"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

EU SÓ QUERIA ENTENDER O ELEITOR BRASILEIRO... OU A POLÍTICA INZONEIRA DO BRASIL.

 

Arruda: no topo

Uma pesquisa do Ibope, realizada entre os dias 5 e 12 de julho, no distrito Federal, chegou a dois resultados:

1)Agnelo Queiroz  tem a desaprovação de 75% dos eleitores.

2) José Roberto Arruda é hoje o líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo.

Arruda, aliás, tem pouco menos de dois meses para decidir sua eventual filiação a um partido para poder se candidatar no ano que vem.

07 de agosto de 2013
Por Lauro Jardim

REBANHO HISTÉRICO


          Artigos - Governo do PT        

rebanho
A história curta é que a presidente da República sancionou o projeto e agora entramos para a lista de países que legalizaram a mais abjeta das práticas humanas.
 
Todos nós sabemos – ou pelo menos temos alguma noção de – que no mundo real opera a lei da ação e da reação. Claro que existe um incontável número de variáveis operando nas relações pessoais – e cósmicas, por assim dizer –, entretanto, uma das mais visíveis é o princípio da ação e reação
 
Por exemplo, quando se colocam crianças para aprender com maus professores, depositando toda a confiança neles e não buscando uma fonte alternativa de conhecimento (ação),  daí surgirão, com certeza quase absoluta, maus alunos (reação).
Aí entram as variáveis que impedem que as relações sejam transformadas em tratados de lógica, mas mesmo assim elas não chegam a anular o quadro da realidade ‘cósmica’: “uma árvore má não dá bom fruto” é infalível, pois a árvore má é a “causa formal”.
 
Falando concretamente: a “educação para todos” do nosso país foi um notável desastre. Sob o pretexto de erradicar o analfabetismo, a única coisa que se conseguiu erradicar quase que totalmente foi o senso comum.
 
A cada nova geração, mais esperanças são depositadas no Estado e mais se deixa de depositar a confiança em si mesmo, na família e em Deus – os pilares por excelência de um povo são.
A educação como fim e não como meio – sim, o mesmo problema que abordei no artigo anterior sobre confundir meios e fins – trouxe um notável resultado: o óbvio virou esotérico.
 
O reflexo da transformação da obviedade em esoterismo é que não mais se percebe que, ao colocar o intelecto dos brasileiros nas mãos de desqualificados, só poderia se gerar pessoas desqualificadas, pois “o discípulo não é superior ao mestre; mas todo discípulo perfeito será como o seu mestre”.
Em outras palavras – ou em termos educacionais -, mesmo que houvessem apenas alunos plenamente dedicados ao que lhes é ensinado de agora em diante – obviamente não é, nem nunca será o caso – ainda assim se teria uma maioria esmagadora de desqualificados, pois seus mestres vieram de uma longa linha de pessoas que vêm se desqualificando e fazendo questão de anular os grandes cérebros a fim de que a tal cadeia de emburrecimento não seja perturbada.
 
No Brasil a burrice começa a ser inculcada nos cérebros a partir dos quatro anos; assim, quando se chega à idade adulta, tudo passa a ser permitido, já que há apenas resquícios de senso comum – o que praticamente impossibilita a pessoa de perceber qualquer perigo iminente.
 
Esse pequeno comentário anterior foi para falar da sanção presidencial da PLC 03/2013 assinada no último dia 01 de agosto, que, dentre outras coisas, legaliza o aborto no Brasil. Se você ainda não sabe o que está acontecendo, veja este vídeo e compreenda o que se passa: http://www.youtube.com/watch?v=uJXipK6opB0.
À época que foi gravado o referido vídeo, o Padre Paulo Ricardo e mais alguns poucos bispos lutavam pelo veto total ao projeto, enquanto a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil lutava apenas pelo veto parcial da lei. Para ver o que significa o veto parcial e o veto total, veja: http://www.youtube.com/watch?v=TTwkr0uaoJM.
 
Enfim, a história curta é que a presidente da República sancionou o projeto e agora entramos para a lista de países que legalizaram a mais abjeta das práticas humanas (e olha que há uma longa lista no catálogo, uma pior que a outra).
Houve até uma discreta comemoração no twitter oficial do Foro de São Paulo. Agora as mulheres têm o poder de optar por assassinar seus próprios filhos com a ajuda estatal.
 
***
O que virá após tão abjeta legislação ser aprovada? Não podemos esperar que de algo ruim saia algo bom, pois “acreditar em mentiras de modo a satisfazer um desejo constitui uma inferioridade pronunciada e um sintoma histérico bem conhecido”, disse o psiquiatra Carl Gustav Jung no ensaio “Depois da catástrofe”, que se encontra na obra Aspectos do drama contemporâneo.
 
A essência da histeria, segundo Jung, é uma cisão da personalidade em que o indivíduo chega ao estado de contradição existencial, ou seja, o sujeito pensa a e faz z. “Em geral, ocorre um espantoso desconhecimento acerca das próprias sombras, conhecendo-se apenas as boas intenções. E quando não é mais possível negar o mal, surge o “super-homem e o herói” que se enobrece pela envergadura de suas metas” disse Jung.
 
O povo brasileiro abraçou de vez esse estado de contradição existencial e ainda reelegeu mais duas vezes esse partido – e nada indica que haverá alguma oposição a um quarto mandato. É visível aí imagem do sujeito histérico que não admite estar errado e então redobra a aposta em seu erro.
Esta crítica serve também para os cristãos que votaram no PT. O próprio ex-presidente Lula sempre faz questão de lembrar que sem o apoio do eleitorado cristão – sobretudo o católico – seria impossível a ascensão do PT ao poder
 
Eis aí uma situação que o Brasil compartilha com a Alemanha nazista a qual Jung fazia referência nesse ensaio: com a ajuda do eleitorado religioso, ambos os povos permitiram ser guiados pela pior estirpe possível de sujeitos. Admitir-se errado em tempos de exacerbado relativismo é uma tarefa hercúlea. A contradição virou a regra. A histeria quase obrigatória.
 
Para falar da Alemanha da década de 1930, que encontrou em Hitler o personagem perfeito para representar suas neuroses[1], Jung disse no mesmo ensaio:
 
“Todos se apoiam uns nos outros, num falso sentimento de segurança, pois o apoio de 10.000 é um apoio no ar. A diferença é que não mais se percebe a insegurança.
A esperança crescente no Estado não é um bom sintoma e significa, na verdade, que o povo está a caminho de se transformar num rebanho o qual sempre espera de seus pastores bons pastos. Logo o cajado do pastor se converterá em vara de ferro e os pastores em lobos” [§413].
 
Eis outra situação que o povo brasileiro compartilha com os alemães daquela época: a crença no Estado como o único pai e feitor de tudo. E não estou falando apenas do sujeito que se beneficia com medidas assistencialistas; estou falando de todos nós, em melhores condições, que somos incapazes sequer de mobilizar os próprios vizinhos de bairro para podar o jardim da praça, deixando para o poder público uma tarefa das mais elementares.
 
