"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 21 de abril de 2013

TIRADENTES : UM HERÓI NACIONAL E UMA FIGURA RARA

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, nasceu em 16 de julho de 1746 e foi executado em 21 de abril de 1792


Um dos raros consensos de nosso tempo é o da ausência de heróis, de gigantes na paisagem humana e intelectual deste início de século, disse Carlos Heitor Cony em crônica escrita para a Folha de São Paulo em maio de 2004. No texto, o escritor ainda complementou seu pensamento afirmando que, se os heróis contavam com pouco espaço na história e nas cabeças das pessoas, os vilões não tinham esse problema: reis dos noticiários, esses têm vida breve e atuação datada, mas, enquanto estão atuando, roubam a cena de tal forma que fica impossível ignorá-los. Na ocasião, Cony citou Waldomiro Diniz, Cachoeira, Celso Pitta e Paulo Maluf. Não é difícil presumir que, fosse escrito hoje, o texto citaria Delúbios e Valérios.
Apesar da ausência de heróis na memória dos brasileiros, agravada pela tímida atenção que recebem dentro das salas de aula e nos livros escolares, algumas figuras ilustres se destacam e parecem ter seus feitos históricos bem claros para a maioria dos cidadãos. É o caso de Tiradentes – herói com direito a feriado nacional, o que torna mais fácil a sua memorização e valorização.

A ocorrência Tiradentes aparece aproximadamente 2.160.000 vezes no buscador Google, o que mostra que não é difícil encontrar dados relacionados a essa personalidade, diferente do que acontece com outros grandes nomes da história brasileira.

O fim da vida de Joaquim José da Silva Xavier, que viveu no século XVIII lutando pela independência do Brasil em meio à dominação dos portugueses, remete a questões relacionadas à impunidade que observamos ainda hoje no país. Quando a Inconfidência Mineira foi delatada, em 1789, por Joaquim Silvério dos Reis, seu líder Tiradentes não contava com influências políticas ou econômicas suficientes para reduzir a sua pena. Alguns filhos da

aristocracia foram condenados a penas mais brandas quando houve o julgamento dos inconfidentes em 1792. Os castigos podiam ser, por exemplo, o açoite em praça pública ou o desterro. A Tiradentes – e apenas a ele, entre todos os membros da Inconfidência – restou a execução, em 21 de abril de 1792, e ainda a exposição de partes de seu corpo em postes da estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada, seus bens foram confiscados e seus descendentes foram declarados infames.
Se ainda hoje nota-se e protesta-se contra o tratamento vip dado a presos que têm boas condições financeiras ou influências – ou ambos – em outros quesitos o Brasil atual é bem diferente da terra habitada por Tiradentes. Ele nasceu em 1746 na Vila de São João Del Rey, hoje a cidade mineira que leva o seu apelido – Tiradentes – e foi criado em Vila Rica – hoje Ouro Preto. Nessa época não havia no país constituição nem o direito de desenvolver indústrias em território brasileiro, e os impostos cobrados do povo pela metrópole eram extorsivos e provocavam revolta.

Tiradentes ficou órfão cedo, aos 11 anos. Trabalhou como mascate, pesquisou minerais e foi médico prático. Diz-se que tinha a habilidade de extrair dentes e colocar novos que ele mesmo fazia. Como militar, pertenceu ao Regimento dos Dragões de Minas Gerais. No posto de alferes comandava uma patrulha de ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos.

A conspiração representada pela Inconfidência Mineira agregou militares, escritores de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes e, influenciada pela independência dos Estados Unidos em 1776, tinha como principais idéias proclamar uma república independente, com a abolição imediata da escravatura; construir uma universidade; promover o desenvolvimento da educação para o povo e outras reformas sociais. O movimento planejava chamar o povo para protestar no dia em que o governo fizesse a chamada derrama – nome dado à cobrança de impostos – mas não chegou a se concretizar, devido à traição de Joaquim Silvério dos Reis, que se passou por companheiro para denunciar o grupo.

Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1938, a cidade de Tiradentes apresenta um acervo barroco que permaneceu escondido por muito tempo e hoje está sendo visto por visitantes de diversas origens. Entre seus pontos turísticos principais estão capelas construídas no período em que viveram os membros da Inconfidência – algumas foram habitadas por padres que participaram da conspiração – e o casarão da prefeitura, construído em 1720.

Templos históricos que remetem ao período vivido por Tiradentes, entre igrejas, museus e construções. Estão entre as atrações o Museu do Aleijadinho, o Museu da Inconfidência – que reúne documentos relacionados à Inconfidência – e 19 igrejas e capelas. A cidade foi também tombada como Patrimônio Nacional, em 1938, e declarada Patrimônio Cultural da Humanidade em 1980 pela Unesco.

