"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 19 de março de 2013

EMPREGO NA INDÚSTRIA TEM RECUO DE 1,1% EM JANEIRO - ESTE É O 16o. RESULTADO NEGATIVO CONSECUTIVO NA COMPARAÇÃO COM JANEIRO DE 2012

 

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De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, do IBGE, em janeiro de 2013, o recuo de 1,1% frente a janeiro de 2012 foi reflexo das demissões em dez dos 14 locais pesquisados.
 
O principal impacto negativo ocorreu na região Nordeste (-4,8%), onde 14 dos 18 setores investigados demitiram mais do que contrataram.
Os maiores impactos ocorreram nas indústrias de alimentos e bebidas (-7,0%), calçados e couro (-5,7%),
refino de petróleo e produção de álcool (-14,0%),
vestuário (-4,3%),
indústrias extrativas (-9,9%)
e têxtil (-4,8%).
 
As indústrias de São Paulo (-1,0%),
Rio Grande do Sul (-3,1%),
Pernambuco (-9,0%)
e Bahia (-4,2%) registraram taxas negativas no nível de ocupação.
A pesquisa do IBGE mostra que o valor da folha de pagamento real caiu 5% em janeiro deste ano, na comparação com dezembro de 2012. Foi a segunda taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando, segundo o instituto, perda de 6,9%.
 
Agência Brasil
19 de março de 2103

REFORMA ELEITORAL

 

 
O mais notável na mais recente mudança ministerial do governo Dilma talvez tenha sido a data em que os novos ministros assumiram seus cargos. Em Brasília, sábados não costumam combinar com cerimônias oficiais. Afora esta esquisitice, nada vai mudar na Agricultura, no Trabalho ou na Aviação Civil.
O que já era ruim não tem risco de melhorar.
Não se consegue identificar nenhum critério de mérito que justifique os nomes escolhidos pela presidente da República para cuidar da área que rende o maior volume de divisas para o comércio exterior do país, para a pasta que deveria zelar pela manutenção dos empregos dos brasileiros ou para o órgão que deveria impedir que um apagão nos aeroportos leve o país a dar vexame na Copa do Mundo.
Mas, obviamente, é fácil ver que dar um ministério mais parrudo ao PMDB, voltar a abrigar a ala mais poderosa do PDT no governo e incluir mais um mineiro na Esplanada tem tudo a ver com as aspirações eleitoreiras de Dilma Rousseff. O único objetivo é distribuir nacos de poder, garantir apoios e tempo de TV na disputa do ano que vem.
Governar bem é o que menos importa.
"Nessa perspectiva é que se enquadram as mudanças que equivocadamente são chamadas de reforma. Não mudam coisa alguma, não visam à melhoria de desempenho, não atendem a um projeto delineado de país e a maioria das pastas não tem importância", comentou Dora Kramer n'O Estado de S.Paulo de ontem.

Pergunte-se, por exemplo, o que esperar de Antônio Andrade. Sua pasta tem a função de administrar a colheita da maior safra de grãos da história, mas mostra-se incapaz de garantir a armazenagem dos estoques e não tem a mais vaga noção do que fazer para enfrentar o apagão logístico que toma conta do país.
O que será que Manoel Dias tem em mente para fazer com que o país passe a gerar oportunidades de trabalho melhor remuneradas e não só empregos que pagam menos de dois salários-mínimos?
Teria o preposto de Carlos Lupi alguma proposta para evitar que o FAT continue a ser sangrado para financiar empresas escolhidas pelos donos do poder?
E Moreira Franco:
terá desenvolvido na sua antiga Secretaria de Assuntos Estratégicos planos tão mirabolantes para ajudar o país que agora o credenciam a ser escalado para dar um jeito nos aeroportos que não funcionam? Será que sua missão será inventar um novo jeito de privatizar sem dizer que está privatizando e depois rasgar o modelo para nunca mais usar porque só atraiu operador de quinta categoria?
Todas estas perguntas podem parecer meras provocações, mas se justificam num governo que atingiu o assombroso número de 39 ministérios, uma "burrice", uma "loucura", uma "irresponsabilidade"que já foi longe demais, como disse Jorge Gerdau à Folha de S.Paulo na sexta-feira.

Para manter esta mastodôntica estrutura, incluindo a da Presidência, só neste ano serão gastos R$ 212 bilhões apenas em salários e outras despesas de custeio, como viagens, alimentação e material de escritório, de acordo com a edição da revista Veja da semana passada.
Não há a menor sombra de dúvida que o governo petista age, única e exclusivamente, para perpetuar-se no poder. Uma máquina de 39 cabeças que engole duas centenas de bilhões de reais todos os anos para existir não se presta a servir melhor à população.
Presta-se a produzir votos, apoios partidários e a manter o domínio de um grupo político sobre o país.
Custe o que custar.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Reforma eleitoral
19 de março de 2013

"ARGENTINA, EM MARCHA BATIDA PARA O ABISMO"

 
A Argentina, segundo o comentário venenoso de um diplomata americano que conheço, é um ex-país desenvolvido. A despeito de sua acidez, a frase revela uma certa verdade: nosso vizinho do sul já foi um país rico. Hoje, porém, está sem crédito internacional por não pagar suas dívidas, praticamente sem investimentos estrangeiros por falta de segurança jurídica.

Seu crescimento econômico está alavancado em subsídios ao consumo sob forma de tarifas artificialmente baratas de gás, eletricidade e transportes.

Em outras palavras, o modelo não é sustentável. Para completar o quadro de arrepios às regras internacionais existe uma proteção ilegal à sua indústria, como acaba de ser evidenciado pela ação que vários dos países mais importantes do comércio mundial movem contra a Argentina na OMC.

Essa proteção é danosa ao Brasil, que por causa dela perdeu muitos bilhões de dólares em exportações no ano passado. Este quadro econômico aponta implacavelmente para o retrocesso do país.


Escrevi faz algum tempo o seguinte comentário: "Há mais de vinte anos, um importante ministro argentino ensinou a um surpreso embaixador brasileiro recém-chegado a Buenos Aires que a 'Argentina é pródiga em três coisas: carne, trigo e gestos tresloucados'.


