"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 19 de março de 2013

FRASE DO DIA



"Uma linha tênue separa a necessidade da troca de ministros da cooptação eleitoral. E o pior é o silêncio cúmplice da maioria."


Deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), sobre a substituição de Brizola Neto por Manoel Dias no Ministério do Trabalho para garantir o apoio do partido a Dilma nas eleições de 2014

19 de março de 2013

VÍDEO PRÓ MARCO FELICIANO ATACA OPOSITORES DE DEPUTADO

Parlamentar é cliente de produtora de vídeo, mas assessores negaram ter feito encomenda

 

SÃO PAULO – Um vídeo postado no Youtube e divulgado pelo Twitter do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) nesta segunda-feira ataca adversários políticos e opositores do parlamentar à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Intitulado ‘Marco Feliciano Renuncia’, o vídeo começa dizendo:
‘Feliciano, cansado, sobrecarregado, caluniado. A sua última alternativa foi renunciar’.

Assessores do parlamentar disseram que o vídeo foi produzido pela Wap TV Comunicação, que tem entre seus clientes Feliciano e o pastor Silas Malafaia, mas não encomendado pelo deputado. Conhecido por declarações polêmicas sobre negros e homossexuais, o pastor responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por homofobia e estelionato.

A narração fala que a Comissão de Direitos Humanos ‘sempre foi presidida por simpatizantes de movimentos homossexuais’. O vídeo mostra quem são opositores de Feliciano e cita, entre outros, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), chamados de ‘líderes que fazem discursos políticos inflamados no preconceito contra cristãos’.

No fim, diz o vídeo que Feliciano ‘decidiu renunciar, renunciar sua privacidade, renunciar noites de paz e sono tranqüilo, renunciar momentos preciosos com a própria família, a fim de não renunciar a Comissão de Direitos Humanos para que a sua família seja preservada’ e conclama os telespectadores: “renuncie você também”.

19 de março de 2013
O Globo

DILMA FAZ ACORDO E MANTÉM PRESIDENTE DA INFRAERO

Exigência foi imposta ao PMDB em troca do comando da Secretaria de Aviação Civil para Moreira Franco

 
BRASÍLIA – O presidente da Infraero, Gustavo do Vale — que é funcionário de carreira do Banco Central — continuará à frente da estatal. Essa foi a exigência da presidente Dilma Rousseff feita ao PMDB para dar o comando da Secretaria de Aviação Civil (SAC) a Moreira Franco, ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Ele vai substituir Wagner Bittencourt, do BNDES, que assumiu a SAC há cerca de dois anos.

A Infraero está debaixo do guarda-chuva da SAC, e há uma preocupação do governo em não permitir que a empresa vire novamente um cabide de emprego, como foi no passado, sobretudo do próprio partido. Dessa forma, a atual diretoria da Infraero também deverá ser mantida.

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Segundo interlocutores, a Infraero passa por um processo de modernização na gestão. O estatuto foi alterado e a empresa tem projetos para tocar com a iniciativa privada não só na concessão dos aeroportos, mas também em parceria com grandes operadores estrangeiros na prestação de serviços, com a criação da Infraero Serviços. O governo pretende preparar a estatal para futura abertura de capital.

Entre as missões do novo ministro está a concessão de Galeão e de Confins (Belo Horizonte), com licitação prevista para setembro. Para os dois aeroportos, a estimativa de investimentos é de R$ 11,4 bilhões. Os estudos que vão fundamentar os editais ficarão prontos em abril.

Além disso, a SAC vai comandar um programa audacioso para estimular a aviação regional, que prevê investimentos públicos de R$ 7,3 bilhões, a fim de incrementar o serviço do transporte regular de passageiros em 270 aeroportos de pequeno porte em todo o país. O dinheiro virá do Fundo Nacional de Aviação Civil, que será abastecido pelo pagamento dos novos concessionários dos aeroportos.

Bittencourt deverá voltar para o BNDES. No ano passado, ele passou por um processo de “fritura”, acusado de ter sido o responsável pelo resultado do leilão de Guarulhos, Brasília e Viracopos, que deixou de fora grandes operadores estrangeiros. Ele fora indicado por Luciano Coutinho, presidente do BNDES, numa alternativa ao nome preferido da presidente, o de Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil. Maranhão atua na iniciativa privada e não aceitou o convite.

19 de março de 2013
Geralda Doca

PORTO SEGURO COMISSÃO DE ÉTICA DA PRESIDÊNCIA QUER MAIS EXPLICAÇÕES DE SERVIDORES

Comissão amplia o prazo de resposta para 30 dias a partir da notificação


BRASÍLIA - A Comissão de Ética Pública, que se reuniu nesta segunda-feira, pediu mais explicações aos servidores envolvidos na Operação Porto Seguro, mas ampliou o prazo de resposta para 30 dias a partir da notificação.

O procedimento ético relatado pela conselheira Suzana Gomes Correa foi aberto em dezembro do ano passado e envolve a ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha, o ex-advogado-adjunto da União José Weber de Holanda e os irmãos Paulo e Rubens Vieira, ex-diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).


- Estamos aguardando o prazo. Serão 30 dias, dada a complexidade do tema. É um tema muito complicado. O processo é muito grande. Temos de garantir a ampla defesa - afirmou o presidente da Comissão de Ética, Américo Lacombe.

Rosemary, Weber e os irmãos Vieira são acusados de participarem do esquema de venda de pareceres técnicos do governo a empresas privadas. A Comissão de Ética recebeu o inquérito da Operação Porto Seguro, composto por oito volumes, e abriu novo prazo para os envolvidos, na semana passada. Os 30 dias vão vencer conforme a data da notificação de cada um deles.

A comissão também recebeu explicações da Corregedoria Geral da Advocacia da União (CGAU) sobre o arquivamento de sindicância aberta no órgão para investigar a atuação do ministro da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams, no esquema investigado pela Operação Porto Seguro. Segundo a AGU, o documento enviado à comissão "apresenta os fundamentos jurídicos da Corregedoria que afastam qualquer irregularidade" de Adams no caso.

