"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 7 de abril de 2012

ENCONTROS HISTÓRICOS - 3


Michael Jackson, Francis Ford Coppola and George Lucas


Charlie Chaplin and Albert Einstein

Mother Teresa and Princess Diana


Salvador Dali and Coco Chanel


John Lennon, Yoko Ono and Pierre Elliott Trudeau (Prime Minister of Canada), 1969

07 de abril de 2012
m.americo

ENCONTROS HISTÓRICOS - 2


Marilyn Monroe Meets Queen Elizabeth II 1956

George Harrison and Bob Marley

Danny DeVito and Christopher Reeve


Bob Marley and Jackson Five, 1975


Arnold Schwarzenegger and Shaquille O'neal

07 de abril de 2012
m.americo

ENCONTROS HISTÓRICOS - 1


Jimi Hendrix & Mick Jagger, New York, 1969


Frank Sinatra and Grace Kelly


The Beatles and Mohammad Ali, 1964


Michael Jackson & Mr. T


Martin Luther King Jr. and Marlon Brando (The Godfather)
07 de abril de 2012
m.americo

A CPI DO CARLINHOS CACHOEIRA

A CPI do Carlinhos Cachoeira, se for realizada, será mais uma das múltiplas iniciativas tópicas, que atacam o sintoma sem cuidar das causas da doença.Dor de cabeça? Tome uma aspirina. A CPI não deverá ser mais que isto: uma aspirina institucional. Outra.
Tem sido assim desde o fim do regime militar: CPI da Corrupção (governo Sarney), do PC Farias (governo Collor), dos Anões do Orçamento (governo Itamar Franco), dos Precatórios (governo FHC), da Petrobras (governo Lula, que, diga-se, nem como aspirina funcionou), do MST. Etc.
Qual o resultado? Queimaram-se algumas reputações (a maioria acertadamente), derrubou-se um presidente da República, mas a doença continuou lá, intacta. Passado o efeito da aspirina, cada vez mais rápido, voltam as dores de cabeça.
O mais grave é que todos, desde o início, sabiam (continuam sabendo) qual a causa da enfermidade: o sistema político. Tanto assim que a cada nova legislatura – incluindo a atual – elege-se como prioridade a reforma política e, ao final, ninguém a faz.
Acaba reduzida a um arremedo, que, na maioria das vezes, piora o que lá estava. Ninguém ignora que o sistema partidário e a legislação eleitoral (sobretudo o financiamento de campanhas) são o tumor a ser expelido. Na hora de fazê-lo, ninguém o faz.
O presente governo está no seu segundo ano. O novo Congresso, ao assumir, fez da reforma política o seu estandarte. Criaram-se comissões especiais na Câmara e no Senado e, para não variar, fez-se muito barulho por nada. Como se previa, as eleições deste ano se darão sob as mesmas regras das anteriores.
É natural que se reproduzam os mesmos cenários, por onde se movem com desenvoltura os Carlinhos Cachoeira e se desviam os inúmeros Demóstenes Torres.
Não há jantar grátis. O financiador quer contrapartida, e esta, em regra, vem pelos métodos já expostos (pela enésima vez) nos telefonemas grampeados do contraventor com o senador: ações político-administrativas, que vão desde inside information até proposição de leis.
O senador tem sido o judas da vez, mas sabe-se que o elenco é infinitamente maior e suprapartidário. Corrupção, afinal, não tem ideologia. Não é de direita, nem de esquerda, e convive sem conflitos com o mais variado leque de tendências e doutrinas.
Quanto a isso, os exemplos presentes são claros: vão desde o PR (Ministério dos Transportes), passando pelo PCdoB (Ministério dos Transportes), DEM (Demóstenes Torres), PTB (Ministério do Trabalho), até o impávido colosso do PT (Antonio Palocci, governo de Brasília, Ministério da Pesca, Banco do Brasil, etc.).
Isso sem falar do Mensalão, que há sete anos (!) produziu nada menos que três CPIs simultâneas e até agora não produziu nenhum efeito concreto.
José Dirceu perdeu o mandato, mas continua sendo a figura de maior peso no PT, abaixo de Lula. José Genoíno é assessor especial do Ministério da Defesa. João Paulo Cunha é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Nada menos.
Roberto Jefferson, que denunciou a lambança, da qual fazia parte, continua a presidir o PTB, que continua na base governista.
Até chegar ao poder, em 2003, o PT associava-se a alguns procuradores da República – e o mais célebre foi Luiz Francisco de Souza, ausente do cenário político desde então – para providenciar CPIs, que funcionavam com o instrumento de pressão e desgaste contra os governos.
Não se pretendia curar nada, apenas enfraquecer o adversário. Lula dizia que “quanto mais CPI, melhor”.
No poder, conseguiu protagonizar uma inédita passeata contra uma CPI, a da Petrobrás. Sua base, por sua vez, agiu e age para que jamais se instale uma CPI para apurar o assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André.
E há o mensalão, paroxismo desse processo, por sua abrangência sistêmica. A frouxidão com que a oposição o tratou, evitando ir às últimas consequências, evoca o desafio bíblico do “atire a primeira pedra”.
PSDB e DEM tiveram seus mensalões, em proporções bem mais reduzidas. O PSDB fez como o PT: blindou seu acusado, o senador Eduardo Azeredo.
O DEM, novamente bola da vez, foi o que teve melhor conduta: expulsou o então governador Roberto Arruda e, agora mais uma vez, o senador Demóstenes.
Mesmo assim, não foi além do expediente da aspirina. Ninguém acredita que desta vez será diferente: entregam-se os anéis (os que foram flagrados) para salvar os dedos (o sistema político, que, com as exceções de praxe, contamina a todos).
A CPI do Cachoeira, portanto, não interessa a ninguém, pois trará à tona, em ano eleitoral, o vasto e ecumênico leque de beneficiários da cascata republicana em curso.

