"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 23 de junho de 2012

ABORTISTAS ADMITEM DERROTA NA RIO + 20


          Artigos - Globalismo        
Numa exibição surpreendente de solidariedade, um grupo diversificado de países se uniu à Santa Sé para removerem, com êxito, toda menção a direitos reprodutivos ou controle populacional do documento final produzido durante a última rodada de negociações da ONU na conferência Rio +20 nesta semana.

Nos seis meses passados, o Fundo Populacional da ONU (FNUAP) junto com a Noruega e Islândia, Catholics for Choice (Católicas pela Escolha) e a Planned Parenthood (Federação Internacional de Planejamento Familiar), trabalharam febrilmente juntos para tirar vantagem da conferência Rio +20 sobre desenvolvimento sustentável a fim de promover tanto um direito internacional ao aborto quanto o controle populacional.
Catholics for Choice distribuiu várias publicações e declarações fazendo de alvo óbvio a influência única do Vaticano dentro da ONU como Observador Permanente. Num recente informe, esse grupo afirmou que a “tendência da Santa Sé de insistir em posições periféricas que a colocam longe dos que estão no consenso predominante” mina “o consenso internacional sobre direitos humanos e provoca um retrocesso nas normas e princípios que são igualmente valorizados pelos países membros da ONU”.

Contudo, as negociações no Rio nesta semana mostram que a Santa Sé, longe de estar na “periferia” entre as nações, é líder de consenso. Junto com a Santa Sé, Nicarágua, Chile, Rússia, Honduras, Síria, República Dominicana, Costa Rica e Egito todos rejeitaram a introdução de “direitos reprodutivos” no documento final da Rio +20.

A Nicarágua, que é dirigida por um governo esquerdista, foi talvez o mais contundente, e insistiu em que as delegações cessassem de “lutar em torno do termo direitos reprodutivos” que “todo país sabe que é um código na ONU para se referir ao aborto”. A delegação nicaraguense apontou para o fato de que foram a Noruega e a Islândia, não a delegação da Santa Sé, que estavam minando o consenso ao imporem “questões proibidas” que forçariam os países a concordarem com um documento que está “em conflito direto com suas leis e legislação nacional”.

A delegação do Chile fez declaração semelhante, declarando o “direito à vida” como “incompatível com o termo ‘direitos reprodutivos’” e questionando ainda mais sua inclusão num documento que tem o objetivo de tratar de desenvolvimento sustentável.

No começo da semana passada, deixou-se clara a ligação polêmica entre direitos reprodutivos e desenvolvimento sustentável quando a Nova Zelândia junto com a Noruega, a Islândia, os Estados Unidos, o Canadá, a Suíça, a UE e a Austrália pediram a inclusão do termo “dinâmica populacional” do FNUAP no mesmo parágrafo de saúde sexual e reprodutiva.

A Rússia e a Santa Sé, junto com os países do G77 não perderam tempo em apontar que o termo, particularmente quando colocado no mesmo parágrafo de planejamento familiar, era uma tentativa de “promover o controle populacional” como meio de alcançar o desenvolvimento sustentável. Essa frase também foi tirada do documento.

Durante a conferência tanto a UE quanto as delegações da África permaneceram a maior parte do tempo em silêncio sobre o termo direitos reprodutivos e controle populacional, mas por razões diferentes. As delegações africanas, por exemplo, estão com medo de que se abrirem a boca os financiamentos de que dependem desesperadamente serão cortados por organizações como o FNUAP. A UE, por outro lado, não abriu a boca a fim de não quebrar o consenso dentro de seu próprio grupo, considerando que três países, inclusive a Irlanda, permanecem solidamente pró-vida.

As feministas pró-aborto já estão se queixando sobre sua perda no Rio. Vicky Markham do Centro do Meio-Ambiente e População escreveu nas páginas do RH Reality Check para levantar o alarme sobre a derrota iminente delas. “As negociações na linguagem preliminar da Rio +20 que inclui ‘mulheres’ e ‘direitos reprodutivos’ deram uma grande virada para pior… e as coisas parecem muito ruins de acordo com relatórios vindo do local…” Ela disse que as ONGs estavam organizando uma grande marcha no centro da conferência ontem de tarde para protestar contra suas perdas. Parece ter sido pequena demais e tarde demais.

 Escrito por Timothy Herrmann

Do ‘Friday Fax’ do C-FAM.

ISRAEL: A ORIGEM DO MAL

    
          Artigos - Desinformação        

Os inimigos de Israel podem não ter conseguido varrer o Estado judeu do mapa literalmente, mas trabalham diuturnamente para destruir sua reputação, sua legitimidade e seus esforços para sobreviver.

Membros de um grupo terrorista judaico atravessam a fronteira do Sinai, adentrando em território egípcio. Uma vez dentro do território, atacam a tiros um grupo de operários egípcios que trabalhava na construção de uma barreira, matando um deles. Em resposta, as forças egípcias interceptam a célula terrorista, engajam-se em combate e matam dois de seus combatentes. Diante desse incidente preocupante, e ante o quadro de instabilidade do governo israelense – cujo poder é disputado por judeus radicais com ramificações terroristas –, o governo egípcio decide movimentar tanques para a região de modo a evitar novos ataques vindos do território israelense, ainda que isso viole um acordo de paz firmado com Israel há muitos anos. Além disso, em uma ação cirúrgica, o governo egípcio promove um ataque aéreo além de suas fronteiras, matando outros quatro terroristas judeus radicais.

Se o caso hipotético acima fosse verdadeiro, veríamos notícias muito interessantes sendo veiculadas pelos principais meios de comunicação ao redor do mundo: a TV Al-Jazeera apresentaria uma reportagem de dez minutos contando pormenorizadamente a vida do operário egípcio brutalmente assassinado pelos terroristas sionistas; a CNN exibiria imagens de protestos de solidariedade realizados diante das embaixadas egípcias nos principais países ocidentais; um ou outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU criticaria a leniência e a ineficiência do governo israelense em controlar suas fronteiras; programas com analistas de assuntos exteriores e de defesa sobre as perspectivas na região seriam gravados; seriam exibidas muitas reportagens mostrando os vínculos dos terroristas judaicos com o partido sionista que está na briga pelo poder em Israel, indicando que a possibilidade real de que ataque não tenha sido um incidente isolado.

Consideremos um segundo caso hipotético. Terroristas judaicos atacam constantemente o território jordaniano com mísseis de curto alcance, alvejando cidades próximas da fronteira entre os dois países. Estruturas são danificadas, e, eventualmente, um ou outro cidadão jordaniano acaba sendo vitimado.


A inteligência das forças armadas jordanianas localiza os locais exatos de onde partiram os mísseis, efetuando uma varredura para identificar novos pontos de onde podem partir novos ataques, e descobre que os terroristas instalaram os equipamentos em meio à população civil com o objetivo de usá-la como escudo humano. Ainda assim, as forças da Jordânia resolvem bombardear as bases, prevenindo novos ataques.

Um bom número de terroristas perece, mas um número muito maior de civis acaba morrendo nesse ínterim. A cobertura midiática da ação mostraria, certamente, a perfídia dos terroristas sionistas em usarem a população local como escudos humanos, uma dentre muitas táticas macabras utilizadas para evitar ao máximo qualquer retaliação militar por seus ataques covardes; também reforçaria o direito legítimo do Estado jordaniano em reagir aos ataques a seu território, reação que, apesar das baixas civis, jamais seria referenciada como “limpeza étnica” ou “holocausto” ou termos congêneres.

