"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 31 de março de 2012

REVISTA VEJA - UM SENADOR DESCE AOS INFERNOS

Investigação esbarra no governo petista do Distrito Federal e no governo tucano de Goiás

A edição desta semana traz uma reportagem de Rodrigo Rangel sobre as relações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Há trechos inéditos das conversas entre os dois. Mas não só isso. Há indícios de que a máfia tem ramificações nos governos do Distrito Federal, comandado pelo petista Agnelo Queiroz, e de Goiás, do tucano Marconi Perillo. Leiam trecho da reportagem.

DIÁLOGO GRAVADO EM 14 DE ABRIL DE 2011

Demóstenes novamente presta favores a Cachoeira e seus amigos. Desta vez, ao receber pedido para solucionar uma demanda de um colega do contraventor no Ibama, ele oferece uma solução ainda melhor: ir por cima e conversar direto com a ministra do Meio Ambiente, com quem diz ter uma relação muito boa.

Cachoeira - O Rossini vai tá aí amanhã pra ir lá no Ibama.
Demóstenes - Uai, tranquilo!
(…)
Cachoeira - No Ibama. Já tá marcado lá. Você podia acompanhar ele lá.
Demóstenes - Ah, tá. Que horas?

Horas depois, a dupla volta a tratar do assunto:

Demóstenes - Tô achando que este trem de Ibama não vai resolver nada pra ele, não. Tô às ordens, mas acho que é melhor ir por cima. Eu tenho acesso bom à ministra.
Cachoeira - À ministra?
Demóstenes - Ministra! A ministra lá do Meio Ambiente. O Ibama é subordinado a ela, uai!
Cachoeira - Agora. Vou falar pra ele te chamar aí. Obrigado aí!

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para investigar Demóstenes.

“Meu cliente é vítima de uma investigação ilegal”,
afirma o advogado do senador, Antonio Carlos de Almeida Castro. A investigação promete causar danos também em outras frentes.
Os grampos telefônicos põem na cena da máfia os governos de Brasília, comandado por Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, controlado por Marconi Perillo (PSDB).

Em Brasília, as escutas indicam que o grupo tinha acesso ao gabinete de Agnelo. Inclusive para fazer indicações políticas.
“Esse documento aí é para botar na mão do Marcelão (…) Ele vai direto no gabinete do governador”, diz o araponga Idalberto Matias, o Dadá, um dos capangas de Cachoeira. “São os nomes que a gente quer”, afirma.

O governador Agnelo negou a VEJA qualquer relação com a tropa de Cachoeira.

Em Goiás, as investigações mostraram que o ponto de contato entre Cachoeira e o governador Marconi Perillo era um ex-vereador de Goiânia.
Também lá o contraventor decide nomeações - e diz até que cargos cada indicado vai ocupar e quanto vai ganhar. O governador de Goiás também nega ligação com Cachoeira e diz que combate “toda sorte de crimes e contravenções”.

31 de março de 2012
Por Reinaldo Azevedo

31 DE MARÇO DE 1964

“O governo, o povo e as Forças Armadas do Estado de Minas Gerais declaram-se fora da União Federal”.
A proclamação do governo Magalhães Pinto, propalada em tom retumbante pelo “Repórter ESSO”, causou impacto na geração de 1964, sinalizando a ruptura da ordem estabelecida e culminando o longo processo de crise que remontava à sucessão do presidente Getúlio Vargas.

Naquele momento, a desarmonia imperava entre os poderes constitucionais. O clamor por reformas de base “na lei ou na marra” pressionava o Congresso, de forma sincronizada, combinando tensões geradas pelo Executivo com a agitação dos movimentos sindical e estudantil.
A inflação fugia ao controle. Nas áreas urbanas, um estado permanente de greve paralisava a atividade produtiva. No campo, os produtores rurais viviam sobressaltados pela ameaça de invasão de grupos organizados. O País jazia virtualmente paralisado.

É inegável a ingerência externa na crise brasileira. O planeta vinha conflagrado pela “Guerra Fria” bipolar. Os países do Terceiro Mundo, transformados em campos de batalha nos termos da “detente” Washington–Moscou, serviam de instrumento para as manobras subversivas da União Soviética e da reação militarista americana. Nem mesmo o talento de Eric Hobsbawm conseguiu convencer os historiadores da inocência socialista.
O Brasil tornou-se alvo prioritário, pelo seu potencial estratégico e importância na América do Sul. Aqui atuaram grupos políticos nacionais como quintas-colunas do movimento comunista internacional, abrigados confortavelmente nas legendas dos partidos legais.

No dia 13 de março, durante o comício da Central do Brasil, o chefe do Estado-Maior do Exército, da janela do seu gabinete no Palácio Duque de Caxias, assistiu à ovação dos sargentos rebelados que, fardados, conduziam nos braços o próprio presidente da República. A praça estava emoldurada por bandeiras nacionais, ostentando a esfera em vermelho, e tendo a foice e o martelo no lugar do dístico “ordem e progresso”.

Mais uma vez na História, os chefes militares viram-se forçados a intervir no processo político, antecipando-se ao caos projetado pela ameaça revolucionária. Assim ocorrera, igualmente, em 15 de novembro de 1889 e 29 de outubro de 1945.
Posteriormente, o IPM 709 comprovou a conspiração, ao encontrar as listas das pessoas que seriam executadas pelos “grupos dos onze”, após o dia 1º de maio.

O apoio popular foi evidente, como atesta o fato de não se conhecer uma única baixa causada pela tropa. Pacífica e silenciosamente, a nação legitimou a intervenção, ratificando que “todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”.

A maior parte da mídia nacional colaborou para o êxito do novo regime. O Poder Legislativo, transformado em Colégio Eleitoral, elegeu o presidente Castello Branco. O Poder Judiciário, preservado nas suas prerrogativas, jamais protestou contra os atos de exceção do governo revolucionário. Tacitamente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu-lhe a legalidade institucional.

Considerando a conjuntura global em 1964, não havia alternativa, pois as grandes potências não ficariam impassíveis diante do caos brasileiro. Ou seria a iniciativa dos nossos militares, ou a probabilidade de uma intervenção estrangeira, com risco de evoluir para um desastre fratricida, como foi a Guerra Civil Espanhola.

