O aumento da inadimplência e da proporção da renda das famílias comprometida com o pagamento de juros e amortizações deve limitar a expansão do crédito em 2012. Para alguns analistas, esse pode ser um freio no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, assim como os problemas da indústria e o aumento das importações.
Em fevereiro, o crédito à pessoa física cresceu 0,7%, para R$ 958,9 bilhões - a segunda menor expansão mensal desde o início de 2005. Já o crédito total, incluindo empresas, caiu 0,13% em janeiro, a primeira queda desde pelo menos 2005, e cresceu apenas 0,4% em fevereiro, para R$ 2,034 trilhões.
Em janeiro e fevereiro, o crédito total cresceu num ritmo semelhante ao de 2009, ano de menor expansão recente (15%), em plena crise global. "A desaceleração é geral, e abrange o crédito direcionado e para pessoas jurídicas e físicas", diz Carlos Kawall, economista-chefe do Banco J. Safra.
Em termos de novas concessões de crédito (indicador que exclui a acumulação de juros) para pessoas físicas, o crescimento em fevereiro, de 15,5% ante o mesmo mês do ano anterior, é o mais lento em cinco anos. Em 2008, antes da crise global, esse indicador chegou a crescer 34%.
Um setor em que a freada no crescimento do crédito foi particularmente intensa é o de aquisição de veículos, que foi visado pelo governo nas medidas macroprudenciais do fim de 2010 - quando o objetivo era esfriar o consumo por causa das pressões inflacionárias.
Com um saldo de R$ 176,5 bilhões, o crédito para compra de veículos representa um terço dos empréstimos à pessoa física (excluindo cooperativas e leasing). Para o crescimento do PIB, é um segmento estratégico, dado o impacto do setor automobilístico e de suas cadeias produtivas na economia.
Recorde.
Com as medidas macroprudenciais, a média diária de concessões de crédito para a aquisição de veículos despencou de R$ 541 milhões em novembro de 2010 para R$ 382 milhões em janeiro de 2011. A partir daí, a média oscilou, mas em fevereiro de 2012 caiu para R$ 380,8 milhões, abaixo do nível subsequente às medidas macroprudenciais.
"O movimento das concessões casa muito bem com o da venda de veículos, porque 60% é com crédito", comenta Kawall. Ele nota que o BC relaxou um pouco, em meados do segundo semestre de 2011, o aperto introduzido no fim de 2010.
No crédito para a aquisição de veículos, a taxa de inadimplência de 5,4% em fevereiro é recorde dos últimos anos, superando o máximo atingido durante o auge da crise global, de 5,5% em junho de 2009. A inadimplência nessa carteira cresceu em todos os meses desde dezembro de 2010, quando estava em 2,5%.
A inadimplência do conjunto dos empréstimos à pessoa física subiu de 5,7% em dezembro de 2010 para 7,6% em fevereiro.
Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo
01 de abril de 2012
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
domingo, 1 de abril de 2012
REVOGUEM A ANISTIA (DO MENSALÃO)
As comemorações do golpe de 64 ganharam um alento este ano.
O patético "parabéns pra você" no 31 de março, data inaugural da ditadura militar, andava quase inaudível na caserna, quando ganhou um reforço de peso.
Dessa vez, o Brasil inteiro ouvirá os nostálgicos dos anos de chumbo - graças à ex-guerrilheira Dilma Rousseff.
No final dos anos 70, quando o regime autoritário chegava ao seu último capítulo, o general João Figueiredo assumiu a Presidência da República com um inesquecível brado "democrático": avisou que ia "prender e arrebentar" quem fosse contra a abertura política.
Figueiredo fez escola.
Na polêmica sobre a Comissão da Verdade, Dilma Rousseff botou para quebrar, em nome da democracia. A presidente do governo popular mandou amordaçar militares da reserva que criticaram duas de suas ministras.
As auxiliares de Dilma haviam defendido a revogação da Lei da Anistia - o pacto nacional para a saída da ditadura. Os militares contrariados publicaram um manifesto de repúdio no site do Clube Militar.
Dilma mandou o Exército apagar o texto e enquadrou os militares como insubordinados. Quem for contra a Comissão da Verdade, ela prende e arrebenta (ou pelo menos censura).
Era o que faltava para ressuscitar as almas penadas leais ao golpe de 64. Autoritarismo é vitamina para elas. Mas ser a favor do regime militar também não pode.
O governo de esquerda aceita o pensamento de direita, desde que ninguém o manifeste.
A democracia popular tem dono:
ame-a ou deixe-a. Foi com esse espírito que um bando de militantes de partidos filiados ao poder central foi para a porta do Clube Militar, no Centro do Rio.
Lá dentro ocorria uma homenagem ao movimento de março de 64. Do lado de fora, em defesa dos direitos humanos e da verdade, os manifestantes fecharam a Avenida Rio Branco na marra.
Atiraram ovos contra seguranças do prédio, incendiaram cartazes e tentaram agredir militares que saíam do evento, provocando a reação da polícia que tentava protegê-los e transformando a Cinelândia em praça de guerra.
Um show de democracia.
A Comissão da Verdade pretende investigar os crimes cometidos pela direita no poder. O país não pode mesmo dormir tranquilo sobre certos disparates, como a versão militar de que Vladimir Herzog se suicidou na cela do DOI-Codi.
É um escárnio.
O problema dessa revisão é que não se encontrará a verdade no passado sem saber onde ela anda no presente. Hoje o Brasil é governado pela esquerda.
E a esquerda combateu a ditadura, defendendo a democracia, a liberdade e os pobres.
Como essa autoridade moral foi usada no poder?
De várias formas - algumas delas não contabilizadas.
Quando estourou o escândalo do mensalão, Delúbio Soares, então poderoso tesoureiro do PT, negou o flagrante com convicção:
"É uma conspiração da direita contra o governo popular."
O ex-guerrilheiro José Dirceu, apontado como chefe da quadrilha, caiu em desgraça, mas fez sua sucessora na Casa Civil:
a "querida companheira de armas" Dilma Rousseff.
Em meio às tramoias, a mística da resistência à ditadura estava intacta. A virtude de mulher-coragem, ex-refém dos militares, levou Dilma longe. Candidata a presidente, transformou em ministra da Casa Civil a obscura companheira Erenice Guerra, também ungida pela mística da militância de esquerda.
Enquanto Erenice caía por tráfico de influência, descobria-se que Dilma se fizera passar pela atriz Norma Bengell numa foto da Passeata dos Cem Mil, em 1968, divulgada por sua campanha.
O que seria dela sem a ditadura?
Dilma não teria sido eleita - nem qualquer outro afilhado revolucionário de Lula - se os companheiros do mensalão tivessem sido punidos. Ali estava, para quem quisesse ver, a conversão de um partido e de uma causa "libertária" em sistema de perpetuação no poder, a partir de um planejado assalto ao Estado.
Transcorridos quase sete anos, essa fraude política sem precedentes permanece misteriosamente no colo do Supremo Tribunal Federal, prestes a sumir do mapa pela extinção do processo.
Aí a Justiça brasileira terá legalizado as palavras do general Lula:
"O mensalão não existiu."
