"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 17 de abril de 2013

A VERDADEIRA INSANIDADE


          Artigos - Terrorismo
Dilma condenou as explosões na Maratona de Boston como um “ato insano de violência”. Mas não foi assim que ela começou a carreira? Ou não terá sido um “ato insano de violência” aquele que matou o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos, em junho de 1968?

Foi o seu grupo, a Vanguarda Popular Revolucionária, que acelerou um carro-bomba, com vinte 20 quilos de dinamite, para dentro de um Quartel General em São Paulo, despedaçando o corpo do rapaz e ferindo mais seis militares.

Mário foi apenas o primeiro dos oito assassinados pela VPR nos tempos de Dilma, e ainda haveria mais cinco pela VAR-Palmares e três pelo Colina, os outros dois grupos que ela integrou, em total sanidade, quando lutava pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil, com instruções e armas vindas do exemplar regime de Fidel Castro em Cuba.

Dilma expressou sua “solidariedade, em nome de todos os brasileiros, às vítimas e suas famílias”? Falou em “trágico incidente”? Não.
Ajudou a criar a “Comissão da Verdade” para glorificar seus feitos terroristas como luta pela democracia e demonizar os inimigos da revolução.
Tudo com o amparo de professores e jornalistas militantes, que bombardeiam há 40 anos a cabeça dos brasileiros, despedaçando seus neurônios com a falsificação da história.

Se o atentado da Maratona de Boston tivesse ocorrido no Brasil, o autor seria forte candidato a presidente de 2055. Como foi nos EUA, o autor terá de se contentar em ser o padrinho político e intelectual do futuro presidente. O amigo e ghost-writer de Obama, Bill Ayers, responsável por lançar sua carreira em Chicago com uma arrecadação de fundos em sua própria casa, no bairro onde Obama morava, também começou como Dilma.

Co-fundador do grupo revolucionário comunista Weather Underground, Ayers participou da plantação de uma porção de bombas, como na estátua de sua cidade dedicada a baixas policiais, em 1969 (estátua que foi reconstruída no ano seguinte e novamente bombardeada por integrantes de seu grupo); na sede do Departamento de Polícia de Nova York, em 1970; no Capitólio, em 1971; e no Pentágono, em 1972.

Hoje Ayers é uma figura estelar da educação americana, autor de livros, professor aposentado da Universidade de Illinois e agora professor visitante da Minnesota State University Moorhead, onde poderá mais uma vez celebrar a decadência econômica, política e cultural do “império americano”, lamentar o poderio militar do país e falar aos jovens da importância de serem “cidadãos do mundo”, como fez ano passado na Universidade de Oregon. Qualquer semelhança entre suas ideias e os atos de seu afilhado Obama contra a soberania nacional não são mera coincidência.

(A amizade íntima entre eles e a festinha para um na casa do outro foram negadas durante a campanha de 2008, mas admitidas por Ayers na semana passada, porque, com Obama reeleito, já não há mais o que temer.)

Duas ex-integrantes do Weather Underground também são hoje estrelas acadêmicas: a esposa de Ayers, Bernardine Dohrn, é professora de Direito da Northwestern University School of Law; e Kathy Boudin, condenada em 1984 por assassinato, da Columbia University. Todos empenhados em promover a "justiça social", isto é, em tornar os EUA um grande Brasil socialista.

Se são radicais? Ora, radicais somos nós, que julgamos o terrorismo real e intelectual dos esquerdistas revolucionários tão repugnante quanto o da Maratona de Boston. Radical sou eu que reconheço que aquele terror, pregado abertamente por Karl Marx, tampouco é o que há de mais insano no mundo. O verdadeiro “ato insano” do nosso tempo foi o dos americanos, brasileiros e outros que deixaram essa gente bombástica subir ao poder.
 

17 de abril de 2013
Felipe Moura Brasil

PESQUISA DE MARK REGNERUS AINDA ASSUSTA GAYZISTAS


          Artigos - Movimento Revolucionário 
markregnerusGayzistas parecem obcecados com um estudo de ciência social que vai contra eles. Eles dizem que a pesquisa não é importante, mas não conseguem parar de falar sobre ela.

Um ano atrás o Dr. Mark Regnerus, da Universidade do Texas, publicou uma estudo de 15 mil pessoas que mostrava que as crianças têm um desempenho melhor num lar com sua mãe e pai casados.

Além disso, ele revelou que nenhuma outra estrutura de família funciona tão bem.

Um tsunami de protestos e ataques pessoais o tragou. Sua universidade e a revista em que ele publicou suas descobertas investigaram a pesquisa e o inocentaram de qualquer suspeita. Mesmo assim, os ataques contra ele e aqueles que usam sua pesquisa continuam.

A Dra. Susan Yoshihara, diretora de pesquisas de C-FAM, usou o estudo de Regnerus diante da Assembleia Legislativa de Rhode Island e foi atacada por inspetores políticos que afirmam que parte do testemunho dela era falso. Yoshihara contestou a opinião que afirma não fazer diferença se a criança é criada por pais gays ou biológicos. Ela disse que tais alegações foram “despedaçadas pelas melhores pesquisas de ciência social mais recentes.”

Yoshihara também apontou para um estudo que desafia as alegações da ciência social de que a orientação sexual dos pais não faz nenhuma diferença. Loren Marks da LSU analisou 59 estudos usados para fazer essa alegação e constatou que todos eles tinham deficiências científicas.

Politifact, que se considera um grupo que defende a verdade política, condenou a afirmação de Yoshihara como falsa. Yoshihara, porém, diz que o próprio artigo do Politifact apoiou sua afirmação quando citaram um “acadêmico prudente” que disse que a questão não está decidida na literatura científica, que era a afirmação de Yoshihara em primeiro lugar

O estudo de Regnerus apareceu de novo nesta semana nas páginas do New York Times. Bill Keller, ex-editor-executivo do Times, disse: “O estudo foi praticamente demolido pelos colegas.”

