"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 22 de março de 2013

SOBE PARA 31 O NÚMERO DE MORTOS EM PETRÓPOLIS. E DILMA SÓ PENSA NA REELEIÇÃO

Quatro rios que cortam o município de Petrópolis estão em estágio de atenção. Previsão é de chuva para a Região Serrana, segundo o Climatempo
 
Queda de barreira impede tráfego na Rua Oto Remares, no Alto da Serra, em Petrópolis Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Queda de barreira impede tráfego na Rua Oto Remares, no Alto da Serra, em PetrópolisGabriel de Paiva / Agência O Globo


Os quatro rios que cortam o município de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, entraram em estágio de atenção, segundo o site G1, na noite desta quinta-feira. Há risco de transbordamento no Piabanha, no Quitandinha, no Santo Antônio e no Palatinado, segundo o Sistema de Alerta de Cheias do Instituto estadual do Ambiente (Inea). De acordo com o Instituto Climatempo, a chegada de uma frente fria nesta sexta-feira, associada ao calor, pode ocorrer chuva forte no Rio e também na Serra.

Nesta quinta-feira, Petrópolis continuou resgatando corpos de vítimas do temporal ocorrido no domingo. O número de mortes provocadas pela chuva subiu para 31. Nesta quinta-feira, dois corpos foram encontrados no entorno do bairro Quitandinha, onde as buscas estão concentradas. Ainda há um desaparecido.
Familiares reconheceram os dois corpos localizados nesta quinta-feira por equipes do Corpo de Bombeiros em Petrópolis. As vítimas, que foram resgatadas na localidade Espírito Santo, são Pedro Fernandes, de 50 anos, e sua esposa Cristina Moltor Brender, de 41 anos. A casa onde eles moravam foi soterrada na noite do último domingo. Eles estavam junto com os filhos Nicolás e Letícia Brender Fernandes, respectivamente de 8 e 4 anos. Os corpos das crianças foram resgatados na última terça-feira e sepultados na noite de quarta-feira.

As buscas estão concentradas num ponto a três quilômetros de onde casas desabaram. Segundo o coronel Sérgio Simões, secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, as buscas em outros locais da cidade foram encerradas. Militares do Exército e cães farejadores auxiliam o trabalho doos bombeiros. Um retroescavadeira também é utilizada nas buscas.

Nesta quarta-feira, uma mulher que estava internada em estado grave morreu no hospital. Desde segunda-feira estavam sendo realizadas buscas na localidade Boca do Mato e a comunidade Alto do Independência, áreas onde famílias inteiras foram soterradas. Em Boca do Mato, por exemplo, sete integrantes de uma família foram soterrados, entre eles crianças e adolescentes. Na segunda-feira, apenas nesta região, oito corpos foram resgatados.

O secretário Sérgio Simões disse que estas duas áreas foram as mais afetadas pela chuva. Segundo ele, 120 homens do Corpo de Bombeiros, especializados em resgates em áreas de deslizamento, atuaram nestas regiões. Simões afirmou, ainda, que o maior problema detectado durante o trabalho de resgate é a instabilidades dos terrenos, já que o solo permanece úmido, e a lama chega à altura do joelho.

22 de março de 2013
Diego Barreto - O Globo

NO EXTERIOR, LULA PROMETE REPASSAR PEDIDOS PARA DILMA, A "LARANJA"


No exterior, o ex-presidente Lula participou de encontros privados entre políticos locais e empresários brasileiros, além de prometer levar pedidos a Dilma Rousseff, segundo telegramas do Itamaraty.

Em maio de 2011, Lula foi ao Panamá a convite da Odebrecht. Na agenda, visitas a obras da empresa com ministros, o presidente Ricardo Martinelli e a primeira-dama.

O diretor da Odebrecht no país ofereceu jantar em sua casa para Lula, Martinelli e os ministros da Economia, Obras Públicas e Assuntos do Canal.

Ao final do jantar, o ex-presidente prometeu levar três pedidos a Dilma, em encontro na mesma semana: maior presença da Petrobras no Panamá, um encontro entre os ministros dos dois países e a criação de um centro de manutenção da Embraer.

A Odebrecht obteve no Panamá contratos de US$ 3 bilhões. Cinco meses depois do jantar, engenheiros da construtora foram fotografados com um estudo de impacto ambiental sobre uma obra que só seria anexado à licitação três meses mais tarde.

A brasileira conquistou a obra de US$ 776 milhões e foi acusada de já saber do resultado previamente pela ONG Orgulho Panamá. "Há um sentimento geral de que a obra é motivada simplesmente por interesses especiais. O maior interesse comercial é da Odebrecht e políticos", diz, em nota, a organização.

Em julho de 2011, Lula esteve em Angola para um evento patrocinado pela Odebrecht --empresa que tem 20 mil funcionários no país.

"Quando era presidente, Lula não gostava do presidente de Angola, mas ganhou um bom dinheiro para dizer que está tudo bem no país, o que é importante para a elite corrupta", disse à Folha Rafael Marques, da ONG Maka Angola.

Em junho de 2011, Lula viajou em jato da Odebrecht para Caracas, na Venezuela. Lá, encontrou-se com "grupo restrito de autoridades e representantes do setor privado".

A conversa com o então presidente Hugo Chávez, morto este mês, ocorreu no momento em que o governo local devia cerca de US$ 1 bilhão à empreiteira por obras como a do metrô de Caracas.

Três dias após a visita, Chávez anunciou que as dívidas com a Odebrecht estavam "quase" resolvidas.

22 de março de 2013
FERNANDO MELLO e FLÁVIA FOREQUE - Folha de São Paulo

CORRUPÇÃO! EMPREITEIRAS PAGARAM QUASE A METADE DAS VIAGENS DE LULA AO EXTERIOR

Empreiteiras pagaram quase metade das viagens de Lula ao exterior

Quase metade das viagens internacionais feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após deixar o governo foi bancada por grandes empreiteiras com interesses nos países que ele visitou.

Todos eles ficam na América Latina e na África, de acordo com documentos oficiais obtidos pela Folha. As duas regiões foram prioridades da política externa do petista em seus dois mandatos.

No exterior, Lula promete repassar pedidos para Dilma

A assessoria do ex-presidente diz que ele trabalha para promover "interesses da nação" e não das empresas que bancam suas atividades.

Mas políticos e empresários familiarizados com as andanças de Lula disseram à Folha que ele ajudou a alavancar interesses de gigantes como Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht nesses lugares.

