"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 19 de novembro de 2011

NOVOS TENTÁCULOS DO PODER POLÍTICO

Artigos - Governo do PT

“Como fiscalizar as ONGs? Houve problemas, ninguém nega. E quem tiver cometido erro tem que pagar”. Quando Aldo Rebelo, escolhido para substituir Orlando Silva no Ministério dos Esportes, fez essa declaração, ficou claro, no conjunto da entrevista que concedeu, que responsabilizar as ONGs foi um modo de livrar a cara do camarada antecessor. Eu entendi a manifestação como exercício de um dever de solidariedade. A culpa era dessas só organizações e da dificuldade de as fiscalizar. Foi na mesma linha que entendi o novo ministro quando, em outras entrevistas, disse que não pretendia prosseguir com tal prática. Ele não mais se valeria de instituições que não tinha como fiscalizar e passaria a destinar os recursos da pasta para estados e municípios.

Passado menos de um mês, fica-se sabendo que Aldo Rebelo cancelou convênios com 50 ONGs. Mas se era possível cancelar assim, por que, raios, esses convênios existiam? Por outro lado, deduz-se que das organizações que mantinham convênio com o ministério, malgrado a decisão de trabalhar com nenhuma, remanesceram 250 (!) em atuação (segundo o noticiário, cerca de três centenas de ONGs operavam nos programas de esporte do governo).

Aliás, quando fiquei sabendo desse número, para todos surpreendente, pus-me a indagar o seguinte: se em torno do PCdoB, um partido pequenininho, numa pasta também periférica, orbitavam três centenas de ONGs, quantas não agiriam no complexo universo comandando pelo PT e PMDB, os dois gigantes do governo federal? Pois é. A resposta, colhida na mídia, chega a quase uma dezena de milhar. É toda uma rede, financeira e politicamente subordinada, envolvendo um contingente humano que pode alcançar um milhão de pessoas se considerarmos todos os dirigentes, servidores assalariados e voluntários. Trata-se de uma nova máquina que se agrega ao gigantismo do poder central, estatal, e que tantas vezes - sabe-se agora - está incorporada aos vetores da corrupção por ele polarizada.

Com enorme surpresa já ouvi de alguém: "Eu tenho uma ONG". E com surpresa ainda maior, já li, várias vezes: "Fulano de tal, dono de uma rede de ONGs...". Que tal? Donos de ONGs? Só podia dar no que deu. Entende-se, então, o motivo pelo qual a CPI das ONGs, nascida em 2006, morreu de inanição, quatro anos mais tarde, sob total desinteresse da maioria governista. Na nota oficial em que fez o necrológico da finada CPI, a Associação Brasileira de ONGs (http://www.abong.org.br/noticias.php?id=2576) fala em "criminalização dos movimentos sociais" e em "setores conservadores". Quem conhece o idioma da esquerda sabe que tal vocabulário que não deixa dúvidas quanto à devoção filial dessa instituição a padrinhos bem conhecidos, com acesso à grana dos esfolados contribuintes.

Ressalve-se que organizações dessa natureza compõem uma estrutura admirável se usadas para o bem. Mas como são terríveis, sob o ponto de vista moral e institucional, se convertidas em tentáculos do poder político! Nos negócios em que então se envolvem elas não ofendem apenas as leis penais. Elas atacam a própria democracia.

Muito tenho escrito, aliás, contra a centralização em nosso país. Ela se dá ao arrepio da forma federativa, que aponta para uma direção, enquanto a prática política, fiscal, legislativa e administrativa age no sentido inverso. A isso se acrescenta agora, nestes anos de decadência moral das instituições, a vasta e multiforme rede de ONGs dependente dos favores e das vistas grossas de seus financiadores governamentais, conjugadas com subterrâneos canais de retorno das verbas recebidas. A existência de uma rede não implica, necessariamente, descentralização. No caso, ocorre o contrário disso, seja pela dependência financeira que cria, seja pelas verbas que refluem, mediante artifícios contábeis, para os dutos da corrupção política.

A presidente Dilma, energicamente, no final do mês passado, determinou uma paralisação de 30 dias em todas as transferências de recursos para que um pente fino fosse passado no emaranhado cabelo dessas ONGs com dono, com jatinho e prodigalidades semelhantes. Já se foram dois terços desse prazo. Eu, ao menos, estou contando.

Percival Puggina, 19 Novembro 2011

O CASO LUPI E O PLANALTO

E NO "DESGOVERNO" DA HIPOCRISIA : MANCOMUNAÇÃO, OS DESMEMORIADOS E DESONESTOS...

O Palácio do Planalto tornou-se ontem, mais que nunca, sócio cotista dos escândalos protagonizados por Carlos Lupi.

Se Dilma Rousseff ficou satisfeita com o desempenho do ministro do Trabalho em seu depoimento no Senado e está mesmo disposta a mantê-lo no cargo, é porque aceita de bom grado que mentir e beneficiar-se do dinheiro público são parte do jogo de poder.

Ontem, perante os senadores, Lupi se contradisse com o que afirmara na semana passada, quando negara que conhecesse um empresário beneficiado por repasses do seu ministério e que usara uma aeronave providenciada por ele.


Agora, já se sabe que o ministro conhece tanto Adair Meira, dono da ONG Pró-Cerrado, que até foi recebido em jantar na casa dele, em Goiânia, relata O Globo.

O pedetista justificou suas contradições dizendo que não tem "memória absoluta" e que, portanto, vive esquecendo as coisas.

Pelo que os jornais divulgam hoje, o gabinete presidencial ficou contente com as explicações do ministro, por ele ter sido "comedido" e ter evitado "enfrentamentos".

O Planalto parece não se importar com as mutretas do desmemoriado.

Vejamos aonde chegamos:

a torrente de escândalos é tão vasta que a mise-en-scène de um ministro passou a ser mais importante que seus atributos, suas qualidades, seu compromisso com o bem público.

No modo petista de vida, pode-se roubar, locupletar-se, mentir. Desde que se saia bonitinho na foto.

Não bastassem os malfeitos já conhecidos de Carlos Lupi, ontem, durante o depoimento dele no Senado, mais um veio à tona:
o ministro recebeu diárias pagas pelo Tesouro pela participação em eventos partidários do PDT no Maranhão.

Foi na mesma ocasião em que voou nas asas do King Air providenciado pelo empresário Meira.

Em dezembro de 2009, o ministro passou três dias no estado. No terceiro, um domingo, 13, não teve compromissos oficiais, mas sim um encontro partidário com pedetistas na cidade de Timon.

Mesmo assim, embolsou uma diária. No total, foram pagos R$ 1.736,90 por todo o período da estadia no Maranhão, de acordo com dados do Siafi.

Fuçando um pouco mais, deve ser possível encontrar mais dinheiro do contribuinte brasileiro que tenha ido parar indevidamente nos bolsos do ministro do Trabalho.

Segundo a Folha de S.Paulo, neste ano Lupi já recebeu R$ 33.422,55 em diárias. É comum ele passar os fins de semana no Rio, enfurnado em eventos partidários.

Embora a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomende que ministros divulguem seus compromissos oficiais nas páginas dos ministérios na internet, a agenda de Lupi disponível na web não permite verificar quais obrigações ele cumpriu nas datas em que recebeu as diárias.
Mas o uso indevido de recursos públicos por Lupi não para aí.
Vai muito mais além.

O Correio Braziliense revela hoje que o ministro tinha um motorista empregado pela Superintendência Regional do Trabalho (SRT) do Rio à sua disposição quando estava no estado.

Motorista particular de Lupi há 10 anos, Felipe Augusto Garcia Pereira foi nomeado pelo ministro para um cargo comissionado de assessor técnico no órgão. Ganhava R$ 13,6 mil mensais para servir o presidente licenciado do PDT.

"Apesar de nomeado para a SRT, Felipe estava lotado no gabinete de Lupi no Rio de Janeiro, no 14º andar do prédio da superintendência regional. Ele continuou desempenhando o papel de motorista particular do ministro, à disposição de Lupi no Rio de Janeiro", informa o jornal.

"Estava sempre com o ministro quando ele ia ao Rio de Janeiro, dirigindo para ele. Trabalho há muitos anos com Lupi", admitiu o motorista ao Correio.

