"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 10 de março de 2013

FOTÓGRAFO DO INSTITUTO LULA INTEGROU COMITIVA DE DILMA À VENEZUELA

 

Ricardo Stuckert foi com a presidente acompanhar o funeral do presidente Hugo Chávez. Palácio diz que ele não recebeu diárias

Fotógrafo do Instituto Lula, Ricardo Stuckert integrou a comitiva da presidente Dilma Rousseff que viajou a Venezuela para acompanhar o funeral do presidente Hugo Chávez. De acordo com informação publicada na edição desta semana da revista "Veja", Stuckert consta como "intérprete" da comitiva.

Ainda segundo a revista, "em Caracas (Stuckert) fez fotos do patrão (referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e as publicou no site do instituto - e nós pagamos".

Procurado, o Instituto Lula afirmou que o convite para a viagem partiu da Presidência e que não foi solicitado pelo instituto, nem houve "uso comercial" das fotografias feitas durante o velório.

Ainda de acordo com o Instituto, a publicação da relação de integrantes da comitiva foi feita "de forma transparente", através do "Diário Oficial da União". O único "equívoco" foi a indicação de Stuckert como intérprete. O correto teria sido "convidado".

O Palácio do Planalto também informou que houve um erro no "Diário Oficial da União" e que o fotógrafo viajou como “convidado” e não como “intérprete”.

O governo informou que a presidente Dilma tem o direito de convidar quem quiser para viajar no avião presidencial. Segundo o Palácio, Stuckert não recebeu diárias nem pagamento por serviço de intérprete.

10 de março de 2013
O Globo

BOLIVAR SERIA FÃ

O baseball é aquele esporte em que os jogadores passam mais tempo ajustando o boné do que jogando. E o críquete consegue ser ainda mais chato. Claro, esta é a opinião de um preconceituoso assumido, que prefere a plasticidade e a ação contínua do futebol.

E, mesmo sendo jogos aborrecidos, o baseball e o críquete têm histórias curiosas, num contexto que tem menos a ver com esporte do que com política, imperialismo e os paradoxos do colonialismo cultural.


Os dois países americanos em que o baseball é mais popular, além dos Estados Unidos, são Cuba e Venezuela. Fidel foi jogador de baseball, Chávez não sei se jogou, mas era fã. Nos dois países mais anti-Estados Unidos da região, o esporte nacional é o mais típico dos esportes dos Estados Unidos.

É verdade que o gosto pelo baseball antecede os acidentes históricos que deram no antagonismo de hoje. O baseball de Cuba teve origem na ocupação do país pelos americanos no fim do século dezenove.

Sobreviveu ao fim da ocupação e, mais tarde, ao fim da influência americana, com a expulsão de Batista e a ascensão de Fidel.

O baseball cubano nunca ligou para a História. Na Venezuela não houve ocupação americana, mas houve anos de intenso colonialismo cultural numa elite e numa classe média voltadas para exemplos e hábitos americanos, parte da mentalidade desafiada pelo bolivarismo chavista. Mas a popularidade do baseball permaneceu intocada. Bolívar, presume-se, também seria fã.

O críquete e o futebol são — simplificando — os esportes da aristocracia e do proletariado inglês. Era de se esperar que em todo o “commonwealth” que restou do imperialismo britânico o críquete fosse execrado como símbolo da presença imperial e da prepotência do homem branco. Mas por toda a Ásia e a Oceania, até em lugares em que o império nunca esteve, o críquete é popular.

Seus melhores jogadores são ídolos nacionais. Suas regras e excentricidades, como partidas que duram uma tarde inteira com intervalo para o chá, são as mesmas da ex-metrópole. E os times do ex-império constantemente humilham times ingleses, e ninguém chama de vingança. Vá entender.

10 de março de 2013
Luis Fernando Verissimo

PSB MONTA REDE ECLÉTICA DE CONSULTORE RUMO A 2014

Campos conversa com Armínio Fraga, Luciano Coutinho e André Esteves


Campos tem mantido encontros com banqueiros e políticos de vários partidos
Foto: Hans von Manteuffel / Agência O Globo
Campos tem mantido encontros com banqueiros e políticos de vários partidosHans von Manteuffel / Agência O Globo
 
BRASÍLIA — Com uma candidatura à Presidência em 2014 considerada irreversível por aliados, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, começa a montar uma rede eclética de colaboradores e consultores para elaborar seu programa de governo e a estratégia de campanha.
Campos não tem feito distinções ideológicas e de sua agenda participam Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso; o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que acaba de firmar parceria com o grupo EBX, de Eike Batista.

Campos ouve e consulta muita gente, de banqueiros a empresários, políticos e marqueteiros, mas a síntese final do que será levado adiante é sempre sua, garantem aliados, acrescentando que o governador não é homem de ter gurus.

Duda Mendonça é o provável marqueteiro da campanha

Eduardo Campos tem uma longa trajetória de campanhas vitoriosas em companhia do marqueteiro argentino Diego Brandy, de 50 anos, que considera indispensável nas disputas eleitorais, no PSB e no governo. Mas tudo indica que sua campanha à Presidência será comandada pelo publicitário Duda Mendonça, responsável pela primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente 2002, e inocentado no processo do mensalão pela denúncia de evasão de divisas.

O baiano Duda Mendonça é sócio de Antonio Lavareda na DM/Blakninja e já faz trabalhos para o governo de Pernambuco. Se Eduardo Campos for mesmo adversário da presidente Dilma Rousseff, em 2014, o quarteto deverá ser completado pelo tio cineasta do governador, Guel Arraes. A ele e a Duda caberá dar o tom “filosófico e emocional”, que marcaram as campanhas de Lula, feitas por João Santana.

— Hoje todo mundo é um pouco João Santana. Estão todos padronizados. Duda fez a campanha de Arraes em 98 e, de lá pra cá, tem estado bem próximo de Eduardo. Não há constrangimento por ele ter sido julgado no mensalão. Ele foi absolvido e inocentado — diz um integrante da equipe de Eduardo, que prefere o anonimato.

O advogado Antonio Carlos de Oliveira Castro, o Kakay, responsável pela absolvição de Duda no STF, fala da disposição do publicitário para novos desafios:

— Nesse processo do mensalão, o Duda teve que se reinventar fora do país. Criou empresas em Portugal e Polônia, onde foi premiado pelo seu trabalho. Quando foi absolvido, a primeira coisa que disse foi: ‘graças a Deus, agora vou poder voltar a trabalhar no Brasil’. Campanha presidencial é o que ele gosta e sabe fazer.