07 de abril de 2012
Ruy Fabiano é jornalista

DAS VERGONHAS DE SER HONESTO

O filósofo Renato Janine Ribeiro analisa as práticas cotidianas de corrupção que caracterizam a tradição individualista do brasileiro e defende a necessidade de reforçar a dimensão coletiva 
Fila dupla na porta do Colégio Loyola, em frente à placa de estacionamento proibido: uma aula de falta de educação que se repete todos os dias (Jackson Romanelli/EM/D.A Press)
Fila dupla na porta do Colégio Loyola, em frente à placa de estacionamento proibido: uma aula de falta de educação que se repete todos os dias
Uma longa conversa pelo telefone com o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da USP, a respeito da ética no cotidiano, trouxe-lhe à memória um episódio importante da vida brasileira: o pronunciamento, na tribuna, de um senador indignado que, ao protestar contra a lentidão na apuração de uma chacina de presos no Rio de Janeiro, por fim, desabafava: “No Brasil, chega-se ao ponto de os honestos terem vergonha de serem honestos”. O crime a que se referia o tribuno ficou conhecido como a Chacina do Satélite. O ano era 1914 e o senador Rui Barbosa. A chacina foi cometida contra marinheiros presos a bordo do navio Satélite, ancorado no Rio, então capital federal, no início do século passado. A autoria do crime foi apurada e assumida a partir de depoimentos dos assassinos confessos, mas, mesmo assim, já passados quatro anos, o crime começava a cair no esquecimento e na impunidade.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”, bradou o senador baiano, nascido em Salvador. O pronunciamento de Rui Barbosa entrou para a história há quase um século por sintetizar um triste sentimento presente em boa parte da sociedade brasileira – o de que ser correto não vale a pena em meio ao desrespeito geral a regras e normas, leis e preceitos.

A vergonha e o desalento em relação à honestidade e correção, no entanto, estão presentes não apenas em momentos históricos de indignação, como o citado anteriormente. Podem ser percebidos o tempo todo em nosso cotidiano: o desrespeito a quaisquer filas, seja a da padaria ou a do pedágio; ser atendido primeiro que aqueles que fizeram sua solicitação antes; jogar papel, latinha ou qualquer objeto na rua; beneficiar-se de contatos pessoais e obter privilégios na relação com o Estado; burlar prazos e exigências, seguidos pela maioria; esquivar-se de multas e outras punições, valendo-se de artifícios diversos.

São práticas cotidianas de corrupção pequenas, mas que não deixam de sê-lo e que colocam em xeque o respeito comum e a noção básica de coletividade. Comportamentos e posturas que têm deixado clara a necessidade de uma reflexão urgente sobre o sentido de bem comum e de vida comunitária. É a sensação, nos dias de hoje, de que a opção pela virtude e a honra torna as pessoas risíveis e de que o comportamento correto, na verdade, seguiria em direção oposta, ou seja, válida é a busca irrestrita da vantagem pessoal, que, afinal, se sobreporia ao bem comum. Jogar o palitinho de picolé na rua corrompe o meio ambiente. Furar a fila é corromper o mais antigo e justo concurso público do mundo. Daí que idosos ou outras pessoas que nela não podem permanecer, por algum tipo de dificuldade ou deficiência, merecem mesmo tratamento diferenciado. É a noção de equidade: tratar de modo diferente o que é diferente, mas por questão de justiça e para que, ao final, estejamos mais próximos da igualdade. Mais iguais.

Para o filósofo paulista, a sensação descrita por Rui Barbosa está há muito presente na história e na cultura brasileira, “até mais do que em outros países”, assinala. Abordando com cuidado o tema, que considera “bastante controverso”, Janine afirma que observa a questão a partir de dois pontos: a educação e a vida coletiva. Sobre a educação, “no sentido mais forte do termo”, o filósofo entende que é imprescindível que as pessoas saibam da importância de ser educado, ser atencioso e respeitoso na relação com o outro. “Esse tipo de educação não são apenas formas’’, salienta. ‘‘Quando a pessoa incorpora esse tipo de comportamento, ela está afirmando, pelas suas ações, que respeita os seus semelhantes. Isso é um ponto crucial, não apenas em relação à educação, mas em função de que daí nasce uma relação de comunidade bem melhor que a que teríamos antes.”

Senso do coletivo Outro ponto destacado por Janine diz respeito ao modo como vivemos em comunidade. É importante, diz ele, que as pessoas sintam que agir direito é imprescindível e que vale a pena. “Quando vivemos numa sociedade em que é tão comum o sucesso do mal-educado, do criminoso, isso nos causa uma sensação de que não precisamos agir bem e que é o certo ser assim, pois senão seremos passados para trás.” Segundo Janine, sabemos que esse é um grande problema no Brasil e que para superá-lo seria necessário que se construísse algo novo em termos de experiência de vida social.

O filósofo da USP salienta que, primeiramente, é necessário que se desenvolva um senso forte do coletivo, pois “isso também é uma coisa que está faltando muito entre nós”. Segundo Janine, na sociedade, o que é coletivo ficou muito empobrecido e por isso não temos muita noção do que é o bem comum. “Nossa sociedade, explica, se fraturou em bens e interesses particulares. Alguém lutar pelo bem comum está muito difícil. Aliás, está muito difícil até as pessoas entenderem o que seja o bem comum. É algo que terá que ser construído, ou seja, como nós vamos ter uma preocupação e empenho de nos voltarmos para as coisas coletivas e entendermos que o espaço coletivo também pode ser um espaço de realização.”.

