"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 3 de julho de 2013

FRASE DO DIA


"Guido, você me perdoe! Mas a gente vai na feira e o cenário é outro. Todos reclamam da alta dos preços e da inflação. Se está tudo bem, o que a gente está fazendo aqui? O governo está falando uma coisa e o povo nas ruas, falando outra!"


Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, durante reunião com Guido Mantega, ministro da Economia

03 de julho de 2013
Veja

EXCLUSIVO! SITE DO SENADO FAZ APOLOGIA DO PROJETO BOLIVARIANO DO PT!

NINGUÉM PEDIU PLEBISCITO E NEM REFORMA POLÍTICA. TRATA-SE DE UMA FARSA DO PT PARA GOLPEAR A DEMOCRACIA.
O infográfico do site do Senado: fazendo apologia do projeto do PT e atribuindo às manifestações aquilo que interessa exclusivamente ao PT. Ninguém pediu plebiscito e nem reforma política. Clique AQUI para ver este embuste.
O site do Senado criou uma sessão com um infográfico que, a pretexto de esclarecer os cidadãos brasileiros, acaba fazendo propaganda da tal reforma política do PT. 

O pior de tudo é na ilustração aparece uma série de cartazes que, segundo o site, foram os cartazes vistos nas ruas, o que não corresponde à verdade.

E a verdade todos os cidadãos bem informados sabem qual é: a tentativa do PT de empurrar goela abaixo dos brasileiros, de forma apressada que é para ninguém refletir, uma reforma política que só interessa ao projeto do "socialismo do século XXI" do PT e que já aplicado na Venezuela, no Equador e na Bolívia, sob a orientação geral do Foro de São Paul, a organização esquerdista fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, com objetivo transformar todos os países do continente latino-americano em Repúblicas Socialistas de estilo cubano.

O governo do PT domina todas as instâncias estatais, sobretudo os três poderes enquanto a raquítica oposição está completamente esmagada, sobretudo no Congresso dirigido pela base alugada do PT.

Desde quando surgiram essas manifestações no Brasil tenho alertado para o fato de que são difusas, não têm objetivo definido, são anárquicas, não têm interlocutores.

Por enquanto, quem aproveita esse estado de anarquia é o PT e o Foro de São Paulo, que inclusive já marcou reunião no Brasil para o final deste mês de julho.

Com essa mensagem em seu site, como se pode ver, a área de comunicação do Senado está fazendo a apologia daquilo que interessa do PT. Atribui às ruas o desejo de reforma política, o que é uma tremenda mentira. A reforma política é um projeto do PT que, como revelei aqui no blog já está delineado há muito tempo pelos petistas. Há uma campanha de marketing que inclui um aparatoso material publicitário feito por profissionais de marketing.

Isto em de ser denunciado pela Oposição que até agora não tocou no principal que é a armação de um golpe de estado dentro da concepção do "sociaxlismo do século XXI", preconizado pelo Foro de São Paulo, que é dirigido pelo PT com a participação de todos os partidos comunistas da América Latina.

Esta é questão que precisa ser demonstrada claramente aos cidadãos brasileiros que vêm sendo enganados e ludibriados pelo PT.

Como todos sabem, o nível de politização dos brasileiros é um dos menores do mundo e, seguramente, o menor da América Latina. Acresce a isto o fato de que há uma década a população brasileira vem sofrendo uma lavagem cerebral constante, haja vista para o fato de que o PT aparelhou todas aas instâncias estatais, e o que é mais grave, aparelhou as escolas e universidades bem como as redações da grande mídia. Esse importantes setores são os principais executores da lavagem cerebral das massas.

Desta forma a desinformação é um dos ingredientes básico da lavagem cerebral que sociologicamente se conceitua como "marxismo cultural", que promove a metaformose dos conceitos e leva à população a raciocinar dentro so parâmetros que interessa o movimento do socialismo do século XXI.
Repito mais uma vez: esta reforma política proposta pela Dilma e seus sequazes é o ovo da serpente comunista que vem sendo chocado há uma década, ou seja, desde que o PT passou a ser governo no Brasi.
Este é o ponto principal da ser esclarecido de forma ampla à população. Se isso não for feito o Brasil será arrastado para o bloco das Repúblicas Bolivarianas da América Latina.
 
03 de julho de 2013
in aluizio amorim

CARDEAL BURKE: "A IGREJA CATÓLICA JAMAIS APROVARÁ AS UNIÕES HOMOSSEXUAIS".


Cardeal Burke, prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica


A conhecida revista francesa “Famille Chrétienne”, em sua edição de 20 de junho último, publica importante entrevista do Cardeal Burke, prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, o mais elevado e decisivo Tribunal da Santa Sé.

Nessa entrevista, feita pelo jornalista Pierre de Calbiac, o Cardeal Burke, de origem norte-americana, expõe a doutrina católica e a lei natural a propósito de temas da maior atualidade, como a família, o aborto, o homossexualismo, a proibição da comunhão a políticos abortistas e a preservação moral das crianças.

Reproduzimos aqui a íntegra dessa entrevista com tradução de Helio Dias Viana. Abaixo, o título, a pequena introdução e as perguntas são da própria revista.
* * *

Cardeal Burke: “A Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais”

Pierre de Calbiac
(Tradução Helio Viana)


O cardeal Raymond Leo Burke, prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, esteve presente nas jornadas Evangelium vitae, concluídas pelo Papa Francisco I no dia 16 de junho em Roma. Ele exorta os católicos a se mobilizarem – inclusive na rua se necessário – para defender a família e a vida.

A defesa da vida é um combate incessante para a Igreja, como o atesta, entre outros, a continuação das jornadas Evangelium vitae lançadas por João Paulo II. Onde se radica essa prioridade?
A lei que a Revelação nos deu nos ensina que o primeiro direito de um ser humano é de viver. Esta verdade, que é a inviolabilidade de vida inocente, é tão mais evidente quando se lembra que Cristo morreu por todos os seres humanos sem exceção.

Lembremos igualmente a parábola do juízo final: “O que fazeis ao menor dos meus é a mim que o fazeis” (Mateus 25,40). Ora, aqueles que são vivos, mas ainda não nasceram, são os menores.

É por isso que a Igreja conclamará sempre a proteger a vida inocente. Mais ainda, o primeiro preceito da lei natural é o de promover e proteger a vida humana. Inscrito no coração de cada um, este preceito é participado por todo mundo, seja qual for a sua orientação espiritual.

Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, assinada pelo cardeal Ratzinger em 2004, indicava que não se devia dar a comunhão a políticos católicos, homens e mulheres, que defendessem publicamente o aborto. Ela está ainda vigente?

Inteiramente! Os homens políticos que se dizem católicos, mas que defendem o aborto pretendendo não querer impor suas convicções religiosas, estão no erro, pois, como eu já o disse, a revelação divina não vem senão confirmar aquilo que a lei natural acessível a todos já estabeleceu. E aqueles que fazem abertamente a promoção do aborto não devem, portanto, ter acesso à sagrada comunhão. Esta regra de disciplina canônica está prevista no artigo 915 do Código de Direito Canônico. Os católicos devem saber manifestar sua oposição, inclusive na rua, quando necessário.