Os governos pós-64 imprimiram uma gestão patriótica e progressista, recuperando a credibilidade e a auto-estima nacionais. Equilibrou-se o balanço de pagamentos. O programa de integração nacional resgatou a Amazônia. Os planos nacionais de desenvolvimento modernizaram os transportes, as telecomunicações e a infra-estrutura econômica. As taxas de crescimento atingiram e mantiveram-se em níveis sem precedente. O ciclo revolucionário operou a transição de uma sociedade agrária tradicional para uma sociedade moderna, levando o Brasil a ser a 8ª economia mundial.
O espírito conciliador manifestou-se desde o início. Os cargos de primeiro escalão foram entregues à administração civil, sendo poucos os militares que ocuparam os demais ministérios.

O princípio da compartimentação preservou a tropa do envolvimento direto com a atividade anti-subversiva. Pacificado o País com a extinção da luta armada, adotou-se a anistia, criando as condições humanas para a reconciliação nacional. Quando a ação do tempo superar as paixões políticas e erradicar as ideologias fratricidas, a memória nacional haverá de fazer justiça à coragem moral e ao espírito empreendedor dos líderes militares que legaram o exemplo de 31 de março de 1964.

31 de março de 2012
Maynard Marques de Santa Rosa
Gen R1

DEMÓSTENES A HISTÓRIA DA AMIZADE DO PROFESSOR E DO DOUTOR

Embora tenha sido ex-procurador geral de Justiça de Goiás em duas ocasiões e ex-secretário de Segurança do estado entre 1999 e 2002, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) transita com desenvoltura entre pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao mundo dos jogos ilegais, do qual Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é apenas a face mais conhecida.

Além da agora notória amizade com o contraventor, Demóstenes também recebeu dinheiro em sua campanha de um advogado preso duas vezes pela Polícia Federal sob acusação de integrar uma quadrilha para permitir o funcionamento de bingos e a exploração de caça-níqueis.

O senador também teria influído na nomeação do atual presidente do Detran local, genro do ex-prefeito da Cidade de Goiás, assassinado quando deixava uma casa de jogos irregulares em Goiânia.

Quase um ano antes de vir a público o primeiro escândalo do governo Lula, envolvendo o então assessor parlamentar da Casa Civil, Waldomiro Diniz, Carlinhos Cachoeira e a empresa de loterias Gtech, Demóstenes já atuava em favor do amigo que está preso, utilizando, para tanto, sua condição de senador.

Quando o escândalo estourou e a oposição se revezava na tribuna do Senado para atacar o PT, o governo Lula e o próprio bicheiro, Demóstenes calou-se sobre Cachoeira e, nas quatro intervenções que fez sobre o assunto, não citou uma só vez o nome do amigo, que era desclassificado por outros líderes oposicionistas.

Em 13 de fevereiro de 2004, a revista "Época" trouxe a transcrição dos diálogos entre Cachoeira e Waldomiro Diniz, gravados em 2002 pelo próprio bicheiro. A publicação revelava que o então assessor da Casa Civil pedia propina a Cachoeira para tentar facilitar a contratação da Gtech pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Em 23 de maio de 2003, nove meses antes do escândalo, Demóstenes encaminhou um requerimento de informação ao ministro da Fazenda pedindo cópia autenticada do contrato assinado entre a CEF e a Gtech. Ele também queria o o edital de concorrência que amparou a contratação e aditivos contratuais assinados.

A preocupação de Demóstenes com o contrato ecoava a raiva de Cachoeira com o fracasso de sua negociação com a multinacional. O contraventor e a Gtech tinham acordado que, uma vez vencedora da licitação na CEF para operar o sistema de loterias, a multinacional subcontrataria as empresas do bicheiro para cuidar das loterias estaduais um negócio de pelo menos US$ 10 milhões na época.

Acontece que, em 5 de maio de 2003, depois de a Gtech ter assinado com a CEF, a matriz americana da empresa pediu que Cachoeira subscrevesse um termo se comprometendo a não praticar qualquer ato considerado ilegal pela legislação americana.

Um dia depois, uma correspondência interna indicava que os entraves haviam sido superados e o contrato entre a Gtech e a empresa de Cachoeira seria assinado, mas isso acabou não acontecendo, para irritação do bicheiro.

Demóstenes e Cachoeira se conheceram quando o senador era secretário de Segurança em Goiás, entre 1999 e 2002, durante o mandato de Marconi Perilo (PSDB). Cachoeira já atuava no ramo de jogos e circulava com desenvoltura pela sociedade goiana, especialmente entre políticos.

Aliás, parlamentares de Goiás procurados pelo GLOBO não quiseram dar declarações sobre o notório empresário do estado.

Apesar de toda a controvérsia envolvendo o mundo de jogos de azar, sobretudo caça-níqueis e outras contravenções, Demóstenes mantém proximidade com esse setor. No atual governo de Marconi Perilo, com quem tinha rompido relações, mas voltou a se aliar na eleição passada, seu grupo conseguiu influenciar na escolha do presidente do Detran, Edvaldo Cardoso (PTdoB).

Ele é genro do ex-prefeito da Cidade de Goiás Boadyr Veloso, assassinado no centro de Goiânia, em maio de 2008, quando saía de uma casa ilegal de jogos. Veloso era acusado, entre outras coisas, de prostituição infantil e de contravenção, e teria sido, inclusive, sócio de Cachoeira. O crime nunca foi esclarecido.

Na campanha de 2010 para o Senado, Demóstenes recebeu doações do advogado Márcio Socorro Pollet, preso sob acusação de integrar uma quadrilha que negociava sentenças para fraudar a Receita Federal e manter bingos em funcionamento.

O esquema foi desbaratado pela Operação Têmis, da Polícia Federal, em 20 de abril de 2007. Em 2010, a juíza Paula Mantovani considerou ilícitas as escutas telefônicas que apontavam que uma liminar poderia ser comprada por R$ 300 mil e encerrou o processo.

Menos de dois meses depois da Têmis, a PF fez outra operação, denominada Xeque-Mate, que tinha objeto semelhante de investigação:
formação de quadrilha para exploração de caça-níqueis.
E Pollet mais uma vez foi preso.

31 de março de 2012
camuflados

ESTRATÉGICOS! POBRE BRASIL CARCOMIDO PELA PATIFARIA


O deputado federal e ator Stepan Nercessian (PPS-RJ) enviou ao presidente nacional do PPS, Roberto Freire, pedido de licença do partido.

