"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 17 de junho de 2013

O CIRCO VERDE E AMARELO




Senhoras e senhores... É com prazer que lhes apresento um país chamado Brasil. Um lugar maravilhoso, espetacular para quem não mora aqui, ou para quem manda aqui.
Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo!

Um país que produz os melhores alimentos naturais consumidos no mundo, mas que para os brasileiros só ficam aqueles podres.

Aqui, as crianças de dez anos chegam à quinta série sem saber nem ler, nem escrever, mas é importante para mostrar ao mundo que a educação melhorou. Viva, viva!

E agora com vocês, a mulher barbada. Ela diz que não há inflação, representa uma gangue que chegou ao poder dando bolsa miséria, enquanto ela desfila com bolsa Luis Vuitton.

Show de mágica! Eles dizem que não vão usar dinheiro público, mas gastam bilhões para puxar o saco da Fifa. Isso sem esquecer tudo aquilo que some na cueca.

Malabaristas fazem manobras absurdas com a Constituição Penal e endossam a impunidade. Quem mata está solto e quem morre está preso em outro plano espiritual.

Somente aqui você verá palhaçadas, como por exemplo, um salário para presidiário, que é funcionário do mal, maior que o salário mínimo de quem só faz o bem.

Aqui você pode até receber décimo terceiro no fim do ano, mas o governo fez questão de liberar os criminosos no mesmo período para te ajudar a gastar. Isso eles chamam de ética corporativista.

Animais amestrados, todos “di menor”, com um espetáculo de tiro ao alvo, agressão física, terror urbano e no final recebem carinho e um biscoito de crack.

E tem mais. Aqui toda a plateia participa do humor pastelão! Mais de 180 milhões de palhaços no salão.
Se você gosta de sadismo, escatologia social e antropofagia pública, o lugar é aqui!

Não perca este show! A entrada é franca.
 
17 de junho de 2013
Fabrizio Albuja é Jornalista e Professor Universitário. 

O PAÍS OXÍMORO

Oxímoro ou paroxismo é uma figura ou vício de linguagem. Caracteriza-se por colocar, juntos, termos antagônicos, de sentido oposto, que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, geralmente em poesias ou ironias, reforçam a expressão ou a ideia, como: obscura claridade/ silêncio eloquente/ inocente culpa/ ilustre desconhecido/ silêncio ensurdecedor/ instante eterno/ é proibido proibir/ entediou-me até às lágrimas/ Devagar que tenho pressa/....
 
Podemos, então, dizer que o Brasil é um país oxímoro, pois tem vários termos e idéias antagônicas, que se anulam mutuamente, como: a prostituta feliz; o país é de todos; a Comissão de Ética no Congresso; o intelectual petista; a presidente gerentona; o índio trabalhador; os agricultores do MST; os direitos humanos das vítimas; os representantes do povo; a inflação dominada; o rigor fiscal; o PAC acelerado; a Justiça cega; o ”companheiro” concursado; os gastos públicos controlados; a moeda valorizada; Lula doutor honoris causa; a coalizão de partidos; Prestes, o cavaleiro da esperança; a competitividade comercial brasileira; petista é progressista; investimentos privados para construir/reformar estádios; médicos cubanos e índios paraguaios; a crise é marola;
 
E tem mais: a democratização da imprensa; o desarmamento geral; a autossuficiência na produção de petróleo; ordem e progresso; o direito de se manter calado; juízes mal-alimentados; Tiririca na Comissão de Educação e Cultura do Congresso; Comissão da Verdade; Ronaldinho homenageado na Academia Brasileira de Letras; passeatas por apenas 20 centavos; presunção da inocência; “o PT não rouba e não deixa roubar”; “estou cada vez mais convencido da minha inocência”; “pior do que está, não fica!”;.......
 
O pior é que fica! E já está ficando! Pobre país oximoro!
 
17 de junho de 2013
Luiz Sérgio Silveira Costa é Almirante reformado.

O CHARME DE FAZER OPOSIÇÃO

Eles não aguentaram..resistiram tudo que puderam, mas não aguentaram. É impossível, para um membro da LBB – Legião Brasileira de Bobalhões – caminhar pelo Central Park ou pelo Champs-Élysées sem postar alguma mensagem de apoio aos vândalos que estão infernizando o Brasil com a onda do Passe Livre.

A criatura está se sentindo sozinha – ganhou um doutorado sanduíche pago pelo CNPQ do B e agora, num sentimento que mistura culpa com a fantasia de ser intelectual, quer apoiar os terroristas de tênis Nike e smartphones aqui no nosso país. Eu até não me importaria em responder a essas coitados não fosse pelo espaço que estão alcançando na mídia internacional.
Hoje, programas engajados com a ideologia dos petralhas como o Fantástico, estão mostrando estudantes brasileiros no exterior protestando contra a “violência policial” utilizada para conter os manifestantes aqui..
Que nojo, meus amigos! Que vontade de vomitar ao assistir bobalhões sustentados pelos pais, fazendo pós-graduação nos Estados Unidos ou Europa se prestarem a esse papel de Chico Buarque de 2013..Será que essas pessoas não tem vergonha? Será, realmente, que pensam poder convencer o  mundo inteiro, através de mensagens para CNN, que nós estamos vivendo aqui uma espécie de Primavera Árabe? Dependem tanto do dinheiro federal para se sustentarem aí fora que não tem vergonha o suficiente para dizer a verdade?
Seu bando de mentirosos ! Contem ao mundo, seja em, inglês, francês ou até chinês, a verdade sobre o que está acontecendo aqui! A inflação está voltando, bandidos petistas condenados estão prestes a ir para cadeia, o país está sem hospitais, escolas e delegacias, não se tem segurança para fazer nem um GRENAL em Porto Alegre e ainda assim se fala em Copa do Mundo.
E vocês querem carregar cartazes em Nova York por causa do preço da passagem de ônibus? Quem vocês querem enganar, hein? Vocês são o exemplo máximo de que não há ponto mais baixo para uma pessoa chegar do que aquele que se define pela desonestidade intelectual.
Vocês, no exterior, são um grupo de brasileiros (não tenho outra expressão a não ser essa) privilegiados pois conseguiram sair do país.. do SEU país, que agora vive num delírio socialista, importando médicos cubanos, ensinando homossexualismo às crianças desde pequenas, fechando hospitais e sucateando escolas num absurdo de dar inveja a Mao e Stalin e mesmo assim negam a conexão entre os fatos?
Deus me livre, mas que vergonha tenho eu de ter vindo ao mundo no mesmo país que vocês. Nenhum de vocês tinha nascido ainda e, na década de 1980, eu já participava de caminhadas pelas diretas. Eu marchei ao lado do Grande Alcoólatra, tive medo de apanhar da polícia, matei aula na faculdade e briguei com várias pessoas para eleger o governo que hoje dá bolsa de estudo para vocês ficarem aí tomando café nos bares das universidades americanas! Mesmo nas ruas, eu nunca amarrei camisa na cara, nunca depredei patrimônio publico e nunca ataquei policiais brasileiros, seus bobalhões!
Lá no fundo de suas conscienciais tenho certeza que nenhum de vocês tem convicção daquilo que diz ou escreve..estão fingindo ser a oposição de um país com o governo mais totalitário da América do Sul.
 