Qual é o papel da família no respeito pela vida?

A família tem o primeiro papel, pois são os pais que devem ensinar os filhos a respeitarem a vida humana e a si próprios. Em uma segunda etapa, a educação religiosa deve preparar os filhos nesse sentido. Nesta ótica, a catequese é muito importante. Durante os anos, a maneira de ensinar o catecismo às crianças foi de tal maneira pobre que há uma necessidade de realizar um verdadeiro trabalho nesse ponto. Espero que esse tempo em que a catequese foi empobrecida acabou. Lembro-me de que quando eu era bispo de uma diocese, tentei tanto que pude remediar esses problemas.

Vossa Eminência é o prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, que vela pela boa administração da justiça eclesiástica. O que diz o ensinamento da Igreja sobre as uniões homossexuais?

O ensinamento da Igreja é muito claro. A união sexual é moral no âmbito do casamento, sendo ela a expressão de um amor fiel, permanente e fecundo, isto é, procriador, entre um homem e uma mulher. Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, aparecida em 2003 e assinada pelo Cardeal Ratzinger, então prefeito dessa mesma congregação, condenava assim toda forma de legalização das uniões homossexuais. A natureza nos ensina que o homem e a mulher são feitos um para o outro. A alteridade é uma condição necessária ao casamento. Cumpre, pois, compreender que a Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais, que não podem ser naturalmente procriadoras.

Na França, a lei que legaliza o casamento homossexual foi votada. O que os católicos devem fazer doravante?

Acompanhei o combate dos franceses contra essa lei. Eu posso lhes dizer aqui: continuem a manifestar, continuem a mostrar que essa lei é injusta e imoral. A Igreja os apoiará nesse combate pela justiça. Eu incito assim os padres e os bispos a continuar nessa via e a manifestar sua oposição na rua se necessário. É importante que eles dêem o exemplo.

Eu mesmo cheguei a manifestar, notadamente na Marcha pela Vida. Na Evangelium vitae, João Paulo II faz referência à desobediência civil, é nesse gênero de caso que devemos praticá-la. Os pais têm igualmente um trabalho a fazer contra essas leis insidiosas. Eles devem observar o que fazem seus filhos. O pior hoje é sem dúvida a pornografia. Os pais devem prestar atenção principalmente quando os filhos utilizam o computador e olham coisas cujos efeitos eles não medem e que fazem muito mal.

Como preservar as crianças desses desvios de conduta quando exibidos na rua?

É preciso que os pais procurem manter seus filhos longe de tudo isso e explicar-lhes o que é bem e o que é mal. A escola é também um lugar no qual importa investir. É necessário principalmente que o ensino católico seja ainda mais católico do que o é atualmente.
03 de julho de 201
(Fonte: Famille Chrétienne)

INDIGNAÇÃO POPULAR DEVE EXPLODIR NA VENEZUELA CONTRA A TIRANIA COMUNISTA

MULHERES LIDERAM MOVIMENTO EM TODO O PAÍS PELA PAZ, LIBERDADE E DEMOCRACIA!


Manifestações de protesto poderão explodir na Venezuela a partir do dia 24 deste mês. Já percorre as redes sociais vídeo gravado pela famosa atriz e cantora venezuelana, Maria Conchita Alonso, que vive exilada nos Estados Unidos, conclamando as mulheres venezuelanas a sairem às ruas pela paz, liberdade e democracia. 
É que a situação na Venezuela ficou dramática. Depois de 14 anos de chavismo o país foi completamente destroçado pela incompetência e a corrupção do desgoverno do finado caudilho Hugo Chávez.
Com a sua morte sobreveio a eleição presidencial que já entrou para a história da política latino-americana como a maior impostura, uma grotesca encenação, cujo marketing foi idealizado e consumado pelo ministro sem pasta de Dilma Rousseff, o marketeiro de Lula, o baiano João Santana.
Sim, esse mesmo que orienta as decisões políticas da "presidenta" e dita até o traje que ela deve usar. Quando a coisa aperta, Dilma aparece vestida de bege. Quando é para insultar o povo brasileiro usa o vermelho comunista.
O resultado da eleição venezuelana foi uma fantástica fraude que levou Nicolás Maduro à Presidência, mais conhecido como capacho de Fidel e Raúl Castro.
Na venezuela milhares de cadáveres amontoam-se nos necrotérios das cidades todos os dias, vítimas da violência dos bandos que foram criados por Chávez para intimidar a população de forma permanente. A Venezuela é hoje, por causa do chavismo comunista, um dos países mais violento do mundo!
Depois que Chávez morreu o chavismo desmoronou e a política do governo de Nicolás, o usurpador, vem sendo ditada pelos tiranos de Havana. Tanto é que a primeira providência do governo de Nicolás, o usurpador, foi a estratégia da fome.
Enquanto sobra petróleo falta comida e produtos de primeira necessidade, como o papel higiênico. Além da violência dos bandos impunes, o governo comunista do chavismo criou a escassez de alimentos como em Cuba. Esta sempre foi uma das estratégias de dominação dos regimes comunistas.
 
Quando o comunismo veio abaixo na URSS, as gôndolas dos supermercados já estavam completamente vazias. Por muitos anos, como ainda ocorre em Cuba e na Coréia do Norte, faltou comida nas repúblicas soviéticas.
E a escassez deixa as pessoas nervosas, inseguras levando-as a descuidar-se de todas as outras coisas em busca de alimentos. É uma situação dramática que as tiranias comunistas sempre utilizaram para controlar a população.
MULHERES NAS RUAS

Além disso, há ainda o brutal controle cada vez maior da vida dos cidadãos cujos dados pessoais estariam sob o controle do governo Cubano, armazenados num datacenter de Havana. Emissoras de rádio e televisão estão sob o controle do governo.
A última emissora que ainda fazia jornalismo independente a cair no poder do chavismo foi a Globovisión. O governo negou a renovação da licença para essa empresa operar.
Um empresário no estilo dos brasileiros Eike Batista ou Odebrecht, comprou o canal Globovisión e passou a lamber o saco dos comunistas escamoteando e distorcendo a informação em permanente lavagem cerebral dos telespectadores.

O movimento de indignação na Venezuela começa pelas mulheres a quem, como é normal, está afeto o cuidado dos filhos, bem como a educação e, sobretudo, a alimentação da família.
Entretanto, essa manifestação proposta pelas mulheres venezuelanas não tem nada a ver com as deletérias "marchas das vadias" que comumente encanta os jornalistas capachos dos comunistas.
O vídeo é muito claro. As mulheres querem paz, liberdade e democracia! Liberdade para alimentar-se de forma decente, liberdade para expulsar os doutrinadores comunistas de seus filhos.
Lá como no Brasil os jovens vêm sendo brutalmente doutrinados pela vagabundagem comunista que domina o sistema de ensino.
As mulheres exigem o fim da violência dos bandos assassinos impunes criados pelos comunistas, querem liberdade.
Liberdade para viver dignamente. Liberdade para dizer um rotundo não à tirania comunista que impõe aos cidadãos os grilhões da miséria intelectual, moral e econômica.
Na Venezuela, ao que tudo indica, a indignação se iniciará com um movimento liderado pelas mulheres e que já se alastra pelas redes sociais e alcançará todo o país.
 
