Receita Federal vai cobrar imposto sonegado por deputados federais e senadores.
Reportagem de João Valadares e Junia Gama, no Correio Braziliense, mostra que depois do escândalo da sonegação de Imposto de Renda por deputados e senadores, revelado semana passada pelo próprio Correio, as coisas começam a mudar, confirmando a importância da existência de uma imprensa livre.
Esta nova matéria revela que, após dormir sem ser incomodado por mais de um ano na gaveta do Senado Federal, um projeto da então senadora e atual chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que prevê o fim do pagamento de 14º e 15º salários para deputados federais e senadores, vai à votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 15 dias. E dentro de um mês, depois de passar pela Mesa Diretora, o término da regalia com dinheiro do povo será votado em plenário.
A celeridade repentina tem nome e sobrenome: pressão da opinião pública e instauração de procedimento investigatório por parte da Receita Federal após denúncia do Correio. Além do rendimento extra, os senadores driblam o Leão e não pagam Imposto de Renda quando embolsam as remunerações adicionais.
A garantia de que o tema será submetido a votação foi dada, pelo presidente da Comissão, senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Ele jura que nunca sofreu, durante todo esse tempo, nenhuma pressão de seus pares para atrasar o projeto e permitir por tempo indeterminado a continuidade da farra com patrocínio oficial.
“Não empurrei o projeto com a barriga. Não tem essa de pressão. O problema é que, aqui, existe um acúmulo muito grande de projetos. Quando assumi a CAE, havia mais de 400 projetos acumulados. Hoje, temos 150. É muita coisa. O trabalho aqui é grande”, alegou Delcidio.
Mas a verdade é que, se o Correio Braziliense não tivesse feito a denúncia, a farra do boi continuaria “ad eternum”, como é praxe na política brasileira.
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O LEÃO ACORDOU
Em função da reportagem do Correio, o leão da Receita Federal enfim acordou e fechou o cerco ao Senado, que já foi notificado e terá que apresentar, em até 20 dias, toda a documentação solicitada em relação ao pagamento de 14º e 15º salários sem descontar o Imposto de Renda. Cada senador deixa de pagar, por ano, R$ 12.948 de impostos.
O mesmo procedimento foi tomado em relação à na Câmara Legislativa do Distrito Federal, que resolveu abolir os dois rendimentos adicionais após a repercussão do caso.
Agora, ficam faltando as Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, pois cada uma delas adota hoje o procedimento que bem entende. Há Assembleias onde os deputados ganham 18 salários por ano. Em algumas delas, os parlamentares têm direito a um salário anual apenas para comprar roupas, vejam só quanta desfaçatez.
Carlos Newton
11 de março de 2012
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
domingo, 11 de março de 2012
A CLASSE "C": CONSUMO CONSCIENTE?
Saiu recém-formada em Administração de Empresas e voltou consultora de mídia. Agenda cheia, sem tempo para novos contratos, tornou-se uma referência na área. Foram 12 anos fora do país, bebendo na fonte dos americanos. Quando soube que a menina dos meus olhos era a sustentabilidade, não fez rodeios.
-Desista! Sustentabilidade não dá ibope!
-Como assim? Em todo o planeta não se fala de outra coisa! O mundo corporativo trabalha para desenvolver a gestão sócio-ambiental, criar negócios ditos sustentáveis e passar uma imagem de amigo do meio ambiente; as TVs americana e europeia exibem cada vez mais conteúdo verde; líderes e governos se mobilizam para buscar acordos que minimizem o impacto da crise climática ….Vamos sediar a Rio+20!
-Apesar de o tema estar na boca das pessoas, é grande a dificuldade de mobilizar a sociedade. A onda verde está pegando apenas em alguns países lá fora. Aqui no Brasil, o mercado está de olho no bolso da classe C, um contingente de 91 milhões de brasileiros que amargaram a pobreza por décadas, e agora tem poder de compra. Seus lares recebem de R$ 1.115 a R$ 4.807 por mês, representando a maior fatia da renda nacional. Segundo a Fundação Getulio Vargas, o segmento detém 46% dos rendimentos das pessoas físicas. Ninguém está interessado em usar seu rico dinheirinho fazer concessões em prol da natureza.
- Mas essa multidão pode aprender a consumir de forma consciente. Eis aí uma oportunidade!
- A ascenção desta classe foi apenas financeira, não cultural. Essa fatia de mercado ainda não adquiriu conhecimentos para entender um conteúdo tão sofisticado quanto o da sustentabilidade. Talvez as próximas gerações encarem isso como um valor. Agora, cada um quer trocar seu celular a cada seis meses, agigantar sua tela de plasma a cada Natal e lotar a geladeira de guloseimas, antes restritas aos dias de festa.
-Não seria o caso de mudar a forma de expor o tema, numa embalagem mais interessante? Eu, por exemplo, tento fazê-lo por meio de crônicas , o que sempre me aproxima do leitor. E tenho muitos exemplos de leitores, oriundos de diversas camadas sociais, que participam da discussao de forma inteligente.
-O negócio é mais embaixo, Rosana. O ambientalismo cria situações de conflito , desafia interesses poderosos. O aquecimento global, por exemplo, põe em xeque a indústria do petróleo. E o petróleo beneficia diretamente o consumidor. Aposto que a maioria dos seus leitores está interessada em saber sobre o que você pensa. Não são atraídos pelo assunto em si.
E continuou, dizendo que o desinteresse pela causa transita por todos os níveis sociais. Até mesmo os que detem alta escolaridade formal, gestores de empresas bem-sucedidas …revelam-se conformados ao modelo econômico vigente, alheios à força desta nova visão de mundo, calcada em bases científicas.
Por achar o assunto apaixonante e , o mais importante, fundamental, indispensável para um novo rumo da humanidade, lamento mesmo o descaso.
Ocorre que a crise ambiental só se resolve por meio de uma revolução tecnológica e pela mudança de comportamento. Tarefas que dependem de esforço coletivo da sociedade civil, governos e iniciativa privada. O desafio é se reinventar na defesa desta bandeira. De que forma engajar as pessoas, já que a tendência é a desqualificação do ativismo?
Um dia um colega de profissão, Humberto Pereira, diretor do Globo Rural, com quem trabalhei por três anos, me perguntou em tom de piada: Voce sabia que o Jatobá demora 100 anos pra dar?
Se as questões relacionadas à sustentabilidade forem tratadas no mesmo ritmo, talvez não sobre um pé de Hymenaea courbaril pra contar a história.
05/03/12
por rosana.jatoba
VAZIO DEMOCRÁTICO GERA DESINTERESSE
Algumas considerações sobre o panorama da política nacional no decurso dos primeiros meses de 2012
Há duas situações em que o comentarista sente dificuldade em exercitar sua pena. Uma se dá quando diversos acontecimentos importantes atropelam-se uns aos outros, formando um emaranhado difícil de separar, de hierarquizar, e de atribuir a cada fato seu devido valor. É como numa floresta exuberante em que o entrelaçado dos tecidos vegetais dificulta a passagem de quem pretende adentrá-la.
Outra situação, bem diferente e talvez mais difícil, se dá quando o comentarista se depara com o vazio político, com a ausência de grandes lances, sem uma visão do futuro atinente ao bem comum da Nação em consonância com sua vocação providencial. Nisso estamos. Vamos, pois, a fatos de menor monta.(1)
Crise existencial no Fórum Social
Realizou-se em Porto Alegre, de 24 a 28 de janeiro, a 11ª. edição do Fórum Social com vistas a agrupar o que a esquerda tem de mais radical. A circunstância de ser governador do Rio Grande do Sul um petista dos mais ardidos, Tarso Genro, explica de sobejo a escolha mais uma vez da capital gaúcha. Pois o governo estadual – como sucedeu por ocasião do primeiro e do segundo Fórum, quando o PT detinha também a prefeitura com seu trombeteado “orçamento participativo” – encarregou-se do patrocínio. Só que enquanto os participantes de 2001 e 2002 esperavam com ardor catapultar a esquerda mundial para que esta substituísse com vantagem o sovietismo russo colapsado (2), as edições posteriores do Fórum foram perdendo importância e, a partir da 4ª. edição, mudaram o lugar de sua realização, sobretudo pela falta de repercussão no público.
A 11ª não constituiu exceção nessa rampa decadente. Faltou-lhe tudo o que abundou nas duas primeiras edições, sobrando apenas o desinteresse geral. Não fosse a generosidade dos cofres governamentais, sua realização teria sido impossível. O Fórum “é bancado em sua maior parte com dinheiro público — R$ 3,6 milhões em verbas públicas”, provenientes sobretudo das estatais Corsan, Banrisul, Badesul e Petrobras, além da “oferta de infraestrutura como salas, auditórios e praças para debates e shows, material de apoio, energia elétrica e serviços de tradução pelas quatro prefeituras e o governo do Estado”. Tratou-se, portanto, muito mais de um encontro oficial patrocinado pelo Estado do que de um fenômeno social. E seu ponto tido como culminante não foi nenhum ato ou reivindicação social, mas o discurso da presidente Dilma para uma platéia que mal chegava a ocupar a metade do recinto do Ginásio Gigantinho. Frustração.
O Fórum procurou arrebanhar ativistas dos fracassados movimentos dos indignados, “integrantes das manifestações da Europa, como os ‘Indignados’ espanhóis, e dos Estados Unidos”. Aliás, constituem todos eles farinha do mesmo saco, como o reconheceu um dos próprios organizadores do Fórum, o empresário Oded Grajew: “Essas correntes [de indignados] são velhas frequentadoras do Fórum”. Os participantes de Porto Alegre tentaram ainda dar um colorido verde-ecológico ao seu evento, apresentando-o como uma preparação para a Rio+20, a realizar-se em junho. Mas nada pegou.
A monotonia do Fórum foi quebrada pela presença do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado por diversos crimes em seu país e acolhido de braços abertos no Brasil pelo governo Lula. Com os cabelos tingidos de loiro e uma vistosa camisa vermelha, ele foi agradecer a Tarso Genro – na ocasião Ministro da Justiça – o fato de não ter sido deportado para a Itália, onde a prisão o esperava.
“O acampamento para jovens não lotou, a marcha de abertura foi dominada por claques de centrais sindicais e as barraquinhas de livros marxistas e camisetas de Che Guevara praticamente sumiram da paisagem. Até o discurso de Dilma sofreu com a falta de público”.
O título com o qual a reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” noticia o encerramento do Fórum é característico: “Esvaziado, Fórum Social termina hoje sob crise existencial”. Curiosamente, analisando a edição de 2009 desse mesmo Fórum, Catolicismo publicou na ocasião um artigo intitulado “Fórum Social padece de dúvida existencial”.(3)
Como se vê, o Fórum Social, ponta de lança das esquerdas mais radicais, limitou-se a ser mais do mesmo.
Por sua vez, o jornal socialista “El País”, de Madri, comenta: “O fracasso da XI edição do Fórum Social de Porto Alegre é o melhor símbolo da crise da esquerda e de uma era histórica terminada [...] Revelou melhor do que muitas análises circunspetas, que aquilo que Porto Alegre sonhava se desvaneceu de repente”.(4)
Mas se o sonho das esquerdas desvaneceu-se em Porto Alegre, elas procuram alentá-lo alhures…
Dilma leva ajuda ao governo de Cuba
Outro tema que merece menção é a viagem da presidente Dilma a Cuba, em 30 e 31 de janeiro. Os governantes petistas, em suas viagens a Cuba, têm involuntariamente colocado em realce a triste sina dos infelizes dissidentes cubanos: a viagem de Lula em 2010 e a de Dilma em 2012 foram ambas marcadas pela morte de dissidentes em greve de fome. E, entretanto, nem Lula nem Dilma falaram de direitos humanos. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, chegou a afirmar que a questão dos direitos humanos em Cuba “não é emergencial”. Mas, ao mesmo tempo, a presidente não deixou de alfinetar os Estados Unidos quanto às condições da prisão de Guantánamo. Esqueceu-se, de um lado, que por piores que estas possam ser, não se comparam nem de longe com as dos cárceres cubanos; de outro lado, em Guantánamo estão confinados elementos acusados de terrorismo, enquanto Cuba é uma nação cujo povo todo está há mais de meio século opresso e confinado por um regime antinatural e perseguidor.
Antes de sua viagem, a presidente do Observatório Cubano de Direitos Humanos, Elena Larrinaga, ponderou: “Eu acho bom que ela vá a Cuba, desde que ela diga o que deve ser dito”. Também “o grupo opositor Damas de Branco disse que espera conseguir uma audiência com a presidente Dilma Rousseff e pedir que ela interceda em favor dos direitos humanos no país”.
O pedido de dissidentes para serem ouvidos por Dilma não encontrou eco. O governo brasileiro limitou-se a conceder um visto de turista para a dissidente cubana Yoani Sánchez vir ao Brasil, mas sua viagem dependia de autorização para sair da ilha-prisão — a qual lhe foi negada pelo regime comunista.
A saída que a presidente Dilma encontrou foi dizer que “direitos humanos não podem ser arma ideológica”, esquivando-se dessa forma de tratar da situação de Cuba.
Como se tal arma não tivesse sido usada contra os atletas cubanos deportados pelo governo Lula por ocasião dos Jogos Olímpicos do Rio e reconduzidos à ilha-prisão em avião venezuelano. Dilma acrescentou que tinha “muito orgulho” de encontrar-se com Fidel Castro, mas não fez nenhuma alusão à necessidade de se criar em Cuba uma “Comissão da Verdade” para apurar os incontáveis crimes cometidos pelo regime comunista no tristemente famoso paredón. Poucos dias antes da chegada da presidente a Havana, em reunião do PC cubano, Raul Castro fez exaltada defesa do partido único – evidentemente o comunista, portador da única “verdade” admitida em Cuba, a utopia marxista.
Mas, afinal, o que foi a presidente Dilma fazer em Cuba? Imagine-se alguém cuja empresa está necessitando de inúmeros reparos e da criação de novas estruturas, e seu administrador, em vez de pôr mãos à obra, vai aplicar o dinheiro no conserto da empresa de um outro que dilapidou seu patrimônio e trata seus empregados como se fossem prisioneiros.
Porto de Mariel - dinheiro a rodo para criar um modelo chinês
Ora, é com essa Cuba que o governo brasileiro quer estreitar o relacionamento comercial e diplomático. Mas que tipo de estreitamento? “A presidente levará no bolso a aprovação das duas últimas parcelas de US$ 380 milhões de financiamento para a conclusão da reforma do Porto de Mariel, a 50 km de Havana, conduzida pela construtora brasileira Odebrecht. Serão investidos, em quatro anos, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Dilma “anunciará também uma linha de crédito para que o país importe equipamentos agrícolas brasileiros”. “Com isso, o financiamento brasileiro à ilha chega a US$ 1,37 bilhão”. Se fossem capazes de sentimentos, até os buracos de nossas estradas e as demais lacunas de nossa insuficiente infra-estrutura, seriam capazes de bradar e perguntar por que essa fábula de dinheiro entregue a um regime tirânico não foi empregada, por exemplo, para evitar a morte de milhares de brasileiros em nossas vias de comunicação.
Tanto mais quanto é sabido que Cuba nunca vai pagar essa dívida, e que, portanto, o governo brasileiro está colaborando de modo possante para a manutenção naquele país do regime comunista. Comenta-se que o plano seria instituir em torno do Porto de Mariel – para cuja recuperação grande parte do dinheiro está sendo destinado – algo à maneira das “zonas econômicas especiais criadas pela China para atrair capital estrangeiro, recebendo empresas industriais e de logística”. Também a decadente produção de cana seria reativada com investimentos brasileiros.
Entre parênteses, chama a atenção como esse empenho em manter Cuba como enclave comunista na América Latina é comum às esquerdas latino-americanas. Para elas, por mais que o povo cubano esteja sofrendo, por mais que suas instituições sejam ditatoriais e antinaturais e estejam desprestigiadas, por mais que ali os direitos humanos sejam espezinhados à vista do mundo inteiro, o aspecto simbólico de um governo comunista entranhado como um câncer na carne da América Latina passa na frente de tudo. Sinal característico disso foi a recente formação da chamada Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), paralela à Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo Cuba e excluindo os Estados Unidos e o Canadá.
Como justificativa para a miséria que impera em Cuba, as esquerdas em geral, em vez de a atribuírem ao regime socialista que acabou com a propriedade privada e a livre iniciativa, acusam o embargo econômico norte-americano. O argumento chega a ser risível, pois põe em evidência que, para não cair numa situação subumana, Cuba necessita do apoio permanente dos Estados Unidos!