A decisão de expropriar a participação majoritária da Repsol na YPF foi um desses gestos. Somada à inadimplência de dez anos da dívida externa, que representa uma grave violação da ordem jurídica internacional, e ao crescente e arbitrário protecionismo que viola todas as regras do Mercosul e da OMC, a decisão coloca a Argentina à margem da legalidade global.

Como me escreveu um grande amigo argentino recentemente, o governo argentino 'busca la maximización del presente. Eso fue el peronismo de los 50, el menemismo - aunque con algunas reformas para nada despreciables - y el kirchnerismo'.

E na mesma correspondência acrescentou: 'Existe también entre nosotros un desequilibrio político muy pernicioso, que agudiza el mal anterior. Entre Cristina y su segundo, Binner, hubo 37 puntos de diferencia. Lo mismo sucedió con Perón en el 51. Hoy el gobierno controla 23 distritos sobre 24, además de las dos cámaras. En Brasil, la oposición gobierna los grandes estados y eso genera una dinámica virtuosa en muchas dimensiones'.


Gestos dessa gravidade têm sempre consequências sérias, mesmo que no imediato pareçam benéficos e sejam saudados pelo povo com orgulho e alegria. A longo prazo, essas ações terminam por pôr o país à margem das principais correntes de crédito, investimentos e comércio, ou seja, de todas as atividades que geram prosperidade e oportunidades econômicas para uma nação.


O mau governo orienta-se pelo valor imediato de popularidade que obtém com seus atos impulsivos e não pensa nas consequências de seus atos no futuro". A cada dia que passa fico mais convencido de que a Argentina está em marcha batida para o abismo.


Se não bastasse, a sra. Cristina Fernandez de Kirchner está aprofundando sua ofensiva contra instituições básicas como a imprensa livre e o Poder Judiciário, que são ambas os últimos bastiões da resistência democrática. A deputada Elisa Carrió, que já foi candidata à Presidência, comentou, com agudeza, que "a única coisa que Cristina deseja é sua impunidade (...) se o povo não se defender rápido nos resta pouco tempo de uma Argentina republicana".


Citações assim poderiam ser apresentadas fartamente e se contrapõem a outra, desta vez de autoria da procuradora-geral da República, Alejandra Gils Carbó, que afirmou: "A Justiça atual é ilegítima, corporativa, obscurantista e lobista". Um procurador de Benito Mussolini na década de 30 subscreveria a esse fraseado com especial prazer. As manobras contra a grande imprensa são também bem conhecidas.

Canais de rádio e televisão têm sido comprados por empresários cuja reputação duvidosa é ressaltada em Buenos Aires e que coincidentemente são ligados à presidente. Como disse um importante jornalista do La Nación, José Crettaz, "a Casa Rosada (sede da Presidência) aprovou uma compra de meios (de comunicação) que violou a lei e depois permitiu que um empresário que cometeu essa irregularidade saísse incólume". A guerra da sra. Kirchner contra os Grupos Clarín e La Nación prossegue e visa a calar ou pelo menos cercear as duas maiores colunas mestras da liberdade de imprensa argentina.

Como se vê, a Argentina envereda velozmente para um modelo de partido e poder únicos. O populismo desenfreado já garantiu à presidente uma votação maciça nas últimas eleições. O peronismo detém, pela mesma razão, maioria esmagadora no Congresso e em quase todos os governos provinciais. Para completar o modelo de Estado autoritário e onipotente só falta controlar o Judiciário e a imprensa livre.


Quando isso ocorrer, o governo poderá tudo e as instituições democráticas e republicanas estarão subjugadas. A perspectiva de alternância no poder, que já é tênue, estará acabada. Esse filme já foi visto em diversas épocas e muitos países do mundo. E acaba mal.


E o Brasil nisso? Perdemos muito espaço em nosso principal mercado de produtos manufaturados por efeito do protecionismo arbitrário argentino, como já mencionado. Nossas empresas investidoras na Argentina padecem muitas vezes sob a interferência excessiva dos governantes e são levadas à decisão de vender e sair do país, como é o caso da Petrobrás, que desempenhava papel importante na indústria de combustíveis.


Ninguém pode, entretanto, derivar daí uma postura confrontacionista de nossa parte ou subestimar a relevância de nossas relações com nosso maior vizinho. Houve muitas vezes tempos melhores, mas com a Argentina temos um casamento indissolúvel, seja como for.

É por isso mesmo que devemos lamentar a destruição sistemática dos fundamentos da democracia argentina e esperar que dias melhores permitam restaurar o vigor de nossa relação econômica.

É por isso também que considero que não devemos abundar em gestos e palavras de solidariedade. Os ditadores adoram afagos, mas os democratas devem abster-se de fazê-los.

19 de março de 2013
Luiz Felipe Lampreia

EDUARDO 'PINÓQUIO' CAMPOS E OS PORTOS


Ontem, novamente, Eduardo Campos, presidenciável do PSB, saiu com esta:
"Se eu tivesse sido chamado para discutir internamente a Medida Provisória dos Portos, teria falado. Não fui. Fiquei calado, não tive nenhum fórum para me colocar. Depois dela publicada, vocês (imprensa) me procuram, a comunidade pernambucana com justa razão se preocupa e quer ouvir nossa posição."
O secretário especial de Portos, Leônidas Cristino (foto), é indicado pelo PSB, partido do governador pernambucano. Ao que parece, o que está faltando para o Eduardo Campos é conversar mais dentro do seu partido e não dentro do governo da Dilma, onde quer ser situação, oposição e tudo mais a um só tempo.
 