12 de abril de 2013
opinião e notícia

DILMA NÃO DIZ COISA COM COISA


Já se tornou proverbial a dificuldade que a presidente Dilma Rousseff tem de concatenar ideias, vírgulas e concordâncias quando discursa de improviso. No entanto, diante da paralisia do Brasil e da desastrada condução da política econômica, o que antes causaria somente riso e seria perdoável agora começa a preocupar. O despreparo da presidente da República, que se manifesta com frases estabanadas e raciocínio tortuoso, indica tempos muito difíceis pela frente, pois é principalmente dela que se esperam a inteligência e a habilidade para enfrentar o atual momento do País.
No mais recente atentado à lógica, à história e à língua pátria, ocorrido no último dia 16/4, Dilma comentava o que seu governo pretende fazer em relação à inflação e, lá pelas tantas, disparou: "E eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo". Na ânsia de, mais uma vez, assumir para si e para seu chefe, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, os méritos por algo que não lhes diz respeito, Dilma, primeiro, cometeu ato falho e, depois, colocou na conta das "conquistas" do PT o controle da inflação, como se o PT não tivesse boicotado o Plano Real, este sim, responsável por acabar com a chaga da inflação no Brasil. Em 1994, quando disputava a Presidência contra Fernando Henrique Cardoso, Lula chegou a dizer que o Plano Real era um "estelionato eleitoral".
Deixando de lado a evidente má-fé da frase, deve-se atribuir a ato falho a afirmação de que a inflação é "uma conquista", pois é evidente que ela queria dizer que a conquista é o controle da inflação. Mas é justamente aí que está o problema todo: se a presidente não consegue se expressar com um mínimo de clareza em relação a um assunto tão importante, se ela é capaz de cometer deslizes tão primários, se ela quer dizer algo expressando seu exato oposto, como esperar que tenha capacidade para conduzir o governo de modo a debelar a escalada dos preços e a fazer o País voltar a crescer? Se o distinto público não consegue entender o que Dilma fala, como acreditar que seus muitos ministros consigam?
A impulsividade destrambelhada de Dilma já causou estragos reais. Em março, durante encontro dos Brics em Durban (África do Sul), a presidente disse aos jornalistas que não usaria juros para combater a inflação, sinalizando uma opção preferencial pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em sua linguagem peculiar, a fala foi a seguinte: "Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. (...) Então, eu acredito o seguinte: esse receituário que quer matar o doente, ao invés de curar a doença, ele é complicado. Eu vou acabar com o crescimento no país? Isso está datado, isso eu acho que é uma política superada".
Imediatamente, a declaração causou nervosismo nos mercados em relação aos juros futuros, o que obrigou Dilma a tentar negar que havia dito o que disse. E ela, claro, acusou os jornalistas de terem cometido uma "manipulação inadmissível" de suas declarações, que apontavam evidente tolerância com a inflação alta - para não falar da invasão da área exclusiva do Banco Central.
O fato é que o governo parece perdido sobre como atacar a alta dos preços e manter a estabilidade a duras penas conquistada, principalmente com um Banco Central submisso à presidente. Por razões puramente eleitorais, Dilma não deverá fazer o que dela se espera, isto é, adotar medidas amargas para conter a escalada inflacionária. Lançada candidata à reeleição por Lula, ela já está em campanha.
Num desses discursos de palanque, em Belo Horizonte, Dilma disse, em dilmês castiço, que a inflação já está sob controle, embora todos saibam que não está. "A inflação, quando olho para a frente, ela está em queda, apesar do índice anualizado do ano (sic) ainda estar acima do que nós queremos alcançar, do que nós queremos de ideal", afirmou. E completou: "Os alimentos também começaram a registrar, mesmo com todas as tentativas de transformar os alimentos no tomate (sic), os alimentos começaram uma tendência a reduzir de preço". Ganha um tomate quem conseguir entender essa frase.
21 de abril de 2013
Editorial do Estadão intitulado "Dilmês castiço", publicado hoje.

DILMÊS CASTIÇO

 
Já se tornou proverbial a dificuldade que a presidente Dilma Rousseff tem de concatenar ideias, vírgulas e concordâncias quando discursa de improviso. No entanto, diante da paralisia do Brasil e da desastrada condução da política econômica, o que antes causaria somente riso e seria perdoável agora começa a preocupar.
O despreparo da presidente da República, que se manifesta com frases estabanadas e raciocínio tortuoso, indica tempos muito difíceis pela frente, pois é principalmente dela que se esperam a inteligência e a habilidade para enfrentar o atual momento do País.

No mais recente atentado à lógica, à história e à língua pátria, ocorrido no último dia 16/4, Dilma comentava o que seu governo pretende fazer em relação à inflação e, lá pelas tantas, disparou: "E eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo".

Na ânsia de, mais uma vez, assumir para si e para seu chefe, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, os méritos por algo que não lhes diz respeito, Dilma, primeiro, cometeu ato falho e, depois, colocou na conta das "conquistas" do PT o controle da inflação, como se o PT não tivesse boicotado o Plano Real, este sim, responsável por acabar com a chaga da inflação no Brasil.
Em 1994, quando disputava a Presidência contra Fernando Henrique Cardoso, Lula chegou a dizer que o Plano Real era um "estelionato eleitoral".

Deixando de lado a evidente má-fé da frase, deve-se atribuir a ato falho a afirmação de que a inflação é "uma conquista", pois é evidente que ela queria dizer que a conquista é o controle da inflação.
Mas é justamente aí que está o problema todo: se a presidente não consegue se expressar com um mínimo de clareza em relação a um assunto tão importante, se ela é capaz de cometer deslizes tão primários, se ela quer dizer algo expressando seu exato oposto, como esperar que tenha capacidade para conduzir o governo de modo a debelar a escalada dos preços e a fazer o País voltar a crescer? Se o distinto público não consegue entender o que Dilma fala, como acreditar que seus muitos ministros consigam?

A impulsividade destrambelhada de Dilma já causou estragos reais. Em março, durante encontro dos Brics em Durban (África do Sul), a presidente disse aos jornalistas que não usaria juros para combater a inflação, sinalizando uma opção preferencial pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em sua linguagem peculiar, a fala foi a seguinte:

"Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. (...) Então, eu acredito o seguinte: esse receituário que quer matar o doente, ao invés de curar a doença, ele é complicado. Eu vou acabar com o crescimento no país? Isso está datado, isso eu acho que é uma política superada".