Enfim, eis o que foi feito no Brasil: O nosso cajado foi dado ao Estado – esse ‘pastor lupino’ que tem se mostrado o mais cruel e sanguinário de toda a história da humanidade. Agora, como reação, o cajado estatal virou a vara de ferro que fará as curetagens uterinas Brasil afora.
Se existe uma coisa a qual sempre poderemos confiar nos lobos é que eles jamais abandonarão sua natureza lupina. Só algum distúrbio psicológico semelhante ao que afeta o eleitorado brasileiro (com a não desprezível ‘ajuda’ do sistema educacional) permite pensar que um dia eles se transmutarão em ovelhas.
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[1] Olavo de Carvalho, citando o psicólogo Juan A. C. Müller, diz que a “neurose é uma mentira esquecida na qual você ainda acredita”.

Publicado no site da revista Vila Nova.
07 de agosto de 2013
Leonildo Trombela Júnior é jornalista e tradutor.

O PAPEL HIGIÊNICO DA FAMÍLIA PRESIDENCIAL

                       
          Internacional - América Latina 
Nenhuma página castrense do mundo contém afronta similar à honra militar de um exército veterano, sofrido e vitorioso.

Cada vez que tenho oportunidade, lembro a meus leitores que a maioria dos colombianos desprezam absolutamente sua história e que essa é a razão pela qual sempre caímos nos mesmos erros do passado sem aprender jamais. É tão certo, que durante décadas temos permitido que os assassinos internacionais obedientes a Fidel Castro estrangulem a verdade e apresentem como história oficial, em escolas, universidades e academias, o que o castro-comunismo ordena desde Havana.

O afeto atávico que a Colômbia guardou pelas instituições militares desde tempos ancestrais, foram transformando pouco a pouco, pontada a pontada, em um medo trabalhado com injúrias que os meios de comunicação cúmplices amplificam com editoriais, para aterrorizar os cidadãos e inculcar-lhes hipnoticamente que as Forças Armadas são uma espécie de apêndice alheio à sociedade, uma empresa criminosa composta dos piores seres humanos, que nem sequer são vistos como colombianos.


Inculcar o medo ao Exército foi uma das tarefas principais do comunismo na Colômbia desde que fizeram esse trato sinistro com Enrique Oyala Herrera em troca de ajudá-lo a ganhar as eleições. Uma tarefa na qual ajudaram oficiais de alta patente que desde então foram plantados nas fileiras do Exército com a finalidade, também, de desmoralizar e desmoronar a tropa desde suas próprias entranhas.


Enrique Santos Castillo quis que seus filhos sentissem o mesmo amor que ele sentia pela milícia, e por isso obrigou Juan Manuel Santos a ingressar na Armada Nacional, com a ilusão de que não seguisse os passos de seu outro filho, o caveira mais velho, Enrique, que desde seus anos de adolescência fritou seu cérebro com todo tipo de alucinógenos, tanto, que o levaram ao caminho criminoso da fundação de grupos narco-terroristas.


Porém, o velho Enrique Santos Castillo não teve êxito com Juan Manuel. Seu rebento não demonstrou a virilidade necessária para continuar a carreira militar e se retirou aos poucos meses sem glória, e com a pena de uma fama florida de preferir soprar a gaita que atuar como o homem que foi seu pai. Essa fama em perseguido até o dia de hoje o atual presidente da Colômbia.


As carências de Juan Manuel Santos o levaram a sentir um profundo desprezo por tudo o que signifique ou se relacione com as Forças Armadas. Um aborrecimento que o conduziu a inventar o tema dos chamados “falsos positivos” junto a outros dementes e adoradores de Castro escondidos no governo de Álvaro Uribe. Esse ódio visceral aos nossos sacrificados soldados o demonstrou celebrando gols sobre as tumbas deles, facilitando o fluxo de informação privilegiada ao terrorismo para que embosquem e massacrem nossos homens, e aplaudindo as famílias farianas e elenas que, mediante ONG e coletivos de advogados, encarceraram os melhores combatentes anti-guerrilheiros.


Porém, o ocorrido no passado 20 de julho reveste-se de uma gravidade especial. A mensagem que o camarada Santos (cognome “Santiago”) enviou aos militares colombianos na celebração dos 203 anos de nossa Independência, alerta para tempos de extremo perigo para a Colômbia.


Nesse dia, o camarada presidente Santos ordenou fechar ao público a Avenida 68 entre as ruas 63 e 26. As pessoas que durante anos e anos saíram para desfrutar e honrar nossos combatentes, não tiveram acesso ao desfile por capricho do presidente que, qual imperador romano, se espraiou em sua cadeira junto a seu séquito para se distrair com um desfile para si sozinho.


Não contente com isto, pôs para marchar comandando um grupo de combate de elite, o BACOA, seu garotinho Esteban Santos Rodríguez, um boneco de pano que teve que prestar serviço militar porque seu pai não quis pagar a cifra milionária que caberia desembolsar para o certificado militar.


Assim como o lêem. Juan Manuel Santos não só tem seu filho prestando serviço militar com guarda-costas e ajudante de ordens que o vestem, passam a roupa e engraxam os sapatos, além de outros privilégios como sair quando lhe dá na telha para acompanhar papai em partidas de futebol em companhia dos altos comandos militares, senão que teve o descaramento de vestir peças militares especiais sem ter direito a isso, violando flagrantemente o código penal militar que dá cadeia a qualquer soldado que faça isto, sempre e quando não seja o filho fantoche do presidente Santos. Um assunto para a Procuradoria Geral da Nação.


Desde os tempos em que era ministro da Defesa, Juan Manuel Santos punha a disposição de seus filhos os helicópteros militares para que eles fossem passear com seus amigos de farra aonde quisessem, enquanto as tropas em combate infrutuosamente pediam a gritos o apoio aéreo. Um costume que toda a família continua até hoje. Já são famosos os passeios que a esposa de Santos, María Clemencia Rodríguez Múnera faz, que não sente vergonha para gritar com majores e coronéis da Força Aérea: “Ouçam! Aprontem minhas maletas e ponham-nas no helicóptero que hoje vou a um pic-nic com meus amigos na Quebrada de los Siete Colores! E amanhã, a qualquer lugar do mundo, como diz Julio... Porém mexam-se já!!!”. E não é piada.


Enfim, Esteban Santos Rodríguez marchou comandando um grupo de elite de combate. O camarada Santos colocou à sua esquerda oficiais experientes em mil combates, heróis de inumeráveis jornadas. E o fez sem vergonha. Para desafiar a capacidade de assombro dos colombianos. Não fizeram só isso. De repente, no meio do desfile, o camarada presidente ordenou parar tudo. Desceu junto com sua esposa María Clemencia e abraçaram e encheram de beijos seu filho fantoche, como se isto fosse uma função familiar ou um desfile de velinhas.