19 de março de 2013
in coroneLeaks

CAMPOS VOLTA A CRITICAR 'VELHAS LIDERANÇAS POLÍTICAS CARCOMIDAS'

Plateia de mulheres saudou governador de Pernambuco com um coro 'Brasil pra frente, Eduardo presidente'
 
O governador Eduardo Campos (PSB), provável candidato à presidência da República, voltou a criticar "as velhas lideranças políticas carcomidas" do País ao falar nesta segunda-feira, 18, para uma plateia de cerca de duas mil mulheres, no teatro Guararapes, no Recife, onde foi ovacionado e alvo de um coro coletivo "Brasil pra frente, Eduardo presidente".
"Estamos num processo de construção de um novo Brasil, que precisa também de um novo pacto social e político", disse ele, durante evento em homenagem às mulheres e em defesa da igualdade de gênero. "Não vamos arrancar o resto de machismo que tem na máquina pública desse país com as velhas lideranças políticas carcomidas que nunca assumiram os compromissos de romper com esses cacoetes e deformações".
Para esse novo pacto, segundo ele, "é hora de enxergarmos os desafios de uma grave crise econômica que cerca o mundo desde 2008, como uma oportunidade para que o Brasil possa embalar seus sonhos".
O governador, que tem assumido uma forte movimentação nacional visando ao fortalecimento do seu nome como presidenciável, também afirmou, em entrevista concedida depois de um outro evento - assinatura de ordem para a construção de um túnel, dentro de um projeto de mobilidade para o Recife - não se sentir alvo da presidente Dilma, que defendeu um pacto de coalizão para garantir a governabilidade e cobrou lealdade dos aliados. "Nossa posição é de solidariedade com esse projeto", reafirmou, ao lembrar que "foi o PSB, ainda no encerramento de 2012, que colocou essa questão da convergência".
"Mas, agora precisamos discutir o Brasil e isso não pode ser um incômodo, não pode ser tratado com intolerância àqueles que querem fazer um debate sob uma visão estratégica do País". Destacou que essa discussão deve ser feita "de forma serena, porque é nossa tradição, com bom senso, mas com a coragem de enxergar adiante".
Críticas. Indagado se o fato de criticar o governo Dilma - como ele tem feito ultimamente - ajuda a presidente, ele destacou que existem fóruns para as críticas dos aliados mas, na falta de oportunidade, é preciso ter a responsabilidade de falar.
"Aliados do governo quando tem oportunidade de falar devem falar ao próprio governo, quando não se tem essa oportunidade, tem de ter responsabilidade de falar o que a gente deve falar", afirmou ao exemplificar com uma matéria que o incomodou, a MP dos Portos, que tira a autonomia do Porto de Suape, um dos alicerces do recente crescimento econômico do Estado. "Se eu tivesse sido chamado para discutir internamente a Medida Provisória dos Portos teria falado", disse.
"Não fui (chamado), fiquei calado, não tive nenhum fórum para me colocar depois dela publicada, vocês (imprensa) me procuram, a comunidade pernambucana com justa razão se preocupa e quer ouvir nossa posição".
Ele observou ter dito ao ministro dos Portos ser favorável à melhoria dos portos, sim, com investimentos e melhoria do marco legal. "Agora temos três preocupações centrais: os Estados que têm seus portos não percam o resto de autonomia que já foi tirado e muito em 2001 e depois, que não haja ambiente de concorrência desigual".
Entre risos, disse: "Imagina se eu tivesse falado o que Gerdau falou", ao se referir ao empresário Jorge Gerdau, que condenou a criação de ministérios, agora num total de 39, para acomodar aliados políticos.
E lembrou que o próprio Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência da República, "colocou essa questão (em relação à MP dos Portos), e me parece que o governo já avança nesses dois pontos, de autonomia e concorrência em ambiente similar". Sobre a terceira preocupação, ele observou que a presidente já respondeu no conselho de desenvolvimento social que não tiraria direitos dos trabalhadores.
Agenda. O presidente nacional do PSB negou estar com uma agenda cheia pelo País por ser possível candidato e que essa movimentação signifique que sua candidatura seja irreversível. "Candidaturas serão discutidas em 2014, até porque ninguém sabe dizer agora o que vai acontecer com cada um dos partidos em 2014, estão todos internamente debatendo", desconversou. "Em todo partido tem gente pensando de um jeito e gente de outro, o tempo das definições ainda vai chegar".
Ao responder a uma pergunta se tem teme retaliação do governo federal por conta dessa movimentação política, ele foi taxativo: "Nenhum temor". "Não é de nossa tradição temer este tipo de coisa e em da presidente agir desta forma".
Disse ainda estar cumprindo a mesma agenda de sempre, desde antes de 2007, participando de muitos debates e fóruns para falar da experiência no governo estadual, o que ajudou a trazer muito mais investimentos para Pernambuco do que para outros Estados. "Só que agora vira notícia", disse, ao admitir estar "atendendo a mais telefonemas".
Ele confirmou que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ex-desafeto e agora aliado, quer fazer um debate sobre o pacto federativo no Senado. Falta fechar a data.
19 de março de 2013
ANGELA LACERDA - O Estado de S. Paulo
 

CAPRILES DIZ QUE ESTÁ DISPOSTO A FECHAR TORNEIRA DE PETRÓLEO A CUBA

 
O candidato opositor à Presidência da Venezuela disse nesta segunda-feira que está disposto a deixar de entregar petróleo a Cuba, o que colocaria fim a um dos pactos petrolíferos mais defendidos pelo presidente Hugo Chávez, morto no último dia 5.

"Os presentes a outros países vão acabar. Não vai mais sair nenhuma só gota de petróleo para financiar o governo dos Castro", disse Henrique Capriles em discurso a universitários.

Ele advertiu que, se eleito, também fechará a torneira que abastece com petróleo outros países aliados da Venezuela com condições vantajosas para os compradores..

Sob uma emaranhada rede de convênios internacionais, Caracas entrega petróleo a cerca de 20 países do Caribe, América Central e América do Sul.

Capriles enfrentará o presidente interino e herdeiro político de Chávez, Nicolás Maduro, nas eleições presidenciais de 14 de abril.

Caracas e Havana assinaram um convênio em 2000 sob o qual a Venezuela se comprometeu a entregar petróleo à ilha em troca da prestação de serviços médicos às populares missões empreendidas por Chávez para atender aos segmentos mais pobres da sociedade.

O convênio foi se ampliando e Cuba começou a prestar serviços em setores como mineração, esporte, eletricidade, entre outras áreas da economia.

"Castro usa os venezuelanos, usa nosso povo, para que esse governo fique rico. Não é o povo, os povos são irmãos", acrescentou Capriles.

19 de março de 2013
DA REUTERS

"FRANCISCO"

Marca, design, conduta, relações públicas, alinhamento interno: "habemus papam"
Que coisa mágica é a vida. Estava eu chegando a Buenos Aires na semana passada para uma reunião de trabalho e jamais poderia imaginar que estivesse ali naquele dia para presenciar a mão do Espírito Santo e da história.

Saí do Aeroparque, o belo aeroporto ribeirinho da capital argentina, e fui até o meu hotel trocar de roupa antes de minha reunião. Liguei a televisão e, para a minha surpresa, o papa já havia sido escolhido.

