"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 18 de março de 2013

ROMA: DILMA ENSINA O PAI NOSSO AO VIGÁRIO. AVE MARIA. AGORA VAI.

Dilma quer ensinar o Papa a rezar o Pai Nosso

Do alto de sua imensa sabedoria pontifícia, Dilma Rousseff, desembarcou em Roma aconselhando o novo papa.
De acordo com a Presidente do Brasil, Francisco tem uma “missão a cumprir”: não deve se restringir a defesa dos pobres e respeitar as opções de cada um. Não é nada, não é nada, trata-se de, no mínimo, um exemplo de que nem só o amor de Deus é infinito. Há casos em que a pretensão não respeita barreiras.
Embora de possibilidade remota, imagine qual seria a reação da Presidente, se Francisco dissesse que Dilma deve falar menos e fazer mais por seus compatriotas? A título de exemplo, basta lembrar a fúria de Dilma quando a revista The Economist ousou sugerir melhores caminhos – assunto que entende – para o desempenho pífio da economia brasileira.
Cristina Kirchner foi mais oportunista. Beijou a mão do Papa, no primeiro encontro entre o novo pontífice e um chefe de estado. Isso depois de, em um primeiro instante, ter levado hora e meia para formular comunicado oficial do seu governo para saudar a eleição de um papa…argentino!
É notório que as relações entre o casal Kirchner e o ex-Primaz da Argentina, Jorge Mario Bergoglio, nunca foram, por assim dizer, de afagos. Mas Papa é Papa e Presidente é Presidente. Eles não são só eles. A ficha caiu.
Seria muito pedir que Dilma ou um assessor não muito ocupado tivesse se dado ao trabalho de ler durante o voo para Roma o livro “Sobre El Cielo y La Terra”,melhor e mais extenso descritivo do vai na cabeça de Francisco até surgir mais ações e palavras.
A obra resume diálogo, um papo muito inteligente e aberto, de Bergoglio com um amigo, o rabino argentino Abraham Skorka.
Dá para comprar com um clique e a nove euros e uns quebrados na Amazon. A leitura dissipa adjetivos pré-fabricados sobre o novo papa. Melhor: evita chover no molhado. Quer dizer, ensinar o Pai Nosso ao novo vigário de Roma. Com pouquinho de boa vontade – e baixando a bola – pode-se até colher alguns ensinamentos preciosos. Aqui, vai um de Francisco sobre política e poder:
 
18 de março de 2013
Antonio Ribeiro

De Paris

movcc

 

DILMA PEDE EM ROMA COMPREENSÃO COM "OPÇÕES DIFERENCIADAS"


G1
A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (18), em Roma, que a posição do Papa Francisco de dar atenção aos pobres "é uma postura importante", mas que o mundo pede ainda que "as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas".
 
Ela conversou com jornalistas quando saía de um museu na capital italiana. Dilma chegou à Itália no domingo (17) para acompanhar a missa de início do pontificado de Francisco, a ser celebrada nesta terça (19).
 
"É claro que o mundo pede hoje, além disso [da preocupação com os pobres], que as pessoas sejam compreendidas e que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas", afirmou a presidente.
Petulância
 
Comentário: Quais são as opções diferenciadas a que essa senhora se refere? Seria por acaso, as opções do ABORTO, PEDOFILIA, CASAMENTO GAY e a DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA?
Fica de certa forma, incompreensível entender o que ela diz....Mas, fica visível que dona Dilma quer ser maior do que o PAPA FRANCISCO. Que vergonha!!!
 
18 de março de 2013
MOVCC

CONFERÊNCIA DA ONU USA DADOS ENGANOSOS PARA MOLDAR POLÍTICAS PÚBLICAS

   
          Artigos - Globalismo 
Enquanto as negociações se intensificavam durante a 57ª Comissão sobre a Condição das Mulheres (CCM), uma estatística sombria sobre violência contra as mulheres foi repetida nas salas da conferência e reportagens dos meios de comunicação. Às vezes era usada como base para promover o aborto. Contudo, é uma maliciosa distorção dos fatos. Sua autora, uma defensora do aborto, faz parte da delegação americana na CCM.

A Agence France-Press noticiou em 5 de março, o segundo dia da Comissão, “(A CCM) tem dado muita importância a um relatório do Banco Mundial que estima que mais mulheres de idades entre 15 e 44 anos são mortas violentamente do que morrem de malária, HIV, câncer, acidentes e guerra juntos.” A estatística é usada por múltiplas agências da ONU e aparece nos recursos oficiais da ONU para palestrantes. Em 13 de março, foi citada num editorial do jornal New York Times criticando a Santa Sé e seus aliados por se manterem firmes contra as campanhas feministas para transformar a reunião da CCM numa convocação para acesso mundial ao aborto.


A estatística, que aparece de muitas formas, apareceu pela primeira vez num documento de 1994 com a co-autoria de Adrienne Germain, ativista pró-aborto de longa data que atualmente está na delegação americana na CCM. Numa tabela do artigo, Adrienne e colegas comparam a violência doméstica e o estupro a uma seleção de outras causas de danos às mulheres em idade reprodutiva, confessando numa nota de final da página que a comparação é “para propósitos de ilustração”, pois a violência doméstica é analisada e classificada de forma diferente do resto dos dados na tabela.

A escolha do câncer e malária é igualmente enganadora. Dados do estudo Peso Global de Doença 2010 revelam que a maior parte dos danos causados por essas doenças ocorre fora da faixa etária dos 15 – 44. A comparação com o HIV é completamente incorreta e parece ter sido inventada por um jornalista da AFP. Sua inclusão é particularmente preocupante desde que o HIV subiu do 33º lugar de causa de peso de doença e morte em 1990 para o 5º lugar em 2004, onde permaneceu até 2000. Peso de doença é uma ferramenta usada em pesquisa de saúde pública para quantificar os efeitos combinados de deficiência, saúde debilitada e morte precoce.

Além de ser baseada numa comparação falha e ainda mais exagerada por reportagens noticiosas, essa estatística é baseada em dados do Banco Mundial de 1993, os quais são de antes da Conferência de População e Desenvolvimento (CPD) de 1994 e não incorporam os efeitos de campanhas feitas na ONU e dentro dos países membros e comunidades para lidar com violência contra as mulheres.

No documento de 1994 contendo a fonte da estatística, os autores lamentam o fato de que a definição da ONU de violência contra as mulheres “exclui leis, políticas e desigualdades estruturais que poderiam ser interpretadas como violentas (leis contra o aborto, políticas de ajustamento estrutural).” Adrienne Germain tem trabalhado com o Conselho de População, a Fundação Ford e a Coalizão de Saúde das Mulheres para promover acesso ao aborto no mundo inteiro eliminando as leis que protegem mulheres e bebês.

Num evento realizado durante o CCM, Saraswathi Menon, diretora de Divisão de Políticas Públicas da organização ONU Mulheres, expressou preocupação com a falta de estatísticas boas. “Quando importantes questões não são priorizadas na coleta de dados, então se torna fácil ignorá-las em discussões globais.”
“Dados ruins são realmente piores do que nenhum dado,” acrescentou a epidemiologista Henriette Jansen.


18 de março de 2013
Rebecca Oas
Tradução: Julio Severo
Publicado no 'Friday Fax' do C-FAM

EXÉRCITO CHINÊS COMANDA ONDA DE CYBERATAQUES CONTRA OCIDENTE

 
          Notícias Faltantes - Comunismo

Segundo relatório da Mandiant, empresa de segurança em Internet, uma unidade secreta do Exército Popular de Libertação (EPL) chinês é responsável por grande número de ataques informáticos contra empresas e organismos estatais nos EUA. (Leia o relatório clicando aqui.)