O superintendente regional do Trabalho no Rio, Antônio Henrique Albuquerque, também confirmou que Pereira ficava à disposição de Lupi quando o ministro estava no Rio.

Carlos Lupi é um ministro cujo dia de amanhã no cargo é sempre incerto.
No depoimento de ontem, dois dos três senadores do PDT pediram a sua saída; nenhum governista de peso compareceu à sala da Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Nada disso, porém, parece abalar a convicção da presidente da República, que estaria disposta a conceder ao ministro "sobrevida de tempo indeterminado" no cargo, segundo O Estado de S.Paulo.

Com a postura que assumiu no atual escândalo, Dilma Rousseff não deixa dúvidas quanto a que lado defende.

Sua sociedade com o "malfeito" foi definitivamente selada.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

PRISÃO IMEDIATA PARA OS CORRUPTOS

“Você ainda acredita que é possível meter o porrete na cara dos políticos corruptos através do voto? Acha que é possível eliminar, da política brasileira, Sarney, Jader Barbalho, Collor, Lula, Maluf, Genoíno, Mensaleiros, Valdemar da Costa Neto etc..., através de eleições? Não permaneça otário! A Ditadura dos Políticos é a Pior de Todas!”
Renzo Sansoni

Alguém me contou que um pulha de um político, que eu nem quis saber o nome, pois sinto ânsia de vômito quando identifico ou vejo esses calhordas, cobrou do Poder Judiciário um maior rigor em processos que envolvem agentes policiais acusados por corrupção.

Pode existir uma hipocrisia maior do que essa postura leviana e instrumental da politicagem mais sórdida que toma conta do país?

Vamos solicitar ao cara que se mostra “defensor dos rigores das leis” que, como todo político “de respeito”, deve ser dono de um patrimônio invejável com o dinheiro que ganha no “exercício da política”, para que defenda a prisão imediata de políticos e funcionários públicos acusados de corrupção até que tenham seus processos concluídos - prisão com algemas e sem direito a fiança. Se algum calhorda for inocentado que o Estado o indenize!
Alguém vai perguntar: - por que tanto rigor com os corruptos?

Responderei gritando que esses canalhas são assassinos muito piores do que os que foram entulhados nos guetos e nas favelas em condições criminosas de sobrevivência ou os que exercem funções policiais em condições de pobreza e se deixam dominar pelo canto da sereia da propina que suborna.
Relativamente teremos que contar nos dedos os corruptos que foram presos ou pagaram suas dívidas com a sociedade.

Nos últimos dez anos - vamos repetir - já foram ROUBADOS, mais de 700 bilhões de reais do dinheiro arrecadado para pagar a saúde, a segurança, o saneamento, a educação e os investimentos estruturais que o país precisa para gerar empregos, e não para continuar transformando milhões em dependentes vitalícios do Estado com as práticas assistencialistas que sustentam a compra de votos dos ignorantes e o enriquecimento ilícito dos esclarecidos canalhas.

Já que o negócio é fazer assistencialismo decente ou indecente porque não criar a “bolsa polícia” para garantir condições de sobrevida para as famílias dos policiais mortos em serviço?

Por que a família do bandido, independente do fato gerador que o tornou assim, recebe uma bolsa prisão que pode ultrapassar mais de R$ 3.000,00 por mês dependendo da quantidade de filhos que tenha, e a família de um policial morto pelos bandidos tenha direito a apenas os sentimentos de tristeza dessa canalha de políticos-governantes para depois viver na pobreza extrema?

Infelizmente o desgoverno Dilma em vez de ter a coragem de desfazer a teia da corrupção avassaladora permitida pelo seu padrinho, ordena seus lacaios – deputados da base – que rejeitem qualquer convocação de ministros diante da máquina de corrupção deixada como uma das heranças malditas do Retirante Pinóquio.

A ordem é fazer a blindagem total e acabar com a transparência para que a sociedade acabe não entendendo o que realmente foram os dois últimos mandatos do PT, e qual a essência genocida do projeto de poder do petismo na direção de um regime comandado por um corruptocracia civil fascista. Afinal de contas o mais sórdido político de nossa história sonha com sua volta ao poder em 2014.

Esse comportamento da presidente é devido à lealdade, cumplicidade, rabo preso, ou medo de não ter cacife moral para sustentar uma administração que diga NÃO à continuação da transformação do poder público em um covil de bandidos? Ou tudo isso junto?

Geraldo Almendra é Professor

ESCOLHA UM MELHOR LUGAR PARA O SEU BEDELHO!!!


Vá cuidar da merda do seu país, dona Navi!

Da France Presse:

A alta comissária dos Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira “medidas adicionais para facilitar o julgamento dos supostos responsáveis por violações dos direitos humanos” durante a ditadura militar que assolou o Brasil entre 1964 e 1985.

Pillay saudou a sanção pela presidente Dilma Rousseff nesta sexta-feira de uma comissão para investigar os crimes cometidos durante os governos militares, mas afirmou que essa medida “deveria incluir a promulgação de uma nova legislação para revogar a Lei de Anistia de 1979 ou para declará-la inaplicável por impedir a investigação e levar à impunidade (…) em desrespeito à legislação internacional de direitos humanos”.

Muito gozado. Essa senhora é sul-africana e vem dar pitacos aqui no Brasil como se no seu país os Direitos Humanos fossem um exemplo para o mundo.

Vá cuidar da merda do seu país, dona Navi!
Por Ricardo Froes

NOTAS DO SEBASTIÃO NERY

Waldick Soriano, a voz das estradas

Estava em Jaguaquara, minha pequena e querida cidade do interior da Bahia, em 1958, quando o Serviço de Alto-Falantes Nossa Senhora Auxiliadora anunciou que o cinema, fechado há uma semana por falta de filme, estaria aberto naquela noite para apresentação de um cantor de sucesso, chegado de Minas, “A Voz das Estradas”.

Oito da noite, não havia mais um lugar vazio. No palco, apenas uma cadeira e uma mesinha, com uma garrafa de uísque nacional e um copo vazio. Aparece um rapaz magro, alto, cigarro no dedo, físico de estivador, cara agressiva, de chapéu, o antiartista. Mas com um violão na mão.

***
O CANTOR

- Meus senhores e minhas senhoras, lindas jovens desta cidade simpática. Vocês não me conhecem. Talvez nunca tenham ouvido falar em meu nome. Eu sou um cantor do povo. Minha vida é ir de cidade em cidade, do norte ao sul, cantando em todo lugar, por menor que seja. Hoje, me chamam “A Voz das Estradas”. Não apareço nas televisões, porque televisão é para cantor que tem máquina de propaganda montada, e eu não tenho.

- Também as rádios quase não tocam meus discos, porque não tenho dinheiro para pagar. Mas não há serviço de alto-falante que não tenha um disco meu. Por isso, eu mesmo pago para fazer meus discos e saio vendendo de cidade em cidade. Depois desse espetáculo, quem quiser ficar com um de lembrança, pode me procurar aqui no palco. Quero apenas que ouçam minha música em silêncio e guardem meu nome, porque ainda vou ser um grande cantor de sucesso, custe o que custar. Eu sou Waldick Soriano.

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WALDICK

Ganhou logo uma salva de palmas de mãos cheias, agradecidas por aquele inesperado cinema que não iam ter. E cantou. Cantou a noite inteira, sem parar. Meia-noite ainda estava de pé, violão no peito, chapéu na testa, andando de um lado para o outro e cantando pela terceira, quarta vez, sob palmas unânimes, principalmente da garotada, os números de sucesso, as músicas que eram o carro-chefe do espetáculo:

“Pobre do pobre”, história do rapaz do interior que não pôde casar com a namorada rica porque era pobre, “Eu não sou cachorro não”, lamento de uma história parecida. Anos anos depois, Waldick Soriano apareceu no Rio e São Paulo como um grande cartaz. Chapéu na cabeça, cara agressiva, invadiu as televisões, o rádio e o society, como tinha prometido dez anos antes.

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O CAMELÔ

Nascido em Caetité, no sertão da Bahia (terra de Anísio Teixeira), foi para Minas tentar a sorte. Em 1952, em Belo Horizonte, lapidava pedras semipreciosas de manhã, e à tarde era camelô. Camelô como foi Sílvio Santos. Durante muitos anos, Nelson Gonçalves foi o cantor dos cabarés e serviços de alto-falante do Brasil. O trono passou para o camelô Waldick.

