipe, bloqueando avanços dos laterais e aproveitando o contra-ataque. Wellington Paulista fez mais um belo gol, Montillo brilhou intensamente, e Léo jogou bem de lateral, melhor que Diego Renan.
O jornaleiro de quem compro meus jornais, que entende de futebol, como a maioria da torcida do Cruzeiro, disse que é preciso, com urgência, arrumar um zagueiro e um volante para os lugares de Mateus e Charles.

Para discordar da maioria, acho que Ronaldinho tem jogado menos do que no Flamengo. Mais uma vez, fez seu tradicional gol de pênalti, bateu bons escanteios e deu bons passes. É pouco para o que ele foi, mas é muito mais do que os outros jogadores que o Atlético tem para a posição podem fazer.

NÃO SATISFEITO COM A ALIANÇA COM MALUF, O PT AGORA LIBERA COALIZÕES COM PSDB, DEM E PPS. VOCÊ SABIA?

Se causou estranheza e asco a súbita aliança entre o ex-presidente Lula e seu ex-inimigo Paulo Maluf, o que dizer das novas alianças que o PT pretende fazer com PSDB, PPS e DEM, nas eleições municipais de 7 de outubro?

A imprensa não noticiou, mas segunda-feira o Diretório Nacional do PT aprovou a “Resolução sobre a Política de Alianças”, para possibilitar o fechamento de coligações eleitorais com os três partidos oposicionistas, contrariando expressa determinação do IV Congresso Nacional do partido, realizado em setembro de 2011.

Como recordar é viver, vamos então conferir o que fora decidido nessa importante encontro do partido: “Como já foi dito, mas vale enfatizar, nosso objetivo é ampliar fortemente a presença do PT e seus aliados no comando dos municípios brasileiros e nas Câmaras de Vereadores(as), especialmente as capitais e as cidades com mais de 150 mil eleitores. Nossos adversários serão as agremiações que representam o bloco conservador, formado pelo PSDB, pelo DEM e o PPS, com os quais não faremos chapas”.

Onde está escrito “com os quais não faremos chapas”, leia-se agora “faremos chapas”, mostrando a que ponto chegou a política rasteira praticada no país. E para quem pensa que isso é alguma novidade, basta lembrar que, antes mesmo desta resolução do Diretório, o PT já costumava fazer coligações com o PSDB, como ocorreu no Acre no governo Jorge Viana e está ocorrendo agora na campanha para eleição do prefeito de Belo Horizonte, onde PT e PSDB caminham juntos, apoiando o candidato Marcio Lacerda, do PSB.

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JUSTIFICATIVA (?)

É muito interessante a justificativa do PT para fazer alianças com os partidos de oposição. A resolução do Diretório Nacional alega “a dinâmica de relações municipais da estrutura partidária brasileira, na qual as alianças nacionais não se refletem, de forma homogênea, nos processos estaduais e municipais”.
Diz também que há “necessidade de potencializar diversas candidaturas petistas com
chances reais de vitória e que podem ampliar suas alianças fora da base do governo federal”, acrescentando que “a direção do Partido precisa ter opções táticas para dar conta desse enfrentamento político das eleições municipais”.


Portanto, em matéria de desfaçatez, o PT realmente vem extrapolando. O resultado é que um político desqualificado e ladrão como Paulo Maluf até se vê no direito de ridicularizar o partido que hoje exerce no Poder. Maluf diz que está à esquerda do PT e é mais comunista do que o Lula, e a gente tem de engolir.

SUPERMERCADOS VOLTAM A FORNECER SACOLINHAS

DOS JURISTAS AOS JURILAS

Quarenta e oito anos depois, sobrou o quê, do movimento militar de 1964? Para começo de conversa, cobranças, mesmo com o tempo fazendo a poeira assentar. Cobranças de parte a parte.
De um lado, existem os que continuam criticando, protestando e apresentando a conta. São os que, de uma forma ou de outra, viram-se atingidos pela truculência do regime. Não apenas os torturados, exilados, censurados, demitidos e marginalizados. Ou seus familiares, se eles não estão mais entre nós.

Muitas instituições também tem o que cobrar. A imprensa, por exemplo, obrigada a omitir tudo o que prejudicava os donos do poder. Sem esquecer que a maior parte dos veículos de comunicação da época esmerava-se em divulgar aquilo que agradava os poderosos. Temendo represálias ou programando benesses, acomodaram-se quase todos os barões da mídia e muitos de seus acólitos. Seria menos ridículo que, hoje, certos falsos heróis de uma resistência inexistente ficassem calados ao invés de tentarem faturar aquilo que não praticaram.

