Bezerra Coelho, defendendo o indefensável e usando a velha e surrada tese do preconceito nacional:
"Não se pode discriminar Pernambuco por ser estado do ministro. Não é correto. Não é justo".
Não é correto nem justo inventar discriminação para com o Estado de Pernambuco, quando o malfeitor dos malfeitos é o próprio ministro que se defende e não o Estado.
Os pernambucanos agradecem o uso e abuso do ministro. O Brasil deplora o oportunista com banca de ministro preconceituoso.
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
domingo, 8 de janeiro de 2012
ANOTAÇÕES DO SANATÓRIO 2
PANDILHA
O governo Dilma perdeu pelo menos um funcionáriop por dia, em razão de denúncias de corrupção que nunca partiram do próprio governo. Muito mais do que esses que foram flagrados no contrapé, continuam lépidos e faceiros corroendo a máquina estatal.
MODO DE DIZER
Pelo menos 35 pessoas morrem em mais um dia de repressão na Síria. Olha só o jeito que essa gente diz as coisas. Dá a impressão de que els estão contando que ainda bem que pelo menos 35 pessoas não continuaram vivas na Síria. Vai ver que é isso mesmo que eles querem dizer.
FOI ELE
Integração Nacional se contradiz ao explicar transferência de verba. Pasta tenta explicar nos últimos dias os critérios para o repasse de verbas para obras antienchente. Pasta, Integração? Um pinóia! Quem se contradisse foi o próprio ministro, candidato a prefeito de Recife.
SAUDADE DAS SACANAGENS
Lula está animado para voltar à política, diz líder do PT na Câmara. Ex-presidente fez, nesta sexta, a terceira sessão de radioterapia no tratamento contra o câncer na laringe. Na verdade, com essa declaração o líder quis mesmo foi se exibir pra todo mundo mostrando que se dá bem com Lula e coisa e tal. O que o pessoal não aguenta mais é essa saudade enorme de se espantar com as sacanagens que o convalecente presidente de honra do PT apronta, quando está em plena forma.
ARROCHO NA VELHARADA
Aposentados que ganham acima do mínimo terão reajuste de 6,08%.
Índice corresponde à inflação de 2011; segurados que recebem acima do piso não terão reajuste real. Quem há menos de dez anos se aposentou com 10 salários mínimos, hoje está ganhando menos de quatro. Como é que esses mais de 9 milhões de achincalhados não esfregam Mantega na rampa do Palácio é que não dá para entender. Seria pelo menos uma chance de se ver uma presidenta insensível resvalar pela Esplanada dos Ministérios - antro de ladrões podres de rico.
06.01.2012
sanatorio da noticia
O governo Dilma perdeu pelo menos um funcionáriop por dia, em razão de denúncias de corrupção que nunca partiram do próprio governo. Muito mais do que esses que foram flagrados no contrapé, continuam lépidos e faceiros corroendo a máquina estatal.
MODO DE DIZER
Pelo menos 35 pessoas morrem em mais um dia de repressão na Síria. Olha só o jeito que essa gente diz as coisas. Dá a impressão de que els estão contando que ainda bem que pelo menos 35 pessoas não continuaram vivas na Síria. Vai ver que é isso mesmo que eles querem dizer.
FOI ELE
Integração Nacional se contradiz ao explicar transferência de verba. Pasta tenta explicar nos últimos dias os critérios para o repasse de verbas para obras antienchente. Pasta, Integração? Um pinóia! Quem se contradisse foi o próprio ministro, candidato a prefeito de Recife.
SAUDADE DAS SACANAGENS
Lula está animado para voltar à política, diz líder do PT na Câmara. Ex-presidente fez, nesta sexta, a terceira sessão de radioterapia no tratamento contra o câncer na laringe. Na verdade, com essa declaração o líder quis mesmo foi se exibir pra todo mundo mostrando que se dá bem com Lula e coisa e tal. O que o pessoal não aguenta mais é essa saudade enorme de se espantar com as sacanagens que o convalecente presidente de honra do PT apronta, quando está em plena forma.
ARROCHO NA VELHARADA
Aposentados que ganham acima do mínimo terão reajuste de 6,08%.
Índice corresponde à inflação de 2011; segurados que recebem acima do piso não terão reajuste real. Quem há menos de dez anos se aposentou com 10 salários mínimos, hoje está ganhando menos de quatro. Como é que esses mais de 9 milhões de achincalhados não esfregam Mantega na rampa do Palácio é que não dá para entender. Seria pelo menos uma chance de se ver uma presidenta insensível resvalar pela Esplanada dos Ministérios - antro de ladrões podres de rico.
06.01.2012
sanatorio da noticia
ANOTAÇÕES DO SANATÓRIO
RADIOTIVIDADE
O cordão dos puxassacos cada vez aumenta mais em torno da casa do convalescente guru Luiz Erário Lula da Silva. É ano de eleição. Os caras não respeitam nem mesmo a radioterapia do honrado presidente de seu partido. Sabem que precisam dele nos palanques. Ainda mais agora que Lula é radioativo.
ENDIVIDADOS
O Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revelou que 47% dos brasileiros estão endividados. Devem os olhos da cara. Acreditaram na basófia de Luiz Erário da Silva e foram às compras. Não têm como pagar. Usaram o 13° salário para abater os débitos. Foi pouco, não deu pra nada.
IN/DEFESA CIVIL
A tragédia anunciada pela natureza na região serrana do Rio, em Minas Gerais, Espírito Santo, afora a estiagem no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, repercute no mundo inteiro. O espanto internacional empata com o daqui da casa. A Defesa Civil só agora ficou sabendo do desastre. Parece que já avisou ao governo Dilma.
ARREPIO À LEI
O governo Dilma, usaou Mantega uma vez mais para dar aumento abaixo da inflação para os 9 milhões de aposentados que ganham acima de um salário mínimo. Dessa vez foi 6%. Quem se aposentou com o equivalente a dez salários mínimos, hoje ganha menos de quatro salários mensais. O governo usa como argumento legal o fator previdenciário, criado por FHC, aprimorado por Lula e mantido por Dilma com enorme prazer. É legal, mas não é legítimo. Arrepia a Constituição no seu maior e mais profundo valor: o espírito da lei.
SABEM DE TUDO
O híbrido Bezerra Coelho quer ir ao Congresso Nacional explicar que fez muito bem favorecer descaradamente seu filhos, seus parentes e amigos do peito com mais de 90% das verbas antienchentes do seu ministério. Vai dizer que Dilma sabia de tudo e que o procedimento foi legal. Não é disso que se está falando. O protecionismo, o uso e abuso, o malfeito tem cara de legal, mas é imoral. Bezerra Coelho é um malfeitor. E Dilma, como ele mesmo diz, sabe disso. Sabe de tudo. Foi ela quem escolheu a dedo cada ministro desses que agora ela promete descartar.
REDE DE ESCANDALOS
A revista Veja, outra vez, presta um serviço à memória combalida e mal-acostumada dos brasileiros. Acesse o endereço abaixo e sinta que hoje é um novo dia de um novo tempo. Entre, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier: http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/rede-escandalos.shtml
CADÊ?!?
E cadê os ministros corruptos, todos indicados por Luiz Erário da Silva que Dilma não demitiu, mas saíram pela porta dos fundos? Cadê, onde estão; onde foram parar? Seus asseclas estão todos à sua espera em cada ministério, como dantes no quartel de Abrantes. Cadê, cadê?!? Cadê Erenice; cadê Palocci, cadê Alfredo Nascimento; cadê Wagner Rossi; cadê Pedro Novais; cadê ONGlando Silva; cadê Carlos Lupi? Cadê Zé Dirceu e seus 40 mensaleiros?!?
POBRE DE NOVO
E o Pré-Sal não vale mais nada? Foi só o Luiz Erário Lula da Silva sair de cena e cair de cama, para o Brasil ficar pobre de novo?!? Ninguém mais é radioativo nesse país?!?
RENAN FEZ A REFORMA
O caubói Renan Calheiros, criador de gado fantasma, é candidato ao lugar de Sarney quando chegar a hora. De quando em vez ele dá o ar da graça. Sobre a reforma ministerial ele foi peremptório, como um desses Tarsos Genros que andam por aí: "Não vai haver reforma ministerial. Ela já foi feita"! Para ele, desemprego de ministro malfeitor é faxina e basta. Até parece que os outros ministros de Dilma fizeram alguma coisa que prestasse até aqui.
07/01/2012
sanatorio da noticia
O cordão dos puxassacos cada vez aumenta mais em torno da casa do convalescente guru Luiz Erário Lula da Silva. É ano de eleição. Os caras não respeitam nem mesmo a radioterapia do honrado presidente de seu partido. Sabem que precisam dele nos palanques. Ainda mais agora que Lula é radioativo.
ENDIVIDADOS
O Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revelou que 47% dos brasileiros estão endividados. Devem os olhos da cara. Acreditaram na basófia de Luiz Erário da Silva e foram às compras. Não têm como pagar. Usaram o 13° salário para abater os débitos. Foi pouco, não deu pra nada.
IN/DEFESA CIVIL
A tragédia anunciada pela natureza na região serrana do Rio, em Minas Gerais, Espírito Santo, afora a estiagem no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, repercute no mundo inteiro. O espanto internacional empata com o daqui da casa. A Defesa Civil só agora ficou sabendo do desastre. Parece que já avisou ao governo Dilma.
ARREPIO À LEI
O governo Dilma, usaou Mantega uma vez mais para dar aumento abaixo da inflação para os 9 milhões de aposentados que ganham acima de um salário mínimo. Dessa vez foi 6%. Quem se aposentou com o equivalente a dez salários mínimos, hoje ganha menos de quatro salários mensais. O governo usa como argumento legal o fator previdenciário, criado por FHC, aprimorado por Lula e mantido por Dilma com enorme prazer. É legal, mas não é legítimo. Arrepia a Constituição no seu maior e mais profundo valor: o espírito da lei.
