"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 6 de junho de 2013

E AGORA, JOSÉ?

 
PauloBrossard480_DidaSampaioAE2007_10_05
Desde o começo da atual crise econômica, as autoridades do Hemisfério Norte externaram suas preocupações a respeito da gravidade da crise, de modo a preparar a opinião de seus países quanto a medidas que teriam de ser adotadas; as nossas, sem excluir a senhora presidente da República, manifestaram-se quase com desdém acerca do problema, afirmando que o Brasil vencera com tranquilidade a de 2008 e com maior razão superaria a emergente, porque suas condições agora eram muito maiores e melhores do que naquela emergência.

Os dias se passaram e algumas dificuldades começaram a pipocar, mas as nossas autoridades continuaram a mostrar a mesma tranquilidade ou imobilismo, só quebrado com a implacável rebelião dos fatos. O primeiro deles, salvo engano, quando da denominada desindustrialização do setor siderúrgico, a receber o cataplasma do alívio fiscal e o conforto do socorro creditício.

 Ocorre que os casos agudos foram surgindo e a eles estendido o remédio rotulado de desoneração fiscal. A medida era de efeito pronto, mas, obviamente, não teria duração indeterminada; de mais a mais, a medida é emergencial e um dia terá de acabar; e o setor beneficiado poderá suportar a supressão do benefício?

Desde logo é de ser notado que a desoneração já produziu outros efeitos, a arrecadação federal caiu e não foi pouco. Dir-se-á que uma certa retração econômica também terá influído nesse resultado e não seria eu a contestar o fato. Ambos os fatos, senão ainda outros, terão contribuído para a consequência inegável e reconhecida, a arrecadação federal encolheu. E isso não pode ser ignorado indefinidamente. Enquanto isso, acerca de reforma tributária nenhuma palavra.

Como os nascituros não esperam para nascer, os fatos passaram a ocupar o palco dos acontecimentos, sem hora marcada. Um deles, na minha opinião, foi o que tomou conta do cenário dada sua realidade, objetividade e notoriedade; tornou-se sabido e ressabido que os nossos bens industrializados deixaram de possuir competitividade no mercado externo, até no mercado interno em relação a bens importados.
Não se trata de opinião, mas de fato. É evidente que a indústria nacional não poderá sofrer diante dessa realidade e como ela outros setores, dada a óbvia correlação de fatores de organização econômica nacional. E então?

Enquanto isso, acerca de reforma tributária nenhuma palavra
Os juros, que de outubro de 2012 a março do corrente ano se mantiveram em 7,25%, passaram a 8% e é admitida nova ou novas majorações.

 Há outro dado que me passou inquietante, a notícia divulgada, faz poucos dias, foi breve e amarga. No ano findo, o setor industrial registrou o pior resultado desde 2006. Suponho seja desnecessário insistir no assunto. A evidência dispensa provas e demonstrações.

Eis senão quando, no feriado de Corpus Christi, os meios de divulgação publicaram as novidades de véspera; três jornais que tive em mãos, a “Zero Hora” e dois de São Paulo, o “Estadão” e a “Folha”, estamparam em suas primeiras páginas manchetes praticamente iguais; a ZH: “PIB decepciona, juro sobe e dólar dispara”; a “Folha de S. Paulo”:
“PIB decepciona, mas Banco Central aumenta juros ainda mais”; o Estado de S. Paulo: “O PIB decepciona, mas Banco Central eleva juros para conter a inflação”, salientando que não há espaço no orçamento para nova desoneração de imposto, gerando o declínio da arrecadação.
A sagaz e criteriosa Eliane Cantanhêde resumiu tudo nesta frase: “Parece que está morrendo na praia aquela onda de Brasil Grande”.

Enfim, o ministro da Fazenda, cuja impassibilidade marmórea é proverbial, aludiu à reforma de seu plano.

06 de junho de 2013
Paulo Brossard

Fonte: Zero Hora

OS ESPERTOS MUNDURUKUS TENTAM INVADIR O PALÁCIO DO PLANALTO CONHEÇA OS REAIS MOTIVOS DOS PROTESTOS.


 
Poucos minutos atrás, 50 mundurukus que vieram da região de Belo Monte, tentaram invadir o Palácio do Planalto.
Foram contidos. Os mundurukus têm a sua aldeia no Rio Tapajós, que fica a 1.000 km do Xingu, onde está a hidrelelétrica. Mas que diabos então os mundurukus querem? Conto para vocês.
 
Eles alugam balsas para garimpo ilegal no Rio Tapajós, por muito dinheiro. Tempos atrás, a PF fez a Operação Tapajós e explodiu as balsas dos índios.
Logicamente, o MPF, Greenpeace e a peace que pariu melaram a operação. Por que eles protestam contra Belo Monte?
Porque existe um plano para construir hidrelétricas no Tapajós, o que irá inviabilizar o garimpo ilegal e o faturamento munduruku.
Contendo a construção de Belo Monte, eles esperam impedir as obras no Tapajós. Os mundurukus não querem apito.
Querem ganhar dinheiro e estão brigando por isso.
 
06 de junho de 2013
in coroneLeaks

O ENORME DESAFIO DA EDUCAÇÃO

 

Sandro Schmitz1 O enorme desafio da educação
Seguindo a série de artigos em resposta às questões que me foram colocadas quando falei do Bolsa-Família, passo para a segunda pergunta que me foi posta: “E o aumento das crianças na escola”?

Vamos à resposta, mesmo que nesse caso o quadro seja muito desanimador e preocupante. Por uma questão de espaço me deterei apenas às disciplinas de Português e Matemática, mas já será o suficiente para percebermos o caos da educação no Brasil.

O relatório publicado pelo Ministério da Educação (MEC) do SAEB e Prova Brasil, revelou números muito preocupantes, tendo em vista que 90% dos alunos concluintes do Ensino Médio saem da escola sem saber resolver cálculos de distâncias e alturas usando razões trigonométricas, ou sequer conseguem calcular a área de uma pirâmide. Para possuírem as competências matemáticas mínimas previstas, seria necessário alcançar 350 pontos em determinada avaliação.

No entanto, esse impressionante índice de jovens não conseguiu atingir o resultado em uma escala que vai de 250 a 450. O mais grave nisso tudo é que ocorreu um retrocesso do resultado em Matemática: a expectativa era de que o país avançasse de 11% para 20% o número de jovens com ensino médio concluído e adequado na disciplina, mas esse número recuou para 10,3%, uma situação extremamente preocupante.

