"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 1 de março de 2013

LULA DÁ INÍCIO A SÉRIE DE SEMINÁRIOS DO PT PELO PAÍS

 



Após uma manhã de visita às obras do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, ao lado do governador Sérgio Cabral e do vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no início desta tarde em Fortaleza (CE) para o primeiro dos seminários organizados pelo PT em todo o País para comemorar os 10 anos à frente do governo federal. No início da noite desta quinta-feira, militantes do partido se concentravam em um hotel da capital cearense à espera do ex-presidente e de seus convidados do PSB, entre eles o vice-presidente nacional da sigla, Roberto Amaral, e o governador do Ceará, Cid Gomes.

Lula teve um encontro reservado com o empresário Miguel Dias, filiado ao PRB e dono da TV Cidade, e na sequência recebeu a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, presidente estadual do PT. Irritada com as críticas à sua gestão feitas pelo seu sucessor na Prefeitura de Fortaleza, Roberto Cláudio (PSB), Luizianne conversou com Lula durante uma hora e 20 minutos.

O PT organizou em Fortaleza um evento com o mesmo cenário utilizado na festa do dia 20 em São Paulo, quando contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. No palco está destacado as imagens de Dilma e Lula entre as frases "PT-10 anos de governo" e o slogan "Do Povo, Para o Povo, Pelo Povo."

Apesar do novo périplo de Lula pelo País, os petistas rechaçam o relação dos seminários com as "Caravanas da Cidadania" iniciadas em 1993, quando Lula percorreu 359 cidades de 26 Estados. Eles argumentam que o objetivo dos seminários é firmar um discurso que destaque as mudanças realizadas pelos governos do PT nos últimos 10 anos, o que é distinto do objetivo da época das caravanas.

Nesta sexta-feira, o ex-presidente receberá o título de Doutor Honoris Causa concedido da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) no município de Redenção (CE). Cid Gomes deve acompanhá-lo no evento.
01 de março de 2013
DAIENE CARDOSO - Agência Estado

BRADLEY MANNING SE DECLARA CULPADO POR CASO WIKILEAKS

Objetivo do soldado seria ‘abrir um debate’ sobre a guerra

 
Foi a primeira vez que o soldado americano admitiu diretamente o vazamento de documentos


Bradley Manning chega ao julgamento em Fort Meade, nos EUA, na última quarta-feira Foto: AP/Patrick Semansky
Bradley Manning chega ao julgamento em Fort Meade, nos EUA, na última quarta-feiraAP/Patrick Semansky
 FORT MEADE, EUA — Falando rapidamente e com pouca emoção, o soldado americano Bradley Manning, de 25 anos, se declarou culpado nesta quinta-feira por dez das 22 acusações imputadas pelo Exército americano, por fornecer documentos secretos para o site WikiLeaks. Foi a primeira vez que Manning admitiu diretamente o vazamento de material.

A estratégia da defesa - aceita pela juíza Denise Lind - de que seu cliente se declare culpado por parte das denúncias, garante a Manning uma pena de 20 anos de prisão, mas pode evitar que ele seja condenado à prisão perpétua - caso o tribunal o considere culpado por ajudar o inimigo, a mais grave das acusações, e na qual ele se declarou inocente.

Sentado diante de uma juíza militar nesta quinta-feira, o franzino soldado de Oklahoma leu uma declaração de 35 páginas por mais de uma hora. Ele insistiu que foi ao site por “vontade própria” e sem “sofrer pressões” de nenhum tipo. E considerou que as informações causaram mais vergonha que dano ao país.

- Eu acreditava que, se o público em geral, especialmente o americano, tivesse acesso a este tipo de informação, isso poderia desencadear um debate nacional sobre o papel dos militares e sobre a nossa política externa em geral. (...) Ninguém associado à WikiLeaks me pressionou a enviar mais informações. Assumo total responsabilidade - disse.

Além de milhares de documentos confidenciais, a acusação diz que Manning enviou mais de 250 mil telegramas diplomáticos ao site, especializado em publicar informações secretas, enquanto trabalhava como analista de inteligência em Bagdá, entre 2009 e 2010. Para o governo americano, o vazamento de informações ameaçou fontes militares e diplomáticas, além de abalar as relações com outros governos.

Manning afirmou ainda que não achava que as informações poderiam prejudicar os EUA e decidiu enviá-las porque estava incomodado com o comportamento americano das guerras no Afeganistão e no Iraque e com o descaso aparente das tropas com as vidas de cidadãos comuns.

O soldado contou ainda, diante da surpresa dos jornalistas presentes na audiência, que antes de oferecer os documentos ao Wikileaks tentou passá-los aos jornais “New York Times” “Washington Post“. Nenhum dos dois o levou a sério.

A juíza Lind ainda não aceitou formalmente a admissão de culpa. Procuradores militares podem ainda acusar o soldado de mais 12 crimes.

01 de março de 2013
O GLOBO
Com agências internacionais

DECISÃO SOBRE VETOS É "ALERTA AO CONGRESSO", DIZ PRESIDENTE DO STF



Joaquim Barbosa critica Luiz Fux, que havia decidido o assunto por liminar

BRASÍLIA — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta quinta-feira a jornalistas de agências internacionais que o julgamento que derrubou a liminar que obrigava os parlamentares a examinar os vetos do Executivo em ordem cronológica foi um “alerta ao Congresso”.
Para Barbosa, os parlamentares não podem mais se furtar à obrigação de votar os vetos dentro do prazo legal de 30 dias. Hoje, há um estoque de cerca de três mil vetos com a análise paralisada no Congresso Nacional.