19 de março de 2013
Luiza Damé, O Globo

SONOS TRANQUILOS

 

Cidadãos comuns, sem acesso às complicadas engrenagens do Estado, têm o direito — e às vezes o exercem — de desconfiar de que as autoridades nem sempre cumprem o que devem e prometem. Mas não é comum que ocupantes de altos cargos manifestem a mesma preocupação.

É curioso, portanto — ou, melhor dizendo, bastante preocupante —, que um alto funcionário afirme publicamente o temor de que decisões de tribunais não sejam cumpridas com a rapidez necessária.

Tem considerável importância, portanto, que numa recente entrevista o procurador-geral da República, Roberto Gurgel (que, deve-se lembrar, está em fim de mandato), tenha sentido a elogiável necessidade de cobrar agilidade na execução das penas impostas — sem possibilidade de qualquer recurso — aos cidadãos (todos da turma de colarinho branco, é bom lembrar) condenados no chamado processo do mensalão.


O qual, é sempre bom lembrar, ocupa a vergonhosa posição de maior escândalo político dos últimos anos. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, última instância do Poder Judiciário, 25 réus foram condenados; 23 receberam penas de prisão, e 11 deles cumprirão a pena, pelo menos inicialmente, em regime fechado.

O caso teve o resultado merecido, que muita gente não esperava. A cobrança de Gurgel não é apenas oportuna: para quem se lembra do desfecho de muitos outros casos do gênero, pode ser definida também como surpreendente e exemplar.

Mas o bom trabalho do Judiciário não está concluído. Alguns pessimistas podem dizer que, no Brasil, nunca é simples ou rápido mandar para a cadeia condenados de colarinho branco. Nem será, desta vez.

Primeiro, é preciso que o STF publique o acórdão do julgamento — uma providência burocrática: não há desculpa para adiamento. Depois, o tribunal terá de julgar recursos dos réus. Como todos têm recursos para contratar os melhores advogados da praça, pode-se imaginar quanto tempo isso pode demorar.

É justa e oportuna, portanto, a preocupação do procurador-geral. Deveria servir de estímulo a uma revisão do sistema. O que provavelmente não acontecerá. Há muita gente, no Congresso e no Executivo, que prefere as coisas como estão. O pessoal — com as exceções de praxe — dorme mais tranquilo.

19 de março de 2013
Luiz Garcia

OS TRÊS PORQUINHOS REAÇAS


Reproduzo esse magnífico artigo do também candango Juventude Conservadora da UNB

Era uma vez três porquinhos: Cícero, Heitor e Prático. Um belo dia, os três porquinhos decidiram sair da casa de sua mãe e construir as próprias casas. Cícero construiu para si uma casa de palha, Heitor, uma casa de madeira, e Prático, uma casa de tijolos. Cícero e Heitor construíram rapidamente suas casas, enquanto Prático demorou mais para construir a sua, já que era mais difícil erguer paredes de tijolos do que de palha ou de madeira.

Certa vez, apareceu um lobo nas redondezas. Movido por sua natureza predatória, o lobo quis devorar os porquinhos. Indo à casa de Cícero, o lobo bateu à porta. Cícero se escondeu, mas o lobo derrubou a casa com seu poderoso sopro, fazendo Cícero fugir. Em seguida, o lobo foi à casa de Heitor, que também se escondeu quando o lobo bateu à porta. Novamente, o lobo usou seu sopro poderoso, derrubando a casa do segundo porquinho, que fugiu para a casa de seu irmão Prático – onde encontrou Cícero, que fugira para lá antes.

O lobo, então, foi à casa de Prático. Tentou derrubar a casa, mas não conseguiu, pois a casa de tijolos era bem forte. Então, o lobo empreendeu uma nova tática e, vendo que a casa tinha uma chaminé, tentou usá-la para entrar na casa. No entanto, Prático acendeu o fogo e pôs sobre ele uma panela, que começou a queimar a cauda do lobo. O lobo fugiu, machucado, e os porquinhos ficaram a salvo. Mas não por muito tempo.

Dias depois, todos os jornais noticiaram que o pobre lobo havia sido discriminado pelos três porquinhos, que haviam adotado uma postura conservadora e reacionária contra o lobo por não quererem entender a sua natureza. O lobo entrou com uma representação na Secretaria Especial da Igualdade Animal da Presidência da República, que encaminhou o caso ao Ministério Público Animal. O Ministério Público Animal, após alguns dias de investigação, encaminhou denúncia à Justiça Animal contra os três porquinhos por especismo (preconceito contra uma espécie) e tentativa de lupicídio. Diversas ONGs do movimento lupino promoveram “esculachos” na frente da casa dos porquinhos, denunciando o inaceitável conservadorismo suíno. O Conselho Lupinista Missionário publicou uma carta-aberta do lobo, denunciando que o ato cometido contra ele pelos porquinhos representava o genocídio que a nação lupina sofria nas mãos da elite suína.

A comoção nacional foi geral. Passeatas foram convocadas nas redes sociais contra o genocídio lupino, os revoltados acrescentando em seus nomes o termo Loboni-Uivoá em homenagem ao pobre lobo. Personalidades animais manifestaram-se no Twitter, deram declarações a jornais e revistas, e até um vídeo foi elaborado com atores de uma prestigiosa emissora de televisão para sensibilizar as pessoas. O Executivo criou a Campanha do Despanelamento com a justificativa de recolher as panelas clandestinas para reduzir os índices de violência e promover uma cultura de paz. As ONGs do movimento lupino entraram com uma ação de expropriação contra os porquinhos com base em estudos que apontavam que aquela região pertencia originalmente aos ancestrais lupinos, expulsos dali pelo agronegócio suíno muitas décadas antes. A Justiça Animal considerou a ação procedente, acatou o pedido e despejou os porquinhos, ordem que foi cumprida pela Força de Segurança Animal, dando a casa para o lobo. Presos, os porquinhos foram condenados pela Justiça Animal pelos crimes de tentativa de lupicídio e especismo, o que rendeu a eles uma pena bastante pesada. Importantes apoiadores da causa lupina, como o Frei Lobonardo Boff, disseram que aquele era um dia especial para todas as vítimas do especismo reacionário dos porcos brancos de olhos azuis, e outros aplaudiram a decisão da Justiça Animal, que certamente representava a valorização das lutas históricas dos povos lupinos.