Vou contar um segredo para vocês – O BRASIL NÃO TEM MAIS OPOSIÇÃO! Vocês são apenas estudantes desocupados que entraram nessa pelo simples charme de estar fora do Brasil – são membros da LBB no exterior.
 
17 de junho de 2013
Milton Pires é Médico.

OS MEUS CABELOS CONTINUAM OS MESMOS, MAS MEU COMPORTAMENTO... QUANTA INCOERÊNCIA


Para quem acompanha a "unanimidade" dos desesperados por uma nova liderança na pocilga.

O senador Alvaro Dias mostra uma incoerência irritante.Acopanho seus discursos na tribuna do Senado e leio as postagens feitas por seus "baba ovos" de imprensa em seu Blog.

Já um sem número de vezes tive comentários apagados da página do senador, justamente por cobrar uma afinação entre o discurso e as atitudes.

Alvaro Dias é um dos mais ferrenhos combatentes da Copa do Mundo no Brasil. Vive batendo no superfaturamento, na bandalheira, na sacanagem, etc...etc...etc...

Tudo aquilo que o povão quer ouvir. E o Senador multimídia descobriu que alavanca o próprio nome quando se faz de o mais atuante opositor ao desgoverno da PresidANTA Dilmarionett Ducheff.

Bem, qual a minha surpresa quando bato de frente com esta imagem?
O combativo Senador, anti corrupção, e lutador pela ética e transparência, junto a seu filho PRESTIGIANDO o jogo da celecinha brasuca contra o Japão.
O conhecido jogo da vaia.

Eu que não acredito uma vírgula na ferrenha oposição do Senador, me mantenho sempre cético a tudo o que ele sempre diz, tenho a grata surpresa em ver que o festejado político não pratica o seu discurso.

Por uma questão de coerência a sua postura de oposição, e respeito aos eleitores que acreditam nas suas bravatas de oposicionista, o velho senador não poderia, jamais, prestigiar os eventos esportivos promovidos pelo desgoverno das Ratazanas Vermelhas.

Ir à esses eventos é uma forma de desdizer tudo o que ele prega como opositor . Um opositor não deveria estar presente a algo que ele mesmo critica para agradar seus eleitores.

Eu por exemplo, não assisto nada sobre copa do mundo, nem jogos. sou coerente com minha consciência e faço justamente o que acredito, se desço o pau nos jogos, não posso trair minhas convicções, então não assisto.

Sou contra, e luto contra, não faço de conta e nos bastidores viro ufano patriota torcedor hipócrita.

O Senador, prova duas coisas aparecendo no jogo. 
A primeira é que ele sempre vai dizer aquilo que os que estão de saco cheio do que está aí querem ouvir.
A segunda é que são todos iguais, farinha do mesmo saco.

Não lamento ver esta imagem, pois tenho a consciência de que este senhor jamais me enganou. Pobre dos que festejam sua figura, alguns sem noção pedem até para que ele saia presidente. Pode?
 
17 de junho de 2013
omascate

A TARIFA DA IGNORÂNCIA

                     
          Artigos - Movimento Revolucionário 
idiotasuteisO terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma "manifestação" pacífica, como a grande mídia quer fazer crer. Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os "idiotas úteis", diria Lenin) mais ou menos pacíficos.


Quem não se admite ignorante precisa depois se admitir idiota. Quem não se admite idiota precisa depois se admitir manipulado. Quem não se admite manipulado precisa depois se admitir cúmplice de crime. Quem não se admite cúmplice de crime precisa depois se admitir delinquente. Quem não se admite delinquente precisa depois se admitir bandido... E assim por diante, na escalada possível do ativismo juvenil.

O tamanho do esforço psicológico necessário para a própria salvação vai aumentando de acordo com o nível de estupidez e presunção alcançado.

Os comunistas são grandes mestres em transformar qualquer ignorante em bandido a seu serviço, principalmente depois que Herbert Marcuse percebeu que o proletariado industrial — a massa de manobra original de Karl Marx — já estava "corrompido" pelas benesses do capitalismo e que a nova classe revolucionária poderia ser formada por todos que tivessem qualquer tipo de frustração psicológica: intelectuais, estudantes, mulheres, gays, crianças, prostitutas, drogados, estupradores, assassinos etc. Bastava organizá-los para destruir o "sistema".

No Brasil, como a estratégia de Antonio Gramsci de infiltrar militantes nos sistemas de ensino e comunicação foi altamente bem-sucedida nas últimas quatro décadas, milhões de jovens estudantes já foram reduzidos ao estado de boçalidade necessário para atender prontamente à primeira voz de comando, por mais que ela venha dos cantores de churrascaria da UNE, do Movimento Passe Livre, da Juventude do PT, do PSOL, do PSTU ou do PCO.

Revoltados contra tudo que não presta, eles não perdem a chance de reforçar tudo que não presta. Como dizia o filósofo
Olavo de Carvalho: "É natural que um povo que se sente ludibriado sem saber por quem tenha um fundo e dolorido anseio de moralidade. Com um pouco de esperteza, esse anseio pode ser pervertido em desconfiança, a desconfiança em ódio, o ódio em instrumento de destruição sistemática de lideranças indesejáveis."