03 de julho de 2013
in aluizio amorim

DO BRASIL À TURQUIA, UMA REVOLUÇÃO DA CLASSE MÉDIA



Em artigo publicado no Wall Street Journal, o cientista político americano Francis Fukuyama afirma que “para essas pessoas, não é suficiente que a presidente Dilma Rousseff tenha sido ela mesma uma ativista de esquerda presa pelo regime militar durante os anos 70 e seja hoje líder do Partido dos Trabalhadores. Elas acham que o próprio partido foi tragado pela lama de um "sistema" corrupto", como revelou o recente escândalo do Mensalão, e agora contribui para a ineficácia e a inércia do governo.”

Foto: Reuters
BRASIL 22 de junho de 2013 | Manifestantes corrupção protesto e serviços públicos pobres.

Texto de Francis Fukuyama*
Fontes: The Wall Street Journal, BBC Brasil
 
Durante os últimos dez anos, Brasil e Turquia foram muito celebrados como estrelas do desempenho econômico — mercados emergentes com uma influência crescente no palco internacional. Mas nos últimos três meses ambos os países vêm sendo paralisados por imensas manifestações que expressam insatisfação com o desempenho dos seus governos. O que está acontecendo? Será que outros países vão sofrer agitações semelhantes?

O tema que une os eventos recentes no Brasil e na Turquia, bem como a Primavera Árabe de 2011 e os contínuos protestos na China, é a ascensão da nova classe média global. Em todos os lugares em que emergiu, a moderna classe média causou fermentação política, mas só raramente ela foi capaz, sozinha, de provocar mudanças políticas duradouras. Nada que temos visto recentemente nas ruas do Rio de Janeiro ou Istambul indica que esses casos vão ser uma exceção.

No Brasil e na Turquia, assim como ocorreu antes na Tunísia e no Egito, as manifestações políticas vêm sendo lideradas não pelos pobres, mas por pessoas jovens com níveis de educação e renda acima da média. Elas são adeptas da tecnologia e usam as redes sociais, como Facebook e Twitter, para divulgar informações e organizar protestos. Mesmo aquelas que vivem em países democráticos se sentem alienadas pela elite política governante.


No caso da Turquia, elas se opõem às políticas de desenvolvimento a qualquer preço e às maneiras autoritárias do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. No Brasil, elas se opõem a uma elite arraigada e altamente corrupta que alardeou projetos glamorosos como a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio, mas não consegue proporcionar serviços públicos básicos como saúde e educação.

Para essas pessoas, não é suficiente que a presidente Dilma Rousseff tenha sido ela mesma uma ativista de esquerda presa pelo regime militar durante os anos 70 e seja hoje líder do Partido dos Trabalhadores. Elas acham que o próprio partido foi tragado pela lama de um "sistema" corrupto, como revelou o recente escândalo do Mensalão, e agora contribui para a ineficácia e a inércia do governo.
 
Foto: Agência Europeia Pressphoto
TURQUIA 22 de junho de 2013 | Um manifestante segura uma bandeira na Praça Taksim, em Istanbul.
 
O mundo dos negócios vem falando sobre a ascensão de uma "classe média global" por pelo menos dez anos. Um relatório de 2008 do banco Goldman Sachs definiu esse grupo como aqueles com renda anual entre US$ 6.000 e US$ 30.000 e previu que ele chegaria a cerca de dois bilhões de pessoas até 2030. Um relatório de 2012 do Instituto para Estudos de Segurança da União Europeia, usando uma definição mais ampla de classe média, projetou que o número de pessoas nessa categoria aumentaria de 1,8 bilhão em 2009 para 3,2 bilhões em 2020 e 4,9 bilhões em 2030 (de uma população mundial projetada em 8,3 bilhões). O grosso desse crescimento vai ocorrer na Ásia, principalmente na China e na Índia. Mas todas as regiões do mundo vão participar da tendência, inclusive a África, que o Banco Africano de Desenvolvimento estima já ter uma classe média de mais de 300 milhões de pessoas.

As empresas estão com água na boca diante da perspectiva de uma classe média emergente porque ela representa um grande grupo de novos consumidores. Analistas e economistas tendem a definir a situação da classe média em termos simplesmente monetários, rotulando as pessoas como classe média se elas integram a faixa média de distribuição de renda dos seus países ou têm um consumo acima do nível de subsistência dos pobres.

Mas a situação da classe média é melhor definida pela educação, ocupação e bens possuídos, que têm uma influência muito maior na previsão do comportamento político. Estudos feitos em diversos países, incluindo pesquisas recentes do instituto Pew e a Pesquisa Mundial de Valores da Universidade de Michigan, mostram uma correlação entre níveis mais altos de educação e uma valorização maior pelas pessoas da democracia, liberdade individual e tolerância para com estilos de vida alternativos. As pessoas da classe média não querem somente segurança para suas famílias, mas opções e oportunidades para si próprias. Aqueles com nível superior completo ou que cursaram por alguns anos a universidade têm uma probabilidade muito maior de estarem informados sobre eventos em outras partes do mundo e de se conectarem com pessoas de classes sociais semelhantes no exterior através da tecnologia.


As famílias que possuem ativos duráveis como uma casa ou apartamento têm um interesse muito maior em política, já que essas são coisas que o governo poderia tirar delas. Como é geralmente a classe média que paga impostos, as pessoas têm um interesse direto em tornar o governo responsável. Ainda mais importante é que os novos membros da classe média têm uma probabilidade maior de serem levados a agir pelo que o cientista político Samuel Huntington chamou de "a lacuna": ou seja, a incapacidade da sociedade de satisfazer as expectativas crescentes por avanços econômicos e sociais. Enquanto os pobres se debatem para garantir sua sobrevivência diária, a decepcionada classe média é muito mais propensa a se engajar em ativismo político para conseguir o que quer.

Essa dinâmica ficou evidente na Primavera Árabe, em que as rebeliões que derrubaram regimes foram lideradas por dezenas de milhares de pessoas jovens e relativamente bem educadas. Tanto a Tunísia quanto o Egito formou um grande número de pessoas nas suas universidades durante a última geração. Mas os governos autoritários de Zine El Abidine e Hosni Mubarak foram clássicos regimes de capitalismo clientelista, nos quais as oportunidades econômicas dependiam grandemente das conexões políticas. Nenhum desses países, de qualquer modo, teve um crescimento econômico suficiente para dar emprego a uma população jovem cada vez maior. O resultado foi a revolução política.
 
Foto: European Pressphoto Agency
EGITO | Egípicios protestam em junho contra o presidente Morsi na praça Tahir, no Cairo.
 
