VENENO VELUDO
1 DE DEZEMBRO DE 2011
Começou perto da meia-noite, mais um daqueles papos de Twitter que a gente até esquece que pode existir, mas ainda bem que existe!
Quem puxou a prosa foi o Coronel, do CoroneLeaks, comentando com Mônica Waldvogel as observações feitas pela jornalista, sobre o Código Florestal.
A conversa tomou corpo com a entrada do especialista no tema, Ciro Siqueira, e com BSchopenhauer, com o seu estilo que o leitor do Veneno conhece bem. No final, uma "participação especial" do (hoje) ministro dos esportes, Aldo Rebelo, que foi o relator do Código Florestal na Câmara dos Deputados e o grande responsável por levar o debate sobre ele por todo o território nacional.
Opiniões de indivíduos pensantes, por si, nem sempre são convergentes, nem sempre são tão divergentes. Nesse nosso mundo de mentes tão pasteurizadas, seja pela ideologia que doutrina todas as instituições, ou pela simples preguiça de pensar, nada como poder presenciar o pensamento liberto do patrulhamento ideológico entre indivíduos... livres.
Pessoas inteligentes, "positivas", propositivas, talvez sem nem perceberem, jogaram algumas luzes e levantaram bons questionamentos sobre um tema tão complicado quanto é o debate sobre o novo Código Florestal, que deve ser enfim votado no plenário do Senado na próxima semana.
A seguir alguns dos tweets trocados entre o grupo. Notem as pitadas de humor, lá no final, em referências aos métodos fundamentalistas do ecoterrorismo promovido pelas ONGs internacionais que patrocinam dona Marina Silva contra a aprovação do Código Florestal Brasileiro. Para facilitar a visualização, retirei as mentions (arroba_perfil) em alguns dos tweets. Já está claro que o grupo conversava entre si.
Coronel: A competente @MonicaWaldvogel deu show de desinformação sobre Código Florestal. Até tu, Mônica! Jornalistas precisam ser menos patrulhados. Olha, tenho um enorme respeito e admiração pelo seu trabalho. Tema Código Florestal é complexo e jornalistas estão sempre pressionados.
Mônica: @coroneldoblog pressionados apenas para tentar entender e distinguir, tenha certeza. Eu estudo pra caramba pra poder fazer o meu trabalho. Ainda não encontrei quem tenha mais tempo de leitura do Código, das análises e dos estudos, de todos os lados. Francamente...
Coronel: @MonicaWaldvogel Sugiro o @CiroFSiqueira blogueiro do Código Florestal que escreve sobre o tema desde 2007. É mestre e da Amazônia!
Mônica: Tks pela dica. Quando a gente lê dados, calcula grandezas, sobrepõe territórios vê que todo mundo mistifica.
Coronel: Mônica, é sério. O Ciro não é tão tímido quanto o Nassar. Está lá em Paragominas, sabe tudo! É fonte de 1a.!
Mônica: Ciro, avise quando estiver em SP!
Ciro: Para falar de Código Florestal eu posso estar em SP quando você quiser. Ainda mais agora que estou zen.
BSchopenhauer: @MonicaWaldvogel Convida o @CiroFSiqueira e o @coroneldoblog para debaterem o Código Florestal no "Entre Aspas". Estende o debate sobre o Código Florestal para o descumprimento do atual.
Mônica: Não entendi.
Ciro: A lei atual não funciona, não protege floresta nenhuma e os verdes adoram. Não é estranho?
Monica: Não funciona mesmo.
BSchopenhauer: Esse ponto é fundamental: o Código Florestal atual nunca foi cumprido por culpa dos governos. Paradoxo normativo: o Código que nunca foi cumprido é defendido pelo que não é.
Ciro: Os verdes dizem que a lei atual é uma das melhores do mundo, mas ela não funciona.
Mônica: O país é grande demais, difícil enquadrar todo mundo. regras foram e voltaram. é uma confusão.
Ciro: Essa é a fonte de toda a confusão. Enquanto todos estavam ilegais, mas a lei crimes não estava regulamentada o esqueleto tava no armário. Quando o Minc regulamentou a lei de crimes e deixou 90% da agricultura passiva de multa diária, o gato subiu no telhado, veio a comissão especial, o Aldo, etc, etc, etc...
BSchopenhauer: Multas ambientais nestepaiz são engodo descarado. Servem para fomentar crimes funcionais.
Ciro: Único efeito prático é torna 90% da produção rural brazuca em crime. Não é lindo isso?
Monica: Como assim? Você está exagerando os números.
Ciro: A que número você se refere?
Monica: 90% da produção fica ilegal. Entendo que não. Que a reserva legal terá de ser recomposta - e os índices não foram modificados. Mudou é APP.
Ciro: Quisera eu que fosse um exagero. Essa é a fonte de tudo. Há um dec que entra em vigor no dia 11 que regulamenta a lei de crimes ambientais. Ele enquadrará todos os produtores que não RL averbada, ou seja, 90%. Olha nesse link bit.ly/sEmsyw Tem toda a história que ensejou a atual reforma do Código Florestal
Mônica: Vou ler depois com calma. mas, se tiver paciência, topa dar uma discutida nos números?
BSchopenhauer: Reservas legais deveriam se substituir por unidades de conservação estatais
Mônica: Reserva legal é dentro de propriedade particular, não?
Ciro: Lembra de uma arenga entre os Ministros da Agricultura e do Meio Ambiente do Lula? Stephanes e Minc? A coisa começou lá.
Mônica: Claro. Natural o conflito. Estranho seria não haver.
Ciro: Globo Amazônia - Lula repreende Minc e Stephanes por bate boca público. glo.bo/vq07Bn
Mônica: Começando pelas APPs e arredondando: 130 milhões de ha. 44 mi destruídos pela pecuária, 11mi pela agricultura. Confere?
Ciro: Reserva legal coloca na ilegalidade mais de 90% das propriedades rurais. Agência Senado bit.ly/tbpw3o
BSchopenhauer: Reservas Legais são dentro de propriedade particular. Em regra, fragmentadas, sem utilidade ambiental. Muito mais lógico que as RL fossem extintas e o Estado criasse unidades de conservação.
Mônica: Desapropriando tudo>?
BSchopenhauer: Permitindo o uso normal das Reservas Legais e criando em outras áreas públicas as unidades de conservação.
Mônica: Assim é muito mais difícil, acho eu.
BSchopenhauer: Mais difícil porque o Estado brasileiro é propenso a criar obrigações para os indivíduos. Vejam a situação atual das unidades de conservação públicas. Abandonadas.
Mônica: Ah, isso é mesmo. E você ainda quer criar mais? Tem de obrigar os caras a cumprir a lei!
BSchopenhauer: Quero que o Estado cumpra primeiro o que lhe compete e, só depois, crie deveres para os indivíduos.
Mônica - Os indivíduos não podem ficar assim tão à solta, esperando.
BSchopenhauer: Não se trata de deixar os indivíduos à solta, mas de o Estado cumprir, primeiro, o que lhe cabe Enquanto o mesmo Estado não cumpre o que lhe mandam a Constituição e as leis. O Estado brasileiro é o primeiro a degradar o meio ambiente, por ação ou omissão ilícita.
Mônica: Bingo. E por atrasar análises de desmatamento legal.
BSchopenhauer: Pensem na degradação ambiental por falta de saneamento nas cidades brasileiras
Mônica: Direito básico desrespeitado. Tem uma potlrona bem confortável?
BSchopenhauer: Poltrona confortável? Para brigar?
Mônica: Pra esperar o Estado cumprir a sua parte.
BSchopenhauer: Enquanto parlamentares, sociedade, ONGs debatem o novo Código Florestal, quem está cobrando do governo saneamento básico? É diversionista a ação do Estado, antes de cumprir o que lhe cabe, criar deveres para o indivíduo.
Mônica: Não posso debater com você que tem 43 (ou mais) maneiras de vencer uma discussão :)
BSchopenhauer: Somente 38 estratagemas. [obra de Arthur Schopenhauer, Como vencer um Debate sem ter razão]
Mônica: 38? não falei que não dá pra discutir com Schopenhauer?
BSchopenhauer: Mas prefiro vencer o debate com razão. Mas costumo assistir ao "Entre Aspas", apesar de muitos esquerdistas presentes.
Mônica: Muitos? Que nada. Raramente aceitam. Será que é aquele pessoal da USP?
BSchopenhauer: PUC-USP, a maior concentração de esquerdistas fora do mundo.
Coronel: Se eu fosse a @MonicaWaldvogel entrevistava o @aldorebelo que acaba de entrar na sala! Boa noite, ministro! (só arranjo confiusão!)
Mônica: @coroneldoblog @aldorebelo Logo agora que ele se livrou do Código Florestal? Boa noite, ministro!
BSchopenhauer: @coroneldoblog @MonicaWaldvogel@aldorebelo Ainda vou fazer uma análise do debate do Código Florestal à luz dos 38 estratagemas.
Mônica: Boa! Manda o link pra mim. Adoro destrinchar falácias. É uma espécie de hobby.
BSchopenhauer: Se bem que os defensores do Código Florestal descumprido apreciam um estratagema especial: insulto.
Mônica: E balões verdinhos.
BSchopenhauer: Balões verdinhos? Vale levar um alfinete?
Coronel: Achei um fenômeno obter 1,47 milhão assinaturas em 24 horas. Tinha 70 mil até a véspera do protesto contra Código Florestal.
Mônica: Deve ter sido o milagre da gota d'água.
BSchopenhauer: Ainda me surpreendo com a racionalidade ambiental do @aldorebelo. Até parece que não é comunista.
Coronel: Aldo é antes de tudo um brasileiro defendendo o Brasil. Ninguém pode dizer que não. Admirável.
Aldo: @coroneldoblog @bschopenhauer @monicawaldvogel O debate sobre o Código Florestal só tangencia a agricultura pela questão nacional.
BSchopenhauer: @MonicaWaldvogel Vou assistir ao "Entre Aspas" amanhã, para ver seu índice de desenvolvimento esquerdista.
E com boas noites geral, todos se despediram. Bem, este meu final não ficou à altura do debate. Mas também não precisa. As mentes aí acima falam por si. E por mim. E se os "co-autores" encontrarem erros nas transcrições, por favor, ajudem-me a corrigi-los.
Vamos ao Plenário. Código Florestal já!
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
sábado, 3 de dezembro de 2011
ESTRATÉGIA DOS GRUPOS NAZISTAS E PETISTAS
Karl Mannheim foi um sociólogo judeu nascido na Hungria, que faleceu em 1947. Em 1944 escreveu um livro chamado "Diagnosis Of Our Time", que foi lançado no Brasil em 1973, com o título “Diagnóstico de Nosso Tempo”.
O que você vai ler a seguir é um capítulo chamado “Estratégia do Grupo Nazista”. Leia e reflita a respeito do processo criado pelos nazistas. Talvez você encontre similaridades com o que anda acontecendo em alguns países latino americanos.
Estratégia do Grupo Nazista
Hitler inventou um novo método a que se pode dar o nome de estratégia do grupo nazista. O ponto capital da estratégia psicológica de Hitler é jamais encarar o individuo como pessoa,mas sempre como membro de um grupo social.
O que Hitler faz por instinto está acorde com os descobrimentos da moderna Sociologia, ou seja, de que o homem é mais facilmente influenciado através dos vínculos do grupo; o que é mais importante ainda, as reações dele variam conforme o grupo particular a que pertence. O homem porta-se diferentemente na família, no clube, no exército, em seus negócios, ou como um cidadão em geral.
O grande Duque de Marlborough era comandante do exército, em seus negócios e, no entanto, em casa vivia controlado pela esposa.
Cada grupo aparentemente possui suas próprias tradições , proibições e formas de expressão peculiares e enquanto se conserva intacto apóia e orienta o comportamento de seus membros.
1. Desorganização Sistemática da Sociedade
Hitler sabia instintivamente que enquanto as pessoas se sentem abrigadas em seus próprios grupos sociais, ficam imunes à influência dele. O artifício oculto da estratégia de Hitler, por conseguinte, consiste em romper a resistência do espírito individual por meio da desorganização dos grupos aos quais esses indivíduos pertencem.
Ele sabe que um homem sem laços com o grupo é como um caranguejo sem a carapaça. Essa desorganização, tal como sua tática de guerra-relâmpago, tem de ser rápida e violenta simultaneamente; mesmo assim, porém, seu efeito só será duradouro se conseguir formar imediatamente novos grupos que fomentem o gênero de comportamento aprovado pelo seu partido.
Assim, há duas fases principais na estratégia do grupo de Hitler: a decomposição dos grupos tradicionais da sociedade civilizada e uma rápida reconstrução baseada em um padrão de grupos inteiramente novo. No trabalho de desintegração inicial ele pode, está claro, confiar em grande parte na ausência de planificação de nossa vida econômica.
Por exemplo, essa ausência é responsável pela condição mais desmoralizante de todas, o desemprego crônico. Porém, quando essa desintegração espontânea não avançou o suficiente para atender aos fins de Hitler, ele aplica seus próprios métodos. São diversos os métodos de que dispõe para lidar com a família, a Igreja, os partidos políticos e as nações.
Os elementos dessa técnica ele os aprendeu com os comunistas, mas os pormenores foram por ele elaborados durantes sua própria luta na selva política da Alemanha da década de 1920. Aprendeu como dissolver comícios de massa, como desmoralizar adeptos de outros partidos, como fingir que cooperava com grupos rivais para, a seguir, quando o momento era julgado oportuno, provocar sua queda. Tudo o que ele fez ultimamente foi transferir essa estratégia do grupo para o campo da política exterior.
Considere-se o caso de nações. Nisso, sua primeira regra parece ser de nunca empregar a força antes de haver esgotado as possibilidades de desmoralização. Ele sabe que os grupos, especialmente nações inteiras, com uma sólida vida de grupo e moral intacto, reagem desassombradamente a ameaças ostensivas e a ataques diretos; tornam-se mais unidos do que antes.
Essa saudável vida de grupo é o segredo da inquebrantável resistência britânica e explica a hesitação de Hitler para atacar este país. Quando ele consegue encontrar traidores e colaboracionistas dentro dos grupos, recorre à técnica de penetração no grupo. Manda emissários como turistas e sob outros disfarces para conquistar para seu lado os adversários do regime existente e os desajustados e fracassados sociais.
Tendo organizado os agentes de massa dum movimento subterrâneo, procura isolar a nação do mundo exterior. Flanqueamento, envolvimento e isolamento total são as principais etapas desse processo. A essa altura, a vitima acha-se inteiramente à sua mercê; Hitler, contudo, ainda evita o ataque direto e prefere o sistema de desmoralização total vinda de dentro.
Na tensão que então impera, são difundidos boatos, insuflados temores, jogados grupos rivais uns contra os outros e afinal é ministrada a assaz conhecida mistura nazista de ameaças e promessas.
Tais são os métodos que ele empregou na Áustria, Tcheco-Eslováquia, Romênia, Bulgária e outros países. Os documentos secretos apreendidos na incursão da Lofoten, na Noruega, mostram claramente como são sistemáticos esses métodos: as instruções do exército nazista previam toda fonte possível de resistência e indicavam as contramedidas.
2. Efeitos sobre o individuo
Nessa fase, a desmoralização e a decomposição dos grupos sociais principiam a produzir efeitos no individuo. E, o que é pior, em vastos números de indivíduos simultaneamente. A explicação psicológica desse fato é simplesmente a seguinte: o homem entregue a si mesmo não pode oferecer resistência.
Como os vínculos com seu grupo é que lhe dão apoio, segurança e reconhecimento, para nada dizer dos valiosos laços de amizade e confiança, a dissolução deles deixa-o inerme. Ele se comporta como uma criança que se extraviou ou que perdeu a pessoa amada; por isso sente-se inseguro, disposto a apegar-se a quem quer que se apresente.
Além de tudo isso, os métodos modernos de guerra total ou de propaganda total não dão tempo ao homem para se recobrar nem oportunidade para congregar-se em torno de um chefe e correr o risco de resistir. Particularmente em nações pequenas, surge do dia para a noite um quase completo caos social e anarquia.
Isso tem influencia considerável sobre o individuo e seu ulterior comportamento. O fato é que a desintegração do grupo tende a ser seguida dum colapso da consciência moral do individuo. Ele se vê tentado a pensar mais ou menos assim: “Afinal de contas, tudo em que eu acreditava até agora talvez estivesse errado. Pode ser que a vida não passe de uma luta pela sobrevivência e pela supremacia.
A escolha que tenho é entre tornar-me um mártir ou aderir à nova ordem; quiçá eu possa chegar a ser um membro destacado dela. Ademais, se eu não aderir hoje, amanhã talvez seja demasiado tarde”. É nessa disposição de espírito que as pessoas se permitem engolir afirmações como a feita pelo Ministro da Justiça nazista:
“Antigamente estávamos acostumados a dizer: “ Isto está certo ou errado?” Hoje devemos colocar a questão nestes termos: “ Que diria o Führer? ” É para este tipo de raciocínio que o cínico oportunismo de Hitler apela, e ao qual é endereçado o seu evangelho de violência e lei do mais forte.
Tem sido bastante ressaltado o papel desempenhado pelo medo, pelo ódio, pela insegurança e pela desconfiança no regime nazista. De minha parte, quero acrescentar a este rol o elemento de desespero. No fundo de todas as reações nazistas, encontra-se o desespero. O mundo deles é um em que todos se sentem traídos, isolados e não mais confiam no próximo.
3. “A Nova Ordem”
Tendo reduzido a comunidade ao pânico e ao desespero, Hitler inicia então o segundo movimento de sua estratégia.
Procura reconstruir uma nova ordem seguindo duas linhas distintas. Uma destina-se a escravizar as massas, a outra a entrincheirar sua liderança e o terrorismo de seu Partido.
Para aquela, adota uma organização militar baseada no modelo prussiano: aplica-a a tudo, à organização da juventude, da indústria, dos trabalhadores e da opinião. Uma vez mais, explora o medo, o ódio e o terrorismo, pois é muito mais fácil encontrar um escoadouro para o sentimento de hostilidade dos grupos do que mobilizar suas energias construtivas.
Daí o uso de “ raças” e de indivíduos como bodes expiatórios. As supostas inferioridade e perversidade dos judeus são transformadas em desculpa para que se lhes cuspa nos rostos, bata-se neles ou matem-nos a sangue frio. O sistema do bode expiatório não só ajuda a libertar a comunidade de seu sentimento de culpa, mas impede que a hostilidade se volte contra o chefe quando a insatisfação é despertada.
Está claro, o bode expiatório não precisa ser forçosamente um produto interno. Os chefes de todos os países que se opõem ao nazismo podem ser apontados como alvo para a hostilidade no lugar de Hitler. E assim o vemos acusando Churchill de todos os pecados de sua própria cartilha.
