Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
DEMOCRACIA À BRASILEIRA
Democracia à brasileira, com um ex-presidente que se recusa a deixar o poder e uma presidente que se recusa a exercer o poder.
Acho que todos têm curiosidade e gostariam de assistir ou ouvir o próximo diálogo entre o ex-presidente Lula e a atual presidente Dilma Rousseff, a respeito da situação do ministro do Esporte, Orlando Dias, que está exatamente igual ao antigo programa humorístico da Rádio NacionaL: “Balança…, balança…, mas não cai”.
Ontem, em mais um eletrizante capítulo dessa novela político-administrativa, o milionário policial militar João Dias Ferreira compareceu à Polícia Federal em Brasília, para entregar os áudios de uma conversa que teve com funcionários do alto escalão do Ministério do Esporte em abril do ano passado.
Nesse emocionante encontro, Fábio Hansen, então chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional (responsável pelo fraudado programa Segundo Tempo), e Charles Rocha, na época chefe de gabinete da Secretaria Executiva do ministério, orientam João Dias sobre como se livrar das acusações de desvio de verbas públicas repassadas pela pasta.
Como se sabe, as ONGs do policial são acusadas de desviar R$ 3,2 milhões do ministério, e João Dias Ferreira, ex-militante do PCdoB, é o delator do esquema de corrupção no Ministério do Esporte envolvendo o ministro Orlando Silva.
(A imprensa o chama de PM, mas é dificil acreditar que um homem que ficou milionário como ele, às custas da corrupção, continue envergando a farda, na ativa. Se continua, deve estar, no mínimo, licenciado. Afinal, não veste farda, não fica de serviço, está sempre à paisana. Que PM é esse, Francelino? Por Zeus, nos responda!)
Pois o tal PM (?) milionário acusa Orlando Silva de desviar recursos do programa Segundo Tempo por meio de ONGs de fachada. Segundo o policial (?), funcionava uma central de propina no ministério, com o fim de arrecadar recursos para o PCdoB.
O tal PM (?) diz ainda ter mantido diversos encontros informais com o ministro do Esporte, seu correligionário, amigo de fé e camarada (como se tratam os filiados ao PCdoB, acreditem se quiser).
Orlando Silva, é claro, solta a voz e nega as acusações, desafiando o policial (?) a apresentar provas. Pois é exatamente isso que João Dias Ferreira vem fazendo, mas a contagotas, devagarinho, submetendo o ministro a uma espécie de tortura chinesa.
Com as novas denúncias, será que o ex-presidente Lula ainda vai insistir, obrigando (a palavra é exatamente esta) a presidente Dilma Rousseff a manter esse ministro trapalhão e corrupto, que desmoraliza os comunistas brasileiros?
O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, já sinalizou que Orlando Silva será demitido por Dilma Rousseff, ao declarar que a situação ainda não está decidida.
Mas e Lula? O que dirá ao ligar ou se encontrar de novo com a presidente?
É uma situação verdadeiramente patética, com um ex-presidente que se recusa a deixar o poder e uma presidente que se recusa a exercer o poder. Parece peça de ficção, mas é a realidade, que jamais na historia deste país nenhum ficcionista ousaria criar.
Carlos Newton
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A FORTUNA DO "OPERÁRIO COMUNISTA" LULLALAU, O CASCO DURO
A pobreza deste homem que não sabia e nem sabe de nada...
Sobre o novo mimo que Lula está adquirindo para seu lazer, Cláudio Humberto escreve o seguinte. 'A casa comprada por Lula junto à cooperativa habitacional Bancoop, no Guarujá (SP), fica no condomínio Iporanga, onde veraneiam o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e a viúva do ex-ministro de FHC Sérgio Motta.
Não custam menos de R$ 2 milhões, cada. O presidente e a mulher, d. Marisa passaram boa parte das férias do verão passado na casa de Bastos, nesse condomínio de classe alta, quando decidiram comprar o imóvel '.. Lula, vamos dizer assim, 'trabalhou' 22 anos e foi aposentado por ter estado um dia inteiro como preso político. Recebe do Instituto de Previdência o valor liquido MENSAL de R$ 6.956,40.
Um simples mortal HONESTO que como ele não foi funcionário público, terá que trabalhar 35 anos para aposentar-se e receberá o benefício máximo pago hoje pela Previdência de R$ 2.894,28.
Caso Lula recebesse esse teto levaria 57 anos para comprar seu apartamento , mas Lula não tem instrução nem habilitação para receber o teto do benefício, como disse Brizola (em um de seus raros momentos de lucidez) 'nem bom torneiro mecânico foi', haja vista sua mutilação profissional (alias, que se sabe de fonte segura... foi feita COM ANESTESIA... pois era moda naquela epoca ( entre os espertinhos...) se cortar o dedo na prensa para se aposentar no mole (varios colegas do lula e tambem o irmão dele, tem esse dedinho decepado... que gente esperta e honesta, não ????? outro PS: pessoas que trabalham nessa maquina AFIRMAM = é impossivel POR ACIDENTE se decepar o dedinho da mão esquerda, ele nada tem a ver com os dedos que se usam para trabalhar nessa maquina...
PORTANTO = FRAUDE PURA !!!
Se Lula recebesse mil reais por mês, o tempo para a compra dessa modesta casinha de 2 milhoes... seria de 165 anos, se fosse R$ 500,00 passaria a 330 anos pagando e finalmente se fosse o salário mínimo seriam 450 anos. Mas ele pagará a Vista !!!
E dizer que entre os anos de 1989 a 1998 Lula nem casa tinha, pois, como ele sempre declarou..... morava de graça na casa de seu compadre Roberto Teixeira sem pagar nada.
Portanto nesses quase 10 anos o presidente da República conseguiu comprar um apartamento de cobertura em São Bernardo.
Mas o salario na presidencia é baixo... QUE MILAGRE É ESSE ?
Pois É... ME ENGANA QUE EU GOSTO...
LULA ROUBA e o povo brasileiro paga a conta... Outro dia Lula queixava-se numa roda de amigos que tinha que arrumar outra aposentadoria para continuar mantendo o atual padrão de vida.
Sugiro que o presidente peça ajuda ao seu fenomenal filho, que num curto e magico período, depois que o pai chegou à presidência, passou de pequeno funcionário do Zoológico (estagiário com 600 reais de salario) a grande fazendeiro de gado..
Vocês sabiam que o filho do presidente Lula, o Lulinha, que há 05 anos era empregado do zoológico em São Paulo, acabou de comprar a fazenda Fortaleza (de porteira fechada) localizada às margens da rodovia Marechal Rondon, município de Valparaíso-SP, de propriedade do sr. José Carlos Prata Cunha, um dos maiores produtores de nelore do Brasil, pela simples bagatela de R$ 47.000.000,00 (quarenta e sete milhões de reais), e a imprensa, não divulgou!!!! como isso é possível???????
Nada contra o pecuarista que é muito conhecido no meio, mas onde o Lulinha arrumou esta grana toda?
Será verdade?
Se for como ele é inteligente, né? E viva a farra do BOI...
Tem também aquela conversa mole, mal contada, da Telemar, dos cinco milhões por mês.........
Pode até ser como Lula disse: 'que ninguém tem a autoridade ética e moral do PT ', acho que ele está certo = se isso é verdade, precisaremos reerguer o PRESIDIO CARANDIRU so para abrigar toda essa etica e moral petista pois ao que parece, ladroeira mudou de nome.......
Pobre Brasil... que por seus ignorantes, e pelos cegos intelectualoides,
elege e glorifica esse LULA SAFADO e sua quadrilha petista e cumplices!
Por Giulio Sanmartini
UPEC
A AZÊMOLA MAIS BEM PAGA DO MUNDO
Eu, cá com os meus botões, tenho sérias dúvidas sobre essas fortunas que se dizem pagar para um energúmeno como Lula dizer que “um operário sem um dedo fez mais que Steve Jobs e Bill Gates”, como foi dito por ele numa palestra supostamente patrocinada pelo Bank of America.
