"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 20 de abril de 2013

EU, ANTEDILUVIANO

Leitores querem saber se afinal sou ou não a favor da descriminalização das drogas. Ora, não é questão de ser a favor ou contra. As drogas há muito estão descriminalizadas. Ninguém é contra ou a favor de fatos. Fatos são fatos e fim de papo. Agora, se me pedirem uma opinião sobre a tese, vamos lá: sim, sou pela descriminalização das drogas. Ingerimos tantas drogas prejudiciais à saúde, por que não mais algumas?. Cigarro mata, álcool também. Nada disso é proibido. Açúcar e sal também matam. Nem por isso deixaremos de usar açúcar e sal.

Drogas, jamais usei. Em meus primeiros dias de São Paulo, reencontrei uma amiga dos tempos de universidade em Porto Alegre. Revisitando o passado, ela se comprazia em ter cumprido as três palavras de ordem dos anos 70, sexo, drogas e rock'n'roll. Queria saber minha posição naquela década. Das três linhas de pesquisa, só havia curtido apenas a que sempre foi eterna, respondi. Drogas e rock deixei-os de lado. Rock, porque sempre considerei o ruído como um insulto à inteligência. Drogas, por detestar modismos.

As drogas, como o rock, vinham dos Estados Unidos. Não que fossem produzidas lá, mas o consumo da juventude norte-americana exportava a moda para os símios ao sul do Trópico de Câncer. Uma edição da revista O Cruzeiro publicou, nos anos 50, uma reportagem significativa sobre a "erva do diabo", como era então chamada a Canabis sativa. Para aproximar-se da droga, que circulava então nas favelas e no presídio, um repórter deixou crescer a barba, como camuflagem junto aos traficantes e consumidores. Maconha era então coisa de submundo, e barba logotipo de marginal.

Bastou os universitários norte-americanos adotarem a marijuana - voz mexicana que indicava a origem do produto - a erva virou moda no Brasil, particularmente nos campi. Como jamais suportei modas, e particularmente as vindas do Norte, meu repúdio à maconha era antes de tudo teórico, político. Por outro lado, o consumo da maconha era vício gregário, e sempre me afastei de cerimoniais coletivos. Os curtidores da canabis eram em geral pessoas de pouca ou nenhuma leitura, e nada me impelia a confraternizar com eles.

Outro grande impulso ao uso de drogas foram os Beatles. Foram os grandes agentes do LSD, cocaína, maconha e congêneres. Milhões de jovens no mundo todo passaram a se sentir peixes fora d'água se não consumissem drogas, esta foi a grande revolução dos roqueiros ingleses. Hoje, algumas mentes brilhantes estão concluindo que quem usa drogas financia o tráfico e o crime. No entanto, continuam lotando estádios em homenagem aos apologistas da droga.

Mal escrevi as linhas acima, recebi uma chuva de canivetes pelo lombo. “Está confirmado. O Janer não teve adolescência, estava em Urano quando os Beatles faziam a juventude do mundo cantar”. Em Urano, diria que não. Mas a distância entre mim e o rock certamente é maior que a distância entre mim e Urano. Os Beatles nunca fizeram parte de minha juventude. Para mim, foi como se não tivessem existido. Nunca tive um disco deles em casa e nunca tive rádio.

Sempre detestei rock, ieieié, essas coisas. Aliás, de modo geral, não me atrai em nada essa música que vem do mundo anglófono. Exceto Katherine Jenkins, ninguém vai encontrar uma única canção em inglês aqui em casa. Não quero com isto dizer que os anglófonos não fazem boa música, nada disso. Mas quando dizem que os Beatles influenciaram uma geração eu olho em torno e me pergunto: que geração? A minha é que não foi. Transitamos pelos mesmos anos, mas por ruas muito diferentes.

Para não dizer que jamais falei de flores... 1972. Era verão em Estocolmo, uma daquelas noites brancas em que o sol ameaça deitar-se mas não se deita, uma luz macia iluminando as madrugadas. Eu despertava de um inverno plutoniano de oito meses, como aliás todos os suecos. Perfume de orgia no ar e eu ilhado em um quarto de estudante. Se andorinha só não faz verão, muito menos um homem solitário faz orgia. Brasileiros do quarto ao lado me convidam para uma festa. Num cubículo de uns vinte metros quadrados, vinte tupiniquins e três adolescentes suecas, o cachimbo da paz correndo solto. Para não ser indelicado, fumei.

Os vinte tupiniquins no nirvana, olhando para o próprio umbigo, curtindo rock e canabis. Eu, com dor de cabeça e vontade de conversar, sem interlocutor à vista. Foi quando uma das suecas aproximou-se. O consumo de maconha era rotina em Estocolmo, a prefeitura financiava inclusive bares para curti-la, mas neles só podiam entrar menores de 18 anos. As suecas não entendiam como alguém podia encerrar-se em um quarto puxando fumo numa daquelas noites cheias de luz. Escasso naquelas paragens era o sol. "Vocês, brasileiros, são todos assim?", me perguntou. Assim como? "Só fumam e não conversam?"

Não, eu não era assim. Em meu quarto havia vinhos e conversar era o que mais queria naquela noite irreal. Se a maconha era rotina na Suécia, o álcool tinha - e ainda tem - um sabor de pecado, tanto que nos bares, naqueles anos, era proibido servi-lo. Roubei as três suequinhas aos vinte monoglotas. De minha sacada frente a um bosque, amanhecemos contemplando aquele sol paranóico rodando quase paralelo ao horizonte. Foi minha primeira e última experiência com maconha. Não me queixo.

O uso das drogas também adquiriu prestígio entre universitários a partir do ensaio As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, que já gozava no Brasil a fama de autor de Admirável Mundo Novo. A partir de experiências com a mescalina, Huxley chegara à conclusão que certas drogas desenvolviam a percepção. No Brasil, foi entendido às avessas. Toda uma geração de adolescentes sem leitura passou a consumir desde canabis a LSD, julgando que assim abriam as portas para a genialidade. Esqueciam - ou propositadamente insistiam em ignorar - que antes das experiências com a mescalina Huxley tinha décadas de leituras. E que sem cultura histórica de nada adianta abrir as portas da percepção, aí mesmo é que não se percebe nada.