SABEM DE TUDO
O híbrido Bezerra Coelho quer ir ao Congresso Nacional explicar que fez muito bem favorecer descaradamente seu filhos, seus parentes e amigos do peito com mais de 90% das verbas antienchentes do seu ministério. Vai dizer que Dilma sabia de tudo e que o procedimento foi legal. Não é disso que se está falando. O protecionismo, o uso e abuso, o malfeito tem cara de legal, mas é imoral. Bezerra Coelho é um malfeitor. E Dilma, como ele mesmo diz, sabe disso. Sabe de tudo. Foi ela quem escolheu a dedo cada ministro desses que agora ela promete descartar.
REDE DE ESCANDALOS
A revista Veja, outra vez, presta um serviço à memória combalida e mal-acostumada dos brasileiros. Acesse o endereço abaixo e sinta que hoje é um novo dia de um novo tempo. Entre, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier: http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/rede-escandalos.shtml
CADÊ?!?
E cadê os ministros corruptos, todos indicados por Luiz Erário da Silva que Dilma não demitiu, mas saíram pela porta dos fundos? Cadê, onde estão; onde foram parar? Seus asseclas estão todos à sua espera em cada ministério, como dantes no quartel de Abrantes. Cadê, cadê?!? Cadê Erenice; cadê Palocci, cadê Alfredo Nascimento; cadê Wagner Rossi; cadê Pedro Novais; cadê ONGlando Silva; cadê Carlos Lupi? Cadê Zé Dirceu e seus 40 mensaleiros?!?
POBRE DE NOVO
E o Pré-Sal não vale mais nada? Foi só o Luiz Erário Lula da Silva sair de cena e cair de cama, para o Brasil ficar pobre de novo?!? Ninguém mais é radioativo nesse país?!?
RENAN FEZ A REFORMA
O caubói Renan Calheiros, criador de gado fantasma, é candidato ao lugar de Sarney quando chegar a hora. De quando em vez ele dá o ar da graça. Sobre a reforma ministerial ele foi peremptório, como um desses Tarsos Genros que andam por aí: "Não vai haver reforma ministerial. Ela já foi feita"! Para ele, desemprego de ministro malfeitor é faxina e basta. Até parece que os outros ministros de Dilma fizeram alguma coisa que prestasse até aqui.
07/01/2012
sanatorio da noticia
"SE QUISEREM..."
Voltando aos nóias do centro de São Paulo. Depois de ignorar o problema por duas décadas, as autoridades decidiram atacá-lo de frente... com uma política de mosca tonta em relação aos drogados. Baseados em uma exótica estratégia de "dor e sofrimento" de usuários de crack, pela primeira vez Prefeitura e Estado definiram medidas para tentar esvaziar a Cracolândia.
A estratégia está dividida em três etapas – diz o Estadão. A primeira consiste na ocupação policial, cujo objetivo é "quebrar a estrutura logística" de traficantes que atuam na área. Além de barrar a chegada da droga, policiais foram orientados a não tolerar mais consumo público de crack. Usuários serão abordados e, se quiserem, encaminhados à rede municipal de saúde e assistência social. Em uma segunda etapa, a ação ostensiva da PM, na visão de Prefeitura e Estado, vai incentivar consumidores da droga a procurar ajuda. Na terceira fase, a meta será manter os bons resultados.
Atenção ao “se quiserem”. Se o drogado quiser, será encaminhado a tratamento. Se não quiser, pode continuar cachimbando seu crack, sob o olhar complacente dos policiais. "A falta da droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue levar o usuário a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais aquela situação. Dor e o sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda", diz o coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira.
Alguém já viu um drogado buscar tratamento? Pode até acontecer que alguém, filho de uma família estruturada e com algum futuro pela frente, busque tratar-se. É pessoa que tem algo a perder. Mas pessoas sem nenhum laço familiar ou social, sem emprego nem profissão? Me permito a dúvida. Para estes pobres diabos, a droga é uma espécie de muleta.
A Cracolândia será vigiada durante um mês, 24 horas por dia. E depois deste mês? Os nóias não estão esperando nem 24 horas para voltar a seu território. Hoje, leio nos jornais, foram dispersos com bombas de efeito moral e balas de borracha. Curiosa estratégia, combater a droga com balas de borracha. Há muito, os nóias vêm se esparramando pelo centro da cidade. O governo aposta em que, coibindo o tráfico na Cracolândia, o problema estará resolvido. Ora, o tráfico é ágil. Do dia para a noite, saberá como encontrar sua clientela. Se entra até nas prisões, não lhe será difícil abastecer o mercado nas ruas.
Os craqueiros foram empurrados pela Avenida Duque de Caxias até a Alameda Barão de Limeira, onde se dispersaram – noticia a Folha de São Paulo –. Cerca de meia hora depois, um grupo com cerca de 50 pessoas voltou a se aglomerar na Avenida Rio Branco, ao lado da Praça Princesa Isabel. A PM novamente usou a força contra o grupo, que correu em direção à Rua Aurora. Ou seja, a ação policial está apenas empurrando os nóias para ruas vizinhas.
Em meio a isso, um senhor cujas sandices já tive ocasião de comentar, considera que o governo está oficializando a tortura. Em artigo para o Terra, escreve Wálter Fanganiello Maierovitch:
- É inacreditável. Em tempos de Tribunal Penal Internacional e de luta sem fronteiras por respeito aos direitos humanos e contra a tortura, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador do estado paulista, Geraldo Alckmin, adotam, na conhecida Cracolândia, violência contra dependentes de crack. A dupla de governantes acaba de oficializar a tortura.
Maierovitch considera tortura obrigar os dependentes que vivem na Cracolândia a buscar ajuda, “pela dor e sofrimento” decorrentes da abstinência, junto às autoridades sanitárias ou redes de saúde. E compara a atitude do governo – inócua, diga-se de passagem – às torturas do DOI-CODI e aos campos nazistas. Curiosamente, não a comparou aos campos de concentração stalinistas. O que é significativo.
- A tortura indireta posta em prática pela dupla Kassab-Alckmin tem o mesmo fundamento dos campos de concentração nazista. E a tortura imperava no DOI-CODI, de triste memória.
E acena com a criação de narcossalas para o consumo da droga:
- As federações do comércio e da indústria da Alemanha apóiam os programas de narcossalas com um milhão de euros. E ninguém esquece a lição do professor Uwe Kemmesies, da Universidade de Frankfurt: “Podemos reconhecer que a oferta de salas seguras para o consumo de drogas melhorou a expectativa e a qualidade de vida de muitos toxicodependentes que não desejam ou não conseguem abandonar as substâncias”.
Ora, salas seguras para o consumo da droga significa também fornecer a droga aos usuários. Neste país em que milhões de chefes de família mal têm como botar o feijão na panela e fazem das tripas coração para dar educação aos filhos, o articulista propõe que o contribuinte financie a droga aos drogados.
Se o leitor me perguntar qual seria a solução para o problema, minha resposta é: não sei. Só sei que financiar crack aos craqueiros, contemplá-los de braços cruzados enquanto fumam ou deslocá-los de uma rua para outra não é solução.
A Prefeitura está tocando um projeto que chamou de Nova Luz. Uma vasta área está sendo desapropriada e será demolida para dar lugar a um centro administrativo. O que me parece uma ótica de cegos. Centros administrativos se tornam desertos depois das seis da tarde. Mesmo que os marginais sejam afastados durante o dia, todos voltarão à noite a seu habitat. Todas as semanas, os jornais nos trazem fotos de pobres coitados fumando crack. Alguns permanecem dias deitados, já nem conseguem parar em pé. Só a polícia, que tem um distrito policial justo na Cracolândia, parece não ver nada.
A Prefeitura quer revitalizar a Cracolândia. O resto da cidade que se lixe.
janer cristaldo
A estratégia está dividida em três etapas – diz o Estadão. A primeira consiste na ocupação policial, cujo objetivo é "quebrar a estrutura logística" de traficantes que atuam na área. Além de barrar a chegada da droga, policiais foram orientados a não tolerar mais consumo público de crack. Usuários serão abordados e, se quiserem, encaminhados à rede municipal de saúde e assistência social. Em uma segunda etapa, a ação ostensiva da PM, na visão de Prefeitura e Estado, vai incentivar consumidores da droga a procurar ajuda. Na terceira fase, a meta será manter os bons resultados.
Atenção ao “se quiserem”. Se o drogado quiser, será encaminhado a tratamento. Se não quiser, pode continuar cachimbando seu crack, sob o olhar complacente dos policiais. "A falta da droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue levar o usuário a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais aquela situação. Dor e o sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda", diz o coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira.
Alguém já viu um drogado buscar tratamento? Pode até acontecer que alguém, filho de uma família estruturada e com algum futuro pela frente, busque tratar-se. É pessoa que tem algo a perder. Mas pessoas sem nenhum laço familiar ou social, sem emprego nem profissão? Me permito a dúvida. Para estes pobres diabos, a droga é uma espécie de muleta.
A Cracolândia será vigiada durante um mês, 24 horas por dia. E depois deste mês? Os nóias não estão esperando nem 24 horas para voltar a seu território. Hoje, leio nos jornais, foram dispersos com bombas de efeito moral e balas de borracha. Curiosa estratégia, combater a droga com balas de borracha. Há muito, os nóias vêm se esparramando pelo centro da cidade. O governo aposta em que, coibindo o tráfico na Cracolândia, o problema estará resolvido. Ora, o tráfico é ágil. Do dia para a noite, saberá como encontrar sua clientela. Se entra até nas prisões, não lhe será difícil abastecer o mercado nas ruas.
Os craqueiros foram empurrados pela Avenida Duque de Caxias até a Alameda Barão de Limeira, onde se dispersaram – noticia a Folha de São Paulo –. Cerca de meia hora depois, um grupo com cerca de 50 pessoas voltou a se aglomerar na Avenida Rio Branco, ao lado da Praça Princesa Isabel. A PM novamente usou a força contra o grupo, que correu em direção à Rua Aurora. Ou seja, a ação policial está apenas empurrando os nóias para ruas vizinhas.
Em meio a isso, um senhor cujas sandices já tive ocasião de comentar, considera que o governo está oficializando a tortura. Em artigo para o Terra, escreve Wálter Fanganiello Maierovitch:
- É inacreditável. Em tempos de Tribunal Penal Internacional e de luta sem fronteiras por respeito aos direitos humanos e contra a tortura, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador do estado paulista, Geraldo Alckmin, adotam, na conhecida Cracolândia, violência contra dependentes de crack. A dupla de governantes acaba de oficializar a tortura.