A
horda de jovens que aderem real ou virtualmente às "manifestações" organizadas pelos partidos comunistas brasileiros, sob o pretexto de combater o aumento do preço da tarifa de ônibus, imagina-se lutando em favor dos pobres, quando está apenas sendo usada por manipuladores profissionais e propagandistas partidários em busca do mesmo poder político que, onde quer que tenha sido alcançado por seus similares, só fez piorar a vida dos pobres.

O
terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma "manifestação" pacífica, como a grande mídia quer fazer crer. Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os "idiotas úteis", diria Lenin) mais ou menos pacíficos.

Acatar suas reivindicações, ou mesmo dialogar com seus líderes a respeito, como faz o prefeito Fernando Haddad, é ensinar à população que o terror compensa — o que é muito mais grave do que o aumento de 20 centavos na tarifa de um serviço pelo qual a população vai pagar de qualquer jeito, seja como 'consumidora', seja como 'contribuinte', sendo que, neste caso, sem saber quanto está pagando e muito mais sujeita ao esquema de compadrio empresarial e falta de transparência do Estado no trato das verbas públicas.

Os jovens da horda, no entanto, meninos mimados acostumados à ideia de ter todos os direitos (inclusive o de exigir todos os direitos para si ou para os outros) e nenhuma obrigação, não querem saber disso, é claro, nem da inflação de alimentos que vem afetando o bolso dos pobres muito mais do que qualquer outra coisa. Aprenderam desde cedo a colaborar cegamente com o crime e não vai ser agora que vão se informar antes, para não fazê-lo.

Se nunca estudaram a obra de Marx, Lenin, Marcuse, Gramsci e demais intelectuais comunistas que inventaram o Brasil de hoje — do qual Lula ainda é o maior líder —, que dirá a crítica de seus legados, incluindo como chegamos ao estado de calamidade e abuso geral, contra o qual imaginam se revoltar dessa maneira estupidamente alienada. Naturalmente, pouco lhes importa ainda se, passada a semana inicial de terrorismo, o PT e o PCdoB, para evitar danos à imagem de Haddad,
tenham decidido assumir o comando do movimento e mudar sutilmente o sentido dos "protestos", cujos alvos passam a ser a Polícia Militar e o governador Geraldo Alckmin, a verdadeira liderança indesejável que se quer odiosamente destruir.

Os jovens ativistas amam tanto os "oprimidos" quanto odeiam todo tipo de conhecimento necessário para ajudá-los. E preferem ser (cúmplices de) bandidos a reconhecer — antes tarde do que nunca — a própria ignorância.

É por isso que eu digo:

O perfeito idiota brasileiro é aquele que quer remediar um problema que ele não sabe qual é, com um remédio que ele não sabe para que serve, receitado por um médico que ele não tem a menor ideia de quem seja; e ainda está convicto e orgulhoso de fazer a sua parte para salvar o país.

Parabéns, seus manés. O país agradece.

*****

Notas

1.

Quando um comunista fala em "manifestação", eu saco logo o meu spray de pimenta.

2.

Depois de muitos anos de sucesso, a máxima "O importante é competir" finalmente deu lugar à "O importante é protestar". O Brasil, mais do que nunca, virou um programa do Serginho Groisman.

3.

Ontem eu aprendi que criticar um ato de terrorismo comunista é o mesmo que ser contra qualquer mobilização popular. Hoje eu aprendi que definir um idiota brasileiro é o mesmo que ser a favor de toda a corrupção que está aí. Todo dia eu aprendo na seção de comentários da minha página que eu sou contra ou a favor de alguma coisa. Só não entendi direito por que, quando eu critico uma partida de futebol, ninguém diz que é porque eu sou a favor do vôlei. Mas tudo bem. É bonito isso. Fico imaginando quantos Felipes Moura Brasil existem na cabeça dos meus leitores.

17 de junho de 2013
Felipe Moura Brasil

GERALDO ALCKMIN RECUA EM RELAÇÃO À MANUTENÇÃO DA ORDEM E COLOCA DE LADO O RESPEITO À LEI

 

Tucano amarelo – Com novo protesto marcado para a tarde desta segunda-feira (17), a cidade de São Paulo corre o risco de se transformar em palco de vergonhoso desrespeito à legislação e ao direito de ir e vir de todos os cidadãos.

Com o objetivo de evitar confrontos entre policiais e manifestantes, o governo paulista decidiu convidar os líderes do Movimento Passe Livre para uma reunião.

O encontro, que contará com a participação de diversos representantes da Secretaria de Segurança Pública, tem como meta a definição do trajeto da manifestação e um acordo para a não obstrução das vias.

Por decisão das autoridades, a Polícia Militar está proibida de utilizar, no protesto desta segunda-feira, bombas de gás de efeito moral e balas de borracha, assim como não acionar a tropa de choque da corporação. Dialogar com quem destrói o patrimônio público apenas porque discorda de alguma medida adotada pelo governo mostra a falta de pulso do governador Geraldo Alckmin, que parece não ter absorvido as lições no tempo em que era vice de Mário Covas.

A democracia só existe com base no respeito à cidadania e ao conjunto legal do País, o que vem sendo ignorado de forma escandalosa. O fato de partidos políticos apoiarem esses corsos de vandalismo é motivo suficiente para que a lei seja cumprida sem qualquer tipo de condescendência.

Reunir-se com os pseudo-manifestantes só deveria acontecer depois que os baderneiros de aluguel ressarcissem os prejuízos causados pela destruição do patrimônio público e privado. Qualquer ato contrário é endossar a instalação da baderna na quarta maior cidade do planeta e principal do País.

A decisão do governo paulista busca evitar desgastes no projeto de reeleição de Geraldo Alckmin, que, pelo caráter eminentemente político do movimento, poderá responder por prevaricação se os manifestantes deixarem de cumprir eventual acordo, patrocinando a mesma quebradeira que marcou os protestos anteriores.
Não se pode acreditar em manifestação pacífica quando integrantes do movimento são presos com bombas caseiras, recipientes com gasolina e álcool, pedras, facas, pedaços de pau e outras armas em suas mochilas.