Segundo o documento, centenas de investigações realizadas nos últimos três anos mostram que as centrais responsáveis por ataques contra agências do governo, empresas e jornais americanos “estão baseadas principalmente na China e o governo chinês está bem informado disso”.

O governo socialista de Pequim, obviamente, nega as acusações presentes no relatório da Mandiant, que foi encomendado conjuntamente pelo conhecido jornal “The New York Times” e outros órgãos americanos de imprensa.

O trabalho rastreou os ataques e identificou a fonte: a Unidade 61398 do EPL, sediada em Xangai. O rastreio informático levou a um prédio de 12 andares localizado no bairro Pudong, centro financeiro de Xangai.

De acordo com a Mandiant, essa unidade do exército comunista está provavelmente integrada por milhares de empregados que dominam o inglês e as técnicas de programação e gestão de redes.

A unidade roubou, “desde 2006, centenas de terabytes de dados de pelo menos 141 organizações, que incluem um vasto conjunto de indústrias”, acrescenta.

A maioria das vítimas está instalada nos EUA, mas há alvos atingidos no Canadá e no Reino Unido. As informações surrupiadas incluem desde detalhes de operações empresariais, como fusões e compras, até e-mails de altos diretivos.

“A natureza da espionagem da Unidade 61398 é segredo de Estado na China. Porém, acreditamos que está envolvida na rede de Operações de Redes Informáticas danosas”, afirma o documento.

“Já é hora de admitir que a ameaça provém da China e queremos dar nossa contribuição armando e preparando profissionais de segurança para combatê-la efetivamente”.

O relatório focaliza particularmente o grupo que qualifica de APT1 –Advanced Persistent Threat (Ameaça Persistente Avançada) – que subtraiu enormes quantidades de informação de estruturas estratégicas, como da rede de energia elétrica dos EUA.

“Acreditamos que o APT1 seja capaz de levar adiante uma campanha de cyberespionagem tão longa e ampla essencialmente porque recebe apoio direto do governo”, diz Mandiant.

Nas últimas semanas, foram atribuídos a cyberterroristas chineses os ataques informáticos contra os jornais “The New York Times” e “Wall Street Journal”, bem como contra o Twitter.

O New York Times afirma que hackers roubaram chaves e acessaram computadores pessoais de 53 empregados, após o jornal publicar um artigo sobre a fortuna do primeiro-ministro marxista Wen Jiabao.

Obviamente, a China tem que recusar as acusações, dizendo-se ela mesma vítima de piratas não identificados.

Hong Lei, porta-voz do ministério de Relações Exteriores, partiu para a desclassificação e o menosprezo da denúncia, sem fornecer dados que contribuíssem a esclarecer os fatos.

“A crítica arbitrária, baseada em dados rudimentares, é irresponsável, não é profissional e não ajuda a resolver o problema. (…) A China se opõe categoricamente à pirataria”, garantiu ele a jornalistas, que tiveram de conter o riso. Acrescentou que o país socialista “é uma grande vítima dos cyberataques”, e que, “de todos os que sofrem a China, em primeiro lugar figuram os provenientes dos Estados Unidos”.

O Diário do Povo — órgão de propaganda do Partido Comunista Chinês — repetiu fielmente o script do governo, atacando os EUA por reavivarem “o medo da China” com o objetivo de “conter” a ascensão comunista.

Em resumo, a China continuará atacando o Ocidente.

18 de março de 2013
Luis Dufaur

O "BOTTLE NECK" DOS PORTOS BRASILEIROS

    
          Artigos - Governo do PT 
Enquanto o PT - ou o seu primo-irmão mais educado, o PSDB -, estiverem no poder e enquanto não surgir um partido que efetivamente defenda a economia de mercado, o custo Brasil nunca vai baixar para os níveis necessários, porque está diretamente relacionado com a forte presença do estado na economia.

1. A situação atual: ineficiência

Para mal de todos os consumidores e conhecimento geral da nação, nossa economia apresenta diversos gargalos ou pontos de estrangulamento - bottle necks -, que a impedem de crescer como poderia e como desejaríamos. Temos muitos bottle necks institucionais, como o desmedido peso do estado na economia, a burocracia desestimuladora do empreendedorismo, a elevadíssima carga de tributos, a complexa estrutura tributária, a falta de atendimento às regras básicas do princípio da subsidiariedade (já que, ao final e ao cabo, as decisões mais importantes são tomadas em Brasília), as mudanças frequentes de regras, os encargos trabalhistas e a sindicalização exacerbada, além de outros entraves. Mas não podemos esquecer-nos de que há consideráveis pontos de estrangulamento em nossa precaríssima infraestrutura: estradas, ferrovias, hidrovias, navegação de cabotagem, telecomunicações, aeroportos e portos. Com isso, o chamado custo Brasil vem sendo um dos principais responsáveis há bastante tempo pelas baixas taxas de crescimento econômico.

Comparado ao resto do mundo, o Brasil ocupa uma das piores posições no ranking de infraestrutura. A tabela abaixo nos dá uma pálida ideia de nossa ineficiência. (Os dados são de um decênio atrás, porque não encontrei números atualizados, mas podemos, com razoável probabilidade de acerto, supor que de lá para cá a situação não tenha melhorado e, com chance de acerto ainda maior, que tenha piorado).
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Uma vergonha geral em termos de infraestrutura! Mas vamos nos ater neste artigo ao enorme gargalo que são os portos brasileiros, que dificultam sobremaneira nossas exportações e importações e, portanto - já que nossa economia também é uma das mais fechadas do mundo -, nos deixam em situação ainda pior.

Um trabalho recente elaborado pela Diretoria de Desenvolvimento Econômico da Firjan, a “Nota Técnica nº 1”, de julho de 2012, chama a atenção para a situação dos portos brasileiros. De acordo com este estudo – por sinal, muito simples e bem elaborado, “os portos enfrentam diversos gargalos que afetam sua competitividade, que variam desde deficiências nos acessos marítimos e terrestres até a alta burocracia dos processos de entrada e saída de carga. Neste último quesito há um fator que não encontra par em nenhum dos principais portos do mundo: o não funcionamento das entidades anuentes nos portos durante as 24 horas do dia”.

Todos os principais portos do mundo operam 24 horas e as entidades envolvidas em sua operação acompanham esse funcionamento, o que garante que, a qualquer momento do dia ou da noite, as cargas possam ser desembaraçadas e liberadas para entrada e saída do país. Enquanto isso – por força e obra do movimento sindical que domina o setor -, nossos portos e as principais entidades anuentes – Docas, Anvisa, Ministério da Agricultura e Receita Federal – só funcionam em dias úteis e no horário comercial, sempre com paradas para almoço. Ah, claro, também para cafezinhos e comentários sobre futebol e samba...