Em tempo: esta é uma adaptação livre de um conto infantil, e se trata apenas de uma pequena obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
 
19 de março de 2013
candango conservador

É O SANATÓRIO BRASILEIRO!

E o pastor Feliciano, quem diria?, é alvo de campanha homofóbica promovida por … gays!


Vejam esta imagem.
 
 
Esse é o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Reproduzo trecho de reportagem de Leonardo Guandeline no Globo Online. Volto em seguida:

 Uma foto publicada no Instagram do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, virou motivo de chacota nas redes sociais nesta segunda-feira. Datada de 23 semanas atrás, a imagem mostra o pastor provavelmente alisando os cabelos. No título da imagem, a frase: “Momento descontração…Raridade!!!”, seguida de mais de 650 comentários – até o início desta noite-, a maioria zombando do parlamentar e chamando Feliciano de “bicha”, “diva”, “bee” e “mona”, entre outros.
 
Voltei

Pois é…
Eu sou uma das pessoas que enroscam com o PLC 122, a tal lei que, dizem, pretendem punir a homofobia. Entre outras coisas, já apontei aqui algumas vezes, o texto pretende punir seletivamente a palavra e, não há como ignorar, cria uma categoria especial de pessoas. Mesmo na versão mais branda, a da senadora Marta Suplicy (PT-SP), entende-se que matar um gay é coisa mais grave do que matar um não-gay. Segundo a proposta, o Artigo 121 do Código Penal ficaria com esta redação (transcrevo parte em vermelho; atenção para o Inciso VI):

 Art. 121
Matar alguém:
Pena — reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
(…)
§ 2º Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
VI – motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
(…)
 
Imaginem a seguinte situação esdrúxula num tribunal. Para evitar o agravamento da pena, o advogado do homicida teria de tentar provar que seu cliente matou apenas uma pessoa, não um gay. Ou ainda: “Meritíssimo e senhores jurados, meu cliente sempre imaginou que Fulano de tal fosse heterossexual!” As palavras, lamento!, fazem sentido, e eu sou fascinado pelo sentido que elas têm. Pergunta óbvia: um michê que assassinasse um cliente — acontece às vezes — se enquadraria no caso? Ou por outra: gay que matasse gay incidiria no Inciso VI?
O texto de Marta também muda o Artigo 140 do Código Penal. Prestem atenção:

 “Art. 140
Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
 
Ofender a dignidade e o decoro alheios, como a gente vê, é passível de punição; no caso de sujeito ser gay (ou pertencer a uma das outras minorias influentes), a punição é maior . Certo.
 
Voltando ao caso

Agora vamos voltar ao caso da foto. O pastor está sendo chamado de “bicha” e variantes. Ele próprio já havia contado que alisa o cabelo — sua mãe é negra, como se sabe. Está sendo chamado de “bicha”, e os sites noticiosos estão divulgando isso por aí e se divertindo a valer. Não só isso: uma rápida pesquisa no Google demonstra que expressões como “diva”, “bee” e “mona” integram justamente o jargão de muitos gays quando entre iguais; é com se referem uns aos outros.
 
O texto do Globo, também vazado em tom jocoso, informa ainda que há comentários como: “Pronta pra bater cabelo na boate”, “tá linda bee”, “arrasou na progressiva…vai pega (sic) os bofe (sic) tudo na balada”. Outra foto no Instagram, em que ele aparece sentado num sofá vermelho, com um paletó da mesma cor, também mobilizou a turma: “Que pintosa!” Outro ainda: “Poderosa, atrevida”.
 
Vamos ver

O que querem mesmo os sindicalistas do movimento gay com a suposta Lei Anti-Homofobia? Não seria justamente coibir que se apele à condição sexual do outro num eventual conflito? O sentido moral do texto, havendo um, não seria justamente educar a sociedade contra esse “preconceito”?
 
Avanço um pouco para indagar: além de a tal lei, então, criar uma categoria superior de vítimas, criaria também uma categoria especial de agressores? Até onde se sabe, Feliciano não é gay, certo? Mas ele poderia ser tratado, em termos pejorativos, como se fosse sem que isso caracterizasse homofobia? Aí diria um simples de alma:
 “Ora, claro que sim! Afinal, ele não é gay”. Mais uma: um gay que recorresse a essas expressões para degradar um outro gay estaria praticando homofobia, ou não existiria esse tipo de crime entre iguais? Insisto: um hétero que se referisse a um homo como “bicha e diva”, em sentido crítico (é o que estão fazendo com Feliciano), estaria praticando, segundo a lei, homofobia, mas certamente não se consideraria homofobia que um homo assim se referisse a um hétero.
A PLC 122, vejam que coisa!, torna parte do vocabulário de uso privativo de uma minoria. Ofensa, assim, passa a ser apenas o que esse grupo considera ofensa.
 
Chega a ser engraçado ver o pastor Feliciano, que é heterossexual, ser alvo de uma campanha homofóbica promovida, tudo indica, dada a natureza do vocabulário, por uma patrulha gay que o acusa de.. homofóbico!!! É um hospício!
 
Eis aí mais uma evidência de que as milícias politicamente corretas estão menos preocupadas com a tolerância como um valor universal (escrevi um post a respeito) do que com a defesa de seus particularismos. No fim das contas, a PLC 122 se reduz a uma fórmula, que pode ser assim sintetizada:

a) Se homo chama homo de bicha – não há crime!
b) se homo chama hétero de bicha – não há crime!
c) se hétero chama hétero de bicha – não há crime!
d) Se hétero chama homo de bicha – AÍ É CRIME DE INTOLERÂNCIA!
 