Renato Janine não esconde ser um pouco cético em relação à possibilidade de que essas mudanças se deem. Para ele, a valorização da vida individual consolidou-se a tal ponto que os alunos e mesmo outras pessoas a quem, eventualmente, vai falar sobre ética confundem ética como uma vantagem pessoal que podem conquistar, e é exatamente o contrário. “Mostrar que pode haver uma realização coletiva não é fácil, mas é algo que precisa ser concretizado”, destaca.

Para o filósofo e escritor, é urgente que sejam criadas condições para uma vida ética e coletiva e, para que isso seja construído, a pessoa precisa se sentir realizada no espaço coletivo, por isso é preciso que esse espaço coletivo seja bom para todos. A questão que se coloca é se nós podemos ter uma vida ética sem a coletividade. “E, nesse caso, nossa sociedade vai caminhar cada vez para a individualidade e, assim, teremos que definir um novo tipo de ética”, conclui.
07 de abril de 2012
Mozahir Salomão Bruck é professor e pesquisador da PUC Minas.

RUBENS PAIVA E MARIO KOZEL FILHO: DESCOMPROMISSO COM A VERDADE?

 
No conflito conhecido como luta armada, Rubens Paiva foi um dos cerca de 300 mortos pelos militares; já Mário Kozel Filho foi um dos 120 mortos pelos militantes da luta armada. O primeiro aparece frequentemente nos jornais, estampado em fotos de família e sua história é bem conhecida; o segundo é relegado a um completo esquecimento. Porque tanta diferença entre duas pessoas que morreram no mesmo conflito? Como pode a Comissão da Verdade pretender fazer justiça resgatando a memória do primeiro enquanto aniquila a memória de Kozel? Há aqui um descompromisso com a verdade?
 
Para responder essas perguntas inicialmente notamos que a Comissão da Verdade, para ser digna deste nome, deveria ter por objetivo o resgate da memória de todos os que morreram ou sofreram violência tanto pelas ações praticadas por agentes a serviço do regime militar como por ações dos militantes de esquerda que se opunham a ele.
Não é, contudo, o que está sendo apresentado por alguns ministros e secretários de governo. Com efeito, o atual governo elabora bem a cartilha revisionista que já estava delineada no governo anterior sob a responsabilidade do então ministro Paulo Vannuchi, ex-militante da ALN, grupo cujo chefe, Carlos Marighella, dizia sem nenhum pudor: “O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar. [...] Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado”.
Como veremos, mudam-se apenas os nomes, mas os argumentos continuam medíocres e revelam de forma cristalina os propósitos que se tenta ocultar. Para desvendá-los eu selecionei as declarações a seguir.
A ministra M. do Rosário declarou recentemente numa entrevista a um jornal: “Eu de fato não considero a existência de dois lados. Nós estamos investigando e buscando refletir sobre a violência de Estado contra indivíduos e grupos”. Já o seu colega Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, afirma no mesmo jornal: "Não cabe investigar as ações da resistência. Estavam no direito legítimo de lutar contra a ordem ilegítima e a opressão. A Comissão da Verdade serve para investigar os crimes de Estado”.
 
O primeiro ponto a ser elucidado aqui é a intenção do governo em transformar a Comissão da Verdade em um mero instrumento para imputar ao Estado, como um todo, crimes que obviamente não podem ser imputados, simplesmente por não haver evidências comprovando que havia ordens do alto escalão do regime militar chancelando práticas criminosas.
No máximo, podemos pensar tais crimes como atos isolados, tão injustificáveis quanto o terrorismo da luta armada, e que são inevitáveis em um conflito de guerra irregular como foi o combate entre militares e militantes da luta armada. Se adotarmos um critério meramente comparativo com o que ocorreu em outros países da América Latina, por exemplo, Argentina (30 mil mortos), Peru (30 mil mortos), Colômbia (45 mil mortos), Cuba (17 mil mortos), vemos que o Brasil tem um saldo extremamente baixo de vítimas, que se reduz ainda mais se estes números forem tomados relativo à sua população, considerando que, entre eles, o Brasil sempre foi o país mais populoso. Admitindo que naqueles países a elevada taxa de vítimas é consequência de uma política de Estado opressiva e abusiva concluímos que o reduzido número de vítimas no Brasil é uma prova de que não havia uma política oficial de Estado, similar a daqueles países, determinando aos agentes do regime o uso de práticas como tortura e assassinatos.
 
Corrobora isso, também, o fato de ser difícil conceber duas premissas antagônicas: a de um regime militar que torturava impiedosamente seus adversários, ao mesmo tempo que permitia uma atividade legislativa limitada, inclusive com uma oposição encarnada no então MDB. Uma das premissas então não se sustenta. Contudo, uma delas – a da atividade legislativa limitada que permitia haver uma oposição oficial ao regime militar – é historicamente determinada. QED.
 
