"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

UM PAÍS DA CHACOTA

 

Há um ano atrás (dezembro de 2011), segundo uma empresa de consultoria britânica, o Brasil havia ultrapassado da Grã-Bretanha assumindo a sexta posição economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e da França.

Roussolph e Elfo
Roussolph e Elfo
 
De acordo com a empresa de consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil superava o inglês em cerca de US$ 37 bilhões.
Essa informação foi motivo de um ufanismo desmesurado, com o PT afirmando que de fato havia mudado para melhor tudo isso que estava aí.

Alguém andou faltando com a verdade e maquiando de forma falsa o país, como mostra o pibinho registrado esse ano, na seqüência, a presidenta e o ministra da Fazenda, se tornaram alvos de chacota.

A Dilma assume o nome “Roussolph the red-nosed reindeer” (Roussolph, a rena do nariz vermelho), num trocadilho entre o sobrenome da presidente Dilma Rousseff e o nome de uma das renas do Papai Noel, chamada Rudolph (Rodolfo).

O texto traz ainda um otimista “Guido the Elf“, em referência ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que previa o crescimento dos chifres da rena brasileira em um metro. Indagado sobre como chegou àquele número, o elfo diz que pegou “previsões de todos os outros elfos e duplicou”.
É triste de se ver em que o Partido dos Trabalhadores PT transformou o país.

28 de dezembro de 2012
Giulio Sanmartini

... NO DO PREJUDICADO

 

ichcComo Cuba, durante o regime militar, ofereceu acolhida aos amigos dos ex-presidente Lula e da “presidentona” Dilma, agora, diante das dificuldades que aquele país está vivendo e em sinal de reconhecimento, o Brasil no dia 20 passado, resolveu fazer-lhe a super doação em arroz, da ordem de 25 milhões de quilos.
 
Tudo seria muito bonito se este fosse um país rico, mas enquanto ajuda a Cuba, funica com força total o povo, no item sanidade.
 
Pacientes com leucemia internados no Instituto Central do Hospital das Clínicas (ICHC) da USP, na região central de São Paulo, reclamam da falta de refrigeração nos leitos do 8.º andar.
 
O sistema de refrigeração central que leva o ar mais frio a cada um dos cerca de 10 leitos afetados no andar não funciona há pelo menos 11 dias.
 
E com as altas temperaturas na cidade – a máxima de anteontem alcançou 34°C -, o desconforto dos pacientes que passam por sessões de quimioterapia e se recuperam de transplantes de medula óssea é ainda maior.
Esta é que pode ser considerada uma grande sacanagem.

28 de dezembro de 2012
Giulio Sanmartini

A REALIDADE DA ECONOMIA DO BRASIL E DO MUNDO E OS DRIBLES PARA CAMUFLAR A MENTIRA

 

No costumeiro café da manhã de final de ano com os jornalistas que cobrem o dia a dia do Palácio do Planalto, ocorrido na quinta-feira, 27 de dezembro, a presidente Dilma Rousseff disse aos profissionais de imprensa que em 2013 a economia brasileira crescerá muito mais. É verdade que nesta época do ano as pessoas ficam mais sensíveis e renovam suas esperanças, mas enganar o povo dessa maneira e mais uma vez é no mínimo um ato de covardia. É preciso responsabilidade e coerência quando planejamos as nossas próprias metas, como para o ano vindouro, por exemplo.

Em termos comparativos, ignorar a realidade e ultrapassar os próprios limites é como prometer a si mesmo escalar o Monte Everest se você tem medo de altura, vertigem ou sofre de labirintite. A probabilidade de que isso fique na promessa é tão grande quanto a de uma tragédia, caso o desafio seja levado adiante. Superar é preciso, mas com a devida parcimônia.

Atendendo à sugestão da leitora Cristina Benevides, analiso a realidade da economia brasileira, assim como comento de maneira pontual a crise europeia, a partir da entrevista concedida pelo economista Kenneth Rogoff, professor da Harvard University, ao jornalista Jorge Pontual.

Confesso que em nenhum momento da entrevista fui surpreendido pelo professor da conceituada universidade, pois Kenneth Rogoff disse ao jornalista brasileiro exatamente o que penso e venho escrevendo há anos.
Não se trata de profecia da minha parte ou bola de cristal, mas apenas a certeza de que estou no caminho certo do pensamento e da razão. Rogoff, assim como e eu outras pessoas ao redor do mundo, analisa a economia e seus pedúnculos com pensamento lógico e sem qualquer espaço para devaneios.

Embalada pelo messianismo de Lula, a presidente Dilma continua acreditando que é possível dirigir o Brasil com o planejamento passando a léguas de distância. E o planejamento a que me refiro é o de longo prazo. Kenneth Rogoff começou destacando um ponto crucial. O governo brasileiro fez a lição de casa e criou o que os economistas chamam de “macroestabilidade”.

O que isso significa? Que as mudanças econômicas necessárias para colocar o Brasil na rota do crescimento foram implementadas há anos, por Fernando Henrique Cardoso, e seguidas à risca por Lula, o que deu ao mercado financeiro internacional confiança para apostar no País. E permitiu a Lula flanar, mesmo que por fidalguia alheia, nas alturas de uma aprovação popular duvidosa. Esta opinião é minha, não de Rogoff.

Contudo, o Brasil precisa não apenas continuar fazendo a lição de casa, mas acelerar a feitura da tarefa para recuperar o tempo perdido, se é que a atual situação econômica permite essa celeridade.