Os dois casos acima retratados são perfeitamente factíveis. Na verdade, seriam mais do que esperados em um mundo normal. A invasão de um bando armado, célula de uma organização maior que recorre a expedientes terroristas para levar a cabo sua missão e é inspirado por uma ideologia que mistura fanatismo religioso e tendências genocidas, a partir de um país politicamente instável, é um fato que justifica plenamente o rompimento unilateral momentâneo de um tratado de desmilitarização de fronteiras.

A interceptação e a eliminação dessa célula terrorista dentro do território invadido é uma ação militar racional que qualquer governo adotaria. A eliminação de elementos hostis ligados a essa célula fora dos limites da fronteira pode ser tomada como uma ação temerária, mas não ilegítima: sob diversos aspectos, é o desdobramento lógico das ações tomadas dentro do território invadido. As mortes civis eventualmente provocadas por ações militares em resposta a esses ataques seriam terríveis, é evidente, mas não vãs nem injustificadas.

Todo o raciocínio exposto acima deveria ser aplicado a toda nação soberana na condição de vítima dos ataques terroristas enunciados. No entanto, ao que tudo indica, Israel é um dos Estados que não possui esse direito.

De fato, toda ação militar realizada pelas forças armadas israelenses com vistas a salvaguardar seus direitos e proteger seus cidadãos é tida aprioristicamente como má de per si: o enfrentamento de terroristas que invadiram seu território é resumida como “violação de tratado de paz com o Egito”, e, portanto, ilegítimo; a morte de civis utilizados como escudos humanos por terroristas palestinos é classificada de “genocídio” e “crimes contra a Humanidade”, como se esses civis fossem, desde o começo, os alvos da ação militar israelense.

Um exemplo de hoje (19) pode ser visto numa notícia publicada pela BBC e republicada pelo jornal Folha de São Paulo: uma mesquita foi depredada na Cisjordânia, sendo alvo de pichações e ações incendiárias.

O foco da reportagem é mostrar que os crimes não recebem a atenção devida por parte das autoridades israelenses, deixando no ar um cheiro de conivência do Estado de Israel. Todavia, foi convenientemente omitida a informação de que uma grande força investigativa, que conta com policiais e agentes do Shin Bet (o serviço de segurança interna de Israel), está promovendo diligências na região para averiguar quem cometeu esses crimes – o que foi noticiado até pelo jornal esquerdista Haaretz.
Quando uma sinagoga perto do assentamento de Dolev, em que se localiza o memorial de Yair Mendelson (israelense morto num ataque terrorista durante a Primeira Intifada), foi incendiada repetidas vezes, não se aventou, nem mesmo se insinuou, uma possível conivência da Autoridade Palestina.
Quando a sinagoga Neve Dekalim, na Faixa de Gaza, foi reduzida a escombros por uma turba enfurecida liderada por membros do alto escalão do Hamas, nenhuma organização de direitos humanos criticou aquele grotesco ato de perseguição religiosa. Na verdade, ambos os fatos passaram praticamente despercebidos: poucos jornais os relataram.

Os inimigos de Israel podem não ter conseguido varrer o Estado judeu do mapa literalmente, mas trabalham diuturnamente para destruir sua reputação, sua legitimidade e seus esforços para sobreviver. E tudo isso com o beneplácito de quase todos os grandes veículos de informação, organizações multilaterais, instituições não-governamentais e diversos governos, inclusive ocidentais.

Felipe Melo
23 de junho de 2012

O HOMEM QUE DESMORALIZOU A PATIFARIA

   
          Artigos - Governo do PT        

Os estragos de Maluf se indenizam em São Paulo, com dinheiro, e se punem com cadeia. Os de Lula levarão décadas para serem retificados na consciência nacional e nas instituições do país.

Tão logo começaram a circular pelo mundo as imagens de Lula e Maluf selando aliança política para beneficiar Haddad no pleito paulistano, a mídia disciplinada pelo PT começou a reprovar o comportamento de Lula.
Não o fazer seria escandaloso. Mas era preciso reprovar como quem estivesse surpreso. Como se aquilo fosse uma grande novidade e uma nódoa incompatível com a alva túnica do seráfico ex-presidente.

Do lado oposicionista, surgiram comentários no sentido de que se tratava de uma aliança entre iguais.

Dizia-se que ambos se mereciam. Que seriam parceiros na escassez de escrúpulos. Que os dois seriam dotados de uma consciência maleável como massinha de moldar.
Também essa foi minha primeira opinião, até assistir a um debate em que tal afirmação foi feita, recebendo a seguinte contestação de um representante do PT:
"Não dá para comparar Lula com Maluf. Lula não é procurado pela Interpol!".

Essa frase me levou a colocar os dois personagens nos pratos de uma balança mental das iniquidades. Instalei-os ali, enquanto sopesava as respectivas biografias, que, a essas alturas, enchiam as páginas dos blogs e sites da rede.

Resultado do teste: Maluf foi catapultado para cima enquanto Lula se estatelava embaixo. De fato, Lula não tem condenação criminal. Mas até mesmo na balança de um juízo moral tolerante, é infinitamente mais danoso do que seu parceiro.
O que ele fez com a política, com a democracia, com os critérios de juízo dos eleitores e com as próprias instituições nacionais é pior, muito pior do que o prontuário criminal do seu parceiro na eleição paulistana.
Os estragos de Maluf se indenizam em São Paulo, com dinheiro, e se punem com cadeia. Os de Lula levarão décadas para serem retificados na consciência nacional e nas instituições do país.



A sociedade, em algum momento, emergirá da letargia produzida pelo carisma do ex-presidente e pela rede de mistificações em que se envolve. Compreenderá, então, que o modo de fazer política introduzido por Lula conseguiu desmoralizar a patifaria. Antes dele havia um certo recato na imoralidade.

As vilanias eram executadas com algum escrúpulo. Quando alguém gritava que o rei estava nu, as pessoas olhavam para as partes polpudas do rei e se escandalizavam. Com Lula, as pessoas olham para o lado. Não querem ver.
São como os julgadores de Galileu que se recusavam a olhar pelo telescópio com que ele lhes queria mostrar o universo: "Noi non vogliamo guardare perché se lo facciamo potremmo cambiare". Não olham porque mudar de opinião pode custar caro.

Então, o rei aparece no jardim, nu como uma donzela de Botticelli, e as pessoas olham para o Maluf, de terno e gravata com ar de escândalo. Se isso não é a desmoralização da moral, se a influência de Lula nos costumes políticos não nos submete, como cidadãos, aos padrões próprios de um covil de velhacos, então é porque - ai de mim! - em algum lugar do passado recente, perdi a visão e a razão.

Percival Puggina
23 de junho de 2012


AS TRÊS VIDAS DE PAVLIK MOROZOV


          Artigos - Cultura        

PavlikNo dia 4 de setembro de 1932, foram descobertos os cadáveres de dois meninos num bosque perto de Gerasimovka, uma aldeia esquecida por Deus na zona central dos Urais. Os meninos Fiodor, de nove anos, e Pavel, de treze, eram filhos de um camponês local que pouco antes tinha tido problemas com a polícia por questões ideológicas.

Pavel, um jovem pioneiro da Juventude Comunista, tinha denunciado seu pai, Trofim Morozov, por atividades contrarrevolucionárias. Aparentemente, o pai se opunha à coletivização de terras que estava sendo feita pelas autoridades soviéticas naquele momento e, não contente com isso, tinha se dedicado a falsificar documentação para entregá-la aos inimigos do Estado. Isto o levou à prisão e a um julgamento sumário que lhe custou dez anos de trabalhos forçados no gulag.