Banqueiros não são burros e sabem muito bem que essa azêmola não consegue balbuciar duas palavras sequer que lhes possam ser de alguma utilidade, portanto, não iriam gastar seu rico dinheirinho à toa, a não ser que essas tais palestras sejam com o intuito de divertir apenas: devem achar Lula bem mais engraçado que o Steve Martin ou Eddie Murphy.
Caso não seja isso, que tem lavagem de grana nas paradas, lá isso tem.
Ou então o mundo enlouqueceu de vez.
Por Ricardo Froes
ENQUANTO ISSO, NA CASA DO ESPANTO... UM ESPANTO!
A Casa do Espanto se supera: filho de Lobão aparteia Sarney para propor que a corrupção seja considerada crime hediondo
Emocionado com o discurso do senador José Sarney que qualificou de “uma chaga da nossa sociedade” a impunidade dos homicidas, o senador Lobão Filho aparteou o orador para avisar que apresentará até quinta-feira um projeto de lei que transforma a corrupção em crime hediondo.
Segundo a legislação, delitos enquadrados nessa categoria, como o homicídio qualificado e o tráfico de drogas, não admitem fiança, são punidos com mais severidade e obrigam os condenados a cumprirem a pena em presídios de segurança máxima.
Sim, parece piada. Mas é só o Brasil.
Quem subiu à tribuna para exigir que os pecadores sejam castigados foi Madre Superiora, animadíssimo com a estatização da Fundação José Sarney, penúltima delinquência cometida pela Famiglia (veja reportagem na seção O País quer Saber).
E quem promete jogar pesado em favor da moral e dos bons costumes é o filho e suplente do ministro Edison Lobão, vulgo Magro Velho.
“O crime de desvio de recurso público na área da saúde, da educação, tem um poder de homicídio em massa”, entusiasmou-se Lobinho ao anunciar “uma contribuição à ideia de Vossa Excelência”.
Sarney matou a bola no peito, baixou no gramado e devolveu de trivela. Depois de cumprimentar o colega do PMDB maranhense pela feliz iniciativa, jurou que se sentia “profundamente gratificado por ter sensibilizado o Senado para o problema da impunidade”.
Não, nenhum dos dois ficou maluco. É que a dupla está cansada de saber que, se uma coisa dessas for aprovada e a Justiça fizer o que deve, a Casa do Espanto será fechada por falta de quórum.
augusto nunes
GARIS ATROPELADOS E MORTOS POR BEBUM
Na madrugada de Sábado tres funcionários da limpeza urbana da prefeitura de SP, mais conhecidos como garis, faziam a limpeza no canteiro central da marginal Pinheiros quando subitamente um playboyzinho de merda com o fucinho cheio de cachaça e sabe-se-lá o que mais, atropelou os três trabalhadores, matou dois e mandou outro para o hospital com fraturas multiplas.
Após o acidente o motorista se negou a fazer o teste do bafômetro e foi avaliado clinicamente como embriagado.
Na minha opinião, a partir do momento em que uma pessoa se nega a fazer o bafômetro já é uma admissão de culpa, uma vez que quem não deve não teme.
A imprensa noticiou o ocorrido, alguns telejornais deram uma nota ou reportagem pequena outros simplesmente ignoraram o fato.
Mas o barulho que vimos quando dos outros acidentes onde os mortos eram pessoas de classe média/alta já não foi o mesmo. Será porque os mortos e ferido no acidente eram pessoas simples trabalhadores invisíveis na sociedade brasileira? Ou porque essa situação de cachaceiros irresponsáveis a bordo de seus supercarrões cometendo atrocidades no trânsito já virou lugar comum e ninguém mais dá a mínima para essas mortes?
O que sei é que mais vidas foram ceifadas por conta da irresponsabilidade de idiotas que bebem e saem dirigindo pela cidade acreditando na impunidade e pouco ligando para a vida humana. O assassino está em cana à espera de um Habeas Corpus que certamente sairá em mais algumas horas e vai passar os próximos quinze/vinte anos dirigindo e bebendo, empurrando o processo com a barriga contando com a já manjada ineficiência do judiciário e os buracos nas leis mal feitas de um país de bosta.
Todos os que mataram inocentes nos últimos meses por conta da soma entre direção é álcool estão livres, leves, soltos e dirigindo. E os punidos são sempre os que não tem culpa alguma pela irresponsabilidade de cretinos desse gabarito que acabam sendo vítimas deles. Os mortos e feridos não recebem indenizações, e na maioria dos casos nem a solidariedade das familias dos culpados, recebem um atendimento médico de péssima qualidade do estado que acaba se tornando co-responsável pela tragédia e é obrigado tratar por anos à fio as sequelas dos que sobreviveram no falido sistema público de saúde atravéz dos nossos impostos, e os vagabundos do volante não são responsabilizados a ressarcir o estado pelos custos que eles causaram .
Como eu já disse em outra postagem, vamos aguardar para ver a nova tragédia do trânsito que virá, com novos mortos e feridos, e mais um playboyzinho de merda e embriagado, livre por conta de leis fajutas e advogados extremamente rápidos em tirar seus clientes da cadeia.
E viva o Brasil o país do pão, circo e impunidade!!!!
mascate
HISTORINHAS DO ZÉ DIRCEU
O chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão(*) sai em defesa do Ministro do Esporte.
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu afirmou hoje que, mesmo sem provas, a oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff está fazendo uso político das denúncias contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva, para tentar derrubar mais um integrante do primeiro escalão do governo federal.
Segundo Dirceu, partidos como PSDB, DEM e PPS montaram "mais uma operação política para tirar um ministro do governo". Para o ex-ministro, pode haver desvio de verbas em convênios do ministério, mas "prefeito é responsável, ONG é responsável". >"Não quer dizer que a presidente da República, o partido ou o ministro estão envolvidos".
Para ele, o governo agiu certo ao não afastar Orlando Silva porque não pode "fazer pré-julgamento nem aceitar linchamento" sem a devida investigação.
Com relação aos outros ministros que saíram do governo - e à sua própria saída do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, de acordo com Dirceu, foram questões "políticas" ou decisão dos próprios acusados de irregularidades, como Antônio Palocci.(Do Estadão)
coroneLeaks
"A DEMOCRACIA PRECISA SER APRIMORADA A PARTIR DE UMA REFORMA POLÍTICA"
A procuradora do Distrito Federal, Roberta Fragoso Kaufmann, está convicta de que a Justiça poderá exercer o seu papel na plenitude, bastando apenas combater a ideia de impunidade, que é o sentimento geral do brasileiro. É preciso que a população volte a acreditar no Poder Judiciário, não sendo admissível “esperar vinte, quinze anos para que um réu confesso comece a executar a pena”.
Ela acrescenta que a lentidão é, em parte, causa desse sentimento de impunidade, que considera muito mais grave do que, “eventualmente, alguma lesão a um direito individual”. Na entrevista, também afirma que algumas leis no Brasil são simbólicas, representando apenas o interesse de transmitir para a população uma imagem positiva, citando como exemplo a implementação de cotas raciais no país, “que tem a função de passar para a população a imagem de que aquele governador é um governador politicamente correto, engajado com as minorias, mas que, na verdade, não se apercebe dos danos que essa norma pode ocasionar”.
Professora de Direito Constitucional e da Escola do Ministério Público, ela está sempre pronta para debater sobre a impunidade, um tema que a empolga.
Por Marcone Formiga
É possível julgar com a sobrecarga de trabalho a que os juízes estão expostos?
Roberta Fragoso Kaufmann: Sobrecarga de processo de juízes dificulta bastante, sem dúvida nenhuma. Hoje, o grande problema do Judiciário, em termos de morosidade e em termos de impunidade, é a sobrecarga que acontece no Supremo Tribunal Federal. Talvez, se houvesse uma diminuição nas competências originárias no STF, a situação judiciária, como um todo, ficasse melhor, no sentido de que a Corte teria que julgar grandes temas, e os temas de varejo, ou seja, os temas que não têm importância nacional, ficariam a cargo apenas dos juízes. O problema é que hoje o Supremo tem muitas competências originárias.
