"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 7 de abril de 2013

ERENICE, A CÉLEBRE QUADRILHEIRA DE DILMA, ESTÁ DE VOLTA AO PODER

 
Erenice, ex-braço-direito de Dilma, demitida por causa de lambanças da Casa Civil, está de volta. E continua poderosa! Ninguém vaia, ninguém protesta, ninguém dá selinho…




Erenice, demitida da Casa Civil depois de um escândalo, torna-se poderosa lobisa e já segue agenda de Dilma (foto: Dida Sampaio/13.07.2010/Estadão Conteúdo)
No Brasil em que um deputado evangélico se transforma no inimigo público nº 1 da imprensa e dos descolados — ele pode não ser a voz de Deus, mas os que querem linchá-lo não são a voz do povo! — porque é contra o casamento gay (“Oh! Como pode? Que escândalo!”), os que trataram e tratam os cofres públicos como se fossem assunto privado não têm com que se preocupar. Vejam lá João Paulo Cunha e José Genoino, condenados e cassados (questão de tempo), na Comissão de Constituição de Justiça. São tratados pelo jornalismo como príncipes, como pensadores. Setenta e três milhões de reais só do Banco do Brasil foram para o ralo dos larápios. Mas Genoino diz que não houve dinheiro público naquela sem-vergonhice. Nem Ricardo Lewandowski acreditou. Assim, não é de se estranhar que Erenice Guerra — ex-braço-direito da então ministra Dilma e depois ela própria chefe da Casa Civil, demitida à esteira de um escândalo — esteja de volta. E mais poderosa do que nunca!
Reportagem publicada na edição de VEJA desta semana mostra que Erenice montou um escritório de lobby numa mansão de Brasília, desfila num carrão avaliado em R$ 200 mil, reúne-se com empresários e agentes públicos e continua, atenção!, INFLUENTE NO PALÁCIO DO PLANALTO. Mais do que isso: ela também lida também com questões que dizem respeito à campanha eleitoral de 2014.
Não é a primeira que foi defenestrada do governo e que volta com força. Dilma devolveu os ministérios do Trabalho e dos Transportes a prepostos dos ex-ministros Carlos Lupi e Alfredo Nascimento, respectivamente. Os dois saíram do governo tangidos por escândalos. Como Dilma quer contar com o PDT e com PR na eleição do ano que bem, como quer o seu tempo de TV, fez o que estava a seu alcance para contentar as duas legendas: entregou-lhes cargos públicos; deu-lhes uma fatia da administração. Eles, naturalmente, ficaram gratos, vão apoiar a campanha pela reeleição de Dilma e dirão que o fazem em defesa do povo.
Como só um homem mexe com o senso de justiça da imprensa — Marco Feliciano! —, essas negociações, assim, meio pornôs no que respeita à moralidade pública, foram feitas a céu aberto. Ninguém espera que o PDT ou o PR apresentem uma bula de princípios éticos para Dilma, não é mesmo?
Com Erenice, no entanto, é um pouco diferente. Ela não tem votos no Congresso nem tem minutos na TV. Mas, pelo visto, tem um lugar no coração de Dilma. Na Casa Civil, conheceu as entranhas do Palácio. Voltou, assim, meio nas sombras, mas atuando já nas altas esferas. Leiam trechos da Reportagem de Rodrigo Rangel e Adriano Ceolin. Volto em seguida.

*
Braço-direito de Dilma no governo passado, Erenice foi demitida em setembro de 2010, duas semanas antes da eleição, depois de VEJA revelar que ela integrava um bem articulado esquema de corrupção montado no Palácio do Planalto. Com a vitória de Dilma, reconstruiu a carreira longe dos holofotes. Hoje, ela atua como lobista de sucesso – que recebe em seu escritório autoridades de primeiro escalão para negociar projetos bilionários — e participa até mesmo das articulações eleitorais em curso. Na semana passada, Erenice esteve em Fortaleza com Dilma e a comitiva da presidente, que cumpriu agenda oficial na cidade. Erenice se hospedou no mesmo hotel reservado para a equipe presidencial e agiu como se ainda fosse, formalmente, uma das estrelas do time. Ela conversou com políticos e cobrou deles empenho na campanha pela reeleição da petista. Apresentou-se sempre como uma interlocutora do Planalto e quis saber quem simpatizava com Eduardo Campos (PSB), o aliado que pode virar adversário na corrida presidencial. Há mais do que mera lealdade à amiga Dilma nesse tipo de trabalho. Há. isso sim, uma boa dose de estratégia comercial. Erenice ganha para fazer lobby de interesses privados junto ao governo do PT, no qual tem uma extensa rede de contatos.
No Ceará, a ex-ministra teve uma audiência com o vice-governador Domingos Filho (PMDB) para tratar de um projeto de exploração de energia solar tocado no estado pelo empresário Eike Batista. Mas a base de operações dela é mesmo em Brasília, numa luxuosa casa no Lago Sul, um dos endereços mais exclusivos da capital. Ali, funciona o escritório Guerra Advogados Associados, que Erenice mantém em sociedade com os irmãos. O escritório é de advocacia apenas no nome. Erenice não aparece como advogada em nenhum processo novo sequer, nem na Justiça local nem nos tribunais superiores de Brasília. Não sem razão. A especialidade da casa é outra: fazer lobby. Utilizando-se das boas relações que tem no governo federal e entre políticos petistas e de partidos aliados, Erenice bajula e é bajulada por autoridades — de senadores da República a funcionários do alto escalão do governo — e fecha negócios valiosos envolvendo o setor público. Na quarta-feira, ela recebeu o secretário executivo do Ministério da Previdência, o petista Carlos Gabas. “Foi um almoço de amigos. Conversamos sobre a vida e o que estamos fazendo para manter nossa sanidade mental”, disse Gabas, que chegou ao escritório em carro oficial e é quem manda de fato na pasta. “Até onde eu sei, nada foi provado contra ela.” Não é bem assim.
No Ministério Público, após uma investigação sumária e repleta de falhas, o procedimento destinado a apurar as peripécias da ex-ministra de fato foi arquivado. Mas um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão do próprio governo, acusou Erenice de irregularidades graves quando esteve no comando da Casa Civil. Entre elas, ter usado o cargo para viabilizar negócios de empresas que contratavam os serviços de consultoria de seu filho Israel. Erenice agiu ainda para favorecer a Unicel, companhia de telefonia que tinha seu marido, José Roberto Camargo, como representante. Esse lobby rendeu frutos num primeiro momento, mas o grande negócio — que era a venda da Unicel para a Nextel – foi barrado pela Anatel depois de revelado por VEJA.
(…)
Voltei
Este blog publicou com exclusividade, no dia 1º de novembro do ano passado, a operação que havia sido montada para vencer a Unicel, uma empresa falida, à Nextel. Curiosamente, informei então, coisas desse fantástico mundo das coincidências em que transitam os petistas, a Nextel estava sendo beneficiada por uma decisão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que tinha tido o dedo — ou a mão inteira — de Erenice. A operação de compra e venda transitava na surdina. Revelada, a Anatel teve de intervir e impediu a operação. Legalmente ao menos, com certeza, ela não se realizou…
EncerroConvenham, não é? O Brasil tem coisas mais importantes e urgentes, como punir as pessoas por delito de opinião.