Judiciário: desmantelamento das instituições
Para abordar as causas da crise do Judiciário, entra-se decididamente no campo das hipóteses. E dentre elas uma assoma imediatamente ao espírito: o descontentamento da opinião pública em relação a uma série de atos do Judiciário cresceu na medida em que esse Poder da República chamava a si a tarefa inglória de coonestar a revolução moral.
Enquanto o Poder Legislativo, diretamente dependente do voto popular, evitava aprofundar o fosso com a opinião pública, não aprovando certas leis atentatórias à moral tradicional, o Judiciário brasileiro vinha atuando ultimamente como uma espécie de ponta de lança da revolução dos costumes. Passando por cima da Constituição e da lei ordinária, equiparou a união homossexual à união estável entre homem e mulher. Depois liberou a marcha da maconha. E já se comenta que irá liberalizar o próprio uso desse entorpecente, bem como estender o número de casos em que o aborto não é punido.
O aspecto mais pungente da crise do Judiciário é que ela revela ser mais um capítulo do desmantelamento das instituições.
FUNAI, MST, corrupção financeira
Madeira apodrecia no Assentamento Zumbi dos Palmares
Haveria por fim a considerar o obstinado empenho da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) — com apoio do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado à CNBB — em querer demarcar novas extensões de terras para poucos índios, em clara ofensa ao que determina a Constituição e às regras estabelecidas pelo STF. “O que está acontecendo é que a Funai, ou alguém desconhecido, importa índios de um lugar para outro, com o objetivo de justificar a ação antropológica, e o Brasil precisa conhecer isso” – disse o deputado Moreira Mendes (PSD-RO) (5).
Milhares de metros cúbicos de madeira, avaliados em R$ 10 milhões, apodreciam nos lotes ou eram consumidos pelo fogo no assentamento Zumbi dos Palmares, em Iaras (SP), sem que aparentemente o IBAMA se preocupasse (pois se trata do inefável MST). Até que o INCRA resolveu leiloar a pequena parte ainda aproveitável do lote. Mais de 13 mil metros de madeira – de pinus – empilhada foram vendidos por R$ 133 mil. O leilão recuperou pouco mais de um 1% do valor pago pelo governo federal para adquirir a floresta inteira. A União desembolsou R$ 13 milhões para indenizar os antigos donos e destinar o assentamento à Reforma Agrária. Parte da madeira foi vendida por uma cooperativa ligada ao MST, mas teria havido desvio do dinheiro, fato que constituiu alvo de processo na Justiça Federal de Ourinhos (SP).
A corrupção financeira generalizada – com as honrosas exceções –tornou-se tema tão recorrente nos meios políticos que eu me dispenso de abordá-la.
Vazio democrático
Uma palavra final em relação ao vazio na política nacional relativo aos grandes ideais e aos grandes temas capazes de galvanizar a opinião pública. Na área política, tudo é tratado como se na vida só a economia tivesse importância e que a finalidade dos governos se restringisse a acabar com a pobreza.
O debate sobre os grandes temas, como comunismo-anticomunismo, arte verdadeira e pseudo-arte, educação diferenciada, Religião verdadeira e falsas religiões, valores morais, importância das desigualdades justas, harmônicas e proporcionadas para o reto desenvolvimento social, papel das elites autênticas – tudo isso é banido do panorama nacional. Resultado: a parcela mais dinâmica da opinião pública, a mais apta a participar dos destinos da Nação, se desinteressa da política e dos políticos.
Não há pesquisa de opinião em que os políticos não apareçam na rabeira mais envergonhada. Na hora de votar, como é obrigatório, o eleitor procura aquele que considera o “menos pior”, e o resto do ano esquece-se dele.
Se isso é uma democracia autêntica, pobre democracia!
Plinio Corrêa de Oliveira a qualificava de “democracia-sem-ideias”.
Plinio Vidigal Xavier da Silveira
9 de março de 2012
*** *** ***
Notas:
1. As informações citadas neste artigo, salvo indicação em contrário, baseiam-se no noticiário da imprensa, especialmente nos diários “Folha de S. Paulo”, “O Globo”, “Zero Hora” e “O Estado de S. Paulo”, e “Agência Estado” dos dias 17-1 a 1º-2-2012.
2. Ver a respeito: A pretexto do combate à globalização renasce a luta de classes – Fórum Social Mundial de Porto Alegre, berço de uma neo-revolução anárquica, José Antonio Ureta e Gregorio Vivanco Lopes, Editora Cruz de Cristo, S. Paulo, 2002.
3. http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=B939203F-3048-313C-2EAECFBD911AF59D&mes=Março2009.
4. Coluna de Juan Arias, 30-1-12.
5. Agência Câmara de Notícias, 23-1-12.
Há duas situações em que o comentarista sente dificuldade em exercitar sua pena. Uma se dá quando diversos acontecimentos importantes atropelam-se uns aos outros, formando um emaranhado difícil de separar, de hierarquizar, e de atribuir a cada fato seu devido valor. É como numa floresta exuberante em que o entrelaçado dos tecidos vegetais dificulta a passagem de quem pretende adentrá-la.
Outra situação, bem diferente e talvez mais difícil, se dá quando o comentarista se depara com o vazio político, com a ausência de grandes lances, sem uma visão do futuro atinente ao bem comum da Nação em consonância com sua vocação providencial. Nisso estamos. Vamos, pois, a fatos de menor monta.(1)
Crise existencial no Fórum Social
Realizou-se em Porto Alegre, de 24 a 28 de janeiro, a 11ª. edição do Fórum Social com vistas a agrupar o que a esquerda tem de mais radical. A circunstância de ser governador do Rio Grande do Sul um petista dos mais ardidos, Tarso Genro, explica de sobejo a escolha mais uma vez da capital gaúcha. Pois o governo estadual – como sucedeu por ocasião do primeiro e do segundo Fórum, quando o PT detinha também a prefeitura com seu trombeteado “orçamento participativo” – encarregou-se do patrocínio. Só que enquanto os participantes de 2001 e 2002 esperavam com ardor catapultar a esquerda mundial para que esta substituísse com vantagem o sovietismo russo colapsado (2), as edições posteriores do Fórum foram perdendo importância e, a partir da 4ª. edição, mudaram o lugar de sua realização, sobretudo pela falta de repercussão no público.
A 11ª não constituiu exceção nessa rampa decadente. Faltou-lhe tudo o que abundou nas duas primeiras edições, sobrando apenas o desinteresse geral. Não fosse a generosidade dos cofres governamentais, sua realização teria sido impossível. O Fórum “é bancado em sua maior parte com dinheiro público — R$ 3,6 milhões em verbas públicas”, provenientes sobretudo das estatais Corsan, Banrisul, Badesul e Petrobras, além da “oferta de infraestrutura como salas, auditórios e praças para debates e shows, material de apoio, energia elétrica e serviços de tradução pelas quatro prefeituras e o governo do Estado”. Tratou-se, portanto, muito mais de um encontro oficial patrocinado pelo Estado do que de um fenômeno social. E seu ponto tido como culminante não foi nenhum ato ou reivindicação social, mas o discurso da presidente Dilma para uma platéia que mal chegava a ocupar a metade do recinto do Ginásio Gigantinho. Frustração.
O Fórum procurou arrebanhar ativistas dos fracassados movimentos dos indignados, “integrantes das manifestações da Europa, como os ‘Indignados’ espanhóis, e dos Estados Unidos”. Aliás, constituem todos eles farinha do mesmo saco, como o reconheceu um dos próprios organizadores do Fórum, o empresário Oded Grajew: “Essas correntes [de indignados] são velhas frequentadoras do Fórum”. Os participantes de Porto Alegre tentaram ainda dar um colorido verde-ecológico ao seu evento, apresentando-o como uma preparação para a Rio+20, a realizar-se em junho. Mas nada pegou.
A monotonia do Fórum foi quebrada pela presença do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado por diversos crimes em seu país e acolhido de braços abertos no Brasil pelo governo Lula. Com os cabelos tingidos de loiro e uma vistosa camisa vermelha, ele foi agradecer a Tarso Genro – na ocasião Ministro da Justiça – o fato de não ter sido deportado para a Itália, onde a prisão o esperava.
“O acampamento para jovens não lotou, a marcha de abertura foi dominada por claques de centrais sindicais e as barraquinhas de livros marxistas e camisetas de Che Guevara praticamente sumiram da paisagem. Até o discurso de Dilma sofreu com a falta de público”.
O título com o qual a reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” noticia o encerramento do Fórum é característico: “Esvaziado, Fórum Social termina hoje sob crise existencial”. Curiosamente, analisando a edição de 2009 desse mesmo Fórum, Catolicismo publicou na ocasião um artigo intitulado “Fórum Social padece de dúvida existencial”.(3)
Como se vê, o Fórum Social, ponta de lança das esquerdas mais radicais, limitou-se a ser mais do mesmo.
Por sua vez, o jornal socialista “El País”, de Madri, comenta: “O fracasso da XI edição do Fórum Social de Porto Alegre é o melhor símbolo da crise da esquerda e de uma era histórica terminada [...] Revelou melhor do que muitas análises circunspetas, que aquilo que Porto Alegre sonhava se desvaneceu de repente”.(4)
Mas se o sonho das esquerdas desvaneceu-se em Porto Alegre, elas procuram alentá-lo alhures…
Dilma leva ajuda ao governo de Cuba
Outro tema que merece menção é a viagem da presidente Dilma a Cuba, em 30 e 31 de janeiro. Os governantes petistas, em suas viagens a Cuba, têm involuntariamente colocado em realce a triste sina dos infelizes dissidentes cubanos: a viagem de Lula em 2010 e a de Dilma em 2012 foram ambas marcadas pela morte de dissidentes em greve de fome. E, entretanto, nem Lula nem Dilma falaram de direitos humanos. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, chegou a afirmar que a questão dos direitos humanos em Cuba “não é emergencial”. Mas, ao mesmo tempo, a presidente não deixou de alfinetar os Estados Unidos quanto às condições da prisão de Guantánamo. Esqueceu-se, de um lado, que por piores que estas possam ser, não se comparam nem de longe com as dos cárceres cubanos; de outro lado, em Guantánamo estão confinados elementos acusados de terrorismo, enquanto Cuba é uma nação cujo povo todo está há mais de meio século opresso e confinado por um regime antinatural e perseguidor.
Antes de sua viagem, a presidente do Observatório Cubano de Direitos Humanos, Elena Larrinaga, ponderou: “Eu acho bom que ela vá a Cuba, desde que ela diga o que deve ser dito”. Também “o grupo opositor Damas de Branco disse que espera conseguir uma audiência com a presidente Dilma Rousseff e pedir que ela interceda em favor dos direitos humanos no país”.
O pedido de dissidentes para serem ouvidos por Dilma não encontrou eco. O governo brasileiro limitou-se a conceder um visto de turista para a dissidente cubana Yoani Sánchez vir ao Brasil, mas sua viagem dependia de autorização para sair da ilha-prisão — a qual lhe foi negada pelo regime comunista.
A saída que a presidente Dilma encontrou foi dizer que “direitos humanos não podem ser arma ideológica”, esquivando-se dessa forma de tratar da situação de Cuba.
Como se tal arma não tivesse sido usada contra os atletas cubanos deportados pelo governo Lula por ocasião dos Jogos Olímpicos do Rio e reconduzidos à ilha-prisão em avião venezuelano. Dilma acrescentou que tinha “muito orgulho” de encontrar-se com Fidel Castro, mas não fez nenhuma alusão à necessidade de se criar em Cuba uma “Comissão da Verdade” para apurar os incontáveis crimes cometidos pelo regime comunista no tristemente famoso paredón. Poucos dias antes da chegada da presidente a Havana, em reunião do PC cubano, Raul Castro fez exaltada defesa do partido único – evidentemente o comunista, portador da única “verdade” admitida em Cuba, a utopia marxista.
Mas, afinal, o que foi a presidente Dilma fazer em Cuba? Imagine-se alguém cuja empresa está necessitando de inúmeros reparos e da criação de novas estruturas, e seu administrador, em vez de pôr mãos à obra, vai aplicar o dinheiro no conserto da empresa de um outro que dilapidou seu patrimônio e trata seus empregados como se fossem prisioneiros.
Porto de Mariel - dinheiro a rodo para criar um modelo chinês
Ora, é com essa Cuba que o governo brasileiro quer estreitar o relacionamento comercial e diplomático. Mas que tipo de estreitamento? “A presidente levará no bolso a aprovação das duas últimas parcelas de US$ 380 milhões de financiamento para a conclusão da reforma do Porto de Mariel, a 50 km de Havana, conduzida pela construtora brasileira Odebrecht. Serão investidos, em quatro anos, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Dilma “anunciará também uma linha de crédito para que o país importe equipamentos agrícolas brasileiros”. “Com isso, o financiamento brasileiro à ilha chega a US$ 1,37 bilhão”. Se fossem capazes de sentimentos, até os buracos de nossas estradas e as demais lacunas de nossa insuficiente infra-estrutura, seriam capazes de bradar e perguntar por que essa fábula de dinheiro entregue a um regime tirânico não foi empregada, por exemplo, para evitar a morte de milhares de brasileiros em nossas vias de comunicação.
Tanto mais quanto é sabido que Cuba nunca vai pagar essa dívida, e que, portanto, o governo brasileiro está colaborando de modo possante para a manutenção naquele país do regime comunista. Comenta-se que o plano seria instituir em torno do Porto de Mariel – para cuja recuperação grande parte do dinheiro está sendo destinado – algo à maneira das “zonas econômicas especiais criadas pela China para atrair capital estrangeiro, recebendo empresas industriais e de logística”. Também a decadente produção de cana seria reativada com investimentos brasileiros.
Entre parênteses, chama a atenção como esse empenho em manter Cuba como enclave comunista na América Latina é comum às esquerdas latino-americanas. Para elas, por mais que o povo cubano esteja sofrendo, por mais que suas instituições sejam ditatoriais e antinaturais e estejam desprestigiadas, por mais que ali os direitos humanos sejam espezinhados à vista do mundo inteiro, o aspecto simbólico de um governo comunista entranhado como um câncer na carne da América Latina passa na frente de tudo. Sinal característico disso foi a recente formação da chamada Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), paralela à Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo Cuba e excluindo os Estados Unidos e o Canadá.
Como justificativa para a miséria que impera em Cuba, as esquerdas em geral, em vez de a atribuírem ao regime socialista que acabou com a propriedade privada e a livre iniciativa, acusam o embargo econômico norte-americano. O argumento chega a ser risível, pois põe em evidência que, para não cair numa situação subumana, Cuba necessita do apoio permanente dos Estados Unidos!
Judiciário: desmantelamento das instituições
Para abordar as causas da crise do Judiciário, entra-se decididamente no campo das hipóteses. E dentre elas uma assoma imediatamente ao espírito: o descontentamento da opinião pública em relação a uma série de atos do Judiciário cresceu na medida em que esse Poder da República chamava a si a tarefa inglória de coonestar a revolução moral.
Enquanto o Poder Legislativo, diretamente dependente do voto popular, evitava aprofundar o fosso com a opinião pública, não aprovando certas leis atentatórias à moral tradicional, o Judiciário brasileiro vinha atuando ultimamente como uma espécie de ponta de lança da revolução dos costumes. Passando por cima da Constituição e da lei ordinária, equiparou a união homossexual à união estável entre homem e mulher. Depois liberou a marcha da maconha. E já se comenta que irá liberalizar o próprio uso desse entorpecente, bem como estender o número de casos em que o aborto não é punido.
O aspecto mais pungente da crise do Judiciário é que ela revela ser mais um capítulo do desmantelamento das instituições.
FUNAI, MST, corrupção financeira
Madeira apodrecia no Assentamento Zumbi dos Palmares
Haveria por fim a considerar o obstinado empenho da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) — com apoio do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado à CNBB — em querer demarcar novas extensões de terras para poucos índios, em clara ofensa ao que determina a Constituição e às regras estabelecidas pelo STF. “O que está acontecendo é que a Funai, ou alguém desconhecido, importa índios de um lugar para outro, com o objetivo de justificar a ação antropológica, e o Brasil precisa conhecer isso” – disse o deputado Moreira Mendes (PSD-RO) (5).