No começo de 2009, Lula disse que a crise financeira internacional que surgiu no vácuo do “subprime” norte-americano não atingiria o Brasil. Fanfarrão como sempre, Lula chegou a dizer que por aqui a crise chegaria como “marolinha”. E por questões óbvias o estrago foi maior do que previu o então presidente, na verdade, foi, sim, um tsunami que provocou maremotos em várias economias, inclusive na nossa.

“Isso não vai nos atingir. Fizemos nosso dever de casa, estamos em terreno firme, desta vez é diferente. “Certo?”, disse Lula à época. “Nós não vamos ser atingidos. Nós vamos crescer”, completou o ex-metalúrgico.

O Brasil cresceu em 2010, no rastro da redução temporária da carga de impostos para alguns setores da economia e do desejo reprimido de consumo de uma enorme parcela da sociedade, que foi às compras de forma desbaratada e sem pensar no futuro. Foi o suficiente para Lula acreditar que era a reencarnação de Messias, vendendo aos incautos do mundo uma bolha de virtuosismo que começa a estourar, causando sérios danos ao País.

Três anos se passaram e agora o Brasil enfrenta uma crise econômica preocupante, cuja culpa o PT tenta colocar no colo do turbilhão que chacoalha a União Europeia há algum tempo. Até porque, como sempre afirmo em meus textos, os petistas são tomados por insuportável soberba e creem que jamais erram.
De nada adianta se agarrar a desculpas esfarrapadas, quando o verdadeiro culpado está no quintal de casa.
Há um conjunto de fatores que transformam o Brasil em um Estado paquidérmico, que a continuar assim rumará na direção da letargia econômica e continuará sendo alimentado pelo soro do fiasco.

Não existe fórmula mágica para estimular a economia quando a carga tributária beira a casa dos 40%, sem a devida contrapartida por parte do governo, que deixa de fazer os investimentos necessários para que a engrenagem continue rodando. É utopia de economista incompetente querer rodar a economia em um cenário em que dois quintos da riqueza produzida anualmente no país tenham origem na cobrança de impostos. E o que deveria diminuir com o tempo, só faz crescer.

De igual modo, é irresponsabilidade desmedida manter durante muito tempo a tese de que é possível usar apenas o consumo interno para manter a economia aquecida.
Essa fórmula mágica tem prazo de validade curtíssimo em um país cuja população, em sua maioria, ganha menos do que dois salário mínimos por mês.
Com o baixo rendimento dos cidadãos, o consumo só existe ancorado no crédito fácil e irresponsável, como de fato ocorreu com o ufanismo de Lula. Na sequência surge o endividamento, assustando as famílias, tomadas de assalto, em seguida, pela inadimplência.

Economia é uma bicicleta que exige do ciclista determinação e força distribuída de maneira planejada para se chegar ao destino. É preciso pedalar continuamente, pois do contrário a bicicleta para, o ciclista cai e, dependendo do tombo, há o risco de morrer.

Para este ponto que ora abordo, Kenneth Rogoff usou um exemplo muito preciso. O do sujeito viciado em droga, que desmorona após o efeito da mesma. Assim funciona o crédito fácil.
O cidadão se entrega ao consumismo, mas esgotado o crédito acaba dragado pela ineficácia do falso milagre. Foi por esse caminho sinistro que surgiu a crise do “subprime” nos Estados Unidos.

O crédito imobiliário cresceu de forma assustadora e sua concessão se deu no altar da facilidade. Quando a primeira arruela do sistema emperrou, a máquina simplesmente parou. Não fossem a competência e a rapidez das autoridades monetárias norte-americanas, os Estados Unidos teriam quebrado e o planeta já estaria vivendo uma profunda recessão.

Enquanto as autoridades culpam a União Europeia pela atual crise, que é nossa e continua sendo empurrada com a barriga dos palacianos, a economia da China, principal parceiro do Brasil, desacelera. O governo precisa mudar a forma de jogar e deixar de apostar a maioria das fichas na China, pois um eventual solavanco econômico na terra da Grande Muralha é capaz de provocar uma ação devastadora na economia brasileira.

No contraponto, a China, sem leis que protegem os trabalhadores locais, há anos exporta aos bolhões para o mercado brasileiro de forma predatória em termos concorrenciais, movimento que ao longo do tempo vem corroendo a indústria verde-loura. Desde 2005, alerto o governo para o processo de desindustrialização que tomou conta do Brasil, mas, soberbos, seus integrantes preferiram e ainda preferem ignorar o óbvio.

O grande erro do PT, atualmente no poder, é querer governar inserindo cada vez mais o Brasil na seara globalizada do capitalismo, o que é inevitável, sem perder seus vínculos com as ultrapassadas e obtusas teorias do esquerdismo. Tivesse Lula acompanhado a lufada esquerdista que sopra na América Latina, o Brasil já teria ido à bancarrota como a vizinha Argentina.

Voltando à absurda carga tributária nacional… De tudo o que o governo arrecada, o que não é pouco, boa parte é destinada às chamadas despesas de custeio, pagamento de servidores e de juros da dívida. O que sobra é insuficiente para investir na proporção da necessidade do País e das mentiras que descem a rampa do Palácio do Planalto e ganham o território nacional.
Mudar esse quadro é preciso, mas será como tirar o pote de ração de um pitbull faminto que está a comer. Por isso tenho insistido na necessidade de mudanças profundas e definitivas na economia, como forma de tirar do Brasil o já quase secular status de “país do futuro”.