— O tom do programa de Eduardo e do PSB será desenvolvimentista. O processo é meio antropofágico. Ele ouve muita gente, sem preconceito, mas ele é essencialmente desenvolvimentista — diz um de seus interlocutores.

Essa semana, por exemplo, ele teve uma longa conversa com o prefeito de Campinas, Jonas Donizete (PSB), para destrinchar o quadro paulista e a sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem também tem se aproximado.

— Acertamos que ele irá participar em abril do encontro da Associação Paulista de Municípios, com prefeitos de todos os partidos. Dará palestra para 645 prefeitos nesse encontro de Santos — contou Donizeti.

Segundo o prefeito de Campinas, no programa de TV do PSB, em maio, Campos deve se apresentar como a pessoa capaz de botar o dedo na ferida e de fazer no país uma nova política.

10 de março de 2013
Maria Lima

DILMA REDUZ REPASSES PARA PERNAMBUCO, GOVERNADO POR POTENCIAL RIVAL EM 2014

Estado sob comando de Eduardo Campos, do PSB, vê dinheiro referente a convênios minguar, numa mudança de rota em relação ao governo Lula


A gestão da presidente Dilma Rousseff derrubou repasses federais para financiar projetos apresentados por Pernambuco, do governador Eduardo Campos (PSB), potencial adversário da petista na eleição presidencial de 2014. Dilma alterou, assim, a trajetória de transferência desse tipo de recurso, iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja também:
Segundo dados do Tesouro Nacional, em 2012, o valor repassado voluntariamente pelo governo federal chegou a patamar menor que o de 2006, último ano de gestão do então governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), que fazia oposição ao governo do PT.

As transferências voluntárias são aquelas em que não há obrigatoriedade prevista em lei, como nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ou do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Compreendem recursos obtidos por meio de convênios ou acordos, mediante solicitação dos Estados. Também não incluem investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos projetos são definidos pelo governo federal.

Campos tem dado sinais de que pode ser candidato em 2014. Aumentou as críticas à política econômica de Dilma, num aceno ao empresariado, que está insatisfeito com as taxas de crescimento do PIB. Passou também a fazer reuniões políticas com maior frequência, inclusive com integrantes da oposição – embora aja como candidato, ainda analisará o cenário de 2014 para ponderar a conveniência de se lançar ou de negociar com o PT a retirada da candidatura.

De acordo com os dados do Tesouro, o governo federal aumentou o porcentual de verbas distribuídas ao governo pernambucano quando Lula e Campos estavam no poder. Em 2007, primeiro ano do mandato de Campos, a participação de Pernambuco no total das transferências voluntárias era de 5%. Em 2010, último ano de gestão Lula, alcançou 14,6%, a maior fatia de tudo o que foi repassado aos Estados no ano.

No mesmo período, caiu a participação de São Paulo, administrado pelo PSDB, maior partido de oposição. Em 2007, o Estado recebia 9,62% do total de transferências voluntárias do governo federal. Três anos depois, o porcentual caiu para 6,27%. Enquanto isso, os valores totais repassados pela União cresceram: de R$ 4,4 bilhões para R$ 6,8 bilhões.

Em 2010, Campos chegou a receber R$ 994 milhões dessas transferências voluntárias. O governador disputava a reeleição com o apoio do PT – e Lula usava Pernambuco como vitrine de projetos federais em infraestrutura e combate à pobreza para promover a candidatura Dilma.

A alta foi puxada, por exemplo, por investimentos feitos em agricultura familiar (R$ 45 milhões) e defesa civil (R$ 250 milhões), que contou com a ajuda do Ministério da Integração Nacional, do ministro Fernando Bezerra, aliado de Campos.

Interrupção. Os números do Tesouro mostram que a trajetória de crescimento dos repasses para Pernambuco foi interrompida por Dilma. Em 2011, as transferências caíram para R$ 318 milhões.
O valor, no entanto, ainda era maior que o verificado em 2007, 2008 e 2009. Mas em 2012 os repasses diminuíram mais uma vez e chegaram a R$ 219 milhões, o menor desde 2006, ano em que o governador era Vasconcelos. As transferências voltaram a 4,88% do total enviado para os Estados, o mais baixo porcentual do governo Campos.

Em 2012, o PT e o PSB de Campos saíram rachados na eleição para a Prefeitura do Recife. Venceu o candidato do governador, Geraldo Julio. A partir daí, a relação com o PT começou a azedar.

Na semana passada, Lula chegou a criticar postura de Campos, que integra a base governista, mas ensaia um discurso oposicionista. "Se alguém quiser romper conosco, que rompa. Não podemos impedir as pessoas de fazerem o que é de interesse dos partidos políticos", disse.

10 de março de 2013
Julia Duailibi e Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo

POLITIZAÇÃO DO PRÉ-SAL


A perda dos estados produtores dos royalties do petróleo decretada por revolução congressual provocada por uma ganância desmedida, que não vai resolver problema nenhum dos estados não produtores, mas provocará graves prejuízos a Rio de Janeiro, Espírito Santo e, em menor medida, a São Paulo, foi causada pela politização da descoberta do pré-sal levada a cabo pelo ex-presidente Lula.

O especialista Adriano Pires, da consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) diz que o ex-presidente, ao anunciar a descoberta do pré-sal, politizou todas as decisões que foram tomadas no setor de petróleo dali para frente, e com isso, surgiram várias vitimas dessa atitude populista. As principais foram a Petrobras, os produtores de etanol e o Rio de Janeiro.

Do anúncio do pré-sal para cá, ele lembra, congelaram o preço da gasolina, enterraram o projeto Arábia Saudita Verde que levaria o país a ser o maior produtor de biocombustíveis do mundo e criaram uma guerra federativa com a discussão da distribuição dos royalties. Ou seja, o pré-sal que segundo Lula só produziria vencedores, até agora só criou vitimas.

O governador Sérgio Cabral me enviou uma mensagem, a propósito da coluna de ontem onde o critiquei por ter acreditado demais em Lula e não ter notado que na mudança do marco regulatório estava a semente para a alteração da distribuição dos royalties que agora se consumou, lembrando que sempre foi contra a essa mudança.