Dizia uma interlocutora que produzo polêmicas para captar leitores. Nada disso. É que sou naturalmente polêmico. Por uma razão muito simples: não tenho filosofia alguma. Homem que segue um determinado pensamento não provoca maiores discussões. Seu comportamento é previsível. Não sou aristotélico (por incrível que parece, ainda existem hoje pessoas que estagnaram em um pensamento de mais de dois mil anos, quando a Europa nem fazia parte do ecúmeno), não sou tomista, não sou hegeliano, nunca fui kantiano ou cartesiano, muito menos marxista.

Fui católico por cinco ou seis anos, é verdade, mas esta fase não conta. Vivia em um universo pagão e aos nove ou dez anos fui levado à igreja por uma catequista uruguaia. Me enfiaram o cristianismo a machado na cabeça, mas não durou muito. Aos quinze anos, voltei a ser como nasci: ateu. Pois todos nascemos ateus, não é verdade?

A verdade é que, nos anos 60 e 70 – e de certa forma, mesmo agora – não usar drogas causa a mesma perplexidade que causaria um dinossauro passeando na Avenida Paulista. No fundo, sou antediluviano, nunca fumei nem mesmo cigarro.

Quando descobri ter sido premiado, em 2009, por um carcinoma de palato, a primeira pergunta que ouvi dos médicos foi: você fuma? Estou vencendo os terceiro e quarto carcinomas nestes dias, e a pergunta persiste. Até parece que meus médicos não lêem minha ficha. Não, nunca fumei na vida. A menos que meus cânceres tenham sido provocados por uma tragada que dei, lá pelos meus dez anos. Em uma pecinha de teatro na escola, fazíamos o papel de gaúchos. Como as professoras achavam que gaúcho pra ser gaúcho tem de fumar, permitiram à piazada chupar câncer. Foi a festa para meus colegas. Quanto a mim, pus o cigarro na boca, não gostei e o joguei pela janela.

Suponho que aquela tragada, há bem mais de meio século, não tenha sido a causa de meus dissabores passados e atuais. Tenho amigas que fumam e outras que fumavam. Estas últimas, sofreram para largar o hábito. Não passa dia sem que me falem que a culpa é da publicidade, “que nos conduz a fumar”. Ora, nasci tão exposto quanto elas a esta publicidade, vivi minha adolescência vendo filmes onde não se sabia quem fumava mais, se o mocinho ou o bandido. Meus parentes todos fumavam. No entanto, jamais fumei.

Há quem fale na propaganda subliminar do cinema. Podem atar-me em uma cadeira e passar filmes 24 horas por dia com propaganda subliminar do cigarro. Comigo não adianta. Ninguém me obriga a fazer o que não gosto. Nestes dias de volta à vida normal, minha nutricionista quer que eu coma verduras. Não vai levar. Nunca pastei, não será agora que vou pastar.

Sem precisar dar um pio, já era polêmico. Não fumava, não usava drogas nem gostava dos Beatles. Sem falar que jamais fui de esquerda, pecado mortal para um universitário naqueles dias. Ah, e ainda não tenho iPhone. Volto outra hora ao assunto.


20 de abril de 2013
janer cristaldo

ROSEMARY, ÍNTIMA DO "CAPO" LULA, AMEAÇA BOTAR A BOCA NO TROMBONE

"Sindicância pede processo para investigar o enriquecimento de amiga (Rose) de Lula"


VEJA teve acesso ao relatório sobre as ações de Rosemary na Presidência; íntima de Lula ameaça botar a boca no trombone


É… VEJA teve acesso às 120 páginas do relatório final elaborado por técnicos do Planalto sobre a atuação de Rosemary Nogueira, a amiga íntima que Luiz Inácio Lula da Silva mantinha no escritório da Presidência da República de São Paulo.
Ela está inquieta e ameaça explodir. Acha que foi abandonada pelos antigos amigos. Para se defender no processo administrativo, Rosemary fez um rol de testemunhas de defesa que, tudo indica, já embute uma espécie de ameaça: Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e ex-chefe de gabinete de Lula, e Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil e ex-braço direito da presidente Dilma, encabeçam a lista.
Completam o rol Beto Vasconcelos, atual número 2 da Casa Civil, e Ricardo Oliveira, ex-vice-presidente do Banco do Brasil e um assíduo visitante do gabinete que ela chefiava na Avenida Paulista. São apenas os primeiros nomes, segundo a estratégia montada pela ex-secretária.
Rosemary parece dizer algo assim: “Esses aí sabem o que eu fazia…” Leiam trechos da reportagem de Robson Bonin.
*
(…)

O resultado da investigação é um manual de como proceder para fraudar e trapacear no comando de um cargo público quando seu ocupante priva da intimidade do presidente da República. Sob o comando da Casa Civil da Presidência, os técnicos rastrearam anormalidades na evolução patrimonial de Rosemary Noronha e recomendaram que ela seja investigada por suspeita de enriquecimento ilícito. Um processo administrativo já foi aberto na Controladoria Geral da União.

(…)

A sindicância destoa da tradição dos governos petistas de amenizar os pecados de companheiros pilhados em falcatruas. Dedicado exclusivamente aos feitos da poderosa chefe de gabinete, o calhamaço de 120 páginas produzido pela sindicância é severo com a ex-secretária. Mostra que Rosemary encontrou diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo. Ela pedia favores ao “PR ” — como costumava se referir a Lula em suas mensagens — com frequência.
Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais — um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo. Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras. Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.

(…)

Como chefe de estado

Mensagens inéditas reunidas no relatório da investigação mostram que a ex-secretária foi recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma. Todas as facilidades possíveis lhe foram disponibilizadas. Rose temia ter problemas com a imigração no desembarque em Roma.
O embaixador José Viegas enviou-lhe uma carta oficial que poderia ser apresentada em caso de algum imprevisto. Rose não conhecia a Itália. O embaixador colocou o motorista oficial à sua disposição. Rose não tinha hotel. O embaixador convidou-a a ficar hospedada no Palazzo Pamphili — e ela não ocuparia um quarto qualquer. Na mensagem, o embaixador brasileiro saudou a ida de Rose com um benvenuti!, em seguida desejou-lhe buon viaggio e avisou que ela ficaria hospedada com o marido no “quarto vermelho”. Quarto vermelho?!
Como o Itamaraty desconhece esse tipo de denominação, acredita-se que “quarto vermelho” fosse um código para identificar os aposentos relacionados ao chefe — assim como normalmente se diz “telefone vermelho”, “botão vermelho”, “sala vermelha”…
(…)
Pode explodir