Durante a próxima hora, eu e o mundo esperamos para ver que novo papa a fumaça branca nos traria. E eis que ele chegou. Surpreendente como a vida. Um argentino. E eu em Buenos Aires.

Começava ali uma aula de comunicação para o mundo que resume e mostra de maneira instintiva tudo o que os teóricos enchem a paciência e perdem um tempo enorme para explicar: a comunicação de 360 graus.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio mostrou sem PowerPoint nem lero-lero como uma palavra pode mudar tudo, como um nome pode ser capaz de transmitir para o mundo todo uma mensagem tão poderosa e precisa.

A palavra é Francisco.

Francisco é uma palavra rica de significados num mundo pobre de significado.

Francisco quer dizer coma moderadamente num mundo obeso. Francisco quer dizer beba com alegria num mundo que enfia a cara no poste. Francisco quer dizer consumo responsável em sociedades de governos e consumidores endividados. Francisco quer dizer o uso responsável do irmão ar, do irmão mar, do irmão vento e de todas as riquezas debaixo do irmão Sol e da irmã Lua.

Francisco é um freio de arrumação não só na Igreja Católica Apostólica Romana, mas na sociedade a quem ela deve guiar. Em 24 horas, Bergoglio pegou uma instituição que estava emparedada e a tirou da parede, transportou-a dos intramuros do Vaticano para o meio da rua, para o meio do rebanho.

Comunicar é o papel da igreja. Para isso, foram escritos o Velho Testamento e o Novo Testamento, e Jesus não deixa dúvida quando disse aos apóstolos:
"Ide e anunciai o Evangelho".

Ide, ao contrário do que faz a gorda Cúria Romana, quer dizer ir, não quer dizer ficar em Roma. Quer dizer ir e anunciar.

E anunciar hoje é muito mais do que o comercial de 30 segundos. Anunciar hoje é usar todas as ferramentas disponíveis, todos os pontos de contato com seu público. Papa Francisco sabe disso muito bem.

Tanto sabe que muito antes de se apresentar ao mundo na sacada do Vaticano baixou um Steve Jobs nele, e, quando o monsenhor veio lhe oferecer uma veste toda rebuscada, Francisco Jobs retrucou:

Se o senhor quiser, pode vesti-la, monsenhor, eu, não. O carnaval acabou.

É digno de reparo que Francisco não fez pesquisas nem testes antes de criar tudo isso. Não precisava. Foi buscar sua mensagem no DNA da igreja. E está escrevendo certo por linhas tortas.

Mesmo as coisas conservadoras que têm dito, coisas com as quais eu pessoalmente não concordo, são muito relevantes. A igreja não pode querer agradar a todo mundo. Ela tem que marcar territórios e significar coisas, e, ao fazê-lo, naturalmente exclui almas de seu rebanho.

Marca, design, conduta, relações públicas, endomarketing, alinhamento interno: "habemus papa".

Francisco se utilizou de todos os recursos do marketing para passar sua mensagem rapidamente, com alto impacto e precisão, para o público interno e para o público externo.

Parece até que o 3G Capital assumiu o comando da igreja. Choque de gestão, orçamento base zero, alinhamento com a cultura perdida, volta às raízes, fé no trabalho, administração franciscana e disciplina de jesuíta de santo Inácio e professor Falconi.

Paradoxalmente, Francisco hoje acredita numa gestão mais parecida com Lutero do que com a tradição romana. Mas a igreja só teve que se enfrentar com Lutero porque ao longo do tempo se esqueceu da palavra Francisco.

19 de março de 2013
Nizan Guanaes

CARA DE PAU!!! DE ROMA, DILMA NEGA PROBLEMAS NA PREVENÇÃO DE CHUVAS NO RIO

Cabral anunciou nesta tarde a liberação de R$ 3 milhões para Petrópolis. Dezesseis pessoas morreram em decorrência de desabamentos. Ministro da Integração Nacional virá ao Rio na terça-feira
 


A presidente Dilma Rousseff descartou nesta segunda-feira problemas nos sistemas de prevenção no caso das fortes chuvas que castigam Petrópolis desde a noite de domingo. Segundo ela, as pessoas não podem permanecer em locais com possibilidades de desastres, e prometeu medidas mais rigorosas para evitar mais vítimas.

Enquanto isso, o governador Sérgio Cabral anunciou nesta tarde a liberação de R$ 3 milhões para o município. Até o momento 235 adultos e 325 crianças tiveram que deixar suas casas no município.

— A nossa prevenção não estava com nenhum tipo de problema. O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair. Acho que vão ter de ser tomadas medidas mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões em que não podem ficar — disse a presidente. — Não tem prevenção que dê conta se você ficar num determinado lugar mesmo sabendo que tem que sair.

Dilma, que está em Roma para assistir na terça-feira à missa inaugural do Papa Francisco, contou que telefonou para o governador Sérgio Cabral e para a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ela lamentou a morte de servidores públicos nas tentativas de resgates e assegurou que todo o sistema de proteção de desastres está sendo “totalmente mobilizado” para atender à Região Serrana:

— É uma questão de conscientizar. O homem não tem condições de impedir desastre. Ele pode impedir a consequência do desastre, e é isso que a gente tem lutado para fazer no Brasil. Seja através dos sistemas de satélite, dos pluviômetros, e articulação de todas as defesas civis do Brasil.

O balanço mais recente divulgado da Defesa Civil de Petrópolis nesta segunda-feira revela que os locais mais afetados na cidade pela chuva são Quitandinha, Independência e Morim. O número de mortos chega a 16. São 560 desabrigados e desalojados, sendo 140 famílias. No total, são 235 adultos e 325 criancas. Ainda há três ou quatro pessoas desaparecidas. Há 18 abrigos oferecidos à população. E 15 mil pessoas estão em áreas de risco na cidade.

Segundo os dados divulgados, em 24 horas, foram registrados 440 milímetros de chuva nos bairros mais afetados, como o Quitandinha. Para todo o mês de marco, eram esperados 270 milímetros

— A situação de Petrópolis é realmente muito, muito grave — disse, ao “Bom dia Rio”, o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, ressaltando que o prefeito do município já decretou estado de emergência no município.