Dá para levar a sério?
 
19 de março de 2013
Por Reinaldo Azevedo

A BRUXA VISITA O PAPA



19 de março de 2013

CONSPIRAÇÃO RODIN


Como o Petista Tarso Genro Fez Para Destruir Santa Maria e o Estado
 
Como Tarso Genro agiu para liquidar reputações e garantir sua eleição para o governo gaúcho. No dia 6 de novembro de 2007 – já se passaram mais de cinco anos desde esse fatídico dia – os gaúchos foram sacudidos por uma bombástica operação político-policial.
 
Pessoas de grande destaque na vida do Estado e de Santa Maria foram conduzidas à prisão, algemadas, como se fossem grandes bandidos. Instituições foram dizimadas, como a Universidade Federal de Santa Maria, pesquisas foram encerradas e os autores dessa barbaridade não hesitaram sequer em grampear os telefones do falecido bispo emérito Dom Ivo Lorscheiter.
 
A Operação Rodin foi uma criação direta do petista Tarso Genro. Na verdade, tratou-se da Conspiração Rodin, montada pelo aparato policial manipulado pelo PT para destruir reputações e, com isso, limpar o campinho para Tarso Genro chegar ao governo do Estado do Rio Grande do Sul sem encontrar oposição.
Rasputin-manipulador de corações e mentes
Partidos políticos foram amedrontados e tornados reféns desse Rasputin petista provinciano. O PP foi devastado. O PMDB foi intimidado. O PTB se transformou em um apêndice direto do PT.
 
O PDT foi lembrado de que deveria ficar bem quietinho no seu canto. Para iniciar a Conspiração Rodin, o seu chefe, Tarso Genro, comandante da Polícia Federal na época, foi buscar a colaboração inicial de figuras da Universidade Federal de Santa Maria, que não hesitaram em colaborar, funcionando como delatores vulgares, com denúncias anônimas que originaram as investigações que levaram até as prisões.
 
Ficou claro no curso do processo quem eram essas figuras “anônimas”: Tomé Lovato, professor do Centro de Ciências Rurais, no Departamento de Solos (hoje ele é o diretor do CCR, que teve o maior número de alunos mortos no incêndio da assassina boate Kiss); Clóvis Lima, ex-reitor e ex-secretário de Saúde de Santa Maria; e Felipe Muller, hoje reitor da UFSM e ex-presidente do Conselho da Fatec.
O processo começou com um depoimento de Tomé Lovato, um delator barato e vulgar, que sequer assumiu a autoria de denúncia, o que foi tornado público no processo pelo depoimento do secretário executivo da Fatec, Silvestre Selhorst.
 
Essas figuras abastardaram a nobreza da vida acadêmica e contribuíram para destruir pesquisas e projetos de desenvolvimento humano, liquidando com as fundações de apoio ao trabalho acadêmico, a Fatec e a Fundae, que financiavam atividades universitárias. Eles liquidaram com a fábrica de conhecimento.
 
Tudo motivado apenas por inveja, por mesquinharia, pela volúpia por dinheiro. Para colocar a conspiração em pé, Tarso Genro não vacilou em usar seus conhecimentos e suas relações.
Foram acionados procuradores federais, delegados federais, o próprio superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul. Para variar, todo mundo era de Santa Maria: Tarso Genro, o delegado federal Ildo Gasparetto, o delegado geral da Polícia Federal na época, Luiz Fernando Correa, também de Santa Maria; o delegado federal local, Gustavo Schneider; os procuradores federais, Rafael Miron, Harold Hoppe e Jerusa Viecelli (os três não hesitaram em denunciar ex-colega, poucos dias depois de terem ido à festa de casamento do mesmo).
 
Há mais de cinco anos este processo vem se arrastando. A juíza Simone Barbisan Fortes, que havia prometido publicamente sentenciar o processo em no máximo um ano, há vários anos pedia para se mandar de Santa Maria. Agora conseguiu transferência para Florianópolis, mas o Tribunal Regional Federal condiciona sua mudança ao término do processo no primeiro grau, com a emissão da sentença.
 
Os procuradores federais, colegas e alunos de denunciados por eles mesmos, também trataram de se escafeder da cidade: um foi para Itajaí, outro para Canoas, outra para Lajeado.
Quem é que fica em Santa Maria? Ficam na cidade as pessoas que moram ali e as que vêm de fora para estudar. Santa Maria: que era uma cidade da luz, do conhecimento, onde as pessoas se preparavam para o futuro, para o progresso de suas vidas. Hoje, nas mãos do policialesco Tarso Genro, é a cidade que mata seus jovens, mata o futuro, mata o conhecimento, mata a independência das suas instituições e mata os que trabalham pela vida.
Como os nazistas e os comunistas, Tarso Genro faz seu culto da morte. Ele não é um Miguel de Unamuno, reitor que defendia a Universidade de Salamanca; ele é igual ao general fascista Astray, que gritava: “Viva a morte”. Tarso Genro é Astray.
 
O então ministro da Justiça, o policialesco Tarso Genro, no dia seguinte ao da operação de execração pública das instituições e das pessoas detidas, comparece na sede da Polícia Federal em Porto Alegre, acompanhado de todo o seu séquito de KGBs e declara, de maneira vergonhosa: “Espero que eles possam provar sua inocência”. Isso é um escândalo monumental, ainda mais saído da boca de um ministro da Justiça. Em um Estado Democrático de Direito, o que se presume, sempre, em primeiríssimo lugar, é a inocência das pessoas, e não suas supostas culpabilidades.
Ou seja, o policialesco comunista Tarso Genro, que declarou seu amor ao facínora Lênin, estava de largada condenando os presos que ele tinha investigado e que pretendia indiciar para a Justiça. Esse é o entendimento de Justiça e Direito do policialesco Tarso Genro.
 