Conhecimentos matemáticos básicos estão sendo negligenciados se considerarmos a realidade de que muitos desses jovens não sabem ler um gráfico de colunas ou realizar um cálculo de percentagem. Na língua portuguesa a situação não é muito melhor: apenas 27% dos estudantes conseguiram resultados satisfatórios na Prova Brasil em Língua Portuguesa abaixo da meta projetada de 32% que, convenhamos, já era uma baixa. Isso significa que a maior parte desses estudantes não tem a capacidade de compreender um texto que lê, isso quando eles conseguem ler de maneira fluente.

O Estado sabe cobrar as obrigações dos outros, mas se nega a cumprir as suas
As causas para tal situação ficam evidentes quando percebemos que, no caso da matemática, poucas turmas se formam devido a enorme complexidade das disciplinas e dos salários infames pagos pela educação em nosso país.

Hoje em dia as universidades juntam várias turmas de licenciatura para a realização de uma única formatura. Quanto ao Português, além desse quadro, temos ainda dois dados descobertos pelo MEC que são extremamente alarmantes: apenas 45% dos professores dessa disciplina leem regularmente, e, 72,5% das escolas do país não possuem biblioteca. Frente a isso, como exigir do aluno o hábito da leitura?

Não há como culpar o docente, isso porque o mesmo em regra tem de ter dois ou três empregos para poder se sustentar adequadamente, e, em função desse fato acaba por consumir todo o tempo que poderia utilizar para a atividade da leitura, essencial à sua atividade.
O Estado sabe cobrar as obrigações dos outros, mas se nega a cumprir as suas, basta lembrar que de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) todas escolas devem ter uma biblioteca com ao menos um exemplar por aluno.

No final do ano passado foi publicada uma pesquisa realizada por uma das maiores consultorias do mundo, a “Economist Intelligence Unit” (EIU) da “The Economist”, encomendada pela Pearson Education. O relatório analisou os sistemas educacionais de quarenta países os classificando do primeiro, o melhor, ao quadragésimo, o pior sistema educacional do mundo.
O primeiro lugar ficou com a Finlândia e o Brasil ficou em 39º, na frente apenas da Indonésia. Já a mais recente avaliação do “Programme for International Student Assessment” (PISA), índice adotado pela OCDE para avaliar as habilidades educacionais dos estudantes em leitura, matemática e ciências, no qual são avaliados 65 países, o Brasil figura no 53º lugar.

Para encerrar vamos aos dados que tanto falam: o número de crianças na escola, curiosamente outra meta não atingida. O governo esperava alcançar o universo de 94,1% das crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos, mas alcançou 92%.

Poderia falar do conteúdo ideológico nos programas e livros selecionados pelo MEC e muitas outras coisas, mas fica difícil se preocupar com ideologia se as crianças não saberão mais ler. Há uma lógica nisso, a falta de educação é essencial para qualquer “lavagem cerebral”.
Assim se criam fundamentalistas. Em regra, para políticos não interessa qualidade, mas quantidade. O grande problema aqui é que quando se destrói a educação, se elimina o futuro.

06 de junho de 2013
Sandro Schmitz

LULA LOBISTA CORRE O MUNDO COBRANDO U$ 200 MIL POR PALESTRA E VENDENDO FAVORES DE DILMA. ONTEM FOI NO PERU..


Em discurso ontem, em Lima (Peru), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou que recorreu a Dilma Rousseff para aumentar o número de fiscais numa ponte entre o Brasil e o Peru. "Já liguei para a presidenta Dilma hoje [ontem] de manhã. Já liguei. E disse para ela da ponte [que cruza o rio Acre, inaugurada em 2006]; disse para ela da falta de fiscal. Ela disse: Pode deixar que eu vou chamar o pessoal para resolver isso'", disse. Ele foi aplaudido por 400 empresários locais e pela comitiva de brasileiros que ele liderou, formada por executivos de empreiteiras, como OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez, e de empresas como Embraer e Eletrobras.

Estava presente também o presidente peruano, Ollanta Humala. Há uma queixa de empresários peruanos de que a ponte, pela qual passa a chamada Estrada do Pacífico, sofre com trâmites aduaneiros lentos, com falta de autoridades aduaneiras e de vigilância sanitária. Lula criticou a burocracia brasileira. Lula também acionou o governador Tião Viana (PT-AC): "A minha indignação é que a cada mês eu ligo para o Tião Viana e pergunto como é que está a ponte, como está o escritório da Receita. Está funcionando?' E ele diz: Não, presidente, não. Está demorando muito e tem produto perecível que chega a ficar quase oito dias esperando para atravessar'". Lula viaja a convite do Grupo Brasil, composto de 45 empresas com interesses no Peru, e da Câmara Binacional de Comércio Peru-Brasil
 
(Folha de São Paulo)
06 de junho de 2013

GUERRA NO CAMPO:PRODUTORES RURAIS AVISAM QUE VÃO REAGIR CONTRA INVASÕES INDÍGENAS


A tensão entre índios e produtores rurais em Mato Grosso do Sul, que já resultou em um indígena morto e outro ferido a bala, pode ficar ainda pior, segundo um representante dos fazendeiros. "Estamos falando de um massacre iminente. Temos produtores que se recusam [a sair de suas propriedades] e estão armados", disse à Folha Francisco Maia, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e da Frente Nacional da Pecuária (Fenapec).

"Vai morrer mais gente", afirmou: "Vai ter mais sangue". Ontem, o governo autorizou o envio de 110 homens da Força Nacional de Segurança Pública à região. "Alguns produtores estão armados nas suas propriedades, não vão sair e vão enfrentar os índios", disse Maia. "Isso que aconteceu, de morrer um índio, pode ser pouco diante do que se anuncia." Segundo Maia, os problemas fundiários entre indígenas e fazendeiros sul-mato-grossenses se acentuaram há 15 anos. "A Constituição [de 1988] estabelecia um prazo de cinco anos para a demarcação dessas terras. As coisas não aconteceram, e eles [índios] continuaram avançando e sempre pretendendo áreas maiores do que o possível e do que o razoável." 

COM ESCRITURA
 
Segundo Maia, as pretensões da Fundação Nacional do Índio (Funai) não têm embasamento nem estudo consistente que as justifique: "São todas em cima de áreas tituladas. Não temos problemas de excesso de terra ou de grilagem. Todas as terras são legais, com escritura". A situação está fora de controle, de acordo com Maia: "As leis não são cumpridas, e está valendo a lei indígena adotada por eles. Eles rasgam ação judicial de reintegração de posse, a própria Polícia Federal vai lá e não faz a reintegração. Vivemos num caos na área de conflito".