Nunca em toda a história da humanidade sucedeu nada parecido. Nem Juan Alejandro da Normandia, Felipe de Orleans I, Lawrence da Arábia ou Alexandre Magno - admirados por Santos e Echandía - se atreveram a tanto. Nem sequer o Rei Juan Carlos de Bourbon nem a Rainha da Inglaterra, com todo seu poder milenar, fizeram o que o camarada presidente e seu garotinho fizeram. Nenhuma página castrense do mundo contém afronta similar à honra militar de um exército veterano, sofrido e vitorioso.


Porém, a bofetada foi completa. A essa hora os comandos militares, o ministro e o camarada presidente sabiam que em Arauca seus companheiros das FARC e do ELN, aliados, haviam massacrado 17 jovens soldados ultimando os feridos com tiros de graça. Porém, Santos não disse uma palavra, nem guardou um minuto de silêncio, nem uma pequena menção. Continuou esbanjando alvoroço e gargalhadas porque seu garotinho estava disfarçado de soldado, comandando um corpo de valentes e verdadeiros combatentes. Ele, Esteban, cuja máxima demonstração de valor foi pelejar com o filé que lhe enviam em bandeja de prata desde o cassino de oficiais, por ordem do papai.


O camarada Santos tampouco fez menção dos soldados mortos horas mais tarde na instalação do Congresso, onde tomou posse Juan Fernando Cristo, outro dos untados com dinheiro do Cartel de Cali, como presidente do Senado. Que indignação os colombianos sentimos com esta palhaçada! Que humilhação sofreu o nosso Exército com este circo!


E o mais triste de tudo é que o ministro Pinzón e os generais Mantilla e Navas se prestaram para a bufonaria. E nem há o que dizer do general Mora que, contanto que se chequinho lhe chegue pontual - e não o embainhem no Ministério Público - olhou para o outro lado. Sim. O camarada presidente e seu filho fantoche humilharam o Exército enquanto o alto comando militar se prestou como um grupo de palhaços para que este par dançasse sobre os cadáveres dos soldados assassinados pelos amigos da família. Usaram o Exército como seu papel higiênico.


 07 de agosto de 07

Ricardo Puentes Melo
Tradução: Graça Salgueiro

NINGUÉM SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO

 

Que o leitor me desculpe a autorreferência, mas para quem caracterizou o sistema brasileiro como dependente de uma dimensão hierárquica (a realidade do mais ou menos) que obriga em saber quem manda ou quem é dono — o famoso, mas pouco avaliado, “Você sabe com quem está falando?” — o mal-estar que nos assola tem tudo a ver com uma ausência de limites relacionada a uma forte presença da igualdade e a ausência significativa, típica do lulopetismo, de alguém capaz de ancorar responsavelmente a cena política.

A velha oposição entre direita e esquerda que sempre ajudou a montar a nossa cosmopolítica dividindo o mundo entre mal e bem, burgueses vendidos e nós, esboroou-se com as manifestações que trouxeram ao palco uma multidão de reivindicações, a maioria pedindo o final de dois pesos e medidas, de uma ética de condescendência típica das posições lulistas e messiânicas.

Fincadas na liberdade e exigindo igualdade, as passeatas inauguraram um escandaloso “ninguém sabe com quem está falando!” Deste modo, o mandamento central da nossa cartilha política sumiu depois das reações da presidente, cujo resultado criou novos confrontos.

Mas o clímax desta ausência de limites foi a entrevista à “Folha de S.Paulo”, na qual se lê que Dilma e Lula são “indissociáveis”. Formam, como eu insinuei nesta coluna faz tempo, um perfeito ato de ventriloquia. Agora ninguém sabe mais se está falando com o ventríloquo ou com o boneco.

As passeatas testam de modo intenso onde estão os limites. Elas também desnudam a falta de interlocução entre as forças sociais que o próprio exercício da democracia liberal libertou entre nós.

Nas repúblicas, tal papel cabe ao Poder Executivo. Um poder solitário, próprio de um personagem capaz de eliminar as arestas do impessoalismo da dimensão liberal, fundada no consentimento e na difícil ética de dizer não aos nossos desejos e interesses.

Como entender o nosso pobre, querido, passivo e abandonado “povo” quando ele deixa de ser a parte passiva de discursos populistas controlados por um partido, e passa a ser um protagonista livre a clamar não por uma revolução, mas por um estilo de governar mais sincero, mais honesto e menos mentiroso?

Mais próximo das necessidades pagas pelo trabalho desse povo, o que faz das passeatas também uma cobrança. Uma exigência de reciprocidade depois de uma década e pouco de megapublicidade despudorada e promessas não cumpridas?

A explicação de que tudo foi obra de redes eletrônicas é importante, mas não se pode esquecer que nenhum computador opera sem ter sido ligado. Para que as redes influenciem, é preciso fazer parte de uma teia. De uma rede que valorizamos e seja capaz de ordenar para nós.

O fato novo é o elo entre individualismo, transparência e igualdade em tempo real e global. É a vida num universo translúcido no qual a comparação é um dado essencial e que, por isso mesmo, não pode conviver com a opacidade de um sistema de governo desenhado para manter os labirintos sombrios dos que se tornam aristocratas (e milionários!) pela política.

É preciso liquidar a distância entre o ético e o legal onde nascem as oligarquias e os privilégios que sempre foram o apanágio do poder à brasileira. São eles que separam o abismo entre o circo futebolístico “padrão Fifa” do pão amargo de um transporte, de uma saúde, de uma educação e de uma segurança abaixo de todos nós — as pessoas comuns.

Vivemos hoje a rejeição de um mundo ideológico tão a gosto de um desonesto receituário político. Esquerda e direita escondem quem manda mais e quem manda menos; quem é realmente responsável pela torrente de escândalos que a mídia e as redes não podem abafar.

Do fundo da megalópole dita sem alma, surge um povo livre de partidos. Sobretudo do partido do poder. O povo, curiosamente individualizado na passeata, aponta a dissonância: há um padrão internacional para o futebol, mas não há um padrão decente para a moralidade pública.

O resultado é uma perturbação histórica. No país do “Você sabe com quem está falando?”; na terra dos barões, dos populistas e dos que sabem tudo, não temos mais com quem falar. Há uma busca, mas a presidente ouve e não escuta. Ela gerencia: decreta e discursa. E quando o faz, cria outras passeatas e abre a coletividade para novos problemas.

Um lado meu teme pela ausência de atores mais conscientes dos seus papéis; um outro, otimista, acha que começamos a descobrir que democracia tem a ver com uma anarquia controlada. Um sistema onde cada qual sabe do mais difícil: a grande arte de dizer não a si mesmo.

07 de agosto de 2013
Roberto DaMatta é antropólogo.

EM VEZ DE ALIMENTAR A ANARQUIA E DESTRUIÇÃO NAS RUAS, AÉCIO NEVES PROMOVE "CONVERSA COM OS BRASILEIROS". ISTO É MUITO BOM! I



Conversa com os Brasileiros é o novo site que o PSDB acaba de lançar abrindo a oportunidade para uma interação direta com os cidadãos. Há diversos vídeos e um sistema que possibilita ao internauta apresentar suas perguntas diretamente ao presidente do partido Aécio Neves, bem como aos senadores, deputados federais e estaduais e demais lideranças do partido.