E o Huffington Post entrou na questão de Regnurus nesta semana ao relatar que ele teve treinamento midiático antes que seu estudo fosse divulgado no ano passado e ele recebeu dinheiro para seu estudo de uma fundação conservadora e tinha palestrado para grupos conservadores.

O Huffington Post também apontou para o fato que Regnerus assinou um depoimento amicus curiae apresentado ao Supremo Tribunal em suas deliberações sobre casamento de mesmo sexo. Eles chamaram o dele de “pouco notado,” embora dos aproximadamente 50 depoimentos de ambos os lados esse foi um dos únicos debatidos durante os argumentos orais.

Yoshihara disse que ela trouxe o estudo de Mark Regnerus para a Assembleia Legislativa de Rhode Island porque em audiências semelhantes, no ano passado, o presidente do comitê insistiu em que não havia nenhuma literatura “com revisão de colegas especialistas” refutando a alegação de que “o estudo não faz diferença.”

O estudo de Regnerus rebate cientificamente a afirmação e foi revisado por outros especialistas, o que parece ter assustado o New York Times, Politifact, o Huffington Post e muitos outros defensores do casamento homossexual.

17 de abril de 2013
Austin Rose
 Publicado no ‘Friday Fax’ do C-FAM.

Tradução: Julio Severo

ESPÍRITO DE ÉPOCA


          Artigos - Cultura 
Meus colegas libertários podem perguntar porque nascimentos fora do casamento estão relacionados com a destruição do capitalismo. A resposta é simples. O Estado de bem-estar social alimentou essa catástrofe social da orfandade paterna.

Por que o livre mercado está recuando e por que o Estado está sempre avançando? Em tempos passados era óbvio a todos que a única garantia da prosperidade era a liberdade. Hoje as pessoas acreditam que o governo pode resgatar todos da pobreza.
Só que agora o governo está secando a economia até a última gota, pois ele se tornou o grande monstro consumidor que pisoteia o mercado e desmoraliza o investimento. Uma pergunta tem de ser feita: Por que o mercado não conseguiu se defender satisfatoriamente? Acredito que a resposta está no espírito da épica e nas condições que possibilitaram a ascensão desse espírito.

Na parte final do livro The Strange Death of Marxism, de Paul Gottfried, há uma breve explicação sobre o declínio da sociedade de mercado, que logo recai para uma "democracia administrada". Gottfried escreve que "A consolidação de um estado administrativo que apela à ideia de oferecer serviço ao povo por meio de uma gestão 'científica', selou o destino da sociedade a qual ele tomou conta.
O novo regime se apropriou das funções da família vitoriana e passou a mediar as relações entre pais e filhos e de casais em disputa; eventualmente ele passou a presidir uma sociedade de consumidores descuidados e desenraizados."
 
Deve-se admitir que Gottfried está na pista certa quando ele escreve sobre o "novo regime" que se apropria das funções da família vitoriana. Eis a chave para se entender tudo que está acontecendo nos dias de hoje. Além disso, o novo regime "administrado" teve como seu maior e mais decisivo feito a aniquilação do pai de família. Se alguém duvida do impacto dessa revelação, considere a estatística de 2010 do CDC dizendo que 40.8% de todos os nascimentos provém de mulheres solteiras.
 
Meus colegas libertários podem perguntar porque nascimentos fora do casamento estão relacionados com a destruição do capitalismo.
A resposta é simples. O Estado de bem-estar social alimentou essa catástrofe social da orfandade paterna. Por conta de o pai não ser mais necessário e o novo regime prometer dar apoio a todos que passarem por necessidades, a sociedade se transformou e o espírito da época já não é mais capitalista.
Ele é agora estadista. E agora, ao invés de milhões de pais tomando conta dos seus filhos e esposas, temos o governo no lugar. Isso é verdade pelo menos em princípio, pois em última análise pode se dizer que todas mulheres têm um verdadeiro e firme esposo. Esse esposo é o Estado.
 
O capitalismo é um sistema de propriedades, e a paternidade é a fonte permanente da propriedade. Isso está melhor exposto na sábia obra de Stephen Baskerville, cujo artigo recente, "Porquê estamos perdendo a batalha pelo casamento" explica que "o casamento existe para ligar o pai à família".
 
O casamento, segundo ele, não é uma instituição de gênero neutro. É a propriedade do pai que estabelece a família como unidade econômica e que possibilita a regeneração da função materna. Sem essa propriedade não pode haver capitalismo, propriedade efetiva ou uma firme base para sustentar a economia nacional.
 
Como mostra Baskerville, onde quer que a paternidade seja descartada ou diminuída, vemos "matriarcados empobrecidos e dominados pela criminalidade e pelas drogas".
Ao fazer o papel de proprietário, o estado se torna pai desses "matriarcados".
De acordo com Baskerville, "sem a autoridade paterna, adolescentes viram selvagens e a sociedade descende ao caos".
Naturalmente, o estado tem um número cada vez maior de razões para intervir na sociedade e, por conseguinte, na economia.
O que muitos defensores do capitalismo não conseguiram entender é que a conexão existente entre a autoridade paterna e o livre mercado.
Eles não conseguiram entender que a erosão do patriarcado significa o surgimento de um estado leviatã (isto é, um governo cujo controle sobre a economia é cada vez maior — o socialismo).
 