07 de abril de 2013
Com Blog do Reinaldo Azevedo - Veja Onine

'LULILMA' É PEÇA DE FICÇÃO

Lula, Dilma, Palocci, Mercadante, Falcão... encontro às escuras e às custas do erário
 
 
A presidente Dilma Rousseff viajou a São Paulo na quarta-feira para um evento de "caráter privado", conforme a Secretaria de Comunicação do Planalto, em um hotel de luxo da capital - à custa do erário. Mas, na atual ordem das coisas, isso decerto importa menos do que o motivo da viagem: uma reunião a portas fechadas, que acabou se estendendo por sete horas, com o antecessor e mentor Luiz Inácio Lula da Silva e mais quatro participantes.

Além do dublê de ministro da Educação e conselheiro de confiança da presidente, Aloizio Mercadante, do presidente do PT, deputado estadual Rui Falcão, e do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ali estava o ex-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

O principal operador da campanha de Dilma foi o primeiro dos seis ministros atingidos pela chamada faxina a que ela se entregou no ano inaugural do mandato, embora por alegados "malfeitos" anteriores a sua nomeação.


Com toda a probabilidade, aquele não há de ter sido o primeiro encontro entre a presidente e Palocci, ou entre ela, ele e Lula. Ninguém ignora que a sua saída do núcleo central foi uma perda que Dilma tenta tardiamente reparar, fazendo de Mercadante, segundo o noticiário, o seu interlocutor privilegiado.

(Segundo os cínicos, isso se explicaria menos pelas eventuais qualidades de estrategista político e administrativo do senador petista licenciado, do que pela esperteza que o faria sempre dizer à chefe o que ela gostaria de ouvir.)

Nem ao Estado nem ao Valor, que publicaram anteontem alentadas entrevistas com a presumível estrela em ascensão no Planalto, ele aceitou tratar da reunião "privada" paga com recursos públicos, da qual, assim como a presidente, não poderia tomar parte em pleno horário de expediente. Mas, de novo, isso é detalhe, perto, entre outras coisas, da incurável dependência de Dilma do seu patrono.

"Eles sempre conversam e é muito interessante", diz o ministro, de um lado constatando o óbvio, de outro, quem sabe, para mostrar intimidade com o que o "extraordinário" Lula e a sucessora - a quem atribui "profunda formação política" - se falam. De todo modo, não é preciso ter dons divinatórios para saber que, direta ou indiretamente, o assunto em torno do qual tudo gira é a sucessão de 2014 - não apenas no plano federal, como também nos Estados.

É exclusivamente dessa perspectiva que Lula orienta as decisões de governo da protegida cuja recandidatura ele foi o primeiro a lançar em fevereiro último - a 19 meses, portanto, do próximo ciclo eleitoral. Como se diz em linguagem corrente, eles não pensam em outra coisa. Isso, evidentemente, não os torna iguais.

Mercadante pode afirmar quantas vezes queira, citando pesquisas reservadas, que "os dois viraram uma coisa só" - um "Lulilma", digamos. Para o povo, sustenta, "tinha um (presidente) que era muito bom e agora têm dois, que é melhor ainda".

Embora a popularidade de Dilma tenha de fato alcançado níveis lulistas, e a rejeição ao seu nome deva ser menor que ao dele em determinados segmentos, pode-se supor que, se se perguntasse ao eleitor em qual dos dois preferiria votar, numa imaginária disputa entre ambos, Lula prevaleceria. Seria uma simplificação presumir que dele dependem quaisquer iniciativas ou decisões da presidente.

A ascendência do criador sobre a criatura passa pelo que ele poderá achar bom ou mau, nas políticas do governo, para a permanência do PT no poder - e nessa matéria, ainda que fosse a notável gestora que Lula fazia crer que fosse em 2010, Dilma precisa dele como do ar que respira.

Por exemplo, não será ela quem dará a última palavra sobre a candidatura do partido ao governo paulista - um dos principais assuntos, ao que vazou, da reunião da quarta-feira. Se assim não fosse, talvez não houvesse razão para a presença do prefeito Luiz Marinho, um dos nomes que Lula parece considerar, além do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do próprio Mercadante.

Contra um pesa a maciça reprovação popular do setor. Contra o outro, a preferência do eleitorado estadual por um tucano em 2006 e 2010 (quando ele podia se reeleger senador). "O PT não me deve nada", diz Mercadante. Os companheiros fingem acreditar.

07 de abril de 2013
Editorial de O Estado de S.Paulo

IMPACIÊNCIA COM INFLAÇÃO GANHA SÍMBOLO POPULAR, O TOMATE. MAU SINAL PARA O GOVERNO

                               Pisar no freio ou no tomate.


 
O POVO ainda parece feliz feito pinto no lixo e adora Dilma Rousseff, algo alienado que está nos efeitos de uma economia mal parada, ou que mal se move. Mas a inflação persistente tem seu primeiro símbolo mais ou menos popular, o tomate, que está caro para chuchu e se tornou motivo de conversa e chacota nas praças da internet, as ditas "redes sociais".

Não dá, claro, para explicar o preço do tomate pelos desarranjos macroeconômicos. Mas o fruto tornou-se o bode expiatório da alta geral dos preços da comida, com perdão pela dissonância biológica, e de certo cansaço com três anos de inflação rodando em torno de 6%.

Nos últimos 12 meses, o preço de comer em casa subiu quase 14%. Na média geral da economia, os preços subiram 6,3%. O preço dos alimentos não subia tanto assim em 12 meses desde 2008. A inflação da comida também tem sido maior que o aumento dos salários, o que também não ocorria fazia uns cinco anos.

Os aumentos de alguns produtos básicos talvez reforcem o mal-estar do tomate. O preço da comida pesa mais na memória e especialmente no bolso dos mais pobres.

Farinhas e massas ficaram 32% mais caras nos últimos 12 meses; batata e legumes, 69%; o grupo de arroz e feijão, 27%; o óleo, 18%. As carnes estão bem comportadas, abaixo da inflação média, mas aves e ovos subiram 21%.

Claro que nem todos os preços sobem assim. Bens duráveis estão mais baratos, carros e eletroeletrônicos, por exemplo. São importados ou enfrentam concorrência do mercado internacional (e tiveram uma mãozinha da redução de impostos).

O preço dos eletroeletrônicos caiu quase 1% em 12 meses. Serviços, como despesas pessoais, médicos e dentista, encarecem mais de 10%.

Os custos domésticos crescem, os salários vão atrás, a indústria nacional padece da carestia, fica menos competitiva, perde mercado, desanima e segura investimentos. E estamos assim algo encalacrados.

Outro sinal de consumo excessivo é o aumento do deficit externo (deficit em conta-corrente, a diferença do valor de bens e serviços que exportamos e importamos). Neste 2013, o deficit deve passar de 3% do PIB, depois de três anos flutuando em torno de 2,2% do PIB (2007 foi o último ano de uma série rara de anos de superavit).

