"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 11 de junho de 2012

PRENDAM A IMPRENSA E DEIXEM JOSÉ DIRCEU SOLTO!

Por um Brasil mais decente! Ou: Márcio Thomaz Bastos lutou pela democracia na ditadura e luta por ditadura na democracia. Ou: Bastos pressiona o Supremo!
O advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, aderiu, no sábado à noite, à campanha contra a imprensa promovida pelo PT desde 2003, intensificada depois que veio à luz o escândalo do mensalão, em 2005, e tornada grito de guerra com a CPI do Cachoeira.
É um tanto constrangedor ver uma das figuras mais estelares do direito, que tem uma história respeitável de defesa da democracia nos estertores da ditadura (foi presidente da OAB entre 1983 e 1985), aderir agora, em plena democracia, a uma forma velada de defesa da ditadura.

Exagero? De modo nenhum! E vou demonstrar isso. O que fez Bastos, que é advogado de um dos 38 réus do mensalão? No programa “Ponto a Ponto”, da BandNews, no sábado, afirmou que a imprensa “tomou partido” contra os réus e tenta influenciar os ministros do Supremo com “publicidade opressiva”. Acusou ainda a imprensa de elevar “a um ponto muito forte o mensalão que vai ser julgado, deixando de lado os outros mensalões”.
É uma fala indecorosa para o advogado que teve influência importante na indicação de pelo menos 8 dos 11 ministros do Supremo. E isso quer dizer, como vou demonstrar também, que Bastos parece considerar ilegítimo o trabalho da imprensa, mas legítima a pressão que ele próprio está fazendo sobre os ministros.

Note-se, de saída, que o ex-ministro da Justiça, petista de escol, conselheiro de todas as horas de Lula e hoje advogado de Carlinhos Cachoeira, está repetindo as palavras de José Dirceu no encontro da Juventude Socialista. no mesmo sábado. Este monumento moral da política brasileira cobrou que a UNE vá às ruas em sua defesa e em protesto contra o que chamou “monopólio da mídia”. No mesmo evento, lembro à margem, Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio, “inocentou” a entidade de todas as acusações de malversação de recursos públicos e atribuiu as denúncias — que são, na verdade, evidências — a uma espécie de conspiração dos inimigos, atacando, por óbvio, ainda que de maneira velada, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e imprensa. Paes recomendou a Daniel Iliescu, presidente da UNE, “casca grossa” para suportar as injustiças… Pois é! Se a UNE, agora, não puder mais pegar dinheiro público, comprar uísque e apresentar notas frias na prestação de contas, onde é que fica a liberdade dos camaradas, não é mesmo, prefeito?

Eis aí uma das grandes contribuições à cultura democrática dos nove anos de poder petista: a agressão ao trabalho da imprensa independente, a que Bastos adere agora, muito à sua maneira, com a elegância de quem pretende, na aparência ao menos, cultivar ideias que Musil chamaria “magras e severas”, mas que, na essência, remetem aos regimes balofos, de repúblicas bananeiras, pautadas pela impunidade, pela lambança, pelo autoritarismo, pelo mandonismo, pela imposição da vontade dos donos do poder. Cumpre não exagerar no papel de resistência de Bastos durante o Regime Militar. Não foi flagrado em nenhum grande momento de heroísmo, mas se alinhou, sem dúvida com a defesa da democracia quando o regime já dava sinais de fraqueza. Hoje, em pleno regime democrático, nós o flagramos com essa conversinha de cerca-lourenço, que busca pôr em dúvida o papel da imprensa.

“Ah, então a imprensa não pode ser criticada?” Pode, sim! Eu mesmo faço muito isso aqui. Volta e meia, chamo alguém para o debate, para irritação de uns tantos. O confronto de ideias se dá na prática, dado que os veículos de comunicação não comungam de pontos de vista idênticos sobre os mais variados assuntos. Nas universidades, o jornalismo é objeto constante de análise e crítica. Ocorre que não é isso que Bastos está fazendo — nem lhe caberia mesmo esse papel, já que ele é, sob muitos aspectos, parte interessada no assunto. Lembremo-nos que foi da sua cabeça de criminalista que saiu a principal tese de defesa do governo: o mensalão teria sido apenas caixa dois de campanha.

Ora, meus caros, não é por acaso que Lula nomeou para a Justiça não um advogado constitucionalista, mas um advogado… criminalista! Na impossibilidade de declarar a plena inocência de seus clientes, sua estratégia de sempre é a chamada redução de danos: “Cometeu um crime, sim, mas não esse que dizem, outro”. Ou ainda: “Cometeu o crime, sim, mas é preciso ver que as circunstâncias…” Um constitucionalista tende a lidar com essencialidades; um criminalista é, antes de tudo, um pragmático. Num governo petista, saber lidar de modo pragmático com ações criminosas é uma exigência profissional.

Intimidação

Bastos está tentando intimidar o trabalho da imprensa e do Supremo. Como é mesmo? “O diabo sabe porque é velho, não porque é sábio…” O advogado é experiente o bastante para saber que sua fala ganharia visibilidade — abre hoje uma página de política da Folha, por exemplo. O objetivo é despertar nas redações uma exigência ética, a saber: garantir aos mensaleiros o direito ao “outro lado”, como se cada reportagem que se fez e se faz a respeito desde 2005 não comportasse a versão dos acusados. Cria-se uma acusação falsa — a do suposto linchamento — para tentar induzir um resposta que transforme aqueles episódios numa guerra de versões.

Muitos farão gostosamente o que Bastos quer. Outros, inocentes ou tontos, cairão no truque de maneira miserável, a ponto de descaracterizar o tal “outro lado”. Atenção! Ouvir as explicações das personagens envolvidas numa notícia não muda a natureza dos fatos. Aproveito aqui para chamar a atenção de vocês, desde já, para uma questão relevante: AINDA QUE OS 38 ACUSADOS VENHAM A SER ABSOLVIDOS DAS ACUSAÇÕES CRIMINAIS — E NÃO COLOQUEM ISSO NA CONTA DAS COISAS IMPOSSÍVEIS, PORQUE NÃO É — ISSO NÃO SIGNIFICARÁ QUE AQUILO A QUE SE CHAMOU MENSALÃO NUNCA TERÁ EXISTIDO.
O delírio de Lula, Dirceu e, suponho, Bastos é este: inocentados todos, então tudo aquilo terá sido uma farsa. A eventual absolvição terá o condão de fazer sumir da história as lambanças com dinheiro de Delúbio Soares e Marcos Valério, os saques da boca do caixa nos bancos Rural e BMG, o pagamento feito a Duda Mendonça no exterior, o uso de dinheiro público em benefício do partido? Digamos que a maioria dos ministros do Supremo conclua que toda aquela safadeza se fez sem o conhecimento de Delúbio Soares (o tesoureiro), José Genoino (o presidente do partido) e José Dirceu (então chefe inconteste do PT). Isso a que chamarão “inocência” fará sumir aqueles fatos no ralo da história? A propósito: o STF livrou a cara de Antônio Palocci no episódio da quebra do sigilo do caseiro Francenildo. ALGUÉM OUSARÁ NEGAR, POR ACASO, QUE O SIGILO TENHA SIDO EFETIVAMENTE QUEBRADO? Acho que não…