A tabela seguinte, elaborada pelos técnicos da Firjan com base em informações das autoridades portuárias, confirma essa preocupante situação e nos deixa em situação difícil até em termos morais, porque um quadro desses dá a impressão de que nós, brasileiros, não gostamos de trabalhar, algo em que me recuso a crer. Mas é o efeito de uma combinação letal: estado de mais, “direitos sociais” aos funcionários públicos demais, burocracia demais, poder sindical de mais e anuência – para não dizermos conivência - do governo com as exigências, às vezes absurdas, dos sindicatos envolvidos no setor.
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É – como diria Nelson Rodrigues – óbvio e ululante que esse horário de funcionamento bem mais curto produz efeitos devastadores sobre o tempo médio de liberação de containers, principalmente naqueles que estão sujeitos a vistorias, o que faz com que a liberação demore em média 11 dias, dos quais 5,5 dias são desperdiçados apenas com toda a burocracia que cerceia o desembaraço. Ora – como frisa o estudo da Firjan: “Considerando o total de containers movimentados em 2011, devido ao elevado prazo de liberação, por dia ficaram parados nos portos brasileiros 3,9 mil TEUs, [twenty-foot equivalent unit, medida utilizada para a capacidade de transporte de containers] equivalente a mais do que a soma da movimentação de Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS), que registram respectivamente a segunda e a terceira maior movimentação de containers do Brasil. Com 5,5 dias de desembaraço de carga com inspeção física, o Brasil ocupa uma das piores colocações do mundo – correspondendo à 106ª posição no ranking de 118 países do Banco Mundial – contra a média mundial de 3 dias e abaixo da situação dos demais países dos BRICs.

É óbvio que quem acaba pagando essa conta é o consumidor brasileiro.
Urge, portanto, a implantação do funcionamento por 24 horas. Com essa medida, estima-se que o tempo total de liberação de containers com vistoria física cairia 50%, levando em conta os ganhos diretos, em termos de guichês abertos noite e dia, como também os ganhos indiretos, já que poderiam ser realizadas mais operações concomitantemente. Voltemos ao documento da Firjan:

Na prática, tal medida levaria a um impacto gigantesco: aumento de movimentação nacional da ordem de 1,9 mil TEUs/dia, [unidade que equivale a 20 pés, ou um container de 6 metros por dia], equivalente à movimentação somada dos portos de Paranaguá (PR) e Belém (PA) ou 1,7 vezes a movimentação do porto do Rio de Janeiro. Em termos de competitividade internacional, o tempo de inspeção física cairia de 5,5 dias para 2,7 dias, um avanço de quase 40 posições no ranking mundial – nos posicionando melhor do que a média mundial e de que os demais países dos BRICs”. [da 106ª para a 68ª posição] 
Ou seja, caso nossos portos adotassem o funcionamento por 24 horas, o tempo de desembaraço cairia mais do que pela metade! E conclui o estudo da Firjan:

Considerando que os principais portos e terminais do país estão próximos da saturação, é imperativo que sejam adotadas medidas urgentes para reverter esse quadro. Dessa forma, por garantir resultados no curto prazo, o funcionamento 24 horas dos órgãos anuentes nos portos se apresenta como o melhor caminho a ser seguido pelo país”.

(A fonte dessas informações é o Sistema Firjan, com dados do Logistics Performance Index (LPI) 2012, World Bank e considera 118 países cujos dados foram analisados pelo LPI).
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A Nota Técnica a que nos referimos no início, (“Qual o ganho de competitividade com o funcionamento 24 horas dos órgãos anuentes nos portos brasileiros?”) é parte da sugestão que a Firjan e a Fiesp entregaram ao governo federal no fim do ano passado para reivindicar a ampliação do horário de funcionamento de órgãos como Docas, Receita Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura.

Ainda de acordo com os estudos mencionados, com um tempo de inspeção de 2,7 dias, o Brasil ficaria abaixo da média mundial de três dias e também da média dos demais países dos BRICs.

Já existe amparo legal para a implantação do regime de funcionamento de 24 horas, inclusive nos domingos e feriados, nos órgãos anuentes dos portos, para produtos agrícolas, pecuários, matérias-primas minerais e pedras preciosas, que é a Lei 5.025/1966 [veja bem, são 47 anos!] mas esse instrumento legal vem sendo descumprido sistematicamente, pela pressão de sindicatos que, para garantir “direitos adquiridos”, acabam prejudicando os consumidores brasileiros. Bastaria, caso o governo manifestasse vontade e resistisse às chantagens eleitorais dos sindicatos, ampliar o alcance para os demais produtos, sem que isso acarretasse grandes custos adicionais.

2. A situação atual: como estão caminhando as reformas

O governo federal, na tentativa de atrair recursos privados para o setor, anunciou recentemente que faria licitações para a concessão e arrendamento dos portos brasileiros pela iniciativa privada, por meio da Medida Provisória 595, de 6 de dezembro de 2012, que visa aumentar a eficiência dos terminais brasileiros e realizar investimentos públicos e privados de 54,2 bilhões de reais no setor.

A MP 595 está perfeitamente dentro do jeito PT de privatizar, ou seja, o governo faz a concessão, mas mantém a propriedade do setor e a iniciativa privada entra teoricamente com os recursos, porque na prática aqueles empresários com bom trânsito político e que sempre têm amigos ou em Brasília ou no BNDES acabam tomando dinheiro subsidiado. E nós, consumidores, pagamos a conta.

Mas, mesmo com esse terrível defeito, que contraria todos os princípios da livre iniciativa e da economia de mercado, a medida, na pior hipótese, minoraria um pouco a enorme ineficiência de nossos portos.

Mas – no Brasil, quase sempre há um “mas” - como era de se esperar, a reação das federações de trabalhadores portuários e centrais sindicais foi de resistência, alegando que as mudanças introduzidas pela MP iriam “fragilizar as relações de trabalho da categoria”. Daí em frente, a história se repetiu: paralisações, greves e ameaças de mais paralisações e mais greves.

Até que, como sempre vai acontecer em um país que mais parece uma república sindical, o governo recuou e prometeu, na última semana de fevereiro, primeiro alargar o prazo das licitações previstos na MP e depois fazer diversas concessões aos portuários, acenando com incentivos fiscais e investimentos diretos para os terminais estatais, incluindo o Plano Nacional de Dragagem (R$ 3,8 bilhões), mais R$ 2,6 bilhões em acessos terrestres, o que totaliza R$ 6,4 bilhões do meu, do seu, do nosso dinheirinho...

O orçamento público que se dane, o importante é não perder o apoio político dos sindicalistas! O ministro da Secretaria dos Portos (eu nem sabia que existia esse posto, tantos são nossos ministérios!), tentando tapar o sol com uma peneira para lá de esburacada, declarou que “não houve recuo do governo, mas um acordo que mantém a essência do projeto”.

O argumento dos portuários e das centrais sindicais de que a aprovação da MP poderia causar desemprego no setor não tem o menor fundamento e chega a ser grotesco: como isso seria possível, se o regime de horas previsto iria aumentar e não diminuir e, consequentemente, a movimentação de carga também cresceria? Além disso, dos mais de 120 arrendamentos que a MP prevê sejam licitados, 42 são novos, o que certamente acarretaria mais (e não menos) empregos.

Mas mexer com privilégios no país dos privilégios é uma tarefa hercúlea, mesmo para o PT, que cresceu sempre à custa das “entidades” que, agora, lhe obstam os planos. O feitiço virou-se contra o feiticeiro e a serpente mordeu o próprio rabo.

O estágio atual, portanto, é de “negociações”, ou seja, a coisa está empacada, paralisada, estagnada. Todos estão, como se tornou hábito dizer, “sentados à mesa de negociações”. Muitos cafezinhos, muita água gelada, toda aquela lengalenga e neca de soluções.