Por exemplo.
Kaufmann: Habeas-corpus, recursos extraordinários, ações diretas de inconstitucionalidade, reclamações, mandados de injunção… Isso termina inviabilizando todo o Judiciário, porque a pessoa só vai ser condenada depois que o último recurso for julgado, e isso significa, na prática, mais de uma década após o julgamento inicial. Inclusive se desprestigia o julgamento que um juiz de primeira instância realizou, e ele se sente um pouco intimidado, porque a decisão que ele teve, por mais primorosa que tenha sido, nem sequer é considerada, quando a questão chega ao Supremo.
Por que a Constituição de 1988 é alvo de tantas críticas?
Kaufmann: Porque é uma Constituição muito analítica, ela diz demais. E, nesse sentido, termina sendo uma Constituição apenas simbólica, passando uma imagem para a população, que foi feita muito mais “para inglês ver” do que efetivamente para ser cumprida. O que ela protege, protege de uma maneira excessiva, e não tem condições materiais de ser concretizada. Nesse sentido, lembro-me de uma frase do Roberto Campos, quando ele afirmou que a Constituição brasileira prometeu uma seguridade social da Suécia, com recursos de Moçambique. Não adianta apenas colocar a norma, sem ter condições de concretizar aquilo que a norma prevê. E isso é pernicioso para todo mundo, porque, no final, dá aquela sensação e sentimento que as normas existem, mas que elas são cumpridas ao sabor da ocasião.
Como assim?
Kaufmann: Para mim, isso revela, muitas vezes, uma falha de caráter da pessoa, dela não ser capaz de fazer uma escolha e assumir a responsabilidade que aquela escolha ocasionar. Nesse sentido, eu acho que a Constituição demonstra isso também, uma vontade de garantir sempre direitos e direitos, e ficam faltando os deveres. O cidadão acha que até a felicidade dele é um dever do Estado. Tudo é dever do Estado, como se nada ele pudesse conseguir. Se ele, infelizmente, nasceu pobre, se não consegue um bom emprego, a culpa é do Estado! Existe uma cultura de sempre atribuir a um terceiro a responsabilidade pelas suas escolhas malfeitas.
O que fazer, então?
Kaufmann: Por que não sai de frente da televisão e vai estudar e tentar um emprego melhor? Por que não batalha? Por que não consegue se esforçar para poder contar melhor as consequências dessa sua escolha e conseguir uma vida melhor? Existe uma cultura aqui de que todo mundo é responsável pela vida de todo mundo, essa diluição de responsabilidades individuais faz com que as pessoas se alienem e se acomodem. Esse é um problema sério no Brasil.
O que falta para a Justiça exercer o seu papel na sua plenitude?
Kaufmann: Inicialmente, o que falta é combater essa ideia de impunidade, que é o sentimento geral do brasileiro. As pessoas não acreditam mais na Justiça, acham que ela é lenta demais. Acredito particularmente na PEC que o ministro Cezar Peluso, presidente do STF, apresentou: que os recursos que cheguem, não possam impedir a execução do julgado, as condenações têm que ser realizadas e têm que ser executadas logo após a decisão do Tribunal de Justiça. Com isso, a gente prestigia a atuação do juiz de primeiro grau, que certamente é o que está mais perto do povo. Prestigia-se também o julgamento do Tribunal de Justiça. Na verdade, a gente faz com que a população volte a acreditar no Poder Judiciário, porque esperar vinte, quinze anos para que um réu confesso comece a executar a pena, como é agora, causa um sentimento de impunidade perante todos e, isso, do meu ponto de vista, é muito mais grave do que, eventualmente, alguma lesão a um direito individual.
Qual é a sua conclusão desse gesto?
Kaufmann: Essa postura do Supremo é muito garantista, prevalece hoje a ideia de que a pessoa tem a presunção de inocência até que o último recurso seja julgado. Entretanto, ao agir assim, o STF, de fato, protege ao máximo os direitos individuais, mas se esquece da própria ideia de interesse público, que é a ideia de diminuir e combater a impunidade no Brasil.
A senhora concorda que as leis brasileiras são malfeitas, como afirmou o ex-ministro Francisco Rezek?
Kaufmann: Concordo, porque as leis no Brasil são muito simbólicas, então não existe nenhuma preocupação com o cumprimento e com a resolução do problema efetivo. O que se quer, muitas vezes, é passar uma imagem para a população. Por exemplo, eu poderia citar a que implementa cotas raciais no Brasil, que tem a função de passar para a população a imagem de que aquele governador é um governador politicamente correto, engajado com as minorias, mas, na verdade, eles é que não se apercebem dos danos que essa norma pode ocasionar. E não só isso! Por exemplo, todos nós sabemos o caos que é a educação pública no Brasil.
Mas o que falta é ensino público eficiente no país…
Kaufmann: Então, em vez de se preocupar em realizar um ensino público de qualidade para poder dar condições iguais para que todos possam passar no vestibular, ou almejar um concurso público melhor, quando você faz uma norma simbólica, o que você diz, na verdade é: eu não estou nem um pouco preocupado com a resolução do problema, estou preocupado é com as próximas eleições. Esse é o grande problema do Brasil! Por exemplo, essa política de cotas em universidades, elas não ampliam o número de vagas existentes. O número de vagas vai continuar rigorosamente o mesmo. Vamos supor, se fossem 100 vagas, reservaríamos 20 vagas para negros e 80 vagas para os demais.
Mas qual é o grande problema?
Kaufmann: O problema que se coloca é o seguinte: por que você não amplia o número de vagas, se você quer um grupo minoritário? Ou então, por que não melhora as condições de um ensino público de qualidade, para que todos tenham condições de concorrer na mesma situação? Mas isso não é interessante, o que eu quero dizer é que a legislação, hoje, no Brasil, apenas quer passar uma imagem. Dou outro exemplo, o de um decreto da governadora do Pará, à época em que foi descoberto que uma menina ficou na cadeia junto com dezenas de homens. Na mesma hora em que a notícia veio a público, que essa menina tinha ficado na cadeia de uma maneira totalmente ofensiva à dignidade dela, obviamente, sendo estuprada diuturnamente, ela baixou um decreto dizendo que mulheres e homens não podem ficar juntos na mesma cela.
Ou seja, descobriram a roda?
Kaufmann: Nada mais simbólico, porque é obvio que não podem ficar juntos. Já existe a lei de execução penal que diz a mesma coisa. Mas qual é a preocupação dela? A preocupação dela, quando fez o decreto, não foi de resolver o problema, mas de passar uma imagem para a população de que ela era uma pessoa que não tinha nada a ver com aquilo, que não estava nem sabendo o que estava acontecendo na sua delegacia, o que é totalmente falso!.
Qual é a sua visão de tudo isso?
Kaufmann: O que a gente vê é a lei sendo utilizada como massa de manobra para poder convencer a população ignorante de que alguma coisa está sendo feita em prol dos direitos dela, mas na prática não passa de um jogo de palavras, porque nada daquilo é implementado. Cada vez mais, existe uma nova emenda constitucional para inserir um novo direito ao salário mínimo. Mas se o salário mínimo não consegue sequer cuidar da alimentação e da moradia, então, como pode colocar inúmeros outros direitos dentro do salário, se nem o primeiro deles consegue ser implementado?
Faz sentido afirmar que no Brasil só vai para a cadeia preto, pobre e prostituta?
Kaufmann: O que eu concordo, é que no Brasil só vai para a cadeia pobre, mas, infelizmente, a maioria pobre do Brasil é negra, então, por isso, o negro se legitima dentro dessa frase, mas não por conta da cor da pele, e sim porque no Brasil, lamentavelmente, ainda existe uma correlação entre a pobreza e a cor da pele. A prostituta a que você se refere está relacionada à pobreza, e não à profissão mais antiga que se tem conhecimento no mundo.
Na sua opinião, o que é preciso para se aprimorar a democracia no Brasil?