Cinismo

A acusação de Bastos, ecoando a de Dirceu, tem, ademais, um aspecto de escandaloso cinismo. Como nunca antes na história destepaiz, o dinheiro público — da administração direta e das estatais — financia blogs, sites e revistas cuja tarefa é agredir o Supremo, a Procuradoria-Geral da República, a oposição e a imprensa independente.
E se trata de uma ação que não encontra limite nem no crime: a difamação é empalidecida pela injúria, e ambas perdem para a calúnia. Não existe nada parecido em nenhum estado democrático do mundo. E, nesses veículos, à diferença do que se vê na imprensa criticada por Bastos, não existe espaço para o contraditório.
O que se faz é o proselitismo mais descarado, mais abjeto, mais servil. ATENÇÃO! Não se trata de uma visão alternativa àquela da chamada grande imprensa. Trata-se do uso do dinheiro público para fazer a defesa de um partido. A maior parte da receita das empresas jornalísticas tem origem no setor privado. Aquela gente faz outra coisa: apropria-se de recursos públicos — que a todos pertencem, petistas e não-petistas — para defender… petistas! Que o Ministério Público jamais tenha se interessado por isso, eis um fato por si mesmo escandaloso.

Bastos é que pressiona o Supremo!

Ao citar o caso Nardoni como exemplo de julgamento injusto (não vou entrar no mérito, ou este texto não tem fim), Bastos foi indagado se o mesmo poderia ocorrer com o mensalão. Respondeu: “Não estou querendo dizer, mas tenho medo que ocorra. Será possível fazer um julgamento com uma publicidade opressiva em cima?” Advogado hábil, no entanto, ele resolveu dar um voto de confiança aos ministros do Supremo — ajudou a escolher 8 dos 11: disse acreditar que essa pressão da imprensa chegará ao tribunal “muito esbatida “.
Huuummm…

Como gosto de escrever aqui (e com elas ganho a vida), “as palavras fazem sentido”. Advogado de defesa de um dos réus, ele, obviamente, considera que o tribunal agirá certo se absolver o seu cliente (e, suponho, os demais). Ocorre que Bastos vê uma “publicidade opressiva” da imprensa e enxerga o risco de que isso influencie o Supremo. Ora, essa influência que ele vê como nefasta só acontecerá, então, se os ministros condenarem os réus, certo? Mas ele é generoso, sabem? Acha que os membros da corte saberão resistir, experientes que são, de modo que a pressão chegará já “esbatida”, fraquinha, atenuada. Entendi. Bastos está dizendo, num exercício elementar de lógica, que os ministros só provarão a sua independência se absolverem os réus. Caso os condenem, então terá sido um sinal de que se deixaram pautar por esta imprensa maligna.

Ora, meus caros, por que, então, não podemos fazer, com igual — na verdade, com muito mais — legitimidade o mesmo raciocínio, mas com conclusão diametralmente oposta? “Se os ministros realmente forem independentes, não se deixarão influenciar por gente como Bastos e vão condenar os réus”. E por que digo que, no nosso caso, o raciocínio é mais legítimo? Por dois motivos:
a) sejam os réus absolvidos ou condenados, o conjunto de crimes a que se chamou mensalão existiu, é fato documentado, inequívoco. Como são atos criminosos, o natural é que haja culpados e que eles sejam punidos;

b) não há um só ministro da corte que deva qualquer coisa à imprensa — e, portanto, não teriam de compensá-la com nada. Com Bastos, é diferente. Sabe-se que ele foi voz influente na indicação de pelo menos oito membros da corte.

Atenção! As palavras fazem sentido! Não estou assumindo esse ponto de vista. Estou apenas demonstrando que, se o tema é independência dos ministros do Supremo — e foi Bastos quem escolheu esse campo argumentativo —, mais ele do que a imprensa ou a sociedade detém instrumentos de pressão. A imprensa que se preza tomou partido, sim, senhor Márcio Thomaz Bastos! O mesmo partido da esmagadora maioria dos brasileiros decentes: o fim da impunidade. Não lhe parece bom?

Afirmei que esse advogado lutou pela democracia na ditadura e agora luta pela ditadura na democracia. Exagero? Não! Ao criticar de maneira leviana o trabalho da imprensa, está engrossando o coro daqueles que querem subordinar o jornalismo independente aos interesses de um partido político. O petismo lutou para criar meios formais de controlar e censurar a imprensa — ainda se esforça por isso. Como seu intento não prospera, investe, de forma malsucedida, na tentativa de criar um clamor público conta a liberdade de pensamento.

11 de junho de 2012
Por Reinaldo Azevedo

ESTATAIS SE BLINDAM CONTRA A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO

Inicialmente inseridas na nova lei de transparência, empresas foram pouco a pouco sendo isentadas da obrigação de informar o cidadão com a justificativa de não prejudicar os negócios
 
governo na internet
Estatais argumentam que, em um mercado competitivo, precisam se proteger (Thinkstock)
A nova Lei de Acesso à Informação, que veio com a promessa de abrir ao cidadão as informações de órgãos e empresas ligadas ao governo federal, deu com a cara na porta das estatais. Com o argumento de que precisam se proteger dentro de um mercado competitivo, essas empresas se mobilizaram para que não tivessem de estar sob o mesmo rigor da lei de transparência que os outros órgãos públicos. Receberam do governo, então, a autorização para classificar, elas próprias, as informações que seriam ou não estratégicas e definir, assim, o que divulgar para o cidadão.

Obviamente, faz todo sentido proteger dados relacionados diretamente com a atividade fim de empresas públicas e mistas, onde muitos cidadãos investem seu dinheiro por meio da compra de ações, com o objetivo de evitar o comprometimento de seu desempenho diante da concorrência.