Milhares de metros cúbicos de madeira, avaliados em R$ 10 milhões, apodreciam nos lotes ou eram consumidos pelo fogo no assentamento Zumbi dos Palmares, em Iaras (SP), sem que aparentemente o IBAMA se preocupasse (pois se trata do inefável MST). Até que o INCRA resolveu leiloar a pequena parte ainda aproveitável do lote. Mais de 13 mil metros de madeira – de pinus – empilhada foram vendidos por R$ 133 mil. O leilão recuperou pouco mais de um 1% do valor pago pelo governo federal para adquirir a floresta inteira. A União desembolsou R$ 13 milhões para indenizar os antigos donos e destinar o assentamento à Reforma Agrária. Parte da madeira foi vendida por uma cooperativa ligada ao MST, mas teria havido desvio do dinheiro, fato que constituiu alvo de processo na Justiça Federal de Ourinhos (SP).
A corrupção financeira generalizada – com as honrosas exceções –tornou-se tema tão recorrente nos meios políticos que eu me dispenso de abordá-la.
Vazio democrático
Uma palavra final em relação ao vazio na política nacional relativo aos grandes ideais e aos grandes temas capazes de galvanizar a opinião pública. Na área política, tudo é tratado como se na vida só a economia tivesse importância e que a finalidade dos governos se restringisse a acabar com a pobreza.
O debate sobre os grandes temas, como comunismo-anticomunismo, arte verdadeira e pseudo-arte, educação diferenciada, Religião verdadeira e falsas religiões, valores morais, importância das desigualdades justas, harmônicas e proporcionadas para o reto desenvolvimento social, papel das elites autênticas – tudo isso é banido do panorama nacional. Resultado: a parcela mais dinâmica da opinião pública, a mais apta a participar dos destinos da Nação, se desinteressa da política e dos políticos.
Não há pesquisa de opinião em que os políticos não apareçam na rabeira mais envergonhada. Na hora de votar, como é obrigatório, o eleitor procura aquele que considera o “menos pior”, e o resto do ano esquece-se dele.
Se isso é uma democracia autêntica, pobre democracia!
Plinio Corrêa de Oliveira a qualificava de “democracia-sem-ideias”.
Plinio Vidigal Xavier da Silveira
9 de março de 2012
*** *** ***
Notas:
1. As informações citadas neste artigo, salvo indicação em contrário, baseiam-se no noticiário da imprensa, especialmente nos diários “Folha de S. Paulo”, “O Globo”, “Zero Hora” e “O Estado de S. Paulo”, e “Agência Estado” dos dias 17-1 a 1º-2-2012.
2. Ver a respeito: A pretexto do combate à globalização renasce a luta de classes – Fórum Social Mundial de Porto Alegre, berço de uma neo-revolução anárquica, José Antonio Ureta e Gregorio Vivanco Lopes, Editora Cruz de Cristo, S. Paulo, 2002.
3. http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=B939203F-3048-313C-2EAECFBD911AF59D&mes=Março2009.
4. Coluna de Juan Arias, 30-1-12.
5. Agência Câmara de Notícias, 23-1-12.
NO TIBET, A AUTODESTRUIÇÃO COMO FORMA DE PROTESTO
Ativistas tibetanos têm recorrido ao suicídio para criticar a repressão do governo
Uma famosa história conta como, numa vida anterior, o Buda teve pena de uma tigresa faminta que, sem sua ajuda, teria que comer seus filhotes recém-nascidos, e se sacrificou. O conto é frequentemente lembrado por tibetanos no exílio em Dharamsala, no norte da Índia, que lamentam um aparentemente interminável ciclo de autoimolações em sua terra natal. No ano passado, pelo menos 26 tibetanos, a maioria deles monges budistas, se incendiaram. Enquanto queimavam, geralmente até a morte, eles gritaram slogans contra o domínio chinês e clamaram pela volta do Dalai Lama, seu líder espiritual, radicado em Dharamsala desde 1959. A moral da parábola do tigre é que, embora o budismo abomine até mesmo a violência auto-infligida, ela pode ser justificada se o sacrifício é para o bem maior. A questão angustiante, no entanto, é se esses atos corajosos fazem algum bem a alguém.
O primeiro da recente onda de suicídios, Lobsang Phuntsog, um monge de 20 anos, ateou fogo a si mesmo em 16 de março de 2011 para marcar o aniversário de um levante contra o domínio chinês que havia se espalhado através do planalto tibetano cinco anos antes. O momento, por sua vez, comemorava a rebelião abortada em março de 1959, que levou à fuga do Dalai Lama e cerca de 80 mil de seus seguidores para a Índia. Agora, todos os anos, os aniversários trazem um pouco de dor nova a ser alimentada. Já neste mês uma viúva, mãe de quatro crianças, e uma estudante adolescente se tornaram as primeiras tibetanas a se autimolarem. Mais atos como esses devem acontecer ao longo do mês.
Sacrifícios contra-produtivos
Se o objetivo dos protestos é mudar a política chinesa, eles parecem terrivelmente contra-produtivos, e também não conseguiram mais do que a inquietação de governos estrangeiros, nenhum dos quais reconhece o governo tibetano no exílio, em Dharamsala. O Dalai Lama, que formalmente abriu mão de seu papel político no ano passado, goza de enorme respeito. Mas o respeito não tem exército.
Na China, o protesto provocou não a liberalização, mas a repressão renovada, e não apenas em áreas tibetanas de Sichuan, onde as autoimolações começaram. Dharamsala agora conta com uma presença disseminada da segurança chinesa, severas restrições de movimento, incursões noturnas para arrebanhar militantes e acesso apenas esporádico a ligações telefônicas e à internet. A região tem sido tão isolada do mundo exterior que o Repórteres sem Fronteiras, um grupo de apoio, diz que a imprensa estrangeira tem uma presença maior na Coréia do Norte do que no Tibet.
O centro de acolhimento para os recém-chegados em Dharamsala conta uma história semelhante. Embora tenha sido construído para abrigar até 500 pessoas, apenas um décimo dos seus leitos estão em uso. Na repressão que começou em 2008, o número de pessoas que fugia para a Índia pelo Nepal diminuiu de cerca de 3 mil por ano para menos de mil. Aqueles que fazem o percurso falam das famílias que fazem enormes sacrifícios financeiros para levantar o dinheiro para subornos. Muitos vêm para a Índia em busca de uma educação tibetana. No passado, eles planejavam retornar. Agora, a maioria acredita que ficará na Índia por muito tempo.
Em janeiro, estima-se que mais de 7 mil tibetanos da China receberam os ensinamentos do Dalai Lama em Bodh Gaya, na Índia, onde Buda alcançou a iluminação. Eles viajaram com documentos chineses. Ao retornarem, centenas foram detidos. A vida para os cerca de 20 mil exilados tibetanos no Nepal também se tornou mais difícil, pois o governo nepalês é submisso à China e suprime protestos.
Ao participarem da sessão anual do Congresso Nacional Popular, que começou em Pequim esta semana, as autoridades chinesas vêm buscando maneiras de pregar uma política de linha dura sobre o Tibet e jogar a culpa das imolações sobre o Dalai Lama, que as desencorajou, mas não as proibiu explicitamente. Zhu Weiqun, do Departamento da Frente Unida do Partido Comunista, que liderou a equipe da China em negociações com representantes do Dalai Lama, defendeu outra abordagem. Em um artigo em um jornal do partido, ele sugere que “alguns de nossas atuais políticas educacionais e administrativas involuntariamente enfraqueceram o senso de nacionalidade e nacionalismo chinês de algumas minorias nacionais”. A solução, segundo ele, é acabar com o status de minoria étnica nas carteiras de identidade e com privilégios, como a educação separada para as minorias. No entanto, a identidade tibetana não pode ser apagada por decretos burocráticos.
Tibetanos dizem que é errado ver as autoimolações como atos inúteis de desespero. Ao invés disso, eles as retratam como gestos de desafio, de unidade nacional e, portanto, até mesmo de esperança. Tenzin Atisha, um funcionário do governo tibetano exilado, continua otimista. Ele observa que o Dalai Lama, que fará 77 anos este ano, prometeu viver até a idade de 113. Atisha acredita que o Partido Comunista não pode durar tanto tempo, e que o Dalai Lama voltará para passar seus últimos dias em Lhasa.
A única esperança
Outros são menos otimistas, temendo que a imigração de chineses da etnia Han no Tibet ofusque sua cultura; que o partido sobreviva ao atual Dalai Lama e que tire proveito de uma reencarnação contestada. Alguns tibetanos já aceitaram a derrota, desistiram e decidiram fazer o melhor dos subsídios e do crescimento econômico que o governo chinês oferece. O que é notável, no entanto, é que a terceira geração pós-1959 está crescendo em áreas tibetanas que são amplamente hostis à China e leais ao Dalai Lama.
Se ao menos a China encarasse as coisas dessa forma, haveria uma oportunidade. O Dalai Lama, ao contrário de muitos de seus seguidores, aceitou a soberania chinesa desde que o Tibet tenha uma autonomia genuína, e também se opõe à violência. Três recém-chegados a Dharamsala ainda esperam pela recepção tradicional oferecida pelo líder, e afirmam que depois de vê-lo poderão morrer sem arrependimentos. E eles acreditam realmente nisso. Não há dúvidas de que a China pode continuar a controlar o Tibet por meio da repressão. Mas somente o Dalai Lama tem alguma chance de fazer com que os tibetanos aceitem a dominação chinesa.
Fontes:The Economist - The Buddha and the tigress
11 de março de 2012
Uma famosa história conta como, numa vida anterior, o Buda teve pena de uma tigresa faminta que, sem sua ajuda, teria que comer seus filhotes recém-nascidos, e se sacrificou. O conto é frequentemente lembrado por tibetanos no exílio em Dharamsala, no norte da Índia, que lamentam um aparentemente interminável ciclo de autoimolações em sua terra natal. No ano passado, pelo menos 26 tibetanos, a maioria deles monges budistas, se incendiaram. Enquanto queimavam, geralmente até a morte, eles gritaram slogans contra o domínio chinês e clamaram pela volta do Dalai Lama, seu líder espiritual, radicado em Dharamsala desde 1959. A moral da parábola do tigre é que, embora o budismo abomine até mesmo a violência auto-infligida, ela pode ser justificada se o sacrifício é para o bem maior. A questão angustiante, no entanto, é se esses atos corajosos fazem algum bem a alguém.
O primeiro da recente onda de suicídios, Lobsang Phuntsog, um monge de 20 anos, ateou fogo a si mesmo em 16 de março de 2011 para marcar o aniversário de um levante contra o domínio chinês que havia se espalhado através do planalto tibetano cinco anos antes. O momento, por sua vez, comemorava a rebelião abortada em março de 1959, que levou à fuga do Dalai Lama e cerca de 80 mil de seus seguidores para a Índia. Agora, todos os anos, os aniversários trazem um pouco de dor nova a ser alimentada. Já neste mês uma viúva, mãe de quatro crianças, e uma estudante adolescente se tornaram as primeiras tibetanas a se autimolarem. Mais atos como esses devem acontecer ao longo do mês.
Sacrifícios contra-produtivos
Se o objetivo dos protestos é mudar a política chinesa, eles parecem terrivelmente contra-produtivos, e também não conseguiram mais do que a inquietação de governos estrangeiros, nenhum dos quais reconhece o governo tibetano no exílio, em Dharamsala. O Dalai Lama, que formalmente abriu mão de seu papel político no ano passado, goza de enorme respeito. Mas o respeito não tem exército.
Na China, o protesto provocou não a liberalização, mas a repressão renovada, e não apenas em áreas tibetanas de Sichuan, onde as autoimolações começaram. Dharamsala agora conta com uma presença disseminada da segurança chinesa, severas restrições de movimento, incursões noturnas para arrebanhar militantes e acesso apenas esporádico a ligações telefônicas e à internet. A região tem sido tão isolada do mundo exterior que o Repórteres sem Fronteiras, um grupo de apoio, diz que a imprensa estrangeira tem uma presença maior na Coréia do Norte do que no Tibet.
O centro de acolhimento para os recém-chegados em Dharamsala conta uma história semelhante. Embora tenha sido construído para abrigar até 500 pessoas, apenas um décimo dos seus leitos estão em uso. Na repressão que começou em 2008, o número de pessoas que fugia para a Índia pelo Nepal diminuiu de cerca de 3 mil por ano para menos de mil. Aqueles que fazem o percurso falam das famílias que fazem enormes sacrifícios financeiros para levantar o dinheiro para subornos. Muitos vêm para a Índia em busca de uma educação tibetana. No passado, eles planejavam retornar. Agora, a maioria acredita que ficará na Índia por muito tempo.
Em janeiro, estima-se que mais de 7 mil tibetanos da China receberam os ensinamentos do Dalai Lama em Bodh Gaya, na Índia, onde Buda alcançou a iluminação. Eles viajaram com documentos chineses. Ao retornarem, centenas foram detidos. A vida para os cerca de 20 mil exilados tibetanos no Nepal também se tornou mais difícil, pois o governo nepalês é submisso à China e suprime protestos.
Ao participarem da sessão anual do Congresso Nacional Popular, que começou em Pequim esta semana, as autoridades chinesas vêm buscando maneiras de pregar uma política de linha dura sobre o Tibet e jogar a culpa das imolações sobre o Dalai Lama, que as desencorajou, mas não as proibiu explicitamente. Zhu Weiqun, do Departamento da Frente Unida do Partido Comunista, que liderou a equipe da China em negociações com representantes do Dalai Lama, defendeu outra abordagem. Em um artigo em um jornal do partido, ele sugere que “alguns de nossas atuais políticas educacionais e administrativas involuntariamente enfraqueceram o senso de nacionalidade e nacionalismo chinês de algumas minorias nacionais”. A solução, segundo ele, é acabar com o status de minoria étnica nas carteiras de identidade e com privilégios, como a educação separada para as minorias. No entanto, a identidade tibetana não pode ser apagada por decretos burocráticos.
Tibetanos dizem que é errado ver as autoimolações como atos inúteis de desespero. Ao invés disso, eles as retratam como gestos de desafio, de unidade nacional e, portanto, até mesmo de esperança. Tenzin Atisha, um funcionário do governo tibetano exilado, continua otimista. Ele observa que o Dalai Lama, que fará 77 anos este ano, prometeu viver até a idade de 113. Atisha acredita que o Partido Comunista não pode durar tanto tempo, e que o Dalai Lama voltará para passar seus últimos dias em Lhasa.
A única esperança
Outros são menos otimistas, temendo que a imigração de chineses da etnia Han no Tibet ofusque sua cultura; que o partido sobreviva ao atual Dalai Lama e que tire proveito de uma reencarnação contestada. Alguns tibetanos já aceitaram a derrota, desistiram e decidiram fazer o melhor dos subsídios e do crescimento econômico que o governo chinês oferece. O que é notável, no entanto, é que a terceira geração pós-1959 está crescendo em áreas tibetanas que são amplamente hostis à China e leais ao Dalai Lama.
Se ao menos a China encarasse as coisas dessa forma, haveria uma oportunidade. O Dalai Lama, ao contrário de muitos de seus seguidores, aceitou a soberania chinesa desde que o Tibet tenha uma autonomia genuína, e também se opõe à violência. Três recém-chegados a Dharamsala ainda esperam pela recepção tradicional oferecida pelo líder, e afirmam que depois de vê-lo poderão morrer sem arrependimentos. E eles acreditam realmente nisso. Não há dúvidas de que a China pode continuar a controlar o Tibet por meio da repressão. Mas somente o Dalai Lama tem alguma chance de fazer com que os tibetanos aceitem a dominação chinesa.
Fontes:The Economist - The Buddha and the tigress
11 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
REVOLUÇÃO DOS BICHOS
CAPÍTULO V
Com o passar do inverno, Mimosa tornava-se mais e mais importuna. Todas as manhãs atrasava-se para o trabalho e desculpava-se dizendo que dormira demais. Queixava-se de dores - misteriosas, embora gozasse de excelente apetite. A qualquer pretexto largava o trabalho e ia para o açude, à beira do qual permanecia admirando sua própria imagem refletida nas águas.
Corriam também boatos de maior seriedade. Um dia, quando Mimosa entrou no pátio, toda contente, sacudindo a cauda e mascando um talo de feno, Quitéria abordou-a.