Alguns parentes dos meninos quiseram vingar a memória de Trofim e levaram os meninos para o bosque, onde os assassinaram a sangue frio, cortando seus pescoços com uma serra. A polícia seguiu as pistas, prendeu os assassinos e, depois de arrancar-lhes a confissão, condenou-os a morrer no paredão. Pouco depois apareceu a mãe, Tatyana Morozova, que garantiu ser uma mulher tremendamente infeliz e continuamente espancada por seu marido.

As revelações de Tatyana fecharam o círculo. Trofim era, além de um espião que traficava informações privilegiadas a serviço dos inimigos da União Soviética, uma pessoa má de caráter amargo e habituado a maltratar os seus. Esta última prova dada por sua esposa transformou a benigna pena de dez anos que as autoridades lhe tinham imposto em execução imediata. A justiça revolucionária havia sido feita. O caso estava encerrado.

Logo alguém em Moscou percebeu as infinitas possibilidades oferecidas por uma história como a de Pavel, rebatizado às pressas com o diminutivo de nome seu nome, Pavlik (“Paulinho”), para instruir as massas sobre o grau de perversidade a que poderia chegar a reação antissoviética. Serviria também para mostrar a todo o país os benefícios e as oportunidades de uma denúncia feita a tempo, inclusive dentro da família. A União Soviética seria generosa com todos, não importando a idade ou a condição, que descobrissem os contrarrevolucionários escondidos que tentavam destruir paraíso socialista através de truques sujos.


O jovem Pavlik se converteu em uma celebridade nacional. O governo o declarou mártir e promoveu seu culto cívico mediante estampas e cartazes que enfeitaram as paredes de todo o país. Erigiram-se estatuas do menino herói e muitos colégios e centros juvenis adotaram seu nome. Inaugurou-se um museu dedicado à sua pessoa em Sverdlovsk (atual Yekaterinburgo), capital de seu estado natal, ao qual peregrinavam grupos de jovens do Partido para comprar souvenires e tirar fotos numa réplica da sala de aula em que o menino tinha estudado.

Crianças de todas as escolas escreviam poemas sobre o acontecido, poemas que mais tarde competiram em certames celebrados. Chegou-se mesmo a se compor uma ópera sobre a epopeia trágica, que foi muito representada. Sergei Eisenstein dirigiu um filme, “O Prado de Bezhin”, inspirado em sua história. Curiosamente, o filme nunca chegou a ser lançado porque as autoridades acharam que o diretor tratava as personagens hostis ao regime com uma luz muito favorável.


crianças e Pavlik
Crianças soviéticas diante do busto de Pavlik Morozov.

O culto ao camarada Pavlik foi intenso durante o stalinismo, especialmente entre a infância. Manteve-se durante os anos de Khrushchev e Brezhnev e depois, já nos anos 80, quando o sonho soviético se havia evaporado das mentes dos russos sem que o Partido pudesse fazer nada para evitá-lo, foi perdendo força até praticamente desaparecer.

Foi então que Yuri Druzhnikov, um escritor maldito que mais tarde se exilaria na Áustria, investigou a fundo o assunto para dar com a verdade do caso Pavlik. Foi um trabalho lento e custoso cujos capítulos circulavam pela Rússia sob a forma de “samizdat”, textos clandestinos que passavam de mão em mão para ludibriar a censura. Esses samizdats cruzaram a cortina de ferro e chegaram ao Reino Unido. Ali apareceu, em 1988, a primeira edição de “
Informer 001: The Myth of Pavlik Morozov”, que não tardou a ser traduzido para várias línguas.


A tese de Druzhnikov foi baseada na existência mesmo de um único Pavlik – que bem poderia ter sido vários, já que na propaganda soviética os retratos do menino eram muito diferentes. No entanto, o autor acreditava que, sim, houve um Pavel Morozov, natural de Gerasimovka, que viveu no início dos anos trinta. Mas ele não foi morto por sua família, e sim por um agente da Cheka com quem o próprio Druzhnikov chegou a ter contato. Os avós também existiram, mas não foram os assassinos, e sim vítimas inocentes de uma montagem grosseira da NKVD que teve como objetivo fabricar um herói camponês que servisse de exemplo para os aldeões daquela província, Tobolsk, que muito relutava em adotar a coletivização agrícola.

Segundo a investigação, o avô, abalado depois do desaparecimento de Pavlik, chegou a organizar uma equipe de busca camponesa para procurar o menino nas florestas próximas. Nesta segunda vida de Pavlik Morozov, o menino nem mesmo militava na Juventude Comunista nem integrava as brigadas locais de pioneiros para o socialismo. Druzhnikov, com uma avalanche de dados inéditos, exclui qualquer hipótese de denúncia contra o pai e, é claro, de vingança posterior. Tinha sido tudo uma mentira. Um simples e miserável homicídio da polícia política numa aldeia remota no coração da Rússia foi espertamente convertido pela publicidade numa bela história de heroísmo revolucionário – muito coerente, além disso, com os valores antifamiliares e antitradicionais defendidos pelos líderes soviéticos.

Anos depois, quando a história de Pavel Morozov estava praticamente esquecida, Catriona Kelly, uma professora de russo da Universidade de Oxford, reviveu-a com outro livro: “Comrade Pavlik: The Rise and Fall of a Soviet Boy Hero”. Kelly, baseando-se em grande parte nas investigações de Druzhnikov, vislumbrou uma terceira vida. Morozov não foi assassinado pela NKVD, mas morreu acidentalmente numa briga de rua pela posse de uma arma. Kelly obteve permissão para meter o nariz nos arquivos da FSB (sucessora da KGB, que por sua vez era sucessora da NKVD), pelo que a polêmica com os partidários da segunda vida de Pavlik Morozov estava formada: a FSB não aceitaria um assassinato assim, sem mais nem menos, de maneira que teriam ocultado a culpa da agência, deixando o resto intacto.


monumento Pavlik
Kelly teve muitos problemas para reviver o Pavlik histórico, já que, depois de meio século de culto martirológico, tudo a seu redor estava distorcido. Encontrou uma foto, a única autentica, do verdadeiro Pavlik. Ele não era, como aparecia nos cartazes de propaganda, um menino de belas e equilibradas feições com um cachecol de pioneiro ao redor do pescoço, mas um pobre garotinho mal nutrido e de aspecto miserável. Ou seja, com a mesma aparência que nos anos da coletivização apresentavam quase todos os meninos do interior da União Soviética.


Pavel Morozov, o camarada Pavlik, continua sendo um enigma histórico. Sabemos com certeza que existiu e que morreu em circunstâncias misteriosas no final do verão de 1932, num esquecido lugarejo dos confins da Rússia. Sabemos também que a polícia montou em torno de sua morte uma mórbida história de crime familiar, da qual o Partido se aproveitou para sustentar certas verdades revolucionárias. Pavlik Morozov foi o primeiro homem novo, um indivíduo puro, sem mácula, sem vestígios da era burguesa, disposto a imolar-se pela causa do socialismo. Um produto tão atrativo que, como nunca existiu, tiveram que inventá-lo.

Fernando Díaz Villanueva
23 de junho de 2012

Do Libertad Digital.