Imediatamente, a declaração causou nervosismo nos mercados em relação aos juros futuros, o que obrigou Dilma a tentar negar que havia dito o que disse. E ela, claro, acusou os jornalistas de terem cometido uma "manipulação inadmissível" de suas declarações, que apontavam evidente tolerância com a inflação alta - para não falar da invasão da área exclusiva do Banco Central.

O fato é que o governo parece perdido sobre como atacar a alta dos preços e manter a estabilidade a duras penas conquistada, principalmente com um Banco Central submisso à presidente. Por razões puramente eleitorais, Dilma não deverá fazer o que dela se espera, isto é, adotar medidas amargas para conter a escalada inflacionária. Lançada candidata à reeleição por Lula, ela já está em campanha.

Num desses discursos de palanque, em Belo Horizonte, Dilma disse, em dilmês castiço, que a inflação já está sob controle, embora todos saibam que não está. "A inflação, quando olho para a frente, ela está em queda, apesar do índice anualizado do ano (sic) ainda estar acima do que nós queremos alcançar, do que nós queremos de ideal", afirmou.

E completou: "Os alimentos também começaram a registrar, mesmo com todas as tentativas de transformar os alimentos no tomate (sic), os alimentos começaram uma tendência a reduzir de preço". Ganha um tomate quem conseguir entender essa frase.

21 de abril de 2013
O Estado de S.Paulo

FORTES EMOÇÕES


Ao contrário do que foi publicado aqui no domingo passado, é razoável a chance de reversão da sentença que condenou José Dirceu por formação de quadrilha, levando-o a penar em regime fechado.
Basta que o ministro Teori Zavascki, que não estava no Tribunal em novembro, vote a favor do recurso.



O jogo empata, com Celso de Mello, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Marco Aurélio e Joaquim Barbosa de um lado, e Rosa Weber, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Zavaski, do outro. Zerado o placar, cai a decisão que levaria Dirceu ao presídio do Tremembé.

Indo-se para o campo da fantasia, em seguida pode acontecer o seguinte:

Barbosa fala dois minutos contra a reversão do resultado do julgamento do ano passado, joga a toga sobre a bancada, deixa o Supremo e vai disputar a Presidência da República.
Dias emocionantes virão.


21 de abril de 2013
Elio Gaspari, O Globo

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS

FREIO DE ARRUMAÇÃO PARA JOAQUIM BARBOSA

Oito ministros do Supremo Tribunal Federal votaram contra o seu presidente, Joaquim Barbosa, ampliando de cinco para dez dias úteis o prazo de apresentação de embargos pelos advogados dos mensaleiros.

Significa o quê, essa rebelião? De início, que a mais alta corte nacional de justiça preocupa-se com a própria, ou seja, a justiça. Diante dos reclamos dos patronos dos condenados, sobre a exigüidade de tempo para a preparação dos recursos, aceitaram dobrar o período.
Será sinal de que os meretíssimos admitirão rever as penas já estabelecidas? Na teoria, seguindo o Bom Direito, todas as sentenças podem ser revistas até que transitem em julgado.
Na prática, parece difícil que alguma condenação venha a ser reduzida, tamanha foi a disposição da maioria dos ministros durante o julgamento. Apenas Ricardo Lewandowski e Dias Tófoli gostariam de ter diminuído alguns anos de cadeia impostos aos réus. De qualquer forma, será preciso conhecer primeiro os embargos para se ter certeza.

Há outra explicação para a quase unanimidade dos integrantes do Supremo terem discordado de seu presidente. Coisa para ser examinada à luz do comportamento humano, da sociologia, ou seja, questão subjetiva. Joaquim Barbosa adotou postura sempre autoritária durante o julgamento do mensalão e, agora, na liderança da casa. Bateu de frente com seus pares, até utilizando palavras duras e pouco educadas.

Estaria, agora, recebendo um “freio de arrumação”, isto é, um recado de seus companheiros sobre poder muito, mas não poder tudo na direção dos trabalhos? É possível, ainda que pareça perigoso supor sentimentos emocionais conduzindo decisões jurídicas. No entanto, o mundo é constituído de indivíduos de carne e osso. Pessoas, antes de cidadãos de vasto saber.

De qualquer forma, uma tênue esperança parece estar iluminando a escuridão em que se encontram os mensaleiros: quem sabe um deles será beneficiado por um dos múltiplos embargos a ser analisados a partir do dia 2 de maio?
 
ECOS PERIGOSOS

Por enquanto tem chegado ao Brasil apenas na forma de noticiário os ecos dos atentados a bomba verificados em Boston, nos Estados Unidos. Importa menos saber tratar-se de uma trama internacional, já que dois chechenos estão acusados do atentado, ou se foi obra de dois malucos desajustados.

O terrorismo assola praticamente o mundo inteiro, mas o Brasil tem sido poupado, depois que a democracia foi restabelecida entre nós. São coisas do passado as bombas no aeroporto de Recife, na Ordem dos Advogados do Brasil, na Associação Brasileira de Imprensa e nos jornais Tribuna da Imprensa e Estado de S. Paulo. Tratava-se de uma guerra interna, felizmente superada.

Do que devemos cuidar-nos é da possibilidade de o terror externo e institucionalizado lembrar-se de chamar a atenção mundial para seus desvarios por conta dos certames esportivos que abrigaremos. Da Copa das Confederações, este ano, à Copa do Mundo, em 2014, e às Olimpíadas, em 2016, multidões se reunirão em nossas capitais.
Uma oportunidade ímpar para animais de variadas origens aqui demonstrarem sua bestialidade.
Seria bom as autoridades encarregadas da segurança começarem a preparar iniciativas preventivas. Fechar o círculo em torno de estádios e pontos de concentração popular. Estamos imunes ao terrorismo, dizem muitos, mas é bom não facilitar.