4. Formação dos Novos Líderes
A organização militar e a supressão, todavia, por si sós não bastariam. Hitler sabe que para esse tipo de sociedade sobreviver é mister algo mais dinâmico do que arregimentação; por isso, criou centros de fermentação emocional de que as unidades das tropas de assalto constituem o modelo. Elas provém diretamente dos bandos militares posteriores à I Guerra Mundial, que desde o começo ameaçaram e tentaram dissolver a sociedade civil. Mas sua organização e mentalidade deveram muito também aos primeiros grupos de Juventude Alemã em sua fase Wandervogel.
O fim secreto desses grupos é perpetuar a atitude psicológica da adolescência; isso explica muito do que aparece peculiar ao Estado nazista. Assim como é possível tornar a influência da família tão dominadora que a mentalidade de seus membros permaneça retardada e imatura, também o é utilizar artifícios do grupo para manter e difundir uma infantilidade irrestrita na sociedade em geral.
Nas escolas de líderes (Führers) em que eles treinam a liderança, tudo é feito para produzir uma mescla bizarra de emotividade infantil e submissão cega. Os nazistas sabem que seu tipo de líder só pode florescer em grupos do tipo bando. É sobretudo a esses auditórios com um desenvolvimento emocional artificialmente tolhido que atraem os gritos histéricos de Hitler. Quando Churchill diz: “ Nada tenho a oferecer além de sangue, suor, labuta e lágrimas” ele está apelando para uma nação de adultos.
A finalidade capital dessa análise é chamar a atenção para a necessidade da criação de uma contra-estratégia. Em remediar os efeitos desintegradores da civilização industrial em nossa família e na vida da comunidade. Mas elas tem de fazer mais do que se protegerem contra o contágio.
O que há de verdadeiramente promissor no novo método do grupo é que pode ser empregado com fins construtivos. Hitler apenas malbaratou e deturpou uma potencialidade até então negligenciada: as forças criadoras da existência em grupo. A ocasião para a melhor utilização dos métodos coletivos chegará quando nos defrontarmos com o problema de reorganizar o mundo segundo novos traços e com a tarefa de recondicionar a mentalidade Nazista
LUCIANO PIRES
Fonte: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=7793
O que você vai ler a seguir é um capítulo chamado “Estratégia do Grupo Nazista”. Leia e reflita a respeito do processo criado pelos nazistas. Talvez você encontre similaridades com o que anda acontecendo em alguns países latino americanos.
Estratégia do Grupo Nazista
Hitler inventou um novo método a que se pode dar o nome de estratégia do grupo nazista. O ponto capital da estratégia psicológica de Hitler é jamais encarar o individuo como pessoa,mas sempre como membro de um grupo social.
O que Hitler faz por instinto está acorde com os descobrimentos da moderna Sociologia, ou seja, de que o homem é mais facilmente influenciado através dos vínculos do grupo; o que é mais importante ainda, as reações dele variam conforme o grupo particular a que pertence. O homem porta-se diferentemente na família, no clube, no exército, em seus negócios, ou como um cidadão em geral.
O grande Duque de Marlborough era comandante do exército, em seus negócios e, no entanto, em casa vivia controlado pela esposa.
Cada grupo aparentemente possui suas próprias tradições , proibições e formas de expressão peculiares e enquanto se conserva intacto apóia e orienta o comportamento de seus membros.
1. Desorganização Sistemática da Sociedade
Hitler sabia instintivamente que enquanto as pessoas se sentem abrigadas em seus próprios grupos sociais, ficam imunes à influência dele. O artifício oculto da estratégia de Hitler, por conseguinte, consiste em romper a resistência do espírito individual por meio da desorganização dos grupos aos quais esses indivíduos pertencem.
Ele sabe que um homem sem laços com o grupo é como um caranguejo sem a carapaça. Essa desorganização, tal como sua tática de guerra-relâmpago, tem de ser rápida e violenta simultaneamente; mesmo assim, porém, seu efeito só será duradouro se conseguir formar imediatamente novos grupos que fomentem o gênero de comportamento aprovado pelo seu partido.
Assim, há duas fases principais na estratégia do grupo de Hitler: a decomposição dos grupos tradicionais da sociedade civilizada e uma rápida reconstrução baseada em um padrão de grupos inteiramente novo. No trabalho de desintegração inicial ele pode, está claro, confiar em grande parte na ausência de planificação de nossa vida econômica.
Por exemplo, essa ausência é responsável pela condição mais desmoralizante de todas, o desemprego crônico. Porém, quando essa desintegração espontânea não avançou o suficiente para atender aos fins de Hitler, ele aplica seus próprios métodos. São diversos os métodos de que dispõe para lidar com a família, a Igreja, os partidos políticos e as nações.
Os elementos dessa técnica ele os aprendeu com os comunistas, mas os pormenores foram por ele elaborados durantes sua própria luta na selva política da Alemanha da década de 1920. Aprendeu como dissolver comícios de massa, como desmoralizar adeptos de outros partidos, como fingir que cooperava com grupos rivais para, a seguir, quando o momento era julgado oportuno, provocar sua queda. Tudo o que ele fez ultimamente foi transferir essa estratégia do grupo para o campo da política exterior.
Considere-se o caso de nações. Nisso, sua primeira regra parece ser de nunca empregar a força antes de haver esgotado as possibilidades de desmoralização. Ele sabe que os grupos, especialmente nações inteiras, com uma sólida vida de grupo e moral intacto, reagem desassombradamente a ameaças ostensivas e a ataques diretos; tornam-se mais unidos do que antes.
Essa saudável vida de grupo é o segredo da inquebrantável resistência britânica e explica a hesitação de Hitler para atacar este país. Quando ele consegue encontrar traidores e colaboracionistas dentro dos grupos, recorre à técnica de penetração no grupo. Manda emissários como turistas e sob outros disfarces para conquistar para seu lado os adversários do regime existente e os desajustados e fracassados sociais.
Tendo organizado os agentes de massa dum movimento subterrâneo, procura isolar a nação do mundo exterior. Flanqueamento, envolvimento e isolamento total são as principais etapas desse processo. A essa altura, a vitima acha-se inteiramente à sua mercê; Hitler, contudo, ainda evita o ataque direto e prefere o sistema de desmoralização total vinda de dentro.
Na tensão que então impera, são difundidos boatos, insuflados temores, jogados grupos rivais uns contra os outros e afinal é ministrada a assaz conhecida mistura nazista de ameaças e promessas.
Tais são os métodos que ele empregou na Áustria, Tcheco-Eslováquia, Romênia, Bulgária e outros países. Os documentos secretos apreendidos na incursão da Lofoten, na Noruega, mostram claramente como são sistemáticos esses métodos: as instruções do exército nazista previam toda fonte possível de resistência e indicavam as contramedidas.
2. Efeitos sobre o individuo
Nessa fase, a desmoralização e a decomposição dos grupos sociais principiam a produzir efeitos no individuo. E, o que é pior, em vastos números de indivíduos simultaneamente. A explicação psicológica desse fato é simplesmente a seguinte: o homem entregue a si mesmo não pode oferecer resistência.
Como os vínculos com seu grupo é que lhe dão apoio, segurança e reconhecimento, para nada dizer dos valiosos laços de amizade e confiança, a dissolução deles deixa-o inerme. Ele se comporta como uma criança que se extraviou ou que perdeu a pessoa amada; por isso sente-se inseguro, disposto a apegar-se a quem quer que se apresente.
Além de tudo isso, os métodos modernos de guerra total ou de propaganda total não dão tempo ao homem para se recobrar nem oportunidade para congregar-se em torno de um chefe e correr o risco de resistir. Particularmente em nações pequenas, surge do dia para a noite um quase completo caos social e anarquia.
Isso tem influencia considerável sobre o individuo e seu ulterior comportamento. O fato é que a desintegração do grupo tende a ser seguida dum colapso da consciência moral do individuo. Ele se vê tentado a pensar mais ou menos assim: “Afinal de contas, tudo em que eu acreditava até agora talvez estivesse errado. Pode ser que a vida não passe de uma luta pela sobrevivência e pela supremacia.
A escolha que tenho é entre tornar-me um mártir ou aderir à nova ordem; quiçá eu possa chegar a ser um membro destacado dela. Ademais, se eu não aderir hoje, amanhã talvez seja demasiado tarde”. É nessa disposição de espírito que as pessoas se permitem engolir afirmações como a feita pelo Ministro da Justiça nazista:
“Antigamente estávamos acostumados a dizer: “ Isto está certo ou errado?” Hoje devemos colocar a questão nestes termos: “ Que diria o Führer? ” É para este tipo de raciocínio que o cínico oportunismo de Hitler apela, e ao qual é endereçado o seu evangelho de violência e lei do mais forte.
Tem sido bastante ressaltado o papel desempenhado pelo medo, pelo ódio, pela insegurança e pela desconfiança no regime nazista. De minha parte, quero acrescentar a este rol o elemento de desespero. No fundo de todas as reações nazistas, encontra-se o desespero. O mundo deles é um em que todos se sentem traídos, isolados e não mais confiam no próximo.
3. “A Nova Ordem”
Tendo reduzido a comunidade ao pânico e ao desespero, Hitler inicia então o segundo movimento de sua estratégia.
Procura reconstruir uma nova ordem seguindo duas linhas distintas. Uma destina-se a escravizar as massas, a outra a entrincheirar sua liderança e o terrorismo de seu Partido.
Para aquela, adota uma organização militar baseada no modelo prussiano: aplica-a a tudo, à organização da juventude, da indústria, dos trabalhadores e da opinião. Uma vez mais, explora o medo, o ódio e o terrorismo, pois é muito mais fácil encontrar um escoadouro para o sentimento de hostilidade dos grupos do que mobilizar suas energias construtivas.
Daí o uso de “ raças” e de indivíduos como bodes expiatórios. As supostas inferioridade e perversidade dos judeus são transformadas em desculpa para que se lhes cuspa nos rostos, bata-se neles ou matem-nos a sangue frio. O sistema do bode expiatório não só ajuda a libertar a comunidade de seu sentimento de culpa, mas impede que a hostilidade se volte contra o chefe quando a insatisfação é despertada.
Está claro, o bode expiatório não precisa ser forçosamente um produto interno. Os chefes de todos os países que se opõem ao nazismo podem ser apontados como alvo para a hostilidade no lugar de Hitler. E assim o vemos acusando Churchill de todos os pecados de sua própria cartilha.
4. Formação dos Novos Líderes
A organização militar e a supressão, todavia, por si sós não bastariam. Hitler sabe que para esse tipo de sociedade sobreviver é mister algo mais dinâmico do que arregimentação; por isso, criou centros de fermentação emocional de que as unidades das tropas de assalto constituem o modelo. Elas provém diretamente dos bandos militares posteriores à I Guerra Mundial, que desde o começo ameaçaram e tentaram dissolver a sociedade civil. Mas sua organização e mentalidade deveram muito também aos primeiros grupos de Juventude Alemã em sua fase Wandervogel.
O fim secreto desses grupos é perpetuar a atitude psicológica da adolescência; isso explica muito do que aparece peculiar ao Estado nazista. Assim como é possível tornar a influência da família tão dominadora que a mentalidade de seus membros permaneça retardada e imatura, também o é utilizar artifícios do grupo para manter e difundir uma infantilidade irrestrita na sociedade em geral.
Nas escolas de líderes (Führers) em que eles treinam a liderança, tudo é feito para produzir uma mescla bizarra de emotividade infantil e submissão cega. Os nazistas sabem que seu tipo de líder só pode florescer em grupos do tipo bando. É sobretudo a esses auditórios com um desenvolvimento emocional artificialmente tolhido que atraem os gritos histéricos de Hitler. Quando Churchill diz: “ Nada tenho a oferecer além de sangue, suor, labuta e lágrimas” ele está apelando para uma nação de adultos.
A finalidade capital dessa análise é chamar a atenção para a necessidade da criação de uma contra-estratégia. Em remediar os efeitos desintegradores da civilização industrial em nossa família e na vida da comunidade. Mas elas tem de fazer mais do que se protegerem contra o contágio.
O que há de verdadeiramente promissor no novo método do grupo é que pode ser empregado com fins construtivos. Hitler apenas malbaratou e deturpou uma potencialidade até então negligenciada: as forças criadoras da existência em grupo. A ocasião para a melhor utilização dos métodos coletivos chegará quando nos defrontarmos com o problema de reorganizar o mundo segundo novos traços e com a tarefa de recondicionar a mentalidade Nazista
LUCIANO PIRES
Fonte: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=7793
ILDO SAUER MOSTRA COMO DIRCEU ENTREGOU O PETRÓLEO BRASILEIRFO A EIKE BATISTA - PARTE 1 O PETRÓLEO NO MUNDO.
O comentarista Mário Assis nos envia uma entrevista do professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança, da revista da Associação dos Docentes da USP. Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.
***
Ildo Sauer
Não acredito que o regime capitalista tenha condições, sem se aprofundar numa crise mais violenta do que a que já viveu até hoje, de abrir mão dos recursos remanescentes do petróleo. A população era de 700 milhões de habitantes em1750.
A Era do Carvão a elevou para 1,7 bilhão, com o incremento extraordinário da produtividade do trabalho social. A Era do Petróleo praticamente se aprofunda de1910 a 1920, e é hegemônica ainda até agora, como processo de incremento extraordinário da produtividade do trabalho e da circulação de mercadorias, no âmbito industrial, urbano e de circulação, conquanto a eletricidade foi mais para alguns tipos de fábrica e algumas coisas do ambiente urbano.
Lenin dizia que socialismo é soviete mais eletricidade. Ele tinha razão porque a eletricidade chegando, a produtividade do trabalho aumentava, saía-se da era de quase caçador e coletor, pré-revolução agrícola, para uma era pós. Então não há que desprezar o que aconteceu na União Soviética em termos de fenômeno de produção. Incremento extraordinário com apropriação social da energia.
A apropriação do petróleo pelo capitalismo para incrementar a produtividade do trabalho fez a população pular de 1,7 bilhão, em 1910, para 7 bilhões de pessoas, 100 anos depois. Produz-se em escala sem precedentes, circula-se em escala sem precedentes. O PIB mundial hoje é de US$ 60 trilhões, mais ou menos; o excedente econômico do petróleo sozinho é US$ 3 trilhões. Hoje um barril custa menos de US$ 10, vale mais de US$ 100.
Produzem-se hoje 85 milhões de barris por dia, que dá uns 30 bilhões de barris por ano. O excedente é US$ 100 por barril, vezes 30 bilhões, isso dá US$ 3 trilhões por ano, que é um excedente econômico disputado com todas as armas para incrementar a acumulação capitalista. Isto é produção de valor sem alocar trabalho de capital, é o chamado lucro suplementar.
Então se invade o Iraque, se ameaça a Venezuela, se cria a 4ª Frota para vigiar o Atlântico Sul quando o Pré-Sal brasileiro vai até 300 kmmar adentro e não é reconhecido que isso é mar territorial pelos países.
Os Estados Unidos têm 30 bilhões de barris de reservas: dá para três anos se eles quiserem produzir seu próprio petróleo, consumindo cerca de 9 bilhões/ano. O capitalismo mundial não consegue operar sem o petróleo, por esses atributos. Substituir o petróleo significa gastar muito mais trabalho, muito mais capital, para fazer a mesma produção.
Quando o mundo de hoje precisaria, se fosse possível pensar utopicamente, satisfazer as necessidades dos 2 bilhões de famintos que vivem abaixo da linha de pobreza, dos outros 2 bilhões de remediados; significa que deveríamos produzir mais, portanto incrementar a produtividade industrial do trabalho, mas, acima de tudo, redistribuir melhor o produto social do sistema econômico. Esse é o dilema. Isso evidentemente agrava a questão ambiental global da biosfera. Só que eu não vejo saída, a não ser uma saída gradual.
Não é possível imaginar, como muitos da sustentabilidade vulgar fazem crer, que os processos são circulares, que retornam sempre ao mesmo ponto. A história só anda para frente, é um processo dialético permanente de rupturas e mudanças. Achar que o mar sempre vai ser do mesmo jeito, a atmosfera, é ilusão. E aí, como é que eu coloco o Pré-Sal nessa história?
Primeiro, que a demanda mundial de petróleo vai ser satisfeita, independentemente de com que recursos, ou vai ser substituído por coisas piores como carvão liquefeito, por um processo Fischer-Tropsch.
Você usa carvão para separar a molécula da água em hidrogênio e oxigênio, combina os hidrogênios com carbono e faz qualquer cadeia de combustível, que pode ser GLP, pode ser gás natural, pode ser gasolina, pode ser querosene, pode ser óleo combustível.
Quanto custa? US$ 80, que aliás é o preço diretor, o preço social de produção da energia. Marx já previa isso, ele estava correto. É o carvão que determina o preço do petróleo, porque ele é o único substituto em escala global.
Então, do ponto de vista da apropriação da renda absoluta, renda diferencial, todos aqueles que controlam o oligopólio do petróleo não abrem mão dele, a não ser pelo seu preço social alternativo, que é dado pelo preço social de produção do carvão, que seria a alternativa em escala mundial, capaz de satisfazer as necessidades energéticas.
Talvez no futuro, se a tecnologia evoluir muito, podem ser os renováveis, ou então a nuclear. Porque o bolsão de petróleo remanescente convencional hoje é de cerca de 1,8 trilhão de barris. Nós estamos consumindo hoje 30 bilhões de barris por ano, portanto teria, teoricamente, [estoque para] 60 anos.
No entanto, nesse quadro, eu não vejo como se poderá abrir mão do petróleo. Ainda que fosse um desejo de apropriar mais energia renovável, aumentar a produtividade dos sistemas tecnológicos que apropriam energia do sol, o recurso menos disponível na Terra é o do petróleo.
Energia natural não falta. Aquela que é disputada é a que permite maior excedente econômico, especialmente aquela que gera o lucro suplementar tão grande quanto é o petróleo hoje. Não há nada que se compare. Mesmo num sistema socialista, se eu me lembro bem do que disse o Lenin, também não se poderia abrir mão daqueles recursos que permitem produzir mais com menos trabalho, para satisfazer mais necessidades, ao invés de só acumular e botar no balanço das empresas, que é o que o capitalismo faz — essa é a grande diferença.
No entanto, nesse quadro, é absolutamente inaceitável o modelo que foi aprovado, depois que o Pré-Sal foi confirmado, em 2005, quando se furou o poço de Paraty. No poço de Paraty, debaixo do sal, havia petróleo, confirmando uma suspeita de três, quatro décadas. Em 2005 foi Paraty, em 2006 Tupi chegou.
TRIBUNA DA IMPRENSA
01 de dezembro de 2011
***
Ildo Sauer
Não acredito que o regime capitalista tenha condições, sem se aprofundar numa crise mais violenta do que a que já viveu até hoje, de abrir mão dos recursos remanescentes do petróleo. A população era de 700 milhões de habitantes em1750.