Por isso, na opinião de Maia, "quem vai ter que entrar nessa parada é o Congresso Nacional porque o governo perdeu a mão. Parece que o governo perdeu autoridade. É um problema muito sério". O fazendeiro atribui a situação mais tensa em Mato Grosso do Sul a "uma visão ideológica orquestrada". Segundo ele, "não existe Estado de Direito, já que o Estado não defende" os produtores rurais --os quais não podem deixar de reagir quando as suas propriedades são invadidas.(
 
Folha de São Paulo)
06 de junho de 2013

QUESTÃO INDÍGENA: CNA DENUNCIA AMEAÇA AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

NOTA OFICIAL
 
CNA denuncia tentativa de desestabilização do Estado de Direito
 
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) denuncia uma tentativa de desestabilização do setor produtivo rural, tendo por pretexto a causa indígena.
 
Militantes ideológicos, que aparelharam a Funai e se associaram ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a ONGs nacionais e estrangeiras, estimulam os índios a  invadir terras produtivas, devidamente tituladas – algumas há mais de um século. Provocam conflitos que, além de levar insegurança ao setor mais produtivo da economia brasileira, instalam um ambiente de ódio e confronto entre brasileiros.
 
Os produtores rurais não desrespeitam os direitos dos índios, mas, ao contrário, estão tendo os seus desrespeitados. As invasões têm sido sistemáticas, a partir de ação da Funai, que, ao arrepio da lei, decide de maneira autocrática que terras serão demarcadas, ignorando os direitos do produtor rural e a segurança de sua família e empregados.
 
O setor agropecuário tem, hoje, peso extraordinário na economia do país. Acumula recordes de produtividade, usando menos terra e unindo produção com preservação. Cresceu, no último trimestre, 9.7%, enquanto o PIB como um todo avançou 0.6%. Em relação ao mesmo trimestre de 2012, o crescimento foi de 17%.
 
É essa presença na vida econômica e social do país que faz com que a CNA seja recebida com frequência no Palácio do Planalto, para discutir questões nacionais, como o recém-lançado Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014. Esta agenda propositiva não se confunde com a presente crise indígena – que, inclusive, é de natureza judicial.
 
O clima instalado, se não for imediatamente revertido, prenuncia novos e dramáticos confrontos de consequências imprevisíveis.
 
O que está em pauta vai bem além de infrações pontuais à lei. É o Estado democrático de Direito que está sendo contestado, de dentro do próprio Estado. Não será com declarações que desafiam a lei, a ordem e o bom senso que problema dessa magnitude será resolvido. A lei precisa ser e será cumprida.
 
A posição da CNA a respeito das demarcações de terras indígenas é conhecida: total respeito às decisões da Justiça, em todas as suas instâncias. Essa é a orientação aos nossos associados. Queremos a paz no campo, o que só virá com segurança jurídica e respeito ao direito de propriedade. E ainda:
  • imediata suspensão dos processos de demarcação em curso até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal dos embargos de declaração contra a decisão em que foram fixadas as condicionantes no caso Raposa Serra do Sol, para que todos os Poderes tenham uma orientação única sobre os procedimentos de ampliação ou criação de terras indígenas;
  • revalidação da Portaria AGU 303/2012, com aplicação obrigatória das 19 condicionantes do caso Raposa Serra do Sol, enquanto o STF não julga os recursos pendentes;
  • indenização não apenas das benfeitorias, mas também das terras legalmente tituladas tomadas dos produtores rurais.
A CNA apoia a iniciativa de construção de uma nova política indigenista, submetida não apenas à Funai, mas também a outros ministérios e órgãos do governo federal. É inconcebível que questão deste porte fique ao arbítrio de um único órgão, aparelhado por uma militância associada a objetivos ideológicos e comerciais, alheios ao interesse nacional.
 
Brasília, 5 de junho de 2013
 
SENADORA KÁTIA ABREU - Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - (CNA)

CONHEÇA O MANUAL DA GUERRA NO CAMPO, PREPARADO PELA FUNAI PRA QUE O BRASIL INTEIRO SE TRANSFORME EM TERRA INDÍGENA

Hoje, Reinaldo Azevedo publica um post que, se lido pelos políticos , pelo governo e ministros do STF,deve acabar definitivamente com o monopólio da FUNAI e de seus antropólogos manipulados na definição de terras indígenas.
 
O blogueiro analisa o Manual do Antropólogo Coordenador. Clique aqui para ler este tratado escrito pela FUNAI para que toda a mentira vire verdade histórica e que toda a enganação não seja judicializada.
 
É uma vergonha. Um absurdo. Um amontoado de truques e safadezas oficializado para que os objetivos ideológicos do órgão sejam alcançados.
Não é à toa que, pelas regras deste Manual de Guerra no Campo, as áreas indígenas tenham tido um crescimento de 874% desde a promulgação da Constituição Federal em 1988.
É baseado nele que a FUNAI, comandada pelo CIMI e pelas ONGS estrangeiras, decide de forma soberana se uma terra é "tradicionalmente" indígena ou não. Demissão é pouco.
É caso de cadeia e de rever todas as injustiças como Raposa Serra do Sol e Suiá-Missu.


CÉREBRO E COMPUTADOR

Arnaldo Niskier    

O cérebro normal de uma criança cresce até os cinco anos de idade e alcança um total de cerca de 90 bilhões de neurônios. Essa verdade não nasceu hoje, quando há um extraordinário avanço em tudo o que se refere à neurociência.

Mas é possível encontrar os prolegômenos da ideia em trabalhos como os do cientista e professor Josué de Castro, autor do célebre “Geografia da fome”.

A desnutrição nos primeiros anos de vida provoca sequelas quase sempre irreversíveis, no crescimento do cérebro. Aí pode estar também a raiz das nossas clássicas dificuldades de alfabetização (hoje, ainda temos cerca de 14 milhões de adultos analfabetos).

Crianças nutridas adequadamente e recebendo educação de alto nível poderão se transformar nos cientistas de que carecemos, como reconheceu a própria presidente Dilma Rousseff. O seu programa Ciência sem Fronteiras busca exatamente a correção desse problema crônico, na educação brasileira.
Temos é que formar de modo competente os nossos jovens
 
Entendemos que não basta enviar nossos jovens para os grandes centros mundiais de pesquisa. Eles voltam (quando voltam) e não encontram ambientes propícios ao desenvolvimento das suas habilidades. É mais um tempo desperdiçado e recursos jogados fora.

Com a interface cérebro-máquina agora existente temos possibilidades incríveis de expansão do conhecimento, mas isso não começa nas universidades e sim nos primeiros anos de escolaridade. Inovação é um conceito muito amplo, que não pode ser introjetado na cabeça dos estudantes de repente, numa determinada série. Isso vem desde cedo, com professores bem preparados e estimulados a valorizar as conquistas científicas e tecnológicas.