Ministro da Integração Nacional virá ao Rio na terça-feira

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, virá ao Rio na terça-feira, para acompanhar a situação em áreas atingidas pelas chuvas no estado. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo ministério. Além disso, ainda nesta segunda-feira, representantes da Defesa Civil nacional desembarcam no estado: o secretário Nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, e o diretor de Minimização de Desastres do Ministério da Integração Nacional, Armin Braun. Segundo a pasta, eles irão reforçar o apoio do governo federal aos municípios e ao estado.

Segundo o ministério, técnicos da Defesa Civil Nacional também compõem a equipe que irá ao Rio, responsável por coordenar as ações em casos de desastres, além de reforçar o trabalho de socorro e assistência à população. A Integração Nacional afirma ainda que o estado e os municípios ainda não solicitaram formalmente recursos para a Defesa Civil.

19 de março de 2013
O Globo

BRASIL E MÉXICO SUSPENDEM VISTOS PARA TURISTA POR PERÍODO DE ATÉ 90 DIAS

Medida passará a valer a partir de data ainda a ser definida pelos dois países
 
Brasileiros que forem para o México a turismo, por períodos de até 90 dias, não vão precisar mais de vistos. A medida será implementada a partir de data ainda a ser definida, “no mais breve prazo possível”, informou nesta segunda-feira o Itamaraty, por meio de nota. A regra será recíproca para os mexicanos que visitarem o Brasil.

De acordo com o governo brasileiro, decisão vai estimular a relação entre Brasil e México beneficiando diretamente os turistas e aqueles que viajam a negócios.

“O governo brasileiro saúda particularmente a possibilidade de que cidadãos mexicanos possam viajar ao Brasil, sem a necessidade de obterem previamente o visto de entrada, para assistir aos grandes eventos de 2013 (Copa das Confederações e Jornada Mundial da Juventude), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Olimpíadas e Paraolimpíadas)”, diz o texto.

Os dois países resolveram retomar o acordo que havia sido suspenso em setembro de 2005. Assinado em 2000, o acordo permite a permanência por períodos de até 90 dias, contados a partir da data de entrada, renováveis, desde que a permanência total não exceda 180 dias no período de um ano.

O Itamaraty destaca que o comércio entre Brasil e México cresceu 244% de 2002 a 2012, quando totalizou US$ 10 bilhões, 11% a mais que em 2011. De acordo com o governo brasileiro, no ano passado o Brasil foi o 8º parceiro comercial do México. O México, por sua vez, se tornou, no acumulado de janeiro a novembro de 2012, o 10º parceiro comercial do Brasil.

19 de março de 2013
O Globo

MAIORIA DOS PREFEITOS DIZ QUE ASSUMIU CIDADES SUCATEADAS

Levantamento da CNM aponta que Saúde é área com mais problemas

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que quase a metade (46%) de 4.023 dos 5.568 prefeitos brasileiros que responderam a um questionário produzido pela entidade informou ter encontrado uma situação ruim ou péssima nas cidades. Nos últimos dois meses, a CNM apresentou 11 perguntas sobre o retrato das prefeituras.
De acordo com a CNM, 2.450 (62%) de 3.934 prefeitos reclamaram da falta ou do sucateamento dos equipamentos públicos. A área da Saúde, por sua vez, aparece em primeiro lugar entre os maiores obstáculos, segundo 2.105 (47%) dos chefes de Executivo. Já questões relacionadas à infraestrutura vêm em seguida: 1.167 (26%). Para 433 deles (10%), a Educação está na terceira colocação entre as principais dificuldades .
 
A pesquisa abordou ainda o endividamento dos municípios. Dos 3.897 prefeitos que responderam a esta questão, 2.339 (60%) contaram ter dívidas com fornecedores de, em média, 5,7 meses. A CNM perguntou também se recursos correntes, como Fundo de Participação dos Municípios e ICMS, seriam suficientes para “pôr a casa em ordem” nesses primeiros meses de gestão. Das 3.810 respostas, 2.378 (62%) afirmaram que não.
 
Em 857 cidades (22%) do total de 3.912, os prefeitos admitiram atrasos na folha de pagamento de pessoal em cerca de 1,73 meses. Os gestores de 597 (15%) de 3.958 cidades contaram que, por enquanto, não pagaram o 13º salário dos funcionários referentes ao ano passado.
 
— Não adianta fazer apenas reuniões com os prefeitos. Não adianta dar remédio para baixar a febre, se a pneumonia já tomou conta dos dois pulmões. Essa pesquisa mostra a gravidade em que os prefeitos do Brasil iniciarão a gestão este ano — disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
 
Para Mônica Pinhanez, professora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV), os números da pesquisa retratam a falta de capacitação:
 
— Muitos prefeitos não sabem administrar. Às vezes, nem é questão de má fé. Falta treinamento, conhecimento com questões orçamentárias. Tem município que faz fronteira com outros país ou com os próprios estados que não têm computador. A Lei de Responsabilidade Fiscal é firme. Agora, o gestor precisa aprender a gerir neste limite.
 
De 4.007 prefeitos que responderam, ainda que parcialmente o questionário, 2.066 (52%) são de oposição e iniciaram o primeiro mandato este ano. Deste total, 1.515 disseram ter recebido uma “herança maldita” dos antecessores. Outros 1.941 (48%) foram reeleitos ou eleitos por políticos aliados que já estavam no poder. Destes, apenas 346 admitiram iniciar o segundo mandado em situação ruim ou péssima.
 
19 de março de 2013
Cássio Bruno - O Globo

"COM INVEJA DE KIRCHNER, DILMA DESANDA A FALAR BESTEIRA SOBRE A IGREJA E O PAPA"

Dilma fica com inveja de Cristina Kirchner e desanda a falar besteira sobre a Igreja Católica e sobre o papa. Minha Nossa Senhora de Forma Geral!
 