A situação se agrava sobremaneira porque o governo é conivente com a corrupção. Com a eclosão do escândalo do Mensalão do PT, o que permitiu a Lula governar o Brasil como fosse um boteco de porta de fábrica, a compra de políticos e partidos continuou, porém o método passou a ser outro. Saiu de cena o criminoso pagamento de mesadas, dando espaço à estreia do já conhecido loteamento da máquina estatal.

Crescimento econômico não acontece à sombra de conchavos políticos e de seguidos escândalos de corrupção. Muito menos com a entrega de importantes ministérios a políticos venais, que têm na mira não as premências do Estado, mas os interesses pessoais e partidários. Esse modo de governar com o apoio de uma maioria quase que disfarçadamente comprada, adotado pelo PT palaciano desde o fim do mensalão, é perigoso e passível de desmoronamento a qualquer instante.

Prova maior foi a não aprovação do orçamento da União para o próximo ano, o que deixou de acontecer porque os parlamentares sentiram-se traídos diante da impossibilidade de votar os vetos presidenciais ao projeto dos royalties do petróleo. A relação entre governo e Estado deve ser simbiótica, pois ao contribuinte é devido o retorno de cada centavo pago em imposto.

Não há como uma nação, como o Brasil, apostar em crescimento econômico sustentável quando o próprio governo abusa da cafetinagem administrativa ao mesmo tempo em que é refém de um sistema político conhecidamente prostituído.

Em relação à crise econômica que vem tirando o sono de milhões de europeus, o resultado já era esperado por muitas razões destacadas nos artigos e matérias que levam a minha rubrica há décadas. Em 1982, dez anos antes da assinatura do Tratado de Maastricht – marco que permitiu a unificação dos países que formam a União Europeia –, percebi que amontoar culturas econômicas distintas era tão perigoso quanto fumar dentro de um paiol cheio até o teto.

O Mercado Comum Europeu, que antecedeu o Tratado de Maastricht, foi um avanço em termos de desenvolvimento regional, pois permitia o intercâmbio comercial, com um cipoal de vantagens, mas preservava a individualidade econômica dos países integrantes do bloco. Para que a União Europeia se tornasse uma realidade viável era preciso encontrar a mediatriz que atendesse a todas as culturas econômicas dos países-membros, mas quem estava no topo não quis e nem mesmo poderia descer um degrau sequer.

De tal modo, o nivelamento se deu por cima, culminado com a criação de uma moeda única, o euro. Foi a partir desta decisão que algumas economias adquiriram a senha para o colapso futuro. Esse nivelamento econômico pelo topo obrigou alguns países, em dado momento do processo, a comprometer mais do que 80% do Produto Interno Bruto. Há situações específicas na União Europeia em que o comprometimento do PIB ultrapassa a casa dos 100%, o que levou essas economias à beira do abismo, algumas delas agarradas a um frágil graveto surgido no percurso do precipício.
 
Em termos pragmáticos, a saída seria acabar com a União Europeia, devolvendo a cada país a sua identidade econômica própria.
Porém, na prática tal solução causaria uma hecatombe na economia mundial. Excluir do bloco os países mais problemáticos em termos econômicos seria o mesmo que desvencilhar-se de um cachorro, atirando-o de cima do caminhão de mudança. O que fazer diante de tamanho impasse?
Continuar cercando a vaca, evitando que ela vá definitivamente para o brejo, enquanto os economistas europeus se dedicam a curar as chagas provocadas por um projeto econômico regional que, no âmbito da teoria é perfeito e viável, mas que na prática é um pavio sempre aceso.
 
Quando um jornalista decide usar o cérebro e atuar emoldurado pela lógica, abrindo mão de informações privilegiadas junto ao governo e aos políticos, sempre obtidas com adulações e salamaleques de encomenda, o exercício da profissão torna-se quase impossível.
 
Criticar o Estado e suas mazelas, assim como os erros cometidos por governantes, faz com que o jornalista se isole do cotidiano da reportagem, optando por outro tipo de jornalismo, o das análises e das críticas, que dependendo do perfil de quem está no poder pode render dividendos desagradáveis.
 
Para finalizar, sem desistir do meu posicionamento crítico em relação ao Estado e aos donos do poder, o Brasil não é o país de Alice que os ocupantes do Palácio do Planalto tentam vender à sociedade em seus discursos ufanistas e nas campanhas publicitárias que nos remetem ao eldorado.
 
A realidade brasileira é outra, e bem dura, diga-se de passagem. Desistir, jamais, mas sempre mantendo intactas a lógica e a coerência.

28 de dezembro de 2012
Ucho Haddad

A LEI E O MERCADO DA MORTE

 

Há duas atividades econômicas que têm escapado ao controle dos Estados e das sociedades: o sistema financeiro e o mercado mundial das drogas.

Talvez seja melhor proibir a atividade bancária privada, com a estatização das instituições financeiras, e permitir, mediante o controle médico do governo, o consumo das drogas.

O sistema bancário, como existe agora, além de sua cumplicidade com o narcotráfico, tem sido responsável pelas crises econômicas mundiais, porque atua à margem da ética e da justiça.



Dessa forma, seria possível quebrar a aliança tácita, secreta e criminosa, entre os bancos, que administram o dinheiro da produção e tráfico dos narcóticos, os gangsters que exploram os plantadores de papoula, coca e maconha, os laboratórios que sintetizam novos narcóticos, e os pequenos delinqüentes que distribuem a commodity aos consumidores finais, e matam e morrem na defesa de seu território de atuação.