A Era do Carvão a elevou para 1,7 bilhão, com o incremento extraordinário da produtividade do trabalho social. A Era do Petróleo praticamente se aprofunda de1910 a 1920, e é hegemônica ainda até agora, como processo de incremento extraordinário da produtividade do trabalho e da circulação de mercadorias, no âmbito industrial, urbano e de circulação, conquanto a eletricidade foi mais para alguns tipos de fábrica e algumas coisas do ambiente urbano.
Lenin dizia que socialismo é soviete mais eletricidade. Ele tinha razão porque a eletricidade chegando, a produtividade do trabalho aumentava, saía-se da era de quase caçador e coletor, pré-revolução agrícola, para uma era pós. Então não há que desprezar o que aconteceu na União Soviética em termos de fenômeno de produção. Incremento extraordinário com apropriação social da energia.
A apropriação do petróleo pelo capitalismo para incrementar a produtividade do trabalho fez a população pular de 1,7 bilhão, em 1910, para 7 bilhões de pessoas, 100 anos depois. Produz-se em escala sem precedentes, circula-se em escala sem precedentes. O PIB mundial hoje é de US$ 60 trilhões, mais ou menos; o excedente econômico do petróleo sozinho é US$ 3 trilhões. Hoje um barril custa menos de US$ 10, vale mais de US$ 100.
Produzem-se hoje 85 milhões de barris por dia, que dá uns 30 bilhões de barris por ano. O excedente é US$ 100 por barril, vezes 30 bilhões, isso dá US$ 3 trilhões por ano, que é um excedente econômico disputado com todas as armas para incrementar a acumulação capitalista. Isto é produção de valor sem alocar trabalho de capital, é o chamado lucro suplementar.
Então se invade o Iraque, se ameaça a Venezuela, se cria a 4ª Frota para vigiar o Atlântico Sul quando o Pré-Sal brasileiro vai até 300 kmmar adentro e não é reconhecido que isso é mar territorial pelos países.
Os Estados Unidos têm 30 bilhões de barris de reservas: dá para três anos se eles quiserem produzir seu próprio petróleo, consumindo cerca de 9 bilhões/ano. O capitalismo mundial não consegue operar sem o petróleo, por esses atributos. Substituir o petróleo significa gastar muito mais trabalho, muito mais capital, para fazer a mesma produção.
Quando o mundo de hoje precisaria, se fosse possível pensar utopicamente, satisfazer as necessidades dos 2 bilhões de famintos que vivem abaixo da linha de pobreza, dos outros 2 bilhões de remediados; significa que deveríamos produzir mais, portanto incrementar a produtividade industrial do trabalho, mas, acima de tudo, redistribuir melhor o produto social do sistema econômico. Esse é o dilema. Isso evidentemente agrava a questão ambiental global da biosfera. Só que eu não vejo saída, a não ser uma saída gradual.
Não é possível imaginar, como muitos da sustentabilidade vulgar fazem crer, que os processos são circulares, que retornam sempre ao mesmo ponto. A história só anda para frente, é um processo dialético permanente de rupturas e mudanças. Achar que o mar sempre vai ser do mesmo jeito, a atmosfera, é ilusão. E aí, como é que eu coloco o Pré-Sal nessa história?
Primeiro, que a demanda mundial de petróleo vai ser satisfeita, independentemente de com que recursos, ou vai ser substituído por coisas piores como carvão liquefeito, por um processo Fischer-Tropsch.
Você usa carvão para separar a molécula da água em hidrogênio e oxigênio, combina os hidrogênios com carbono e faz qualquer cadeia de combustível, que pode ser GLP, pode ser gás natural, pode ser gasolina, pode ser querosene, pode ser óleo combustível.
Quanto custa? US$ 80, que aliás é o preço diretor, o preço social de produção da energia. Marx já previa isso, ele estava correto. É o carvão que determina o preço do petróleo, porque ele é o único substituto em escala global.
Então, do ponto de vista da apropriação da renda absoluta, renda diferencial, todos aqueles que controlam o oligopólio do petróleo não abrem mão dele, a não ser pelo seu preço social alternativo, que é dado pelo preço social de produção do carvão, que seria a alternativa em escala mundial, capaz de satisfazer as necessidades energéticas.
Talvez no futuro, se a tecnologia evoluir muito, podem ser os renováveis, ou então a nuclear. Porque o bolsão de petróleo remanescente convencional hoje é de cerca de 1,8 trilhão de barris. Nós estamos consumindo hoje 30 bilhões de barris por ano, portanto teria, teoricamente, [estoque para] 60 anos.
No entanto, nesse quadro, eu não vejo como se poderá abrir mão do petróleo. Ainda que fosse um desejo de apropriar mais energia renovável, aumentar a produtividade dos sistemas tecnológicos que apropriam energia do sol, o recurso menos disponível na Terra é o do petróleo.
Energia natural não falta. Aquela que é disputada é a que permite maior excedente econômico, especialmente aquela que gera o lucro suplementar tão grande quanto é o petróleo hoje. Não há nada que se compare. Mesmo num sistema socialista, se eu me lembro bem do que disse o Lenin, também não se poderia abrir mão daqueles recursos que permitem produzir mais com menos trabalho, para satisfazer mais necessidades, ao invés de só acumular e botar no balanço das empresas, que é o que o capitalismo faz — essa é a grande diferença.
No entanto, nesse quadro, é absolutamente inaceitável o modelo que foi aprovado, depois que o Pré-Sal foi confirmado, em 2005, quando se furou o poço de Paraty. No poço de Paraty, debaixo do sal, havia petróleo, confirmando uma suspeita de três, quatro décadas. Em 2005 foi Paraty, em 2006 Tupi chegou.
TRIBUNA DA IMPRENSA
01 de dezembro de 2011
ILDO SAUER DENUNCIA COMO JOSÉ DIRCEU ENTREGOU O PRÉ-SAL PARA EIKE BATISTA
Ildo Sauer denuncia como José Dirceu entregou o Pré-Sal para Eike Batista (Parte final - Os leilões dos campos da Petrobras)
TRIBUNA DA IMPRENSA
02 de dezembro de 2011
Agradecendo ao comentarista Mario Assis, que nos enviou a matéria, publicamos hoje a segunda parte da importantíssima entrevista do professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança, da revista da Associação dos Docentes da USP (Adusp).
Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.
Revista Adusp: Você ainda estava na Petrobras, quando o Pré-Sal foi descoberto?
Ildo Sauer - Eu ajudei a tomar essa decisão. Nós tomamos essa decisão, não sabíamos quanto ia custar. O poço de Tupi custou US$ 264 milhões, para furar os 3 km de sal e descobrir que tinha petróleo. O Lula foi avisado em 2006 e a Dilma também, de que agora um novo modelo geológico havia sido descoberto, cuja dimensão era gigantesca, não se sabia quanto.
Então, obviamente, do ponto de vista político, naquele momento a nossa posição, de muitos diretores da Petrobras, principalmente eu e Gabrielli, que tínhamos mais afinidade política com a proposta do PT de antigamente, a abandonada, achávamos que tinha que parar com todo e qualquer leilão, como aliás foi promessa de campanha do Lula.
Na transição, ainda a Dilma falou, “não vai ter mais leilão”. Mas se subjugaram às grandes pressões e mantiveram os leilões. Fernando Henrique fez quatro, Lula fez cinco. Lula entregou mais áreas e mais campos para a iniciativa privada do petróleo do que Fernando Henrique.
Um ex-ministro do governo Lula e dois do governo FHC foram assessorar Eike Batista. O que caberia a um governo que primasse por dignidade? Cancelar o leilão. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, estavam nessa empreitada”
Revista Adusp: Mas Gabrielli era contra e acabou concordando?
Ildo Sauer - Não. A Petrobras não manda nisso, a Petrobras é vítima, ela não era ouvida. Quem executa isso é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], comandada pelo PCdoB, e a mão de ferro na ANP era da Casa Civil. Então a voz da política energética era a voz da Dilma, ela é que impôs essa privatização na energia elétrica e no petróleo.
Depois do petróleo já confirmado em 2006, a ANP criou um edital pelo qual a Petrobras tinha limitado acesso. Podia ter no máximo 30% ou 40% dos blocos, necessários para criar concorrência. Porque, em 2006, Tupi já havia sido furado e comunicado.
O segundo poço de Tupi, para ver a dimensão, foi feito mais adiante, esse ficou pronto em 2007. Só que o Lula e a Dilma foram avisados pelo Gabrielli em 2006.
Muitos movimentos sociais foram a Brasília, nós falávamos com os parlamentares, os sindicatos foram protestar. O Clube de Engenharia, que é a voz dos engenheiros, mandou uma carta ao Lula, em 2007, pedindo para nunca mais fazer leilão.
Em 2005-6, o [Rodolfo] Landim, o queridinho do Lula e da Dilma, saiu da Petrobras. Porque o consultor da OGX, do grupo X, do senhor [Eike] Batista, era o ex-ministro da Casa Civil (José Dirceu), e ele sugeriu então que Eike entrasse no petróleo.
Aí ele contratou o Landim, que começou a arquitetar. Como o centro nevrálgico da estratégia da Petrobras é a gerência executiva de exploração, o geólogo Paulo Mendonça, nascido em Portugal, formado aqui na USP, e o Landim, articularam para em 2007 criar uma empresa nova, a partir dos técnicos da Petrobras.
E o senhor Batista queimou alguns milhões de dólares para assinar os contratos e dar as luvas desses novos cargos, que estavam dentro da Petrobras mas, desde que o Landim foi trabalhar com o senhor Batista, ele já estava lá para arrancar de dentro da Petrobras esses técnicos.
Aí chegou o fim de 2007, todos nós pressionando para não ter mais leilão, o Lula tira 41 blocos… Mas vamos voltar a 2006. Em 2006, quem anulou o leilão foi a Justiça, por discriminação contra a Petrobras fazer essas coisas. Ouvi isso da Jô Moraes, num debate na Câmara dos Deputados.
Só que aí se criou o seguinte imbróglio: um ex-ministro do governo Lula e dois do governo Fernando Henrique, Pedro Malan e Rodolpho Tourinho, foram assessorar o Eike Batista.
Ele já tinha gasto um monte para criar sua empresa de petróleo. Se o leilão fosse suspenso, ele ia ficar sem nada, e já tinha aliciado toda a equipe de exploração e produção da Petrobras.
O que caberia a um governo que primasse por um mínimo de dignidade para preservar o interesse público? Cancelar o leilão e processar esses caras que saíram da Petrobras com segredos estratégicos. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, os dois do governo anterior e um do governo Lula, estavam nessa empreitada.
Revista Adusp: Quem era o ex-ministro?
Ildo Sauer - O ex-chefe da Casa Civil, antecessor de Dilma.
Revista Adusp: José Dirceu?
Ildo Sauer - É, ele foi assessor do Eike Batista, consultor. Para ele, não era do governo, ele pegou contrato de consultoria, para dar assistência nas negociações com a Bolívia, com a Venezuela e aqui dentro. Ele [Dirceu] me disse que fez isso. Do ponto de vista legal, nenhuma recriminação contra ele, digamos assim. Eu tenho (recriminação)contra o governo que permitiu se fazer.
E hoje ele [Eike] anuncia ter 10 bilhões de barris já, que valem US$ 100 bilhões. Até então, esse senhor Batista era um milionário, tinha cerca de US$ 200 milhões. Todo mundo já sabia que o Pré-Sal existia, menos o público, porque o governo não anunciou publicamente.
As empresas que operavam sabiam, tanto que a Ente Nazionale Idrocarburi D’Italia (ENI) pagou US$ 300 milhões por um dos primeiros poços leiloados em 2008. Três ou quatro leilões foram feitos quando o leilão foi suspenso pela justiça. Até hoje, volta e meia o [ministro] Lobão ameaça retomar o leilão de 2008, 2006. A oitava rodada. Para entregar. Tudo em torno do Pré-Sal estava entregue naquele leilão.No leilão seguinte, o governo insiste em leiloar. E leiloou. E na franja do Pré-Sal é que tem esse enorme poderio.
Como é que pode? A empresa dele (Eike) foi criada em julho de 2007. Em junho de 2008 ele fez um Initial Public Offering, arrecadou R$ 6,71 bilhões por 38% da empresa, portanto a empresa estava valendo R$ 17 bilhões, R$ 10 bilhões dele.
Tudo que ele tinha de ativo: a equipe recrutada da Petrobras e os blocos generosamente leiloados por Lula e Dilma. Só isso. Eu denunciei isso já em 2008. Publicamente, em tudo quanto é lugar que eu fui, eu venho falando para que ficasse registrado antes que ele anunciasse as suas descobertas. Porque fui alertado pelos geólogos de que lá tinha muito petróleo.
Foi um acordo que chegaram a fazer, numa conversa entre Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e a então ministra-chefe da Casa Civil (Dilma), em novembro, antes do leilão.
O Lula chegou a concordar, segundo disse o pessoal do MST e os sindicalistas, em acabar com o leilão. Mas esse imbroglio, de o empresário ter gasto dezenas de milhões de dólares para recrutar equipe e apoio político nos dois governos fez com que eles mantivessem… Tiraram o filé-mignon, mas mantiveram o contra-filé. O contra-filé é alguém que hoje anuncia ser o oitavo homem mais rico do mundo.
E tudo foi mediante essa operação no seio do governo. Contra a recomendação dos técnicos da Petrobras, do Clube de Engenharia, do sindicalismo. Foi a maior entrega da história do Brasil. O ato mais entreguista da história brasileira, em termos econômicos.
Pior, foi dos processos de acumulação primitiva mais extraordinários da história do capitalismo mundial. Alguém sai do nada e em três anos tem uma fortuna de bilhões de dólares.
A Petrobras durante a vida inteira conseguiu descobrir 20 bilhões de barris de petróleo, antes do Pré-Sal. Este senhor, está no site da OGX, já tem 10 bilhões de barris consolidados. Os Estados Unidos inteiros têm 29,4 bilhões de barris. Ele anuncia que estará produzindo, em breve, 1,4 milhão de barris por dia — o mesmo que a Líbia produz hoje.
É esse o quadro. Ou a população brasileira se dá conta do que está em jogo, ou o processo vai ser o mesmo de sempre. Do jeito que foi-se a prata, foi-se o ouro, foram-se as terras, irão também os potenciais hidráulicos e o petróleo, para essas negociatas entre a elite. O modelo aprovado não é adequado. Mantém-se uma aura de risco sem necessidade, para justificar que o cara está “correndo risco”, mas um risco que ele já sabe que não existe.
Qual é a nossa proposta?
Primeiro, vamos mapear as reservas: saber se temos 100 bilhões, 200 bilhões, 300 bilhões de barris. Segundo, vamos criar o sistema de prestação de serviço: a Petrobras passa a operar, recebe por cada barril de petróleo produzido US$ 15 ou US$ 20, e o governo determina o ritmo de produção. Porque há um problema: a Arábia Saudita produz em torno de 10 milhões de barris, a Rússia uns 8 milhões de barris, depois vêm os outros, com2 a4 milhões de barris por dia: Venezuela, Iraque, Irã.
O Eike Batista anuncia a produção de 1,4 milhão de barris, a Petrobras anuncia 5 milhões de barris e pouco. Significa que o Brasil vai exportar uns 3 ou 4 milhões de barris. Já é o terceiro ator. Não se pode fazer mais isso
TRIBUNA DA IMPRENSA
02 de dezembro de 2011
TRIBUNA DA IMPRENSA
02 de dezembro de 2011
Agradecendo ao comentarista Mario Assis, que nos enviou a matéria, publicamos hoje a segunda parte da importantíssima entrevista do professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança, da revista da Associação dos Docentes da USP (Adusp).
Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.
Revista Adusp: Você ainda estava na Petrobras, quando o Pré-Sal foi descoberto?
Ildo Sauer - Eu ajudei a tomar essa decisão. Nós tomamos essa decisão, não sabíamos quanto ia custar. O poço de Tupi custou US$ 264 milhões, para furar os 3 km de sal e descobrir que tinha petróleo. O Lula foi avisado em 2006 e a Dilma também, de que agora um novo modelo geológico havia sido descoberto, cuja dimensão era gigantesca, não se sabia quanto.
Então, obviamente, do ponto de vista político, naquele momento a nossa posição, de muitos diretores da Petrobras, principalmente eu e Gabrielli, que tínhamos mais afinidade política com a proposta do PT de antigamente, a abandonada, achávamos que tinha que parar com todo e qualquer leilão, como aliás foi promessa de campanha do Lula.
Na transição, ainda a Dilma falou, “não vai ter mais leilão”. Mas se subjugaram às grandes pressões e mantiveram os leilões. Fernando Henrique fez quatro, Lula fez cinco. Lula entregou mais áreas e mais campos para a iniciativa privada do petróleo do que Fernando Henrique.
Um ex-ministro do governo Lula e dois do governo FHC foram assessorar Eike Batista. O que caberia a um governo que primasse por dignidade? Cancelar o leilão. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, estavam nessa empreitada”
Revista Adusp: Mas Gabrielli era contra e acabou concordando?
Ildo Sauer - Não. A Petrobras não manda nisso, a Petrobras é vítima, ela não era ouvida. Quem executa isso é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], comandada pelo PCdoB, e a mão de ferro na ANP era da Casa Civil. Então a voz da política energética era a voz da Dilma, ela é que impôs essa privatização na energia elétrica e no petróleo.
Depois do petróleo já confirmado em 2006, a ANP criou um edital pelo qual a Petrobras tinha limitado acesso. Podia ter no máximo 30% ou 40% dos blocos, necessários para criar concorrência. Porque, em 2006, Tupi já havia sido furado e comunicado.
O segundo poço de Tupi, para ver a dimensão, foi feito mais adiante, esse ficou pronto em 2007. Só que o Lula e a Dilma foram avisados pelo Gabrielli em 2006.
Muitos movimentos sociais foram a Brasília, nós falávamos com os parlamentares, os sindicatos foram protestar. O Clube de Engenharia, que é a voz dos engenheiros, mandou uma carta ao Lula, em 2007, pedindo para nunca mais fazer leilão.
Em 2005-6, o [Rodolfo] Landim, o queridinho do Lula e da Dilma, saiu da Petrobras. Porque o consultor da OGX, do grupo X, do senhor [Eike] Batista, era o ex-ministro da Casa Civil (José Dirceu), e ele sugeriu então que Eike entrasse no petróleo.
Aí ele contratou o Landim, que começou a arquitetar. Como o centro nevrálgico da estratégia da Petrobras é a gerência executiva de exploração, o geólogo Paulo Mendonça, nascido em Portugal, formado aqui na USP, e o Landim, articularam para em 2007 criar uma empresa nova, a partir dos técnicos da Petrobras.
E o senhor Batista queimou alguns milhões de dólares para assinar os contratos e dar as luvas desses novos cargos, que estavam dentro da Petrobras mas, desde que o Landim foi trabalhar com o senhor Batista, ele já estava lá para arrancar de dentro da Petrobras esses técnicos.