— A decisão de ontem (quarta-feira) foi uma decisão preliminar. Eu diria que foi uma decisão de alerta ao Congresso. O Supremo cassou porque uma liminar não é a maneira correta, o meio apropriado para se tratar de uma questão tão relevante como essa, das relações entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Mas, no julgamento final, vamos ver qual vai ser o resultado — afirmou Barbosa.

À imprensa brasileira, o presidente do STF criticou o fato de seu colega Luiz Fux ter decidido o assunto por liminar em dezembro, às vésperas do recesso do Judiciário:

— Eu jamais dei uma liminar como essa. Sempre tenho muito cuidado com essas liminares que mexem com essa delicada relação entre poderes. Muita gente não percebe, mas essa é uma das questões jurídicas mais importantes do nosso sistema de governo. Saber qual é a extensão do poder de um, até onde vai o poder de um.

Na entrevista às agências internacionais, Barbosa afirmou, no entanto, que a intromissão do Judiciário em assuntos políticos é fundamental para equilibrar o sistema de governo:

— Acho que o trabalho desenvolvido por este tribunal aqui só faz aperfeiçoar o sistema de Justiça. Imagine o que seria o sistema político brasileiro se não houvesse esse tribunal. Imaginem se todas as decisões cruciais de nosso país fossem tomadas mesmo pelo Congresso Nacional.

O caso de ontem é muito ilustrativo. No sistema presidencial de governo sob o qual nós vivemos, o instituto do veto é crucial.
O presidente da República exerce o direito de veto. Ele veta a legislação, muitas vezes legislação inconstitucional, legislação que não é do interesse nacional ou legislação maluca votada no Congresso.
Ele veta. Mas o Congresso tem o poder de rever esse veto, derrubar esse veto. Só que o nosso Congresso não faz isso. Não faz há 13 anos.

Barbosa voltou a negar que tenha a intenção de se candidatar à Presidência da República. Ele acha que seu nome apareceu em pesquisas de opinião por falta de opção no mundo político:

— A minha opinião pessoal é a de que a sociedade está cansada dos políticos tradicionais, dos políticos profissionais.

Em resposta à imprensa brasileira, Barbosa elogiou a decisão que extinguiu os salários extras de parlamentares:

— No sentido da equalização, de maior isonomia, não há razão para que alguns recebam 15 (salários) e alguns recebam 13.

01 de março de 2013
Carolina Brígido, O Globo

SAIU O BLOCO DA SUCESSÃO


Nem começou a Copa das Confederações, e além dela ainda temos uma Copa pela frente, e a campanha eleitoral já está nas ruas.


Está certo que precisamos de tempo, muito tempo, porque grande parte dele será gasto não no debate político mas na discussão das idiossincrasias de Luiz Felipe Scolari e seu bando de volantes, que tentarão reconquistar a Copa do Mundo para o nosso adormecido futebol.

A pouco menos de dois anos da futura eleição presidencial, os protagonistas tratam de assegurar seu lugar no canto do ringue, e já sacam suas armas para marcar o território que pretendem ocupar até a abertura das urnas.

Por isso, os atores estão começando a interpretar seus papéis: o ex-presidente Lula, com o comedimento de sempre, já se comparou a ninguém menos que Abraham Lincoln.

Ciro Gomes, que ninguém (muito menos ele) sabe exatamente que lugar ocupar, já ligou sua metralhadora giratória disparando contra qualquer coisa que se mova.

Fernando Henrique, escanteado por seu próprio candidato nas duas últimas eleições, abraçou um aliado mais dócil e fechou com ele, procurando uma voz solidária a seu legado esquecido e desprezado, desfrutando do afeto que seu eleito, o neto de Tancredo, Aécio Neves, não lhe tem negado.

O ente mágico da floresta, Marina Silva, criou um supra-partido misteriosamente apelidado de Rede, com a finalidade de pairar feito o Espírito Santo sobre as mazelas materiais do mundo, tais como a construção de hidrelétricas e a produção de energia, coisa das quais em seu mundo sonhático ninguém sentirá falta.


Ali meio sentado, meio em pé no banco de reservas, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pratica os elementos básicos do aquecimento e do alongamento ameaçando entrar em campo a qualquer momento nem que seja para chutar a bola contra a meta de seu próprio time, para não deixar dúvidas de que está vivo, forte e saudável.

A presidente Dilma, no momento mais favorita que o Barcelona contra o Oeste de Itápolis, espera apenas que o seu presidente-adjunto leve a campanha para as ruas para poder repetir as palavras de ordem que ele inventar, na hora que ele achar mais conveniente. Afinal, Lincoln é Lincoln. Não se despreza um cabo eleitoral desses.

Este é o quadro sucessório a um pouco menos de dois anos da abertura das urnas e até agora há escassos sinais que se produza alguma surpresa. Enquanto o governo labuta para segurar a inflação e ressuscitar o crescimento econômico, a oposição não tem nada a declarar sobre o que propõe como alternativa.