Como corolário, fica evidente a desonestidade intelectual daqueles que, incapazes de refutar os argumentos expostos anteriormente, classificam como “apologia a tortura” qualquer argumento que conteste generalizações absurdas que colocam o regime militar no Brasil no mesmo rol de regimes violentos de outros países da América Latina (espertamente eliminando a sanguinária ditadura cubana da lista, ou se calando diante dos crimes das ditaduras comunistas como um todo).
O segundo ponto a ser elucidado remete ao que Paulo Abrão se refere como “direito legítimo dos militantes da luta armada de lutar contra a ordem ilegítima e a repressão”. Isso só se aplicaria se os grupos da luta armada tivessem por objetivo a democratização do país. Contudo, a análise dos vários documentos desses grupos que estão reunidos no livro “Imagens da Revolução” de Daniel Aarão Reis mostra que eles eram de orientação marxista e defendiam um projeto que, nas palavras do próprio Aarão, era “revolucionário, ofensivo e ditatorial” – a comunização da nação! Vemos então que a insistência do atual governo em legitimar as ações da luta armada correspondem a um falseamento dos fatos.
 
Das declarações dos ministros chegamos então a dois objetivos não declarados que irão guiar a Comissão da Verdade que são: (I) Imputar ao regime militar a prática de “crimes de Estado”; (II) legitimar as ações da luta armada eximindo seus militantes de responsabilidade nos crimes cometidos e, assim, de serem investigados pela mesma comissão.
A estes dois objetivos se superpõem de forma superficial, mas com maior visibilidade midiática, um terceiro: (III) a questão do resgate da memória. É aí que se tem a resposta para o aniquilamento da memória dos 120 Kozels que morreram nas mãos dos militantes da luta armada e que a Comissão da Verdade, segundo a ministra M. do Rosário, não irá investigar.
Cada um desses kozels representa um crime praticado pelos militantes da luta armada cuja investigação irá necessariamente expor os autores. No caso específico do soldado Mário Kozel Filho, morto em um atentado a bomba, sabe-se que foi uma ação realizada pela VPR, grupo a qual a atual presidente Dilma Rousseff militava. Não parece razoável acreditar que ministros e secretários (alguns possivelmente envolvidos em crimes da luta armada) exponham sua chefe ao constrangimento de ter que dar explicações sobre isso.
O que me parece ainda mais abominável, contudo, é a possibilidade do governo usar o objetivo (III) apenas como pretexto para avançar os objetivos ocultos em (I) e (II) pois isso trairia a memória de todos os que morreram. Ora, como pensar diferente? Afinal, que diferença faz para a família de Rubens Paiva que se investigue também o que ocorreu com Mário Kozel Filho?
 
Vemos então que a recente oposição que militares e civis dirigem à comissão da verdade pode estar relacionada com esses dois objetivos não declarados que mencionei acima. O passado que a esquerda tenta ocultar tem que ser revelado, primeiro para que presidentes, ministros, políticos, professores universitários, juristas, advogados, personalidades, artistas, etc., que no passado tenham militado na luta armada e tem sangue nas mãos não se vangloriem diante do povo como defensores da democracia, algo que nunca foram. Segundo, e eis a principal razão, para que em nome dessa glória pessoal que almejam, mas não merecem, não permitamos o aniquilamento da memória dos vários Kozels trucidados pelos grupos da luta armada. Isso seria assassiná-los mais uma vez. A família do soldado Mario Kozel Filho merece do governo tanto respeito quanto a família de Rubens Paiva.
 
É preciso ter em mente que a Comissão da Verdade não é o único instrumento revisionista que parte da esquerda se utiliza para impor à sociedade a sua visão unilateral da nossa História, num total descompromisso com a verdade. Há outras frentes convergindo para o mesmo fim, todas se justificando pela asserção, comum em nossos dias, de que “não há verdade absoluta na História” (seja lá o que se entenda por isso). Ora, aceitando esta relativização decorre daí que não há também um compromisso com a verdade, pois ela supostamente não existe. Isto fica patente num recente projeto de lei de autoria de políticos do PSOL, PT e PSB que pede a mudança do nome da ponte Presidente Arthur da Costa e Silva, alegando ser "inaceitável" que a ponte homenageie "um chefe de Estado que foi um dos artífices do golpe militar, responsável por momentos dos mais sombrios da história brasileira". Ora, tal afirmação revela o descompromisso com a verdade a que me referi.
Com efeito,
hipoteticamente, transpondo PSOL, PT, PSB, etc. para a época do regime militar veríamos vários de seus atuais militantes entre os que participaram da luta armada que, como sabemos, se constituía num projeto ofensivo que pretendia converter a nação numa ditadura comunista. Que estatura moral essas pessoas tem então para afirmar que o regime militar era dos mais sombrios se eles, ao desejarem implantar uma ditadura comunista no Brasil, defendiam um projeto ainda mais sombrio? Além disso, quem tem estatura intelectual e legitimidade suficiente para falar do regime militar, os que viveram a época ou os revisionistas que afirmam não haver verdade absoluta? Pois bem, vale lembrar que o povo brasileiro nas eleições legislativas dos anos 70 demonstrou seu apoio irrestrito ao regime militar na presidência de Médici – sucessor de Costa e Silva - dando uma vitória esmagadora para a ARENA frente ao MDB em plena vigência do AI5 (será que o povo brasileiro é sombrio?). Este fato histórico, devidamente comprovado, refuta a tese dos revisionistas comprovando então seu descompromisso com a nossa História.
 
07 de abril de 2012
Marcelo Carvalho
Professor do Departamento de Matemática/UFSC
 

MAIS UMA VÍTIMA DA CACHOEIRA, DESTA VEZ UM ASSESSOR DO GOVERNADOR DO DF

A Polícia Federal investiga um ex-assessor especial do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), por envolvimento na interceptação ilegal de e-mails de adversários, informa reportagem de Fernando Mello, Leandro Colon e Filipe Coutinho, publicada na Folha.

