"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 4 de março de 2013

MODUS OPERANDI! NUNCA NA "ISTÓRIADEZTEPAIZ" UMA CARTILHA DE DE(S)CÊNIO TEM TANTAS PÁGINAS ANEXAS/AVULSAS II

                      O Menu de Truques Contábeis. OU : CAIXA DE PANDORA .
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Na última terça-feira dia 26 de fevereiro, a pedido da associação dos funcionários do IPEA, dei uma palestra para explicar para funcionários de fundos de pensão de algumas empresas estatais quais são os truques contábeis feitos pelo governo federal.

Na semana passada havia dado uma palestra sobre o mesmo tempo mas não consegui explicar muito bem. Dessa vez acho que consegui de forma bem didática fazer uma tipologia dos cinco truques contábeis que poderíamos chamar de contabilidade criativa.


Esses cinco truques contábeis são os seguintes:

(1) emitir novas dívidas para emprestar para bancos públicos e, simultaneamente, recolher dividendos desses bancos (inclusive dividendos antecipados).

Se um banco público precisa de recursos, o correto seria o governo deixar a instituição reter os dividendos que seriam distribuidos e, assim, reduzir as emissões de dívida.

(2) O segundo truque contábil é vender receitas futuras (dividendos) de outras estatais para o BNDES e, assim, o Tesouro transforma uma receita que entraria no futuro em receita primária hoje.


Isso foi feito, em 2009 e 2010, com créditos (dividendos) a receber da Eletrobrás e agora será feito com a receita futura de Itaipu.

(3) O terceiro truque contábil foi um dos maiores absurdos recentes que envolveu BNDES e Petrobras.


Originalmente, a operação aprovada no Congresso Nacional, em 2010, permitiu ao governo ceder 5 bilhões de barris de petróleo (que estão lá no fundo do mar) por R$ 74,8 bilhões à Petrobras que pagaria ao governo com ações da companhia.



Mas alguém “esperto” resolveu emitir R$ 25 bilhões em novas dívidas para mandar para o BNDES que, em conjunto com o Fundo Soberano, compraram R$ 32 bilhões de ações da Petrobras que pagou parte dos 5 bilhões de barris de petróleo ao Tesouro não com ações, mas com esse dinheiro.

Assim, uma operação que deveria ser neutra do ponto de vista fiscal, troca de barris de petróleo por ações, acabou gerando uma receita primária de R$ 32 bilhões (1% do PIB).



A pessoa que bolou essa operação vai pleitear em breve uma menção especial no livro Guinness World Record de “maior cara de pau do mundo”.


(4) O quarto truque contábil é a tentativa de redefinir o conceito de primário.


Resultado primário é receita primária menos despesa primária. Mas desde 2008 tem essa idea esquisita de descontar despesas do PAC e agora está em estudo descontar parte das desonerações.
Truque, truque e mais truques!!!!


(5) O quinto truque contábil é postergar o pagamento de despesas que dão origem a uma montanha de restos a pagar.


Os cálculos que fiz mostram que, por baixo, pelo menos R$ 40 bilhões dos restos a pagar não podem ser cancelados:
(a) R$ 13,6 bilhões do Minha Casa Minha Vida,
(b) R$ 6,3 bilhões dos subsídios orçamentários do programa de sustentação do investimento (PSI);
(c) R$ 14 bilhões da saúde que precisa ser executado para cumprir com o mínimo constitucional;
(d) R$ 2,6 bilhões do FGTS que não foi pago no ano passado;
e (e)mais uns R$ 2,2 bilhões de equalização de juros do crédito agrícola. Ou seja, se o governo terminasse hoje, ele deixaria de presente para o próximo presidente perto de 1% do PIB de despesa ainda não contabilizada na despesa primária . E a propósito, isso não entra na estatística da dívida pois “restos a pagar” é dívida flutuante – não é contabilizado como dívida bruta ou líquida. Isso entra no meu menu da contabilidade criativa.

Abaixo descrevo as várias fases da despesa pública. Quando termina o ano (linha pontilhada) e o dinheiro que está empenhado não foi liquidado, isso dá origem a um resto a pagar não processado. Se o recurso empenhado foi liquidado, mas não pago, temos um resto a pagar processado.



Será que ficou claro para todo mundo agora o menu de opções que podemos chamar de contabilidade criativa? Tentei ser o mais didático possível e espero ter conseguido explicar.
Original/ìntegra :
O Menu de Truques Contábeis
por
mansueto

MODUS OPERANDI! NUNCA NA "ÍSTÓRIADEZTEPAIS" UMA CARTILHA DE DE(S)CÊNIO TEM TANTAS PÁGINAS ANEXAS/AVULSAS

                                              Estados mais endividados

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A agência classificação de risco Fitch Ratings afirma que os estados brasileiros estão “muito endividados” e se eles contraírem novas dívidas poderão “ameaçar seus perfis financeiros, a menos que canalizadas para investimentos”.
No estudo “Retomada do Crédito a Subnacionais no Brasil”, a empresa avalia que os estados já comprometem parte importante de suas receitas com o pagamento de juros e “os critérios adotados pelo governo federal para autorizar novas dívidas não são transparentes”.
A Fitch defende que a aprovação de novos empréstimos deve ser pública assim que a autorização é concedida. No ano passado, o governo autorizou a alta do endividamento de 21 estados em mais R$ 58,3 bilhões.