VISITA DE ESTADO

Marcada para outubro, ainda sem data certa, a viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos será cercada de toda pompa e circunstância. Com direito à presença do presidente Obama no aeroporto, hospedando-se na Casa Branca ou na Blair House, ela discursará no Capitólio e receberá homenagens militares.
É possível que a imprensa americana dedique algumas linhas de pé de página à visita, mas com toda certeza será debatida a questão da compra, pelo Brasil, dos sempre anunciados e jamais concretizados aviões de caça para nossa Força Aérea.
Será um pouco constrangedor para Dilma discutir uma operação envolvendo 36 aeronaves com alguém que dispõe de mais de 36 mil, mas os ventos hoje sopram em favor da indústria americana.

21 de abril de 2013
Por Carlos Chagas

E NEM VEM QUE NÃO TEM

A imprensa anunciou no início de novembro de 2012 que pelo menos 95 universidades aceitam o exame do ENEM como critério para aprovação de estudantes em busca de uma carreira superior.
Imagino que tal motivo esteja baseado em dois alicerces:
a) Economia para a instituição que deixa de montar um vestibular.

b) Dar credibilidade política ao programa ENEM (que servirá aos palanques em 2014).
Até meados da década de 90, os vestibulares eram preparados com muito rigor devido à baixa quantidade de vagas para enormes glebas de estudantes (tipo 1/100).
Contudo, pela podre estrutura educacional da maioria das prefeituras nacionais (para esconder sua fragilidade até aprovavam alunos com média ZERO no ensino fundamental - hoje ainda exigem que saibam assinar o nome, data de nascimento e somar duas parcelas menores que 10), a quantidade de candidatos despreparados aumentou muito a ponto de sobrarem vagas em muitas carreiras (que já não atraem tanto pelo desrespeitoso salário oferecido).
O despreparo visível de nossos atuais estudantes (basta ver as respostas pavorosas dos últimos ENEMs) revela a acentuada queda de qualidade (proposital) das metodologias de ensino para evitar que possamos abrir as mentes das próximas gerações no sentido de perceberem o quanto nosso povo foi iludido por sucessivos governantes inescrupulosos. E para manterem cheio o celeiro de escravos por 30 níqueis.
Tal queda, na minha visão, deve-se à culpa dos seguintes segmentos:
Governantes = 45% - por desejarem manter as comunidades sob o manto da ignorância desacreditam os audazes Professores com salários pífios e instalações inadequadas. Futuros reprovados que se tornarão escravos dos níqueis.
Professores = 30% - perderam o entusiasmo e se acomodaram nos últimos 30 anos diante deste processo aterrorizante. Pelas mentes brilhantes que possuem, nos surpreendem por não saberem criar uma cruzada cívica (nem regional) para defender a carreira mais importante do país.
Responsáveis pelos herdeiros = 24,5% - por não protestarem contra o futuro programado para seus filhos e deixarem para 3º plano a maior riqueza que se pode oferecer às crianças. Em primeiro plano ficam: seus carros, os sambas, as novelas e os churrascos nos finais de semana. Em 2º plano as academias e as praias. Complementado pelo “cultural” Big Besta Brasil.
Anjos = 0,5% - talvez pelo afastamento do povo numa fé pura, pretendem nos castigar e estão largando as crianças inocentes nas mãos de seus amigos “mouses”, que os transportam para dentro de uma realidade apoiada em bolhas de sonhos que os deixam frustrados quando “acordam” e percebem que precisam respeitar os Professores, precisam arrumar o quarto e tomar banho.
Baseados no “estaputo do menor”, cometem deslizes a título de diversão sem perceberem que estão sendo arrastados para o buraco negro da ignorância que vai lhes oferecer ingresso apenas num mundo desprovido de todas as fantasias exibidas nas telas de LCD.
Dentro de 30 anos vamos nos arrepender desta herança que estamos deixando para eles?

21 de abril de 2013
Haroldo P. Barboza é Professor e Escritor.