É claro que todos sabemos o vulto do desafio. Às vezes nos espantamos com certas decisões aparentemente incompreensíveis, como a importação de médicos cubanos, “para trabalhar no interior do país”.

Quem garante a competência deles para enfrentar os desafios da medicina tropical? Nem a desculpa de que se trata de uma solução de emergência tem cabimento, até porque isso se vai perigosamente ampliando. Começou na engenharia e agora chega à medicina.

Temos é que formar de modo competente os nossos jovens, com uma educação de primeira classe. Imaginar que a importação de cérebros estranhos à nossa realidade seja uma boa solução é tentar resolver o problema pelo facilitário.

Devemos acelerar a formação de cientistas em nosso país (existe um pequeno aumento nesse número), para aproveitar de modo inteligente a extraordinária reserva da biodiversidade brasileira.
Educando os jovens, certamente, eles irão influenciar os pais e assim se forma a equação do nosso progresso. Cérebro e computador não podem caminhar dissociados.

06 de junho de 2013
Arnaldo Niskier
Fonte: O Globo

BARROSO DIZ QUE NÃO ACEITA PRESSÃO NO MENSALÃO. É AÍ QUE MORA O PERIGO...


Aprovado pelo Senado como o 11º ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), o advogado Luís Roberto Barroso, 55, disse que pretende participar do julgamento do mensalão e que não será pautado por ninguém.
O mensalão está em sua fase final e os ministros terão de decidir se aceitam ou não determinados recursos que podem beneficiar os réus. "Eu juro aos senhores que eu não estudei o mensalão, sobretudo as questões que estão em aberto, a questão de lavagem de dinheiro e a questão de crime de quadrilha", afirmou o ministro durante sabatina no Senado. "Eu vou fazer o que eu acho certo, o que o meu coração me disser que é certo. Ninguém me pauta: nem governo, nem imprensa, nem opinião pública, nem acusados."

 Após uma demora de mais de seis meses, Barroso foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para a vaga deixada por Carlos Ayres Britto. Ontem, ele foi sabatinado por quase sete horas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e, à noite, aprovado no plenário por 59 votos a 6. Agora, a presidente Dilma irá nomeá-lo para que ele tome posse. Elogiado por senadores governistas e oposicionistas, Barroso se emocionou e quase chorou. Durante a sabatina, afirmou que o julgamento do mensalão representou um "ponto fora da curva" por que o tribunal teria adotado um posicionamento mais duro no direito penal.

Barroso disse que ouviu de três pessoas a possibilidade de ser escolhido: o advogado e ex-deputado do PT Sigmaringa Seixas, o ex-secretário Executivo da Casa Civil Beto Vasconcelos, e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Há mais de dez anos, o advogado natural de Vassouras (RJ) entrava nas listas dos cotados ao STF. Enquanto isso não ocorria, no entanto, ele atuou em importantes casos julgados nos últimos anos. Defendeu o italiano Cesare Battisti, que conseguiu ficar no Brasil, apesar do pedido de extradição de seu país de origem, e foi o responsável pelos pedidos que reconheceram a constitucionalidade, por exemplo, de aborto de fetos anencéfalos e da união homoafetiva.

Evangélico, o senador Magno Malta (PR-ES) criticou sua indicação por defender temas "contra o que pensam a maioria dos brasileiros". Na sabatina, Barroso fez uma defesa da "tolerância" e do "pensamento plural". Ontem, ao comentar sobre sua visão de direito penal, o advogado disse que defende "penas razoáveis", dando o exemplo da possibilidade de prisão domiciliar no caso de crimes não violentos.

Muito questionado sobre o chamado "ativismo judicial", Barroso defendeu que o tribunal deve agir quando houver omissão do Congresso. "Onde há uma decisão política, respeita-se; onde não há uma decisão política é preciso resolver o problema e, mais do que isso, onde haja um direito fundamental e de uma minoria, o Judiciário precisa ser mais diligente."

Na sabatina, ele defendeu o poder de investigação do Ministério Público em casos "excepcionais" e já indicou posição sobre dois temas: Lei da Anistia e questão indígena, que, em breve, podem voltar o plenário do Supremo. Sobre o primeiro, lembrou que existe uma decisão do tribunal que validou tal legislação, e uma outra, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, condenou o Brasil por não punir torturadores. Para ele, essa divergência deve ser resolvida pelo Congresso. "Quem tem competência política é que deve decidir se a hora é de uma missão de justiça ou se a hora é de uma missão de paz", disse. Sobre os índios, disse que o Supremo não é o melhor lugar para resolver o problema da demarcação.(Folha de São Paulo)
 
06 de junho de 2013
in coroneLeaks

PT COMPRA PTB DE NOVO


O PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, voltará a ter assento no governo. A presidente Dilma Rousseff decidiu nomear o presidente nacional do PTB, Benito Gama, para a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. A cadeira estava vaga desde a saída de César Borges (PR), que deixou o cargo em abril para ser ministro dos Transportes, na esteira de uma briga do PR para retomar o controle da pasta.

A escolha de Gama para a vice-presidência do Banco do Brasil foi comunicada hoje por Dilma ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que esteve com ela no Palácio do Planalto. Com a nomeação, Dilma pretende amarrar o apoio do PTB à sua campanha pela reeleição, em 2014. Jefferson, porém, disse a correligionários que uma coisa nada tem a ver com a outra. Atualmente, há negociações do PTB com o PSDB do senador Aécio Neves (MG) e até mesmo com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, possíveis rivais de Dilma, no ano que vem, na corrida ao Planalto.

Gama é baiano como César Borges e sua ida para o BB contou com o aval de Jefferson, que, em 2005, denunciou um esquema de compra de votos no governo Lula, em troca de apoio parlamentar. Ao julgar o processo de mensalão, no ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Jefferson juntamente com réus petistas, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Apesar de compor a base aliada do governo Dilma, o PTB reclama há tempos da falta de cargos no primeiro escalão. Desde que Luiz Felipe Denucci - presidente da Casa da Moeda por indicação do PTB - foi demitido em meio a denúncias de corrupção, em fevereiro do ano passado, integrantes do partido de Jefferson se queixavam da falta de espaço na administração. (Estadão)
 
06 de junho de 2013~
in coroneLeaks

DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA CHEGA A R$ 21 BILHÕES DE JANEIRO A ABRIL. SOMENTE EM ABRIL, ROMBO CHEGOU A R$ 6,18 BILHÕES

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1S8OVDGmINoOJgnREEwSDpyZ2ivPNKl569-2149XGIhrSH1AEA5XzSQGg8LZCm8ZzNloCOPYlzeUl6kLsi9vT_NYDNsNqBCi99xhc431Cstq4hsH_Tu4KTJfM1sb_0_seXTr4GserLwaQ/s1600/previdencia+rombo+luscar.jpg

O Ministério da Previdência informou nesta quinta-feira (6) que o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) somou R$ 6,18 bilhões em abril deste ano, uma alta de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado. 
De janeiro a abril deste ano, o rombo totalizou R$ 21 bilhões, ou seja, um crescimento de 28% frente aos quatro primeiros meses de 2012 (R$ 16,4 bilhões).
O pagamento de benefícios previdenciários somou R$ 113 bilhões de janeiro a abril deste ano, o que representa um aumento de 7,4% frente ao mesmo período do anterior (R$ 105,2 bilhões).