Para piorar, estamos mais e mais financiando o deficit com dívida externa.

Os economistas do governo e adeptos acham que o preço da comida disparou devido a safras ruins pelo mundo e não tão boas no Brasil. O aumento grande do salário mínimo no ano passado teria colocado lenha na fogueira dos preços de comida e serviços (mais dinheiro, mais consumo, mais oportunidade de repasse de preços para o consumidor), coisa que não vai se repetir daqui por diante até 2014, pelo menos.

O problema é que há mais fogo sob a frigideira da inflação que em 2008. O nível de preços teria subido ainda mais agora não fossem controles artificiais como reduções de impostos, do preço da energia elétrica e do adiamento do reajuste da passagem de ônibus. Além do mais, tais medidas estimulam ainda mais o consumo.

Enfim, o mercado de trabalho está muito mais apertado agora do que em 2008.

07 de abril de 2013
Vinícius Torres Freire - Folha de São Paulo

PARA FERNANDO HENRIQUE, DILMA GOVERNA COM "PIRUETAS VIRTUAIS"

Razão e bom senso

Apesar de parecer difícil guardar otimismo e manter esperanças diante do quadro atual de crise financeira e desatinos políticos, sempre se há de tentar construir um futuro melhor.

Descartes dizia que o bom senso era a coisa mais bem distribuída entre as pessoas. Em sua época, bom senso equivalia à razão. Na linguagem atual corresponderia a dizer que o coeficiente de inteligência (QI) se distribui entre todas as pessoas seguindo uma curva que se mantém inalterada no tempo, geração após geração. Será? É possível e mesmo provável.

Mas bom senso implica também em inteligência emocional e na prudência ao tomar decisões. Não basta ser inteligente, é preciso ser razoável e prudente para evitar que as paixões se sobreponham à razão. É preciso ter juízo.
Ora, no mundo em que vivemos, pelo menos neste momento, parece grande o risco de ações impulsivas comprometerem o que é razoável. Quando ainda se podia crer que havia uma “lógica econômica” para justificar ações de força – por exemplo, na época do colonial-imperialismo – a repulsa ao inaceitável (a subordinação de povos à acumulação de riquezas) vinha seguida da explicação “lógica” do porquê das ações: o objetivo seria acumular riquezas e expandir o capitalismo.

Mas e agora, quando a Coreia do Norte bravateia (e quem sabe o que fará) que pode arrasar o Sul e mesmo, atingir a costa Oeste dos Estados Unidos, qual é a lógica? E que dizer do Dr. Bashar Assad, que fechou sua clínica médica em Londres para substituir o pai no poder, e bombardeia seus conterrâneos há dois anos?

Fossem só estes os exemplos, mas não. Na pequena Chipre, cujo sistema bancário se tornou abrigo para capitais de procedência discutível, quando não claramente resultantes da corrupção e da evasão fiscal, vê-se um governo que, sem mais essa nem aquela, temeroso da pressão dos controladores financeiros da União Europeia, não tem ideia melhor do que expropriar os depositantes fossem ou não proprietários de capitais de origem discutível.

Embora menos flagrantemente absurdo, o mau manejo financeiro e fiscal na União Europeia não está levando os povos ao desespero, tanta a injustiça de fazer com que quem não tem culpa pague pelo desatino de governos e financistas?

Ainda bem que nem tudo é desatino. Obama ao tomar posse de seu primeiro mandato disse que os Estados Unidos deveriam investir mais em ciência e tecnologia e preparar uma revolução produtiva baseada na energia limpa, juntando conhecimento e inovação com a possibilidade de a economia crescer sem destruir o meio ambiente.

Esta semana renovou a crença e parece que seu país está saindo da crise iniciada em 2008 fazendo o que era necessário: abrindo novas áreas de investimento, alterando a geopolítica da energia e, quem sabe, deixando para trás os tremendos erros que levaram à explosão dos mercados financeiros.com. Será? Torçamos para que dessa vez prevaleça não só a razão cartesiana, mas o bom sentido comum e que se entenda que mercados sem regulação levam à irracionalidade.

Quanto a nós brasileiros, parece que tampouco aprendemos muito com equívocos voluntaristas do passado. Somos reincidentes. Juntamos aos impulsos movidos por boa vontade, certa grandiosidade que não corresponde à realidade. Ao desejar sair da amea­ça de baixo crescimento econômico a todo custo, vão sendo anunciados a cada dia novos planos e programas. Entretanto, só saem do papel morosamente e, muitas vezes, nem isso. Por quê?

Talvez porque acreditemos demais em grandes planos salvadores e menos no método, na rotina, na persistência e na inovação para acelerar o caminho. O governo, por exemplo, percebeu que o futuro depende do conhecimento e que existe um quase apagão de gente qualificada para o país encarar o futuro com maior otimismo. Logo, havia que propor a “grande solução”.

Em vez de termos minguados 8.500 bolsistas no exterior passaríamos logo a 100 mil em quatro anos! Resultado: uma profusão de bolsas, um menoscabo da capacidade universitária já instalada e o envio ao exterior de muitos que sequer conhecem bem a língua do país onde vão estudar.

Do mesmo modo, ao se descobrir que havia óleo na camada do pré-sal largamos o etanol, esquecemos que os poços se extinguem, não investimos suficientemente nas áreas fora do pré-sal e desdenhamos o que de novo pode ter havido no mundo, como as inovações na extração do óleo e do gás do xisto como fizeram os americanos. Claro que ainda há tempo para recuperar o tempo perdido e retomar a esperança.

Mas, se em vez de cantar loas ao que ainda não é palpável e de dedicar tanto tempo à briga pelos futuros royalties do petróleo, tivéssemos, sem muito bumbo, discutido metodicamente as melhores alternativas energéticas, inclusive as do petróleo, e tivéssemos apoiado mais a pesquisa e a inovação, provavelmente sentiríamos menos angústia por oportunidades perdidas.

O comentário vale para toda a infraestrutura econômica. Ah, se tivéssemos preparado leilões bem feitos para as concorrências nas estradas, nos portos, nos aeroportos e assim por diante, poderíamos ter evitado o desperdício de parte “da maior safra de grãos da história” pelas péssimas condições de transporte e embarque dos produtos.

Para remediar, propõem-se sempre mais projetos grandiosos e tanto o governo como seus arautos se perdem em discursos grandiloquentes. Não é isso o que ocorre também com as medidas para enfrentar as amea­­ças de uma ainda mais alta inflação? Imediatismo e atropelo na concessão de subsídios, isenções e favores substituem a pachorrenta persistência em uma linha de conduta coerente que, menos espalhafatosamente, possa levar o país a dias melhores.

Estes, entretanto, são possíveis. O xis da questão é simples de ser formulado, difícil de ser executado: como passar da quantidade para a qualidade, do palavrório para uma gestão prática; como em vez de animar uma sociedade de espetáculos (nunca na história...), construir uma sociedade decente, na qual a palavra corresponda a fatos e não a piruetas virtuais. Continuo a crer que é possível. Mas é preciso mudar de guarda. Esperemos 2014.