2. A situação futura: só Deus sabe!

O futuro imediato não é tão incerto assim como se poderia pensar: enquanto o PT - ou o seu primo-irmão mais educado, o PSDB -, estiverem no poder e enquanto não surgir um partido que efetivamente defenda a economia de mercado, o custo Brasil nunca vai baixar para os níveis necessários, porque está diretamente relacionado com a forte presença do estado na economia. Sendo assim, mesmo que, após as negociações, venha a ser aprovado um arremedo de reforma portuária (a própria MP já é uma caricatura de uma verdadeira reforma), muito dificilmente a economia brasileira atingirá padrões de infraestrutura sequer médios em termos mundiais, incluindo-se aí, obviamente, os portos.

Dizem que um pessimista é um otimista bem informado. Às vezes penso que seria mais feliz se fosse mal informado. Enquanto o futuro de que o país precisa não vem, temos que esperar e, nessa espera, formar jovens que tenham seus pensamentos voltados para esse futuro e não para um passado de fracassos repetidos periodicamente. Uma geração que abandone definitivamente o delírio marxista de que capital e trabalho são inimigos e a alucinação keynesiana de que o estado deve ser “indutor” do progresso. Imagino que isto leve, pelo menos, 20 anos para acontecer.
Temos muito trabalho ainda pela frente e só Deus pode saber hoje se nosso esforço resultará em um Brasil melhor.

18 de março de 2013
Ubiratan Iorio

MARCO FELICIANO E O ÓDIO ANTICRISTÃO INSTANTÂNEO


          Notícias Faltantes - Perseguição Anticristã 
Vem se impondo sutilmente e cada vez mais uma mordaça anticristã. Qualquer opinião é aceita, desde que não seja a católica ou cristã.

A luz vermelha de alerta acendeu esta semana. A principal polêmica difundida pela mídia e pelas redes sociais foi a indicação e eleição do deputado e pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

Toda a celeuma se desenvolveu em cima de algumas declarações do pastor/deputado num outro momento e que muitos afirmaram serem racistas e contrárias aos homossexuais. Muito mais impactantes que as estranhas declarações do deputado foram as reações rapidamente disseminadas pela mídia, redes sociais e movimentos LGBTs. Marco Feliciano teve a vida revirada, e foi vítima das maiores infâmias e injustiças. Tudo isso em tempo recorde. Será isso apenas uma reação às declarações do deputado? Ou teria algo mais por trás de toda essa movimentação?

Marco Feliciano é cristão, e não obstante as reservas que tenho ao seu estilo, é notório que é um homem corajoso e não omite suas opiniões e que por conta disso mesmo nutriu todo esse ódio contra si. Ele não é apenas mais um cristão light, morno, que renuncia o que acredita para ser politicamente correto e consequentemente ser mais aceito pelas pessoas.

O ódio contra Marco Feliciano é, em última instância, um ódio contra a moralidade cristã e o contra o cristianismo em si. Não necessariamente quem não goste de Marco Feliciano seja anticristão. Não é isso. Na verdade, a maior parte das pessoas nesse caso age como inocentes úteis, simplesmente seguindo o fluxo, sem se questionar muito a esse respeito. Fazem isso porque acham que é importante estar em sintonia com a maioria do momento e pensar diferente, a esta altura, poderia trazer alguns incômodos, como críticas, rótulos ou mesmo a falta de aceitação. O que a grande maioria dos detratores de Marco Feliciano não sabe é que na raiz desse movimento há toda uma engenharia laicista e anticristã que deseja confinar o cristianismo à esfera privada, deixando-o irrelevante na sociedade, a começar pela legislação.

É isso que está acontecendo atualmente no Brasil. Vem se impondo sutilmente e cada vez mais uma mordaça anticristã. Qualquer opinião é aceita, desde que não seja a católica ou cristã. Basta aparecer um médico, deputado, pesquisador, ou juiz que seja cristão e que exponha sua opinião em coerência com seu credo, que já aparece alguém para rotulá-lo de religioso, como se ter fé o tornasse automaticamente um cidadão de segunda classe como menos direitos que os demais.

No caso específico do Marco Feliciano, ele se opõe ao PL 122 que quer criar superdireitos para os homossexuais. Esse projeto desejado pelos movimentos gays (e nem sempre pelos homossexuais) quer criminalizar a opinião daqueles que se manifestarem contra as práticas homossexuais. Uma verdadeira mordaça gay que se implantada neste país silenciará e punirá as vozes discordantes. Em suma: aí temos as sementes de uma possível ditadura laicista e anticristã.

Fica o recado: antes de sairmos replicando qualquer coisa por aí no afã de sermos bem aceitos ou de estarmos na moda, é preciso prestar muita atenção. Por trás das ações aparentemente mais inofensivas, reputações vão sendo destruídas e os valores que servem de base para nossa sociedade vão sendo minados. Sejamos mais prudentes, sobretudo em tempos de online e de real time.


18 de março de 2013
Luciano Perim Almeida
Fonte: Blog do Perim

COMUNICO E AGRADEÇO

 



Comunico a todos os amigos virtuais, e agradeço, principalmente à aqueles que assinaram uma petição por mim elaborada no AVAAZ, que a retirei da Internet depois de tomar conhecimento que essa organização no Brasil não tem nenhuma credibilidade e não passa de um chiqueiro alugado, é mais um veículo de comunicação a serviço do PT.
 
Dirigida nacionalmente por um picareta filiado a quadrilha do governo chamado Pedro Abramovay. Esse mau caráter foi quem levou ao Senado o resultado obtido com a petição contra Renan Calheiro. Tudo com uma única finalidade, tirar de foco o Exu de Garanhuns e sua puta.
 
Estou enviando esse email para milhares de internautas, para a direção do Avaaz, para a direção do PT, para o Senado, e espero chegue a Abramovay e se ele for homem procure me encontrar.
 
Por respeito aos meus amigos virtuais não posso dizer para onde ele vay mas pessoalmente, posso.

Humberto de Luna Freire Filho - CIDADÃO brasileiro sem medo de CORRUPTOS
 
(15 de março de 2013)
 
18 de março de 2013
in lilicarabina

IMPOSSÍVEL EXPULSAR EUROPEUS DA EUROPA


Caro Janer,

Nas últimas semanas li alguns livros que tratam de um tema que você já abordou até a exaustão, que é a capitulação do Ocidente diante do Islamismo. Li o Infiel, da Hirsi Ali, o Os últimos dias da Europa, do Laqueur, e outro, que não sei se você conhece, intitulado Murder in Amsterdam: The Death of Theo van Gogh and the Limits of Tolerance, do comentarista político holandês Ian Buruma. Dos três, o que menos gostei foi o do Buruma, que é um liberal (no sentido europeu, isto é, um esquerdista) moderado, mas que adota um discurso quase envergonhado, como que se desculpando por um problema do qual os europeus tem apenas uma pequena parte, que é a questão da integração dos imigrantes na Europa.

Ele fala o tempo todo do ressentimento que os marroquinos, em especial, mas também turcos e outros imigrantes sentem na Holanda porque os holandeses não os aceitam, isto é, não apadrinham muitas de suas práticas bárbaras em nome do tal multiculturalismo, e de como isso pode ser uma motivação para esses tipos agirem com violência contra uma sociedade a qual, essencialmente, não desejam se integrar. Ou seja, mais do mesmo do discurso de auto-ódio adotado por grande parte dos intelectuais ocidentais.