Tradução: Jorge Nobre
Publicado no blog da Juventude Conservadora da UnB

NA VEJA DESTA SEMANA - ALOPRADOS: A MONTANHA QUE SÓ PARIU RATOS

aloprados

Na semana passada, a Justiça Federal abriu processo contra nove envolvidos no escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram presos em São Paulo, às vésperas das eleições de 2006, quando se preparavam para comprar um dossiê fajuto que serviria para enredar políticos do PSDB com a máfia que fraudava licitações no Ministério da Saúde. A decisão sugere que mais uma jogada rasteira de petistas interessados em se perpetuar no poder à base de práticas escusas - entre as quais o mensalão desponta como exemplo mais degradante - será, depois de seis anos, finalmente punida. Ledo engano. Os aloprados levados às barras dos tribunais são militantes de baixo escalão e meros tarefeiros a serviço de próceres do partido.
Eles vão responder a um processo manco, que não esclarece duas das principais dúvidas relacionadas ao caso: quem encomendou a trapaça eleitoral e de onde saiu o dinheiro que financiaria a operação. Se essas questões não forem explicadas, restará a certeza de que compensa investir no vergonhoso vale-tudo que impera na política brasileira. Afinal, como castigo, só uma arraia-miúda do PT ficará pelo caminho.

Os aloprados - como foram batizados pelo ex-presidente Lula depois de descobertos pela Polícia Federal - agiram em setembro de 2006 numa tentativa de implicar o tucano José Serra, ex-ministro da Saúde e então candidato ao governo de São Paulo, com a quadrilha que desviava recursos públicos direcionados para a compra de ambulâncias.

Os petistas portavam 1,7 milhão de reais para comprar papéis falsos destinados a macular a imagem do tucano. À frente da ação figuravam assessores próximos de Lula e do atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que à época disputavam, respectivamente, a reeleição presidencial e o governo paulista. Essa operação para atingir os adversários foi um dos muitos tiros no pé disparados pelo partido, talvez o mais exemplar deles. Em vez de ajudar o PT, o caso, ao ser revelado, contribuiu para que Lula fosse obrigado a disputar um segundo turno contra Geraldo Alckmin.

Já Mercadante foi derrotado por Serra. As urnas foram as únicas penalidades impostas aos dois petistas. O caso, porém, é mais um a reforçar a suspeita de que órgãos de investigação têm sido usados com fins meramente políticos - principalmente para livrar cardeais do PT de embaraços com a Justiça.

Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os
Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos (Tuca Vieira/ Folhapress; Dida Sampaio/ AE)
A PF concluiu o inquérito sobre o escândalo, ainda em 2006, com o indiciamento de sete pessoas. Não conseguiu apontar os mandantes do crime nem a origem do dinheiro que pagaria o dossiê fajuto. Apesar de sobrarem evidências sobre a participação de integrantes do comitê central de campanha de Lula, o personagem mais graúdo entre os indiciados foi Aloizio Mercadante.

Os policiais concluíram que Mercadante seria o principal beneficiário do dossiê, que atingia seu rival direto na eleição de 2006. O indiciamento do petista foi derrubado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Restaram, então, só os militantes usados pelo partido para transportar a mala com notas de real e dólar e executar o plano. Os cérebros da empreitada ficaram de fora. 

No auge do episódio, a Polícia Federal foi acusada de montar uma operação limpeza para apagar os indícios que poderiam levar aos petistas graúdos. Coube a um dos delegados que participaram da investigação, Edmilson Bruno, denunciar a trama. Em depoimento ao Ministério Público, ele acusou alguns de seus principais superiores hierárquicos de ter feito pressão para impedir que o caso chegasse ao núcleo da campanha de Lula. Responsável pela apreensão do dinheiro num hotel vizinho ao Aeroporto de Congonhas, o delegado revelou que até o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, tinha se empenhado pessoalmente no caso, indagando se os presos haviam citado o nome do presidente Lula.

A investigação da Polícia Federal deixou mais lacunas que certezas. Seguir o caminho do dinheiro, procedimento básico em investigações desse tipo, foi uma das medidas deixadas de lado. Graças a informações enviadas pelo FBI, a polícia federal americana, os agentes brasileiros souberam que os dólares que faziam parte da dinheirama apreendida foram impressos em Miami, circularam pela Alemanha e foram parar numa casa de câmbio do Rio de Janeiro. Lá, foram comprados por pessoas humildes, os conhecidos laranjas. A investigação parou por aí. Não se conseguiu sequer descobrir a mando de quem estavam esses laranjas. Já a origem dos reais nunca deixou o terreno das hipóteses, embora existissem duas pistas consistentes dentro do próprio inquérito.

A primeira é que uma parte do dinheiro foi sacada em três bancos de São Paulo, provavelmente pela mesma pessoa. Essa conclusão foi possível após os agentes perceberem nas planilhas da quebra de sigilo telefônico que um mesmo celular, em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, era usado para falar com vários envolvidos no escândalo. Ana Paula, na verdade, era Hamilton Lacerda, um dos aloprados petistas encarregados de executar a operação (o CPF da verdadeira Ana Paula foi usado pelo bando para habilitar o aparelho). No dia da prisão, Hamilton “Ana Paula” Lacerda teria passado por três bancos diferentes. “Tentamos várias formas de identificar a origem do dinheiro e não conseguimos”, justifica-se o delegado federal Diógenes Curado, responsável pela conclusão do inquérito.

A outra suspeita, de que parte do dinheiro tinha origem na Bancoop, cooperativa controlada por grão-petistas e usada em outros rolos financeiros do partido, também foi deixada de lado. Tão logo foi concluído pela PF, o inquérito seguiu para o Ministério Público Federal. Os procuradores poderiam ter solicitado diligências para sanar as deficiências da investigação original, mas os avanços foram pífios. A abertura de processo na semana passada sugere o pleno funcionamento das instituições e alimenta a esperança de punição aos culpados. Na prática, porém, fica a impressão de que, mais uma vez, tudo vai terminar na conta de um bando de inconsequentes - ou aloprados, como preferem alguns.

Por Rodrigo Rangel e Otávio Cabral
Colaborou Hugo Marques
Por Reinaldo Azevedo
23 de junho de 2012

FERNANDO LUGO FOI COLOCADO PARA FORA A PONTAPÉS NA BUNDA

Enquanto o senado paraguaio enfia a botina no rabo do presidente "padre comedor" Fernando Lugo, mandando-o para a potaqueopareu.
 
A camarilha de boçalóides paus mandados das Ratazanas Vermelhas que povoam um clube de cafajestes chamado UNASUL, estavam em missão no Paraguai tentando fazer com que o senado democraticamente eleito naquele país desistisse da idéia de impichar o velho
padre tarado.
 
O mais absurdo é ver essa cambada do Foro de San Pablo falando em golpe e atentado contra democracia paraguaia.
Olhem quem fala em democracia, gentinha alinhada com Hugo Pé na Cova Chavez, Evo Imorales, Fidel I o Imorrível, entre outros.
 
Na visão da esquerdalha Latrino Amerdicana, quando a direita "impicha" um presidente incompetente da esquerda é golpe de estado. Quando a esquerda faz o mesmo com a direita é vontade popular.
Será que o povo do continente não vai aprender com os paraguaios e colocar a cambada de socialistóides desse clube dos cafajestes para correr
 
Aqui na pocilga o povão desdentado e assistido não se mexe da cadeira nem a pontapés, o cãogresso fedemal é um ajuntamento de bandoleiros inúteis que só sabem é roubar e obedecer fielmente as ordens do Todo Poderoso de Garanhuns.
Se o povo da pocilga não se levantar, do cãogresso é que não virá nenhum movimento verdadeiramente pró democracia.

Não esqueçam que o Paraguai é um estado soberano e o congresso de lá foi democraticamente eleito pelo povo.
Portanto, o chorôrô das viuvinhas do Fidel é a demosntração do pavor que esse bando de vagabundos tem da verdadeira democracia.

E o padreco amiguinho dos "esquerdofras" latrinos já vai tarde.
VIVA O CONGRESSO PARAGUAIO!!!!!
 