07 de abril de 2013
Gazeta do Povo

INJEÇÃO DE R$ 315 BILHÕES PARA TURBINAR O PIB. CIFRA CORRESPONDE A INCENTIVOS EM DOIS ANOS DE GOVERNO DILMA. PARA 2013, MAIS R$ 50 BI



Linha de produção. Setor automotivo teve redução de IPI. Incentivos também incluíram crédito com juros mais baixos
Foto: Divulgação
Linha de produção. Setor automotivo teve redução de IPI. Incentivos também incluíram crédito com juros mais baixosDivulgação

Os esforços do governo Dilma Rousseff para turbinar a economia somaram R$ 315,3 bilhões nos dois primeiros anos de mandato, e chegarão a pelo menos R$ 366 bilhões no fim de 2013. Esse valor inclui a redução de impostos para vários segmentos da economia, os subsídios incluídos no Orçamento para assegurar taxas de juros mais baixas ao setor produtivo, além de sucessivas injeções de recursos em bancos públicos para a ampliação do crédito.
 
Somente este ano, as desonerações programadas chegam a R$ 50,7 bilhões e para 2014 mais R$ 55 bilhões já estão previstos. Os principais alvos das ações têm sido setores com maior potencial de alavancar investimentos e estimular o crescimento, como bens de capital e construção civil. Mas os setores mais prejudicados pela competição com os importados, como as indústrias têxtil e automotiva, também mereceram tratamento especial.

No entanto, as medidas tiveram pouco efeito sobre o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), que cresceu apenas 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012. A indústria de transformação, que funciona como termômetro do setor de bens de capital, praticamente não cresceu no primeiro ano do governo Dilma (0,1%) e caiu 2,5% no ano passado. A taxa de investimento também decepcionou, baixando de 19,3% para 18,1% do PIB no período.

Representantes dos setores que mais receberam ajuda do governo e especialistas ouvidos pelo GLOBO afirmam que os incentivos foram importantes, mas lembram que, diante de uma crise internacional e da falta de competitividade da indústria brasileira, eles conseguiram apenas evitar um quadro ainda pior. Segundo o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Gomes de Almeida, sem os incentivos, a economia provavelmente não teria crescido nada no ano passado:

— Podemos dizer que as medidas tiveram eficácia, porque o desempenho da economia do país certamente teria sido bem pior sem elas.

O setor campeão na lista de incentivos da equipe econômica foi o de bens de capital. Foram feitas desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da folha, reduções de prazo para aproveitamento de créditos tributários, liberações de linhas do BNDES com taxas de juros reduzidas e um plano de compras governamentais de mais de R$ 8 bilhões.

Na semana passada, o governo também zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para financiamentos concedidos por bancos privados para a compra de máquinas. No entanto, segundo o IBGE, a taxa de investimentos brasileira caiu em 2012 justamente porque houve um recuo na produção desses itens.

Falta de competitividade persiste

Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, as medidas não foram suficientes para resolver de maneira eficaz o problema da falta de competitividade nacional:

— Não é porque o governo tirou o IOF de empréstimo que o empresário vai comprar máquina. A indústria só faz isso se achar que vai conseguir vender seu produto no mercado. Se o produto perde para o importado, por exemplo, ele não investe.

Para ele, as medidas ajudaram a indústria de máquinas e equipamentos a “recolher os cacos” depois da crise mundial de 2008, mas não atacaram problemas mais estruturais como o alto custo dos insumos e o câmbio:

— O governo acertou no remédio para tratar a dor de cabeça do doente com câncer, mas não tratou da doença principal.

Para Velloso e Almeida, ainda é preciso atacar o problema da complexidade da carga tributária que existe sobre os insumos e também resolver problemas de logística, como a falta de estradas para escoar a produção.

O segundo na lista dos eleitos pelo governo foi a construção civil, que responde por mais de 40% da taxa de investimento brasileira. Neste caso, o principal incentivo veio de desonerações e com o programa Minha Casa Minha Vida. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Simão, considerou que as medidas do governo resultaram em ganhos para o setor, com redução de custos e melhoria no fluxo do caixa. Com a desoneração da folha de pagamentos, por exemplo, ele espera que haja um processo de formalização e melhoria da produtividade. Mas espera mais ações:

— Nossa expectativa é com os modelos das concessões e dos leilões do governo. Queremos a garantia de que esses projetos sejam atraentes para trazer investimentos para o país.

Outros dois setores que aparecem no topo do ranking de incentivos são têxtil e automotivo. Nestes casos, a equipe econômica atuou não apenas com desonerações para a produção nacional. Para conter a entrada de produtos chineses no mercado, apertou a fiscalização do comércio exterior e elevou impostos dos importados. Mesmo assim, o setor têxtil amargou retrações nos últimos dois anos. Depois de cair 14,9% em 2011, a produção recuou 4,2% em 2012. No segmento de vestuário, a redução foi ainda maior: de 4,4% em 2011 e 10,5% no ano passado.

07 de abril de 2013
Martha Beck e Cristiane Bonfanti - O Globo

"ABENOMICS E DILMANOMICS"



O Japão experimenta na economia passos que, quando adotados no Brasil, provocam excomunhão

Desde que assumiu em dezembro passado, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, lançou um agressivo pacote de medidas econômicas batizado de "Abenomics", alusão à "Reaganomics", como foi chamada a política do então presidente Ronald Reagan.

Não sei se vai ou não funcionar. Nem creio que alguém realmente saiba: se economistas fossem capazes de adivinhar o futuro, teriam enxergado o desastre que pôs o mundo de joelhos em 2008/09.

Mas sei que a mídia liberal trata a "Abenomics" com uma condescendência que não dá à "Dilmanomics", embora ambas tenham pontos de contato. É óbvio que comparar uma e outra é correr o risco de cair num abismo de imprecisões. São países e economias de dimensões, estruturas e passado (recente ou remoto) muito diferentes.

Mas algumas coisas merecem ser sublinhadas como coincidências, com os devidos cuidados.

Primeiro, a famosa questão da independência do Banco Central. Por aqui, chovem críticas ao rompimento, suposto ou real, da independência do BC, que teria se transformado em mero braço da política econômica pró-crescimento, abandonando o papel de zeloso guardião da moeda.

No Japão, Abe não teve nenhum pudor em anunciar "mudança de regime", ao instalar Haruiko Kuroda como presidente do BoJ (Banco do Japão), em fevereiro, com a missão explícita de levar a inflação a 2%.

Mais: Kuroda acaba de anunciar que vai inundar o mercado com um tsunami de dinheiro como uma das maneiras de atingir a meta de elevar a inflação.

Ah, mas aí você vai dizer que o Japão vive uns 20 anos de ruinosa deflação, o que significa que forçar um pouco mais de inflação para obter crescimento não é pecado, ao contrário do que ocorre no Brasil, em que o risco é -e sempre foi- de mais inflação causar septicemia econômica (e social).