Stepan também vai solicitar sua saída da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara. A decisão foi tomada depois de reportagem publicada neste sábado pela "Folha de S.Paulo".

O jornal informa que o deputado recebeu R$ 175 mil, no ano passado, do contraventor Carlinhos Cachoeira. Parte do dinheiro (R$ 160 mil) seria usada para comprar um apartamento. Outros R$ 15 mil, segundo a reportagem, foram gastos para a compra de um espaço (frisa) no Sambódromo, no carnaval deste ano. Em entrevista ao GLOBO, Stepan afirmou, no entanto, que o valor gasto no carnaval foi de R$ 19 mil - a conta total, portanto, segundo ele, seria de R$ 179 mil.

Me coloquei à disposição. Tenho preocupação com o partido e não me considero nenhum criminoso. Sou um cara que está na vida pública há 44 anos como artista. Tenho todo tipo de amigo.

Conheço o Carlinhos (Cachoeira) há mais de 20 anos e sempre tive relação social com ele. Eu estava comprando um apartamento em junho do ano passado e, em cima da hora, o banco me exigiu um comprovante.

A pessoa para quem eu podia pedir ajuda era ele. Liguei e ele me emprestou, mas, depois, o próprio banco aprovou. Aí devolvi os R$ 160 mil para a mesma conta disse o deputado.

O apartamento que Stepan comprou estaria avaliado em R$ 500 mil. O outro valor, segundo o deputado, foi usado para a compra de frisas no Sambódromo. Segundo ele, Cachoeira já passou vários carnavais no Rio:

Ele (Cachoeira) e um grupo de amigos de Goiás queriam uma frisa. Aí ele me depositou R$ 19 mil e eu comprei. Essas foram as duas relações com ele.

O PPS vai pedir explicações ao deputado na comissão de ética da legenda.

31 de março de 2012
camuflados

COMISSÃO DE QUÊ?

COALIZÕES MUNICIPAIS JÁ COMEÇAM A DESMORALIZAR AS "DITADURAS PARTIDÁRIAS"

Cada partido tem um dono, é praticamente assim que funciona a política brasileira. Em alguns partidos o dono manda muito, em outros manda menos. Mas esse panorama agora começa a mudar, de uma forma ou outra, em função da realidade de cada eleição municipal nas grandes cidades.

Como todos sabem, Lula é o dono e ditador do PT, Serra domina mais ou menos o PSDB, Roberto Freire é o dono e ditador do PPS, Michel Temer controla mais ou menos o PMDB, Francisco Dornelles é o dono e ditador do PP, Eduardo Campos domina mais ou menos o PSB, Carlos Lupi é o dono e ditador do PDT, e por aí em diante.

Com toda certeza, as eleições municipais estão a desmoralizar essas ditaduras e esses líderes que tentam subjugar o partidos. Basta conferir o que aconteceu domingo passado, no encontro que Lula manteve com o presidente nacional do PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos.

Estavam em pauta as coalizões PT-PSB nas eleições municipais. Os dois líderes chegaram a ficar três horas negociando, na mais longa reunião de Lula desde que ficou doente, mas não conseguiram chegar a um acordo. Nada, nada, nada.

A pauta principal eram as prefeituras de Belo Horizonte, São Paulo, Recife e Campinas. Só problemas, nenhuma solução. Aliás, a confusão é geral. Basta dizer que em Belo Horizonte o candidato do PSB Marcio Lacerda está tendo apoio do PSDB e do PT, ao mesmo tempo.

Apesar de o PT de BH ter aprovado no seu encontro municipal tese em que diz não querer na aliança partidos que nacionalmente fazem oposição ao governo Dilma Rousseff, isso foi só para constar, porque o documento aprovado por 53,2% deixa a decisão para Lacerda resolver, vejam só quanto liberalidade…

Ao mesmo tempo, os diretórios municipal e estadual do PSB em São Paulo estão dispostos a apoiar José Serra, porque já participam do governo tucano de Alckmin e sabem que Serra não perde de jeito nenhum para o petista Fernando Haddad, queira Lula ou não.

Já no Paraná, a sólida aliança entre o governador tucano Beto Richa e o prefeito Luciano Ducci (PSB) dobrou o PSDB e “expulsou” do partido o ex-deputado federal Gustavo Fruet, que queria sair candidato em Curitiba. Para concorrer, Fruet foi para o PDT, vejam só que troca-troca.

Diante desse quadro surrealista, o máximo que Eduardo Campos conseguiu foi dizer a Lula que a decisão do PSB sobre a coalizão em São Paulo ficará para junho. E no dia seguinte, segunda-feira, em entrevista a rádios de Recife, Campos resumiu da seguinte forma a conversa com o dono do PT:
“Em São Paulo, eu disse a ele (Lula) que não há decisão antes de junho. O debate vai passar pela (direção) municipal, pela direção estadual e vai chegar até a nacional porque não há consenso”.

Mas acontece que os diretórios municipais são soberanos para definir candidaturas e coalizões. Os diretórios estadual e nacional só podem atuar se fizerem intervenção nos diretórios municipais, através de um ato ditatorial que ninguém aceita e arrebenta com a unidade do partido.

Traduzindo tudo isso: em junho, as candidaturas municipais de PT, PSB, PSDB etc. já estarão mais do que consolidadas, nem Eduardo Campos nem Lula conseguirão fazer qualquer mudança consensual. Esta é a realidade. Os partidos têm donos, mas àz vezes ficam rebeldes.

31 de março de 2012
Carlos Newton

NÃO É CEDO COISA NENHUMA

Digna de registro a entrevista do Lula à Folha de S. Paulo, ontem. Com todas as letras, ele rejeitou a hipótese de candidatar-se à presidência da República em 2014. Assim como, também, em 2018 e 2022. Enfatizou que a presidente Dilma só não disputará a reeleição se não quiser. Pronto para ajudar ele está, no governo e na reeleição da sucessora, como já fez e mais fará pela vitória de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo.

Voltar ao palácio do Planalto, nem pensar. Está na hora, assim, de o PT integrar-se mais no governo e, em vez de criar problemas, passar a dar suporte à presidente Dilma. Claro, só depois dela sinalizar que aceitará o encargo de concorrer novamente. Sem uma palavra óbvia, ficará a dúvida.