Já a arrecadação líquida do INSS somou R$ 92 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, uma elevação de 3,5% frente ao mesmo mês de 2012 - quando totalizou R$ 88,8 bilhões.


O Ministério da Previdência Social informou ainda que, em abril deste ano, foram pagos 30,3 milhões de benefícios, sendo 26,2 milhões previdenciários e acidentários e, os demais, assistenciais. 
Isso representa um crescimento de 3,7% frente ao patamar registrado em abril deste ano. Somente as aposentadorias somaram 16,9 milhões de benefícios.
Jornal do Brasil
06 de junho de 2013

E NA REPÚBLICA ASSENHOREADA PELOS FINGIDOS, TORPES, VELHACOS ETC...

Saúde: Jô Soares tenta explicar entrevista de ministro, enquanto médicos desmentem o governo

A participação do ministro Alexandre Padilha (Saúde) no Programa do Jô foi tão ridícula, que o apresentador global rompeu a edição da terça-feira se desculpando e lendo e-mails de espectadores que protestaram contra a entrevista que soou como encomendada. 
Diante da “saia justa”, Jô Soares aceitou receber no programa, para entrevista, representantes da classe médica que rebaterão a fala ufanista de Padilha.
A saúde pública está pela hora da morte, mas o apresentador da Vênus Platinada preferiu se fazer de inocente, cumprindo as ordens palacianas, até porque Alexandre Padilha continua como pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. E nada melhor do que fazer gazeta em São Paulo, apesar de o programa ser transmitido em rede nacional.

Amestrado e obediente aos mandos vindos da cúpula do partido, Alexandre Padilha tentou defender, sem sucesso e convencimento, a “importação” de médicos estrangeiros, que foi estendida a profissionais europeus como forma de dar guarida à tentativa palaciana de trazer ao País seis mil agentes da ditadura cubana.

 
Para contrariar a alegada falta de profissionais da medicina no País, o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul publicou na quarta-feira (5), no jornal Zero Hora, um manifesto em que discorda da alegação do governo. De acordo com o Palácio do Planalto, o Brasil tem carência de pelo menos 50 mil médicos, mas em Porto Alegre existem 8 médicos para cada 100 mil habitantes, o triplo da média registrada na Inglaterra, país que foi usado como exemplo pelo ministro Alexandre Padilha para defender a decisão do governo.

A posição ideológica dos palacianos torna-se ainda mais insustentável quando descobre-se que no Brasil existe dobro do número de médicos preconizado pelo Ministério da Saúde, faltando apenas contratá-los para preencher as vagas do SUS. Se as contratações não correm por falta de interesse dos profissionais, por certo é porque as localidades onde deverão trabalhar não apresentam condições atrativas. 

Ainda na nota publicada no ZH, o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul destaca que no estado faltam pelo menos dez mil brigadianos (policiais militares), mas seria descabido “importar” policiais. Ao final, o Sindicato afirma que a proposta do governo de Dilma Rousseff é demagógica.
O ucho.info, repetindo o que noticiou em primeira mão, afirma que se trata de uma operação meramente ideológica, cujo objetivo é despejar no País milhares de agentes cubanos disfarçados de médicos para catequizar de vez os incautos que ainda acreditam nos discursos utópicos da esquerda verde-loura. 
Não custa lembrar que desde a chegada de Lula ao poder central, em 2003, o PT avança paulatinamente com seu projeto totalitarista de poder, o que transformará o Brasil na versão agigantada da vizinha Venezuela, cujo governo compra quatorze jatos da Embraer ao mesmo tempo em que não sabe como lidar com o desabastecimento de papel higiênico no mercado interno.
ucho.info
06 de junho de 2013
 

ENQUANTO ISSO NO BRASIL MARAVILHA DOS FARSANTES... TESOURO SENTE O BAQUE.


A equipe econômica avalia com cautela a perda de atratividade dos papéis emitidos pelo Tesouro Nacional.

Uma fonte graduada explicou ao Correio que a queda no volume de compra e venda desses títulos no chamado mercado secundário, no qual empresas e bancos negociam os ativos entre si, tornou-se uma preocupação a mais para o governo, que precisa financiar com os investidores para cobrir os crescentes rombo no caixa.

Em abril, o total financeiro médio registrado nessas operações encolheu quase R$ 5 bilhões ao dia. Houve recuo nas operações com praticamente todos os papéis ofertados pelo Tesouro, o que mostra um menor apetite dos poupadores para esse tipo de aplicação.

Nas palavras da fonte, quanto menos os investidores ganharem com essas aplicações, maiores serão as cobranças por prêmios mais gordos pagos pelo governo para vender os títulos. Isso se deve ao chamado spread nas operações.

Se o aplicador compra um papel a R$ 100 e o vende por R$ 98, ele provavelmente não aceitará pagar novamente R$ 100 na próxima vez que o Tesouro for ao mercado ofertar aquele título. Vai exigir um extra para cobrir eventuais prejuízos.

Felipe Chad, diretor da corretora DX Investimentos, aconselha aos investidores que comprem os papéis indexados à inflação apenas se o objetivo de retorno for a longo prazo.

O ideal, na visão dele, é não se desfazer dos títulos do Tesouro até o vencimento. "Esses papéis estão pagando inflação mais 3%. É um bom ganho real se considerado o cenário atual. Mas, para obter o resultado, é preciso ficar com os papéis até o fim, não repassá-los no meio do caminho", explicou.

Para ele, se a intenção do investidor for comprar um título do governo por um período curto, de um ano ou dois, é melhor procurar outra opção de investimento para proteger o patrimônio.

O governo já sente as consequências da menor procura por papéis. Em 2012, o prêmio pago pelo Tesouro aos investidores costumava ser de 0,10 ponto percentual acima da remuneração paga pelos contratos de juros futuros.