Haverá uma Comissão da Verdade para desenterrar o crime dos heróis da resistência? Enquanto o mito não se desmancha, as vítimas profissionais da ditadura vão fazendo o seu pé de meia.
Na série de revoluções ministeriais, os comunistas se destacaram partilhando o dinheiro do Esporte entre as ONGs amigas do PCdoB. A imprensa burguesa bombardeou essa distribuição de renda e o ministro caiu, mas a companheira Dilma manteve o cargo com a agremiação.
Em comunismo que está ganhando não se mexe (ainda mais em véspera de Copa do Mundo). Assim como o ex-guerrilheiro Fernando Pimentel, que uniu forças com a amiga Dilma e se tornou um próspero consultor, muitos companheiros viverão em paz sob a anistia do mensalão.
Essa, ninguém revoga.
01 de abril de 2012
Guilherme Fiuza O Globo
CONTRADIÇÃO APÓS VETAR CRUCIFIXOS NAS PAREDES, JUSTIÇA GAÚCHA AMPLIA FERIADO RELIGIOSO
Oportuna reportagem de Jean-Philip Struck, na Folha, revela que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul vai ampliar o feriado de Páscoa e trabalhar meio expediente na Quinta-Feira Santa, dia 5 de abril. Em anos anteriores, não houve expediente diferenciado na data cristã.
Na próxima quinta, o horário de trabalho será das 9h às 13h, e não das 9h às 18h, como ocorria normalmente. Após as 13h o tribunal vai funcionar em regime de plantão até a próxima segunda-feira.
Em 2011, a data caiu em 21 de abril, coincidindo com o feriado de Tiradentes, e não houve expediente normal. Mas, em 2009 e 2010, segundo comunicados do tribunal, o TJ-RS teve expediente normal na quinta-feira. Apenas nos dias seguintes, de Sexta-Feira da Paixão, feriado nacional, o trabalho foi em regime de plantão.
A ampliação do feriado foi tomada três semanas após o tribunal decidir tirar crucifixos e outros símbolos religiosos de todas as salas do Judiciário no Estado, a pedido de uma ONG de defesa das lésbicas brasileiras, que considerava que a presença dos objetos feria os princípios constitucionais de um Estado laico (que não sofre influência de igrejas).
A medida acabou despertando críticas no meio religioso e até de magistrados do tribunal, que se recusaram a retirar os símbolos de suas salas até decisão definitiva.
Na quinta-feira, o advogado Irineu Gehlen, que representa a Arquidiocese de Passo Fundo (a 284 km de Porto Alegre), ingressou no Conselho Nacional de Justiça) com um pedido de suspensão da decisão. O caso deve ser analisado após a Páscoa.
Procurado para comentar o expediente diferenciado na data religiosa, o TJ gaúcho informou apenas que a decisão foi do presidente do tribunal, desembargador Marcelo Bandeira Pereira, sem justificar a medida.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma pretensa “fé cristã” serve para ampliar o ócio da justiça, mas não tem força suficiente para manter na parede a imagem de Cristo, que simboliza a maior injustiça já cometida pelo homem. É nauseante.
Na próxima quinta, o horário de trabalho será das 9h às 13h, e não das 9h às 18h, como ocorria normalmente. Após as 13h o tribunal vai funcionar em regime de plantão até a próxima segunda-feira.
Em 2011, a data caiu em 21 de abril, coincidindo com o feriado de Tiradentes, e não houve expediente normal. Mas, em 2009 e 2010, segundo comunicados do tribunal, o TJ-RS teve expediente normal na quinta-feira. Apenas nos dias seguintes, de Sexta-Feira da Paixão, feriado nacional, o trabalho foi em regime de plantão.
A ampliação do feriado foi tomada três semanas após o tribunal decidir tirar crucifixos e outros símbolos religiosos de todas as salas do Judiciário no Estado, a pedido de uma ONG de defesa das lésbicas brasileiras, que considerava que a presença dos objetos feria os princípios constitucionais de um Estado laico (que não sofre influência de igrejas).
A medida acabou despertando críticas no meio religioso e até de magistrados do tribunal, que se recusaram a retirar os símbolos de suas salas até decisão definitiva.
Na quinta-feira, o advogado Irineu Gehlen, que representa a Arquidiocese de Passo Fundo (a 284 km de Porto Alegre), ingressou no Conselho Nacional de Justiça) com um pedido de suspensão da decisão. O caso deve ser analisado após a Páscoa.
Procurado para comentar o expediente diferenciado na data religiosa, o TJ gaúcho informou apenas que a decisão foi do presidente do tribunal, desembargador Marcelo Bandeira Pereira, sem justificar a medida.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma pretensa “fé cristã” serve para ampliar o ócio da justiça, mas não tem força suficiente para manter na parede a imagem de Cristo, que simboliza a maior injustiça já cometida pelo homem. É nauseante.
TRIBUNAL MANTÉM CONDENAÇÃO DE ANTONIO PALOCCI, ENQUANTO ERENICE VOLTA À ATIVA
Antonio Palocci e Erenice Guerra são dois ex-ocupantes da Casa Civil e figuras de destaque no PT, ambos perderam o cargo e a dignidade, devido a irregularidades cometidas na administração pública. No caso de Palocci, as denúncias são antigas, desde os tempos em o médico sanitarista conseguiu se eleger prefeito de Ribeirão Preto, e grande parte do dinheiro desde então amealhado por ele tem sido gasta para pagar um dos advogados mas caros de país, José Roberto Batocchio,
Mesmo assim, tem amargado derrotas na Justiça. O Tribunal de São Paulo, por exemplo, acaba de rejeitar recurso e manteve a condenação de Palocci por improbidade administrativa. A decisão confirmou a sentença da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto (SP), que determinou que Palocci devolvesse aos cofres públicos R$ 413,2 mil que foram gastos em publicidade considerada irregular.
Para o relator do processo, desembargador Magalhães Coelho, a publicidade utilizada por Palocci na época em que era prefeito de Ribeirão Preto, com um “P” estilizado, o nome do prefeito, em fundo vermelho, acompanhado pela frase Ribeirão Moderna e Humana, utilizou dinheiro público apenas para promoção pessoal do ex-ministro.
“Tem-se, objetivamente, que o material publicitário não apresenta cunho educativo ou de informação, fazendo, muito ao contrário, patente promoção da gestão do agente político”, diz o relator.
A defesa do ex-ministro disse que vai recorrer da decisão, e assim o processo não acaba nunca, para felicidade do ex-ministro e de seu advogado.
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ERENICE DE VOLTA
Dezoito meses após ser defenestrada da Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra está de volta à ativa, marcando presença em seu recém-criado escritório e em casas que funcionam como representação de empresas em Brasília, nas proximidades da região conhecida como “Pontão”, no sofisticado Lago Sul.
Segundo a reporter Josie Jeronimo, do Correio Braziliense, no imóvel da QI 11, onde fica o Guerra Advogados Associados, empresa da qual é sócia majoritária, Erenice só aparece três vezes por semana. Quando foi constituída, a firma de advocacia da ex-ministra funcionava com quatro ajudantes. Agora, só uma secretária fica no local e segundo os porteiros do prédio comercial, “a doutora Erenice despacha de outro escritório”.