O lançamento do livro Conspiração Rodin - A Arte de Destruir Reputações, de João Luiz Vargas, ocorreu no dia 12 de março de 2013, às 19 horas, no Clube do Comércio de Porto Alegre - Praça da Alfândega, Rua dos Andradas, nº 1085 e ele pode ser adquirido mediante contato com o e-mail que se segue.
 
19 de março de 2013
João Luiz Vargas
 
Valor do exemplar – R$ 25,00
 
Fonte: panfleto do autor

GRAVE É A AGRESSÃO À NOSSA HUMANIDADE, QUE NÃO PODE SER MASCARADA PELA MILITÂNCIA RACIALISTA, DE GÊNERO, DE SEXUALIDADE, DE COSTUMES.

Contra a sindicalização do espírito!


Na Universidade de São Paulo, campus de São Carlos, um grupo de estudantes promove um desfile chamado “Miss Bixete”.
As calouras são instadas a mostrar, numa espécie de passarela, os seios e a bunda para a macharia se divertir. É evidente que se trata de um absurdo, e ninguém precisa estar contaminado pelo pensamento politicamente correto para se indignar.
 
Um grupo de “feministas” resolveu protestar. Dois marmanjos reagiram tirando a calça; um deles simulou masturbação em público. Fotos postadas no Facebook nesta segunda do trote promovido, na sexta, por alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais estão gerando protestos na rede.
Há cenas grotescas de estudantes fantasiados de Hitler, fazendo a saudação nazista etc. E está lá a imagem que vocês veem abaixo. Um rapaz prende numa corrente as mãos de uma estudante com o corpo coberto por tinta preta.
Ela traz pendurada no pescoço a inscrição: “Caloura Chica da Silva”, numa alusão à escrava alforriada que foi amante de João Fernandes de Oliveira, um rico contratador de diamantes, com quem teve 13 filhos. Chica fez história em Diamantina. O suposto algoz sorri. É tudo brincadeira? É claro que é tudo brincadeira. Duvido que haja por ali nazistas ou racistas militantes. Avancemos.
 
Os representantes do Centro Acadêmico já se manifestaram, segundo leio no Globo. “Nossa posição é de total repúdio ao machismo, racismo e homofobia”, afirma Leonardo Custódio , que é vice-presidente do Centro Acadêmico de Direito. Ele diz que o CA não participou da organização do trote. A entidade decidiu convocar uma reunião para tratar do assunto. Também no caso de São Carlos, houve protestos contra os “ismos” e as “fobias” — naquele caso, deu-se especial combate ao “machismo”.
 
Pois é. Em menos de uma semana, o papa Francisco se fez a imagem e o porta-voz da esperança. Suas primeiras palavras — e é certo que o tempo dirá se os augúrios se confirmam — nos lembram de um humano intransitivo, que merece respeito, que tem de ser preservada a sua dignidade, sua intocabilidade, pouco importando sexo, origem social, religião… 
Francisco fala de um Deus que “não se cansa de perdoar” — nós é que costumamos nos cansar de pedir perdão, ele notou. E nem por isso a Igreja haverá de anuir com o que considera pecado. Não que essa mensagem seja estranha à Igreja. Não é! Nesse caso, o que importa é o acento conferido pelo Sumo Pontífice à importância da misericórdia. Fala-se, então, de um Deus que abraça em vez de excluir.
 
As esquerdas, especialmente as latino-americanas, mostram-se visivelmente preocupadas. Se a essência do cristianismo é o amor redentor, os esquerdistas acreditam mesmo é no ódio que redime, aquele que, nas palavras de seu “cristo” mixuruca, Che Guevara, “ faz do homem uma eficaz, violenta, seletiva e fria maquina de matar”. Che, aliás, reescreveu, na teoria e na prática, a Oração da Paz, de São Francisco — homenageado agora pelo novo papa.
A versão trevosa é assim:

 Senhor! Fazei de mim um instrumento de matar.
Onde houver amor, que eu leve ódio.
Onde houver perdão, que eu leve a ofensa.
Onde houver união, que eu leva a discórdia.
Onde houver a fé, que leve as dúvidas.
Onde houver a verdade, que eu leve o erro.
Onde houver a esperança, que eu leve o desespero.
Onde houver a alegria, que eu leve a tristeza.
Onde houver a luz, que eu leve as trevas.
 
Em boa parte do planeta, esse tipo de luta não é mais possível. Em seu lugar, promove-se a guerra cultural de todos contra todos. Os valores de um grupo, dos “idênticos entre si”, tomam o lugar dos valores universais — e, em alguns casos, ousam subtrair direitos da maioria em nome ou da proteção às minorias ou da reparação de injustiças históricas. É evidente que esse é o espírito contrário à mensagem essencial do cristianismo. A vasta literatura esquerdista chama esse “homem universal” de mera fantasia do discurso ideológico “conservador”, “de direita”, que busca mascarar as desigualdades para eternizá-la. Horacio Verbitsky, a pena armada contra o papa a serviço de Cristina Kirchner, já escreveu que Francisco está aí para dar alguns pitos nos ricos e pregar conformismo aos pobres da América Latina, contra, ele sugere, os governos ditos “populares” — refere-se a tipos como a própria Cristina, Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales…
 
“Endoidou, Reinaldo? O que isso tudo tem a ver com os episódios lamentáveis da USP de São Carlos ou da Federal de Minas?” Tem tudo a ver. Explica até a reação e a cobertura dispensada ao caso tétrico do rapaz que teve seu braço decepado na Avenida Paulista, em São Paulo.
 