Nada disso é um fenômeno novo. As revoluções francesa, bolchevique e chinesa foram todas provocadas por descontentamento de pessoas de classe média, mesmo que seu desfecho final fosse mais tarde afetado por camponeses, trabalhadores e pobres. Na Primavera dos Povos, em 1848, praticamente todo o continente europeu eclodiu numa revolução, um produto direto do crescimento da classe média europeia nas décadas anteriores.

Embora manifestações, rebeliões e, ocasionalmente, revoluções sejam tipicamente lideradas por membros recém-chegados à classe média, esta raramente consegue provocar sozinha mudanças políticas de longo prazo. A razão disso é que a classe média nunca representa mais que uma minoria da sociedade de países em desenvolvimento e é ela mesma internamente dividida. A menos que ela possa formar uma coalizão com outras partes da sociedade, seus movimentos quase nunca acarretam mudanças políticas duradouras.

Foi assim que os jovens manifestantes de Tunis ou da Praça Tahrir, no Cairo, tendo causado a queda dos seus respectivos ditadores, fracassaram em dar sequência ao movimento com a formação de partidos políticos que fossem capazes de disputar eleições nacionais. Estudantes, em particular, não têm ideia de como engajar os camponeses e a classe trabalhadora para criar uma coalizão mais ampla. Já os partidos islâmicos (o Ennahda, na Tunísia, e a Irmandade Muçulmana, no Egito), tinham, ao contrário, uma base social na população rural. Durante anos de perseguição política, eles aprenderam a mobilizar seus seguidores menos educados. Como resultado, triunfaram nas primeiras eleições depois da queda dos regimes autoritários.

Destino semelhante possivelmente aguarda os manifestantes da Turquia. O primeiro-ministro Erdoğan continua popular fora das áreas urbanas e não hesitou em mobilizar membros do seu próprio Partido da Justiça e do Desenvolvimento (o AKP) para enfrentar seus opositores. A classe média da Turquia, além disso, está ela própria dividida. O notável crescimento econômico do país nos últimos dez anos vem sendo alimentado em grande parte por uma nova classe média, conscienciosa e altamente empreendedora, que tem apoiado fortemente o AKP de Erdoğan.

Esse grupo social trabalha duro e poupa dinheiro. Ele exibe muitas das mesmas virtudes que o sociólogo alemão Max Weber associou ao Cristianismo Puritano dos princípios da Europa moderna, que ele alega ter sido a base para o desenvolvimento do capitalismo na região. Os manifestantes urbanos da Turquia, em contraste, continuam seculares e ligados aos valores modernistas dos seus pares na Europa e na América. Esse grupo enfrenta não somente uma dura repressão de um primeiro-ministro com instintos autoritários, mas também as mesmas dificuldades em forjar laços com outras classes sociais, dificuldades essas que minaram movimentos semelhantes na Rússia, Ucrânia e outros países.

A situação do Brasil é bem diferente. Os manifestantes brasileiros não enfrentarão uma dura repressão do governo de Dilma Rousseff. O desafio, em vez disso, será evitar a cooptação no longo prazo pelos representantes enraizados e corruptos do sistema. Ser de classe média não significa que a pessoa vai automaticamente apoiar a democracia ou tentar limpar o governo. De fato, uma grande parte da classe média brasileira mais velha trabalhou no setor público, onde ela era dependente da patronagem política e do controle do Estado sobre a economia. As classes médias no Brasil, e em países asiáticos como a China e a Tailândia, apoiaram governos autoritários quando isso pareceu ser a melhor maneira de garantir seu futuro econômico.

O recente crescimento econômico do Brasil produziu uma classe média diferente e mais empreendedora, emanada do setor privado. Mas esse grupo poderia seguir seus próprios interesses econômicos em duas direções possíveis. De um lado, a minoria empresarial poderia servir de base para uma coalizão de classe média que procurasse reformar o sistema político do Brasil como um todo, tentando fazer com que os políticos respondam por seus atos e mudar as regras que possibilitam o capitalismo clientelista. Foi isso que aconteceu nos Estados Unidos durante a Era Progressista, quando uma ampla mobilização da classe média conseguiu apoio para uma reforma do setor público e o fim do sistema patronal do século XIX. De modo alternativo, membros da classe média urbana poderiam dissipar suas energias em distrações como identidade política ou serem individualmente comprados por um sistema que oferece grandes recompensas para as pessoas que aprendem a navegar os trâmites do poder.
 
Foto: European Pressphoto Agency
TUNÍSIA | Milhares de manifestantes protestam em Tunis, em fevereiro de 2011.
 
Nada garante que o Brasil vai seguir um caminho reformista na esteira dos protestos. Vai depender muito da liderança. A presidente Rousseff tem uma grande oportunidade de usar as manifestações como uma ocasião para lançar um sistema de reforma mais ambicioso. Até agora, ela tem se mostrado muito cautelosa sobre até que ponto está disposta a ir contra o velho sistema, cerceada pelas limitações impostas pelo seu próprio partido e coligação política. Mas assim como o assassinato do presidente americano James A. Garfield, em 1881, por um ressentido postulante a um cargo oficial virou o estopim de uma ampla gama de reformas para limpar o governo, o Brasil hoje também poderia usar os protestos para enveredar por uma rota muito diferente.

O crescimento econômico mundial ocorrido desde os anos 70 — que quadruplicou a produção econômica global — redistribuiu as camadas sociais ao redor do mundo. As classes médias nos chamados "mercados emergentes" são hoje maiores, mais ricas, melhores educadas e mais conectadas tecnologicamente do que nunca na história.
Isso tem consequências imensas para a China, cuja população de classe média chega agora às centenas de milhões e constitui talvez um terço do total. Essas são pessoas que se comunicam pelo Sina Weibo — o Twitter chinês — e se acostumaram a expor e reclamar da arrogância e duplicidade do governo e do partido de elite. Elas querem uma sociedade mais livre, embora não esteja claro se querem uma democracia de um voto por pessoa no curto prazo.

Esse grupo vai ficar sob uma pressão particular na próxima década, enquanto a China se esforça para se elevar de uma situação de renda média para renda alta. O ritmo do crescimento econômico já começou a diminuir nos últimos dois anos e vai inevitavelmente reverter para um nível mais modesto à medida que a economia do país amadurece. A máquina de empregos industriais que o regime criou desde 1978 não vai mais satisfazer as aspirações da sua população. A China já forma nas suas universidades cerca de seis a sete milhões de profissionais por ano, cujas perspectivas de emprego são menos brilhantes do que as dos seus pais da classe trabalhadora. Se alguma vez houve uma lacuna entre expectativas em alta crescente e uma realidade decepcionante, ela vai emergir na China nos próximos anos, com vastas implicações para a estabilidade do país.