Aí chegou o fim de 2007, todos nós pressionando para não ter mais leilão, o Lula tira 41 blocos… Mas vamos voltar a 2006. Em 2006, quem anulou o leilão foi a Justiça, por discriminação contra a Petrobras fazer essas coisas. Ouvi isso da Jô Moraes, num debate na Câmara dos Deputados.
Só que aí se criou o seguinte imbróglio: um ex-ministro do governo Lula e dois do governo Fernando Henrique, Pedro Malan e Rodolpho Tourinho, foram assessorar o Eike Batista.
Ele já tinha gasto um monte para criar sua empresa de petróleo. Se o leilão fosse suspenso, ele ia ficar sem nada, e já tinha aliciado toda a equipe de exploração e produção da Petrobras.
O que caberia a um governo que primasse por um mínimo de dignidade para preservar o interesse público? Cancelar o leilão e processar esses caras que saíram da Petrobras com segredos estratégicos. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, os dois do governo anterior e um do governo Lula, estavam nessa empreitada.
Revista Adusp: Quem era o ex-ministro?
Ildo Sauer - O ex-chefe da Casa Civil, antecessor de Dilma.
Revista Adusp: José Dirceu?
Ildo Sauer - É, ele foi assessor do Eike Batista, consultor. Para ele, não era do governo, ele pegou contrato de consultoria, para dar assistência nas negociações com a Bolívia, com a Venezuela e aqui dentro. Ele [Dirceu] me disse que fez isso. Do ponto de vista legal, nenhuma recriminação contra ele, digamos assim. Eu tenho (recriminação)contra o governo que permitiu se fazer.
E hoje ele [Eike] anuncia ter 10 bilhões de barris já, que valem US$ 100 bilhões. Até então, esse senhor Batista era um milionário, tinha cerca de US$ 200 milhões. Todo mundo já sabia que o Pré-Sal existia, menos o público, porque o governo não anunciou publicamente.
As empresas que operavam sabiam, tanto que a Ente Nazionale Idrocarburi D’Italia (ENI) pagou US$ 300 milhões por um dos primeiros poços leiloados em 2008. Três ou quatro leilões foram feitos quando o leilão foi suspenso pela justiça. Até hoje, volta e meia o [ministro] Lobão ameaça retomar o leilão de 2008, 2006. A oitava rodada. Para entregar. Tudo em torno do Pré-Sal estava entregue naquele leilão.No leilão seguinte, o governo insiste em leiloar. E leiloou. E na franja do Pré-Sal é que tem esse enorme poderio.
Como é que pode? A empresa dele (Eike) foi criada em julho de 2007. Em junho de 2008 ele fez um Initial Public Offering, arrecadou R$ 6,71 bilhões por 38% da empresa, portanto a empresa estava valendo R$ 17 bilhões, R$ 10 bilhões dele.
Tudo que ele tinha de ativo: a equipe recrutada da Petrobras e os blocos generosamente leiloados por Lula e Dilma. Só isso. Eu denunciei isso já em 2008. Publicamente, em tudo quanto é lugar que eu fui, eu venho falando para que ficasse registrado antes que ele anunciasse as suas descobertas. Porque fui alertado pelos geólogos de que lá tinha muito petróleo.
Foi um acordo que chegaram a fazer, numa conversa entre Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e a então ministra-chefe da Casa Civil (Dilma), em novembro, antes do leilão.
O Lula chegou a concordar, segundo disse o pessoal do MST e os sindicalistas, em acabar com o leilão. Mas esse imbroglio, de o empresário ter gasto dezenas de milhões de dólares para recrutar equipe e apoio político nos dois governos fez com que eles mantivessem… Tiraram o filé-mignon, mas mantiveram o contra-filé. O contra-filé é alguém que hoje anuncia ser o oitavo homem mais rico do mundo.
E tudo foi mediante essa operação no seio do governo. Contra a recomendação dos técnicos da Petrobras, do Clube de Engenharia, do sindicalismo. Foi a maior entrega da história do Brasil. O ato mais entreguista da história brasileira, em termos econômicos.
Pior, foi dos processos de acumulação primitiva mais extraordinários da história do capitalismo mundial. Alguém sai do nada e em três anos tem uma fortuna de bilhões de dólares.
A Petrobras durante a vida inteira conseguiu descobrir 20 bilhões de barris de petróleo, antes do Pré-Sal. Este senhor, está no site da OGX, já tem 10 bilhões de barris consolidados. Os Estados Unidos inteiros têm 29,4 bilhões de barris. Ele anuncia que estará produzindo, em breve, 1,4 milhão de barris por dia — o mesmo que a Líbia produz hoje.
É esse o quadro. Ou a população brasileira se dá conta do que está em jogo, ou o processo vai ser o mesmo de sempre. Do jeito que foi-se a prata, foi-se o ouro, foram-se as terras, irão também os potenciais hidráulicos e o petróleo, para essas negociatas entre a elite. O modelo aprovado não é adequado. Mantém-se uma aura de risco sem necessidade, para justificar que o cara está “correndo risco”, mas um risco que ele já sabe que não existe.
Qual é a nossa proposta?
Primeiro, vamos mapear as reservas: saber se temos 100 bilhões, 200 bilhões, 300 bilhões de barris. Segundo, vamos criar o sistema de prestação de serviço: a Petrobras passa a operar, recebe por cada barril de petróleo produzido US$ 15 ou US$ 20, e o governo determina o ritmo de produção. Porque há um problema: a Arábia Saudita produz em torno de 10 milhões de barris, a Rússia uns 8 milhões de barris, depois vêm os outros, com2 a4 milhões de barris por dia: Venezuela, Iraque, Irã.
O Eike Batista anuncia a produção de 1,4 milhão de barris, a Petrobras anuncia 5 milhões de barris e pouco. Significa que o Brasil vai exportar uns 3 ou 4 milhões de barris. Já é o terceiro ator. Não se pode fazer mais isso
TRIBUNA DA IMPRENSA
02 de dezembro de 2011
UNICEF DESMENTE MAIS UMA BALELA DO REGIME PETISTA
Conta de mentiroso não bate. Não tem jeito. Você pode fazer um pantim aqui outro acolá, mas a verdade acaba aparecendo.
Se você pesquisar neste blog vai encontrar vários posts em que comentamos as balelas do regime petista divulgadas pelo seu Ministério da Propaganda. Aliás, é um ótimo lugar para se viver este divulgado nos filminhos do regime petista. Nada diferente do que fez Hitler. Repita uma mentira até que ela se torne uma verdade. Uma antiga técnica da pior propaganda que existe - a enganosa.
Essa balela de que "tiramos xilhões de pessoas da linha da miséria", não resiste a nenhum estudo mais sério sobre o tema. Ela é fantasiada ainda de que o regime petista criou uma nova classe social. Essa é demais! A criação de uma nova classe é tão extravagante quanto aquela que diz que o "mensalão do PT nunca existiu".
Essa história de uma nova classe social não existe. O que existiu é que as classes B/C, as que sempre pagam o pato, estavam sufocadas pela hiper inflação que tomava conta do país. A partir do Plano Real, com a economia estabilizada, sem a inflação corroendo seus salários, estas classes passaram a ter uma nova qualidade de vida. Só isso! Se alguém tirou alguém da miséria foi o Plano Real. Plano, diga-se de passagem, que o ex-presidente Lula e o seu PT, foram contra.
Quer dizer, os elementos fazem o que fazem e ainda riem de sua cara. Acham que somos todos abestados.
E aí, para provar que não somos abestados, vem a a Unicef e constata através de um primoroso estudo - leia íntegra aqui - que
Lúcio Neto
Cresce índice de adolescentes em extrema pobreza
No Brasil, a pobreza e a pobreza extrema têm rosto de criança e de adolescente.
Dados preliminares do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que quatro em cada dez brasileiros (40%) que vivem na miséria são meninas e meninos de até 14 anos. Depois das crianças, o segundo grupo etário com maior percentual de pessoas vivendo em famílias pobres são os adolescentes.
O número de adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos de idade que vivem em famílias com renda inferior a ½ salário mínimo per capita é 7,9 milhões. Isso significa dizer que 38% dos adolescentes brasileiros estão em condição de pobreza.
Praticamente um a cada três adolescentes brasileiros pertence ao quintil mais pobre da população brasileira (ou seja, os 20% mais pobres do País): 28,9% dos garotos e garotas entre 15 e 17 anos estão nesse grupo de renda.
O percentual de adolescentes vivendo em famílias extremamente pobres cresceu entre 2004 e 2009, passando de 16,3% para os atuais 17,6%. Ou seja, a pobreza recua na população brasileira em geral, mas cresce entre seus meninos e meninas.
O relatório, baseado em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, indica que a situação de maior pobreza entre os adolescentes ocorre naqueles que vivem em favelas, invasões e assentamentos. Considerando a região, o cenário pior está na Amazônia e no semiárido nordestino.
O Brasil vive hoje o que vem sendo chamado de bônus demográfico. Com 11% de sua população vivendo a adolescência, o País tem uma oportunidade única: nunca houve e não haverá no futuro tamanho contingente de adolescentes.
Um universo de 21.083.635¹ de meninos e meninas, um momento inédito de possibilidades reais para se fortalecer os importantes avanços das últimas duas décadas nas áreas da saúde, da educação, da inclusão, já realizadas para as crianças. Sem deixar de investir na garantia dos direitos da primeira e segunda infância, é chegada a hora de se avançar em conquistas para os adolescentes brasileiros. Não há tempo como este. O presente do Brasil é um presente.
O Brasil tem diante de si uma enorme oportunidade. Com um novo olhar, que reconhece o quanto é rico ter 21 milhões de cidadãos com idades entre 12 e 17 anos, o País pode transformar potencial em realidade, aprofundando o saber sobre esses meninos e meninas, reconhecendo as diversas formas de se viver a adolescência, e construindo novas relações baseadas no diálogo, no respeito ao outro.
Neste ponto, o relatório da Unicef aponta que se propaga muito e se faz muito pouco:
Enfrentar as desigualdades e reduzir as vulnerabilidades é, portanto, uma tarefa urgente. Isso só se faz, com escala e sustentabilidade, por meio de políticas públicas universais, para todos os adolescentes, e também de políticas específicas, desenhadas para essa fase especial da vida e para as diferentes condições de se viver as adolescências que hoje temos no Brasil. Neste relatório, apontamos algumas políticas já desenhadas e efetivadas no País, dirigidas aos adolescentes, como contribuição para a análise de conquistas e desafios e para reafirmar a importância dessas políticas.
É chegada a hora de se ampliar e de se aprofundar essas conquistas, incluindo na agenda de prioridades dada às crianças, os adolescentes. Para o UNICEF, não há tempo como este. O Brasil tem diante de si a possibilidade de uma escolha transformadora: garantir o direito de ser adolescente a esses 21 milhões de cidadãos é assentar as bases para um País ainda mais forte, mais inovador e mais respeitado, porque mais justo e com mais equidade, na realização dos direitos dos cidadãos de até 18 anos.
E para terminar vem a lamentável declaração da ministra do regime petista Tereza Campello, Desenvolvimento Social e Combate à Fome e à Pobreza que afirma a solene besteira:
- Os dados da Unicef não são consistentes e pedirei reconsideração.
Pois é, inconsistentes são as balelas que este regime tem propagado. E preparem-se, vem aí mais uma campanha política.
Se você pesquisar neste blog vai encontrar vários posts em que comentamos as balelas do regime petista divulgadas pelo seu Ministério da Propaganda. Aliás, é um ótimo lugar para se viver este divulgado nos filminhos do regime petista. Nada diferente do que fez Hitler. Repita uma mentira até que ela se torne uma verdade. Uma antiga técnica da pior propaganda que existe - a enganosa.
Essa balela de que "tiramos xilhões de pessoas da linha da miséria", não resiste a nenhum estudo mais sério sobre o tema. Ela é fantasiada ainda de que o regime petista criou uma nova classe social. Essa é demais! A criação de uma nova classe é tão extravagante quanto aquela que diz que o "mensalão do PT nunca existiu".
Essa história de uma nova classe social não existe. O que existiu é que as classes B/C, as que sempre pagam o pato, estavam sufocadas pela hiper inflação que tomava conta do país. A partir do Plano Real, com a economia estabilizada, sem a inflação corroendo seus salários, estas classes passaram a ter uma nova qualidade de vida. Só isso! Se alguém tirou alguém da miséria foi o Plano Real. Plano, diga-se de passagem, que o ex-presidente Lula e o seu PT, foram contra.
Quer dizer, os elementos fazem o que fazem e ainda riem de sua cara. Acham que somos todos abestados.
E aí, para provar que não somos abestados, vem a a Unicef e constata através de um primoroso estudo - leia íntegra aqui - que
Lúcio Neto
Cresce índice de adolescentes em extrema pobreza
No Brasil, a pobreza e a pobreza extrema têm rosto de criança e de adolescente.
Dados preliminares do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que quatro em cada dez brasileiros (40%) que vivem na miséria são meninas e meninos de até 14 anos. Depois das crianças, o segundo grupo etário com maior percentual de pessoas vivendo em famílias pobres são os adolescentes.
O número de adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos de idade que vivem em famílias com renda inferior a ½ salário mínimo per capita é 7,9 milhões. Isso significa dizer que 38% dos adolescentes brasileiros estão em condição de pobreza.
Praticamente um a cada três adolescentes brasileiros pertence ao quintil mais pobre da população brasileira (ou seja, os 20% mais pobres do País): 28,9% dos garotos e garotas entre 15 e 17 anos estão nesse grupo de renda.
O percentual de adolescentes vivendo em famílias extremamente pobres cresceu entre 2004 e 2009, passando de 16,3% para os atuais 17,6%. Ou seja, a pobreza recua na população brasileira em geral, mas cresce entre seus meninos e meninas.
O relatório, baseado em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, indica que a situação de maior pobreza entre os adolescentes ocorre naqueles que vivem em favelas, invasões e assentamentos. Considerando a região, o cenário pior está na Amazônia e no semiárido nordestino.
O Brasil vive hoje o que vem sendo chamado de bônus demográfico. Com 11% de sua população vivendo a adolescência, o País tem uma oportunidade única: nunca houve e não haverá no futuro tamanho contingente de adolescentes.
Um universo de 21.083.635¹ de meninos e meninas, um momento inédito de possibilidades reais para se fortalecer os importantes avanços das últimas duas décadas nas áreas da saúde, da educação, da inclusão, já realizadas para as crianças. Sem deixar de investir na garantia dos direitos da primeira e segunda infância, é chegada a hora de se avançar em conquistas para os adolescentes brasileiros. Não há tempo como este. O presente do Brasil é um presente.
O Brasil tem diante de si uma enorme oportunidade. Com um novo olhar, que reconhece o quanto é rico ter 21 milhões de cidadãos com idades entre 12 e 17 anos, o País pode transformar potencial em realidade, aprofundando o saber sobre esses meninos e meninas, reconhecendo as diversas formas de se viver a adolescência, e construindo novas relações baseadas no diálogo, no respeito ao outro.
Neste ponto, o relatório da Unicef aponta que se propaga muito e se faz muito pouco:
Enfrentar as desigualdades e reduzir as vulnerabilidades é, portanto, uma tarefa urgente. Isso só se faz, com escala e sustentabilidade, por meio de políticas públicas universais, para todos os adolescentes, e também de políticas específicas, desenhadas para essa fase especial da vida e para as diferentes condições de se viver as adolescências que hoje temos no Brasil. Neste relatório, apontamos algumas políticas já desenhadas e efetivadas no País, dirigidas aos adolescentes, como contribuição para a análise de conquistas e desafios e para reafirmar a importância dessas políticas.
É chegada a hora de se ampliar e de se aprofundar essas conquistas, incluindo na agenda de prioridades dada às crianças, os adolescentes. Para o UNICEF, não há tempo como este. O Brasil tem diante de si a possibilidade de uma escolha transformadora: garantir o direito de ser adolescente a esses 21 milhões de cidadãos é assentar as bases para um País ainda mais forte, mais inovador e mais respeitado, porque mais justo e com mais equidade, na realização dos direitos dos cidadãos de até 18 anos.
E para terminar vem a lamentável declaração da ministra do regime petista Tereza Campello, Desenvolvimento Social e Combate à Fome e à Pobreza que afirma a solene besteira:
- Os dados da Unicef não são consistentes e pedirei reconsideração.
Pois é, inconsistentes são as balelas que este regime tem propagado. E preparem-se, vem aí mais uma campanha política.
JUSTIÇA INTERVÉM EM DUAS OSCIPS DE CURITIBA: DESVIO DE R$ 18,9 MILHÕES
A 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba decretou a intervenção judicial nas Oscips (Organizações Sociais Civis de Interesse Público) Instituto Brasileiro de Integração e Desenvolvimento Pró-Cidadão (Ibidec) e Agência de Desenvolvimento Educacional e Social Brasileira (Adesobras).
Os dirigentes das duas Oscips foram denunciados por crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro pelo Ministério Público Federal (MPF) na ação penal 5009807-73.2011.404.7000.
Segundo a denúncia, os acusados, dentre outros crimes, teriam desviado, em seu favor e de terceiros, recursos públicos no montante de cerca de R$ 18.932.890,90, através da simulação de despesas mediante a contratação de assessorias ou serviços de consultoria fictícios.
A denúncia tem por base investigação da Polícia Federal (PF), da Controladoria Geral da União e da Receita Federal na assim denominada Operação Dejá vu II. Ao receber a denúncia, o Juízo reputou necessário decretar a intervenção judicial nas Oscips a fim de prevenir novos desvios de recursos públicos, assegurando, porém, a continuidade das atividades das Oscips na prestação de serviços públicos, principalmente na área da saúde, e possibilitando que as entidades públicas que as contrataram possam assumir os serviços ou realizar licitações para contratar outras entidades.
A intervenção iniciou-se na data de 1/12/2011 e está prevista para durar seis meses, prazo no qual serão encerradas as atividades das Oscips.
Pela mesma decisão, os dirigentes das Oscips foram proibidos de diretamente ou indiretamente constituírem ou trabalharem em Oscips ou Organizações Sociais (OSs) que recebam, qualquer que seja o título, valores do Poder Público, sob pena de prisão, isso até o julgamento da ação penal.
As informações são da Justiça Federal do Paraná.
O EXÉRCITO DE ONTEM E O EXÉRCITO DE HOJE
Desde, 1966, com o atentado à bomba em Guararapes, em Recife, as Forças Armadas se defrontaram com o terrorismo no Brasil. Inicialmente o combate aos terroristas vinha sendo feito pelas Polícias Civis e Militares.
Essa preocupação com a coordenação e a centralização das atividades de combate à guerrilha urbana não era só das autoridades em São Paulo.
Com essa finalidade, entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 1969, havia sido realizado o I Seminário de Segurança Interna, em Brasília, sob os auspícios do Exército, que reuniu os secretários de Segurança, os comandantes das Polícias Militares e os superintendentes regionais da Polícia Federal.