Para os que raciocinam ser ainda muito cedo para a abertura do processo, vai a lembrança da milenar lição árabe, sobre beber água limpa quem chega primeiro na fonte. Existem, no PT, grupos que gostariam senão de turvar a água, ao menos de bebê-la impura. Ressentem-se da pouca atenção que Dilma concede ao partido, ou melhor, da resistência da presidente em governar em condomínio com eles.

Nos tempos do Lula era diferente, mera questão de características pessoais. O risco de uma surpresa na próxima sucessão existirá caso os companheiros, por unanimidade, não se disponham a acatar esse novo mandamento do ex-presidente.

Um núcleo de campanha precisa ser criado ainda este ano, capaz de montar novo sistema de alianças partidárias e de avançar em colégios eleitorais onde as oposições tem prevalência, como São Paulo e Minas. Em suma, não é cedo coisa nenhuma…

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APENAS UM ESPETÁCULO LAMENTÁVEL

Lamentável. Jovens que nem haviam nascido em 1964, vociferando, cuspindo e jogando ovos em velhinhos saídos da máquina do tempo, empenhados em dar “bananas” aos manifestantes. Bem que poderíamos ter sido poupados do espetáculo encenado na Avenida Rio Branco, no Rio, defronte ao Clube Militar. Porque demonstraram o desejo de voltar à idade da pedra tanto os que exaltavam a Comissão da Verdade quanto os que se reuniram para comemorar o 48 aniversário do golpe militar. Faz parte da democracia exprimir livremente o pensamento. Mas precisava ser na mesma calçada?

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É BRIZOLA MESMO

Com a volta da presidente Dilma ao palácio do Planalto, na segunda-feira, imagina-se para a próxima semana a oficialização de Leonel Brizola Neto como ministro do Trabalho. Surpresas sempre acontecem, em especial neste governo, onde as notícias são consideradas inimigas quando transmitidas fora da hora. Parecem superadas, porém, as dificuldades que cercavam a nomeação do jovem deputado.

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A HORA ESTÁ PASSANDO

A cada dia que passa fechado em casa, o senador Demóstenes Torres torna mais difícil a preservação de sua imagem. Seu advogado insiste em que permaneça calado, mas a sucessão de denúncias exige a palavra que salva, em vez do silêncio que sufoca. No Senado, já se duvida de sua capacidade de reagir, em especial caso o Conselho de Ética, depois da Semana Santa, decida abrir processo contra ele.

31 de março de 2012
Carlos Chagas

CASTRO AGRIDE A LIBERDADE E DESFECHA BOFETADA POLÍTICA EM BENTO XVI

O governo Raul Castro, ao prender arbitrariamente setenta dissidentes que protestavam nas ruas contra a ditadura, exatamente na véspera da chegada do Papa Bento XVI, agrediu mais uma vez a liberdade de pensamento e manifestação, além de desfechar uma bofetada política, não apenas no Vaticano, mas em todas as correntes democráticas que existem no mundo.

Lance estúpido e proposital ou propositalmente estúpido? O reflexo não poderia ser pior. O momento era o oposto da atitude. A repercussão destacará o reacionarismo comunista de Havana, exatamente o contrário que Ratzinger visava com sua visita.

Tinha, é claro, como objetivo a distensão. Raul, provavelmente impulsionado por Fidel, conduziu o encontro diplomático no sentido da tensão. Excelente reportagem de Flávia Marreiro, enviada especial da Folha de São Paulo, publicada a 26, focalizou o triste episódio. A bela foto das damas de branco, flores na mão nas ruas de havana, pedindo o direito de pensar e de exprimir o sentimento, é de Jorge Silva. Entre os setenta presos na véspera do desembarque do Sumo Pontífice, vinte e cinco são ativistas do movimento feminino pela liberdade. E, pior, acrescenta a repórter: boa parte das prisões foi efetuada na cidade de Santiago de Cuba, onde o Papa desembarcou.

Incrível. Nada como o tempo e o poder para mudar e revelar as pessoas. Em 59, portanto há 53 anos, como repórter do Correio da Manhã, estive no Cuba Libre, coquetel oferecido por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, na embaixada da Rua Djalma Ulrich, Copacabana, quando os principais líderes da revolução armada que derrubou o ditador Fulgêncio Batista anunciaram a libertação da ilha, a Pérola das Antilhas.

O ideal de liberdade e democracia foi lançado ao sótão do esquecimento enquanto os porões do regime estão repletos de presos políticos. Sem processo, sem julgamento, sem culpa. Como se a acusação de dissidentes representasse uma prévia em si. E qual a duração da pena absurda e desumana? Não existe. Depende do arbítrio supremo dos irmãos Castro.

O clima é de permanente apreensão. Pois à medida em que Raul desenvolve passos no sentido da abertura do sistema, a impressão que tenho é a de que Fidel surge das sombras para ordenar o retrocesso no mesmo ritmo na direção oposta. Mas esta não é a questão essencial.

A questão essencial é a falta absoluta de liberdade. Não se trata de haver alguma tolerância para com as damas de branco, como revela a matéria da Folha de São Paulo. Na democracia não pode existir somente alguma tolerância. E as ameaças que estão recebendo as pessoas que se dispõem a ir às ruas apenas pedir o direito elementar de poder acentuar em palavras e gestos o que há na alma do povo. Povo sufocado pelo terror estatal do comunismo de Havana, como no passado milhões de alemães e de países invadidos sofreram com o nazismo de Hitler. E de Stálin na antiga União Soviética.

Hitler e Stálin, os dois maiores assassinos da história que, pela vontade do destino, se defrontaram na segunda guerra mundial. Esta imagem pertence ao passado. Terrível que se repita no presente.

Há cerca de três semanas, neste site, o intelectual Humberto Braga publicou um artigo muito importante: Direita e Esquerda, o título. Nele, traçou os limites entre reacionarismo, conservadorismo e reformismo. Conservador o próprio nome define. Reacionário é o que deseja voltar ao passado. Reformista é quem se empenha pela mudança. Perfeito. Os fatos na Ilha revelam que ser comunista não representa posição de vanguarda. No exemplo cubano, significa retorno ao passado. É, portanto, mais reacionário do que os reacionários que existem hoje no mundo.