O grande mercado mundial dos estupefacientes nasceu no momento de ascensão do capitalismo que se diz liberal, na segunda metade do século 19, e cresceu até tornar-se o que é hoje. A cocaína e a heroína foram dois exemplos da globalização da economia.

De medicamentos eficientes em certas enfermidades, obtidos do refino do ópio e do extrato de coca, transformaram-se na praga social de nosso tempo.

O símbolo dessa parceria é a Coca Cola, produzida a partir do extrato das folhas de coca, e a marca emblemática da sociedade de consumo imposta pelo american way of life.

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SEGUNDO MAIOR MERCADO


O Brasil, segundo os especialistas, é o segundo mercado mundial das drogas, depois dos Estados Unidos. Desse negócio, que também poderíamos chamar “Indústria do Medo”, e da demanda que ele gera, sobrevivem milhões de brasileiros.
Traficantes, “mulas”, “aviõezinhos”, “fogueteiros”, milicianos, apresentadores de programas sensacionalistas de rádio e televisão, fabricantes de equipamentos e sistemas de segurança, empresas de vigilância, policiais corrompidos, advogados, juízes, promotores, clínicas e ONGs especializadas no tratamento de viciados em drogas.
Esses, de vítimas se transformam, pelas circunstâncias, em delinqüentes, que assaltam e roubam, para continuar consumindo as drogas.

Policiais criminosos, como os que foram presos, às dezenas, há menos de um mês e recolhidos a um quartel do Rio de Janeiro, extorquem e ameaçam os pequenos “traficantes”. Para continuar traficando e sobrevivendo, quadrilhas combatem outras, pelo direito de ocupar os pontos de vendas. O usuário pobre, sem dinheiro, é eliminado quando não paga a sua dívida de droga.

Alguns agentes penitenciários engordam o salário do mês, levando o que é apreendido por policiais corruptos para dentro dos presídios, da mesma forma que contrabandeiam cartões e telefones celulares.

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DESCRIMINALIZAÇÃO

Nesse quadro assustador, que se reflete no aumento brutal dos homicídios em nosso país – só em São Paulo o número de mortos a tiros quase dobrou no último ano e se espera que 37.000 adolescentes serão assassinados no ano que vem – é alentador que policiais honrados, juízes e membros do Ministério Público do Rio de Janeiro tenham organizado uma associação em favor da descriminalização do consumo de drogas.

O grupo, fundado pela juíza Maria Lúcia Karam, há dois anos, pequeno em seu início, conta hoje com 68 membros, e se inspira na LEAP – Law Enforcement Against Prohibition – criada nos Estados Unidos também por policiais e juízes.

A legalização da produção, comércio e consumo de drogas, sob rígido controle do Estado, entre outros benefícios, deixaria o tráfico desprovido de suas armas maiores, que são a clandestinidade e mistério das operações.
Os bancos que operam na atividade são, hoje, os cúmplices mais abomináveis e dos mais bem remunerados agentes nesse mercado. Sempre impunes, pagam multas irrisórias, quando flagrados ao cometer o crime de lavagem do dinheiro do tráfico. Com a legalização, eles ficariam sob a vigilância das autoridades estatais.

O melhor, mesmo, para colocar a ordem da justiça na sociedade brutalizada de nosso tempo, e poupar da morte a juventude, seria a estatização, no mundo inteiro, das atividades bancárias. Um dia chegaremos lá.

(do Blog do Santayana)

28 de dezembro de 2012
Mauro Santayana

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)

 

Capítulo XIII
 
 
O resto da história os leitores conhecem melhor do que eu. Seduzido por Eva e pela Serpente, Adão não resistiu e comeu a maçã.
 
 
Capítulo XIV
 
 
Logo que comeram a maçã, por um fenômeno facilmente explicável, Adão e Eva descobriram o Pudor. Perceberam que estavam nus.
 
 
Correram até seu armário desembutido, pegaram algumas folhas de parreira, e se vestiram rapidamente.
P.S. Ao contrário do que pensam os mais jovenzinhos, o unisex não é um passo em direção ao futuro. É uma volta às origens.

Parêntesis
 
O sexo que nós perdemos ou por que não escolheram outro fruto?

Por mais que os homens de batina tentem tapear, o fato é que a maçã, na História Sagrada, significa essa palavra por tanto tempo oculta, escamoteada, falada em voz baixa ou dita na língua do P pelas crianças, quando há adultos por perto: Se-pé-qui-pi-ssô-pô. SEXO.
 
Agora, perguntamos nós que tanto entendemos do assunto: por que a maçã, de tantos frutos insípidos provavelmente o mais insípido, foi servir de símbolo e, pior, modelo, para coisa tão fundamental?
Numa enquete que fiz aqui no meu estúdio, a votação foi unânime: minhas trinta e oito secretárias (em sua maioria visitantes) declararam peremptoriamente que, se estivessem no Paraíso em lugar de Eva, e fossem tentadas por uma maçã, não teria havido expulsão, nem ódios, nem guerras e todas essas coisas que dizem originadas pelo gesto de desobediência do protocasal.
 
Evidentemente devia haver outras frutas mais saborosas e mais suculentas no Paraíso.
 
E, ao pensar nisso, choro de frustação, imaginando o sexo que nós perdemos. Sim, irmãos, pois se a maçã, tão sem gosto,
corresponde ao sexo que temos, vocês já imaginaram o sexo que teríamos se a primeira dama nos tivesse tentado com um tamarindo bem maduro, desses de dar água na boca?
 