A verdade é que o tempo passa, o tempo voa, e Erenice Guerra continua numa boa. Por que está parado o inquérito da Polícia Federal que investiga o tráfico de influência da ex-ministra no governo Lula? A última informação do Blog da Tribuna é que a apuração, que dura quase dois anos, estava sendo prorrogada pela sexta vez.
A CGU (Controladoria-Geral da União) encerrou no dia 23 de março de 2011 as investigações das denúncias envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e familiares dela. Foram apontadas irregularidades “graves” em três dos nove casos investigados. Mas até agora nada aconteceu à ex-ministra, como seria de se esperar. A única punição foi uma advertência da Comissão de Ética da Presidência. Quanto a Palocci, a mesma Comissão preferiu absolvê-lo, vejam como são compreensivos.
01 de abril de 2012
Carlos Newton
Mesmo assim, tem amargado derrotas na Justiça. O Tribunal de São Paulo, por exemplo, acaba de rejeitar recurso e manteve a condenação de Palocci por improbidade administrativa. A decisão confirmou a sentença da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto (SP), que determinou que Palocci devolvesse aos cofres públicos R$ 413,2 mil que foram gastos em publicidade considerada irregular.
Para o relator do processo, desembargador Magalhães Coelho, a publicidade utilizada por Palocci na época em que era prefeito de Ribeirão Preto, com um “P” estilizado, o nome do prefeito, em fundo vermelho, acompanhado pela frase Ribeirão Moderna e Humana, utilizou dinheiro público apenas para promoção pessoal do ex-ministro.
“Tem-se, objetivamente, que o material publicitário não apresenta cunho educativo ou de informação, fazendo, muito ao contrário, patente promoção da gestão do agente político”, diz o relator.
A defesa do ex-ministro disse que vai recorrer da decisão, e assim o processo não acaba nunca, para felicidade do ex-ministro e de seu advogado.
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ERENICE DE VOLTA
Dezoito meses após ser defenestrada da Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra está de volta à ativa, marcando presença em seu recém-criado escritório e em casas que funcionam como representação de empresas em Brasília, nas proximidades da região conhecida como “Pontão”, no sofisticado Lago Sul.
Segundo a reporter Josie Jeronimo, do Correio Braziliense, no imóvel da QI 11, onde fica o Guerra Advogados Associados, empresa da qual é sócia majoritária, Erenice só aparece três vezes por semana. Quando foi constituída, a firma de advocacia da ex-ministra funcionava com quatro ajudantes. Agora, só uma secretária fica no local e segundo os porteiros do prédio comercial, “a doutora Erenice despacha de outro escritório”.
A verdade é que o tempo passa, o tempo voa, e Erenice Guerra continua numa boa. Por que está parado o inquérito da Polícia Federal que investiga o tráfico de influência da ex-ministra no governo Lula? A última informação do Blog da Tribuna é que a apuração, que dura quase dois anos, estava sendo prorrogada pela sexta vez.
A CGU (Controladoria-Geral da União) encerrou no dia 23 de março de 2011 as investigações das denúncias envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e familiares dela. Foram apontadas irregularidades “graves” em três dos nove casos investigados. Mas até agora nada aconteceu à ex-ministra, como seria de se esperar. A única punição foi uma advertência da Comissão de Ética da Presidência. Quanto a Palocci, a mesma Comissão preferiu absolvê-lo, vejam como são compreensivos.
01 de abril de 2012
Carlos Newton
AS MAIORES MENTIRAS NACIONAIS
De passagem por Brasília o ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, Flávio Flores da Cunha Bierrenback, utilizou as horas de ócio jurídico para desenvolver uma prática que, salvo engano, anda cada vez mais rara na capital federal: pensar. Como simples cidadão, meditar sobre os rumos do país neste início de Século XXI.
Ex-deputado pelo velho MDB de São Paulo, ele foi flagrado um dia desses elaborando a lista das maiores mentiras que circulam como verdades absolutas em todo o território nacional. Não foi possível conhecer todas, primeiro pela cautela de Bierremback em tornar públicos pensamento íntimos. Depois, porque a relação parece infinita, valendo analisar mais a fundo alguns aspectos da arte de enganar a sociedade, praticada pelas elites.
A primeira mentira é chocante. Sustenta que “a Previdência Social está falida”. Não é verdade, rabisca o ministro em seus alfarrábios. Os recursos da Previdência Social, se não fossem historicamente desviados para outras atividades, dariam para atender com folga e até com reajustes anuais maiores os pensionistas e aposentados. Não seria necessário obrigar os funcionários públicos que se aposentarem de agora em diante ficarão nivelados pelas vergonhosas cifras do INSS.
Basta atentar para o que anunciaram, quando ministros, Waldir Pires, no governo Sarney, e Antônio Brito, no governo Itamar Franco. Nada mudou, apesar de que, quando assumiu, Fernando Henrique Cardoso dedicou-se a espalhar a falência imediata, certamente vítima da febre privatizante, que jamais deixou de cobiçar a Previdência Social pública. Agora, é o ministro do governo Dilma, Garibaldi Alves, que repete a cantilena da vigarice, ao estimular a previdência privada para engordar o lucro dos bancos.
Outra mentira imposta ao Brasil como verdade, conforme Bierremback, é de que “estamos inseridos no mundo globalizado”. Para começar, globalizado o planeta não está, mas apenas sua parte abastada. O fosso entre ricos e pobres aumenta a cada dia, bastando lançar os olhos sobre a África, boa parte da Ásia e a América Latina. O número de miseráveis se multiplica, sendo que os valores da civilização e da cultura são cada vez mais negados à maioria.
Poder falar em telefone celular constitui um avanço, mas se é para receber eletronicamente informações de que não há vagas, qual a vantagem? Os países ricos entraram em colapso, mas que solução apresentam? Explorar os países em desenvolvimento enchendo-nos de euros e de dólares que não queremos e nem precisamos, para entrarem de manhã e saírem à noite lucrando com os juros mais altos do planeta, sem haver criado um emprego nem forjado um parafuso.
Como consequência, outra mentira olímpica surge quando se diz “que o neoliberalismo é irreversível”. Pode ser para as elites, sempre ocupando maiores espaços no universo das relações individuais, às custas da continuada supressão de direitos sociais e trabalhistas. Se neoliberalismo significa o direito de exploração do semelhante, será uma verdade, mas imaginar que a Humanidade possa seguir indefinidamente nessa linha é bobagem. Na primeira curva do caminho acontecerá a surpresa. Ou melhor, já apareceu, com a indignação das massas trabalhadoras, na Europa, diante da redução de salários e de direitos sociais.
Na mesma sequência, outra mentira, para o antigo vice-presidente do STM: “o socialismo morreu”. Absolutamente. Poderá ter saído pelo ralo o socialismo ditatorial, por décadas liderado pela ex-União Soviética, mas o socialismo real, aquele que busca dar aos cidadãos condições de vida digna, a cada um segundo sua necessidade, tanto quanto segundo a sua capacidade.