Mas há algumas partes curiosas no livro, como quando ele fala de alguns esquerdistas até mais fervorosos que ele, como uma amiga feminista que entrevista, que apesar de serem em favor do multiculturalismo, já estão percebendo a gravidade do problema do Islã na Europa. O livro foca na morte do Theo Van Gogh, mas também fala da Hirsi Ali (que alegou que muitas das coisas contidas no livro são inverdades) e do Pim Fortuyn, um político holandês assassinado em 2002 por um eco-terrorista. Mesmo com essas ressalvas, recomendo a leitura.

Além desses livros, também tenho lido muita coisa sobre uma possível reação por parte do Ocidente, principalmente através dos "Partidos pela Liberdade" que têm surgido na Europa, como o Partij voor de vrijheid (Partido pela Liberdade) holandês, liderado por Geert Wilders (que já tem um fatwa contra ele e anda o tempo todo rodeado de seguranças), um dissidente do partido Volkspartij voor Vrijheid en Democratie (Partido Popular pela Liberdade e Democracia) e amigo da Hirsi Ali, o British Freedom Party, que é liderado pelo Paul Weston e que tem esse nome graças ao Partido pela Liberdade holandês, o Die Freiheit na Alemanha, que surgiu logo em seguida ao debate sobre imigração gerado pelo Thilo Sarrazin e mais alguns espalhados pelo continente, mas que são todos partidos minoritários, exceção feita talvez ao do Wilders, que conseguiu números espetaculares nas recentes eleições parlamentares, mas que é um caso muito excepcional, já que é um "partido de um homem só", uma vez que o Wilders é quem decide tudo no partido, o que tem lhe garantido não poucas acusações de ser um autocrata.

Esses partidos são geralmente acusados de populistas e de serem da "extrema-direita", fascistas e outros absurdos, simplesmente porque clamam por maior supervisão e punições mais rigorosas contra as atitudes dos barbudos. Como você sempre escreve, é o ódio ao Ocidente herdado do marxismo.

Pois, a razão desta mensagem é para saber se você, diante dessas centelhas de resistência, acha ainda possível para a Europa evitar o inevitável, ou ao menos postergar a sua própria rendição. Devo ter lido todos seus textos sobre o tema do Islã na Europa postados no blog e seria interessante um comentário sobre uma possível, ainda que provavelmente fútil, reação do Ocidente à barbárie.

Ficarei no aguardo. E parabéns pelos ótimos textos sobre o Papa Paco e sobre a Yoani.

Abraço e até mais!

Thiago Silva


Meu caro Thiago:

A maioria dos imigrantes na Europa, hoje, tem passaporte europeu. Na França, já existe uma quarta geração de filhos de imigrantes, todos eles legitimamente europeus. Impossível mandar de volta a seu país de origem, ou ao país de seus ascendentes, uma pessoa que possui nacionalidade européia. No caso dos muçulmanos, eles não se adaptam ao novo país e querem importar seus costumes e legislação. Que importem costumes, vá lá, desde que não firam as leis locais, como é o caso da ablação de clitóris e infibuação da vagina. Mas eles não desistem. Querem criar um Estado dentro do Estado.

Thilo Sarrazin, ex-diretor do Bundesbank e membro do Partido Socialdemocrata Alemão (SPD), é bastante pessimista em seu livro Deutschland schafft sich ab (A Alemanha se destrói), que se converteu em um caso editorial sem precedentes e vendeu 1,2 milhão de exemplares na Alemanha, em apenas seis meses.

Para Sarrazin, a “Alemanha tem, desde os últimos 40 anos, uma taxa de nascimento de 1,4 criança por mulher; isto significa que a população alemã se torna cada vez menos a cada geração. A Espanha, apesar de anos de retardamento, tem o mesmo problema com os nascimentos. Ao mesmo tempo, a natalidade se distribui na Alemanha de maneira irregular nos distintos níveis de educação. Isto significa que os estratos sociais menos instruídos obtém uma maior média de nascimentos, e por esta razão o potencial da Alemanha se anula ainda mais rapidamente que a população.

Em terceiro lugar, o tipo de imigração que temos não é o adequado para resolver os problemas que nos afetam. Agora necessitamos apenas de trabalhadores qualificados. Se a taxa de nascimento dos imigrantes incultos, procedentes da Turquia e África, segue constantemente em alta, em poucas gerações a Alemanha terá uma maioria de população turca, árabe, africana e muçulmana. A gente que bebia no bar do Titanic tampouco se dava contas de nada: a orquestra tocava, todo mundo estava bem, e nas primeiras horas ninguém notou o problema. Apesar disto, estavam condenados à morte, porque a água continuava entrando na nave”.

Os europeus pouco reproduzem. E os muçulmanos estão usando, conscientemente, o ventre de suas mulheres como arma de conquista. Em breve estarão fazendo prefeitos e deputados e participando da elaboração de leis. Se sem função legislativa já querem impor a sharia, imagina quando tiverem poderes legais para tanto. Expulsos da Península Ibérica pela espada há cinco séculos, estão de volta usando a arma do multiculturalismo, criada aliás pelos próprios europeus.

A meu ver, as antigas esquerdas, não tendo conseguido destruir a Europa com o marxismo, tentam agora entregá-la aos muçulmanos, com novo jargão.


18 de março de 2013
janer cristaldo

NO PAÍS EM QUE A PRESIDENTE FALA "ESTRUPO" EM DISCURSO, QUALQUER ERRO É "RASOAVEL".