Ele tem razão, embora sua luta contra a adoção do modelo de partilha em substituição ao sistema de concessão não tenha sido vitoriosa. Melhor seria dizer que não teve força política para evitar o novo modelo, que ele mesmo chamou de “patriotata”, criticando-o duramente.
Eu mesmo aqui na coluna relatei uma reunião no Palácio Alvorada em que o governador Sérgio Cabral foi acalmado várias vezes por Lula, e teve uma discussão com então o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que defendia a mudança para o sistema de partilha dando como exemplo de sucesso do modelo a Líbia então chefiada por Kadafi, arrancando uma risada de Cabral.

 Cabral defendeu em várias oportunidades o modelo de concessão, que permitiu o Brasil sair da produção de 500 mil barris no final da década de 90 para cerca de 2 milhões, além de estimular o desenvolvimento da tecnologia para exploração em águas profundas para tornar o País referência mundial hoje.

O governador do Rio ficou em uma situação constrangedora durante essa disputa, pois era um aliado fiel ao governo Lula e, ao mesmo tempo, não tinha força para fazê-lo mudar de ideia num projeto político petista que Cabral classificou de “um erro pelo o qual o Brasil vai pagar caro”.

Ele criticou o governador paulista. Geraldo Alckmin, que não se engajou na luta com a necessária firmeza, e também ficou sem alternativas, pois os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e o de Minas, Aécio Neves, seus amigos da mesma geração política, tinham interesse na mudança das regras. Os dois ainda fizeram um gesto de conciliação, propondo que os contratos já firmados fossem preservados, mas não houve força política para aplacar a ganância despertada pelo anúncio do pré-sal.
Cabral chamou a atenção para o fato de que "não se sabe quanto tempo o petróleo vai dominar o mundo", lembrando que a Califórnia tinha forte subsídio sobre carro elétrico e que o salto das tecnologias alternativas ao petróleo poderia inviabilizá-lo no futuro. Cabral também criticou a concentração de investimentos na Petrobrás, que acabou atrasando a exploração do pré-sal.


Diante da reação do governador do Rio, suspendendo os pagamentos dos fornecedores do estado, Adriano Pires torce para que “o governo do Rio não crie outra vítima, dessa vez as empresas. Será um erro grave, caso o governo do Rio transfira as perdas dos royalties para as petrolíferas. É bom não esquecer que os investimentos dessas empresas geram renda e emprego para a população fluminense. Foi o que restou de bônus para o Estado”.

Resultado: Cabral confiou muito em Lula, pois não tinha força política para enfrentá-lo nessa disputa, e nem aliados de peso com que pudesse se contrapor ao PT. Agora, está nas mãos do Supremo.

10 de março de 2013
Merval Pereira

O "GOOGLE GLASS" E O BRUTAL ATRASO DAS SOCIEDADES SEVICIADAS PELOS TARADOS DA IDEOLOGIA ESQUERDISTA



O vídeo acima é um dos primeiros mostrando a funcionalidade do Google Glass. Mas dá uma ligeira ideia dessa nova tecnologia que já começa a desdobrar-se em novas aplicações e ainda nem chegou por aqui. Ao mesmo tempo mostra o quanto o Brasil e a América cucaracha estão atrasados em termos de ciência e tecnologia. É disso que trato neste post a partir de uma reportagem do site do jornal ABC. E vejam como a política influi no progresso ou determina o nefasto retrocesso de uma Nação.
O site do jornal ABC da Espanha, que recomendo a leitura diária, traz uma interessante reportagem com o seguinte título: 'Realidade Aumentada: Outra revolução industrial?'.
O destaque é para a aplicação nos sistema produtivos industriais do recém lançado Google Glass, uma espécie de óculos computadorizado com inimagináveis funcionalidades.
A reportagem do ABC revela que a empresa alemã AG, de Tecnologia da Informação (TI), desenvolveu uma tecnologia a ser aplicada por meio do Google Glass destinada a aperfeiçoar e tornar mais eficientes os processos de montagem nas fábricas. Transcrevo no original em espanhol o texto do site do ABC na íntegra após este comentário que consiste numa reflexão sobre a realidade do mundo subdesenvolvido em que vivemos.
Portanto, o objetivo deste post vai mais além dessa novidade tecnológica. Notem como funciona o desenvolvimento científico e tecnológico. A empresa Google pesquisa e desenvolve o Google Glass. Posteriormente, uma empresa alemã descobre uma outra tecnologia que se utilizará do novo artefato Google para viabilizá-la tendo em vista turbinar o processo produtivo nas fábricas.
 
Para que uma empresa alemã gere o que se poderia denominar provisoriamente de "sobre-tecnologia" é necessário que esteja dentro de um país que tenha tradição de pesquisa científica e tecnológica. Necessita estar imersa numa cultura fundada na meritrocracia e voltada ao trabalho, aos estudos e às pesquisas.
Dificilmente isso poderia acontecer em algum país latino-americano. Enquanto a Alemanha despende esforços para alcançar padrões de alta tecnologia, os países latino-americanos se aplicam à nefasta luta ideológica cultivando o ódio a países democráticos e desenvolvidos como a Alemanha, Estados Unidos e Israel.
Agora mesmo se vê a vizinha Venezuela encalacrada numa batalha bizantina com a finalidade de manter incólume o desastrado governo do finado tiranete bolivariano Hugo Chávez. Um dos projetos legados por Chávez é a criação de "poderes comunais", uma aberração que igualará a Venezuela à Cuba e demais países de regimes comunistas ou assemelhados.
Notem que tanto nos Estados Unidos como na Alemanha esse avanço tecnológico não surge em instituições estatais, mas da livre iniciativa, ou seja, de empresas eminentemente privadas, como é o caso da americana Google e da AG alemã.
Enquanto na Venezuela e no Brasil se assiste de forma passiva a destruição de empresas agro-industriais por hordas de botocudos doutrinados e brutalizados pelos governos dos respectivos países, empresas européias e norte-americanas se complementam em parcerias inovadoras estabelecendo um círculo virtuoso tipificado pelo 'ganha-ganha'.
Enquanto a Venezuela procede a mumificação de um déspota retrô, a Alemanha e os Estados Unidos se aplicam em projetos que podem representar um salto importante no processo industrial beneficiando milhões de pessoas.
Se a produção industrial acelera normalmente otimiza a escala barateando cada vez mais os produtos que, por sua vez, poderão ser adquiridos por mais pessoas.
 