Na China, como em outras partes do mundo em desenvolvimento, a ascensão da classe média ressalta o fenômeno descrito por Moises Naím, do centro de estudos Carnegie Endowment, como o "fim do poder". As classes médias vêm sendo as linhas de frente da oposição contra os abusos do poder, seja em regimes autoritários ou democráticos. O desafio para elas é tornar seus movimentos em mudanças políticas duradouras, expressas na forma de novas regras e instituições. Na América Latina, o Chile vem sendo a estrela do crescimento econômico e da eficácia de um sistema político democrático. Ainda assim, nos últimos anos houve uma explosão de protestos de estudantes do ensino médio, que apontaram as falhas no sistema de educação pública do país.

A nova classe média não é apenas um desafio para os regimes autoritários ou para as novas democracias. Nenhuma democracia estabelecida deve acreditar que pode relaxar sobre seus louros, simplesmente porque realiza eleições e tem líderes populares. A classe média fortalecida pela tecnologia vai ser altamente exigente com seus políticos.

Os EUA e a Europa estão passando por uma fase de crescimento lento e desemprego alto, que para os jovens em países como a Espanha já chegou a 50%. No mundo rico, a geração mais velha também traiu os jovens ao deixar para eles um endividamento elevado. Nenhum político dos EUA e da Europa deve olhar com complacência para os eventos se desdobrando nas ruas de São Paulo e Istambul. Seria um grave erro pensar: "Não há como isso acontecer aqui."

*FRANCIS FUKUYAMA é um nipo-estadunidense, filósofo, economista, cientista político e acadêmico do Instituto Freeman Spogli para Estudos Internacionais da Universidade de Stanford. Ficou conhecido pelo livro "O Fim da História e o Último Homem" ("The End of the History and the Last Man", 1992).
Seu mais recente estudo publicado é o livro "As Origens da Ordem Política: Dos Tempos Pré-Humanos até a Revolução Francesa", Editora Rocco, 2013
Uma versão deste artigo apareceu 29 junho de 2013, na página C1 na edição do The Wall Street Journal EUA, com o título: The Middle-Class Revolution.



03 de julho de 2013
in Passira news

UM MANOEL-DE-BARRO

 
Todos os dias, no quintal de casa, em meio ao Pantanal, Manoel de Barros cisma de inventar as tardes a partir de uma garça. Ou de um bem-te-vi. Vê um peixe e quase pega a sua voz.

Perto de completar 90 anos, o senhor de fala pausada conhece como ninguém as intimidades da natureza. Confessa: falta muito pouco para tornar-se árvore. O fim não lhe mete medo. Nem a morte.

“É preciso fazer parte da natureza que nem um cisco faz, que nem uma ema faz. Depois do cisco e da ema, falta pouco”.

E o que esperar daqui para frente? Manoel faz graça:
“Quero um DVD do último filme de Fassbinder, um CD de Nelson Freire com músicas de Bach e a última edição da obra de Guimarães Rosa”.

Para celebrar a data, o Jornal do Brasil propôs ao poeta que respondesse algumas das provocações deixadas em diversas poesias.
Os versos de seus livros foram transformados em perguntas. Diante do desafio, Manoel de Barros riu. Disse não ter tanta inspiração assim.  
E assim, cheio de tesão pelas palavras, pediu permissäo aos sapos, retirou-se do quintal e respondeu às questões.
 
Como pegar a voz de um peixe?
Mais difícil do que pegar na fala dos peixes é o pegar na fala das coisas. Francis Ponge tinha o gosto de pegar na voz das coisas. É necessário cultivar o peixe em casa para se conseguir pegar na voz dele. Há que domesticar o peixe. Eu, certa vez, criei um peixe no bolso. Ele pedia pra sair do bolso e cair nágua. Mas há que insistir em prendê-lo no bolso. Assim o peixe implora. E nós podemos agarrar na voz. Não é fácil. Ele soletra as águas antes de falar.
 
Qual lado da noite umedece primeiro?
Uma vez um garoto, na Fazenda, falou que do lado da Bolívia estava a se formar uma chuva. Seria o lado oeste de onde estávamos. As chuvas sempre se formavam do lado da Bolívia. Por isso se falava no galpão que aquele era o lado mais úmido da noite. Por isso ainda a gente afirmava que era o lado mais úmido da noite. E como ninguém contestasse ficou sendo. Mas isso terá vindo a verso depois de 30 anos.
 
Aos 90 anos, o que o poeta falta para árvore?
Falta se entregar à natureza moda um sapo, moda uma pedra, moda um rio, moda um pássaro. É preciso fazer parte da natureza que nem um cisco faz, que nem uma ema faz. Depois do cisco e da ema falta pouco.
 
O homem que toca a existência num fagote tem salvação?
Acho que o verso fala da salvação pelo amor, pelo gosto de estar ouvindo e cantando no fagote. Mas eu não tenho fagote. Só o Outro do poeta que toca fagote.
 
Os jacintos ainda crescem sobre as suas palavras?
Em poesia a Razão é acessório. Quem manda em poesia é a visão. Nem o ver é fundamental. O ver também é acessório. Quem manda é a visão. A visão vem completada de loucuras, fantasias e bobagens profundas. Foi a visão que achou jacintos crescendo em minhas palavras. Acho que os jacintos ainda crescem nas minhas palavras.
 
As palavras ainda têm carne, aflição, pentelhos e a cor do êxtase?
Poesia é armação de palavras com um canto dentro. Eu sempre armei os versos meus com as aflições e os êxtases do ser humano. Entram portanto pentelhos também.
 
O vôo do jaburu é mais encorpado do que o vôo das horas?
A hora voa sem asa, por isso não dá pra gente saber. Acho que o vôo do jaburu é mais encorpado. O vôo das horas a gente não vê. Eu tenho vontade de concretizar uma hora. Eu botaria osso na hora. E botaria asas. Só de peraltice com as palavras. Depois eu faria uma pandorga da hora para ela voar. Mas eu não deixaria que a hora escapasse de mim.
 
São as dálias mesmo lésbicas?
Quando as dálias se encontram, elas se amam. Todas as flores se amam de flor em flor. Isso uma verbena me contou. Não posso garantir nem desmentir.
 
Ainda sente o cheiro do sol, a 15 metros do arco-íris?
Sei que as perguntas são para experimentar meus absurdos. Confesso, já confessei algumas vezes, que gosto mais de brincar com as palavras do que de pensar com elas. Para tanto precisei de aprender Absurdez. Falo e escrevo fluentemente Absurdez. Por isso descobri que o sol tem perfume.
 
Ainda dá tempo de inventar uma tarde a partir de uma garça?
Ontem eu vi um bentevi em cima de uma pedra. Ele estava fascinado pela solidão da pedra. Estou relendo o profeta Jeremias. As suas lamentações pelas desgraças da sua Jerusalém. No fim ele teve esta visão: Até as pedras da rua choravam.