Talvez tenha algo a dizer sobre o excesso de volantes do Felipão. Ou talvez nem isso. Vamos esperar para ver.

01 de março de 2013
Sandro Vaia é jornalista.

ECONOMIA BRASILEIRA CRESCEU 0,9% NO ANO PASSADO, PIOR DESEMPENHO DESDE 2009

 

No quarto trimestre, expansão do PIB foi de 0,6% frente ao trimestre anterior, segundo o IBGE

‘Pibinho’ se confirma em 2012: crescimento foi de 0,9%
Foto: Editoria de Arte
‘Pibinho’ se confirma em 2012: crescimento foi de 0,9%Editoria de Arte
 
RIO - A economia brasileira pisou no freio e cresceu apenas 0,9% em 2012. É o pior desempenho desde 2009, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) havia crescido 2,7%. No último trimestre do ano passado, o PIB avançou 0,6% frente ao terceiro e 1,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em valores, o PIB somou, em 2012, R$ 4,403 trilhões.

Juros nos menores patamares históricos, crédito abundante e desoneração de tributos não foram capazes de garantir um crescimento mais forte da economia. O PIB per capita (PIB dividido pela população residente no país) atingiu R$ 22.402,00, subiu 0,1% em relação a 2011, em valores correntes.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 3,1%. A Formação Bruta de Capital Fixo, que indica os investimentos, apresentou recuo de 4%.

A taxa de investimentos da economia brasileira atingiu 18,1% do Produto Interno Bruto em 2012, informou o IBGE. A taxa de poupança, por sua vez, correspondeu a 14,8% do PIB.

Indústria também teve piores resultados em três anos

De acordo com o IBGE, o crescimento da massa salarial aliada à expansão do crédito sustentou o crescimento do comércio varejista, em ritmo superior ao da indústria, e o consumo das famílias que continuou a crescer pelo nono ano consecutivo. O consumo do governo avançou 3,2%.

O IBGE revisou a variação do PIB no terceiro trimestre ante o trimestre anterior, que passou de uma alta de 0,6% para 0,4%. No segundo trimestre, na mesma base de comparação, o avanço foi de 0,2% para 0,3%.

O gerente de Contas Nacionais, Roberto Olinto, afirmou que, na margem, há várias atividades que estão apresentando crescimento positivo. A FBCF deixou três trimestres de taxas negativas e cresceu 0,5% no quarto trimestre ante o anterior.

— É preciso ser cauteloso, mas na margem houve uma mudança e pode ser um sinal de que estamos tendo uma retomada — disse.

Mas assim, a indústria de transformação, construção civil registraram desempenhos negativos, com queda de 0,5% cada uma.

Analistas esperavam uma alta menor que 1%. A prévia do PIB, medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central — Brasil (IBC-Br), havia apontado crescimento de 1,35%. No início do ano, o governo chegou a prever alta de 4% a 5%.

01 de março de 2013
Clarice Spitz, O Globo

ARTIMANHAS DA POLITIQUICE PETRALHA

À luz da razão



A reaproximação do ex-presidente Lula com Eduardo Campos ocorre num momento em que interlocutores da presidente Dilma dizem que não é bom para ela romper com o PSB. Campos sempre foi aliado e, mesmo que dispute contra Dilma, por certo estarão juntos no 2º turno. A avaliação é que a porta não pode ser fechada e que é preciso garantir ao PSB caminho de volta.

01 de março de 2013
Ilimar Franco, O Globo

ALTERNATIVAS


Um comentário feito ontem pelo ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante entrevista a correspondentes estrangeiros escancara uma porta para ilações sobre uma eventual candidatura sua à presidência da República, possibilidade que volta e meia surge como especulação nos meios políticos.

Seguindo a trilha aberta pela, esta sim, provável candidata à sucessão de Dilma, a ex-senadora Marina Silva, o presidente do Supremo disse que “a sociedade está cansada dos políticos tradicionais, dos políticos profissionais.
Nós temos parlamentares aí que estão há 30, 40 anos no Congresso, ininterruptamente. E aqui ninguém jamais pensou em estabelecer “term limit” (limite ao número de mandatos)”.

 Se pecou pela generalização da tese, pois existem parlamentares que estão no Congresso há 30, 40 anos prestando serviços relevantes ao país (dois exemplos seriam o deputado federal do PDT Miro Teixeira e o senador do PMDB Pedro Simon), mostrou-se afinado com uma tendência crescente na opinião pública, a que rejeita os “políticos profissionais” e quer pessoas na política que não estejam comprometidas com os hábitos e costumes criticáveis de nossa classe política.

No lançamento de meu livro “Mensalão” na terça-feira no Rio, não foram poucas as pessoas que me perguntaram se os condenados iriam para a cadeia, e se Barbosa aceitaria ser candidato à presidência da República. Ontem Brabosa respondeu à primeira pergunta, garantindo que as penas começarão a ser cumpridas ainda em julho deste ano, e deixou no ar a possibilidade de vir a ser uma opção aos “políticos tradicionais”.