O problema é que as estatais quiseram se livrar da responsabilidade pela transparência no atacado, conseguindo que o texto da lei deixe uma margem de manobra que permitiria o uso da justificativa do interesse econômico para negar informações, por exemplo, de interesse político.

“O decreto que regulamenta a lei foi muito mal redigido, acho até que propositalmente. Acredito que houve pressão das próprias estatais e, pelo conhecimento que tenho do assunto, a Advocacia Geral da União (AGU) também agiu nesse sentido, para se posicionar melhor perante eventuais litígios no futuro”, afirma Fabiano Angélico, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas especialista em transparência pública..

A redação da lei 12.527, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em novembro do ano passado, deixava claro que todos os órgãos públicos, incluindo as estatais, teriam de abrir suas informações para o cidadão. No dia seguinte a entrada em vigor da lei, em 16 de maio, um decreto regulamentador restringiu a divulgação de dados das empresas públicas em regime de concorrência como a Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil , às normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que já acontecia antes da lei. Ou seja, na prática, nada mudou para essas empresas com a Lei de Acesso à Informação.

Leia também:

Falta de regulamentação pode atrasar eficácia da Lei de Acesso à Informação
CGU: "No início, não haverá a agilidade desejada"

Para completar, uma portaria do Ministério do Planejamento, publicada em maio, que determinava a divulgação dos salários de servidores de órgãos e empresas públicas federais deixou de fora as estatais em regime de concorrência e liberou as demais de publicarem a informação no Portal da Transparência do governo federal. “As estatais foram saindo de fininho. A lei as englobou. O decreto já mencionou as normas da CVM. E a portaria sobre os salários também as excluiu. Aliás, atribui-se a demora na publicação do decreto à pressão das estatais junto à Casa Civil”, afirma o economista e secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco.

A própria Controladoria-Geral da União (CGU) admite que os pedidos de informação às estatais dentro da nova lei serão avaliados caso a caso pelas próprias empresas. “O conceito de ‘informação estratégica’ deverá ser estabelecido no caso concreto, levando-se em consideração o princípio da não divulgação das informações que possam acarretar prejuízos à competividade, à governança corporativa e, quando houver, aos interesses dos acionistas minoritários”, informou a CGU por meio de nota. Segundo a controladoria, não é possível determinar a priori as informações que são consideradas estratégicas, e ressalta que “se uma estatal invocar o sigilo comercial, por exemplo, para negar acesso a uma informação, ela terá de fazê-lo de modo fundamentado, e estará sujeita aos mecanismos de revisão da negativa ou da classificação da informação”. Se o requerente quiser realmente levar até o fim o pedido de informação, é preciso paciência. Se tiver que passar por todas as instâncias, o recurso pode levar mais de quatro meses.

“Infelizmente, a lei como está hoje, não fará muita diferença na transparência das sociedades de economia mista. Essas empresas estão sujeitas à regulamentação da CVM, que não é muito rigorosa nesse respeito. Na prática, as estatais vão divulgar o que quiserem”, explicou o consultor em Direito Público Manoel Joaquim Reis Filho. Diante das negativas das empresas, muitos solicitantes podem procurar a Justiça para ter acesso às informações.

Todas as regulamentações que acabaram por praticamente excluir as estatais da Lei são frutos da gestão direta junto à Casa Civil da Presidência da República. A Caixa Econômica Federal admitiu, em nota ao Site de VEJA, ter mantido reuniões com autoridades sobre o assunto. "Assim como outras instituições envolvidas, em reuniões com as esferas do governo que trataram da implementação da Lei de Acesso à Informação, a CAIXA também demonstrou suas especificidades como empresa pública que atua em regime de concorrência", diz a nota, que afirma que a CEF "se propõe a seguir as diretrizes estabelecidas pela LAI, contudo sem expor a sua estratégia de negócios".

Classificação Especialistas apontam dados técnicos relacionados à atividade produtiva da empresa, informações sobre licitações, pesquisas, novas tecnologias e segredos industriais como exemplos de dados que podem ser classificados como estratégicos e que devem ser protegidos. Porém, questionam a falta de obrigatoriedade na divulgação de informações como patrocínios, doações, relatórios de viagens e detalhes de contratos.

“Esse tipo de informação é estratégica politicamente, não em termos de concorrência”, explica o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília, David Fleischer. “Por exemplo: estamos vendo que nos últimos anos a Petrobras deu muito dinheiro para ONGs ligadas ao PT, especialmente na Bahia, onde o Sérgio Gabrielli (ex-presidente da petrolífera) vai ser candidato a governador em 2014”, acrescentou. Em 2009 a estatal chegou a ser alvo de uma CPI por suspeita de irregularidades em patrocínios.

Quando o assunto é salário, as opiniões se dividem. Uns defendem o sigilo para evitar o assédio das empresas privadas sobre profissionais super-qualificados do setor público. Outros acreditam que, por ser uma remuneração paga com dinheiro do contribuinte, deveria ser divulgada.

“O grande problema são os casos intermediários. Mas uma coisa é certa: todos que recebem recursos têm de dar alguma satisfação de como são gastos”, afirmou o conselheiro de administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Carlos Eduardo Lessa Brandão. Ele garante que o acesso à informação nem sempre significa desvantagem competitiva para a empresa. “Um dos princípios básico da boa governança é a transparência, mas é um ponto que continua sempre controverso: encontrar o nível de transparência adequado”, acrescentou.

Barreiras – Um teste feito pela ONG Contas Abertas mostrou que as estatais estão longe de chegar ao nível adequado de transparência. Como consequência, o cidadão que buscar informações nessas empresas encontrará barreiras como demora no atendimento da solicitação e respostas imprecisas.
O Contas Abertas solicitou informações sobre a execução do Programa de Dispêndios Globais (PDG) e sobre os valores aplicados em projetos desportivos a oito estatais: Banco do Brasil, Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Caixa Econômica Federal, Casa da Moeda, Correios, Eletrobras, Infraero e Petrobras.

O PDG é um conjunto de informações econômico-financeiras que representam o volume de recursos e dispêndios a cargo das estatais. A Petrobras pediu prorrogação do prazo, alegando grande volume de pedidos de informação. A Eletrobras indicou dois links em seu site que não funcionavam. A Infraero solicitou que o pedido fosse encaminhado para o Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST).