Ontem, terça-feira, Aécio Neves teve uma reunião com os 27 presidentes dos diretórios estaduais do PSDB em Brasília. 

Conforme analisei aqui no blog a candidatura do mineiro à presidência da República se consolida e agora já avança para o interior do país ao mesmo tempo em que abre um canal de conversa direta com os brasileiro utilizando intensamente os recursos da internet, conforme se verifica no site Conversa com os brasileiros.

E, como também afirmei na minha analise, a eleição de 2014 será completamente diferente das anteriores e abre pela primeira vez em mais de uma década a concreta oportunidade para a oposição virar o jogo.

É por isso que se vê a reação destrambelhada do PT com a tal reforma política e com os seus bate-paus nas ruas promovendo a anarquia e a destruição de propriedades públicas e privadas.

Como se vê, a forma de fazer política do PSDB se diferencia radicalmente daquela praticada pelo PT. No lugar de mascarados nas ruas quebrando tudo, o Aécio Neves conversa com os brasileiros de forma decente e educada. 

O contraste portanto fica evidente. De um lado, ninjas com barras de ferro e capilés fora do eixo. De outro, o respeito à lei e à ordem que privilegia o diálogo em busca de soluções para os grandes problemas da Nação brasileira.  
 
07 de agosto de 2013
in aluizio amorim

PESQUISA ENCOMENDADA PELA OAB TENTA FAZER CRER QUE O POVO BRASILEIRO APÓIA A REFORMA POLÍTICA DO PT QUE TENTA TRANSFORMAR O BRASIL NUMA NOVA VENEZUELA BOLIVARIANA


O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado agita a cartilha vermelha do PT e transforma a Ordem num departamento de propaganda petista
O economista Cesar Maia é um conhecido analista de pesquisas de opinião experiente, velho de guerra na política, já foi senador, deputado, prefeito do Rio de Janeiro, enfim, reúne um respeitável patrimônio intelectual e político.
Em seu boletim diário de análises políticas e econômicas, Maia se dedica nesta quarta-feira a analisar a pesquisa do Ibope, encomendada pela OAB nacional.

Trata-se, evidentemente, da lamentável ação da OAB que vem atuando de forma terceirizada pelo PT. Tanto é que seus presidente Marcus Vinicius Furtado foi o primeiro a correr ao Palácio do Planalto para ajudar a Dilma, quando o caldo engrossou, ou seja, quando a Nação repudiou imediatamente a tentativa golpista do PT de enfiar goela abaixo dos brasileiros um plebiscito bolivariano que outra finalidade não tinha senão criar as condições para a implantação de uma ditadura do socialismo do século XXI, como ocorre na Venezuela, Equador e Bolívia.
É nesses países que se constata a experiência mais bem acabada do diabólico Foro de São Paulo, a organização comunista fundada e dirigida por Lula e Fidel Castro e que na semana que passou reuniu-se no Brasil.

Ademais cumpre assinalar que revelei com exclusividade aqui no blog que quando o assunto da reforma política foi anunciado pelo PT esse partido já tinha a campanha de marketing toda pronta conforme se pode constatar aqui.

Como além de jornalista sou advogado, recebo diariamente os boletins informativos da OAB nacional e venho acompanhando a esquerdização da entidade que sob a atual diretoria, mais parece um departamento do PT.

Essa pesquisa foi a gota d’água a revelar que a entidade máxima dos advogados passou a ser um penduricalho do PT e leva água ao moinho ao funesto plano de comunização do Brasil com a eternização do PT mensaleiro no poder.

Transcrevo a análise de Cesar Maia dessa excrescência denominada de pesquisa de opinião tentando, por artíficios ridículos e mentirosos, fazer crer que o povo brasileiro apóia a reforma política bolivariana proposta pelo PT. Leiam:
TAUTOLÓGICA, CONTRADITÓRIA E FALHA A PESQUISA OAB/IBOPE!

1. A OAB, buscando apoio para suas ideias, contratou o Ibope, que fez pesquIsa nacional com 1.500 pessoas entre 27 e 30 de julho.

2. Primeiro Problema: a pesquisa foi telefônica.

3. 85% querem reforma política. Mas 92% querem que seja por Iniciativa Popular. Bem, para se divulgar uma proposta consensual e obter as assinaturas necessárias, não se levaria menos de 3 meses. Em seguida, teria que ser votada no Congresso. Mas a OAB pergunta se seria aplicada em 2014 e 84% dizem que sim. Absolutamente inviável dia 3 de outubro estar tudo pronto. Quem sabe se não ano que vem.

4. A pergunta sobre financiamento de campanha é capciosa. 17% aprovam doações privadas e 78% não. Mas não se inclui a hipótese do financiamento público, o que distorce as respostas. Provavelmente a maioria não ia querer pagar campanha com dinheiro que deveria ser aplicado em saúde, educação, segurança...

5. Perguntar algo cuja resposta é óbvia, é outro defeito. Por exemplo: limite de gasto em campanhas (a favor 80%) e maior rigor na punição ao caixa 2 (a favor 90%).

6. A pergunta sobre sistema eleitoral é irrespondível. A hipótese OAB, que tem apoio de 56%, trata de um sistema de lista com propostas. Único no mundo. Uma jabuticaba política. Ou seja, um partido deveria votar em convenção as propostas. Certamente seriam aprovados aumentos de salários, fim da crise na saúde, emprego decente para todos, triplicar a bolsa família e duplicar o piso de aposentadoria... Afinal, os partidos querem ter votos. Ninguém iria propor coisas como ajuste fiscal ou meta de inflação...

7. Assim mesmo, do outro lado, manter o sistema atual tem 38% de respostas positivas. Então por que 85% querem reforma política se 38% (quase a metade) querem manter o sistema eleitoral atual? Ou para os entrevistados, reforma política nada tem a ver com sistema eleitoral?????

8. Nos temas destacados, só 14% escolhem o combate à corrupção. Claro, pois se coloca numa mesma lista funções sociais de governo (Saúde, Educação...) e questão comportamental que não fazem parte do mesmo gênero.

9. São 84% os que apoiam as manifestações. Mas as razões indicadas ficam circunscritas às sensações: Revolta 37%, Descaso 32%, Esperança 13%, Frustração 9%. Essas sensações são alternativas ou fazem parte de um mesmo grupo geral?
 

10. Primeiro foi Dilma querendo constranger o Congresso com plebiscito. Agora é a OAB com uma pesquisa de perguntas falhas, contraditórias, insuficientes e tautológicas que a imprensa destaca. Nem Dilma nem a OAB ajudam assim o fortalecimento das instituições.
 