Um telegrama diplomático de novembro do ano passado, enviado ao Itamaraty pela embaixada do Brasil em Moçambique após uma visita de Lula, diz que ele ajudou empresas brasileiras a vencer resistências locais ao "associar seu prestígio" a elas.

Desde 2011, Lula visitou 30 países, dos quais 20 ficam na África e América Latina. As empreiteiras pagaram 13 dessas viagens. Na última terça-feira, Lula iniciou novo giro africano, começando pela Nigéria, e patrocinado por Odebrecht, OAS e Camargo.

O Instituto Lula não informa os valores que recebe das empresas. Estimativas do mercado sugerem que uma palestra no exterior pode render a Lula R$ 300 mil, sem contar gastos com hospedagem, comida e transporte.

Os nomes dos financiadores das viagens de Lula aparecem nos telegramas diplomáticos obtidos pela Folha.

As empresas negam ter pago as viagens de Lula para que ele defendesse seus interesses.

Dois procuradores da República, um delegado federal, um juiz e dois advogados disseram à Folha que não há, a princípio, irregularidades nas viagens por não haver lei sobre a atuação de ex-presidentes.

Em novembro de 2012, Lula viajou para quatro países (África do Sul, Moçambique, Etiópia e Índia). Segundo nota divulgada pelo Instituto Lula na ocasião, o objetivo era a "cooperação em políticas públicas e ampliação das relações internacionais", mas o telegrama da embaixada brasileira deixa claro que o assunto da viagem era outro.

As duas primeiras paradas foram pagas pela Camargo Corrêa. Em Moçambique, a empresa participou das obras de uma mina de carvão explorada pela Vale, que meses antes fora alvo de protestos de centenas de famílias removidas pelo empreendimento.

Segundo o telegrama da embaixada brasileira que relatou ao Itamaraty a visita de Lula, o ex-presidente contribuiu para reduzir resistências que as empresas brasileiras enfrentam em Moçambique.

"Ao associar seu prestígio às empresas que aqui operam, o ex-presidente Lula desenvolveu, aos olhos moçambicanos, compromisso com os resultados da atividade empresarial brasileira", escreveu a embaixadora Lígia Scherer.

Em agosto de 2011, Lula começou um tour latino-americano pela Bolívia, onde chegou "com sua comitiva em avião privado da OAS", como anotou o embaixador Marcel Biato em telegrama.

O primeiro compromisso foi um encontro com o presidente Evo Morales. Na época, protestos impediam a OAS de tocar uma rodovia de US$ 415 milhões. Foi um dos temas da conversa, dizem empresários da Bolívia que pedem sigilo.

La Paz cancelou o contrato, mas deu US$ 9,8 milhões como compensação à OAS.

Da Bolívia, ainda bancado pela OAS, Lula viajou para a Costa Rica, onde a empresa disputava uma obra de US$ 57 milhões. A OAS foi preterida após a imprensa local questionar o papel de Lula.

Após nove meses, a OAS ganhou a concessão da rodovia mais importante do país (negócio de US$ 500 milhões).

22 de março de 2013

FERNANDO MELLO e FLÁVIA FOREQUE - Folha de So Paulo

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Um fato inédito, politica e tipicamente brasileiro, falando português claro. Será que eu ignoro a visita de ex-presidentes da Europa, ou de outros continentes, ao Brasil, para tratar de assuntos do interesse de empresas privadas, que bancam despesas de viagens, hospedagens e outras mordomias, junto ao governo brasileiro?
Tudo está dito, e não é nas entrelinhas, mas nas linhas... Trata-se de 'lobismo' escancarado.
Será que vocês estão pensando o mesmo que eu?!
m.americo

O GLOBO DESCOBRE QUE MERVAL ESCREVE RECEITAS DE MIOJO DESDE 2005

 

Depois de encontrar erros em redações do Enem, os repórteres Lauro Neto e Leonardo Vieira foram promovidos ao cargo de Ombusdman do jornal O Globo. "Agora estou seguro de que meu sobrenome sempre será digitado corretamente", desabafou o diretor de Redação, Ascânio Seleme.

Após passar um rápido pente fino nas edições de arquivo, Neto e Vieira descobriram que Merval Pereira vem publicando receitas variadas nos penúltimos parágrafos de seus textos desde 2005. "Há indicações detalhadas de como fritar lulas, preparar tucanos à belle meunière, chucrutes, saladas, pizzas e até dicas de como se portar à mesa", informaram os intrépidos repórteres.

Como dedicatória, Merval escreveu uma receita de bolo para Aécio Neve
 
Indagado sobre o ocorrido, Merval ficou escandalizado e disse que teria que checar, pois também não chegava ao penúltimo parágrafo de seus textos.

No final da tarde, foi descoberto que Renato Maurício Prado insere a palavra "Zico" a cada quatro linhas desde que começou a escrever para O Globo. "O chato é que temos que ler o jornal e depois reler as mesmas coisas no blog do Noblat. O trabalho é dobrado", revelou Vieira.

22 de março de 2013
The i-Piaui Herald

CURTAS E GROSSAS

Political highlights

Dora Kramer:Itamar Franco tinha 27 ministérios, Fernando Henrique Cardoso, 24, por que Lula precisou de 37 e Dilma de 39 em vias de criar mais um e atingir o número 40, cuja simbologia não é das melhores?
 

Eliane Cantanhêde:Um dado relevante da pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade da presidente é o período de campo (minado para a oposição): os eleitores foram ouvidos de 8 a 11 de março, ou seja, exatamente em cima do Dia da Mulher e do pronunciamento em que Dilma anunciou, em tom de campanha, pela TV, o fim de impostos da cesta básica. Deve ter sido coincidência...
Ancelmo Gois: “[Nigéria, Guiné Equatorial, Gana e Benim] Esta visita de Lula a quatro países africanos é patrocinada pela Odebrecht e pela OAS.
 Em novembro, o ex-presidente foi a Moçambique a serviço da empreiteira Camargo Corrêa.

Hélio Schwartsman analisando o contraste entre as duas Coreias:Enquanto o norte fechou-se numa tirania comunista retrógrada, o sul experimentou uma ditadura de direita só um pouco menos brutal, mas que, a certa altura, foi capaz de abrir-se, promovendo reformas democratizantes, a começar pela educação. Essa é, provavelmente, a melhor demonstração possível de que as instituições fazem toda a diferença.
 
22 de março de 2013

OS CRAMULHÕES *... OU SEJA LÁ O QUE ISSO QUER DIZER...