Gervásio Horta, vitorioso compositor mineiro, parceiro de alguns dos maiores sucessos de Waldick, acha que o segredo dele foi o machismo:

- A vida artística brasileira é muito refrescada demais. Como Jece Valadão no cinema, Waldick fez o machão no microfone. Ficou dono do campo. A linha de suas músicas é toda essa: “Paixão de um homem” (“Amigo, por favor leve essa carta”…), “Eu também sou gente”. Compus agora para ele “Desligue o seu rádio”. Mais do que o artista sedutor, ele é o cantor do povo que veio por aí pelas estradas, de cidade em cidade.

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O REVÓLVER

Waldick era exclusivo da gravadora Chantecler. Em 65 achou que estava sendo roubado. Trancou-se com o diretor numa sala, tirou o revólver:
- Ou assina o meu cheque ou morre.

Saiu com o cheque. Dentro de um café society de cheques frios ele tinha que fazer furor. Era um cheque quente. O machão do society carioca.

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O PASQUIM

Esse texto aí em cima eu o escrevi em 1972, para a abertura de sua entrevista de capa ao “O Pasquim”, edição 155, de junho de 72:

“Waldick Soriano, de Caetité para o mundo”.

Quando ele começou, a televisão mal começava, era tudo no rádio, comandado do Rio e São Paulo. Não havia João Gilberto nem a bossa nova ao piano e ao violão, nos becos e garrafas de Copacabana. Não havia os Lucianos e Leonardos, filhos de Francisco, nem os chorosos Xitãozinho e Xororó. Eram só o violão, a estrada e a garganta. E uma cidade e um show por noite. E ele todo vestido de preto, com seu chapéu preto.

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PATRICIA PILLAR

Há algum tempo ele estava por Teresina, com a diretora do balé do Teatro do Piauí. Sempre com um uísque e um cigarro. E o vozeirão do povão. Sempre cantando, sempre fazendo shows. Ainda bem que o profissionalismo e a sensibilidade de Patricia Pillar perpetuaram em vídeo sua voz, seu charme, o sorriso zombeteiro, o jeitão de bom baiano do sertão.

Estroinamente como meu amigo viveu, 75 anos foram um bom saldo.

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BANCO SANTOS

Em 2008, a Justiça evaporou 3 bilhões. Li na Monica Bergamo, da “Folha”:
“O Tribunal de Justiça de São Paulo julgou pedido de falência de Edemar Cid Ferreira. Os desembargadores decidiram que, por não ser (sic) tecnicamente um empresário – atividade exercida por sua empresa, o Banco Santos, e não pessoalmente por ele -, Edemar não pode quebrar. E seus bens pessoais, portanto, não podem responder por dívidas da instituição”.

A Justiça é escola de crime de banqueiro? Dá o tombo e some o rombo.

NOTAS POLÍTICAS

O mundo transformado no Monte Sagrado

No ano 494 AC, o povo trabalhador de Roma abandonou a cidade. Eram os plebeus, que com suas famílias marcharam 20 quilômetros e foram acampar no Monte Sagrado. Tratava-se da multidão que fazia funcionar o futuro império mundial e havia chegado ao limite da exaustão, submetida às maiores degradações, explorada pelos patrícios. Mandaram dizer às elites da época e ao Senado que não mais lutariam por Roma, fornecendo soldados. Nem voltariam ao trabalho.

Protestavam contra o tratamento indigno recebido de seus credores: eram presos, escravizados e até assassinados por dívidas, recebendo cada vez menos pelas tarefas executadas. Os senadores tentaram de tudo para fazê-los voltar. Apelaram para a religião e a diplomacia, mas os rebeldes não recuaram. O risco, para os patrícios, envolvia a possibilidade de a rebelião passar para dentro das muralhas e riscar Roma do mapa, agora que os romanos vinham conquistando cidades e reinos vizinhos. No fim, o Senado cedeu e as massas obtiveram a primeira vitória característica da luta de classes. Suas dividas foram canceladas, dois tribunos escolhidos para defender seus interesses, loteadas entre eles as terras conquistadas.

Distribuiu-se gratuitamente o trigo e, acima de tudo, as promessas das elites tiveram que abandonar a retórica. Foi aprovada a Lei das Doze Tábuas, por escrito, que por 900 anos tornou-se a lei básica de Roma.

Por que se lembra essa história? Porque o Monte Sagrado expandiu-se neste começo de século. Virou o mundo inteiro, ou quase. As massas assalariadas estão nas ruas da Europa e dos Estados Unidos. Rejeitam o modelo por tanto tempo imposto pelas minorias que controlam o sistema financeiro: nada de aumento de impostos, redução de salários e aposentadorias, demissões em massa, supressão de investimentos sociais, privatizações e demais iniciativas destinadas a manter as populações sustentando o pagamento das dívidas contraídas pelas nações.

Ironicamente, por conta de artifícios e malandragens praticados por essas mesmas minorias. A hora é de os patrícios se renderem. Se os trabalhadores negarem-se a continuar contribuindo com o modelo a eles imposto, como as elites se sustentarão? De que forma os bancos permanecerão faturando horrores se não tiverem mais quem pague pela sua exploração, ou ninguém para explorar e emprestar?

O Senado romano agiu premido pelas circunstâncias, mas com inteligência. Resta que caiam em si os sucessivos governos dispostos a tirar das massas as condições de preservação de seu poder. Ou que simplesmente caiam. Na Itália, da Grécia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha, na França e agora nos Estados Unidos, o protesto é um só. Não haverá polícia que dê jeito, se a palavra de ordem for de cruzar os braços. De não colaboração. Fazer o quê? De início, ir para o Monte Sagrado. Depois, alguma coisa acontecerá, admitindo-se o grito de revolta do poeta popular: “não sei para onde vou, não sei por onde vou, não sei como vou! Só sei que não vou por aí!”

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INCÓGNITA

Não dá para entender a estratégia de Dilma Rousseff na questão Carlos Lupi. O ministro do Trabalho perdeu todas as condições de continuar ministro, importando menos se pegou carona no King-Air de um empresário com o qual tinha negócios pouco claros, se jantou na casa desse empresário ou até se mentiu, dizendo não conhecê-lo. A verdade é que sua permanência tornou-se inviável, mais até do que Antônio Palocci, Nelson Jobim, Pedro Novais, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Orlando Silva.

Por que, então, a presidente insiste em mantê-lo? Para demonstrar que seu governo não é pautado pela mídia? Porque o ex-presidente Lula quer assim? Porque vai mudar parte do ministério em janeiro? Porque precisa dos votos do PDT no Congresso? O resultado é o desgaste expandindo-se do ministério do Trabalho para o palácio do Planalto.

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TERÁ SIDO O MINISTÉRIO?

Mais uma pérola falsa no colar que envolve o pescoço do ministro Carlos Lupi. Em seu mais recente depoimento, no Senado, atribuiu ao seu ministério a criação dos tais milhões de novos empregos e a inclusão de outros tantos milhões na classe média. Ora, a pasta do Trabalho terá contribuído, no máximo, com as novas carteiras profissionais distribuídas aos que estavam desempregados. O esforço para a melhoria de vida de tanta gente deveu-se ao governo Lula, como um todo, quer dizer, aos diversos ministérios, agencias oficiais, planos e programas sociais variados, sorte e muita propaganda. Centralizar o sucesso num único prédio da Esplanada dos Ministério é muita pretensão.

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REAPARECEU

Uma das novidades da semana foi o reaparecimento do ex-governador Ciro Gomes, depois de quase um ano na sombra. Membro do Partido Socialista, ele admitiu sua candidatura presidencial em 2014, mesmo reconhecendo o potencial do comandante do partido, o governador Eduardo Campos, capaz de ultrapassá-lo como a melhor opção, por enquanto. Ignora-se se Ciro Gomes transferiu outra vez seu título eleitoral, agora de São Paulo para o Ceará, caminho natural para quem pretende voltar ao palco. Porque esse elogio o ex-presidente Lula não merece, de ter feito o ex-candidato mudar do Nordeste para o Sudeste. Não deu certo.

Carlos Chagas

MANOBRISTA OU FLANELINHA: CUIDADO!