Recentemente, em cerimônia para mulheres no Planalto, Dilma lascou um "estrupo". Ninguém registrou, ninguém criticou, mas está no youtube. Agora leiam o que acontece no ENEM.
“Rasoavel”, “enchergar”, “trousse”. Esses são alguns dos erros de grafia encontrados em redações que receberam nota 1.000 no Exame Nacional de Ensino Médio 2012 (Enem). Durante um mês, O GLOBO recebeu mais de 30 textos enviados por candidatos que atingiram a pontuação máxima, com a comprovação das notas pelo Ministério da Educação (MEC) e a confirmação pelas universidades federais em que os estudantes foram aprovados. Além desses absurdos na língua portuguesa, várias redações continham graves problemas de concordância verbal, acentuação e pontuação.
Apesar de seguirem a proposta do tema “A imigração para o Brasil no século XXI”, os textos não respeitavam a primeira das cinco competências avaliadas pelos corretores: “demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita”. Cada competência tem a pontuação máxima de 200 pontos. Segundo o “Guia do participante: a redação no Enem 2012”, produzido pelo MEC, os 200 pontos na competência 1 são atingidos apenas se “o participante demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita. (...) Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta”.
O manual aponta, entre os desvios mais graves, erros de grafia, acentuação e pontuação. Na mesma redação em que figura a grafia “rasoavel”, palavras como “indivíduos”, “saúde”, “geográfica” e “necessário” aparecem sem acento. E ao menos dois períodos terminam sem o ponto final.
Em outro texto recebido pelo GLOBO, aparecem problemas de concordância verbal, como nos trechos “Essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão” e “os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (sic)”. O mesmo candidato, equivocadamente, conjuga no plural o verbo haver no sentido de existir em duas ocasiões: “É fundamental que hajam (sic) debates” e “de modo que não hajam (sic) diferenças”.
Uma terceira redação nota 1.000 apresenta a grafia “enchergar”, além de problema de concordância nominal no trecho “o movimento migratório para o Brasil advém de necessidades básicas de alguns cidadãos, e, portanto, deve ser compreendida (sic)”. Em outro texto, além da palavra “trousse”, há ausência de acento circunflexo em “recebê-los” e uso impróprio da forma “porque” na pergunta “Porém, porque (sic) essa população escolheu o Brasil?”.
Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto diz que essas redações não deveriam receber a pontuação máxima. — A atribuição injusta do conceito máximo a quem não teve o mérito estimula a popularização do uso da língua portuguesa, impedindo nossos alunos de falar, ler e escrever reconhecendo suas variedades linguísticas. Além disso, provoca a formação de profissionais incapazes de se comunicar, em níveis profissional e pessoal, e de decodificar o próprio sistema da língua portuguesa — aponta Moraes Neto.
Claudio Cezar Henriques, professor titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Uerj, reitera que, ao ingressar na universidade, esses alunos terão de se ajustar às normas da língua de prestígio acadêmico se quiserem se tornar profissionais capacitados. Ele observa que a banca corretora não usa o termo “erro”, mas “desvio”, algo que, segundo ele, é “eufemismo da moda”. — A demagogia política anda de braço dado com a demagogia linguística. É preciso lembrar que as avaliações oficiais julgam os alunos, mas também julgam o sistema de ensino. Na vida real, redações como essas jamais tirariam nota máxima, pois contêm erros que a sociedade não aceita. Afinal, pareceres, relatórios, artigos científicos, livros e matérias de jornal que contiverem esses desvios/erros colocarão em risco o emprego de revisores, pesquisadores e jornalistas, não é? — ele indaga.
Logo que o MEC liberou a consulta ao espelho da redação, em fevereiro, o site do GLOBO publicou uma reportagem pedindo que estudantes enviassem redações com nota 1.000, junto com seus comprovantes. O objetivo era expor os bons exemplos no site. Porém, ao ler as redações, a equipe percebeu erros gritantes em várias dissertações. Foram enviadas ao MEC, então, quatro delas. Para não expor os alunos, os textos foram digitados, e as informações pessoais (nome, CPF e número de inscrição), omitidas. O GLOBO perguntou se os desvios não desrespeitavam os critérios estabelecidos pelo manual do MEC, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep) alegou que não comenta redações: “por respeito aos participantes, a vista pedagógica é dada especificamente a quem prestou o exame”.
Segundo o Inep, “uma redação nota 1.000 deve ser sempre um excelente texto, mesmo que apresente alguns desvios em cada competência avaliada. A tolerância deve-se à consideração, e isto é relevante do ponto de vista pedagógico, de ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”.
Sobre os critérios usados na correção da redação do Enem 2012, estabelecidos pela coordenação pedagógica do exame, a cargo de professores doutores em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), o Inep informa que a análise do texto é feita como um todo.
Segundo a nota, “um texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua portuguesa”. ( O Globo)
 
18 de março de 2013
in coroneLeaks

A FÁBULA DA "ROUPA NOVA DO IMPERADOR"

OU  "OS NÚMEROS SÃO COMO BAIONETAS.PODE-SE FAZER TUDO COM ELES, MENOS SENTAR EM CIMA."

 
Na fábula de Hans Christian Andersen apenas as pessoas inteligentes poderiam ver o tecido especial (que não existia) com o qual se faria a "roupa nova do imperador". Mas sem ser avisada, uma criança notou que o imperador estava sem roupa. Desde a sua criação em 1990, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem feito o papel da criança na fábula ao chamar a atenção das sociedades para como elas estão "vestindo-se" com as peças básicas do desenvolvimento humano.

Com a notícia oficial de que o Brasil continua estável no ranking do IDH, parece que o imperador continua vestido, mas uma olhada mais detalhada nos números trazidos pelo IDH e sua nova metodologia sugere pelo menos a existência de três conjuntos de razões para preocupar-nos com a roupa do imperador, mesmo correndo o risco de parecermos pouco inteligentes para a corte.

O primeiro conjunto de razões é sobre a tendência agregada do ranking do Brasil no longo-prazo.


Quando comparamos a evolução do IDH desde a sua criação notamos que o Brasil já esteve muito melhor posicionado no ranking, por exemplo 51º em 1990, 58º em 1996 e 63º em 2005.
De fato, desde esse último ano, o ranking do Brasil no IDH vem caindo, atingindo o seu ranking mais baixo de toda a história justamente em 2012. Pode-se contra-argumentar que em outros anos não foram incluídos 187 países como em 2012 e 2011 (a média histórica é de 175 países), mas o fato é que a maior parte das inclusões ao longo do tempo foram abaixo do Brasil.

Enquanto o país não investir pesadamente em saúde e educação, não haverá evolução relativa no ranking. Nos últimos 10 anos, o Peru ultrapassou o Brasil no ranking e em 2012 o Brasil ultrapassou o Equador.

Outros países, aparte das quedas da Argentina e Costa Rica, se mantiveram estáveis no ranking, o que não é uma boa notícia para o Brasil:
a desaceleração do crescimento do IDH do país é mais significativa do que a de outros países latino-americanos e não se vislumbra possibilidades do Brasil alcançar o IDH de países como Chile,
Argentina,
Uruguai,
Cuba,
Panamá,
México,
Costa Rica e mesmo Venezuela no médio prazo.

Argumentos do tipo "a taxa de crescimento do IDH brasileiro de 1990 a 2012 foi de 24%, maior que a do Chile, Argentina e México" infelizmente ignoram que se considerados outros períodos, por exemplo nos últimos 5 anos, a taxa de crescimento do IDH da Argentina e de outros 7 países latino-americanos é superior a do Brasil.

O problema não é que o Brasil não tenha melhorado no longo-prazo, o problema é a desaceleração recente do crescimento do IDH brasileiro, principalmente levando-se em consideração que países como o Brasil na 85º posição deveriam crescer mais do que países como Chile (40º) e Argentina (45º) pela simples razão que têm mais espaço para crescer dentro da escala zero a um do IDH.

O segundo conjunto de razões é sobre as deficiências estruturais que seguem no país, principalmente nas áreas da saúde e da educação. Dentro de um conjunto de 12 países latino-americanos que estão no mesmo grupo de desenvolvimento do Brasil, mais Chile e Argentina, pode-se notar que o Brasil é o país que tem a taxa de expectativa de vida mais baixa de todos.

Enquanto vivemos em média 74 anos, pessoas que vivem no Chile vivem 79,3 anos, na Argentina 76,1 anos, no Uruguai 77,2 anos, etc.

O Brasil é um dos países latino-americanos onde a distribuição da expectativa de vida é mais desigual, com perdas de 14,4% no IDH-saúde.

Também é o país com o pior índice de satisfação com a saúde, com apenas 44% de aprovação. Na educação, temos a maior taxa de abandono do primário (24,3%) e uma das menores taxas de matrícula no terciário (36,1%) dentre os países latino-americanos no mesmo grupo de desenvolvimento.

O dados do IDH revelam que enquanto o país não investir pesadamente em saúde e educação, não deve haver evolução relativa no ranking do IDH.
Associado ao primeiro conjunto de razões, não deve haver convergência também em relação aos países latino-americanos melhor posicionados no ranking.

O terceiro conjunto de razões é metodológico.
Atualmente há muita dificuldade para se entender e interpretar o índice.
Existem dois problemas principais que explicam essa dificuldade:
o IDH passou a ser calculado em 2010 a partir de "postos variáveis", isto é, com base nos valores máximos e mínimos observáveis anualmente para todos países.