Você tem razão, mas o ponto não é esse. O ponto é que quando um país rico e civilizado põe o seu BC a serviço das metas do governo ninguém rasga as roupas. Nós, os bugres, estamos proibidos de fazê-lo, como se, nos EUA, a missão do Fed não fosse a de zelar pela moeda, sim, mas também pelo emprego. Esse pedaço do modelo norte-americano está interditado até do debate no Brasil.

Segundo ponto: a "Abenomics" prevê um pacote de estímulo à economia de 20,2 trilhões de ienes (cerca de R$ 436 bilhões), metade dos quais virá do governo. Se não é uma maciça intervenção na economia, não sei mais o que é intervenção.

Mas a reação não tem o menor parentesco com a gritaria que se ouve no Brasil sobre intervenções do governo (dessa e de outras naturezas).

No Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros escreve que "o mau humor geral (....) grassa na economia". Menos mal, para Dilma, que não grassa no eleitorado, bem ao contrário aliás.

Já sobre o Japão, Greg Ip, da "Economist", diz ao Council on Foreign Relations que o Japão está fazendo "um gigantesco experimento em política monetária" e acrescenta, prudentemente: "Vamos ver se realmente funciona".

Por que os japoneses podem experimentar e os brasileiros não?

07 de abril de 2013
 Clovis Rossi, Folha de São Paulo

"A TEIA DAS PROBABILIDADES"

Foi então que me lembrei de minha teoria de que grande parte do que ocorre na vida é por acaso
Com a idade, meu relacionamento com os animais mudou muito. Quando menino, eu não dava mole para os passarinhos, cobras e lagartixas. De atiradeira em punho, o bolso cheio de pedras, saía eu a caçar os pobres coitados. E não para capturá-los, não; era para acabar mesmo com eles. Mas por que razão -me pergunto, hoje-, pelo simples prazer de matá-los?

Não que odiasse os animais em geral, nada disso. Não havia ódio algum em minha atitude. Era, talvez, o instinto do caçador que permanece em todos nós, sem levar em conta que, para os passarinhos e lagartixas, significa o fim da vida.

A verdade é que não pensava nisso, mesmo porque tinha um carneirinho, que meu pai dera, e eu o amava muito. Sair com ele a passear, levá-lo a pastar no capinzal, era a minha alegria.

Gostava também de cabras, cabritos, cachorros e papagaios. Sim, e de um macaquinho de cheiro que vivia amarrado no gradil próximo à cozinha da casa. Dava-lhe banana e ficava encantado com suas mãozinhas iguais às nossas, mas tão pequeninas.

Afora estes, não tinha a mínima simpatia ou piedade por outros bichos. Cheguei a pôr um pedaço de carne num anzol para fisgar um pobre urubu, e o fisguei. Foi um desespero, mas ele conseguiu se safar e sair voando com o anzol fincado no bico.

Ia me esquecendo dos gatos. Sempre gostei de gatos, mas meu amor por eles só nasceu mesmo quando meu filho Paulo me fez comprar um gatinho para ele, que ganhou o nome de Ho Chi Mim e se tornou o rei da casa. Um dia se apaixonou por uma gata de rua e sumiu para sempre. Foi substituído por outro e este por outros, até que surgiu o siamês que se chamou Gatinho e me inspirou um livro de poemas.

Morreu de velho aos 16 anos para minha tristeza, que só acabou quando Adriana me trouxe de presente uma gatinha siamesa, que ganhou o nome de Gatinha.

Pois bem, mas coisa inesperada foi a pequenina aranha com que me deparei ao abrir o dicionário de filosofia de José Ferrater Mora. Abri na página em que ela estava e foi aquela surpresa, minha e dela: correu com suas perninhas finas e foi colocar-se no alto da página, tão surpresa quanto eu.

Ela mais que eu, certamente, pois já conhecia aranhas e ela, nascida e criada dentro de um dicionário, jamais vira um ser humano. Fechei cuidadosamente o livro e deixei-a lá, para viver sua vida de aranha. Os anos se passaram e não é que, para minha surpresa de novo, surge uma aranhinha parecida com aquela, tecendo uma teia perto do espelho de meu banheiro?

Os anos se passaram e não é que, para minha surpresa de novo, surge uma aranhinha parecida com aquela, tecendo uma teia perto ao espelho do banheiro? Meu primeiro impulso foi acabar com ela, pois banheiro com teia de aranha pega mal.

Mas refleti: ela é tão inofensiva e, afinal, é um ser vivo. Por que então acabar com ela? Não, não vou fazer isso, aranha não faz mal a ninguém. Deixei-a lá e avisei à faxineira que não tocasse nela.

- Mas o senhor vai deixar esse bicho pendurado no espelho de seu banheiro?

- Vou.

A faxineira me olhou espantada, soltou um muxoxo e continuou a limpeza da pia. Aquela aranha ficou ali durante semanas e um belo dia sumiu. Faz meses isso, e não é que, semana passada, ao abrir o filtro de água na cozinha, vejo ali, entre ele e a parede, outra aranha, pequenina como aquela, tecendo sua teia?

No filtro já é demais, pensei comigo, mas deixei-a lá. E lá ela continua, no centro de sua teia. Parada, sem mover uma perninha, dias e dias, à espera de uma presa. Quanta paciência, pensei comigo. E se não aparecer presa alguma?

Foi então que me lembrei de minha teoria de que grande parte do que ocorre na vida é por acaso. E vi que, se há alguém nesta vida, a quem essa teoria melhor se aplica, é à aranha. Veja bem, ela passa dias tecendo a sua teia, estendendo-a estrategicamente.

É o único recurso de que dispõe para capturar a presa e devorá-la. Acredita que a presa, cedo ou tarde, cairá na armadilha, mas nada garante que isso ocorrerá. Só o acaso o determinará. E fiquei vendo-a, ali, imóvel, à espera de um mosquito incauto. Se ele cair na armadilha, ela o come e se alimenta; se não cair, ela morrerá de fome. Ninguém depende tanto do acaso quanto uma aranha.

07 de abril de 2013
Ferreira Gullar, Folha de São Paulo

AÉCIO: TRAIÇÃO EM MINAS É UMA "LENDA URBANA"


Em entrevista à Folha na qual se posiciona com clareza como candidato à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) atacou a política macroeconômica de Dilma Rousseff e acusou a presidente de ser "leniente" com a inflação e de querer "até controlar o lucro de empresários".Em congresso de tucanos, FHC reclama de desunião no PSDB O tucano criticou a falta de autonomia do Banco Central para evitar alta nos preços e disse que o PSDB tem "tolerância zero" com a inflação.