“Necessidades significativas de investimentos, que ultrapassam a capacidade de financiamento própria dos estados e que não possam ser atendidas por investidores privados, moverão a dívida dos subnacionais brasileiros nos próximos anos”, comenta o texto.
A agência classifica, por exemplo, o Estado de São Paulo como “altamente endividado” e aponta que o governo paulista poderia aumentar o nível de sua dívida em 6,6%, ou R$ 11,9 bilhões.

De acordo com a companhia, outras unidades do Nordeste que tiveram autorização para elevar dívida são muito dependentes de repasses da União como fonte de receita.


Na avaliação da Fitch, há um limite de crédito junto aos órgãos ligados ao governo federal, como BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que “estão perto do teto”.


Segundo a empresa, a saída serão os estrangeiros.
No ano passado, os bancos privados estrangeiros em operação no país desembolsaram US$ 2,5 bilhões para três estados, que usaram os recursos para amortizar parte da dívida com o governo federal.
Correio
04 de março de 2013

FRITJOF CAPRA LANÇA ANÁLISE DA OBRA DE LEONARDO DA V INCI

Físico fala do maior gênio do Renascimento italiano, que tem dois livros lançados sobre sua obra como anatomista e engenheiro
O físico vienense Fritjof Capra, conhecido pelo best seller Ponto de Mutação, admite que não poderia ter avaliado os trabalhos científicos do gênio renascentista Leonardo da Vinci (1452- 1519) sem a ajuda de colegas especializados em outras disciplinas.
Ele faz a revelação logo no começo de seu livro A Alma de Leonardo da Vinci, que a editora Cultrix colocou no mercado quase que simultaneamente ao lançamento de Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci, coedição luxuosa da Ateliê Editorial e a Editora Unicamp que reproduz 215 gravuras anatômicas do pintor.

Capra fala também desses desenhos em seu livro. É possível, portanto, entender a razão de ter recorrido a colegas para empreender uma análise do pensamento científico de Da Vinci, definido por ele, em entrevista exclusiva ao Estado, como a "síntese perfeita entre arte, ciência e tecnologia".

Da Vinci (1452- 1519) foi um 'pensador sistêmico', diz Capra - Reprodução
Reprodução
Da Vinci (1452- 1519) foi um 'pensador sistêmico', diz Capra
 
A herança cultural deixada por Da Vinci é especialmente valiosa para nosso tempo, diz Capra, por ter sido o pintor um pesquisador sistêmico, "um observador da natureza que não teve influência direta sobre os cientistas que vieram logo depois dele - por não ter publicado suas descobertas-, mas que é fundamental para o século 21, quando problemas globais tendem a ser analisados segundo uma perspectiva interdisciplinar".

A essência de sua "alma", segundo Capra, é justamente "a conjunção de sua curiosidade intelectual com engenho experimental". E coragem, faltou acrescentar. O livro Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci, por exemplo, traz 1.200 desenhos que não seriam possíveis sem que desafiasse a bula papal, partindo para a dissecção de cadáveres, punida em sua época com a excomunhão.

Se Da Vinci vivesse hoje, arrisca Capra, ele seria um cientista holístico, lutando pela sustentabilidade. "É difícil afirmar categoricamente que Leonardo teria seguido esse caminho quando se trata de um gênio de personalidade complexa, mas tudo indica que sim."

Só um artista que definiu a pintura como fruto da observação da natureza e estudou a correlação dos padrões botânicos e animais, de acordo com Capra, podia dizer que "entender um fenômeno é associá-lo a outros fenômenos". Séculos antes das especulações futuristas do filme Matrix, Da Vinci já levava em conta a similaridade de padrões nos mundos animal e vegetal.

Curiosamente, para um homem tão sábio, segundo Capra, não se encontra nos cadernos de anotações de Da Vinci uma só linha sobre suas emoções. Ele analisou esses caóticos cadernos de notas, tentando seguir o método empírico do artista - basicamente apoiado na observação dos fenômenos naturais -, mas não descobriu em nenhuma das 6 mil páginas, dispersas entre bibliotecas e museus, uma mísera referência à vida privada de Da Vinci.
"Há só uma nota em que ele registra a morte do pai, ainda assim de passagem."

Os estudos sistêmicos de Da Vinci são fundamentalmente diferentes da ciência mecanicista de Galileu (1564-1642) e Newton (1643-1727). Nem tudo se explica pelas leis da mecânica. Essas são ideias do século 17 que Leonardo não aprovaria se tivesse nascido nele. Capra apresenta a ciência das formas orgânicas de Da Vinci como "radicalmente diversa" de seus seguidores.

"Como cientista, ele coloca a vida no centro de tudo, mostrando que os fenômenos naturais são interdependentes e interligados." Esta, observa Capra, é com certeza uma boa lição para a ciência atual. "Ele foi o primeiro anatomista moderno, um ecofilósofo e ecocientista que não viu o corpo humano apenas como uma máquina."