07 de agosto de 2013
in aluizio amorim

DESENHANDO A QUESTÃO "JOSÉ SERRA"

Perdão pela insistência com o tema. Mas é que eu vejo o pessoal vir aqui comentar que José Serra é "o melhor quadro do PSDB", que é "o mais preparado tecnicamente" e concluo que eu devo estar escrevendo em grego.  
Para ser bem clara, vou evitar entrar na discussão de o "melhor" e o "mais". Vou aceitar o critério de vocês para ir ao que, de fato, tenho dito nos últimos tempos: para fins eleitorais, isto tem efeito zero. Ser o mais preparado, ser o melhor quadro técnico de um partido, não é a mesma coisa que ser um bom candidato.  
Na situação oposta: alguém totalmente desprovido de condições para governar, mas que reúna características de um bom candidato, tem grandes chances de ganhar uma eleição. 
Não é possível que isto não tenha saltado aos olhos de vocês em 2010 e 2012. Em ambos os casos ficou evidente que, com o marketing certo, qualquer poste derrota José Serra. 
E como eu já sei quase todos os “ah, mas” que virão na área de comentários, vou encerrar este post antecipando alguns deles: 
“Ah, mas o Serra foi sabotado pelo próprio partido” – ok, assim como o Alckmin foi sabotado em 2006. Mas a questão óbvia é: foi sabotado porque não conseguiu promover a união em torno de seu nome. E a pergunta é: se não conseguiu isto em 2002 e 2010 por que devemos acreditar que conseguirá agora? 
“Ah, mas o marqueteiro do Serra é uma anta” – sim e não. Primeiramente: em 2002 o marqueteiro era Nizan Guanaes. Deus sabe que eu tenho minhas diferenças com o González – especialmente com relação à estética. Mas o maior problema ali sempre foi a relação entre ambos.
Serra faz o que quer e González permite. Não há indícios de que tal coisa possa vir a mudar. Ao contrário: a informações de bastidores dão conta de que Serra está se assessorando com alguém que lhe é mais subordinado ainda. 
“Ah, mas o Lula conseguiu na quarta tentativa” - acontece que nunca faltou carisma a Lula. O que Lula fez, ao longo das quatro tentativas, foi afinar o discurso, lapidar a imagem e construir alianças que lhe permitissem chegar ao poder. Carisma (que nada tem a ver com caráter, pelo amor da santinha) é uma condição fundamental para alguém que quer se eleger presidente. Sem isso, nada feito.
Carisma se inventa? Não. É uma matéria prima, mais ou menos abundante, que pode ser lapidada.  Serra além de não ter esta matéria prima em abundância, também não permite intervenções neste sentido. Lula permitiu, Dilma permitiu, Haddad permitiu. Todos eles se deram bem contra Serra. 
“Ah, mas Serra tem recall” – sim. Em Santa Catarina, Esperidião e Ângela Amin também têm recall. Compreensível, pois já governaram e, assim como Serra, já participaram de muitas eleições. Então, tanto faz qual seja o cargo em jogo, antes do início da campanha os Amin sempre aparecem bem cotados.
Mas basta aparecerem na televisão para começarem a despencar – exatamente como acontece com Serra. Não sei o que aparece nas qualitativas do Serra. No caso dos Amin, a reação é típica de fadiga da imagem: “não dá mais” “estão velhos”, “já passou o tempo deles” são algumas das reações que se coleta. 
“Ah, mas mesmo indo para outro partido,mesmo sem chance de ganhar, Serra pode ajudar a levar a eleição para o segundo turno” – nossa, que grande estratégia. Dividindo os votos do PSDB, vão para o segundo turno Dilma e Marina Silva. Não é uma beleza de perspectiva? 
“Ah, mas o Serra tem direito de ir atrás de seu grande sonho”– bom, mas direito, por direito, temos eu, você e toda a torcida do Flamengo. O que não temos é chance de ganhar. Coisa que, já ficou evidente, o Serra também não tem.
Se você acha que o sonho de um só homem justifica correr o risco de um segundo turno entre Dilma e Marina, vá fundo. Só não me convide para ir com você. 
 
07 de agosto de 2013
nariz gelado

FÓRUM NO ICMC DISCUTE POSSIBILIDADE DE FRAUDE NAS URNAS ELETRÔNICAS BRASILEIRAS


Participantes concluíram que o sistema atual está sujeito a fraudes, e encaminharam ao TSE um memorando apoiando a transição para um sistema mais seguro

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Na última quarta-feira, 17 de abril, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) promoveu o 1.º Fórum Nacional de Segurança em Urnas Eletrônicas. O evento foi realizado no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no campus USP de São Carlos, e contou com especialistas em política e em segurança da informação, que discutiram as possibilidades tecnológicas  de ocorrência de fraudes nas urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.

Na abertura, o diretor do ICMC, José Carlos Maldonado, agradeceu a presença dos participantes e destacou a relevância do evento: "É um tema de importância nacional e mesmo internacional, pois os destinos do Brasil impactam os do mundo. O ICMC fica muito orgulhoso de sediar essa iniciativa", acrescentou.

O fórum foi iniciado com a palestra do engenheiro Amilcar Brunazo Filho, especialista em segurança de sistemas de informática e moderador do fórum VotoSeguro.org.
Ele apresentou os princípios básicos de um sistema eleitoral tradicional eletrônico, e levantou o conflito entre os princípios da inviolabilidade absoluta do voto e da publicidade:
“O autor do voto deve ser absolutamente secreto, mas o conteúdo do voto deve ser absolutamente público”, completou. Discorreu também sobre a disponibilidade absoluta.
“É necessário que se faça um sistema seguro, mas com objetivo social. O sistema não pode falhar”.

O especialista apresentou ainda o trâmite do projeto de lei cujo artigo 5º regulamentaria o avanço da segurança das urnas brasileiras para a chamada segunda geração, permitindo a auditoria dos resultados por meio da impressão da cédula do voto, bem como suspensão sumária desse artigo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) logo após a sanção da lei, com alegações de ordem técnica e jurídica.

Ao finalizar sua apresentação, Brunazo Filho emocionou-se ao ver que a mobilização em torno da luta que há tanto tempo tem travado, até hoje com pouco apoio. “A minha expectativa é sensibilizar alguns dos que estão presentes aqui. Gostaria de ver no meio acadêmico uma iniciativa por parte de vocês”, finalizou.

Na segunda palestra, o professor Diego Aranha, da Universidade de Brasilia (UnB), apresentou os detalhes de seu relatório técnico sobre a segurança das urnas eletrônicas, resultado de testes feitos em 2012 por meio de edital do próprio TSE.
Segundo o pesquisador, sua equipe conseguiu, com sucesso, atingir o nível de fraude do sistema, pois recuperou a lista de votação completa durante o tempo de análise da urna, além de descobrir que um número muito importante para decodificar todo o registro de votos era justamente a hora de inicio de operação da urna, informação pública, impressa nos boletins de urna que são enviados aos partidos.