O que não pode persistir, e contra isso o socialismo se insurge, é a concentração sempre maior de riqueza nas mãos de uns poucos. Não pode dar certo.
Nova mentira: “o Estado tem que ser mínimo, deve afastar-se das relações sociais e econômicas”. Para que? Para servir às elites? Especialmente em países como o Brasil, o poder público precisa prevalecer sobre os interesses individuais e de grupos. Existe para atender às necessidades da população que o constitui, através da via democrática. Deve contrariar privilégios e estancar benesses para os mais favorecidos, atendendo as massas.
No que deu para perceber, até aqui, ainda incompleta, a lista de Flávio Flores da Cunha Bierremback ultrapassará quantas ele se proponha elaborar, sobre as mentiras que nos atingem. Mas não faltará uma que, felizmente, dissolveu-se através de um plebiscito nacional, tempos atrás: “A proibição da venda, comercialização e posse de armas faria a criminalidade decair”.
Ora, se ao cidadão comum fosse negado o direito de se defender, na cidade e no campo, estaria a sociedade brasileira ainda mais à mercê da bandidagem. Seria a felicidade do ladrão, sabendo que não há armas na casa que vai assaltar.
Vamos aguardar outra oportunidade para completar a relação do ex-deputado e ex-ministro. Tomara que ele conclua o elenco das maiores mentiras que nos assolam.
01 de abril de 2012
Carlos Chagas
Ex-deputado pelo velho MDB de São Paulo, ele foi flagrado um dia desses elaborando a lista das maiores mentiras que circulam como verdades absolutas em todo o território nacional. Não foi possível conhecer todas, primeiro pela cautela de Bierremback em tornar públicos pensamento íntimos. Depois, porque a relação parece infinita, valendo analisar mais a fundo alguns aspectos da arte de enganar a sociedade, praticada pelas elites.
A primeira mentira é chocante. Sustenta que “a Previdência Social está falida”. Não é verdade, rabisca o ministro em seus alfarrábios. Os recursos da Previdência Social, se não fossem historicamente desviados para outras atividades, dariam para atender com folga e até com reajustes anuais maiores os pensionistas e aposentados. Não seria necessário obrigar os funcionários públicos que se aposentarem de agora em diante ficarão nivelados pelas vergonhosas cifras do INSS.
Basta atentar para o que anunciaram, quando ministros, Waldir Pires, no governo Sarney, e Antônio Brito, no governo Itamar Franco. Nada mudou, apesar de que, quando assumiu, Fernando Henrique Cardoso dedicou-se a espalhar a falência imediata, certamente vítima da febre privatizante, que jamais deixou de cobiçar a Previdência Social pública. Agora, é o ministro do governo Dilma, Garibaldi Alves, que repete a cantilena da vigarice, ao estimular a previdência privada para engordar o lucro dos bancos.
Outra mentira imposta ao Brasil como verdade, conforme Bierremback, é de que “estamos inseridos no mundo globalizado”. Para começar, globalizado o planeta não está, mas apenas sua parte abastada. O fosso entre ricos e pobres aumenta a cada dia, bastando lançar os olhos sobre a África, boa parte da Ásia e a América Latina. O número de miseráveis se multiplica, sendo que os valores da civilização e da cultura são cada vez mais negados à maioria.
Poder falar em telefone celular constitui um avanço, mas se é para receber eletronicamente informações de que não há vagas, qual a vantagem? Os países ricos entraram em colapso, mas que solução apresentam? Explorar os países em desenvolvimento enchendo-nos de euros e de dólares que não queremos e nem precisamos, para entrarem de manhã e saírem à noite lucrando com os juros mais altos do planeta, sem haver criado um emprego nem forjado um parafuso.
Como consequência, outra mentira olímpica surge quando se diz “que o neoliberalismo é irreversível”. Pode ser para as elites, sempre ocupando maiores espaços no universo das relações individuais, às custas da continuada supressão de direitos sociais e trabalhistas. Se neoliberalismo significa o direito de exploração do semelhante, será uma verdade, mas imaginar que a Humanidade possa seguir indefinidamente nessa linha é bobagem. Na primeira curva do caminho acontecerá a surpresa. Ou melhor, já apareceu, com a indignação das massas trabalhadoras, na Europa, diante da redução de salários e de direitos sociais.
Na mesma sequência, outra mentira, para o antigo vice-presidente do STM: “o socialismo morreu”. Absolutamente. Poderá ter saído pelo ralo o socialismo ditatorial, por décadas liderado pela ex-União Soviética, mas o socialismo real, aquele que busca dar aos cidadãos condições de vida digna, a cada um segundo sua necessidade, tanto quanto segundo a sua capacidade.
O que não pode persistir, e contra isso o socialismo se insurge, é a concentração sempre maior de riqueza nas mãos de uns poucos. Não pode dar certo.
Nova mentira: “o Estado tem que ser mínimo, deve afastar-se das relações sociais e econômicas”. Para que? Para servir às elites? Especialmente em países como o Brasil, o poder público precisa prevalecer sobre os interesses individuais e de grupos. Existe para atender às necessidades da população que o constitui, através da via democrática. Deve contrariar privilégios e estancar benesses para os mais favorecidos, atendendo as massas.
No que deu para perceber, até aqui, ainda incompleta, a lista de Flávio Flores da Cunha Bierremback ultrapassará quantas ele se proponha elaborar, sobre as mentiras que nos atingem. Mas não faltará uma que, felizmente, dissolveu-se através de um plebiscito nacional, tempos atrás: “A proibição da venda, comercialização e posse de armas faria a criminalidade decair”.
Ora, se ao cidadão comum fosse negado o direito de se defender, na cidade e no campo, estaria a sociedade brasileira ainda mais à mercê da bandidagem. Seria a felicidade do ladrão, sabendo que não há armas na casa que vai assaltar.
Vamos aguardar outra oportunidade para completar a relação do ex-deputado e ex-ministro. Tomara que ele conclua o elenco das maiores mentiras que nos assolam.
01 de abril de 2012
Carlos Chagas
DEMÓSTENES TORRES AFUNDOU-SE ENTRE VOLPONE E TARTUFO
Reportagem de Jailton de Carvalho, O Globo de sexta-feira, reproduzindo diálogos entre o senador Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira, é totalmente arrasadora para o parlamentar, que viajou pela estrada que une Volpone a Tartufo e chegou a 2012, século 21, apresentando-se como defensor da honestidade, do respeito às leis e ao interesse e patrimônio público. Não era nada disso.
A reportagem foi manchete principal da edição de 30 de março que, aliás, não poderia ser outra.As fotos que acompanham a matéria são de Ailton de Freitas. Incrível o comportamento de Demóstenes. E olha que Cachoeira tinha antecedente. Seu filme focalizando Valdomiro Diniz derrubou o subchefe da Casa Civil, então ocupada por José Dirceu. Valdomiro Diniz desceu a um subterrâneo da ilegalidade para receber compensação pelo que fazia.