Um senhor me mostrou no seu Ipad uma foto de Joaquim Barbosa em Trancoso, onde passou o fim de semana para um festival internacional de música clássica, dizendo que ele fora ovacionado pela plateia. E o escritor e teatrólogo Roberto Athayde me disse que esperava que Barbosa se apresentasse justamente por não ter nada a ver com os atuais políticos ou partidos.
Caso contrário, se mostrou disposto a apoiar a ex-senadora Marina Silva, por ver nela a tentativa de mudar o perfil de atuação política no país.

O presidente do Supremo, ao dizer que considera “baixíssimas” as penas dos condenados, fruto de um sistema penal “fraco”, ecoa a maioria da opinião pública, ainda mais quando afirmou que o processo do mensalão “apontou um caminho correto para a Justiça brasileira, e pode encorajar outros juízes a condenar políticos corruptos”.

A ex-senadora Marina Silva também tem a ideia de limitar o número de mandatos dos futuros representes de seu partido a ser criado, e por enquanto é quem encarna, com maior probabilidade de se tornar uma realidade política, a alternativa aos “políticos profissionais”. Joaquim Barbosa, por ter sido o relator do processo do mensalão e, agora da presidência do Supremo, liderar a tentativa de apressar a execução das penas, continua sendo a representação, para a opinião pública, da Justiça que cumpre o seu papel.

Por seu espírito aguerrido, Barbosa não deixa pergunta sem resposta e é incisivo, mesmo quando suas palavras podem provocar problemas políticos. Ontem mesmo, ao comentar a questão dos vetos presidenciais, disse que o Congresso, ao não votá-los, dá a impressão de que não tem capacidade de cumprir suas funções, o que, convenhamos, soa como uma intervenção indevida.

A confrontação entre o Judiciário e o Legislativo a respeito da cassação dos mandatos dos deputados condenados no processo do mensalão, que parecia superada, pode voltar à pauta do dia com essa declaração do presidente do Supremo, e essa é uma das razões porque dificilmente Joaquim Barbosa poderia vir a ser candidato à presidência da República. As negociações partidárias seriam extremamente difíceis com um candidato tão irascível quanto ele.

Mas é também essa falta de traquejo político e sua fala sem papas na língua que o fazem um potencial candidato daqueles que já estão fartos da politicagem.

01 de março de 2013
Merval Pereira

COM OPOSIÇÃO FRACOTE, LULA ENGATILHA NOVO DISCURSO PARA FATURAR, VEJAM SÓ, COM JULGAMENTO DO MENSALÃO!


Todo esquerdista - comunista, socialista, ecochato e que tais -, é antes de tudo um cínico mentiroso. Um caso que corrobora a minha afirmativa está nesta declaração do Lula em discurso no Ceará na noite desta quinta-feira, em comemoração aos 10 anos do PT no poder, conforme vocês podem conferir na transcrição logo após este prólogo.

Lula, como todos sabem já deu diversas versões sobre o mensalão. Primeiro, se estão lembrados, afirmou, quando estava borrando nas calças, que o PT tinha que pedir desculpa aos brasileiros. Depois, face à frouxidão da oposição que o livrou do imperachment, Lula passou a negar a existência do mensalão jactando-se que haveria de provar que esse famigerado crime de corrupção nunca existiu.

Agora, depois do julgamento e condenação dos mensaleiros e a proximidade da publicação do acórdão pelo Supremo com a aplicação das penas, Lula muda mais uma vez o discurso, afirmando que quem "erra" tem de ser punido.
Ora, não existe nenhum erro em julgamento. Não houve erro, houve um crime de corrupção, o maior da história da República.

Os esquerdistas de todos os matizes agem sempre assim: se o plano para a tomada total do Estado com vistas à implantar uma ditadura do tipo cubano no Brasil - e isto era o que o PT visava com o mensalão - não desse certo, o negócio era negar a autoria. E se isto não convecesse ninguém, como de fato nunca convenceu, tentariam colocar os ditos "movimentos sociais" nas ruas promovendo agitação. E, finalmente, se isso também não chegasse às vias de fato, como ocorreu, o julgamento teria de ser assimilado.

Porém, o esquerdismo sempre consegue dar a volta por cima. Se o plano diabólico for para o brejo os esquerdistas passam também a faturar a punição dos culpados. E tanto é que Lula já engatilhou um novo discurso: "nunca neste país um governo cortou a própria carne; nunca antes neste país houve a punição para a corrupção como no governo do PT", e vai por aí.
Os esquerdistas faturam politicamente qualquer coisa que aconteça. Principalmente quando a grande mídia brasileira - com raras exceções - é condescendente com a vagabundagem comunista e transforma as mentiras de Lula, Dirceu e seus sequazes em manchetes.

E a prova do que eu afirmo está no lead e sub-lead desta matéria postada no site do jornal O Globo:

"Os discursos de abertura do seminário promovido pelos petistas para comemorar os dez anos à frente no poder, em Fortaleza, nesta quinta-feira, giraram, em sua maioria, em torno de manter a base aliada do governo Dilma. Lula voltou a lançar a candidatura de Dilma à reeleição e num discurso duro sobre corrupção na política, o ex-presidente, sem citar nomes, disse que "quem errou, tem que ser punido". A declaração foi dada horas depois de o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ter dito que os mandatos de prisão dos mensaleiros serão expedidos até julho.
- Somos seres humanos. Alguns de nós podem cometer erros, e quando cometer, tem que ser julgado, como todos têm que ser julgados. Errou tem que ser punido - dissse Lula."
Não preciso acrescentar mais nada.
 