Poderão objetar os mais espertinhos que o sexo — i.e., o fruto — não foi escolhido por Eva, mas determinando a priori pelo Todo-Poderoso, que exigiu a seus filhos não tocarem naquela árvore, porque exatamente aquela árvore era a — ai! — perdição. Mas está visto que o Senhor, que fez tantas com seus filhos terrenos, tapeou-os aí também: todas as árvores do Paraíso eram igualmente sexuais. Proibindo a macieira Ele levou o homem, fatalmente, a escolher o pior dos sexos. Dizem que em Marte, planeta melhor aquinhoado pelo Senhor, o sexo é algo de realmente sensacional, múltiplo e prolongado. Sem falar em Vênus, onde, sabe-se, o homem e a mulher, quando foram expulsos de lá, já tinham comido de todas as árvores, sem contar que misturaram sucos, fizeram saladas de frutas, batidas, molhos, e ainda partiram para experiências mais complexas convidando todos os animais a participar do desrespeito geral, em sodomias inimagináveis. Deve-se a essa extraordinária previdência e espírito experimental dos primeiros seres de Vênus, a fantástica variação e a incrível intensidade dos prazeres sexuais que possuem hoje os habitantes daquele notável planeta, fabricantes, aliás, de anticoncepcionais de eficiência inigualável.

28 de dezembro de 2012

O CAPITALISTA INCONFORMADO

 

Nick Hanauer, americano de Seattle, é um capitalista. Ele coloca dinheiro em empreendimentos nos quais acredita, e tem se dado bem. Venture capitalist, como se diz em inglês. Hanauer foi o primeiro investidor, fora da família Bezos, a comprar ações da Amazon. Ele não tem problemas em se definir como um “super-rico”.


Hanauer diz a verdade

Hanauer poderia estar quieto em seu canto, desfrutando de sua fortuna. Mas não está. A desigualdade que se alastrou pelos Estados Unidos nos últimos trinta anos, e da qual ele foi beneficiário, acabou por incomodá-lo a ponto de torná-lo um ativista social.

A essência de seu pensamento pode ser vista neste depoimento de cinco minutos que ele concedeu ao TED, uma organização que promove discussões com a finalidade de tornar o mundo melhor.

Hanauer tem um argumento que é fortíssimo. Se fosse verdade que baixando os impostos dos ricos toda a sociedade se beneficiaria com a criação de novos postos de trabalho, os Estados Unidos estariam “afogados em empregos”. E não, como acontece, em meio a uma dramática crise econômica em que o desemprego é alarmante.

Uma tese de Hanauer merece debate entre economistas. Segundo ele, quem cria emprego, na verdade, é a “classe média consumidora”, ao comprar produtos – e não empreendedores, que pouco mais fariam além, na visão de Hanauer, além de identificar os anseios do público.

28 de dezembro de 2012
Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE



28 de dezembro de 2012

CONDENADO A PRISÃO NO PROCESSO DO MENSALÃO, GENOÍNO VAI ASSUMIR MANDATO DE DEPUTADO

 

O ex-presidente do PT José Genoino poderá voltar à Câmara dos Deputados a partir de janeiro próximo. Ele é suplente do deputado Carlinhos Almeida (PT-SP) que apresentou hoje (27) seu pedido de renúncia, a partir de 1º de janeiro, para assumir a prefeitura de São José dos Campos (SP).



Presidente do PT no início do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genoino foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão em regime semi-aberto pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), que deixa o cargo no início de fevereiro, disse que Genoino pode assumir o mandato porque ainda há possibilidade de recurso e a condenação não transitou em julgado.

Ao todo, segundo a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, 27 deputados deixarão a Casa por terem vencido as eleições municipais de outubro. Os deputados Jonas Donizete (PSD-SP), Carlaile Pedrosa (PSDB-MG) e Alberto Mourão (PSDB-SP) já renunciaram para assumir mandatos de prefeito a partir de 1º de janeiro. Outros 21 parlamentares apresentaram o pedido de renúncia.

Depois de publicada a renúncia no Diário Oficial da Câmara, os suplentes serão convocados para tomarem posse. Eles têm o prazo de 30 dias para apresentar documentos e assumirem as vagas.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE la nave va…

28 de dezembro de 2012
Iolando Lourenço (Agência Brasil)

"UM ATO PRÓ-IMPUNIDADE"



 Ficou tudo para o ano que vem. Os mensaleiros não foram presos em 2012 por causa do “trânsito em julgado” e dos “embargos infringentes”.

Tem gente que prefere apostar que nao vai acontecer nada com eles, mas é apenas reflexo do velho vício brasileiro da impunidade, que faz com que as pessoas nao acreditem nem em sentenças da última instância da Justiça.

Como a prisão ainda não se consumou, não se consumou também a série de manifestações que vinham sendo preparadas - ou se não preparadas pelo menos apregoadas -pelos partidários dos condenados.

A injustiça pretensamente cometida contra o “guerreiro do povo brasileiro”, a judicializaçao da política, mexeu com Lula mexeu comigo, a mídia golpista, futuros embargos contra a condenação - tudo isso entra na grande mixórdia que justifica a permanente ameaça de uma grande manifestação pública contra a condenação dos réus do mensalão.

Se acontecer, será efetivamente a primeira manifestação pública na história deste País declaradamente a favor da impunidade.

Seria uma ironia finíssima da História: no país onde as pessoas passam uma boa parte da vida queixando-se de que a impunidade é um dos grandes males da sociedade, há um movimento para que as pessoas vão às ruas defendê-la.

Só os malabarismos da política partidária são capazes de produzir aberrações como esta.