Rosemary Noronha está magoada e ameaça um revide em grande estilo. Sentindo-se desamparada pelos velhos companheiros que deixaram correr solta a investigação que pode levá-la mais uma vez às barras da Justiça, agora por enriquecimento ilícito, a ex-chefe do gabinete presidencial em São Paulo ameaça contar seus segredos e implicar gente graúda do partido e do governo.
Se não for apenas mais um jogo de chantagem típico dos escândalos do universo petista, Rose poderá enfim dar uma grande contribuição ao país. Pelo menos até aqui, a ameaça da amiga dileta de Lula faz-se acompanhar de lances concretos — tão concretos que têm preocupado enormemente a cúpula partidária.
O mais emblemático deles é a troca da banca responsável por sua defesa. Rose, que vinha sendo defendida por advogados ligados ao PT, acaba de contratar um escritório que durante anos prestou serviços a tucanos. O Medina Osório Advogados, banca com sede em Porto Alegre e filial no Rio de Janeiro, trabalhou para o PSDB nacional e foi responsável pela defesa de tucanos em vários processos, como os enfrentados pela ex-governadora gaúcha Yeda Crusius.
Os novos advogados foram contratados para defendê-la no processo administrativo em que ela é acusada de usar e abusar da estrutura da Presidência da República em benefício próprio — justamente o motivo da mágoa que Rose guarda de seus antigos amigos (…).
Leia a íntegra na revista.

VEJA teve acesso ao relatório sobre as ações de Rosemary na Presidência; íntima de Lula ameaça botar a boca no trombone


É… VEJA teve acesso às 120 páginas do relatório final elaborado por técnicos do Planalto sobre a atuação de Rosemary Nogueira, a amiga íntima que Luiz Inácio Lula da Silva mantinha no escritório da Presidência da República de São Paulo.
Ela está inquieta e ameaça explodir. Acha que foi abandonada pelos antigos amigos. Para se defender no processo administrativo, Rosemary fez um rol de testemunhas de defesa que, tudo indica, já embute uma espécie de ameaça: Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e ex-chefe de gabinete de Lula, e Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil e ex-braço direito da presidente Dilma, encabeçam a lista.
Completam o rol Beto Vasconcelos, atual número 2 da Casa Civil, e Ricardo Oliveira, ex-vice-presidente do Banco do Brasil e um assíduo visitante do gabinete que ela chefiava na Avenida Paulista. São apenas os primeiros nomes, segundo a estratégia montada pela ex-secretária.
Rosemary parece dizer algo assim: “Esses aí sabem o que eu fazia…” Leiam trechos da reportagem de Robson Bonin.
*
(…)

O resultado da investigação é um manual de como proceder para fraudar e trapacear no comando de um cargo público quando seu ocupante priva da intimidade do presidente da República. Sob o comando da Casa Civil da Presidência, os técnicos rastrearam anormalidades na evolução patrimonial de Rosemary Noronha e recomendaram que ela seja investigada por suspeita de enriquecimento ilícito. Um processo administrativo já foi aberto na Controladoria Geral da União.

(…)

A sindicância destoa da tradição dos governos petistas de amenizar os pecados de companheiros pilhados em falcatruas. Dedicado exclusivamente aos feitos da poderosa chefe de gabinete, o calhamaço de 120 páginas produzido pela sindicância é severo com a ex-secretária. Mostra que Rosemary encontrou diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo. Ela pedia favores ao “PR ” — como costumava se referir a Lula em suas mensagens — com frequência.
Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais — um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo. Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras. Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.

(…)

Como chefe de estado

Mensagens inéditas reunidas no relatório da investigação mostram que a ex-secretária foi recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma. Todas as facilidades possíveis lhe foram disponibilizadas. Rose temia ter problemas com a imigração no desembarque em Roma.
O embaixador José Viegas enviou-lhe uma carta oficial que poderia ser apresentada em caso de algum imprevisto. Rose não conhecia a Itália. O embaixador colocou o motorista oficial à sua disposição. Rose não tinha hotel. O embaixador convidou-a a ficar hospedada no Palazzo Pamphili — e ela não ocuparia um quarto qualquer. Na mensagem, o embaixador brasileiro saudou a ida de Rose com um benvenuti!, em seguida desejou-lhe buon viaggio e avisou que ela ficaria hospedada com o marido no “quarto vermelho”. Quarto vermelho?!
Como o Itamaraty desconhece esse tipo de denominação, acredita-se que “quarto vermelho” fosse um código para identificar os aposentos relacionados ao chefe — assim como normalmente se diz “telefone vermelho”, “botão vermelho”, “sala vermelha”…
(…)
Pode explodir

Rosemary Noronha está magoada e ameaça um revide em grande estilo. Sentindo-se desamparada pelos velhos companheiros que deixaram correr solta a investigação que pode levá-la mais uma vez às barras da Justiça, agora por enriquecimento ilícito, a ex-chefe do gabinete presidencial em São Paulo ameaça contar seus segredos e implicar gente graúda do partido e do governo.
Se não for apenas mais um jogo de chantagem típico dos escândalos do universo petista, Rose poderá enfim dar uma grande contribuição ao país. Pelo menos até aqui, a ameaça da amiga dileta de Lula faz-se acompanhar de lances concretos — tão concretos que têm preocupado enormemente a cúpula partidária.
O mais emblemático deles é a troca da banca responsável por sua defesa. Rose, que vinha sendo defendida por advogados ligados ao PT, acaba de contratar um escritório que durante anos prestou serviços a tucanos. O Medina Osório Advogados, banca com sede em Porto Alegre e filial no Rio de Janeiro, trabalhou para o PSDB nacional e foi responsável pela defesa de tucanos em vários processos, como os enfrentados pela ex-governadora gaúcha Yeda Crusius.
Os novos advogados foram contratados para defendê-la no processo administrativo em que ela é acusada de usar e abusar da estrutura da Presidência da República em benefício próprio — justamente o motivo da mágoa que Rose guarda de seus antigos amigos (…).
 