01 de março de 2013
in aluizio amorim
 
NOTA AO PÉ DO TEXTO
 
Acusa os 'cumpanhero' e, numa jogada tipicamente petista, isenta-se de qualquer culpa, ou ligação com o mensalão. Enquanto a oposição 'dorme na mira' os pardais voam para o paraíso dos inocentes. Banana para a oposição! Maravilha!
m.americo

LINCOLN, O ORIGINAL!


 
01 de março de 2013

BARBOSA GARANTE MENSALEIROS SERÃO PRESOS ATÉ 1o. DE JULHO, MAS ADVERTE QUE FICARÃO POUCO TEMPO NA PRISÃO E OUTRAS NOTAS PERTINENTES

 

 
Até 1º de Julho, os 25 condenados no Mensalão terão suas sentenças executadas: 22 cumprirão pena de prisão e três se submeterão a “punições alternativas”. Foi esta a promessa do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator da Ação Penal 470, Joaquim Barbosa, em entrevista a jornalistas estrangeiros, em Brasília. Foi um recado direto de Barbosa às recentes bravatas públicas de José Dirceu de Oliveira e Silva, desafiando que “queria ver qual seria o juizinho que mandaria prender ele e seus companheiros”.

Barbosa até antecipou aquilo que todo mundo de bom senso sabe que vai acontecer no Brasil da conivência e injustiça: os condenados passarão pouco tempo atrás das graves. Condenando o “sistema penal fraco” do Brasil, que acaba ajudando os corruptos e reforçando a impunidade, Barbosa ressalvou que os recursos previstos em nossa legislação de processo penal permitirão a redução das penas. Barbosa reconheceu e reclamou que as penas dadas aos mensaleiros foram “muito baixas”, diante da magnitude do escândalo do Mensalão.

Joaquim Barbosa deixou bem desenhado o que vai acontecer, porque “o sistema penal brasileiro é “muito frouxo e totalmente pró-réu, pró-impunidade”: “As sentenças que o Supremo proferiu de dez, de doze anos, no final, se converterão em dois anos, dois anos e pouco de prisão, poirque há vários mecanismos para reduzir a pena”. Barbosa criticou o que classificou de “discurso garantista que domina a mídia, a grande mídia e a mídia especializada: “Esse discurso garantista é inteiramente pró-impunidade, embora com outra roupagem.

Até Luiz Inácio Lula da Silva – salvo por milagre de ter sido réu no Mensalão - pegou uma caroninha no discurso de Barbosa contra a corrupção. Em Fortaleza, durante mais uma festinha pelos 30 anos do PT no poder, Lula deu uma de filósofo amador do falso moralismo: “Somos seres humanos. Alguns de nós podem cometer erros, e quando cometer, tem que ser julgado, como todos têm que ser julgados. Errou, tem que ser punido”. Certamente, os companheiros José Dirceu, José Genoíno e João Paulo odiaram tal demagogia da autoproclamada reencarnação de Lincoln...

O caminho para a cadeia ainda tem alguns passos a serem vencidos. Os ministros ainda precisam acabar de revisar seus votos. Depois, o acórdão precisa ser publicado no Diário Oficial da Justiça. Os defensores ficam com cinco dias de prazo para entrar com os embargos a serem julgados. Joaquim Barbosa já avisou que enviará para o plenário do STF todos os recursos movidos pelos advogados dos condenados. Só depois da decisão final publicada configura-se o “transitado em julgado”. Aí é só mandar “executar” os pedidos de prisão e cumprimento de pena alternativa.

Barbosa anda PT da vida com os políticos. O ministro foi voto vencido na derrubada da liminar que mandava o Congresso cumprir o que está claramente escrito no parágrafo 4º do Artigo 66 da Constituição, apreciando os vetos presidenciais em 30 dias e em ordem cronológica – o que representou uma submissão da maioria governista no STF aos irresponsáveis deputados e senadores que deixaram acumular 3060 vetos em 13 anos. Por isso, o presidente do Supremo aproveitou para mandar um recado ao Legislativo: “A sociedade está cansada dos políticos tradicionais, dos políticos profissionais. Nós temos parlamentares aí que estão há 30, 40 anos no Congresso, ininterruptamente. E aqui ninguém jamais pensou em estabelecer “term limit” (limitar o número de mandatos)”.

Barbosa insistiu na crítica: “Num sistema presidencial de governo, sob o qual vivemos, o instituto do veto é crucial. O presidente da República exerce direito de veto, veta legislação muitas vezes inconstitucional, que não é do interesse nacional, legislação maluca votada no Congresso. O Congresso tem o poder de rever este veto, derrubar este veto, mas o nosso Congresso não faz isso, não faz há 13 anos. O que se vê no Congresso é a incapacidade de tomar decisões que são próprias de qualquer Legislativo”.