31 de março de 2012
Pedro do Coutto

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

História de história
Eram três amigos, Nestor, Mario e José, companheiros de praia e de bar. Faz muito tempo: 1895. Nestor de Barros guarda-livros, Mario Espinola estudante e José Agostinho auxiliar de escritório. Tomavam banho de mar no Flamengo, bebiam e comiam no velho Lamas, ainda no Largo do Machado.

Resolveram fundar um grêmio da Praia do Flamengo para disputar competições de regatas. Fizeram uma vaquinha com os amigos do bairro, compraram uma surrada baleeira, mandaram reformar.

Pronto o conserto, foram buscar. Na volta, um temporal, e a baleeira afundou. Não desanimaram. Compraram outra.

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FLAMENGO

E assim nasceu o Grupo de Regatas do Flamengo, em um domingo, 17 de novembro de 1895, data republicanamente mudada para 15 de novembro. Sede: Praia do Flamengo, 22, um pardieiro. Cores: azul-celeste e ouro, em listras largas horizontais.

Só na Inglaterra havia tecidos com essas cores e as camisas, importadas, custavam caro e desbotavam. Em 1898, mudaram as cores para vermelho e preto. Deu sorte. Na primeira regata do Campeonato Náutico Brasileiro, primeira taça, com a baleeira e dois remos.

Em 1902, o Flamengo virou Clube de Regatas do Flamengo.

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SÃO PAULO

Leitores reclamam que nunca escrevo sobre futebol. Não é essa minha praia. Mas é o meu Flamengo, e o Mengão merece.

Um ano antes de o Flamengo nascer, em 1894, havia nascido em São Paulo o futebol brasileiro. Um paulista filho de inglês, Charles Miller, trouxe da Europa varias bolas de futebol, reuniu amigos e começaram a jogar lá. Em 1897, o carioca Oscar Cox também trouxe bolas da Europa e o futebol chegava ao Rio.

Mas foi no Rio, em 12 de julho de 1902, que nasceu o primeiro clube de futebol do Brasil, o Rio Foot-Ball Club, fundado por João Ferreira. Logo o Oscar Cox fundou o Fluminense Foot-Ball Club. Em 1904, viieram o Botafogo Foot-Ball Club, o The Bangu Atletic Club e o América Foot-Ball Club. E o Paissandu Cricket e o Rio Cricket de Niterói.

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FLUMINENSE

Em 1911, como Eva da costela de Adão, o futebol do Flamengo nascia de uma crise no Fluminense, cuja “comissão de campo” (“ground commitee”) havia barrado o center-forward Alberto Borgerth.

Os jogadores, solidários com Borgerth, se rebelaram, nove deles saíram do clube e, com Borgherth, foram para o Flamengo, onde, em 8 de novembro, criaram uma equipe de futebol, afinal registrada na Liga em 9 de janeiro de 1912.

A primeira partida oficial foi em 3 de maio de 1912, contra o Esporte Clube Mangueira, formado por operários da fabrica de chapéus Mangueira. O Flamengo ganhou por 16 a 2. Time: Baena, Pindaro e Nery, Lawrence, Gilbert e Galo, Baiano, Arnaldo, Amarante, Gustavo e Borgherth.

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ESTUDANTES

Já no primeiro campeonato, em 1912, o Flamengo foi vice-campeão (campeão, o Payssandu) e Borgherth o artilheiro. Em 1914, terceiro ano de vida, campeão carioca. Em 1915, bicampeão.

Como o futebol ainda era um esporte de elite, dos 11 campeões de 1914, 9 eram estudantes de Medicina, um de Direito e apenas um não estudava para nada. Mesmo assim, já em 1915, o Flamengo e Botafogo, disputando o campeonato, levaram 15 mil espectadores, uma multidão, ao estádio de General Severiano.

Em 1916, o jornalista e teatrólogo Paulo Magalhães compôs o hino rubro-negro, oficializado em 1920:

– “Flamengo, Flamengo, tua gloria é lutar! Flamengo, Flamengo, campeão de terra e mar!”.

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VASCO

Em 1916, surgiu uma revolução no futebol carioca: o Vasco da Gama Clube de Regatas, que praticava remo desde 1898, começou a jogar futebol e foi o primeiro clube do Rio a admitir jogadores negros (e não o Flamengo, como se poderia imaginar hoje). Eram empregados de portugueses torcedores do clube, na maioria pretos e mulatos.

Por racismo ou não, todas as torcidas se uniam contra os vascaínos, e a imprensa punha fogo: era o Brasil contra Portugal. Em 8 de julho de 1923, Flamengo e Vasco levaram 25 mil torcedores ao estádio do Fluminense. O Flamengo ganhou de 2 a 1. Acabado o jogo, veio a pancadaria na cabeça dos portugueses. Mesmo assim, o Vasco foi obrigado a pagar os estragos. E apesar de novato na Liga, o Vasco venceu o campeonato.

Foi assim que nasceu a maior paixão nacional.

31 de março de 2012
Sebastião Nery

PROPINODUTO: POR ERRO DE JUIZ, PROCESSO SOBRE O CASO ESTÁ PARADO HÁ SEIS ANOS

O comentarista Francisco Vieira, de Brasília, nos manda mais uma prova da incrível morosidade da Justiça brasileira, em denúncia do Jornal do Brasil On Line.

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PROPINODUTO IMPUNE

A ação judicial que tem como réus os envolvidos no escândalo do propinoduto, no qual uma quadrilha de fiscais fazendários foi denunciada por cobrar propinas de empresários, não avança desde dezembro de 2005 por conta de falhas processuais graves cometidas por um juiz da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Entre os julgados no processo está o ex-subsecretário de Administração Tributária do governo do estado, Rodrigo Silveirinha Corrêa, apontado como cérebro do grupo.

O processo chegou até o juiz Lafredo Lisboa, da 3ª Vara Federal Criminal, em dezembro de 2005. O magistrado demorou 56 meses para proferir sua sentença, e só o fez depois que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) lhe deu um prazo de 90 dias para concluir o julgamento em primeira instância. Lisboa cumpriu a determinação. Mesmo assim, o caso não avançou.