Trata-se do policial civil Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcellão, que também estava no esquema do empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele foi exonerado na segunda-feira do cargo de confiança que ocupava na Casa Militar desde 15 de fevereiro. Antes disso, foi assessor da diretoria da Polícia Civil do Distrito Federal.

O policial saiu da Casa Militar após a divulgação de que seu nome aparece na Operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro, quando ainda ocupava o cargo e que resultou na prisão de Cachoeira e uma série de envolvidos.

Entre 2011 e 2012, Lopes tratou de acesso a e-mails de terceiros em conversas telefônicas com o sargento Idalberto Matias, o Dadá, apontado como araponga do grupo de Cachoeira, segundo confirmaram três fontes das investigações.

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“CONVERSÃO RELIGIOSA”

O policial Lopes diz que é inocente e alega que conversava com Dadá para “levá-lo à igreja e convertê-lo”. Garante também que não falou com Dadá sobre e-mails interceptados. “Se ele interceptava, ele emprestava pro Carlinhos Cachoeira. Ele nunca me falou das atividades dele.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

O governador Agnelo Queiroz está longe de ser um cidadão acima de qualquer suspeita. Era do PCdoB, foi ser diretor da Anvisa, onde foi acusado de corrupção. Virou ministro do Esporte e foi novamente acusado de corrupção. Entrou para o PT, elegeu-se governador e continua sob suspeita. Em Brasília, especula-se que a nomeação de seu chefe da Casa Civil foi uma espécie de intervenção do PT em seu governo, vejam a que ponto a situação chegou.

SOBRE BANDIDOS, POLÍTICOS E GOVERNANTES

A gente fica pensando quantos Carlinhos Cachoeira andam soltos por aí, apesar de o próprio estar momentaneamente atrás das grades. Porque virou rotina o relacionamento entre bandidos, políticos e governantes.

Virou é modo de dizer, porque esse conluio vem de tempos imemoriais. Apenas ficou mais exposto, agora, por ação da mídia, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Evidência de que, apesar de tudo, o país vai melhorando.

O bicheiro tinha ligações espúrias em Brasília, Goiás, Tocantins e alhures. Deixou-se inebriar pela impressão de ser influente, manobrista de cordéis que convergiam para suas atividades ilícitas e algumas até lícitas. Talvez tenha ficado megalômano, já que dava sugestões e até ordens para seus cúmplices chegassem aos detentores do poder.

Queria, por exemplo, que o senador Demóstenes Torres trocasse o DEM pelo PMDB e se aproximasse até da presidente Dilma. Imaginando, no seu desvario, que poderia valer-se de favores do palácio do Planalto.

Não parece difícil identificar esses personagens, sempre evoluindo em torno de políticos de expressão, tanto faz se falsa ou verdadeira. Para esses políticos, a tentação é grande, a ponto de muitos buscarem a simbiose, ou seja, transformarem-se também em bandidos. Como no terceiro ângulo do triângulo, dos governantes, encontramos da mesma forma indivíduos propensos a lambanças, completa-se a trindade que nada tem de santíssima: três pessoas numa só unidade e com um único objetivo, no caso, de enriquecer fraudulentamente.

Em maioria, os governantes são honestos. Os políticos, também. Os bandidos é que atravessam o samba, alguns empenhados em acabar com os intermediários, tornando-se políticos e governantes. Essa geléia só se desfará pela ação da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário e da mídia. Só que essas instituições também podem ser contaminadas pelos bandidos…

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EXEMPLO A SER SEGUIDO

Vai uma historinha capaz de demonstrar que ainda honestidade e malícia às vezes se acoplam. Nos primórdios do governo Castello Branco, convidada para primeira presidente do hoje extinto Banco Nacional de Habitação, a deputada Sandra Cavalcanti cumpria à risca as finalidades do novo órgão.

O BNH foi criado para gerir os imensos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço,
mecanismo que substituiu a proibição de ser demitido todo trabalhador que completasse dez anos na mesma empresa.
O objetivo era usar aquela fábula de dinheiro para a construção de casas populares, para operários. Logo o todo-poderoso Roberto Campos, ministro do Planejamento, implicou com dona Sandra, sustentando que o FGTS também deveria ser usado para financiar residências para todo mundo, da classe média aos milionários. E começou a sabotar o Banco Nacional de Habitação.

Sandra percebeu onde mr. Bob Fields queria chegar, precursor do neoliberalismo exacerbado, e pediu uma reunião com o presidente Castello Branco e seu ministro. Contava com muita graça que esmerou-se no visual. Naquele tempo as mulheres usavam luvas e chapéus.

No palácio das Laranjeiras, teve a palavra e começou a discorrer sobre o sentido social do BNH e até citou os livros de um economista alemão, Von Brauskki, que defendia investimentos maciços para residências do menos favorecidos. Naquele momento foi interrompida pelo sarcasmo de Roberto Campos, que disse ao presidente estar ultrapassada aquela corrente econômica voltada para o social, em nome da livre concorrência. E acrescentou já haver lido toda a obra do economista alemão, superado pela escola americana.

Diante de um Castello Branco sempre deslumbrado pela cultura e a inteligência de Campos, Sandra levantou-se, calçou as luvas e pediu demissão irrevogável da presidência do BNH. O presidente, surpreendido, quis saber porque, e a deputada respondeu que aquele economista alemão não existia, que ela o tinha inventado na hora, mas o ministro do Planejamento já tinha lido toda a sua obra…

POR QUE O SENADO VÊ COM CAUTELA A ABERTURA DE CPI PARA INVESTIGAR CACHOEIRA?