Mariana Filgueiras, ENTREVISTA PUBLICADA NO JORNAL DO BRASIL EM 16 DE DEZEMBRO DE 2006

CHARGE DO AROEIRA



03 de julho de 2013

DEMOCRATAS FUNDAMENTALISTAS

                                                      

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“In a secular age, politics and economics have displaced religion itself as the focal point for passionate conviction and dogmatism.” (Bryan Caplan)

Uma das premissas mais difundidas no meio econômico é que indivíduos são seres racionais em busca da maximização de resultados. Mesmo os economistas que apontam as falhas de governo costumam partir dessa premissa, mostrando apenas que os incentivos no meio político levam a escolhas ruins, ainda que tomadas por seres racionais. Mas Bryan Caplan, em seu instigante livro “The Myth of the Rational Voter”, questiona a própria premissa em si, alegando que eleitores não são máquinas de cálculo racionais, e sim pessoas com crenças enviesadas que acabam potencializadas no mecanismo democrático.
 
O ponto de partida de Caplan é que os eleitores não são somente ignorantes acerca da política; eles são irracionais. Diversas crenças acompanham os eleitores desde cedo, e tais crenças prevalecem porque, de certa forma, fazem com que eles se sintam bem ao defendê-las. Muitos economistas justificam a ignorância voluntária sobre política com base no argumento de que um voto não faz diferença e, portanto, seria racional ignorar a política. Caplan vai um passo além e questiona: por que os eleitores controlariam suas reações emocionais e ideológicas — o que demanda bastante esforço e reflexão dolorosa muitas vezes — se o voto não altera o resultado?
 
A visão de Caplan é que a democracia falha porque ela atende aos anseios das pessoas. Winston Churchill cunhou a famosa frase em defesa da democracia, alegando que se trata da pior forma de governo, exceto todas as demais já tentadas. Mas essa defesa nada diz sobre o escopo da democracia. Talvez, para muitas coisas públicas, o método democrático seja mesmo o menos pior. Mas, e se inúmeras outras decisões simplesmente não precisarem transitar pelo meio político, porque não cabe à maioria decidir? A alternativa à democracia não precisa ser a ditadura; pode ser muito bem mais mercado.
 
Muitos defendem a democracia com base no conceito de teoria dos grandes números, assumindo que os erros individuais acabam eliminados quando agregados. O problema, segundo Caplan, é quando ocorrem erros sistemáticos dos eleitores. E eis justamente um dos principais pontos do livro: a maioria dos eleitores possui crenças enviesadas. Há um claro viés antimercado, por exemplo: poucos compreendem e aceitam o conceito abstrato de “mão invisível” dos mercados, com sua capacidade de harmonizar interesses privados em prol de um bem público. Adam Smith mesmo sabia que era algo contraintuitivo, e por isso escreveu um grande livro para defender sua visão.
 
As pessoas gostam de pensar que valorizam a verdade por si própria, mas existem impulsos concorrentes, como o medo, a preguiça de raciocinar, a vaidade, os preconceitos. Da mesma forma que acontece com crenças religiosas, muitos suspendem a razão quando alimentam sua fé ideológica. O desejo de acreditar é mais forte que a busca pela verdade. Muitos encontram em suas visões políticas modernas o conforto semelhante ao das religiões no passado. Para muitos, por exemplo, atacar os estrangeiros, como se o comércio fosse uma batalha de soma zero, produz certo conforto e orgulho. Essas mesmas pessoas podem expressar nas atitudes de seu cotidiano algo diferente, quando compram produtos importados de acordo com seu julgamento de custo e benefício. Mas no momento do voto, acabam sucumbindo ao prazer mental de defender o protecionismo.
 
Como um voto não muda o resultado, os eleitores acabam optando pela busca de prazer ideológico, mesmo que o resultado agregado dessa postura seja prejudicial à maioria. O custo individual de acreditar politicamente naquilo que mais lhe dá prazer é muito baixo. Caplan acredita, inclusive, que os eleitores votam genuinamente de acordo com aquilo que percebem ser o melhor para o coletivo. O problema é que poucos adotam o passo seguinte, de questionar seriamente se tais meios são os mais eficientes para gerar os resultados esperados. O erro pode ser sedutor, e os políticos que oferecem a ilusão se tornam mais populares.
 
A imprensa não cria tais ilusões, que já existiam antes do surgimento dos meios de comunicação de massa. Mas elas podem atuar como catalisadores, servindo aos interesses dos líderes populistas. A audiência já está predisposta a ouvir aquilo que a imprensa e os políticos oferecem. As pessoas são perfeitamente capazes de se enganar sem a ajuda de jornalistas. Podemos analisar o exemplo do viés pessimista para ilustrar o ponto. David Hume já sabia que o hábito de condenar o presente e idealizar o passado estava bastante arraigado na natureza humana. A despeito do avanço material fantástico dos últimos séculos, muitos costumam temer um futuro apocalíptico para a economia, com fim de recursos, miséria, desemprego etc. A Bíblia, Nostradamus, Malthus, o Clube de Roma, a lista de previsões sombrias é vasta, e o público parece inclinado a buscá-las. A imprensa, na missão de atender a demanda do público, faz um excelente trabalho de recortes pessimistas, criando uma sensação de pânico. Os políticos se aproveitam deste ambiente, que subestima o progresso econômico e superestima os riscos e problemas.
 
Se eleitores são irracionais, por que consumidores não seriam também? Caplan entende que os incentivos são bastante diferentes nos dois casos. Na democracia há total incentivo para agir de maneira a gerar a maior satisfação mental com as escolhas, uma vez que seu voto não altera o resultado. Já no mercado, os consumidores são incentivados a agir de forma mais racional. Isso não é garantia de racionalidade, naturalmente. Mas quando o consumidor precisa colocar nos atos suas palavras, é ele quem paga o preço. Basta pensar no exemplo do protecionismo: ele pode comprar um produto nacional, pior e mais caro, para se sentir bem como um patriota; mas isso poderá lhe custar caro. O efeito é direto sobre ele. É justamente por isso que vemos tanta contradição entre discursos políticos e práticas consumistas. Os mesmos que atacam o progresso tecnológico como destruidor de empregos em seus discursos, entendem que fazer mais com menos em seus trabalhos é algo positivo, pois sobra mais tempo para investir em outras atividades, como o lazer. O custo individual de ser um ludista na política é quase nulo, enquanto o custo individual de rejeitar o avanço tecnológico no mercado é absurdamente elevado.
 
Muitos economistas são acusados de “fundamentalismo de mercado”. Caplan acredita que a acusação é uma caricatura. À exceção de alguns poucos libertários mais fanáticos, a imensa maioria dos economistas aceita a existência das falhas de mercado. Os próprios economistas costumam apontar tais falhas e praticar a autocrítica. Milton Friedman, por exemplo, era o primeiro a reconhecer diversas falhas no funcionamento dos mercados, e sabia que a alternativa muitas vezes era entre o menor dos males. Quase ninguém afirma que os mercados são perfeitos, e ninguém do mainstream da economia o faz. A questão, porém, é partir dessa premissa verdadeira, de falha dos mercados, e concluir que a alternativa será sempre desejável e melhor. Os que agem assim, segundo Caplan, são os “democratas fundamentalistas”, que pensam que qualquer defeito econômico pode ser resolvido com mais democracia.
 