A erosão do patriarcado não é acidente. Ela foi levada a cabo pelas cortes, que por meio de sentenças violaram os direitos de propriedade. Conforme explicado por Baskerville, o divórcio é o primeiro passo na destruição da liberdade:
 
"Assim como o casamento cria a paternidade, o divórcio deliberadamente a destrói. As cortes de divórcio são, em grande parte, um método para saquear e criminalizar os pais — homens que não são acusados de crime nenhum, porém criminalizados pelos procedimentos que literalmente e legalmente não atribuem culpa alguma a eles."
 
Baskerville acrescenta que "Com os atuais métodos formulados contra o homem, nenhum em sã consciência irá casar e formar uma família. Nenhuma pressão de um moralista de poltrona [...] será suficiente para persuadir o homem a entrar em um casamento que é sinônimo de [...] expropriação e encarceramento".
 
Portanto, se voltarmos às colocações de Gottfried as quais ele descreve o atual regime como um estado se apropriado das "funções da família vitoriana", podemos encontrar uma ligação perigosa entra o colapso do livre mercado e o colapso dos lares biparentais.
 
Dos destroços da instituição familiar, surge agora uma nova ideologia multicultural. Com a família burguesa destruída e a propriedade paterna descartada, não há nada além da administração burocrática dos destroços humanos — das crianças sem pai e das mães necessitadas de apoio estatal.
 
Uma vez dentro desse regime, diz Gottfried, não há volta. "Os pré-requisitos sociais para um retorno ao passado, mesmo que num sentido limitado, como a volta dos papéis de gênero e um estado de bem-estar social constitucionalmente limitado como era em meados do século XX deixam de existir". O establishment midiático e educacional "alteraram a moralidade social".
 
Esse último assunto deve ser profundamente entendido antes de entendermos o próximo —e mais devastador — assunto colocado em pauta por Gottfried; nomeadamente, que o novo regime se estabeleceu como moralmente superior ao sistema que ele destruiu, e que essa superioridade moral é baseada na ideia de que a mídia e os educadores estão "libertando" indivíduos oprimidos da intolerância, da ignorância, da desigualdade e das injustiças do patriarcado.
 
Segundo Gottfried, a Europa está mais susceptível a esse regime do que os Estados Unidos. E se olharmos para a falência da Europa e considerarmos a iminente falência da América, há apenas uma diferença de meses — ou poucos anos — entre o colapso daquele continente e deste país.
 
Por que o livre mercado está recuando e por que o Estado está sempre avançando? Nós mudamos a sociedade desde as suas fundações. Fizemos isso sem olharmos para o todo. Eis o espírito da época. O que se segue e ó cataclismo da época.


17 de abril de 2013

Jeffrey Nyquist
Publicado no Financial Sense.

Tradução: Leonildo Trombela Júnior

MADURO MANDA PRENDER OPOSITOR CAPRILES


Fotomontagem de Maduro que circula pelas redes sociais resume tudo. O filhote de Chávez obedece ao seu chefe Fidel Castro.
 
Sob a alegação de incitação à ordem pública e até mesmo de responsabilidade pelos assassinatos ocorridos durante os protestos contra a fraude eleitoral na Venezuela, o neo-tiranete Nicolás Maduro formulou denúncia ao Ministério Público pedindo prisão do candidato oposicionista Henrique Capriles e de alguns membros da Mesa de Unidade Democrática (MUD), segundo relata o jornalista Emili J. Blasco, em matéria postada nesta madrugada no site do jornal AB C, da Espanha.

CAPRILES ALERTA PELO TWITTER:

 
Transcrevo a matéria doo jornal ABC na íntegra no original em espanhol:

EN ESPAÑOL - La Fiscalía General de la República de Venezuela procesó a última hora de este martes la imputación para la privación de libertad del dirigente opositor Henrique Capriles y otros miembros de la oposición.
 
En su actuación, la fiscal general Luisa Ortega imputa a Capriles, a los miembros de su comando de campaña y a algunos miembros de la Mesa de la Unidad de los delitos de instigación a delinquir, agavillamiento o asociación ilícita, instigación a causar zozobra a la población y obstrucción de la vía pública, así como los asesinatos ocurridos el lunes durante varias protestas.
 
De acuerdo con fuentes del Tribunal Supremo de Justicia (TSJ), el presidente en funciones de Venezuela, Nicolás Maduro, ordenó a Luisa Ortega y a la presidenta del TSJ, Luisa Estella Morales, proceder al procesamiento de Capriles, su equipo de campaña y otros dirigentes de la oposición, cuyas identidades ABC no ha podido conocer.
 
El procedimiento abierto por la Fiscalía se corresponde con la advertencia lanzada el mismo martes por el propio Maduro, durante una retransmisión televisiva en cadena, de tomar medidas legales contra Capriles.
 
“Esto funciona así: la Fiscalía hace la imputación ante un tribunal y este recibe una llamada del TSJ dándole instrucciones de cómo tiene que actuar”, aseguró a ABC un antiguo magistrado buen conocedor de las prácticas judiciales bajo el régimen chavista.
 
La imputación a Capriles y demás dirigentes opositores invoca los artículos 285 y 292 del Código Penal, que hacen referencia a la instigación a delinquir y al agavillamiento, respectivamente. El primero habla de pena de prisión de tres a seis años; el segundo, de prisión de seis meses a un año.
 
También se invocan los artículos 296-A y 357, relacionados con la instigación a causar zozobra a la población y con la obstrucción de las vías públicas. En ese supuesto se contemplan penas de dos a cinco años.
 