Sobre os patrocínios esportivos, responderam satisfatoriamente os Correios, a Casa da Moeda, o BNDES, a Infraero e a Caixa Econômica. A Eletrobras encaminhou link de seu site que não continha a resposta solicitada. Foi preciso novo contato para ter a resposta correta. O Banco do Brasil também indicou link em seu site onde não se encontrava a informação e a Petrobras pediu prorrogação de 10 dias para responder, conforme permite a lei.

A reportagem do site de VEJA também encaminhou perguntas sobre os tipos de informação que seriam divulgadas dentro da Lei de Acesso à Informação a três estatais: Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica. As duas últimas enviaram respostas com a indicação de locais em seus sites onde localizar os dados solicitados, mas nem sempre foi fácil chegar à informação. A Eletrobras afirmou ter no seu site as informações sobre salários de funcionários, mas o link indicado levava a uma lista de arquivos PDF com atas da empresa onde o solicitante teria que buscar por si mesmo a informação desejada – contrariando a determinação da Lei de Acesso à Informação de oferta dos dados de maneira clara e acessível. A Petrobras não enviou nenhuma resposta aos questionamentos da reportagem.

Cida Alves - VEJA
11 de junho de 2012

O QUE NÃO FOI INVESTIGADO NO MENSALÃO

Ilimar Franco, O Globo
 
A menos de dois meses do julgamento do mensalão, policiais federais que atuaram nas investigações lembram que muitas coisas que reforçariam a denúncia contra os réus não foram adiante.
Na época, não se autorizou buscas nas casas do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente nacional do PT José Genoino, e do publicitário Marcos Valério. A PF queria ouvir o presidente Lula, mas a PGR segurou o pedido.
Interceptações telefônicas não foram permitidas, assim como investigações no Banco do Brasil e rastreamento de contas no exterior. “Se tiver absolvição, lavo as minhas mãos”, disse um dos agentes envolvidos. Fonte: Blog do Noblat
E os criminosos ainda alegam que houve cerceamento da defesa. José Dirceu diz que não há provas contra ele. As provas disponíveis no site do senado são suficientes para condena-lo a prisão perpétua.
José Dirceu e sua quadrilha tiveram sete anos para preparar a sua defesa. Já apresentaram esta defesa dezenas de vezes.
Por causa do envolvimento de Luiz Inácio Lula da Silva, maior beneficiário do esquema de corrupção, o Procurador Geral da República se acovardou e não apresentou denúncia contra Lula.
Os crimes cometidos são suficientemente provados para que Lula perdesse o mandato.
Chega de covardia. Ou o Brasil acaba com o PT ou o PT acaba com o Brasil (e já está acabando).
 
11 de junho de 2012
Laguardia

BIG BROTHER BRASIL DA BANDIDAGEM


A arrogância do chefe da seita e a docilidade do rebanho reafirmam que a mais notável diferença entre um Napoleão de hospício e um líder político portador da síndrome de Deus está na reação das testemunhas confrontadas com surtos de grosso calibre: enquanto os enfermeiros providenciam a camisa-de-força e um sossega-leão, os devotos batem palmas e berram amém.

A história informa que foi sempre assim.

Assim tem sido com Lula e seus seguidores.

Depois da vitória de Dilma Rousseff em 2010, o maior dos governantes desde Tomé de Souza botou na cabeça que é mesmo onipresente, onisciente e onipotente.

Quem transforma um neurônio solitário em presidente do Brasil pode fazer o que quiser, deduziu o mestre e concordaram os discípulos.

Poderia, por exemplo, tornar-se o primeiro secretário-geral da ONU que não sabe falar sequer a língua do país onde nasceu.

Ou ganhar o Prêmio Nobel da Paz com o apoio militante dos aiatolás atômicos e dos genocidas africanos.

Mas primeiro deveria livrar São Paulo do jugo dos tucanos, decidiu o intuitivo incomparável ao deixar a Presidência.

Para pavimentar o caminho que levaria Antonio Palocci ao Palácio dos Bandeirantes, ordenou à sucessora que garantisse ao estuprador de sigilo bancário uma escala na Casa Civil.

O plano infalível não durou seis meses.

A descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio escancarou as patifarias do consultor de araque, o reincidente acabou despejado do Planalto e hoje usa o direito de ir e vir para driblar camburões na planície.

O fiasco aconselhou o articulador genial a esquecer por uns tempos o governo paulista, mas não lhe reduziu a autoconfiança, nem a ansiedade pela anexação do território paulista aos seus domínios.

Convencido de que quem elegeu um poste de terninho nem precisa suar em palanques para eleger um poste com topete, comunicou ao PT que o prefeito de São Paulo seria Fernando Haddad.

Ele cuidaria pessoalmente de domar os recalcitrantes, silenciar os descontentes, alegrar os amuados, renovar o contrato com a base alugada e, de quebra, consolidar uma surpreendente parceria com o PSD de Gilberto Kassab.

Deu tudo errado.

Prematuramente aposentada pelo dono do partido, Marta Suplicy continua fora da campanha de Haddad.

O PMDB lançou a candidatura de Gabriel Chalita. O PR e o PP avisaram que o acerto nacional não se estende aos municípios e se juntaram à coligação liderada pelo PSDB de José Serra.

Kassab fechou exemplarmente a procissão de adversidades.

Antes de reatar o noivado com Serra, apareceu numa festa do PT como convidado de honra e caprichou na piscadela para Dilma Rousseff.

O SuperMacunaíma que passa a perna em todo mundo foi ostensivamente tapeado por Gilberto Kassab.

Lula achou que decidiria a disputa em São Paulo com meia dúzia de comícios.

Neste junho, enquanto tenta submeter os interesses do PT à vontade do governador pernambucano Eduardo Campos, para celebrar um acordo com o PSB que amplie o espaço de Haddad no horário eleitoral, o campeão das urnas anda pedindo votos para o afilhado até em festa de batizado.

Mergulhados na mudez dos nascidos para obedecer, os devotos contabilizam sem queixas os estragos causados por outros dois surtos do homem que mesmo depois do câncer insiste em confundir-se com Deus.

Um deles resultou na primeira CPI da história parida pelo próprio governo.

Concebida para decretar a morte política de inimigos goianos, a CPI da Vingança também atrairia atenções até então monopolizadas pelo julgamento dos mensaleiros.

Mais um fiasco.

Sem a CPI do Cachoeira, Demóstenes Torres e Marconi Perillo dificilmente sobreviveriam às bandalheiras reveladas pela Polícia Federal.