Neste ano, essa diferença aumentou para 0,15 ponto e há papéis em que o prêmio cehga a 0,20 ponto para evitar um fracasso nos leilões semanais de títulos do Tesouro.

Correio Braziliense
06 de junho de 2013

CÉLULAS-TRONCO SERÁO CHAVE PARA ENTENDER ALZHEIMER

 
 Jornal do Brasil

As células-tronco serão peças-chave para encontrar a cura da doença de Alzheimer. Quanto a isso o neurocientista Lawrence Goldstein, professor da Universidade da Califórnia em San Diego e um dos principais pesquisadores da área, não tem dúvidas.
Mas Goldstein não vê futuro em pesquisas que buscam desenvolver terapias de substituição dos neurônios defeituosos. Para ele, as células-tronco são, na verdade, ferramentas que permitirão compreender o que acontece de errado no cérebro e leva ao desenvolvimento da doença.
Com auxílio da tecnologia que permite criar células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês), o cientista desenvolveu um método que permite transformar células da pele de pacientes com Alzheimer em neurônios. O objetivo, agora, é estudar neurônios de portadores de uma forma hereditária da doença para descobrir quais são os processos bioquímicos alterados que poderiam ser manipulados – por meio de drogas ou métodos genéticos – a fim de reverter o problema.
De passagem por Campinas para participar do workshop “Advanced Topics in Genomics and Cell Biology” – organizado em maio pelo Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTAD) e pelo Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG), com apoio da FAPESP –, Lawrence revelou à Agência FAPESP detalhes sobre os estudos em andamento.
Agência FAPESP – O senhor é considerado um dos maiores defensores das pesquisas com células-tronco nos Estados Unidos. Acredita que elas permitirão desenvolver uma terapia para a doença de Alzheimer? 
Lawrence Goldstein – Essa não é a abordagem do meu laboratório. Há grupos que tentam desenvolver terapias para Alzheimer usando células-tronco, mas sou cético em relação a isso. Uma vez que a doença se instala e se espalha no cérebro, não penso que seja possível substituir os neurônios defeituosos – pelo menos não com a tecnologia atualmente disponível. Até onde eu sei, os defensores dessa ideia acreditam que as células-tronco poderão ser benéficas por liberar fatores de crescimento que ajudam a manter o funcionamento normal dos neurônios. Mas, se isso for verdade, seria mais simples ativar esse mecanismo por meio de drogas do que pelo transplante de células para o cérebro. Mas é claro que essas pesquisas nos fornecem pistas importantes sobre quais mecanismos devem ser ativados. Não acredito que as células-tronco em si levarão a uma terapia, mas sou a favor de que se façam os experimentos, pois posso estar errado.
Agência FAPESP – Como, então, as células-tronco podem ser úteis no que se refere à doença de Alzheimer? 
Goldstein – Elas são importantes ferramentas para entender o que acontece de errado no cérebro que leva ao desenvolvimento da doença. Sempre foi muito difícil testar as hipóteses, pois tudo que havia disponível eram modelos animais, cérebros de cadáveres humanos ou células humanas não neuronais nas quais se tentava mimetizar as condições da doença. É complicado retirar células do cérebro de um paciente vivo com Alzheimer para estudá-las, então desenvolvemos um método para criar neurônios in vitro a partir de células da pele desse paciente – fáceis de obter por meio de uma biópsia. Fizemos isso com a tecnologia que permite criar células-tronco pluripotentes induzidas desenvolvida por Shinya Yamanaka (pesquisador da Universidade de Kyoto que venceu o Nobel de Medicina de 2012 pelo método). Em seguida, induzimos a diferenciação em células-tronco neuronais e depois em neurônios, que podemos tratar com drogas e manipular geneticamente para ver o que acontece com a bioquímica cerebral.
Agência FAPESP – Por que optou pelas células IPS e não pelas células-tronco embrionárias? Foi por facilidade ou por questões éticas? 
Goldstein – As células embrionárias foram usadas para desenvolver partes do método. Mas o tipo de experimento genético que estamos fazendo – para tentar descobrir como mutações causam determinados efeitos nos neurônios – requer a tecnologia IPS. Estamos tentando capturar a arquitetura genética única de cada indivíduo. Em vez de fazer uma biópsia do cérebro dessa pessoa, criamos neurônios usando uma célula de sua pele. Começamos os experimentos logo depois que Yamanaka publicou o método, em 2007. Mas levou um tempo para fazer a linhagem de células, caracterizá-las, testá-las. Publicamos nosso método na Nature em 2012.
Agência FAPESP – Quais experimentos vocês já fizeram até o momento? 
Goldstein – Pegamos células da pele de seis voluntários – dois saudáveis, dois com a forma esporádica da doença, que corresponde a 99% dos casos, e dois com uma forma hereditária de Alzheimer. Pacientes com essa mutação hereditária possuem uma cópia extra de um gene que codifica a proteína precursora de amiloide (APP, na sigla em inglês). Em vez de ter dois genes da APP, eles têm três, ou seja, produzem uma quantidade 50% maior dessa proteína e isso lhes dá praticamente 100% de chance de desenvolver a doença por volta dos 40 anos. Das amostras de cada um dos seis voluntários, cultivamos três ou mais linhagens de células IPS, somando ao todo 18 linhagens. A razão de fazer várias linhagens é ter uma maior variabilidade, o que permite saber qual é o comportamento médio gerado pelo genoma de cada paciente. Induzimos a diferenciação em cada uma das 18 linhagens e cultivamos um tipo celular chamado progenitor neuronal ou célula-tronco neuronal e então purificamos. Depois, induzimos a diferenciação em neurônios. Os resultados preliminares mostram que, nos neurônios de pacientes com a forma hereditária da doença, o comportamento bioquímico está anormal. Nos neurônios dos voluntários saudáveis, ainda não encontramos anormalidades bioquímicas consistentes. Já nos neurônios dos voluntários com Alzheimer esporádico, metade estava normal e a outra metade, alterada. Acreditamos que essa anormalidade bioquímica é parte importante da fase inicial da doença.
Agência FAPESP – Essa proteína APP está relacionada à formação das placas no cérebro que se acredita ser a causa da degeneração dos neurônios? 
Goldstein – A maior parte das pesquisas no campo de Alzheimer tem sido direcionada pela chamada “hipótese da cascata amiloide”. Segundo essa teoria, o peptídeo beta-amiloide (A-beta, na sigla em inglês) – um fragmento da proteína APP – tende a se agregar e a formar placas que causam um efeito tóxico para os neurônios, impedindo as sinapses e levando à morte celular. Mas a tentativa de comprovar essa hipótese falhou em todos os testes clínicos com humanos e em experimentos com animais. As pesquisas farmacêuticas tentaram criar inibidores da enzima gama-secretase, responsável por quebrar a APP. Mas essa enzima age em mais de uma centena de proteínas, o que significa que essa droga altera diversos processos biológicos. Apesar de causar muitos efeitos colaterais, não melhorou a função cognitiva dos pacientes que a testaram. Outra estratégia tem sido estimular o sistema imune a criar uma resposta contra o peptídeo A-beta, na tentativa de limpar o cérebro e evitar a formação das placas. Também não apresentou resultados. Os defensores dessa estratégia afirmam que essa é uma abordagem de prevenção e, portanto, não traria benefícios para pessoas que já estão doentes. É difícil testar um método preventivo quando não se sabe quem vai ficar doente, mas um teste clínico que acabou de começar vai tentar fazer isso.
Agência FAPESP – Como? 
Goldstein – Em parceria com o governo americano, a empresa Genentech vai injetar o anticorpo contra o peptídeo A-beta em um grupo de 150 voluntários. Todos são pertencentes a uma grande família da Colômbia que possui uma forma hereditária da doença. Eles serão divididos em grupos de 50. Aqueles que não têm a mutação serão o grupo controle. Um segundo grupo com a mutação, mas ainda sem sintomas, será imunizado. O terceiro grupo, de portadores da mutação, não será imunizado. O experimento deve durar cinco anos e custará US$ 100 milhões. Se o anticorpo conseguir prevenir ou retardar o desenvolvimento da doença nos portadores da mutação genética, será uma forte evidência a favor da hipótese da cascata amiloide.
Agência FAPESP – Mas pesquisas já mostraram a presença dessas placas no cérebro de pessoas sem sintomas da doença. 