Torres desceu ainda mais. Quase se transforma em novo Doutor Fausto, de Goethe. Mas citei que ele próprio se afundou num roteiro que, através dos séculos, une Volpone a Tartufo.A peça de Volpone foi escrita em 1606, pelo inglês Ben Jonson, contemporâneo de Shakespeare. Tartufo é de 1664, portanto 58 anos depois.
Demóstenes Torres, que da boca para fora pregava a honestidade, mas nas ações substantivas enveredava pelo plano da desonestidade, encaixa bem no personagem imortal de Molière. Tartufo é uma comédia satírica e dramática ao mesmo tempo. Com artifícios em série consegue ter colocada em seu nome a mansão de um poderoso da época. Termina tentando expulsar o doador que tanto o beneficiou. Mas o impostor termina mal. É uma história do traidor traído por si mesmo.
O enredo não é muito diferente de Volpone, a raposa na tradução. Na obra de Ben Jonson os personagens têm nomes de animais. A peça, da mesma forma que Tartufo, atravessou os séculos com várias interpretações. No final da década de 40 foi parar no cinema, com Harry Baur e o grande Louis Jouvet nos papeis principais. Filme francês dirigido por Michel Tourneur. Excelente. Assisti essa obra em 1949 no Cinema Rox. Sátira profunda do comportamento humano, creio que o filme esteja atual. Até porque o tema é imortal.
Nesta altura dos acontecimentos, percebo com maior nitidez, agora, que o roubo e a ingratidão são impulsos fortíssimos. Estão no mesmo nível do sexo. Marx e Freud explicam. Demóstenes Torres é mais um hipócrita num elenco cada vez mais numeroso. O dos desonestos também. E dos aproveitadores, que, por prudência própria, tentam encobrir até simples avaliações.
Relativamente a este ponto, vejam os leitores o que aconteceu com a vereadora Teresa Bergher na Câmara Municipal do Rio. Presidente da Comissão de Ética, ela defendeu publicamente e apresentou oficialmente projeto para que os contratos que a empresa Locanty possui com o Palácio Pedro Ernesto sejam avaliados, pois surgiram sombras em torno de pagamento em dobro por um trabalho de limpeza realizado. Não acusou ninguém.
Mas a iniciativa foi suficiente para que um grupo de vereadores, tendo à frente Aloisio Freitas, como O Globo publicou a 30 de março, iniciasse movimento para derrubá-la do posto. Um absurdo. Pois se contratos da Locanty com o governo Sérgio Cabral no montante de 283 milhões de reais, de 2008 a 2012, estão sendo avaliados, por que não podem ser os da Câmara de Vereadores com a mesma empresa? Não faz sentido.
No mesmo período, contratos da Locanty com a administração Eduardo Paes somaram 62 milhões. Pode haver algo estranho em tudo isso. Pedir explicação e avaliação afinal de contas, não deve ofender ninguém.
01 de abril de 2012
Pedro do Coutto
A reportagem foi manchete principal da edição de 30 de março que, aliás, não poderia ser outra.As fotos que acompanham a matéria são de Ailton de Freitas. Incrível o comportamento de Demóstenes. E olha que Cachoeira tinha antecedente. Seu filme focalizando Valdomiro Diniz derrubou o subchefe da Casa Civil, então ocupada por José Dirceu. Valdomiro Diniz desceu a um subterrâneo da ilegalidade para receber compensação pelo que fazia.
Torres desceu ainda mais. Quase se transforma em novo Doutor Fausto, de Goethe. Mas citei que ele próprio se afundou num roteiro que, através dos séculos, une Volpone a Tartufo.A peça de Volpone foi escrita em 1606, pelo inglês Ben Jonson, contemporâneo de Shakespeare. Tartufo é de 1664, portanto 58 anos depois.
Demóstenes Torres, que da boca para fora pregava a honestidade, mas nas ações substantivas enveredava pelo plano da desonestidade, encaixa bem no personagem imortal de Molière. Tartufo é uma comédia satírica e dramática ao mesmo tempo. Com artifícios em série consegue ter colocada em seu nome a mansão de um poderoso da época. Termina tentando expulsar o doador que tanto o beneficiou. Mas o impostor termina mal. É uma história do traidor traído por si mesmo.
O enredo não é muito diferente de Volpone, a raposa na tradução. Na obra de Ben Jonson os personagens têm nomes de animais. A peça, da mesma forma que Tartufo, atravessou os séculos com várias interpretações. No final da década de 40 foi parar no cinema, com Harry Baur e o grande Louis Jouvet nos papeis principais. Filme francês dirigido por Michel Tourneur. Excelente. Assisti essa obra em 1949 no Cinema Rox. Sátira profunda do comportamento humano, creio que o filme esteja atual. Até porque o tema é imortal.
Nesta altura dos acontecimentos, percebo com maior nitidez, agora, que o roubo e a ingratidão são impulsos fortíssimos. Estão no mesmo nível do sexo. Marx e Freud explicam. Demóstenes Torres é mais um hipócrita num elenco cada vez mais numeroso. O dos desonestos também. E dos aproveitadores, que, por prudência própria, tentam encobrir até simples avaliações.
Relativamente a este ponto, vejam os leitores o que aconteceu com a vereadora Teresa Bergher na Câmara Municipal do Rio. Presidente da Comissão de Ética, ela defendeu publicamente e apresentou oficialmente projeto para que os contratos que a empresa Locanty possui com o Palácio Pedro Ernesto sejam avaliados, pois surgiram sombras em torno de pagamento em dobro por um trabalho de limpeza realizado. Não acusou ninguém.
Mas a iniciativa foi suficiente para que um grupo de vereadores, tendo à frente Aloisio Freitas, como O Globo publicou a 30 de março, iniciasse movimento para derrubá-la do posto. Um absurdo. Pois se contratos da Locanty com o governo Sérgio Cabral no montante de 283 milhões de reais, de 2008 a 2012, estão sendo avaliados, por que não podem ser os da Câmara de Vereadores com a mesma empresa? Não faz sentido.
No mesmo período, contratos da Locanty com a administração Eduardo Paes somaram 62 milhões. Pode haver algo estranho em tudo isso. Pedir explicação e avaliação afinal de contas, não deve ofender ninguém.
01 de abril de 2012
Pedro do Coutto
HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY
Uma aventura chamada Roraima
Roraima sempre foi uma aventura na floresta. Chamava-se Rio Branco. Um tampão tirado da testa do Amazonas, em 43, por Getulio Vargas, para criar o território federal. Só em 62 virou Roraima (“Serra Verde”), em homenagem ao monte Roraima (2.739 metros), na bela serra de Pacaraima, entre a Guiana e a Venezuela.
Menor população do País (300 e poucos mil, Boa Vista com menos de 200 mil), Roraima foi salva por pouco. Ingleses e holandeses, com suas Guianas ali perto, e espanhóis, com a Venezuela, sempre ficaram de olho gordo.
Em 1904, apesar da brilhante defesa feita por Joaquim Nabuco, a Inglaterra, usando o rei da Itália como árbitro, tomou do Brasil “a maior parte das ricas terras orientais do lago Pirara, incorporando-as à Guiana Inglesa”.