Petrocrime
O Mensalão continua mais forte e sofisticado que nunca no Brasil.
O Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minerais e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro publicou um informe de quatro páginas denunciando licitações superfaturadas e viciadas na Petrobras.
Os sindicalistas acusam militantes petistas que atuam na Petrobras de usarem o dinheiro desviado nas obras e serviços para bancar despesas de campanhas eleitorais.
Como exemplo de descalabro, o panfleto sindical cita a ampliação e modernização da fábrica de lubrificantes da BR em Duque de Caxias, cuja obra tinha um valor inicial de R$ 80 milhões, mas acabou saindo por R$ 180 milhões...
Tava indo tão bem...
Adaptação de piadinha que circula na internet:
Um ventríloquo fazia um show num bar de uma cidade do interior, exibindo o seu repertório habitual sobre a burrice das loiras, quando uma loiraça sentada na quarta mesa se levantou e chutou a lata de cerveja:
- Já ouvi o suficiente das suas piadas denegrindo as loiras, seu idiota. O que é que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres dessa maneira? O que é que tem a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, o que nos impede de alcançar o pleno potencial como pessoa. Por sua causa e por causa das pessoas da sua laia perpetua-se a discriminação não só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral... Tudo em nome do humor!
Bestificado, o ventríloquo começou a pedir desculpas, no que a loura deu o bote final:
- O senhor não se meta! Estou falando com esse rapazinho que está sentado no seu colo!
Qualquer semelhança entre a loura e a tradicional oposição ao PT não é mera coincidência...
Caminho natural
O Papa Bento 16 já foi.
Hugo Chávez, se já não foi, está indo...
E Lula? Quando deixará de ser o presidente paralelo do Brasil?
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01 de março de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PORTA DA RUA

 

O âncora Ricardo Boechat termina a notícia com um belo comentário:

porta
 
28 de fevereiro de 2013
Magu

SEGUNDO JOAQUIM BARBOSA, JOSÉ DIRCEU JÁ DEVE PASSAR O INVERNO NA CADEIA


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, disse esperar que as penas de todos os condenados na ação penal do mensalão sejam aplicadas até julho deste ano. Isso significa que, se não houver qualquer medida protelatória das defesas dos réus, 22 dos 25 condenados a prisão poderão ser presos até esse prazo.

Joaquim Barbosa, presidente do STF


O mensalão, caso considerado o maior escândalo de corrupção da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), foi julgado pelo Supremo no ano passado. Em quase cinco meses de julgamento, o STF concluiu que houve desvio de recursos públicos para abastecer um esquema de compra de apoio político no Congresso nos primeiros anos do governo Lula.
Para que as penas sejam de fato executadas, porém, a Corte ainda deve publicar o acórdão do julgamento. A previsão, segundo o presidente do Supremo, é que isso ocorra em março. Na semana passada, 3 dos 11 ministros do STF que participaram do julgamento concluíram a revisão de seus votos para posterior publicação. "Por mim, encerraria [o processo] ontem. Infelizmente, tenho que respeitar os prazos", disse Barbosa. Questionado se os demais ministros estão demorando a liberar seus votos para constar do acórdão, ele disse que isso é "detalhezinho". "Por que vocês gostam de detalhezinhos? Vamos falar de coisas mais substanciais, grandiosas."
Para Joaquim, julho é um prazo razoável para que a ação transite em julgado e, uma vez concluída, a pena deve ser aplicada automaticamente. "[Uma vez] encerrado, acabou. Encerrado você aplica a decisão tanto no cível quanto no crime. 'Executa-se' é a palavra que se usa tanto para matéria criminal quanto civil." Ele não descarta, contudo, que haja tentativas de se adiar a aplicação das penas. "Tudo é possível, mas há meios de se coibir isso também", disse.
As penas variam entre os 40 anos de prisão aplicados ao publicitário Marcos Valério Fernandes, considerado o operador do mensalão, e os dois anos que recebeu o ex-deputado José Borba, do PMDB. Entre os 25 condenados figuram nomes como o de José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula, o ex-presidente do PT José Genoino, seu ex-tesoureiro Delúbio Soares e o atual deputado João Paulo Cunha (PT-SP).
Mais cedo, ele disse, em entrevista restrita a correspondentes estrangeiros, que "as ordens de prisão devem ser expedidas" antes de 1º de julho. Na ocasião, o presidente do STF, no entanto, afirmou que as prisões dependerão do cumprimento das últimas etapas do processo. "Eu espero encerrar toda essa ação até julho deste ano", afirmou, segundo a agência Reuters.
Na entrevista a jornalistas estrangeiros, o ministro rebateu a alegação de que as penas aplicadas no julgamento do mensalão foram "duras". Para ele, pela magnitude do caso -- que significou o desvio estimado em mais de R$ 100 milhões de verbas públicas--, na realidade, as penas foram "baixíssimas".
Barbosa disse também que, devido a diversos benefícios legais, a maioria das penas será reduzida com o tempo e nenhuma delas chegará a ser cumprida em sua totalidade. O presidente do Supremo opinou que esses benefícios são sintomas de um sistema penal "fraco", que "favorece o réu", acaba ajudando os "corruptos" e faz com que o sistema penal não tenha o devido efeito. Para Barbosa, esse conjunto de fatores reforça a "sensação de impunidade" que existe no Brasil em relação aos políticos corruptos. Barbosa, no entanto, diz acreditar que o mensalão apontou um "caminho" na direção contrária.
"Seguramente muitos juízes se sentirão mais encorajados agora" quando tiverem que processar algum político, argumentou Barbosa, para quem, no entanto, isto não acabará com as "incoerências" do processo penal no país. Sobre a popularidade adquirida após o julgamento, Barbosa diz acreditar que o fenômeno nada tem a ver com seu carisma social, mas sim porque "a sociedade está cansada dos políticos profissionais".
 