Os membros 2ª Turma do TRF-2, que receberam o caso em segunda instância, no entanto, detectaram uma série de problemas no trabalho do magistrado. Por isso, os desembargadores acompanharam o voto do relator do caso, Messod Azulay. Segundo o parecer, “na apreciação judicial dos fatos trazidos aos autos, foram desprezadas considerações e afirmativas defensivas que deveriam ter sido analisadas e, se vencidos os argumentos da defesa, aí sim, proferir-se-ia condenação legítima”.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

“Este país é bom demais!”, exclamou o comentarista Francisco Vieira, ao analisar a informação. No caso, nota-se que houve cerceamente da defesa, o que significa que os réus devem sair impunes, acredite se quiser.

31 de março de 2012

COMISSÃO DA VERDADE E O ACIRRAMENTO DAS HOSTILIDADES

Nos últimos meses, o Brasil inteiro percebe lamentável acirramento nas hostilidades entre expressivo número de militares reformados e representantes civis de organizações diversas, notadamente no âmbito do judiciário.

A Comissão da Verdade, cada vez mais, levanta espíritos guerreiros e provoca paixões que extrapolam todos os caminhos da civilidade. O país parece estar à beira do desatino. Os homens justificam os conflitos que abraçam sempre em nome de palavras da nobreza; liberdade, pátria, justiça, democracia, igualdade, paz, religião, verdade…

Todo esse conjunto de belas aspirações humanas dá respaldo às maiores violências, mortes, abusos, torturas e crueldades. Repita-se, tudo em nome do amor pelas virtudes reveladas na terra.

No Brasil, o processo criado para o encontro das luzes do Bem se agrava pela proximidade da escolha dos membros da Comissão da Verdade. Mas, antes disso, procuradores inflamados e sob a bandeira de uma “Justiça de Transição” buscam alternativas e brechas possíveis, sempre possíveis, na legislação ordinária para punir crimes de ação permanente e, portanto, imprescritíveis.

O Ministério Público não se conforma com a Lei da Anistia, não aceita o perdão. Vale-se das recomendações e dos exemplos dos organismos internacionais, ONU e OEA, que não admitem a supressão das punições em casos de torturas, aniquilação e crimes contra a humanidade.

Por sua vez, os militares esperneiam e lançam reptos deploráveis contra os poderes legitimamente constituídos.

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É FÁCIL TOMAR PARTIDO

Mas aqui não importa muito desvendar o oponente que leva no bolso do colete os melhores trunfos da excelência moral. É fácil tomar partido. As aberrações dos anos de chumbo são por demais conhecidas. Aliás, tão conhecidas que o propósito da Comissão da Verdade é quase insignificante.

Ou, por outra, é apenas admissível porque talvez propicie a descoberta dos cadáveres desaparecidos e, assim, conceda aos familiares determinados a enterrar seus mortos um sentimento mínimo de conforto e alívio. Esse direito não se denega, não se tergiversa, não se ludibria, não admite contestação. Sófocles deixou claro há dois mil e quinhentos anos.

Mas o revanchismo não deve estar aí embutido. Essa etapa já foi superada por decisão do STF. Não importa se a sensação da injustiça perpetrada fale mais alto nos corações dos representantes do Ministério Público. Ainda que lhes repugne o ato de perdão para a ignomínia, a anistia se encontra definitivamente sacramentada.

E nem se queira exigir dos militares torturadores e executores ainda vivos, ou das instituições a que pertencem, pedidos formais de desculpas, se é que desculpas são suficientes para apagar aberrações.

A Igreja Católica levou quinhentos anos para pedir perdão pelas atrocidades perpetradas pela Inquisição, em nome de Deus, contra milhares de criaturas inocentes da prática de qualquer crime. As Cruzadas também, só recentemente, mereceram a prostração da Igreja. A pedofilia continua uma chaga, embora hoje atenuada pelas palavras tardias e arrancadas a fórceps do Sumo Pontífice.

Não, muitos anos virão antes que as Forças Armadas reconheçam o inominável e hediondo arbítrio cometido contra a sociedade e, principalmente, contra os subversivos, guerrilheiros, insurretos, ou outros apelidos que se lhes queira dar, justamente rebelados na oposição à Ditadura, posto que, aos olhos das primeiras, cometido em nome da família, da pátria, para sufocar o avanço do comunismo no Brasil.

O panorama internacional da época, o apogeu da Guerra Fria, o macartismo levado a sério, a ameaça do totalitarismo soviético serviram de fator preponderante para também atrair homens dignos de respeito e sinceridade de propósitos no combate do mal presumido que acreditavam se avizinhar. Estavam errados, mas lhes parecia estarem certos e isso bastava. Diziam antes e repetem agora: “não passarão”.

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ATOS DE BOA FÉ

Não compreendem porque os acusam. Não atinam porque são censurados em prosa e verso. Admiram-se com a furiosa demonstração de repúdio dos atos, os quais creem ter praticados de boa fé, pelos mais respeitáveis segmentos da sociedade.

Esqueceram, sem esforço, mesmo da pequena razoabilidade dos motivos que os levaram a adotar a ação militar repressora no Brasil mediante a derrubada do legítimo poder constituído. Se o movimento de tropas inicial, na sua ótica, foi meritório e necessário para a defesa do país, os acontecimentos seguintes fizeram minguar todas aquelas supostas boas ações.

Os elementares princípios éticos e humanos foram deixados de lado, agora em nome da segurança nacional, seja lá o que fosse isso. Para combater terroristas, sequestradores, guerrilheiros, os soldados julgaram imperativo usar de todos os meios de luta, decentes ou não, mas praticados por quase todos os exércitos dos cinco continentes. Assim, a tortura institucional fez berço no colo do Brasil.

A execução de prisioneiros também mostrou a sua face de horror. A par disso, de forma subjacente, porém indiscutível, mais de vinte anos do período sombroso transcorreram, a pretexto de nada, a não ser pela embriaguez dos chefes militares e seus subordinados pelo poder.

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SEM REVANCHISMO

Tudo isso é passado, mas o passado quer se tornar presente. Alguns desejam que a Comissão da Verdade vá além dos seus desígnios com a punição dos autores de tantos crimes. Não lhes basta abrir as janelas do país e reviver o lado abjeto do golpe de estado, como se não fosse esse mais do que sabido e conhecido. Para que? Talvez para, novamente, atear fogo ao conflito que já repousa em cinzas? Talvez para a pacificação de uma ira santa que não consegue descanso?