Maierovitch considera tortura obrigar os dependentes que vivem na Cracolândia a buscar ajuda, “pela dor e sofrimento” decorrentes da abstinência, junto às autoridades sanitárias ou redes de saúde. E compara a atitude do governo – inócua, diga-se de passagem – às torturas do DOI-CODI e aos campos nazistas. Curiosamente, não a comparou aos campos de concentração stalinistas. O que é significativo.
- A tortura indireta posta em prática pela dupla Kassab-Alckmin tem o mesmo fundamento dos campos de concentração nazista. E a tortura imperava no DOI-CODI, de triste memória.
E acena com a criação de narcossalas para o consumo da droga:
- As federações do comércio e da indústria da Alemanha apóiam os programas de narcossalas com um milhão de euros. E ninguém esquece a lição do professor Uwe Kemmesies, da Universidade de Frankfurt: “Podemos reconhecer que a oferta de salas seguras para o consumo de drogas melhorou a expectativa e a qualidade de vida de muitos toxicodependentes que não desejam ou não conseguem abandonar as substâncias”.
Ora, salas seguras para o consumo da droga significa também fornecer a droga aos usuários. Neste país em que milhões de chefes de família mal têm como botar o feijão na panela e fazem das tripas coração para dar educação aos filhos, o articulista propõe que o contribuinte financie a droga aos drogados.
Se o leitor me perguntar qual seria a solução para o problema, minha resposta é: não sei. Só sei que financiar crack aos craqueiros, contemplá-los de braços cruzados enquanto fumam ou deslocá-los de uma rua para outra não é solução.
A Prefeitura está tocando um projeto que chamou de Nova Luz. Uma vasta área está sendo desapropriada e será demolida para dar lugar a um centro administrativo. O que me parece uma ótica de cegos. Centros administrativos se tornam desertos depois das seis da tarde. Mesmo que os marginais sejam afastados durante o dia, todos voltarão à noite a seu habitat. Todas as semanas, os jornais nos trazem fotos de pobres coitados fumando crack. Alguns permanecem dias deitados, já nem conseguem parar em pé. Só a polícia, que tem um distrito policial justo na Cracolândia, parece não ver nada.
A Prefeitura quer revitalizar a Cracolândia. O resto da cidade que se lixe.
janer cristaldo
AHMADINEJAD E O NEGÓCIO DO URÂNIO NA VENEZUELA
Internacional - América Latina
Neste fim de semana a Venezuela recebe dois presidentes indesejáveis: Ollanta Humala, do Peru, que chegou ontem (7) para estreitar laços com Chávez após acertos feitos durante a inútil reunião da CELAC, e hoje à noite o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ele diz que vem “estreitar laços” com os países da América Latina, mas na verdade o que significa sua presença na Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, é conspirar junto com seus aliados contra os Estados Unidos e Israel.
A esse respeito, existe muita preocupação por parte dos venezuelanos residentes no país e exilados no exterior, mas muito mais por parte de congressistas republicanos, notadamente a cubano-americana Ileana Ros-Lehtinen, que faz parte do Comitê de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Todos pedem ao governo Obama que tome medidas mais drásticas em relação às investidas de Ahmadinejad que, como retaliação “preventiva”, fez um ensaio de mísseis de Teerã no Estreito de Ormuz.
Ahmadinejad já anunciou que empregaria toda sua força caso Washington não renuncie à presença de sua força naval no Golfo Pérsico, coisa que a Casa Branca já alertou que não fará, e o ditador iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz por onde transita 35% do tráfego marítimo de petróleo.
É sabido há anos que a Venezuela é rica não só em petróleo mas também em urânio, e que o interesse do Irã por aquele país não é somente por afinidades ideológicas com Chávez. Desde 2005 eu venho alertando sobre os negócios do urânio entre Venezuela e Irã, que pode-se ler numa nota desta edição aqui. Depois disso eu falei mais a respeito, inclusive nos misteriosos vôos Teerã-Caracas, nas fábricas de cimento, tratores e bicicletas, e os estados ricos nesse mineral, mas o tempo exíguo de que disponho para fazer esta edição não me permitiu pesquisar mais para re-publicar.
Entretanto, como esse tema agora tem tido comprovações e denúncias daquilo que os venezuelanos já desconfiam há tempo, publico nesta edição um artigo publicado pelo jornal espanhol ABC em 12 de dezembro passado que é praticamente uma seqüência de outro publicado simultaneamente pelos sites Mídia Sem Máscara e Papéis Avulsos do Heitor De Paola. A foto que ilustra esta edição é uma vista aérea da “fábrica de tratores Venirán” que é, na verdade, uma empresa de fachada. Não deixem de ler os links indicados para compreender toda a trama por trás desta “inocente” visita, e o perigo que todos nós sul-americanos corremos com estas alianças nefastas. Fiquem com Deus e até a próxima!
O Irã procura urânio na Venezuela para desenvolver seu programa nuclear
O regime de Teerã utiliza suas concessões para a extração de ouro no país bolivariano e emprega várias empresas civis como fachada
Emili J. Blasco/Correspondente em Washington
Técnicos iranianos estabeleceram quais são as áreas de maior riqueza de urânio na Venezuela e já estariam extraindo o estratégico mineral sob a cobertura do regime de Hugo Chávez, de acordo com documentação confidencial à qual o jornal ABC da Espanha teve acesso. Não só o acordo de colaboração nuclear firmado entre ambos os países viola as sanções internacionais impostas a Teerã, senão que, além disso, uma complexa trama de empresas e bancos estaria permitindo ao Irã a lavagem de dinheiro para seu alívio financeiro.
Os últimos dados sobre colaboração militar, com a venda de aviões não-tripulados à Venezuela (transações comprovadas por este jornal) e a possibilidade de que também mísseis de fabricação iraniana já estejam em solo venezuelano (assim apontam algumas fontes mas sem evidência gráfica), fizeram soar os alarmes nos Estados Unidos. Esta semana a consulesa da Venezuela em Miami, Livia Acosta, poderia ser expulsa do país, depois que um documentário de Univisión revelou com uma câmera oculta sua implicação na obtenção de informação para cometer atentados em solo norte-americano.
A conexão do regime de Chávez com elementos do Hizbolah, já levou Washington a tomar medidas no passado, porém em meio à presente crise entre o Irã e os Estados Unidos a vinculação entre a república islâmica e a bolivariana começa a atrair a atenção da CIA. Assim revelou Roger Noriega, alto funcionário na administração Bush, que agora investiga a penetração do Irã na América Latina, em uma recente intervenção no American Enterprise Institute. A aproximação entre os dois países consumou-se em 2005, ano em que o presidente Jatami visitou Caracas. Chávez devolveu a visita em 2009, correspondida meses depois pelo presidente Ahmadinejad. Na documentação oficial desses encontros, que ABC pôde consultar, se contabilizavam alguns projetos de colaboração de 30 bilhões de dólares, cifra desmedida quando se analisa pormenorizadamente cada investimento. As vultosas quantias teriam como finalidade facilitar divisas ao Irã.
Entre os suspeitos investimentos está a fábrica de cimento Cerro Azul (na foto), no estado Monagas. Seu orçamento é de 750 milhões de dólares, o que no julgamento de consultores externos é desproporcional para a produção que deseja realizar. O fato de que há seis anos seja planejada e ainda não tenha começado a produzir levou os grupos opositores a pensar que pode se tratar de uma empresa de fachada, principalmente quando, ademais, está proibido seu sobrevôo. Suspeitas não confirmadas apontam que a instalação, com fácil acesso ao rio Orinoco, poderia servir como lugar de carga do urânio que o Irã poderia estar obtendo no vizinho estado Bolívar, em uma concessão para a suposta extração de ouro.
Esta mina, igualmente sem permissão de sobrevôo, encontra-se em uma das áreas mais ricas em urânio da Venezuela. Embora a zona conte com jazidas de ouro, curiosamente a empresa pública iraniana que a explora, IMPASCO, não aparece na relação de companhias que extraem ouro na Venezuela. A IMPASCO, além de se ocupar de diversos minerais, está vinculada ao programa nuclear iraniano.
Determinar precisamente onde se encontram os pontos mais eficientes para a obtenção de urânio foi tarefa dos técnicos iranianos que realizaram estudo geológico em 2007, para o Instituto de Indústria e Minas (INGEOMIN). O estudo foi apresentado depois por Chávez ante a OIEA para explicar seu projeto de erigir uma usina nuclear própria, cuja construção se encarregou a mesma companhia russa que levantou a central iraniana de Bushehr. Outra das zonas com potencial de urânio é em Baúl, no estado Cojedes.
Similar falta de atividade normal para o que seria sua produção declarada é a fábrica de tratores Venirán. Supostamente, o acoplamento de peças trazidas do Irã permitiria tirar da cadeia de montagem cerca de 3 mil tratores por ano, segundo os dados oficiais. Porém, o escasso número de trabalhadores e as medidas especiais de segurança fazem pensar em outro uso. Com duplo muro de segurança, o exterior está custodiado pela Guarda Nacional Venezuelana. Parte de seu interior só é acessível a pessoal iraniano. Em 2008, um total de 22 contêineres que partiam do Irã e se dirigiam à fábrica de tratores foram interceptados na Turquia: tratava-se de material químico supostamente para a fabricação de explosivos.
Graça Salgueiro, 08 Janeiro 2012
Neste fim de semana a Venezuela recebe dois presidentes indesejáveis: Ollanta Humala, do Peru, que chegou ontem (7) para estreitar laços com Chávez após acertos feitos durante a inútil reunião da CELAC, e hoje à noite o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ele diz que vem “estreitar laços” com os países da América Latina, mas na verdade o que significa sua presença na Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, é conspirar junto com seus aliados contra os Estados Unidos e Israel.
A esse respeito, existe muita preocupação por parte dos venezuelanos residentes no país e exilados no exterior, mas muito mais por parte de congressistas republicanos, notadamente a cubano-americana Ileana Ros-Lehtinen, que faz parte do Comitê de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Todos pedem ao governo Obama que tome medidas mais drásticas em relação às investidas de Ahmadinejad que, como retaliação “preventiva”, fez um ensaio de mísseis de Teerã no Estreito de Ormuz.