Em 24 de junho de 1969, o general Canavarro, comandante do II Ex, responsável pela segurança interna da área, convocou no Quartel General uma reunião de todos os órgãos ligados à segurança.
Estavam presentes: o secretário de Segurança de São Paulo (Dr. Hely Meirelles), o representante da Marinha; o representante da Aeronáutica; o representante do SNI; o chefe do EM da 2ª Divisão de Infantaria; o comandante da Força Pública; o delegado da Ordem Política e Social; o diretor de Trânsito e outros.
O clima imposto, desde o início, foi o da melhor compreensão e colaboração. Com isso, o general Canavarro, após apresentar suas principais observações sobre os fatos que vinham ocorrendo, determinou que fosse lido o documento organizado pelo Exército, com vistas ao combate ao terrorismo. No dia 27 de junho de 1969, data oficial da criação da OBAN, o II Exército elaborou um documento CONFIDENCIAL intitulado Operação Bandeirante.
A missão da OBAN ficou assim definida: Identificar, localizar e capturar os elementos integrantes dos grupos subversivos que atuam na área do II Ex, particularmente em São Paulo, com a finalidade de desativar ou pelo menos neutralizar as organizações a que pertençam.
Na parte de Execução, como conceito da Operação, constava:
"O II Ex organizará um Centro de Coordenação, constituído de uma Central de Informações e de uma Central de Operações, a fim de coordenar as atividades de busca de informes, produção de informações e ações repressivas contra grupos subversivos, visando a evitar superposição de esforços, a definir responsabilidades e a tornar mais efetivo o combate àqueles grupos.”
A situação era preocupante, pois os subversivo-terroristas, até o início de 1970, tinham assaltado aproximadamente 300 bancos e alguns carros fortes de empresas pagadoras; encaminhado mais de 300 militantes para cursos em Cuba e na China; sabotado linhas férreas; assaltado quartéis para roubar armas; seqüestrado três diplomatas; “justiçado” três militares (dois estrangeiros e um tenente da Polícia Militar de São Paulo); roubado grande quantidade de explosivos em pedreiras; explodido dezenas de bombas (entre elas uma no Aeroporto Guararapes e outra no Quartel General de São Paulo); incendiado várias radiopatrulhas.
O número de mortos da insensatez dessa guerrilha urbana já era grande: 66 pessoas, sendo 20 policiais militares, 7 militares, 7 policiais civis, 10 guardas de segurança e 22 civis de profissões diversas.
- Criação dos DOI.
Na primeira quinzena de setembro de 1970, a Presidência da República, em face dos problemas criados pelo terrorismo, expediu um documento no qual analisava em profundidade as conseqüências que poderiam advir dessa situação e definia o que deveria ser feito para impedir e neutralizar os movimentos subversivos.
Tal documento recebeu o nome de Diretriz Presidencial de Segurança Interna.
De acordo com a Diretriz, em cada comando de Exército, que hoje se denomina Comando Militar de Área, existiria:
- um Conselho de Defesa Interna (CONDI);
- um Centro de Operações de Defesa Interna (CODI); e
- um Destacamento de Operações de Informações (DOI).
Todos sob a coordenação do próprio comandante de cada Exército.
Os DOI - tinham a atribuição de combater, diretamente, as organizações terroristas, de desmontar a sua estrutura de pessoal e de material, e de impedir a sua reorganização. Eram órgãos eminentemente operacionais e executivos, adaptados às condições peculiares da contra-subversão e do contra-terrorismo.
Cumprindo a Ditretriz Presidencial, o Exército Brasileiro, por intermédio dos generais-de-exército, comandantes militares de área, centralizou, coordenou, comandou e se tornou responsável pela condução da contra-subversão e do contra-terrorismo no País.
Isto foi possível com a criação do:
- DOI/CODI/I Exército - Rio de Janeiro;
- DOI/CODI/II Exército - São Paulo (em substituição a OBAN);
- DOI/CODI/IV Exército - Recife;
- DOI/CODI/Comando Militar do Planalto - Brasília.
No ano seguinte com a criação do:
- DOI/CODI/5ª Região Militar - Curitiba;
- DOI/CODI/4ª Divisão de Exército - Belo Horizonte;
- DOI/CODI/6ª Região Militar - Salvador;
- DOI/CODI/8ª Região Militar - Belém; e
- DOI/CODI/ 10ª Região Militar - Fortaleza.
- Em 1974, foi criado o DOI/CODI/III Exército - Porto Alegre.
Os DOI eram a força pronta para o combate, diretamente a eles subordinados, recebendo e cumprindo suas ordens.
Concluindo a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, ao final de 1969, fui transferido para São Paulo.
O Boletim Interno do II Exército, de 30 de setembro de 1970, publicou a meu respeito: “A 30 Set, foi publico ter sido designado para assumir as funções de Chefe do Destacamento de Operações de Informações do CODI/II Ex, a partir de 29 Set 70”. Vários outros militares também foram designados para os DOI criados.
Cumprindo a ordem recebida, nesse dia, assumi o comando daquele Destacamento e lá permaneci até 23/01/74, quando fui transferido para Brasília.
A partir do dia que passamos a trabalhar nos DOI, as nossas vidas particulares e a nossas carreiras passaram a sofrer os mais variados testes.
Grandes pressões psicológicas pesaram sobre nós e nossos familiares.
Sobre nossos ombros iriam cair imensas responsabilidades. Vidas humanas passariam a depender das nossas decisões. Até aquele momento, estávamos acostumados a viver num Exército que apenas se preparava para o combate.
Iniciava-se, para nós e nossas famílias, uma total mudança de hábitos, que só viríamos sentir com o passar dos meses.
Era uma vida desgastante, cheia de riscos, sacrifícios e de privações.
As ameaças de seqüestros de nossas esposas e filhos eram constantes.
O general Humberto de Souza Mello, durante o período em que comandou o II Exército, sempre teve um especial atenção para com todos os membros do DOI/II Ex. As suas visitas inopinadas, normalmente, ocorriam horas depois de regressarmos de alguma operação de risco.
Nessas ocasiões, nosso comandante elogiava a bravura de nossos homens, impulsionando-os, cada vez mais, para o cumprimento do dever. Isso elevava o moral e o espírito de corpo.
Quando algum outro chefe militar ia oficialmente ao II Exército, a visita ao DOI constava, invariavelmente, da programação oficial.
Assim, também, acontecia nos demais DOI do país.
Para nossa felicidade, tivemos como chefe da 2ª Seção do Estado-Maior do II Exército o coronel Mário de Souza Pinto. Era um oficial de prestígio e competente. Em Santa Maria-RS, havia comandado o Regimento Mallet, onde se destacou como um dos melhores comandantes daquela unidade militar, a mais tradicional da Artilharia. Tivemos a ventura de tê-lo como chefe, em pleno período de combate. Tinha todas as qualidades que um subordinado espera de seu comandante: justo, amigo, eficiente, companheiro, corajoso. Era um oficial sério e correto e não admitia deslizes, corrupção e falhas de caráter.
Se alguém cometesse uma falta dessas, sua mão era bastante pesada para punir.
É, portanto, com tristeza, que vejo a esquerda revanchista, baseada em seus próprios critérios de comportamento, inventar que nossos salários eram complementados com dinheiro de empresários; que dávamos proteção e cobertura a marginais; que nos apossávamos do dinheiro e de bens das pessoas que eram presas; que no DOI estuprávamos mulheres; que introduzíamos objetos em seus órgãos sexuais; que torturávamos e prendíamos, não só crianças, como pais, irmãos e parentes de presos que nada tinham a ver com a subversão e o terrorismo. Isso, jamais aconteceu!
Seguidamente sou apontado como chefe de homens que praticaram tais atos. Eu jamais os permitiria.
Combatíamos um inimigo que não usava uniformes, que se misturava no seio da população, de onde surgia, de surpresa, para o ataque.
Nossos inimigos, hoje chamados pelo atual governo de "resistentes", sabiam que lutavam não apenas para derrotar o regime militar, mas para estabelecer um regime comunista, uma "ditadura do proletariado". Isto, hoje, está mais do que provado e tem sido repetido por historiadores que pertenceram a organizações terroristas.
Não foi sincera a presidente Dilma quando afirmou que eles lutavam pela democracia. Não é isto o que está escrito nos programas das organizações terroristas que ela pertenceu.
Nós, por outro lado, estávamos cientes de que lutávamos pela democracia.
Depois de 4 anos de lutas, nós os vencemos e é graças à democracia que soubemos defender que eles, hoje, estão no poder, e valendo-se dele para infringir a lei, praticar a corrupção e promover a desordem, a infração impune da lei, o revanchismo e o achicalhamento dos valores morais e éticos da sociedade.
Os vencemos, lamentando cerca de 500 mortes, de ambos os lados. Se eles tivessem sido vitoriosos, haveria um banho de sangue no Brasil, à semelhança do que aconteceu nos países onde eles assumiram o poder e, hoje, estaríamos vivendo sob uma férrea ditadura comunista.
Todos nós, que combatemos a luta armada comunista, podemos bater no peito e gritar com orgulho de soldados: Missão cumprida!
Fomos elogiados por nossos chefes de então, recebemos medalhas, muitos a Medalha do Pacificador com Palma, a mais alta condecoração outorgada em tempo de paz, pelo Exército Brasileiro, fomos distinguidos com nomeações para funções de prestígio.
Passam-se os anos.
Eu já tenente-coronel, comandava o 16º Grupo de Artilharia de Campanha, em São Leopoldo, RS.
Uma noite, num jantar para comemorar o aniversário do Grupo, sentei ao lado do Comandante da 3ª Região Militar, Gen Serpa, conhecido carinhosamente como Serpa Louro, para diferenciá-lo de seu irmão, também general, que era moreno.
Disse-me ele: Coronel, estou muito preocupado com o seu futuro. O senhor, na luta contra os terroristas, ao comandar o maior DOI do Brasil, se expôs muito. O Exército tem que blindá-lo e protegê-lo.
Respondi: General, todos os combatentes dos DOI cumpriram com o seu dever, cumpriram a missão dada pelos seus chefes. Fui um dos condecorados com a Medalha do Pacificador com Palma. Sempre fomos elogiados e prestigiados pelos nossos chefes. Nunca fui chamado a atenção, nunca fui punido, nem cometi qualquer arbitrariedade. Tenho a certeza de que, se no futuro, os nossos inimigos tentarem nos atingir, o Exército ao qual servimos com tanta dedicação e com o risco, não só das nossa vidas, como a de nossas famílias, sairá em nosso favor e nos defenderá.
Ele então me disse: Coronel, o senhor é muito jovem e sem experiência. Gostaria muito que isto acontecesse, mas, tenho minhas dúvidas.
Em abril de 2006, já reformado, recebi uma Notificação do Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo, a respeito de acusações de tortura de Ana Maria Teles e outros. Deu-me o magistrado 15 dias para apresentar, a minha Contestação.
Como este foi o primeiro caso, onde um militar estava sendo processado por ter participado do combate ao terrorismo, pedi ao Exército uma orientação, bem como para saber o que seria feito.
A resposta do comandante do Exército, General Francisco Albuquerque, foi clara e incisiva: "O Exército não vai fazer nada". Dias depois o General chefe de Comunicação Social, em entrevista à imprensa disse "O Exército não vai se pronunciar porque o caso está sub júdice".
E assim, vi que o General Serpa tinha razão.
Sempre tive a certeza de que, mesmo passados 40 anos, e tendo mudado as circunstâncias políticas, o Exército assumiria, publicamente, o seu envolvimento e a sua responsabilidade no combate ao terrorismo. Que não se omitiria e assumiria que nós como membros de uma unidade militar, como agentes do Estado, combatemos, cumprindo ordens de nossos chefes.
Pensava que os atuais chefes militares, hoje ocupando as mesmas funções daqueles que nos deram ordens, responderiam por eles e seriam solidários conosco.
Infelizmente, isto não aconteceu. Ficamos todos nós, os combatentes dos DOI - militares do Exército e da Aeronáutica, integrantes da Polícia Federal e das Polícias Civil e Militar - jogados à própria sorte, ignorados e abandonados pelo Exercito que nos designou para a missão. Missão, que para o bem do Brasil cumprimos com êxito inquestionável.
Aos Generais “Serpa” a minha reverência e o meu respeito, aos demais, o meu lamento...
Carlos Alberto Brilhante Ustra
é Coronel Reformado do EB
Essa preocupação com a coordenação e a centralização das atividades de combate à guerrilha urbana não era só das autoridades em São Paulo.
Com essa finalidade, entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 1969, havia sido realizado o I Seminário de Segurança Interna, em Brasília, sob os auspícios do Exército, que reuniu os secretários de Segurança, os comandantes das Polícias Militares e os superintendentes regionais da Polícia Federal.
Em 24 de junho de 1969, o general Canavarro, comandante do II Ex, responsável pela segurança interna da área, convocou no Quartel General uma reunião de todos os órgãos ligados à segurança.
Estavam presentes: o secretário de Segurança de São Paulo (Dr. Hely Meirelles), o representante da Marinha; o representante da Aeronáutica; o representante do SNI; o chefe do EM da 2ª Divisão de Infantaria; o comandante da Força Pública; o delegado da Ordem Política e Social; o diretor de Trânsito e outros.
O clima imposto, desde o início, foi o da melhor compreensão e colaboração. Com isso, o general Canavarro, após apresentar suas principais observações sobre os fatos que vinham ocorrendo, determinou que fosse lido o documento organizado pelo Exército, com vistas ao combate ao terrorismo. No dia 27 de junho de 1969, data oficial da criação da OBAN, o II Exército elaborou um documento CONFIDENCIAL intitulado Operação Bandeirante.
A missão da OBAN ficou assim definida: Identificar, localizar e capturar os elementos integrantes dos grupos subversivos que atuam na área do II Ex, particularmente em São Paulo, com a finalidade de desativar ou pelo menos neutralizar as organizações a que pertençam.
Na parte de Execução, como conceito da Operação, constava:
"O II Ex organizará um Centro de Coordenação, constituído de uma Central de Informações e de uma Central de Operações, a fim de coordenar as atividades de busca de informes, produção de informações e ações repressivas contra grupos subversivos, visando a evitar superposição de esforços, a definir responsabilidades e a tornar mais efetivo o combate àqueles grupos.”
A situação era preocupante, pois os subversivo-terroristas, até o início de 1970, tinham assaltado aproximadamente 300 bancos e alguns carros fortes de empresas pagadoras; encaminhado mais de 300 militantes para cursos em Cuba e na China; sabotado linhas férreas; assaltado quartéis para roubar armas; seqüestrado três diplomatas; “justiçado” três militares (dois estrangeiros e um tenente da Polícia Militar de São Paulo); roubado grande quantidade de explosivos em pedreiras; explodido dezenas de bombas (entre elas uma no Aeroporto Guararapes e outra no Quartel General de São Paulo); incendiado várias radiopatrulhas.
O número de mortos da insensatez dessa guerrilha urbana já era grande: 66 pessoas, sendo 20 policiais militares, 7 militares, 7 policiais civis, 10 guardas de segurança e 22 civis de profissões diversas.
- Criação dos DOI.
Na primeira quinzena de setembro de 1970, a Presidência da República, em face dos problemas criados pelo terrorismo, expediu um documento no qual analisava em profundidade as conseqüências que poderiam advir dessa situação e definia o que deveria ser feito para impedir e neutralizar os movimentos subversivos.
Tal documento recebeu o nome de Diretriz Presidencial de Segurança Interna.
De acordo com a Diretriz, em cada comando de Exército, que hoje se denomina Comando Militar de Área, existiria:
- um Conselho de Defesa Interna (CONDI);
- um Centro de Operações de Defesa Interna (CODI); e
- um Destacamento de Operações de Informações (DOI).
Todos sob a coordenação do próprio comandante de cada Exército.
Os DOI - tinham a atribuição de combater, diretamente, as organizações terroristas, de desmontar a sua estrutura de pessoal e de material, e de impedir a sua reorganização. Eram órgãos eminentemente operacionais e executivos, adaptados às condições peculiares da contra-subversão e do contra-terrorismo.
Cumprindo a Ditretriz Presidencial, o Exército Brasileiro, por intermédio dos generais-de-exército, comandantes militares de área, centralizou, coordenou, comandou e se tornou responsável pela condução da contra-subversão e do contra-terrorismo no País.
Isto foi possível com a criação do:
- DOI/CODI/I Exército - Rio de Janeiro;
- DOI/CODI/II Exército - São Paulo (em substituição a OBAN);
- DOI/CODI/IV Exército - Recife;
- DOI/CODI/Comando Militar do Planalto - Brasília.
No ano seguinte com a criação do:
- DOI/CODI/5ª Região Militar - Curitiba;
- DOI/CODI/4ª Divisão de Exército - Belo Horizonte;
- DOI/CODI/6ª Região Militar - Salvador;
- DOI/CODI/8ª Região Militar - Belém; e
- DOI/CODI/ 10ª Região Militar - Fortaleza.
- Em 1974, foi criado o DOI/CODI/III Exército - Porto Alegre.
Os DOI eram a força pronta para o combate, diretamente a eles subordinados, recebendo e cumprindo suas ordens.
Concluindo a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, ao final de 1969, fui transferido para São Paulo.
O Boletim Interno do II Exército, de 30 de setembro de 1970, publicou a meu respeito: “A 30 Set, foi publico ter sido designado para assumir as funções de Chefe do Destacamento de Operações de Informações do CODI/II Ex, a partir de 29 Set 70”. Vários outros militares também foram designados para os DOI criados.
Cumprindo a ordem recebida, nesse dia, assumi o comando daquele Destacamento e lá permaneci até 23/01/74, quando fui transferido para Brasília.
A partir do dia que passamos a trabalhar nos DOI, as nossas vidas particulares e a nossas carreiras passaram a sofrer os mais variados testes.
Grandes pressões psicológicas pesaram sobre nós e nossos familiares.
Sobre nossos ombros iriam cair imensas responsabilidades. Vidas humanas passariam a depender das nossas decisões. Até aquele momento, estávamos acostumados a viver num Exército que apenas se preparava para o combate.
Iniciava-se, para nós e nossas famílias, uma total mudança de hábitos, que só viríamos sentir com o passar dos meses.
Era uma vida desgastante, cheia de riscos, sacrifícios e de privações.
As ameaças de seqüestros de nossas esposas e filhos eram constantes.
O general Humberto de Souza Mello, durante o período em que comandou o II Exército, sempre teve um especial atenção para com todos os membros do DOI/II Ex. As suas visitas inopinadas, normalmente, ocorriam horas depois de regressarmos de alguma operação de risco.
Nessas ocasiões, nosso comandante elogiava a bravura de nossos homens, impulsionando-os, cada vez mais, para o cumprimento do dever. Isso elevava o moral e o espírito de corpo.
Quando algum outro chefe militar ia oficialmente ao II Exército, a visita ao DOI constava, invariavelmente, da programação oficial.