Kaufmann: A democracia precisa ser aprimorada a partir de uma reforma política. Especialmente, eu sou super favorável à ideia do voto distrital – fazer com que a população consiga cobrar mais efetivamente dos seus representantes. O modelo atual é um modelo péssimo. É um modelo que faz com que a pessoa depois se esqueça em quem votou e não cobre de seus representantes. O próprio representante não se sente cobrado. Essas passeatas contra a corrupção, sem ter um ponto específico de combate, representam apenas grandes festas em que se protesta de uma maneira niilista, ou seja, contra tudo e contra o nada, visto que hoje em dia existe de fato uma indignação geral quanto à política no Brasil, quanto à esses resquícios de estado patrimonial que nós ainda temos.
24 de outubro de 2011
Roberta Kaufmann
Fonte: Brasília em Dia
Ela acrescenta que a lentidão é, em parte, causa desse sentimento de impunidade, que considera muito mais grave do que, “eventualmente, alguma lesão a um direito individual”. Na entrevista, também afirma que algumas leis no Brasil são simbólicas, representando apenas o interesse de transmitir para a população uma imagem positiva, citando como exemplo a implementação de cotas raciais no país, “que tem a função de passar para a população a imagem de que aquele governador é um governador politicamente correto, engajado com as minorias, mas que, na verdade, não se apercebe dos danos que essa norma pode ocasionar”.
Professora de Direito Constitucional e da Escola do Ministério Público, ela está sempre pronta para debater sobre a impunidade, um tema que a empolga.
Por Marcone Formiga
É possível julgar com a sobrecarga de trabalho a que os juízes estão expostos?
Roberta Fragoso Kaufmann: Sobrecarga de processo de juízes dificulta bastante, sem dúvida nenhuma. Hoje, o grande problema do Judiciário, em termos de morosidade e em termos de impunidade, é a sobrecarga que acontece no Supremo Tribunal Federal. Talvez, se houvesse uma diminuição nas competências originárias no STF, a situação judiciária, como um todo, ficasse melhor, no sentido de que a Corte teria que julgar grandes temas, e os temas de varejo, ou seja, os temas que não têm importância nacional, ficariam a cargo apenas dos juízes. O problema é que hoje o Supremo tem muitas competências originárias.
Por exemplo.
Kaufmann: Habeas-corpus, recursos extraordinários, ações diretas de inconstitucionalidade, reclamações, mandados de injunção… Isso termina inviabilizando todo o Judiciário, porque a pessoa só vai ser condenada depois que o último recurso for julgado, e isso significa, na prática, mais de uma década após o julgamento inicial. Inclusive se desprestigia o julgamento que um juiz de primeira instância realizou, e ele se sente um pouco intimidado, porque a decisão que ele teve, por mais primorosa que tenha sido, nem sequer é considerada, quando a questão chega ao Supremo.
Por que a Constituição de 1988 é alvo de tantas críticas?
Kaufmann: Porque é uma Constituição muito analítica, ela diz demais. E, nesse sentido, termina sendo uma Constituição apenas simbólica, passando uma imagem para a população, que foi feita muito mais “para inglês ver” do que efetivamente para ser cumprida. O que ela protege, protege de uma maneira excessiva, e não tem condições materiais de ser concretizada. Nesse sentido, lembro-me de uma frase do Roberto Campos, quando ele afirmou que a Constituição brasileira prometeu uma seguridade social da Suécia, com recursos de Moçambique. Não adianta apenas colocar a norma, sem ter condições de concretizar aquilo que a norma prevê. E isso é pernicioso para todo mundo, porque, no final, dá aquela sensação e sentimento que as normas existem, mas que elas são cumpridas ao sabor da ocasião.
Como assim?
Kaufmann: Para mim, isso revela, muitas vezes, uma falha de caráter da pessoa, dela não ser capaz de fazer uma escolha e assumir a responsabilidade que aquela escolha ocasionar. Nesse sentido, eu acho que a Constituição demonstra isso também, uma vontade de garantir sempre direitos e direitos, e ficam faltando os deveres. O cidadão acha que até a felicidade dele é um dever do Estado. Tudo é dever do Estado, como se nada ele pudesse conseguir. Se ele, infelizmente, nasceu pobre, se não consegue um bom emprego, a culpa é do Estado! Existe uma cultura de sempre atribuir a um terceiro a responsabilidade pelas suas escolhas malfeitas.
O que fazer, então?
Kaufmann: Por que não sai de frente da televisão e vai estudar e tentar um emprego melhor? Por que não batalha? Por que não consegue se esforçar para poder contar melhor as consequências dessa sua escolha e conseguir uma vida melhor? Existe uma cultura aqui de que todo mundo é responsável pela vida de todo mundo, essa diluição de responsabilidades individuais faz com que as pessoas se alienem e se acomodem. Esse é um problema sério no Brasil.
O que falta para a Justiça exercer o seu papel na sua plenitude?
Kaufmann: Inicialmente, o que falta é combater essa ideia de impunidade, que é o sentimento geral do brasileiro. As pessoas não acreditam mais na Justiça, acham que ela é lenta demais. Acredito particularmente na PEC que o ministro Cezar Peluso, presidente do STF, apresentou: que os recursos que cheguem, não possam impedir a execução do julgado, as condenações têm que ser realizadas e têm que ser executadas logo após a decisão do Tribunal de Justiça. Com isso, a gente prestigia a atuação do juiz de primeiro grau, que certamente é o que está mais perto do povo. Prestigia-se também o julgamento do Tribunal de Justiça. Na verdade, a gente faz com que a população volte a acreditar no Poder Judiciário, porque esperar vinte, quinze anos para que um réu confesso comece a executar a pena, como é agora, causa um sentimento de impunidade perante todos e, isso, do meu ponto de vista, é muito mais grave do que, eventualmente, alguma lesão a um direito individual.
Qual é a sua conclusão desse gesto?
Kaufmann: Essa postura do Supremo é muito garantista, prevalece hoje a ideia de que a pessoa tem a presunção de inocência até que o último recurso seja julgado. Entretanto, ao agir assim, o STF, de fato, protege ao máximo os direitos individuais, mas se esquece da própria ideia de interesse público, que é a ideia de diminuir e combater a impunidade no Brasil.
A senhora concorda que as leis brasileiras são malfeitas, como afirmou o ex-ministro Francisco Rezek?
Kaufmann: Concordo, porque as leis no Brasil são muito simbólicas, então não existe nenhuma preocupação com o cumprimento e com a resolução do problema efetivo. O que se quer, muitas vezes, é passar uma imagem para a população. Por exemplo, eu poderia citar a que implementa cotas raciais no Brasil, que tem a função de passar para a população a imagem de que aquele governador é um governador politicamente correto, engajado com as minorias, mas, na verdade, eles é que não se apercebem dos danos que essa norma pode ocasionar. E não só isso! Por exemplo, todos nós sabemos o caos que é a educação pública no Brasil.
Mas o que falta é ensino público eficiente no país…
Kaufmann: Então, em vez de se preocupar em realizar um ensino público de qualidade para poder dar condições iguais para que todos possam passar no vestibular, ou almejar um concurso público melhor, quando você faz uma norma simbólica, o que você diz, na verdade é: eu não estou nem um pouco preocupado com a resolução do problema, estou preocupado é com as próximas eleições. Esse é o grande problema do Brasil! Por exemplo, essa política de cotas em universidades, elas não ampliam o número de vagas existentes. O número de vagas vai continuar rigorosamente o mesmo. Vamos supor, se fossem 100 vagas, reservaríamos 20 vagas para negros e 80 vagas para os demais.
Mas qual é o grande problema?
Kaufmann: O problema que se coloca é o seguinte: por que você não amplia o número de vagas, se você quer um grupo minoritário? Ou então, por que não melhora as condições de um ensino público de qualidade, para que todos tenham condições de concorrer na mesma situação? Mas isso não é interessante, o que eu quero dizer é que a legislação, hoje, no Brasil, apenas quer passar uma imagem. Dou outro exemplo, o de um decreto da governadora do Pará, à época em que foi descoberto que uma menina ficou na cadeia junto com dezenas de homens. Na mesma hora em que a notícia veio a público, que essa menina tinha ficado na cadeia de uma maneira totalmente ofensiva à dignidade dela, obviamente, sendo estuprada diuturnamente, ela baixou um decreto dizendo que mulheres e homens não podem ficar juntos na mesma cela.