A Agência Brasil diz que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados para investigar os negócios do empresário Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, e que já tem apoio parlamentar necessário para ser aberta, ainda é vista com cautela no Senado. A postura de senadores da base aliada e da oposição é aguardar a instalação dos trabalhos do Conselho de Ética, na terça-feira, quando será escolhido o relator..

Caberá ao relator do conselho de um eventual processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento nos negócios ilícitos de Cachoeira, requerer à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, para análise, todo o inquérito da Polícia Federal, inclusive os anexos.

Senadores ouvidos pela Agência Brasil disseram que só a partir da análise desse material é que se terá condição de decidir se cabe ou não a instalação de uma CPI, vejam como estão cautelosos. Será que Cachoeira se tornou um personagem de Hitchcock. do tipo “O homem que sabia demais”?
Talvez não seja por mera coincidência que o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), culpe o governo de ingerência para que não haja qualquer abertura de CPI, seja pela Câmara ou pelo Senado. Ele acusa a Polícia Federal e a Procuradoria de realizarem um “vazamento seletivo” das informações contidas no processo. “Houve uma orientação política nesses vazamentos, explícita para esconder outros nomes”. Será mesmo?

Álvaro Dias disse, ainda, que não há qualquer possibilidade de a oposição deixar de apoiar uma eventual abertura de CPI para investigar os negócios e as pessoas envolvidas no esquema comandado por Cachoeira.

Ressaltou que qualquer apoio da oposição dependerá, também, dos partidos da base aliada apoiarem uma CPI para investigar denúncias de desvios de dinheiro público praticadas em várias áreas do governo, principalmente na área da saúde. “Seria uma CPI da Corrupção”, adiantou.
Mas parece que o governo quer tudo, menos CPIs que abordem temas políticos. Ainda não saiu nem mesmo a tal CPI da Privataria Tucana, porque o PT também tem podres em matéria de privatização.
E a roda continua girando.

07 de abril de 2012

E QUAIS SÃO AS BOAS?!

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

A BUSCA DO PASSADO


SÃO PETERSBURGO – Só agora, olhando as largas janelas do hotel “Astoria”, em frente à belíssima catedral de Santo Isaac, aqui em São Petersburgo, descobri porque, 55 anos depois, resolvi voltar mais uma vez, pela quinta vez, a Moscou e São Petersburgo. É apenas o gesto inútil e magnificamente feliz de, aos 80 anos, reencontrar o passado.
Tristão de Athayde ensinou e usei como subtítulo de meu livro “A Nuvem” que “o passado é o que ficou do que passou”. Dali, de uma daquelas janelas, na noite de muito frio de 20 de agosto de 1957, escrevi uma carta de 10 laudas, à mão, letra clara, a meu irmão, que a guardou por meio século, como outras. (Essa, com papel timbrado do Hotel Astoria).

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HERMITAGE

1 – “Meu caro José, poderia ter imaginado tudo, menos que um dia viesse escrever a você daqui deste canto do mundo, próximo ao pólo norte. Da janela mais alta do “Hotel Astoria”, ai em cima na foto, estou vendo uma cidade fria, cinzenta, ensombreada, nuvens baixas. No entanto, estamos no verão e os russos tomam sorvete pelas ruas, pensando já no frio e na neve que se aproximam , com 20, 30 e mais graus abaixo de zero.

2 – “Apesar disso, Leningrado, antiga São Petersburgo (a cidade de Pedro o Grande e Catarina da Rússia) e capital do país até 1918, é linda. Mais que Moscou, que é imensa com seus 8 milhões de habitantes, avenidas enormes, mas de arquitetura pesada, toda igual, monótona”.

3 – “Participei do Festival Mundial da Juventude em Moscou. Até agora tenho me dedicado principalmente a colher dados, fazer fotografias, conhecer de perto a vida do povo para escrever um livro, que já iniciei, sobre os países socialistas.A condição de jornalista me tem ajudado muito”.

4 – “Leningrado, antiga capital, era a cidade dos reis russos. Passei horas andando por dentro do palácio onde moravam. São 1.500 salas e salões, todos dourados, um luxo de espantar. Só agüentei percorrer uns 300. Hoje é o museu Hermitage, dos mais famosos do mundo, cheio de quadros, estatuas, mais de 2 milhões de obras de arte do mundo . Calcule 1.500 salas como a igreja de São Francisco em Salvador, para um rei e uma rainha”.

5 – “Leningrado tem 4 mil hectares de parques e jardins públicos, 101 ilhas, 65 canais, 48 pontes e 3 milhões de habitantes (hoje, 5 milhões). A cidade foi cercada três anos, de 1941 a 44, pelos alemães e bombardeada. Todos os prédios atingidos foram reconstruídos como eram antes. A grande figura é Lenin, o chefe da revolução de 1917, que derrubou o imperio e implantou o governo socialista. No centro da cidade há um grande relógio marcando dez para as sete. Foi a hora em que Lenin morreu em 1924.”

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PUTIN

A Russia sempre foi assim. Orgulhosa, valente, nacionalista, com uma permanente consciência de seu tamanho, de sua força, de seu valor. No Kremlim há um canhão de 40 toneladas, afundado no jardim. Tão canhão que ficou inútil. Também há um sino cuja primeira badalada arrancou-lhe um tampo. E nunca mais tocou. Está lá inútil.
Enganaram-se os Estados Unidos e sobretudo a imprensa serva, servil e serviçal da América Latina quando imaginaram que a queda do muro seria também a queda do povo russo. As surpreendentes vitorias e reeleições de Putim explicam-se ai: os russos vêem nele um defensor de sua história, de sua economia (8 a 10% de crescimento), seu futuro.

