"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 23 de agosto de 2011

A HERANÇA DO CORRUPTO, O CRIADOR DA INGOVERNABILIDADE


A HERANÇA DO CORRUPTOR ABJETO, ASQUEROSO CACHACEIRO, DISSIMULADO, O CRIADOR DA "INGOVERNABILIDADE"

A corrupção no Brasil é tratada como um desvio da norma, um pecado contra a lei de Deus. Não é. A corrupção no Brasil é hoje um importante instrumento político, quase um partido. Nos últimos anos adquiriu novas feições, virando um "quarto poder". Antigamente, a corrupção era uma exceção; hoje é uma regra.

E não se trata mais de um "que horror" ou "que falta de vergonha" - ficou claro que o País está inibido para se modernizar, porque a corrupção desmedida cria "regras de gestão". O atraso no Brasil é um desejo colonial que persiste e dá lucro.

Só agora estamos vendo o tamanho dessa mutação, quando o Executivo tenta a "faxina" e depara com a resistência indignada do Congresso. Deputados resmungam pelos cantos: "Aonde tudo isso vai parar?"

Um bloco de 201 deputados comunicou que "enquanto não se resolverem os problemas de cargos e emendas, não se vota mais nada..." Tradução: "enquanto não deixarem a gente roubar em paz, como nos bons tempos do Lula, não se vota nada."

Congressistas reclamam que Dilma "não respeita as regras do jogo".

Ladrões de galinha reclamam contra algemas, contra as belas fotos de presos de peito nu (que adorei...), detalhes ridículos comparados aos crimes de bilhões no turismo, agricultura e transportes e outros que virão.

Dizem: "Se ela continuar assim, não chega ao fim do mandato..." O próprio Lula telefonou para a presidente: "Dilma... pega leve com o PMDB..."

Ou seja, há um país paralelo de políticos, ONGs fajutas, empresários malandros com leis próprias - o legado de Lula, que transformou uma prática criminosa dissimulada em descarada "normalidade". Essa foi a grande realização de seu governo e se divide em duas fases.

Quando Lula chegou ao poder em 2002, havia um "Comitê Central" que o orientava (ou desorientava). Esse grupo de soviéticos desempregados viu, na sua vitória, a chance de mudar o Estado, usando a democracia para torná-la "popular", uma tosca versão remendada de "socialismo".

Para isso, era necessário, como eles dizem, "desapropriar" dinheiro de um sistema "burguês" para fins "bons". Essa racionalização adoçava a água na boca dos ladrões na hora do ato, pois o véu ideológico de um remoto "Bem futuro" os absolvia a priori.

Nessa fase, Lula foi um coadjuvante - sabia de tudo e nada fazia, para deixar os "cumpanheiro" cumprir sua tarefa. Roberto Jefferson, com sua legítima carteirinha, destruiu a quadrilha que angariava grana para eleger o Dirceu presidente em 2010.

Com sorte, Lula livrou-se da tutela de soviéticos e pôde, no segundo mandato, realizar seus sonhos de grandeza, que acalentava desde que descobriu que ser líder carismático dos metalúrgicos era bem melhor do que trabalhar.

Aí surgiu o novo Lula: uma miniatura, um bibelô perfeito para triunfar na mídia aqui e no Exterior. Ele é portátil, com um nome tão legível e íntimo como "Pelé". Lu-la, como "Lo-li-ta", como Nabokov enrolava a língua para descrevê-la... Lula conta com a absolvição a priori por ser um operário, um "excluído que se incluiu".

Lula é um mascote perfeito: baixinho, barbinha "revolucionária", covinhas lindas quando ri, voz grave para impressionar em seriedade, talento para forjar indignação como se fosse vítima de alguma injustiça ou como o próprio povo se defendendo.

Esquemático e simplista, mas legível para o povão sem cultura e para os estrangeiros desinformados, Lula resume em meia dúzia de frases a situação geral do País, que teve a sorte de ser um dos emergentes cobiçados pela especulação internacional.

Com a estabilidade herdada do governo anterior e com dinheiro entrando, ele pôde surfar em seus truísmos sem profundidade, como se a verdade morasse na ignorância.

Lula não governou para o PT nem para o País; governou para sua imagem narcisista, governou em "fremente lua de mel consigo mesmo", num teatro em que éramos a plateia.

Seu repertório de frases feitas é composto dos detritos de chavões dos seus ex-soviéticos sindicalistas: fome x indigestão, elite e povo, imperialismo americano e Terceiro Mundo que incluía até o Kadafi e outros assassinos.

Claro, sempre houve corrupção (com FHC, com todos), mas era uma prática lateral, ainda dissimulada. A grande "inovação" (essa palavra da moda) de Lula foi apropriar-se (com obsceno oportunismo) de 400 anos de corrupção endêmica e transformá-la em alavanca para governar, mantendo sua fama de "tolerante e democrático".

No seu ideário, feito das migalhas que caíram da mesa leninista, "corrupção" é coisa "menor", é problema de pequeno-burguês udenista. Pensou: "No Brasil, sempre foi assim; logo, o importante é me deixarem curtir o mandato, hoje que eu sento ao lado de rainhas, com o aval de uma "santidade" de esquerda que peguei dos comunas que me guiaram."