MALDIÇÃO DA ILUSÃO


Foi Celso Furtado quem primeiro chamou atenção para a ideia da “maldição do petróleo”, a fim de explicar o atraso de países, um deles a Venezuela, cuja riqueza natural fez abandonar sua capacidade tecnológica e produtiva.
O Brasil, mesmo sem ser exportador de petróleo, tem sofrido desta maldição ao longo de nossa história. Acostumamos-nos com orgulho, de sermos uma terra onde “em se plantando tudo nela dá”, sem a necessidade de inventar produtos, tecnologias, aumentar produtividade, nem competitividade industrial.
Para crescer, bastava ampliar a fronteira agrícola, substituindo florestas por plantações de cana, algodão, café e soja, ou explorar ouro e prata. Não havia necessidade de inovação tecnológica e de poupança porque podíamos explorar a terra, como outros países faziam com o petróleo.
Esta é a principal razão que explica porque somos a 6ªeconomia mundial, mesmo sendo um país tão atrasado em educação, ciência e tecnologia. Por quase 400 anos de nossa história bastava colocar enxadas nas mãos dos escravos, depois bastava treinar operários no manuseio de máquinas.
Não precisávamos criar nem inventar máquinas e produtos de nossa indústria porque eles eram inventados e criados no exterior. Não foi necessário gastar dinheiro em educação, usávamos a educação dos países que por falta de recursos naturais eram obrigados a desenvolver conhecimento.
Chegado o século XXI, quando a grande riqueza já não é a terra, mas os cérebros, percebemos o desastre dessa opção de nossa história. Temos uma sociedade violenta, ineficiente, dependente como nunca antes, sobretudo, por falta do capital conhecimento.
Mas ao invés de despertarmos para a necessidade de assegurarmos educação de qualidade, e qualidade igual para todos, estamos caindo na ideia de que faremos isto quando o petróleo do Pré-Sal nos oferecer os recursos necessários.
Para reservar cem por cento dos royalties do petróleo para a educação de base, sou autor, junto com o ex-senador Tasso Jereissati, do primeiro projeto de lei com esta ideia. O projeto foi arquivado e agora reapresentado com o senador Aloysio Nunes. Mas esta alternativa acomoda a opinião pública e as lideranças a espera de uma renda futura, insuficiente para provocar o salto educacional que precisamos.
A revolução científica e tecnológica que ocorre no mundo exige que o Brasil rompa com a ideia do “em se plantando tudo nela dá”para a ideia de que “em se aprendendo nela tudo se cria”. Isto exige iniciar, desde já, a necessária revolução educacional que o país precisa.
Mesmo assim, ouve-se o acomodamento geral de que é preciso esperar pelo Pré-Sal. Pior do que outros países, que caíram na maldição do petróleo. Estamos caindo na maldição da ilusão de um petróleo ainda escondido nas profundezas do mar como a solução para a nossa crítica e vergonhosa situação educacional. Até aqui fomos vítimas da maldição dos recursos abundantes, agora estamos sendo vítimas da maldição de uma ilusão.

21 de abril de 2013
Cristovam Buarque é Professor da UnB e Senador pelo PDT-DF. Originalmente publicado em O Globo em 20 de abril de 2013.

A NOVA INCONFIDÊNCIA


Dia 21 de abril, cinco horas de uma manhã nebulosa. Olhando o passado, tomamos emprestados trechos da Carta de São João d'El Rey, sentindo o frio do presente e projetando nossos sonhos para o futuro.

"Sob o olhar severo e sereno de Tiradentes, que nos espia através das figuras de pedra e sonho do Aleijadinho, cercados pelo espírito de Vila Rica e pelo ferro do chão de Minas, queremos pensar o Brasil. Vivemos "como escravos acorrentados ao tronco do tempo", caminhando em silêncio por duzentos anos e "arrastando pelas estradas do Brasil o pesadelo" de uma independência frustrada. A senha para a conflagração era "Tal dia é o batizado". Pela traição, não se celebrou o batizado, mas a senha célebre permaneceu no tempo e hoje, mais uma vez, retomamos o sonho de liberdade.

Dos recantos de Minas, "esculpido no espírito e enevoado de ferro", foi lançada a nova senha: "Tal dia é o casamento." O Brasil, pela traição de ontem e de hoje, ficou pagão de liberdade, pela amargura de um batizado que não houve e pela entrega do nosso povo a uma criminosa inquisição estrangeira. Agora precisamos realizar "o casamento essencial do Estado com a Nação, do Povo com a Independência, do Futuro com a Soberania".

Anima-nos o espírito da Inconfidência, que foi o fato maior, a viga-mestra da nossa História, e não haverá corda capaz de "enforcar o sonho de um povo que vislumbrou a grandeza do seu futuro, apontado pela mão pioneira" do nosso Herói maior. Do alto de cada mastro, onde há uma bandeira, ainda pende a cabeça de Tiradentes, gritando para todos nós e nos chamando para a luta, para que este povo acorde dessa letargia após dois séculos de silêncio e passividade. De cada um de nós dependerá o momento em que "Tiradentes vai recuperar sua cabeça!" Enfrentando os "Silvérios de todos os matizes, ostensivos ou encapuzados, a Inconfidência está de volta e veio para vencer".

O Brasil esmagará os Barbacenas e as Marias-Loucas, de dentro e de fora, e participará dos momentos decisivos de uma luta secular: a luta entre os dois Joaquins que marcaram nossa História. Os brasileiros dignos estão com o primeiro, o Xavier, enquanto os traidores e negadores do Brasil estão com quem sempre estiveram, "com o Silvério, que era dos Reis, enquanto o outro era do povo".

Agora, surge diante de nós a nova Inconfidência, amadurecida pelo tempo e forjada na luta da resistência de um povo explorado e sacrificado contra os traidores, os Silvérios de sempre. E o que pretende a nova Inconfidência? "O mesmo que pretendia a outra: a libertação do Brasil". Falhou a Inconfidência original porque a derrama foi suspensa pelo aviso da traição; esta agora não poderá falhar, porque a derrama vem se consumando a cada dia, "e já nosso ouro é levado, aos borbotões, no amaldiçoado "quinto" dos juros sem contenção".

Naquela época "éramos sub-colônia de uma colônia. Hoje somos colônia de um duplo colonialismo: um externo, que nos devora até às vísceras pelo canibalismo monetário; outro, interno, que nos imobiliza na inação, pela cumplicidade das lideranças arcaicas, carcomidas pela incompetência". Este é o lugar e este é o momento "para que seja retomada a inconfidência mineira, agora num patamar mais alto, para que ela se desenrole como a Inconfidência Brasileira". O Brasil ainda é uma Nação enforcada. "Enforcada pela mesma mão e pela mesma corda que enforcaram Tiradentes: a mão e a corda da dominação estrangeira".