Ahmadinejad já anunciou que empregaria toda sua força caso Washington não renuncie à presença de sua força naval no Golfo Pérsico, coisa que a Casa Branca já alertou que não fará, e o ditador iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz por onde transita 35% do tráfego marítimo de petróleo.
É sabido há anos que a Venezuela é rica não só em petróleo mas também em urânio, e que o interesse do Irã por aquele país não é somente por afinidades ideológicas com Chávez. Desde 2005 eu venho alertando sobre os negócios do urânio entre Venezuela e Irã, que pode-se ler numa nota desta edição aqui. Depois disso eu falei mais a respeito, inclusive nos misteriosos vôos Teerã-Caracas, nas fábricas de cimento, tratores e bicicletas, e os estados ricos nesse mineral, mas o tempo exíguo de que disponho para fazer esta edição não me permitiu pesquisar mais para re-publicar.
Entretanto, como esse tema agora tem tido comprovações e denúncias daquilo que os venezuelanos já desconfiam há tempo, publico nesta edição um artigo publicado pelo jornal espanhol ABC em 12 de dezembro passado que é praticamente uma seqüência de outro publicado simultaneamente pelos sites Mídia Sem Máscara e Papéis Avulsos do Heitor De Paola. A foto que ilustra esta edição é uma vista aérea da “fábrica de tratores Venirán” que é, na verdade, uma empresa de fachada. Não deixem de ler os links indicados para compreender toda a trama por trás desta “inocente” visita, e o perigo que todos nós sul-americanos corremos com estas alianças nefastas. Fiquem com Deus e até a próxima!
O Irã procura urânio na Venezuela para desenvolver seu programa nuclear
O regime de Teerã utiliza suas concessões para a extração de ouro no país bolivariano e emprega várias empresas civis como fachada
Emili J. Blasco/Correspondente em Washington
Técnicos iranianos estabeleceram quais são as áreas de maior riqueza de urânio na Venezuela e já estariam extraindo o estratégico mineral sob a cobertura do regime de Hugo Chávez, de acordo com documentação confidencial à qual o jornal ABC da Espanha teve acesso. Não só o acordo de colaboração nuclear firmado entre ambos os países viola as sanções internacionais impostas a Teerã, senão que, além disso, uma complexa trama de empresas e bancos estaria permitindo ao Irã a lavagem de dinheiro para seu alívio financeiro.
Os últimos dados sobre colaboração militar, com a venda de aviões não-tripulados à Venezuela (transações comprovadas por este jornal) e a possibilidade de que também mísseis de fabricação iraniana já estejam em solo venezuelano (assim apontam algumas fontes mas sem evidência gráfica), fizeram soar os alarmes nos Estados Unidos. Esta semana a consulesa da Venezuela em Miami, Livia Acosta, poderia ser expulsa do país, depois que um documentário de Univisión revelou com uma câmera oculta sua implicação na obtenção de informação para cometer atentados em solo norte-americano.
A conexão do regime de Chávez com elementos do Hizbolah, já levou Washington a tomar medidas no passado, porém em meio à presente crise entre o Irã e os Estados Unidos a vinculação entre a república islâmica e a bolivariana começa a atrair a atenção da CIA. Assim revelou Roger Noriega, alto funcionário na administração Bush, que agora investiga a penetração do Irã na América Latina, em uma recente intervenção no American Enterprise Institute. A aproximação entre os dois países consumou-se em 2005, ano em que o presidente Jatami visitou Caracas. Chávez devolveu a visita em 2009, correspondida meses depois pelo presidente Ahmadinejad. Na documentação oficial desses encontros, que ABC pôde consultar, se contabilizavam alguns projetos de colaboração de 30 bilhões de dólares, cifra desmedida quando se analisa pormenorizadamente cada investimento. As vultosas quantias teriam como finalidade facilitar divisas ao Irã.
Entre os suspeitos investimentos está a fábrica de cimento Cerro Azul (na foto), no estado Monagas. Seu orçamento é de 750 milhões de dólares, o que no julgamento de consultores externos é desproporcional para a produção que deseja realizar. O fato de que há seis anos seja planejada e ainda não tenha começado a produzir levou os grupos opositores a pensar que pode se tratar de uma empresa de fachada, principalmente quando, ademais, está proibido seu sobrevôo. Suspeitas não confirmadas apontam que a instalação, com fácil acesso ao rio Orinoco, poderia servir como lugar de carga do urânio que o Irã poderia estar obtendo no vizinho estado Bolívar, em uma concessão para a suposta extração de ouro.
Esta mina, igualmente sem permissão de sobrevôo, encontra-se em uma das áreas mais ricas em urânio da Venezuela. Embora a zona conte com jazidas de ouro, curiosamente a empresa pública iraniana que a explora, IMPASCO, não aparece na relação de companhias que extraem ouro na Venezuela. A IMPASCO, além de se ocupar de diversos minerais, está vinculada ao programa nuclear iraniano.
Determinar precisamente onde se encontram os pontos mais eficientes para a obtenção de urânio foi tarefa dos técnicos iranianos que realizaram estudo geológico em 2007, para o Instituto de Indústria e Minas (INGEOMIN). O estudo foi apresentado depois por Chávez ante a OIEA para explicar seu projeto de erigir uma usina nuclear própria, cuja construção se encarregou a mesma companhia russa que levantou a central iraniana de Bushehr. Outra das zonas com potencial de urânio é em Baúl, no estado Cojedes.
Similar falta de atividade normal para o que seria sua produção declarada é a fábrica de tratores Venirán. Supostamente, o acoplamento de peças trazidas do Irã permitiria tirar da cadeia de montagem cerca de 3 mil tratores por ano, segundo os dados oficiais. Porém, o escasso número de trabalhadores e as medidas especiais de segurança fazem pensar em outro uso. Com duplo muro de segurança, o exterior está custodiado pela Guarda Nacional Venezuelana. Parte de seu interior só é acessível a pessoal iraniano. Em 2008, um total de 22 contêineres que partiam do Irã e se dirigiam à fábrica de tratores foram interceptados na Turquia: tratava-se de material químico supostamente para a fabricação de explosivos.
Graça Salgueiro, 08 Janeiro 2012
TCHUTCHUCAS E TIGRÕES
Artigos - Cultura
O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza.
Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito".
Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó". Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê".
E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".
Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores.
Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente, porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas.
O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.
Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível.
Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem.
Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.
"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade.
A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada.
Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo.
Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social.
O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?
As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?
Percival Puggina,08 Janeiro 2012
O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza.
Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito".
Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó". Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê".
E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".
Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores.
Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente, porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas.
O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.
Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível.
Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem.
Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.
"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade.
A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada.
Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo.
Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social.
O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?
As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?
Percival Puggina,08 Janeiro 2012
MORREU BEATRIZ BANDEIRA RYFF, A ÚLTIMA SOBREVIVENTE DA CELA 4
08 de janeiro de 2012
Luiz Antonio Ryff
Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa Cela 4 – onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil.
Foi na Cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a futura psicanalista Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra.
Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como “Memórias do Cárcere”, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta.
Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul Riff, jornalista, que viria a ser secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes.
Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França.
Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País.
Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas – Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo.
Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou “Roteiro” e “Profissão de Fé”) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino.
Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara.
Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
***
UMA NOTA PESSOAL
Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo.
Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na “bisa”. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários “Internacional”, “A Marselhesa” (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a “Berceuse”, de Brahms).
Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim.
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.”
(“Canção do Tamoio”, Gonçalves Dias)
08 de janeiro de 2012
Luiz Antonio Ryff
Luiz Antonio Ryff
Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa Cela 4 – onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil.
Foi na Cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a futura psicanalista Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra.
Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como “Memórias do Cárcere”, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta.
Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul Riff, jornalista, que viria a ser secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes.
Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França.
Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País.
Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas – Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo.
Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou “Roteiro” e “Profissão de Fé”) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino.
Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara.
Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
***
UMA NOTA PESSOAL
Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo.
Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na “bisa”. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários “Internacional”, “A Marselhesa” (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a “Berceuse”, de Brahms).
Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim.
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.”
(“Canção do Tamoio”, Gonçalves Dias)
08 de janeiro de 2012
Luiz Antonio Ryff
NEGROMONTE ESQUECE DA FESTA DO BODE E AINDA IRONIZA OS JORNALISTAS
Semana passada, em Salvador, o ainda ministro das Cidades, Mário Negromonte, disse aos jornalistas que a enxurrada de denúncias surgidas no ano passado contra a sua pasta teria sido apenas “uma indústria de fumaça”. Descontraído, ele comentou que iria receber um troféu da imprensa pelo fato de as denúncias publicadas não terem, até o momento, sido comprovadas.
- As denúncias não vingaram. Não tem nada do Ministério Público, do TCU, da Controladoria Geral da União. Zero – disse ele.
Segundo a Agência A Tarde, o ministro voltou a atribuir as denúncias a “fogo amigo” e ao fato do Ministério das Cidades contrariar “interesses”. Esses interesses seriam nas áreas de mobilidade urbana, habitação e saneamento.
- Tem gente de todo o canto (interessada na pasta). É gente do PMDB, do PT, de todos os partidos. Menos do Planalto – declarou, fazendo questão de enfatizar ter conversado com os principais interlocutores da presidente Dilma Rousseff: a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
- Eles me disseram que não existe nada de parte do governo contra o ministério e a minha pessoa – declarou. Negromonte garantiu que ninguém do governo comentou sobre uma eventual substituição na pasta. Segundo ele, a mesma garantia foi dada ao presidente nacional do seu partido, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Pode até ser que ele continue no ministério. Tudo é possível. Mas não há dúvida de que Negromonte anda com a memória fraca. Já esqueceu o patrocínio concedido à Festa do Bode, para pavimentar o terreno rumo à eleição do filho Mário como prefeito de Paulo Afonso, maior cidade de sua base eleitoral no norte da Bahia.
Além de ajudar a eleger a mulher, Ena Vilma, para a Prefeitura de Glória, Negromonte usou dinheiro público para se promover e fortalecer também a imagem de Mário Filho, que é deputado estadual. Tudo isso faz parte da estratégia de controle político da região pela família do ministro.