Não se trata de ser contra a livre manifestação do pensamento, mas, sim, de exigir que reivindicações sejam pacíficas e pautadas pela responsabilidade. O direito do cidadão e o conseguinte poder não representam senha para a instalação de uma anarquia no vácuo do politicamente correto.
O exercício político, como um todo, é um jogo de xadrez que exige inteligência e perspicácia para que o pior não aconteça, repetindo o que já se conhece. Aos descontentes há o diálogo, aos vândalos há a força da lei e a ação policial, desde que sem abusos

17 de junho de 2013
ucho.info

PROTESTOS CONTRA A GASTANÇA DO DINHEIRO PÚBLICO COM OBRAS DA COPA DO MUNDO SÃO TARDIOS E INÓCUOS

 

Fora do prazo – Nos últimos dias, as redes sociais exibiram inúmeras mensagens sobre o eventual despertar da sociedade brasileira. Assim têm sido interpretados os recentes protestos que até então ocorreram em muitas cidades do País.

Sem fugir do já folclórico “deixando para a última hora”, os brasileiros decidiram protestar no último minuto da prorrogação. Em relação aos recentes protestos contra a realização da Copa do Mundo, o ucho.info alertou para a irresponsabilidade em 31 de outubro de 2007, dia em que a FIFA anunciou que o Brasil sediaria a edição de 2014 do evento futebolístico.

À época, o povo encheu as ruas na esteira de comemorações ufanistas, enquanto este site era alvo de críticas disparadas de todas as regiões do País. Nos últimos seis anos, mantivemos a posição em relação à Copa do Mundo, pois é inconcebível que uma nação que navega conviva com problemas de toda ordem abra os cofres oficiais de forma irresponsável para custear um evento que dura no máximo um mês e traz retorno pífio, se considerado o gigantismo do investimento.

Se governar exige doses mínimas de planejamento, o que falta de maneira inconteste aos inquilinos do Palácio do Planalto, protestar é uma ação que só tem efeito se existir visão de longo prazo de quem se manifesta. De nada adianta, a essa altura, culpar o governo pelos investimentos nas obras para a Copa do Mundo. Essa manifestação deveria ter acontecido no minuto seguinte ao anúncio da FIFA, mas a fuzarca sufocou a lógica.

Com o estrago consumado, não resta ao País outra saída que não seguir adiante nessa tremenda irresponsabilidade que é a realização de uma Copa do Mundo. A falta de interesse da sociedade em relação às questões políticas permitiu, por exemplo, que os cofres oficiais fossem sangrados em R$ 10 bilhões ou mais para a construção de estádios, alguns dos quais verdadeiros “elefantes brancos” desde o assentamento do primeiro tijolo.

Que o povo deleite-se com as atitudes ilógicas de um governo que é adepto confesso da política do pão e circo, cortina de fumaça para a implantação de um projeto totalitarista de poder.

17 de junho de 2013
ucho.info

NO LIMITE

 


Como diria uma amiga que nunca perdeu o forte sotaque alemão: “Estamos porrrrr aqui”, e ela colocaria a mão sobre a testa, riscando da esquerda para a direita, naquele gesto que fazemos quando tudo está mesmo “por aqui”: a água, a lama, o custo de vida, a bestialidade humana. Estamos todos porrrrr aqui.
Porque estamos no limite de tudo, inclusive de nossa paciência, e – chato – não há mais como ser muito revolucionário, diferente

Não foi só aqui, ali, que os rojões estouraram e que vêm há algum tempo surgindo revoltas, algumas mais criativas, outras mais violentas, explicáveis ou não, atrasadas ou não. É tendência, certa modinha até. Coisas dos tempos, dirão alguns, coisas do fim dos tempos, dirão os mais pessimistas.

A verdade é que há saturação – e cada vez mais rápida. E os nossos limites estão ficando a cada dia mais estreitos, basta se dar conta do que ocorre ao redor para perceber. Quando as coisas saem do limite, explodem.
Daí uma manifestação que reclama de centavos se tornar um problema e ganhar o mundo, assim como uma tese no fundo maluca e inverossímil, a dos transportes coletivos gratuitos. Ou alguém aí acha que dá para acolher essa luta em sã consciência? Vamos tirar o dinheiro de onde? Do meu, não exatamente bolso, não, nem pense.

Mas pouco importa a lógica ultimamente. Jovens libertários fortemente armados com cartolinas coloridas e boas frases escritas com canetas hidrográficas, máscaras sofisticadas e se comunicando o tempo inteiro entre si, registrando cada segundo de seus próprios passos, são uma novidade por aqui e vão gostar da brincadeira, acreditem. Eles podem surgir apelando por qualquer coisa: inconscientemente estão tentando ir além dos tais limites.

As cidades, especialmente São Paulo, travam até em dias ensolarados. Não há onde colocar mais carros nas descuidadas ruas e avenidas sem planejamento e que entram em obras contratadas e feitas igual ao focinho dos governantes. Tudo é superlativo: muita gente, muita confusão, muita emoção. Daqui a pouco seremos mesmo “potes até aqui de lágrimas”. Chorando, parados, em congestionamentos.

Vamos lá. Na moda não há mais o que inventar, a ponto de repetições surgirem uma atrás da outra, com nomes estilosos como vintage, releitura, inspirações muito próximas a cópias. Tudo tão antigo, mas que, como muitos não viram, as coisas são vendidas como o último grito, grandes rebeldias.

Não é que tem até garoto de escola chique querendo andar de saia para zoar, sem tese precisa, e fazendo com que Flávio de Carvalho se revire no túmulo? Ele, sim, foi incisivo nos anos 50: “a saia e a blusa libertariam o homem moderno do calor”, levando ventinhos especialmente para as partes baixas.

E comportamentos, então? Vamos à questão dos gêneros. Não há mais nenhuma letrinha para chegar, pelo menos que eu saiba, ao LGBTS, gays, lésbicas, transgeneros, travestis. Só simpatizantes, o S, ou quem sabe, os discordantes, infelicianamente, que ocupariam o D. O que ainda pode surgir, uma vez que a religião, também no limite, tentará regrar? Incesto, zoofilia, nem precisa. O comportamento humano é o que nunca terá limites.

O ar que respiramos está no limite. A água que bebemos está no limite. As sacanagens que fazemos com a Terra já atingem o espaço, o infinito. Os oceanos já buscam ultrapassar os limites que lhes impusemos, e vêm lambendo nossas costas, o que é trágico, pouco sensual.

Tudo reflete na política, nessa aí onde não há mais nem direita nem esquerda, muito ao contrário, diriam alguns. Democratas viram ditadores em minutos. Modernos e queridinhos transformam-se em monstros com qualquer estalar.
Gente boa aplaude espionagem de nossas vidas privadas. E tudo aquilo que nos juraram que jamais ocorreria de novo, os horrores de guerra, os líderes de turbas e métodos sanguinários, todos os dias estampam jornais e chegam mais perto de nossas portas.