04 de março de 2013
ANTONIO GONÇALVES FILHO - O Estado de S.Paulo

LINCOLN 51, COM POUCO USO

 
Lula, sobre seus adversários: "Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições" (Foto: Fernando Donasci)
Lula, sobre seus adversários: "Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições" (Foto: Fernando Donasci)

Um dia de festa, 30 anos da CUT, muita comemoração. O ex-presidente Lula estava no clima da festa, animado, comemorando. Fez um discurso inebriante.

1 – Sobre seus adversários: “Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições”. Talvez por isso fossem adversários. Se quisessem que Lula ganhasse as eleições, não seriam seus adversários, seriam aliados. Ou talvez nem quisessem que ele ganhasse, mas estavam no PMDB e aproveitaram para ganhar junto.

2 – Sobre si mesmo: “Eu ando lendo muito agora”. Claro, claro. E o professor Delfim Netto está emagrecendo, e o prefeito ACM Neto está ficando mais alto.

3 – Sobre imprensa e História: “Eu fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860. Igualzinho bate em mim”. Para os lulistas, ao cooptar congressistas para votar a Abolição, Lincoln fez o mesmo que o Governo do PT: usou a única maneira possível de garantir a governabilidade. Só que Lincoln para aprovar a libertação dos escravos, sem sequer pensar – um político das antigas, sem “capitão do time”, sem Delúbio, sem Boy, sem PMDB – em coisas mais modernas e permanentes, como por exemplo o Mensalão.

Mas, justiça seja feita, o ex-presidente Lula só tratou de temas políticos. As piadas que surgiram, comparando-o a um automóvel vermelho Lincoln 51, de alto consumo, ou aos cigarros Lincoln, que tiveram seu momento de glória e logo sumiram, ainda antes que se soubesse que cigarro faz mal, foram criadas por aqueles que “não queriam que ele ganhasse as eleições”.

Coisa muito injusta

04 de março de 2013
Carlos Brickmann

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Juro que eu pensei que o 51 fosse uma referência ao aguardente... Só me toquei depois quando atinei com o complemento "com pouco uso".
m.americo

"DUAS REVOLUÇÕES, DOIS DESTINOS"

 
Os recentes incidentes envolvendo a visita ao Brasil da blogueira cubana Yoani Sánchez, hostilizada por turbas agressivas da "Solidariedade com Cuba", foram também uma oportunidade perdida para debater o argumento de que a ditadura "de esquerda" seria o inevitável preço a pagar pelos grandes "avanços sociais".
É comum escutarmos que as restrições à liberdade de expressão e de imprensa, a ausência de eleições livres, de pluralismo político ou de alternância no poder, passado mais de meio século da revolução cubana, se justificam por suas conquistas na educação e na saúde e pela ausência de fome e miséria absoluta na ilha.

O argumento jamais se sustentou na comparação com outra revolução que a precedeu em 11 anos: a da Costa Rica, de 1948, que obteve notáveis avanços em educação e saúde e garantiu um padrão de vida muito mais elevado, sem o sacrifício das liberdades, do pluralismo, do respeito aos direitos humanos e de um Judiciário independente.

Hoje a maioria da população costa-riquenha é de classe média, seu salário mínimo é 15 vezes maior que o de Cuba, seu produto interno bruto (PIB) e a sua renda per capita são os mais altos da região. Há três vezes menos suicídios do que em Cuba. A Costa Rica tem políticas ambientais e ecoturismo de referência internacional e ambiciona tornar-se o primeiro país carbono neutro do mundo.


A revolução de 1948, liderada por José María Figueres Ferrer, conhecido como Don Pepe Figueres, derrubou o regime oligárquico do presidente Teodoro Picado e do seu mentor político Rafael Calderón Guardia, que fraudavam sistematicamente as eleições, como na nossa República Velha.


Foi desencadeada em reação a um "autogolpe" - queimaram as listas com os resultados eleitorais, privando da vitória o candidato progressista Otilio Ulate, e assassinaram um dos líderes oposicionistas, Carlos Luis Valverde.

Detalhe curioso: o pequeno partido comunista local, o Partido Vanguardia Popular (PVP), apoiava ativamente o regime oligárquico.

A desmobilização de suas milícias, em troca da garantia dos direitos sindicais e da sua legalidade, acertada numa dramática negociação entre o secretário-geral do PVP, Manuel Mora, e José Figueres, na floresta de Ochomogo, foi decisiva para a relativamente incruenta vitória da revolução após 40 dias de combates.


A junta revolucionária, liderada por Don Pepe, nacionalizou os bancos para democratizar o crédito - até então exclusividade da burguesia compradora (importadora) -, permitindo desenvolver a agricultura e a indústria. Investiu obsessivamente na educação, instituiu a autonomia do Judiciário.


Dissolveu seu próprio exército revolucionário depois de uma tentativa de golpe do então ministro da Defesa, Edgard Cardona, inconformado com o tratamento leniente dado por Figueres aos comunistas. Isso não o impediu de derrotar, com o povo em armas, uma invasão do ditador Anastasio "Tacho" Somoza (pai), da Nicarágua, onde se haviam exilado Picado e Calderón.