Como se sabe, as festas do bode fazem parte da tradição do Nordeste. Mas na realização de uma desses eventos, em Paulo Afonso, município no norte da Bahia, os cartazes espalhados pelas ruas destacaram o nome e o cargo de Negromonte e do filho Mário, ao lado dos logotipos de sete órgãos públicos apresentados como patrocinadores, que o próprio ministro pressionou para que liberassem as verbas.
A repórter Isabel Clemente, da Época, procurou especialistas para ouvir opiniões sobre a exibição do nome de ministro e do deputado na propaganda da festa. “Por si só, o cartaz com o nome de uma autoridade associada a alguma realização fere o princípio constitucional da impessoalidade, segundo o qual nenhuma obra ou realização é fruto do esforço de uma pessoa, mas de um governo, uma prefeitura”, disse a procuradora da República Janice Ascari, de São Paulo.
O procurador da República Rogério Nascimento, que já atuou pelo Ministério Público Eleitoral, também tem preocupações relacionadas à exposição de nome de políticos em cartazes. “Se adversários se sentirem prejudicados e a situação configurar abuso de poder econômico e político, independentemente de haver improbidade, pode ser um caso de propaganda antecipada para o qual a lei prevê multas”, destacou Nascimento.
Depois dessa lambança, Negromonte, que está cotado para deixar o cargo na próxima reforma ministerial, ao invés de ficar calado, ainda se julga no direito de provocar os jornalistas. Era só o que faltava.
08 de janeiro de 2012
Carlos Newton
- As denúncias não vingaram. Não tem nada do Ministério Público, do TCU, da Controladoria Geral da União. Zero – disse ele.
Segundo a Agência A Tarde, o ministro voltou a atribuir as denúncias a “fogo amigo” e ao fato do Ministério das Cidades contrariar “interesses”. Esses interesses seriam nas áreas de mobilidade urbana, habitação e saneamento.
- Tem gente de todo o canto (interessada na pasta). É gente do PMDB, do PT, de todos os partidos. Menos do Planalto – declarou, fazendo questão de enfatizar ter conversado com os principais interlocutores da presidente Dilma Rousseff: a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
- Eles me disseram que não existe nada de parte do governo contra o ministério e a minha pessoa – declarou. Negromonte garantiu que ninguém do governo comentou sobre uma eventual substituição na pasta. Segundo ele, a mesma garantia foi dada ao presidente nacional do seu partido, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Pode até ser que ele continue no ministério. Tudo é possível. Mas não há dúvida de que Negromonte anda com a memória fraca. Já esqueceu o patrocínio concedido à Festa do Bode, para pavimentar o terreno rumo à eleição do filho Mário como prefeito de Paulo Afonso, maior cidade de sua base eleitoral no norte da Bahia.
Além de ajudar a eleger a mulher, Ena Vilma, para a Prefeitura de Glória, Negromonte usou dinheiro público para se promover e fortalecer também a imagem de Mário Filho, que é deputado estadual. Tudo isso faz parte da estratégia de controle político da região pela família do ministro.
Como se sabe, as festas do bode fazem parte da tradição do Nordeste. Mas na realização de uma desses eventos, em Paulo Afonso, município no norte da Bahia, os cartazes espalhados pelas ruas destacaram o nome e o cargo de Negromonte e do filho Mário, ao lado dos logotipos de sete órgãos públicos apresentados como patrocinadores, que o próprio ministro pressionou para que liberassem as verbas.
A repórter Isabel Clemente, da Época, procurou especialistas para ouvir opiniões sobre a exibição do nome de ministro e do deputado na propaganda da festa. “Por si só, o cartaz com o nome de uma autoridade associada a alguma realização fere o princípio constitucional da impessoalidade, segundo o qual nenhuma obra ou realização é fruto do esforço de uma pessoa, mas de um governo, uma prefeitura”, disse a procuradora da República Janice Ascari, de São Paulo.
O procurador da República Rogério Nascimento, que já atuou pelo Ministério Público Eleitoral, também tem preocupações relacionadas à exposição de nome de políticos em cartazes. “Se adversários se sentirem prejudicados e a situação configurar abuso de poder econômico e político, independentemente de haver improbidade, pode ser um caso de propaganda antecipada para o qual a lei prevê multas”, destacou Nascimento.
Depois dessa lambança, Negromonte, que está cotado para deixar o cargo na próxima reforma ministerial, ao invés de ficar calado, ainda se julga no direito de provocar os jornalistas. Era só o que faltava.
08 de janeiro de 2012
Carlos Newton
EUA ADMITEM PLANO PARA INFECTAR PRESIDENTES LATINO-AMERICANOS COM O VÍRUS DA ESTUPIDEZ
Em um comunicado conjunto emitido pelo Pentágono, a CIA e o Departamento de Estado da Casa Branca, o governo dos Estados Unidos admitiu oficialmente, pela primeira vez, a existência de um plano para infectar presidentes latino-americanos com estupidez.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, reconheceu que as missões secretas para infectar vários presidentes latino-americanos foram concluídas com sucesso. “Nosso plano original era infectar com câncer vários presidentes do continente sul-americano, mas descobrimos rapidamente que isso era inviável. Ao invés disso, optamos pela a infecção com estupidez galopante que é mais barata, mais simples e se dissemina com mais facilidade. Um relincho durante uma reunião do Foro de São Paulo fez todo o serviço”, disse Clinton.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que foi vítima da conspiração dos Estados Unidos. “Eu sabia que os americanos tinham essas armas secretas diabólicas. Percebi que haviam me infectado com estupidez quando atribuí o meu câncer a um raio imaginário. Viram como sou inteligente? Assim se desmascara uma conspiração imperialista!", disse o presidente, que está escondido num bunker anti-estupidez construído pelos russos em Fort Tiuna e que custou 800 milhões de dólares.
Outros presidentes latino-americanos também afirmaram que foram vítimas da conspiração americana. O presidente boliviano, Evo Morales disse que sentiu essas rajadas de estupidez por um longo tempo, “quase desde o nascimento”, assim achou melhor se trancar em sua cabana. “Para me proteger, eu uso este colete feito de pele de Alpaca. Mas esta não é a única precaução que eu tomo. Também mastigo centenas de folhas de coca colhidas por mim mesmo todos os dias”, afirmou o Índio de Araque.
Questionado sobre a possibilidade de Dilma Rousseff ter sido vítima dos raios idiotizantes, um porta-voz da presidência afirmou que isto era “muito pouco provável”. “Dilma já ministrou aulas de marxismo-leninismo, os americanos não perderiam tempo e dinheiro infectando uma mente que já está neste estado calamitoso”, conclui o porta-voz.
Escrito por Chigüire Bipolar
CRÍTICA SOBRE O CARNAVAL
Jornalista Rachel Sheherazade - Tambaú Notícias - Atualmente ela apresenta Jornal no SBT.
CARNAVAL está chegando. - A jornalista fala a respeito do evento anual que movimenta milhões de reais.
CARNAVAL está chegando. - A jornalista fala a respeito do evento anual que movimenta milhões de reais.
A DESINTEGRAÇÃO NACIONAL
Não basta desmamar Bezerra. É atroz a prática de cada ministro favorecer seu Estado, seu padrinho
Sou contra personalizar, em apenas um ministro, a tragédia anunciada das enchentes. Claro que a presidente Dilma pode aproveitar as águas de janeiro para afogar o titular da (Des)integração Nacional, Fernando Bezerra, pernambucano com muito orgulho e pouco tino para distribuição de orçamentos.
Dos rios turvos que inundam as cidades e desabrigam inocentes, uma conclusão clara podemos tirar. Está uma zona a divisão de verba da União. Não só nos ministérios da Integração ou das Cidades. Em qualquer pasta ministerial. É só investigar um pouco mais ou acontecer algum acidente que o dique se rompe e o ministro submerge.
Não invejo Dilma por ter herdado um sistema viciado e loteado, mas admiro algumas de suas ações. Em vez de fazer discursos populistas nas áreas alagadas, ela interrompeu as férias e convocou Gleisi, a xerife da Casa Civil, para ir atrás do ralo da grana. Pode chamar de intervenção branca ou loura, ou simplesmente uma ação cosmética. Mas a entrada de Gleisi balançou a confiança de Bezerra. Ele se rebelou com a aparente perda de autonomia: “Não me chame para cumprir meia tarefa”.
O ministro repete o ritual dos pré-destituídos. Derrama o choro do Bezerra desmamado: “As relações (com Dilma) estão boas como sempre estiveram”. Dá desculpas inaceitáveis: “Não se pode discriminar Pernambuco por ser o Estado do ministro”. Isso, para justificar ter dado 90% da verba federal das enchentes para sua terra natal, a mesma do governador amigo Eduardo Campos, de seu partido, o PSB. Eduardo Campos enxerga um complô de injustiças contra o ministro: “Passou a impressão que todo o recurso da Defesa Civil foi para Pernambuco. Não é verdade. Foram R$ 25 milhões de R$ 31 milhões, negociados com a presidente”. Ah, bom. Está explicado.
Rio de Janeiro e Minas Gerais não reclamaram. Dá para entender. Esses dois Estados não podem mesmo reclamar. Porque foram incompetentes e não deram o devido valor à reconstrução das áreas destruídas. Se algum crédito deve ser dado ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é perseguir a presidente para aprovar a construção de barragens num Estado onde enchentes anteriores haviam atingido 80 mil pessoas, deixando 25 mil desabrigados e destruindo 300 escolas.
Não basta desmamar Bezerra. É atroz a prática de cada ministro favorecer seu Estado, seu padrinho
É incompetência que, no ano passado, R$ 500 milhões da União não tenham sido gastos para prevenir enchentes, desabamentos e deslizamentos. Vou repetir para você anotar e não esquecer: dos R$ 2,75 bilhões do Orçamento de 2011 para prevenir desastres naturais, mais de R$ 500 milhões não foram sequer tocados ou reservados pelos ministros da Integração e das Cidades. Cada ministério culpa o outro no jogo de empurra já conhecido. Tem dinheiro, mas falta competência. Falta sensibilidade. Falta compromisso. Falta o que mais? Para que serve um ministro?