Muito cuidado ao fazer a entrega do seu carro a um flanelinha ou a um manobrista: eles podem arruinar a sua vida


Um guardador de carros (flanelinha), cujo proprietário do veículo tinha por hábito entregar-lhe as chaves para também manobrá-lo, perdeu o controle do automóvel, um Citroen Xsara, resultando num grave acidente, no início da noite de quinta-feira, 17/11/, no bairro de Copacabana, no Rio, onde uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas.

William – até este momento só se sabe o primeiro nome do guardador – encontrava-se visivelmente alcoolizado, segundo testemunhas. Atrapalhou-se com o câmbio automático do carro batendo numa Kombi estacionada nas proximidades, indo esta em direção a uma praça atingindo uma mesa onde as quatro vítimas jogavam cartas. Mais um tragédia, cuja tipicidade de tal prática também vem se tornando rotina na barbárie do trânsito brasileiro. O flanelinha fugiu e talvez permaneça impune, quem sabe ad eternum.

A realidade é que, com a saturação cada vez maior dos espaços públicos, em razão do aumento da frota de veículos no país, a procura por uma vaga, na tentativa de estacionar um veículo na via pública, principalmente nos grandes centros urbanos, tem sido uma problema para os motoristas. A estimativa da frota nacional hoje é de mais de 65 milhões de veículos. O país tem uma média de um carro para cada 2,94 habitantes e as vias públicas tiveram um aumento de 5,456 milhões de veículos, entre 2009 e 2010.

O total de veículos, na última década, aumentou 119%, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A frota circulante em território nacional atingiu 64,817 milhões em dezembro de 2010, mas a malha viária teve a mínima evolução e quase nenhum planejamento para suportar tal impacto.

Assim sendo, estacionar um veículo numa via pública, mormente em horário de expediente, em dias de semana, é como procurar uma agulha num palheiro. Guardadores são cada vez mais acionados para guardarem os veículos e os estacionarem onde for possível, mesmo em locais proibidos. É óbvio também que nenhum proprietário de veículo tem por hábito perguntar ao flanelinha ou ao manobrista se este é devidamente habilitado, inclusive para conduzir aquele espécie de veículo, se está com sua carteira de habilitação vencida ou não ou dele se aproxima para observar se exala hálito etílico, ou seja se ingeriu momentos antes uns copinhas de cerveja ou mesmo umas doses de pinga.

No entanto, o resultado da entrega do veículo a um guardador ou a um manobrista pode gerar ao proprietário ou ao seu condutor graves consequências em casos de acidentes. As consequências podem abranger responsabilidades nas áreas criminal, cível e administrativa, dependendo do caso que ocorra. Na tragédia desta quinta-feira, em Copacabana, o proprietário do veículo poderá responder às penas do Artigo 310 do Código de Trânsito Brasileiro, se o guardador, causador do grave crime de trânsito, for inabilitado, ou se estiver com a habilitação suspensa ou cassada, ou se estiver, pelo estado de saúde física ou mental ou por embriaguez – as testemunhas afirmam que o flanelinha estava embriagado – sem condições de conduzir o veículo com segurança. A pena de detenção vai de seis meses a um ano ou multa.

Administrativamente responderá às penalidades do Artigo 163 do CTB, pela entrega do carro pelos mesmos motivos citados. Na área administativa a lei acresce o caso de entrega do veículo a condutor com a validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de 30 dias ou ainda em caso de entrega do carro a pessoa que possua carteira de categoria diferente da do veículo em questão. A multa, de natureza gravíssima, em todos os casos, é de R$ 191,54, agravada três ou cinco vezes o seu valor, dependendo do caso que se apresente, sem falar na apreensão do veículo ou mesmo no recolhimento do documento de habilitação do proprietário.

Na área cível será reponsabilizado por indenizações pelos danos físicos e materiais e despesas hospitalares resultantes do acidente e não cobertas pelos valores da indenização do seguro DPVAT. Também poderá ser o responsável por pensões decorrentes por morte ou invalidez permanente. Registre-se que o INSS, recentemente, adotou o expediente de cobrar na Justiça os gastos com benefícios previdenciários referentes a casos em que fica comprovada a culpabilidade do motorista, como embriaguez e ou outros tipos de imprudência ao volante, sendo também o proprietário do veículo, portanto, responsável solidário de acordo com o fato ocorrido, se o condutor não possui condições financeiras para responsabilizar-se por tais indenizações. Ressalte-se que as Companhias Seguradoras só são obrigadas a cobrir indenizações de sinistros, dependendo de cada caso, em acidentes em que o motorista ou motoristas do veículo estejam plenamente indicados nas informações contratuais.

Fica aí, portanto, o alerta e o ensinamento. Quem é proprietário de um veículo automotor normalmente é responsável pelo que ocorrer com ele. Antes de confiar a direção a quem quer que seja certifique-se de que pode não está cometendo uma imprudência que pode lhe custar muita dor de cabeça e muito caro. Cuidado, o seu próprio veículo pode se tornar, muitas vezes, uma perigosa arma disparada contra a sua própria cabeça.

Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro

CRIME DE LESA-PÁTRIA

A comprovação dos crimes de lesa-pátria: doada por 3 BILHÕES, a Vale compra uma subsidiária por 90 BILHÕES. Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro.
Vilé Magalhães

Caro Newton, dando prosseguimento às matérias do mestre Helio Fernandes, que sempre serão atuais, temos este artigo sobre a Vale, uma das mais importantes empresas da América Latina. Aí está uma realidade da traição de FHC e LULA, que não é mais o mesmo que o povo ainda pensa dele.

Helio Fernandes

A Vale foi DOADA por 3 BILHÕES, não entraram com dinheiro algum, nem era preciso. Uma parte do necessário foi bancada pelo BNDES, que desde que foi criado, financiou, patrocinou ou privilegiou tudo que era contra o interesse nacional, da comunidade e do cidadão-contribuinte-eleitor.

Só para o Bradesco-Bradespar, um dos que ganharam fortunas com essa B-A-N-D-A-L-H-E-I-R-A (e que o então presidente Lula considerou I-R-R-E-V-E-R-S-Í-V-E-L) o BNDES emprestou 243 milhões de dólares, na época mais de 800 milhões de reais. Até hoje, ainda não pagou apesar dos lucros de 8 BILHÕES por ano, vergonha nacional. No caso não só o Bradesco.

Não importa o valor da empresa. Transita na Justiça (já em tribunal superior) uma ação contra esse preço miserável pelo qual o povo perdeu uma de suas maiores empresas. Um juiz de primeira instância, sentenciou, “determinar o preço de uma empresa como a Vale, só fazendo perícia”. Elementar, meu caro Watson.

No momento estou mais interessado na compra pela Vale, da mineradora Xstrata. Compraram a Vale, como está dito, por 3 BILHÕES. Agora, compram a Xstrata, por 90 BILHÕES. Quer dizer: em poucos anos, oferecem por uma firma que será apenas subsidiária, 30 vezes o que “pagaram” pela empresa mãe. É evidente que não deram esse salto por causa de uma possível e apregoada administração privada ou uma possível e apregoada administração estatal.

O Poder que a Vale concentrava era tão grande, que pôde chegar onde chegou em tempo tão curto.
Sem precisar de capital. Sem ter que amortizar passivo que não existia. Sem ter que disputar ou conquistar mercado, pois a procura por minério no mundo é muito maior do que a produção. Todos esses fatores, reunidos, geraram esses lucros astronômicos. Que deliberadamente são jogados na mídia do mundo para desmoralizar o gerenciamento ESTATAL, aumentar a administração PRIVADA, mostrar que o mundo se desenvolve com a GLOBALIZAÇÃO.

Enquanto o País sangra com essas DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES de FHC que o presidente Lula não anulou, lembremos rapidamente desse ato vergonhoso de entregar uma das maiores empresas do Brasil. E FHC, que pretendia DOAR outras, DOOU muitas, recuou em algumas, como no caso da Petrobras. Mas implantou as LICITAÇÕES multinacionais.

A DOAÇÃO da Vale foi escabrosa. Mas devíamos pelo menos fazer uma CPI para devassar tudo. Um governo DEVASSO, com o de FHC, tem que ser DEVASSADO. Nunca será. O Brasil está literal e textualmente VENDIDO, arranjaram a justificativa da globalização. E FHC, criativo, dizia: “Temos que PRIVATIZAR para pagar as dívidas”. Mas o nosso patrimônio foi consideravelmente reduzido, a DÍVIDA cresceu de forma gigantesca. De 62 bilhões quando assumiu, para mais de 800 bilhões quando DESASSUMIU, oito anos depois.