11 de junho de 2012
Augusto Nunes


Graças ao que se transformou na CPI da Delta, ambos deverão afundar abraçados a Sérgio Cabral, Agnelo Queiroz, Fernando Cavendish e ao resto do bando enlaçado pelo polvo administrado por Fernando Cavendish.

O segundo surto fez Lula acreditar que quem nomeia oito ministros vira presidente de honra do Supremo Tribunal Federal, com direito a antecipar ou adiar julgamentos e, em casos de alta periculosidade, fixar o resultado da votação.

Para não atrapalhar a campanha do PT, entendeu que o julgamento do mensalão deveria ocorrer só em 2013.

Ordenou ao revisor Ricardo Lewandowski que retardasse a conclusão do relatório.

Ordenou a Dias Toffoli que ignorasse os muitos motivos para declarar-se sob suspeição e votasse a favor dos culpados.

Já começava a comemorar o sucesso da sequência de achaques quando o país ficou sabendo do que houve no desastroso encontro com Gilmar Mendes.

Graças ao lobista trapalhão, o STF recuperou a agilidade. Lewandowski foi informado de que precisa terminar o serviço ainda neste mês.

O julgamento vai começar em 1° de agosto.


Até o fim de setembro, uma cadeia nacional de rádio e TV transmitirá ao vivo esse Big Brother Brasil da Bandidagem. Lula merecia ser convidado para apresentá-lo.

Em 2010, colérico com as críticas formuladas por Fernando Henrique Cardoso, o cacique incapaz de aceitar o convívio dos contrários avisou que, assim que deixasse o cargo, ensinaria ao antecessor como deve comportar-se um ex-presidente da República.
De lá para cá, FHC manteve a postura digna de sempre.

Lula está cada vez mais parecido com José Sarney e Fernando Collor.

MISSÃO NO HAITI JÁ CUSTOU QUASE R$ 2 BILHÕES EM OPERAÇÃO NO HAITI

Jornal: Brasil gasta quase R$ 2 bilhões em operação no Haiti
 
A operação militar do Brasil no Haiti - que seria uma missão emergencial de seis meses, com um custo previsto de R$ 150 milhões - completou neste mês oito anos de duração, a um preço de quase R$ 2 bilhões, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.
 
Iniciada em 1º de junho de 2004 como parte do plano do governo Lula para obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, a operação consumiu até agora mais de seis vezes o que foi gasto pelo governo federal com a Força Nacional brasileira entre 2006 e 2012.
 
De acordo com o jornal, valor é de R$ 1,97 bilhão, já descontada a inflação do período. Uma parte dos gastos do Brasil no Haiti é reembolsada pela ONU, responsável pela missão de paz. Até outubro do ano passado, foram R$ R$ 328 milhões, apenas 25% do total.
 
11 de junho de 2012
Terra/montedo.com

O HAITI É AQUI

Após 8 anos, Brasil gastou quase R$ 2 bilhões com ação no Haiti. E agente aqui, vivendo em casa atrás das grades; sofrendo arrastão nos bares e restaurantes, explodindo juntos num só ritmo com os caixas eletrônicos... O Haiti é aqui.
11 de junho de 2012
sanatório da notícia

NÚMEROS

Veja fotos da Parada Gay

Parada Gay reuniu 270 mil, diz Datafolha em medição inédita. Dizem que o movimento já pensa inclusive em entrar com uma ação contra o visível preconceito contido nas grades usadas pelos pesquisadores. Só eles não viram que tinha mais de 4 milhões na Avenida. A maioria travestida de Tim Maia

11 de junho de 2012
sanatório da notícia

CARTA CAPITAL VASCULHA PASSADO DE GILMAR MENDES

A pedido do comentarista Fábio Santos, estamos postando matéria do site 247 que repercute recente denúncia da revista Carta Capital sobre o ministro Gilmar Mendes.

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FRAUDE E SONEGAÇÃO

247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, acaba de receber um tiro no peito, desferido pela revista Carta Capital. Reportagem assinada pelo jornalista Leandro Fortes resgata um processo judicial em que um ex-sócio de Gilmar o acusa de desvio de recursos e sonegação fiscal no Instituto de Direito Público, uma escola, nos arredores de Brasília, que conta com diversos luminares do meio jurídico.

O nome deste ex-sócio é Inocêncio Coelho. Em sua representação contra Gilmar, ele o acusa, segundo a reportagem, de “fazer retiradas ilegais do instituto, desfalcar o caixa da empresa e exigir pedágio dos outros sócios para servir, como ministro do STF, de garoto-propaganda da instituição educacional”.

Coelho teria sido o administrador do IDP e alega ter se insurgido contra os desmandos na instituição, que, no ano passado, arrecadou cerca de R$ 2,4 milhões em convênios com órgãos ligados ao governo federal, organizando palestras ligadas ao meio jurídico. Diz o ex-sócio que Gilmar teria feito retiradas para custear despesas particulares, prometendo acertos futuros, que, segundo ele, jamais ocorreram.

As denúncias foram apresentadas por Coelho no dia 7 de abril de 2011. Depois disso, o advogado Sergio Bermudes, que defende Gilmar Mendes, entrou com pedido para que o processo tramitasse em segredo de Justiça. O ministro do STF também passou a atribuir a Coelho as causas pela má situação financeira do IDP. Nesse imbróglio, até mesmo uma auditoria chegou a ser feita, apontando que o IDP estaria “sem capacidade para pagar seus compromissos de curto prazo”.

A seu favor, Mendes contou com um parecer da Advocacia-Geral da União, assinado pelo atual ocupante do cargo, Luís Inácio Adams, validando a remoção de Inocêncio Oliveira do cargo de gestor do IDP.

O mais intrigante, no entanto, é que o processo foi encerrado, ao custo de R$ 8 milhões. Este teria sido o preço do silêncio de Inocêncio Coelho. A questão, agora, é: quem pagou?
Em nota, Gilmar Mendes afirmou que as irregularidades apontadas na auditoria foram sanadas e que a dívida foi quitada por meio de um empréstimo bancário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

Inocêncio Coelho exerceu o cargo de procurador-geral da República, nomeado pelo presidente da República João Figueiredo. Ele era sócio do Instituto Brasiliense de Direito Público e foi demitido do cargo de administrador.

Inocêncio Coelho recorreu à Justiça em agosto de 2010 para voltar a ser administrador do Instituto, que possui forte atuação no ramo de cursos de especialização e mestrado e também oferece graduação em Direito. Coelho alegou ter sido retirado do comando do instituto por uma decisão supostamente irregular da assembléia – o quorum seria insuficiente para tanto. O instituto tem como um dos sócios o ministro Gilmar Mendes.