O palestrante destacou que o TSE não considerou o ataque como sendo capaz de causar fraude, e sim de causar apenas falhas no sistema da urna, o que, segundo Aranha, não corresponde com os reais feitos de sua equipe.
Os membros da banca do edital concordaram com o feito técnico da equipe da UnB e a entenderam o ataque como um sucesso na execução de fraude, demonstrando a fragilidade do sistema de segurança das urnas.
Aranha informou que sua equipe apresentou um relatório técnico ao TSE para adequação de todas as irregularidades nas urnas.

Segundo ele, o TSE respondeu dizendo que tais requisitos haviam sido atendidos, porém, não divulgou um boletim informando quais detalhes e procedimentos haviam sido tomados.

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Da esq. para a dir.: Kalinka Castelo Branco, Diego Aranha, Mario Gazziro,
Pedro Ribeiro, Oscar Marques, Vilson Palaro Jr. e Amilcar Brunazo Filho


Mesa redonda e resultados

Após as palestras, teve início uma mesa redonda que contou com a participação de Pedro Floriano Ribeiro e Maria do Socorro Braga, pesquisadores em ciência política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Kalinka Castelo Branco e Mario Gazziro, docentes do ICMC, e Oscar Marques, do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO). Participou também do debate Vilson Palaro Junior, juíz de direito civil e juiz eleitoral de São Carlos.

Após o debate, a conclusão dos participantes do evento foi que as fraudes podem realmente acontecer, passando despercebidas pela justiça eleitoral. A partir dessa informação, um memorando de apoio ao  projeto de lei que obriga a transição para urnas de segunda geração foi preparado pelos participantes do fórum e será encaminhado ao TSE, em Brasília.
O documento na íntegra está disponível em http://goo.gl/BhFgH.

A discussão deve continuar. Os organizadores pretendem realizar em 2014 um congresso nacional de segurança do voto eletrônico, com inscrição de trabalhos, estendendo o tema aos sistemas de transmissão de informações eleitorais, sistemas de totalização de votos, servidores de exibição dos resultados parciais e de pesquisas na web.

A filmagem com a íntegra das palestras e da mesa redonda do fórum está disponível no canal do ICMC no YouTube: http://youtu.be/4_706EoJMjU

07 de agosto de 2013
Maristela Galati - Assessoria de Comunicação do ICMC
Fonte: ICMC

EIKE BATISTA VÊ SEU IMPÉRIO "IMPLODIR" - DIZ JORNAL BRITÂNICO



O jornal britânico Financial Times analisou nesta quarta-feira a queda do empresário Eike Batista e afirmou na reportagem intitulada "Reverso da fortuna" que aquele que já foi o homem mais rico do Brasil, vê seu império de empresas de petróleo, mineração e logística "implodir".

Segundo o jornal, o empresário que representaria euforia com o Brasil e outras nações emergentes durante a primeira década do século XXI está em cheque após a derrocada de sua empresa principal, a petroleira OGX, e lembrou que a fortuna que já foi superior a R$ 67,8 bilhões foi reduzida a cerca de R$ 250 milhões. 

A matéria afirmou que a revolução atual significaria a "morte" do empresário e o fim da era de liquidez fácil já que as empresas brasileiras terão que lutar contra outros emergentes na luta por investidores. 

O jornal disse que a derrocada do empresário, que já foi garimpeiro, campeão de esportes náuticos e se casou com uma capa da Playboy, é "um teste para o exército de parceiros e para investidores estrangeiros."

07 de agosto de 2013
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 Conheça a trajetória de Eike Batista

EM TEMPOS DE VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE 1

Justiça Eleitoral repassa dados de 141 milhões de brasileiros para a Serasa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu repassar informações cadastrais de 141 milhões de brasileiros para a Serasa, empresa privada que gerencia um banco de dados sobre a situação de crédito dos consumidores do País. A medida já está em vigor e afeta praticamente todos os cidadãos com mais de 18 anos, que não terão possibilidade de vetar a abertura de seus dados. O acesso foi determinado por um acordo de cooperação técnica entre o TSE e a Serasa, publicado no último dia 23 no Diário Oficial da União.
Pelo acordo, o tribunal entrega para a empresa privada os nomes dos eleitores, número e situação da inscrição eleitoral, além de informações sobre eventuais óbitos. Até o nome da mãe dos cidadãos e a data de nascimento poderá ser "validado" para que a Serasa possa identificar corretamente duas ou mais pessoas que tenham o mesmo nome.

O acordo estabelece que "as informações fornecidas pelo TSE à Serasa poderão disponibilizadas por esta a seus clientes nas consultas aos seus bancos de dados". Paradoxalmente, o texto também diz que caberá às duas partes zelar pelo sigilo das informações.
Violação da privacidade. 
Especialistas em privacidade e advogados ouvidos pelo Estado ficaram surpresos com a "terceirização" de dados privados sob a guarda de um órgão público. "Fornecer banco de dados para a Serasa me parece uma violação do direito à privacidade, o que é inconstitucional", disse o criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.

"O importante é saber que esses dados fazem parte da sua personalidade, e ela é protegida pela Constituição", sustenta.

Mariz acrescentou que, diante do debate internacional sobre o programa de espionagem da agência de segurança nacional dos Estados Unidos, o acordo "pode fazer parte de uma escalada maior de quebra de privacidade" no Brasil.

Autorização.
Para Dennys Antonialli, coordenador do Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da Faculdade de Direito da USP, o Tribunal Superior Eleitoral precisaria de "consentimento expresso" dos cidadãos/eleitores para poder repassar seus dados a uma entidade privada.

Com a ressalva de que desconhece os termos do acordo, o criminalista Pierpaolo Bottini disse que, em princípio, os dados de eleitores sob a posse do TSE são "protegidos". Ambos os juristas ressaltaram que estas informações podem ser requeridas por um juiz criminal à Justiça Eleitoral desde que sejam julgadas relevantes para uma investigação.

De acordo com o Bottini, o fato de ser necessário um mandado para sua liberação indica que os dados não podem ser vendidos.

Defesa.
Anderson Vidal Corrêa, diretor-geral do TSE, negou que o tribunal esteja abrindo dados sigilosos. Ele afirmou que itens como nome da mãe ou data de nascimento do eleitor serão apenas validados – ou seja, o órgão dirá à Serasa se a empresa dispõe ou não das informações corretas sobre determinada pessoa.

Se o dado estiver incorreto, o TSE não vai corrigi-lo, argumentou Corrêa. O acordo, informou o tribunal, foi autorizado por Nancy Andrighi, corregedora-geral eleitoral.

Como contrapartida pela cessão dos dados, servidores do tribunal ganharão certificação digital (espécie de assinatura eletrônica válida para documentos oficiais) da Serasa, o que facilitará a tramitação de processos pela internet. As certificações, porém, só terão validade de dois anos.


Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo
/COLABOROU LUCAS DE ABREU MAIA
07 de agosto de 2013

Duas perguntas para: 
Dennys Antonialli, professor de Direito da USP
1.Na sua opinião, é correto um órgão público repassar dados de cidadãos para uma empresa privada?
É no mínimo preocupante um dado confiado a uma entidade pública ser repassado para outra entidade que vai fazer uso diferente sem autorização das pessoas afetadas. O Tribunal Superior Eleitoral precisaria de consentimento expresso de todos os envolvidos para fazer isso.

É muito preocupante que esse dado venha a ser distribuído sem que haja consciência disso por parte dos eleitores.

2.Como o senhor avalia o possível uso desses dados por terceiros, já que eles poderão ser repassados para os clientes da Serasa?
Um agravante disso tudo é a possível monetização em cima desses dados. Com a integração dos dados de seus cadastros com os dos órgãos públicos, a empresa fica com um acesso muito maior, um perfil muito mais completo.

Essa integração pode ser perigosa, pois isso pode violar a privacidade das pessoas. O Código de Defesa do Consumidor tem regras muito estritas para a guarda de dados em bancos de entidades públicas
.

EM TEMPOS DE VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE 2 - CÁRMEN LÚCIA QUER A SUSPENSÃO DE ACORDO ENTRE SERASA E TSE


A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia, sugeriu à corregedora-geral da Justiça Eleitoral, Laurita Vaz, que suspenda o acordo firmado entre o Tribunal e a Serasa, que prevê o repasse de informações dos 141 milhões de eleitores à empresa.
De acordo com a presidente, como o processo que resultou no acordo foi todo feito pela corregedoria, cabe somente a ela suspender o procedimento.

Lúcia ainda sugeriu à corregedora que, após uma análise mais criteriosa do contrato, e caso haja interesse em sua continuidade, que o mesmo seja celebrado após a ratificação do plenário, uma vez que nem ela nem os demais ministros do TSE foram avisados sobre a parceria com a Serasa.

"Deve ser levado ao Plenário do TSE porque o cadastro fica sob a responsabilidade da corregedoria-geral, mas é patrimônio do povo brasileiro e submetido ao TSE como órgão decisório maior. O TSE que vir a publico informar o que aconteceu e os cuidados. E isso certamente será feito pela corregedora-geral que é a responsável pela cadastro dos eleitores. O compromisso do TSE é de total transparência com a cidadania", disse.


ACORDO

O acordo entre a Justiça Eleitoral e a empresa foi revelado ontem pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Apesar dos termos de cooperação terem sido publicados no "Diário Oficial" da União do último dia 27, o diretor-geral do TSE, Anderson Vidal Corrêa, disse que até o momento não houve troca de informações entre as instituições.

Ele ainda garantiu que todos os dados que seriam repassados ao Serasa são públicos e que o acordo foi firmado conforme uma resolução do TSE que prevê a possibilidade de transferência de informações quando há interesse mutuou.

"A única informação que passaremos de forma pró-ativa é nosso cadastro de óbitos. O restante só será confirmado pelo TSE se está correto ou não. A Serasa nos envia o nome de um consumidor com o nome da mão e o TSE só vai dizer se o nome da mãe está correto ou não, não irá fornecer o nome da mãe", disse.


De acordo com a resolução do TSE 21.538 de 2003, as informações constantes no cadastro eleitoral serão acessíveis a instituições públicas, privadas e a pessoas físicas. Ela veda expressamente, porém, o repasse dos seguintes dados: filiação, data de nascimento, profissão, estado civil, escolaridade, telefone e endereço. "Nos casos vedados nós só validaríamos as informações repassadas pela Serasa", alegou o diretor.

Em relação à possibilidade de envio do número do título de eleitor e situação junto à Justiça Eleitoral para a Serasa, o diretor lembrou que a informação é aberta e está disponível no site do TSE mediante pesquisa contendo o nome completo e a data de nascimento. Ao realizar uma busca com esses dados é possível se obter tanto o número do título quanto a situação.

Como a resolução que rege o uso do cadastro eleitoral fala que o acesso dos dados às entidades será disponibilizado "desde que exista reciprocidade de interesses", Corrêa disse que no acordo a Serasa irá fornecer 5.000 certificados digitais para membros e servidores da Justiça Eleitoral. Levando-se em conta o preço de varejo do produto, os certificados custariam R$ 1,5 milhão.

O diretor ainda informou que há outros acordos de repasse de informações do cadastro eleitoral e citou como exemplo um firmado com a Caixa Econômica. Para ter acesso aos dados a Caixa ofereceu 1.000 kits para cadastramento biométrico. A Serasa, contudo, é a primeira instituição privada a celebrar um acordo desta natureza.

SEVERINO MOTTA DE BRASÍLIA 
Folha
06 de agosto de 2013

E EM SALVADOR? GOVERNO VAZA INFORMAÇÕES DO CASO DO METRÔ DE SP, MAS TENTA ABAFAR ESCÂNDAL DO METRÔ DE SALVADOR


Qualquer transgressão cometida por agentes públicos deve ser punida com o rigor da legislação, sem privilégios atrelados à politicagem que corrói a nação diuturnamente, como se o Brasil fosse o paraíso dos corruptos e a catedral da impunidade.
Os casos do metrô de São Paulo e da CPTM devem ser investigados a fundo, com os responsáveis punidos de forma exemplar ao final dos trabalhos, mas o vazamento de informações por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é uma ação criminosa com objetivo meramente político-eleitoral, uma vez que o plano do PT é tomar de assalto o governo do mais importante estado brasileiro.
Em qualquer país minimamente sério, o presidente do Cade, Vinícius Marques de Carvalho, já estaria preso por violação do segredo imposto ao caso pela Justiça no momento em que documentos foram disponibilizados ao órgão, cujo interesse inicial era a eventual formação de cartel. Ademais, condenar por antecipação, como têm feito Carvalho e o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, em relação ao governo paulista serve para ratificar o modus operandi covarde e rasteiro do Partido dos Trabalhadores, legenda com viés de quadrilha que se transformou em caso de polícia, como confirmam fatos recentes.
Responsável pelo período mais corrupto da história nacional, o PT adota práticas mafiosas para fustigar os adversários, como se a legenda fosse uma reunião de bondosos e inocentes monges tibetanos. O Partido dos Trabalhadores passa por uma gravíssima crise de credibilidade e luta de forma insana nos bastidores para não cair definitivamente em desgraça junto à opinião pública. Para dar seguimento ao desesperado projeto o partido decidiu expor as mazelas dos adversários.
Ao ucho.info não compete defender esse ou aquele partido, mas, sim, os interesse de uma população que há pelo menos quinhentos anos é vilipendiada em seus direitos. Se o PT foi atingido por uma lufada de moralidade e quer consertar o Brasil depois de uma década de ações bandoleiras, que inclua no seu cardápio moralista o escândalo do metrô de Salvador, de cuja construção a mesma Siemens participa através de parceria com as empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.
Para que os leitores conheçam os fatos, o Metrô da capital baiana foi orçado, em 1999, em R$ 400 milhões, mas até agora consumiu mais de R$ 1 bilhão, foi entregue pela metade e exibe falhas estruturais inaceitáveis.
 