Falar-se em inclusão, portanto, tem-se que obrigatoriamente levar em conta os avanços científicos e tecnológicos. Sem eles, nunca haveria inclusão de enormes parcelas da população do planeta no uso e fruto dos mais variados produtos, desde a alimentação, medicamentos, automóveis, eletrodomésticos, comunicação, transporte e equipamentos de serviços de lazer.
Os governos populistas de viés comunista que tomaram conta da América Latina estão impondo às populações da América do Sul, Central e Caribe, um castigo brutal ao afastá-las da verdadeira inclusão social que só se dá por meio da aplicação aos estudos, ao trabalho e à cultura científica e tecnológica.
Programas sociais que vislumbrem tirar parcelas da população da miséria não podem ser transformados em máquinas de perpetuar grupelhos populistas no poder.
Não se trata de condenar auxílios emergenciais patrocinados pelo Estado num dado momento e ambiente. Todavia quando essa prática se torna permanente, aliada à execração do mérito e à doutrinação obtusa que leva as massas a ver a vida dependendo apenas das benesses estatais, tem-se a receita do atraso completo e da dependência eterna desta vasta região do planeta ao mundo desenvolvido que estuda e produz riqueza de forma incessante.
Revolução se faz com centros de pesquisa, com ciência e tecnologia e disciplina e não com preconceito e tara ideológica. Países como os Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, não lograriam sucesso e progresso social gigantescos se tivessem se submetido às histriônicas bobagens ditas revolucionárias e edificado mausoléus para tiranos embalsamados.
Falar em protagonismo social é completamente o contrário ao elogio da miséria, do voto de cabresto, da dependência de caraminguás estatais. Assalto a fazendas produtivas que plantam a comida que chega à nossa mesa é uma ação bestial e estúpida, como é o gigantismo do Estado e sua legião de amanuenses desanimados.
O Brasil e o resto das nações latino-americanas amargam um atraso descomunal em relação aos países democráticos e desenvolvidos. Continuam cada vez mais dependentes e, no máximo, servem como consumidores retardatários daquilo que não interessa mais ao mundo verdadeiramente progressista.
As inovações sempre chegam por aqui depois e, às vezes, quando já estão completamente ultrapassadas nos seus países de origem.
O Google Glass nem chegou nessas terras bolivarianas e na Alemanha uma empresa já criou uma tecnologia inovadora para usa-lo no aumento e aperfeiçoamento da atividade produtiva das fábricas.
Como prometi no início deste texto, transcrevo a reportagem do jornal espanhol ABC que, seguramente, é o melhor veículo da grande mídia da Península Ibérica.
 
Leiam:

EN ESPAÑOL - La tecnología de realidad aumentada puede perfeccionar y hacer más eficientes los procesos de montaje en las fábricas. Así lo aseveran desde Software AG, firma de TI de origen alemán que ha presentado en la feria de tecnología CeBIT que se celebra esta semana en Hannover una solución para aplicar dicha tecnología a los procesos industriales.
«Augmented Manufacturing», que es como se denomina la solución, tiene cierto aire de videojuego. Mientras el operador realiza el montaje, puede ver en una pantalla, que reproduce las piezas y herramientas que tiene delante, cuál es el siguiente paso que debe dar. Como el que recoge las estrellas en Super Mario.
 
Evidentemente, no se trata de jugar, sino de, como ha mostrado la empresa en el CeBIT de Hannover, hacer los procesos cada vez más eficientes y, a la vez, sencillos para quienes los realizan en un mundo en el que la rotación de puestos es cada vez más frecuente y los trabajadores necesitan formación rápida.
 
«Augmented Manufacturing» funciona con una cámara y una tableta que, desde el puesto de trabajo, recogen y envían información conectadas a un servidor. Todo el código de la aplicación es XML, para permitir de forma sencilla su modificación y adaptación a cualquier proceso de montaje.
 
De momento, algunos de los objetivos de este producto son el mantenimiento de las líneas de fábrica, la formación de sus trabajadores, el ensamblaje y la asistencia a quienes realizan las tareas más minuciosas de una cadena de montaje, a veces, a mano.
 
El obrero que trabaje con la versión actual Augemented Manufacturing debe presionar un botón para avanzar al siguiente paso, pero los planes de Software AG pasan por conseguir que esta aplicación detecte automáticamente los movimientos del trabajador, avanzando o retrocediendo en el montaje en función de los errores que éste cometa. Software AG también aspira a integrar las nuevas gafas de Google en la implementación de este producto.
 
Como muchos de los caminos a la eficiencia, «Augmented Manufacturing» también tiene una cara más competitiva. Funciona de manera integrada con ARIS, el gestor BPM de Software AG, de manera que almacena los tiempos de ejecución de los procesos y establece rankings de velocidad, que pueden clasificarse por regiones y ser visualizados por los trabajadores.
 
Algunas de las empresas que ya trabajan con «Augmented Manufacturing» son Siemens y Baasf. De momento, Software AG nos invita a echar un vistazo a las cadenas de montaje en las que ha implementado la aplicación de realidad aumentada a través de su webcam online.
 
10 de março de 2013
in aluizio amorim

OPINIÃO DO ESTADÃO: A VIOLÊNCIA COMO MÉTODO

 

 


Terroristas da Via Campezina do MST invadem Fazenda Aliança no Tocantins, fazem 48 reféns e destroem mais de de 500 mil mudas de eucalipto em comemoração ao Dia internacional da Mulher
Enfraquecido politicamente, pois não conta mais com a conivência e a tolerância ilimitadas do governo do PT, com um discurso ideológico cada vez mais vazio, mas mantendo algum grau de organização e, sobretudo, conservando seu aparentemente inesgotável vigor para praticar crimes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) conseguiu realizar seu maior protesto contra o governo Dilma.
Nos últimos dias, seus militantes, apoiados por organizações com características e objetivos assemelhados aos seus, invadiram fazendas, destruíram viveiros, sabotaram plantações, impediram o fluxo do tráfego em rodovias, depredaram patrimônio privado, invadiram prédios públicos, fizeram discursos, divulgaram documentos. Suas ações atingiram 22 Estados.

Tudo isso seria apenas mais uma repetição daquilo que o brasileiro responsável, cumpridor das obrigações e preocupado com seu futuro e do País cansou de ver no ambiente rural nos últimos anos se, desta vez, as manifestações desses grupos que agem cada vez mais à margem da lei não fossem particularmente patéticas.
Além de agirem de maneira ilegal, sem que, na maior parte dos casos, sua ação fosse, como deveria ter sido, contida com energia pelas autoridades policiais — umas empurraram a competência para outras —, os organizadores fizeram discursos e distribuíram documentos que mostram seu afastamento cada vez maior da realidade.