23 de junho de 2012
omascate

AS ACUSAÇÕES QUE DERRUBARAM FERNANDO LUGO

Vale a pena ler o libelo acusatório em que se baseaou a abertura do processo de impeachment de Fernando Lugo. A Constituição do Paraguai permite que um presidente perca o mandato por “mau desempenho”.
Há quatro casos citados:

- um ato político financiado pelo governo no Comando de Engenharia das Forças Armadas;

- incitamento e facilitação de invasões de terra na região de Ñancunday;

- inércia do governo, que não enfrenta a crescente violência no país;

- “inoperância, negligência, inépcia e improvisação” no caso das 17 mortes ocorridas em Curuguaty. segue a íntegra, em espanhol.
LIBELO ACUSATORIOANEXO

ARTÍCULO 1° INC. C) - RESOLUCIÓN H. CÁMARA DE DIPUTADOS N° 1431/2012

1. OBJETO.

El Líbelo Acusatorio contra el Presidente de la República Fernando Lugo Méndez , se funda en las consideraciones de hecho y de derecho que pasamos seguidamente a exponer:
Nuestra Constitución Nacional, en su Artículo 225, establece:

“El Presidente de la República, el Vicepresidente, los Ministros del Poder Ejecutivo, los Ministros de la Corte Suprema de Justicia, el Fiscal General del Estado, el Defensor del Pueblo, el Contralor General de la República, el Subcontralor y los integrantes del Tribunal Superior de Justicia Electoral, solo podrán ser sometidos a juicio político por mal desempeño de sus funciones, por delitos cometidos en el ejercicio de sus cargos o por delitos comunes.
La acusación será formulada por la Cámara de Diputados, por mayoría de dos tercios. Corresponderá a la Cámara de Senadores, por mayoría absoluta de dos tercios, juzgar en juicio público a los acusados por la Cámara de Diputados y, en su caso, declararlos culpables, al solo efecto de separarlos de sus cargos. En los casos de supuesta comisión de delitos, se pasarán los antecedentes a la justicia ordinari a”.

2. LOS HECHOS QUE MOTIVAN ESTA ACUSACIÓN

2.1 ACTO POLÍTICO EN EL COMANDO DE INGENIERÍA DE LAS FUERZAS ARMADAS
En el año 2009, con autorización del Presidente Lugo, se realizó una concentración política de jóvenes en el Comando de Ingeniería de las Fuerzas Armadas, el que fue financiado por instituciones del Estado, incluyendo a la Entidad Binacional Yacyreta. Fernando Lugoreconoció que la Entidad Binacional Yacyretá financió el encuentro de jóvenes socialistas de la región, llevado a cabo en el Comando de Ingeniería de las Fuerzas Armadas.
Esas instalaciones fueron utilizadas para la reunión de los jóvenes, quienes colgaron banderas con alusiones políticas, llegando a izarse una de ellas en sustitución del pabellón patrio.
Ese acto de naturaleza netamente política y con los exabruptos ampliamente difundidos por los medios de prensa solo pudo ser realizado con la autorización del Comandante en Jefe y prueba de que el Gobierno avaló, instigó y facilitó esos actos políticos dentro del cuartel es que varios importantes funcionarios del Gobierno participaron del evento pronunciando discursos instigando a la lucha de clases, como el pronunciado por el entonces Ministro de la Secretaría de Emergencia Nacional, Camilo Soares.

2.2 CASO ÑACUNDAY
Fue el Gobierno del Presidente Lugo el único responsable como instigador y facilitador de las recientes invasiones de tierras en la zona de Ñacunday. La falta de respuesta de las fuerzas policiales ante las invasiones de supuestos carperos y sin tierras a bienes del dominio privado, solo han sido parte de esa conducta cómplice.
El presidente Lugo ha utilizado a las fuerzas militares para generar un verdadero estado de pánico en toda esa región, violando el derecho de propiedad e ingresando a inmuebles de colonos, so pretexto de realizar el trabajo de amojonamiento de la franja de exclusión fronteriza. Sin embargo, esos trabajos eran acompañados por dirigentes de la Asociación de Carperos, quienes abiertamente dirigían la labor de los técnicos y de los inte grantes de las fuerzas militares, que han dado lugar a interminables denuncias de los propietarios y también incontables publicaciones periodísticas referidas a esa situación.

Y mientras esas invasiones se producían y se daban a conocer amenazas de otras más en otros departamentos de la República, el Presidente Lugo se mostraba siempre con puertas abiertas a los líderes de esas invasiones, como es el caso de José Rodríguez, Victoriano López, Eulalio López, entre otros, dando un mensaje claro a toda la ciudadanía sobre su incondicional apoyo a esos actos de violencia y de comisión de delitos que eran propiciados y desarrollados a través de esas organizaciones.

Fernando Lugo ha sometido las fuerzas militares a los denominados carperos, quienes han realizado todo tipo de abusos, agresiones y atracos a la propiedad privada, a la vista de las fuerzas públicas, quienes no actuaron por la indisimulada complicidad del Presidente de la República con esos agresores.Los miembros de esta Cámara recordarán lo ocurrido con la Intendente Municipal de Santa Rosa del Monday, María Victoria Salinas Sosa, quien fue víctima de un violento ataque de carperos quienes la golpearon, patearon y destrozaron el vehículo en el que se desplazaba.

2.3 CRECIENTE INSEGURIDAD

El Presidente Lugo ha sido absolutamente incapaz de desarrollar una política y programas que tiendan a disminuir la creciente inseguridad ciudadana.
En estos 4 años de Gobierno, a pesar de los importantes recursos financieros que le fueron proveídos por el Congreso Nacional para potenciar a la fuerza pública, los resultados han sido no solo insatisfactorios sino también ha quedado por demás demostrado la falta de voluntad del Gobierno para combatir al Ejercito del Pueblo Paraguayo, que se ha convertido, al amparo y con la complicidad del Gobierno, en el azote de los ciudadanos de los departamentos de Concepción y San Pedro.

Los distintos operativos emprendidos por el Gobierno, muchas veces con gran cobertura periodística, han tenido como único resultado el total fracaso. Nunca en la historia de este país, la Policía Nacional ha tenido tantas víctimas cobardemente asesinadas por los integrantes del EPP y, a pesar de ello, la conducta complaciente del Presidente siguió inalterable.

Todos los Miembros de esta Honorable Cámara de Diputados conocemos los vínculos que el Presidente Lugo siempre ha mantenido con grupos de secuestradores, que anteriormente se vinculaban al movimiento-partido Patria Libre y cuya ala militar hoy se denomina EPP.

Los costosos operativos dispuestos por el Gobierno durante los dos estados de excepción no han dado resultado alguno y, por el contrario, solo ha generado una mayor fortaleza de ese grupo terrorista armado a través del descrédito y las humillaciones a las que fueron sometidas las fuerzas militares y policiales asignadas al operativo.

El Presidente Lugo es el responsable de la creciente inseguridad y es responsable también por haber mantenido por tanto tiempo como Ministro del Interior a una persona absolutamente inepta e incapaz para ocupar ese cargo. Esa ineptitud, sumada a la indisimulada relación cómplice entre el Presidente Lugo y los líderes de la asociación de carperos y otras organizaciones que fueron protagonistas de innumerables invasiones de tierras y otros tipos de agresiones son los que han propiciado y facilitado el lamentable suceso que costara la vida a 17 compatriotas, 6 de ellos pertenecientes a la Policía Nacional y que fueron cruelmente asesinados y a sangre fría por auténticos criminales, que también han incitado y manipulado a campesinos del lugar. Luego de esa triste jornada, de la que felizmente se tienen importantes datos y filmaciones que han sido generosamente difundidas por distintos medios de prensa, solo se ha tenido una posición absolutamente equívoca del Presidente de la República en relación a lo ocurrido.