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ÍNDIOS E GARIMPEIROS
É a terra dos garimpeiros. Lá quem manda são os garimpeiros. Pagam tudo com ouro e pedras. Seis da tarde, aqueles homens rudes, queimados de sol, com bolsas e sacolas, brotam na porta do aeroporto como formigas.
Chegam em dezenas de pequenos aviões, minúsculos, que voltam dos garimpos ao cair da tarde. Uma avalanche e uma festa. Chegam falantes, alegres, eufóricos, febris, com as novas frentes de garimpos na floresta.
São extensas jazidas de ouro, cassiterita e pedras preciosas, que atraem grande número de garimpeiros clandestinos, sobretudo na fronteira da Venezuela, em permanente conflito com os índios.
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NEUDO E PORTELA
Roraima virou Estado com a Constituição de 88. Primeira eleição para governador, em 90: ganhou o brigadeiro Ottomar Pinto, pernambucano de Petrolina, do PTB, que tinha sido governador nomeado do território, de 80 a 84, e depois deputado federal de 86 a 90.
Ottomar derrotou o engenheiro Neudo Campos, do PRN, filho de Roraima, que logo depois passou para o PTB e em 94 se elegeu governador, pelo PPB, com o vice Flamarion Portela. Em 98, os dois se reelegeram. Em 2002, Portela foi eleito governador e, com a vitória de Lula, passou para o PT.
Em 98, na reeleição, quase Neudo explode, quando foi denunciado o esquema de corrupção na Condesaima (Companhia de Desenvolvimento de Roraima), caixa-2 da reeleição. Mas se salvou.
Em 2009, Neudo Campos e Flamarion Portela ficaram na crista da onda do bruto escândalo apurado pela Polícia Federal. Neudo foi preso com mais 40 na “Operação Gafanhotos”: um rombo de R$ 230 milhões, através de funcionários fantasmas.
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TERRA DE NINGUÉM
Mais de 60% do território são ocupados pela Floresta Amazônica. Apenas 82 mil quilômetros quadrados são áreas livres, onde vive a população. Nas matas, a terceira maior concentração de índios do País: 38 mil, de 8 etnias.
Só os ianomâmis, maior reserva indígena nacional, ocupam em Roraima 5,6 milhões de 9,4 milhões de hectares (o restante fica no Amazonas). A maioria dos políticos, que devia ver o Estado como uma terra sagrada, acaba imaginando que é tudo uma aventura só, numa terra de ninguém.
01 de abril de 2012
Sebastião Nery
Roraima sempre foi uma aventura na floresta. Chamava-se Rio Branco. Um tampão tirado da testa do Amazonas, em 43, por Getulio Vargas, para criar o território federal. Só em 62 virou Roraima (“Serra Verde”), em homenagem ao monte Roraima (2.739 metros), na bela serra de Pacaraima, entre a Guiana e a Venezuela.
Menor população do País (300 e poucos mil, Boa Vista com menos de 200 mil), Roraima foi salva por pouco. Ingleses e holandeses, com suas Guianas ali perto, e espanhóis, com a Venezuela, sempre ficaram de olho gordo.
Em 1904, apesar da brilhante defesa feita por Joaquim Nabuco, a Inglaterra, usando o rei da Itália como árbitro, tomou do Brasil “a maior parte das ricas terras orientais do lago Pirara, incorporando-as à Guiana Inglesa”.
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ÍNDIOS E GARIMPEIROS
É a terra dos garimpeiros. Lá quem manda são os garimpeiros. Pagam tudo com ouro e pedras. Seis da tarde, aqueles homens rudes, queimados de sol, com bolsas e sacolas, brotam na porta do aeroporto como formigas.
Chegam em dezenas de pequenos aviões, minúsculos, que voltam dos garimpos ao cair da tarde. Uma avalanche e uma festa. Chegam falantes, alegres, eufóricos, febris, com as novas frentes de garimpos na floresta.
São extensas jazidas de ouro, cassiterita e pedras preciosas, que atraem grande número de garimpeiros clandestinos, sobretudo na fronteira da Venezuela, em permanente conflito com os índios.
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NEUDO E PORTELA
Roraima virou Estado com a Constituição de 88. Primeira eleição para governador, em 90: ganhou o brigadeiro Ottomar Pinto, pernambucano de Petrolina, do PTB, que tinha sido governador nomeado do território, de 80 a 84, e depois deputado federal de 86 a 90.
Ottomar derrotou o engenheiro Neudo Campos, do PRN, filho de Roraima, que logo depois passou para o PTB e em 94 se elegeu governador, pelo PPB, com o vice Flamarion Portela. Em 98, os dois se reelegeram. Em 2002, Portela foi eleito governador e, com a vitória de Lula, passou para o PT.
Em 98, na reeleição, quase Neudo explode, quando foi denunciado o esquema de corrupção na Condesaima (Companhia de Desenvolvimento de Roraima), caixa-2 da reeleição. Mas se salvou.
Em 2009, Neudo Campos e Flamarion Portela ficaram na crista da onda do bruto escândalo apurado pela Polícia Federal. Neudo foi preso com mais 40 na “Operação Gafanhotos”: um rombo de R$ 230 milhões, através de funcionários fantasmas.
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TERRA DE NINGUÉM
Mais de 60% do território são ocupados pela Floresta Amazônica. Apenas 82 mil quilômetros quadrados são áreas livres, onde vive a população. Nas matas, a terceira maior concentração de índios do País: 38 mil, de 8 etnias.
Só os ianomâmis, maior reserva indígena nacional, ocupam em Roraima 5,6 milhões de 9,4 milhões de hectares (o restante fica no Amazonas). A maioria dos políticos, que devia ver o Estado como uma terra sagrada, acaba imaginando que é tudo uma aventura só, numa terra de ninguém.
01 de abril de 2012
Sebastião Nery
A DANÇA DA "BOQUINHA"
E o DEM dizia que o PSD era o "partido da boquinha"...
Tem "boquinha" maior do que a do senador Demóstenes Torres, ícone do DEM, presidenciável do DEM, reserva ética e moral do DEM, tinha com um bandido? Até agora o PSD não assumiu nenhum cargo no governo federal e nele não fez uma única indicação. Está limpo da acusação de ser o "partido da boquinha".
Agora vejam o que publica o Painel da Folha, hoje:
Diáspora
Ninguém vai tocar no assunto até a eleição, porque não é mais possível mudar de partido. Mas a cúpula do DEM já admite que, após outubro, voltará com força a tese da fusão ou da extinção da legenda, abatida por mais um escândalo de repercussão nacional.
Ao que tudo indica, a fusão será com o PMDB. Tem maior "partido da boquinha" no Brasil?
01 de abril de 2012
coroneLeaks
Tem "boquinha" maior do que a do senador Demóstenes Torres, ícone do DEM, presidenciável do DEM, reserva ética e moral do DEM, tinha com um bandido? Até agora o PSD não assumiu nenhum cargo no governo federal e nele não fez uma única indicação. Está limpo da acusação de ser o "partido da boquinha".