Em Teresópolis e Friburgo, na serra do Rio, o que aconteceu foi mais grave. Foi crime mesmo. E não vejo nenhuma indignação do governo estadual de Sérgio Cabral com os desvios, as propinas, os roubos de autoridades municipais. O prefeito de Teresópolis foi cassado, mas não devolveu nada. Famílias desabrigadas foram abandonadas, mantidas em situação precária, de desespero ou risco de vida. E agora de novo, o corre-corre, o pedido de socorro e a promessa de milhões. Que vão parar em bolsos de quem até janeiro de 2013?
Não basta desmamar Bezerra. O buraco é bem mais profundo. É um buraco do sistema. Além de provinciana e brega, é atroz essa prática de cada ministro favorecer seu Estado, seu partido, seu padrinho.
Em 2010, o ministro da Integração Nacional era baiano, Geddel Vieira Lima – e a Bahia foi o Estado mais beneficiado pela verba federal. No Turismo, o ex-ministro Pedro Novais, conterrâneo e apadrinhado do presidente vitalício do Senado, José Sarney, assinou convênios milionários e fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá. O Amapá foi o Estado que, em 2006, elegeu Sarney senador e que tem a pororoca como sua maior atração. Quem está agora no olho da pororoca é Gleisi. O povo quer explicações e providências. Não apenas o sacrifício do Bezerra.
Li na semana passada uma entrevista na revista New Scientist com o brilhante físico que decifrou os buracos negros, o britânico Stephen Hawking. Ele tem uma doença neurodegenerativa, fez 70 anos e revelou não ter conseguido até hoje entender o sexo oposto, as mulheres: “Elas são um mistério completo”.
Como lido com questões nada metafísicas, para mim o maior mistério, o maior buraco negro, é nosso político profissional. O que afinal ele busca nessa sua passagem pela Terra Brasilis?
RUTH DE Aé colunista de ÉPOCA
Sou contra personalizar, em apenas um ministro, a tragédia anunciada das enchentes. Claro que a presidente Dilma pode aproveitar as águas de janeiro para afogar o titular da (Des)integração Nacional, Fernando Bezerra, pernambucano com muito orgulho e pouco tino para distribuição de orçamentos.
Dos rios turvos que inundam as cidades e desabrigam inocentes, uma conclusão clara podemos tirar. Está uma zona a divisão de verba da União. Não só nos ministérios da Integração ou das Cidades. Em qualquer pasta ministerial. É só investigar um pouco mais ou acontecer algum acidente que o dique se rompe e o ministro submerge.
Não invejo Dilma por ter herdado um sistema viciado e loteado, mas admiro algumas de suas ações. Em vez de fazer discursos populistas nas áreas alagadas, ela interrompeu as férias e convocou Gleisi, a xerife da Casa Civil, para ir atrás do ralo da grana. Pode chamar de intervenção branca ou loura, ou simplesmente uma ação cosmética. Mas a entrada de Gleisi balançou a confiança de Bezerra. Ele se rebelou com a aparente perda de autonomia: “Não me chame para cumprir meia tarefa”.
O ministro repete o ritual dos pré-destituídos. Derrama o choro do Bezerra desmamado: “As relações (com Dilma) estão boas como sempre estiveram”. Dá desculpas inaceitáveis: “Não se pode discriminar Pernambuco por ser o Estado do ministro”. Isso, para justificar ter dado 90% da verba federal das enchentes para sua terra natal, a mesma do governador amigo Eduardo Campos, de seu partido, o PSB. Eduardo Campos enxerga um complô de injustiças contra o ministro: “Passou a impressão que todo o recurso da Defesa Civil foi para Pernambuco. Não é verdade. Foram R$ 25 milhões de R$ 31 milhões, negociados com a presidente”. Ah, bom. Está explicado.
Rio de Janeiro e Minas Gerais não reclamaram. Dá para entender. Esses dois Estados não podem mesmo reclamar. Porque foram incompetentes e não deram o devido valor à reconstrução das áreas destruídas. Se algum crédito deve ser dado ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é perseguir a presidente para aprovar a construção de barragens num Estado onde enchentes anteriores haviam atingido 80 mil pessoas, deixando 25 mil desabrigados e destruindo 300 escolas.
Não basta desmamar Bezerra. É atroz a prática de cada ministro favorecer seu Estado, seu padrinho
É incompetência que, no ano passado, R$ 500 milhões da União não tenham sido gastos para prevenir enchentes, desabamentos e deslizamentos. Vou repetir para você anotar e não esquecer: dos R$ 2,75 bilhões do Orçamento de 2011 para prevenir desastres naturais, mais de R$ 500 milhões não foram sequer tocados ou reservados pelos ministros da Integração e das Cidades. Cada ministério culpa o outro no jogo de empurra já conhecido. Tem dinheiro, mas falta competência. Falta sensibilidade. Falta compromisso. Falta o que mais? Para que serve um ministro?
Em Teresópolis e Friburgo, na serra do Rio, o que aconteceu foi mais grave. Foi crime mesmo. E não vejo nenhuma indignação do governo estadual de Sérgio Cabral com os desvios, as propinas, os roubos de autoridades municipais. O prefeito de Teresópolis foi cassado, mas não devolveu nada. Famílias desabrigadas foram abandonadas, mantidas em situação precária, de desespero ou risco de vida. E agora de novo, o corre-corre, o pedido de socorro e a promessa de milhões. Que vão parar em bolsos de quem até janeiro de 2013?
Não basta desmamar Bezerra. O buraco é bem mais profundo. É um buraco do sistema. Além de provinciana e brega, é atroz essa prática de cada ministro favorecer seu Estado, seu partido, seu padrinho.
Em 2010, o ministro da Integração Nacional era baiano, Geddel Vieira Lima – e a Bahia foi o Estado mais beneficiado pela verba federal. No Turismo, o ex-ministro Pedro Novais, conterrâneo e apadrinhado do presidente vitalício do Senado, José Sarney, assinou convênios milionários e fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá. O Amapá foi o Estado que, em 2006, elegeu Sarney senador e que tem a pororoca como sua maior atração. Quem está agora no olho da pororoca é Gleisi. O povo quer explicações e providências. Não apenas o sacrifício do Bezerra.
Li na semana passada uma entrevista na revista New Scientist com o brilhante físico que decifrou os buracos negros, o britânico Stephen Hawking. Ele tem uma doença neurodegenerativa, fez 70 anos e revelou não ter conseguido até hoje entender o sexo oposto, as mulheres: “Elas são um mistério completo”.
Como lido com questões nada metafísicas, para mim o maior mistério, o maior buraco negro, é nosso político profissional. O que afinal ele busca nessa sua passagem pela Terra Brasilis?
RUTH DE Aé colunista de ÉPOCA
Ôôô, ANA JÚLIA!!!
Indicada para diretora de uma subsidiária do Banco do Brasil, com salário de R$ 30 mil, a ex-governadora do Pará está enrolada com o sumiço de R$ 77 milhões
CONTABILIDADE CONFUSA
Ana Júlia, o sistema viário de Belém (abaixo) financiado pelos bancos oficiais e uma das notas fiscais apresentadas duas vezes para justificar empréstimos diferentes (no fim). Segundo ela, foi apenas “um erro de informação numa planilha” (Foto: Antonio Cruz/Abr)
Entre 2007 e 2010, a petista Ana Júlia Carepa foi governadora do Pará, interrompendo 12 anos de administrações tucanas no Estado. Ana Júlia conquistou o cargo com denúncias contra velhos vícios da política, como o nepotismo, mas não tardou a aderir às mesmas práticas. Empregou os irmãos na máquina pública, entregou ao namorado, presidente do Aeroclube do Pará, um contrato de R$ 3,7 milhões para treinamento de pilotos de helicópteros e, por fim, contratou a cabeleireira e a esteticista como assessoras especiais de seu gabinete.
Depois de uma gestão marcada por denúncias de falta de verbas na Saúde e na Educação e por crises na Segurança Pública, Ana Júlia não conseguiu se reeleger. Mesmo com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maré econômica favorável, perdeu nas urnas para seu antecessor no cargo, Simão Jatene, do PSDB.
A nomeação de Ana Júlia para a diretoria financeira da Brasilcap ainda depende de homologação da Susep
Ao longo de 2011, Ana Júlia ficou à espera de um cargo no governo federal. No fim do ano, a fila finalmente andou para a ex-governadora. Funcionária licenciada do Banco do Brasil, ela foi indicada para diretora financeira da Brasilcap, uma subsidiária do banco que opera títulos de capitalização, onde ganhará um salário mensal de R$ 30 mil.
A nomeação ainda depende de aval da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a autarquia que fiscaliza as seguradoras e as empresas de capitalização. Cabe ao órgão avaliar o preparo técnico e a idoneidade de quem vai comandar essas empresas.
Se a Susep fizer direito seu trabalho, encontrará problemas na atuação de Ana Júlia que extrapolam o nepotismo e o favorecimento a parentes na administração pública.
(Foto: Oswaldo Forte/O liberal)
A Auditoria-Geral do Estado (AGE), órgão vinculado ao governo do Pará, apontou irregularidades em empréstimos contraídos pela gestão de Ana Júlia –R$ 366 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 100 milhões com o Banco do Brasil.
Os contratos foram assinados por Ana Júlia em 1o e 2 de julho de 2010, quando a campanha eleitoral oficial estava começando e a então governadora procurava se reforçar para a disputa da reeleição.
O dinheiro foi obtido para obras de pavimentação de ruas e avenidas na região metropolitana de Belém, saneamento, construção de escolas e hospitais em vários municípios do Pará.
Uma parcela também deveria ser destinada a obras patrocinadas pelos deputados estaduais do Pará por meio de emendas ao orçamento do Estado.
Ao verificar a prestação de contas da aplicação dos empréstimos, os auditores não conseguiram, porém, desvendar o paradeiro de R$ 77 milhões. De acordo com os técnicos da AGE, o dinheiro relativo ao financiamento do BNDES (R$ 366 milhões) foi movimentado sem transparência.
Há, segundo os técnicos do Estado, despesas em desacordo com o contrato de empréstimo e indícios de desvio de finalidade das verbas. Quando as duas prestações de contas, do BNDES e do BB, foram confrontadas, os técnicos constataram um problema mais grave. Um conjunto de 16 notas fiscais, emitidas por três empresas contratadas para as obras, apareceu nos dois processos.