Ao final de 18 meses, Figueres entregou o governo a Otilio Ulate, legitimamente eleito nas eleições "meladas" do ano anterior, apesar de notórias divergências entre ambos. Voltou à sua Fazenda La Lucha sin Fin, onde ficou até 1953, quando disputou democraticamente e foi eleito presidente.


Cercada de ditaduras por todos os lados até anos recentes, a Costa Rica jamais deixou de promover eleições livres a cada quatro anos. Poderia ter sido assim em Cuba 11 anos mais tarde?


Don Pepe apoiou Fidel Castro com dinheiro e armas. Foram amigos, mas romperam quando Fidel se aliou ao bloco soviético. O contexto da guerra fria - em 1948, nos primórdios, em 1960, no apogeu -, com uma quase imediata hostilidade norte-americana à revolução cubana, fez a diferença, bem como a personalidade de Fidel.


Entre os líderes das duas revoluções ressaltam diferenças de idade, origem social e experiência de vida: Don Pepe, filho de um modesto médico catalão, era pequeno fazendeiro, tinha 42 anos ao liderar sua revolução. Conhecia bem os Estados Unidos, onde estudara. Sua primeira esposa, Henrietta Boggs, era americana.


Ele sabia explorar com habilidade as contradições internas em Washington e nunca quis aliar-se à URSS, embora tenha nacionalizado a United Fruit, o flagelo das Repúblicas bananeiras.

Fidel, filho de um grande latifundiário de origem galega, era universitário quando chefiou o assalto ao quartel de Moncada. Depois conheceu apenas a prisão, o exílio e Sierra Maestra. Don Pepe era de ouvir, negociar e pactuar. Fidel nasceu para mandar e ser obedecido.

Com pouco sangue e sem paredón, a revolução de 1948 não figura no panteão histórico-jornalístico. É praticamente desconhecida, ao contrário das revoluções trágicas ou das derrotas heroicas dos mártires, não importa quão patéticos ou desavisados.


Uma revolução com final feliz, um país que há 65 anos "caiu numa democracia", para nela permanecer até hoje, um líder revolucionário que resolveu abrir mão do poder para depois disputar eleições livres, em 1953 e 1970, são decididamente indignos do rol de eventos e personagens históricos de primeira linha...

Don Pepe Figueres, que gostava de se definir como "socialista utópico", nunca cultivou o "Patria o Muerte" ou outro necrófilo brado retumbante do gênero. Seus compatriotas, los ticos - os costa-riquenhos - pacíficos e cosmopolitas, são, com toda a probabilidade, mais felizes. No entanto, a felicidade - gota de orvalho numa pétala de flor -, pelo visto, não é um indicador relevante no fazer História do nosso tempo.


Essa pacata democracia sexagenária, ainda que em terra de tantos vulcões, não evoca o menor romantismo, não vale sequer uma camiseta ou boina negra com estrelinha vermelha. Mas constitui intenso objeto de desejo na "geração Y", de Yoani Sánchez, dos filhos daquela outra revolução, a tão exaltada em prosa e verso.

04 de março de 2013
Alfredo Sirkis
O Estado de São Paulo

GOVERNO DILMA BATE RECORDE DE GASTOS COM FESTIVIDADES E HOMENAGENS


 
 
Em dois anos, o governo de Dilma Rousseff ficou próximo de gastar com festividades e homenagens o mesmo que foi desembolsado nos quatro anos do segundo mandato do governo Lula. Em valores constantes (atualizados pelos IGP-DI, da FGV), enquanto o ex-presidente desembolsou R$ 144,6 milhões entre 2007 e 2010, a atual presidente já utilizou 91,1% desse valor em apenas dois anos de governo, o que significa montante de R$ 131,7 milhões.

O governo Dilma pode ser considerado o mais "festeiro" desde, pelo menos, 1999. As despesas com festividades e homenagens nos anos passado e retrasado bateram recordes.

Em média, foram R$ 59,9 milhões por ano de mandato, enquanto seu antecessor desembolsou a média de R$ 36,1 milhões por ano no segundo mandato e R$ 11,9 milhões nos primeiros quatro anos de governo. No segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o gasto médio anual foi de R$ 14,6 milhões.

O ano passado bateu recorde com gastos em festividades e homenagens, com dispêndios de R$ 74,3 milhões. A cifra representou aumento de R$ 16,8 milhões quando comparada com os R$ 57,3 milhões de 2011, em valores constantes.

Veja tabela aqui

A Fundação Nacional de Arte (Funarte) foi a entidade "campeã", com R$ 11,3 milhões em 2012. Entre os contratos realizados para eventos de festividades e homenagens, o mais significativo em valor foi o celebrado com a "Romepar Consultoria, Representações e Participações", do Rio de Janeiro, quando foram pagos R$ 1 milhão para o arrendamento de local em Lisboa para a comemoração do ano "Brasil em Portugal".