Esses episódios se tornam notícias e mobilizam a imprensa não porque direitos fundamentais do homem estejam sendo agredidos, mas porque as minorias sindicalizadas acusam o ataque a um dos seus, ainda que de maneira simbólica. O QUE ESTOU DIZENDO, MEUS CAROS, É QUE, SE O MAIS NÃO NOS CAUSAR INDIGNAÇÃO, NÃO SERÁ POR INTERMÉDIO DO MENOS QUE VAMOS NOS SALVAR. Os pretos são menos do que “o” humano. Os brancos são menos do que “o” humano. As mulheres são menos do que “o” humano. Os cristãos são menos do que “o” humano. Os judeus são menos do que “o” humano. Os homossexuais são menos do que “o” humano. Os ciclistas são menos do que “o” humano…
 
Compreendo, sim, que haja expressões de todos esses grupos a apontar discriminações específicas, particulares, que existem. Ou serei eu a negar o racismo, o antissemitismo, a cristofobia, a homofobia, o machismo? Todas essas manifestações de estupidez estão por aí. A questão é saber com quais valores e com quais instrumentos nós vamos combatê-las.
Eu estou absolutamente convencido de que a militância particularista, que pede leis especiais de proteção para minorias — em vez de cobrar que as leis que garantem a igualdade sejam efetivamente aplicadas — contribuem para o enfraquecimento daquilo que um dia já se chamou “humanismo” em benefício desses particularismos.
 
A expressão muitas vezes exacerbada de uma pauta específica, que diz respeito a uma comunidade em particular, acaba gerando reações também indesejáveis, ainda que não se trate de uma escolha política. Eu duvido que aquele tonto que segura a caloura pintada de preto seja um racista; duvido que os idiotas que promovem a Miss Bixete tratem mães, namoradas ou irmãs, que mulheres são, como prostitutas. É muito provável que não.
Esses atos estúpidos não chegam nem mesmo a ser sinceros; são uma espécie de contrafação, de falsa resistência àquela exacerbação militante. “Já que as feministas ficam tão bravas, então tome Miss Bixete; em tempos de cotas, tome Chica da Silva acorrentada”… Não! Não são os “fascistas” se manifestando, como querem alguns tontos; tampouco se trata da “direita”, dos “reacionários”…
 
Trata-se de reações imbecis, que se pretendem bem-humoradas, num quadro, vejam que coisa!, de decadência dos valores gerais do humanismo e de triunfo dos particularismos. Não há, por exemplo, discurso racional possível que suporte, em nome do feminismo, a defesa da legalização do aborto. Não há como. O que atenta contra a vida não pode ser em favor da “mulher” como categoria; em situações excepcionais, atenção!, a vida de “uma” mulher, não de “A mulher”, pode estar numa relação opositiva com a do feto — e, para tanto, a legislação brasileira tem uma resposta. Proteger ou ampliar os direitos dos gays, dos negros, dos índios, de quem quer que se sinta discriminado, não convive, não numa ordem racional ao menos, com a agressão a fundamentos da democracia e do humanismo.
 
Deploro os imbecis que se manifestaram daquela forma em São Carlos ou em Minas; repudio todos esses atos de degradação da pessoa humana, ainda que sob o pretexto da brincadeira e da galhofa; jamais convivi bem com esses rituais de humilhação que agridem a natureza exclusiva do homem (“que diabo é isso, Reinaldo?”); nem mesmo estou entre aqueles que condescendem tranquilamente, a exemplo de certa antropologia do miolo mole, com “variantes culturais” em que certas práticas violentas são consideradas “normais”. Sim, se fosse missionário, também eu tentaria impedir certas tribos de enterrar vivos seus bebês deficientes… Também nesse sentido, sou muito “jesuítico”.
 
A propósito: é próprio e exclusivo da natureza humana ter consciência de si; também é próprio e exclusivo da natureza humana ter consciência da existência do “outro”.
Portanto, o que é vivo no homem é intocável, ainda que ele próprio já não possa mais responder por si mesmo; ainda que ele próprio pedisse para morrer — para que pedisse, forçoso seria que vivo estivesse; não me cumpriria lhe tirar a chance do arrependimento. O homem não é Deus. Também a eutanásia é uma abominação.
 
Sem a clareza da inviolabilidade da vida e da intocabilidade do outro, a convivência se degrada. Durante a Revolução Cultural na China, e não era brincadeira naquele caso, pessoas eram realmente amarradas, exibiam cartazes no peito se confessando traidoras e eram expostas à humilhação. Intelectuais de esquerda mundo afora aplaudiam aquele “novo homem”…
 
Quem sabe ler entendeu que não estou minimizando aqueles episódios lamentáveis nas universidades. Eu estou, na verdade, afirmando que são mais graves do que parecem e que nossa reação de indignação não pode ser seletiva nem pautada pelos sindicalistas do espírito.
 
19 de março de 2013
Por Reinaldo Azevedo

A VOLTA DA FARSA-TAREFA

“Dilma liga para governador e oferece ajuda para cidades alagadas no RJ”


Manchete no portal Globo.com de hoje e dos jornais de amanhã – provavelmente na editoria de cinismo.

Sergio Cabral ainda não disse se aceita ajuda. Mas, por via das dúvidas, a Farsa-Tarefa antichuvas, constituída por Dilma depois da enchente do ano passado na região serrana do Rio (veja o post publicado na seção Vale Reprise), já separa ternos escuros e ensaia rostos circunspectos e dolorosos para foto a ser publicada no Portal do Planalto e reproduzida também por todos os jornais.

Enquanto isso, Dilma vai pedir bênção ao papa e absolvição para os 16 soterrados de Petrópolis – pecadores mortais que ela condenou hoje, em Roma, por não terem saído antes do local de onde foram levados pela enxurrada.

PS: a declaração de Dilma, culpando os mortos de Petrópolis por terem morrido e prometendo ações mais drásticas contra eles, talvez chova no molhado. Mas acho que vai repercutir muito mal, de Roma para o mundo. O papa, pelo menos, não gostaria muito de saber disso…

19 de março de 2013
CELSO ARNALDO ARAÚJO

O MITO DA PRESIDENTE WORKAHOLIC

 

Ao longo dos últimos dois anos, os propagandistas de Dilma Rousseff construíram vários figurinos, todos fracassados pela dura realidade dos fatos.
O último foi o da presidente workaholic. Trabalharia diuturnamente, seria superexigente, realizaria constantes reuniões com os ministros, analisaria detidamente os projetos e cobraria impiedosamente resultados.