TARADOS IDEOLÓGICOS DO PT QUEREM MATAR A LIBERDADE DE IMPRENSA. DEPOIS DISSO, FUZILARÃO OS DISSIDENTES
 
Como sempre o Reinaldo Azevedo vai ao ponto. Tanto é que decidi transcrever, após este prólogo, post que está no seu blog que é o líder absoluto de acessos. É claro que isto não é de graça. É porque Reinaldo está entre os poucos jornalistas que atuam na grande imprensa brasileira, no caso a revista Veja, que denunciam a tentativa do PT de amordaçar a imprensa.

O que é mais incrível é o fato de que a Federação Nacional de Jornalistas, a Associação Brasileira de Imprensa, os sindicatos de jornalistas - dentre eles o daqui do meu Estado de Santa Catarina -, os cursos de jornalismo, enfim, todas essas entidades representativas dos profissionais do jornalismo se calam. Não emitem um pio.

Por que? Ora, porque apóiam a censura à imprensa. Isto é algo inominável. Os jornalistas que comandam essas entidades apóiam a censura à imprensa! Pode? E eu respondo que sim. O nível de idiotismo dessa gente é algo incompreensível, surrealístico, inaudito e não há palavra que seja capaz de traduzir esse fato insólito e descabido. Estou afirmando uma verdade e desafio que me provem o contrário. Tenho mais de 40 anos de exercício profissional e juro que nunca vi uma coisa dessas, jornalistas defendendo a censura aos meios de comunicação.

Outro fato: podem procurar de todas as maneiras na internet que não irão encontrar mais do que meia dúzia de blogs independentes, editados por profissionais do jornalismo - se chegar a tanto -, como este aqui, que defendam a liberdade de imprensa e denunciem o desgoverno do PT e os esbirros do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada pelo amante da Rose.

E não encontrarão nas redes sociais nenhum jornalista profissional que use as fantásticas ferramentas de comunicação para lavrar seu protesto contra os coveiros da democracia que, sem qualquer pudor, como faz o Sr. Walter Pomar, chefete do PT, estimulam essa ensandecida cruzada contra a democracia e a liberdade.

Em uma década o PT conseguiu apodrecer o cérebro da maioria dos jornalistas brasileiros. Isso é algo assombroso e, sobretudo perigoso. E, por causa disso, a grande mídia brasileira em esmagadora maioria se transformou num diário oficial do governo do PT.

A censura pretendida pelo PT, face ao incontido adesismo dos veículos da grande imprensa, tem em mira - pasmem - apenas o último bastião do jornalismo brasileiro, que é a revista Veja. Na verdade, já estamos na mesma condição da Venezuela. Lá a Globovisión, que fazia jornalismo de verdade, teve a renovação de sua licença negada pelo governo chavista e não restou alternativa aos seus proprietários: foi vendida para um empresário ligado ao chavismo e se tornará mais um canal de televisão para mentir e promover a lavagem cerebral das massas. O objetivo de todos esses vermes comunistas que governam os países da América Latina mais adiante é executar no paredão todos os que ousarem emitir a mínima crítica.

Morta a liberdade de imprensa, mortos serão todos os que defendem a liberdade. Isto não é nenhuma teoria conspiratória. Isto é a mais pura e evidente verdade.

Os tarados ideológicos do PT e assemelhados serão num futuro breve, a menos que haja uma reação consequente das Forças Armadas, às quais está afeta a defesa da Constituição, os nossos algozes e assassinos!

Transcrevo o post Reinaldo Azevedo, uma das poucas vozes inteligentes e honestas da grande imprensa brasileira. Ele relata em breve post o que está acontecendo. E, acima, ilustrando este post a charge do incansável Sponholz, também ele, um dos poucos cartunistas brasileiros que não lambe o saco da vagabundagem comunista.

Leiam o que informa Reinaldo:
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que é petista desde 1984, transformou-se num alvo da ala heavy metal do PT. Nos bastidores, também dirigentes de alto coturno, como o presidente do partido, Rui Falcão, expressam a sua insatisfação. Motivo: o ministro não é um entusiasta das teses de controle da mídia.
Os petistas, como está consignado em documento oficial, querem ter o poder até sobre o conteúdo das notícias.

Em entrevista ao Estadão, o ministro afirmou que seu próprio partido está misturando regulação da área de comunicação com investimentos e destacou que “não há e nunca vai haver marco regulatório para jornais e revistas”.
 
Pra quê!?!?!? Virou alvo dos setores mais radicais, está sendo criticado nos bastidores pela turma de Falcão e se transformou em alvo dos blogs sujos, financiados por estatais, que babam antegozando a possibilidade de um dia poderem censurar o jornalismo, como se faz em Cuba, na Venezuela, no Equador, na Bolívia… Cada um desses excluídos da grande imprensa em razão de seu padrão moral se imagina batendo o chicote nas botas e dando as ordens na Globo, na VEJA, na Folha, no Estadão… Já nãos lhes basta encher as burras de dinheiro fazendo proselitismo partidário, demonizando a oposição e atacando a imprensa livre. Querem mais. Querem é censura. Voltarei ao tema mais tarde.
 
Nos dois primeiros anos, Dilma não permitiu que os pterodáctilos lançassem dejetos sobre a sua cabeça — embora tenha mantido intocado o sistema de financiamento estatal daquela sujeira. Nos dois anos finais, com ambições de ser reeleita, não parece que vá ceder à voz das trevas nesse particular. “E se for reeleita em 2014, sabendo que não poderá disputar um terceiro mandato?” Ah, bem, aí não sei. Cumpre ficar vigilante caso se reeleja.
 
Em seu blog, Valter Pomar, da ala esquerda do partido e membro de sua direção nacional, evidencia seu inconformismo: “Se coubesse adotar o termo “incompreensível” utilizado pelo ministro, poderíamos dizer que incompreensível é postergar para um futuro incerto o marco regulatório”.
 
Os petistas, como se nota, ainda não desistiram. Voltarei ao assunto mais tarde para demonstrar como setores da própria imprensa estão endossando métodos de pressão que um dia poderão resultar no estreitamento da sua liberdade. Aguardem.
 