Agora, todos perguntam: “A saída, onde está a saída?” Estaria na oposição atuante e esclarecedora e também em membros do governo, atentos e fiscalizadores. Os dois lados falharam pela impunidade decorrente da omissão. Agora, teríamos que movimentar ou mobilizar órgãos de passado respeitável, como a OAB, ABI, Clube de Engenharia, e outros que realmente se preocupassem com o destino e o futuro do Brasil.

***

PS – Só uma ação conjunta de órgãos e pessoas, seria capaz de destruir esses grupos que enriquecem com o nosso empobrecimento. E já estão tentando privatizar novos órgãos importantes. Que República.

LUPI FICARÁ APODRECENDO, POUCO A POUCO...

A nova desculpa do Planalto para manter o ministro Carlos Lupi é patética. Ele fica, porque não tem o que fazer e está “controlado” e “esvaziado”.
Carlos Newton

A alegação para a leniência e aconivência agora é dizer que a presidente Dilma Rousseff terá mais margem de manobra para promover mudanças no Ministério do Trabalho se substituir Carlos Lupi na reforma do início de 2012. Ou seja, a permanência do pedetista por mais um ou dois meses seria, do ponto de vista da presidente, “indolor”.

Mas como classificar essa situação de processo “indolor”? O ministro está se exaurindo em público. Seu próprio partido, o PDT, do qual é presidente licenciado, já não o apóia. As denúncias contra sua gestão e a atuação de ONGs fajutas se multiplicam, sem respostas adequadas.

E agora vem a explicação de que não há pauta relevante aos cuidados do ministro até o ano que vem e Lupi estaria, nas palavras de subordinados de Dilma, “esvaziado” e “controlado”. A única coisa certa nisso tudo é dizer que Lupi está “esvaziado”, e é praticamente impossível esvaziá-lo ainda mais. Ele já chegou ao fundo do poço.

Quanto a dizer que está “controlado”, ocorre justamente o contrário, Carlos Lupi está totalmente sem controle, vendo sua carreira política ser destruída dia após dia, como se estivesse submetido a uma tortura chinesa. Sua luta para permanecer no cargo é tão desesperada que chega a dar pena.

E a estratégia do Planalto continua a mesa. Deixa o ministro ir apodrecendo progressivamente, “esvaziado e controlado”, como se o governo não tivesse nada a ver com o que acontece nos ministérios. No caso do Trabalho, nem “agenda importante” teria, vejam só que desculpa esfarrapada.

Dizem que a próxima vitima será o ministro das Cidades, Mário Negromonte. Ainda há poucas denúncias de irregularidades, mas há meses ele entrou em rota de colisão com pelo menos metade da bancada (39 deputados federais e cinco senadores), ao afirmar que o partido (PP) tinha muitos fichas-sujas. A campanha interna contra ele no PP é movida pelo ex-ministro Marcio Fortes, que sonha dia e noite em voltar ao ministério.

Com diz o mestre Helio Fernandes, que república.

Carlos Newton

CRIME DE LESA-PÁTRIA

A comprovação dos crimes de lesa-pátria: doada por 3 BILHÕES, a Vale compra uma subsidiária por 90 BILHÕES. Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro.
Vilé Magalhães

Caro Newton, dando prosseguimento às matérias do mestre Helio Fernandes, que sempre serão atuais, temos este artigo sobre a Vale, uma das mais importantes empresas da América Latina. Aí está uma realidade da traição de FHC e LULA, que não é mais o mesmo que o povo ainda pensa dele.

Helio Fernandes

A Vale foi DOADA por 3 BILHÕES, não entraram com dinheiro algum, nem era preciso. Uma parte do necessário foi bancada pelo BNDES, que desde que foi criado, financiou, patrocinou ou privilegiou tudo que era contra o interesse nacional, da comunidade e do cidadão-contribuinte-eleitor.

Só para o Bradesco-Bradespar, um dos que ganharam fortunas com essa B-A-N-D-A-L-H-E-I-R-A (e que o então presidente Lula considerou I-R-R-E-V-E-R-S-Í-V-E-L) o BNDES emprestou 243 milhões de dólares, na época mais de 800 milhões de reais. Até hoje, ainda não pagou apesar dos lucros de 8 BILHÕES por ano, vergonha nacional. No caso não só o Bradesco.

Não importa o valor da empresa. Transita na Justiça (já em tribunal superior) uma ação contra esse preço miserável pelo qual o povo perdeu uma de suas maiores empresas. Um juiz de primeira instância, sentenciou, “determinar o preço de uma empresa como a Vale, só fazendo perícia”. Elementar, meu caro Watson.

No momento estou mais interessado na compra pela Vale, da mineradora Xstrata. Compraram a Vale, como está dito, por 3 BILHÕES. Agora, compram a Xstrata, por 90 BILHÕES. Quer dizer: em poucos anos, oferecem por uma firma que será apenas subsidiária, 30 vezes o que “pagaram” pela empresa mãe. É evidente que não deram esse salto por causa de uma possível e apregoada administração privada ou uma possível e apregoada administração estatal.

O Poder que a Vale concentrava era tão grande, que pôde chegar onde chegou em tempo tão curto.
Sem precisar de capital. Sem ter que amortizar passivo que não existia. Sem ter que disputar ou conquistar mercado, pois a procura por minério no mundo é muito maior do que a produção. Todos esses fatores, reunidos, geraram esses lucros astronômicos. Que deliberadamente são jogados na mídia do mundo para desmoralizar o gerenciamento ESTATAL, aumentar a administração PRIVADA, mostrar que o mundo se desenvolve com a GLOBALIZAÇÃO.

Enquanto o País sangra com essas DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES de FHC que o presidente Lula não anulou, lembremos rapidamente desse ato vergonhoso de entregar uma das maiores empresas do Brasil. E FHC, que pretendia DOAR outras, DOOU muitas, recuou em algumas, como no caso da Petrobras. Mas implantou as LICITAÇÕES multinacionais.

A DOAÇÃO da Vale foi escabrosa. Mas devíamos pelo menos fazer uma CPI para devassar tudo. Um governo DEVASSO, com o de FHC, tem que ser DEVASSADO. Nunca será. O Brasil está literal e textualmente VENDIDO, arranjaram a justificativa da globalização. E FHC, criativo, dizia: “Temos que PRIVATIZAR para pagar as dívidas”. Mas o nosso patrimônio foi consideravelmente reduzido, a DÍVIDA cresceu de forma gigantesca. De 62 bilhões quando assumiu, para mais de 800 bilhões quando DESASSUMIU, oito anos depois.

Agora, todos perguntam: “A saída, onde está a saída?” Estaria na oposição atuante e esclarecedora e também em membros do governo, atentos e fiscalizadores. Os dois lados falharam pela impunidade decorrente da omissão. Agora, teríamos que movimentar ou mobilizar órgãos de passado respeitável, como a OAB, ABI, Clube de Engenharia, e outros que realmente se preocupassem com o destino e o futuro do Brasil.

***

PS – Só uma ação conjunta de órgãos e pessoas, seria capaz de destruir esses grupos que enriquecem com o nosso empobrecimento. E já estão tentando privatizar novos órgãos importantes. Que República.

LIGAÇÃO DE CABRAL COM OS ADVOGADOS QUE TENTAVAM DAR FUGA AO TRAFICANTE NEM

Blog do Ricardo Gama (aquele que sofreu um grave atentado) denuncia a ligação de Cabral com os advogados que tentavam dar fuga ao traficante Nem.

O sempre atento comentarista Mario Assis nos manda essa impressionante denúncia do blog independente de Ricardo Gama, que está rolando na internet, sobre os três inacreditáveis advogados do traficante Nem e suas ligações com o governo Sergio Cabral. Confirma-se, assim, que a “prisão” do célebre criminoso é uma das histórias mais mal contadas dos últimos tempos. A propósito, não custa perguntar: como está a investigação do atentado a tiros contra o blogueiro, que ficou gravemente ferido?