Leia a íntegra na revista.
Limpeza no gabinete
Em 2012, descobriu-se que Rosemary Noronha usava a influência que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. Exonerada do cargo de chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, ela foi alvo de uma sindicância. VEJA teve acesso às 120 páginas resultantes da investigação oficial, mantida em segredo pelo governo. Elas mostram a extensão das traficâncias de Rose
Brasil
Rose: enriquecimento e privilégios de primeira-dama



20 de abril de 2013
Reinaldo Azevedo

MARIO VARGAS LHOSA: "DILMA NÃO DEVERIA APOIAR UMA FRAUDE ELEITORAL"

O escritor peruano diz que a eleição de Nicolás Maduro foi roubada, defende o casamento gay e acha que a Argentina merecia alguém melhor que Cristina Kirchner


PROXIMIDADE Mario Vargas Llosa em São Paulo. “Governos democráticos não devem se tornar cúmplices de governos autoritários” (Foto: Ag. Na Lata/Ed. Globo)


O escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 77 anos, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2010, voltou ao Brasil, depois de três anos, para dar uma palestra no ciclo Fronteiras do Pensamento, em São Paulo. Defensor dos princípios liberais e democráticos, Llosa é hoje um dos raros intelectuais públicos militantes. “Estou esperançoso com o destino da América Latina”, diz. “Pela primeira vez, o continente conta com uma esquerda não autoritária e uma direita genuinamente interessada em democracia.” Uma exceção, segundo ele, é o chavismo na Venezuela – tão absurdo que, em sua opinião, daria um romance.

Como o livro se chamaria? O autor de A festa do bode, ficção sobre o ditador dominicano Rafael Trujillo, responde, bem-humorado: A festa do passarinho. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante a campanha eleitoral, disse em discursos que ouvia a voz de Hugo Chávez no canto dos pássaros. Abrindo várias vezes o sorriso largo que se tornou sua marca, Llosa deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

ÉPOCA – Como o senhor analisa a eleição na Venezuela, vencida por Nicolás Maduro por uma diferença de pouco mais de 1 ponto percentual?

Mario Vargas Llosa –
Henrique Capriles ganhou as eleições. O uso da máquina do Estado e de seus meios de comunicação foi tão desproporcional que Nicolás Maduro deveria ter vencido o pleito de forma avassaladora. Não foi assim. Houve praticamente um empate. Isso significa claramente que há uma grande reação do povo venezuelano contra o chavismo, contra o que representa Maduro. Por isso, a possibilidade de fraude é grande. Também por isso, me parece justo fazer a recontagem rigorosa dos votos. Os presidentes da América Latina não deveriam legitimar uma possível fraude eleitoral, indo assistir à entronização de Maduro. Seria um ato de cumplicidade contra o povo venezuelano, que claramente pede a democratização, a abertura, a mudança de política. É um momento importante, talvez fundamental, na história da América Latina.




ÉPOCA – A presidente Dilma Rousseff enviou cumprimentos a Maduro pela vitória, logo que saíram os primeiros resultados das eleições. Isso é uma forma de apoio?

Llosa –
É um ato de cumplicidade com o que está ocorrendo na Venezuela. É lamentável isso partir de um governo democrático. Dilma não deveria apoiar uma fraude eleitoral. Ela não é o único caso. Todos os que fazem isso me parecem igualmente lamentáveis. Deveria haver maior coerência entre a política internacional e a política nacional por parte dos governos democráticos. Os governos que praticam a política chavista, que querem o socialismo autoritário, entendo que se solidarizem com Maduro. Mas governos que praticam internamente a democracia agem de forma absurda quando se tornam cúmplices de governos autoritários, mesmo que seja para aplacar internamente seus radicais. Felizmente, alguns mostram independência. É positiva a atitude da OEA (Organização dos Estados Americanos), ao pedir a recontagem de votos. E devo felicitar governos como o da Espanha, que não enviarão ninguém para representar o país na posse de Maduro, enquanto não se esclarecer o que aconteceu de fato nessas eleições.

"Os países chavistas representam o atraso na América Latina. Os países que progridem são os comprometidos com a democracia"
 
ÉPOCA – O socialismo fascinou muitos escritores na América Latina. O caso mais conhecido é o colombiano Gabriel García Márquez, que apoiou o regime cubano. No caso da Venezuela de Chávez, não apareceram muitos escritores para apoiar o regime. O que mudou?

Llosa –
Mudou algo muito importante. É a primeira vez que um governo populista e autoritário conta com a oposição de praticamente toda a classe intelectual. As universidades, que costumavam ser radicais na Venezuela, são praticamente todas antichavistas, estão na vanguarda na luta pela democratização. Não conheço um escritor venezuelano importante que não esteja combatendo em favor da democratização. A única exceção é o romancista Luís Britto Garcia. É um sintoma alentador, porque, no passado, a intelectualidade latino-americana cometeu a insensatez de apoiar regimes como Cuba, a ditatura mais longa que o continente já teve em toda a sua história.

O presidente venezuelano Hugo  Chávez (1954-2013). Para Llosa,  ele é uma exceção no continente (Foto: Lynsey Addario/VII Network/Corbis)

ÉPOCA – O senhor foi um desses intelectuais, não? Quais as razões para esse fascínio por Cuba e Fidel Castro?

Llosa –
Sim, também faço minha autocrítica. Reconheço que, quando jovem, senti um entusiasmo acrítico com o que acontecia. No fim dos anos 1950, quando a América Latina era um continente de regimes militares e os Estados Unidos apareciam como aliados dos ditadores, Cuba parecia representar a alternativa, o progresso, a democracia, a liberdade. Por outro lado, parecia uma revolução que não tinha sido feita pelo stalinismo e o Partido Comunista, e sim por jovens idealistas, socialistas libertários. Estávamos enganados sobre a Revolução Cubana no início. Havia um contexto que explicava esse entusiasmo. É difícil manter a ilusão 54 anos depois. Cuba é uma ditadura que destruiu o espírito crítico, empobreceu selvagemente o país. O país depende hoje da caridade venezuelana. Ao lado da Coreia do Norte, Cuba representa o maior anacronismo de nosso tempo. Esses regimes não são modelos para ninguém. Vivem o final de seus ciclos, como aconteceu com todos os regimes socialistas autoritários do mundo.

ÉPOCA – Há, hoje, vários intelectuais latino-americanos comprometidos com a causa democrática, inclusive em Cuba.

Llosa –
Sim, claro. Recentemente conheci duas mulheres extraordinárias. Uma delas é a cubana Yoani Sánchez, uma mulher inteligente, que converteu seu blog num instrumento de protesto e crítica, sob condições dificílimas. A outra é María Corina Machado, uma deputada de oposição venezuelana, mulher de personalidade extraordinária e grande convicção democrática. Ela fez uma palestra na Argentina sobre o que ocorre na Venezuela. Conclama os democratas de todo o continente a se solidarizarem com o povo venezuelano nesta luta tão heroica – que, ademais, é uma luta por todos nós. Se o chavismo continuar a fazer estragos na Venezuela, todos estamos ameaçados na América Latina.