22 de março de 2013
in aluizio amorim

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Cramulhão... Parece-me que tal termo pode ser aplicado a tudo o que fede. Um aterro sanitário pode ser chamado de "cramulhão". Por exemplo, se disséssemos: "Vejam aquele cramulhão!" Ou: "Esse sujeito é um 'cramulhão'. Pronto. Expressamos com exatidão, porque a extensão do termo permite uma grande variedade de interpretação. Fica a critério de cada um. Fede mais, ou fede menos...
m.americo

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Dilma terá de explicar por que comitiva torrou R$ 324 mil para encontrar o Papa Francisco no Vaticano

 
 
Foram nada franciscanos os gastos da Presidenta Dilma Rousseff e sua troupe para ver o Papa Francisco, no Vaticano. Só em comida o governo torrou 42 mil euros. Em hospedagem, foram para o espaço mais 102 mil euros, no Hotel Westin Excelsior - um dos mais luxuosos de Roma. No final das contas, a brincadeira custou cerca de R$ 324 mil aos cofres públicos.

O deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) vai cobrar do Palácio do Planalto e do Itamaraty informações detalhadas sobre o custo total da viagem da presidenta a Roma: "Isso é mordomia pura, é algo que choca. Presidente da República sair do Brasil, ir para uma missa, ficar três dias com uma comitiva desse tamanho, e pagar uma diária que custa R$ 7.700 é algo que choca. É um negócio inaceitável".

A comitiva oficial foi formada pelos ministros Antonio Patriota (das Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), Helena Chagas (Comunicação Social), e o embaixador do Brasil no Vaticano, Almir Franco de Sá Barbuda, que se incorporou ao grupo em Roma.

Pelo visto, Deus é brasileiro, mas o desgoverno tupiniquim parece um Diabo que veste Prada...

Inimigo íntimo

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, está PT da vida com companheiros radicalóides de partido.

A Executiva Nacional aprovou uma resolução classificando-o de privatista e traidor, por ter concedido incentivos fiscais de R$ 60 bilhões a empresas de telecomunicações no Programa Nacional de Banda Larga.

Injuriado porque o número correto é R$ 6 bilhões, o ministro chuta o balde em relação ao manifesto “Democratização da Mídia é Urgente e Inadiável”:

O governo tem feito esforço para reduzir impostos de vários setores, não só de telecomunicações. O esforço é para baratear investimentos. O PT, além de ser contra, errou o número”.

Energia para demitir...

A Petrobrás – com necessidade urgente de cortar custos – deve ser uma das primeiras a se aproveitar da decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a estabilidade no emprego para funcionários de estatais e empresas de economia mista.

Quando avançar em seu processo de reengenharia, a Petrobrás poderá mandar embora empregados que não aceitem cumprir funções mais pesadas – hoje a cabo de terceirizados, cujos contratos serão extintos em sua maioria.

O programa de incentivo a aposentadorias está quase pronto e deve anteceder a um mais drástico plano de demissões – voluntárias ou não.

Programa de Aceleração do Cramulhão

Assim deveria ser retraduzida a sigla PAC, diabólico conto do paco de um programa de aceleração do crescimento com obras superfaturadas, inconclusas e cheias de graves erros em projetos, causando prejuízos aos cofres públicos.

Causa espanto a notícia de que terão de ser demolidos pelo menos dois dos 11 prédios, erguidos em Niterói pela construtora Imperial Serviços Limitada, para abrigar sobreviventes da tragédia do Morro do Bumba, dentro do demagógico programa “Minha casa, minha vida”.

Enquanto a obra desanda, 268 pessoas, sendo 144 crianças, sobrevivem em meio ao lixo e sem condições de higiene em uma favela em que se transformou o glorioso 3º Batalhão de Infantaria (BI), em São Gonçalo – unidade que o empobrecido EB resolveu desativar.

Rebaixamento justificado

A Caixa foi uma das financiadoras da fracassada e atrasada obra – orçada em R$ 27 milhões.

Por essa e outras, torrando dinheiro público em negócios pretensamente sociais e sem qualidade, que a Caixa, o BNDES e a BNDESpar foram rebaixadas pela Agência Moody`s.

Agora, o motivo foi “a deterioração na qualidade de crédito intrínseca dos bancos” e o apoio deles às políticas anticíclicas (cheias de manipulação de grana e números) do governo Dilma.

Desobediência Civil



Por que não atacam o assassino correto?

A Assembleia Nacional dos Estudantes (ANEL), através de sua Executiva Regional do Rio de Janeiro, convoca todos os ativistas dos movimentos sociais a participarem da Marcha em Defesa da Educação, que será realizada logo mais, às 12h, na Candelária.

Revanchisticamente, a data da manifestação tem o objetivo de relembrar “o assassinato, há 45 anos atrás, do estudante Edson Luís de Lima Souto pelas forças do regime militar então instalado no Brasil”.

O que os estudantes deveriam aprender é que o verdadeiro algoz de Edson Luiz foi Antônio Carlos Pinto Faria Peixoto, falecido em 15 de Julho de 2012 e, na época do crime, militante do PCB.

Versão histórica correta

O nome do verdadeiro executor de Edson Luiz foi revelado pelo historiador Carlos Ilich Santos Azambuja, no texto A parcialidade escancarada.

Azambuja critica a reticência de Elio Gaspari sobre o assunto que confirma as atrocidades da esquerda radicalóide que desejava implantar o comunismo no Brasil pela via armada e pelo terrorismo:

“Por que Gaspari, um historiador, evita dizer o nome desse seu colega, de Faculdade e de partido, que disparou a arma? Esse é um segredo de polichinelo, embora jamais o autor da morte tenha sido processado por esse crime”.

Anistia para quem precisa

A Câmara dos Deputados aprovou ontem Projeto de Resolução da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que declara nula a resolução da Mesa da Câmara dos Deputados, adotada em 10 de janeiro de 1948, que extinguiu os mandatos dos deputados do Partido Comunista do Brasil.

A matéria foi promulgada em seguida pelo 1º vice-presidente da Câmara, deputado Andre Vargas (PT-PR).

Não demora, os familiares das “vítimas” acabarão beneficiados por alguma bolsa-ditadura com efeito retroativo...

Habemus Enem


Distância da Teologia?

A Igreja Batista do Bacacher, em Curitiba, resolveu dar uma bolsa de estudos, no curso superior de Teologia, para um dos "deuses" do narcotráfico na América Latrina.

Preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná, desde 2012, Luiz Fernando da Costa, mais conhecido como Fernandinho Beira-Mar, fazendo o curso à distância para Teólogo oferecido pela Faculdade Teológica Batista do Paraná – que é mantido pela Bacacher.

Como Beira-mas não obteve permissão para usar a internet, tem de utilizar apostilas semestralmente enviada ao presídio de segurança máxima.