 
17 de abril de 2013
in aluizio amorim

O VERGONHOSO SILÊNCIO DA SOCIEDADE, DO CONGRESSO, DA "OPOSIÇÃO" E DOS APOSENTADOS E SUAS ASSOCIAÇÕES

ÓDIO CEGO



 
Fulano acorda, pula da cama, veste um jeans e calça um tênis Nike. Por ter exagerado no Jack Daniel’s, agora precisa de um Tylenol e uma Coca Cola. Escova os dentes com Colgate e sai sem comer nada. Tira o Ford da garagem e enfia um CD do Metallica pra acordar de verdade. No caminho toma um café na Starbucks e aproveita para comprar a revista Rolling Stone. Acende um Marlboro com o Zippo cromado e segue para o escritório.
 
No trabalho redige as propostas no Word, faz planilhas no Excel, prepara uma apresentação para o chefe no Power Point e fuça no Facebook escondido. Como não entende nada de Linux, usa Windows a contragosto, mas adora as novas ferramentas do Google Chrome.
 
No almoço decide comer no Burger King para ganhar tempo. A fila do Mc Donald’s está muito grande e ele ainda precisa comprar um carregador na loja da Apple.
 
Em casa, de ressaca curada, abre uma Budweiser e liga a TV. Quando passa pela CNN descobre que houve um atentado em Boston e deixa escapar:
 
-- Os estadunidenses merecem. Odeio esse imperialismo yankee, que nada de bom trouxe ao mundo...

-===-

O que os romanos fizeram por nós?


A Vida de Brian - Monty Phyton.
 
 
17 de abril de 2013
ordem natural

O GOVERNO DA CRIATIVIDADE NÃO TEM ESTRATÉGIA


Guido Mantega continua em meio ao fogo cruzado. Para não ficar pressionado pelo benefício concedido às montadoras, pensa agora em manter reduzido o IPI de linha branca e móveis. Tudo parece um passe de mágica, uma criatividade sem estratégia. Falta inovação ao governo, que o leve a pensar adiante e dar sustentação à economia e maior tranquilidade aos investidores locais e externos, assim como às trocas comerciais internacionais.
 
Tivemos este ano uma das maiores safras de grãos, com o fechamento de grandes contratos de exportação, em especial com a China. E de novo nos deparamos com a barreira logística e os entraves nos portos, que culmiram com cancelamento de negócios e dúvidas quanto à seriedade de nossos produtores e da nossa capacidade de cumprir importantes compromissos para manutenção da balança comercial. Esse entrave, no mínimo, gerou prejuízos ao produtor e a quem dependia dos produtos entregues nos prazos convencionados.
 
Quando não se tem estratégia a saída é buscar mecanismos para ser, de certa forma, “criativo”.Enquanto isso, o incêndio se alastra pela falta de investimentos em infraestrutura e o encarecimento da máquina administrativa com a criação de Ministérios, para citar apenas um exemplo.
 
O que vem acontecendo no mundo, principalmente com a Eurozona, Estados Unidos e China, ajuda a sacudir o mercado internacional e contribui para reforçar o quadro de desconfiança geral. Justamente por isso, é o momento do Brasil sinalizar ao mundo sua disposição de fincar boas raízes econômicas e dar segurança a quem estiver disposto a empregar por aqui seu capital.
 
Entretanto, é penoso ainda apontar as mesmas fragilidades. Pouco se fez para investir em energia, prejudicando empresas geradoras de riqueza como a Petrobrás, em busca da manutenção de uma inflação controlável nos 4,5% ao ano, com teto de 6,5%.
 
As propostas de soluções mágicas continuam. Cogita-se aumentar a Selic como forma de conter o estouro da inflação, mas isso certamente prejudicará o equilíbio das finanças. Ações como a redução de impostos, seja IPI, desoneração da folha através do INSS Patronal ou do PIS e COFINS sobre a cesta básica não aliviam o bolso do consumidor. Estudos realizados com famílias que recebem entre 1 e 5 salários mínimos demonstram que o patamar de inflação disparou, ultrapassando 10% ao ano. É justamente a faixa populacional que o Governo tenta ajudar que está pagando o preço pela “criatividade” da equipe econômica.
 
A possibilidade do aumento do PIB em 3% este ano poderá causar outro impacto. Teremos energia limpa disponível para o aumento da produção ou continuaremos a utilizar em sua potência máxima a energia das termoelétricas, mais caras e prejudicais ao meio ambiente?
 
O desespero chegou a ponto de o Governo solicitar que o aumento dos combustíveis não fosse repassado para as tarifas públicas, como de transportes. Este tipo de represamento de gastos, entre outros adotados, explodirá em algum momento, colaborando para o tão temido aumento da inflação. Veja que essas falácias de cunho político são totalmente contrárias ao equilíbrio econômico. Tudo por conta da mágica do presente e da criatividade que parece ser o esteio do governo.
 
Para criar um impacto significativo e que de fato melhore a situação geral da economia, espera-se que haja geração de emprego de forma sustentável, melhoria na educação, investimento em infraestrutura (mas com contenção de gastos governamentais e redução siginificativa de tributos). Inovação é a palavra, senão seremos uma nação de pobres e sem cultura, vivendo às custas de outros países, como presenciamos muitas nações da Zona do Euro.

17 de abril de 2013
Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina.

MÉDICI ÀS AVESSAS


"O Brasil vai bem, mas o povo vai mal", a frase com que o general Médici definiu o milagre econômico brasileiro, foi pronunciada quando o PIB chegava a crescer 14% ao ano em meio a aumento da desigualdade.
Hoje, fica-se tentado a dizer que o povo vai melhor, enquanto vão mal o Brasil, a Argentina, a Venezuela.
Sucede que esses países são justamente os que se definem pela prioridade de redistribuir e transferir renda. Haveria relação de causa e efeito entre redistribuição e queda do crescimento? Seria incompatível manter pleno emprego e inflação baixa, melhoras salariais e avanços em competitividade?
Há uma coincidência perturbadora: os três regimes sul-americanos que melhor se identificaram às aspirações de melhoria de vida e dignidade das massas das periferias ostentam os piores indicadores econômicos da região.
 