A denúncia é antiga e nada prova realmente contra Gilmar Mendes. Por enquanto, ficou demonstrado apenas que a Carta Capital tomou posição favorável a Lula na questão do julgamento do mensalão. Era de se esperar esse posicionamento.

O SHOW DE MESSI

DIRCEU: DESESPERADO OU CONFIANTE?

 
Importa menos se José Dirceu anda “desesperado”, como comentou o Lula ao ministro Gilmar Mendes. Ou se está confiante, como fala Rui Falcão, presidente do PT. A verdade é que pela primeira vez o ex-chefe da Casa Civil saiu da casca, quer dizer, abordou de público a iminência de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Foi sábado, no Congresso Nacional da União da Juventude Socialista, do PC do B, no Rio. Falando aos jovens, Dirceu referiu-se à “batalha final”, ciente de que será o primeiro dos 38 réus do mensalão a ser julgado pela mais alta corte nacional de justiça. Para ele, uma batalha política que deve ser levada para as ruas, como forma de neutralizar a ação da mídia, em suas palavras engajada em sua condenação.

Apesar de seus 63 anos de idade, acentuou aos jovens na platéia tratar-se o mensalão de um processo de julgamento da “nossa” geração. Geração de quem, dele ou dos meninos que o escutavam?
Mesmo assim, é preciso dar ao réu o benefício constitucional de que todo mundo é inocente até que se lhe prove a culpa. Não restam dúvidas de que os meios de comunicação, com exceções, referem-se a ele como já condenado. Não haverá que confundir a acusação do ex-Procurador Geral da República, chamando-o de “chefe da quadrilha”, com a sentença ainda não exarada pelos ministros do Supremo.

José Dirceu poderá ser absolvido ou condenado, diriam o Conselheiro Acácio e seu sucessor, o desaparecido Pedro Bó, no que teriam razão. O importante, no caso, é verificar que seu julgamento, como o dos outros 37 mensaleiros, é mesmo político, além de jurídico. Afinal, diz respeito a um dos maiores escândalos dos últimos tempos, o uso de dinheiro reunido pelo PT para comprar o apoio de deputados de outros partidos.
Conforme os autos, numa operação envolvendo o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, com gabinete ao lado do então chefe da Casa Civil, no palácio do Planalto.

Não deixa de ter razão o ex-líder estudantil quando protesta por haver sido linchado, mas erra ao sustentar como absurdo que precisa provar sua inocência. Afinal, foi juridicamente denunciado e acusado, ou seja, defender-se é sua obrigação.

Os onze ministros do Supremo julgarão segundo o conteúdo do processo, mas estarão imunes aos efeitos políticos do julgamento? Serão influenciados pela negativa repercussão de uma absolvição? Oito foram indicados pelo então presidente Lula e pela atual presidente Dilma, mas a origem de suas investiduras condicionará seus votos? No reverso da medalha, votarão com a orelhas voltadas para a voz rouca das ruas que a mídia parece interpretar?

Não parece fácil para José Dirceu aguardar os primeiros dias de agosto, tanto que só agora, pela primeira vez, admitiu desabafar de público o que trazia no íntimo. Desesperado ou confiante, cabe-lhe aguardar o veredicto, mas, convenhamos, fica difícil imaginar a juventude saindo às ruas para denunciar uma conspiração dos meios de comunicação contra a óbvia trapalhada dos companheiros. Ou que o Supremo se deixará influenciar…

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NAQUELA MESA ESTÁ FALTANDO UM

Amanhã e depois estarão depondo na CPI do Cachoeira os governadores Marconi Perillo e Agnelo Queiroz. Preparam-se, há dias, para enfrentar os questionamentos de adversários dos respectivos partidos. Os integrantes do PT afiam suas lâminas para deixar mal o governador de Goiás, enquanto os representantes do PSDB decidiram não poupar o governador do Distrito Federal.

A dúvida é saber como se comportarão os deputados e senadores do PMDB, cautelosos para evitar que companheiros ou tucanos, como represália, venham a insistir na convocação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O fato de ter sido barrada sua ida ao plenário da CPI, dias atrás, não significa que não possa ser repetida.

Como assinalou Cláudio Humberto, ontem, não estão em jogo os mandatos de Perillo ou de Agnelo. Nem a CPI dispõe do poder de cassar mandatos, nem os dois governadores deixam de possuir ampla maioria na Assembléia Legislativa ou na Câmara Distrital. O mesmo aconteceria com Sérgio Cabral, com sólido apoio entre os deputados estaduais fluminenses.

O problema para os governadores é que nos dois ou até três depoimentos, acusações de tipos variados serão expostas, enfraquecendo suas postulações futuras.

FIM DE VENDA DE HORÁRIOS DEIXARIA RECORD ABSOLUTA ENTRE EVANGÉLICOS

Numa entrevista ao repórter Venceslau Borlina Filho, Folha de São Paulo de terça-feira, 5, o ministro Paulo Bernardo negou seja intenção do governo Dilma Roussef proibir o arrendamento de horários nas emissoras de televisão, prática usada por correntes que se apresentam como evangélicas no empenho de conquistar audiência e cada vez mais adeptos. Sem dúvida têm alcançado êxito em tal investida.

A Folha de São Paulo foi o jornal que noticiou o fato no domingo e a ele deu sequência na segunda-feira. O jornal sustentou que teve acesso ao texto e nele encontrou o dispositivo propondo a proibição.
O titular das Comunicações, na terça-feira, lembrou que qualquer modificação no Código Brasileiro de Telecomunicações só pode ser feito por lei aprovada pelo Congresso Nacional e não através de decreto como a FSP noticiou originalmente.
Acredito ter havido algum equívoco ou dos que elaboraram o anteprojeto ou da reportagem. Uma das partes deve ter confundido anteprojeto de lei com anteprojeto de decreto. Acontece. Mas isso é o de menos. Pois nas duas situações a decisão final cabe à presidente da República.

À primeira vista pensei que a iniciativa tivesse como motivação de seu redator ou redatores somar pontos para a Rede Globo, em primeiro lugar. E a Record em segundo. Mas Elena, minha mulher, comentando comigo, viu melhor a questão. O texto, tal como a Folha de São Paulo revelou, na verdade só beneficiaria a Record.
Por que isso? Simplesmente porque basicamente a Igreja Universal do bispo Macedo, tio do ministro Marcelo Crivella, não arrenda tempo na TV. Ela, de fato, é proprietária ou coproprietária da emissora. Seria a grande vencedora da transformação do projeto em lei. Estaríamos, eu e Elena certos? Em noventa por cento sim. Mas não totalmente.