ÉPOCA – O senhor escreveu no romance Conversa na catedral que as toxinas do autoritarismo demoram a sair do corpo de uma nação. Essas toxinas estão finalmente começando a sair do continente, a América Latina?

Llosa –
Acredito que sim. Se você compara a situação hoje com a de 15, 20 anos atrás, há um progresso considerável. Temos muito mais governos democráticos que autoritários. Acontece agora um fenômeno: a existência de uma esquerda democrática, pela primeira vez, na América Latina. Antigamente, a esquerda era autoritária, acreditava em governos firmes, em políticas intervencionistas, no Estado empresário e lidava mal com a diversidade. Isso está desaparecendo pouco a pouco. A esquerda está se tornando civilizada. Da mesma forma, a direita também ficou democrática, bem diferente da direita golpista, militarista do passado. A nova esquerda e a nova direita estão dando à América Latina um dinamismo, um progresso que justifica o otimismo. Os países que seguem o chavismo são poucos e representam um atraso em relação ao restante dos países latino-americanos. São os países democráticos que progridem, não só em termos econômicos, como também políticos.

ÉPOCA – No Brasil, os quatro pré-candidatos à Presidência são de partidos que se definem como “esquerda”. Por que a direita desapareceu por aqui?

Llosa –
É um fenômeno bem latino-americano: ninguém quer ser de direita. No máximo, aceita-se ser de centro-esquerda. Mas não importa tanto as etiquetas que os partidos põem, e sim o que fazem. E o que fazem hoje está mais para centro-direita do que para esquerda.

"Vivi na Inglaterra nos anos de Thatcher. Com ela, o país voltou a ter um protagonismo e uma presença internacional extraordinários"

ÉPOCA – Qual sua impressão sobre o legado da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, cuja morte recente tem rendido homenagens, mas também protestos?

Llosa –
Vivi na Inglaterra nos anos de Thatcher. Conheço as obras mais positivas dela. Quando ela subiu ao poder, no fim dos anos 1970, a Inglaterra era um país apagado, mergulhado na mediocridade do socialismo. As empresas eram estatizadas. O Estado crescia de uma maneira cancerosa, perdera o nervo criativo e o dinamismo. O país empobrecia e se mediocrizava. A palavra “decadência” exprimia fielmente a realidade inglesa. A transformação promovida por Thatcher foi extraordinária, com as privatizações realizadas com um critério eminentemente social. As empresas foram obrigadas a competir. Acabaram-se os subsídios, o clientelismo, os privilégios. A economia de mercado obviamente trouxe alguns sacrifícios, mas, ao mesmo tempo, gerou um progresso formidável da economia inglesa. Pela primeira vez em muitos anos, a renda per capita da Inglaterra superou a França. A Inglaterra voltou a ter um protagonismo e uma presença internacional extraordinários.

A primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher (1925-2013). Llosa faz  um balanço positivo de seu governo (Foto: Terry O’Neill/Hulton Archive/Getty Images)

ÉPOCA – Não há nada a criticar em Thatcher? E o apoio ao ditador chileno Augusto Pinochet?
Llosa – O apoio a Pinochet foi lamentável. Ela fez isso para agradecer os serviços que a ditadura chilena prestou à Inglaterra durante a Guerra das Malvinas. Também foram lamentáveis os últimos anos do governo de Thatcher, com os ataques à Europa, numa atitude nacionalista exacerbada. Mas, quando fazemos um balanço dos anos Thatcher, o lado positivo é muito maior.

ÉPOCA – O senhor conheceu Thatcher pessoalmente?

Llosa –
Encontrei com ela quatro vezes. A primeira foi num jantar promovido por Hugh Thomas, então ministro dela. Durante a conversa, a submetemos a um verdadeiro exame, educado mas severo. No final, quando ela foi embora, um dos presentes, o professor Isaiah Berlin, disse uma frase que resumiu a impressão geral: “Nothing to be ashamed of”. Nada do que possamos nos envergonhar. A segunda vez encontrei-a em seu gabinete em Downing Street. Eu era candidato à Presidência do Peru e lhe perguntei: “Primeira-ministra, se ganhar a eleição, qual seria a decisão mais importante que eu deveria tomar?”. Nunca esqueci a resposta: “Cerque-se de um grupo leal e corajoso. Porque, se você fizer as reformas liberais, a reação será tão feroz que as piores traições virão de seus amigos, não de seus adversários”. E Thatcher sairia do poder não porque a oposição ganhou, e sim por uma traição interna do Partido Conservador, encabeçada por Geoffrey Howe (chefe de gabinete de Thatcher).

ÉPOCA – E os outros dois encontros?

Llosa –
A terceira vez que a vi foi no México. Ela desmaiara durante uma conferência, estava abatida. Lembro-me do marido dela, Dennis Thatcher, que contraíra uma espécie de horror da América Latina depois daquela excursão. Chamava a todos nós de “mexicanos”. Da última vez que a vi, ela estava já fora do poder. Fui a sua casa acompanhado de cubanos exilados, que queriam convidá-la para fazer uma conferência em Miami. Ela se mostrou simpática e divertida, tomou três uísques. Falou muito, contou piadas. No final, acompanhou a gente até a porta e, como uma menina revolucionária, levantou o braço e disse: “Temos de derrotar Castro!”.

"Os gays sofreram terrivelmente ao longo da história, sobretudo em países machistas como os latinos. A união homossexual é bem-vinda"
ÉPOCA – O que o senhor pensa do governo argentino?

Llosa –
A Argentina não merece o governo da senhora Kirchner. É um país que já foi Primeiro Mundo, quando três quartos da Europa pertenciam ao Terceiro Mundo. Foi um país industrial, que teve um sistema educacional fora de série. Foi o primeiro país que acabou com o analfabetismo no mundo – ninguém mais se lembra disso. Como a Argentina pode ter retrocedido dessa maneira? Foi por razões puramente políticas, e isso tem um nome: peronismo. Minha esperança é que venha uma reação das bases. Não há sentido algum a Argentina fazer parte do pelotão dos regimes atrasados, encabeçado por Raúl Castro e Nicolás Maduro. É um anacronismo flagrante, que não faz jus ao país.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Ela representa a permanência do peronismo (Foto: AFP)

ÉPOCA – A união civil entre homossexuais tem sido um tema bastante discutido na América Latina. Ela foi aprovada no Uruguai, na Argentina... Llosa
 – ...e espero que seja aprovada em todos os países da América Latina. É um ato de justiça contra uma minoria perseguida, que sofreu terrivelmente ao longo da história, sobretudo em países machistas como os nossos. Já era hora de haver uma reação positiva para combater esse preconceito absurdo de que são vítimas os homossexuais. Os direitos humanos precisam ser compreendidos na América Latina em toda a sua extensão. O casamento gay é a reparação de uma injustiça. E é bom que figure na agenda política.