Ele se confundia com o Estado. Se ele ia bem, o Brasil também.

Essa foi a "palavra de ordem" para o ataque geral a todos os aparelhos do Estado pelos ladrões. Sua irresponsabilidade narcisista deixou Dilma nesta sinuca histórica: se não fizer nada contra as denúncias insofismáveis, perde poder e prestígio; se fizer, perde também.

Quem ganha com isso? Só ele e a coligação dos escrotos interpartidários. Se nossa abobalhada oposição conseguir uma CPI contra o governo Dilma, isso só beneficia o PMDB e aliados da caverna de Ali Babá.
Ainda bem que alguns senadores decentes se unem para dar apoio à faxina das donas de casa do Executivo. A opinião pública também dá sinais de reação.

Vamos ver.

Pelas mãos de Lula, instituíram a chantagem como método político.

Lula inventou a "ingovernabilidade" a que assistimos. Os assaltantes estão com saudade e querem que ele volte para normalizar tudo, como um "Luis Inácio Bonaparte da Silva", como um "caudilho da vaselina". Tudo o beneficia para 2014. Temíamos um "peronismo" sindicalista no País, mas isso não existe. Só existe o PMDB.

Arnaldo Jabor O Estado de S. Paulo

O FANTASMA ASSOMBRA A REPÚBLICA

Lula despacha com ministros

Onde está a "presidenta" Dilma?

Bene, Lula a gente sabe onde anda: no seu milionário Instituto, despachando com os ministros do governo. É o fim da picada. Isto aqui já não é uma república há muito tempo. O falastrão de Garanhuns manda e desmanda.


De Vera Magalhães, na Folha:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva despachou ontem em São Paulo com dois ministros de Dilma Rousseff no Instituto Cidadania, ONG que retomou após deixar a Presidência.

Lula pediu informações sobre a demora na implementação do piso nacional do magistério, projeto que patrocinou em sua gestão.O ex-presidente recebeu, separadamente e em audiência conjunta, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o ministro da Educação, Fernando Haddad.A visita se estendeu a um almoço depois, no qual Haddad e Lula trataram da pré-candidatura do ministro à Prefeitura de São Paulo.

Durante a audiência, Lula pediu a Adams e Haddad que explicassem por que o piso nacional de R$ 1.187,97 dos professores ainda não entrou em vigor, embora a lei que o fixou tenha sido promulgada por ele em 2008.

"O presidente disse que recebe muita cobrança de sindicalistas nas viagens que faz pelo país e queria uma explicação de como está a situação", disse Haddad à Folha depois do encontro.

Lula deixou o Palácio do Planalto há oito meses prometendo que iria "desencarnar", mas a reunião que teve com seus ex-ministros mostra que ele continua à vontade para tratar de assuntos administrativos do governo.A visita ao Instituto Cidadania não estava na agenda de nenhum dos dois ministros.

Haddad passou o fim de semana em São Paulo para cumprir compromissos do PT e permaneceu na cidade na manhã de ontem para gravar entrevista a uma rádio. Adams disse que aproveitou uma ida a São Paulo para "fazer uma visita" ao ex-presidente, que o nomeou para o cargo que continuou ocupando no governo Dilma.

Ele disse que costuma falar periodicamente com Lula por conta de processos nos quais a AGU ainda o defende. Questionado sobre a conversa a respeito do piso nacional dos professores, confirmou a indagação de Lula e disse que tratou de atualizar o presidente sobre o assunto.

O piso ainda não está em vigor porque cinco Estados foram ao Supremo Tribunal Federal contra a medida, que consideram inconstitucional.
O STF rejeitou a ação no dia 6 de abril, mas a decisão ainda não foi publicada."Eu disse ao presidente que o STF havia dado uma liminar acatando em parte a ação, mas no julgamento do mérito confirmou o piso nacional", afirmou Adams.

Questionado sobre a realização do encontro no instituto de Lula, Adams disse que sempre que precisa falar com ele vai até lá.

"Eu procuro mantê-lo informado dos processos que correm e nos quais ele é parte", afirmou.O advogado-geral da União disse que não há nenhum andamento urgente de processo que justificasse a visita ontem.
"Era só para atualizá-lo do quadro geral."
(Folha de S. Paulo).

UM DURO GOLPE NA CORRUPÇÃO

OAB vai ao STF pedir o fim de financiamento privado em eleições

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) resolveu nesta segunda solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos da legislação eleitoral que permitem doações de empresas às campanhas políticas. A OAB considera o financiamento privado uma forma de incentivo a corrupção.