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A TURMA

Mas esse é o passado que não passou. As pedras não passam. Ficam, como marco e história. Mas infelizmente os homens não são pedra. Onde estão meus companheiros de 1957, que comigo passavam por estas mesmas praças, discutindo os mesmos sonhos? Passaram, quase todos passaram…
Eramos mais de 200, só do Brasil, entre os milhares do mundo todo. E eles passaram . Roger Ferreira, de São Paulo, Valter da Silveira e José Gorender, da Bahia, Murilo Vaz, do Rio, Araripe, do Ceará, e o surpreendente Napoleão Moreira, pai de meu amigo Mauricio Moreira, simpático, elegante, bem falante, usineiro esquerdista de Alagoas, em um festival de comunistas em Moscou. Nenhum mais aqui, quase ninguém mais aqui.
Ainda bem que penso em Minas e lá estão meus queridos amigos Martha e os irmãos Azevedo. No Rio Grande do Sul lá está o lúcido e incansável Carlos Araujo, menos de 20 anos, o mais jovem de todos nós. Como penso na Bahia e lá continua, irmão de meio século, o então líder da Escola Politécnica, hoje cientista nuclear, o professor Ubirajara Brito.

Sebastião Nery
07 de abril de 2012

EIKE BATISTA ENTRA EM CAMPO PARA ADMINISTRAR O MARACANÃ


Reportagem de Gian Amato e Luiz Ernesto Magalhães, O Globo de quinta-feira 5, revela que o empresário Eike Batista, através da IMX Holding AS, apresentou ao governo Sérgio Cabral estudo de viabilidade econômica para administrar o Maracanã, Estádio Mário Filho. Na hipótese de vencer a concorrência para concessão do palco da Copa do Mundo de 50, agora novamente da Copa de 2014, portanto sessenta e quatro anos depois.

Não se deve colocar em dúvida a qualidade do estudo dirigido por Eike Batista, homem de múltiplas atividades, tampouco o projeto de gestão que certamente já elaborou para tornar lucrativo o projeto. Entretanto, vale lembrar, isso talvez implique numa elevação acentuada de preço dos ingressos.
Mas se tal perspectiva existe, sob o ângulo da privatização, é oportuno considerar que a modernização do Maracanã, cujo custo atinge 900 milhões de reais, obra realizada pela Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez, não foi financiada pelo futuro concessionário, seja ele Eike Batista, como se pode presumir com base no levantamento inicial, seja qualquer outro grupo de negócios.

Como se observa, o Poder Público, no caso o estadual, investe na modernização e uma corrente empresarial fatura a administração da obra. Uma ótima transação. Não quero contestar a eficiência de Eike Batista, embora ele atue simultaneamente em tantas frentes, que inevitavelmente lhe faltará tempo para gerir mais uma. Ele está presente na produção de energia elétrica, agora na de petróleo, na Bovespa, no sistema portuário, na despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, na mineração, até na hotelaria, que terá de forma inevitável de delegar tarefas.

Mas esta é outra questão.O fato essencial, sob o ângulo do governo RJ, é a figura da transferência administrativa das responsabilidades que lhe cabem pela Constituição Federal. A figura jurídica de estado representa o exercício do poder dentro de determinado território e inclui, nessa tarefa, a administração dos bens públicos.

Assim, o ato de conceder significa a transferência do exercício do poder estatal para o universo particular. Está sujeito a limitações, trata-se de renúncia de parcela do poder conquistado nas urnas por sua transferência a quem não se encontra investido de mandato público.

O mesmo acontece – como outro dia me lembrava o economista Filipe Campelo – com a transferência da administração da rede pública de saúde para Organizações Não-Governamentais.

Quer dizer, indiretamente, que o secretário Sérgio Cortes, por exemplo, declina da sua obrigação de administrar hospitais públicos e, para usar imagem freudiana, transfere o peso da responsabilidade para as mãos de outros. Se transfere, reconhece tacitamente sua própria limitação, já que, logicamente, ninguém irá pagar por serviços que ele próprio se julga capaz de realizar.

Não achando isso, passa a responsabilidade para frente, sem dúvida elevando as despesas públicas, já que ONG alguma trabalha de graça. Nem tal hipótese seria possível.Mais um degrau, portanto, da escada de transferência da responsabilidade estatal para o universo privado. Onde estará o fim da escada?

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ADVOGADO DE CACHOEIRA

Leio no Estado de São Paulo de sexta-feira que o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, aceitou ser o advogado de defesa do empresário Carlinhos Cachoeira. Thomaz Bastos foi titular da Justiça durante o primeiro governo Lula. Não será bom para ele, sob a ótica da opinião pública, assumir este novo mandato. Ele que já atua na defesa de um réu do mensalão.

NUNCA TEVE NÍVEL E AGORA TAMBÉM NÃO TEM

No exercício da presidência do Senado, na ausência de Sarney, a ex-política petista Marta Suplicy, tem dado um show de grossura e baixo nível. Comanda a mesa como ordena os serviçais da sua casa. Escorada no mandato de oito anos, confronta a tudo e a todos, até mesmo o próprio partido, pelo qual não quer trabalhar. A única coisa que a move é o recalque que sai pelo botox cada vez menos eficiente, especialmente contra Serra e Kassab, que a defenestraram do seu reino. Leiam o artigo medíocre, raivoso, agressivo, barraqueiro que ela publica hoje e concordem: rica e milionária, nunca teve nível. Velha, acabada e rejeitada pelos próprios companheiros, agora também não tem.