De um modo geral, porém, a imprensa sofreu e involuiu. Jamais as tiragens dos jornais ficaram tão reduzidas, proporcionalmente ao número de leitores. “Comprar jornal para quê?” – insurgia-se o cidadão comum, se era para ler elogios ao falso milagre brasileiro ou, em contrapartida, versos de Camões ou receitas culinárias. Com a televisão e o rádio, perseguidos até no roteiro de suas novelas, pior ainda. Transmitiam a impressão de vivermos num outro mundo.

Massacrados da mesma forma foram os advogados. O regime confundia o sagrado dever de defender o semelhante com a integração obrigatória do defensor nas práticas do réu. Um monumento deveria ser erigido ao Advogado Desconhecido, mesmo a gente conhecendo o nome da maioria desses abnegados bacharéis que honraram a profissão. E sofreram por isso.

Sofreu também o Poder Judiciário, atingido em seus tradicionais predicamentos constitucionais de vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. Ministros dos tribunais superiores e simples juízes de primeira instância, intimidados, acomodados ou dispostos à resistência, assistiram desmanchar-se a estrutura fundamental da democracia, erodida por absurdos como o de que os atos revolucionários seriam insusceptíveis de apreciação judiciária.
É claro que também pontificaram os “jurilas” de todas as ditaduras, misto de juristas e de gorilas tão a gosto do regime. Reconheça-se o papel altivo do Superior Tribunal Militar, que num sem-número de ocasiões desfazia aquilo que nas instâncias inferiores a voracidade da exceção buscava transformar em regra.

Os políticos, da mesma forma, perderam o que lhes restava de credibilidade junto à opinião pública. A sombra das cassações de mandatos e das suspensões de direitos políticos só não agredia tanto a prática parlamentar quanto os ucasses que transformaram o Congresso em apêndice desimportante do Executivo.
Atos institucionais, atos complementares, decretos-leis, casuísmos, fechamentos e recessos parlamentares fizeram com que a atividade política e eleitoral se transformasse em objeto de chacota nacional. Num determinado momento, para sepultar laivos de independência, os militares dissolveram os partidos, criando o bipartidarismo obrigatório.

Para continuar na política seria pertencer ao partido do “sim”, a Arena, ou ao partido do “sim senhor”, o MDB, mais tarde inflado pela indignação, transformando-se num dos principais aríetes responsáveis pelo fim da ditadura.
Para cada dr. Ulysses ou para cada “autêntico” que se insurgia, centenas de desfigurados marionetes candidatavam-se a se ajoelhar no altar da exceção. (Continua amanhã)

E OS EMPREGAOD DO PÃO DE AÇÚCAR, CASAS BAHIA E DO PONTO FRIO?

 
O correspondente do jornal O Estado de São Paulo em Paris, Andrei Netto, traçou um roteiro excelente, no plano econômico, e dele extraiu entrevista de página inteira com o empresário Jean Charles Naouri, presidente do gigante Casino, que assumiu esta semana o comando do Supermercado Pão de Açúcar, das Casas Bahia, do Ponto Frio. As fotos foram de Márcio Fernandes e Marcos de Paula. A matéria foi publicada na edição de segunda-feira 25.

Jean Charles Naouri, argelino de nascimento, naturalizado francês, que está agora empenhado em assumir o controle da tradicional Galeria Lafayette, em Paris, e luta paralelamente pelo supermercado Monoprix, outro grande do setor, foi, me parece, bastante franco, até sobre o lado financeiro do Casino no Brasil.
Tanto assim que descartou, de modo absoluto, qualquer acordo com o adversário o Carrefour,ou mesmo intenção de adquiri-lo. E deixou nítida a estratégia que vai adotar à frente do conglomerado a partir de agora.

Mas teria sido importante – o que não aconteceu ao longo da entrevista – uma referência clara e direta quanto à posição dos empregados do GPA, das Casas Bahia e do Ponto Frio. Só as Casas Bahia possuem 56 mil empregados.
O Ponto Frio tem menos. Porém o Pão de Açúcar tem mais, especialmente em São Paulo, onde é fortíssimo. Acredito assim que Pão de Açúcar.
Casas Bahia e Ponto Frio atinjam, em conjunto, em torno de 150 mil funcionários. Incluindo suas famílias, tal soma envolve pelo menos isso. Teria sido importante se Neouri tivesse se dirigido a essa massa humana com uma mensagem social positiva e tranqüilizadora. Talvez venha a fazê-lo em breve. Vamos ver.