. "A experiência tem demonstrado que grande parte do dinheiro investido nas campanhas é depois subtraída dos cofres públicos", disse o presidente da CFOAB, Ophir Cavalcante. Portanto, o voto foi pela revisão de dispositivos das Leis 9.096/95 e 9.504/97, a OAB pede também impugnação do dispositivo que estabelece percentual de 10% dos rendimentos conferidos por doador no ano anterior, como limite de doação por pessoas físicas, bem como o dispositivo que permite ao candidato empregar recursos próprios sem limite específico.
políbio braga

O MISTÉRIO DO FAZEDOR DE NOTAS

O misterio do fazedor de notas: equilibrio entre todas as partes

Sempre tive curiosidade em saber quem estava por trás das notas elegantes que são liberadas pelo governo e divulgadas regularmente na imprensa, explicando esta ou aquela tomada de posição das autoridades do setor.

Eu o imagino um redator onisciente, dotado de uma capacidade indescritível de pronunciar-se sobre os mais diferentes assuntos, sempre com aquela linguagem tão rigorosa, tão escorreita, tão cheia de subentendidos, que seria preciso uma Wikipédia inteira para decifrar suas meias palavras e suas sugestões pouco explícitas.

Estou carente, por exemplo, de notas explícitas que me expliquem um pouco das tomadas de posição em relação a eventos dramáticos da atualidade: pessoas que se movimentam, de um lado para o outro, soldados que também o fazem, no sentido inverso, e algumas vítimas pelo caminho (enfim, collaterals, diria alguém...).

Ainda assim tenho saudade daquelas notas que deploram a perda de vidas, que instam as partes a resolverem suas diferenças por métodos pacíficos, que preservem o diálogo, o respeito aos direitos humanos e os princípios democráticos.
Afinal de contas, uma nota sempre é melhor do que nada.
Paulo Roberto de Almeida

EXPLICAM-SE, MAS NÃO CONVENCEM...



Paulo Bernardo e mulher se explicam mas não convencem. O Código de Ética foi violado. RUAAAAAAAAAAA
Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann negam uso de avião de empreiteira

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, divulgou nota negando que tenha utilizado avião de uma empreiteira para viajar pelo país no ano passado, quando era ministro do Planejamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A acusação foi feita em reportagem da revista Época desta semana.

De acordo com a reportagem, a mulher de Paulo Bernardo, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, também teria utilizado o mesmo avião, um turboélice King Air, prefixo PR-AJT, durante sua pré-campanha para o Senado. Gleisi também negou as acusações, por meio de nota divulgada pela Casa Civil nesta tarde.

O ministro foi chamado hoje ao Palácio do Planalto para uma reunião com a presidenta Dilma. O encontro dos dois não estava previsto na agenda de Dilma, nem do ministro.

De acordo com a nota divulgada por Paulo Bernardo. “Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal". [nota-se que, espertamente, o ministro diz que jamais solicitou ou lhe foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública; sabedor que fatalmente será comprovado que ele usou transporte privado então deixou a condicionante de 'em troca de vantagem na administração pública federal';

Esperteza: prova-se a viagem mas não se prova que foi em troca de vantagem na administração pública.
Só tem um detalhe: o famoso Código de Ética Pública proíbe viajar a qualquer ministro aceitar carona, com vantagem ou sem vantagem.]

O ministro explicou no texto que em 2010, ele participou, nos fins de semana, feriados e férias, da campanha eleitoral no Paraná. "Para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço. Não tenho, porém, condições de lembrar e especificar prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões nas quais voei no período", disse o ministro.

A nota divulgada por Gleisi também atribui à campanha a utilização do avião. Ela nega que tenha utilizado aviões de particulares ou de empresas no exercício do cargo público e que, durante sua campanha para o Senado utilizou para deslocamento avião fretado, com contrato de aluguel fretado.

De acordo com a reportagem, o avião pertence ao empresário Paulo Francisco Tripoloni, dono da Construtora Sanches Tripoloni. De acordo com a revista, somente no ano passado a empresa recebeu R$ 267 milhões do governo federal e é apontada pelo Tribunal de Contas da União como executora de obras com superfaturamento.

Paulo Bernardo disse na nota que "não existe relação entre o exercício do cargo de Ministro do Planejamento e fatos decorrentes da execução de obras públicas no estado do Paraná".

O ministro acusou a revista de, nos últimos meses, investir em "insinuações indevidas", contra ele e sua mulher. "A revista Época fez nos últimos dois meses, quatro matérias em que cita a mim ou à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, com insinuações indevidas, algumas de forma absolutamente gratuita, sem me ouvir".

Na nota, o ministro diz que "estou e sempre estive à disposição do Congresso Nacional para a prestação de quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

Fonte: Agência Brasíl

[virou rotina no arremedo de faxina promovida pela atual presidente da República a ida do suspeito ao Congresso para prestar esclarecimentos; vai, devidamente blindado pela bancada governista, responde algumas perguntas informais e volta para casa.

Igual o criminoso que vai depor em um inquérito policial e declara que só falará em juízo e volta para casa dizendo que provou a inocência.
A Dilma não pode esquecer de mandar a Ideli se explicar no Congresso - a denúncia contra ela, apresentada pela revista IstoÉ é consistente.]


União Nacional Republicana

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

QUE PAÍS É ESTE?


“Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

(Fonte: Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País)

CORDA BAMBA

Em seu blog, o comandante do PTB nacional, deputado cassado Roberto Jefferson (RJ), sugere que daqui a pouco a presidente Dilma Rousseff (PT) terá de recorrer a um “Big Brother” para decidir qual ministro deverá demitir diante da enxurrada de denúncias que estremecem a Esplanada dos Ministérios.

O sistema funcionará na base do “para eliminar o ministro Pedro Novais, aperte 1, para eliminar Mário Negromonte, 2, para eliminar Paulo Bernardo, 3, para eliminar Ideli Salvatti, 4…”.

A avaliação desse viperino exemplar da política brasileira, que há seis anos ajudou a escancarar o “Mensalão do PT”, não está tão distante das estratégias das televisões para alavancar audiências. Em Brasília há uma crescente aposta na queda de ministros envolvidos em denúncias graves de malversação do dinheiro público. A onda tomou proporções maiores no último final de semana por conta de novas denúncias e das divisões internas dos partidos da base governista, como PR, PMDB, PT e, mais recentemente, o PP.

Roberto Jefferson sugere que é hora de Dilma impor um freio de arrumação, que pode precipitar a reforma ministerial. “Certamente que não agradará às viúvas de Lula (quiçá nem ao próprio), mas vale a máxima: amigos, amigos, negócios à parte”.

A crise no Partido Progressista tem meses de existência. Tomou proporções maiores nos últimos dias quando, na calada da noite, parte da bancada dos progressistas na Câmara tirou o deputado Nelson Meurer (PR) da liderança para emplacar no cargo Aguinaldo Ribeiro (PB). Com Meurer caiu a força do ministro Mário Negromonte, das Cidades, que tenta se firmar no cargo com a outra banda de deputados.

Foi nessa estratégia que teria oferecido R$ 30 mil para cada um deles em troca do favor fisiológico. Na manhã desta segunda-feira (22), Negromonte distribuiu “nota de esclarecimento” na qual nega “veementemente qualquer reunião partidária dentro das dependências do Ministério das Cidades”.

O ministro assegura que os parlamentares recebidos “agendam suas reuniões para tratar de questões afetas ao Ministério. Durante sua gestão, o Ministro já recebeu mais de 200 parlamentares, entre deputados e senadores de diversos partidos”.

A troca foi montada nos bastidores pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelos deputados Eduardo Da Fonte (PE) e Paulo Maluf (SP), entre outros. Eles se aproveitaram do descontentamento de parte da bancada com Meurer, que havia sido indicado por Negromonte e João Pizzolatti (SC) – ambos ex-líderes. Dos 41 deputados, 27 apoiaram a troca de Meurer por Ribeiro. No Senado, além de Ciro, a bancada é formada por mais quatro senadores.

Fonte: Ucho.Info

LEMBRANÇAS DO PAI DE TODOS OS ESCÂNDALOS

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa informa que o prazo para a prescrição do crime de formação de quadrilha começou a ser contado a partir da aceitação pelo Supremo Tribunal Federal da denúncia da Procuradoria Geral da República. Nenhum dos acusados, portanto, poderá valer-se desse trunfo legal para escapar do julgamento previsto para março de 2012. O companheiro José Dirceu, por exemplo, não será julgado apenas por corrupção ativa. O STF terá de decidir o que fazer com o chefe da organização criminosa.

As lembranças do mensalão escavadas pelos repórteres Aiuri Rebello e Fernanda Nascimento, reunidas na seção História em Imagens, ajudam a refrescar a curta memória nacional. E reafirmam que o desfecho do processo que trata do pai de todos os escândalos da Era Lula dirá se o Brasil está a caminho do mundo civilizado ou do tempo das cavern

Augusto Nunes

O DESCONCERTO DA COALIZÃO

E O TAL "PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO".OITO MESES DE : "NÃO É BOM NEM RUIM. É DESCONCERTANTE"
Aos oito meses, o governo Dilma Rousseff não é bom nem ruim.
É desconcertante.

Desconcertar é "fazer perder o concerto, a ordem, a harmonia", ensina o Houaiss.

Com o entra e sai de ministros e o festival de devassas nos arraiais do governo, desconcertam-se a ordem (ainda que desordeira) e a harmonia (ainda que desarmoniosa) do regime, tal qual foi edificado desde o governo Sarney, nos primórdios desta Nova República.

A tal ordem desordeira e a desarmoniosa harmonia sustentavam-se na aliança entre ideológicos e fisiológicos, sérios e picaretas. Essa a essência mesma do que os cientistas políticos apelidaram de "presidencialismo de coalizão".

A coalizão, ao fim e ao cabo, é entre a honestidade e a roubalheira, uns deixando os outros em paz. O esquema atingiu seu ápice no governo Lula. A desconcertante Dilma espalha numerosas dúvidas no ar, entre as quais quatro principais.

Primeira: estará ela agindo de forma deliberada ou sendo arrastada pelo vendaval?

Não foi por cálculo de Dilma que estouraram as denúncias na imprensa, as ações da Polícia Federal e as lutas fratricidas (como a do irmão do senador Jucá com o ex-ministro Wagner Rossi) na coligação. Nesse sentido, foi o vendaval que a engolfou.