Agora vejam o que publica o Painel da Folha, hoje:
Diáspora
Ninguém vai tocar no assunto até a eleição, porque não é mais possível mudar de partido. Mas a cúpula do DEM já admite que, após outubro, voltará com força a tese da fusão ou da extinção da legenda, abatida por mais um escândalo de repercussão nacional.
Ao que tudo indica, a fusão será com o PMDB. Tem maior "partido da boquinha" no Brasil?
01 de abril de 2012
coroneLeaks
O TREM BALA, BELA, BILA, BOLA e BURLA
Um autêntico primeiro de abril! A pegadinha que enganou meio mundo, e fez crescer os olhos das empreiteiras. Melhor do que isso, para uma campanha eleitoreira, só dois disso!
A fala do `excelentíssimo` é de uma obviedade que me admira consiga ainda enganar os que ouvem essa discurseira, diria cômica, ou próxima daqueles discursos de auditório que anunciam o prêmio de quem 'dançou' melhor.
Aquele momento em que se refere ao anônimo nome de uma mulher, olhando e apontando para D. Dilma, é de uma comicidade impagável, com todas as palmas que recebeu! Louvo o poder de enganação desse demagogo. Pior: o poste levou!
m.americo
A fala do `excelentíssimo` é de uma obviedade que me admira consiga ainda enganar os que ouvem essa discurseira, diria cômica, ou próxima daqueles discursos de auditório que anunciam o prêmio de quem 'dançou' melhor.
Aquele momento em que se refere ao anônimo nome de uma mulher, olhando e apontando para D. Dilma, é de uma comicidade impagável, com todas as palmas que recebeu! Louvo o poder de enganação desse demagogo. Pior: o poste levou!
m.americo
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA SUPRAPARTIDÁRIA
A organização criminosa financiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira é suprapartidária. Até agora, além do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), também estão envolvidos Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT) e Sandes Júnior (PP), todos de Goiás, além de Stepan Nercessian (PPS-RJ). Isso que o bicho ainda nem começou a pegar.
01 de abril de 2012
coroneLeaks
01 de abril de 2012
coroneLeaks
PRIMEIRO DE ABRIL DE 2012
Vítimas do Terrorismo – Abril
Neste abril de 2012, reverenciamos a todos os que, em abris passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo.
Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.
14/04/69 – FRANCISCO BENTO DA SILVA (Motorista - SP) e LUIZ FRANCISCO DA SILVA (Guarda bancário –SP)
Mortos durante um assalto, praticado pela Ala Vermelha do PCdoB, ao carro pagador (uma Kombi) do Banco Francês-Italiano para a América do Sul, na Alameda Barão de Campinas, quando foram roubados vinte milhões de cruzeiros. Participaram desta ação os terroristas: Élio Cabral de Souza, Derly José de Carvalho, Daniel José de Carvalho, Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Aderval Alves Coqueiro, Lúcio da Costa Fonseca, Gilberto Giovanetti, Ney Jansen Ferreira Júnior, Genésio Borges de Melo e Antônio Medeiros Neto.
04/04/71 – JOSÉ JÚLIO TOJA MARTINEZ (Major do Exército – Rio de Janeiro)
No início de abril, a Brigada Pára-quedista recebeu uma denúncia de que um casal de terroristas ocupara uma casa em Campo Grande/RJ. A 2ª Sessão da Brigada, chefiada pelo major Martinez, montou um esquema de vigilância sobre a citada residência.
Por volta das 23 horas desse dia, chegou um casal, de táxi, estacionando-o nas proximidades da casa vigiada. A mulher ostentava uma volumosa barriga que indicava estar em adiantado estado de gravidez.
O fato sensibilizou Martinez, que, impelido por seu sentimento de solidariedade, agiu impulsivamente visando preservar a “senhora” de possíveis riscos.
Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, de sua “barriga”, formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a mulher retirou um revólver, matando-o instantaneamente, sem qualquer chance de reação.
O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio que causou a morte do casal de terroristas.
Estes foram identificados como sendo os militantes do MR-8 Mário de Souza Prata e sua amante Marilena Villas-Bôas Pinto, ambos de alta periculosidade e responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.
No “aparelho” do casal foram encontrados explosivos, munição e armas, além de dezenas de levantamentos de bancos, de supermercados, de diplomatas estrangeiros e de generais do Exército.
Destino perverso esse que compensou com uma reação de ódio e violência o gesto de bondade tão característica do major Martinez.
Ele deixou viúva e quatro filhos, três meninas e um menino, a mais velha, à época, com onze anos de idade. Sua esposa, com uma pequena pensão, criou com sacrifícios aquelas crianças que, pelo ambiente familiar de que desfrutavam, eram, naturalmente, dóceis e afáveis.
Com o apoio de familiares e amigos, suplantou a dor, os traumas decorrentes da morte violenta e inesperada e as dificuldades resultantes da ausência do chefe de família.
A família do major Martinez não pediu, nem vê razão em homenagens. Apenas quer guardar a lembrança do esposo dedicado e pai carinhoso que ele foi.
Profissional competente, dedicado e leal, atleta exemplar, amigo afável e educado, “Zazá” , como era carinhosamente chamado por seus amigos, será sempre lembrado com muito carinho por todos aqueles que com ele conviveram.
07/04/71 – MARIA ALICE MATOS (Empregada doméstica – Rio de Janeiro)
Morta por terroristas quando do assalto a um depósito de material de construção.
15/04/71 – HENNING ALBERT BOILESEN (Industrial – São Paulo)
Quando da criação da Operação Bandeirante, o então comandante do II Exército, general Canavarro, reuniu-se com o governador do Estado de São Paulo, várias autoridades federais, estaduais, municipais e com industriais paulistas para solicitar o apoio para um órgão que necessitava ser criado com rapidez, a fim de fazer frente ao crescente terrorismo que estava em curso no estado de São Paulo.
A pedido de Carlos Lamarca, os terroristas escolheram três nomes para serem assassinados, como forma de intimidar os colaboradores da OBan. Estes eram: Henning A. Boilesen, Peri Igel e Sebastião Camargo (Camargo Correia).
O primeiro escolhido foi o presidente da Ultragás, Henning Albert Boilesen, um dinamarquês, naturalizado brasileiro.
A partir da segunda quinzena de janeiro de 1971, iniciaram-se os levantamentos do industrial paulista, dos quais participaram: Devanir José de Carvalho, Dimas Antonio Casemiro, Gilberto Faria Lima e José Dan de Carvalho, pelo MRT; Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, pela ALN; Gregório Mendonça e Laerte Dorneles Méliga (Diretor do SERPRO, empresa governamental de processamento de dados ligada à Receita Federal - DOU nº 34 de 17/02/2011), pela VPR.
No dia 15 de abril de 1971 um Comando Revolucionário, integrado pelos terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos, covardemente assassinou Boilesen. Quando o carro de Boilesen entrou na Alameda Casa Branca, dois carros dos terroristas emparelharam com o dele.
Pela esquerda, Yuri, colocando um fuzil para fora da janela, disparou um tiro que foi raspar a cabeça de Boilesen. Este saiu do automóvel que dirigia e tentou correr em direção contrária aos carros.