- Mimosa - disse ela -, tenho um assunto muito sério para falar-lhe. Hoje de manhã eu a vi olhando por cima da sebe que separa a Granja de Foxwood. Do outro lado estava um dos empregados do Sr. Pilkington. Ele - embora eu estivesse longe, tenho quase certeza de que vi isso - falava com você e fazia
festas em seu focinho. Que significa isso. Mimosa? - - . .
- Ele não fez! Eu não estava! Não é verdade! - gritou Mimosa, agitando-se e escarvando a terra. -
- Mimosa! - Olhe-me nos olhos. Você me dá sua palavra de honra de que o homem não lhe tocou no focinho?
- Não é verdade! - repetiu Mimosa, sem olhar Quitéria de frente; depois, virou-se e galopou para o campo.
Quitéria teve uma idéia. Sem dizer nada a ninguém, foi à baia de Mimosa e virou a palha com o casco. Ali estavam escondidos um montinho de torrões de açúcar e vários novelos de fitas de diversas cores.
Três dias mais tarde, Mimosa desapareceu. Durante algumas semanas ninguém teve notícias de seu paradeiro, até que os pombos trouxeram o informe de que a haviam visto na parte mais afastada de Willingdon, atrelada a uma bonita carroça vermelha e preta, em frente a uma estalagem. Um homem gordo, de rosto vermelho, calças xadrez e polaina, com todo o tipo de estalajadeiro, dava-lhe pancadinhas no focinho e oferecia-lhe torrões de açúcar. Seu pêlo fora recentemente rasqueteado e ela usava uma fita escarlate no topete. Parecia muito satisfeita, segundo disseram os pombos. Os bichos nunca mais falaram em Mimosa.
Em janeiro, o tempo piorou terrivelmente. A terra dura como ferro, não permitia o trabalho no campo. Houve muitas reuniões no celeiro grande, e os porcos passaram ao planejamento dos trabalhos a serem realizados na estação seguinte. Fora acertado que os porcos, sendo manifestamente mais inteligentes do que os outros animais, decidiriam todas as questões referentes à política agrícola da granja, embora suas decisões devessem ser ratificadas pelo voto da maioria. Essa combinação teria funcionado muito bem, não fossem as disputas entre Bola-de-Neve e Napoleão. Esses dois discordavam sobre todos os pontos em que a discordância era possível. Se um deles propunha o aumento da área de plantio de cevada, podia-se ter certeza de que o outro proporia uma área maior para o cultivo da aveia, e se um dissesse que tais e tais terrenos eram ótimos para plantar repolhos, o outro diria que não prestavam senão para mandioca. Cada um tinha seus seguidores e havia debates violentos. Nas reuniões, Bola-de-Neve freqüentemente obtinha a maioria, por seus discursos brilhantes, porém Napoleão era o melhor na cabala de apoio durante os intervalos. Obtinha êxito especial com as ovelhas. Ultimamente estas haviam criado o hábito de balir "Quatro pernas bom, duas pernas ruim" em ocasiões próprias ou impróprias, e muitas vezes interrompiam a reunião dessa maneira. Notou-se que mostravam especial disposição de atacar o "Quatro pernas bom, duas pernas ruim", justamente quando Bola-de-Neve chegava a um momento crucial em seus discursos.
Bola-de-Neve estudara atentamente alguns números atrasados da revista O Agricultor e o Criador de Gado, encontrados na casa-grande, e andava com a cabeça cheia de planos sobre invenções e melhoramentos. Falava com grande conhecimento de causa sabre drenagens, ensilagem, escórias básicas, e havia elaborado um complexo esquema segundo o qual os bichos evacuariam diretamente no campo, em lugares diferentes cada dia, para economizar o trabalho do transporte de esterco. Napoleão não criava projetos próprios, mas dizia com toda calma que os de Bola-de-Neve dariam em nada e parecia aguardar sua oportunidade.
De todas as divergências, porém, nenhuma foi tão séria como a do moinho de vento. Não muito longe das casas havia uma colina que era o ponto mais alto da granja. Depois de realizar uma pesquisa no solo, Bola-de-Neve declarou ser o local ideal para a construção de um moinho de vento, que poderia acionar um dínamo e suprir de energia elétrica toda a granja. As baias teriam luz elétrica e aquecimento no inverno, haveria força para uma serra circular, para moagem de cereais, para o corte da beterraba e para um sistema de ordenha elétrica. Os animais nunca tinham sequer ouvido falar nessas coisas (pois a granja era antiquada e sua aparelhagem das mais primitivas) e escutaram boquiabertos Bola-de-Neve fazer desfilar como por encanto, ante sua imaginação, as figuras dos aparelhos mais espetaculares, máquinas que fariam todo serviço em seu lugar, enquanto eles iriam aproveitar a folga pastando ou cultivando a mente, por meio da leitura e da conversação.
Em poucas semanas os planos de Bola-de-Neve para o moinho de vento estavam prontos. Os detalhes mecânicos foram retirados principalmente de três livros que haviam pertencido ao Sr. Jones - Mil Coisas Úteis para Sua Casa, Seja o Seu Próprio Pedreiro e Eletricidade para Principiantes.
Bola-de-Neve utilizou como estúdio um galpão que antes abrigara incubadoras e cujo piso era de madeira lisa, própria para desenhar. Lá permanecia horas a fio. Com os livros abertos sob o peso de uma pedra, e uma barra de giz entre as duas pontas do casco, andava rapidamente para lá e para cá, traçando linhas e mais linhas e soltando guinchos de excitação.
Gradualmente, os planos se transformaram numa complicada massa de manivelas e engrenagens que cobria quase metade do assoalho e que os outros animais achavam completamente ininteligível, mas impressionante. Pelo menos uma vez por dia, cada um vinha olhar os desenhos de Bola-de-Neve. Até as galinhas e os patos apareciam, pisando com grande dificuldade para não estragar os riscos de giz. Apenas Napoleão permaneceu desinteressado. Havia-se declarado contra o moinho de vento desde o início.
Um dia, entretanto, chegou inesperadamente para examinar os planos. Caminhou pesadamente em volta do galpão, olhou detidamente cada detalhe do projeto, farejou-o uma ou duas vezes, depois deteve-se a contemplá-lo por alguns instantes pelo canto dos olhos; então, inesperadamente, levantou a pata, urinou sobre os planos e caminhou para fora sem proferir palavra. A granja estava profundamente dividida com respeito ao moinho de vento. Bola-de-Neve não negava que sua construção resultaria em uma empresa difícil. Seria necessário quebrar pedras e transformá-las em paredes; depois, construir as pás; haveria necessidade de dínamos e fios (onde seriam encontrados, Bola-de-Neve não dizia). Mas afirmava que tudo poderia ser feito dentro de um ano. Depois disso - dizia -, os bichos economizariam tanta energia, que seriam necessários apenas. três dias de trabalho por semana.
Napoleão, por outro lado, argumentava que a grande necessidade do momento era aumentar a produção de alimentos e que morreriam de fome se perdessem tempo com o moinho de vento.
Os animais dividiram-se em duas facções que se alinhavam sob os slogans: "Vote em Bola-de-Neve e na semana de três dias" e "Vote em Napoleão e na manjedoura cheia".
Benjamim foi o único animal que não aderiu a lado nenhum. Recusava-se a crer, tanto em que haveria fartura de alimento, como em que o moinho de vento economizaria trabalho. Moinho ou não moinho, dizia ele, a vida prosseguiria como sempre fora - ou seja, mal.
Além da disputa sobre o moinho de vento, havia o problema da defesa da granja. Eles bem sabiam que, embora os humanos tivessem sido derrotados na Batalha do Estábulo, poderiam fazer outra tentativa, mais reforçada, para retomar a granja e restaurar Jones.
Tinham as melhores razões para tentar, pois a notícia, da derrota, se espalhara pela região e tornara os animais das granjas vizinhas mais rebeldes do que nunca. Como sempre, Bola-de-Neve e Napoleão não estavam de acordo. Segundo Napoleão o que os animais deveriam fazer era conseguir armas de fogo e instruir-se no seu emprego. Bola-de-Neve achava que deveriam enviar mais e mais pombos e provocar a rebelião entre os bichos das outras granjas.
O primeiro argumentava que, se não fossem capazes de defender-se, estavam destinados à submissão; o outro alegava que, fomentando revoluções em toda parte, não teriam necessidade de defender-se. Os animais ouviam Napoleão, depois Bola-de-Neve e não chegavam à conclusão sobre quem tinha razão; á verdade é que estavam sempre de acordo com, aquele que falava no momento.
Por fim, chegou o dia em que os planos de Bola-de-Neve ficaram prontos. Na Reunião do domingo seguinte deveria ser posta em votação a questão de começar ou não o trabalho no moinho de vento.
Quando os animais se reuniram no grande celeiro, Bola-de-Neve levantou-se e, embora fosse interrompido de vez em quando pelo balido das ovelhas, expôs suas razões em favor da construção do moinho de vento.
Depois levantou-se Napoleão para rebater. Disse calmamente que o moinho de vento era uma tolice, que não aconselhava ninguém a votar a favor daquilo. Sentou-se de novo; falara durante trinta segundos, se tanto, e parecia indiferente ao resultado.
Ante isso, Bola-de-Neve pôs-se de pé outra vez, calou a gritos as ovelhas que começavam a balir de novo e irrompeu num candente apelo em favor do moinho de vento. Até então, os bichos estavam quase igualmente divididos em suas simpatias, mas num instante de eloqüência Bola-de-Neve arrastou a todos.
Com sentenças ardentes, pintou um quadro de como poderia ser a Granja dos Bichos quando o trabalho sórdido fosse sacudido de sobre os ombros de todos. Sua imaginação ia agora além de moinhos de cereais e cortadores de nabos. A eletricidade - disse ele - poderia movimentar debulhadoras, arados, grades, rolos compressores, ceifeiras e atadeiras, além de fornecer a cada baia sua própria luz, água quente e fria, e um aquecedor elétrico. Quando parou de falar, não havia dúvidas quanto ao resultado da votação. Porém, exatamente nesse momento Napoleão levantou-se e, dando uma estranha olhadela de viés para Bola-de-Neve, soltou um guincho estridente que ninguém ouvira antes.
Ouviu-se um terrível ladrido lá fora e nove cães enormes, usando coleiras tachonadas com bronze, entraram latindo no celeiro. Jogaram-se sobre Bola-de-Neve, que saltou do lugar onde estava, mal a tempo de escapar àquelas presas. Num instante, saiu porta fora com os cães em seu encalço. Espantados e aterrorizados demais para falar, os bichos amontoaram-se na porta para observar a caçada. Bola-de-Neve corria pelo campo em direção à estrada, como só um porco sabe correr, mas os cachorros se aproximavam.
De repente ele caiu e pareceu que o apanhariam. Mas levantou-se outra vez e correu como um desesperado. Já os cães o alcançavam de novo. Um deles quase fechou as mandíbulas no rabicho de Bola-de-Neve, que o sacudiu bem na hora. Aí fez um esforço extremo e, ganhando algumas polegadas, enfiou-se por um buraco da sebe e sumiu.
Calados e aterrados, os animais voltaram furtivamente para dentro do celeiro. Logo chegaram os cachorros, latindo. A princípio ninguém pôde imaginar de onde tinham vindo - aquelas criaturas, mas o mistério logo se aclarou: eram os cachorrinhos que Napoleão havia tomado às mães e criado secretamente. Embora ainda não tivessem completado o crescimento, já eram uns cães enormes e mal-encarados como lobos. Permaneceram junto a Napoleão e notou-se que sacudiam a cauda para ele da mesma maneira como os outros cachorros costumavam fazer para Jones.
Napoleão, com os cachorros a segui-lo, subiu para o estrado, de onde o Major fizera seu discurso. Anunciou que daquele momento em diante terminariam as Reuniões dos domingos de manhã. Eram desnecessárias perdas de tempo. Para o futuro, todos os problemas relacionados com o funcionamento da granja seriam resolvidos por uma comissão de porcos, presidida por ele, que se reuniria em particular e depois comunicaria suas decisões aos demais. Os animais continuariam a reunir-se aos domingos para saudar a bandeira, cantar Bichos da Inglaterra e receber as ordens da semana; não haveria debates.
A despeito do estado de choque em que a expulsão de Bola-de-Neve os deixara, os bichos ficaram desalentados com aquela notícia. Vários teriam protestado, se conseguissem achar os argumentos. Até Sansão ficou um tanto perturbado. Murchou as orelhas, sacudiu o topete várias vezes e fez um esforço tremendo para pôr em ordem as idéias; mas afinal não conseguiu pensar nada para dizer. Alguns porcos, porém, tinham maior flexibilidade de raciocínio. Quatro jovens porcos castrados, colocados na primeira fila, soltaram altos guinchos de protesto e levantaram-se falando a um só tempo. Mas os cachorros, junto de Napoleão, soltaram um rosnado fundo e ameaçador, e os porcos calaram-se, sentando-se de novo. Aí estrondaram as ovelhas um formidável balido de "Quatro pernas bom, duas pernas ruim" (caso Serra – energúmenos) que durou cerca de um quarto de hora, acabando com qualquer hipótese de discussão. Mais tarde, Garganta foi mandado percorrer a granja para explicar a nova situação aos demais.
- Camaradas - disse -, tenho certeza de que cada animal compreende o sacrifício que o Camarada Napoleão faz ao tomar sobre seus ombros mais esse trabalho. Não penseis, camaradas, que a liderança seja um prazer. Pelo contrário, é uma enorme e pesada responsabilidade. Ninguém mais que o Camarada Napoleão crê firmemente que todos os bichos são iguais. Feliz seria ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, às vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, onde iríamos parar? Suponhamos que tivésseis decidido seguir Bola-de-Neve com suas miragens de moinho de vento - logo Bola-de-Neve ~ que, como sabemos, não passava de um criminoso?
- Ele lutou bravamente na Batalha do Estábulo - disse alguém.
- Bravura não basta - respondeu Garganta.
- A lealdade e a obediência são mais importantes. E quanto à Batalha do Estábulo, acredito, tempo virá em que verificaremos que o papel de Bola-de-Neve foi um tanto exagerado. Disciplina, camaradas, disciplina férrea! Este é o lema para os dias que correm. Um passo em falso e o inimigo estará sobre nós. Por certo, camaradas, não quereis Jones de volta, hem?
Uma vez mais esse argumento era irrespondível. Sem dúvida alguma, os bichos não desejavam Jones de volta; e se a realização dos debates do domingo podia ter essa conseqüência, que cessassem os debates.
Sansão, que já tivera tempo de pensar, expressou o sentimento geral: "Se é o que diz o Camarada Napoleão, deve estar certo." E daí por diante adotou a máxima "Napoleão tem sempre razão" acrescentando-a ao seu lema particular "Trabalharei mais ainda".
Já com o tempo melhor, iniciou-se a arada da primavera. O galpão em que Bola-de-Neve desenhara seus planos para o moinho de vento foi trancado e os desenhos provavelmente apagados. Todos os domingos, às dez horas, os animais reuniam-se no grande celeiro para receber as ordens da semana. A caveira do velho Major, já sem carnes, fora desenterrada e colocada sobre um toco ao pé do mastro, junto à espingarda. Após o hasteamento da bandeira, os animais deviam desfilar reverentemente perante a caveira, antes de entrar no celeiro. Já não sentavam todos juntos, como antes. Napoleão, Garganta e outro porco chamado Mínimo, dono de notável talento para compor canções e poemas, aboletavam-se sobre a parte fronteira da plataforma, os nove cachorros em semicírculo ao redor deles e os outros porcos atrás.
O restante dos animais ficava de frente para eles, no chão do celeiro. Napoleão lia as ordens da semana num áspero estilo militar e, após cantarem uma única vez Bichos da Inglaterra, os animais se dispersavam.
No terceiro domingo após a expulsão de Bola-de-Neve, os bichos ficaram um tanto surpresos ao ouvirem Napoleão anunciar que o moinho de vento seria, afinal de contas, construído ( Lula – FHC - bolsa família). Não deu qualquer explicação sobre o motivo que o fizera mudar de idéia, apenas alertando os animais de que essa tarefa extraordinária significaria trabalho muito duro, podendo até ser necessário reduzir as rações.
Os planos, entretanto, haviam, sido elaborados até o último detalhe. Uma comissão especial de porcos trabalhara neles durante as três últimas semanas. A construção do moinho de vento, com vários outros melhoramentos, deveria levar dois anos.