Seu protesto, como ocorre há 15 anos, foi para lembrar o Dia Internacional da Mulher, e desta vez o alvo foi o agronegócio. Um dos principais atos do protesto foi a ocupação da Fazenda Aliança, no Tocantins, de propriedade da família da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) — mulher e representante do agronegócio.

Cerca de 500 militantes ocuparam a propriedade, destruíram viveiros de mudas de eucalipto e mantiveram confinados trabalhadores e seguranças do local, que conseguiram evitar o conflito. "Eu, que sempre dormi sozinha na fazenda com meus filhos pequenos, sem nunca andar armada, agora não vou deixar meus filhos e meus funcionários correndo risco de vida", reagiu a senadora. "Imagine se resolvessem colocar fogo nas dezenas de máquinas que tenho lá."

Por cegueira ideológica, o MST e as demais organizações que o apoiam e os militantes desses movimentos não conseguiram até hoje entender a extraordinária transformação por que passou a atividade agrícola no País nos últimos anos. Ela alcançou níveis de eficiência e de competitividade que a colocam entre as mais desenvolvidas do mundo, o que permitiu ao País sobreviver sem grandes consequências aos efeitos das crises que conturbaram a economia mundial. Isso não afasta do meio rural os pequenos e médios produtores nem implica — como supõem o MST e seus militantes — o predomínio da monocultura. Há oportunidades para todos e espaço para as diversas culturas.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=yftNP4ybNiA

As desastrosas ações do MST no laboratório da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul, em 2006, quando 2 mil mulheres destruíram anos de trabalho de pesquisa, revelaram uma das faces mais danosas para o País da violência dessas manifestações.
Mas, por estreiteza política, o MST continua a recorrer à violência para, por meio dela, tentar defender suas bandeiras político-ideológicas, o que não consegue mais fazer com seu discurso.
A cada ação desse tipo certamente corresponderá maior isolamento desses movimentos.

Parece que, felizmente, vai se transformando em mero registro histórico o gesto do ex-presidente Lula de colocar na cabeça o chapéu do MST, simbolizando seu apoio irrestrito à organização. A redução do número de assentamentos promovidos pelo Incra é consequência da mudança da política agrária no governo Dilma.
Por entender que as distribuições de nada adiantam para o assentado e para o País se as terras não se transformarem em fonte de renda, o governo quer que os assentamentos sejam produtivos. Para isso vem dando apoio técnico e material aos assentados — e distribuindo cada vez menos terras.

A mudança pode ser fatal para o MST, cuja sobrevida depende justamente de aglutinar militantes com a promessa de distribuição de terra.

10 de março de 2013
abobado

A VERDADE FOI ENTERRADA ANTES DE HUGO CHÁVEZ

 