Para Caplan, esses fundamentalistas não são ridicularizados porque existem em grande número. Se alguém atacar Zeus numa reunião, ninguém vai reclamar; mas se atacar Cristo, poderá despertar a revolta de muitos. De forma similar, ridicularizar o “fundamentalismo de mercado” é fácil, pois seus adeptos são muito escassos. Mas atacar os “democratas fundamentalistas” costuma gerar forte reação, pois eles existem em grande quantidade. Acontece que a democracia não é uma panaceia, e como mostra Caplan, ela pode incentivar o comportamento irracional dos eleitores, produzindo resultados ineficientes. Isso não quer dizer que a solução seja uma ditadura.
 
No passado, a religião sempre foi assunto de estado, ou seja, sujeito à escolha da maioria e depois imposto aos demais. Atualmente, vimos a despolitização da religião, que passou a ser da esfera individual. A maioria não mais controla a crença religiosa de todos. Assim como a religião, muitos outros assuntos poderiam ser despolitizados, ou seja, retirados da esfera pública e transferidos para o âmbito particular. Só porque alguma democracia é necessária para certos assuntos públicos, isso não quer dizer que não devemos ter menos democracia quando o tema em questão não diz respeito ao público em geral. A mistura ótima entre mercado e governo não depende nas virtudes absolutas do mercado, mas sim de suas virtudes comparadas àquelas do governo. Politizar tudo é o caminho da ineficiência e da servidão.

03 de julho de 2013
Rodrigo Constantino
* Publicado originalmente em 23/05/2011.

OS DESCENDENTES DE LUCIUS ANTONIUS RUFUS APPIUS ESTÃO NO PODER?

 

 
Houve em Roma um pretor que dava sentenças favoráveis a quem melhor pagava. Chamava-se ele Lucius Antonius Rufus Appius. Sua rubrica era L.A.R. Appius. Daí chamar-lhe o povo ‘larappius’, nome que ficou sinônimo de gatuno.
Quem conta essa historinha é um certo Arthur Rezende, autor de um velho livro chamado “Frases e curiosidades latinas”. A tese de que a palavra larápio – sinônimo de ladrão, gatuno, ladravaz, ratazana – derivou das iniciais daquele Lucius Antonius, magistrado venal, é uma das mais saborosas e mais desacreditadas lendas etimológicas que circulam em português.

Um filólogo brasileiro respeitável, Antenor Nascentes, cometeu a temeridade de registrá-la em seu dicionário. Mesmo não comprando sem reservas a versão de Rezende e resguardando seu prestígio com a tradicional fórmula italiana de ceticismo (se non è vero…), Nascentes fez muito pela disseminação do que tudo indica ser uma mentira deslavada.

Mas será mesmo? Bem, o envolvimento de Nascentes com a lenda de L.A.R. Appius lhe valeu críticas de colegas como o português José Pedro Machado e o brasileiro Silveira Bueno, que não tinham dúvida sobre a inconsistência da tese.
Como explicar que a palavra tivesse ganhado seu primeiro registro em português apenas em 1812 – e que, em todos os séculos interpostos entre a vida do tal magistrado e o momento do fiat lux vocabular, o nome de Appius não aparecesse em um único documento histórico?

A parte chata é que, fora a imaginosa tese do pretor corrupto, que não fica em pé, não há mais nenhuma. A origem da palavra larápio é um mistério.

03 de julho de 2013
 

O PACTO DESCARTADO... UM GOVERNO DE MARQUETEIROS E MARQUETAGENS...

Na última sexta-feira o Diário Oficial da União publicou um decreto que alterou o estatuto do BNDES. Daqui por diante, o banco estatal fica autorizado a computar saldo corrente como dividendo e assim antecipar receitas à União. Isso facilita a maquiagem do desempenho fiscal do governo quando for conveniente.



Parece brincadeira. Em menos de uma semana o pacto pela responsabilidade fiscal, anunciado em tom solene na reunião com governadores, desaguou em mais contabilidade criativa. Assim como a Constituinte inconstitucional, as ações pós-protestos até agora não foram além de slogans sem substância.

Não que isso seja novo. O método é conhecido: anúncio bombástico, resultados pífios. Além do mais, não é segredo para ninguém que o governo é o único responsável pela política econômica que aí está. A novidade é a hegemonia do marketing na condução da agenda do governo contra a crise.

O pacto pela educação vai pelo mesmo caminho. Entre 2002 e 2011 os investimentos em educação avançaram 0,13% do PIB ao ano. Nem mesmo o aporte de 75% dos royalties previstos até o ano 2022 fará o Brasil se aproximar da meta de empregar 10% do PIB em educação.


No caso da mobilidade urbana, segundo cálculos do economista Gil Castelo Branco, desde 2002 o governo não conseguiu tirar do papel sequer 20% dos investimentos autorizados. Ao invés de R$ 6 bilhões, investiu R$ 1 bilhão. Agora, com a margem fiscal mais estreita, de onde sairão os R$ 50 bi prometidos?

Na segurança, virou praxe oferecer ajuda do Ministério da Justiça durante crises, quando todos sabem que armas e drogas circulam livremente, pelas fronteiras e depois nas cidades, sob a passividade do governo. Na saúde, falta dinheiro para esparadrapo, gaze e soro. A solução apontada é importar médicos sem certificação de habilidades.

A verdade é que o pacto que daria voz aos anseios por melhores serviços foi deixado de lado. Como mostrou O Globo, a máquina administrativa faraônica, com 39 ministérios e 22,5 mil cargos de confiança, consome nada menos que R$ 611 bilhões anuais -- quase o triplo do que se investe em educação.

Ao invés de um pacto pela eficiência, austeridade e economia de dinheiro público como forma de disponibilizar receitas para investimentos, o governo prefere as bravatas da marquetagem.

Afinal, cortar gastos significa desatender a clientela. E entre a eleição e o país, a escolha nunca prima pela responsabilidade. Pacto para que?

03 de julho de 2013
José Aníbal é economista e secretário de Energia de São Paulo.

CORRUPÇÃO


 
(O Dia) Um dos maiores empresários de ônibus da cidade, Jacob Barata Filho é também um dos donos do terreno em Guaratiba, o Loteamento Vila Mar, onde será rezada, pelo Papa Francisco, a missa que encerrará a Jornada Mundial da Juventude.

A área de dois milhões de metros quadrados foi cedida gratuitamente à organização do evento, mas se beneficiará de obras de terraplanagem e das que estão sendo feitas, pela prefeitura, em seu entorno.

Em junho, O DIA fotografou um caminhão com o logotipo da prefeitura participando de obras no terreno. Segundo a assessoria de Eduardo Paes, todos os caminhões que prestam serviço à prefeitura são terceirizados: diz que o fotografado, naquele momento, trabalhava para uma empresa particular e não deveria estar usando o adesivo que identifica seu uso em tarefas contratadas pela administração municipal
 
03 de julho de 2013
 

DILMA EMITE NOTA DE APOIO A EVO MORALES E FAZ TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA. CHÁVEZ SERIA MAIS SUTIL E DIPLOMÁTICO


Vejam se o caso requer uma nota com este tom e este "comprimento"...
O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito.
 