Em seguida, nas mesmas rubricas, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) gastou R$ 9,3 milhões. O maior contrato foi celebrado com o "Di Gagliardi Buffet", de Brasília, quando foram pagos R$ 1,4 milhões para a empresa prestar serviços em cerimoniais.

Em terceiro lugar, ficou o Fundo Nacional de Cultura, que aplicou R$ 6 milhões no ano passado com esse gênero. Entretanto, não foram localizados os contratos realizados entre o Fundo e as empresas de prestação de serviços.

O Contas Abertas entrou em contato com a assessoria do MRE e do Ministério da Cultura, que responderia pela Funarte e pelo Fundo Nacional da Cultura, para saber os motivos que fizeram os órgãos liderarem em gastos na rubrica "festividades e homenagens". Entretanto, até o fechamento desta reportagem, elas apenas retornaram pedindo mais informações sobre a qualidade dos gastos, sem terem feito qualquer tipo de esclarecimento.

Uma curiosidade da lista de gastos com festividades e homenagens é que entre os 20 primeiros orgãos que fizeram uso de verba pública com este fim, seis são de unidades orçamentárias do Ministério da Defesa. As repartições militares, se somadas as despesas do Comando da Marinha, Fundo e Comando do Exército, Fundo e Comando da Aeronáutica e Justiça Militar da União, despenderam R$ 7,1 milhões com festas e homenagens.
04 de março de 2013
Gabriela Salcedo
Do Contas Abertas

CARGA TRIBUTÁRIA BATE RECORDE EM 2012 E CHEGA A 36,27% DO PIB

       Segundo o IBPT, impostos somaram R$ 1,59 trilhão
 
A carga tributária somou recordes 36,27% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) em 2012, chegando a a R$ 1,59 trilhão.
 
A conclusão é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
O número é maior que o registrado em 2001, quando ficou em 36,02% - ou R$ 1,49 trilhão. Nos últimos dez anos, a carga tributária cresceu 3,63 pontos percentuais.

Em 2012, cada brasileiro pagou em média R$ 8.230,31, contra R$ 7.769,94 em 2011. É uma alta de quase 6%.

De acordo com o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o baixo crescimento do PIB no ano passado, de 0,9%, e a elevada arrecadação tributária ocasionaram o aumento de 7,03% na carga tributária.

- O IBPT havia previsto uma pequena queda da carga tributária de 2012, mas a surpreendente arrecadação de novembro e dezembro e o fraco desempenho do PIB resultaram em novo recorde histórico. Nem mesmo as desonerações e o fraco desempenho do PIB conseguiram diminuir a carga tributária brasileira - afirma Amaral.

Segundo Amaral, as desonerações pontuais não se refletem em queda da carga tributária.

- É necessária a diminuição efetiva das alíquotas para todos os setores da economia - diz.

No ano passado, a arrecadação tributária chegou a R$ 4,36 bilhões por dia ou R$ 3,03 milhões por minuto.

O estudo demonstra que a arrecadação para o INSS – Previdência Social foi o item que registrou maior evolução, de R$ 30,73 bilhões em relação ao ano de 2011.
O ICMS vem em segundo lugar, com R$ 28,48 bilhões, seguido da COFINS, com R$ 16,39 bilhões e o Imposto de Renda, com R$ 14,33 bilhões.

Os tributos federais apresentaram crescimento de R$ 65,38 bilhões, respondendo por 69,96% do total. O destaque ficou com o Imposto sobre Importação, com a maior alta. O avanço foi de 16,39%, para R$ 31,11 bilhões.

Os tributos estaduais somaram R$ 31,38 bilhões, com 24,71% do total arrecadado. Já os tributos municipais ficaram em R$ 8,11 bilhões, com 5,33% do total.

04 de março de 2013
Bruno Rosa - O Globo

PLANETA DOS MACACOS


Cada um no seu quadrado é a filosofia de vida que poderia, muito bem, ter sido escrita por Nietzsche. Cada qual no seu lugar! Logo se vê que quando um sai do canto, dá confusão.

Vejamos um exemplo clássico: as carpas. As carpas viviam felizes na Ásia, onde nadavam e comiam plantinhas, mas no que importaram os peixes da China e levaram para os lagos americanos, a coisa desandou.

Chegaram ao novo ambiente, sem predadores naturais, e se espalharam geral. Cresceram sem controle e comeram toda vegetação da área prejudicando os outros peixes da região.

Recentemente, aqui por Pernambuco, outro bicho, que está na região errada, anda causando problema para a fauna local e dando dor de cabeça aos biólogos: os macacos invasores!

Os bichos são da raça saimiris e só chegaram aqui, vindos da Amazônia, por conta de apreensões de contrabando feitas pelo Ibama. Isso lá pelos idos dos anos 80 mas, como até hoje os macacos não foram devolvidos, se reproduziram e os 20 inofensivos micos fofos se transformaram em 300 terroristas da reserva de Saltinho, em Tamandaré, litoral sul de Pernambuco.