Naquela tarde, Garganta explicou aos outros bichos, em particular, que Napoleão nunca foi a contra a construção do moinho de vento. Pelo contrário, ele é que advogara a idéia desde o início, e o plano que Bola-de-Neve havia desenhado no assoalho do galpão das incubadoras fora, na realidade, roubado dentre os papéis de Napoleão. O moinho de vento, era, em verdade, criação do próprio Napoleão.
- Por que, então - perguntou alguém -, ele tanto falou contra o moinho?
Garganta olhou, manhoso.
- Aí é que estava a esperteza do Camarada Napoleão - disse. - Ele fingira ser contra o moinho de vento, apenas como manobra para livrar-se de Bola-de-Neve, que era um péssimo caráter e uma influência perniciosa. Agora que Bola-de-Neve saíra do caminho, o plano podia prosseguir sem sua interferência. Isso era uma coisa chamada tática.
Repetiu inúmeras vezes "Tática, camaradas, tática!", saltando à roda e sacudindo o rabicho com um riso jovial. Os bichos não estavam muito certos do significado da palavra, mas Garganta falava tão persuasivamente e os três cachorros - que por coincidência estavam com ele - rosnavam tão ameaçadoramente, que aceitaram a explicação sem mais perguntas.
*** *** ***
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CAP. 4 (arquivo de 24 fev 2012)
Com o passar do inverno, Mimosa tornava-se mais e mais importuna. Todas as manhãs atrasava-se para o trabalho e desculpava-se dizendo que dormira demais. Queixava-se de dores - misteriosas, embora gozasse de excelente apetite. A qualquer pretexto largava o trabalho e ia para o açude, à beira do qual permanecia admirando sua própria imagem refletida nas águas.
Corriam também boatos de maior seriedade. Um dia, quando Mimosa entrou no pátio, toda contente, sacudindo a cauda e mascando um talo de feno, Quitéria abordou-a.
- Mimosa - disse ela -, tenho um assunto muito sério para falar-lhe. Hoje de manhã eu a vi olhando por cima da sebe que separa a Granja de Foxwood. Do outro lado estava um dos empregados do Sr. Pilkington. Ele - embora eu estivesse longe, tenho quase certeza de que vi isso - falava com você e fazia
festas em seu focinho. Que significa isso. Mimosa? - - . .
- Ele não fez! Eu não estava! Não é verdade! - gritou Mimosa, agitando-se e escarvando a terra. -
- Mimosa! - Olhe-me nos olhos. Você me dá sua palavra de honra de que o homem não lhe tocou no focinho?
- Não é verdade! - repetiu Mimosa, sem olhar Quitéria de frente; depois, virou-se e galopou para o campo.
Quitéria teve uma idéia. Sem dizer nada a ninguém, foi à baia de Mimosa e virou a palha com o casco. Ali estavam escondidos um montinho de torrões de açúcar e vários novelos de fitas de diversas cores.
Três dias mais tarde, Mimosa desapareceu. Durante algumas semanas ninguém teve notícias de seu paradeiro, até que os pombos trouxeram o informe de que a haviam visto na parte mais afastada de Willingdon, atrelada a uma bonita carroça vermelha e preta, em frente a uma estalagem. Um homem gordo, de rosto vermelho, calças xadrez e polaina, com todo o tipo de estalajadeiro, dava-lhe pancadinhas no focinho e oferecia-lhe torrões de açúcar. Seu pêlo fora recentemente rasqueteado e ela usava uma fita escarlate no topete. Parecia muito satisfeita, segundo disseram os pombos. Os bichos nunca mais falaram em Mimosa.
Em janeiro, o tempo piorou terrivelmente. A terra dura como ferro, não permitia o trabalho no campo. Houve muitas reuniões no celeiro grande, e os porcos passaram ao planejamento dos trabalhos a serem realizados na estação seguinte. Fora acertado que os porcos, sendo manifestamente mais inteligentes do que os outros animais, decidiriam todas as questões referentes à política agrícola da granja, embora suas decisões devessem ser ratificadas pelo voto da maioria. Essa combinação teria funcionado muito bem, não fossem as disputas entre Bola-de-Neve e Napoleão. Esses dois discordavam sobre todos os pontos em que a discordância era possível. Se um deles propunha o aumento da área de plantio de cevada, podia-se ter certeza de que o outro proporia uma área maior para o cultivo da aveia, e se um dissesse que tais e tais terrenos eram ótimos para plantar repolhos, o outro diria que não prestavam senão para mandioca. Cada um tinha seus seguidores e havia debates violentos. Nas reuniões, Bola-de-Neve freqüentemente obtinha a maioria, por seus discursos brilhantes, porém Napoleão era o melhor na cabala de apoio durante os intervalos. Obtinha êxito especial com as ovelhas. Ultimamente estas haviam criado o hábito de balir "Quatro pernas bom, duas pernas ruim" em ocasiões próprias ou impróprias, e muitas vezes interrompiam a reunião dessa maneira. Notou-se que mostravam especial disposição de atacar o "Quatro pernas bom, duas pernas ruim", justamente quando Bola-de-Neve chegava a um momento crucial em seus discursos.
Bola-de-Neve estudara atentamente alguns números atrasados da revista O Agricultor e o Criador de Gado, encontrados na casa-grande, e andava com a cabeça cheia de planos sobre invenções e melhoramentos. Falava com grande conhecimento de causa sabre drenagens, ensilagem, escórias básicas, e havia elaborado um complexo esquema segundo o qual os bichos evacuariam diretamente no campo, em lugares diferentes cada dia, para economizar o trabalho do transporte de esterco. Napoleão não criava projetos próprios, mas dizia com toda calma que os de Bola-de-Neve dariam em nada e parecia aguardar sua oportunidade.
De todas as divergências, porém, nenhuma foi tão séria como a do moinho de vento. Não muito longe das casas havia uma colina que era o ponto mais alto da granja. Depois de realizar uma pesquisa no solo, Bola-de-Neve declarou ser o local ideal para a construção de um moinho de vento, que poderia acionar um dínamo e suprir de energia elétrica toda a granja. As baias teriam luz elétrica e aquecimento no inverno, haveria força para uma serra circular, para moagem de cereais, para o corte da beterraba e para um sistema de ordenha elétrica. Os animais nunca tinham sequer ouvido falar nessas coisas (pois a granja era antiquada e sua aparelhagem das mais primitivas) e escutaram boquiabertos Bola-de-Neve fazer desfilar como por encanto, ante sua imaginação, as figuras dos aparelhos mais espetaculares, máquinas que fariam todo serviço em seu lugar, enquanto eles iriam aproveitar a folga pastando ou cultivando a mente, por meio da leitura e da conversação.
Em poucas semanas os planos de Bola-de-Neve para o moinho de vento estavam prontos. Os detalhes mecânicos foram retirados principalmente de três livros que haviam pertencido ao Sr. Jones - Mil Coisas Úteis para Sua Casa, Seja o Seu Próprio Pedreiro e Eletricidade para Principiantes.
Bola-de-Neve utilizou como estúdio um galpão que antes abrigara incubadoras e cujo piso era de madeira lisa, própria para desenhar. Lá permanecia horas a fio. Com os livros abertos sob o peso de uma pedra, e uma barra de giz entre as duas pontas do casco, andava rapidamente para lá e para cá, traçando linhas e mais linhas e soltando guinchos de excitação.
Gradualmente, os planos se transformaram numa complicada massa de manivelas e engrenagens que cobria quase metade do assoalho e que os outros animais achavam completamente ininteligível, mas impressionante. Pelo menos uma vez por dia, cada um vinha olhar os desenhos de Bola-de-Neve. Até as galinhas e os patos apareciam, pisando com grande dificuldade para não estragar os riscos de giz. Apenas Napoleão permaneceu desinteressado. Havia-se declarado contra o moinho de vento desde o início.
Um dia, entretanto, chegou inesperadamente para examinar os planos. Caminhou pesadamente em volta do galpão, olhou detidamente cada detalhe do projeto, farejou-o uma ou duas vezes, depois deteve-se a contemplá-lo por alguns instantes pelo canto dos olhos; então, inesperadamente, levantou a pata, urinou sobre os planos e caminhou para fora sem proferir palavra. A granja estava profundamente dividida com respeito ao moinho de vento. Bola-de-Neve não negava que sua construção resultaria em uma empresa difícil. Seria necessário quebrar pedras e transformá-las em paredes; depois, construir as pás; haveria necessidade de dínamos e fios (onde seriam encontrados, Bola-de-Neve não dizia). Mas afirmava que tudo poderia ser feito dentro de um ano. Depois disso - dizia -, os bichos economizariam tanta energia, que seriam necessários apenas. três dias de trabalho por semana.
Napoleão, por outro lado, argumentava que a grande necessidade do momento era aumentar a produção de alimentos e que morreriam de fome se perdessem tempo com o moinho de vento.
Os animais dividiram-se em duas facções que se alinhavam sob os slogans: "Vote em Bola-de-Neve e na semana de três dias" e "Vote em Napoleão e na manjedoura cheia".
Benjamim foi o único animal que não aderiu a lado nenhum. Recusava-se a crer, tanto em que haveria fartura de alimento, como em que o moinho de vento economizaria trabalho. Moinho ou não moinho, dizia ele, a vida prosseguiria como sempre fora - ou seja, mal.
Além da disputa sobre o moinho de vento, havia o problema da defesa da granja. Eles bem sabiam que, embora os humanos tivessem sido derrotados na Batalha do Estábulo, poderiam fazer outra tentativa, mais reforçada, para retomar a granja e restaurar Jones.
Tinham as melhores razões para tentar, pois a notícia, da derrota, se espalhara pela região e tornara os animais das granjas vizinhas mais rebeldes do que nunca. Como sempre, Bola-de-Neve e Napoleão não estavam de acordo. Segundo Napoleão o que os animais deveriam fazer era conseguir armas de fogo e instruir-se no seu emprego. Bola-de-Neve achava que deveriam enviar mais e mais pombos e provocar a rebelião entre os bichos das outras granjas.
O primeiro argumentava que, se não fossem capazes de defender-se, estavam destinados à submissão; o outro alegava que, fomentando revoluções em toda parte, não teriam necessidade de defender-se. Os animais ouviam Napoleão, depois Bola-de-Neve e não chegavam à conclusão sobre quem tinha razão; á verdade é que estavam sempre de acordo com, aquele que falava no momento.
Por fim, chegou o dia em que os planos de Bola-de-Neve ficaram prontos. Na Reunião do domingo seguinte deveria ser posta em votação a questão de começar ou não o trabalho no moinho de vento.
Quando os animais se reuniram no grande celeiro, Bola-de-Neve levantou-se e, embora fosse interrompido de vez em quando pelo balido das ovelhas, expôs suas razões em favor da construção do moinho de vento.
Depois levantou-se Napoleão para rebater. Disse calmamente que o moinho de vento era uma tolice, que não aconselhava ninguém a votar a favor daquilo. Sentou-se de novo; falara durante trinta segundos, se tanto, e parecia indiferente ao resultado.
Ante isso, Bola-de-Neve pôs-se de pé outra vez, calou a gritos as ovelhas que começavam a balir de novo e irrompeu num candente apelo em favor do moinho de vento. Até então, os bichos estavam quase igualmente divididos em suas simpatias, mas num instante de eloqüência Bola-de-Neve arrastou a todos.
Com sentenças ardentes, pintou um quadro de como poderia ser a Granja dos Bichos quando o trabalho sórdido fosse sacudido de sobre os ombros de todos. Sua imaginação ia agora além de moinhos de cereais e cortadores de nabos. A eletricidade - disse ele - poderia movimentar debulhadoras, arados, grades, rolos compressores, ceifeiras e atadeiras, além de fornecer a cada baia sua própria luz, água quente e fria, e um aquecedor elétrico. Quando parou de falar, não havia dúvidas quanto ao resultado da votação. Porém, exatamente nesse momento Napoleão levantou-se e, dando uma estranha olhadela de viés para Bola-de-Neve, soltou um guincho estridente que ninguém ouvira antes.
Ouviu-se um terrível ladrido lá fora e nove cães enormes, usando coleiras tachonadas com bronze, entraram latindo no celeiro. Jogaram-se sobre Bola-de-Neve, que saltou do lugar onde estava, mal a tempo de escapar àquelas presas. Num instante, saiu porta fora com os cães em seu encalço. Espantados e aterrorizados demais para falar, os bichos amontoaram-se na porta para observar a caçada. Bola-de-Neve corria pelo campo em direção à estrada, como só um porco sabe correr, mas os cachorros se aproximavam.
De repente ele caiu e pareceu que o apanhariam. Mas levantou-se outra vez e correu como um desesperado. Já os cães o alcançavam de novo. Um deles quase fechou as mandíbulas no rabicho de Bola-de-Neve, que o sacudiu bem na hora. Aí fez um esforço extremo e, ganhando algumas polegadas, enfiou-se por um buraco da sebe e sumiu.
Calados e aterrados, os animais voltaram furtivamente para dentro do celeiro. Logo chegaram os cachorros, latindo. A princípio ninguém pôde imaginar de onde tinham vindo - aquelas criaturas, mas o mistério logo se aclarou: eram os cachorrinhos que Napoleão havia tomado às mães e criado secretamente. Embora ainda não tivessem completado o crescimento, já eram uns cães enormes e mal-encarados como lobos. Permaneceram junto a Napoleão e notou-se que sacudiam a cauda para ele da mesma maneira como os outros cachorros costumavam fazer para Jones.
Napoleão, com os cachorros a segui-lo, subiu para o estrado, de onde o Major fizera seu discurso. Anunciou que daquele momento em diante terminariam as Reuniões dos domingos de manhã. Eram desnecessárias perdas de tempo. Para o futuro, todos os problemas relacionados com o funcionamento da granja seriam resolvidos por uma comissão de porcos, presidida por ele, que se reuniria em particular e depois comunicaria suas decisões aos demais. Os animais continuariam a reunir-se aos domingos para saudar a bandeira, cantar Bichos da Inglaterra e receber as ordens da semana; não haveria debates.
A despeito do estado de choque em que a expulsão de Bola-de-Neve os deixara, os bichos ficaram desalentados com aquela notícia. Vários teriam protestado, se conseguissem achar os argumentos. Até Sansão ficou um tanto perturbado. Murchou as orelhas, sacudiu o topete várias vezes e fez um esforço tremendo para pôr em ordem as idéias; mas afinal não conseguiu pensar nada para dizer. Alguns porcos, porém, tinham maior flexibilidade de raciocínio. Quatro jovens porcos castrados, colocados na primeira fila, soltaram altos guinchos de protesto e levantaram-se falando a um só tempo. Mas os cachorros, junto de Napoleão, soltaram um rosnado fundo e ameaçador, e os porcos calaram-se, sentando-se de novo. Aí estrondaram as ovelhas um formidável balido de "Quatro pernas bom, duas pernas ruim" (caso Serra – energúmenos) que durou cerca de um quarto de hora, acabando com qualquer hipótese de discussão. Mais tarde, Garganta foi mandado percorrer a granja para explicar a nova situação aos demais.
- Camaradas - disse -, tenho certeza de que cada animal compreende o sacrifício que o Camarada Napoleão faz ao tomar sobre seus ombros mais esse trabalho. Não penseis, camaradas, que a liderança seja um prazer. Pelo contrário, é uma enorme e pesada responsabilidade. Ninguém mais que o Camarada Napoleão crê firmemente que todos os bichos são iguais. Feliz seria ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, às vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, onde iríamos parar? Suponhamos que tivésseis decidido seguir Bola-de-Neve com suas miragens de moinho de vento - logo Bola-de-Neve ~ que, como sabemos, não passava de um criminoso?
- Ele lutou bravamente na Batalha do Estábulo - disse alguém.
- Bravura não basta - respondeu Garganta.
- A lealdade e a obediência são mais importantes. E quanto à Batalha do Estábulo, acredito, tempo virá em que verificaremos que o papel de Bola-de-Neve foi um tanto exagerado. Disciplina, camaradas, disciplina férrea! Este é o lema para os dias que correm. Um passo em falso e o inimigo estará sobre nós. Por certo, camaradas, não quereis Jones de volta, hem?
Uma vez mais esse argumento era irrespondível. Sem dúvida alguma, os bichos não desejavam Jones de volta; e se a realização dos debates do domingo podia ter essa conseqüência, que cessassem os debates.
Sansão, que já tivera tempo de pensar, expressou o sentimento geral: "Se é o que diz o Camarada Napoleão, deve estar certo." E daí por diante adotou a máxima "Napoleão tem sempre razão" acrescentando-a ao seu lema particular "Trabalharei mais ainda".