Mas, em contraste com o antecessor, ela não jogou o peso de seu cargo em defesa dos transgressores. Se proferiu certos protocolares elogios e agradecimentos pelos serviços prestados, não os segurou nos cargos. Isso sugere deliberação.
Se realmente for assim, eis-nos diante de uma presidente disposta a correr riscos.

Mais que isso, eis-nos diante dessa raridade das raridades, que é um líder disposto a liderar.
A atual quadra histórica é protagonizada. não só no Brasil, por essa contradição ambulante que são os líderes liderados. Eles se deixam liderar pelas pesquisas de opinião e pelas circunstâncias. Líder de verdade procura manobrar as circunstâncias em seu favor.

Segunda: a presidente corre o risco de isolamento?

É o que gostam de apregoar os políticos da coligação governamental, inclusive os do PT. "A presidente não conversa", "Não faz política". Tais mantras escondem uma ameaça: se continuar assim, estrepa-se.

O temperamento de Dilma realmente se opõe ao do derramado Lula ou ao do afável FHC. Ela sorri pouco. Não joga conversa fora. Mas as tais "conversas" de que gostam os políticos sabe-se o que são: tergiversações em torno do toma lá dá cá.

Querem mesmo conversar?
Sugestão:
que a presidente os chame para reuniões com pautas determinadas e transmitidas pela televisão. Os temas seriam a educação, a saúde, a infraestrutura, a crise mundial. O país avaliaria se eles têm mesmo o que conversar.

O isolamento pode se reverter contra quem o invoca.
Isolados ficarão os fisiológicos e pervertidos, se bem conduzida a obra de sanitização dos costumes nacionais.

Terceira: se apertar o parafuso além da conta, Dilma põe em perigo a governabilidade?

Inverta-se a questão:
que tem garantido a governabilidade, tal qual está posta?
A infraestrutura do país arruína-se.
As obras são superfaturadas.
Agentes dos aliados ocupam ministérios e estatais com o objetivo de abrir descaminhos para o dinheiro público.

Em cada votação importante no Congresso o governo é chantageado.
Um big bang que exploda tal "governabilidade" não pode criar sistema pior.

Quarta: estaria a presidente pretendendo uma virada histórica?

"Republicanizar a República" era a palavra de ordem nos tumultuários anos 1920 da política brasileira.

Um editorial de 1922 da Revista do Brasil, então dirigida por Monteiro Lobato, e que concentrava pane importante do debate nacional, contava três gerações engendradas pela República:
a primeira, a dos fundadores (os militares de Deodoro e Floriano e os propagandistas civis); a segunda, a dos que "lhe colhem os provemos" (os políticos e as oligarquias); e a terceira, a que "cai em si" e tem por meta "republicanizar a República".

Num paralelo com a Nova República, a geração dos fundadores - Ulysses. Tancredo e o velho MDB (jamais confundir com o atual PMDB) - foi logo suplantada pelos que "lhe colhem os proventos". Estaríamos diante da emergência dos que "caem em si"?

A desconcertante presidente Dilma, deliberadamente ou não, inspira e encarna o desejo de republicanizar a República.

Reina a forte impressão de que o atual sistema se esgotou.

Deu o que tinha que dar, se é que teve algo a dar.

Aliás, não teve.

Roberto Pompeu de Toledo Veja

UNIÃO DO PT PARA EVITAR CPI DE CORRUPÇÃO NO EXECUTIVO



E NO GOVERNO DO pARTIDO tORPE...EM TEMPO DE "FAXINA" MELHOR NO BANHEIRO OU CPI? Governo quer PT unido para evitar CPI

Com focos de insurgência em partidos aliados, a articulação política do governo busca a unidade do PT para garantir estabilidade nas votações na Câmara.

O objetivo é afastar o risco de apoio a uma CPI para apurar denúncias de corrupção no Executivo.

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, pediu à bancada do PT que defenda o governo. Gleisi Hoffmann conclama deputados do partido a sair em defesa do governo e evitar conflitos internos; avaliação é de que insurgência nas bancadas de siglas que apoiam Dilma poderia levar a derrotas em votações ou mesmo à criação de uma CPI

Com focos de insurgência interna em diferentes partidos da base, a articulação política do governo busca a unidade do PT para garantir estabilidade nas votações na Câmara e afastar qualquer risco de a insatisfação de aliados se materializar em assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção no Executivo.

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, foi a portadora do apelo.
Ela se reuniu com a bancada do PT na Câmara, na semana passada, e deixou claro o recado:
"Nós temos a maior parte dos ministérios e quem está no governo tem de ter responsabilidade. A bancada é fundamental na defesa do governo". Nos últimos dias, o Palácio do Planalto tem assistido a conflitos internos em sua ampla base de sustentação e o temor é que os líderes, interlocutores do governo, não tenham mais tanto controle sobre suas bancadas.

Os insatisfeitos com as lideranças, por exemplo, podem querer dar o troco nas votações, prejudicando os interesses do Planalto. No PMDB, segunda maior bancada na Câmara, com 79 deputados, cresceu a movimentação do grupo contrário à atuação de Henrique Eduardo Alves (RN).