A oportunidade continua em aberto. Sobretudo porque Jean Charles afirmou não desejar entendimento com a família Klein (Casas Bahia) tampouco com a Sra. Lilly Safra (Ponto Frio). Com esta, inclusive, a falta de sintonia deslocou-se, disse ele, para a esfera judicial.
Quanto a Abílio Diniz, o presidente do Casino informou ter oferecido ao empresário brasileiro permanecer na presidência do Conselho de Administração do GPA. Mas não sei – acrescentou – se ele vai aceitar. Assinalou também que Casas Bahia e Ponto Frio pertencem a Viavarejo, liderada pelo Pão de Açúcar. Não tenho nenhuma intenção de vender a Viavarejo, afirmou Naouri.

Mas em me referi à questão do emprego porque num dos pontos da entrevista a Andrei Netto, Jean Charles revelou uma estratégia diversa as que vinha sendo adotada pelo Pão de Açúcar e, antes dele, pelas Casas Sendas.

Trata-se da criação de hipermercados. O homem que comanda o Casino disse claramente que os hipermercados funcionam plenamente em áreas de renda menor. E não funcionam bem nas áreas de renda mais alta. Nestas áreas, defendeu a estratégia que ele chama de “proximité”, proximidade entre os pontos de venda e os consumidores. Algo assim, me parece, com a política de colocar unidades leves próximas umas das outras, como procedeu, no Rio, o supermercado Zona Sul.

Se Jean Charles adotar este sistema é porque pretende reduzir as lojas de maior porte e investir nas de médio e pequeno porte. Como ficam os empregados? – razão do título deste artigo. E os do Ponto Frio, cujo relacionamento é ainda complicado? E a posição das Casas Bahia no mercado publicitário brasileiro?
As Casas Bahia, que despenderam mais de 1 bilhão e 200 milhões em 2011, maior anunciante do país, como vai passar a proceder? Só Jean Charles Naouri pode desvendar o futuro nesta altura dos acontecimentos. A exemplo da canção popular, como será o amanhã? Responda se puder.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

A CRENÇA DE JORGE AMADO

Jorge Amado, deputado comunista na Constituinte de 45, por São Paulo, deixou sua marca de libertário, democrata, popular e filho de santo baiano, como autor do item VI do art. 5 da Constituição:
- “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livro exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

Apesar da garantia da Constituição, a perseguição religiosa, no Brasil, durou muito tempo. Só a Igreja Católica tinha realmente liberdade. Os protestantes, hoje evangélicos, sofriam pressões em toda parte. Os espíritas também. E o candomblé, até mesmo na Bahia e no Maranhão, era implacavelmente discriminado, perseguido, chantageado.

Na Bahia, a polícia invadia sistematicamente os terreiros para extorquir dinheiro ou bater, prender. Eleito deputado baiano em 62, Jorge Amado me sugeriu e apresentei, com a autoridade de católico e oito anos de seminário, um projeto, baseado no artigo dele na Constituição, proibindo a polícia de entrar em terreiros sem ordem judicial, como não entrava nas igrejas e templos.

Quando os levava a algum candomblé, amigos do sul não entendiam o carinho da velha Menininha do Gantois e outras mães de santo comigo. É que nunca mais a polícia baiana chantageou, extorquiu ou invadiu terreiro nenhum.

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BEIJO NA BOCA

Luís de Oliveira, orador popular nas lutas políticas da Aliança Liberal, na revolução de 30, aliado e liderado de José Américo de Almeida na Paraíba, elegeu-se vereador de João Pessoa. Era o tribuno do povo.

Um dia, os jornais começaram uma campanha contra beijo na boca em público. Diziam que aquilo era “degradação que vinha do Rio, contaminado por idéias estranhas aos puros sentimentos do povo brasileiro e que não podia ser consentida pela virtuosa família paraibana” (editorial do jornal “A União”).