Em todos, o panorama se caracteriza por inflação em alta, crescimento em baixa, deterioração da posição fiscal e das contas externas, competitividade precária.
Em compensação, seus índices sociais são tão favoráveis que até agora lhes vêm garantindo elevado apoio eleitoral, apesar da mediocridade da economia.
Trata-se de mera coincidência ou uma coisa seria consequência da outra? Trágico seria se assim fosse. Não se justifica, porém, atribuir as falhas dessas economias às conquistas sociais.
Não só porque Bolívia e Equador, de semelhante orientação social, conseguem números econômicos razoáveis. Ademais, Chile e Peru, menos ideológicos, também dependentes de commodities, combinam os resultados econômicos mais brilhantes do continente com avanços sociais comparáveis aos distributivistas.
O desempenho insatisfatório dos maiores parece derivar, portanto, não de um compromisso maior com as causas populares, mas de defeitos no desenho e na execução de políticas públicas que se estendem além das estritamente econômicas.
No Brasil, é o que se vê no vasto cemitério de desgoverno que vai da proliferação de ministérios ao atraso de obras bilionárias, da crise do programa do etanol ao retrocesso na matriz energética, da politização e corrupção das agências reguladoras à inexplicável obsessão do trem-bala.
Como o dinheiro do trem aliviaria muito mais o sofrimento dos trabalhadores se aplicado em metrô e trens urbanos, o exemplo revela que a preocupação social está longe de ser decisiva.
Esses governos erram pelos motivos usuais: incompetência, idiossincrasias e caprichos de dirigentes, excessiva indulgência com fisiologismo político, corrupção.
 
Desculpá-los com nobres motivações sociais e ideológicas equivale a afirmar que o preço do combate à desigualdade e à pobreza passa pelo desgoverno e pelo desperdício. E constitui, no fundo, um desserviço a esses mesmos regimes.
Com efeito, eles só se salvarão se corrigirem suas políticas e voltarem a crescer, a fim de assegurar a sustentabilidade dos avanços sociais.
Do contrário, a combinação dos maus resultados econômicos com a saída de cena de Nestor Kirchner, Hugo Chávez e Lula cedo ou tarde encerrará mais um ciclo desapontador na história das frustrações sul-americanas.

17 de abril de 2013
Rubens Ricúpero é Diplomata.

A INSEGURANÇA CRESCENTE NO BRASIL

A insegurança e a violência progridem no Brasil às escâncaras. Sabe-se que o combate à violência deve ser concretizado através de ações de curto, médio e longo prazo em todas as expressões do Poder Nacional. Na expressão econômica, no médio e longo prazo, há necessidade de adoção de um novo modelo econômico, distante do neoliberalismo imposto a nós pelo sistema financeiro internacional.
É vital o fortalecimento do mercado interno, a diminuição significativa da imoral taxa de juros praticada, a adoção de um novo processo de substituição de importações, procurando obter-se a autossuficiência na produção de itens estratégicos, a elaboração de um plano nacional de desenvolvimento capaz de ser cumprido, a ascensão ao poder político de brasileiros patriotas e não de representantes do capital estrangeiro.
Investimento na infra-estrutura, o retorno do setor público à situação de poupador positivo, por intermédio da diminuição da sonegação e de uma reforma tributária capaz de fazer com que os bancos e os banqueiros paguem também impostos proporcionais ao lucro auferido.
Na expressão psicossocial, o mais importante é o investimento maciço na educação, procurando recuperar a qualidade perdida do ensino, desde o básico até o superior. A valorização de nossa língua, costumes e tradições. O incentivo às atividades culturais. O aprimoramento progressivo da saúde pública, buscando a melhoria do seu atendimento e procurando a universalização do atendimento. A adoção e o fiel cumprimento de código de ética para os meios de comunicação.
Na expressão militar, é significativo, além da justa remuneração dos profissionais, o aumento de verbas destinadas ao treinamento, adestramento e aprestamento da tropa. O investimento em ciência e tecnologia bélica, a recuperação da indústria bélica nacional, o domínio da tecnologia nuclear.
Na expresão política, há necessidade de uma imediata reforma total. O Poder Judiciário deve agir mais rapidamente, com maior proximidade com o povo. É imperiosa a mudança de critério para preenchimento dos cargos de Ministro e outros, de político para meritório, em especial nas Altas Cortes. O Poder Legislativo deve possuir menos membros, eleitos com a utilização do voto distrital, devendo ser submetidos a cursos de qualificação e severos critérios de recrutamento, com eliminação sumária dos impuros. Os Tribunais Eleitorais deveriam ter caráter permanente de fato. A apuração eletrônica só pode ser mantida com a impressão dos comprovantes, para a apuração em paralelo, em caso de recontagem. É urgente a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos ou menos.
Voltando ao tema segurança, em curto prazo, nunca se disse tanta bobagem em tão pouco tempo. Idéias estapafúrdias como a campanha do desarmamento civil, atendendo à imposição do exterior. Também voltam os "policiólogos" de plantão a pregar a unificação das polícias e a desmilitarização das polícias militares. As Forças Armadas brasileiras possuem um efetivo total de cerca de 300.000 homens, incluídos os conscritos. O efetivo total das polícias militares no Brasil (Estados e DF) é mais do dobro do efetivo das tropas do Exército. Somente a de São Paulo é em torno de 140.000 combatentes.
Podem surgir problemas sérios colocando em risco a manutenção da integridade territorial do país. Por isto, as polícias militares devem continuar militarizadas e subordinadas à Força Terrestre, para melhor controle. Há lugar para as duas polícias. O importante é que sejam complementares, eficazes, não superpondo funções e mais integradas, inclusive com as guardas municipais (poderia ser uma polícia comunitária), em especial na área de inteligência, devendo haver um comando único, assessorado por um estado maior composto de um representante de cada instituição. É evidente que deve existir integração entre todos os subsistemas que participam do conjunto (Judiciário, Ministério Público, subsistema penitenciário, Polícias Federal, Rodoviária, Ferroviária e outros).