Talvez para maior apuro da memória viva, muito viva, daqueles anos sombrios, nos livros, nos documentários, nas inúmeras reportagens, nos exaustivos testemunhos, nos pensamentos doídos de muitos? Não importa. Nada justifica a ação da desforra. A única razão plausível para a existência da Comissão, já se disse, é a possibilidade da descoberta dos restos mortais de entes familiares desaparecidos.

Enfim, se mais espaço ainda há para resgate da memória, fica aqui a esperança de que a presidente da República eleja para compor a Comissão da Verdade historiadores e não justiceiros.

31 de março de 2012
Francisco de Assis Chagas de Mello e Silva

CRIME TRIBUTÁRIO, MAS CONDENAÇÃO EM REGIME SEMI-ABERTO

Luiz Estevão é condenado a quatro anos, mas nao vai cumprir nenhum
Os jornais alardeiam que o ex-senador Luiz Estevão foi condenado a quatro anos de prisão, em regime semi-aberto, por crime tributário. A decisão foi tomada pela 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

A condenação é resultado de denúncia feita pelo Ministério Público por sonegação fiscal. Segundo a Promotoria, ele deixou de pagar, entre abril de 1997 e fevereiro de 2000, parte do ICMS referente a uma fazenda de sua propriedade.

Estevão havia sido absolvido pelo juiz da primeira instância, que aceitou o argumento da defesa de que ele não estava administrando a fazenda no período. A Promotoria recorreu e dois desembargadores consideraram que as provas eram suficientes para comprovar a responsabilidade do ex-senador.

Para os desembargadores, como a fazenda estava registrada no nome dele, cabia a Estevão provar de que tinha transferido a administração do negócio para outras pessoas. Mas ainda cabe recurso.

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LAVAGEM

No começo do mês, ele também foi denunciado pelo Ministério Público Federal acusado de usar o Brasiliense Futebol Clube para lavagem de dinheiro.

De acordo com a Procuradoria, os crimes aconteceram de 2001 a 2005. O clube, fundado pelo ex-senador, foi usado por ele para ocultar bens e movimentações financeiras, segundo os procuradores.

Os procuradores afirmam que o Brasiliense seria um “clube de fachada”. A denúncia foi resultado de inquérito instaurado em 2005, após a Justiça ter decretado a indisponibilidade dos bens de Estevão e de empresas ligadas ao Grupo OK, que pertence a ele.

Segundo a investigação, o dinheiro movimentado pela conta do clube tinha como origem as empresas do Grupo OK.

Neste caso, Luiz Estevão negou as acusações de lavagem de dinheiro. Segundo o ex-senador, o dinheiro movimentado pelo clube era legal. “Toda a movimentação foi feita dentro da lei, com a receita do time com bilheteria, patrocinadores e verbas de televisão”, disse.

O ex-senador esteve também envolvido no escândalo da construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. No dia 12 de março, a Advocacia Geral da União informou ter conseguido penhorar R$ 2,7 milhões do Grupo OK.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

Luiz Estevão foi cassado do Senado em 2000 por quebra de decoro parlamentar. De lá para cá, tem sido alvejado por denúncias e processos. Com a fortuna que amealhou ilegalmente, aplicando os mais diversos golpes, está protegido pelas chamadas “brechas da lei” e dificilmente irá para a prisão. Seus crimes acabarão prescrevendo, da mesma forma como já estão prescritos os alguns dos crimes cometidos pelos réus do processo do mensalão. Podem apostar.

31 de março de 2012
tribuna da internet

MINISTRA IDELI SALVATTI NEGA ENVOLVIMENTO COM EMPRESA INTEC BOATING

A Agência Brasil, antiga Agência Nacional, órgão oficial de comunicação do governo, é usada pela assessoria da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para negar ligação da gestão dela com a empresa Intech Boating.

O texto informa que a ministra não recebeu diretamente dinheiro da empresa para sua campanha ao governo do estado de Santa Catarina.

“A doação no valor de R$ 150 mil registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) feita pela empresa Intech Boating foi destinada ao Comitê Financeiro do Partido dos Trabalhadores (PT) em Santa Catarina e não à candidata Ideli Salvatti [nas eleições de 2010]”, diz a nota se referindo ao valor citado em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, que relaciona a doação feita pela empresa a um contrato para compra de lanchas assinado com o Ministério da Pesca, pasta que já foi comandada por Ideli.

A nota informa que o contrato firmado entre a empresa e o ministério para a aquisição das lanchas, que está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), foi assinado em 2009 e Ideli Salvatti assumiu a pasta apenas em 2011. O texto ressalta ainda que as contas da campanha ao governo do estado foram aprovadas pelo TSE.

De acordo com matéria, a empresa Intech Boating foi contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca, que não tinha competência para usar tais embarcações. Depois, a empresa foi procurada para doar ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina R$ 150 mil.

O comitê bancou 81% dos custos da campanha a governador, cuja candidata foi Ideli Salvatti, em 2010.

A contratação da empresa Intech Boating foi feita na gestão do então ministro da Pesca, Altemir Gregolin. A ministra Ideli foi titular da Pesca entre janeiro e junho de 2011 e, na época, a Intech recebeu R$ 5,2 milhões que faltavam para a compra das 28 lanchas encomendadas nos dois anos anteriores, de acordo com as informações do jornal.

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EMPRESÁRIO PETISTA

Tudo que a ministra afirma na nota já estava relatado pela repórter Marta Salomon, do Estadão, que ao fazer a denúncia teve o cuidado de ouvir o dono da empresa, José Antônio Galízio Neto, que é ex-militante do PT.

Ele alegou que a doação não foi feita por afinidade política, embora admita que se filiou ao PT na época de fundação do partido em São Bernardo do Campo (SP).

“O partido era o partido do governo. A solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é óbvio. E eu não achei nada demais. Eu estava faturando R$ 23 milhões, 24 milhões, não havia nenhum tipo de irregularidade. E acho até hoje que, se precisasse fazer novamente, eu faria”, disse Galízio Neto. Mas caiu em contradição na entrevista, porque logo em seguida passou a atribuir o pedido de doação a um político local, como se tudo não passasse de coincidência.