Com isso, o valor absoluto per se do IDH deixou de ter valor.
É preciso agora um recálculo do índice para que ele possa ser comparado ano a ano. E aí vem o segundo problema.

Quando esse recálculo é feito, grande parte da variação do IDH que poderia ser observada esse ano (já que não foi registrada no ano anterior), fica computada no ano contra-factual, ou seja, no ano ajustado, que de fato nunca existiu e nem vai existir. O recálculo do valor absoluto do índice em si não é o problema, mas o do ranking sim.
Com isso passa desapercebida a queda do Brasil no ranking do IDH no longo prazo. Por que não dizemos que caímos uma posição no ranking em 2012 e caímos 11 posições em 2011? (parcialmente pela entrada de 7 novos países a frente do Brasil?) Fica o medo talvez de dizermos que o imperador está sem roupa.

Seria injusto qualificar os programas sociais brasileiros de uma "linda roupa" feita com o tecido especial do alfaiate de Christian Andersen. Há muita coisa boa feita no país e elogios são devidos às várias políticas públicas nacionais, principalmente as que se preocupam com as pessoas mais pobres.

A questão não parece ser "o quê", mas o "como" dessas políticas, porque vistas sob a ótica do IDH elas têm produzido o impacto do imperador sem roupa. Possivelmente os programas sociais focam demais na renda como critério de seleção e avaliação de impacto dos mesmos.

Moral da história:
olhe, olhe de novo, olhe de novo, de novo, precisamos da coragem das crianças e do que é dito pelo IDH para que enfrentar o óbvio e para que todos tenhamos um futuro melhor no nosso país.


O IDH e o conto do imperador sem roupa
Flavio Comim Valor Econômico Flavio Comim é professor de economia da UFRGS e da Universidade de Cambridge.
18 de março de 2013

EM MATÉRIA DE SAÚDE A CASTA DAS NULIDADES SEM SUS (TO) É MUITO BEM AMPARADA.

                                    
Despesas médicas do Senado triplicam em uma década

 
O uso de dinheiro público para pagar as despesas médicas do Senado quase triplicou entre 2003 e 2012. O cálculo é atualizado, ou seja, a inflação do período já está descontada.

Os gastos, que superam meio bilhão de reais numa década, incluem despesas dos atuais 81 parlamentares, seus dependentes e ex-parlamentares, além dos 6.300 funcionários e pensionistas.

No ano passado, o último da gestão José Sarney (PMDB-AP) à frente do Senado, o desembolso bateu o recorde da década:
R$ 115,2 milhões dos cofres federais.
O aumento foi de 38% em relação a 2011, quando o desembolso chegou a R$ 71,3 milhões.

Em 2012, as consultas e exames feitos pela estrutura do Senado ou fora dele ultrapassaram em R$ 10 milhões o orçamento previsto para custeio médico, cujo valor era de R$ 105,2 milhões. Trata-se de um orçamento maior do que o reservado em 2012 pelo Ministério da Educação para o Hospital Universitário de Brasília (HUB), vinculado à Universidade de Brasília (UnB), de R$ 88,7 milhões.
Aliado de Sarney e alvejado por uma ação penal e uma série de protestos online, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) voltou ao comando da Casa no início de fevereiro tentando criar uma agenda positiva com o anúncio de uma reforma administrativa que prevê o fim do atendimento ambulatorial do serviço médico do Senado para servidores e senadores.

Funcionários da Secretaria de Assistência Médica e Social (SAMS) do Senado, onde são realizados os atendimentos, disseram ao Estado que o serviço funcionará só até sexta-feira, para atender aos exames e às consultas que estavam agendados.

Emergência. Com a extinção do departamento, apenas o atendimento de emergência será mantido no Senado, cedendo parte do corpo funcional para o governo do Distrito Federal. Renan informou, por meio da assessoria de imprensa, que vai reduzir "drasticamente" despesas com assistência médica com medidas futuras.

Ele não quis adiantar quais serão as mudanças.

Servidores e usuários do serviço médico já fizeram protestos e o sindicato da categoria recorreu à Justiça para impedir a mudança, que, pelas contas de Renan, vai gerar uma economia de R$ 6 milhões por ano. Se comparada com a previsão de gastos para os serviços médicos este ano, que é de R$ 105,2 milhões, a economia será apenas de 5,7%.

O orçamento total do Senado este ano é de R$ 3,54 bilhões.
A explosão de gastos do Senado foi detectada após consulta no Siga Brasil, o banco de dados de acompanhamento da execução orçamentária da Casa. Em 2003, os registros oficiais apontam uma despesa de R$ 24,7 milhões. Se aplicada a inflação do período, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o valor passa para R$ 40,8 milhões.

O gasto, ainda assim, é quase duas vezes menor que o atual.
Questionado via Lei de Acesso à Informação Pública sobre o motivo do aumento dos gastos com as despesas médicas nos últimos dois anos, o Senado explicou que, em 2011, houve um corte na rubrica do orçamento.

Por essa razão, informou, as despesas com assistência médica precisaram ser custeadas por um fundo reserva, constituído pelas contribuições mensais e participações dos servidores para o Sistema Integrado de Saúde (SIS), o plano de saúde dos funcionários.

Isso gerou, de acordo com a Casa, a grande diferença de despesas de um ano para o outro.

Ao confrontar as informações com o Orçamento da União, no entanto, o Estado não encontrou a realidade informada pelo Senado.

Ao contrário.
De 2010 para cá, a rubrica "assistência médica" tem sido privilegiada com cada vez mais verba - o valor disponível é apenas uma referência para os gastos, que ora são menores do que está na rubrica, ora são maiores.

A peça aprovada pelo Congresso na terça-feira mantém os R$ 105 milhões inicias do ano passado, valor que acabou sendo extrapolado.
Intimidade.

Em relação ao fato de o ano passado ter atingido o valor mais elevado com despesa de saúde na década, o Senado disse que os gastos são variáveis, mas não podem ser detalhados em respeito à "proteção legal à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas".

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
DÉBORA ÁLVARES E RICARDO BRITO
18 de março de 2013

"ESCRUPULOSO" OU MAIS UM PARTIDÁRIO DA VELHACARIA DAS ENTRANHAS DA CASA DAS NULIDADES

"BEIÇUDO" FLERTA COM A CENSURA NA WEB. TRABALHAR E PRODUZIR, QUE É O BOM, NADA

 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIi3EbN-pi5eTIXCh4phR7GvXyfa7dHPYI9cFBqnT6-mIeQrv3NubxLhrQPpc4VVV_53qtouzktULYlwESVk6sx3vTZK-2SsO_rCJ48-62lgx1lZb1kyY6Z6SGC46UBWN9uXwE1SNyqgBJ/s1600/Claudio+Cajado++DEM.jpg
 

Recém-empossado no cargo de procurador da Câmara dos Deputados, o deputado Cláudio Cajado (DEM-BA) flerta com a censura na web. Ele pretende banir da internet todo conteúdo que, em sua avaliação, represente calúnia, injúria ou difamação a congressistas.

Sob o argumento de ser “responsável pela defesa da honra e da imagem da instituição e de seus parlamentares”, o parlamentar quer fechar um acordo com o Google para facilitar a retirada de vídeos do YouTube e textos do Blogger, ambas plataformas da empresa, sem necessidade de notificação judicial.

A ideia do deputado é tornar sistemáticas iniciativas ocorridas nas eleições de 2012, quando candidatos a prefeito e vereador pleitearam a retirada do ar de conteúdos que não lhes eram simpáticos, sendo em muitos casos atendidos pela Justiça Eleitoral.