17 de abril de 2013
Marcos Coimbra é Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano. Sítio : www.brasilsoberano.com.br
Correio eletrônico : mcoimbra@antares.com.br

XEQUE-MATE

Em 1734, um judeu alemão, Amshel Moses Bauer, ourives e agiota, residente em Frankfurt, mudou seu sobrenome para Rothschild, abriu a Matriz do que viria a ser a mais poderosa rede bancária do mundo. Emprestou dinheiro a todos os reis e nobres europeus, financiando ambos os lados das guerras.
Quando seus cinco filhos chegaram à maioridade, ele os enviou para abrir filiais em Viena, Londres – onde já funcionava o Banco da Inglaterra, - Paris e Nápoles. O primogênito ficou em Frankfurt. As gerações posteriores desta família, até os nossos dias, atuam com um único propósito: usura, lucro e poder, custe o que custar, doa a quem doer.
Duzentos anos após a morte do patriarca do clã Rothschild, seus descendentes e sócios controlam todo o complexo sistema financeiro do planeta, continuam promovendo guerras, especializaram-se em negociar clandestinamente com armas e drogas, forjar “crises financeiras” e enviar sicários para eliminar presidentes e personalidades influentes que ousaram ensaiar a resistência aos seus interesses. Alguns exemplos marcantes constam da história dos EUA.
O Banco da Inglaterra estava contrariado com a jovem colônia americana, onde seus interesses eram contrariados pelas ideias democráticas nascentes. Os Rothschild enviaram emissários, investiram pesado e em 1913, associados aos Rockfeller, Harriman, Morgan e outros banqueiros. golpearam a economia dos EUA, tomando a Reserva Federal para mãos privadas. Já controlavam o Banco Central da Inglaterra, passaram a fundar e controlar sucessivamente outros Bancos Centrais na Europa e mais recentemente os Bancos Centrais do planeta.
O trabalho de controle total ganhou novas instituições e Continua sendo aprimorado, de modo impositivo até os nossos dias, sem que os economistas oficiais e a mídia divulguem em linguagem popular o assalto efetuado valendo-se da atuação de lobistas e muita corrupção. Agora na velocidade das comunicações eletrônicas.
Os mercadores do dinheiro alcançaram seu objetivo principal: associar o poder financeiro num bloco único, que decide através dos Bancos Centrais onde e como os recursos do planeta devem ser aplicados. A globalização financeira antecede a submissão política total, sem “preocupação com aqueles que fazem as Leis”.
No século passado, Franklin D . Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos (1933 a 1945), afirmou: "Em política, nada ocorre por acaso. Cada vez que um acontecimento surge, pode-se estar seguro que foi previsto para levar-se a cabo dessa maneira." Economia e política são interdependentes. As discordâncias no cume da pirâmide são formais, reunindo jogadores que eliminam peças para que reste no tabuleiro um único rei.
Como exemplo doméstico, um presidente suicidou-se e outro renunciou declarando sua incapacidade de vencer as “forças ocultas”, outros foram depostos. Em 1964 os militares tomaram o poder. Alguns peões impelidos a figurar neste jogo foram mortos. Mas a população continua crescendo e produzindo, pagando mais impostos, alienada dos processos econômicos e políticos decididos a portas fechadas.
As previsões políticas têm como base a competência, a organização das forças produtivas, os recursos naturais, as influências e alinhamento aos interesses internacionais. Finalmente, o domínio de avançadas tecnologias de comunicação“de uso restrito”, isto é, plataformas eletrônicas monopolizadas pelo Estado, meios para a informação em tempo real, elaboradas em sua versão final para manter o engano.
Este é o ambiente onde vivem os humanos e o poder a que todos estão submetidos. É um planeta evoluindo para condições em que, a informação, o saber, a clareza de objetivos pessoais, a eleição de princípios e valores se tornam imprescindíveis para a saúde e bem estar das pessoas. As ideologias, filosofias e filiações religiosas, importam menos que acreditar em si mesmo, conhecer as próprias forças e construir o próprio espaço com a mente aberta, exercendo o livre arbítrio, a liberdade espiritual.

17 de abril de 2013
Arlindo Montenegro é Apicultor.

DESNACIONALIZAÇÃO GALOPANTE


Em artigo recente, assinalei que, NO BRASIL, os DÉFICITS NAS TRANSAÇÕES CORRENTES COM O EXTERIOR SE VÊM AVOLUMANDO. SOMARAM US$ 204,1 BILHÕES DE 2008 A 2012 (US$ 54,2 BILHÕES SÓ EM 2012).

Em janeiro/fevereiro de 2013 houve espantosa aceleração: US$ 18 bilhões, ou seja, 83% a mais que no mesmo período de 2012._ _

Escrevi naquele artigo: “_OS DÉFICITS__ FAZEM ACELERAR AINDA MAIS A DESNACIONALIZAÇÃO E O ENDIVIDAMENTO." _E citei Carlos Lopes (HP 24.01.2013): "_DE 2004 A 2011, FORAM DESNACIONALIZADAS 1.296 EMPRESAS BRASILEIRAS, E__ AS REMESSAS OFICIAIS DE LUCROS AO EXTERIOR MONTARAM A US$ 405 BILHÕES_." As remessas de lucros disfarçadas em outras contas são um múltiplo disso.