ÉPOCA – O senhor acredita que o papa Francisco, argentino, colaborará com o progresso dos direitos humanos e com as liberdades individuais?

Llosa –
As primeiras iniciativas do papa têm sido boas. Ele está se aproximando das pessoas e dando mostras de simplicidade e modéstia. Dá a impressão de ser um homem bem-intencionado, consciente de que a Igreja Católica precisa realizar uma política de abertura e modernização. A Igreja tem se tornado anacrônica e assim continuará, se ele não abordar com coragem as reformas necessárias.

ÉPOCA – O que teria de mudar na Igreja Católica?

Llosa –
Duas reformas seriam importantes. A Igreja teria de abolir o celibato clerical, em parte responsável pelos escândalos de pedofilia que tanto dano trouxeram. E teria de dar acesso à mulher a cargos e responsabilidades eclesiásticos. A Igreja mantém uma discriminação antimoderna.

ÉPOCA – Até que ponto ganhar o Prêmio Nobel foi importante para sua vida? Alguns escritores sentiram-se paralisados criativamente com o Nobel, como o irlandês Samuel Beckett. Isso acontece ao senhor, que criticara o prêmio no passado?

Llosa –
Ganhar o Nobel foi uma grande surpresa. Estava absolutamente seguro de que nunca me dariam o Nobel. Eu tinha feito todo o necessário para não ganhá-lo, com tudo o que defendo e critico. Olha, o Nobel é uma semana de sonho. A gente vai a Estocolmo para receber o prêmio – e vive uma espécie de realidade divertida, belíssima, simpática. Em seguida, essa semana de sonho dá lugar a um ano de pesadelo. Porque a responsabilidade, as obrigações, as indicações, o assédio dos jornalistas, tudo isso é algo enlouquecedor. É preciso lutar para conseguir algum tempo para poder escrever. É terrível. Estou contente, claro, mas ganhar o Nobel envolve realmente uma pressão terrível. Ganhei, estou feliz, como feliz de ter ganhado outros prêmios ao longo de minha vida, mas já estou velho para ficar vaidoso com um prêmio a menos ou a mais. Continuo a fazer meu trabalho, embora com mais dificuldade, porque a pressão é maior. É importante manter as ilusões e os projetos até o último momento. Lutar contra o tempo. Isso mantém o homem vivo, e isso tenho de sobra.

ÉPOCA – No livro A anatomia de um instante, o escritor espanhol Javier Cercas esmiúça um único acontecimento histórico num livro, o golpe militar contra o presidente Adolfo Suárez em 1981. Existe um tema da história atual que, a seu ver, daria um livro?


Llosa –
Eu escolheria esta transição à democracia que acontece na Venezuela. A rejeição do populismo autoritário terá um enorme significado, não apenas para a Venezuela e os países semivassalos da Venezuela – casos de Nicarágua, Bolívia e Equador –, mas também para toda a América Latina. Isso dará um grande impulso à democracia. É um momento nevrálgico, que merece uma reportagem a respeito, como a de Cercas sobre o golpe na Espanha.


ÉPOCA – Não poderia ser um romance, como A festa do bode, que o senhor escreveu sobre a República Dominicana?

Llosa –
Poderia, só que o título seria A festa do passarinho.

20 de abril de 2013
JOÃO GABRIEL DE LIMA E LUÍS ANTÔNIO GIRON - Epoca

SEGUNDO SUSPEITO DE ATENTADO EM BOSTON É CAPTURADO EM WATERTOWN

Cerco a Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, durou mais de uma hora. Ele foi levado para o Hospital Mount Auburn, em Cambridge, em condição crítica. Obama: ‘Nós falhamos porque nos recusamos a ser aterrorizados’
 
 

Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, é levado a hospital em ambulância após ser capturado
Foto: Robert Ray / APDzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, é levado a hospital em ambulância após ser capturadoRobert Ray / AP

BOSTON, EUA — O suspeito do atentado à Maratona de Boston foi capturado vivo após um cerco que durou mais de uma hora na cidade de Watertown, no subúrbio de Boston. Uma ambulância chegou ao local e testemunhas disseram que policiais foram aplaudidos após a captura. Pouco depois, a prisão foi anunciada pela Twitter oficial da Polícia de Boston. Ele foi levado para o Hospital Mount Auburn, em Cambridge, em condição crítica. Mais de cem policiais encurralaram Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, que estava escondido dentro de um barco estacionado no quintal de uma casa na Rua Franklin. Dois homens e uma mulher foram detidos para interrogatório em outra área da cidade.
Após a prisão, o presidente Barck Obama fez um pronunciamento e disse que os EUA “falharam porque se recusaram a ser aterrorizados”. E que ainda há muitas dúvidas sobre o atentado.

- Hoje nós pensamos certamente em Martin Richard, Kristle Campbell e Lingzi Lu. Essa noite nós pensamos em todos os feridos, que lutam para se recuperarem. Muitas questões permanecem dos ataques à Maratona de Boston, incluindo se os suspeitos receberam ajuda. Mas hoje fechamos um importante capítulo nesta tragédia - disse o presidente.

Mais cedo, o governador de Massachusetts, Deval Patrick, e o chefe do Departamento de Polícia de Massachusetts, Timothy Alben, anunciaram a prisão em entrevista coletiva.

- Quero agradecer a todos agentes que trabalharam juntos nos últimos dois anos. Estamos exaustos, mas temos uma vitória - afirmou Alben.

A perseguição começou menos de uma hora depois de a polícia afirmar que Tsarnaev ainda não tinha sido capturado. Tiros foram ouvidos - entre 30 e 50, segundo moradores - e veículos blindados tomaram uma das ruas da pacata cidade. Ele foi visto entrando no local por um helicóptero da polícia, que tomou todos os cuidados na abordagem pois o suspeito estaria usando um colete com bombas. A Interpol emitiu nesta sexta-feira um alerta de segurança internacional, detalhando as características dos dispositivos explosivos improvisados usados nos ataques

O primeiro suspeito, identificado como Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, foi morto durante a perseguição policial, que teve início na noite de quinta-feira, paralisando os serviços de transporte de Boston e de várias cidades do entorno. De acordo com a rede CBS, ele havia sido chamado para depor pelo FBI há dois anos.