Estamos porrrrr aqui. Mas vamos tentar sempre ultrapassar os limites, porque ainda não os estamos vendo claramente.
São Paulo, flamejante, 2013

17 de junho de 2013
Marli Gonçalves é jornalista

OS ANÔNIMOS, OS INVISÍVEIS

 

Quem comanda os manifestantes? Sabe-se pouco deles, exceto que pertencem a variados grupos de esquerda. Quem, em São Paulo, foco da crise, comanda os agentes que os enfrentam? Ninguém: durante a maior parte do tempo em que a cidade parou, prefeito e governador ficaram em Paris, sofrendo as agruras de estar longe de casa, em campanha para que São Paulo seja escolhida, daqui a cinco meses, para sede de uma exposição que se realizará daqui a sete anos.

Na terça, noite de tumultos, o governador tucano Geraldo Alckmin e o prefeito petista Fernando Haddad estavam juntos, jantando com as esposas, preocupadíssimos com São Paulo, na Embaixada brasileira em Paris. Ambos os casais se hospedaram no ótimo e caro Hotel Matignon. Nem Haddad nem Alckmin pensaram em voltar ao Brasil para enfrentar a crise. Como ensina a clássica canção americana, é irresistível a primavera em Paris.

Na rebelião de maio de 68, o general De Gaulle foi para a TV e, num discurso histórico, reverteu a maré política. Mas De Gaulle estava em Paris a serviço.

Seria essencial a presença de Alckmin e Haddad na França? Não: nenhum dos dois tem imagem que reforce a candidatura paulistana. Poderiam ter enviado Guilherme Afif para a Europa. Se Afif é vice do tucano e ministro do PT, poderia acumular mais dois cargos e representar tanto Haddad quanto Alckmin. Se Haddad e Alckmin estivessem em São Paulo, teriam resolvido algo? Provavelmente não; mas pelo menos estariam no posto para o qual foram eleitos.

O horror…

A Polícia Militar paulista tinha o dever de controlar os manifestantes, evitar ao máximo os danos ao patrimônio público e privado, garantir ao máximo o direito de todos de movimentar-se pela cidade. Cabe-lhe agir com energia, dentro da lei. Mas, especialmente na quinta-feira, exorbitou na violência, chegando a fazer com que parte da opinião pública mudasse de opinião e passasse a desculpar o vandalismo dos manifestantes.

Houve casos em que jornalistas perfeitamente identificáveis foram atacados (em duas vezes, balas de borracha na cabeça; em outra, spray de pimenta nos olhos, a curta distância; em outros casos, prisão por ter vinagre na mochila – uma precaução contra bombas de gás). Muita gente foi espancada sem saber o motivo; e houve bombas de gás lacrimogêneo atiradas a esmo.
Haverá rigoroso inquérito, prometem as autoridades. Então, tá.

…o horror

Mas que ninguém diga que, se a PM não agisse, as manifestações teriam sido pacíficas. Ninguém põe um coquetel Molotov na mochila para comer linguicinha acebolada com os amigos no bar da esquina, nem para rezar na missa das seis. E há fotos que mostram um rapaz quebrando portas de estação do Metrô e tirando o Iphone do bolso para fotografar a façanha.
Como já disse uma vez o cineasta (de esquerda) Pier Paolo Pasolini, é gente rica achando que é pobre e destruindo bens que farão falta a quem não tem dinheiro para Iphone nem carro próprio.

Quem paga a conta

O Movimento Passe Livre foi criado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2005 – promovido, como de hábito, com dinheiro público. O endereço eletrônico do Movimento pertence a uma ONG chamada Alquimídia. Até a quinta-feira, o site da Alquimídia trazia os logotipos da Petrobras e do Ministério da Cultura.
O custo dos logos foi de pouco mais de R$ 750 mil.

Ah, Petrobras

O país está mudando. Antes, o Governo só atrapalhava a vida dos cidadãos; agora, está atrapalhando também a vida do próprio Governo. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou a certidão negativa de débitos da Petrobras, empresa controlada pelo Governo. Sem a certidão, a Petrobras não pode importar, nem exportar. Os débitos cobrados estão sendo contestados na Justiça, mas mesmo assim a Petrobras foi atingida. E não pode sequer fazer o depósito em juízo, já que a dívida cobrada é de R$ 7,5 bilhões.

Resumo do caso: entre 1999 e 2002, a Petrobras não recolheu imposto de renda sobre o pagamento de plataformas petrolíferas móveis. Foi autuada, contestou a autuação (considera indevida a cobrança), e desde 2003 a questão está na Justiça. E agora está em risco uma das maiores empresas do país. Mas nosso Governo é assim mesmo. Ele constroi, investe, anuncia, cobra, não paga, protesta e paralisa.
Não precisa de oposição.

Ah, Rio

Dois dos principais candidatos ao Governo do Rio, no ano que vem, são o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Lindbergh Farias (PT).

1 – O ministro Dias Toffoli, do Supremo, quebrou o sigilo bancário, fiscal e de Bolsa de Lindbergh Farias.Ele responde a inquérito sobre desvio de R$ 356,7 milhões no Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu.

2 – a Justiça suspendeu a licitação para o aluguel de dois jipões blindados, com tração nas quatro rodas, para uso de Pezão. Custo previsto: R$ 261.600 por ano. Pezão diz que precisa de carros com tração integral porque mora em área rural. Não é bem assim, informa Aziz Ahmed, de O Povo, do Rio: Pezão mora no Leblon, praia nobre. E sua casa de veraneio, em Piraí, fica no centro da cidade.

17 de junho de 2013
Carlos Brickmann é jornalista e consultor de comunicação.

AO LADO DE JOSEPH BLATTER, DILMA É VAIADA NA ABERTURA DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES




17 de junho de 2013

IMAGENS DE UMA CANÇÃO... ATUALIZADA!

Charge O Tempo 17/06



17 de junho de 2013

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA HELIO FERNANDES

Dona Dilma vaiadíssima. Um ministro do STJ salvou a Petrobras, que não podia importar e exportar.Daniel Ellsberg, campeão do fim da Guerra do Vietnã, volta aos 82 anos.
Que maravilha viver. Alckmin dá entrevista entre dois coronéis da PM, diz que o povo foi culpado do que aconteceu nas ruas.