Bons estudos

O tempo do curso, cuja mensalidade normal é de R$ 242, é de 3.180 horas com previsão de conclusão em quatro anos.

A cada 12 horas de estudo, Beira-Mar terá direito à reduzir em um dia a pena, conforme a Lei n.º 12.433/2011.

Bem que a turma do Foro de São Paulo – que tinha Beira-Mar entre seus membros associados às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – podiam dar uma estudada em questões ligadas a Deus para ver se rompem seu pacto com o Diabo do Capimunismo...

Prada pra que te quero?


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
22 de março de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
alerta total

HÁ 60 ANOS, MORRIA ESCRITOR STALINISTA ( 2 )

Perseguir em Viagem este preito stalinista até o fim, tornar-se-ia monótono. Passemos a uma consideração final do autor:

“Meses depois, no meu país, homens sagazes e verbosos censurar-me-iam a ignorância a respeito da União Soviética. Tinham-me os guias exibido coisas necessárias à propaganda e eu, ingênuo, acreditara nelas. Indispensável aceitar verdades ocultas abaixo das aparências brilhantes. E, sem nunca ter ido à URSS, explicar-me-iam, generosos, horrores medonhos, trabalhos forçados, enxovias horríveis, fuzilamentos diários. Seria preciso admitir que as moças do Teatro Paliachivili e a menina do Instituto Marx-Engels estavam nesses lugares para enganar-me. Os transeuntes eram impostores, a serviço da polícia. As fábricas, as escolas, os palácios de pioneiros, tudo logro. Venenos do socialismo”.

Por ironia, esta irônica hipótese de Graciliano é a que acaba se configurando como a realidade da época stalinista. No XX Congresso, três anos após a morte do escritor e de seu deus, Kruschev abre as cortinas do grande teatro e revela a face do mais operoso assassino do século. Como pode Graciliano ter-se deixado embarcar em tal canoa? Wilson Martins, ao analisar suas contradições, em O Modernismo, parece tê-lo entendido:

“Uma análise pormenorizada dessas contradições não poderia ignorar um tema que, por enquanto, deixo de lado: esse individualista e esse clássico tornou-se militante do Partido Comunista, no qual via, bem entendido, apenas os aspectos idealísticos e programáticos. O seu livro de turismo à União Soviética é, nesse particular, extremamente revelador: não me parece temerário supor que a realidade comunista, uma vez instalada no Brasil, causar-lhe-ia a mesma repugnância que a realidade republicana (no sentido radicalista da palavra). Viagem é, do começo ao fim, um livro de evasão: não de evasão do Brasil, mas de evasão da própria viagem que o escritor realizava. Não será preciso grande acuidade psicológica para perceber que Graciliano Ramos esforça-se subconscientemente, não apenas para aceitar o que lhe contam e o que lhe mostram, mas para sufocar qualquer veleidade de espírito crítico ou de curiosidade inoportuna. Tocando a Terra Prometida, ele eliminou, por um processo muito simples de sublimação psicológica, qualquer contato com o mundo imediato e com ele próprio: Graciliano Ramos não via a URSS da geografia, da política ou da sociologia, viu a URSS tal como ela se configura no mito mental que os comunistas do mundo inteiro e nomeadamente os do Brasil elaboraram pouco a pouco em anos e anos de diáspora imaginária”.

Não é difícil entender este movimento psicológico. Imaginemos um escritor de talento, isolado em um obscuro rincão de qualquer país, em nosso caso, o Brasil. Seu talento não é reconhecido em nível merecido e sua recompensa é o cárcere. Um belo dia, é convidado pelos dirigentes de uma prestigiosa revolução a visitar o paraíso terrestre. Neste éden ignoto, onde é recebido com tapetes vermelhos, mal chega já lhe perguntam quais de seus livros devem ser traduzidos na sociedade ideal. A qual escritor não comoveria tal convite?

Amargas são as marcas deixadas pelo Brasil em Graciliano. De que jeito vivem em sua terra? — pergunta-lhe uma advogada. O alagoano não se furta a explicar:

“Caí num monólogo triste, falando interiormente às deliciosas vizinhas erguidas no fim da platéia. Isso mesmo. Entalam-nos o crânio, somos coagidos a não pensar direito: as nossas idéias se esfarelam, espalham-se em torno de pequenas misérias. E nem só os pensamentos se reduzem. Os corpos também se aniquilam, nas prisões e fora delas. Uma prensa invisível nos comprime. O ar em nossa terra é denso, pesado; às vezes necessitamos esforço para respirar. E até isso nos roubam, estragando-nos os pulmões: ao sair da cadeia, estamos tuberculosos. Como vivemos? Propriamente não vivemos: aquilo não é vida. Quando entramos na Colônia Correcional, dizem-nos — “Não vêm corrigir-se. Vêm morrer. E ninguém tem direitos. Nenhum direito”. Espanta-nos a franqueza. Numa existência de animais, ficamos semanas em jejum completo. Descerram-se enfim as grades, vemos o Sol. Não realizaram, pois a ameaça? Não nos mataram? Em parte, realizaram: estamos na verdade quase mortos. Ganhamos cabelos brancos e rugas. Assim tão fracos, tão velhos, não conseguiremos trabalhar. Arrasaram-nos”.

Segunda ironia na viagem do Velho Graça: tentando descrever o Brasil a partir de sua experiência pessoal, na verdade descreve a sociedade dos gulags, da qual é hóspede privilegiado.

Tão intensa é sua vontade de crer, que vê como grande avanço do socialismo a aniquilação das diferenças individuais. Em Moscou, pergunta à sua guia se uma transeunte próxima seria empregada em oficina ou repartição pública. A senhora Nikolskaya, moscovita, não consegue satisfazer-lhe a curiosidade: “É impossível saber. Não achamos distinção”. O viajante cede então ao utópico sonho de Lênin, o da sociedade em que o pedreiro seria também engenheiro:

“Um ofício não é superior a outro — e os homens tendem a uniformizar-se. Essa idéia choca o nosso individualismo pequeno-burguês: achamos vantagens nas discrepâncias, receamos tornar-nos rebanho. E nem vemos que somos um rebanho heterogêneo, medíocre, dócil ao proprietário. Queremos guardar o privilégio imbecil de não nos assemelhar-nos ao vizinho. Enfraquecendo-nos, julgamo-nos fortes. Realmente, somos bestas”.

O gesto é de contrição.