Já com o tempo melhor, iniciou-se a arada da primavera. O galpão em que Bola-de-Neve desenhara seus planos para o moinho de vento foi trancado e os desenhos provavelmente apagados. Todos os domingos, às dez horas, os animais reuniam-se no grande celeiro para receber as ordens da semana. A caveira do velho Major, já sem carnes, fora desenterrada e colocada sobre um toco ao pé do mastro, junto à espingarda. Após o hasteamento da bandeira, os animais deviam desfilar reverentemente perante a caveira, antes de entrar no celeiro. Já não sentavam todos juntos, como antes. Napoleão, Garganta e outro porco chamado Mínimo, dono de notável talento para compor canções e poemas, aboletavam-se sobre a parte fronteira da plataforma, os nove cachorros em semicírculo ao redor deles e os outros porcos atrás.
O restante dos animais ficava de frente para eles, no chão do celeiro. Napoleão lia as ordens da semana num áspero estilo militar e, após cantarem uma única vez Bichos da Inglaterra, os animais se dispersavam.
No terceiro domingo após a expulsão de Bola-de-Neve, os bichos ficaram um tanto surpresos ao ouvirem Napoleão anunciar que o moinho de vento seria, afinal de contas, construído ( Lula – FHC - bolsa família). Não deu qualquer explicação sobre o motivo que o fizera mudar de idéia, apenas alertando os animais de que essa tarefa extraordinária significaria trabalho muito duro, podendo até ser necessário reduzir as rações.
Os planos, entretanto, haviam, sido elaborados até o último detalhe. Uma comissão especial de porcos trabalhara neles durante as três últimas semanas. A construção do moinho de vento, com vários outros melhoramentos, deveria levar dois anos.
Naquela tarde, Garganta explicou aos outros bichos, em particular, que Napoleão nunca foi a contra a construção do moinho de vento. Pelo contrário, ele é que advogara a idéia desde o início, e o plano que Bola-de-Neve havia desenhado no assoalho do galpão das incubadoras fora, na realidade, roubado dentre os papéis de Napoleão. O moinho de vento, era, em verdade, criação do próprio Napoleão.
- Por que, então - perguntou alguém -, ele tanto falou contra o moinho?
Garganta olhou, manhoso.
- Aí é que estava a esperteza do Camarada Napoleão - disse. - Ele fingira ser contra o moinho de vento, apenas como manobra para livrar-se de Bola-de-Neve, que era um péssimo caráter e uma influência perniciosa. Agora que Bola-de-Neve saíra do caminho, o plano podia prosseguir sem sua interferência. Isso era uma coisa chamada tática.
Repetiu inúmeras vezes "Tática, camaradas, tática!", saltando à roda e sacudindo o rabicho com um riso jovial. Os bichos não estavam muito certos do significado da palavra, mas Garganta falava tão persuasivamente e os três cachorros - que por coincidência estavam com ele - rosnavam tão ameaçadoramente, que aceitaram a explicação sem mais perguntas.
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CAP. 4 (arquivo de 24 fev 2012)
O AUTO-ELOGIO DE DILMA NA ECONOMIST
Dilma Rousseff assina um artigo na edição especial O mundo em 2012 da revista The Economist, licenciada no Brasil para a Carta Capital. É assaz curioso ventilar hipóteses para uma revista séria como a Economist ser traduzida e licenciada pela Carta Capital no Brasil. A resposta aparece como óbvio ululante com poucas sinapses: os leitores da Carta Capital raramente lêem ou entendem os ensaios da Economist, e quando o lêem, pensam-nos como “idéias exploratórias que estão me mostrando para que eu discorde”.
Dilma Rousseff se rasga rendendo loas a si própria em seu artigo. Intitulado O modelo brasileiro, a presidente começa com o chavão “O mundo está mudando rapidamente.” É a última frase no artigo com a qual conseguimos concordar.
De acordo com a presidente, o mundo vive uma mudança nos centros econômicos mundiais, e o Brasil é um dos novos centros. É uma análise comumente feita, mas perspicaz em sua simploriedade. De todos os fatores que tornam o Brasil um importante pólo econômico hoje, o principal é sua enorme população, além de vastas áreas rurais que garantem um alto número de consumidores para quem quer investir, criar empresas, fazer negócios e ter alguma certeza de lucro, porque fatalmente alguém vai acabar entrando no seu mercado. Mesmo com carros populares custando o mesmo que sedans de luxo nos EUA ou outros países liberais, as cidades têm um trânsito impossível e estão entupidas: o Brasil, país riquíssimo, dá mais de um terço do que ganha para burocratas no governo em troca de muito pouco em serviços e muito em corrupção. Ainda assim, o mercado é fervilhante: 190 milhões de pessoas num país em ascensão não se despreza assim.
Compare-se o caso com outros países cuja ascensão nos últimos anos foi meteórica (ao contrário do Brasil, que se assemelha ao Pequeno Príncipe segurando um foguete com uma peneira, balangando as pernas tentando se acostumar com o vôo): Coréia do Sul, Singapura, Chile, Malásia, Dubai, Irlanda, Hong Kong. À exceção de Hong Kong e Malásia, são todos países de população diminuta, em que não se pensaria repentinamente como hipotéticos nomes de importância mundial para o comércio, pautando mercados de países de proporções continentais. Em compensação, é tirar a população do Brasil e… será que mesmo aproveitando só a área mais rica das cidades mais ricas, teríamos algo comparável a uma Coréia do Sul fazendo peso de “centro de desenvolvimento econômico”?
Dilma prossegue afirmando:
Mais importante, nos últimos oito anos, nós levamos mais de 40 milhões de brasileiros – quase o tamnho da população da Espanha – da pobreza para as classes médias, com acesso à saúde, educação, crédito e emprego formal.
Descontando os dados duvidosos após a palavra “pobreza”, Dilma deveria disfarçar mais ao manipular dados para favorecer a gestão petista: muito antes de Lula ter alguma chance de subir à Alvorada a pobreza já vinha diminuindo. Vide este estudo de Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques e Rosane Mendonça para o Ipea:
(CLIQUE SOBRE A IMAGEM)
Como se vê, a pobreza vem diminuindo, com seus percalços, desde antes da democratização, e é um tabu nacional lembrar qual foi o governo que começou a fincar uma estaca em seu tamanho. É difícil imaginar como seria diminuir a pobreza sem conquistas anteriores ao governo petista: sem o Plano Real, que provocou um boom, com um dos maiores saltos na diminuição da pobreza em dois anos (4,9% na redução de indigentes e nada menos que 7,8% da diminuição do número de pobres entre 1994 e 1996, um número inconfundivelmente maior do que qualquer período anterior analisado desde 77, descontando um discutível número do período militar).
Fora as turbulências nas crises (Tigres Asiáticos, México e Rússia), um detalhe curioso é que o número esconde o número total de pobres do Brasil: 1% em 1980 significa bem menos do que 1% hoje. Significa que muitos pobres saíram da pobreza: mas, ainda assim, não há uma diminuição tão grande do número de pobres conforme se pensa. Na verdade, muitas vezes o número total aumenta. No mais, a pobreza extrema simplesmente caiu no mundo inteiro com a abertura dos mercados – onde não caiu foi em países que não aderiram à liberdade econômica do capitalismo como a África subsaariana e ditaduras socialistas. Estas até hoje justificam sua miséria com “embargos econômicos” – esperam por um disk 1-800-AMERICA para se livrarem da miséria.
Há uma continuidade clara com o modelo anterior. É ótimo que ela exista – mas não dá grandes méritos a quem a continua, se seu discurso é e foi de rompimento. Há de discutir então a gestão de cada modelo. Tanto o PSDB quanto o PT privatizaram e criaram programas sociais. Por que um só é lembrado por uma coisa, e outro só pela outra?
Basicamente, o programa social do PT era a unificação de diversos programas da gestão tucana. Foi chamado de Fome Zero e quase rendeu um Nobel da Paz a Lula, após arrancar muitas lágrimas na Suíça em sua apresentação. O fiasco é conhecido: sua gestão baseava-se em taxas sobre gorjetas de restaurantes e outras idéias doidivanas. Mas até hoje você consegue fazer doações ao programa em agências do Banco do Brasil. É um grande ato de fé. O Bolsa Família causou o rompimento definitivo de Lula e Frei Betto – há explicação: unificava diversos programas geridos por Ruth Cardoso, os quais foram alvo de feroz crítica no período de oposição.
O custo de tais manobras foi elevado: a carga tributária média ficou em 33,47% na gestão Lula, contra já elevadíssimos 30,07% de FHC. Com maior carga tributária sobre mais pessoas que enriqueceram mais, faz muito sentido alardear que só durante os oito anos de gestão petista é que se fez tanto pelo país? Melhor nem comparar com outros dados, como, quem sabe, aumento do número de telefones por habitante em cada período (alguém tem coragem de averiguar este ótimo indicador de crescimento de renda?), queda da inflação, queda da evasão escolar, crescimento das matrículas nas universidades, crescimento do PIB em relação ao governo anterior (e o mais importante: quanto o PIB cresceu em relação ao mundo) e, sobretudo, aumento da dívida pública para se fazer tudo isso? Há uma tabelinha bem interessante aqui.
A presidente também espezinha as “economias avançadas”, afirmando que aumento de salários não substitui aumento de dívidas. Bastante curioso para quem se gaba de facilitar crédito, e para quem elogia um governo que deixou uma dívida de R$98,580 bilhões, comparada a R$56,082 de seu antecessor (quase duplicou). Que tal comparar o aumento do poder de consumo de sua gestão com a gestão passada, se é essa a lição que Dilma quer ensinar aos ensinadores? Basta lembrar do aumento da dívida interna, usado de maneira que deveria ser criminosa para vender a idéia falsa de que “quitamos a dívida externa”. Mas Dilma afirma que nosso modelo é “autoalimentável” e “focado no mercado interno”. Vamos perguntar pros chineses que compram nossa soja se a informação procede.
Há também o clichê de que mercados desregulamentados produzem instabilidade e desigualdade. O mercado financeiro é o mais regulamentado e estatizado de todos, estamos patinando nas últimas posições em liberdade econômica como todas as economias que estão precisando pedir dinheiro justamente para as mais liberais e, afinal, é preciso desconhecer bastante o sistema econômico para acreditar que a crise é culpa do capitalismo sem interferência do Estado – uma crise acontece quando gastamos mais do que arrecadamos, e qualquer empresa simplesmente vai à falência se assim atua – a não ser quando tem conchavo com o governo. Aí a conta é de todo mundo. Não parece ser o que está ocorrendo? E os próprios dados que comemora vieram atrelados à abertura do mercado. É difícil pescar uma contraditório?
O cuidado com as palavras é esmerado. Dilma comenta sobre “transferência governamental”. É um velho mito que precisa ruir: o governo não tem um centavo. O governo não transferiu nada do próprio bolso. Tudo o que o governo dá ele tira de alguém. Esse discurso costuma enganar muitos adolescentes que pensam em desigualdade e empresários que “visam o lucro”, e acreditam que monopólios do Estado na economia fazem com que políticos dêem dinheiro ao povo. É difícil imaginar o que são milhares de empregos públicos perto do que um simples banco ou empresa de telefonia consegue empregar – do zelador do prédio até o presidente, estariam todos desempregados, sem poder desfrutar da riqueza que só surge com a administração competente de todos organizados em uma empresa. É a sinergia do mercado. E só o maior banco da América Latina já tem como clientes exatamente o mesmo equivalente à população da Espanha que Dilma diz que seu governo tirou da pobreza. Será que são pessoas ainda abaixo da faixa da pobreza que fazem a máquina funcionar? E como ficam os primeiros empregos (não era nome de um falido programa estatal petista, aliás?) com telemarketing e derivados?
Não é senão a própria Dilma quem confirma:
Hoje o mercado do Brasil, em crescimento rápido, suporta o desenvolvimento autossustentável não só no Brasil, como em toda a nossa região.
O mercado, afinal, são as pessoas, não só as empresas. Não faz muito sentido trocá-lo por burocratas e acreditar que se conseguirá produzir riqueza que atingirá os pobres. Há conquistas sociais importantes a serem comemoradas, mas o auto-elogio de Dilma são apenas platitudes que não unem causa á conseqüência (pelo contrário, apenas joga ao ar premissas aleatórias sem algo que as una) bem afeito ao bom mocismo que domina o debate. Mas nada se sustenta a uma breve lufada de verdade.
Resta apelar para a evasão escolar (mais atenuada no governo tucano), igualdade sexual (como se Lady Gaga e a ondinha lésbica fosse obra do governo), o papel da mulher… mas quem disse que é a mulher que está galgando novos degraus? Basta observar os nomes das mulheres em sua gestão, a começar por ela própria: Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti… são sobrenomes facilmente encontráveis por aí? Também há uma grande predominância de sulistas. Será que há mais diferença entre uma mulher e um homem qualquer, ou entre um gaúcho cercado de colonização alemã e italiana e um paraense, sejam ambos homens ou mulheres? (vide o artigo Dilma e sua equipe ítalo-alemã, no Valor Econômico)
Dilma se aproveita de coincidências. Infelizmente, o que pode ser elogiado na gestão petista é derivado mesmo disso: ou alguém esquece do papel da internet nos últimos 10 anos, e atribui o quanto mudou nossas vidas ao PT? Por ora, prosseguimos com o mesmo: o PT fez coisas boas e novas – o problema é que as boas não foram novas, e as novas não foram boas.
10 de março de 2012
Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia.
Dilma Rousseff se rasga rendendo loas a si própria em seu artigo. Intitulado O modelo brasileiro, a presidente começa com o chavão “O mundo está mudando rapidamente.” É a última frase no artigo com a qual conseguimos concordar.
De acordo com a presidente, o mundo vive uma mudança nos centros econômicos mundiais, e o Brasil é um dos novos centros. É uma análise comumente feita, mas perspicaz em sua simploriedade. De todos os fatores que tornam o Brasil um importante pólo econômico hoje, o principal é sua enorme população, além de vastas áreas rurais que garantem um alto número de consumidores para quem quer investir, criar empresas, fazer negócios e ter alguma certeza de lucro, porque fatalmente alguém vai acabar entrando no seu mercado. Mesmo com carros populares custando o mesmo que sedans de luxo nos EUA ou outros países liberais, as cidades têm um trânsito impossível e estão entupidas: o Brasil, país riquíssimo, dá mais de um terço do que ganha para burocratas no governo em troca de muito pouco em serviços e muito em corrupção. Ainda assim, o mercado é fervilhante: 190 milhões de pessoas num país em ascensão não se despreza assim.
Compare-se o caso com outros países cuja ascensão nos últimos anos foi meteórica (ao contrário do Brasil, que se assemelha ao Pequeno Príncipe segurando um foguete com uma peneira, balangando as pernas tentando se acostumar com o vôo): Coréia do Sul, Singapura, Chile, Malásia, Dubai, Irlanda, Hong Kong. À exceção de Hong Kong e Malásia, são todos países de população diminuta, em que não se pensaria repentinamente como hipotéticos nomes de importância mundial para o comércio, pautando mercados de países de proporções continentais. Em compensação, é tirar a população do Brasil e… será que mesmo aproveitando só a área mais rica das cidades mais ricas, teríamos algo comparável a uma Coréia do Sul fazendo peso de “centro de desenvolvimento econômico”?
Dilma prossegue afirmando:
Mais importante, nos últimos oito anos, nós levamos mais de 40 milhões de brasileiros – quase o tamnho da população da Espanha – da pobreza para as classes médias, com acesso à saúde, educação, crédito e emprego formal.
Descontando os dados duvidosos após a palavra “pobreza”, Dilma deveria disfarçar mais ao manipular dados para favorecer a gestão petista: muito antes de Lula ter alguma chance de subir à Alvorada a pobreza já vinha diminuindo. Vide este estudo de Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques e Rosane Mendonça para o Ipea:
(CLIQUE SOBRE A IMAGEM)
Como se vê, a pobreza vem diminuindo, com seus percalços, desde antes da democratização, e é um tabu nacional lembrar qual foi o governo que começou a fincar uma estaca em seu tamanho. É difícil imaginar como seria diminuir a pobreza sem conquistas anteriores ao governo petista: sem o Plano Real, que provocou um boom, com um dos maiores saltos na diminuição da pobreza em dois anos (4,9% na redução de indigentes e nada menos que 7,8% da diminuição do número de pobres entre 1994 e 1996, um número inconfundivelmente maior do que qualquer período anterior analisado desde 77, descontando um discutível número do período militar).