Fernando Lugo Méndez y varios de sus ministros, y en especial Miguel López Perito y Esperanza Martínez, han pretendido tratar por igual a los policía cobardemente asesinados y a aquellos que fueron protagonistas de esos crímenes. El derecho a reclamar está consagrado por la Carta Magna pero nadie está autorizado a cometer crímenes so pretexto de reclamar derechos y, menos aún acabar con la vida de policías desarmados.

Esta misma actitud, se manifestó en la conferencia de prensa brindada por Fernando Lugo con relación a lo ocurrido en la estancia Morumbi, en donde ni siquiera tuvo la delicadeza de prometer el castigo de los asesinos de esos policías y de quienes instigaron a los campesinos a tomar las armas so pretexto de luchar por sus derechos.

El Presidente Fernando Lugo está propiciando y fomentando, a través de algunos miembros de su gabinete y de sus cómplices que fungen de dirigentes carperos y otras organizaciones campesinas, un conflicto social de dimensiones impredecibles y que por su comprobada incapacidad no podrá luego solucionar.

Personalmente, desde luego, manifiesto mi convicción de que el camino de la crisis y el conflicto social y armado no será el producto de negligencia o simple impericia del Presidente sino directamente el objetivo que el mismo ha buscado durante el tiempo que fue obispo y que hoy pretende desarrollar para proyectar y consolidar su anhelo de un régimen autoritario, sin libertades, con la aniquilación de la libertad de prensa y la imposición del partido único que profesan los enemigos de la democracia y los adherentes del socialismo del Siglo XXI.

Fernando Lugo y sus ministros deben respetar el derecho de todos los ciudadanos pero resulta inadmisible e injustificable que pretendan poner en pie de igualdad a los criminales y a sus víctimas, a los asesinos y a los policías que fueron cobardemente asesinados.

Mientras los familiares lloran por sus muertos, Fernando Lugo debe estar reuniéndose con los cabecillas e instigadores de los sucesos ocurridos el viernes pasado en Curuguaty y no se visualiza posibilidad alguna de que Fernando Lugo rectifique su conducta, que ya ha costado decenas de vidas de compatriotas que han caído víctimas de la inseguridad que él mismo se ha encargado y esforzado de generar.2.4 PROTOCOLO DE USHUAIA II.

Este documento constituye UN ATENTADO CONTRA LA SOBERANÍA de la República del Paraguay y ha sido suscrito por el Presidente FERNANDO LUGO MENDEZ con el avieso propósito de obtener un supuesto respaldo en su descarada marcha contra la institucionalidad y el proceso democrático de la República.

Dicho documento ya ha motivado un pronunciamiento de la Comisión Permanente del Congreso Nacional, destacándose la falta de transparencia en el procedimiento que dio lugar a la firma del documento y a su contenido al punto que hasta la fecha, el Poder Ejecutivo no lo ha remitido al congreso para su conocimiento y consideración. A través de ese documento, los países vecinos podrían cortar el suministro de energía a la República del Paraguay.

El documento firmado en Montevideo, en diciembre de 2011, para remplazar al Protocolo de Ushuaia (Carta Democrática del Mercosur), tiene sus orígenes en un documento previo, presentado ante la Unasur (Unión de Naciones Suramericanas), que fue pergeñado por los presidentes de la región para protegerse unos a otros. La principal características del Protocolo de Ushuaia II es la identificación del Estado con la figura de los presidentes para, en el nombre de la “defensa de la democracia”, defenderse unos a otros.

2.5 CASO MATANZA CURUGUATY
Ha quedado demostrado con los hechos acaecidos en los Campos Morombi, Curuguaty, Departamento de Canindeyú, la patente inoperancia, negligencia, ineptitud e improvisación de este gobierno liderado por Presidente Fernando Lugo Méndez, que amerita la acusación de la Cámara de Diputados por mal desempeño de funciones ante la Cámara de Senadores.
Fernando Lugo, hoy por hoy representa lo más nefasto para el pueblo paraguayo, que se encuentra llorando la perdida de vidas inocentes debido a la criminal negligencia y desidia del actual Presidente de la Republica, quien desde que asumió la conducción del país, gobierna promoviendo el odio entre los paraguayos, la lucha violenta entre pobres y ricos, la justicia por mano propia y la violación del derecho de propiedad, atentando de esse modo permanentemente contra la Carta Magna, las instituciones republicanas y el Estado de Derecho.

No cabe duda que la responsabilidad política y penal de los trágicos eventos registrados 15 de junio del presente año, que costó la vida de 17 ciudadanos paraguayos entre policías y campesinos, recae en el Presidente de la República, Fernando Lugo , que por su inacción e incompetencia, dieron lugar a los hechos acaecidos, de conocimientos públicos, los cuales no necesitan ser probados, por ser hechos públicos y notorios.El incidente no surgió espontáneamente, fue una emboscada a las fuerzas de seguridad; fue algo premeditado, producto de un plan debidamente concebido, planificado y llevado a la práctica, gracias a la complicidad e inacción del Gobierno de Fernando Lugo, responsable directo de la crisis que hoy atraviesa nuestra amada Patria.

Ya desde la Honorable Cámara de Diputados se levantaban voces de advertencia, ya se avizoraba lo que hoy es una realidad, la perdida de vidas humanas.
Hoy, podemos afirmar que este es el final que deseaba Fernando Lugo, este fue siempre el plan ideado por el mismo, con la única finalidad de crear las condiciones de crisis social y, conmoción interna que justifiquen un asalto del presidente Fernando Lugo y sus seguidores a las instituciones de la República, con el propósito de instalar un régimen contrario a nuestro sistema Republicano. Este deseo desmedido, hoy nos hace lamentar las perdidas de vidas humanas, en una cantidad nunca antes vista en la historia contemporánea de la República del Paraguay.

Todas las evidencias, que son públicas, nos demuestran que los acontec imientos de la semana pasada no fueron fruto de una circunstancia derivada de un descontrol ocasional, por el contrario, fue un acto premeditado, donde se embosco a las fuerzas del orden publico, gracias a la actitud cómplice del Presidente de la Republica , quien hoy no solo debe de ser removido por juicio político, sino que debe de ser sometido a la Justicia por los hechos ocurridos, a fin de que esto sirva de lección a futuros gobernantes.

Estos grupos extremistas, como el autodenominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP) o los mal llamados Carperos, se fortalecieron día a día gracias a la incompetencia y complacencia de Fernando Lugo, que en lugar de combatirlos, como era su obligación, los recibía y apadrinaba. No cabe la menor duda que Fernando Lugo ha fortalecido a estos grupos criminales, quienes hoy no solo desafían y amenazan abiertamente a los ciudadanos honestos, sino que llegan a lo más bajo que puede caer un ser humano, que es atentar contra la vida de otro. Tan poco hoy importa al Presidente Lugo el Estado de Derecho y la vida humana, que en lugar de enderezar rumbos, se mantiene en su posición, manifestando que seguirá reuniéndose con estos criminales.

Fernando Lugo es el directo responsable de que hoy nuestro país este viviendo días de luto. Tanto él como su incapaz ex Ministro del Interior Carlos Filizzola, deben responder ante la ciudadanía por los trágicos acontecimientos registrados en el Departamento de Canindeyú.
No existe voluntad alguna de combatir estas formas de violencia, que tanto daño ya ha causado a nuestra sociedad, es por ello que debemos de cumplir con nuestra obligación Constitucional, e iniciar el proceso de juicio político por mal desempeño contra el Presidente de la República, quien desde que asumió el Gobierno ha inst ado al incumplimiento de órdenes judiciales de desalojo, así como a la promoción de mensuras judiciales sin mediar juicio entre las partes, o abasteciendo de provisiones y enseres a los ocupantes de tierras han sido los signos que marcaron las acciones y el temperamento de este Gobierno.