Ou seja, descobriram a roda?
Kaufmann: Nada mais simbólico, porque é obvio que não podem ficar juntos. Já existe a lei de execução penal que diz a mesma coisa. Mas qual é a preocupação dela? A preocupação dela, quando fez o decreto, não foi de resolver o problema, mas de passar uma imagem para a população de que ela era uma pessoa que não tinha nada a ver com aquilo, que não estava nem sabendo o que estava acontecendo na sua delegacia, o que é totalmente falso!.
Qual é a sua visão de tudo isso?
Kaufmann: O que a gente vê é a lei sendo utilizada como massa de manobra para poder convencer a população ignorante de que alguma coisa está sendo feita em prol dos direitos dela, mas na prática não passa de um jogo de palavras, porque nada daquilo é implementado. Cada vez mais, existe uma nova emenda constitucional para inserir um novo direito ao salário mínimo. Mas se o salário mínimo não consegue sequer cuidar da alimentação e da moradia, então, como pode colocar inúmeros outros direitos dentro do salário, se nem o primeiro deles consegue ser implementado?
Faz sentido afirmar que no Brasil só vai para a cadeia preto, pobre e prostituta?
Kaufmann: O que eu concordo, é que no Brasil só vai para a cadeia pobre, mas, infelizmente, a maioria pobre do Brasil é negra, então, por isso, o negro se legitima dentro dessa frase, mas não por conta da cor da pele, e sim porque no Brasil, lamentavelmente, ainda existe uma correlação entre a pobreza e a cor da pele. A prostituta a que você se refere está relacionada à pobreza, e não à profissão mais antiga que se tem conhecimento no mundo.
Na sua opinião, o que é preciso para se aprimorar a democracia no Brasil?
Kaufmann: A democracia precisa ser aprimorada a partir de uma reforma política. Especialmente, eu sou super favorável à ideia do voto distrital – fazer com que a população consiga cobrar mais efetivamente dos seus representantes. O modelo atual é um modelo péssimo. É um modelo que faz com que a pessoa depois se esqueça em quem votou e não cobre de seus representantes. O próprio representante não se sente cobrado. Essas passeatas contra a corrupção, sem ter um ponto específico de combate, representam apenas grandes festas em que se protesta de uma maneira niilista, ou seja, contra tudo e contra o nada, visto que hoje em dia existe de fato uma indignação geral quanto à política no Brasil, quanto à esses resquícios de estado patrimonial que nós ainda temos.
24 de outubro de 2011
Roberta Kaufmann
Fonte: Brasília em Dia
NOTAS POLÍTICAS
A NECESSIDADE DA REFORMA
Estaria a presidente Dilma Rousseff disposta a antecipar para novembro a reforma ministerial antes prevista para janeiro? No Congresso, há quem acredite na hipótese. Afinal, dois meses perdidos podem fazer falta. O fim do ano aproxima-se com o governo desgastado. Claro que existem ministérios funcionando, e bem. Mas há ministros que até hoje não mostraram competência. Nem probidade, referência àqueles lambuzados por malfeitos. Parece claro que, com as exceções de sempre, fracassaram aqueles impostos pelos partidos ou pelo Lula. Cinco já se foram. Existem outros.
Depois de quase um ano de exercício do poder, a presidente Dilma estará suficientemente forte para substituir aqueles que não indicou. Terá tido grata surpresa com um ou outro, mas deixa a desejar a média dos que recebeu como herança ou dos que foram pendurados no seu governo sem sua participação.
De qualquer forma, antecipada ou não a mudança, a expectativa é de que 2012 exprima nova fase na administração federal. Sem descuidar da contenção de gastos e sempre de olho no combate à inflação, seria hora da retomada de projetos de desenvolvimento econômico e social. Tempo para demonstrar a falência do modelo que o FMI tenta impor na Europa, combatendo crises com aumento de impostos, reduções salariais, demissões em massa e cortes nos investimentos sociais.
LIÇÃO OPORTUNA
“O objetivo supremo do Estado não é dominar os homens, nem contê-los pelo medo. É, sim, livrar cada um deles do medo, permitindo-lhe viver e agir em plena segurança e sem prejuízo para si e seu vizinho. O objetivo do Estado não é transformar seres racionais em feras e máquinas. É fazer com que seus corpos e suas mentes funcionem em segurança. É levar os homens a viver segundo uma razão livre, e exercitá-la, para que não desperdicem suas forças com o ódio, a raiva e a perfídia, nem atuem uns com os outros de maneira injusta. Assim, o objetivo do Estado é, realmente, a liberdade.”
Quem assim se expressou foi Baruch Spinoza, em 1660. Pena que sua lição até hoje não prevaleça.
ORDEM NO NINHO
Começa a germinar no ninho dos tucanos uma proposta sensata: do jeito que as coisas vão, o PSDB continuará no fundo do poço. Por que não aproveitar, então, a campanha paras eleições municipais, para uma reordenada completa em suas estruturas e lideranças? Não se trata de substituir ninguém, mas, apenas, de encontrar uma linguagem única. Mais do que tudo, porém, torna-se urgente reunir Aécio Neves, José Serra, Sergio Guerra, Geraldo Alckmin, Fernando Henrique, Aloisio Nunes Ferreira e outros, de preferência numa capela sem teto e com portas e janelas muradas. Algo parecido com o que um rei francês fez com os cardeais em Avignon, deixando-os ao sol e ao sereno até que escolhessem o novo Papa.
Carlos Chagas
Estaria a presidente Dilma Rousseff disposta a antecipar para novembro a reforma ministerial antes prevista para janeiro? No Congresso, há quem acredite na hipótese. Afinal, dois meses perdidos podem fazer falta. O fim do ano aproxima-se com o governo desgastado. Claro que existem ministérios funcionando, e bem. Mas há ministros que até hoje não mostraram competência. Nem probidade, referência àqueles lambuzados por malfeitos. Parece claro que, com as exceções de sempre, fracassaram aqueles impostos pelos partidos ou pelo Lula. Cinco já se foram. Existem outros.
Depois de quase um ano de exercício do poder, a presidente Dilma estará suficientemente forte para substituir aqueles que não indicou. Terá tido grata surpresa com um ou outro, mas deixa a desejar a média dos que recebeu como herança ou dos que foram pendurados no seu governo sem sua participação.
De qualquer forma, antecipada ou não a mudança, a expectativa é de que 2012 exprima nova fase na administração federal. Sem descuidar da contenção de gastos e sempre de olho no combate à inflação, seria hora da retomada de projetos de desenvolvimento econômico e social. Tempo para demonstrar a falência do modelo que o FMI tenta impor na Europa, combatendo crises com aumento de impostos, reduções salariais, demissões em massa e cortes nos investimentos sociais.
LIÇÃO OPORTUNA
“O objetivo supremo do Estado não é dominar os homens, nem contê-los pelo medo. É, sim, livrar cada um deles do medo, permitindo-lhe viver e agir em plena segurança e sem prejuízo para si e seu vizinho. O objetivo do Estado não é transformar seres racionais em feras e máquinas. É fazer com que seus corpos e suas mentes funcionem em segurança. É levar os homens a viver segundo uma razão livre, e exercitá-la, para que não desperdicem suas forças com o ódio, a raiva e a perfídia, nem atuem uns com os outros de maneira injusta. Assim, o objetivo do Estado é, realmente, a liberdade.”
Quem assim se expressou foi Baruch Spinoza, em 1660. Pena que sua lição até hoje não prevaleça.