Já contei aqui, há tempos, a história da defesa da liberdade e da democracia, jornalismo heróico de Daniel Ellsberg, que entrou na História como “Documentos do Pentágono”, terminou com a Guerra do Vietnã (a maior derrota dos EUA, em todos os tempos) e foi uma vitória da opinião pública e da própria Suprema Corte.

Ele não servia a ninguém, foi ao Vietnã ver com se travava essa guerra. Juntou milhares de documentos publicados pelo New York Times. Denunciado perante a Corte Suprema dos EUA, Daniel Ellsberg compareceu, certo de que sairia preso e condenado.

A Suprema Corte lotada, começaram os votos dos onze juízes, naquela época não havia mulher nem negro, nomeados muito depois.
O relator, considerado o mais inflexível e também respeitadíssimo, leu seu voto de exaltação à liberdade, escreveu textualmente:
“O acusado não subverteu a liberdade, não praticou ato de traição ao país, como diz a acusação. Ele é um herói da democracia, se o condenarmos, estaremos exaltando o retrocesso”.

Foi emoção pura, mas silêncio à espera do voto dos outros juízes. Todos com a mesma segurança, a mesma coerência e a mesma responsabilidade do relator. Aí, o silêncio se transformou numa explosão de aprovação que estava contida.

Agora, aos 82 anos, Ellsberg reaparece para aplaudir, entusiasmado, o jovem Edward Snowden, que fez quase a mesma coisa que ele, só que os EUA não estão perdendo nenhuma guerra.
A entrevista do herói do fim da derrota no Vietnã, pode devolver a Snowden, aos 29 anos, a vida que estava perdendo. Muito moço, foi sempre um admirador de Ellsberg. Agora, muito mais.

JUSTIÇA RÁPIDA

O ministro do STJ, Benedito Gonçalves, negou certidão negativa à Petrobras. Motivo da decisão: uma suposta dívida de 7 bilhões de reais. A Petrobras recorreu, o próprio ministro, com bom senso e velocidade, mudou o voto em 24 horas, e a Petrobras já está com a certidão indispensável. Sem ela, ficava quase imobilizada. Não poderia exportar ou importar, desastre total.

Parabéns, 7 bilhões não são nada para o movimento da empresa, e a dívida nem existia, era apenas suposta e não confirmada. A Petrobras pode ser criticada, até para melhorar a competência e a eficiência. Mas não pode ser sabotada de maneira alguma.

Uma das maiores empresas do Brasil, haja o que houver, “o petróleo é nosso”, não pode ser atingida como as de outros setores, que NÃO SÃO MAIS NOSSOS.

ALCKMIN ANESTESIADO

Numa mesa com 3 lugares, o governador entre 2 coronéis da Polícia Militar, exaltou descaradamente a violência, disse: “A Polícia Militar cumpriu seu dever”. O que poderia falar nessa condição? Devia ter falado sozinho numa mesa.

O povo está nas ruas, nem perceberam. Também, veja os personagens da primeira fila, com mais visibilidade: Alckmin, em São Paulo, junto com Haddad, Sergio Cabral, no Rio, junto com Pezão (a palavra que ele merece, de “pai do PAC”, e em Brasília, o governador Agnelo Queiroz (este, salvo pela CPI mista e arruinada).

DONA DILMA: IMPRUDENTE E IMPREVIDENTE

Não devia nem podia ir à inauguração oficial da Copa e do Mané Garrincha. Pelo menos precisava ter se informado do comportamento das multidões. Principalmente agora, que o povo está nas ruas. E sua popularidade em baixa, ninguém sabe até onde.

Foi vaiada várias vezes e sempre demoradamente. Constrangidíssima, teve que ser “socorrida” pelo presidente da Fifa, a quem detesta.

Quando Castelo Branco (já ex-“presidente”) morreu num desastre de avião, trouxeram o corpo para o Rio, foi velado no Clube Militar.
Na mesma hora, no Maracanã, jogavam América e Botafogo.
Pediram um minuto de silêncio, vaia ampla, geral e irrestrita.

Nelson Rodrigues, ao meu lado, quase gritou:
“O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”. 48 horas depois, no seu programa da TV Rio, repetia a frase.

COITADO DO PREFEITO

Antes da mudança da capital, o prefeito (nomeado) Dulcidio Espírito Santo Cardoso (primo de FHC) foi ao Maracanã.
Naquela época, informavam quando as personalidades chegavam. Estávamos então em plena seca, não havia água para nada e para ninguém. Foi a vaia mais prolongada, fiquei com pena. Nunca falei com ele, era amigo de sua namorada, a belíssima Ester de Abreu, grande cantora.

OS GENERAIS DITADORES ESPERTOS

Gostavam mesmo de futebol, principalmente dos jogos da seleção. Medici, Figueiredo, Carlos Alberto Fontoura (todos do SNI, dois “presidentes”), entravam sorrateiramente, iam para a Tribuna de Honra, quase pegada à bancada dos jornalistas.

Os seguranças iam para a Direção do Maracanã, e não deixavam informar que os generais “haviam chegado”.
Quando a seleção entrava em campo, sempre muito aplaudida, eles apareciam, acenando de longe, “Agradecendo” o apoio que não haviam recebido.

O GENERAL FONTOURA EM PORTUGAL

Pouco mais do que analfabeto, o general do SNI era servo, submisso e subserviente com quem estivesse no Poder. Pouco antes de tudo terminar, inventou que estava sendo ameaçado de morte, foi feito embaixador. Como era monoglota, só podia ir para Portugal, o país protestou.

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PS – Obrigado, Paulo Solon, também gostaria de republicar não só esse artigo, mas muitos outros. A série seria sobre os minérios, a campanha de anos contra o roubo do manganês do Amapá (da família Azevedo Antunes/  Bethlehem Steel). Mas a Tribuna está fechada desde 1º de dezembro de 2008, quase 5 anos.

PS2 – Estão fechados os prédios, impossível entrar. Depois que li você, fiz um cálculo de cabeça, rápido, para ver quanto escrevi. Comecei diariamente coluna e artigo em 1956, no Diário de Notícias. Em 1962, assumi a Tribuna, continuei até 2008. Em quantidade, foram 52 anos, nada parecido no mundo.