Foi inútil. José Milton descarregou sua metralhadora nas costas do industrial e Yuri desfechou-lhe mais três tiros de fuzil.
Cambaleando, Boilesen arrastou-se por mais alguns metros e foi cair na sarjeta, junto de um Volkswagen. Aproximando-se, Yuri disparou mais um tiro que lhe arrancou a maior parte da face esquerda.
Joaquim Alencar Seixas e Gilberto Faria Lima jogaram os panfletos por cima do cadáver.
No relatório escrito por Yuri, e apreendido pela polícia, aparecem as frases “durante a fuga trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”.
Vários carros e casas foram atingidos por projéteis. Caídas, duas senhoras, uma atingida no ombro e outra ferida numa perna. Sobre o corpo de Boilesen, mutilado com dezenove tiros, os panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça:
“Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.
10/04/74 – GERALDO JOSÉ NOGUEIRA (Soldado PM – São Paulo)
Morto quando da captura de terroristas.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de: A Verdade Sufocada
1 de abril de 2012
mujahdin cucaracha
Neste abril de 2012, reverenciamos a todos os que, em abris passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo.
Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.
14/04/69 – FRANCISCO BENTO DA SILVA (Motorista - SP) e LUIZ FRANCISCO DA SILVA (Guarda bancário –SP)
Mortos durante um assalto, praticado pela Ala Vermelha do PCdoB, ao carro pagador (uma Kombi) do Banco Francês-Italiano para a América do Sul, na Alameda Barão de Campinas, quando foram roubados vinte milhões de cruzeiros. Participaram desta ação os terroristas: Élio Cabral de Souza, Derly José de Carvalho, Daniel José de Carvalho, Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Aderval Alves Coqueiro, Lúcio da Costa Fonseca, Gilberto Giovanetti, Ney Jansen Ferreira Júnior, Genésio Borges de Melo e Antônio Medeiros Neto.
04/04/71 – JOSÉ JÚLIO TOJA MARTINEZ (Major do Exército – Rio de Janeiro)
No início de abril, a Brigada Pára-quedista recebeu uma denúncia de que um casal de terroristas ocupara uma casa em Campo Grande/RJ. A 2ª Sessão da Brigada, chefiada pelo major Martinez, montou um esquema de vigilância sobre a citada residência.
Por volta das 23 horas desse dia, chegou um casal, de táxi, estacionando-o nas proximidades da casa vigiada. A mulher ostentava uma volumosa barriga que indicava estar em adiantado estado de gravidez.
O fato sensibilizou Martinez, que, impelido por seu sentimento de solidariedade, agiu impulsivamente visando preservar a “senhora” de possíveis riscos.
Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, de sua “barriga”, formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a mulher retirou um revólver, matando-o instantaneamente, sem qualquer chance de reação.
O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio que causou a morte do casal de terroristas.
Estes foram identificados como sendo os militantes do MR-8 Mário de Souza Prata e sua amante Marilena Villas-Bôas Pinto, ambos de alta periculosidade e responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.
No “aparelho” do casal foram encontrados explosivos, munição e armas, além de dezenas de levantamentos de bancos, de supermercados, de diplomatas estrangeiros e de generais do Exército.
Destino perverso esse que compensou com uma reação de ódio e violência o gesto de bondade tão característica do major Martinez.
Ele deixou viúva e quatro filhos, três meninas e um menino, a mais velha, à época, com onze anos de idade. Sua esposa, com uma pequena pensão, criou com sacrifícios aquelas crianças que, pelo ambiente familiar de que desfrutavam, eram, naturalmente, dóceis e afáveis.
Com o apoio de familiares e amigos, suplantou a dor, os traumas decorrentes da morte violenta e inesperada e as dificuldades resultantes da ausência do chefe de família.
A família do major Martinez não pediu, nem vê razão em homenagens. Apenas quer guardar a lembrança do esposo dedicado e pai carinhoso que ele foi.
Profissional competente, dedicado e leal, atleta exemplar, amigo afável e educado, “Zazá” , como era carinhosamente chamado por seus amigos, será sempre lembrado com muito carinho por todos aqueles que com ele conviveram.
07/04/71 – MARIA ALICE MATOS (Empregada doméstica – Rio de Janeiro)
Morta por terroristas quando do assalto a um depósito de material de construção.
15/04/71 – HENNING ALBERT BOILESEN (Industrial – São Paulo)
Quando da criação da Operação Bandeirante, o então comandante do II Exército, general Canavarro, reuniu-se com o governador do Estado de São Paulo, várias autoridades federais, estaduais, municipais e com industriais paulistas para solicitar o apoio para um órgão que necessitava ser criado com rapidez, a fim de fazer frente ao crescente terrorismo que estava em curso no estado de São Paulo.
A pedido de Carlos Lamarca, os terroristas escolheram três nomes para serem assassinados, como forma de intimidar os colaboradores da OBan. Estes eram: Henning A. Boilesen, Peri Igel e Sebastião Camargo (Camargo Correia).
O primeiro escolhido foi o presidente da Ultragás, Henning Albert Boilesen, um dinamarquês, naturalizado brasileiro.
A partir da segunda quinzena de janeiro de 1971, iniciaram-se os levantamentos do industrial paulista, dos quais participaram: Devanir José de Carvalho, Dimas Antonio Casemiro, Gilberto Faria Lima e José Dan de Carvalho, pelo MRT; Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, pela ALN; Gregório Mendonça e Laerte Dorneles Méliga (Diretor do SERPRO, empresa governamental de processamento de dados ligada à Receita Federal - DOU nº 34 de 17/02/2011), pela VPR.
No dia 15 de abril de 1971 um Comando Revolucionário, integrado pelos terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos, covardemente assassinou Boilesen. Quando o carro de Boilesen entrou na Alameda Casa Branca, dois carros dos terroristas emparelharam com o dele.
Pela esquerda, Yuri, colocando um fuzil para fora da janela, disparou um tiro que foi raspar a cabeça de Boilesen. Este saiu do automóvel que dirigia e tentou correr em direção contrária aos carros.
Foi inútil. José Milton descarregou sua metralhadora nas costas do industrial e Yuri desfechou-lhe mais três tiros de fuzil.
Cambaleando, Boilesen arrastou-se por mais alguns metros e foi cair na sarjeta, junto de um Volkswagen. Aproximando-se, Yuri disparou mais um tiro que lhe arrancou a maior parte da face esquerda.
Joaquim Alencar Seixas e Gilberto Faria Lima jogaram os panfletos por cima do cadáver.
No relatório escrito por Yuri, e apreendido pela polícia, aparecem as frases “durante a fuga trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”.
Vários carros e casas foram atingidos por projéteis. Caídas, duas senhoras, uma atingida no ombro e outra ferida numa perna. Sobre o corpo de Boilesen, mutilado com dezenove tiros, os panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça:
“Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.
10/04/74 – GERALDO JOSÉ NOGUEIRA (Soldado PM – São Paulo)
Morto quando da captura de terroristas.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de: A Verdade Sufocada
1 de abril de 2012
mujahdin cucaracha
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