Voltando ao Jean-François Revel da semana passada, convém lembrar outra de suas frases lapidares: a ideologia é capaz de suspender a noção de realidade e o senso moral das pessoas.

O ex-presidente Fernando Collor, no auge de sua campanha para escapar do impeachment por seu envolvimento com o esquema de corrupção comandado por seu lugar tenente Paulo César Farias, teve a coragem de pedir ao povo que saísse às ruas num determinado domingo, carregando as cores da bandeira nacional.

O povo saiu, mas fez o avesso do que ele pediu, vestiu preto e pediu sua queda.

Collor era um cavaleiro solitário, não tinha uma estrutura partidária atrás de si, como têm os condenados do PT, e muito menos uma ideologia justificadora capaz de transformar o mal em bem.

Por isso, é difícil apostar que a História se repita. A ideologia é capaz de produzir milagres. Certo é que se alguém for pra rua, não será o povo, mas a militância de um partido, praticando seu ato de fé.

Como o ano terminou em paz, com prisões e manifestações adiadas, quem sabe o tempo aja como bom conselheiro e restitua a razão aos militantes, evitando que se materialize o vexame da primeira manifestação pública pró-impunidade que se tem notícia na nossa História.

28 de dezembro de 2012
Sandro Vaia
Com Blog do Noblat - Globo Online

TARSO GENRO DIZ QUE PT PRECISA ESQUECER MENSALÃO

O governador gaúcho Tarso Genro (PT) durante entrevista à Folha em Porto Alegre
PT já fez tudo o que podia por condenados, diz Tarso.
 
Agenda de solidariedade a réus do mensalão tem que se esgotar, afirma petista. Governador diz que sigla precisa reformular seus métodos e programa levando em conta que o projeto socialista faliu
 
Governador do Rio Grande do Sul, ministro da Educação e da Justiça no governo Lula, Tarso Genro afirma que o PT precisa esgotar a "agenda de solidariedade" aos condenados no mensalão. "Já falamos o suficiente sobre isso."

Tarso, 65, foi presidente interino do PT de julho a outubro de 2005, durante a crise do mensalão. Ele assumiu o cargo logo depois que o escândalo derrubou o então presidente da legenda, José Genoino, e passou a defender uma "refundação" do partido. Disse que Lula não se reelegeria e passou a criticar José Dirceu e o ministro Antonio Palocci. Sem apoio para comandar a sigla, foi substituído por Ricardo Berzoini.
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Folha - Em artigo na Folha, em setembro, o sr. disse que não havia "pressões insuportáveis" sobre os juízes do mensalão. Recentemente afirmou que a "luta contra a corrupção" teve "impacto brutal" sobre os ministros. O sr. mudou de opinião?

Tarso Genro - As opiniões não são conflitantes. O Supremo tomou posições porque achou correto tomá-las. Mas, na democracia, os efeitos políticos sobre as instituições são sempre importantes. Houve uma pressão política muito forte, e ele acolheu por livre e espontânea vontade. Não precisaria ter acolhido: nenhum ministro seria cassado como no regime militar.

O que houve foi que transitou por dentro da mídia um prejulgamento, que incriminou todos os réus antes. Isso fez com que o Supremo buscasse fundamentar a condenação através de uma teoria que permitisse a condenação sem provas suficientes.

A ampla maioria das condenações foi adequada. Um exemplo: Delúbio [Soares]. Ele era réu confesso, é natural que fosse condenado. Eu me refiro às condenações de dirigentes do PT como Genoino e Dirceu. Independentemente das responsabilidades que tiveram de natureza política, do ponto de vista criminal não ficou provado.

E o atrito entre STF e Congresso sobre os mandatos?

É um atrito normal da conjuntura democrática que estamos vivendo. O Legislativo tem sido bastante omisso ao decidir algumas questões essenciais para o país. E esse espaço em branco determina um avanço na posição vanguardista no Supremo.

E isso ocorre por falha dos congressistas?

Não. No sistema político atual o Parlamento é mais um conjunto de retalhos de interesses regionais, que não têm a questão da Federação como elemento central.

O sr. falava em 2005 em "refundação" do PT e defende mudanças internas. O que há de errado no partido?

O partido tem que se atualizar profundamente em relação aos métodos de direção, ao seu programa de governo. É o que defendemos para que o PT retorne às suas origens. Mas retorne sabendo que existe uma outra sociedade de classes hoje, que o projeto socialista concreto faliu.
O que temo é que, se o PT não atualizar a sua mensagem, se torne um partido democrático comum, que repita, no futuro, aquilo que o velho MDB foi na resistência ao regime militar.


O que o sr. quis dizer quando afirmou que o PT não pode virar escritório de explicações?

Nossa agenda não pode ser ficar a vida inteira explicando a ação penal 470 [o mensalão]. E nem uma agenda que seja predominantemente de solidariedade aos companheiros condenados. Eles têm de ter a solidariedade devida em função de um julgamento sem provas, mas é uma agenda que o partido tem de esgotar. Quando falo que nossa agenda não pode ser composta por um escritório de explicações quero dizer que já falamos o suficiente sobre isso. A ação penal, para nós, é história agora.

Como ex-ministro da Justiça o sr. vê falta de articulação entre Estados e União na segurança?