Antes de regressar ao Brasil, nas proximidades do aeroporto de Moscou, o escritor tira o chapéu à horrenda arquitetura que nos legou Brasília. Vê casas e, intimamente, propõe a destruição delas:

“Há na vizinhança do aérodromo casinholas de madeira, lastimosas, lôbregas, a cair de velhice. Não exibem realmente a miséria das nossas favelas, mas tristes, feias, abrigam enorme desconforto. Vestígios de outras épocas, impressionam mal o visitante. Próxima se eleva a universidade, imensa, e isto aumenta a penúria dos infelizes pardieiros. Conveniente destruí-los, pensei, evitar-nos a visão molesta. O prejuízo não seria grande: os habitantes das minguadas velharias, pouco numerosos, achariam sem esforço asilo noutros lugares, e os estrangeiros de maus instintos, resolvidos a torcer o nariz ao socialismo, perderiam num instante aparências de razões badaladas com rigor lá fora: os indivíduos aqui não têm onde morar: na cidade enorme, sete milhões de criaturas se alojam a custo, várias famílias arrumando-se num quarto miúdo. Estupidez, é claro. Mas por que não suprimir a causa da estupidez?”

O cauteloso escritor que se recusa a escrever sobre um mosteiro em Sukhumi, cidade balneária, porque “não me aventuro a expor conhecimentos arranjados à pressa, numa carreira de oitenta quilômetros por hora”, mal passa alguns dias em uma cidade de sete milhões de habitantes, com passeios orientados a palácios e museus, sente-se à vontade para escrever que é estupidez afirmar que os sete milhões de moscovitas habitam mal. Haja fé.

A senhora Nikolskaya, com ar de forte desprezo, o esclarece:

“— Estão aí as belezas do individualismo”.

O ensejo de Graciliano Ramos cumpriu-se. As belezas do individualismo não mais existem em Moscou. Todo moscovita, Nomenklatura à parte, vivia em blocos cinzas de concreto, e o problema habitacional persistia ainda nos dias de regime marxista, a ponto de jovens combinarem casamentos brancos com o fim exclusivo de obter do Estado alguns parcos metros quadrados. E o que é pior: a desoladora arquitetura staliniana acabou sendo transplantada para o Planalto Central brasileiro e, salvo terremoto ou bomba atômica, ali restará séculos afora.

Ao final da viagem, em Gagra, vilarejo às margens do Mar Negro, os anfitriões mais vez cobram o escritor. Uma professora lhe pergunta se não vai escrever um livro sobre a União Soviética.

“Não sei, minha senhora. Acho que não. Faltam-me observações, demoro pouco”.

Na despedida, na Geórgia, Leonidze, presidente da União dos Escritores — a quem o convidado oficial da VOKS (Sociedade para as Relações Culturais da URSS com os Países Estrangeiros) dedica um capítulo, indignado com a imprecisão de seus informes — afirma que a viagem renderá a ele, Graciliano, um livro.

“— Muito difícil. Ignorância completa”.

Mas renderia, ainda que póstumo. E o criterioso Graciliano, que recusava dobrar-se aos ditames de Zdanov, acaba escrevendo uma obra-prima de realismo socialista. Enquanto suas ficções não são ficções, mas a realidade do homem nordestino, seu relato de viagem não é real, mas ficção pura, e das mais infelizes.

Sobrevivesse Graciliano ao XX Congresso, qual seria sua atitude? Ignoramos. Era, sem dúvida alguma, um homem íntegro. Mas a necessidade de crer em algo é mais forte, no homem, do que sua coerência.
22 de março de 2013
janer cristaldo
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HÁ 60 ANOS, MORRIA ESCRITOR STALINISTA ( 1 )


Admiradores que me desculpem, mas Graciliano foi mais um dos escritores do século passado que venderam sua alma em troca de uma viagem a Moscou. A primeira frase da carta enviada de Moscou, datada de 1º de maio de 1952, diz tudo e dispensaria mais comentários:

“Clarita, Luísa, Ricardo: cá estamos na Terra Santa”.

O seco Graciliano, de repente, vira místico desbordado.

Em Moscou, encontrará Jorge Amado, já Prêmio Stalin. Tudo é festa e deslumbramento.

“Tenho bebido vodca, ido várias vezes ao Kremlin, à Praça Vermelha, visto a Catedral de São Basílio e o túmulo de Lênin. Ontem visitei a VOKS: doces, frutas, vinho, arranjo do programa, discurso do Presidente, um professor de cabeça pelada. À noite, Romeu e Julieta no teatro Bolshoi, com Ulanowa no papel de Julieta. Havia talvez mais de duzentas figuras. Nunca imaginei coisa semelhante. Hoje, a festa para que fomos convidados. O desfile começou às dez horas e deve ter-se prolongado até sete da noite. Deixamos o Kremlin às três horas. Víamos, de longe, com dificuldade, a cabeça de Stalin. Furor de aplausos na multidão”.

Graciliano apanha então binóculos para melhor ver seu deus:

“Subi à última plataforma exterior do Kremlin, fui andando para a esquerda, cheguei a poucos metros do túmulo de Lênin, no momento em que Stalin ia subindo a escada. Aproximei-o com o binóculo. Está velho, gordo e curvo. Nessa altura um tipo se avizinhou e quis tomar-me o binóculo. Fingi não entendê-lo. ‘Sou estrangeiro, não compreendo o russo’. Stalin passou. Recuei dez metros, quis examinar os figurões que estavam ali a pequena distância; outro guarda, falando e gesticulando, deu-me a entender que era proibido usar binóculos. Ignoro o motivo desta proibição”.

Antes de passarmos à entusiástica transcrição deste episódio em Viagem, cabe determo-nos alguns segundos em uma frase de sua carta:

“Enquanto as organizações operárias desfilavam, Kaluguin perguntou-me quais os meus livros que deveriam ser traduzidos em russo. Talvez nenhum, respondi. E expliquei minha divergência com o pessoal daí”.

As divergências de Graciliano se referem ao zdanovismo. O alagoano se recusava a submeter-se às normas do realismo socialista, tentação à qual não resistiu Amado. Importante sublinhar nesta frase de Graciliano a proposta da edição de livros.

Afirmar que a fortuna internacional de escritores como Graciliano e Amado deve-se mais às suas relações com o Partido do que a seus talentos é enunciar o óbvio. Mas trata-se de um óbvio sacrílego, pois implica afirmar que tais escritores utilizaram o partido como agência publicitária, ou que o Partido os utilizou como agentes publicitários.