Lamentáveis as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a Igreja e o papa Francisco. Ficou com inveja de Cristina Kirchner. O páreo, a depender da área, é duro. Vejam a violência que as duas praticaram contra o Paraguai no caso do Mercosul. O tratado do bloco recusa o ingresso de ditaduras. Jogaram fora a democracia paraguaia e acolheram a ditadura venezuelana. Em certos quesitos, as duas se juntam como massa negativa.
O resultado é inferior à soma das partes. Antes que trate das batatadas da hora, cumpre lembrar um pouquinho a trajetória recente do binômio “Dilma-Igreja”, sempre destacando que a presidente brasileira tem uma boa maneira de se preservar de críticas como esta: dispensando-se de tratar de assuntos sobre os quais não entende nada.
A Presidência da República, com seu vasto palco para enganos e desenganos laicos, deveria lhe bastar. Seria prudente abster-se dos temas religiosos. Ou, então, que vá estudar o tema.
Dilma, na vida adulta, nunca foi católica. Pode ter sido na infância e na primeira juventude por influência da família. Depois de taludinha, suas opções foram outras. Como ela já deu mostras de se orgulhar do seu passado, não vai se importar se eu lembrar que, em vez de se ajoelhar no altar do Cristo, preferiu os da Polop e da VAR-Palmares, duas organizações terroristas. Era da área de inteligência.
Que se saiba, nunca matou ninguém, mas as organizações de que ela era um dos “seres inteligentes” mataram, sim. Em tempo de Comissão da Verdade, preferem fingir que isso é mentira. Mas é verdade!
Com efeito, isso nada tem a ver com a essência do cristianismo.
Em entrevista, Dilma já declarou que reza quando o avião balança — “uma rezadinha”, ela disse. É o que chamo de Teologia da Cumulonimbus. Ainda candidata dos primeiros dias, foi ao programa de Datena, chamou Nossa Senhora de “deusa” — fundando, então, o politeísmo cristão! — e se disse devota dessa entidade. O entrevistador, querendo puxar papo para ver se a conversa rendia, indagou: “De qual Nossa Senhora?”.
Ela não hesitou: “Ah, de Nossa Senhora de forma geral”. A Nossa Senhora de Forma Geral é a padroeira dos políticos que estão tentando dar um truque nos católicos, afetando uma fé que não têm. No fim das contas, acham que religião é uma besteira, coisa de gente atrasada, do miolo mole.
Já andam até dizendo que o cérebro dos crentes é menos desenvolvido do que o dos ateus e agnósticos. Imaginem que prodígios não teriam realizado Santo Agostinho, Santo Tomás, Pascal e Descartes se tivessem um cérebro como o de Dilma Rousseff ou de Cristina Kirchner…
 
Adiante.
Não era católica, mas precisava se fingir porque isso poderia lhe custar votos. Gabriel Chalita, aquele rapaz pio, a arrastou para uma missa em Aparecida, onde ela se atrapalhou um tantinho ao se persignar. Desdisse várias entrevistas concedidas quando ministra e passou a se declarar contrária à legalização do aborto. Tornada presidente da República, escolheu para o Ministério da Mulher uma fanática do abortismo, que confessara em entrevista, que publiquei aqui, ter participado de uma ONG que atuara na Colômbia, à revelia do governo daquele país, ensinado as mulheres a praticar o, pasmem!, autoaborto!
A própria ministra confessava, nessa entrevista, que atuara como aborteira sem nem mesmo ser médica. Tudo isso é fato, não boato. Nada disso precisa de “comissão da verdade”. São fatos que dispensam mentiras oficiais.
Às bobagens da hora

Dilma está em Roma para a entronização do papa, que acontece hoje. A história nos poupou do espetáculo de ter lá o Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Depois de ter dado algumas diretrizes a Barack Obama, ele não se dispensaria de ser o farol do papa nesta era de incertezas, não é mesmo? Mas Dilma quase não nos deixa com saudade de seu Pigmalião.
Leio na Folha, em reportagem de Felipe Seligman, que Dilma decidiu dar algumas dicas ao papa e, acreditem, um discreto puxão de orelha no Sumo Pontífice. Foi até mais ousada do que Cristina Kirchner. Ensinou a devota da “deusa” Nossa Senhora de Forma Geral:

“Eu acho que ele tem um papel a cumprir. [A defesa dos pobres] é uma postura importante. É claro que o mundo pede hoje além disso. Que as pessoas sejam compreendidas e que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas”.
A fala deixa entrever que, para Dilma, a Igreja Católica anda descolada do mundo. Com 10 anos à frente do governo brasileiro, é razoável que puxe a orelha de um trono de dois mil anos.
Cumpre indagar: qual diferença a Igreja Católica não respeita? O cristianismo é justamente a religião que nasce das diferenças, que se anulam pela conversão! Ademais, a Igreja pretende falar ao mundo — e fala mesmo, ou não se daria tamanha importância ao papa —, mas suas orientações valem para seus fiéis. Tampouco os Estados nacionais estão obrigados a seguir seus princípios. Por que, afinal, é tão importante que a Igreja diga “sim” a práticas que se chocam com seus próprios fundamentos?
Quem disse que a Igreja não respeita as “opções diferenciadas”, seja lá o que ela tenha querido dizer com isso? Alguém tem notícia de fiéis perseguidos pela Igreja Católica, dentro e fora dos templos, por conta de suas escolhas? Dilma não é católica. Dilma não sabe nada do catolicismo. Dilma não é nem mesmo obrigada a saber — razão por que deveria, então, calar-se. Mas dá para entender. Tem em mente os padrões de certa política brasileira, não é?
A Igreja abraça o pecador, mas não o pecado. É diferente dos petistas, por exemplo, que ficam logo com os dois: o Zé Dirceu vira herói, e a corrupção passiva e a formação de quadrilha são elevadas à condição de arte. É o que os petistas chamam de “opções diferenciadas”. Aliás, a base de apoio de Dilma é uma verdadeira coleção de… opções diferenciadas no cotejo com a moral e os bons costumes.
A Folha informa que Dilma foi indagada sobre a possibilidade de a Igreja atuar na defesa de “políticas progressistas”. Segundo a presidente, o papa não parece ser alguém que “irá defender esse tipo de posição”. Que “tipo de posição”? Do que ela fala? O que é ser “progressista”? A defesa da morte, por exemplo, se confunde com o progresso? Quando cardeal em Buenos Aires, Jorge Bergoglio andava entre os pobres. Bom jesuíta, jamais ficou encastelado.
A presidente disse ainda que é “uma honra ter um papa latino-americano” e que isso é uma afirmação da “região”. Barbaridade! Um papa perde a pátria. Para que a “região se afirmasse”, seria necessário, em primeiro lugar, que tivesse uma pauta e uma visão de mundo comuns, o que é falso. Nem os membros do Mercosul se entendem.
A verdade é que os autoritários do subcontinente estão infelizes com a escolha. A banda ideológica à qual falam — embora menos, Dilma também — está é insatisfeita com a escolha. Os tiranetes acham que o papa Francisco pode colaborar com uma guinada conservadora na região.
Quem dera fosse verdade! Uma guinada que conservasse a democracia!
 