(Folha Poder)
 
28 de fevereiro de 2013
in coroneLeaks

RIO 448 ANOS: EM VÍDEO, UMA VIAGEM AO PASSADO DESSA MARAVILHOSA CIDADE

 
Coluna mergulha nos arquivos do CPDoc JB e seleciona imagens históricas da charmosa aniversariante

Tarde de sexta-feira no Centro do Rio de Janeiro em 2013. Emoldurado por arranha-céus espelhados, um mar de ternos em tons de cinza e preto e roupas sociais abraça a Avenida Rio Branco, que termina no Aterro do Flamengo, tendo o Theatro Municipal à direita como fiel escudeiro.

Tarde de sexta-feira no Centro do Rio de Janeiro no comecinho do século XX. Alguns homens usando ternos completos, com direito a suspensório, chapéu e sapatos bem engraxados, caminham pela Avenida Rio Branco, emoldurados por alguns prédios de, no máximo, três andares. No fim do trajeto, são recebidos pelas águas da Baía de Guanabara, que, em dias de ressaca, avançavam alguns metros para ficar mais próximas do Theatro Municipal.
 
Em meio às comemorações dos 448 anos do Rio de Janeiro, completados amanhã (1), investigamos os arquivos do CPDoc do Jornal do Brasil à procura de pistas sobre como era a vida na cidade de São Sebastião antes do Aterro do Flamengo, quando o Copacabana Palace era o maior prédio da Avenida Atlântica, a moda das mulheres nas areias não tinha nem duas peças, os trilhos de bonde atravessavam a rua Jardim Botânico e o Leme era como uma reserva natural de Mata Atlântica. Porque toda festa de aniversário é uma celebração do passado pensando no futuro.
 
Confira o trabalho lapidado pelo videomaker Vinícius Pereira e embarque nesta viagem com a gente.

Colaborou Beatriz Medeiros

28 de fevereiro de 2013
Jornal do Brasil com Pedro

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


28 de fevereiro de 2013

ANTROPÓLOGO DENUNCIA ATUAÇÃO DO INDIGENISMO INTERNACIONAL

 

Em uma contundente entrevista à Revista Infovias de janeiro de 2013 (Ano 3, no. 11), o antropólogo Edward M. Luiz, ex-funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), fez graves acusações ao aparato indigenista internacional e sua atuação no Brasil, cujo objetivo, em suas palavras, é frear o processo de desenvolvimento do País.



O antropólogo, que participou de oito processos de delimitação de terras indígenas, afirma que alguns grupos indígenas estão sendo manipulados por organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras e jogados contra os projetos de desenvolvimento de interesse do Estado e da sociedade brasileira, processo que, segundo ele, ameaça travar o desenvolvimento do País.

Edward M. Luiz é mestre e doutorando em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e consultor privado, prestando serviços a municípios, estados, associações e empresas ameaçadas pela demarcação de terras indígenas. Para ele, os indígenas não são obstáculos ao desenvolvimento:

(…) Os indígenas nunca foram contrários ao desenvolvimento. Sempre buscaram acesso àquilo que julgavam ser tecnologias mais desenvolvidas do que as que possuíam. Sempre desejaram com toda força os novos produtos e avanços com os quais se deparavam desde os terçados, machados, até o isqueiro, panelas de alumínio, chegando ao rádio, à televisão e mais recentemente até ao acesso a internet, que uma boa parte já utiliza. (…) O que salta aos olhos deste analista neste início de século XXI, é a forma como alguns grupos indígenas estão sendo sorrateira e inteligentemente manipulados, sendo jogados contra os projetos de desenvolvimento de interesse do estado e da sociedade brasileira.

Em seguida, explica o que está por trás desse conflito:

Isso acontece porque sem a bandeira comunista para se opor ao desenvolvimento do capitalismo, restou o ambientalismo e o indigenismo, que ao final so século XX, uniram-se formando um movimento misógeno, absolutamente contrário a qualquer projeto desenvolvimentista. No Brasil esse processo é tão forte a ponto de seguir freando por mais de três décadas o processo de desenvolvimento do país.

Foram poucos os projetos de desenvolvimento no Brasil que não esbarraram e estagnaram ante alguma resistência, seja de terra indígena, unidade de conservação, comunidade quilombola ou comunidade tradicional.
Certamente essas comunidades tem todo o direito nessas reinvindicações, estabelecendo acordos com o estado para serem ressarcidas dos danos provocados, e para encontrarem alternativas à minorar os efeitos deletérios do desenvolvimento.
Mas o que se vê são grupos se opondo de forma veemente e sistemática contra qualquer iniciativa ou obra de desenvolvimento. Eles parecem ser contrários à aberturas de estradas, ferrovias, hidrovias ou usina hidrelétrica, o que gera animosidade crescente entre eles e o restante da sociedade brasileira que quer e precisa do desenvolvimento.