Lá, sem seus predadores naturais, eles tocam o terror e devoram ovos de aves, entre elas duas ameaçadas de extinção e predam filhotes de outros animais, inclusive os simpáticos saguis. Tudo isso porque os saimiris estão no bioma, leia-se quadrado, errado.

O que me faz pensar nos americanos no Afeganistão! Claramente os gringos estão no quadrado errado, por tempo demais, destruindo a fauna e a flora democrática mundial.

A gente, das bandas de cá, já se acostumou com os ianques invadindo os quadrados alheios de tal forma que nem achamos mais estranho. O fato é que já deveriam ter voltado para casa, lá no hemisfério norte da nossa querida América, para lutarem com seus predadores naturais: o hambúrguer e o bacon, deixando os afegãos se virarem sozinhos.

Eles já mataram Bin Laden, já destruíram lares, casas, explodiram prédios, mataram inocentes e continuam reproduzindo descontroladamente o terror e o ódio porque,Yes, They Can.

Cada um no seu quadrado não foi, mas poderia ter sido a base da teoria democrática universal. Ia evitar tanta coisa!

04 de março de 2013
Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa ali e fora dali.

DIVERSIDADES CULTURAIS

Educado é fingir que o outro não existe


Mauricio Savarese

O que nós latinos achamos de uma frieza sem igual, como não ganhar um bom dia de volta do porteiro do prédio ou ouvir o silêncio em resposta a um comentário bem humorado no ônibus, para os londrinos é uma forma sutil de mostrar respeito pelo espaço alheio.

E isso, descobri em um livro que se pretende de sociologia britânica, tem até nome: polidez negativa. Não vale para os pubs, onde a bebida fala bastante, mas quem papeia com estranhos em espaços públicos pode ser confundido com um doido ou com alguém que acabou de tomar todas.

Milhões de pessoas vêm das cidades ao redor de Londres para trabalhar ou estudar. Muitos pegam trem no mesmo horário todos os dias com um mesmo grupo de pessoas. Nem por isso se falam. Um colega que vem de uma cidadela chamada St Albans passa cerca de três horas todos os dias viajando para Londres. Na etapa da manhã, há uma moça por quem ele ficou abobado há dois anos. Conversaram pela primeira vez há duas semanas, quando o trem quebrou e os passageiros tiveram de andar nos trilhos de volta para a estação de origem.

“Reclamamos dos atrasos”, disse ele. Nem o nome perguntou. Eles continuam se vendo no trem da manhã. E voltaram a não se falar. “É normal. Se você conversa com uma pessoa uma vez, pode ficar na obrigação de falar de novo. Ninguém quer isso. Para falar mal do transporte ok, todo mundo fala mesmo”, ele me conta. E me relembro só interagia com gente daqui antes da faculdade quando o metrô travava.


Shaun Curry / AFP Photo

Uma amiga que já passou uma longa temporada na América do Sul diz que ficava chocada com as olhadas de brasileiros e argentinos. “Aqui olhar diretamente tem só dois sentidos: não gostei de você ou gostei bastante de você. Mas mesmo quando gostam ninguém te olha como vocês fazem lá”, ela diz. “Talvez vocês entendam que ser educado é fazer o outro se sentir querido e nós somos mais preocupados em não ofendermos. São sensibilidades diferentes.” Bingo.

Já vi gente corar no ônibus ao ser pega saltando os olhos para o meu jornal. Já vi uma bêbada bonita baixar a cabeça porque eu e um amigo olhamos com interesse (ela entendeu outra coisa, disse à amiga que não tínhamos direito de olhar só porque ela tinha tomado demais). Enfim, agora aceito que parte do que chamamos de frieza seja outra coisa. No fundo, o meu desconforto com eles deve ser tão grande quanto o deles comigo.

04 de março de 2013
Maurício Savarese é mestrando em Jornalismo Interativo pela City University London. Foi repórter da agência Reuters e do site UOL.

INDIGNAI-VOS! *


Comprei o livro em uma livraria em Hamburgo, em 2010, sentei em um café ao lado e li inteiro de uma só vez. No mesmo momento comecei a escrever o “Reaja!”, publicado em 2012 pela Editora Garamond.

O livro me fascinou pela força da defesa do direito e da obrigação de as pessoas se indignarem diante das coisas erradas do mundo. Mas, também, pela força vinda de um homem com mais de 90 anos no momento em que o escreveu.

Meu fascínio por Stéphane Hessel aumentou quando, em 2010, o conheci, aos 92 anos, durante um debate em Poitiers, na França, onde também estava Edgar Morin, um junior com apenas 90 anos. Depois de horas de debates com jovens, instigando-os a exercerem a indignação, ainda tivemos tempo de jantar e conversar um longo tempo.

Minha admiração só fez aumentar, e aumentou ainda mais quando li sua autobiografia "Dançando com o século".

No livro “Indignai-vos”, Hessel provoca os jovens de hoje a saírem do individualismo, a descobrirem as razões que enchem o mundo de revolta e pede que se indignem contra as injustiças do mundo.

Apesar da idade, ele ainda teve tempo de ver sua provocação dar resultados ao redor do mundo, de Wall Street, em Nova Iorque, à Praça Catalunha, em Barcelona, e em tantos outros lugares onde os jovens foram às ruas.