Goldstein – Existe essa questão, de fato. Os defensores da hipótese da cascata amiloide podem dizer que, nesses casos, as placas estavam em regiões do cérebro não relacionadas ao Alzheimer. Eles podem dar muitos argumentos persuasivos. Mas eu, particularmente, não concordo com eles. É verdade que, quando você injeta esses peptídeos A-beta no cérebro de roedores, eles ficam com sintomas. Mas será que esses dados são significativos para humanos? O ponto em que todos concordamos é: a mudança no processamento da proteína APP está relacionada com a doença – a forma como ela é clivada e para onde vão seus pedaços. Mas discordamos sobre o efeito tóxico dos peptídeos A-beta sobre os neurônios. Eu penso que o fator importante é que eles competem pelo maquinário de transporte usado para carregar os materiais necessários para que as sinapses ocorram.
Agência FAPESP – De que forma? 
Goldstein – O neurônio é uma célula grande e é preciso um maquinário para levar os materiais necessários para a comunicação de um neurônio com outro até a região em que a sinapse acontece. Esses materiais incluem, por exemplo, pacotes de enzimas que produzem os neurotransmissores e receptores para os fatores de crescimento. Há uma série de coisas que precisam ser entregues no lugar certo para que as sinapses ocorram. A questão desconhecida é: se houver uma queda de 10% nessa entrega de materiais já é suficiente para haver mau funcionamento da sinapse? Não sabemos qual é o limiar para o mau funcionamento. Acredito que o fator inicial para o desenvolvimento da doença não seja, necessariamente, uma grande mudança. Se o peptídeo A-beta fosse realmente muito tóxico para as sinapses, estaríamos todos mortos. Talvez ele tenha uma toxicidade muito pequena e seu efeito se acumule ao longo do tempo. A pergunta realmente importante é: será que os fragmentos A-beta são os únicos responsáveis pelas alterações bioquímicas ou será que outras partes da proteína contribuem para o processo? Ou será que essas outras partes são as verdadeiras culpadas e a formação da placa é um problema secundário? Isso ainda não está bem definido na minha mente.
Agência FAPESP – Qual é a função da proteína APP no cérebro? 
Goldstein – Também há muita discussão sobre isso. Pesquisas mostraram que, se você remove essa proteína totalmente do cérebro de um camundongo por meio de manipulação genética, o animal não morre, mas fica com o desenvolvimento comprometido. Há três diferentes versões desse gene no genoma de todos mamíferos. Quando você silencia o gene da APP, os outros dois assumem algumas de suas funções. Então é difícil saber o que realmente acontece. Nós argumentamos que, quando se remove a proteína APP, ocorrem alterações no transporte de certos materiais para as sinapses. Mas não é uma alteração catastrófica. São mudanças quantitativas e é fácil não percebê-las em um experimento. Outros grupos de pesquisa afirmam que a APP está ligada à resposta dos neurônios a danos físicos. E há ainda evidências de que ela atue em vias de sinalização de longa distância. Isso é interessante, pois um dos principais fatores ambientais de risco para o desenvolvimento de Alzheimer é o traumatismo craniano.
Agência FAPESP – Qual seria a relação do trauma físico com a doença? 
Goldstein – Provavelmente, o que acontece nessas situações são interrupções nessas vias de comunicação a longa distância e o processamento da APP se altera nesses locais. Pode ser que a clivagem da APP seja induzida e os produtos resultantes se acumulem. Mas ainda não sabemos. Trata-se de um caminho de pesquisa muito importante a seguir, mas não foi feito ainda porque todo o campo sofre com subfinanciamento. Nos Estados Unidos, segundo estimativas conservadoras, gastam-se US$ 200 bilhões ao ano com o tratamento de pacientes com Alzheimer. E gastamos cerca de US$ 500 milhões apenas no tipo de pesquisa que fazemos para tentar descobrir as causas primárias da doença. A relação é de 400 para um. É ridículo. Estamos jogando dinheiro fora.
Agência FAPESP – Há outras alterações bioquímicas conhecidas relacionadas à doença de Alzheimer? 
Goldstein – Uma das principais mudanças observadas no cérebro de pessoas que morreram com a doença, além das placas amiloides, é a formação de emaranhados neurofibrilares. Aqueles que defendem a teoria da toxicidade do peptídeo A-beta afirmam que, de alguma forma, eles ativam enzimas que modificam uma proteína chamada TAU. Essas enzimas acrescentam à TAU um grupo fosfato e isso faz com que essa proteína se agregue aos microtúbulos axônicos [por onde os materiais necessários às sinapses são transportados] formando esses emaranhados. Defendo a hipótese de que, em resposta a essa alteração no transporte de materiais, o neurônio tenta remover do caminho os emaranhados que atuam como pequenos redutores de velocidade. Ao remover a proteína TAU aberrante do microtúbulo, no entanto, o comportamento de vários dos carregamentos é alterado e isso pode ser o início do processo degenerativo. Mas ainda não está claro o que acontece com a biologia normal para virar doença. O que tentamos descobrir é como uma pequena mudança leva a esse longo e lento declínio. E em algumas pessoas apenas – não em todas. Nenhuma hipótese, até o momento, descreveu adequadamente quais são os eventos que levam a esse comportamento aberrante da proteína TAU. Mas as ferramentas eram limitadas. Agora, acreditamos que, com verdadeiros neurônios humanos submetidos às alterações bioquímicas da doença in vitro, podemos descobrir o quebra-cabeça.
Agência FAPESP – Como o senhor pretende fazer isso? 
Goldstein – Nos neurônios de pacientes com a forma hereditária da doença, queremos ver qual é o efeito do aumento na concentração de APP – causado pela cópia extra do gene – sobre a proteína TAU. Depois poderemos testar drogas para tentar modificar esse resultado. Com certeza serão drogas muito úteis. Mas, antes de fazer essa triagem de drogas, precisamos padronizar melhor o método para que os neurônios se comportem da mesma maneira todos os dias em todos os ensaios. Nosso plano é testar 50 mil drogas, o que é um número pequeno. Quando os grandes laboratórios fazem suas triagens iniciais, avaliam cerca de 1 milhão. É o que conseguimos fazer no âmbito acadêmico.
Agência FAPESP – O senhor acredita que esses experimentos com neurônios in vitro poderão levar ao desenvolvimento de métodos de diagnóstico ou de tratamento? 
Goldstein – Há dois grandes usos e um deles, sem dúvida, é o diagnóstico. Pretendemos testar se esses neurônios com a arquitetura genética única de uma pessoa permitirão prever se e quando esse indivíduo desenvolverá a doença. Para isso, teremos de fazer um grande experimento e, antes disso, precisamos aperfeiçoar a tecnologia. Isso é factível, mas é um trabalho imenso e requer muito dinheiro. Estamos procurando maneiras de diminuir os custos. Mas alguém pode perguntar: qual é a vantagem de ter o diagnóstico se não há drogas para tratar? Métodos para identificar quem vai desenvolver a doença podem ser muito úteis em testes clínicos de novas terapias. Se você trata uma pessoa que, de qualquer forma, não desenvolveria a doença, sua estatística fica bagunçada. O segundo uso, e talvez o mais importante, no entanto, é entender o que acontece de errado, descobrir quais os passos alterados na doença capazes de serem manipulados – seja com drogas ou com métodos genéticos – para reverter o problema.
Agência FAPESP – O que é o projeto Craig Venter que o senhor mencionou em sua apresentação? 
Goldstein – John Craig Venter é um biólogo americano que teve seu genoma completamente sequenciado. Nós fizemos células IPS a partir de células da pele de Venter. Isso é interessante porque conhecemos todos os seus fatores de risco para o desenvolvimento de doenças. Se tivermos uma hipótese sobre como um fator de risco individual afeta a bioquímica dos neurônios de Venter in vitro, poderemos testar essa hipótese diretamente usando tecnologia genética para alterar aquele fator de risco em particular e manter todo o resto constante. Além disso, estamos colocando mutações que sabidamente causam Alzheimer nas células IPS de Venter para então estudar o que isso altera no funcionamento dos neurônios. O mesmo princípio pode ser usado por pesquisadores que investigam outras doenças e, por isso, depositamos as células IPS de Venter em um banco celular.  
06 de junho de 2013
 Agência Fapesp