Para justificar despesas diferentes, o governo apresentou as notas fiscais duas vezes. Juntas, elas somam os R$ 77 milhões, cujo destino os auditores da AGE tentam rastrear. Um dado relevante, segundo a AGE: as duas prestações de contas foram feitas por órgãos diferentes. Uma foi apresentada pela Secretaria de Projetos Estratégicos, no caso do financiamento do BB, e a outra pela Secretaria da Fazenda, no caso do BNDES.
Sem comparar as duas prestações de contas, BNDES e BB não identificaram problemas nas operações financeiras nem a repetição de notas fiscais. Com base nos papéis fornecidos pelo governo do Pará, o BNDES concluiu que a aplicação do empréstimo não obedeceu ao que estava na lei que autorizou o financiamento.
O BB não teve acesso à documentação da AGE do Pará e disse que “as operações contratadas pelo governo do Estado do Pará estão em situação de total regularidade”.
Ana Júlia atribuiu o uso repetido das 16 notas fiscais a um “erro de informação em uma planilha” e disse que os recursos foram transferidos para municípios paraenses.
Ela afirmou ainda que suas contas foram aprovadas pela Assembleia Legislativa do Pará e pelo Tribunal de Contas estadual.
A direção do PT do Pará acusou o governador Simão Jatene de usar a máquina estadual para produzir “factoides” com o objetivo de causar danos à imagem de Ana Júlia.
Apesar das alegações do PT de motivação política, autoridades federais também apuram o caso. A Procuradoria da República no Pará abriu uma investigação em setembro e pediu à Polícia Federal a instauração de um inquérito.
MARCELO ROCHA
SEMIÓLOGO NEOLUDITA ITALIANO AINDA NÃO ENTENDEU A INTERNET
Há dois anos, comentei as restrições de Umberto Eco ao livro eletrônico. No artigo "Da efemeridade das mídias", o semiólogo italiano brandia um único argumento a favor do livro impresso: uma pane ou um vírus nos computadores pode levar a perder definitivamente uma grande quantidade de informação, é por isso que os livros impressos seriam ainda importantes. Isso quer dizer que bibliotecas e museus terão a mesma finalidade?
Grossa bobagem de quem ainda não havia entendido o mundo da Internet. Há múltiplas formas de preservar informação. Mais ainda, a informação computadorizada está imune a traças e à ação do tempo. Panes são temporárias e vírus são evitáveis.
Pelo jeito, o lúcido Eco ainda não havia ouvido falar de pendrives, HDs externos, DVDs, que têm uma capacidade quase ilimitada de armazenamento – mais do que muitas bibliotecas -, isso sem falar dos sites que a Internet oferece para a preservação de dados. O argumento é dos mais precários, quase de um neoludita. Em Não Contem com o Fim do Livro,publicado pela Record, em um diálogo com Jean-Claude Carrière, Eco repetia estas bobagens.
- O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos?
Isto não é mais verdade. O livro transporta informação, é claro. Mas o livro nem sempre está onde dele precisamos. Sem ir mais longe, cito este nosso país. Já não mais existem livrarias nas pequenas cidades do Brasil. Quando existem, só vendem best-sellers. Onde você vai encontrar uma obra de Platão, ou de Tomás de Aquino, ou de Descartes, numa cidade do interior? Já não vou tão longe. Procure um Nietzsche, Orwell ou Koestler. Não encontrará. Mas se há telefonia em sua aldeia, e se você tem um computador, poderá ter esses autores – talvez nem todos, mas pelo menos os clássicos – em poucos segundos em sua tela.
Em recente entrevista à revista Época, Eco confessa ter-se rendido ao livro eletrônico:
- Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.
Sem ainda ter optado pelos iPads ou Kindles da vida, vejo a declaração de Eco como um avanço. Claro que os leitores eletrônicos facilitam o transporte e armazenamento de livros. Uma Espasa Calpe em papel, sem ir mais longe, tem 115 volumes e exige uma estante especial em sua biblioteca. Imagine transportá-la. Em DVD, você poderia carregá-la no bolso. On line, ela está permanentemente à sua disposição, à distância de um clique, sem ocupar espaço algum. Isso sem falar que dispensaria os custos de impressão e papel. Opor-se aos livros eletrônicos é resistir ao amanhecer.
Em seu artigo, Eco questionava a capacidade de discernimento de quem está acessando a Internet. "Lá, encontramos tanto a Bíblia como Minha Luta, de Adolf Hitler. E o que fazer se uma obra não recomendável surgir na tela de alguém despreparado intelectualmente? Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos".
Alto lá, companheiro! Em biblioteca que se preze, temos de ter acesso tanto à Bíblia quanto ao Minha Luta. Como entender o nazismo se não leio Hitler? Isso sem falar que encontramos na Bíblia massacres e convites ao genocídio que Hitler nenhum sonhou. Mas se Eco aderiu ao livro eletrônico, ainda reage como um neoludita à Internet:
- A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar.
Que seja um mundo selvagem, caótico, sem hierarquia, disto não podemos discordar. Daí a considerá-la perigosa, me parece um exagero. É tão perigosa quanto a imprensa em papel. Os jornais manipularam a informação durante todo o século passado – particularmente no que dizia respeito ao comunismo – e continuam a manipulá-la neste.
Quanto ao excesso de informação, isto tampouco é novidade. Este excesso data de séculos atrás. Toda biblioteca gera um excesso de informação. O excesso de informação provoca amnésia? Claro que sim. A memória humana – ao contrário da do computador – tem seus limites. Se você tem uma mísera bibliotequinha de mil exemplares, já estará mais ou menos perdido em seus livros. Ou Eco acha que pode guardar em sua memória as quatro salas de livros que tem em seu apartamento em Milão?
Há uns três anos, comprei na Espanha Los Orígenes del Fundamentalismo, que li com muita atenção. Comentei, na época, como era bom estar em país onde se publicavam livros que não eram publicados no Brasil. Um leitor alertou-me que este livro havia sido publicado aqui no ano 2000, pela Companhia das Letras, com o título de Em Nome de Deus.
Fui pesquisar em minha biblioteca. O livro estava lá, e todo sublinhado por mim mesmo. Eu já nem lembrava dele. O problema destas obras de extrema erudição é que o autor joga tantos dados em uma só página que, mal acabamos de lê-la, não conseguimos memorizá-la. O remédio é sublinhar. Mas sublinhar tem seus limites. Quando o livro está quase todo sublinhado, é como se não estivesse. Se houve época em que tínhamos escassez de dados, hoje vivemos época inversa: os dados são tantos que nao conseguimos mais lembrá-los.
Eco profere outra bobagem ao condenar o excesso de dados que circulam na Internet. Este excesso é muito anterior. Pergunta o repórter: há uma solução para o problema do excesso de informação?
Responde o semiólogo:
- Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.
Ora, conhecer sempre foi filtrar. Eco está chovendo no molhado.
07 de janeiro de 2012
janer cristaldo
Grossa bobagem de quem ainda não havia entendido o mundo da Internet. Há múltiplas formas de preservar informação. Mais ainda, a informação computadorizada está imune a traças e à ação do tempo. Panes são temporárias e vírus são evitáveis.
Pelo jeito, o lúcido Eco ainda não havia ouvido falar de pendrives, HDs externos, DVDs, que têm uma capacidade quase ilimitada de armazenamento – mais do que muitas bibliotecas -, isso sem falar dos sites que a Internet oferece para a preservação de dados. O argumento é dos mais precários, quase de um neoludita. Em Não Contem com o Fim do Livro,publicado pela Record, em um diálogo com Jean-Claude Carrière, Eco repetia estas bobagens.
- O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos?
Isto não é mais verdade. O livro transporta informação, é claro. Mas o livro nem sempre está onde dele precisamos. Sem ir mais longe, cito este nosso país. Já não mais existem livrarias nas pequenas cidades do Brasil. Quando existem, só vendem best-sellers. Onde você vai encontrar uma obra de Platão, ou de Tomás de Aquino, ou de Descartes, numa cidade do interior? Já não vou tão longe. Procure um Nietzsche, Orwell ou Koestler. Não encontrará. Mas se há telefonia em sua aldeia, e se você tem um computador, poderá ter esses autores – talvez nem todos, mas pelo menos os clássicos – em poucos segundos em sua tela.
Em recente entrevista à revista Época, Eco confessa ter-se rendido ao livro eletrônico:
- Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.
Sem ainda ter optado pelos iPads ou Kindles da vida, vejo a declaração de Eco como um avanço. Claro que os leitores eletrônicos facilitam o transporte e armazenamento de livros. Uma Espasa Calpe em papel, sem ir mais longe, tem 115 volumes e exige uma estante especial em sua biblioteca. Imagine transportá-la. Em DVD, você poderia carregá-la no bolso. On line, ela está permanentemente à sua disposição, à distância de um clique, sem ocupar espaço algum. Isso sem falar que dispensaria os custos de impressão e papel. Opor-se aos livros eletrônicos é resistir ao amanhecer.
Em seu artigo, Eco questionava a capacidade de discernimento de quem está acessando a Internet. "Lá, encontramos tanto a Bíblia como Minha Luta, de Adolf Hitler. E o que fazer se uma obra não recomendável surgir na tela de alguém despreparado intelectualmente? Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos".
Alto lá, companheiro! Em biblioteca que se preze, temos de ter acesso tanto à Bíblia quanto ao Minha Luta. Como entender o nazismo se não leio Hitler? Isso sem falar que encontramos na Bíblia massacres e convites ao genocídio que Hitler nenhum sonhou. Mas se Eco aderiu ao livro eletrônico, ainda reage como um neoludita à Internet:
- A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar.
Que seja um mundo selvagem, caótico, sem hierarquia, disto não podemos discordar. Daí a considerá-la perigosa, me parece um exagero. É tão perigosa quanto a imprensa em papel. Os jornais manipularam a informação durante todo o século passado – particularmente no que dizia respeito ao comunismo – e continuam a manipulá-la neste.