A aquisição de empresas de capital nacional (desnacionalização em sentido estrito) é apenas uma parte dos "investimentos estrangeiros diretos (IEDs). Estes incluem a criação de novas subsidiárias ou entrada de capital nas já estabelecidas. Tudo isso é desnacionalização em sentido lato, implicando controle da economia brasileira por empresas estrangeiras. Boa parte dos IEDs vem de lucros obtidos no próprio País.

A desnacionalização é um processo cumulativo: cresce sempre, porque leva à transferência de recursos para o exterior, a qual causa os déficits nas transações correntes, e esses têm que ser cobertos por endividamento ou IEDs.

Os IEDs são considerados remédio para "equilibrar" o Balanço de Pagamentos - BP, mas, na realidade, agravam enormemente a doença: o desequilíbrio do BP, decorrente dos próprios IEDs.

Incrível, mas verdade: desde agosto de 1954, a desnacionalização foi promovida por governos do País. Mas não tão incrível, porque o foi por governos militares e civis, egressos de golpes militares sob direção estrangeira, ou de eleições comandadas pela pecúnia, no quadro de instituições políticas adrede constituídas.

Isso se deu por meio de cooptação e de corrupção e também por efeito da dependência cultural, formada através da mídia e de universidades, reforçada pelo deslumbramento diante dos requintes da "civilização" dos países imperiais e através da difusão das realizações destes, sem cogitar que muito de tais "maravilhas" resultou do saqueio das periferias.

O governo militar-udenista, egresso do golpe de 1954, regido por serviços secretos estrangeiros, instituiu vantagens absurdas em favor do capital estrangeiro, inauguradas com a Instrução 113 de 17.01.1955, da SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito).

Essa Instrução propiciou às multinacionais importar máquinas e equipamentos usados, sem cobertura cambial, registrando o valor a eles atribuído pela multinacional, como investimento estrangeiro direto, em moeda. Nada menos que 1.545 licenças para esses "investimentos" foram concedidas pela Carteira de Comércio Exterior (CACEX), entre 1955 e 1963, mantidas e ampliadas que foram as vantagens no governo de JK.

Desse modo, os bens de capital entraram no Brasil, mais que amortizados com as vendas em vários mercados de dimensões, cada um dos quais dezenas de vezes maior que o brasileiro.

Em consequência, as promissoras indústrias de capital nacional, formadas na 1ªmetade do Século XX, foram sendo dizimadas, impossível que era concorrer com grandes empresas transnacionais, ainda por cima operando no Brasil com capital e tecnologia a custo zero.

Assim, a Volkswagen apossou-se de mais de 50% do mercado de automóveis, com o Fusca, de tecnologia desenvolvida nos anos 30, produzido para o mercado europeu, vinte anos antes de o ser no Brasil. Ora, a amortização dos equipamentos ocorre em cerca de cinco anos.

A implantação da Fiat, nos anos 70, com recursos do governo de Minas e incentivos federais, é um dos exemplos escandalosos do modelo de dependência tecnológica, financeira e cultural prevalecente no Brasil. A "proeza" está sendo repetida, pois mais de 70% da nova fábrica da Fiat em Pernambuco é montada com dinheiro público.

Desde os anos 90 com Collor e FHC - ademais da desnacionalização efetuada através de privatizações, em que a União, em vez de receber, gastou centenas de bilhões de reais para entregar estatais de grande porte - a esbórnia entreguista tornou-se ainda mais desenfreada, com mais subsídios federais, estaduais e municipais concedidos às montadoras estrangeiras, como, de resto, a transnacionais de outros setores.

Deu-se devastadora guerra fiscal para atrair investimentos estrangeiros, na qual governadores entreguistas oferecem vantagens cada vez mais desmedidas, às custas dos contribuintes e da economia brasileira.

O engenheiro Glauco Arbix, da USP, em estudo de 2011, apontou que isso foi "_puro desperdício de dinheiro público_": nos EUA os incentivos para gerar um emprego seriam de US$ 4 mil, enquanto no Brasil chegaram, em média, a US$ 174,3 mil (sem contar os subsídios e benefícios fiscais federais).

Arbix verificou que a fábrica da Ford em Guaíba (RS), cujo projeto foi transferido para a Bahia, sairia para Estado e município por US$ 180,3 mil por emprego dos 1.500 previstos. O Rio Grande do Sul, entretanto, concedeu incentivos de US$ 174,3 mil por emprego nos 1.300 da fábrica da General Motors em Gravataí. Na Mercedes, em Juiz de Fora (MG), Estado e município investiram US$ 152 mil por emprego.

Até os anos 80, o capital estrangeiro predominou no setor industrial, além do comércio exterior. Depois, estendeu-se nos serviços privados e públicos e no setor financeiro. Tornou-se dominante na mineração, tem adquirido grande parte do setor sucroalcooleiro e penetrou na agricultura, condenando seu futuro, ao introduzir as sementes transgênicas e os agrotóxicos complementares.

Além dos subsídios fiscais e outros, nos últimos anos, os bancos públicos elevaram seu financiamento aos concentradores e transnacionais. Empreiteiras, grupos siderúrgicos, processadores de alimentos, agronegócio e até bancos estrangeiros têm sido subsidiados pelos juros favorecidos nos empréstimos do BNDES.

Mauro Santayana assinala que quem está colocando o dinheiro somos nós mesmos. Diz em resumo:

"_A Telefónica da Espanha recebeu do BNDES mais de 4 bilhões de reais em financiamento nos últimos anos e mandou mais de 1,6 bilhão de dólares para seus acionistas espanhóis, que controlam 75% da Vivo, nos sete primeiros meses do ano passado_."