Mas ainda não foram as motivações que ele queria. Os jovens ficaram muito vinculados aos seus interesses de grupo social no presente. É por esta razão que muitos de seus amigos, inclusive Edgar Morin, estão tentando criar um Tribunal para julgar os Crimes contra a Humanidade. Seria muito justo que este Tribunal fosse intitulado Tribunal Hessel, conforme proposta apresentada por mim na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental.

Todo jovem de hoje deveria ler o livro e conhecer o exemplo de seu autor que, nonagenário, não perdeu a capacidade de indignar-se. Foi pensando nisso que dediquei meu livro “Reaja!” a um conjunto de velhos indignados, sendo Pedro Simon o mais jovem e Oscar Niemeyer o mais velho. Hessel também era um deles e seu inspirador.

04 de maço de 2013
Cristovam Buarque é Professor da UnB e Senador pelo PDT-DF
*Indignai-vos!, de Stephane Hessel

LULA AFRONTA O BRASIL DECENTE COM O SILÊNCIO SOBRE O CASO ROSEMARY

 
Faz 100 dias que os brasileiros decentes foram afrontados pela descoberta do escândalo em que Lula se meteu ao lado de Rosemary Noronha.


Faz 100 dias que o país que presta é afrontado pela mudez malandra do caçador de votos que promoveu uma gatuna de quinta categoria a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo.

Faz 100 dias que o ex-presidente foge de perguntas sobre o caso de polícia que protagonizou em companhia da Primeiríssima Amiga e dos bebês quadrilheiros de Rosemary.


Surpreendido pela divulgação das maracutaias comprovadas por policiais federais engajados na Operação Porto Seguro, Lula fez o que sempre faz quando precisa costurar algum álibi menos cretino: perdeu a voz e sumiu. Passou a primeira semana enfurnado no Instituto Lula. Passou as duas seguintes longe do Brasil, driblando repórteres com escapadas pela porta dos fundos ou pela cozinha do restaurante.

Recuperou a voz no começo do ano, mas ainda garimpa no porão das desculpas esfarrapadas alguma que o anime a enfrentar jornalistas armados apenas de perguntas sem resposta.

Para impedir que a aproximação do perigo, tem recorrido a cordões de isolamento, cercadinhos, muralhas humanas e outras mesquinharias improvisadas para livrá-lo de gente interessada no enredo da pornochanchada financiada por cofres públicos que apresentou ao Brasil, entre outros espantos, os talentos ocultos de Rosemary Noronha.

Leia mais em Faz 100 dias que Lula afronta o Brasil decente com o silêncio sobre o caso de polícia em que se meteu ao lado de Rose

04 de março de 2013
Augusto Nunes

THE BEATLES

PROJETO DE RONALDO CAIADO REVELA AO CIDADÃO QUANTO OS GOVERNOS GASTAM COM PROPAGANDA

 


Lupa em ação – A partir de uma proposta do líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), o cidadão brasileiro poderá saber quanto custa cada propaganda governamental.

O deputado apresentou o Projeto de Lei nº 5.076/2013 que determina a divulgação dos gastos e o número de veiculações das peças publicitárias de órgãos da administração direta e indireta da União, estados e municípios. Isso significa que qualquer propaganda institucional de ministérios, empresas públicas, agências, governos estaduais e municipais deverão conter os custos nas formas escrita e oral, dependendo do veículo em que é publicada (rádio, TV, jornal, revista, internet, etc.).

“O projeto é uma maneira de darmos transparência e conhecimento ao cidadão dessa prática que sido muito mais para poder anestesiar o brasileiro que não suporta mais a propaganda enganosa que os governos vêm utilizando nos decorrer desses anos”, justifica Caiado.
O projeto altera a Lei nº 12.232/2010 que trata das normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade.

Pela proposta, o descumprimento da norma em questão configura ato de improbidade administrativa. “A proposição homenageia ao mesmo tempo a tão necessária transparência republicana, como também a disposição do legislador em evitar gastos exagerados com propaganda institucional”, acrescenta o parlamentar.
“A propaganda do governo federal demonstra uma realidade que não é a do dia-a-dia do brasileiro. Com a nova lei, a população tomará conhecimento desse uso indevido de dinheiro público”, argumenta o líder do Democratas.
Gastos

Em 2012, ano de eleições municipais, o governo federal aplicou R$ 391,5 milhões em publicidade institucional e de utilidade pública, conforme levantamento do site Contas Abertas. O valor superou em 11,3% os valores investidos em 2011. Somente com publicidade institucional foram gastos R$ 159,4 milhões, mais de 40% do total. É esse tipo de propaganda que tem como finalidade a divulgação de informações sobre atos, obras e programas de governo.