Minutos antes do cerco desta sexta-feira, o chefe do Departamento de Polícia de Massachusetts afirmou que Tsarnaev, de 19 anos, irmão do morto, ainda deveria estar na cidade. O toque de recolher foi suspenso e os transportes iriam voltar a circular.

Mais cedo, a pacata cidade de Watertown, de cerca de 30 mil habitantes, já havia virado cena de filme de perseguição. Uma equipe da Swat se uniu aos policiais e revistou casa por casa. Através de um alto-falante, ordenaram a retirada de todos que estivessem na residência onde estaria o suspeito. Jornalistas tiveram que se afastar e moradores deixaram suas casas até sem calçados.

Em Cambridge, especialistas em bombas foram à Norfolk Street, onde o suspeito foragido vivia. A área já estava altamente policiada e partes da rua e outras regiões da cidade foram isoladas. A dupla, de etnia chechena - a Chechênia é uma área de maioria muçulmana que busca a independência da Rússia -, estaria há oito ano nos Estados Unidos e em situação legal, segundo fontes ouvidas pela imprensa americana. O mais novo tinha sido naturalizado um ano antes e o segundo possuía um green card.


Polícia captura segundo suspeito do atentado em Boston com vida

Imagem de uma câmera de segurança mostra Dzhokhar Tsarnaev em um posto do Bank of America em Watertown - Reprodução
O segundo suspeito de envolvimento no atentado em Boston foi capturado com vida, informou a polícia de Boston. Ele foi levado ao hospital. A caçada a Dzhokhar Tsarnaev começou ainda na noite de quinta-feira e, nas últimas horas, estava focada em um barco no quintal de uma casa em Watertown, Massachusetts.

O governador do estado, Deval Patrick, chegou a retirar o toque de recolher imposto aos habitantes da zona oeste de Boston e de seis cidades vizinhas, inclusive Watertown. Pouco depois, no entanto, houve uma sequência de tiros e a recomendação para que os moradores permanecessem em local seguro voltou a ser dada pela polícia.


Caçada – A longa perseguição aos suspeitos começou na noite de quinta-feira, quando polícia local e o FBI foram acionados após relatos de um tiroteio no prédio 32 no campus do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), em Cambridge. A troca de tiros deixou um guarda universitário morto (1).
Mapa com o caminho da polícia atrás dos suspeitos pelo atentado em Boston

O atentado ocorreu na segunda-feira, perto da linha de chegada da Maratona de Boston (B). Na noite de quinta, um policial foi morto em um tiroteio no MIT (1). Em seguida, um motorista foi sequestrado por dois homens armados (2). Ele foi liberado pouco depois, em um posto de gasolina (3). Imagens de um dos suspeitos foram captadas por câmeras em um posto bancário (4). A polícia iniciou uma caçada pelos suspeitos em Watertown (5). Em uma troca de tiros, um dos suspeitos foi morto. Os policiais também fizeram buscas no apartamento dos suspeitos (A).


A polícia local, agentes do FBI e integrantes da SWAT, o esquadrão de operações especiais da polícia americana, cercaram o campus, mas os suspeitos conseguiram escapar. Pouco depois, a polícia recebeu a informação de que um motorista havia sido sequestrado por dois homens armados (2). Cerca de 30 minutos depois, o motorista foi deixado em um posto de gasolina em Cambridge (3). Ele não sofreu ferimentos.

Mais tarde, a polícia divulgou imagens de Dzhokhar captadas pela câmera de segurança de um posto bancário (4), no fim da noite de quinta. A partir daí, foi montada uma megaoperação policial, com mais de 9.000 policiais, veículos blindados e helicópteros, para cercar os fugitivos na cidade de Watertown (5), região metropolitana de Boston.

Durante a perseguição ao veículo que havia sido roubado, os fugitivos atiram explosivos contra os policiais. Encurralados, os suspeitos trocaram tiros com a polícia usando o carro como barricada. Ferido na troca de tiros, Tamerlan foi preso e foi declarado morto no início da madrugada de sexta, já no hospital. Dzhokhar conseguiu fugir.

A partir daí, a caça ao suspeito número 2, considerado "armado e perigoso" pelo FBI, se concentrou em Watertown, uma localidade de 35.000 habitantes. O sistema de transporte foi interrompido e a polícia estadual aconselhou que todos os moradores da zona oeste de Boston e de seis cidades vizinhas ficassem dentro de casa. Todas as escolas e também os prédios de Harvard e do MIT foram fechados.

Durante a caçada a Dzhokhar, o apartamento dos irmãos em Cambridge (A) também foi revistado. Um esquadrão antibomba chegou a ser acionado para realizar uma explosão controlada, mas a suspeita sobre a existência de explosivos no local não chegou a ser confirmada.

20 de abril de 2013
O Globo
Veja com agências

CURIOSO PARA LER A V EJA


Em 2012, descobriu-se que Rosemary Noronha usava a influência que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. 
Exonerada do cargo de chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, ela foi alvo de uma sindicância.
 
VEJA teve acesso às 120 páginas resultantes da investigação oficial, mantida em segredo pelo governo.
Elas mostram a extensão das traficâncias de Rose – que está magoada e ameaça revidar.
 
20 de abril de 2013
in coroneLeaks

FORA, BANDIDOS MENSALEIROS!