O senador Aécio Neves (PSDB-MG) durante a entrevista na sexta, em um hotel de São Paulo

"Quando o dragão começa a colocar a cabeça para fora, sabemos que é difícil colocá-lo na caixa de novo", diz.A partir de conversas com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, seu principal conselheiro na área econômica, o senador promete, num futuro governo tucano, fazer o país crescer pelo menos de 4% a 5% ao ano. Em meio a criticas aos adversários, o senador Aécio Neves faz uma autocrítica, na entrevista à Folha, sobre o desempenho dos tucanos na últimas três eleições presidenciais, quando foram derrotados pelo PT.
"Não por deméritos dos nossos candidatos, mas não conseguimos fazer com que parcela importante do Brasil voltasse a sonhar com um desenvolvimento social mais amplo", diz ele.O senador reconhece que seu partido perdeu a batalha para os petistas em torno da paternidade dos programas sociais e diz que o PSDB precisa se "renovar na expectativa das pessoas"."Se tivéssemos feito isso, teríamos ganhado as eleições", avalia o senador, destacando porém que nas últimas campanhas "fomos para o segundo turno, com votações expressivas tanto do Serra como do Alckmin".
Depois de assumir a presidência do PSDB em maio, o senador vai criar um "gabinete paralelo" para, de um lado, monitorar as principais áreas do governo Dilma e, de outro, preparar a plataforma de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Seu "shadow cabinet" começará a funcionar em agosto; definirá seis áreas do governo e designará especialistas para ajudar a contrapor e a propor ideias. Um dos focos é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), ao qual chama de "falácia".
À Folha, o tucano posicionou-se a favor da união civil entre gays e afirmou que a polêmica em torno do pastor Feliciano (PSC-SP) "já foi longe demais", classificando o congressista como "despreparado". Para o senador, é uma "lenda urbana", alimentada por seus inimigos, a acusação de ter feito "corpo mole" em seu Estado para a campanha do tucano José Serra à Presidência da República em 2010. "Ficarei muito satisfeito e tenho certeza de que terei em São Paulo o apoio que ele teve em Minas", disse.
O senador poupa de qualquer reparo o governador Eduardo Campos (PSB-PE), virtual adversário e com perfil político semelhante ao dele, mas mandou um recado cifrado ao, como diz, amigo: "não vou anunciar meus encontros no Twitter ou Facebook". Trata-se de uma referência às movimentações do pernambucano para atrair a simpatia de empresários.
Principal oposição ao PT no país, ele não vê hipótese de um segundo turno em 2014 sem o PSDB, mas reclamou de um debate eleitoral prematuro: "Acho que o fantasma da candidatura do ex-presidente Lula pairava sobre o Planalto com muita consistência, e isso começava a incomodar. Por isso anteciparam". Segundo Aécio, o efeito colateral disso foi deixar a presidente da República "refém do fisiologismo", "sem autonomia" e dedicada à "saciar o apetite por cargos e verbas da base do governo".
"Alguém pode achar que essa chamada reforma ministerial em curso tem por objetivo melhorar a qualidade do governo? Ela sequer conhece essas pessoas que está colocando lá. Nem no período Sarney houve uma entrega tão grande dos espaços do poder sem qualquer critério."Aécio não concorda com a fama de "bon-vivant". "Trabalho das 8h da manhã às 22h. Deixaria os bon-vivants decepcionados."
Quando instado a responder críticas de que passa mais tempo no Rio do que em Minas, sua base eleitoral, sorriu e, logo, saiu-se com esta: "Se gostar do Rio for um defeito, é um defeito que a cada dia aumenta um pouco. E gosto de São Paulo também, viu." A seguir, trechos da entrevista concedida em um hotel em São Paulo na última sexta-feira, onde esteve para mais uma jornada ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP).
*
Folha - Qual sua receita para a economia?
Aécio Neves - Essa política nacional-desenvolvimentista, que acha que o Estado tem de ser o indutor do crescimento econômico, não deu certo. O câmbio flutuante, instrumento importante para suavizar impactos da variação externa de preços, já não existe, é um câmbio quase rígido.
Mas esse "cambio controlado" ajuda a industria exportadora, que o PT acusa o PSDB de praticamente destruir?
O problema da indústria exportadora se dá pelo custo Brasil, da logística inexistente. O Brasil, que já participou com cerca de 2,2% do comércio externo, hoje caiu para 1%. Se continuar assim, teremos 0,7% em dez anos.
Mas vocês não costumam dizer que o PT seguiu a política econômica tucana.
Desde a saída do [Antonio] Palocci, ex-ministro da Fazenda, os pressupostos macroeconômicos vêm se fragilizando. Há uma leniência do governo com a inflação, a presidente Dilma é leniente com a inflação. No governo do PSDB, tolerância zero com a inflação. O PT nunca foi muito claro com isso, desde que votou contra o Plano Real. Nos dez anos de governo do PT, apenas em três anos o centro da meta foi alcançado. No governo Dilma, não será em nenhum dos anos. Isso é gravíssimo. A população que recebe hoje dois salários mínimos e meio já tem inflação de alimentos de 14%. Quando o dragão começa a colocar a cabeça para fora, sabemos que é difícil colocá-lo na caixa de novo.
O sr. defende subir os juros para baixar a inflação?
Defendo que o Banco Central tenha total autonomia para fazer o que considerar necessário. Se avaliar que é preciso subir juros para conter a inflação que ele mesmo diz ser preocupante, então tem de subir os juros. O que não pode é haver uma interferência política, uma interferência com viés eleitoral.
Subir juros gera desemprego, como receitam economistas críticos do governo Dilma?
Acho que é possível controlar a inflação sem riscos maiores de desemprego. O Brasil tem gerado empregos, mas de baixa qualidade. A educação é uma herança maldita que o PT deixará e está comprometendo o futuro do crescimento do país.