Conheça o projeto

O Projeto de Lei nº 5.076 altera a Lei 12.232/2010 para obrigar governos federal, estaduais e municipais a divulgarem os custos e o número de inserções de cada peça publicitária institucional.
Pelo projeto, os gastos com a propaganda governamental deverá ser publicado nas formas escrita e oral, dependendo do meio de comunicação em que é veiculada: rádio, TV, jornal, revista, internet etc.
O descumprimento da norma implica no crime de improbidade administrativa. Acesse a íntegra do projeto: http://migre.me/dsMY3

04 de março de 2013
ucho.info

DILMA ABUSA DA VERBORRAGIA E CHAMA DE "MERCADORES DO PESSIMISMO" OS QUE ENXERGAM A REALIDADE

 


Sol com a peneira – Prepostos do Criador na Terra, oráculos do Senhor, herdeiros de Aladim, parentes de Messias, os mais magnânimos dos seres.
Assim, são os incompetentes petistas, que jamais admitem os próprios erros.

Para qualquer tropeço têm uma desculpa pronta no bolso do colete, pois é preciso seguir com o projeto totalitarista de poder que transformará o Brasil em uma versão continental da vizinha e liquidada Venezuela.

Cada vez mais refém do PMDB e cumprindo ordens de Lula, a presidente Dilma Rousseff está cumprindo à risca a agenda estabelecida pelo antecessor.
Como se a economia brasileira tivesse registrado um surpreendente desempenho em 2012, Dilma discursou na convenção nacional do PMDB, realizada no último sábado (2) em Brasília, e classificou como “mercadores do pessimismo” os que criticam o seu governo.

“Os índices de desemprego estão baixos. A inflação, sob controle. Agora, neste início de 2013, a indústria começa a dar claros sinais de retomada. [...] Ninguém pode dizer que o Brasil não tem suas finanças sob controle. Mais uma vez, os mercadores do pessimismo vão perder.
Como perderam quando previam o racionamento de energia [no começo do ano]”, declarou a presidente. “Mais uma vez, os que apostam todas as fichas no fracasso do país vão se equivocar”, completou.

Dilma aprendeu a arte da mitomania no período em que conviveu com Lula no Palácio do Planalto, quando respondia pela Casa Civil da Presidência.
Afirmar que a inflação está sob controle é mentir para si mesmo, pois integrantes já admitem a ideia de o Banco Central subir a taxa de juro na próxima reunião do Copom. O que significa que o mais temido fantasma da economia não está controlado.

Por viver em uma democracia, mesmo que mais teórica do que prática, qualquer cidadão brasileiro pode dizer o que bem quiser, inclusive a presidente, mas não se pode acreditar no controle da inflação e muito menos nos índices divulgados pelo Palácio do Planalto.
A inflação real, aquela que os brasileiros encontram diariamente nas prateleiras dos supermercados, na padaria, nos preços dos serviços, no aumento do aluguel, passa longe do índice oficial.
Quem sai às compras do dia a dia sabe que a inflação já passou dos 30%. Há dias, o ucho.info lançou o “Índice Pastel” e provou que a inflação acumulada nos últimos dois anos é de 40%.

Se traduzir a realidade do cotidiano e desmentir as mentiras oficiais é ser mercador do pessimismo, então mais da metade do Brasil se encaixa nessa qualificação absurda e mentirosa de Dilma Rousseff, que tenta esconder a verdade porque precisa chegar até 2014 com chances de se reeleger. O País naufraga na crise, mas o Palácio do Planalto insiste em travestir a verdade.

04 de março de 2013
ucho.info

PREVISÕES DO MERCADO FINANCEIRO PARA A INFLAÇÃO E O PIB DESMONTAM OS DISCURSOS MENTIROSOS DO PLANALTO

 


Desmentindo o governo – Consultados pelo Banco Central, os economistas do mercado financeiro reduziram, na última semana, a previsão para o crescimento da economia em 2013 e também reforçaram a expectativa de alta da inflação neste ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (4).

De acordo com o boletim do BC, que traz as previsões dos economistas de mais de cem instituições financeiras, a previsão de crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 recuou de 3,10% para 3,09% na última semana. Para 2014, porém, a previsão de crescimento econômico subiu de 3,60% para 3,65%.

Há dias, o IBGE informou que a expansão do PIB em 2012 alcançou a pífia marca de 0,9%, pior índice desde 2009. Para 2013, o ministro Guido Mantega (Fazenda) repetiu as previsões do ano passado e disse que o crescimento econômico ficaria acima de 4%, mas foi obrigado a rever para baixo sua estimativa ufanista, adotando um discurso que aponta avanço do PIB entre 3% e 4%.
Em relação à inflação deste ano, medida pelo IPCA, o mercado financeiro subiu a projeção de 5,69% para 5,70% na última semana. Para 2014, a expectativa do momento em relação ao IPCA ficou estável em 5,50%.

As projeções dos analistas do mercado financeiros mostram que a presidente Dilma Rousseff lançou mais um embuste ao chamar de “mercadores do pessimismo” os que enxergam a dura realidade do cotidiano como ela é de fato é. Esse discurso mentiroso de Dilma, que serve apenas como ferramenta eleitoral para 2014, é o mesmo de Guido Mantega, que depois do vergonhoso avanço do PIB no ano passado surgiu em cena para afirmar que a estratégia do governo é fazer a economia crescer gradualmente.

04 de março de 2013
ucho.info