O resumo do acórdão do julgamento do mensalão divulgado nesta sexta-feira, 19, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) reafirma a perda automática dos mandatos dos deputados federais condenados no processo. A questão tem gerado polêmica desde o ano passado após as penas de prisão terem sido impostas aos deputados federais José Genoino (SP), então presidente do PT na época do esquema, João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), ex-presidente do PL.
O presidente da Câmara na época do julgamento, o petista Marco Maia (RS), sustentava que a decisão sobre a perda de mandato dos parlamentares seria prerrogativa da Casa Legislativa. O atual presidente, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tem dado declarações ambíguas, dizendo ora que cabe à Câmara dar a "palavra final" ora ela vai apenas cumprir as "formalidades legais" da decisão.
As perdas de mandatos só serão efetuadas assim que forem esgotados todos os recursos do processo, o chamado trânsito em julgado.
Na decisão publicada nesta sexta-feira, 19, um resumo das 53 sessões do julgamento, a Corte ressalta que o Supremo recebeu da Constituição Federal de 1988 competência para processar e julgar criminalmente parlamentares federais acusados de práticas de infrações penais.
Como consequência, destaca o documento, cabe ao STF a aplicação das penas previstas em lei, em caso de condenação.
"A perda do mandato eletivo é uma pena acessória da pena principal (privativa de liberdade ou restritiva de direitos), e deve ser decretada pelo órgão que exerce a função jurisdicional, como um dos efeitos da condenação, quando presentes os requisitos legais para tanto", diz o acórdão.
O documento também destaca que não cabe ao Congresso deliberar sobre aspectos da decisão condenatória criminal determinada pelo Poder Judiciário. "A Constituição não submete a decisão do Poder Judiciário à complementação por ato de qualquer outro órgão ou Poder da República", ressalta. Segundo ele, ao Poder Legislativo "cabe, apenas, dar fiel execução à decisão da Justiça e declarar a perda do mandato", de acordo com a sentença judicial.
Nesta semana, o STF decidiu ampliar o prazo para a defesa dos réus recorrer da sentença. A partir de terça-feira, 23, os advogados terão dez dias para preparar os recursos. O prazo termina no dia 2 de maio. O prazo só começa a contar na terça-feira, 23, porque o acórdão completo só será publicado na segunda-feira no Diário da Justiça, etapa necessária para a efetiva contagem do prazo. O julgamento condenou 25 réus. (Estadão)

Resumão do Mensalão

O STF publicou hoje, no Diário de Justiça, o resumo do acórdão do Mensalão. Clique aqui e leia a partir da página 39. Mensaleiros com os dias contados.
 
29 de abril de 2013
in coroneLeaks

FRASE DO DIA



"A organização e o controle das atividades criminosas foram exercidos pelo então Ministro-Chefe da Casa Civil, responsável pela articulação política e pelas relações do Governo com os parlamentares."


Resumo do acórdão do julgamento do mensalão

20 de abril de 2013

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

STF publica acórdão eletrônico do Mensalão, e plenário ainda decidirá se recursos dos réus são válidos

Novo capítulo da novela do Mensalão – que ainda não tem data para acabar de verdade. De terça-feira que vem até dia 2 de maio, os 25 réus condenados poderão apresentar seus recursos. O tão esperado acórdão da Ação Penal 470 – documento que oficializa as decisões das 53 sessões do julgamento– será publicado (impresso) no Diário Oficial da Justiça na segunda-feira. Hoje saiu no Diário de Justiça Eletrônico número 74, a partir da página 39. Confira aqui
 
O documento foi liberado quatro meses depois do julgamento “que entrou para a História”, mas que ainda não tem data marcada para mandar mensaleiros para a cadeia. O voto completo dos 11 ministros só será divulgado segunda-feira. Agora, o STF apenas divulgou as teses firmadas no julgamento, o tempo e o regime de cumprimento de pena para cada réu. A partir de terça, os advogados de defesa finalmente terão 10 dias para entrar com os embargos de declaração e os embargos infringentes.
 
O plenário do Supremo ainda vai deliberar se os recursos podem ser aceitos ou não. Tais recursos não são previstos em lei – até porque, no Mensalão, o STF operou como uma instância única da Justiça, o que fugiu ao padrão. A tendência é que sejam apresentados, primeiramente, os embargos de declaração – questionando contradições ou omissões no acórdão, principalmente o tempo de pena ou seu regime de cumprimento, sem modificar a decisão do STF.
 
Já os embargos infringentes se aplicam aos réus condenados que tiveram pelo menos quatro votos em favor da absolvição. Doze réus do processo foram condenados com 4 votos favoráveis em um dos crimes aos quais respondiam: João Paulo Cunha, João Cláudio Genú e Breno Fischberg (lavagem de dinheiro); Dirceu, Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Vasconcelos, Kátia Rabello, Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado (formação de quadrilha).
 
Super Barbosa


Guerra ao ministro
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho declara mais uma guerra ao presidente do STF e do CNJ – o super Joaquim Barbosa.
A Anamatra manifestou profunda preocupação com a nomeação do jornalista Wellington Geraldo Silva para presidir o conselho deliberativo da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário (Funpresp-Jud).
A entidade analisa meios de sustar a indicação do atual Secretário de Comunicação de Barbosa, e que também seria seu biografo, caso seja comprovada a não habilitação do indicado para o cargo.
CNJ x Justiça Militar
O Conselho Nacional de Justiça criou o grupo de trabalho que será responsável por elaborar um diagnóstico da Justiça Militar para – se possível – acabar com ela.
Integram o grupo Wellington Saraiva, Gilberto Martins e Jefferson Kravchychyn, responsáveis pela coordenação dos trabalhos, junto com o juiz auxiliar da presidência do CNJ Clenio Schulze, o diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Conselho, Ivan Bonifácio, e a diretora-executiva do Departamento de Pesquisa Judiciária (DPJ), Janaína Penalva.
O grupo tem o prazo de 90 dias para apresentar o relatório final com as propostas que serão encaminhadas ao Congresso Nacional e às Assembleias Legislativas dos estados onde existe Justiça Militar: Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
Previsão de inflação
Tem gente pessimista no deus mercado apostando que existe um sério risco de a inflação bater uns 7% do meio até o fim de maio.
A petralhada já está apavorada com tal hipótese negativa – que afeta diretamente a candidatura reeleitoral de Dilma e pode fazer a pipa de Eduardo Campos subir.
Medo gigante da petralhada é que ocorra uma nada surpreendente aliança entre Eduardo e Aécio Neves.
Recordar é ficar PT da vida...
Vale a pena rever o discurso da Presidenta Dilma, lembrando que o controle da inflação foi uma conquista dela e dos 10 anos de Lula e PT no poder.
No Brasil, o tempo é sempre o senhor da piada...

Cacique contra o Forte Apache
José Sarney está na bronca com o comando do Exército.
O SNI do Presidente do Senado descobriu que agentes de inteligência do EB andam investigando prefeitos ligados a ele no Nordeste...
O medinho é que vazem informes e informes comprometedores sobre corrupção...
Pensando bem...
Todo dia é dia de ìndio no Brasil– um país cheio de caciques corruptos e uma indiarada passiva e covarde que desonra os descendentes tupinambás...
Mas hoje também é Dia do Exército Brasileiro.
Quem tiver motivos para comemorar que aproveite bem a data...
Prazo Coerente...


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
20 de abril de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
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