Porém, os dados oficias da sua agenda, disponibilizados na internet, provam justamente o contrário.
Em agosto despachou com 17 ministros. Um terço deles, apenas uma vez (como Aldo Rebelo e Celso Amorim). Deu preferência a Paulo Sérgio Passos, Gleisi Hoffman e especialmente para Guido Mantega, recebido 9 vezes.

Se a a maioria deles não teve um minuto de atenção da presidente, o mesmo não se aplica a Rui Falcão, presidente do PT, e até ao presidente da UNE, Daniel Iliescu, que foram ouvidos a 9 e 22 de agosto, respectivamente.

Dilma pouco se deslocou de Brasília. Numa delas foi a São Paulo, no dia 6. Saiu às 11h30m direto para o escritório da Presidência da República na capital paulista, à época ainda sob a responsabilidade de Rosemary Noronha.

Dilma foi se encontrar com Lula. Passaram horas discutindo política. Às 18h40m, retornou a Brasília. Foi a única atividade do dia.

Em setembro recebeu 14 ministros. Os mais assíduos foram os que despacham no Palácio do Planalto (Miriam Belchior, Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti; as duas últimas, quatro vezes, e a primeira, três) e Aldo Rebelo (Esportes), três vezes.

Uma sequência de 12 dias com pouquíssima atividade chama a atenção. No dia 5 recebeu um ministro (Edison Lobão) às 9h e não há mais qualquer registro. No dia seguinte trabalhou das 10h às 12h. E só. No feriado compareceu ao tradicional desfile. Na segunda-feira, dia 10, só registrou duas audiências, uma às 10h e outra às 15h.

Dois dias depois, foi uma espécie de “quarta maluca”. A presidente teve apenas dois compromissos e nenhum administrativo: às 15h, recebeu o presidente do PCdoB, “o partido do socialismo”, Renato Rabelo, e uma hora depois, mostrando o amplo arco de apoio do governo — e haja arco! —, o megaempresário Jorge Gerdau. E mais nada.

No dia seguinte compareceu à posse de um ministro e ao lançamento de um programa de incentivo do esporte de alto rendimento. Na sexta-feira (14), anotou na agenda às 10h um despacho interno e rumou, no início da tarde, para Porto Alegre, onde permaneceu o fim de semana e a segunda-feira — neste dia visitando dois estaleiros.

Nada mudou em outubro. Despachou com 19 ministros. Fez uma breve viagem ao Peru, visitou São Luís e São Paulo (duas vezes: uma delas novamente ao escritório da Presidência da República e para mais um encontro com Lula).

Se muitos ministros, em três meses, não foram recebidos pela presidente, o mesmo não ocorreu com Renato Rabelo. O presidente do PCdoB teve mais uma audiência, a segunda em dois meses. Dilma teve tempo para ouvir Fernando Haddad, prefeito eleito de São Paulo, no dia 29, e, dois dias depois, o de Goiânia. Ambos do PT. Curiosamente a agenda não registrou — caso único — onde a presidente esteve nos dias 27 e 28, fim de semana.

Dilma manteve em novembro sua estranha rotina de trabalho. Recebeu 15 ministros. Dois pela primeira vez, nos últimos 4 meses: Paulo Bernardo e Antonio Patriota.

Concedeu duas audiências a prefeitos eleitos: de Niterói, Rodrigo Neves, do PT; e Curitiba, Gustavo Fruet, do PDT e apoiado pelo PT. Fez uma longa viagem à Espanha e uma breve à Argentina. Mas três dias se destacam pelas curiosas prioridades: 21, 22 e 23. Na quarta-feira (21), a presidente não recebeu nenhum ministro e não efetuou qualquer despacho administrativo. Dedicou o dia a José Sarney, Gim Argello, Eduardo Braga e ao seu vice-presidente, Michel Temer.

Como ninguém é de ferro, à noite assistiu o filme “O palhaço”. No dia seguinte, a agenda registrou três compromissos, um só com ministro (o dos Portos), a posse do presidente e vice-presidente do STF e um encontro com a apresentadora Regina Casé. E na sexta-feira? Somente duas audiências e no período da tarde.

Dilma incorporou o péssimo hábito de que o mês de dezembro é “de festas”. Fez duas viagens ao exterior (França e Rússia) e despachou com apenas 9 ministros. Antecipou o réveillon para o dia 28, suspendendo as atividades por 13 dias, até 9 de janeiro.

Iniciou o novo ano com a mesma disposição do anterior: pouquíssimos despachos, audiências ou reuniões de trabalho. Em janeiro, despachou com 11 ministros. Lobão foi o recordista: quatro vezes. E, por incrível que pareça, e sempre de acordo com a agenda oficial, concedeu pela primeira vez em um semestre uma audiência para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Melhor sorte teve o ex-jornalista Franklin Martins: esteve duas vezes, em apenas quatro meses, com Dilma.

Nesse semestre (agosto de 2012/janeiro de 2013), nove ministros — cerca de um quarto do ministério — nunca foram recebidos pela presidente: Marcelo Crivella, Aguinaldo Ribeiro, Garibaldi Alves Filho, Brizola Neto, Gastão Vieira, Maria do Rosário, Eleonora Menicucci, José Elito e Alexandre Tombini (presidente do Banco Central, mas com status de ministro).

Outros não mais que uma vez. Uma reunião entre a presidente e alguns ministros de áreas correlatas nunca foi realizada. Em alguns dias (como a 16 de janeiro), não concedeu nenhuma audiência e nem efetuou despachos internos. Pior ocorreu duas semanas depois, a 30 de janeiro, uma quarta-feira: está sem nenhum compromisso. É uma agenda de uma workahloic?

19 de março de 2013
Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP)

ONDE ESTÁ O MINISTÉRIO PÚBLICO QUE NÃO PROCESSA OS POLÍTICOS RESPONSÁVEIS POR TRAGÉDIAS NAS CHUVAS?