No PP, a rebelião resultou na destituição do líder Nelson Meurer (PR), do grupo do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA) e atingiu contornos de escândalo. Deputados da bancada, segundo reportagem publicada na revista Veja, informaram à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que Negromonte estaria prometendo uma mesada de R$ 30 mil a parlamentares do partido em troca de apoio político a ele.

O ministro negou a denúncia. Ideli, por sua vez, deixou claro que a única informação que chegou ao Planalto foi a divisão na bancada do PP.

Efeito controlado.

Até agora, as rebeliões internas não afetaram negativamente o governo. Na única votação em que essa fidelidade foi posta à prova, na semana passada, a base garantiu a aprovação de mudanças na estrutura dos Correios, previstas em medida provisória, mesmo com algumas defecções no PMDB.

A votação marcou a estreia do PR na anunciada posição de independência, com os votos majoritariamente contrários à orientação do governo. Dos presentes do PR, só Luciano Castro (PR-RR), vice-líder do governo na Câmara, votou com o governo.

"É uma base muito grande, com visões diferentes e interesses diversificados. É aí que a unidade do PT é fundamental. A responsabilidade está bem aqui, na defesa do governo", insistiu a ministra Gleisi aos petistas.

O temor do governo pode ser traduzido em votações desastrosas para o Executivo.

Perturba o governo o fantasma da proposta de emenda constitucional, chamada de PEC 300, que fixa um piso salarial nacional para os policiais civis, militares e bombeiros com um fundo que será bancado pela União.

"A gente trabalha com uma limitação que é do tamanho do bolso do contribuinte", enfatizou a ministra Gleisi aos petistas, em resposta a uma intervenção da deputada Benedita da Silva (RJ), feita durante a reunião de quinta-feira.

"Há uma mobilização nacional e fica difícil para nós não discutirmos (PEC 300) isso", disse a deputada, mostrando a pressão sobre os parlamentares pela votação da proposta.

Além de tentar barrar propostas com impacto incômodo nas contas da União, o governo tem seus próprios interesses, como a aprovação do programa nacional de acesso ao ensino técnico.

Na pauta do governo está também a divisão dos royalties do petróleo da camada pré-sal. "Royalties é um desafio para nós. Não queremos retirar direito, mas não queremos concentração", resumiu Gleisi.

PROJETOS-BOMBA

O governo precisa da base aliada para barrar:
1) A proposta de emenda constitucional que cria o piso salarial nacional para os policiais civis, militares e bombeiros, conhecida por PEC 300

2) O projeto de lei complementar que regulamenta os gastos da União, dos Estados e dos municípios com a área da saúde - conhecida por Emenda 29

O governo precisa da base aliada para aprovar:
1) A proposta de emenda constitucional que prorroga por quatro anos mecanismo que permite o livre uso de 20% das receitas do Orçamento, a chamada Desvinculação de Receitas da União (DRU)

2) O projeto que distribui os royalties do petróleo da camada pré-sal entre União, Estados e municípios

Responsabilidade
GLEISI HOFFMANN MINISTRA DA CASA CIVIL
"Quem está no governo tem de ter responsabilidade. A bancada é fundamental na defesa do governo"

"A base é muito grande, com visões diferentes e interesses diversificados. É aí que a unidade do PT é fundamental"

Denise Madueño O Estado de S. Paulo
COLABOROU MARTA SALOMON

REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO


CPI das Enchentes aponta omissão, ineficiência e interesse eleitoreiro


A omissão, a ineficiência e o interesse eleitoreiro agravaram a catástrofe provocada pelas chuvas na região serrana fluminense, que deixaram mais de 900 mortos em janeiro.

Essa é uma das principais constatações do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Enchentes na Região Serrana, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, apresentado hoje (22).

Com cerca de 220 páginas, o relatório compila seis meses de investigação e explica as causas das enchentes. Os deputados apontam como causa da tragédia a ocupação irregular do solo e a ausência de um sistema adequado de Defesa Civil integrado entre os três níveis de governo.

O documento também faz referência a casos de corrupção constatados nos dias seguintes à tragédia, que, segundo os deputados, atrasam a recuperação da região.

O documento destaca a ausência de sistemas de alerta, além de equipamentos que auxiliassem o deslocamento e o abrigo da população após as chuvas de 12 de janeiro.

Para evitar situações semelhantes, os deputados sugerem um plano de contenção de catástrofes no âmbito estadual, além de um aparato de Defesa Civil em todos os municípios, vinculado à União. Um órgão estadual de geotécnica e um hospital regional também constam como propostas do texto.

Segundo o relator da CPI, deputado Nilton Salomão (PT), essas medidas também poderiam ter auxiliado nas catástrofes do município de Angra dos Reis e do Morro do Bumba, em Niterói, que deixaram dezenas de mortos em 2010.

Para ele, interesses eleitoreiros que permitiram a ocupação em áreas de encosta e em beira de rios, como ocorreu em todos os casos, devem ser combatidos.