 
Talvez por esquizofrenia, deficiência mental ou falta de caráter, aqueles que pensam e agem de maneira burra, radicalóide e sem ética, se dizendo socialistas, comunistas, fascistas, nazistas, etc, costumam atentar contra a Verdade – definida como realidade universal permanente. Mas os bolivarianos exageraram na dose da mistificação na gestão da morte do mito Hugo Chávez Frias.
Nos meios diplomáticos e na área de inteligência militar argentina circula uma informação 1-A-1 acerca dos procedimentos ante e pós fúnebres do Presidente e revolucionário inventor da República Bolivariana da Venezuela. A revelação bombástica é que o corpo exibido, cheio de sigilo e segurança, em um super-caixão lacrado, não é de um ser humano normal, deformado por um terrível câncer. O cadáver seria um boneco de cera. O simulacro de um Chávez “embalsamado”.
A surpreendente descoberta de que o corpo no faraônico féretro bolivariano não correspondia ao Hugo Chávez original foi da “Presidenta” da Argentina Cristina Kirchner. A grande amiga de Chávez estava escalada para fazer o mais emocionado discurso politico do velório. No entanto, Cristina se sentiu enganada no momento em que chegou perto do defunto. Ficou tão revoltada e contrariada que arranjou uma desculpa esfarrapada para voltar urgentemente a seu país – deixando até sem carona o presidente uruguaio José Mujica, que com ela veio até Caracas.
A explicação bombástica para o retorno súbito de Cristina é relatada pela inteligência militar argentina. Cristina teve um choque emocional quando se viu envolvida na farsa bolivariana montada para o velório de Chávez. Não acreditando no que seus olhos lhe mostravam, Cristina escalou uma oficial ajudante-de-ordens para investigar, de imediato, se não estaria diante de uma “brincadeira de mau gosto com a morte de alguém que lhe era muito querido”.
A oficial argentina interpelou um alto-membro do Exército pessoal de Chávez – que praticamente confessou a armação: ali não estava o corpo original do amado comandante. A militar transmitiu a informação imediatamente para Cristina – que surtou. Saiu esbravejando do Velório para o hotel, avisando que não mais faria o discurso para um boneco. O presidente imposto da Venezuela, Nicolas Maduro, tentou convencê-la do contrário, sem sucesso. Cristina voltou voando para casa.
A Presidenta Dilma Rousseff, que levava o ex Luiz Inácio a tiracolo, foi informada do incidente. Dilma e Lula deram uma breve olhada no caixão de Chávez, conversaram rapidamente com os presentes, e também foram embora o mais depressa possível – alegando coisas urgentes a serem resolvidas no Brasil. A exemplo de Cristina, não quiseram participar da farsa completa do sepultamento daquele que era o líder operacional-militar do Foro de São Paulo (organização que reúne as esquerdas revolucionárias, guerrilheiras ou simplesmente gramcistas na América Latina e Caribe).
História à parte do “boneco de cera” – uma versão completamente não-oficial das exéquias de Chávez -, tudo em torno de sua morte soa como uma grande farsa, digna do mais cínico e mentiroso socialismo bolivariano que transformou a Venezuela em um país em decomposição política, econômica e social. Tudo indica que Hugo Chávez já veio morto de Cuba – onde morreu não de problemas diretamente relacionados ao sarcoma que sofreu metástase.
O que levou Chávez realmente deste para outro mundo foi uma brutal infecção hospitalar, que detonou-lhe o pulmão. Tal fato jamais será admitido oficialmente, já que a lenda-dogma comunista prescreve que a ilha perdida dos irmãos Castro tem “uma das medicinas mais avançadas do mundo”. Caso tivesse se tratado no Brasil – como fizeram Dilma, Lula e o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo -, Chávez poderia estar vivinho da silva... Azar dele que o Hospital Sírio Libanês não aceitou receber milhões para tratar, sem transparência e em “segredo socialista”, do grave caso médico.
Outro fato que a inteligência dos Estados Unidos já deixou bem evidente nos meios diplomáticos. Chávez morreu, provavelmente, no começo de janeiro. O prolongamento mentiroso de sua vida foi apenas uma armação para permitir a inconstitucional posse de Nicolas Maduro, através da geração de um dramalhão popular em torno da torcida pela “salvação” e cura do bem amado mito Chávez. O problema para o regime venezuelano é que o atraso na revelação da verdade contribuiu para as mentiras aflorassem...
A tendência política na Venezuela é de vitória eleitoral do presidente imposto Nicolas Maduro, na eleição marcada para 14 de abril. Mas a temporada de brigas internas e traições entre os bolivarianos é só uma questão de pouco tempo. Embora tenha sido motorista de ônibus profissional, antes de cair no mundo fácil da vida sindical praticamente sem trabalho, Nicolas não está maduro para liderar a revolução bolivariana. Chávez é insubstituível. E como um mito nunca morre, deve assombrar Maduro – que terá de suportar às pressões da oposição, em crescimento natural, e as traições e rebeliões internas que devem surgir principalmente na área militar venezuelana (em franca divisão e conflito entre Exército e Marinha).
O socialismo bolivariano implodiu a Venezuela. A demagogia seduziu o eleitorado pobre ou miserável – sempre a massa moldável de manobra de toda a História. Mas as classes média e alta da Venezuela comem o pão que o Chávez amassou. A moeda de lá – o bolívar – vale tanto quando a verdade para os ideólogos socialistas. A crise de desabastecimento de produtos básicos é assustadora. A inflação totalmente fora de controle. O desemprego só aumenta. A estatal petrolífera PDVSA opera em regime de ineficiência. A grana dos petrodólares é usada mais para demagogias que para investimento em infraestrutura real.
As instituições venezuelanas encontram-se em decomposição. O Judiciário é uma desmoralização só. O Legislativo uma peça manipulada pelo Executivo autoritário e arbitrário. A ingerência ideológica de elementos do aparelho repressivo cubano no governo bolivariano é um fenômeno politicamente dantesco. O nível de corrupção venezuelano é de fazer inveja ao mais escroto mensaleiro no Brasil. A Venezuela tem tudo de pior que pode ter um país de terceiro mundo, subdesenvolvido, cheio de desigualdades e onde explode uma onda de violência sem perspectiva de controle.
A situação venezuelana pouco fede ou cheira para o Brasil. Problemas concretos são apenas dois. O calote da da PDVSA na parceria com a Petrobrás na superfaturada refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, ainda longe de sair do papel. Outro rolo são os empréstimos a perder de vista do BNDES tupiniquim para grandes empreiteiras brasileiras fazerem mega-obras – também superfaturadas – em terras bolivarianas. No mais, a Venezuela tem relação comercial pífia com o Brasil.
Uma previsível queda do regime bolivariano – que é questão de pouco tempo – pode gerar um efeito cascata (sem trocadilho) entre os países afetados pelo câncer ideológico e ideocrático do Foro de São Paulo. A primeira vítima de uma pós-derrocada venezuela deve ser a Argentina – onde as coisas vão de pior a mais ruim ainda na gestão da Cristina. Cuba também deve ter ainda mais problemas se a casa bolivariana desabar. O resto entra no tradicional “efeito orloff” (vodca que se consagrou com o lema publicitário “eu sou você amanhã”).
A prematura morte do comandante Chávez custará muito cara aos regimes de democradura e capimunismo do Foro de São Paulo. A metástase política já começou, com muitos tumores políticos entrando em fase de implosão. Resta esperar para ver como a araruta cancerosa vai se transformar em mingau estragado pelas mentiras comunizantes.
Ainda bem que não existe mal que sempre dure e nunca acabe... Reflitamos sobre a representação da imagem falsificada de Hugo Chávez (no topo do artigo) para constatarmos que tudo de bom ou ruim sempre tem um fim...
 
PS - Que sorte deu o José Dirceu - que deveria agradecer ao Joaquim Barbosa: de que adiantaria viajar para a Venezuela apenas para ver um simples boneco inanimado do falecido amigo e patrão em milionárias consultorias?
 
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
10 de março de 2013Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

O MAL NA OBRA DO LARS VON TRIER


          Artigos - Cultura 
       
larsvontrierQuem quiser se divertir no cinema não vá ver os filmes de Lars von Trier. Mas quem quiser discutir antropologia filosófica e a questão do mal no mundo é lá que deve ir.

A coragem artística do diretor norueguês não tem limite. Sua habilidade com a câmara é digna de um Kubrick. Penso que ele fez (faz) a mais correta e completa crônica de nossos tempos, a fisiologia da alma nesse maldito século XXI. Não por acaso nos filmes a questão psicológica (e psiquiátrica) tem relevo. Psiquiatria: ciência da alma.

Digo isso porque venho de ver quatro peças do diretor. Sim, aguentei por dias seguidos o mergulho no mal, por Lars von Trier. Fico imaginando o custo psicológico de escrever e dirigir esses roteiros alucinantes. É extenuante.

Comecei no Dogville (2003), essa afirmação exaltada da visão agostiniana do mal. Depois Manderlay (2005), sua continuação. Em seguida o Anticristo (2009) e Melancolia (2011).
Iria ver outros antes de tecer estes comentários, mas me dei por satisfeito. O diretor varia a história, mas não varia o tema. É sempre o Mal na tela grande, visto com requintes filosóficos.

Dogville, que tem no elenco a fantástica Nicole Kidman, é um ensaio antropológico que reproduz a visão de Santo Agostinho sobre o mal. A bela mulher que chega desamparada a uma pequena povoação, num ermo, um fim de mundo.
A convivência vai revelar a verdadeira natureza humana, que escraviza, que esmaga o outro (a garota nem é fraca e nem desamparada, foge de outro mal, o da posse do poder), que explora, que pratica gratuitamente o mal.
De crianças a velhos. Mulheres e homens. Estes a forçam ao sexo, estupram, humilham. Elas a submetem, humilham, negam a sua liberdade. No final, todos merecem morrer, pois todos são culpados, lembrando a visão de Santo Agostinho sobre os acontecidos na invasão dos bárbaros sobre Roma. Não há justo onde habitam os homens. É a mais sensacional representação cinematográfica sobre o tema que já vi.