Assim, também, acontecia nos demais DOI do país.
Para nossa felicidade, tivemos como chefe da 2ª Seção do Estado-Maior do II Exército o coronel Mário de Souza Pinto. Era um oficial de prestígio e competente. Em Santa Maria-RS, havia comandado o Regimento Mallet, onde se destacou como um dos melhores comandantes daquela unidade militar, a mais tradicional da Artilharia. Tivemos a ventura de tê-lo como chefe, em pleno período de combate. Tinha todas as qualidades que um subordinado espera de seu comandante: justo, amigo, eficiente, companheiro, corajoso. Era um oficial sério e correto e não admitia deslizes, corrupção e falhas de caráter.
Se alguém cometesse uma falta dessas, sua mão era bastante pesada para punir.
É, portanto, com tristeza, que vejo a esquerda revanchista, baseada em seus próprios critérios de comportamento, inventar que nossos salários eram complementados com dinheiro de empresários; que dávamos proteção e cobertura a marginais; que nos apossávamos do dinheiro e de bens das pessoas que eram presas; que no DOI estuprávamos mulheres; que introduzíamos objetos em seus órgãos sexuais; que torturávamos e prendíamos, não só crianças, como pais, irmãos e parentes de presos que nada tinham a ver com a subversão e o terrorismo. Isso, jamais aconteceu!
Seguidamente sou apontado como chefe de homens que praticaram tais atos. Eu jamais os permitiria.
Combatíamos um inimigo que não usava uniformes, que se misturava no seio da população, de onde surgia, de surpresa, para o ataque.
Nossos inimigos, hoje chamados pelo atual governo de "resistentes", sabiam que lutavam não apenas para derrotar o regime militar, mas para estabelecer um regime comunista, uma "ditadura do proletariado". Isto, hoje, está mais do que provado e tem sido repetido por historiadores que pertenceram a organizações terroristas.
Não foi sincera a presidente Dilma quando afirmou que eles lutavam pela democracia. Não é isto o que está escrito nos programas das organizações terroristas que ela pertenceu.
Nós, por outro lado, estávamos cientes de que lutávamos pela democracia.
Depois de 4 anos de lutas, nós os vencemos e é graças à democracia que soubemos defender que eles, hoje, estão no poder, e valendo-se dele para infringir a lei, praticar a corrupção e promover a desordem, a infração impune da lei, o revanchismo e o achicalhamento dos valores morais e éticos da sociedade.
Os vencemos, lamentando cerca de 500 mortes, de ambos os lados. Se eles tivessem sido vitoriosos, haveria um banho de sangue no Brasil, à semelhança do que aconteceu nos países onde eles assumiram o poder e, hoje, estaríamos vivendo sob uma férrea ditadura comunista.
Todos nós, que combatemos a luta armada comunista, podemos bater no peito e gritar com orgulho de soldados: Missão cumprida!
Fomos elogiados por nossos chefes de então, recebemos medalhas, muitos a Medalha do Pacificador com Palma, a mais alta condecoração outorgada em tempo de paz, pelo Exército Brasileiro, fomos distinguidos com nomeações para funções de prestígio.
Passam-se os anos.
Eu já tenente-coronel, comandava o 16º Grupo de Artilharia de Campanha, em São Leopoldo, RS.
Uma noite, num jantar para comemorar o aniversário do Grupo, sentei ao lado do Comandante da 3ª Região Militar, Gen Serpa, conhecido carinhosamente como Serpa Louro, para diferenciá-lo de seu irmão, também general, que era moreno.
Disse-me ele: Coronel, estou muito preocupado com o seu futuro. O senhor, na luta contra os terroristas, ao comandar o maior DOI do Brasil, se expôs muito. O Exército tem que blindá-lo e protegê-lo.
Respondi: General, todos os combatentes dos DOI cumpriram com o seu dever, cumpriram a missão dada pelos seus chefes. Fui um dos condecorados com a Medalha do Pacificador com Palma. Sempre fomos elogiados e prestigiados pelos nossos chefes. Nunca fui chamado a atenção, nunca fui punido, nem cometi qualquer arbitrariedade. Tenho a certeza de que, se no futuro, os nossos inimigos tentarem nos atingir, o Exército ao qual servimos com tanta dedicação e com o risco, não só das nossa vidas, como a de nossas famílias, sairá em nosso favor e nos defenderá.
Ele então me disse: Coronel, o senhor é muito jovem e sem experiência. Gostaria muito que isto acontecesse, mas, tenho minhas dúvidas.
Em abril de 2006, já reformado, recebi uma Notificação do Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo, a respeito de acusações de tortura de Ana Maria Teles e outros. Deu-me o magistrado 15 dias para apresentar, a minha Contestação.
Como este foi o primeiro caso, onde um militar estava sendo processado por ter participado do combate ao terrorismo, pedi ao Exército uma orientação, bem como para saber o que seria feito.
A resposta do comandante do Exército, General Francisco Albuquerque, foi clara e incisiva: "O Exército não vai fazer nada". Dias depois o General chefe de Comunicação Social, em entrevista à imprensa disse "O Exército não vai se pronunciar porque o caso está sub júdice".
E assim, vi que o General Serpa tinha razão.
Sempre tive a certeza de que, mesmo passados 40 anos, e tendo mudado as circunstâncias políticas, o Exército assumiria, publicamente, o seu envolvimento e a sua responsabilidade no combate ao terrorismo. Que não se omitiria e assumiria que nós como membros de uma unidade militar, como agentes do Estado, combatemos, cumprindo ordens de nossos chefes.
Pensava que os atuais chefes militares, hoje ocupando as mesmas funções daqueles que nos deram ordens, responderiam por eles e seriam solidários conosco.
Infelizmente, isto não aconteceu. Ficamos todos nós, os combatentes dos DOI - militares do Exército e da Aeronáutica, integrantes da Polícia Federal e das Polícias Civil e Militar - jogados à própria sorte, ignorados e abandonados pelo Exercito que nos designou para a missão. Missão, que para o bem do Brasil cumprimos com êxito inquestionável.
Aos Generais “Serpa” a minha reverência e o meu respeito, aos demais, o meu lamento...
Carlos Alberto Brilhante Ustra
é Coronel Reformado do EB
RESUMO: A CRISE SISTÊMICA GLOBAL
Atenção redobrada ao ritmo da economia
O Globo
A economia brasileira perdeu fôlego neste segundo semestre, em parte por fatores próprios, mas também em decorrência do agravamento da crise em países da Europa, que fez a demanda global por vários bens e serviços encolher mais do que o esperado..
Em 2010 a economia brasileira cresceu a um ritmo insustentável, além dos 7%, e os resultados disso foram a aceleração da inflação e o aumento dos custos de produção de diversos setores.
Tornou-se necessário jogar água na fervura no começo de 2011 para que a inflação voltasse a uma trajetória mais próxima das metas perseguidas pelo Banco Central. Assim, as taxas básicas de juros tiveram de ser elevadas e entraram em vigor medidas de restrição ao crédito.
O governo também se convenceu de que era preciso segurar os gastos, que em 2010 haviam contribuído para pôr mais lenha na fogueira. A pressão de demanda de fato diminuiu no mercado doméstico, embora não a ponto de derrubar a inflação para os patamares desejados.
Nesse sentido, surgiram muitas dúvidas sobre se o Banco Central estava agindo certo ao decidir cortar as taxas básicas de juros. Naquele momento, não estava claro se a inflação poderia ficar dentro da meta em 2011 (no máximo em 6,5%, teto da meta) e se recuará para o ponto central (4,5%) em 2012.
As dúvidas não foram completamente dirimidas, mas entende-se que as autoridades monetárias tenham ficado preocupadas com os sinais de agravamento da crise no exterior e não queiram correr o risco de ver a economia brasileira empurrada para a estagnação. O próprio governo já não espera 4% de expansão este ano.
Emergentes já patinam
Antônio Machado/Correio Braziliense
O socorro dos bancos centrais é pontual, mas bastou para atiçar o mundo do dinheiro pelo mundo, recuperando o valor do euro e até do real em relação ao dólar.
Mas não resolve a crise europeia, sem o que a economia global continuará patinando e, agora, já pegando os grandes emergentes, como a China, cuja atividade industrial recuou em novembro pela primeira vez em 33 meses, e a Índia, com expansão econômica no terceiro trimestre sobre o trimestre anterior de 6,9% — a menor taxa trimestral nos últimos dois anos.
Contração da indústria na China cria risco global
Jamil Anderlini | Financial Times, de Pequim Valor Econômico A atividade industrial da China sofreu contração em novembro, a primeira em quase três anos.
A queda reforçou temores em torno da saúde da economia mundial. As notícias do desaquecimento chegam um dia depois de o Federal Reserve, (Fed, banco central dos EUA) ter liderado uma iniciativa coordenada para tentar acalmar as preocupações em torno da liquidez mundial e de o BC chinês ter afrouxado sua política monetária.
Dados do governo chinês divulgados ontem mostraram que o índice oficial dos gerentes de compras caiu para 49 pontos em novembro, em relação aos 50,4 pontos de outubro.
Qualquer resultado inferior a 50 pontos indica uma contração da atividade. A queda de novembro foi a primeira desde fevereiro de 2009.
O indicador vai intensificar os temores de a China possa estar se encaminhando para uma desaceleração mais forte num momento em que o resto do mundo a encara como um oásis em meio a um panorama mundial árido.
Numa iniciativa de surpresa calculada para neutralizar o impacto negativo do número do índice dos gerentes de compras, o BC chinês anunciou uma redução do depósito compulsório - diminuindo o valor dos recursos que os bancos têm de recolher ao BC - pela primeira vez em três anos.
"Os mercados receberam um combinação potente de dois golpes, na forma do índice chocante dos gerentes de compras e da redução agressiva da alíquota do depósito compulsório", disse Alistair Thornton, analista de China do IHS Global Insight.
"O recado é claro: a economia está desacelerando muito mais rápido que o previsto, e o governo entrou na briga".
Ao reduzir o volume dos depósitos que os bancos precisam recolher ao BC em 0,5 ponto percentual, o BC na prática injetou cerca de 400 bilhões de yuans (US$ 63 bilhões) no sistema bancário.
O crescimento do comércio da China com a União Europeia e os EUA desacelerou nos últimos meses. As exportações para a Europa, que está às voltas com a crise, foram as mais prejudicadas.
As vendas de imóveis também diminuíram significativamente, num momento em que os preços começam a cair.
A construção civil responde por cerca de 25% dos investimentos na China e 13% do Produto Interno Bruto (PIB).
camuflados
LABIRINTO! ATIVIDADE ECONÔMICA NO "GOVERNO": ZIGUEZAGUE
O pacote de incentivos anunciado em (01/12) pelo governo coroa um ano em que a tônica da política econômica petista foi de ziguezague.
O país começou 2011 acelerado, viu a inflação decolar, puxou o freio de mão em seguida e reage agora a um resfriamento que começa a se generalizar no setor produtivo. Fomos do ápice ao vale sem saber ao certo aonde se quer chegar.
Tudo em excesso e descalibrado.
As medidas divulgadas ontem representam renúncia fiscal de R$ 7,6 bilhões. Em termos monetários, equivalem um terço da desoneração feita em 2009, no auge (pelo menos até agora) da crise econômica mundial.
O objetivo é incentivar o brasileiro a consumir, receita idêntica à adotada por Lula naquela ocasião. Dará certo agora, num cenário diferente?
O governo teme que, assim como ocorreu em 2009, a economia mergulhe no ano que vem. Neste ano, o crescimento já será, na melhor das hipóteses, igual a apenas metade do que foi em 2010.
No terceiro trimestre, o PIB cresceu no máximo zero ou pode mesmo ter caído - os números oficiais do IBGE sairão na semana que vem.
O pacote inclui redução de imposto para bens de consumo duráveis,
como geladeiras e fogões;
diminuição de IOF sobre operações financeiras;
desoneração de massas e trigo;
e aumento do limite de financiamento para moradias,
no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.
Junta, pois, alhos com bugalhos.
Para impulsionar a produção brasileira como um todo, nada.
O ministro da Fazenda sintetizou numa frase que pretendia ser de efeito os resultados que busca com suas medidas:
"Você compra uma casa mais barata, um fogão novo e cozinha a massa desonerada de PIS/Cofins.O consumidor brasileiro pode ficar tranquilo, seu emprego está assegurado".
Vê-se como é de longo prazo a visão de Guido Mantega...
Ontem, houve duas reações imediatas às novas medidas:
redução de preços por parte de varejistas e aumento dos juros projetados pelo mercado financeiro.
A leitura que se faz é de que, ao estimular o consumo, o governo tira o espaço da política monetária e, assim, perde a oportunidade de cortar a taxa de juros com mais força, como mostra o Valor Econômico.
Os efeitos mais prováveis das medidas, segundo boa parte dos analistas ouvidos pela imprensa, será a mera antecipação de consumo futuro.
O consumidor corre para aproveitar o imposto menor e leva um fogãozinho novo para casa.
Benefícios duradouros para a economia como um todo?
Nem pensar.
Os estímulos são dirigidos muito mais ao consumo do que ao investimento produtivo.
Nenhuma providência séria para estimular o investimento, a inovação e o ganho de competitividade foi tomada, opina O Estado de S.Paulo em editorial, que classifica o pacote como "medíocre".
Como é praxe na gestão do PT, as medidas atuam sobre setores produtivos muito específicos - aliás, os beneficiados de sempre.
"O que mais chama a atenção nesse tipo de estratégia é o caráter discricionário das medidas. O governo escolhe os vencedores. Determina quem se beneficia", comenta José Júlio Senna no Estadão.
Quem se sai melhor, como sempre, são os setores mais bem organizados e que se mobilizam com maior desenvoltura.
Terminando o primeiro ano da gestão Dilma Rousseff, não se viu até agora um plano estruturado e abrangente capaz de fazer a economia brasileira avançar com persistência.
Continuamos indo aos sobressaltos:
ora é preciso acelerar, ora frear. É como se estivéssemos num carro desgovernado. "O capital político do início do mandato foi queimado sem que se soubesse qual é o projeto do governo", sintetiza Míriam Leitão n'O Globo.
A percepção atual é de que as medidas tomadas no primeiro semestre para segurar a inflação foram fortes em excesso. A economia congelou.
Agora fica a dúvida se os estímulos monetários, de crédito e fiscais que estão sendo ora retomados não colaborarão para manter atiçada a fogueira dos preços - que ninguém é capaz, nesta altura, de garantir que esteja sob controle.
Com as medidas anunciadas ontem de afogadilho, o governo pode até ter conseguido um respiro para os próximos dias ou semanas.
Mas continua sem garantir instrumentos robustos e capazes de sustentar a atividade econômica por tempo mais prolongado.
O curto prazo continua sendo o máximo de horizonte que a gestão petista nos oferece.
Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O BUFÃO, O "NOVO-RICO" E O FMI
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitou a visita da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, para mais um comentário digno de um novo-rico emergente:
"É uma satisfação que desta vez o FMI não tenha vindo para dar dinheiro ao Brasil, mas para pedir dinheiro".
Ele fez o comentário no fim de uma entrevista coletiva, em Brasília, ao lado da visitante. Ela já estava sem o fone usado para ouvir a tradução simultânea e talvez não tenha notado as palavras de seu anfitrião. Se notou, preferiu silenciar.
A possível participação brasileira no reforço de caixa do FMI foi discutida nas conversas da diretora-gerente com o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a presidente Dilma Rousseff. Não houve notícia oficial sobre o assunto, mas o governo, segundo fontes qualificadas, estuda uma contribuição na faixa de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões.
O Brasil se comprometeu recentemente com o esquema de captação de recursos conhecido como New Arrangements to Borrow (NAB), criado depois da crise mexicana de 1995. Por esse esquema, o FMI fica autorizado, em situações de emergência, a sacar determinados valores dos países contribuintes - um acerto parecido com o dos cheques especiais.
Formado inicialmente por poucos países, na maior parte desenvolvidos, o grupo foi ampliado a partir de negociações iniciadas em 2009 e hoje inclui 40 participantes.
Só uma vez o esquema foi acionado para socorrer um país - o Brasil, em 1998.
Participar de arranjos desse tipo é geralmente um sinal de maturidade financeira.
Países capazes de assumir responsabilidades e papéis importantes na vida internacional normalmente o fazem sem bravatas e sem exibicionismo.
Bem antes do Brasil, o Chile integrou o NAB, por meio de seu banco central, e seu governo jamais alardeou isso.
As autoridades da China e da Rússia, habituadas há muito mais tempo a posições importantes - e com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas -, são em geral discretas e não costumam chamar a atenção para a sua importância.
Além disso, russos e chineses normalmente agem e negociam invocando em primeiro lugar seus interesses nacionais. Muito raramente falam em nome dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e é ainda menos frequente aparecerem como porta-bandeiras dos emergentes ou das economias em desenvolvimento.
Autoridades chinesas, indianas e russas não costumam aparecer no noticiário condicionando esta ou aquela ação a consultas prévias a seus parceiros de acrônimo - porque os Bric são, antes de tudo, um acrônimo e muito raramente agem como bloco.
O ministro Guido Mantega, no entanto, costuma agir como se os quatro países - ou cinco, se a agregação da África do Sul for levada a sério - tivessem muitos interesses comuns e formassem uma frente unida nos grandes foros internacionais. Por isso, segundo o ministro, a contribuição brasileira só será definida depois de uma confabulação do grupo.
Com isso, o governo brasileiro mostra-se incapaz de resolver por si se o País é suficientemente importante para assumir um papel de mais peso no combate a uma das maiores crises de todos os tempos. Mostra-se incapaz, igualmente, de expor suas condições para participar.
Mas os membros do Bric têm obviamente poucos objetivos comuns, como comprova - entre muitos outros fatos - a insistência chinesa em manter sua moeda subvalorizada.
Além disso, o governo chinês aliou-se ao americano para impedir a inclusão de um debate sobre o câmbio na próxima reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio. O Brasil havia proposto o tema.
Lagarde conhece as enormes diferenças entre os interesses dos Bric, mas não comenta a posição brasileira. Prefere elogiar a política do governo e apontar o País como um dos mais preparados para enfrentar a crise, por suas condições fiscais, pela solidez de seu sistema financeiro e pelo volume de reservas.
Também não faz bravatas.
O objetivo do FMI, disse ela em São Paulo, é obter resultados e não visibilidade. Por isso, explicou, boa parte de seu trabalho é feita nos bastidores. Isso inclui as negociações com os europeus.
O Estado de S.Paulo
NA ROCINHA, O LÍDER COMUNITÁRIO ERA NEGOCIANTE DE ARMAS
William de Oliveira, lotado em um gabinete da Câmara Municipal e que foi candidato a deputado estadual, foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro das mãos do traficante Nem. Com eles estava também um segurança do Palácio Guanabara.