A deputada Janira Rocha (PSOL), integrante da CPI, defende que, além apontar um conjunto de ações para o futuro, o relatório deve atribuir responsabilidades civis e criminais na tragédia.

Para ela, a corrupção ainda se reflete na recuperação da região.
"Não existe uma saída rápida. Espero que a gente faça com que a União, estados e municípios cumpram com seu papel constitucional de forma emergencial porque a vida das pessoas continua em risco", disse.

O presidente da CPI, Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB), quer que, depois de aprovado pelo plenário da Alerj – o que deve ocorrer em cerca de um mês –, o relatório siga para órgãos de controle público, como as controladorias e o Ministério Público

Isabela Vieira
Agência Brasil

O GOLPE PARLAMENTAR DO PT E DO PMDB

Enquanto o país vê o serviço de faxina da doutora Dilma, a comandita PT-PMDB, ajudada por discretos silêncios do PSDB e do DEM, prepara um golpe parlamentar de proporções inauditas desde que, na ditadura, baixou-se o Pacote de Abril de 1977.
Essa jararaca de muitas bocas move-se há meses no escurinho do Congresso. Se ninguém fizer nada, a matéria será aprovada ainda neste ano.


O deputado Henrique Fontana (PT-RS) apresentou à Comissão de Reforma Política um anteprojeto que institui o voto de lista preordenada para a composição de metade da Câmara. O eleitor deverá votar duas vezes, uma no candidato e outra na lista.


Além disso, pretende buscar na Bolsa da Viúva todos os recursos para as campanhas eleitorais, atribuindo às direções dos partidos a distribuição do dinheiro. A choldra pagará a conta toda, mas só escolherá metade de seus deputados.


Tudo o que há de ruim no atual sistema, ruim continuará. As coligações mudarão de nome, chamando-se federações. Para piorar, se um micropartido se juntar a outro, grande, bicará seus recursos.
Os defensores da jararaca dizem que a reforma destina-se a revigorar a democracia, fortalecendo os partidos. Tudo bem. José Genoino e Delúbio Soares, ex-presidente e ex-tesoureiro do PT, são réus na quadrilha que aguarda julgamento no STF. Roberto Jefferson, o cronista do mensalão, é o presidente de honra do PTB. Valdemar Costa Neto presidiu o PL. Alfredo Nascimento, defenestrado do Ministério dos Transportes, preside o PR. Baleia Rossi, filho do ex-ministro da Agricultura, preside o PMDB paulista.


O aspecto golpista do projeto está na maneira como querem votar a essência da proposta. Matéria dessa magnitude exige uma emenda constitucional, para a qual seriam necessários os votos de 308 deputados e 49 senadores. Querem descer o voto de lista e o avanço sobre a Bolsa da Viúva goela abaixo como projeto de lei, coisa que pode passar até mesmo com 129 votos na Câmara e 21 no Senado.
Por Elio Gaspari - O Globo, 21/08/2011

O CABRAL DESCOBRIU O BRASIL... OS PÉS ESTÃO DE FORA.

O bilionário acasalamento de cabrais e cavendishs irriga os canteiros de obras

Depois de deixar eventuais explicações por conta da assessoria de imprensa, Sérgio Cabral saiu de seus cuidados para comentar a descoberta de que o governo do Rio acabou de beneficiar a Delta Construções, pertencente ao empresário Fernando Cavendish, com outro lote de “contratos para obras emergenciais” ─ sem licitação, naturalmente ─ que somam R$ 37,6 milhões. “Eu tomei conhecimento com a imprensa, não estava nem sabendo”, desconversou Cabral.

Com apenas 10 palavras, o declarante conseguiu, simultaneamente, agredir a língua portuguesa, atropelar a verdade, menosprezar a inteligência alheia, zombar da polícia, do Ministério Público e da Justiça ─ e deixar claro que se trata de um reincidente patológico. Ele prometera criar juízo ao emergir do período de luto decretado em 17 de julho pela queda de um helicóptero no litoral da Bahia. Pelo jeito, piorou.

Só no primeiro semestre deste ano, Cabral irrigou com R$ 58,7 milhões os canteiros de obras sem licitação da Delta. Abalroado pelo acidente que escancarou as relações mais que promíscuas que o ligam à família do amigo, anfitrião, patrocinador, agente de viagens e contraparente Fernando Cavendish, encomendou um código de conduta para vigiar-se. A nova safra de negócios malandros confirma que a encomenda foi mais um monumento ao cinismo.

Os contratos foram assinados por Luiz Fernando Pesão, secretário de Obras, vice-governador e candidato à sucessão do chefe e amigo. Um porta-voz da secretaria lembrou que as obras “têm alta complexidade” e que parte do dinheiro vem do governo federal. Uma nota da Delta engrossou o discurso sobre o nada: “A motivação para a escolha da Delta para obras emergenciais é o fato da empresa ter capacidade e agilidade para atender a essas demandas”.