"OS VIGARISTAS NO PODER IMAGINAM QUE ENGANAÇÃO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE"

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Nos primeiros quatro meses deste ano, informou o jornalista Lauro Jardim em sua coluna, a Petrobras ficou pior no retrato desenhado por números perturbadores. E o déficit da balança de petróleo e derivados registrou um recorde histórico: 6 bilhões de dólares. Mais de 12 bilhões de reais. É coisa de assustar economista argentino. Mas insuficiente para incutir algum juízo na cabeça baldia de Dilma Rousseff.
 
A presidente continua recitando que tudo vai bem no Brasil Maravilha, constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Há 15 dias, por exemplo, durante o comício em Pernambuco que festejou o banho de mar inaugural do navio Zumbi dos Palmares, Dilma fez um dueto com Graça Foster para cantar as glórias que iluminam os horizontes da Petrobras. Em 2018, adivinhou a presidente da empresa, a produção terá chegado a 4 milhões de barris por dia.
 
Foi a senha para outra decolagem em dilmês rústico: “E eu quero, dessa história, contar o melhor pra vocês: o melhor não é, não está aqui hoje, no presente, só. O presente é o momento que nós temos de comemorar. Mas o melhor é o futuro. E acho que uma das coisas importantes que a Graça Foster falou aqui é que a Petrobras vai produzir, daqui a pouco, 4 milhões de barris. Depois, ela vai produzir, daqui mais um pouco, 5 milhões de barris.”
 
Desde agosto de 2006, quando Lula anunciou a Conquista da Autossuficiência que nunca existiu, os parteiros do Brasil Maravilha dedilham a lira do delírio sempre que o tema é a Petrobras. Em setembro de 2009, na discurseira triunfalista transmitida por uma cadeia nacional de rádio e TV, o palanque ambulante proclamou a Segunda Independência, financiada pelas jazidas do pré-sal, concedeu ao colosso no fundo do mar o título de “Dádiva de Deus” e reduziu a traidores da pátria os que haviam ousado duvidar da eficácia da Petrobras.
 
Entre a Conquista da Autossuficiência e a Proclamação da Segunda Independência, Dilma Rousseff descobriu o pré-sal. “É um recurso tão importante para a nossa geração e próximas que é de fato um conjunto da população brasileira”, desandou em agosto de 2008. “Isso define o princípio que vai nortear o governo sobre seu uso, que é tomar todas as medidas para transformar esse grande recurso em fonte que vai permitir que os brasileiros tenham melhoria da educação, das condições que permitirão que avancemos em direção à sociedade do conhecimento, que inova e faz pesquisa, e pela forma que chegamos ao pré-sal”.
 
Quem ouviu o palavrório só conseguiu entender que a candidata à Presidência não conseguia expressar de modo inteligível o que achava do assunto. Passados quase cinco anos, está claro para o Brasil que pensa que Dilma não diz coisas compreensíveis sobre assunto algum. Apesar disso, ou por isso mesmo, a Doutora em Nada ameaça o país com um segundo mandato. Os vigaristas no poder imaginam que enganação não tem prazo de validade.

06 de junho de 2013
Augusto Nunes, Veja