William, à esquerda, o traficante Nem, de boné, e 'Perninha', segurando um fuzil: líder comunitário é acusado de vender arma para o bandido - Reprodução/Polícia Civil
Andréa Gouvêa Vieira certamente não tinha conhecimento do outro lado de William. Nem ela nem o vice-governador Luiz Fernando Pezão; o governador Sérgio Cabral; o senador Marcello Crivella (PRB); o apresentador de TV Luciano Huck; a presidente Dilma Rousseff; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o tenista Gustavo Kuerten, o ator americano Ashton Kutcher e uma infinidade de pessoas que, em algum momento, abraçaram William
À mesa, com o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, dois homens conversam, um deles exibe um fuzil AK-74 – uma arma de guerra, comumente vista nas cenas de conflitos no Afeganistão. É um armamento cobiçado por traficantes das favelas cariocas, pelo qual os criminosos pagam bem.
Ao fundo, crianças brincam em uma quadra. Os dois interlocutores do traficante Nem são William de Oliveira, o William da Rocinha, lotado no gabinete da vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), e Alexandre Leopoldino Pereira da Silva, o ‘Perninha’ - lotado na Casa Civil do Governo do Estado, como segurança do Palácio Guanabara, sede do governo. Um quarto homem, tesoureiro de Nem, ainda não identificado, organiza bolos de dinheiro.
Os quadros do vídeo, exibidos pela Polícia Civil, mostram que, em certo momento, Nem confere a soma, passa o elástico e entrega uma bolada a Perninha. Outra bolada vai para William, que se põe a contar as cédulas.
O vídeo obtido pela Polícia Civil do Rio levou à prisão, na manhã desta sexta-feira, o homem que, na Rocinha, era tão famoso quanto o bandido Nem. A diferença é que William também era conhecido – e respeitado – fora dos limites da favela. E, a julgar pelas imagens que ele próprio exibe em sua página no Facebook, o conceito de líder comunitário comprometido com as causas da população da Rocinha convencia autoridades e famosos de diferentes segmentos.
William foi preso em sua casa, na Rocinha, por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Na casa foram encontrados, entre outros itens, 10 telefones celulares. Documentos e arquivos de computador foram recolhidos para perícia.
Na apresentação do caso e do próprio William, na manhã desta sexta-feira, a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, fez um agradecimento às mulheres da Rocinha. A versão oficial para a forma como a polícia obteve o vídeo é a seguinte:
“Minha fala será particular para as mulheres da Rocinha. Durante a ocupação, as forças de segurança pediram para que as informações fossem passadas para a polícia. Eu particularmente pedi isso às mulheres. Uma mulher procurou um delegado e entregou o material que permitiu a prisão do William”, contou.
O vídeo, segundo Martha Rocha, estava em um DVD, entregue ao delegado.
Além da prisão de William e de Perninha – ainda procurado – o vídeo permitiu que a Polícia Civil obtivesse outra vitória importante. A prova representa mais um indiciamento contra o traficante Nem, e, para o delegado Márcio Mendonça, da DRFA, é prova “forte e segura” de que Nem comandava o tráfico no local. Na prática, isso representa chance de uma condenação mais dura contra o traficante, e dificulta uma tentativa da defesa de tirá-lo da cadeia, antes do julgamento.
“Deu para perceber que ele, William, estava negociando a arma e recebendo o pagamento. Instauramos o inquérito e a prisão temporária dele está expedida. Os três foram indiciados por venda de armas e associação para o tráfico de drogas”, explicou Mendonça.
A prisão de William serve para desanuviar um cenário que, particularmente no Rio, costuma ser nebuloso: os limites das relações entre “lideranças comunitárias” e o tráfico de drogas.
Tais líderes, reconhecidos por seu poder de barganha com os traficantes, acabam ocupando uma posição confortável no vácuo deixado pelo poder público.
Mediante ações assistencialistas, intercedendo junto às quadrilhas e até decidindo alocação de recursos obtidos ilegalmente, criam fama, angariam simpatia. Não raro, lançam-se na política – com aval do crime organizado.
Contra William, o que se tem, no momento, é a acusação. E um vídeo que parece ser indefensável: ainda que não estivesse vendendo o fuzil para o bandido, ele terá que explicar como aceitou receber um maço de dinheiro e sentou, longamente, à mesa com o criminoso armado.
Na apresentação à polícia, William tentou se defender. “Foi uma armadinha. Eu já tinha ciência dessas imagens, que foram gravadas um dia antes da eleição (outubro de 2010). Minha família e a vereadora não sabem disso”, disse William, que afirma ter se sentir ameaçado.
O dinheiro, segundo William, foi dado como contribuição para sua campanha à Assembléia Legislativa, pelo PRB. No momento, segundo William, Nem estava embriagado, e por isso ele aceitou a quantia, que depois – diz ele – foi devolvida.
A vereadora Andrea Gouvêa Vieira saiu em defesa de William no início da manhã. Pôs em dúvida a investigação da polícia. A partir da exibição de quadros do vídeo, Andréa mudou de discurso: afirmou estar “absolutamente estupefata” e sentindo-se traída. “Eu sou a responsável pela nomeação. Ele gozou da minha confiança. Várias vezes, tentei convencê-lo a sair da Rocinha, por causa das ameaças que ele dizia receber do tráfico”, afirmou.
“Essas imagens são contrárias a toda a convicção que eu tinha sobre ele até aqui”, disse.
Andréa, certamente, não tinha conhecimento do outro lado de William. Nem ela nem o vice-governador Luiz Fernando Pezão; o governador Sérgio Cabral; o senador Marcello Crivella (PRB); o apresentador de TV Luciano Huck; a presidente Dilma Rousseff; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o tenista Gustavo Kuerten; o ator americano Ashton Kutcher e uma infinidade de pessoas que, em algum momento, abraçaram William.
A Rocinha inteira, aliás, abraçou a imagem de líder comunitário. Duas semanas depois da ocupação da favela, a reportagem do site de VEJA percorreu as ruas da Rocinha. Estavam lá o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O guia da comitiva era William, a quem a população se dirigia como quem falava com o poder público – apesar de não ser mais o presidente da Associação de Moradores da Rocinha. Cobravam dele melhorias no recolhimento de lixo, no saneamento, na contenção de encostas.
William não tinha mandato. Mas tinha poder. E, para a polícia, este poder foi conquistado com auxílio das quadrilhas. Diz o delegado Márcio Mendonça: “O tráfico de drogas exerce um poder forte sobre as associações. Quando ele (William) foi presidente, deve ter colaborado (com o tráfico)”.
O subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, contribuiu para espanar a ingenuidade que persiste na imagem que a sociedade tem dos líderes comunitários em favelas. “Intermediar assuntos da população da favela é uma coisa. Receber dinheiro, intermediar a compra de um fuzil com um traficante é outra. Há pessoas que usam do cargo para se beneficiar”, afirma.
Cecília Ritto e Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
William, à esquerda, o traficante Nem, de boné, e 'Perninha', segurando um fuzil: líder comunitário é acusado de vender arma para o bandido - Reprodução/Polícia Civil
Andréa Gouvêa Vieira certamente não tinha conhecimento do outro lado de William. Nem ela nem o vice-governador Luiz Fernando Pezão; o governador Sérgio Cabral; o senador Marcello Crivella (PRB); o apresentador de TV Luciano Huck; a presidente Dilma Rousseff; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o tenista Gustavo Kuerten, o ator americano Ashton Kutcher e uma infinidade de pessoas que, em algum momento, abraçaram William
À mesa, com o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, dois homens conversam, um deles exibe um fuzil AK-74 – uma arma de guerra, comumente vista nas cenas de conflitos no Afeganistão. É um armamento cobiçado por traficantes das favelas cariocas, pelo qual os criminosos pagam bem.
Ao fundo, crianças brincam em uma quadra. Os dois interlocutores do traficante Nem são William de Oliveira, o William da Rocinha, lotado no gabinete da vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), e Alexandre Leopoldino Pereira da Silva, o ‘Perninha’ - lotado na Casa Civil do Governo do Estado, como segurança do Palácio Guanabara, sede do governo. Um quarto homem, tesoureiro de Nem, ainda não identificado, organiza bolos de dinheiro.
Os quadros do vídeo, exibidos pela Polícia Civil, mostram que, em certo momento, Nem confere a soma, passa o elástico e entrega uma bolada a Perninha. Outra bolada vai para William, que se põe a contar as cédulas.
O vídeo obtido pela Polícia Civil do Rio levou à prisão, na manhã desta sexta-feira, o homem que, na Rocinha, era tão famoso quanto o bandido Nem. A diferença é que William também era conhecido – e respeitado – fora dos limites da favela. E, a julgar pelas imagens que ele próprio exibe em sua página no Facebook, o conceito de líder comunitário comprometido com as causas da população da Rocinha convencia autoridades e famosos de diferentes segmentos.
William foi preso em sua casa, na Rocinha, por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Na casa foram encontrados, entre outros itens, 10 telefones celulares. Documentos e arquivos de computador foram recolhidos para perícia.
Na apresentação do caso e do próprio William, na manhã desta sexta-feira, a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, fez um agradecimento às mulheres da Rocinha. A versão oficial para a forma como a polícia obteve o vídeo é a seguinte:
“Minha fala será particular para as mulheres da Rocinha. Durante a ocupação, as forças de segurança pediram para que as informações fossem passadas para a polícia. Eu particularmente pedi isso às mulheres. Uma mulher procurou um delegado e entregou o material que permitiu a prisão do William”, contou.
O vídeo, segundo Martha Rocha, estava em um DVD, entregue ao delegado.
Além da prisão de William e de Perninha – ainda procurado – o vídeo permitiu que a Polícia Civil obtivesse outra vitória importante. A prova representa mais um indiciamento contra o traficante Nem, e, para o delegado Márcio Mendonça, da DRFA, é prova “forte e segura” de que Nem comandava o tráfico no local. Na prática, isso representa chance de uma condenação mais dura contra o traficante, e dificulta uma tentativa da defesa de tirá-lo da cadeia, antes do julgamento.
“Deu para perceber que ele, William, estava negociando a arma e recebendo o pagamento. Instauramos o inquérito e a prisão temporária dele está expedida. Os três foram indiciados por venda de armas e associação para o tráfico de drogas”, explicou Mendonça.
A prisão de William serve para desanuviar um cenário que, particularmente no Rio, costuma ser nebuloso: os limites das relações entre “lideranças comunitárias” e o tráfico de drogas.
Tais líderes, reconhecidos por seu poder de barganha com os traficantes, acabam ocupando uma posição confortável no vácuo deixado pelo poder público.
Mediante ações assistencialistas, intercedendo junto às quadrilhas e até decidindo alocação de recursos obtidos ilegalmente, criam fama, angariam simpatia. Não raro, lançam-se na política – com aval do crime organizado.
Contra William, o que se tem, no momento, é a acusação. E um vídeo que parece ser indefensável: ainda que não estivesse vendendo o fuzil para o bandido, ele terá que explicar como aceitou receber um maço de dinheiro e sentou, longamente, à mesa com o criminoso armado.
Na apresentação à polícia, William tentou se defender. “Foi uma armadinha. Eu já tinha ciência dessas imagens, que foram gravadas um dia antes da eleição (outubro de 2010). Minha família e a vereadora não sabem disso”, disse William, que afirma ter se sentir ameaçado.
O dinheiro, segundo William, foi dado como contribuição para sua campanha à Assembléia Legislativa, pelo PRB. No momento, segundo William, Nem estava embriagado, e por isso ele aceitou a quantia, que depois – diz ele – foi devolvida.
A vereadora Andrea Gouvêa Vieira saiu em defesa de William no início da manhã. Pôs em dúvida a investigação da polícia. A partir da exibição de quadros do vídeo, Andréa mudou de discurso: afirmou estar “absolutamente estupefata” e sentindo-se traída. “Eu sou a responsável pela nomeação. Ele gozou da minha confiança. Várias vezes, tentei convencê-lo a sair da Rocinha, por causa das ameaças que ele dizia receber do tráfico”, afirmou.
“Essas imagens são contrárias a toda a convicção que eu tinha sobre ele até aqui”, disse.
Andréa, certamente, não tinha conhecimento do outro lado de William. Nem ela nem o vice-governador Luiz Fernando Pezão; o governador Sérgio Cabral; o senador Marcello Crivella (PRB); o apresentador de TV Luciano Huck; a presidente Dilma Rousseff; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o tenista Gustavo Kuerten; o ator americano Ashton Kutcher e uma infinidade de pessoas que, em algum momento, abraçaram William.
A Rocinha inteira, aliás, abraçou a imagem de líder comunitário. Duas semanas depois da ocupação da favela, a reportagem do site de VEJA percorreu as ruas da Rocinha. Estavam lá o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O guia da comitiva era William, a quem a população se dirigia como quem falava com o poder público – apesar de não ser mais o presidente da Associação de Moradores da Rocinha. Cobravam dele melhorias no recolhimento de lixo, no saneamento, na contenção de encostas.
William não tinha mandato. Mas tinha poder. E, para a polícia, este poder foi conquistado com auxílio das quadrilhas. Diz o delegado Márcio Mendonça: “O tráfico de drogas exerce um poder forte sobre as associações. Quando ele (William) foi presidente, deve ter colaborado (com o tráfico)”.
O subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, contribuiu para espanar a ingenuidade que persiste na imagem que a sociedade tem dos líderes comunitários em favelas. “Intermediar assuntos da população da favela é uma coisa. Receber dinheiro, intermediar a compra de um fuzil com um traficante é outra. Há pessoas que usam do cargo para se beneficiar”, afirma.
Cecília Ritto e Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
É PRECISO ENTENDER...
FHC NÃO ACERTA UMA E FAZ ECO DO DISCURSO DO PRÓPRIO PT. É ALGO LASTIMÁVEL E INACREDITÁVEL!
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista ao jornal chileno El Mercurio, que os escândalos de corrupção nos ministérios são uma herança deixada pelo governo Lula para a presidente Dilma Rousseff. “Ela tem que demonstrar uma vontade diferente e indicar funcionários novos que não sejam corruptos”, observou.
Em visita ao Chile, onde participa de um seminário sobre economia organizado pelo Banco Itaú, o ex-presidente disse que a extensão dos escândalos que eclodiram neste ano “passam a impressão que aceitar a corrupção se tornou uma condição para governar” o Brasil.
Fernando Henrique criticou diretamente o ex-presidente Lula e disse que no seu governo houve mais impunidade. “Ele foi complacente. Sempre deu desculpas frente a condutas que não têm desculpa”, afirmou.
Drogas.
O ex-presidente falou também sobre seu engajamento no debate sobre a descriminalização da maconha. Fernando Henrique defendeu a adoção de penas alternativas, “como trabalho comunitário”, e comparou a situação da droga a do tabaco. “Muita gente fumava (o tabaco), inclusive no início por glamour.
Hoje isso já passou. Não houve proibição, mas sim regulação.”
FMI.
Ao comentar a recente visita da presidente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, ao Brasil, Fernando Henrique disse que “é um sinal de que o mundo mudou”.
Ele destacou que, no passado, eram os brasileiros que iam pedir ajuda ao fundo. “Agora eles vêm para que emprestemos (dinheiro) a outros países que precisam.”
Do portal do Estadão
MEU COMENTÁRIO: Fernando Henrique não consegue acertar uma sequer. Só diz bobagens.
Sobre Lula e Dilma, qual a diferença? Inclusive a Dilma, quando era Ministra da Casa Civil de Lula, preparou aquele famigerado dossiê contra exatamente a finada esposa de Fernando Henrique. Sem falar nos demais dossiês fajutos e mentirosos que o PT fabricou nas eleições passadas contra políticos do partido de FHC.
Depois endossa e repete o próprio discurso do PT, segundo o qual o FMI agora vem pedir ajuda ao Brasil. Caramba! É um besteirol histriônico.
E, como arremate, compara o tabaco com as drogas pesadas.
Ora, Fernando Henrique, todos estão cansados de saber que o tabaco não faz o usuário enlouquecer e cometer crimes hediondos. O fumo prejudica apenas quem faz uso dele. Mesmo assim, em muitos casos desafia os prognósticos da medicina.
Agora, com drogas como maconha, crack, cocaína e o álcool, é muito diferente, porquanto alteram completamente o comportamento do usuário levando-o a praticar atos insanos, assassinatos, violência no trânsito. O maior número de acidentes violentos no trânsito está comprovado que decorre do fato dos motoristas estarem chapados.
Vai, Fernando Henrique. Vai curtir a vida de ex-presidente, porém dando preferência às atividades que não incluam a política. Vai passear, viajar ou fazer outra coisa do seu agrado.
Você fez um bom governo, porém permitiu a criação um viveiro de víboras que agora estão aí destilando a peçonha maldita que se derrama e contamina toda a Nação brasileira.
E tem mais. O seu partido, o PSDB, é um fiasco. E será o responsável pela entrega de São Paulo aos petralhas. (Aluizio Amorim)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista ao jornal chileno El Mercurio, que os escândalos de corrupção nos ministérios são uma herança deixada pelo governo Lula para a presidente Dilma Rousseff. “Ela tem que demonstrar uma vontade diferente e indicar funcionários novos que não sejam corruptos”, observou.
Em visita ao Chile, onde participa de um seminário sobre economia organizado pelo Banco Itaú, o ex-presidente disse que a extensão dos escândalos que eclodiram neste ano “passam a impressão que aceitar a corrupção se tornou uma condição para governar” o Brasil.
Fernando Henrique criticou diretamente o ex-presidente Lula e disse que no seu governo houve mais impunidade. “Ele foi complacente. Sempre deu desculpas frente a condutas que não têm desculpa”, afirmou.
Drogas.
O ex-presidente falou também sobre seu engajamento no debate sobre a descriminalização da maconha. Fernando Henrique defendeu a adoção de penas alternativas, “como trabalho comunitário”, e comparou a situação da droga a do tabaco. “Muita gente fumava (o tabaco), inclusive no início por glamour.
Hoje isso já passou. Não houve proibição, mas sim regulação.”
FMI.
Ao comentar a recente visita da presidente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, ao Brasil, Fernando Henrique disse que “é um sinal de que o mundo mudou”.
Ele destacou que, no passado, eram os brasileiros que iam pedir ajuda ao fundo. “Agora eles vêm para que emprestemos (dinheiro) a outros países que precisam.”
Do portal do Estadão
MEU COMENTÁRIO: Fernando Henrique não consegue acertar uma sequer. Só diz bobagens.
Sobre Lula e Dilma, qual a diferença? Inclusive a Dilma, quando era Ministra da Casa Civil de Lula, preparou aquele famigerado dossiê contra exatamente a finada esposa de Fernando Henrique. Sem falar nos demais dossiês fajutos e mentirosos que o PT fabricou nas eleições passadas contra políticos do partido de FHC.
Depois endossa e repete o próprio discurso do PT, segundo o qual o FMI agora vem pedir ajuda ao Brasil. Caramba! É um besteirol histriônico.
E, como arremate, compara o tabaco com as drogas pesadas.