O Tribunal de Contas da União (TCU), que tem por obrigação fiscalizar a aplicação dos recursos federais, já apontou superfaturamento de R$ 400 milhões, em valores atualizados, na obra que está a cargo do consórcio Metrosal. Já o Tribunal de Contas do Estado da Bahia informa que a obra entregue pelo consórcio vale no máximo do que já foi pago, sendo que o superfaturamento chega a 113,7%.
O TCU aguardará até o próximo dia 29 de agosto a defesa do consórcio Metrosal, que terá de provar a não existência de superfaturamento na obra do metrô da capital dos baianos. Do contrário, o Tribunal enviará o caso para a Advocacia-Geral da União para que promova a devida cobrança judicial do valor superfaturado. A tendência é que o imbróglio soteropolitano termine em mais uma enorme e mal cheirosa pizza, porque no olho do furacão estão aliados políticos do Palácio do Planalto, entre eles o PMDB, e também o governo do petista Jaques Wagner.
 
07 de agosto de 2013
camuflados

GENOÍNO SOFRE ESQUEMIA CEREBRAL, MAS ESTÁ ESTÁVEL - DIZ HOSPITAL

 
O deputado federal José Genoino (PT-SP), 67, sofreu uma isquemia (obstrução da circulação sanguínea) cerebral nesta segunda-feira (5), mas está estável, segundo o boletim médico do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ele está internado.
 
Segundo o documento, Genoíno "encontra-se estável, após ter apresentado uma isquemia cerebral leve, prontamente revertida, e sem déficits".
 
O deputado, que está sendo atendido pelos médicos Roberto Kalil Filho, Fábio Jatene e Eduardo Mutarelli, passava um final de semana com a mulher e netos em Ubatuba, no litoral paulista, quando sentiu dores no peito e foi atendido na Santa casa da cidade. De lá, no mesmo dia, foi transferido para São Paulo.
 
Na capital, passou por uma cirurgia de correção de dissecção (espécie de rompimento) na artéria aorta, na madrugada do dia 25 de julho.
 
Com 67 anos, o petista está em seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados. Membro da direção da União Nacional dos Estudantes, entrou para o PC do B e atuou na Guerrilha do Araguaia nos anos 1970.
 
Em 1982 foi eleito deputado federal pelo PT. Foi reeleito até 2002, quando disputou o governo paulista, sem êxito. Em 2006 obteve novo mandato, mas em 2010 ficou na suplência. Assumiu o mandato depois que o petista Carlinhos Almeida foi eleito prefeito de São José dos Campos (SP).
 
Em 2012, no julgamento do mensalão, foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal. Genoino, que presidia o PT em 2005, deve cumprir pelo menos o início da pena em regime semiaberto.

07 de agosto de 2013
FOLHA DE SÃO PAULO

"A QUADRILHA DOS TRILHOS"

O governo paulista entrou com o pé esquerdo no caso da investigação em curso no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a formação de cartel em licitações para a compra de equipamentos, construção e manutenção de linhas de trens e metrôs em São Paulo. As regras da livre-concorrência também foram burladas no Distrito Federal.
 
A primeira reação do Palácio dos Bandeirantes depois de o inquérito ter sido revelado pela Folha de S.Paulo, em meados de julho, foi recorrer à teoria conspiratória segundo a qual o Cade, ligado ao Ministério da Justiça, agia como "polícia política" do PT, ao vazar, de forma supostamente seletiva, documentos em seu poder sobre o escândalo.
 
 
O objetivo óbvio seria plantar na opinião pública a suspeita de que, entre 2000 e 2007, sucessivas administrações do PSDB, conduzidas por Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, ou deixaram correr as fraudes continuadas de que tinham conhecimento ou delas se beneficiaram de alguma forma. O governo decerto não podia imaginar que o ex-secretário estadual de Transportes (na gestão Covas), Cláudio de Senna Federico, declararia que "não se lembrava de ter acontecido uma licitação de fato competitiva", embora alegasse ignorância do cartel à época.
 
O segundo passo malsucedido de Alckmin foi recorrer à Justiça para ter acesso à documentação completa em exame no Cade, negado pelo organismo. Ao rejeitar o pedido, o juiz federal Gabriel José Queiroz Neto lembrou que o inquérito corre sob sigilo por decisão judicial e que o Cade ainda não chegou a uma conclusão sobre o que pode ou não ser repassado - se é que a separação é possível.
 
Já não sem tempo, uma providência positiva acaba de ser tomada. O Ministério Público paulista constituiu uma força-tarefa integrada por 10 promotores, 2 deles da área criminal, para conduzir 45 inquéritos, entre os quais 15 que haviam sido arquivados por falta de provas, a fim de apurar presumível enriquecimento ilícito de autoridades estaduais, além de lavagem de dinheiro, antes e durante a execução dos contratos no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
 
Eles somaram, em valores correntes, R$ 1,925 bilhão, conforme documentos obtidos pelo Estado. Se a concorrência fosse para valer, o custo teria sido 30% inferior. Ou seja, o prejuízo para o governo foi da ordem de R$ 557 milhões. O porcentual é citado em um texto, a que este jornal teve acesso, preparado pela multinacional alemã Siemens.
 
A megaempresa, por motivos ainda não de todo esclarecidos, tomou a iniciativa de delatar o esquema ao Cade, com o qual (e com os Ministérios Públicos Estadual e Federal) assinou em 22 de maio um "acordo de leniência" para não ser alcançada pelas punições que vierem a ser aplicadas aos seus parceiros.
 
Pelo menos quatro gigantes globais da área de infraestrutura se associaram na armação, segundo a denúncia da Siemens, amparada em copiosa documentação: a Alstom, francesa; a Mitsui, japonesa; a CAF, espanhola; e a Bombardier, canadense. Um diário com anotações de diversos executivos da Siemens, repassado às autoridades, é praticamente um manual de concorrências pré-fabricadas e preços superfaturados.
 
De acordo com a empresa, a Secretaria de Transportes, para evitar que disputas judiciais entre competidores travassem a obra, apoiou a formação de um consórcio único para ganhar a licitação de um trecho da linha 5 (lilás) do metrô paulistano. O diário registra um satisfeito comentário sobre o acerto: "O fornecimento dos carros é organizado em um consórcio político. Então, o preço foi muito alto".
 
Quando, por alguma razão, a frente única é inviável, a alternativa é um "acordo de cavalheiros", vá lá o termo, pelo qual o ganhador da concorrência forjada subcontrata o competidor derrotado. A ansiedade das autoridades em tirar as obras do papel não raro as leva a fazer vistas grossas às maracutaias.
 
No caso da quadrilha dos trilhos, há pelo menos um indício de corrupção. O Estado revelou dias atrás que o Ministério Público tem os nomes de três empresas offshore sediadas no Uruguai, por meio das quais agentes públicos teriam recebido subornos para facilitar contratos com o Metrô e a CPTM.

07 de agosto de 2013
editorial do Estadão