3. PRUEBAS QUE SUSTENTAN LA ACUSACIÓN
Todas las causales mencionadas más arriba, son de pública notoriedad, motivo por el cual no necesitan ser probadas, conforme a nuestro ordenamiento jurídico vigente.
4. CONCLUSIÓN.
El Presidente de la Republica Fernando Lugo Méndez ha incurrido en mal desempeño de sus funciones en razón de haber ejercido el cargo que ostenta de una manera impropia, negligente e irresponsable, trayendo el caos y la inestabilidad política en toda la Republica, generando así la constante confrontación y lucha de clases sociales, que como resultado final trajo la masacre entre compatriotas, hecho inédito en los anales de la historia desde de nuestra independencia nacional hasta la fecha, en tiempo de paz .
La causal de mal desempeño en sus funciones aparece en su actitud de desprecio ante el derecho y las instituciones republicanas, socavando los cimientos del Estado Social del Derecho proclamado en nuestra Carta Magna. Su complaciente actuar lo hace cóm plice por acción y omisión en todos los casos antes citados, que legitiman la presente acusación.

5.- DERECHO
Se funda la presente acusación por mal desempeño de funciones de conformidad a lo establecido en el Articulo 225 de la Constitución Nacional.
6. PETITORIO.
6.1.- Definitivamente, la gestión del presidente Fernando Armindo Lugo Méndez ha perjudicado enormemente los intereses supremos de la Nación, que de continuar, apeligra gravemente la convivencia pacífica del pueblo paraguayo y la vigencia de los derechos
y garantías constitucionales, por lo que se halla sobradamente justificada hacer lugar a la presente acusación contra el presidente Fernando Armindo Lugo Méndez por la Honorable
Cámara de Senadores, por mal desempeño de funciones.

6.2.- En mérito a los argumentos precedentemente señalados dicten resolución, declarando culpable al presidente Fernando Armindo Lugo Méndez, y en consecuencia, separarlo del cargo que ostenta, de conformidad a lo establecido en el Artículo 225 de la Constitución Nacional
6.3.- En consecuencia remitir los antecedentes a la Justicia Ordinaria.

23 de junho de 2012
Por Reinaldo Azevedo

DEMOCRACIA DRAPEJANTE

Foto/ABr

Ao drapejar de sua mais do que conhecida bandeira, o grupo faz de conta que protesta diante da embaixada do Paraguai, em Brasília. Os gatos pingados ronronaram que o impeachment de Fernando Lugo, o bispo-papão, ameaça a democracia na América Latina. Só se for a democracia do jeito que eles gostam.
 
23 de junho de 2012
sanatório da notícia

ESTA É A UNE DO PT

                      A UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES-CORROMPIDA PELO PT
Vejam esta foto
No post anterior, vocês leram que um grupo de esquerdistas foi tomar café da manhã com Mahmoud Ahmadinjead, o ditador terrorista e sanguinário (parece caricatura do Casseta & Planeta, mas é tudo verdade).

Ele ganhou até uma bandeira da UNE de presente. A partir de agora, o símbolo da entidade estudantil brasileira foi convertido na corda que enforca os esquerdistas iranianos, os cristãos iranianos, os democratas iranianos, os homossexuais iranianos, todos aqueles, enfim, que o regime mandou e manda ainda para a morte em nome daquele “Deus Único” que o ditador exaltou em seu discurso na “Rio+20″.

Um delinquente que toca um programa nuclear secreto e que tem o declarado intuito de varrer um outro país do mapa ser convidado para um evento como esse diz muito, lamento, da seriedade do encontro.

Sigamos.

Que estranho mundo este, não é mesmo? Posts abaixo, publico duas fotos da manifestação que pastores evangélicos organizaram contra a presença de Admadinejad no Brasil. Eles cobram do presidente do Irã a libertação de Yousef Nadarkhani, condenado à morte por ter-se convertido ao cristianismo. A iniciativa é do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, atacado por certos “progressistas” porque crítico da tal PL 122, a lei que pune a homofobia.

Não porque pregue discriminação contra homossexuais, é evidente, mas porque entende o óbvio: o texto pratica uma espécie de discriminação às avessas (não vou entrar nesse mérito agora porque já escrevi bastante a respeito).

No Irã, homossexuais são enforcados em praça pública. Seus corpos são pendurados em guindastes para servir de exemplo. É o que se vê na foto lá do alto.

Oficialmente, e Ahmadinjad declara isso, não há gays no país — a não ser aqueles que se deixam seduzir pelas ideias erradas do… Ocidente!

Entenderam?

Também não há comunistas. A revolução islâmica os liquidou a todos. A esquerda iraniana ajudou a depor o xá Reza Pahlevi e foi parte ativa da revolução islâmica, mas seus representantes lideraram a fila das execuções.

A tara dos esquerdistas pela tirania religiosa iraniana é antiga. Um delinquente intelectual muito influente como Michel Foucault, ainda apreciado na periferia intelectual do complexo PUCUSP, cantou as glórias de aiatolá Khomeini e seus bravos de maneira miserável.

Se vocês quiserem detalhes, leiam o livro “Foucault e a Revolução Iraniana”, de Janet Afary e Kevin B. Andersonh, publicado no Brasil pela editora “É Realizações”.

O livro reproduz trechos de uma entrevista que ele concedeu a dois jornalistas franceses do Libération. Num dado momento, tomado do que costumo chamar de “estupidez dialética”, observou sobre a revolução islâmica:

“Havia demonstrações, verbais pelo menos, de um antissemitismo virulento. Havia demonstrações de xenofobia, e não apenas contra os americanos, mas também contra trabalhadores estrangeiros que tinham ido trabalhar no Irã.

O que dá ao movimento iraniano sua intensidade tem sido um registro duplo. De um lado, uma vontade coletiva que tem sido muito fortemente expressada politicamente, e, de outro, o desejo de uma mudança radical na vida comum.

Mas essa afirmação dupla só pode ser baseada nas tradições, instituições que carregam uma carga de chauvinismo, nacionalismo, exclusivismo, que eram uma atração muito poderosa para os indivíduos”.

Viram só? Foucault, o homem que estudou a microfísica do poder”, o pensador que buscava decupar as estruturas autoritárias vigentes no regime democrático burguês, via com olhos mais do que benevolentes — verdadeiramente entusiasmados — as balizas reacionárias da revolução iraniana.

Foucault (1926-1984) era gay, o que nunca admitiu claramente, e morreu de AIDS em 1984. No Irã, teria morrido muito antes, vítima da “revolução” cujas glórias cantou. Não foi o único cretino ocidental a se encantar com a tirania religiosa, mas foi o mais festivo, o mais entusiasmado, o mais ousado na estupidez.

Os bastardos brasileiros que foram ouvir o ditador e que lhe fizeram salamaleques pertencem, de algum modo, à mesma cadeia de equívocos que foi integrada por Foucault.

Veem em Ahmadinejad o líder de um país que, oh!!!, teria ousado enfrentar o imperialismo e, quem sabe?, os “preconceitos da razão” do mundo ocidental.