 

A presidenta Dilma Rousseff e seu futuro-provável candidato a vice-presidente, Serginho Cabral, simulacro de governador do Rio de Janeiro, deveriam ser processados por crime de (ir) responsabilidade diante da incompetência em reduzir o impacto mortal das chuvas na região serrana fluminense. A incompetência gerencial da dupla Dilma-Cabral é responsável direta por pelo menos mais 18 mortes em previsíveis temporais em fim de verão.
Por que Dilma não bota sua turma de aspones para acompanhar a execução de obras de contenção de encostas, orçadas em R$ 60 milhões, no sempre prometido e nunca acabado Programa de Aceleração do Crescimento – o famoso conto do PACo? Por que Sergio Cabral e os prefeitos da região serrana não cumprem a lei e o bom senso, retirando milhares de moradores de áreas de risco, antes que as tragédias aconteçam. E por que o Procurador-Geral da República ou os Procuradores estaduais de Justiça não processam os omissos pseudogestores – que nunca cumprem o dever legal, moral e funcional?
Os milhões de reais, em dinheiro público para obras fundamentais, nunca chegam na hora. E quando chegam, sempre atrasados, acabam apenas fazendo a alegria dos empreiteiros e políticos. A verba termina superfaturada em termos aditivos aos contratos e o excedente acaba distribuído, de forma corrupta, nos mensalões ou nas “doações” para a próxima campanha eleitoral (festa cínico-cívica de roubalheira que temos a cada dois anos) para o cassino da urna eletrônica eleger quem pouco ou nada fará pelo interesse público, de forma muito bem remunerada.
Ontem, foi patético ouvir a Presidenta Dilma dar mais uma de suas desculpas esfarrapadas diante de tragédias, diretamente do passeio em Roma para a audiência especial antes da posse do Papa Francisco. Como de costume, tentando forjar a imagem completamente falsa de “grande gerente”, Dilma prometeu medidas mais rigorosas para evitar novas vítimas nos grandes “tsunamis serranos”. Tradicionalmente defensivo, o discurso dela foi:
“A nossa prevenção não estava com nenhum tipo de problema. O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair. Acho que vão ter de ser tomadas medidas mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões em que não podem ficar".
No fim das contas, corrupção, demagogia, burocracia, descaso e incompetência se misturam, maleficamente, para produzir tragédias humanas previamente anunciadas no Brasil – a cada dia mais um País de Tolos. Quem resumiu muito bem a situação de sempre diante das chuvas e suas previsíveis tragédias foi o professor do Departamento de Geografia da PUC-RJ, Rogério Ribeiro de Oliveira, em entrevista ao jornal O Globo: “A obra é sempre para remendar. Para prevenir, os investimentos quase não existem. As áreas de risco recebem muito pouca atenção. Existe uma frouxidão do poder público, que só aparece quando há tragédia”.
Na verdade, no Brasil, a tragédia é o suposto poder público – por trás do qual se esconde o Governo do Crime Organizado.
Quem tem boca...
Esperança é a última que morre...
O Supremo Tribunal Federal deu ontem mais um alento de que o respeito ao Estado Democrático de Direito pode se tornar realidade, algum dia, no Brasil.
Até o julgamento final pelo plenário do STF, a ministra Carmem Lúcia derrubou a aplicação da estúpida, irracional, inconstitucional nova divisão dos royalties do petróleo, recém aprovada pela maioria governista no Congresso – com apoio velado da turma do Palhaço do Planalto.
Em seu despacho, Carmem Lúcia fez até uma prosa poética do nosso caos de insegurança do Direito em relação à Lei 12.734/2012:
Se nem certeza do passado o brasileiro pudesse ter, de que poderia ele se sentir seguro no Estado de Direito? Já se disse que o Brasil vive incerteza quanto ao futuro, mas tem também insegurança quanto ao presente, e o que é pior e incomum, também tem por incerto o passado.
Grande Comprador do Universo
A Forbes informa que Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, vai às compras novamente.
Agora, ele é sócio da Diletto, marca de sorvetes criada no Brasil, mas com tecnologia italiana.
Pela participação minoritária de 20% na empresa, Lemann pagou cerca de R$ 100 milhões.
Alegria, alegria
Quem comemorou foi Leandro Scabin - o fundador da Diletto e sócio de Lemann:
"Juntos vamos transformar a Diletto na nova Haagen Dazs, com lojas espalhadas pelo mundo e faturamento anual de R$ 1 bilhão".
O negócio foi fechado com a intermediação da empresa Innova – cujos sócios são Marcel Telles e Verônica Serra.
Perdas da água
O Instituto Trata Brasil apresenta hoje os resultados do estudo “Perdas de água: entraves ao avanço do saneamento básico e riscos de agravamento à escassez hídrica no Brasil”.
 
Será a partir das 10h, na Cidade Universitária da USP - Auditório da Colméia - Rua do Anfiteatro, 181 - Favo 17 (Próximo a Praça do Relógio e ao CINUSP).
 
O Presidente Executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, juntamente com o Prof. Dr. Rudinei Toleto Jr, da USP-Ribeirão Preto, falarão da situação das perdas de água no País, correlacionando-as com a perda de recursos financeiros ao setor nos Estados e Regiões brasileiras.
 
Na estrada...
Maior evento de infraestrutura viária e rodoviária do Brasil, será aberta nesta terça-feira, em São Paulo, a Brasil Expo Road 2013.
A feira, programada até quinta-feira no Transamérica Expo Center, será um importante palco de discussão da retomada do setor no País e para a geração de negócios.
Sotreq/Caterpillar, TEREX, Grupo Wirtgen, Tracbel, Cibi, Maxter, LDA Tanques, Keller, Benninghoven, Ticel, NAS Brasil, Emit, Rentamax, IMB, Dynapac, Romanelli, CPB Concreto Projetado do Brasil, Geobrugg AG, Maccaferri América Latina são algumas das empresas que participam do encontro.
Protestar é preciso?
 
Senhores dos anéis
 
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

19 de março de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
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