Por ambientar a história nos EUA dos anos 30 Lars von Trier foi hostilizado por seu suposto antiamericanismo. Uma tolice imensa. O filme poderia ter sido rodado no sertão do Cabrobó e faria todo sentido. O tema é universal.

Aqui é uma visão radicalmente oposta a de Rousseau sobre o mal. O genebrino ensinou que o homem nasce bom e é a sociedade que o corrompe. Lars von Trier desmente esse conto de fadas falsificado. O homem é mau porque nasce mau. Pensar em contrário é falsa ciência, que leva a conclusões e ações erradas. Toda a ciência política que se pratica desde o século XIX usa dessa falsificação para alicerçar as utopias transformistas e perfectibilizadoras do homem. Deu no que deu, nos genocídios. Nos fornos crematórios.

Manderlay é sua continuação, agora tratando do tema da escravidão. Não é um filme tão brilhante, pois não se sabe se o autor, de fato, endossa a tese de que há uma hierarquia natural. O tema da escravidão é de difícil abordagem. Eu penso que Lars von Trier defende alguma coisa próxima de Aristóteles sobre o tema, mas o resultado final demonstra muita hesitação. Destaque para o ator Danny Glover. A atriz principal agora é Grace Margaret Mulligan.

O filme O Anticristo é uma obra prima . Desde o título, estilizado com o símbolo feminino de Vênus, vemos que o mergulho no mal aqui é feito em escala bíblica. A música de Handel, cantada por Cecília Bartoli, é espetáculo à parte (Deixa-me chorar – Lascio ch’io pianga) dá o tom dramático do desespero de uma madona depois do sacrifício.
O ato sexual cru, brutal, explícito da abertura mostra que o diretor não faria rodeios. O drama da alma começa no drama do sexo, da reprodução, que é natureza que devora. Que é feminino. A mulher, levada ao desespero, faz a excisão do clitóris, depois de castrar o homem. Tentativa desesperada de se libertar. Mas é ela mesma que põe uma mó nos pés do homem, para subjuga-lo.
Para tomar a sua liberdade. O homem é seu reprodutor. Natureza é o outro nome do mal. As cenas são fortíssimas. A atriz Charlotte Gainsbourg dá vida à personagem principal, com esmero. Willian Dafoe, ator de quem não gosto muito, mas Lars von Trier o pôs em todos os filmes, faz a sua parte.

É um filme duro, cruel, que comunga com a ideia da maldade inerente a esse mundo cão que vivemos, à condição humana. Tudo que tem no filme está nos jornais do dia e o femicídio tem sido prática frequente por aqui.
Uma debalde tentativa de rebelião do masculino contra o feminino? Uma fuga impossível da condição imposta pelo mal? Os jornais não nos permitem esquecer o mal cotidiano. É um filme verdadeiro, que não esconde a realidade das coisas.
O sexo explícito é integrante dessa condição natural, sublinhada pela gazela em trabalho de parto de um aborto. As mães sempre dão à luz filhos para a morte. O anticristo é a natureza, é o feminino. A natureza é feminina, cria, procria. Esse ponto de vista é assustador, mas é tudo como está no Gênese, em Adão e Eva.

O cenário onde o epílogo acontece é justamente um sítio chamado de Éden. Eis o Éden da natureza. Evidentemente os ambientalistas mais radicais não perceberam a dureza da crítica a eles dirigida.

As referências astrológicas são múltiplas. O trinômio dor, luto e desespero ligado a uma fictícia constelação dos Três Mendigos, em cujo trânsito se dão os acontecimentos.
O homem racional, que descrê na psiquiatria, é envolvido na trama desesperada da mulher no cio, provocado pelo desespero da perda trágica do filho. Quer engravidar a todo custo. O menino morto, que sempre era vestido com sapados com pés trocados, faz uma referência ao Cujo, aquele que é aleijado. O filme tem manancial inesgotável de símbolos.

Outro animal que está em destaque é o corvo, que estranhamente, vivo, está semienterrado na caverna e denuncia o homem que foge da mulher tomada por fogo sensual alucinado. O corvo é o animal totêmico de satã, outra acabada representação simbólica do mal.

Por fim, o filme Melancolia. Uma trágica representação do mal que emerge irresistível do interior do ser, não está relacionado a fatos externos. No céu surge esplêndida a constelação de Escorpião, residência de Plutão, o pai e a mãe de todas as depressões. A estrela Antares brilha. A história de duas irmãs, uma se casando.
No dia supostamente mais feliz de uma mulher ela vai se entristecendo e no limite da tristeza, rejeita o casamento e faz amor com um desconhecido, humilhando o agora marido, depois de larga-lo no leito nupcial, à vista de toda gente. Depois a própria irmã também entra em paranoia e todos da casa enxergam que um planeta está para se chocar contra a terra.
Uma imagem alucinante, sobretudo para mim, que certa vez tive uma sequência de sonhos nos quais a lua desabava sobre a terra. O filme acaba com a colisão entre os astros, que bem pode ser compreendida como o mergulho na loucura.

Quer entender a obra de Lars von Trier? Leia Santo Agostinho. E Nietzsche. E Rousseau, esse louco que enlouqueceu a humanidade com suas mentiras filosóficas sobre o homem.

10 de março de 2013
Nivaldo Cordeiro

O ATO HERÓICO DE DOM ODILO SCHERER

    
          Artigos - Religião 
       
Nós, alunos da PUC, presenciamos um evento inédito na história da universidade. Um ato heroico.

Era dia 22 de fevereiro de 2013. O cardeal Dom Odilo Scherer, como Grão-Chanceler da PUC de São Paulo, estava pronto para uma missa, celebrando a Festa da Cátedra de São Pedro na capela da Universidade.

Em outros lugares o fato poderia significar pouco. Na PUC, marcada por protestos e vandalismos de grupos radicais, qualquer ato do cardeal poderia servir de pretexto para os agitadores armarem uma manifestação.

Cheguei ao campus esperando ver os melhores sem convicção alguma e a cerimônia da inocência afogada, exatamente como nas palavras de William Butler Yeats. Os fatos mostraram que eu não poderia estar mais errado. Presenciei, pela primeira vez, um ato de heroísmo na minha universidade.