Pela nova Inconfidência, "começamos a desapertar este nó: Tiradentes vai recuperar sua cabeça e o Brasil vai encontrar seu destino". Nos caminhos de Minas, "a luz mortiça dos lampiões, iguais aos que guardaram os passos furtivos dos conspiradores da liberdade e choraram a morte atropelada do Herói da Independência", ainda guardam o sonho de liberdade. "Não basta chorar o Mártir: é urgente retomar-lhe os passos". "Por isto e para isto é que estamos aqui", trabalhamos todos os dias, levamos nossa mensagem aos quatro cantos "para dizer ao Brasil que a Inconfidência continua e que Tiradentes não morreu". "Os inconfidentes queriam a liberdade; nós queremos a libertação. Eles contavam com alguns padres; nós temos uma Teologia. Eles sonharam o Brasil; nós vamos construir uma Nação".

A Revolução Brasileira precisa começar e deverá ser feita "em palanques, e não em patíbulos". "Abriremos nosso caminho à força de nossos anseios, porque o futuro é a nossa bússola, o progresso é o nosso barco e a liberdade é o nosso porto". Mas será preciso ter coragem para lutar, esclarecer a consciência e unificar o nosso povo. Será preciso despertar a Nação para a urgência desta missão.

A senha era "Tal dia é o batizado!". Agora será "Tal dia é o casamento!". Mas é preciso não perder tempo e fazer enquanto antes "o casamento do Estado com a Nação, do Povo com a Independência, do Futuro com a Soberania". Precisamos marchar com a responsabilidade que o passado nos legou e que o presente está a nos cobrar todos os dias, antes que o futuro nos seja negado pelos Silvérios que também não morreram e que a cada dia nos entregam à dominação estrangeira. Não podemos assumir duas posições nem podemos deixar de ver a realidade. Ou estamos com Joaquim José da SilvaXavier - o Heróico Tiradentes, ou estamos com o traidor Joaquim Silvério dos Reis e com todos os Silvérios que dominam o panorama político brasileiro.

Que cada um seja digno da nossa nacionalidade e do nosso passado para que possamos cumprir com dignidade o fechamento da missão, como ensina a Carta de São João d'El Rey. Ontem, colônia. Hoje, satélite. Amanhã, BRASIL.

21 de abril de 2013
Carlos José Pedrosa
Artigo escrito, originalmente, no final de agosto de 2000 e reescrito, em abril de 2001, para se adaptar à data de 21 de abril.

OS BOBOS NA CORTE DOS DITADORES MENSALEIROS



 
O Palhaço do Planalto vai chorar de tanto rir. O Presidente paralelo do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua marionete nervosa, Dilma Rousseff, são classificados por investidores internacionais e pelo pessoal da área de comércio exterior, nos Estados Unidos e na Europa, como “os ditadores da face obscura da Lua”. A mesma turma reclama que toda a América Latina – exceto o Paraguai – sofre hoje na mão dos“ditadores populistas da Unasul”.

Dilma tem a delicadeza de um elefante pisando em copinhos de cristais em suas ações e palavras no campo diplomático. Seu antecessor, que ainda não deu provas de que desencarnou do trono do Palácio do Planalto, se assemelha a um macaco desastrado dentro de um armário cheio de louças finas. O pior é que a política externa tupiniquim é manipulada, na base do top-top, pelo mago Marco Aurélio Garcia – um dos principais dirigentes do Foro de São Paulo – entidade que reúne os radicalóides de canhota do continente.

No ar, paira uma grave crise com os EUA. As relações de Lula com regimes anti-norte-americanos, como o Irã e muitos países da África, tornam inviável que o Tio Sam libere os brasileiros dos vistos de entrada e todo um rigor de fiscalização alfandegária. O ataque de Boston bostejou ainda mais a questão, porque a guerra ao terror tende a se ampliar na “terra do livre livre e na casa do bravo” – como está definido no hino da “Bandeira Estrelada” (The Star-spangled Banner).

A bronca da Águia com o terrorismo todo mundo já conhece. Mas a ave símbolo norte-americano quer mesmo é acertar contas com os corruptos – principalmente os do Brasil. A turma do Governo do Crime Organizado daqui anda de muito teretetê (como diria Zeca Diabo) com os patrocinadores do terror transnacional.

Nossos bandidos, inclusive, andam fazendo negociatas muito escusas e muitas parcerias de politicagem com os inimigos dos EUA. Do jeito que a coisa vai, muita blackwater tende a rolar para cima de nossos corruptos vagabundos que fazem os indolentes brasileiros de bobos da corte dos mais variados tipos de “mensalão”.
Eis por que a previsão política para 2014 é de clara tendência de mudança de um ciclo – nem que seja com a troca de nomes, na disfarçada alteração de seis por meia dúzia.

Dilma Rousseff, com índices manipuladíssimos de apoio nas pesquisas de opinião pública, nunca esteve com sua reeleição tão ameaçada. Culpa do previsível retorno da inflação em um desgoverno que nunca fez o dever de casa, baixando impostos, mexendo na usura bancária, investindo em infraestrutura e logística, reduzindo os gastos federais inúteis e combatendo a corrupção sistêmica (coisa impossível para a índole petralha). Dilma vai pro brejo levando junto o “Boi” (não era com este bovino codinome que o falecido delegado Romeu Tuma o chamava, carinhosamente, na década de 70, o fiscal secreto do DOPS que dedurava os inimigos do meio sindical?).