Logo apareceu, na Câmara Municipal, um projeto mandando prender quem desse beijo na boca em público. O bispo mandou chamar Luís Oliveira:
- Vereador, o senhor é o maior votado, o mais popular e o representante da juventude na Câmara. Precisa dar o exemplo, nos ajudar. Queremos seu voto.
- Senhor bispo, me perdoe, mas não posso. Sou um cristão, um católico e sei que o beijo na boca em público é um atentado à moral. Mas sou um democrata e não posso ficar contra um movimento popular vitorioso.
O projeto foi aprovado. Mas o democrata Luís Oliveira votou contra.

27 de junho de 2012
Sebastiâo Nery

E AÍ, PRESIDENTE DILMA, VAI QUERER UM BANHO DE SANGUE?

Em seu quarto dia no Palacio de los López, sede da presidência do Paraguai, o político liberal Federico Franco afirmou nesta terça-feira, 26, que pretende enfrentar o isolamento regional de Assunção "com ações, e não palavras" e disse que teve de assumir a presidência para evitar o risco de uma "guerra civil".
A dois dias da reunião do Mercosul na Argentina - da qual o Paraguai foi suspenso -, Franco recebeu em seu gabinete um grupo de jornalistas sul-americanos, incluindo o do Estado. "Mandem a mensagem de que está tudo normal por aqui", insistiu três vezes.
 
Leia trechos da entrevista a seguir.

Estado: Por que o presidente Lugo foi removido num processo tão rápido?

Federico Franco: Foi uma decisão do Congresso, em um julgamento político - e não convencional. Nesse dispositivo, a Câmara dos deputados se converte na entidade acusadora e o Senado, em tribunal. O prazo é estabelecido pelo próprio Congresso, com um regulamento próprio, e eu não formo parte desse poder.

Estado: Mas o sr. considera que Lugo teve um julgamento justo?

Federico Franco: Se não considerasse, eu não estaria aqui. Foi justo? Pedi publicamente que garantissem (a Lugo) o maior tempo e espaço para se defender. Mas os parlamentares decidiram assim para que não fosse derramada mais uma só gota de sangue em nosso país. Uma semana antes (da destituição), havíamos enterrado 17 paraguaios.

Estado: Qual mensagem o sr. envia ao Mercosul, que se reúne esta semana na Argentina?

Federico Franco: O Paraguai foi um país que sempre teve boas relações com os vizinhos. Somos o menor país da região e, além disso, somos mediterrâneos. Precisamos de nossos vizinhos. Meu primeiro desafio é manter calma a casa, equilibrar as coisas. Evidentemente que aqui estamos passando por uma situação sui generis, eu reconheço isso. Mas, por meio dos contatos entre nossas chancelarias, queremos manter boas relações. É essa nossa vocação.

Estado: O Brasil tem um peso especial nesse sentido?

Federico Franco: Com o Brasil, estamos unidos por Itaipu. Grande parte da energia que chega a São Paulo vem de nossa usina binacional. Não há motivo para ter más relações. Acabam de sair (do gabinete) representantes dos brasiguaios, cerca de 450 mil pessoas vivendo aqui. Por unanimidade, vieram dar o apoio ao nosso governo. A Igreja Católica também deu seu apoio de forma contundente, além do Tribunal de Justiça Eleitoral e a Corte Suprema de Justiça. Apenas 1 dos 80 deputados votou a favor do presidente Lugo e 4 dos 45 senadores. Ou seja: não estamos falando de algo que violou o direito e a Constituição. Agora, meu compromisso e minha obrigação são os de manter equilibrado o país.
 
26 de junho de 2012
coroneLeaks

PARAGUAI, SOBERANIA E A PARANÓIA BOLIVARIANA


Começo este artigo com uma pergunta à você leitor: A deposição de Collor foi um golpe?
A resposta é uma só: Claro que não.

E o mesmo se deu no Paraguai. O ex-presidente Lugo foi deposto por um mecanismo constitucional; com o referendo da esmagadora maioria do Congresso Nacional Paraguaio; obteve o aval da Corte Suprema Paraguaia (por unanimidade) e foi substituído por seu vice-presidente eleito. Então, por gentileza, me expliquem onde está contido o golpe nessa equação?

A ideia de golpe é vendida pela esquerda retrógrada brasileira e por exemplos democráticos nada sérios como o presidente Chávez e seu conjunto de títeres na UNASUL. O Brasil, como no caso Zelaya, embarca na paranoia bolivariana e esquece que o maior determinante para identificar uma democracia não é ter um presidente eleito ou eleições diretas; é a submissão deste presidente (e de todos os políticos) as leis e a constituição.