Era um dia de chuva, e chegando à PUC, um amigo meu começou a se perguntar se haveria mesmo alguma manifestação para atrapalhar a missa de Dom Odilo. Outro amigo garantiu que algo grande aconteceria, ele só não sabia ao certo o que seria.
Lá em baixo, descendo, nós pudemos ver diversos de manifestantes – alguns não eram alunos da PUC – gritando, não só contra a Reitora da Universidade, mas contra o Bispo e contra a Igreja Católica.

Subimos para assistir à missa, e me surpreendi novamente: dentro da Igreja, centenas de fiéis (não digo metaforicamente, eram literalmente centenas) se juntaram para assistir a missa. Além de alunos da PUC, alguns funcionários, seminaristas, professores e pessoas de grupos como Shalom estavam presentes.

Na porta, os manifestantes se reuniram empunhando cartazes ofensivos, alguns com esparadrapos e outros com panos no rosto, querendo intimidar quem ia assistir à missa e protestar na porta da Igreja. Alguns entraram para protestar dentro da Igreja. Outros não entraram, impedidos pela grande quantidade de fiéis na porta.

Dom Odilo Scherer chegou discretamente. Nesse momento começou a chover muito, e a tempestade afastou muitos dos manifestantes que estavam do lado de fora. Com uma serenidade ímpar, Dom Odilo começou a missa pedindo para rezarmos pela reitora e pela conversão dos jovens da PUC.
Defendeu o Papa Bento XVI ressaltando que o pontífice renunciou por coragem, que se sacrificou pelo bem da Igreja. Lembrou que “em uma Universidade Católica, estamos ligados à Cátedra de São Pedro”.

A homília foi longa, deve ter sido de quase uma hora. O cardeal comparou as dificuldades de hoje com um deserto, e lembrou que Jesus é o caminho e que, se quisermos que nossa vida tenha significado, devemos lembrar do sacrifício Dele. Lembrou-nos novamente de São Pedro e disse: não fiquem abalados, os que se intimidam não tem um fundamento forte o bastante, vocês não podem ter medo de lutar por Deus.

Três mascarados – um sujeito mais velho e duas mulheres –, entre os que estavam protestando,
permaneceram ao longo de toda a missa. Esses não falaram nada, mas queriam chegar perto da eucaristia. Felizmente foram advertidos e impedidos de cometerem um sacrilégio ou de atrapalharem a missa.

No momento em que eu estava imaginando uma saída segura ou prevenida do Cardeal, terminada a missa, ele empunhou seu báculo e disseram que ele sairia pela porta da frente. A chuva já havia parado e os manifestantes haviam se reunido novamente na porta da Igreja.
Dom Odilo saiu em procissão, com os sacerdotes que o acompanhavam, pelo meio da manifestação contrária, segurando a Cruz Sagrada, com cantos católicos e orações.

O pessoal que tanto protestou – não vou falar em jovens, pois muito ali já passaram da idade – ficou estupefato com a atitude corajosa de Dom Odilo. Acompanhado por vários fiéis, o cardeal parou em frente à cruz do pátio central da Faculdade, onde estava reunida a maior parte dos manifestantes revoltados, o mesmo lugar da manifestação violenta contra o Papa Bento XVI.

Com muita coragem e uma calma miraculosa, Dom Odilo, cercado de cartazes contra a Igreja, começou a rezar por aqueles que tanto demonstraram ódio por ele. Pediu paz, e falou em tolerância religiosa para lembrar que aqueles que dizem marchar pela tolerância facilmente se tornam arautos de intolerância contra os católicos.

Uma boa parte dos manifestantes ficou impressionada com a atitude de Dom Odilo, que clamava paz e era ouvido com silêncio. Os muitos católicos ocuparam um bom espaço em volta do pátio e se manifestaram em apoio aos sacerdotes, cantando e rezando. A revolta contra Dom Odilo esfriava com suas palavras.

Nesses momentos os mais radicais demonstravam uma raiva verdadeiramente macabra. Não é errado dizer que alguns estavam alucinados e cegos de ódio. Gritando, na melhor das hipóteses, coisas sem sentido como “Viva Hare Krishna!” e a “Ditadura voltou!” e em alguns casos acusações malucas contra o Papa – pelo visto um agente da CIA, pago para derrotar “amantes da liberdade” como Ahmadinejad e Hugo Chávez.
E quando os sacerdotes e católicos já tinham ido embora, os revoltados começaram a gritar coisas como “golpistas não passarão”, reforçando a atmosfera ridícula que cercava os mais fanáticos.

Se a manifestação era para ser “oficialmente” contra a reitora nova, ficou claro que muitos dos agitadores (alguns vinculado a partidos comunistas) estavam interessados mesmo é em atacar o cardeal, a Fé e a Igreja. Trazendo pessoas de fora, utilizando algumas câmeras e conversando com jornalistas ele tentaram vender a ideia de que “os alunos da PUC se revoltaram contra o cardeal”.
Os vários jovens católicos, em pé na Igreja para a missa de Dom Odilo, evidentemente ficarão de fora de tais reportagens, embora apareçam muito nas fotos dos cidadãos comuns que estiveram lá.

Contrastando imensamente com o maquiavelismo dos mais revoltados, Dom Odilo começou a pregação no pátio com o Credo Niceno-Constantinopolitano (a música mais bonita do mundo no modo III em canto Gregoriano).
Foi impossível não lembrar uma das pessoas que mais lutaram por essa profissão de fé: São Gregório de Nazianzo, que quase só, enfrentou com tanta bravura – que só pode ser proveniente de Deus – uma multidão de bispos e de autoridades hereges, serviu de último baluarte de Roma em Constantinopla e foi fundamental para recristianizar quase todo o oriente.

É esse tipo de coragem que rezo para ver nos corações dos nossos cardeais, especialmente em época de Conclave. Perto dessas grandes batalhas o ato de Dom Odilo parece muito pouco, e é verdade que não sabemos se o cardeal terá forças para lutar até o fim.

Só que coisa é certa: nós, alunos da PUC, presenciamos um evento inédito na história da universidade. Um ato heroico. Fico honrado em ter acompanhado de perto este acontecimento, e espero que muitos tenham recebido, no mínimo, uma centelha da esperança que Dom Odilo tentou passar. Neste dia ele fez serem lembradas, em sua fala e especialmente em seus atos, as palavras do Evangelho:

"Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós." João 15:18

"Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem." Mateus 5:44

"Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.


 Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á." Mateus 16:24-25

10 de março de 2013
Guilherme Freire