Temos hoje dois modelos de segurança pública: São Paulo e Rio. Basta observar os resultados para ver qual está dando mais certo. O impulso do Rio é o do Pronasci, e isso não é dito por mim, mas pelo governador Sérgio Cabral. São Paulo tem um modelo tradicional, teve secretários esforçados, tem quadros respeitáveis.
No modelo tradicional a polícia entra, prende, bate quando enfrenta, mata por enfrentamento, e sai. No modelo de policiamento moderno a polícia entra junto com programas culturais, educacionais, se integra na comunidade. Gera um projeto que isola o banditismo organizado. Esse é o modelo moderno, o adequado.


28 de dezembro de 2012
FELIPE BÄCHTOLD - Folha de São Paulo

CORRUPÇÃO: UMA DOENÇA BEM BRASILEIRA

RETROSPECTIVA PETISTA


28 de dezembro de 2012

ESTADO DO MEDO - A MINHA BREVÍSSIMA RESPOSTA


A minha brevíssima resposta ao jornal sobre a carta do secretário de Roseana:
O autor não retira nenhum dado ou informação constante do artigo. Infelizmente, a situação no Maranhão é muito mais grave do que a retratada no artigo.

28 de dezembro de 2012
Marco Antonio Villa

O ESTADO DO MEDO - A RESPOSTA DO GOVERNO


O texto de Marco Antonio Villa, em O Globo de 25.12.2012, sob o título “O Estado do medo”, é um amontoado de desinformações.
 
Começa por dizer que, aqui, “o medo está em cada esquina”. Tal afirmação não procede. Desfrutamos de um dos menores índices de violência do Brasil, das taxas mais baixas de homicídios por grupos de 100 mil habitantes e da competência do aparelho policial que beira os 100% de resolução das ocorrências registradas.
 
Depois ele fala da derrubada do mandato de Jackson Lago, em 2009, atribuindo isso ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.
Não é verdade. Quem cassou o ex-governador foi o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nas provas materializadas em vídeos e depoimentos. Mais de R$ 1 bilhão em dinheiro utilizado na compra de votos. No TRE daqui, o processo não deu um passo.
 
Ele fala que o Maranhão é o Estado mais pobre do Brasil. Nada disso. No último PIB ficamos em 16º lugar, o 12º que mais cresceu de um ano para o outro no Brasil e o segundo que mais evoluiu no Nordeste.
Se ele quis se referir a PIB per capita, faltou citar que o Maranhão é o Estado mais rural do Brasil, com mais de 40% da sua população vivendo da informalidade do campo, e que na última medição do IBGE, enquanto a Bahia desceu sua população em mais de 250 mil habitantes, assim como todos os demais estados nordestinos, o Maranhão cresceu seu contingente populacional em mais de 600 mil pessoas, claro que abrigando em seus vales úmidos, entre outros, os foragidos das intempéries, tanto do Nordeste como do Norte.
 
Quando trata de mudança em artigo da Constituição Estadual, comete outro equívoco. Roseana Sarney deixou o governo do Maranhão em abril de 2002, portanto, não pode ser responsável por mudança feita no documento em janeiro de 2003, quando o governador já era outro.
 
Ele fala do sobrenome Sarney nas fachadas de equipamentos públicos. Uma verdade. Porém, também é verdade que há outros nomes e sobrenomes, de gente viva da oposição, o que comprova uma característica das gentes daqui, de homenagear pessoas dessa maneira.
Nem a cidade de Presidente Sarney ou qualquer outra fachada com nome da governadora do estado foi iniciativa dos homenageados.
 
Por fim, ele fala que o atual Governo do Maranhão criou uma lei própria de licitações, se sobrepondo à Federal 8.666. Desinformação. O Artigo 118 da Lei nº 8.666 determina que os estados criem suas leis de licitações tendo como parâmetros os estabelecidos pela Lei Federal. Bahia, Espírito Santo, Paraná e outros fizeram isso muito antes.
A do Maranhão, tida como a mais moderna de todas, foi implantada na presença do presidente do Tribunal de Contas da União, TCU, Benjamin Zimler, com notas de elogio deste.
 
No mais, o Maranhão é hoje destino de mais de R$ 120 bilhões em investimentos, públicos e privados, tem gigantescas jazidas de gás descobertas e já em fase de exploração, tem uma perspectiva de 250 mil novas vagas de emprego, o seu conjunto portuário se expande e em breve será um dos principais do mundo e tem em andamento a implantação da maior refinaria de petróleo do Brasil. Dessas boas notícias o professor Marco Antonio Villa não tem conhecimento.

Sérgio Macedo
Secretário de Comunicação Social do Estado
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Sobre o artigo “O estado do medo” (Marco Antonio Villa, 25/12), não procede a informação de que, aqui, “o medo está em cada esquina”.
Desfrutamos de um dos menores índices de violência do Brasil, das taxas mais baixas de homicídios por grupos de 100 mil habitantes e da competência do aparelho policial que beira os 100% de resolução das ocorrências registradas.
A respeito da cassação de Jackson Lago, em 2009, foi o TSE, com base nas provas materializadas em vídeos e depoimentos. No TRE daqui, o processo não deu um passo. Ele fala que o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil.
 
No último PIB ficamos em 16º lugar, o 12º que mais cresceu de um ano para o outro no Brasil e o segundo que mais evoluiu no Nordeste.
Quando trata de mudança em artigo da Constituição Estadual, comete outro equívoco. Roseana Sarney deixou o governo do Maranhão em abril de 2002, portanto, não pode ser responsável por mudança feita no documento em janeiro de 2003.
 