Alguém acha que a petralhada vai aceitar, pacificamente, desaparelhar a máquina capimunista tupiniquim? Pode esquecer de tal possibilidade. Os sujeitos não admitem perder a boquinha. Até porque uma das fontes de arrecadação legal de dinheiro para o PT é a ocupação de cargos de confiança muito bem remunerados. Vide a tabelinha de contribuições ao Partido dos Trabalhadores. O aparelhamento do Estado Capimunista rende alto para o caixa partidário.
Hoje, no Brasil, temos outra piada para provocar muitos prantos entre os bobos da corte – nós, os cidadãos-eleitores-contribuintes. Quem tem a ideologia petista parece ter um cérebro privilegiado. Muitos dos filiados ao partido, além das boquinhas com os“DASs” (cargos de direção de Assessoramento Superior) conseguiram a façanha intelectual de passarem em concursos públicos.

Caia para trás com o número levantado por um senador de oposição. Atualmente, 135 mil funcionários concursados – a maioria, que coincidência, petistas – não tem qualquer função no governo. Nas repartições, não há sequer mesa, cadeira, equipamentos ou espaço para eles trabalharem. Logo, ganham sem fazer nada! E, claro, contribuem, religiosamente, com o partido...

A eleição presidencial de 2014 deve bater o recorde de baixaria – matando de inveja até a recente disputa venezuelana. A primeira ação brutal dos petralhas será contra seu aliado até ontem, o governador socialista pernambucano Eduardo Campos. O netinho de Miguel Arraes é o franco favorito a reinar no Planalto. Antes, só terá de sobreviver à onda de ataques covardes do nazipetralhismo, principalmente nos bastidores dos podres poderes.

Outro que vem na disputa é o senador e ex-governador de Minas Gerais. O probleminha – para sorte da petralhada - é que o caminho do Planalto parece trancado para o netinho do Tancredo. Aécio Neves está com muita dificuldade de decolar. José Serra ainda vai fazer um estrago enorme no ninho tucano porque também deseja a Presidência. Tudo para ira do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso – quase imortal da nossa Academia Brasileira de Letras, seguindo os passos do onipotente José Sarney...

A vaidade pessoal e obsessão de Serra pelo poder, além de não levá-lo à sonhada Presidência da República, vai implodir o PSDB. A salvação para o partido – e ainda dá tempo para isto – seria Aécio ter a humildade de fechar, depressa, uma aliança com Eduardo Campos, para tentar uma vaguinha de vice do Pernambucano. Se isto acontecer, aí sim a eleição se complica para o PT – já que o eterno governista PMDB vai pular no colo de quem tiver mais chances reais de faturar a eleição.

Voltando às questiúnculas internas de nosso Reino de Avilã, a primeira-dama da Operação Porto Seguro, Rosemary Nóvoa de Noronha, retorna, triunfalmente, à proa do Titanic petralha. Reportagem da Veja confirma pelo menos uma das muitas viagens internacionais de negócios feitas ela “Doutora Rose”, extra-agenda-presidencial, enquanto ocupou o cargo de chefe de gabinete do “escritório” da Presidência da República em São Paulo.

Como Rose tinha passaporte diplomático – e nada consta que tenha perdido o documento ou entregue para a Justiça até agora -, a melhor amiga de Lula ía para onde quisesse, levando e trazendo o que bem desejasse. Todos graças à imunidade diplomática na bagagem -sempre inviolável e isenta de fiscalização em aduanas.
Se Rosemary transportava bugingangas, dinheiro ou diamantes só o 007 seria capaz de descobrir. O Pior é que juram que o MI-6 andou monitorando-a. Bem que a Rose daria uma interessante e intrigante Bond Girl... Mas, se bobearem, ano que vem ela se candidata e vira deputada federal pelo PT...

A hospedagenzinha gratuita no Palazzo Pamphili, sede suntuosa da Embaixada Brasileira em Roma, em 2010, foi apenas um pequeno pecado de quem se acostumou a usar e abusar da máquina capimunista do Brasil. Rose merece perdão porque seria a perfeita soberana paralela, com poderes maiores que o de uma primeira-dama, para reinar na Suprema Corte dos Ditadores Mensaleiros.

Se é assim, que deus salve a Rainha! Mas um deus, com letrinha bem minúscula... O Diabo é que tem petralha maldoso fofocando que Rose corre risco de ser traída. Ela pode terminar como a grande e única culpada de tudo que foi feito de errado e apurado na Operação Porto Seguro – cuja investigação anda tão rápida quanto a conclusão da ferrovia Norte-Sul...
Quem não é Bobo nesta Corte passa por um momento sombrio, de incertezas, correndo até certo risco de abandono e desprestígio. Nem por isso, mesmo sabendo que não vai pegar os 10 anos e 10 meses de cadeia a que foi condenado como o “organizador” do Mensalão, José Dirceu de Oliveira e Silva não se abate publicamente. Desde quinta-feira passada até esta segunda-feira, o blogueiro, advogado e consultor viajará pela região da Amazônia Legal e adjacências.

Dirceu combinou passeios rápidos, compromissos políticos e de negócios em várias capitais: Teresina, Macapá, Belém e São Luiz. Ele curte as mordomias de viajar em um luxuoso jatinho fretado em São Paulo. Voar em um Citation CJ2, prefixo PT-LLU, com seis lugares, não custa barato.Toda a turnê de Dirceu deve sair por uns R$ 150 mil.
Isso fora a hospedagem padrão dele, em hotéis 5 estrelas. Afinal, ninguém merece passar uma temporada em um hotel-presídio tipo Tremembé (onde não deixam o preso sequer usar um computador ou um smartphone)... Antecipando-se aos intrigantes de plantão, Dirceu já mandou amigos dele avisarem à mídia amestrada que quem paga a conta é ele mesmo – e não alguma empreiteira amiga. Parabéns pela honestidade...