INACREDITÁVEL, MISTERIOSO, SEM EXPLICAÇÃO…


1. Os três advogados PRESOS juntos com o traficante Nem: André Luiz Soares Cruz (disse ser cônsul honorário do Congo), Demóstenes Armando Dantas Cruz (disse ser funcionário do consulado, porém, além de advogado do traficante “Nem da Rocinha” ele é também Diretor do Conpej) e Luiz Carlos Cavalcante Azenha.

2. Os advogados André Luiz Soares Cruz e Demóstenes Armando Dantas Cruz são muito próximos do Dr. Jovenal da Silva Alcântara, Assessor Especial do Governador Sérgio Cabral. Os dois advogados são muito influentes e poderosos.

3. O Conpej (Conselho Nacional dos Peritos Judiciais) realizou no dia 18 de maio a sua já tradicional cerimônia de entrega dos certificados aos alunos que concluíram os cursos Periciais nos últimos meses, tanto na modalidade “Presencial” como EaD, com a presença de diversas autoridades e personalidades do Executivo e do Judiciário, tendo como homenageado especial o Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de janeiro Exmo. Dr. Reinaldo Pinto Alberto Filho, que recebeu a Moção da Ordem do Mérito Pericial pelos relevantes serviços prestados na defesa da atividade pericial e do aprimoramento profissional dos peritos, através de seu brilhante livro“ da Perícia ao Perito”. Estiveram também presentes a mesa como convidados especiais: o Dr. Jovenal da Silva Alcântara, Assessor Especial do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Cláudio Jorge Diretor da Fazenda Publica, Dr. Marcos de Oliveira Siliprandi Diretor de Identificação Civil do Detran, Dr. Roberto Barbosa Delegado de Policia Federal, Dr. Julio César Valente Trancoso Presidente do Clube de Assistência aos Servidores Públicos, Dr. Demostenes Cruz Advogado e Diretor do Conpej, e Dr. André Luiz Soares Cruz Advogado.

4 . Um delegado da Polícia Civil “aparece do nada” quando o traficante Nem da Favela da Rocinha ia ser preso, e tenta ficar com a ocorrência, e tirar o carro sem que o porta-malas fosse aberto, o que só não conseguiu por que PM honestos furaram o pneu do veículo, e a Polícia Federal chegou a tempo.

Esse tal “delegado” foi chamado pelos Doutores do “crime”, os advogados que davam fuga ao bandido Nem, e já tinham tentado subornar os PM com um milhão de reais.

O tal “delegado” é investigado, e a “cúpula” da Polícia Civil diz que não houve nada de errado, já que a “verdade” era que o traficante Nem estaria negociando a sua rendição.

Mas para ficar mais confuso, o traficante Nem ia fingir que estava sendo preso, quando na verdade estaria se entregando para evitar supostas retaliações, isso tudo é alegado pela “cúpula” da Polícia Civil, conforme a matéria publicada em vários jornais do Rio de Janeiro.

Essa “rendição” do Nem era tão secreta, mas tão secreta, que ninguém sabia, nem a Polícia Militar e nem a Polícia Federal.

Aliás, era tão secreta, mas tão secreta, que nem o próprio Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame sabia.

Mas Beltrame depois de alertado pela “cúpula” da Polícia Civil mudou de idéia, e passou a dizer que sabia, e aí?

Só um detalhe, o traficante Nem disse várias vezes à Polícia Federal que NUNCA negociou a sua rendição, e que estava fugindo.

5. Algo de podre no ar…. O que há escondido por trás da prisão do traficante Nem? Quem são as pessoas, os verdadeiros “tubarões”, que protegiam o bandido?

Como um pessoa, no caso o advogado, Dr. André Luiz Soares Cruz, se passa por Cônsul, comete crime de corrupção ativa (pena de2 a12 anos de cadeia) tentando subornar policiais militares com até R$ 1 milhão para ajudar um traficante a fugir, isso sem considerar a possibilidade do crime de associação ao tráfico. e não fica preso? Quem realmente é esse advogado, Dr. André Luiz Soares Cruz, e quem são seus amigos?

Muito estranha essa “historinha” da “cúpula” da Polícia Civil para tentar justificar a presença desse tal “delegado”, eu particularmente prefiro acreditar em duendes, fadas, e coelhinho da páscoa.

Fica a dúvida no ar, o que há por trás da prisão do Nem? Existem fatos que ainda não foram esclarecidos, por exemplo, essa historinha desse “delegado”.

O traficante Nem revelou a Polícia Federal que “policiais” receberiam propina de R$ 500 mil reais por mês. Quem são esse policiais?

Ahhh, se o Brasil fosse um país sério?

Complicado…. A verdade é: “O Nem hoje é um arquivo vivo, e corre sério risco de ser “suicidado”, além do que tem muita, mas muita gente mesmo sem dormir no Rio desde que o bandido foi preso.”

Que a POLÍCIA FEDERAL cuide da vida do Nem para que ele derrube a república dos bandidos engravatados do Rio.

Carlos Newton

LIGAÇÃO DE CABRAL COM OS ADVOGADOS QUE TENTAVAM DAR FUGA AO TRAFICANTE NEM

Blog do Ricardo Gama (aquele que sofreu um grave atentado) denuncia a ligação de Cabral com os advogados que tentavam dar fuga ao traficante Nem.

O sempre atento comentarista Mario Assis nos manda essa impressionante denúncia do blog independente de Ricardo Gama, que está rolando na internet, sobre os três inacreditáveis advogados do traficante Nem e suas ligações com o governo Sergio Cabral. Confirma-se, assim, que a “prisão” do célebre criminoso é uma das histórias mais mal contadas dos últimos tempos. A propósito, não custa perguntar: como está a investigação do atentado a tiros contra o blogueiro, que ficou gravemente ferido?

INACREDITÁVEL, MISTERIOSO, SEM EXPLICAÇÃO…


1. Os três advogados PRESOS juntos com o traficante Nem: André Luiz Soares Cruz (disse ser cônsul honorário do Congo), Demóstenes Armando Dantas Cruz (disse ser funcionário do consulado, porém, além de advogado do traficante “Nem da Rocinha” ele é também Diretor do Conpej) e Luiz Carlos Cavalcante Azenha.

2. Os advogados André Luiz Soares Cruz e Demóstenes Armando Dantas Cruz são muito próximos do Dr. Jovenal da Silva Alcântara, Assessor Especial do Governador Sérgio Cabral. Os dois advogados são muito influentes e poderosos.

3. O Conpej (Conselho Nacional dos Peritos Judiciais) realizou no dia 18 de maio a sua já tradicional cerimônia de entrega dos certificados aos alunos que concluíram os cursos Periciais nos últimos meses, tanto na modalidade “Presencial” como EaD, com a presença de diversas autoridades e personalidades do Executivo e do Judiciário, tendo como homenageado especial o Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de janeiro Exmo. Dr. Reinaldo Pinto Alberto Filho, que recebeu a Moção da Ordem do Mérito Pericial pelos relevantes serviços prestados na defesa da atividade pericial e do aprimoramento profissional dos peritos, através de seu brilhante livro“ da Perícia ao Perito”. Estiveram também presentes a mesa como convidados especiais: o Dr. Jovenal da Silva Alcântara, Assessor Especial do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Cláudio Jorge Diretor da Fazenda Publica, Dr. Marcos de Oliveira Siliprandi Diretor de Identificação Civil do Detran, Dr. Roberto Barbosa Delegado de Policia Federal, Dr. Julio César Valente Trancoso Presidente do Clube de Assistência aos Servidores Públicos, Dr. Demostenes Cruz Advogado e Diretor do Conpej, e Dr. André Luiz Soares Cruz Advogado.

4 . Um delegado da Polícia Civil “aparece do nada” quando o traficante Nem da Favela da Rocinha ia ser preso, e tenta ficar com a ocorrência, e tirar o carro sem que o porta-malas fosse aberto, o que só não conseguiu por que PM honestos furaram o pneu do veículo, e a Polícia Federal chegou a tempo.

Esse tal “delegado” foi chamado pelos Doutores do “crime”, os advogados que davam fuga ao bandido Nem, e já tinham tentado subornar os PM com um milhão de reais.

O tal “delegado” é investigado, e a “cúpula” da Polícia Civil diz que não houve nada de errado, já que a “verdade” era que o traficante Nem estaria negociando a sua rendição.