19 de março de 2013
Por Reinaldo Azevedo - Veja Online

O MAU ENTENDIMENTO DE "COALIZAÇÃO PARTIDÁRIA"

Uma coisa é estabelecer alianças a partir de programas de governo; outra, com base em projeto de eternização no poder. Neste, valem todos os meios
 
 
A presidente escolheu momento apropriado, em todos os sentidos, para explicar o que seu governo entende por política de coalização partidária. Na posse de novos ministros, semana passada, disse Dilma, em resumo, que é impossível governar um país como o Brasil sem a aliança de forças políticas, necessária para aprovar o que for necessário no Congresso, dar sustentação política ao Planalto em todas as circunstâncias. Dilma não está formalmente errada, e chega a ser óbvio este entendimento.

Os tucanos de Fernando Henrique Cardoso se aproximaram da chamada direita (PFL) — antes do PT e legendas ditas de esquerda —, a fim de viabilizar as reformas para dar sustentação ao Plano Real.

Foi imprescindível, também, como tem sido desde o fim da ditadura, o apoio do PMDB, especialista em estar no condomínio do poder, mas sem pagar o ônus de governar.

O enviesamento do que o governo Dilma entende por coalizão fica exposto quando se considera quem ela deu posse: os novos ministros da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB); do Trabalho, Manoel Dias (PDT), e da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco (PMDB). Andrade assumiu o posto por ser de Minas, colégio eleitoral em que o Planalto quer colocar um cunha, devido ao adversário em 2014 Aécio Neves, e um outro, em potencial, Eduardo Campos. A ascensão de Manoel Dias significa, na prática, a reabilitação de Carlos Luppi, afastado do ministério por evidentes “malfeitos”.

E Moreira Franco, resgatado da inexpressiva pasta de Assuntos Estratégicos a pedido do PMDB do vice-presidente Michel Temer. Não há, está claro, qualquer preocupação com o aperfeiçoamento da administração pública. Nem com a ética. O que move as alterações ministeriais é apenas a preocupação eleitoral.

Também evidente na criação de mais uma ministério, o da Secretaria da Pequena e Média Empresa, o 39º do governo Dilma, nível de recorde mundial. Tancredo Neves herdaria um Brasil marcado por duas décadas de regime de força, e estava à frente de ampla coligação, incluindo a parte dissidente do governo militar. Precisava de um ministério robusto para acolher aliados. Pois projetou 21 pastas, 18 a menos que Dilma.

O desvario é tamanho que o empresário Jorge Gerdau, chamado por Dilma para coordenar um grupo estratégico a fim de melhorar a qualidade da gestão do Executivo, tachou a proliferação de ministérios, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, de “burrice”, “loucura” e “irresponsabilidade”. A esperança dele é que se tenha chegado a um limite, depois do qual viria um “saneamento”.

Não se deve apostar. Afinal, quando coalizão partidária se baseia apenas em projeto de eternização no poder, e não de governo, todos os meios passam a ser justificáveis. Foi assim no mensalão. Se for preciso criar 40 ministérios, mesmo que a presidente não possa despachar com a frequência desejada com cada ministro, que assim seja.

19 de março de 2013
Editorial d' O Globo

DOSSIÊ SECRETO ARGENTINO TENTOU IMPEDIR A ELEIÇÃO DO NOVO PAPA

A jogada, que teve como principal articulador um conhecido diplomata peronista, foi revelada pelo jornal ‘El cronista’
 
 

Cristina Kirchner entrega presente ao Papa, ex-arcebispo de Buenos Aires
Foto: - / AFP
Cristina Kirchner entrega presente ao Papa, ex-arcebispo de Buenos Aires- / AFP

BUENOS AIRES — As dúvidas sobre o papel de Jorge Mario Bergoglio durante a ditadura que comandou a Argentina entre 1976 e 1983 indicam que o primeiro Pontífice latino-americano pode estar no centro de uma campanha política movida pelo kirchnerismo. A revelação foi feita pela colunista Mary Anastasia O’Grady, do jornal “Wall Street Journal”. Defensores do novo Papa afirmam que ele usava seus contatos no regime militar para proteger dissidentes procurados, numa atuação semelhante à do cardeal brasileiro dom Eugênio Sales, arcebispo do Rio entre 1971 e 2001.
Segundo O’Grady, a campanha kirchnerista contra o Papa Francisco é protagonizada por aliados da Casa Rosada, como o jornalista Horacio Verbitsky, ex-guerrilheiro do grupo Montoneros e hoje editor do jornal pró-governo “Página 12”. Ele é autor de um livro com acusações contra Bergoglio e estaria interessado em manter a aliança com a presidente Cristina Kirchner em troca da propaganda estatal que mantém o diário, afirma a jornalista americana.

“(As suspeitas sobre Bergoglio) são propaganda. Os únicos jornais que não correm o risco da ruína financeira são aqueles sob controle do Estado e aqueles que se sustentam através de anúncios estatais, como o ‘Página 12’. Os argentinos o chamam de ‘a gazeta oficial’”, escreveu nesta segunda-feira Mary Anastasia O’Grady, especializada na cobertura da América Latina.

Segundo ela, apesar da explosão de orgulho pela escolha do Papa, os argentinos sofreram uma perda com a mudança do arcebispo de Buenos Aires para o Vaticano: a de um feroz crítico da corrupção no governo de Cristina. A Casa Rosada, alega, teme que a exposição internacional do Papa Francisco leve aos holofotes “os inimigos que não endossam o tipo de autoritarismo” dos Kirchner.

A ideia de uma cruzada do governo argentino contra o Papa ganhou reforço com a denúncia do jornal “El Cronista”. Segundo a publicação, o embaixador da Argentina no Vaticano entregou a um cardeal - supostamente Leonardo Sandri - um dossiê contra o então arcebispo de Buenos Aires, baseado nas acusações feitas por Verbitsky em seu livro “O Silêncio”, publicado em 2005. Verbitsky alega que Bergoglio teria “retirado a proteção” da Igreja a dois padres jesuítas, Orlando Yorio e Francisco Jalics, que faziam trabalho social com comunidades carentes de Buenos Aires, e acabaram sequestrados e torturados pela ditadura.