PS3 – Só deixei de escrever nas “eventualidades” ditatoriais, dá 30 por mês. 350 por ano, façamos a conta com 300, 3 mil em 10 anos, 15 mil em 50 anos, passei muito disso. Fazendo a conta ao contrário, se eu quisesse selecionar, 10 por cento seriam 1,5 mil, 1 por cento, 150. Acho que seria número razoável, para minha satisfação. E de muitos leitores.

PS4 – Almerio, já atendi os pedidos só com lembranças de advogados. E como você ressalta, Celso Furtado é dos grandes economistas e personalidades marcantes da História brasileira, insuperável. George Tavares foi meu advogado várias vezes, ele e Evaristinho eram sócios, trabalhavam juntos em todas as causas.

PS5 – Com os protestos da OAB, da Câmara e do Senado contra meu sequestro-confinamento em Fernando de Noronha (o primeiro de uma série), o ministro da Justiça autorizou a ida de um advogado. Evaristinho não quis ir, foi George Tavares. Até hoje, grande amigo deste repórter, figura humana extraordinária, criminalista de primeiro time.

PS6 – Clovis Sahione, criminalista também do primeiríssimo time, me defendeu várias vezes. Como todos, grande amigo. Quando foi candidato a presidente do Flamengo, o clube perdeu a oportunidade de um presidente de fato e de direito. Sahione foi derrotado pela máquina, que elegeu Dona Patrícia.

17 de junho de 2013
Helio Fernandes

O LEVIATÃ DESGOVERNADO

 

O inglês Thomas Hobbes é conhecido como defensor de um Estado forte. Em sua obra mais famosa, “O Leviatã”, ele discorre sobre a necessidade de um contrato entre os homens que possa livrá-los de sua própria insociabilidade.

O Estado poderoso representado pela gigantesca criatura que é o “Leviatã” surge a partir deste contrato e existe, portanto, pelos cidadãos e para os cidadãos.

Exerce assim o papel de garantidor de liberdades individuais, para que cada um possa ter “o que é seu” sem a necessidade de permanecer numa eterna luta pela vida e pelos seus direitos mais básicos.
Este Estado não surge como um promotor de igualdade, distribuidor de riqueza, facilitador de fusões de grandes negócios, patrocinador de filhos de seus funcionários. É simplesmente um garantidor de direitos, da propriedade e aplicador do poder das leis, para que “ninguém possa tomar de outro aquilo que não é seu de direito”.

Por isso mesmo é que com um pouco de paciência, poderemos observar a presença de matizes liberais na obra de Hobbes, matizes estas que se tornam ainda mais interessantes quando as pensamos em relação ao que ocorre no Brasil.

Ora, um Estado demasiadamente inchado, corrupto, ineficiente, com grupos organizados lutando entre si pelo poder dentro dele, com um saque generalizado de recursos públicos que são desviados para o bem estar particular destes grupos em detrimento do país, pode facilmente ser enquadrado como um novo estado de natureza, agindo desta vez dentro dos limites do Estado.

Uma luta de lobo contra lobo, valendo sempre a lei do mais forte, do mais influente, de quem tem mais a oferecer dentro do “toma lá, dá cá”. A impunidade para bandidos de estimação, a sensação de que “está tudo dominado”, tudo isso não é uma faceta do estado de natureza, do vale tudo, ainda que sob um verniz institucional?

Eu respondo sem medo de errar: sim.
Uma democracia é feita por maiorias, mas não somente maiorias. Um parlamento que não legisla, que não mantém uma oposição ativa e altiva, que não tem representatividade moral, não pode fazer parte de uma democracia saudável.

A distribuição de cargos, verbas, vagas em estatais são fenômenos deste estado de natureza tropical brasileiro. Basta olharmos para os Estados Unidos e vermos se conseguimos achar algo próximo de um Mensalão por lá.

É tarefa impossível, porque sem um estado corrupto, inchado, lento, desordenado e desgovernado como o nosso, o fisiologismo e a luta do homem contra o homem é quase impossível. Só o subdesenvolvimento ou a regressão democrática podem levar um país a este tipo de degradação.
Hobbes dizia que a liberdade natural é um rio que as margens e barragens que delimitam este rio são as leis e a liberdade civil.

Assim como as leis são as margens que controlam o fluxo da liberdade individual, a liberdade individual deve funcionar como a comporta que controla o fluxo do exercício do poder.
Sem isto, perdem-se limites e o Estado deixa de existir para e pelos cidadãos, passando a ser um fim em si mesmo.
Não funciona mais como mecanismo de controle deste fluxo de liberdades que energize a sociedade, mas como uma onda desgovernada que termina por submergi-la neste novo e destrutivo estado natural.

Assim é o Brasil, este Leviatã desgovernado.

17 de junho de 2013
Marcus Vinicius Motta
(artigo de 3 de agosto de 2011)

PEC 37 E O OUTRO LADO DO MPF

Ninguém questiona a importância do Ministério Público Federal na investigação de casos de corrupção na política ou de crimes financeiros contra o Tesouro Nacional.
No entanto, ninguém aguenta mais os danos causados ao país quando o MPF dedica-se a prejudicar setores produtivos, agindo com arrogância, prepotência e promovendo verdadeiras perseguições. É o caso da produção rural.

Nunca o produtor rural tem razão quanto a meio-ambiente, terra indígena ou condições de trabalho, que são diferentes da indústria. Atualmente, um caso escabroso está acontecendo no país.

O MPF está exigindo que supermercados não comprem carne proveniente de propriedades que desmataram ilegalmente ou que utilizaram mão-de-obra escrava.
Impondo Termos de Ajustamento de Conduta a supermercados e frigoríficos.
Criou uma lista negra onde uma simples denúncia já inviabiliza os negócios de pequenos, médios e grandes fazendas.

Não espera que a sentença transite em julgado. Chantageia o canal de distribuição. Pressiona as polícias. Age como se estivesse acima da lei.
O MPF investiga, denuncia e condena. Um verdadeiro absurdo. Este é apenas um exemplo deste lado negro e escabroso do MPF.