 
Mas os indicadores de Minas em educação não são tão diferentes do Brasil.
Não, são melhores. Minas tem hoje no Ideb a melhor educação fundamental do Brasil. Estamos na frente em matemática, em todas as séries pesquisadas. Temos de adequar os currículos à realidade de cada região. Não se pode achar que as expectativas de um jovem do centro de São Paulo sejam as mesmas do que mora no Acre. Vejam, o tempo médio de escolaridade no Brasil é de 7,5 anos. Na Bolívia é de 9, Argentina, 12 anos. Não houve nenhum avanço na educação no governo do PT, continuamos na rabeira do continente.
Mas se acordasse hoje presidente da República e tivesse de tomar uma decisão entre controlar a inflação, mesmo que tivesse de diminuir o emprego, o que faria?
Ninguém vai tomar medida para aumentar o desemprego. É possível ser intolerante com a inflação sem gerar desemprego, garantindo competitividade ao Brasil, fazendo investimentos corretos.
O PT acusa o governo FHC de ser campeão dos juros altos.
São períodos diferentes, enfrentamos crises internacionais seguidas, e a agenda prioritária era o controle da inflação.
O sr. diz que o empresariado reclama da presidente...
A presidente quer controlar até o lucro dos empresários. Eles têm de acompanhar é a qualidade do serviço e o que isso representa de bem estar da população. É natural, no capitalismo, goste ou não dele, que o lucro seja compatível ao risco do investimento.
Mas eles acusam o PSDB de desmontar o Estado e fazer privatizações sem controle, rendendo lucros elevados ao empresariado?
Olha, demoraram quase dez anos para fazer concessões ao setor privado. Fizeram isso lá atrás com uma visão equivocada, que deveriam ter a menor tarifa, no caso das concessões rodoviárias. Tudo bem, belo conceito, mas trágico para o Brasil. Resultado: as obras não foram feitas, os investimentos não foram feitos.
O PT diz que o governo tucano acabou com a capacidade de gerenciamento do Estado...
A lógica deles é criar uma nova estatal, é a quinta neste governo, sabe-se lá para o quê, é mais um ministério ali. Você sabe que, quando o governo FHC terminou, havia no âmbito na Presidência, um dado que mostra um pouco a lógica do PT, 1.200 cargos comissionados. Hoje são mais de 4.000 cargos comissionados. Isso é ilógico, é irracional; é, como diz o empresário Jorge Gerdau, uma burrice muito grande.
A dona de casa viu o governo anunciar luz mais barata e o sr. defender a Cemig. Não ficou do lado errado?
Não, nós também defendemos a diminuição das tarifas. Propusemos uma redução até maior, mais 6%, com diminuição do PIS/Cofins nas contas de luz. O governo do PT, com um populismo enorme, fez disso uma moeda eleitoral. Dilma fez uma intervenção no setor e viu que foi equivocada. Hoje, todas as distribuidoras [de energia] estão pedindo financiamentos ao governo e vão receber dinheiro do Tesouro, o dinheiro da dona Maria, que tinha de ir para saúde, educação.
O sr. criticou a situação fiscal no governo...
Estão gerando uma bomba H, e não vejo ninguém com autoridade no governo para desarmar essa bomba. O governo estimulou o crescimento na base da expansão do crédito, pelo lado da demanda, mas 60% das famílias estão endividadas, 25% com contas atrasadas. Conversei com economistas brasileiros e estrangeiros, na presença do presidente FHC. Eles falam que hoje a crise está sendo superada, na Europa com mais lentidão, Estados Unidos já estão se recuperando. Mas o Brasil não é mais a bola vez, não é mais o queridinho do mundo. Os olhos do mundo voltados para o Brasil são de enorme desconfiança. Então, temos uma propaganda avassaladora em que conseguem o disparate de apresentar a Petrobras, que vive a maior crise da sua história, como a mais exitosa da história. A troca do sistema de concessões pelo de partilha se mostrou um equívoco. O sistema de concessões é muito mais acertado.
Não teme ser acusado de fazer uma política contra Petrobras?
Ao contrário, o momento em que a Petrobras atraiu mais investimento privado foi sob FHC. A Colômbia copiou o modelo de concessão do Brasil e passou a Petrobras em valores de mercado hoje. A política de subsídio de preços, como foi feita, assassinou o setor de etanol. Hoje estamos importando etanol dos Estados Unidos. O Brasil hoje é o Brasil da insegurança, do improviso, isenções e desonerações para determinados setores. Você abre o jornal de cada dia para saber quem são os beneficiados do dia, isso não é política macroeconômica responsável.
Quanto acha que a economia no governo tucano pode crescer?
Eu vou ousar aqui, repetindo o que disse outro dia o ex-presidente do BC Armínio Fraga, no governo do PSDB, com as medidas que deveriam ser tomadas rapidamente, o Brasil pode crescer acima de 4%, 5% de forma sustentada.
O sr. fala como candidato, age como candidato, assume um tom na entrevista de candidato, mas ainda não diz oficialmente que é candidato.
(Risos) O PSDB terá candidato, não tem direito de negar ao país um projeto alternativo a este que está aí, que tem levado o Brasil tanto do ponto de vista econômico quanto social a uma extrema preocupação. Mas não vamos nos antecipar em função da agenda de outros. Houve uma antecipação da agenda eleitoral por parte da presidente da República.
Por quê?
Acho que o fantasma da candidatura do ex-presidente Lula pairava em torno do Palácio do Planalto com muita consistência, e isso começava a incomodar. A antecipação ampliou muito as expectativas da base aliada por espaço no governo, que já era muito grande e hoje é quase que incontornável. Hoje o governo se move para atender e saciar o apetite por cargos e verbas da base do governo. A lógica é a da reeleição e não tem espaço para qualquer discussão de interesse real do país.
Essa não é uma lógica de todos os governos?
Não de forma tão prematura quanto agora. A base diz assim: ora, se a presidente já está em campanha, queremos saber qual é nosso espaço neste latifúndio de poder. Com isso, ela nos dá liberdade de caracterizar todas as ações dela como eleitorais. Alguém pode achar que essa chamada reforma ministerial em curso tem por objetivo melhorar a qualidade do governo? Claro que não, ela sequer conhece essas pessoas que está colocando lá! Ela busca é acrescentar alguns segundos a mais na propaganda eleitoral.Sempre houve concessões a partidos aliados? Sim, mas jamais no nível atual. Acho que nem no período Sarney houve uma entrega tão grande dos espaços do poder sem qualquer critério. Teve no governo Lula e se ampliou com Dilma.
Está dizendo que Dilma é fisiológica?
Ela é vitima hoje de uma armadilha construída pelo próprio PT, chamado de governismo de coalizão. Lamentavelmente vejo uma presidente sem autonomia. E hoje temos crescimento medíocre e uma inflação fora de controle; industria paralisada. Tenho feito conversas por toda parte, e ouço muitas críticas, mas não coloco minhas conversas no Facebook ou no Twitter.
O sr. está dando recado para o governador Eduardo Campos (PSB-PE), que tem mostrado sua movimentação com empresários?
Não, não.
Alguns dizem que não assumir é dar margem para desistir. O senhor pode amarelar?
(Risos) Sou hoje candidato a presidente do partido, e estarei pronto para qualquer missão. Tudo a seu tempo. Não vamos estabelecer nossa estratégia a partir da dos outros. Eu venho de uma escola que diz que a arte da política é a administração do tempo.
Tempo esse que atropelou o PSDB nas últimas eleições.
Enfrentamos condições dificílimas de crescimento econômico e uma popularidade altíssima do presidente Lula. Numa eleição você não entra só para ganhar. Por isso não temos pressa, temos de ter consistência.
Faltou isso nas últimas campanhas do PSDB?
Talvez sim. Não por demérito dos candidatos, que todos apoiamos. Mas não conseguimos fazer com que parcela importante do Brasil voltasse a sonhar com um desenvolvimento social mais amplo. Se tivéssemos feito isso, teríamos ganhado as eleições.
Mas vocês só fizeram se distanciar dessa parte do eleitorado...
Nós tivemos problemas, mas, apesar das derrotas, sempre fomos para o segundo turno com votações expressivas, tanto do Serra como do Alckmin. O PSDB continua sendo a principal alternativa de poder a esse modelo que está aí.
A presidente, no início do governo, elogiou o ex-presidente FHC. Hoje, critica. O que ocorreu?
Acho que em ao menos um dos episódios ela não foi sincera.
Em qual deles?
Cabe a ela dizer.