31 de março de 2012
Carlos Newton

PARA QUEM NÃO ACREDITA EM ET'S

A Via Láctea tem bilhões de planetas supostamente habitáveis

A agência de notícias EFE revela que uma equipe internacional de astrônomos descobriu que a galáxia onde fica a Terra, a Via Láctea, abriga dezenas de bilhões de planetas rochosos que giram em torno de anãs vermelhas – estrelas cuja massa é menor que a do Sol.

O estudo, realizado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), contou com dados obtidos pelo espectrógrafo Harps, o “caçador de planetas” instalado em um telescópio de 3,6 metros do observatório La Silla, no Chile.

Segundo a pesquisa, é possível deduzir que nas vizinhanças do Sistema Solar, a distâncias inferiores a 30 anos luz, pode haver uma centena de “Super-Terras” (planetas com massa de uma a dez vezes superior à da Terra).

Esta foi a primeira vez que foi medida de forma direta a frequência de Super-Terras em torno de anãs-vermelhas, que representam 80% das estrelas de nossa galáxia. “Cerca de 40% de todas as estrelas anãs-vermelhas têm uma Super-Terra orbitando em sua zona de habitabilidade, uma região que permite a existência de água líquida sobre a superfície do planeta”, explicou o líder da equipe internacional, Xavier Bonfils.

Segundo o astrônomo do Observatório de Ciências do Universo de Grenoble (França), como as anãs vermelhas são muito comuns – há 160 bilhões delas na Via Láctea -, pode-se concluir que “há dezenas de bilhões de planetas deste tipo só em nossa galáxia”.

Durante as observações, realizadas durante um período de seis anos no hemisfério sul a partir de uma amostra composta por 102 estrelas anãs-vermelhas, os cientistas já descobriram um total de nove Super-Terras.

Os astrônomos estudaram a presença de diferentes planetas em torno de anãs-vermelhas e conseguiram determinar que a frequência de Super-Terras na zona de habitabilidade é de 41% em uma categoria que vai de 28% a 95%.

Por outro lado, os planetas gigantes – similares em massa a Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar – não são tão comuns ao redor de anãs-vermelhas, com uma presença inferior a 12%.

Segundo Stéphane Udry, do Observatório de Genebra, “a zona de habitabilidade em torno de uma anã-vermelha, onde a temperatura é apta para a existência de água líquida na superfície, está mais perto da estrela do que no caso da Terra em relação ao Sol”.

“Mas as anãs-vermelhas são conhecidas por estarem submissas a erupções estelares ou labaredas, o que inundaria o planeta de raios-X ou radiação ultravioleta: isso tornaria mais difícil a existência de vida”, acrescentou.

Por sua vez, Xavier Delfosse, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, indicou que agora que se conhece a existência de muitas Super-Terras próximas, “espera-se que algum desses planetas passe em frente à sua estrela anfitriã durante sua órbita em torno desta”.

“Isso abrirá a excitante possibilidade de estudar a atmosfera destes planetas e buscar sinais de vida”, concluiu.

Um dos planetas descobertos pelo espectrógrafo Harps é Gliese 667 Cc, o mais parecido com nosso planeta, e que com quase certeza reúne as condições adequadas para a presença de água líquida em sua superfície.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

Se algum desses bilhões de planetas tem água e condições semelhantes à da Terra, isso indica que lá também haverá vida. Assim, da mesma forma que sabemos com certeza que a vida na terra um dia vai acabar, agora temos confirmação de que não estamos sozinhos no Universo. Isso até mereceria um brinde.

31 de março de 2012
tribuna da internet

OS QUATRO PILARES DA IMPRENSA LIVRE

O comentarista Mario Assis em boa hora nos envia trechos do Manifesto de Albert Camus, genial jornalista, escritor e filósofo francês. O original foi publicado no “Soir Républicain” em Argel, em 25/11/1939, depois ficou esquecido e que só agora foi republicado pelo jornal “Le Monde” em 18/03/2012.

1. A LUCIDEZ pressupõe a resistência aos movimentos do ódio e ao culto da fatalidade. Essa visão clara das coisas exclui o ódio cego e o desespero que deixa estar. Um jornalista livre, não se desespera e luta pelo que acredita ser verdadeiro como se a sua ação pudesse influenciar o curso dos acontecimentos. Não publica nada que possa incitar ao ódio ou provocar o desespero. Tudo isso está em seu poder.

2. A RECUSA. Em face da maré de besteiras, é preciso igualmente opor algumas recusas. Nenhuma das limitações do mundo leva um espírito um pouco limpo a aceitar ser desonesto. Ora, por menos que conheçamos o mecanismo das informações, é fácil nos assegurarmos da autenticidade de uma notícia. É a isso que um jornalista livre deve dedicar a sua atenção. Pois, se ele não pode dizer o que pensa, pode não dizer o que não pensa ou o que acredita ser falso. E é assim que se mede um jornal livre: tanto pelo que diz como pelo que não diz. Essa liberdade bem negativa será, de longe, a mais importante de todas, se soubermos mantê-la.

3. A IRONIA permanece como uma arma sem precedentes contra os poderosos demais. Ela completa a recusa na medida em que permite não rejeitar o que é falso, mas muitas vezes dizer o que é verdadeiro. Um jornalista livre, em 1939, não tem muitas ilusões sobre a inteligência daqueles que o oprimem. Ele é pessimista no que diz respeito ao homem. A cada dez verdades ditas em tom dogmático, nove são censuradas. Essa disposição ilustra com bastante exatidão as possibilidades da inteligência humana. Um jornalista livre, em 1939, é, portanto necessariamente irônico, ainda que, volta e meia, a contragosto. Mas a verdade e a liberdade são amantes exigentes, pois têm poucos apreciadores.

4. A OBSTINAÇÃO. Com essa atitude de espírito brevemente definida, é claro que ela não se poderia sustentar de modo eficaz sem um mínimo de obstinação. Não são poucos os obstáculos à liberdade de expressão. Não são os mais graves deles que poderão desencorajar um espírito. É preciso reconhecer, porém, que há obstáculos desencorajadores: a constância na tolice, a covardia organizada, a ininteligência agressiva e por aí vai. Eis o grande obstáculo sobre o qual é preciso triunfar. A obstinação é aqui uma virtude cardeal. Por um paradoxo curioso, porém óbvio, ela se põe a serviço da objetividade e da tolerância.

31 de março de 2012
Albert Camus