Fora as turbulências nas crises (Tigres Asiáticos, México e Rússia), um detalhe curioso é que o número esconde o número total de pobres do Brasil: 1% em 1980 significa bem menos do que 1% hoje. Significa que muitos pobres saíram da pobreza: mas, ainda assim, não há uma diminuição tão grande do número de pobres conforme se pensa. Na verdade, muitas vezes o número total aumenta. No mais, a pobreza extrema simplesmente caiu no mundo inteiro com a abertura dos mercados – onde não caiu foi em países que não aderiram à liberdade econômica do capitalismo como a África subsaariana e ditaduras socialistas. Estas até hoje justificam sua miséria com “embargos econômicos” – esperam por um disk 1-800-AMERICA para se livrarem da miséria.
Há uma continuidade clara com o modelo anterior. É ótimo que ela exista – mas não dá grandes méritos a quem a continua, se seu discurso é e foi de rompimento. Há de discutir então a gestão de cada modelo. Tanto o PSDB quanto o PT privatizaram e criaram programas sociais. Por que um só é lembrado por uma coisa, e outro só pela outra?
Basicamente, o programa social do PT era a unificação de diversos programas da gestão tucana. Foi chamado de Fome Zero e quase rendeu um Nobel da Paz a Lula, após arrancar muitas lágrimas na Suíça em sua apresentação. O fiasco é conhecido: sua gestão baseava-se em taxas sobre gorjetas de restaurantes e outras idéias doidivanas. Mas até hoje você consegue fazer doações ao programa em agências do Banco do Brasil. É um grande ato de fé. O Bolsa Família causou o rompimento definitivo de Lula e Frei Betto – há explicação: unificava diversos programas geridos por Ruth Cardoso, os quais foram alvo de feroz crítica no período de oposição.
O custo de tais manobras foi elevado: a carga tributária média ficou em 33,47% na gestão Lula, contra já elevadíssimos 30,07% de FHC. Com maior carga tributária sobre mais pessoas que enriqueceram mais, faz muito sentido alardear que só durante os oito anos de gestão petista é que se fez tanto pelo país? Melhor nem comparar com outros dados, como, quem sabe, aumento do número de telefones por habitante em cada período (alguém tem coragem de averiguar este ótimo indicador de crescimento de renda?), queda da inflação, queda da evasão escolar, crescimento das matrículas nas universidades, crescimento do PIB em relação ao governo anterior (e o mais importante: quanto o PIB cresceu em relação ao mundo) e, sobretudo, aumento da dívida pública para se fazer tudo isso? Há uma tabelinha bem interessante aqui.
A presidente também espezinha as “economias avançadas”, afirmando que aumento de salários não substitui aumento de dívidas. Bastante curioso para quem se gaba de facilitar crédito, e para quem elogia um governo que deixou uma dívida de R$98,580 bilhões, comparada a R$56,082 de seu antecessor (quase duplicou). Que tal comparar o aumento do poder de consumo de sua gestão com a gestão passada, se é essa a lição que Dilma quer ensinar aos ensinadores? Basta lembrar do aumento da dívida interna, usado de maneira que deveria ser criminosa para vender a idéia falsa de que “quitamos a dívida externa”. Mas Dilma afirma que nosso modelo é “autoalimentável” e “focado no mercado interno”. Vamos perguntar pros chineses que compram nossa soja se a informação procede.
Há também o clichê de que mercados desregulamentados produzem instabilidade e desigualdade. O mercado financeiro é o mais regulamentado e estatizado de todos, estamos patinando nas últimas posições em liberdade econômica como todas as economias que estão precisando pedir dinheiro justamente para as mais liberais e, afinal, é preciso desconhecer bastante o sistema econômico para acreditar que a crise é culpa do capitalismo sem interferência do Estado – uma crise acontece quando gastamos mais do que arrecadamos, e qualquer empresa simplesmente vai à falência se assim atua – a não ser quando tem conchavo com o governo. Aí a conta é de todo mundo. Não parece ser o que está ocorrendo? E os próprios dados que comemora vieram atrelados à abertura do mercado. É difícil pescar uma contraditório?
O cuidado com as palavras é esmerado. Dilma comenta sobre “transferência governamental”. É um velho mito que precisa ruir: o governo não tem um centavo. O governo não transferiu nada do próprio bolso. Tudo o que o governo dá ele tira de alguém. Esse discurso costuma enganar muitos adolescentes que pensam em desigualdade e empresários que “visam o lucro”, e acreditam que monopólios do Estado na economia fazem com que políticos dêem dinheiro ao povo. É difícil imaginar o que são milhares de empregos públicos perto do que um simples banco ou empresa de telefonia consegue empregar – do zelador do prédio até o presidente, estariam todos desempregados, sem poder desfrutar da riqueza que só surge com a administração competente de todos organizados em uma empresa. É a sinergia do mercado. E só o maior banco da América Latina já tem como clientes exatamente o mesmo equivalente à população da Espanha que Dilma diz que seu governo tirou da pobreza. Será que são pessoas ainda abaixo da faixa da pobreza que fazem a máquina funcionar? E como ficam os primeiros empregos (não era nome de um falido programa estatal petista, aliás?) com telemarketing e derivados?
Não é senão a própria Dilma quem confirma:
Hoje o mercado do Brasil, em crescimento rápido, suporta o desenvolvimento autossustentável não só no Brasil, como em toda a nossa região.
O mercado, afinal, são as pessoas, não só as empresas. Não faz muito sentido trocá-lo por burocratas e acreditar que se conseguirá produzir riqueza que atingirá os pobres. Há conquistas sociais importantes a serem comemoradas, mas o auto-elogio de Dilma são apenas platitudes que não unem causa á conseqüência (pelo contrário, apenas joga ao ar premissas aleatórias sem algo que as una) bem afeito ao bom mocismo que domina o debate. Mas nada se sustenta a uma breve lufada de verdade.
Resta apelar para a evasão escolar (mais atenuada no governo tucano), igualdade sexual (como se Lady Gaga e a ondinha lésbica fosse obra do governo), o papel da mulher… mas quem disse que é a mulher que está galgando novos degraus? Basta observar os nomes das mulheres em sua gestão, a começar por ela própria: Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti… são sobrenomes facilmente encontráveis por aí? Também há uma grande predominância de sulistas. Será que há mais diferença entre uma mulher e um homem qualquer, ou entre um gaúcho cercado de colonização alemã e italiana e um paraense, sejam ambos homens ou mulheres? (vide o artigo Dilma e sua equipe ítalo-alemã, no Valor Econômico)
Dilma se aproveita de coincidências. Infelizmente, o que pode ser elogiado na gestão petista é derivado mesmo disso: ou alguém esquece do papel da internet nos últimos 10 anos, e atribui o quanto mudou nossas vidas ao PT? Por ora, prosseguimos com o mesmo: o PT fez coisas boas e novas – o problema é que as boas não foram novas, e as novas não foram boas.
10 de março de 2012
Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia.
CENAS OBSCENAS
No seu clássico “Vale Tudo” Tim Maia dizia que só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher, mas o verso valia como ritmo e sonoridade, não como discriminação, e ele logo completava, às gargalhadas: “Mas é só até as 21 horas, porque depois tá liberado geral!”.
É o tema musical das próximas campanhas municipais. O PT paulista quase “amanheceu de mão dada” com Kassab, numa ousada metáfora sexo-política de Marta Suplicy, que talvez prefira dar a mão a Netinho de Paula. O PR de Valdemar Costa Neto ameaça lançar Tiririca candidato para alguma coisa entre achaque, venda de tempo de TV e chantagem eleitoral. Mas quanto vale, e quanto pesa, um apoio desses? Que fins justificam esses meios? Nos jornais, Edinho Silva, presidente do PT paulista, exalta “a arte da política”. Mas se isso é arte, o que seria entretenimento? E pornografia?
No Rio, os jornais publicaram a cena obscena dos arqui-inimigos Cesar Maia e Garotinho abraçados, com seus sorrisos de jacaré, fingindo que esqueceram tudo que um já disse do outro nos últimos 20 anos, com acusadores e acusados chafurdando na mesma lama. Agora eles estão unidos por um nobre objetivo: ganhar a Prefeitura do Rio. Pela renovação dos quadros, injetam sangue novo na política, com a chapa Rodrigo Maia, filho de Cesar, para prefeito, e para vice, Clarissa, filha de Garotinho.
Realiza-se a nefasta profecia do humor carioca, feita no casamento do filho de Cesar Maia com a enteada de Moreira Franco, quando um grupo protestou na porta da igreja exibindo faixas de “Por favor, não procriem!” Agora são os frutos políticos da união dos Maias e Garotinhos que ameaçam o Rio de Janeiro, já tão infelicitado pela dupla de patriarcas.
Ainda bem que, salvo desastre catastrófico, o prefeito Eduardo Paes vai ser reeleito com uma maioria esmagadora. Porque a população do Rio de Janeiro está testemunhando a recuperação e o desenvolvimento da cidade, que vive um de seus melhores momentos, numa conjuntura econômica favorável, com apoio estadual e federal. E, apesar dos velhos e novos problemas, tem o seu melhor prefeito das últimas décadas.
10 de março de 2012
Nelson Motta
Fonte: O Estado de S. Paulo
É o tema musical das próximas campanhas municipais. O PT paulista quase “amanheceu de mão dada” com Kassab, numa ousada metáfora sexo-política de Marta Suplicy, que talvez prefira dar a mão a Netinho de Paula. O PR de Valdemar Costa Neto ameaça lançar Tiririca candidato para alguma coisa entre achaque, venda de tempo de TV e chantagem eleitoral. Mas quanto vale, e quanto pesa, um apoio desses? Que fins justificam esses meios? Nos jornais, Edinho Silva, presidente do PT paulista, exalta “a arte da política”. Mas se isso é arte, o que seria entretenimento? E pornografia?
No Rio, os jornais publicaram a cena obscena dos arqui-inimigos Cesar Maia e Garotinho abraçados, com seus sorrisos de jacaré, fingindo que esqueceram tudo que um já disse do outro nos últimos 20 anos, com acusadores e acusados chafurdando na mesma lama. Agora eles estão unidos por um nobre objetivo: ganhar a Prefeitura do Rio. Pela renovação dos quadros, injetam sangue novo na política, com a chapa Rodrigo Maia, filho de Cesar, para prefeito, e para vice, Clarissa, filha de Garotinho.
Realiza-se a nefasta profecia do humor carioca, feita no casamento do filho de Cesar Maia com a enteada de Moreira Franco, quando um grupo protestou na porta da igreja exibindo faixas de “Por favor, não procriem!” Agora são os frutos políticos da união dos Maias e Garotinhos que ameaçam o Rio de Janeiro, já tão infelicitado pela dupla de patriarcas.
Ainda bem que, salvo desastre catastrófico, o prefeito Eduardo Paes vai ser reeleito com uma maioria esmagadora. Porque a população do Rio de Janeiro está testemunhando a recuperação e o desenvolvimento da cidade, que vive um de seus melhores momentos, numa conjuntura econômica favorável, com apoio estadual e federal. E, apesar dos velhos e novos problemas, tem o seu melhor prefeito das últimas décadas.
10 de março de 2012
Nelson Motta
Fonte: O Estado de S. Paulo
LULA E O PT QUE O PARIU
Marta ainda poderá disputar a prefeitura de São Paulo, no lugar de Haddad.
(NÃO! NÃO É EM BENEFÍCIO DA PRETEITURA PAULISTA, MAS AO PARTIDO, O FAMIGERADO PT.)
Citando pesquisas mostrando que a senadora Marta Suplicy (SP) tem condições objetivas de superar o tucano José Serra, na disputa pela prefeitura paulistana, dirigentes petistas voltam a cogitar a substituição do pré-candidato Fernando Haddad.
Na primeira quinzena de janeiro, o PT discutia essa hipótese, mas Lula sufocou o movimento pedindo a Dilma para antecipar a demissão do então ministro da Educação.
Dirigentes do PT aguardam que Lula melhore de saúde para ponderar sobre o fiasco de Haddad e o risco de derrota anunciada para Serra.
Quando tentaram a substituição antes, petistas ligados a Marta Suplicy foram rechaçados por Lula, que prometeu apoiar Haddad “até o fim”.
O fraco desempenho de Haddad nas pesquisas não estimula a militância a pedir votos para um candidato em quem não acredita. Pesquisas encomendadas pelo PT confirmam que o amplo favoritismo de José Serra desaparece quando Marta Suplicy entra na disputa. A informação é de Cláudio Humberto.
SE LULA DESISTE DE HADDAD ESTÁ DESMORALIZADO. PROMETEU APOIO AO AMIGO E VOLTA ATRÁS. ALÉM DISSO FICA PROVADO QUE ELE NÃO AGREGA VOTOS. NÃO BASTA APENAS A INDICAÇÃO DELE PARA ALGUÉM GANHAR UMA DISPUTA.
(Desmoralizado já estaria pela quantidade de mentiras, contradições e trapalhadas antigas.)
SE ELE NÃO DESISTE SERÁ DERROTADO POR SERRA. É O COMEÇO DA DECADÊNCIA DO LULISMO. O REI ESTA NÚ E MUDO.
(Lula continua dando 'ordens', mas já foi derrotado por tantas frustrações seguidas (falta de interesse pelo filme com sua vida, seus fiéis eleitores não se desesperaram com sua saída da Presidência, demonstraram preferência por sua pupila nos 'ibopi', não saíram às ruas para orar por sua saúde, ele não pode sair na escola de samba que o apresentou como tema e, pior ainda, a escola ficou em quarto lugar dentre as outras escolas. Pelo jeito, ainda não se tornou decadente para o PT. Talvez porque o partido dependa de sua figura para se manter.)
10 de março de 2012
Artigo de Jorge Roriz
Comentários EM NEGRITO E ENTRE PARENTESIS
(NÃO! NÃO É EM BENEFÍCIO DA PRETEITURA PAULISTA, MAS AO PARTIDO, O FAMIGERADO PT.)
Citando pesquisas mostrando que a senadora Marta Suplicy (SP) tem condições objetivas de superar o tucano José Serra, na disputa pela prefeitura paulistana, dirigentes petistas voltam a cogitar a substituição do pré-candidato Fernando Haddad.
Na primeira quinzena de janeiro, o PT discutia essa hipótese, mas Lula sufocou o movimento pedindo a Dilma para antecipar a demissão do então ministro da Educação.
Dirigentes do PT aguardam que Lula melhore de saúde para ponderar sobre o fiasco de Haddad e o risco de derrota anunciada para Serra.
Quando tentaram a substituição antes, petistas ligados a Marta Suplicy foram rechaçados por Lula, que prometeu apoiar Haddad “até o fim”.
O fraco desempenho de Haddad nas pesquisas não estimula a militância a pedir votos para um candidato em quem não acredita. Pesquisas encomendadas pelo PT confirmam que o amplo favoritismo de José Serra desaparece quando Marta Suplicy entra na disputa. A informação é de Cláudio Humberto.
SE LULA DESISTE DE HADDAD ESTÁ DESMORALIZADO. PROMETEU APOIO AO AMIGO E VOLTA ATRÁS. ALÉM DISSO FICA PROVADO QUE ELE NÃO AGREGA VOTOS. NÃO BASTA APENAS A INDICAÇÃO DELE PARA ALGUÉM GANHAR UMA DISPUTA.
(Desmoralizado já estaria pela quantidade de mentiras, contradições e trapalhadas antigas.)
SE ELE NÃO DESISTE SERÁ DERROTADO POR SERRA. É O COMEÇO DA DECADÊNCIA DO LULISMO. O REI ESTA NÚ E MUDO.
(Lula continua dando 'ordens', mas já foi derrotado por tantas frustrações seguidas (falta de interesse pelo filme com sua vida, seus fiéis eleitores não se desesperaram com sua saída da Presidência, demonstraram preferência por sua pupila nos 'ibopi', não saíram às ruas para orar por sua saúde, ele não pode sair na escola de samba que o apresentou como tema e, pior ainda, a escola ficou em quarto lugar dentre as outras escolas. Pelo jeito, ainda não se tornou decadente para o PT. Talvez porque o partido dependa de sua figura para se manter.)