Não totalmente porque a FSP, edição de 4 de junho, revelou os mais significativos arrendamentos. O pastor Valdemiro Santiago, em oposição a Edir Macedo, arrenda dez horas semanais na Rede TV, antiga Manchete, emissora na qual está se verificando divergência entre os principais acionistas, Amilcare Dalevo e Marcelo Carvalho, este marido da apresentadora Luciana Jimenez.

O segundo arrendamento de peso é feito pelo pastor R. R. Soares na BAND. Em terceiro, entra apropria Universal na Gazeta de São Paulo, mas com posição nacional pelo sistema de cabo na Net e pela CNT.

Se o arrendamento viesse a se tornar impossível, medida difícil de ser concretizada, sobretudo em função da reação da bancada evangélica que reune 66 deputados do total de 513, a TV Record não seria afetada. A Universal deixaria de arrendar tempo na Gazeta-SP.

A Universal – acrescenta a FSP – já possui 5 mil templos no Brasil. Templos também possui em diversos países. Segunda em audiência no país representa uma forte organização empresarial.

Tem um desempenho impressionante. Porque quando o jornalista Roberto Marinho fundou a Globo, em 1965, já possuia O Globo e a Rádio Globo. Partiu de uma posição consolidada no meio das comunicações. Edir Macedo, pelo que sei, saiu do zero para o sucesso.
Mas por falar em arrendamentos, alguns causaram dor de cabeça às empresas que concordaram em vender espaços permanentes a médio prazo. O exemplo mais forte é o da Globo com Sílvio Santos.

O apresentador, inegavelmente de presença marcante na tela, evoluiu por esse caminho. Quando Bonifácio Sobrinho percebeu o erro de criar um concorrente, levou a Globo a não renovar o contrato.
Era tarde, Silvio Santos alcançara uma audiência expressiva e obteve igual arrendamento na antiga TV Tupi. Quando esta desapareceu do ar de 79 para 80, o empresário do Baú da Felicidade obteve do governo João Figueiredo a concessão para fundar o SBT. Não fosse o espaço que comprou da Globo, Sílvio Santos não teria conseguido criar o SBT. Coisas da Vida.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

A CHINA DE BRAGA

Leopoldo Braga foi um grande poeta baiano. Humberto Braga, seu filho, é um fecundo intelectual baiano. Professor de Filosofia e Direito, foi secretário e principal cabeça pensante do exemplar Governo Negrão de Lima, na antiga Guanabara. Depois, ministro e presidente do Tribunal de Contas do Rio.
Mas é sobretudo um homem de cultura, Em 1979, quando a China ainda não havia invadido o Ocidente com sua milenar sabedoria e capacidade de trabalho, produção, e criatividade, e era apenas um distante, longínquo e misterioso dragão do Oriente, Humberto Braga esteve lá e previu o que só agora, décadas depois, estamos vendo e sabendo.

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ORIENTE VERMELHO

Na volta, publicou um primoroso livro de viagem, editado pela Civilização Brasileira: “ O Oriente é Vermelho”. Os livros de viagens vadias costumam ser vadios, às vezes supérfluos, muitas vezes inúteis. O de Humberto era um modelar roteiro sobre a China, que calorosamente saudei aqui, porque, tendo estado lá anos antes, não havia percebido detalhes fundamentais, que ainda não encontrara em outros livros.
Para entender os mistérios daquela terra e gente que a cada geração surpreende e espanta o mundo, inclusive agora, com uma estranhíssima e alucinada política econômica e internacional inteiramente contrária a tudo que se sabia da China, é preciso sobretudo buscar desvendar seus segredos em seus clássicos, de Confúcio a Lao Tsé, Chuang Tsé, Sun Ya Tsen e Mao Tsé Tung.
E Humberto Braga nos deu um painel admirável da velha e nova sabedoria chinesa, que reli nestes dias de chuva:

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SABEDORIAS

1. – “Quem escuta os dois lados terá o espírito esclarecido. Quem só escuta um permanecerá nas trevas”. (Wei Tcheng, para os militares não quererem ficar sabendo apenas das próprias versões de suas violências).
2- “As palavras corretas nem sempre são agradáveis. As palavras agradáveis nem sempre são corretas”. (Lao Tsé, para nós todos jornalistas).
3.-“O homem de sabedoria foge ao primeiro sinal de Governo, vivendo o mais afastado possível dos filósofos e dos reis”. (Chuang Tsé, para a Universidade brasileira, excessivamente elitista e governamental).
4.-“Não é por se receber o inimigo que se começa a adotar a sua linha”. (Mao Tsé Tung, para os que se admiraram do encontro de Dilma com Fernando Henrique ).
5. –“Com os anos, a não ser a China, tudo na terra passa” (Eça de Queiroz).
Mais espaço houvera, mais a China eu citaria.

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OLIVEIRA

Meu saudoso colega Oliveira Bastos, talento e cultura que eram um espanto e às vezes desperdício em tantas de nossas medíocres redações, dizia que o fiasco e os tropeços de certa imprensa brasileira existem porque , no Brasil, jornalista não lê, só escreve. Os exemplos são diários.
No fim de semana, um gordinho sinistro da direção nacional do PT, o Pepe Vargas, com esse nome de cantor de bolero em filme mexicano de Chaves, ficou ainda mais histérico e disse que o Supremo Tribunal “cedeu a pressões e não tem austeridade”, porque marcou a data do julgamento do Mensalão de Lula e José Dirceu para começar em 1 de agosto, apesar de toda a chantagem de Lula sobre o ministro Gilmar Mendes e vários outros.

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MARCO AURELIO

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal, que sabe das leis e das letras, respondeu com uma expressão antiga de séculos : que o PT está apenas exercendo o “jus sperniandi”, “o direito de espernear”. “O Globo”, que se nega a fazer o Enem, publicou em manchete de pagina inteira:- “Para ministro, reação do PT é “jus esperneandis”(sic!.).
Não é nada disso, censor Luiz Garcia. É “sperniandi”, sem o primeiro e o terceiro “e” e sem o “s” final.Qualquer escrivão de delegacia sabe disso.