Essas acusações são negadas pelo próprio Bergoglio em “O Jesuíta”, publicado em 2010. O hoje Papa Francisco revelou ter emprestado seus documentos à fuga de um dissidente. E contou que, algumas vezes, buscou celebrar missas onde sabia que estariam presentes os chefes da Junta Militar da Argentina. Depois da celebração, agia:

“Pedia para falar com Videla, pensando em averiguar o paradeiro dos padres detidos”, disse.

As acusações do envolvimento da Igreja com a ditadura vão e vêm. Em 2012, os bispos argentinos chegaram a pedir desculpas pela “incapacidade de proteger os fiéis durante o período da ditadura”. Defensores de Bergoglio atestam que alguns integrantes da cúpula da Igreja optaram por fazer manobras pessoais junto aos militares - e não condenações públicas.

Quatro mil fugitivos em 80 apartamentos

É um papel bastante semelhante ao de dom Eugênio Sales, que preferiu agir nos bastidores em defesa dos perseguidos. Ele montou uma rede de proteção que abrigou no Rio mais de quatro mil perseguidos pelos regimes do Cone Sul, entre 1976 e 1982, em 80 apartamentos bancados por ele mesmo em 14 bairros da cidade. A maioria vinha da Argentina, mas havia também chilenos, uruguaios e paraguaios - história revelada pelo jornalista José Casado, do GLOBO, em 2008.

Desde 1976, quando um jovem bateu à porta do Palácio São Joaquim, escritório e residência de dom Eugênio, na Glória, o cardeal passou a usar seus elos com os militares. Para salvar vidas. Sem documentos, o jovem dizia-se refugiado do regime argentino. Dom Eugênio hesitou, mas se convenceu da necessidade de ajudar. E ligou para o general Sylvio Frota, então ministro do Exército.

- Chamei o Frota no telefone vermelho (...) e falei: ‘Frota, se você receber comunicação de que comunistas estão abrigados no Palácio São Joaquim, de que estou protegendo comunistas, saiba que é verdade, sou o responsável. Ponto final’ - recordou dom Eugênio, em 2008.

Ele mandou, então, abrir os cofres da Arquidiocese. Liberou dinheiro para gastos pessoais, assistência médica e jurídica de seus protegidos. A única exigência era o silêncio absoluto:

- Eu não tinha e nem nunca tive interesse em divulgar nada disso. Queria que as coisas funcionassem, e o caminho naquele momento era esse, o caminho de não pisar no pé (do governo) - contou o cardeal poucos anos antes de morrer, no ano passado.

19 de março de 2013
 O Globo

PAULO MALUF SERÁ INVESTIGADO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL POR CAIXA 2

Procuradoria suspeita de uso de empresa para pagar despesas não declaradas em 2010


BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou abertura de inquérito para investigar se o ex-prefeito de São Paulo e deputado federal Paulo Maluf (PP) cometeu crime de caixa 2 na reeleição para a Câmara, em 2010.
A Procuradoria-Geral da República suspeita que o parlamentar se valeu de uma empresa pertencente a sua família, a Eucatex, para pagar despesas de campanhas não declaradas à Justiça Eleitoral.

Mandato de deputado dá a Maluf direito de ser investigado no STF; ele alega inocência - Dida Sampaio/Estadão - 7/8/2012
Dida Sampaio/Estadão - 7/8/2012
 
Mandato de deputado dá a Maluf direito de ser investigado no STF; ele alega inocência
A Eucatex já foi alvo de outras apurações, dentro e fora do País. No Supremo, Maluf e familiares são processados desde 2011 por suposta lavagem de dinheiro e por usarem a empresa para camuflar desvio de recursos de obras quando ele foi prefeito da capital, de 1993 a 1996.

Em janeiro, a Corte de Jersey, paraíso fiscal britânico, anunciou que empresas offshore ligadas a Maluf terão de devolver à Prefeitura de São Paulo cerca de R$ 56 milhões. O valor que deverá voltar para o Município está bloqueado em Jersey, sendo que parte importante é composta por ações da Eucatex.

O caso envolvendo a suspeita de caixa 2 chegou ao Supremo no fim de janeiro. Investigações feitas pela Justiça Eleitoral paulista apontaram que a prestação de contas de Maluf não registrou os serviços realizados pela Artzac referentes à confecção de placas adesivadas para a campanha. O pagamento desse gasto, de R$ 168 mil, corresponderia a 21% da campanha de Maluf, que foi de R$ 803 mil. O inquérito do Supremo é um desdobramento criminal do caso eleitoral.

Em junho de 2011, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou as contas de campanha de Maluf. Uma auditoria realizada pelo próprio tribunal apurou que a empresa responsável por confeccionar as placas emitiu três notas fiscais em favor da Eucatex. No anverso das notas, contudo, constavam referências ao "Dr. Paulo".
A área técnica do tribunal ressaltou que a defesa de Maluf não poderia alegar que desconhecia a Eucatex, uma vez que ela figura como uma das doadoras de campanha. A empresa doou R$ 23 mil em seis transferências ao comitê.

Versões. Em um primeiro momento, a Artzac informou ao TRE paulista que o beneficiário dos serviços prestados seria Maluf. Depois mudou de versão e disse ter havido erro de uma funcionária ao lançar as notas fiscais e que os serviços teriam sido, de fato, prestados à Eucatex.
Numa votação apertada, por quatro votos a três, coube ao presidente do TRE de São Paulo, desembargador Walter de Almeida Guilherme, o voto de minerva. "Não creio que tenha havido equívoco nas anotações contidas nas três notas fiscais", concluiu o magistrado. O deputado recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso ainda não foi julgado.

Em fevereiro, o ministro Luiz Fux, relator do inquérito criminal no Supremo, acatou três diligências requeridas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, entre elas tomar o depoimento de Maluf e do representante da Artzac, Isac de Jesus Gomes. Fux deu 60 dias de prazo para o cumprimento das diligências.

19 de março de 2013
Ricardo Brito e Débora Álvares - O Estado de S.Paulo