O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores.
 
Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia.
 
O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.
 
O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.

03 de julho de 2013
Dilma Rousseff

O VÍDEO PROVA QUE RECORDAR NEM SEMPRE É VIVER: ÀS VEZES É MORRER DE VERGONHA

 

Vaiada em estádios de futebol, atarantada com a popularidade em baixa (e a inflação em alta), abandonada pelo padrinho foragido, sitiada por parceiros apavorados com o risco de perder o emprego ou o acesso ao cofre, Dilma Rousseff pode consolar-se com o vídeo que mostra o que acham da presidente em perigo vários amigos de fé.

Pelo que disseram, todos estarão no Planalto em poucos minutos se forem convocados por Dilma. Só chegará atrasado o companheiro que virou passarinho e terá de percorrer a rota Caracas-Brasília. Não perca o desfile de prontuários.


EU BEM QUE DEI UM CONSELHO A DILMA, NÉ? ELA PREFERIU OUVIR O MERCADANTE...

 

Eu quero o PT fora do poder. Não porque eu tenha partido — os tucanos, por exemplo, sabem muito bem que não sou da turma.
 
Quero os petistas fora do poder porque eles não gostam de democracia. Já escrevi milhares, literalmente, de textos demonstrando isso. Mas eu os quero fora do poder SEGUNDO AS REGRAS DO JOGO — ainda que eles vivam tentando burlá-las.
 
Ocorre que o fato de eles fazerem isso não me dá o direito de fazer o mesmo. Não são os petistas a decidir o que acho bom ou ruim. Eu decido. Nas minhas escolhas morais e éticas, faço de conta que eles não existem. Assim, vocês sabem, o baguncismo em curso no país nunca me encantou. “E se contribuir para o PT ser defenestrado…”
 
Nem assim endosso os métodos. Escrevi um textinho no dia 21 de junho recomendando que Dilma falasse à nação. Mesmo deplorando seu governo, seu partido e o que pensa essa gente, sugeri a ela um caminho — o da institucionalidade. Mas ela preferiu um outro. Vale a pena reler. Volto em seguida.
*
O Brasil vive, por enquanto ao menos, uma democracia política plena. A única ditadura que ronda as consciências é a patrulha do politicamente correto, das ditas “minorias”, dos autodeclarados movimentos sociais. Existe plena liberdade de manifestação e de opinião. A praça está livre para o povo ocupá-la e dizer o que bem entende.
 
Atenção para este parágrafo: quando, no dia 13, a Polícia Militar de São Paulo decidiu cumprir a sua função e impor a ordem nas ruas — já que manifestantes tentavam, mais uma vez, impedir o direito de ir e vir, foi demonizada pela imprensa, pelos petistas e, de forma indireta, até pela presidente.
Dilma está diante de um de dois caminhos:
 
1) fazer um pronunciamento meramente retórico em defesa da paz, perdendo-se, mais uma vez, na propaganda dos feitos de seu partido;
 
2) deixar claro que os abusos não serão tolerados e que o governo federal dará todo o apoio material e político para que os governadores garantam a tranquilidade e a ordem.
 
Por mais que setores da imprensa insistam em dizer o contrário, é mentira que as manifestações ocorrem num clima de paz e tranquilidade. É evidente que não temos uma maioria de depredadores na rua. Fosse assim, ou seria revolução ou o retorno ao estado da natureza. O fato e que existe um clima favorável à bagunça, à depredação e aos saques.
 
Existe lei federal — a de Segurança Nacional, sim! — para conter esses bandidos. Mas a coisa não pode parar por aí. Todos têm o direito de se manifestar publicamente. Há liberdade de reunião e de associação no país, mas é mentira que exista o direito assegurado de paralisar as cidades.
 
O governo federal tem de se reunir com os governadores e lhes dar o devido suporte para que sejam definidas as áreas que podem abrigar as manifestações. As interrupções do trânsito e a ocupação tresloucada de ruas, avenidas e rodovias têm de ser contidas pelas Polícias Militares, e os que insistirem na prática têm de ser punidos.
 
Mas, para isso, é preciso que haja uma solução de compromisso. Para isso, é preciso que os ministros de Dilma se comportem como homens de estado, não como chicaneiros. E é preciso que o partido de Dilma abra mão do oportunismo asqueroso que o fez redigir uma nota que, na prática, estimula a bagunça.
 
Ou a presidente faz isso, ou pode começar a se despedir não da reeleição, mas da própria candidatura. É bom que ela não se esqueça de que a maior concentração por metro quadrado de pessoas que torcem para que ela quebre a cara é o PT.
O partido quer Lula de volta.
 
Volto

Em política, forma é conteúdo. A maneira escolhida para reivindicar isso ou aquilo expressa um entendimento do tipo de sociedade que queremos. Dilma fez um pronunciamento assustadiço, de quem estava acuada no Palácio, sem entender direito o que estava em curso. Se os descontentamentos são de agora, recentes, ou fruto do acúmulo de anos de desmandos na República, pouco importa: o fato é que temos o instrumento adequado em mãos. O nome dele é estado democrático e de direito.
 
Em tempos de redes sociais, de “cada um vá para a rua e exija o cumprimento de seu sonho”, a desordem acaba se confundindo com a poesia. Manifestações estupidamente violentas eram transmitidas ao vivo, com comentadores destacando a, como é mesmo?, “maioria pacífica”.
Ora, o mesmo critério da “maioria pacífica” que impedia as cidades de levar uma vida normal está em curso nas estradas.
 
Que eu saiba, a maioria dos caminhoneiros não está botando fogo em pneus. Ou está? “Ah, mas eles impedem o direito de ir e vir…” Não me digam! Os que passaram a dar plantão na Paulista não faziam o mesmo?
 
Digam-me aqui: se a Mayara Vivian e os Rimbauds das catracas podem posar de pensadores no Jornal Nacional e no Fantástico, por que não Nélio Botelho? “Ah, esse cara é muito suspeito…” Eu também acho. Mas os outros eram, por acaso, uma mistura de Madre Teresa de Calcutá com Voltaire?
 
Agora a coisa começa a ficar feia, não é? Agora se começa a mexer com coisa séria. Há gente no Brasil que achou que dava para tirar a pasta de dentes do tubo e depois devolvê-la. Não dá, não! Por que o “occupy a Paulista” é mais legítimo do que o “occupy a Dutra”? Se alguém tiver alguma resposta que não seja só ideologia, pode enviar para cá.
 
Os petistas resolveram, num primeiro momento, flertar com a desordem, achando que iriam liquidar om o PSDB em São Paulo e, depois, se viram acuados com os monstros que ajudaram a tirar da caixa. Com o problemão nas mãos, em vez de deixar claros os limites que teriam de ser respeitados, resolveram ser reverentes com expressões claras de ilegalidade.
 
Eu, que quero Dilma fora do poder, acabei por lhe dar um bom conselho. Ela preferiu ouvir o Mercadante. O resultado é esse aí.
 
03 de julho de 2013
Reinaldo Azevedo