O senador Aécio Neves (PSDB-MG) durante a entrevista na sexta, em um hotel de São Paulo

Nas últimas eleições, o PSDB escondeu FHC. O que fará com ele?
Eu não tenho qualquer dificuldade em reconhecer que o Brasil de hoje é parte de uma construcão coletiva, que ao meu ver se inicia no governo Itamar Franco, pois coube a ele dar o aval à elaboração do Plano Real, elaborado pela equipe do presidente Fernando Henrique, que consolidou a estabilização econômica. O governo Lula também colocou tijolos importantes nesse processo. O Brasil de hoje é uma construção de todos esses governos. Tenho conversado com diversos campos da economia.
Quais?
Tenho muito cuidado de falar nomes porque parece que estou vinculando pessoas ao projeto do PSDB, mas estou procurando pessoas que não necessariamente sejam afinadas com o PSDB. Estou falando com economistas tanto da Casa das Garças quanto da Unicamp.
Todos os campos? Algum trotskista?
Não tive tempo ainda (risos). Não quero citar nomes, pois amanhã o cara começa a ser visto como tucano...
É ruim ser visto como tucano? Qual será a plataforma para 2014?
Estamos definindo um grupo de pessoas para construirmos propostas novas. Vou falar isso pela primeira vez. A partir de agosto, vamos criar aquilo que chamaria de "shadow cabinet". Não é para cuidar de 40 ministérios, mas definir cinco ou seis áreas de ações do governo, com pessoas identificadas, para serem referência de pensamento nessas áreas. Faremos avaliação do PAC. Quero elencar os dez maiores projetos do país e nos dedicarmos a eles.
O Eduardo Campos é bom gestor?
Ele é um gestor moderno, inclusive disse muitas vezes publicamente que se inspirava em Minas. Temos um governo federal ineficiente e sem instrumentos de controle interno. Criei em Minas auditorias internas dentro de cada órgão. Fizemos um governo sem escândalos, sem desvios.

O sr. está falando do mensalão?
Sem fazer nenhum juízo de valor no mensalão, em relação ao processo do mensalão, mas conceitualmente, transmitiu-se ao país o sentimento de que os tubarões passaram a ser alcançáveis.
Quando o Supremo julgar o mensalão mineiro, que envolve o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), vai dizer a mesma coisa?
Por mais que eu ache que sejam coisas diferentes, obviamente a decisão da Justiça tem de ser respeitada em qualquer situação.
Mas e o mensalão mineiro, não pode afetar sua campanha a presidente?
Vamos deixar que julgue, tem de ser julgado. Não conheço em profundidade o processo.
Não teme impacto na eleição se o mensalão mineiro for julgado no próximo ano?
Não acredito, porque eventuais crimes que tenham sido cometidos, e temos de esperar o julgamento, são individualizados. O PT tinha um discurso de que ele era diferente de todos os outros partidos. Mostrou que não é. O PSDB tem uma conduta moral extremamente respeitada, não que seja imune a qualquer problema. Mas os julgamentos, no caso do PT, contaminam um pouco o partido. Não sei se as eleições. Sinceramente, se você me perguntar se acho que a presidente Dilma tem algo a ver com aquela coisa, sinceramente não acho.
Acha que o ex-presidente Lula teve?
Não posso julgar, não sou juiz, se não teria mudado de carreira. Não quero fazer esse julgamento.
Quando o ex-governador José Serra vai apoiá-lo?
Eu tenho orgulho de ser correligionário do Serra, e tenho muita convicção de que ele vai estar neste projeto.
Mas ele sempre reclamou que, em Minas, não teve o apoio necessário nas suas eleições, porque você teria feito corpo mole nas eleições dele.
Não é verdade, isso é mais uma dessas lendas urbanas que se criam. O desempenho do Serra em Minas foi extraordinário pelas circunstâncias. Ele ganhou em Belo Horizonte da Dilma, que é da cidade, como vocês sabem, ela é mineira. O Serra encerrou sua campanha em Belo Horizonte, ele sabe, já me disse isso, que fizemos o que era possível. Agora, sempre vai ter essa lenda urbana, de pessoas que não jogam para o conjunto, de criticar. Ficarei muito satisfeito e tenho certeza de que terei em São Paulo o apoio que ele teve em Minas.
Deseja que o governador Eduardo Campos seja candidato a presidente?
A candidatura de Eduardo e de Marina Silva são muito importantes.
Mas ele não tem um perfil muito parecido com o seu...
Recebo isso como um elogio.
E se correr na sua faixa?
Acho que isso o que você está dizendo nos aproxima, sou amigo dele, e espero que ele viabilize sua candidatura. O que ele vem mostrando é a fragilidade do atual governo e o fracasso das medidas visando o crescimento, a ausência do governo nessa calamidade que se tornou essa seca, a maior dos últimos 50 anos no Nordeste, com medidas absolutamente paliativas, sem planejamento de médio e longo prazos. Ele ajuda a melhorar o debate sobre isso. A Marina vai trazer a preocupação com a sustentabilidade, o que tem de permear todas as discussões que vamos ter.
Num eventual segundo turno, entre você e a presidente Dilma, quem você acha que o Eduardo Campos apoiaria?
Seria um desrespeito dizer ao Eduardo quem ele deve apoiar.
Tem alguma hipótese de, num eventual segundo turno, o PSDB não estar nele?
Não acredito.
O que você acha da polêmica em torno do pastor Feliciano (PSC-SP), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara?
Eu acho que deixaram isso ir longe demais. Ele mostrou ser um sujeito totalmente despreparado, independentemente de suas convicções. Ele está fazendo um grande marketing pessoal, as pessoas não compreenderam isso ainda. Criaram um problema que agora vão ter de desatar.
É a favor da união civil gay?
Eu já me manifestei mais de uma vez. Sou a favor. É a realidade do mundo moderno, ninguém é contra a realidade do mundo. Isso já foi. Respeito quem tem posição divergente, lamento apenas que a pauta da Câmara esteja concentrada nisso.
Na última eleição travou-se uma polêmica sobre o aborto. Qual sua posição?
Defendo a atual legislação.
Vários inimigos seus exploram seu estilo de vida, que gosta muito de ir ao Rio de Janeiro...
Eu digo que se gostar do Rio for um defeito, é um defeito que cada dia aumenta um pouco (risos). E gosto de São Paulo também, viu. Olha, eu passei boa parte da minha infância e da adolescência no Rio, o que é absolutamente natural eu gostar de lá.
E quanto à fama de bon-vivant?
Não escondo o que sou, sou um homem do meu tempo, e tenho posições e clareza de minhas atitudes e quero ajudar o Brasil dar um salto de qualidade. E é isso que sou, disso que estou imbuído. Obviamente, quem se expõe num projeto como esse tem de estar preparado para as críticas. Eu as recebo há muito tempo, e os resultados das eleições que disputei estão aí. As pessoas estão preocupadas é com que o homem público pode fazer por elas. Olha, um homem como eu, que trabalha de oito da manhã às dez da noite, dizer que eu sou um bon-vivant, isso deixaria os que realmente são bon-vivant decepcionados.
 
07 de abril de 2013
in coroneLeaks