Questionado sobre os interesses que se encontram por trás dessa manipulação de minorias étnicas, para colocá-las contra os projetos de desenvolvimento brasileiros, ele respondeu:

Faz alguns anos que me faço esta pergunta. Por que? Creio que ainda preciso me aprofundar em analises e maiores estudos. Isto porque nunca foram feitos estudos de forma sistemática pelas nossas academias. Nossa elite pensante é tão comprometida que foi preciso pensadores de fora para detectar este fenômeno no Brasil, entre eles Elaine Dewar, Lorenzo Carrasco e Sílvia Palacios.

A primeira é canadense e os outros dois são mexicanos. Carrasco me parece ser o mais produtivo e que poderíamos chamar de investigador sobre o assunto. É ele quem responde estas perguntas, e eu reconheço que só consegui comprendê-las depois de contato profundo com as obras dele: Máfia Verde 1 e 2, Ambientalismo à serviço do Governo Mundial.
 
(…) A principal hipótese que Carrasco levanta, é que estes fatores somados, tornam o Brasil uma clara ameaça ao poder das superpotências mundiais. Os países do hemisfério norte, sobretudo os países da Europa, se vêem ameaçados por um país emergente, ágil e agressivo em suas políticas econômicas e desenvolvimentistas.
 
O Brasil é atualmente a sexta economia do mundo e tem tudo para chegar até 2015 como a quinta maior economia mundial, ameaçando o ordenamento econômico do hemisfério norte, deixando potências bélicas e econômicas, como Inglaterra e França, para trás.
Daí o empenho de estados estrangeiros se utilizarem de ONGs para manipular as minorias étnicas e botar freios e barreiras, capazes de impedir este crescimento.
As primeiras e mais versáteis barreiras são as socioambientais, ou seja, o vetor indígena e as sociedades tradicionais e quilombolas, que somadas ao elemento vetor ambiental, que juntos formam um enorme exército irregular de ONGs, um aparato indigenista/ambientalista no país.
 
Este é o termo cunhado por Lorenzo Carrasco, que demonstra com dados estatísticos, que há um verdadeiro batalhão de ONGs, instituições e pesquisadores orientados por uma agenda ideológica, escrita e orquestrada por potências do hemisfério norte – Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Noruega, Dinamarca e Alemanha, que pagam a conta e financiam este aparato indigenista e ambientalista que opera vigorosamente no Brasil.
 
Entre os financiadores do aparato indigenista, Luiz aponta as agência de cooperação internacional de vários governos do Hemisfério Norte:
 
Eu diria, uma parte significativa do movimento indigenista brasileiro, está sim recebendo dinheiro de organizações não governamentais, de agências de cooperações internacionais dos países do hemisfério norte. Por exemplo; a GTZ, ONG [na verdade, agência governamental - n.e.] alemã, foi quem financiou por décadas todas as iniciativas de demarcação de terras indígenas no Brasil. Praticamente todas as demarcações ocorridas na década de 90 foram financiadas pela agência alemã de cooperação.
 
Em sua visão, há claras evidências de que interesses internacionais estão engajados em frear o desenvolvimento nacional, manipulando causas aparentemente legítimas:
 
As provas e evidências que eu coletei até o momento, indicam que sim. Há um crescente interesse no controle e domínio de recursos naturais nacionais.
Tais interesses escusos se escondem por trás de iniciativas e atividades aparentemente legítimas, como por exemplo, demarcar terras indígenas, criação de territórios quilombolas, de comunidades tradicionais e unidades de conservação.
Adiante, o antropólogo explica os vícios do processo demarcatório:
 
(…) FUNAI e antropólogos são partes altamente interessadas na demarcação e, daí em diante, é só enfiar a demarcação goela abaixo e torcer para que o povo permaneça passivo. Já disse e repito: nem o Ministério da Justiça, nem qualquer outro órgão do Executivo, tem condições nem o devido conhecimento para identificar os vícios de origem, os vícios internos que acontecem em um processo de demarcação. Porque isto demanda um conhecimento muito preciso e específico.

Em meu entendimento há um monopólio perigoso. É um monopólio que não oferece segurança jurídica, nem a produtores e nem a entes federados. Na verdade o que há é um processo totalmente controlado por um braço do executivo, que é a FUNAI, um órgão pró-indígena. Me parece óbvio e urgente a necessidade de uma reformulação do processo demarcatório, que garanta e assegure os direitos à sociedades tradicionais indígenas, mas ao mesmo tempo, assegure os direitos da outra parte afetada com total imparcialidade. Seja ela privada ou governamental. (…)
 
(…) Temos um processo demarcatório onde os seis ou sete indivíduos responsáveis, não precisam dar qualquer explicações à sociedade brasileira, que desde Raposa Serra do Sol, não aceita mais estas arbitrariedades. As demarcações são assim irresponsáveis, porque não há nenhum custo político e baixíssimo custo financeiro nas indenizações advindas do processo demarcatório. As mudanças propostas visam corrigir estes defeitos no processo.
O Congresso é e será atuante, mas, certamente, encontrará barreiras e dificuldades advindas do aparato indigenista/ambientalista na votação dos projetos de lei que visam solucioná-los. (…)
28 de fevereiro de 2013
Gelio Fregapani