11 de junho de 2012
Sebastião Nery

NÃO TEM "BATALHA FINAL", ZÉ. É APENAS O JULGAMENTO DE TRÊS DEZENAS DE CORRUPTOS

Comentário: sobrou uma meia dúzia de estudantes corruptos, como os dirigentes da UNE que vêm esfolando os cofres públicos para defender o chefe sofisticada organização criminosa do Mensalão. Velhos e jovens ladrões querendo peitar a Democracia, atacando a Liberdade de Expressão e a Justiça. Abaixo, notícia da Folha de São Paulo.

O ex-ministro José Dirceu pediu sábado, durante encontro da UJS (União da Juventude Socialista), que os estudantes saiam às ruas em manifestações pela absolvição dos réus do mensalão. Dirceu foi chefe da Casa Civil no início do governo Lula e é um dos 38 réus do processo. Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República de formação de quadrilha e corrupção ativa. Durante o evento realizado no Rio, segundo o jornal "O Globo", Dirceu chamou o julgamento de "a batalha final" e criticou a imprensa. Na última semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) marcou o início do julgamento para 1º de agosto.

"Todos sabem que este julgamento é uma batalha política", disse Dirceu. "Essa batalha deve ser travada nas ruas também, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês." O petista, segundo o jornal, pediu aos estudantes que fiquem "vigilantes" e não permitam um julgamento "fora dos autos". "Me lincharam, me condenaram. Mas agora é a batalha final. Eu quero esse julgamento. Quero olhar nos olhos dos que me acusaram e me lincharam esses anos todos", disse Dirceu, que foi cassado pela Câmara dos Deputados em 2005 por causa de seu envolvimento no escândalo.
11 de junho de 2012
coroneLeaks

REPUBLICANAGEM

MAROLINHA GAY
Parada Gay de São Paulo encolhe e adota mensagem contra homofobia. Organização não divulgou, pela primeira vez, nº de pessoas que compareceram neste domingo à Paulista. Quer dizer, a Parada entrou no ritmo do governo. A onda gay já não é mais aquela tsunami. Está mais para "marolinha". Assim mesmo, é maior do que qualquer comício político-partidário. Tanto é que os candidatos vendem a alma por qualquer minutinho de TV.


QUEM PROCURA ACHA
Suposta amante do executivo da Yoki deve depor em São Paulo nesta segunda-feira. Para a polícia, o caso extraconjugal pode ser mesmo o motivo da briga entre Elize e Marcos Matsunaga que resultou no crime. Esta, como aquela e vice-versa, seria uma garota de programa. Isso significa apenas que, em matéria de lazer e coisa e tal, quem procura acha.


CAUSA MORTIS
Idosa de 87 anos mata homem que invadiu sua casa em Caxias do Sul. O bandido foi surpreendido pela vítima, que tinha no armário um revólver calibre 38 guardado há 35 anos. Se a perícia criminal prestar bem atenção vai descobrir que o ladrão não morreu pelo balázio; morreu de tétano.

SUJOU TRAVEIS
Aquele acesso de limpeza, ensaiado por Dilma na Esplanada dos Ministérios no ano passado, está trazendo o lixo todo para cima do tapete outra vez. Os varridos agora contaminam o clima eleitoral, com resquícios de vingança. Há uma patente rebeldia que chega nos currais eleitorais com o ranço dos demitidos. O cheiro tem a cara de Antonio Palocci que saiu da Casa Civil e não se mete na campanha eleitoral da República de Ribeirão Preto; de Alfredo Nascimento que caiu do Ministério dos Transportes de Valores do PR; dos peemedebistas Wagner Rossi , da Agricultura e Negócios Agropeculiares e do octagenário libidinoso, Pedro Novais da pasta do Tunguismo; ONGlando Silva, que perdeu a esportiva e o ministério que era e continua sendo do PC do B; de Carlos Lupi, que não saiu à bala do Trabalho, mas perdeu a boca na marra e a confiança do Brizolinha que quer pegar o PDT que era do seu avô; e Mário Negromonte do PP e das Cidades. Diante desse quadro de imundícies que se espalha às vésperas de uma temporada eleitoral, percebe-se claramente que foi nisso que deu Dilma se assustar naquela época de faxina com a indignação dos padrinhos dos malfeitores e ter trocado a vassoura por um inofensivo espanador de pó. O grosso da sujeira extrapolou os limites da Esplanada e agora está infestando os ares brasileiros de fio a pavio.

MONTURO
Ninguém seja ingênuo ou cínico o bastante para achar que foi só a faxina da Dilma que criou esse monturo de rebeldes à beira de uma nova eleição no país. Os remédios que estão dando para Lula também têm fortes e destruidores efeitos colaterais. Lula botou os pés pelas mãos no julgamento do Mensalão, quando chamou cinco ministros do Supremo "para conversar", ou "tomar um vinho"; pisou na bola, ao preterir Marta, a Musa da paulicéia desvairada, pelo tragicômico HaHaHaddad; meteu a mão em cumbuca ao enfiar o vampiresco Humberto Costa garganta abaixo dos pernambucanos que preferiam engolir o também petista João da Costa. Com a medicação que anda usando Lula tá ruim da cabeça, ou doente do pé. É hoje o melhor intérprete para a obra de Stanislaw Ponte Preta, o Samba do Crioulo Doido.

O GRANDE MEDIADOR
Se não mudarem urgentemente o tratamento pós-laringe de Lula, ele vai continuar pensando tudo vale a pena quando a lambança não é pequena para consolidar a campanha "Volta, Lula!". Ninguém pense, no entanto, que ele não saiba o que está fazendo. Desconstruir a estrutura popular que, para sua desagradável surpresa, a primeira-presidenta Dilma alcançou até aqui é a maior plataforma de lançamento para a sua volta ao Palácio do Planalto. Para isso, nada melhor para Lula do que uma fragorosa derrota dos candidatos do PT e da base aliada nessas eleições minoritárias. A menos que, em última e desesperada instância, ele seja chamado como o grande mediador de uma crise intestina que Dilma criou e não soube, nem teve forças para administrar.

O ÚNICO CANDIDATO
Resumo da ópera bufa: em plenos primórdios da campanha eleitoral minoritária no País neste glorioso ano de 2012, o único grande candidato até agora é Lula para presidente em 2014
11 de junho de 2012
sanatório da notícia

PRIMEIRA MÃO

Ontem o Blog publicou o vídeo com o programa onde Márcio Tomaz Bastos atacava a liberdade de imprensa. Só hoje virou notícia nos jornalões. Para quem não leu e não viu, clique aqui.
11 de junho de 2012