Mas para ficar mais confuso, o traficante Nem ia fingir que estava sendo preso, quando na verdade estaria se entregando para evitar supostas retaliações, isso tudo é alegado pela “cúpula” da Polícia Civil, conforme a matéria publicada em vários jornais do Rio de Janeiro.

Essa “rendição” do Nem era tão secreta, mas tão secreta, que ninguém sabia, nem a Polícia Militar e nem a Polícia Federal.

Aliás, era tão secreta, mas tão secreta, que nem o próprio Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame sabia.

Mas Beltrame depois de alertado pela “cúpula” da Polícia Civil mudou de idéia, e passou a dizer que sabia, e aí?

Só um detalhe, o traficante Nem disse várias vezes à Polícia Federal que NUNCA negociou a sua rendição, e que estava fugindo.

5. Algo de podre no ar…. O que há escondido por trás da prisão do traficante Nem? Quem são as pessoas, os verdadeiros “tubarões”, que protegiam o bandido?

Como um pessoa, no caso o advogado, Dr. André Luiz Soares Cruz, se passa por Cônsul, comete crime de corrupção ativa (pena de2 a12 anos de cadeia) tentando subornar policiais militares com até R$ 1 milhão para ajudar um traficante a fugir, isso sem considerar a possibilidade do crime de associação ao tráfico. e não fica preso? Quem realmente é esse advogado, Dr. André Luiz Soares Cruz, e quem são seus amigos?

Muito estranha essa “historinha” da “cúpula” da Polícia Civil para tentar justificar a presença desse tal “delegado”, eu particularmente prefiro acreditar em duendes, fadas, e coelhinho da páscoa.

Fica a dúvida no ar, o que há por trás da prisão do Nem? Existem fatos que ainda não foram esclarecidos, por exemplo, essa historinha desse “delegado”.

O traficante Nem revelou a Polícia Federal que “policiais” receberiam propina de R$ 500 mil reais por mês. Quem são esse policiais?

Ahhh, se o Brasil fosse um país sério?

Complicado…. A verdade é: “O Nem hoje é um arquivo vivo, e corre sério risco de ser “suicidado”, além do que tem muita, mas muita gente mesmo sem dormir no Rio desde que o bandido foi preso.”

Que a POLÍCIA FEDERAL cuide da vida do Nem para que ele derrube a república dos bandidos engravatados do Rio.

Carlos Newton

POR QUE DILMA FAZ SUCESSO?

Pesquisa CNI/Ibope recente aponta que a presidente Dilma Rousseff, em setembro, foi aprovada por 71% da população. Esse resultado foi melhor que os de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo, em seus primeiros mandatos. É um índice espetacular. O pessoal de seu partido, o PT, deveria estar exultante… Porém não está. Na verdade, os petistas autênticos – ideológicos – estão é muito apreensivos.

E qual seria a razão para tamanho desalento?

Simples. A popularidade de Dilma Rousseff não se deve ao desempenho da economia nem à excelência da sua gestão. O primeiro indica um crescimento pífio e a segunda se tem caracterizado pelo curto prazo de validade de seus ministros. Dilma está com a bola toda por motivos que os petistas julgam equivocados. Ao menos aos olhos dos militantes do partido. A sua tão festejada “faxina ética” é algo que contraria todos os dogmas da esquerda.

Combater a corrupção com moralismo não funciona, alertam alguns. A corrupção é inerente ao sistema capitalista, proclamam outros.

Basta consultar os principais blogs simpáticos à “causa” para saber que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – anjo decaído do poder central -, permanece sendo um ícone para a militância partidária. Por ocasião do 2.º Congresso da Juventude Petista, no último domingo, Dirceu ponderou que, “nas duas vezes em que houve lutas moralistas contra a corrupção, deu no Jânio e no Collor: um renunciou e o outro sofreu impeachment”.

Já o presidente do Partido dos Trabalhadores, nesse mesmo congresso, concluiu que “os adversários de Agnelo (Queiroz, governador do Distrito Federal, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça por suspeita de desvio de dinheiro público) são canalhas e caluniadores. Eles tentam atingir o PT”.

Dirceu, ao final do congresso petista, foi brindado com uma camiseta onde se lia: “Contra o golpe das elites”.

Qual é o raciocínio que rege tão estranhas manifestações?

Que elites seriam essas, malvadas, que pretendem dar um golpe no democrático governo do PT?

Pelo visto, não são as elites da política e do sindicalismo – que compartilham o governo por intermédio do PT. Tampouco as elites econômicas e empresariais – escolhidas por critérios obscuros -, beneficiadas pelo crédito abundante e subsidiado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido como BNDES. E também não são, com certeza, os privilegiados “especialistas” que prestam consultorias milionárias às empresas estatais e aos fundos de pensão, porque tudo isso também é vinculado ao PT.

Então, se as tais elites malvadas não são nenhuma dessas acima apontadas, a que outras elites os dois dirigentes partidários se referiram?


Trata-se do seguinte: os petistas, bem como os demais socialistas, entendem que o grande roubo existente na sociedade é a exploração dos proletários pelos seus patrões. E a grande missão que lhes cabe no mundo é denunciar aos pobres que eles continuam pobres porque os ricos estão cada vez mais ricos. Os burgueses, por natureza, pouco ou nada trabalham. Vivem à custa da “mais-valia” que extraem do trabalho da massa proletária. Somente por meio da “conscientização” dessa massa a revolução se tornará possível…

Dentro da lógica deles, o combate à corrupção nos órgãos do governo é uma meta secundária, uma mera manifestação de moralismo pequeno-burguês.

Num sistema igualitário – como o que eles defendem -, a propriedade privada seria abolida e, assim sendo, as pessoas não teriam mais por que ambicionar riquezas. E muito menos por que buscar obtê-las por meios escusos.

Apresentada assim, até parece uma boa ideia… Só que existe um porém.

Todas as pessoas nascem iguais, é verdade. Mas os seus anseios, os seus talentos e os seus esforços acabam por torná-las diferentes. Nivelá-las, todas, por baixo, novamente, é algo que requer coerção e arbitrariedade. E a História nos ensina que sempre que a coerção e a arbitrariedade se apresentam à porta é a democracia que foge pela janela.

Não é à toa, portanto, que os petistas pregam o “controle social da mídia”. É uma forma, digamos, educada de dizer que eles pretendem tolher o nosso direito de discordar. Não, não se trata de censura à imprensa, alegam. É apenas, talvez, uma pequena limitação do que a imprensa pode publicar…

Pessoalmente, eu sempre duvidei daqueles que acreditam saber julgar, melhor do que o povo, aquilo que o povo realmente quer e precisa.

Como Deus não revelou a sua Verdade a ninguém, como a nenhum partido político é concedido o direito de se arvorar em concessionário exclusivo da virtude e das boas intenções, o mais seguro para todos é preservar a liberdade. E a liberdade só se consuma por meio do pleno exercício de eleger e poder ser eleito, da alternância no poder, da segurança de poder discordar, da sacralidade dos direitos humanos, da justiça igual para todos, do respeito às prerrogativas de cada um. E, por fim, do direito, assegurado aos indivíduos, de cada um poder ser feliz à sua própria maneira.

E quanto ao povo em geral? É justo viver na miséria? É legítimo morrer de fome? Não existiriam, também, “direitos sociais” para ele?

Sem dúvida. Mas é preciso compreender que o povo que deseja o pão é o mesmo que exige honestidade. As pessoas, que são quase todas elas decentes, não admitem que os políticos não o sejam.

É por isso que Dilma faz sucesso. E é por isso, também, que o PT não faz.

19 de novembro de 2011
Autor: João Mellão Neto
Fonte: O Estado de S. Paulo, 18/11/2011

O BRASIL AGORA É BBB

Desde o início dos anos 1990, quando o economista Pedro Malan negociou com os credores o acordo que pôs fim à novela da dívida externa (ainda no governo Collor de Mello), nunca mais o Brasil atrasou o pagamento de suas obrigações internacionais.

Pagou centavo por centavo do que devia e nunca mais teve dificuldades para conseguir novos empréstimos.