ORDEM NO NINHO
Começa a germinar no ninho dos tucanos uma proposta sensata: do jeito que as coisas vão, o PSDB continuará no fundo do poço. Por que não aproveitar, então, a campanha paras eleições municipais, para uma reordenada completa em suas estruturas e lideranças? Não se trata de substituir ninguém, mas, apenas, de encontrar uma linguagem única. Mais do que tudo, porém, torna-se urgente reunir Aécio Neves, José Serra, Sergio Guerra, Geraldo Alckmin, Fernando Henrique, Aloisio Nunes Ferreira e outros, de preferência numa capela sem teto e com portas e janelas muradas. Algo parecido com o que um rei francês fez com os cardeais em Avignon, deixando-os ao sol e ao sereno até que escolhessem o novo Papa.
Carlos Chagas
LULA USA ORLANDO SILVA PARA AFIRMAR QUE SERÁ CANDIDATO EM 2014
Ao interferir de forma ilegítima para tentar manter o ministro Orlando Silva no cargo , afinal ele não é o chefe do executivo, e sim a presidente Dilma Rousseff, Lula aproveitou o episódio para anunciar que será candidato em 2014. Conclamou o PCdoB a resistir para que o titular do esporte no fique no cargo. Incrível.
Reportagem excelente de Luiza Damé, Chico de Gois, Gerson Camarotti e Maria Lima, manchete principal de O Globo de sábado, 22, focalizou tanto a investida e a concordância (temporária) de Dilma. Acompanha a matéria foto de Gustavo Miranda focalizando o momento em que, no Planalto, em entrevista, Orlando Silva anunciava ter passado do segundo tempo para a prorrogação.
Não sei por que, se a entrevista foi coletiva, só O Globo publicou o fato. Acontece. O imprevisto, que deu força à reportagem, realçando sobretudo sua importância política, não foi somente Orlando Silva não submergir no lago de Brasília, mas Lula emergir no cenário e, praticamente, antecipar que será ele, e não Dilma, o candidato do PT à sucessão presidencial de 2014. Sem dúvida. Não fosse isso, ele não teria incentivado abertamente o Partido Comunista do Brasil – que de comunista não tem nada – a resistir. Resistir a quem? Resistir a quê? Neste segundo caso à tempestade de denúncias. No primeiro, evidentemente à própria presidente da República.
Não se entende a atitude. A maior figura do PT incentivando um dos partidos da coligação a enfrentar uma decisão da governante do próprio Partido dos Trabalhadores. A contradição é indiscutível.Lula, com seu posicionamento abriu uma dissidência, um divisor de águas. Passou a existir um PT de Lula e outro PT de Dilma? Não dá. Não tem o menor cabimento.
A explicação só pode ser encontrada no caminho das urnas de 2014. Isso de um lado. Mas de outro causa o enfraquecimento do atual governo. Pois se alguém, afastado do palco central, entra em cena e consegue inverter uma decisão já sinalizada na tarde de sexta-feira, quando a presidente deixava escapar que convidada Orlando Silva a pedir demissão, é porque politicamente se configura uma situação de dependência entre o eleitor e a eleita.
Pelo que conheço de política, não deve ter sido fácil o diálogo entre Lula e Dilma. Tampouco será fácil, ninguém pense o contrário, a permanência efetiva de Orlando Silva. Uma questão de autoridade encontra-se em jogo. Porque será eternamente um desempenho solitário de quem está com a caneta na mão. Os exemplos ao longo da história são múltiplos. O mais recente o do ministro Golbery do Couto e Silva. O presidente Ernesto Geisel, depois de escolher João Figueiredo para sucedê-lo no crepúsculo da ditadura, conseguiu sua permanência na chefia da Casa Civil, certo de que controlaria o Palácio do Planalto. Ledo engano, como costuma dizer Carlos Heitor Cony: pouco mais de um ano depois, era afastado do cargo.
Assim, Lula erra o cálculo de forçar uma divisão das decisões presidenciais. Dilma errará se aceitá-la. Por essas e outras, é de se pensar que a prorrogação da permanência de Orlando Silva nas reuniões ministeriais será curta.
Não há clima para sua participação, inclusive com a notícia, divulgada pela Folha de São Paulo também a 22, de que a FIFA o afastou do diálogo em torno da realização da Copa das Confederações de 2013, e da Copa do Mundo, 2014.
Por uma coincidência do destino, ano das próximas eleições presidenciais no Brasil.
A manutenção de Orlando Silva, por sinal, dá ânimo à oposições se o candidato for Aécio Neves. E isso nem Dilma nem Lula desejam.
Pedro do Coutto
BLINDAGEM DO MINISTRO ORLANDO SILVA REPRESENTA MAIS UMA DESMORALIZAÇÃO PARA O BRASIL NA IMPRENSA INTERNACIONAL
A preservação do ministro do Esporte, Orlando Silva, no cargo, em meio a gravíssimas acusações de corrupção que envolvem também seu antecessor, Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal, representam mais um vexame internacional para os brasileiros.
Sem ter como responder, somos obrigados a aturar importantes jornais estrangeiros, como o espanhol “El Paíz” e o inglês “Financial Times”, a publicarem matérias que nos desmoralizam, dizendo que o governo do Brasil precisa combater a corrupção, o que significa afirmar que atualmente não o faz.
O pior é que, como dizia o genial cineasta Orson Welles quando esteve no Brasil, “it’s all true”, ou seja, é tudo verdade. Não há dúvida de que Lula fez um bom governo, superando inclusive uma grave crise internacional, e a sucessora Dilma Rousseff também está indo bem, administrativamente, se não levarmos em conta o problema da corrupção sistemática. E é tudo verdade.
A desmoralização do país se agrava em função da Copa do Mundo de 2014, que torna ainda mais escandalosas as notícias sobre gravíssimas irregularidades justamente no setor que cuida dos preparativos do campeonato esportivo mais importante do mundo.
A imprensa britânica, ainda mordida porque a Fifa não aceitou fazer as próximas Copas na Inglaterra, vai deitar e rolar. Sexta-feira, o jornal “The Guardian” já repercutia as más notícias sobre o Brasil.
Os britânicos, que deveriam se contentar em difamar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, nos últimos tempos vivem a acusar também João Havelange, o dirigente esportivo internacional mais importante da História, como se ele fosse tão corrupto quanto seu ex-genro. Não sabem (ou não querem saber) que Havelange sempre foi um empresário de sucesso, um homem rico, dono da Viação Cometa, uma das maiores transportadoras do país, e de várias outras empresas. Jamais precisou se corromper para ganhar dinheiro, o maior erro de sua vida foi colocar o genro na CBF, e hoje paga caro por essa falha.
Na sexta-feira, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, já considerava decidida a demissão do ministro Orlando Silva. Em coletiva para jornalistas de vários países, na sede da entidade em Zurique, Valcke disse que está pronto para conversar com um novo interlocutor da presidente Dilma, em novembro, quando virá ao Brasil para discutir a organização da Copa do Mundo de 2014.
“Terei um encontro com a nova pessoa indicada pela presidente para conduzir a Copa no plano governamental. Tenho a confiança de que a presidente tomará a decisão correta, independentemente do que acontecer com o ministro Orlando Silva”, anunciou.
O maior escândalo esportivo do Brasil, na verdade, não são as fraudes com as ONGs no Ministério do Esporte. O que mais nos desmoraliza são os inacreditáveis gastos com a construção e reforma dos estádios de futebol, que sairão quatro ou cinco vezes mais caros do que obras semelhantes que acabam de ser realizadas na Itália e na Alemanha.
Quase todas as reformas estão sendo feitas sem projeto previamente detalhados. Consequentemente, sem licitações sérias e disputadas com lisura. Os aditivos aos contratos se multiplicam, impunemente, enquanto os órgãos responsáveis pela fiscalização (os Tribunais de Contas da União e dos Estados) fazem seguidas denúncias que não adiantarão nada.
Em matéria de corrupção, ninguém tirará do Brasil o título de campeão mundial.
Neste particular, a Copa de 2014 realmente está destinada a ficar na História. E repetindo Orson Welles, é tudo verdade.