10 de março de 2012
Artigo de Jorge Roriz
Comentários EM NEGRITO E ENTRE PARENTESIS
TIRIRICA CANDIDATO. ESPECIALISTAS DIZEM QUE PODE CHEGAR A 20% DOS VOTOS
Certamente que o lançamento da candidatura do Deturpado Tiririca à prefeitura de São paulo foi um balão de ensaio que o PR soltou para sentir a repercussão que essa insanidade daria na opinião pública.
E pelo que parece a situação é mesmo preocupante. Tiririca pode chegar a 20% dos eleitores, e isso tira certamente votos principalmente do PT, onde tem a maior parcela de eleitores analfabetos de São Paulo.
É certo que o cacique do PR o abjeto Valdemar da Costa Neto, largou a candidatura do palhação para se vingar pela perda que o partido teve no bolo ministerial quando sentaram o pé no rabo do Alfredo Nascimento, para quem lembra, o segundo sinistro do DESgoverno das Ratazanas Vermelhas a perder a boquinha por denuncias de maracutaias. E com o Nascimento caiu uma corriola inteira de bandoleiros do PR que estavam empilhados no DNIT apenas para ...roubar.
E com essas mudanças certamente que o PR perdeu seu fluxo de caixa dois, e como o PT é um ajuntamento de bandidos, quando um da quadrilha cai os outros se afastam, e o ministério dos transportes perdeu prestígio e rentabilidade, além é claro do apoio dos PTralhas.
A cúpula do PR lança Tiririca com a intenção de chantagear o PT de SP. A invenção do Sebento, o tal ENEMHADDAD, não consegue subir nas pesquisas, o Sebento na base do vai não vai para a casa do caraleo, não pode subir em palanques para fazer comícios movidos a muitas cusparadas na cara do povão que vai prestigiar em troca de tubaína e sandubas de mortadela.
E com a entrada do Serra na disputa, e já com quase 40% das intenções de votos, é chegada a hora do nanico locador PR colocar o todo poderoso PT na parede, e as Ratazanas Vermelhas terão que arriar as calças e mostrar a bunda para Costa Neto. Que certamente e raposamente como é, vai enfiar até as bolas no rabicó dos PTralhas em busca de cargos, ou alguns beneficio$ pe$$oai$ em nome do partido.
E analisando pelo lado de eleitor, vemos que em toda essa movimentação em busca da prefeitura de SP, o que MENOS importa são os programas políticos, a ideologia e acima de tudo, a população.
Estão lá brigando feito hienas na carniça em busca de DINHEIRO, apenas isso, não é o cargo de prefeito que interessa, o que vale é todo benefício que o PR poderá tirar do PT ao aliar a ele e retirar a candidatura do Tiririca. E o PT por sua vez ajoelhado diante do anão de pires nas mãos pensando no seu projeto de poder, onde SP, tanto o estado, quanto a cidade, são os últimos bastiões a cairem para a avacalhação definitiva social, institucional, e moral do Brasil.
E a candidatura do palhaço deturpado virou moeda de chantagem entre o PR e o PT e no meio dessa barafunda...o eleitor burro de Banânia.
O mais patético é ver que o palhação que teve mais de 1.3 milhões de votos em SP está acreditando na possibilidade de sua eleição. Esquecem que os 1.3 milhões de idiotas que votaram no Tiririca o fizeram por serem absolutamente analfabetos políticos, só que SP é um dos estados mais politizados do país e o Tiririca pode ter um milhão de votos para a prefeitura, mas, para se eleger precisa de muito mais. E é justamente nesse muito mais que a porca torce o rabo.
A bomba PTralha de destruir candidaturas com coligações bizarras parece que vai explodir na cara do Sebentão e da sua invenção. O PCdoB vai de Netinho, o PR de Tiririca, e ainda tem o Russomano que até outro dia estava no PP que é do Maluf, e o Maluf virou amigo de infância do Sebento, lembram?
O Serra vai de Serra com apoio do Kassab e do DEM. E todos sabemos que em SP esse pessoal tem em média 40/50% dos votos, e os outros todos candidatos levarão o que poderia ser para o EnemHaddad.
O PT vai ter que ter muita estratégia e muita bondade financeira com essa camarilha de bandoleiros para conseguir apoio e a retirada das candidaturas que racham seus votos. E a campanha ainda nem bem começou e veremos o PT tendo que abaixar, e muito, para esses partidos de aluguel que resolveram aumentar o preço da "locação". Sem o Sebento, que parece estar com as patas na cova, e com essa estratégia de alianças até com o capeta, o PT vai ser engolido pelo próprio monstrengo que criou para chegar ao poder.
Mas não se surpreendam se até Junho ou Julho todos esses candidatinhos de ocasião não retirarem suas candidaturas em favor do ENEMHADDAD.
Esse é o jeito brasileiro de fazer política, onde o que menos importa são as idéias e os programas, o que vale é quanto que cada um pode lucrar em cada movimentação no sujo e bandido xadrez político que existe nesta pocilga.
E no mais...
10 de março de 2012
omascate
CHUTANDO O TRASEIRO DO PLANETA
O grande capital externo, sempre em conluio e parcerias com nossas elites, não começou a chutar o nosso traseiro justo agora no momento de preparação para esses dois gigantes eventos, Copa do Mundo e Olimpíada, envolvendo poderosos recursos públicos, interesses políticos e privados, internos e externos. Salvo as exceções, em todas as oportunidades os nossos grandes empresários sempre estiveram à frente de seus próprios interesses, pouco a ver com as prioridades e necessidades estratégicas e econômicas do Brasil, e de nosso povo.
No sistema democrático capitalista, as elites se beneficiam de todas as maneiras possíveis, seja nas crises ou nos bons momentos, sobrando muito pouco para o povo, além de ter que pagar todas as contas.
No auge da atual grande crise mundial do capitalismo, as grandes empresas, montadoras e bancos, teriam se beneficiado de um total mundial de cerca de US$ 17 trilhões, provenientes diretamente dos cofres públicos. E ainda ousam dizer que a iniciativa privada que é competente.
Sabe-se que a riqueza nasce do trabalho, e apesar disso, o trabalhador acaba ficando com muito pouco do que produziu. Por isso mesmo, continua pobre e morando mal. Sempre relegado e pagando a conta, de forma continuada, silenciosa e sistêmica, pelas mil manobras, leis e recursos criados pelas próprias elites, em nome do povo.
Derivam daí as escandalosas isenções e sonegações de impostos, incontáveis privilégios para os poderosos, gigantescas remessas de lucros para o estrangeiro, superfaturamentos e desnecessárias obras públicas, fantásticos incentivos financeiros e fiscais etc. Tudo, possibilitando gigantescas acumulações de riquezas em mãos de poucos.
Não bastassem essas gigantescas transferências de riquezas públicas para os poderosos, em determinadas situações de fragilidades políticas, as elites criam mecanismos de siderais transferências de riquezas públicas para seus cofres, num curtíssimo espaço de tempo, sem trabalho algum, como as ocorridas nas privatizações FHC/PSDB, com a entrega de riquíssimas empresas estatais a preços de bananas, que se, atualizados a valores de hoje, contabilizando todos os prejuízos diretos e indiretos, acreditem, folgadamente passaria dos R$ 10 trilhões.
Trocando em miúdos, a democracia capitalista é um sistema insano e sem maiores planejamentos, por isso mesmo, o Planeta possui 4 bilhões de pobres e de excluídos, conflitos e violências de todos os tipos e dimensões. Provavelmente, uma guerra nuclear, a qualquer hora dessas.
10 de março de 2012
Welinton Naveira e Silva
No sistema democrático capitalista, as elites se beneficiam de todas as maneiras possíveis, seja nas crises ou nos bons momentos, sobrando muito pouco para o povo, além de ter que pagar todas as contas.
No auge da atual grande crise mundial do capitalismo, as grandes empresas, montadoras e bancos, teriam se beneficiado de um total mundial de cerca de US$ 17 trilhões, provenientes diretamente dos cofres públicos. E ainda ousam dizer que a iniciativa privada que é competente.
Sabe-se que a riqueza nasce do trabalho, e apesar disso, o trabalhador acaba ficando com muito pouco do que produziu. Por isso mesmo, continua pobre e morando mal. Sempre relegado e pagando a conta, de forma continuada, silenciosa e sistêmica, pelas mil manobras, leis e recursos criados pelas próprias elites, em nome do povo.
Derivam daí as escandalosas isenções e sonegações de impostos, incontáveis privilégios para os poderosos, gigantescas remessas de lucros para o estrangeiro, superfaturamentos e desnecessárias obras públicas, fantásticos incentivos financeiros e fiscais etc. Tudo, possibilitando gigantescas acumulações de riquezas em mãos de poucos.
Não bastassem essas gigantescas transferências de riquezas públicas para os poderosos, em determinadas situações de fragilidades políticas, as elites criam mecanismos de siderais transferências de riquezas públicas para seus cofres, num curtíssimo espaço de tempo, sem trabalho algum, como as ocorridas nas privatizações FHC/PSDB, com a entrega de riquíssimas empresas estatais a preços de bananas, que se, atualizados a valores de hoje, contabilizando todos os prejuízos diretos e indiretos, acreditem, folgadamente passaria dos R$ 10 trilhões.
Trocando em miúdos, a democracia capitalista é um sistema insano e sem maiores planejamentos, por isso mesmo, o Planeta possui 4 bilhões de pobres e de excluídos, conflitos e violências de todos os tipos e dimensões. Provavelmente, uma guerra nuclear, a qualquer hora dessas.
10 de março de 2012
Welinton Naveira e Silva
A JUSTIÇA, A NOVA CRUZ DA SOCIEDADE CRISTÃ GAÚCHA
A decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça (TJ) é consequência de um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) e outras entidades, como os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais Somos e Nuances e a entidade feminista Themis. (Zero Hora ,7/3/2012)
A infeliz decisão do Conselho da Magistratura do TJ do RS DE RETIRAR OS CRUCIFIXOS, INCÔMODAS REFERÊNCIAS A JESUS CRISTO, de seus nobres postos de trabalho em todas as dependências jurisdicionais do Estado gaúcho, alimentou a sanha anti-homofóbica, cujo principal e verdadeiro objetivo é chegar ao poder discricionário máximo através de golpes mentirosos e ameaças processuais que rendem milhões às partes interessadas e seus procuradores.i>
ONGS pífias, que representam somente 2,3% da população brasileira, assustam a sociedade brasileira. A Justiça brasileira, seja aquela representada por juízes, sejam aquelas outras mascaradas sob nomes alternativos coletivos − verdadeiras ONGS governamentais que se imiscuem e ocupam postos na administração federal em nível de Ministérios, todas suspeitíssimas −, agora se transfigura e toma as medidas jurídicas típicas dos fascistas em movimento revolucionário. Não de repente, pois que batalha desde os tempos da tomada do poder da esquerda, governo FHC, mas inesperadamente, regredindo a um laicismo delirante.
Um grande passo foi dado na laicização compulsória da sociedade brasileira. Uma verdadeira castração religiosa está em curso.
A novel e ousada encomenda de um grupo alimentado pelo Tesouro Nacional, entretanto, já conhecia a decisão atual. Isso mostra bem o grau de lassidão moral e de abulia da extraordinária maioria de brasileiros, 90% de cristãos que se omitem assustados por não saberem a força que têm.
Mostra também o grau de concatenação das ações revolucionárias da Justiça tupiniquim (ou bolcheviquim) com setores minoritários que se tornam inimputáveis pela parceria e pela promíscua aliança com os três poderes, tudo muito acima da própria Constituição Federal.
Esta decisão, entretanto, prova qual o objetivo desses grupelhos minoritários: a destruição da religiosidade cristã e sua moral duas vezes milenar, e o próprio Estado de Direito, ora refém da truculência. A anti- homofobia e sua vontade legiferante sobre o país nada tem a ver com sexualidade ou direitos de homossexuais, como já se sabia. Tudo é uma questão de poder; um poder total, de um Estado Policial laico e lacaio da elite globalista mundial, que manda, não pede, o fim das religiões no mundo.
O fenômeno, portanto, é global; a vergonha, entretanto, é brasileira, tupiniquim e charrua, de juízes em tangas, pré-anchietanos selvagens ou pombalistas inflexíveis. Esse Conselho derruba por terra uma tradição de 500 anos para atender um pedido de uma minoria poderosa, barulhenta e chantageadora sustentada pelo governo federal, notório patrocinador de causas anti-tradicionais, anti-religiosas e anti-familiais. Amanhã Zero Hora, orgulhosíssima, estará propagandeando o aborto.
By the way, o sociólogo entrevistado por Zero Hora está redondamente enganado, ou finge estar enganado: o Estado brasileiro atual não é laico nem neutro, como ele diz. Pelo contrário, ele é parcial, anti-religioso, e se coloca contra a vontade do próprio povo que começa a ter a sua fé religiosa e suas crenças subtraídas.
Alguém pode argumentar que não existe o Estado “atual”, que o Estado é eterno, anterior e posterior a qualquer governo. É verdade, mas no Brasil o Estado, o Governo, e a Administração Pública se fundiram em um só ente nem tão abstrato assim como fantasia o “jesuíta” e o “católico” entrevistado. Desde que o país se tornou socialista é assim. A perseguição a símbolos religiosos estava anunciada por essa gente que adora a abstração do Estado, mas odeia a abstração da Fé de milhões de pessoas.
Até agora, 9/3/2012, nenhuma voz se articulou em defesa da permanência dos crucifixos. Apenas um padre se manifestou, contorcendo-se em escusas ao afirmar falsamente que a Igreja Católica acolhe os homossexuais.
O padre está enganado, ou a Igreja a que ele se refere não é mais a católica; certamente é a Igreja criada pelo Concílio Vaticano II, um simulacro socialista e ateu do catolicismo.
A Igreja Católica brasileira está paralisada, exangue, inerme, parasitada internamente. A Evangélica procura acentos no Congresso, logicamente atrelados ao governo socialista, ateu, e militante.
As raras exceções de bravos lutadores evangélicos e alguns padres católicos contra o aborto, a perseguição religiosa, e o poder discricionário de um braço do governo, ainda nos dão esperanças.
Repito novamente, a questão em jogo não apreciada pelo Conselho, é a descarada acometida contra a tradição judaico-cristã do mundo ocidental, e do Brasil em particular.
A própria Justiça está envenenada pelo Direito Alternativo ateu, socialista, e revolucionário. Uma nova geração de juízes e advogados trabalha pela Revolução anti-religiosa.
A propósito, hoje as mulheres, que ontem tiveram o seu Dia Mundial (dia criado pelas elites anti-religiosas globais, maçônicas e sionistas) são maioria nas universidades e faculdades de Direito.
Muitas delas são mulheres enganadas pelo discurso socialista dos direitos humanos, da cidadania, e da democracia. Foram molestadas intelectualmente nas Instituições do Direito Alternativo, e torturadas com o cheiro do rim podre do Che Guevara. Acabaram amando o Big Brother. O sentimento nobre e terno que tinham pela humanidade, logo foi invadido pela sedução ideológica, o descaminho socialista. Outras, entretanto, são militantes raivosas, verdadeiras amazonas de um matriarcado psicótico e totalitário. Tradição e costumes religiosos são heresias para essa gente.
Curioso: a imagem da reunião é contraditória; o Conselho se reúne e vota a expulsão dos crucifixos sob a égide de um crucifixo na parede.
A reunião deveria ser anulada por isso, ou a imagem é falsa, isto é, jamais sensibilizou a Magistratura gaúcha. Estarrece pensar que tudo pôde mudar tão rapidamente e insensivelmente com uma penada, uma decisão comprometida pela visão socialista da vida e dos costumes, inclusive religiosos do povo. Para isso teve que ser unânime e irrecorrível, para a alegria da mídia corporativa. A imagem é forte: seria esta uma decisão sob a égide de Cristo? Acho que nasceu um Anti-Cristo jurídico nesta sala neste dia.
O pior, porém, ainda está por vir. Essa decisão infantil, cruel, e insensível para com o povo cristão gaúcho, deitará raízes malignas por todas as áreas e instituições públicas do país. O método fascista não é novo: primeiro expulsam cruzes; depois os crentes na Cruz. Na Alemanha Nazista foi assim: primeiro queimaram símbolos e livros; depois queimaram as pessoas. Ter religião, especialmente cristã, será em breve proibido ou só será possível com a licença de grupos gays já transformados em agentes do Estado Laico, soldados de uma outra religião, uma verdadeira e maligna Anti-religião.
10 de março de 2012
Postado por charles london
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