Hoje, a dívida interna brasileira é de pouco mais de R$ 2 trilhões e o país é credor em suas contas internacionais: tem a receber R$ 500 bilhões a mais do que deve. Todos os compromissos assumidos foram honrados mesmo nos períodos de imoralidade explícita nas taxas de juros, que chegaram a 40% ao ano.

Isso aconteceu durante os ataques especulativos que o Brasil sofreu nos anos 1990. A onda negativa passou, mas os ataques voltaram logo após a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais uma vez, o país resistiu e avançou. Bom pagador, não sofreu os impactos mais destrutivos da crise internacional de 2008 – e já era um lugar mais do que atrativo para os investidores internacionais muito antes de receber o “grau de investimento” das agências de classificação de risco.

Trata-se de uma espécie de diploma de bom pagador concedido pelas agências internacionais de classificação de risco. Ontem, uma dessas agências, a Standard & Poor’s, anunciou a elevação da nota brasileira. De BBB- para BBB. Diante de um dado como esse, é muito difícil conter a vontade de cair na gargalhada.

Sim. O Brasil, um país com duas décadas de tradição de bom pagador, dono de reservas cambiais suficientes para pagar cada centavo de seus compromissos internacionais e procurado por investidores do mundo inteiro, tem uma classificação mais baixa do que a de alguns países que estão na iminência de um colapso.

A Itália, de onde os investidores querem distância, era classificada como A+ pela mesma Standard & Poor’s até outro dia. Depois que a situação deplorável das finanças do país foi desnudada aos olhos do mundo, a agência reviu os números e retirou o positivo da classificação.

A Itália, com todo perigo que oferece, hoje é apenas A. A Espanha é AA-. A Irlanda, com um desempenho digno de segunda divisão, ainda ocupa na tabela do campeonato uma posição melhor do que a brasileira. É BBB+. Ou seja, está um ponto adiante do Brasil. E por aí vai.

Dados como esses expõem as agências de classificação de risco a uma posição idêntica àquela que era ocupada pelas firmas de auditoria depois que os créditos podres de alguns dos maiores bancos do mundo deixaram a economia mundial de pernas para o ar.

Com a credibilidade abaixo da linha d’água, a pergunta é: para que servem instituições que dão notas baixas a quem vai bem e joga confetes em países que vão de mal a pior? A resposta é óbvia: essas instituições estão à beira da inutilidade e os dados que produzem, aqui entre nós, são cada vez mais desprezíveis.

Elas trabalham com os olhos postos no passado, não no futuro. Isso mesmo: a baixa classificação dada ao Brasil leva em conta não o futuro, ou seja, a capacidade do país em honrar os compromissos financeiros que assumirá daqui por diante.

O que ela considera é o fato de mais de duas décadas atrás o país ter entrado em moratória por absoluta falta de dinheiro. Assim não dá.

Fonte: Brasil Econômico, 18/11/2011
- Convidado






Desde o início dos anos 1990, quando o economista Pedro Malan negociou com os credores o acordo que pôs fim à novela da dívida externa (ainda no governo Collor de Mello), nunca mais o Brasil atrasou o pagamento de suas obrigações internacionais.

Pagou centavo por centavo do que devia e nunca mais teve dificuldades para conseguir novos empréstimos.

Hoje, a dívida interna brasileira é de pouco mais de R$ 2 trilhões e o país é credor em suas contas internacionais: tem a receber R$ 500 bilhões a mais do que deve. Todos os compromissos assumidos foram honrados mesmo nos períodos de imoralidade explícita nas taxas de juros, que chegaram a 40% ao ano.

Isso aconteceu durante os ataques especulativos que o Brasil sofreu nos anos 1990. A onda negativa passou, mas os ataques voltaram logo após a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais uma vez, o país resistiu e avançou. Bom pagador, não sofreu os impactos mais destrutivos da crise internacional de 2008 – e já era um lugar mais do que atrativo para os investidores internacionais muito antes de receber o “grau de investimento” das agências de classificação de risco.

Trata-se de uma espécie de diploma de bom pagador concedido pelas agências internacionais de classificação de risco. Ontem, uma dessas agências, a Standard & Poor’s, anunciou a elevação da nota brasileira. De BBB- para BBB. Diante de um dado como esse, é muito difícil conter a vontade de cair na gargalhada.

Sim. O Brasil, um país com duas décadas de tradição de bom pagador, dono de reservas cambiais suficientes para pagar cada centavo de seus compromissos internacionais e procurado por investidores do mundo inteiro, tem uma classificação mais baixa do que a de alguns países que estão na iminência de um colapso.

A Itália, de onde os investidores querem distância, era classificada como A+ pela mesma Standard & Poor’s até outro dia. Depois que a situação deplorável das finanças do país foi desnudada aos olhos do mundo, a agência reviu os números e retirou o positivo da classificação.

A Itália, com todo perigo que oferece, hoje é apenas A. A Espanha é AA-. A Irlanda, com um desempenho digno de segunda divisão, ainda ocupa na tabela do campeonato uma posição melhor do que a brasileira. É BBB+. Ou seja, está um ponto adiante do Brasil. E por aí vai.

Dados como esses expõem as agências de classificação de risco a uma posição idêntica àquela que era ocupada pelas firmas de auditoria depois que os créditos podres de alguns dos maiores bancos do mundo deixaram a economia mundial de pernas para o ar.

Com a credibilidade abaixo da linha d’água, a pergunta é: para que servem instituições que dão notas baixas a quem vai bem e joga confetes em países que vão de mal a pior? A resposta é óbvia: essas instituições estão à beira da inutilidade e os dados que produzem, aqui entre nós, são cada vez mais desprezíveis.

Elas trabalham com os olhos postos no passado, não no futuro. Isso mesmo: a baixa classificação dada ao Brasil leva em conta não o futuro, ou seja, a capacidade do país em honrar os compromissos financeiros que assumirá daqui por diante.

O que ela considera é o fato de mais de duas décadas atrás o país ter entrado em moratória por absoluta falta de dinheiro. Assim não dá.

19 de novembro de 2011
Ricardo Galuppo
Fonte: Brasil Econômico, 18/11/2011

OS MEIOS E AS MENSAGENS


Na adolescência fui um leitor apaixonado de ficção científica, viajava para cidades futurísticas em astronaves interplanetárias com armas mortíferas, o radinho de pulso do Dick Tracy era o máximo da tecnologia, só depois viria o telefone com imagem dos Jetsons. Mas nunca li ou ouvi falar de nenhuma fantasia semelhante a uma caixinha chata com uma tela, um teclado e uma câmera, em que se falava com qualquer um no mundo inteiro, de graça, e ainda se via filmes, fotos e quadros, se ouvia a música que se quisesse, se lia e se dava opinião sobre tudo, se comprava o que o seu crédito suportasse. Seria absolutamente inverossímil e risível, sem nenhuma base científica, nem um adolescente idiota do final dos anos 50 acreditaria.

Na juventude distante fui um leitor entusiasmado de pensadores anarquistas, Bakunin, Proudhom, sonhando com um império da liberdade e da responsabilidade individual, com o fim do Estado como pai, mãe, patrão, ou religião. Para Proudhom, ser governado era “ser observado, fiscalizado, controlado, numerado, doutrinado, avaliado, punido, autorizado, taxado, explorado, corrigido, licenciado, comandado – sob o pretexto da utilidade pública – por criaturas que não têm o direito, nem a sabedoria e nem a virtude para isto”.

Ainda vale o escrito, mas o que Proudhom pensaria no mundo da internet, com sua liberdade sem limites e sem controles do Estado, de monopólios ou burocracias partidárias? Os velhos anarquistas aposentariam as bombas e alistariam hackers libertários?

E Marx? E Freud? E Jung? Que teorias teriam desenvolvido em um mundo com essas liberdades e possibilidades, com o planeta todo interligado e interagindo, sem intermediários, como nem a mais delirante ficção científica ousou oferecer? O que escreveriam Machado de Assis, Eça de Queiroz e Proust com um Google? Que filmes o adolescente Glauber Rocha faria com uma câmera de celular? O que Camões, nas caravelas com seu laptop, postaria em seu blog Lusíadas.com, hospedado em uma nuvem à prova de naufrágio? Que Ilíadas e Odisseias Homero digitaria em seu tablete roubado dos deuses do Olimpo?

19 de novembro de 2011
Nelson Motta
Fonte: O Estado de S. Paulo, 18/11/2011