Quanto ao excesso de informação, isto tampouco é novidade. Este excesso data de séculos atrás. Toda biblioteca gera um excesso de informação. O excesso de informação provoca amnésia? Claro que sim. A memória humana – ao contrário da do computador – tem seus limites. Se você tem uma mísera bibliotequinha de mil exemplares, já estará mais ou menos perdido em seus livros. Ou Eco acha que pode guardar em sua memória as quatro salas de livros que tem em seu apartamento em Milão?
Há uns três anos, comprei na Espanha Los Orígenes del Fundamentalismo, que li com muita atenção. Comentei, na época, como era bom estar em país onde se publicavam livros que não eram publicados no Brasil. Um leitor alertou-me que este livro havia sido publicado aqui no ano 2000, pela Companhia das Letras, com o título de Em Nome de Deus.
Fui pesquisar em minha biblioteca. O livro estava lá, e todo sublinhado por mim mesmo. Eu já nem lembrava dele. O problema destas obras de extrema erudição é que o autor joga tantos dados em uma só página que, mal acabamos de lê-la, não conseguimos memorizá-la. O remédio é sublinhar. Mas sublinhar tem seus limites. Quando o livro está quase todo sublinhado, é como se não estivesse. Se houve época em que tínhamos escassez de dados, hoje vivemos época inversa: os dados são tantos que nao conseguimos mais lembrá-los.
Eco profere outra bobagem ao condenar o excesso de dados que circulam na Internet. Este excesso é muito anterior. Pergunta o repórter: há uma solução para o problema do excesso de informação?
Responde o semiólogo:
- Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.
Ora, conhecer sempre foi filtrar. Eco está chovendo no molhado.
07 de janeiro de 2012
janer cristaldo
OS PARCEIROS INESCRUPULOSOS ENCENAM A FARSA DA 6ª RIQUEZA MAIS POBRE DO MUNDO
Encerradas as comemorações de fim de ano, sobrou a sensação de que 2011, no coletivo, não deixará saudade: ficará marcado como um dos mais medíocres anos políticos, caracterizado por crises sucessivas envolvendo os três Poderes da República. Não sei qual deles mais assombra os meus medos, mas sei que todos eles exacerbam minha mais profunda desconfiança.
Como tem acontecido nos últimos anos, o governo federal manteve sua aposta no turbilhão publicitário para amenizar o desmoronamento moral que o acompanha desde 2003. A propaganda oficial se destacou pelo conteúdo distorcido, mais preocupado em promover a logomarca do governo, e pelo indisfarçável viés eleitoreiro. Exibindo uma desfaçatez muito bem articulada, Lula e Dilma foram os principais protagonistas dos comerciais que vendem a imagem falsificada do Brasil.
Ambos também tiveram desempenho notável na manifestação mais sórdida de desrespeito à inteligência dos brasileiros, concebida para fazer de conta que tanto o escândalo do mensalão quanto os quinze ministros exonerados por envolvimento em casos de corrupção, se existiram, não foram produzidos por suas administrações. Tripudiaram sobre a parte da sociedade abandonada por uma oposição omissa, que se escondeu atrás de uma pretensa preservação da ordem institucional e, como tributo à covardia, se qualificou como a principal avalista do clima de desordem que hoje ameaça as instituições. Medrosa, traiu a confiança dos eleitores com as mesuras exageradas de seus governadores e contentou-se em ser espectadora privilegiada da farra bilionária proporcionada por ministros corruptos indicados por Lula e nomeados pela presidente Dilma Rousseff.
Ao entrarmos no décimo ano do governo petista, pouco há a ser comemorado. Os telejornais se engalanaram para encenar mais um ato de bajulação explícita ao governo federal, festejando com estardalhaço o ingresso do Brasil no grupo das cinco maiores economias do planeta. Pirotecnia demais e informação de menos, pois em momento algum registraram que o país figura entre as sete economias mais desenvolvidas desde o tempo da ditadura militar. A manobra inescrupulosa minimiza a verdade crua: um enorme vazio separa dezenas de milhões de brasileiros desse suposto avanço.
É desumano o júbilo que reveste a 5ª riqueza mais pobre do mundo. Não pode haver alegria quando os números do Brasil real apontam para um cenário desolador, que mostra mais de 19 milhões de filhos bastardos da opulência petista, que sobrevivem abaixo da linha da miséria. É imoral justificar qualquer presunção de sucesso econômico quando mais da metade da população não tem acesso ao esgoto tratado e à água potável, enquanto outra parcela considerável desfila pela avenida da submissão o estandarte da pobreza remunerada. Da mesma forma, é inadmissível vangloriar-se de uma fortuna que, se abarrota os cofres do governo, não chega até aos adolescentes que, desassistidos, perambulam entre os 40% de miseráveis e os 20% de analfabetos, realidade assustadora que coloca em xeque o futuro da nação e destrói no nascedouro o sentimento de nacionalidade.
Eleita com os votos da maioria esmagadora desses humilhados pelo esquecimento, a presidente Dilma Rousseff deixou escapar uma oportunidade única de reconciliar-se com o seu mandato ao esquivar-se da responsabilidade de comunicar à nação o sucesso da economia brasileira e, por conta disso, manifestar seu pesar pela incompetência na gestão dos recursos financeiros disponíveis ─ e, solidária aos miseráveis, expressar sua vergonha pelo acinte do trem-bala, pela ação criminosa de ONGs companheiras, pelo desvio de dinheiro público que passou de bilhão praticado por seis de seus ministros, pelo seu reveillon constrangedor que custou ao erário mais de meio milhão. Para concluir o ritual de reconciliação, deveria pedir perdão por todas as promessas que ficaram perdidas em algum lugar da campanha.
Tal postura seria menos comprometedora do que isolar-se numa base militar e transferir ao pior ministro da Fazenda da história republicana a tarefa de explicar que se os mensaleiros forem condenados e presos, se os ministros deixarem de assaltar os cofres públicos e se não houver superfaturamento nas obras da Copa do Mundo, daqui a vinte anos o governo do PT estará preparado para resgatar esses cidadãos da condição de sub-brasileiros.
Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Guido Mantega são a confirmação inequívoca de que, em se tratando de desenvolvimento humano, a sexta economia mais poderosa do planeta ainda continua com um dos seus tentáculos firmemente atolado nas cercanias da idade da pedra.
Mauro Pereira
Como tem acontecido nos últimos anos, o governo federal manteve sua aposta no turbilhão publicitário para amenizar o desmoronamento moral que o acompanha desde 2003. A propaganda oficial se destacou pelo conteúdo distorcido, mais preocupado em promover a logomarca do governo, e pelo indisfarçável viés eleitoreiro. Exibindo uma desfaçatez muito bem articulada, Lula e Dilma foram os principais protagonistas dos comerciais que vendem a imagem falsificada do Brasil.
Ambos também tiveram desempenho notável na manifestação mais sórdida de desrespeito à inteligência dos brasileiros, concebida para fazer de conta que tanto o escândalo do mensalão quanto os quinze ministros exonerados por envolvimento em casos de corrupção, se existiram, não foram produzidos por suas administrações. Tripudiaram sobre a parte da sociedade abandonada por uma oposição omissa, que se escondeu atrás de uma pretensa preservação da ordem institucional e, como tributo à covardia, se qualificou como a principal avalista do clima de desordem que hoje ameaça as instituições. Medrosa, traiu a confiança dos eleitores com as mesuras exageradas de seus governadores e contentou-se em ser espectadora privilegiada da farra bilionária proporcionada por ministros corruptos indicados por Lula e nomeados pela presidente Dilma Rousseff.
Ao entrarmos no décimo ano do governo petista, pouco há a ser comemorado. Os telejornais se engalanaram para encenar mais um ato de bajulação explícita ao governo federal, festejando com estardalhaço o ingresso do Brasil no grupo das cinco maiores economias do planeta. Pirotecnia demais e informação de menos, pois em momento algum registraram que o país figura entre as sete economias mais desenvolvidas desde o tempo da ditadura militar. A manobra inescrupulosa minimiza a verdade crua: um enorme vazio separa dezenas de milhões de brasileiros desse suposto avanço.
É desumano o júbilo que reveste a 5ª riqueza mais pobre do mundo. Não pode haver alegria quando os números do Brasil real apontam para um cenário desolador, que mostra mais de 19 milhões de filhos bastardos da opulência petista, que sobrevivem abaixo da linha da miséria. É imoral justificar qualquer presunção de sucesso econômico quando mais da metade da população não tem acesso ao esgoto tratado e à água potável, enquanto outra parcela considerável desfila pela avenida da submissão o estandarte da pobreza remunerada. Da mesma forma, é inadmissível vangloriar-se de uma fortuna que, se abarrota os cofres do governo, não chega até aos adolescentes que, desassistidos, perambulam entre os 40% de miseráveis e os 20% de analfabetos, realidade assustadora que coloca em xeque o futuro da nação e destrói no nascedouro o sentimento de nacionalidade.
Eleita com os votos da maioria esmagadora desses humilhados pelo esquecimento, a presidente Dilma Rousseff deixou escapar uma oportunidade única de reconciliar-se com o seu mandato ao esquivar-se da responsabilidade de comunicar à nação o sucesso da economia brasileira e, por conta disso, manifestar seu pesar pela incompetência na gestão dos recursos financeiros disponíveis ─ e, solidária aos miseráveis, expressar sua vergonha pelo acinte do trem-bala, pela ação criminosa de ONGs companheiras, pelo desvio de dinheiro público que passou de bilhão praticado por seis de seus ministros, pelo seu reveillon constrangedor que custou ao erário mais de meio milhão. Para concluir o ritual de reconciliação, deveria pedir perdão por todas as promessas que ficaram perdidas em algum lugar da campanha.
Tal postura seria menos comprometedora do que isolar-se numa base militar e transferir ao pior ministro da Fazenda da história republicana a tarefa de explicar que se os mensaleiros forem condenados e presos, se os ministros deixarem de assaltar os cofres públicos e se não houver superfaturamento nas obras da Copa do Mundo, daqui a vinte anos o governo do PT estará preparado para resgatar esses cidadãos da condição de sub-brasileiros.
Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Guido Mantega são a confirmação inequívoca de que, em se tratando de desenvolvimento humano, a sexta economia mais poderosa do planeta ainda continua com um dos seus tentáculos firmemente atolado nas cercanias da idade da pedra.
Mauro Pereira
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