De qualquer forma, fica claro na carta de Graciliano que as traduções são decorrência da viagem, e ninguém recebe mordomias gratuitamente. O sucesso de Amado na Europa, por exemplo, decorre de suas primeiras traduções em russo. Da URSS, Amado passa à extinta RDA, de onde Meyer-Clason, seu tradutor, o puxa para a Alemanha Ocidental. Só depois sua literatura chegará a Paris e demais países europeus. Em Viagem, Graciliano volta ao tema e concluí que seus livros em nada interessariam àqueles homens.

“São narrativas de um mundo morto, as minhas personagens comportam-se como duendes. Na sociedade nova ali patente, alegre, de confiança ilimitada em si mesma, lembrava´me da minha gente fusca, triste, e achava-me um anacronismo. Essa idéia, que iria assaltar-me com freqüência, não me dava tristeza. Necessário conformar-me: não me havia sido possível trabalhar de maneira diferente: vivendo em sepulturas, ocupara-me emrelatar cadáveres”.

Ignoraria Graciliano os milhões de cadáveres que o stalinismo já havia amontoado? Muita tinta já rolara no Ocidente em torno às purgas, deportações e campos de concentração. Mas crente que se preza não quer ver. Ao crente, basta crer.

Uma ligeira dúvida perpassa o espírito de Graciliano e seus companheiros ao verem a cidade cheia de retratos de Stalin, “a demonstração de solidariedade irrestrita não impressionava bem o exterior”. Mas a senhora Nikolskaya, a guia, julga tal observação leviana e absurda, para consolo dos crentes:

“Nenhum russo admitia que as coisas se passassem de outra maneira. Essa réplica, isenta de motivos era, no meu juízo, superior a um longo discurso esteado em razões. Estávamos diante de um fato, e condená-lo à pressa, ao cabo de alguns passeios na rua, parecia-me ingenuidade. Com certeza ele era necessário, e devíamos, antes de arriscar opinião, investigar-lhe a causa. Realmente não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um presidente de república na América do Sul. Não temos em geral nenhum respeito a esses indivíduos”.

Para o escritor alagoano, Stalin é o “estadista que passou a vida a trabalhar para o povo, nunca o enganou. Não poderia enganá-lo. Esforçou-se por vencer o explorador, viu-o morto — e seria idiota supor que, alcançada a vitória, desejasse a ressurreição dele. É, desde a juventude, um defensor da classe trabalhadora. Esta expressão, razoável há trinta e cinco anos, tornou-se desarrazoada, pois aqui já não existem classes”.

Graciliano está há poucos dias em Moscou, não fala o russo, tem roteiros rígidos de passeios e visitas, e já afirma peremptoriamente que não mais existe na Rússia uma sociedade de classes. Vista de nossos dias, sua afirmação é de uma ingenuidade atroz. Independentemente desta distância crítica, nada permite a um homem que pensa, fazer tais ilações generalizantes a partir de tão parca experiência do povo soviético. Sem falar que Graciliano nada entendia do russo.

O seco criador de Paulo Honório, inimigo de adjetivações supérfluas, passa a cultivar os adjetivos:

“Não admitimos nenhum culto a pessoas vivas, perfeitamente: a carne é falível, corruptível, inadequada à fabricação de estátuas. Mas não se trata de nenhum culto, suponho: esse tremendo condutor de povos não está imóvel, de nenhum modo se resigna à condição de estátua. Homens embotados, afeitos à corrupção e à fraude, percebemos isto: a massa tem confiança absoluta nele e manifesta a confiança impondo-lhe a obrigação de admitir as ruidosas aclamações e os retratos. (...) Agradecimentos e louvores palpitam na alma da multidão, e recusá-los seria uma ofensa, um erro que nenhum político bisonho cometeria”.

Stalin, modesto dirigente, é coagido a aceitar a religiosa adoração das massas agradecidas. E Graciliano, que sequer pode olhar para Stalin com binóculos, chega à conclusão que “este tremendo condutor de povos” não é o monstro que o Ocidente imagina:

“Deixavam-me passar. E deixavam-me subir a escadaria, galgar as insignificantes barreiras de meio metro, avizinhar-me do homem que a burguesia odeia com razão. Stalin não vive numa toca, defendida por metralhadoras e canhões”.

O homem que, em rápido turismo por Moscou, afirma não mais existir a sociedade de classes na União Soviética, mais adiante nos alerta para o perigo das generalizações. É quando passeia pelos jardins do Kremlin, em meio a “cinzas preciosas”. Lá estão as de John Reed, americano, portanto inimigo, pelo menos em princípio. Mas Reed escreveu a grande reportagem da Revolução. Logo, “esse nome nos enche de sentimentos bons. Perigoso entregar-nos a generalizações feitas à pressa. Nem toda a gente na América deseja aniquilar a humanidade com bombas atômicas e bactérias. Não vamos responsabilizar duzentos milhões de indivíduos, oito milhões e meio de quilômetros quadrados, porque um oficial de instinto ruim tentou furtar uma estatueta amarela no Hotel Savoy”.

Ao visitar o Kremlin, o espírito de Graciliano é tomado por sensações místicas (os itálicos são nossos):

“...pisamos o núcleo de Moscou, a cidadela venerável exposta de longe ao mundo com júbilo ou furor, conforme as circunstâncias. Sim senhores. Estamos dentro dela — e as pedras santas das muralhas não caíram em cima de nós para esmagar-nos, estorvar a profanação”.

“É verdade: miseráveis sapatos americanos, brasileiros, pezunham na terra sagrada por diversas razões. Estamos no Kremlin”.

Ante a guia que lhe narra a história do castelo, Graciliano sente-se “aluno chinfrim, seguro o lápis e o caderno, abro os olhos e os ouvidos, quero aprender”.

“Andamos noutros refúgios de religião, transformados em museus, vemos riquezas semelhantes às do primeiro, ouvimos datas, noções peregrinas, toda uma santa arqueologia que a revolução guardou com zelo piedoso”.

Sala de São Jorge: “o Deus dele não podia equiparar-se ao Deus existente na Catedral de S. Basílio, fora do Kremlin”.

Iríamos muito longe se enumerássemos as evocações religiosas suscitadas em Graciliano por sua visita ao Kremlin. Passemos então à visita do escritor ao berço em que nasceu o novo Deus, a cidade de Gori: “o monumento a que nos referimos é apenas uma casa miúda, de tijolos nus, sem reboco”.