Mediocridade agora tem

Três artigos que se entrelaçam nos comentários e nas aspirações sobre a cidade de São Paulo foram publicados nesta Folha na última terça-feira. Vladimir Safatle, sempre instigante e que divide o espaço que ora ocupo, foi ao encontro do pensador Nizan Guanaes no caderno "Mercado" ("O debate municipal é global", 3/4). Ambos apontaram a necessidade de focar nossa cidade de forma arrojada e moderna. Uma cidade para o século que começa. Na seção Tendências/Debates, teve o artigo de Gilberto Kassab, cheio de números e "realizações". Prestou contas do transporte -viajando na direção contrária. Credo. Safatle ponderou que São Paulo, há tempos, não tem prefeito que queira exercer a função para a qual foi eleito. A maior cidade do país virou passagem para diferentes aspirações acompanhadas do desinteresse pela vida da população.
A importância da globalização foi captada por Nizan, quando, inconformado como eu, comparou o que ocorre no Rio e em São Paulo. Já existe a ONU das cidades (CGLU), criada em 2004, para pensar soluções para os grandes conglomerados humanos. Ocupei a primeira presidência. Serra não deu a menor pelota para continuar o que poderia ser um fantástico veículo para São Paulo. Nossa capital adentra o novo século sem apropriar-se dos instrumentos que permitiriam uma revolução com melhorias consideráveis. Penso na implantação da banda larga gratuita tão bombardeada na última campanha como impossível e hoje realidade em outras cidades. Na ousadia que foi o Bilhete Único e a construção de corredores e terminais -projetos que foram descontinuados.

Para dar certo em São Paulo, tem que pensar em soluções inovadoras, como foram os telecentros e os CEUs na periferia, abrindo janelas para os que nunca tiveram. Os que foram construídos na gestão Kassab tiveram seus terrenos comprados e licitações feitas na gestão anterior. O conceito original, de inclusão, foi para o espaço. E o centro? Toda metrópole tem que ter um centro dinâmico, povoado e agitado culturalmente. O centro de São Paulo vivia total degradação. Empréstimo no BID permitiu a recuperação do Mercado Municipal, mas o projeto foi abandonado. Sobraram a cracolândia e os juros de um recurso não usado.

Recordo que o novo na cidade foi feito em quatro anos, após Maluf e Pitta, e num momento difícil economicamente para o Brasil, e não em oito anos com o país deslanchando. Antes não tinha recurso e agora tem! São R$ 20 bilhões a mais que acentuam a diferença entre gestões criativas das medíocres. São Paulo merece um governo que tenha capacidade de pensar coisas novas. Muito mais do que a mediocridade dos últimos oito anos!
(Marta Suplicy escreve aos sábados nesta coluna.)
06 de abril de 2012
coroneLeaks

ECOTERRORISTAS DO AL GREENPEACE, DO AI WWF E DE OUTRAS ORGANIZAÇÕES TENTAM MINAR A RIO+20

 

Eu tenho que explicar para as pessoas como é que elas vão comer, como é que elas vão ter acesso à água, como é que elas vão ter acesso à energia. Eu não posso falar: “olha é possível só com eólica de iluminar o planeta”. Não é. Só com solar, de maneira alguma. [...] Porque ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço, a fantasia.

A partir do momento em que Dilma Rousseff ampliou a pauta da Rio+20, de forma institucional, incluindo o social e o econômico no mesmo patamar do ambiental, passou a sofrer uma saraivada de críticas do ecoterrorismo global que escolheu o Brasil como o seu Afeganistão.
Esta gentalha quer a extinção da pobreza pela forma mais fácil: produzindo menos alimentos e matando um bilhão de pessoas no planeta, em nome da preservação das florestas que os seus donos arrasaram na devastada Europa. A escaladada de calúnias internacionais espalhadas por estes talibãs ambientalistas começou com o Código Florestal e continua com a Rio+20.
O objetivo deles na conferência é gerar uma revolta para poder fundar, em cima dela, o partido político de Marina Silva, a sonhática no discurso e a representante do agronegócio internacional e dos mercadores de carbono nos bastidores. Fiquem de olho no noticiário da jornalistada desinformada e deslumbrada, que tem na proa Miriam Leitão, a economista casada com um jornalista ambientalista, que leva a alcova para os estúdios, via de regra. Eles querem destruir a imagem do Brasil dentro do Brasil, na Rio+20.

Vejam as opiniões:
O Brasil não está fazendo o dever de casa. Fez um discurso muito bonito em Copenhague [na Dinamarca] de que não precisava, mas estava criando metas e planos para os próximos anos, mas ficou só no discurso. E hoje em dia está pior ainda, que nem o discurso é positivo. A verdade é que vamos fazer feio na Rio+20, se o discurso continuar atrasado e desenvolvimentista a qualquer preço.

Nilo D´Ávila, do Greenpeace que tem sede na Holanda, um país que é um atentado ecológico por si só, não reconhecendo que o Brasil está cumprindo com sobras as metas acordadas.

Nosso país hoje não tem legitimidade para coordenar uma reunião que trata de questões ambientais.

João Paulo Capobianco, do Instituto Socioambiental, que já foi a eminência parda de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, de onde promoveu uma verdadeira caçada contra pequenos agricultores do Brasil. Quer maior ecoterrorismo do que dizer que um país com 61% de cobertura nativa, sendo o segundo maior produtor de alimentos, não pode sediar a Rio+20?
 
07 de abril de 2012
coroneLeaks

O EVANGELHO DE JUDAS PARTES 1/5