Também eles devem achar que do antissemitismo, do chauvinismo e da xenofobia se pode fazer algo de interessante…

Vergonha

Sinto por esses caras a vergonha que eles não têm. Tivesse um mínimo de pudor, essa gente estaria protestando contra a perseguição a que Ahmadinejad submete a esquerda em seu país. O PT não promoveria tal ato porque parceiro do asqueroso, mas cadê os “psois” da vida? Onde estão os movimentos de homossexuais do Brasil para se juntar a Malafaia — sim, junta-se a Malafaia nesse caso! — para protestar contra a brutalidade de que são vítimas seus iguais no Irã?

Cadê o buliçoso deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)?

Cadê a manifestação dos oposicionistas brasileiros, tucanos e democratas especialmente, que têm o dever moral de expressar seu repúdio, dada a intimidade do petismo com o facinoroso? Nada!
Quanto à UNE, que deu uma bandeira de presente a Ahmadinejad, dizer o quê?

Quando aquele pano não está cobrindo a malversação de dinheiro público, está endossando a repressão, a violência e a morte.

Alguém esperaria muito mais, ou menos, dessa gente?
 
Reinaldo Azevedo
23 de junho de 2012

O PARAGUAI É AQUI?


Acabo de ver na TV o Chanceler do maior país da América Latrina afirmando que o Brasil não tem opinião sobre a destituição do presidente paraguaio e seguirá a 'orientação da comunidade'.
 
Covardia! É esse tipo de procedimento que caracteriza a incompetência mascarada de democracia. Enquanto dirigentes de países que normalmente tomam a atitude brasileira como parâmetro manifestam-se sobre o assunto, a maior potência regional se encolhe e marca sua presença pela tibieza.
 
Certamente aguardam orientações do Coma Andante Castro para definirem o que fazer.
Já se ultrapassou o fim do poço há muito tempo!
 
23 de junho de 2012
postado por tuaregue

COBRANÇA DO IRPF É TRIBUTAÇÃO ILEGAL DO CONTRIBUINTE


Na quarta-feira, véspera do feriado, a Receita Federal anunciou que vai devolver no próximo dia 15 um total de R$ 2,5 bilhões de imposto de renda retido na fonte.
A Folha de S. Paulo, do dia 7, afirmou que “o governo vai injetar” essa quantia na economia. A reportagem traz até uma fotografia da secretária adjunta, Zayda Manatta.
A Receita divulgou, ainda, um gráfico onde se demonstra que desde 2007 os primeiros lotes de restituição vem apresentando crescimento, à exceção do ano de 2009, relativo às retenções de 2008. Quem vê os desenhos tem a impressão de que algo está crescendo. Está mesmo: cresce cada vez mais o confisco, o empréstimo compulsório ilícito, o passa-moleque que a Receita aplica em todos nós. Seremos mesmo um país de tolos?
Em setembro de 1994 o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, mesmo depois de ter sido uns dos artífices do Plano Real, renunciou ao cargo em virtude de uma frase infeliz: "Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".
Parece que a frase se tornou lema no Ministério. Se lá fizerem um brasão ou estandarte, a frase pode integrá-lo. A afirmação de que o governo vai injetar o dinheiro na economia, certamente não pode ser atribuida à secretária adjunta, sendo mais provável que a repórter chegou a essa conclusão ao notar o clima quase festivo com que a notícia foi dada, em entrevista coletiva em Brasília, onde qualquer reunião com mais de 5 pessoas se transforma em festa.
Fazer a restituição do imposto de renda retido na fonte é ato que não admite julgamento simplista, pois não pode ser considerado “bom” ou “mau”. Embora já tenhamos comentado essas farsas todas em mais de uma oportunidade, as mais recentes em 17/10/2011 e 02/02/2012, somos obrigados a voltar ao assunto, nem que seja apenas para não deixar a Receita Federal “faturar” como sendo “bom”, aquilo que nada mais é que confissão de uma sucessão de ilegalidades praticadas contra o contribuinte. Nada há para ser faturado, para ser exibido ou comemorado, porque o dinheiro que se vai devolver foi tirado ILEGAMENTE do contribuinte.
A ilegalidade da cobrança do imposto de renda na fonte está evidente, ante a falta de atualizaçao dos limites da tabela de retenção e tambem das deduções.
Há vários anos a tabela de retenção não sofre a correção que reflete os índices da inflação. O valor do limite de isenção deveria estar hoje em cerca de R$ 3.500,00. De igual forma, deveriam ser corrigidos todos os demais valores em reais que são citados na legislação do imposto.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal já fez inúmeros estudos nesse sentido e já desenvolveu campanhas para que a correção seja feita por índices verdadeiros. Basta consultar na internet pela expressão “chega de confisco”, que temos à nossa disposição informações sobre esses índices.
Ao cobrar imposto de quem deveria estar isento, a Receita comete grave injustiça, pois nessas faixas salariais mais baixas (abaixo de R$ 3.500,00) a incidência dos tributos indiretos ocorre de forma mais pesada, pois tais contribuintes são aqueles que sofrem um comprometimento maior de sua renda com consumo de itens básicos (alimentação, roupas, medicamentos, etc.).
Outrossim, a limitação dos itens de dependentes e educação precisam ser reajustados, não conforme indices inflacionários, mas conforme algo que o fisco precisa conhecer: a realidade. Os limites atuais relativos aos dependentes, por exemplo, não cobrem os custos básicos de qualquer criança. Já os da educação, simplesmente não podem ter limites. Educação não é despesa, não é gasto, mas é INVESTIMENTO e como tal deve ser estimulada, incentivada, premiada. O valor atualmente admitido refere-se a uma escola inexistente, que é aquela que cobra uma mensalidade de cerca de 200 reais! Além disso, não faz o menor sentido impedir o abatimento de cursos de idiomas e informática, conhecimentos hoje fundamentais para o ingresso das pessoas no mundo do saber e em qualquer emprego.
Pretender alguém que ao devolver o dinheiro que nos tomou o governo vai “injetar” alguma coisa na economia, é imaginar que esse dinheiro pertence ao governo. Não pertence não! Jamais poderia a Receita ficar ainda que temporariamente com algo que não lhe pertence. Não pode ficar e ao devolver não pode sugerir o seu destino. O contribuinte tem o direito de fazer com essa restituição, o que bem entender. Trata-se, em última análise, de valor confiscado ilícitamente, pois cobrado através de mecanismos manipulados para tirar de muitos o pouco que lhes resta. Como bem diz o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal: CHEGA DE CONFISCO!
Os ajustes feitos nos dois últimos anos, ambos inferiores à inflação, decorrem de acordo que o governo fez com algumas centrais sindicais. Há várias impropriedades e ilegalidades nisso: a primeira é quanto à legitimidade das partes. Centrais sindicais talvez representem uma pequena parte dos trabalhadores. Mas nenhum mandato receberam para que pudessem representar todos os contribuintes, inclusive os não assalariados. Afinal, os direitos do contribuinte não se limitam aos assalariados. Outra questão é a visível desobediência do dispositivo constitucional (art.150, IV) que veda efeito de confisco. A inflação é fenômeno que subtrai da moeda nacional o seu poder aquisitivo. Verificada, será necessária maior quantidade de moeda para comprar a mesma quantidade de bens e serviços. Ora, se o salário sofreu os efeitos da inflação, ele deve ser corrigido para que se mantenha íntegro seu valor. Se a tabela de retenção não é reajustada pelo mesmo índice, claramente está se tributando valor inexistente de fato, mas registrado apenas formalmente como se existisse. Isso é confisco. Atinge os mais pobres, reduzindo o poder aquisitivo de seus rendimentos. Trata-se de flagrante injustiça que o governo não pode manter, especialmente diante dos compromissos da presidente com os mais necessitados.
Raul Haidar é advogado tributarista