Nos dois quartos que perfazem apenas dois metros, morava o velho Djugatchivili, sapateiro. Joseph nasce em 1879 e destinava-se à profissão religiosa, já que o ofício de sapateiro rendia pouco. Troque-se o sapateiro por marceneiro, a cabana por manjedoura, coloque-se uma nova no firmamento, adicione-se mais três magos, e essa história já conhecemos. Olhando o ambiente, inconscientemente, o Velho Graça — como era chamado por seus amigos — chega a trair-se: “Onde estava a cama do menino?”


22 de março de 2013
janer cristaldo

MEC AVALIZA ANALFABETISMO

Redações que receberam nota máxima na avaliação do Enem 2012 (Exame Nacional do Ensino Médio) tinham erros de ortografia, como "rasoavel", "enchergar" e "trousse", informou o jornal carioca O Globo. As "melhores" redações do Enem têm erros de ortografia, concordância verbal, acentuação e pontuação. Estes textos tiveram a nota máxima - 1000 - na avaliação do MEC (Ministério da Educação). Os textos recebidos tinham problemas de acentuação em palavras como indivíduo, saúde, geográfica e necessário, além de algumas frases não terem ponto final.

Em uma das redações analisadas, o candidato erra duas vezes a concordância. Escreve, por exemplo, "essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão". O estudante conjuga ainda o verbo haver, no sentido de existir, no plural: "É fundamental que hajam (sic) debates".

Para o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), uma redação nota máxima pode apresentar alguns desvios nas competências avaliadas. Segundo a nota enviada ao jornal, "um texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua portuguesa".

E ainda há quem se espante. Na Universidade Federal de Santa Catarina, encontrei meninas em final de curso que grafavam “eu poço”. Professor algum as reprovava. Eu as reprovei. A crise surgiu quando reprovei a sobrinha de um deputado. Nossa! Veio o departamento todo em cima de mim, mais o grêmio de alunos e inclusive a reitoria. Havia uma conspiração toda para aprovar uma analfabeta, só porque era sobrinha de um deputado. Mais tarde, só bem mais tarde, fui saber que já haviam sido emitidos trezentos convites para sua festa de formatura. Seria a festa do ano em Florianópolis. Não foi.

Tive não poucas alunas em final de curso cometendo esse tipo de erro. Não tinham condições sequer de entrar na universidade e estavam prestes a dela sair, aptas para o magistério. Que se pode esperar de tal ensino? A universidade quer clientela e escancara generosamente suas portas.

Leitores estão perplexos com os alunos do ENEM. Nos anos 80, quem estava perplexo era eu, com minhas quartanistas. Mas como exigir conhecimento do vernáculo de alunos, quando jornalistas – profissionais que lidam com a palavra – já não conseguem mais distinguir o L do U? Não passa dia em que não encontremos, nos jornais, mal por mau e vice-versa. Isso sem falar no infame “confraternizar-se”, que parece estar virando norma.

Sob a rubrica “Nossa imprensa desvairada”, tenho denunciado as barbaridades que eventualmente me caem em mãos. Outro dia, encontrei no UOL esta beleza: miquitórios. Veja tem sido mais o veículo mais imune ao analfabetismo. Mesmo assim, em uma edição on line de 2010, encontrei artigo em que o redator grafa pelo menos oito vezes “a enfisema”. É o moderno cacoete de achar que palavra que termina em A é sempre do gênero feminino. Ainda na UFSC, encontrei alunas que falavam em “a esperma”.

Não bastasse isso, a peste já está contaminando a pós-grad. Comentei outro dia artigo da CartaCapital, de autoria do Dr. Leonardo Massud, que se assinava como advogado criminal, professor de Direito Penal da PUC-SP, mestre e doutorando pela PUC-SP, pós-graduado em Direito Penal Econômico e Europeu pela Universidade de Coimbra, autor do livro “Da Pena e Sua Fixação: Finalidades, circunstâncias e apontamentos para o fim do mínimo legal”. E que no entanto grafava “mal vizinho”, “mal pagador”.

A mais curiosa pérola, no entanto, não foram erros de grafia. E sim o de um aluno que, numa redação sobre imigração no Brasil no século XXI, lá pelas tantas escreveu uma receita de miojo.

Nos dois primeiros parágrafos, o concorrente discorre normalmente sobre o tema em questão. No entanto, entra no próximo período descrevendo um "passo a passo" para cozinhar o alimento. Ele escreve: "Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva".

Após o trecho, ele retoma os movimentos imigratórios e encerra o texto de forma adequada. Teve 560 pontos. A meu ver, os examinadores foram mesquinhos. Minha nota seria a máxima, 1000. O aluno demonstrou senso de humor. Ou talvez tenha pretendido encher lingüiça para completar o número de linhas exigido. Sem falar que o Vladimir Safatle ou o Tarso Genro em muito tornariam seus artigos mais inteligíveis se, cá e lá, intercalassem uma receita não digo de miojo, mas talvez de churrasco ou tutu.

Outro aluno, de São José do Rio Preto, no interior paulista, escreveu o hino do Palmeiras inteiro. E tirou 500 – quase metade (48,4%) dos inscritos não conseguiram esse desempenho em 2012. O texto, postado em sua página no Facebook, ainda tem palavras grafadas de maneira errada – como “hostenta”. Nesta altura, o problema não é mais dos alunos, mas dos corretores. Devem estar lendo as provas em diagonal, ou nem mesmo lendo.

Fiz brincadeira semelhante em meus dias de faculdade. Em meu vestibular, na prova de francês, sei lá a propósito de quê, escrevi: “Où est la vraie beauté? Dans le mugir d’un boeuf ou dans le sourire d’un enfant?” Passou. Mais tarde, na disciplina de História da Filosofia, dissertando sobre a enteléquia aristotélica, acrescentei sem mais nem menos ao final de um período: “azar, azeite, azia”. Eu desconfiava que o professor não lia os trabalhos e queria testá-lo. Não deu outra. O professor não tugiu nem mugiu.

A propósito, quem conhece hoje esta expressão. Nem os lexicógrafos, ao que parece. No portal eletrônico “Nossa Língua Portuguesa”, encontro: “No momento não dispomos de definição para a palavra sem tugir nem mugir. Ou a grafia está incorreta ou essa palavra ainda não consta em nossos bancos de dados”.

Quando o dicionário Houaiss aceita a forma “adéqua” na conjugação de adequar, que se pode esperar de um aluno que faz o ENEM? Se o latim corrompido gerou a última flor do Lácio, qualquer dia o brasileiro ainda gera uma nova língua.


22 de março de 2013
janer cristaldo