Ora, Fernando Henrique, todos estão cansados de saber que o tabaco não faz o usuário enlouquecer e cometer crimes hediondos. O fumo prejudica apenas quem faz uso dele. Mesmo assim, em muitos casos desafia os prognósticos da medicina.
Agora, com drogas como maconha, crack, cocaína e o álcool, é muito diferente, porquanto alteram completamente o comportamento do usuário levando-o a praticar atos insanos, assassinatos, violência no trânsito. O maior número de acidentes violentos no trânsito está comprovado que decorre do fato dos motoristas estarem chapados.
Vai, Fernando Henrique. Vai curtir a vida de ex-presidente, porém dando preferência às atividades que não incluam a política. Vai passear, viajar ou fazer outra coisa do seu agrado.
Você fez um bom governo, porém permitiu a criação um viveiro de víboras que agora estão aí destilando a peçonha maldita que se derrama e contamina toda a Nação brasileira.
E tem mais. O seu partido, o PSDB, é um fiasco. E será o responsável pela entrega de São Paulo aos petralhas. (Aluizio Amorim)
BRASIL ACIMA DE TUDO!
Apesar do insistente discurso militar, de que a Amazônia “está protegida por nós”, o Brasil tem tudo para perder a soberania sobre ricas áreas na Amazônia.
No dia 29 de agosto, a “Secretaria de Estado para os Povos Indígenas” (SEIND) do Governo do Amazonas assinou um “Memorando de Entendimento” com representantes indígenas do Alto Rio Negro e a mineradora canadense COSIGO RESOURCES LTDA, para a aprovação do “Projeto de Extrativismo Mineral no Estado do Amazonas”.
A mídia amestrada tupiniquim praticamente se cala sobre este importante assunto. O documento prevê que as partes se comprometem em constituir, junto às “comunidades indígenas”, organizações e lideranças, uma “Anuência Prévia e Consentimento Esclarecido” para realização de ‘inventário das potencialidades por perfuração e viabilidades econômicas das terras indígenas’ dos rios Içana e Tiquié, no Alto Rio Negro, e Apaporis, no rio Japurá.
O assunto amazônico foi discutido, mundialmente, entre os dias 26 e 29 de junho deste ano, em NIAGARA FALLS, na Província de ONTARIO, no Canadá, durante a Reunião Internacional de Cúpula Indígena sobre Energia e Mineração.
Agora, a próxima tática da “Secretaria de Estado para os Povos Indígenas” do Amazonas e de seus ‘parceiros transnacionais’ é fazer “um seminário regional, em São Gabriel, para sensibilizar o poder público e o Exército”. O resultado das discussões e os projetos pilotos elaborados serão apresentados no dia 27 de outubro, na Feira Internacional da Amazônia (FIAM), em Manaus. O evento terá a participação da presidenta Dilma Roussef. Está tudo claramente divulgado no Portal Oficial do Governo do Amazonas. Tudo escancarado E A NOSSA SOBRANIA NA REGIÃO INDO PARA O SACO.
Assinaram o recente acordo, Paulo Cristiano Dessano, da Vila José Mormes, na comunidade indígena de Japurá; Irineu Lauriano Baniwa, liderança de Jandu Cachoeira; Pedro Machado Tukano, de Pari-Cachoeira (todos em São Gabriel da Cachoeira), além do secretário da SEIND, Bonifácio José Baniwa, e o vice-presidente da COSIGO, Andy Rendle.
A COSIGO é uma empresa de mineração canadense que já possui nove propriedades requeridas no município de Japurá (a 1.498 km de Manaus) para trabalhar na exploração de ouro e alumínio. Andy Rendle revela que a meta é promover grandes projetos de mineração em terras indígenas que ‘beneficiem diretamente a essas populações’ no Amazonas e não causem impacto ao meio ambiente.
Pelo menos quatro projetos já estão em andamento: o projeto LAPIDART, em São Gabriel, com apoio no arranjo produtivo; a cerâmica artesanal, que envolve todas as comunidades indígenas; o geo-turismo, que transforma São Gabriel em um grande geo-parque, que une a compra das jóias a um roteiro turístico até o Pico da Neblina; e a ‘geração de energia’.
O esquema tem o apoio da ‘Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro’ (FOIRN) e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
O ‘entreguismo’ amazônico se torna evidente e fatal porque a região é mal ocupada e ignorada pela grande maioria dos brasileiros. Nela, ONGs com bandeiras dos EUA, Inglaterra, Canadá, Bélgica, Holanda, Alemanha, França, Itália, Suíça, Japão e Indonésia fornecem recursos humanos e financeiros para elaboração e execução de programas e projetos focados no suposto “desenvolvimento integrado sustentável”, em eco-turismo, extrativismo e “educação” (leia-se ‘conscientização de formação de novas nações, etc.).
Na prática, as ONGs que “adotam os povos da floresta”, abandonados pelo Poder Público brasileiro são pontas de lança da oligarquia financeira transnacional do socialismo neocolonialista, e que preparam a região para, na prática, formar micro-nações a se tornarem independentes do Brasil, e para operarem conforme o esquema neocolonialista das nações hegemônicas citadas.
Na verdade, as ONGs funcionam como verdadeiras centrais de inteligência para agências de estudos geopolíticos transnacionais. Geralmente administradas por antigos ou recém saídos diretores de estatais, organismos ministeriais e instituições públicas dos estados e municípios da Amazônia, as ONGs contam com financiamentos de bancos e agências do capital financeiro mundial. São agentes diretas do capitalismo estatal a serviço desse tipo de neocolonialismo socialista.
O nome das principais?
Anotem aí:
1. Amigos da Terra (Friends of the Earth);
2. Fundação Mundial para a Natureza (Word Wild Fund for Nature—WWF);
3. Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CI DA);
4. Fundação Ford;
5. Club 1001;
6. Both Ends;
7. Survival International;
8. Conservation International;
9. Fundação Interamericana (IAF);
10. Fundação MacArthur;
11. Fundação Rockefeller;
12. Fundação W. Alton Jones;
13. Instituto Summer de Lingüística (SIL);
14. National Wildlife Federation — NWF The Nature Conservation —TNC;
15. Grupo de Trabalho Europeu para a Amazônia;
16. União Internacional para a Conservação da Natureza (UNIC) e o World Resource Institute — WRI.
Quase todas as ONGs agem com o maior profissionalismo possível. Seus projetos e planos de trabalho dão resultados. As populações locais ‘atendidas’ por elas se beneficiam, principalmente os seus caciques, que exibem caminhonetes de luxo novas, parafernália eletrônica, e viagens internacionais frequentes (as ‘bugigangas’ atuais que compram a parceria indígena).
Logicamente, esses indígenas percebem que o governo brasileiro não liga para eles. Pragmaticamente, as ONGs se legitimam. E, assim que houver condições geopolíticas, daqui a uns 20 ou 30 anos (dependendo, até menos), as reservas extrativistas, indígenas ou eco-turísticas poderão se transformar em territórios globais, com autonomia e independência, fora do controle do governo brasileiro que, na prática, intencionalmente ou por incompetência (caso não seja apenas por traição à pátria mesmo), não lhes dá a devida importância.
Se a coisa continuar assim, a Amazônia pertencerá, de fato e de direito, aos laranjas da Oligarquia Financeira Transnacional. Como bem chama atenção o economista Adriano Benayon, autor do livro “Globalização Versus Desenvolvimento”, devemos ficar atentos. Segundo Banayon, “qualquer causa, mesmo que justa (como direitos humanos, direitos dos indígenas, conservação do meio-ambiente, etc.) costuma ser desvirtuada pelos dirigentes da tirania mundial, disfarçados de humanitários.
Em seu livro, Benayon comprova como os globalistas agem, através de ONGs, para manipular, no interesse deles, os enganados das periferias, como o Brasil, o país mais sugado do planeta, e mantê-lo no ‘subdesenvolvimento auto-sustentado’ sob a direção dos socialistas imperiais.
Benayon demonstra que os controladores apenas desejam conservar o Brasil (principalmente a Amazônia) como fonte inesgotável de recursos naturais, daqui retirados, muitas vezes por preços que nem de longe custeiam o valor real dos bens, sem falar nos desgastes ambientais. E tudo em nome, exatamente, de uma pretensa conservação ambiental... E, para isso, a Amazônia NÃO PODE SER INTEGRADA AO PROCESSO PRODUTIVO NACIONAL, obviamente.
Por tudo isto, os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira precisam acordar e agir contra a perda de nossa soberania nessa imensa região. Precisamos, urgentemente, propor um Projeto de Nação para o Brasil, com base em uma leitura atualizada e sem frescuras ideológicas da Doutrina de Segurança Nacional – alvo dos ignorantes ou criminosos ataques ideológicos. E tal missão não é (apenas) para os militares – a quem muitos acomodados preferem delegar poderes divinos. É trabalho para cada um de nós, patriotas, que tem consciência e amor ao Brasil, para desenvolvê-lo de verdade, e não apenas fazê-lo crescer.
A base para o ‘Projeto de Nação para o Brasil’ está escrita nos velhos manuais da Escola Superior de Guerra – a ESG, que o Governo do Crime Organizado quer transformar em uma faculdadezinha de quinta categoria. Temos de realizar os Objetivos Nacionais Permanentes a serem alcançados e mantidos: Democracia, Paz Social, Soberania, Integridade do Território Nacional, Integração Nacional e Progresso. Não temos que estar segregando quem é negro, pardo, índio, etc. São todos BRASILEIROS e que têm que ser tratados da mesma maneira sob a mesma lei. O que estão fazendo no Brasil é um tremendo desserviço de desagregação do povo com base no preconceito racial.
Isto só vai ser possível através do fortalecimento das Expressões do Poder Nacional: Política, Econômica, Ambiental, Psicossocial, Militar e Científico-Tecnológica.
Vamos formular e colocar em prática o Projeto de Nação para o Brasil?
Temos de agir, depressa, como militares em guerra. Do contrário, os ‘militantes-meliantes’ farão triunfar a vontade deles e de seus parceiros transnacionais.
Nada de: “Arriar as calças aos Transnacionais”. O lema é: Brasil Acima de Tudo!
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
No dia 29 de agosto, a “Secretaria de Estado para os Povos Indígenas” (SEIND) do Governo do Amazonas assinou um “Memorando de Entendimento” com representantes indígenas do Alto Rio Negro e a mineradora canadense COSIGO RESOURCES LTDA, para a aprovação do “Projeto de Extrativismo Mineral no Estado do Amazonas”.
A mídia amestrada tupiniquim praticamente se cala sobre este importante assunto. O documento prevê que as partes se comprometem em constituir, junto às “comunidades indígenas”, organizações e lideranças, uma “Anuência Prévia e Consentimento Esclarecido” para realização de ‘inventário das potencialidades por perfuração e viabilidades econômicas das terras indígenas’ dos rios Içana e Tiquié, no Alto Rio Negro, e Apaporis, no rio Japurá.
O assunto amazônico foi discutido, mundialmente, entre os dias 26 e 29 de junho deste ano, em NIAGARA FALLS, na Província de ONTARIO, no Canadá, durante a Reunião Internacional de Cúpula Indígena sobre Energia e Mineração.
Agora, a próxima tática da “Secretaria de Estado para os Povos Indígenas” do Amazonas e de seus ‘parceiros transnacionais’ é fazer “um seminário regional, em São Gabriel, para sensibilizar o poder público e o Exército”. O resultado das discussões e os projetos pilotos elaborados serão apresentados no dia 27 de outubro, na Feira Internacional da Amazônia (FIAM), em Manaus. O evento terá a participação da presidenta Dilma Roussef. Está tudo claramente divulgado no Portal Oficial do Governo do Amazonas. Tudo escancarado E A NOSSA SOBRANIA NA REGIÃO INDO PARA O SACO.
Assinaram o recente acordo, Paulo Cristiano Dessano, da Vila José Mormes, na comunidade indígena de Japurá; Irineu Lauriano Baniwa, liderança de Jandu Cachoeira; Pedro Machado Tukano, de Pari-Cachoeira (todos em São Gabriel da Cachoeira), além do secretário da SEIND, Bonifácio José Baniwa, e o vice-presidente da COSIGO, Andy Rendle.
A COSIGO é uma empresa de mineração canadense que já possui nove propriedades requeridas no município de Japurá (a 1.498 km de Manaus) para trabalhar na exploração de ouro e alumínio. Andy Rendle revela que a meta é promover grandes projetos de mineração em terras indígenas que ‘beneficiem diretamente a essas populações’ no Amazonas e não causem impacto ao meio ambiente.
Pelo menos quatro projetos já estão em andamento: o projeto LAPIDART, em São Gabriel, com apoio no arranjo produtivo; a cerâmica artesanal, que envolve todas as comunidades indígenas; o geo-turismo, que transforma São Gabriel em um grande geo-parque, que une a compra das jóias a um roteiro turístico até o Pico da Neblina; e a ‘geração de energia’.
O esquema tem o apoio da ‘Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro’ (FOIRN) e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
O ‘entreguismo’ amazônico se torna evidente e fatal porque a região é mal ocupada e ignorada pela grande maioria dos brasileiros. Nela, ONGs com bandeiras dos EUA, Inglaterra, Canadá, Bélgica, Holanda, Alemanha, França, Itália, Suíça, Japão e Indonésia fornecem recursos humanos e financeiros para elaboração e execução de programas e projetos focados no suposto “desenvolvimento integrado sustentável”, em eco-turismo, extrativismo e “educação” (leia-se ‘conscientização de formação de novas nações, etc.).
Na prática, as ONGs que “adotam os povos da floresta”, abandonados pelo Poder Público brasileiro são pontas de lança da oligarquia financeira transnacional do socialismo neocolonialista, e que preparam a região para, na prática, formar micro-nações a se tornarem independentes do Brasil, e para operarem conforme o esquema neocolonialista das nações hegemônicas citadas.
Na verdade, as ONGs funcionam como verdadeiras centrais de inteligência para agências de estudos geopolíticos transnacionais. Geralmente administradas por antigos ou recém saídos diretores de estatais, organismos ministeriais e instituições públicas dos estados e municípios da Amazônia, as ONGs contam com financiamentos de bancos e agências do capital financeiro mundial. São agentes diretas do capitalismo estatal a serviço desse tipo de neocolonialismo socialista.
O nome das principais?
Anotem aí:
1. Amigos da Terra (Friends of the Earth);
2. Fundação Mundial para a Natureza (Word Wild Fund for Nature—WWF);
3. Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CI DA);
4. Fundação Ford;
5. Club 1001;
6. Both Ends;
7. Survival International;
8. Conservation International;
9. Fundação Interamericana (IAF);
10. Fundação MacArthur;
11. Fundação Rockefeller;
12. Fundação W. Alton Jones;
13. Instituto Summer de Lingüística (SIL);
14. National Wildlife Federation — NWF The Nature Conservation —TNC;
15. Grupo de Trabalho Europeu para a Amazônia;
16. União Internacional para a Conservação da Natureza (UNIC) e o World Resource Institute — WRI.
Quase todas as ONGs agem com o maior profissionalismo possível. Seus projetos e planos de trabalho dão resultados. As populações locais ‘atendidas’ por elas se beneficiam, principalmente os seus caciques, que exibem caminhonetes de luxo novas, parafernália eletrônica, e viagens internacionais frequentes (as ‘bugigangas’ atuais que compram a parceria indígena).
Logicamente, esses indígenas percebem que o governo brasileiro não liga para eles. Pragmaticamente, as ONGs se legitimam. E, assim que houver condições geopolíticas, daqui a uns 20 ou 30 anos (dependendo, até menos), as reservas extrativistas, indígenas ou eco-turísticas poderão se transformar em territórios globais, com autonomia e independência, fora do controle do governo brasileiro que, na prática, intencionalmente ou por incompetência (caso não seja apenas por traição à pátria mesmo), não lhes dá a devida importância.
Se a coisa continuar assim, a Amazônia pertencerá, de fato e de direito, aos laranjas da Oligarquia Financeira Transnacional. Como bem chama atenção o economista Adriano Benayon, autor do livro “Globalização Versus Desenvolvimento”, devemos ficar atentos. Segundo Banayon, “qualquer causa, mesmo que justa (como direitos humanos, direitos dos indígenas, conservação do meio-ambiente, etc.) costuma ser desvirtuada pelos dirigentes da tirania mundial, disfarçados de humanitários.
Em seu livro, Benayon comprova como os globalistas agem, através de ONGs, para manipular, no interesse deles, os enganados das periferias, como o Brasil, o país mais sugado do planeta, e mantê-lo no ‘subdesenvolvimento auto-sustentado’ sob a direção dos socialistas imperiais.
Benayon demonstra que os controladores apenas desejam conservar o Brasil (principalmente a Amazônia) como fonte inesgotável de recursos naturais, daqui retirados, muitas vezes por preços que nem de longe custeiam o valor real dos bens, sem falar nos desgastes ambientais. E tudo em nome, exatamente, de uma pretensa conservação ambiental... E, para isso, a Amazônia NÃO PODE SER INTEGRADA AO PROCESSO PRODUTIVO NACIONAL, obviamente.
Por tudo isto, os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira precisam acordar e agir contra a perda de nossa soberania nessa imensa região. Precisamos, urgentemente, propor um Projeto de Nação para o Brasil, com base em uma leitura atualizada e sem frescuras ideológicas da Doutrina de Segurança Nacional – alvo dos ignorantes ou criminosos ataques ideológicos. E tal missão não é (apenas) para os militares – a quem muitos acomodados preferem delegar poderes divinos. É trabalho para cada um de nós, patriotas, que tem consciência e amor ao Brasil, para desenvolvê-lo de verdade, e não apenas fazê-lo crescer.
A base para o ‘Projeto de Nação para o Brasil’ está escrita nos velhos manuais da Escola Superior de Guerra – a ESG, que o Governo do Crime Organizado quer transformar em uma faculdadezinha de quinta categoria. Temos de realizar os Objetivos Nacionais Permanentes a serem alcançados e mantidos: Democracia, Paz Social, Soberania, Integridade do Território Nacional, Integração Nacional e Progresso. Não temos que estar segregando quem é negro, pardo, índio, etc. São todos BRASILEIROS e que têm que ser tratados da mesma maneira sob a mesma lei. O que estão fazendo no Brasil é um tremendo desserviço de desagregação do povo com base no preconceito racial.
Isto só vai ser possível através do fortalecimento das Expressões do Poder Nacional: Política, Econômica, Ambiental, Psicossocial, Militar e Científico-Tecnológica.
Vamos formular e colocar em prática o Projeto de Nação para o Brasil?
Temos de agir, depressa, como militares em guerra. Do contrário, os ‘militantes-meliantes’ farão triunfar a vontade deles e de seus parceiros transnacionais.
Nada de: “Arriar as calças aos Transnacionais”. O lema é: Brasil Acima de Tudo!
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
Assinar:
Postagens (Atom)