Sobre o sobrenome Sarney nas fachadas de equipamentos públicos, é verdade, porém, também é verdade que há outros nomes e sobrenomes, de gente viva da oposição, o que comprova uma característica daqui, de homenagear pessoas dessa maneira.
Nem a cidade de Presidente Sarney ou qualquer outra fachada com nome da governadora foram iniciativas dos homenageados.
Por fim, fala que o atual Governo do Maranhão criou uma lei própria de licitações, sobrepondo-se à federal, 8.666. O artigo 118 da Lei nº 8.666 determina que os estados criem suas leis de licitações tendo como parâmetros os estabelecidos pela lei federal.

Sérgio Macedo
Secretário de Comunicação Social do Estado

MARANHÃO: A TERRA DO MEDO


Como repercutiu bem o artigo "O Estado do medo", republico uma entrevista que dei à Folha de S. Paulo em junho de 2009. O tema é a relação entre Lula - no exercício da Presidência - e José Ribamar Costa, vulgo José Sarney. Observem que a jornalista fez referência a um outro artigo meu, de outubro de 2005, que também denunciava a famiglia Sarney, especialmente seu chefe, José Ribamar.

SARNEY NÃO DEVERÁ RENUNCIAR, DIZ HISTORIADOR

Marco Antonio Villa, da UFSCar, avalia que presidente do Senado só deixa o cargo

Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos, escreveu em outubro de 2005 o artigo "A crise política e o coronelismo", na Folha. O texto gerou polêmica por conta das críticas a José Sarney (um dos filhos do senador enviou carta ao jornal respondendo ao historiador).

Quatro anos depois, Villa diz que nada mudou em sua análise. Pelo contrário, a situação piorou:
"É a pior crise na história do Senado republicano".
Para o professor, a tendência é de que Sarney se mantenha no cargo, pois tem o apoio da maioria dos senadores. Villa diz que o presidente da Casa só deixará a cadeira se calcular que isso beneficiará as pretensões da família no Maranhão.

FOLHA - Em 2005, o sr. escreveu um artigo que gerou polêmica pelas duras criticas a Sarney. Quatro anos depois, o que mudou na sua análise?

MARCO ANTONIO VILLA - Infelizmente nada. José Sarney mantém hoje relações até mais extensas com o governo federal. O poder local, provincial, que ele tem, deve-se às relações estreitas com o governo federal. Só é um cacique tão poderoso porque controla as nomeações federais para o Maranhão, os recursos orçamentários. É um intermediário -na minha opinião perverso- entre o governo federal e o Maranhão. Sarney é o maior, o mais antigo dos oligarcas e o de maior êxito.
FOLHA - O que essa atual crise do Senado tem de peculiar?

VILLA - É a maior crise do Senado republicano. O início de tudo foi a eleição da Mesa Diretora, mas ninguém imaginava que iria alcançar tamanhas proporções. Pela primeira vez ficou claro que o Senado era dirigido por funcionários que transformaram crimes em algo cotidiano, como se fossem atos normais. É algo muito grave.
FOLHA - Que consequências práticas a atual crise pode trazer?

VILLA - O Ministério Público terá que atuar, porque foram cometidos crimes gravíssimos. Esse é um dos pontos centrais da grave crise ética que vivemos. Não é possível ter mais de 600 atos sigilosos e a Justiça não fazer nada. Os escândalos envolvendo Renan Calheiros em 2007 são coisas de criança se comparados aos deste ano.

FOLHA - Renan renunciou à presidência. Sarney pode renunciar?

VILLA - A maioria do Senado não é contrária ao Sarney e tudo indica que não deva mudar de opinião porque tem práticas pouco republicanas e não acredita que a ação do Sarney seja algo negativo para a Casa. Ao contrário, acha isso natural. Os senadores (inclusive aqueles que se destacam pelo discurso da ética) foram coniventes com esses atos secretos. A grande maioria foi beneficiada. Isso explica a dificuldade do próprio Senado ter condição de se reformar. Agora, se as revelações continuarem, pode ser que o caminho seja a renúncia.

FOLHA - Por quê?

VILLA - Sarney raciocina pensando nos interesses da sua família. Creio que o grande temor de renunciar à presidência do Senado é o de perder influência no governo federal e isso prejudicar os interesses da família. É esse raciocínio que ele vai utilizar para decidir se renuncia ou não. A saída só ocorrerá se ele perceber que a avalanche de denúncias chegou a tal ponto que coloca em risco o domínio da família no Maranhão e a eleição de Roseana ao governo estadual em 2010. Ele é um bom chefe de família, basta ver o número de familiares que empregou no Senado. Muitos senadores jogam com o esquecimento. Sarney bem que poderá dizer ao Renan: "Eu sou você amanhã". Renan usou a estratégia de se retirar dos holofotes e se deu bem. Antonio Carlos Magalhães renunciou ao mandato e voltou eleito senador.

FOLHA - O que o sr. achou da declaração de Sarney de que sofre ataques porque apoia Lula?

VILLA - É uma estratégia porque ele precisa se manter próximo do presidente. O oligarca só tem poder na província porque tem forte poder central. Romper o poder coronelístico por dentro, na própria província, é tarefa quase impossível. Por isso torço para que o próximo presidente consiga destruir a fonte do poder dos oligarcas: as relações privilegiadas que o clã mantém com a União.
A questão central é que, hoje, Lula e Sarney são unha e carne, faces da mesma moeda. Por incrível que pareça, eles não se distinguem, o que é estranho pelas histórias tão distintas. A crise ética no Brasil chegou a tal ponto que não há mais distinção entre o Lula e o Sarney.

 
28 de dezembro de 2012

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
Entrevista - Marco Antonio Villa
Folha de S. Paulo - 28/06/2009