Carlos Newton
VEREADOR QUER PROCESSAR E PRENDER EDUARDO PAES POR IMPROBIDADE
O vereador Eliomar Coelho (Psol-RJ) quer a prisão do prefeito por improbidade administrativa. Eliomar que, recentemente, tentou instaurar a CPI das Remoções para investigar as denúncias de irregularidades no reassentamento de famílias desalojadas pelas obras de infra-estrutura para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, vai entrar com uma queixa-crime contra o prefeito por conta da compra de um terreno que pertencia a empresas doadoras para a campanha de Paes, em negócio feito por valores questionáveis.
O vereador investiga o contrato de compra, sem licitação, entre a prefeitura e a empresa Tibouchina Empreendimentos, que pertence às imobiliárias Rossi Residencial e PDG Realty. “O projeto vitorioso no concurso que foi realizado entre os escritórios de arquitetura tem a Vila Autódromo mantida. O Rio vai gastar R$ 80 milhões para remover a comunidade, mas esse valor transformaria aquela área em um verdadeiro paraíso,” explica Eliomar Coelho e ao mesmo tempo questiona: “Por que isso, então? Negociar sem licitação com empresas que contribuiram com a própria campanha?”.
E acrescenta, “se essa casa (a Câmara Municipal) fosse minimamente séria, já teria pedido o impeachment do Paes”.
A denúncia deve ser oficializada logo que alguns pareceres técnicos sejam entregues. Entre os documentos, está uma avaliação do real valor do terreno, que valeria menos do que os R$ 19,9 milhões pagos.
Segundo o vereador, “esse valor é absurdo. O terreno era usado para extração de saibro, o que inutiliza boa parte dele. Além disso, há uma pedra perto de uma área de encosta. A prefeitura pagou um valor para poder usar apenas dois terços da extensão do terreno”.
Paulo Peres
O vereador investiga o contrato de compra, sem licitação, entre a prefeitura e a empresa Tibouchina Empreendimentos, que pertence às imobiliárias Rossi Residencial e PDG Realty. “O projeto vitorioso no concurso que foi realizado entre os escritórios de arquitetura tem a Vila Autódromo mantida. O Rio vai gastar R$ 80 milhões para remover a comunidade, mas esse valor transformaria aquela área em um verdadeiro paraíso,” explica Eliomar Coelho e ao mesmo tempo questiona: “Por que isso, então? Negociar sem licitação com empresas que contribuiram com a própria campanha?”.
E acrescenta, “se essa casa (a Câmara Municipal) fosse minimamente séria, já teria pedido o impeachment do Paes”.
A denúncia deve ser oficializada logo que alguns pareceres técnicos sejam entregues. Entre os documentos, está uma avaliação do real valor do terreno, que valeria menos do que os R$ 19,9 milhões pagos.
Segundo o vereador, “esse valor é absurdo. O terreno era usado para extração de saibro, o que inutiliza boa parte dele. Além disso, há uma pedra perto de uma área de encosta. A prefeitura pagou um valor para poder usar apenas dois terços da extensão do terreno”.
Paulo Peres
NEM TUDO ESTÁ PERDIDO...
Nem tudo está perdido. Câmara vai investigar Ricardo Teixeira, a CBF e os preparativos da Copa.
Enquanto se aguarda a demissão do ministro do Esporte, Orlando Silva, surge uma boa notícia. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, além dos dirigentes do COL (Comitê Organizador Local da Copa-2014), também chefiado pelo dirigente, serão investigados por uma comissão instalada pela Câmara dos Deputados, em Brasília.
Serão apuradas as denúncias de irregularidades, como o critério de divisão dos lucros do Mundial, os acordos firmados entre a CBF e as redes de TV e patrocinadores e os excessivos gastos com a construção e reformas de estádios.
Formulada pelo deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que em março tentou reunir assinaturas para criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o cartola, mas não conseguiu, a proposta foi aprovada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle.
“Em sua defesa, Ricardo Teixeira afirma que esta Casa não tem poder de investigá-lo, já que não há recursos federais envolvidos na organização da Copa. Entretanto, somente de renúncia fiscal há mais de R$ 1,1 bilhão envolvido, e com certeza renúncia fiscal é recurso federal”, argumenta Garotinho, acrescentando que a as renúncias englobam estádios e sistemas de infraestruturas de cidades-sede.
O deputado também propõe que a comissão investigue o recebimento de salários pelos membros da diretoria da CBF, o que seria proibido, além de possível prática de lavagem de dinheiro pela Confederação e o financiamento de campanhas eleitorais. Garotinho diz ainda que Teixeira paga advogados com recursos da entidade, que é privada, para se defender das múltiplas e sucessivas denúncias.
Carlos Newton
UM SUPOSTO "ROAD MOVIE" PARAGUAIO COM POLICIAIS DE BRASÍLIA
Aproveitando a safra de roteiros com muita ação e corrupção, tramita na ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal uma denúncia que, se pesquisada, daria um filme policial de estrada, de grafite, de política, teatro, esportes, manipulações, negligências e pedofilia. Decerto uma película tão empolgante quanto “Tropa de Elite2”.
Nela, 40 policiais militares do Distrito Federal embarcam em um ônibus especialmente fretado que os levará até a bela e turística Foz do Iguaçu, no sul do Brasil, região da Tríplice Fronteira. Estão em missão. São os 40 motoristas escalados para conduzir de Foz do Iguaçú até Brasília o primeiro lote dos 70 carros doados pela Receita Federal para a Subsecretaria de Programas Comunitários da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Mas antes de chegar a Brasília, o comboio de 40 carros “dá um pulinho” em Ciudad del Este no Paraguai. Dali os 40 automóveis guiados por policiais militares voltam ao Brasil abarrotados de contrabando. Ao fim da viagem de 1.600 kms, a mercadoria é receptada por comerciantes da chamada Feira dos Importados.
Não é ficção. As denúncias são graves e atingem pessoas que comandavam a Subsecretaria de Programas Comunitários nos governos passados.
Eis a questão. Se de um lado temos sob acusação personagens poderosas que ocupam atualmente o primeiro escalão do governo Agnelo Queiroz, do outro lado são quatro mulheres do povo (Benelízia, Vanessa, Thayse e Bruna) e um oficial da reserva (major Bento), todos gravitando em situações onde constataram irregularidades na Subsecretaria de Programas Comunitários.
As denúncias vão desde manipulação da lista de casa própria da CODHAB, com cobrança de propina, a questões trabalhistas, contrabando, e o mais grave, relacionamento sexual com menor de idade. Logo a SUPROC, que divulga matéria contra a pedofilia em seu site.
A narrativa são declarações do major Jorge Bento da Silveira – secretário do Conselho Comunitário de Segurança do Jardim Botânico-DF. Refere-se a denúncias de abril de 2010 relatadas no processo n°: 0480.000726/2010 da Corregedoria-Geral do Distrito Federal.
O depoimento na ouvidoria da Secretaria de Segurança, base desta reportagem, foi tomado a 2 de dezembro de 2010 perante Dra. Ritalice de Fátima Porto, a titular, e Terezinha Amorim de Oliveira Kramer, escrivã de polícia.
O declarante lamenta por que até o momento, outubro de 2011, nada aconteceu. Nenhuma providência foi tomada. E ao contrário do que esperava, o principal alvo das denúncias, Francisco Normando Feitosa de Melo – ex-subsecretário da SUPROC -, tem privilégios também no atual governo: é o presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente – CDCA/DF – nomeado pelo governador Agnelo Queiroz.
Sem pré-julgamentos, a sociedade brasiliense merece respostas de condenação ou absolvição quando autoridades são acusadas. O que não cabe aqui é o silêncio e a indiferença compartilhados, ambos alimentados pelo medo. Aparentemente blindados também no “Novo Caminho”, Francisco Normando Feitosa de Melo e seus 40 comandados, contudo, ainda reivindicam defender o bem-estar de menores. E pelo visto, sequer serão investigados.