Assim, se a Constituição Paraguaia prevê a deposição e todo o rito legal foi seguido à risca (mesmo que esdrúxulo aos nossos olhos), quem somos nós para interferirmos nos assuntos internos e soberanos de um país?
A interferência de Chávez e de seus simpatizantes na deposição de Lugo, vem muito mais do temor de que o mesmo lhes aconteça em seus próprios países do que, propriamente, pelo desejo de defender a democracia.

Aqui no Brasil, a ideia de que um presidente eleito por ampla maioria pode tudo (desde que tenha alta popularidade) foi vendida por Lula e usada para abafar todas as violações legais que o ex-presidente praticou durante seu mandato e continua praticando depois dele. Deixou-se de lado o princípio democrático de que todos são iguais perante a lei e se criou a figura do semideus político que tudo pode.

A ideia de que a popularidade é igual a legitimidade e não o respeito às leis e a subserviência de todos os cidadãos (do mais poderoso ao mais humilde) a elas o que define uma democracia foi instalada em nossas mentes visando referendar e desculpar as atrocidades de Lula à frente do PT.

Infelizmente, diferente dos hondurenhos e dos paraguaios, não tivemos a devida competência para mostrar que não desejamos semideuses e sim estadistas capazes de levar o Brasil para o lugar em que ele merece estar.

Portanto, se Lugo violou as leis de seu país e mostrou-se indigno de ocupar o cargo de presidente da república, os paraguaios têm todo o direito de dar-lhe “um pé na bunda” (exatamente como fizemos com Collor). É o desejo de manter os estados sul americanos sob o tacão da ideologia chavista que impele, essa gente que grita “golpe”, a querer ditar as regras que uma nação soberana deve seguir.
Lugo mostrou-se incompetente desde os primeiros dias de seu governo e foi incapaz de lidar com os problemas paraguaios; concentrando-se apenas em torná-los nossos (a a administrar sua prole até então oculta).

Da mesma forma que Evo Morales só se sustenta no poder boliviano pelos rios de dinheiro que recebe de Chávez e do Brasil, Lugo deixou de lado as reformas e os problemas de seu país para eleger o Brasil como um inimigo particular do Paraguai e perseguir brasileiros que vivem naquele país, atribuindo a nós a culpa de todos os problemas paraguaios e exigindo, como um chantagista barato, cada vez mais recursos a título de compensação “pelos danos”.

Essa desculpa das atrocidades cometidas na Guerra do Paraguai simplesmente não cola mais. Os paraguaios e as esquerdas (que anseiam em nos fazer sentir culpados pela ineficiência e corrupção alheios) se esquecem de que foi o Paraguai quem começou o conflito e que ele já aconteceu há mais de cento e quarenta anos (tempo mais do que suficiente para que os paraguaios fizessem alguma coisa por si).

Portanto, o Brasil embarca mais uma vez na canoa furada chavista e grande parte da imprensa vai na mesma linha sem se dar conta de que estamos cometendo um erro.

Lugo incentivou a violação de direitos civis e perseguiu cidadãos brasileiros que vivem e produzem no Paraguai; permitiu que grupos guerrilheiros se infiltrassem, armassem e treinassem os “sem-terra” paraguaios e permaneceu omisso enquanto essas milícias levavam terror e morte às margens de nossas fronteiras. Tudo isso sob a passividade criminosa de nosso próprio governo.

Se nem os próprios paraguaios estão reclamando da deposição de Lugo, quem somos nós para nos prendermos a um títere chavista e a um político sabidamente mentiroso e não confiável? Isso fica ainda mais grave quando o político em questão preside um país problemático às margens de nossas fronteiras e usa isso para extorquir o povo brasileiro como forma de esconder sua incompetência administrativa.

O Brasil deve, de uma vez por todas, deixar de lado a fantasia bolivariana e concentrar-se apenas em seus interesses e em se impor como nação dominante no continente, varrendo o bufão Chávez para o seu lugar de direito que é a vala comum da história destinada aos ditadores megalomaníacos e suas nações arrasadas por sua incompetência e sonhos de poder ilimitado.

Devemos assumir que temos muito mais a ver com a Europa e os EUA do que com a antiga URSS e abandonar o passado deixando, de uma vez por todas, o complexo de culpa que os agentes do atraso sempre quiseram nos incutir.
E você leitor, o que pensa disso.

27 de junho de 2012
visão panorâmica