Deve ser a única no mundo. Nos últimos quatro anos e sete meses, a empresa Cavendish faturou, em contratos com o governo do Rio, R$ 1,3 bilhão. A coisa fica mais espantosa quando exposta pela procissão de zeros à direita: R$ 1.300.000.000.00. O bilionário acasalamento de cabrais e cavendishs não é caso para código de conduta. É coisa para o Código Penal.

BANDEIRA DOS REBELDES LÍBIOS É HASTEADA EM EMBAIXADA DE BRASÍLIA


A bandeira da oposição é hasteada na embaixada da Líbia, em Brasília. A troca de bandeiras foi feita na noite de domingo, após a capital Trípoli ter sido tomada pela liderança contrária ao ditador Muammar Gaddafi. A bandeira da Líbia de Gaddafi foi jogada no lixo, junto com camisetas, cartazes e fotos do ditador.

De acordo com Adel Swasy, diplomata líbio, ainda que o embaixador no Brasil, Salem Zubeidy, seja pró-Gaddafi, a bandeira rebelde foi mantida. "Isso aqui [embaixada] se chama terra líbia, não terra do embaixador", disse Swasy.

Segundo Mohamed El Zwei, líbio que mora no Brasil há 24 anos, o hasteamento da nova bandeira foi motivo de "festa e dança".

Sérgio Lima/Folhapress

A bandeira dos rebeldes é hasteada na embaixada da Libia, em Brasilia, após grandes avanços da oposição

"É o motivo pelo qual estamos aqui", afirmou Zwei, que está em Brasília desde sexta-feira, quando houve manifestação de cerca de 30 líbios contra o regime de Gaddafi.

Os manifestantes, que foram convidados por diplomatas líbios para apoiar o movimento de oposição em Brasília, estão hospedados na embaixada. Segundo eles, haverá mais comemoração quando o ditador Gaddafi for definitivamente capturado.

INSATISFAÇÃO COM O BRASIL

Os líbios contrários ao regime de Gaddafi se mostraram insatisfeitos em relação ao posicionamento brasileiro --em especial, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva-- de defesa da soberania do regime do ditador.

"Avisem o Lula para pegar suas armas e ir defender seu a amigo do peito [Gaddafi], que precisa da sua ajuda. E o embaixador da Líbia no Brasil está buscando asilo na Venezuela", ironizou o líbio Sadq Jamal.

Carolina Sarres, de Brasília

COALIZÃO SUSPEITA


Quantas crises mais para nos darmos conta do óbvio?
Vamos ter que viver quantas crises mais para concluir que o modelo de presidencialismo de coalizão brasileiro está esgotado?

Porque se é o presidencialismo de coalizão que tem garantido a ampliação da base parlamentar e a governabilidade, é esse mesmo modelo que vem comprometendo a gestão pública, ao abrir brechas para a corrupção e para a ineficiência.

Em nome da governabilidade, optamos por um pragmatismo político que tem esbarrado no limite da irresponsabilidade. A regra geral hoje é o patrimonialismo e o aparelhamento partidário dos cargos de confiança.

É certo que o conflito aberto entre Executivo e Legislativo tem como resultado a paralisia política, com enormes prejuízos para a sociedade. Também não dá para negar a lentidão do processo legislativo - e a governabilidade exige respostas mais rápidas.

Mas nada justifica as negociações nem sempre republicanas que vêm assegurando apoio parlamentar ao governo.

Se podemos tirar uma lição da atual crise, é que a coalização partidária que sustenta um governo precisa ser formada a partir de compromissos claros em torno de um programa comum, um projeto nacional baseado no interesse público - o que nem sempre acontece.

Não temos outro caminho senão a profissionalização da gestão pública. O que está longe de significar um governo formado só por burocratas. Até porque um nome técnico não é, necessariamente, garantia de honestidade e correção.

E seria um erro grosseiro associar automaticamente denúncias de corrupção a indicações puramente políticas. A indicação partidária é perfeitamente legítima, desde que feita de modo transparente, atendendo a critérios éticos e de competência técnica.

A atual crise nos leva também a questionar, mais uma vez, o número excessivo de cargos comissionados no setor público. Só o governo federal dispõe de mais de 20 mil cargos de confiança, que dispensam o filtro do concurso público e fazem a festa de muitos apadrinhados por aí.

Na França e na Alemanha, por exemplo, esses cargos não passam de 500.

Reduzir o inchaço da máquina pública não é apenas cortar gastos desnecessários, mas colocar um freio no aparelhamento desmedido do Estado. É permitir um controle mais eficiente da gestão pública.

Mais: apesar do avanço inquestionável na fiscalização e transparência dos gastos públicos, a fragilidade dos mecanismos de controle internos e externos ainda é um problema grave.

Os últimos acontecimentos comprovam a inexistência - ou, pelo menos, a ineficiência - de mecanismos preventivos de controle, capazes de evitar desvios, fraudes e desperdícios.

Desvios e fraudes só têm sido identificados e investigados depois que rios de dinheiro público já foram perdidos. Na verdade, só depois de virarem notícia e crise política.

Quantas crises mais serão necessárias?
Quantas crises mais para nos darmos conta do óbvio?

Ricardo Ferraço O Globo