"_A OI, que também recebeu dinheiro do BNDES, emprestado, e era a última esperança de termos um "player" de capital majoritariamente nacional, corre o risco de se tornar portuguesa, com a entrega de seu controle à Portugal Telecom ..."_

Evaristo Almeida aponta que, desde a privatização do sistema Telebrás, em 1998, as empresas tiveram receita de dois trilhões de reais e dizem ter investido só 390 bilhões, grande parte dos quais financiados pelo BNDES "a juros de mãe amorosa".

Santayana anota:

_"Empresas estatais _estrangeiras_, como a francesa ADP (Aeroportos de Paris) ou a DNCS, que montará os submarinos comprados à França, pertencem a consórcios financiados com dinheiro público brasileiro. Esse será também emprestado às multinacionais que vierem participar das concessões de rodovias (com cinco anos de carência para começar a pagar) e de ferrovias, incluindo o trem-bala Rio-São Paulo."_

"A Caixa Econômica Federal, adquiriu, por sete mil reais, em julho, pequena empresa de informática e depois nela se associou minoritariamente à IBM. No mês seguinte celebrou com a IBM, sem licitação, contrato de mais de um bilhão e meio de reais_ _..."_

O esquema das PPPs (parcerias público-privadas) faz que o poder público banque investimentos que se transformam em patrimônio privado, tanto das empresas privadas, inclusive as privatizadas, como das que estão sendo objeto de novas privatizações, rotuladas pelo nome de concessões. Quase sempre privatização implica desnacionalização.

OS PORTOS são objeto da recente medida provisória (MP 595), a qual, segundo o Senador Roberto Requião, inventa novo marco regulatório inexistente em qualquer lugar do mundo e provocará enfraquecimento e quebras dos portos públicos, entregando seu controle a armadores transnacionais.

Além disso, o Estado terá de arcar com a infra-estrutura de transportes até os portos, de acordo com as exigências destes, e as obras portuárias serão realizadas por empresas privadas contratadas mediante licitação. O ESTADO ESBANJA CAPITAL PARA PRIVATIZAR, EMBORA DIGAM QUE A ELE FALTA CAPITAL E POR ISSO PRECISARIA PRIVATIZAR.

Ao mesmo tempo, o Estado incrementa as renúncias fiscais, mas só em favor de concentradores e transnacionais, jamais de contribuintes comuns. Dilma prorrogou, até o fim do ano, A ISENÇÃO DE IPI PARA AUTOMÓVEIS E CAMINHÕES.

Já liberou 67 setores da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de pagamento, substituída pelo recolhimento de 1% a 2% do faturamento. O setor automotivo e o da linha branca já se beneficiavam disso, e a presidente incluiu na lista (MP 612): serviços aeroportuários; transporte aéreo de passageiros; transporte metroviário; engenharia e arquitetura; construtoras de obras de infraestrutura; transportes marítimos e rodoviários de cargas.

Governadores e prefeitos entreguistas, com aval do governo federal, têm projetos de PRIVATIZAR A ÁGUA E O SANEAMENTO. As grandes transnacionais do setor prometem investir, mas, em geral, só o fazem na água, pois o investimento é menor e os lucros maiores. Esse bem estratégico passa a ser explorado em função dos lucros e sem cuidado com preservação e qualidade.


ATÉ MESMO O PETRÓLEO - que, em todo país soberano, tem de estar sob controle nacional - ESTÁ SENDO ENTREGADO ÀS COMPANHIAS ESTRANGEIRAS. Desde a campanha do "petróleo é nosso" e a criação da Petrobrás, em 1953, o monopólio estatal ficou intocado, enquanto a Nação manteve algum resquício de independência, até ter ele sido derrogado, de fato, por FHC, com a Lei 9.478, de 1997.
Como alertam os engenheiros Paulo Metri e _Ricardo Maranhão_, __ o Brasil sofrerá perda colossal no _leilão que a Agência Nacional do Petróleo marcou para 14/15.05.2013._ Poderão _ser arrematadas áreas totalizando de 20 a 30 bilhões de barris, ou seja, de 1,8 a 2,7 trilhões dólares aos preços atuais.

Os royalties determinados pela legislação são de 10% do valor da produção, e as transnacionais ficam donas do petróleo, podendo exportá-lo sem qualquer limitação, como atender prioritariamente as necessidades internas ou restringir a exploração por razões de estratégia política ou econômica.

Os royalties são baixíssimos, e o Brasil se coloca, assim, em situação rebaixada não só em relação aos países soberanos - cujas companhias exploram o petróleo - mas até em relação a pequenos países, protetorados das potências hegemônicas desprovidos de tecnologia de exploração, os quais obtêm royalties muito acima daquele percentual.

A grande mídia, sempre a serviço da oligarquia imperial, faz intensa campanha sobre fracassos e dificuldades da Petrobrás, visando evitar que ela, como em leilões passados, arremate o grosso das áreas. A Petrobrás descobriu as jazidas, verdadeiro bilhete premiado para as transnacionais, propiciado pela Agência Nacional de Petróleo, constituída, desde sua fundação, para favorecê-las. Não estão ainda em pauta áreas do pré-sal, para as quais vige a lei 12.351/2010, que tampouco preserva os interesses do País.

Fomentada que é a ignorância quanto a tudo que seja de grande interesse nacional, o que suscitou intensa polêmica política foi o repasse dos royalties para Estados e municípios, uma bagatela diante do que o Brasil está perdendo.

Tão estúpida, ou desonesta, é a atitude de governadores e parlamentares, que nem falam em revogar a Lei Kandir, o que lhes proporcionaria mais que o dobro das receitas dos royalties, em disputa das quais se engalfinham. Essa lei isenta as exportações do ICMS.

17 de abril de 2013
Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.