Um dos maiores investimentos atuais de José Dirceu é uma sociedade com portugueses em uma mina de ouro no Amapá. Especula-se até que a mina do Condenado no Mensalão produza até nióbio e outros minerais raros e de alto valor... No Senado, circulava na sexta-feira uma informação valiosa. Dirceu teria hoje uma fortuna estimada em R$ 1 bilhão e 200 mil reais. Só falta ser citado na Forbes...

Por tudo isso, cabe uma pergunta que demanda uma profunda resposta. Será que Dirceu merece a fortuna de acabar preso e sem direitos políticos, sem antes realizar seu sonho (sepultado pela briga com Roberto Jefferson e pela persistência condenatória de Joaquim Barbosa) de ter sido Presidente do Reino do Brasil, sucedendo a Lula?

Muito amigo de longa data da Rose, Dirceu Borboleta jura que não roubou nem matou a Dulcinéia Cajazeira, porém não pode jogar a culpa em “Odorico”. Por isso, o negócio mais seguro para ele seria pegar o primeiro jatinho para Cuba, antes que seja tarde demais.

Basta o Zé do Blog pedir um asilo político aos sócios-irmãos Castro, e aguardar, em segurança, que a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, julgue que o nosso Supremo Tribunal Federal cometeu a máxima das injustiças condenando um homem tão rico, preparado e digno para ser um símbolo ideológico do Capimunismo que temos no Brasil.

Enquanto isso, os bobos na corte dos ditadores mensaleiros ficam com os deles bem na reta... Tudo por causa do nada triunfal retorno da inflação – fruto da permanente ganância e falta de estrutura produtiva, educacional e cultural do passivo brasileiro.
Por tudo isso, junto com muitos cabeças de papel, e sob os olhares atentos de reprovação da Águia, os bobos já perguntam com maldade: Onde está a Honestidade?

Na Rua dos Bobos, número 13, é que não está...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
21 de abril de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

A REPORTAGEM DE VEJA SOBRE O CASO ROSE LEMBROU A LULA QUE SÁBADO É O MAIS CRUEL DOS DIAS PARA QUEM TEM CULPA NO CARTÓRIO

 

Palazzo Pamphili, sede da embaixada brasileira em Roma: hotel de Rose

Há 148 dias Lula insulta o Brasil que presta com a acintosa mudez sobre o escândalo que protagonizou em companhia de Rosemary Noronha.
Neste sábado, a reportagem de capa de VEJA, que revela bandalheiras colecionadas pela ex-segunda-dama na chefia do escritório da Presidência da República em São Paulo, confirmou que o caso não será sepultado pelo silêncio do artista de palanque. Também lembrou ao ex-presidente que sábado é mesmo o mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório.

Ressentida com parceiros e amigos que a teriam abandonado, Rose ainda não engole a ideia de naufragar sozinha. Vai afundar atirando, prometem as ameaças em código que vem emitindo. Uma delas foi a troca dos responsáveis por defendê-la.
Entregue até recentemente aos cuidados de advogados escolhidos pelo PT, Rose contratou um escritório que durante anos prestou serviços ao PSDB para livrá-la de punições aplicáveis aos muitos crimes que cometeu.

Outro sinal de perigo a ameaça é a lista de testemunhas arroladas pelos novos defensores da vigarista que Lula promoveu a servidora da pátria.
Para ajudá-la a escapar do processo administrativo em que é acusada de usar e abusar da estrutura do gabinete presidencial em benefício próprio, foram relacionados, por exemplo, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e ex-chefe de gabinete de Lula, a notória Erenice Guerra, ex-braço direito de Dilma Rousseff, e Ricardo Oliveira, ex-vice-presidente do Banco do Brasil e assíduo frequentador do escritório na Avenida Paulista.

A reportagem de Robson Bonin se amparou no relatório final de 120 páginas, elaborado por técnicos do Planalto, que condensa os resultados da sindicância que levou a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a pedir a abertura do processo administrativo contra a Primeiríssima Amiga. VEJA teve acesso ao documento.
Confira dois trechos da reportagem:

Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais — um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo.

Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras. Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.

Mensagens inéditas reunidas no relatório da investigação mostram que a ex-secretária foi recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma. Todas as facilidades possíveis lhe foram disponibilizadas. Rose temia ter problemas com a imigração no desembarque em Roma.

O embaixador José Viegas enviou-lhe uma carta oficial que poderia ser apresentada em caso de algum imprevisto. Rose não conhecia a Itália. O embaixador colocou o motorista oficial à sua disposição. Rose não tinha hotel. O embaixador convidou-a a ficar hospedada no Palazzo Pamphili — e ela não ocuparia um quarto qualquer.

Na mensagem, o embaixador brasileiro saudou a ida de Rose com um benvenuti!, em seguida desejou-lhe buon viaggio e avisou que ela ficaria hospedada com o marido no “quarto vermelho”. Quarto vermelho?!
Como o Itamaraty desconhece esse tipo de denominação, acredita-se que “quarto vermelho” fosse um código para identificar os aposentos relacionados ao chefe — assim como normalmente se diz “telefone vermelho”, “botão vermelho”, “sala vermelha”…

Há muito mais informações nas páginas da revista sobre as patifarias apuradas na sindicância. E não custa lembrar que estão ainda em seu começo os desdobramentos da Operação Porto Seguro, que desbaratou o bando de assaltantes de cofres públicos.
Se Lula persistir na tática da afonia seletiva, cumpre à Polícia Federal e ao Ministério Público obrigá-lo a falar sobre as delinquências em que se meteu ao lado de uma quadrilheira. Rose é coisa dele.

21 de abril de 2013