Em recente reunião de 5.000 produtores rurais em Mato Grosso do Sul, estes vaiaram o MPF, a Funai, o CIMI e a própria Igreja Católica.
Lá estavam senadores, deputados e prefeitos. Um membro do Senado, da poderosa Frente Parlamentar da Agropecuária, inquirido sobre a PEC 37 afirmou:
" eu iria votar contra, mas agora mal posso esperar o momento para votar a favor. E ainda farei campanha. Polícia tem chefe. Promotor não. Ninguém aguenta mais!" 

 Leia aqui mais uma matéria que pinta o MPF como um paraíso, cheio de anjinhos.

17 de junho de 2013
in coroneLeaks

MAIS IMPOSTOS, NÃO!

 

A criatividade de nossos legisladores e, no caso, de nossos prefeitos parece não ter limites. A sua engenhosidade é tal que partem para a criação de novas formas de tributações, como se o interesse público se resumisse ao que é melhor para eles, e não para os consumidores deste país.

É sabido que a carta tributária já se situa acima do razoável, com os cidadãos sentindo na carne — e na mesa — os efeitos de impostos que oneram a renda familiar. Progressivamente, esses mesmos cidadãos começam a perceber que impostos e tributos são nada mais do que transferências de renda e de bens em geral.

Na verdade, uma família, por exemplo, transfere uma parte dos seus bens para o Estado, em suas várias instâncias, da municipal para a federal, passando pela estadual e pelas diferentes instâncias do Legislativo e do Judiciário.

Senador Romero Jucá. Foto: Agência Senado


Não deixa, portanto, de causar espécie o projeto de lei do Senado (PLS) complementar nº 386, de 2012, do senador Romero Jucá, que dispõe sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza — ISS, de competência dos municípios e do Distrito Federal.

Com efeito, ele dispõe sobre a tributação da “locação empresarial”, incidindo, entre outros setores, sobre empresas familiares (que vivem de sua renda), escritórios comerciais, pontos comerciais de shopping centers, áreas residenciais alugadas a empresas, inquilinos residenciais que tenham como locadores pessoas jurídicas, entre outros.

Trata-se de uma transformação do mercado de locação empresarial, com reflexos evidentes sobre os preços dos aluguéis pagos pelos inquilinos. Note-se que o aumento de impostos tende a ser repassado ao preço, com o locatário arcando com o seu ônus.

Na iniciativa desse PLS encontram-se os secretários de Finanças das capitais e a Frente Nacional dos Prefeitos. Se, de um lado, é compreensível que os prefeitos procurem aumentar a sua receita, vistas as obrigações que devem cumprir, de outro lado é incompreensível que os contribuintes devam arcar com isto, e não mediante uma redistribuição entre os diferentes entes federativos.

Dentre os motivos de elaboração do projeto de lei, cumpre destacar que ele “visa a diminuir a dependência dos municípios em relação às transferências constitucionais, em especial, o Fundo de Participação dos Municípios e as transferências relativas ao ICMS e ao IPVA”.

Ou seja, os municípios procuram uma maior independência financeira à custa de tornarem os cidadãos mais dependentes do Estado, devendo eles arcar com uma carga maior de seu funcionamento.

Em linguagem popular, o contribuinte deveria “pagar o pato” do fato de os prefeitos não conseguirem se entender com os estados e a União. Um “terceiro”, o cidadão, deveria arcar com uma má distribuição dos entes federativos entre si.

Parece ser mais fácil descarregar o problema sobre alguém que se encontra em uma condição passiva, devendo apenas “aceitar” uma solução “legislativa”. O bem de todos é lesado por uma suposta e bizarra noção de “bem público”, isto é, o deles!

Observe-se que essa iniciativa “legislativa” insere-se em um contexto político de regulamentação e de aplicação da Lei de Transparência dos Impostos, lei 12.741, obrigando as notas fiscais a discriminarem, nos preços, os impostos e serviços neles embutidos.

A lei foi elaborada a partir de uma iniciativa louvável da Associação Comercial de São Paulo, que, com a utilização do seu “impostômetro”, contribuiu decisivamente para que a sociedade paulista e brasileira se conscientizassem daquilo que pagam ao Estado cotidianamente.

Ora, esse contexto é bem o de uma conscientização do peso da carga tributária na vida de cada um. O que é visado consiste em uma redução de impostos e contribuições e em um melhor equacionamento e proporcionalidade entre o que os cidadãos pagam ao Estado e o que dele recebem em serviços como segurança, saúde, educação e saneamento, entre outros.

Forçoso é reconhecer que o projeto de lei 386 situa-se na contramão dessa tendência brasileira. Convém ainda salientar que sobre os dividendos oriundos da locação já incidem o Imposto de Renda, as cobranças de PIS e Cofins, além de os inquilinos pagarem IPTU. Seria mais uma tributação a se inserir nessa lista suficientemente pesada.

Quem arca com esse peso? O inquilino e o cidadão em geral, sobre cujos ombros se ergue toda a estrutura estatal. É muito peso para pouco suporte!

Além desse impacto sociopolítico há de se considerar o impacto econômico, pois as locações empresariais de bens imóveis fazem parte de uma longa cadeia produtiva, ela mesma geradora de impostos, emprego e investimentos crescentes.

Novas moradias postas em aluguel, mercado de escritórios, ampliação e construção de novos shopping-centers, não são frutos do acaso, mas nascem da segurança jurídica e de condições propícias aos negócios. Certamente tal ambiente não se coaduna com carga tributária crescente!

Na verdade, os municípios são os maiores beneficiários de novos investimentos. Quanto maior for o número de moradias postas em locação, quanto maior for o número de shopping centers, quando maior for o número de escritórios oferecidos, quanto maior for o número de famílias que se organizarem empresarialmente para usufruírem dos seus imóveis, maiores serão os ganhos dos municípios.

Com essa nova forma aleatória de tributação municipal, os investimentos serão afetados, tanto do ponto de vista nacional, quanto internacional. Fundos de pensão, fundos imobiliários, investidores em geral, construtoras nacionais, incorporadoras e desenvolvedores de shoppings terão um impacto imediato em suas atividades e projeções.

Imaginem um ambiente de aumento do valor de locações de imóveis, residenciais e comerciais, e pontos comerciais em shopping centers. Produtos mais caros serão vendidos e os consumidores serão aqueles que deverão pagar mais por aquilo que custava menos há apenas algumas semanas.

A percepção de aumento de impostos, inevitavelmente, não será positiva para os administradores municipais.

17 de junho de 2013
Denis Lerrer Rosenfield é professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.