Na época, a Polícia Federal chegou a prender o diretor-geral do Google no Brasil, Fábio Coelho, porque a empresa, que ainda recorria de uma decisão judicial, não havia banido vídeos desfavoráveis a Alcides Bernal (PP), um dos candidatos a prefeito de Campo Grande (MS).


Segundo relatório do Google, entre janeiro e junho de 2012, órgãos das diferentes esferas do poder público (federal, estadual e municipal) solicitaram a remoção de 2.310 conteúdos publicados em suas plataformas — Picasa, YouTube, Orkut e Blogger, além do próprio serviço de buscas. Metade dos pedidos (1.231, ou 53%) alegava que o material não passava de pura difamação.

A Procuradoria da Câmara trabalha para aumentar as estatísticas.

Atualmente, o órgão tenta negociar com a companhia dois casos de remoção de conteúdo considerado impróprio pelos deputados envolvidos e também pelo procurador Cajado.

O levantamento do Google não filtra as solicitações vindas a partir dos deputados federais, mas a empresa garante que o volume de pedidos a cada semestre é de pouco mais de uma centena. "Nos períodos eleitorais, esse número dobra ou triplica", explica Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil.

A companhia reitera ainda ainda que sua posição é de defesa do direito de acesso à informação e da liberdade de expressão. "Informação geralmente significa mais escolhas, mais poder, melhores oportunidades econômicas e mais liberdade para as pessoas", disse publicamente o presidente da companhia, Fábio Coelho, na ocasião de sua detenção, no ano passado.

Cajado é contra esse "excesso de liberdade" na internet e não se acanha ao expor a intenção de facilitar a remoção de conteúdo envolvendo congressistas. "Temos que estabelecer essa discussão sobre as ofensas em vídeos e textos independentemente da Justiça, pelo bom senso das pessoas", justificou o deputado ao site de VEJA.
Logo após assumir o posto de procurador da Câmara, ele procurou o Google. Argumentou que a retirada imediata de vídeos considerados ofensivos seria uma reposta à uma "violação ao espírito democrático que deve prevalecer nas relações entre Poder Legislativo e meios de comunicação".

Sociedade Para especialistas, o verdadeiro espírito democrático deve soprar em favor da sociedade, garantindo-lhe direito à informação e à expressão.

"Quando se parte do pressuposto de que a remoção de conteúdos desse tipo é aceitável, abre-se margem para a censura", diz Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que defende a liberdade de expressão e o direito à informação."A publicação de conteúdos ofensivos ou difamatórios deve ser combatida, mas para isso já existem recursos previstos na Constituição. Da forma como se pretende essa suposta proteção à figura pública pode dar espaço a abusos."

Marcos da Costa, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), lembra que questões relacionadas à vida pública de um deputado federal não devem sofrer nenhum tipo de censura.

"Denúncias contra autoridades públicas devem ser apuradas, e o mesmo espaço pode ser usado para resposta: os homens públicos devem encarar as críticas como oportunidade de aprimoramento", diz Costa. José Arthur Giannotti, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), aprofunda o raciocínio.

"A Câmara não pode defender a ideia de ocultar os podres da própria Câmara", afirma. "Existe ainda o perigo de esse mecanismo defender os próprios interesses ao restringir informações do público."

Filtro

Apesar da controversa iniciativa de Cajado, a grita parlamentar contra conteúdos desabonadores publicados na internet não é automaticamente levada adiante. De janeiro de 2012 a março deste ano, das 30 reclamações de deputados federais contra textos e vídeos supostamente ofensivos, apenas três foram consideradas procedentes pela própria Procuradoria.

Em um dos casos arbitrado pela Justiça, o Google foi obrigado a retirar 11 vídeos considerados caluniosos contra o atual líder do Partido da República (PR) na Câmara, o ex-governador Anthony Garotinho (RJ).

"Não é aceitável que se usem palavras pejorativas e ofensivas e, por outro lado, não se imponha nenhum tipo de óbice", diz Cláudio Cajado. Para ele, a iniciativa de retirar prontamente vídeos caluniosos (ou assim vistos pelos próprios políticos) da internet, sem determinação judicial, não seria nem censura prévia nem tampouco violação à liberdade de imprensa.

"Não podemos pensar olhando só para o próprio umbigo e dizer 'eu vou fazer, acho que estou certo, mesmo que esteja ofendendo'. E o Google não pode se eximir de responsabilidade", afirma.

A batalha de Cajado contra provedores de internet não é nova.

Não satisfeito em ver arquivado um processo que respondia por corrupção eleitoral, coação de eleitor e falsidade documental, o próprio Cajado recorreu à Justiça para que fosse extinto até o registro da representação criminal contra ele. Como esperado, o Supremo Tribunal Federal (STF) não deu ouvidos à tentativa do parlamentar de restringir o acesso à informação.

Legislação

— Embora Cajado tenha decidido negociar diretamente com o Google a manutenção ou não de vídeos ofensivos contra parlamentares, o Supremo Tribunal Federal já chamou para si a decisão de definir de uma vez por todas se empresas que hospedam sites na internet têm de fiscalizar o conteúdo publicado e retirá-lo do ar quando for considerado ofensivo – ao menos até a votação do Marco Civil da Internet.
 
Em um processo sobre o qual incide o instituto da repercussão geral, que prevê que a decisão do STF será aplicada a todos os casos semelhantes, os ministros da corte vão decidir exatamente se é preciso ou não haver intervenção do Judiciário para a retirada de textos e vídeos considerados caluniosos.

Em resumo, toda a ofensiva de Claudio Cajado contra o Google, independentemente do resultado, pode ser inócua, já que a palavra final caberá, como se espera, à mais alta corte do país.

Para o gigante da internet, que integra a ação com repercussão geral a ser julgada pelo Supremo, “um dos principais e mais respeitados deveres é justamente o de não monitorar e não censurar as informações armazenadas em seus servidores".
 
O procurador rebate:

"A internet tem que ser livre, mas temos que ter o controle sobre os atos criminosos e incorretos para que haja o direito de resposta ou a reparação por aquele que praticou o crime."

O Ministério Público Federal, que atua na discussão da responsabilidade dos provedores de internet sobre os conteúdos veiculados em suas plataformas, diz que não pode haver censura prévia das manifestações veiculadas na rede sob pena de se ferir o princípio da liberdade de expressão.

O subprocurador-geral da República Wagner de Castro Mathias Neto, responsável pela manifestação do MP contra o Google, avalia, no entanto, que o provedor tem a obrigação de coibir a veiculação de informações caluniosas assim que for informado. Caso contrário, "estará atuando com evidente culpa e sua responsabilidade será solidária com o autor do conteúdo".

É imprescindível ressaltar que um deputado federal deve ter proteção contra excessos, especialmente quando os ataques são anônimos. E essa proteção já é prevista em lei. Se a Procuradoria da Câmara não fechar um acordo com o Google, o órgão usará seu corpo jurídico — e dinheiro público — para brigar em defesa dos congressistas.

Como aos olhos da Justiça brasileira o direito individual deve prevalecer sobre a garantia de liberdade de expressão e de acesso à informação, em um cenário como esse, os deputados não só levariam a melhor, como ainda poderiam ser indenizados financeiramente.

Câmara dos Deputados flerta com a censura na web

Laryssa Borges e Renata Honorato
Veja.Com
18 de março de 2013