Pedro Artur Cortez
Nela, 40 policiais militares do Distrito Federal embarcam em um ônibus especialmente fretado que os levará até a bela e turística Foz do Iguaçu, no sul do Brasil, região da Tríplice Fronteira. Estão em missão. São os 40 motoristas escalados para conduzir de Foz do Iguaçú até Brasília o primeiro lote dos 70 carros doados pela Receita Federal para a Subsecretaria de Programas Comunitários da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Mas antes de chegar a Brasília, o comboio de 40 carros “dá um pulinho” em Ciudad del Este no Paraguai. Dali os 40 automóveis guiados por policiais militares voltam ao Brasil abarrotados de contrabando. Ao fim da viagem de 1.600 kms, a mercadoria é receptada por comerciantes da chamada Feira dos Importados.
Não é ficção. As denúncias são graves e atingem pessoas que comandavam a Subsecretaria de Programas Comunitários nos governos passados.
Eis a questão. Se de um lado temos sob acusação personagens poderosas que ocupam atualmente o primeiro escalão do governo Agnelo Queiroz, do outro lado são quatro mulheres do povo (Benelízia, Vanessa, Thayse e Bruna) e um oficial da reserva (major Bento), todos gravitando em situações onde constataram irregularidades na Subsecretaria de Programas Comunitários.
As denúncias vão desde manipulação da lista de casa própria da CODHAB, com cobrança de propina, a questões trabalhistas, contrabando, e o mais grave, relacionamento sexual com menor de idade. Logo a SUPROC, que divulga matéria contra a pedofilia em seu site.
A narrativa são declarações do major Jorge Bento da Silveira – secretário do Conselho Comunitário de Segurança do Jardim Botânico-DF. Refere-se a denúncias de abril de 2010 relatadas no processo n°: 0480.000726/2010 da Corregedoria-Geral do Distrito Federal.
O depoimento na ouvidoria da Secretaria de Segurança, base desta reportagem, foi tomado a 2 de dezembro de 2010 perante Dra. Ritalice de Fátima Porto, a titular, e Terezinha Amorim de Oliveira Kramer, escrivã de polícia.
O declarante lamenta por que até o momento, outubro de 2011, nada aconteceu. Nenhuma providência foi tomada. E ao contrário do que esperava, o principal alvo das denúncias, Francisco Normando Feitosa de Melo – ex-subsecretário da SUPROC -, tem privilégios também no atual governo: é o presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente – CDCA/DF – nomeado pelo governador Agnelo Queiroz.
Sem pré-julgamentos, a sociedade brasiliense merece respostas de condenação ou absolvição quando autoridades são acusadas. O que não cabe aqui é o silêncio e a indiferença compartilhados, ambos alimentados pelo medo. Aparentemente blindados também no “Novo Caminho”, Francisco Normando Feitosa de Melo e seus 40 comandados, contudo, ainda reivindicam defender o bem-estar de menores. E pelo visto, sequer serão investigados.
Pedro Artur Cortez
JUSTIÇA ZANGADA
Nos últimos dias, notadamente nos noticiários e em artigos publicados nas diversas folhas, alguns eméritos próceres do Judiciário e também articulistas desfilaram o seu mau humor de forma contundente.
A impressão é de que tudo, ou quase tudo, se resume no debate relativo à preservação das prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça. Os magistrados interpuseram ação de inconstitucionalidade arguindo preceito da Carta Magna que, presumidamente, veda o julgamento de juízes denunciados por corrupção pelo Conselho, sem que antes as Corregedorias das diversas Regiões se manifestem sobre as denúncias. Em suma, esta primeira etapa jurisdicional não poderia ser afastada.
A sociedade esperneou e o Supremo achou por bem adiar o julgamento.
Os argumentos da magistratura sempre se mostram pertinentes: o devido processo legal, os imaculados preceitos da Constituição, o caráter republicano brasileiro etc.
Os juízes defendem a sua tese relembrando as enormes dificuldades para alcançar o Estado de Direito no país, inclusive se pondo contra as urgências reclamadas pelo povo, mas sempre em benefício do povo, embora este não o reconheça porque é povo.
O litígio não é tolo, mas pontual. A sociedade rejeita o compadrio e a leniência das Corregedorias, e a magistratura se contrapõe lançando mão do devido processo legal. A primeira quer falar diretamente com Deus, a segunda insiste na intermediação dos santos. O paralelo parece legítimo. A Igreja fez o mesmo. As denúncias contra clérigos pedófilos eram sufocadas ou encobertas pelos seus superiores, que permaneciam deliberadamente omissos na aplicação de punição adequada para o crime hediondo. As vítimas foram obrigadas a apresentar seus agravos ao Sumo Pontífice, o qual, supostamente constrangido, revirou os armários imundos dos sacerdotes sacrílegos e impôs ações severas, preventivas e repressoras, contra a infâmia perpetrada por esses canalhas e seus coiteiros.
O desvairado protesto dos fiéis, o grito de socorro, a indignação sem controle e a exposição dos patifes não mais deram chance para o silêncio da Igreja e fizeram cessar a perpetuação do escândalo. Nesse caso, não foi cumprido o devido processo legal.
Não é verdade, como sustentam alguns, que o Poder Judiciário seja o pior dos três, mas não é mentira que a onipotência, a arrogância e a vaidade constituem especificidades próprias dos seus agentes, notadamente entre os mais jovens.
Entretanto, a menos virtuosa característica dos juízes é a indolência de muitos. As justificativas se sucedem aos atropelos: o excesso de processos, a burocracia dos cartórios, a falta de meios mínimos para acelerar o trâmite dos autos, a legislação processual entulhada de recursos inócuos e expedientes protelatórios, a exiguidade de tempo para a leitura de petições bíblicas, a necessidade de atender a advogados mais ansiosos, o calor etc.
Há cabimento satisfatório, mas não suficiente, em todas essas ponderações.
Em passado não muito distante, o querido amigo Candido de Oliveira Bisneto, naquela época presidente da OAB do Rio, foi abordado nos corredores do fórum pelo seu colega, Raul Celso Lins e Silva, o qual lhe pediu que o acompanhasse numa visita de congratulações ao juiz carinhosamente conhecido pelo apelido de Tonico Siqueira, então titular da 14ª vara Cível.
O juiz, surpreendentemente, dera andamento e limpara as prateleiras, no período de quatro meses, de todos os processos pendentes da 4ª vara de Família, cuja titular era um desastre nos cumprimentos mais elementares das suas obrigações. Lá chegando, depois dos elogios e abraços, ambos os advogados, ávidos por respostas, perguntaram ao juiz, hoje desembargador, qual o segredo para aquele desempenho incomum de presteza.
O ilustre magistrado, com muita simplicidade, desvendou o que se pressupunha sortilégio. Contou que no tempo em que militava na advocacia chegava todos os dias ao escritório às nove horas e lá permanecia trabalhando até as dezenove horas. Ele, meramente, manteve essa mesma rotina no exercício da magistratura. Nada, além disso. Por fim, sem ocultar o legítimo orgulho, confidenciou aos dois amigos que jamais levara para casa um único processo.
Outro exemplo, mais recente, foi revelado pelo noticiário dos telejornais: o juiz da 7ª vara Federal de São Paulo utilizou métodos criativos de agilidade processual e a sua iniciativa se tornou motivo de regozijo para os serventuários e para os advogados que tiveram a fortuna de ver processos seus serem distribuídos para o cartório em apreço. Não pode o exemplo ser copiado? Não pode uma andorinha só fazer verão?
Apesar de todas as justificativas atribuídas pelos juízes para a morosidade dos processos, talvez a verdade possa ser desnudada alhures, sem muito esforço.
Releve-se, inicialmente, que a vocação para o exercício da magistratura sequer é considerada para o candidato ao cargo. A maioria apenas almeja um emprego seguro e bem pago, sem as vicissitudes da submissão hierárquica, as exigências do trabalho sem descanso, como também a permanente e irremediável busca por clientes em universo repleto de bravos advogados militantes.
Depois de assumirem as suas funções, aliás, como resultado de uma expressiva, vitoriosa e árdua batalha travada nos concursos públicos, os magistrados recém-empossados adormecem em berços esplêndidos. Nada lhes é cobrado. A sua avaliação profissional, de curto período, é realizada de forma perfunctória. O juiz se torna dono do seu nariz, agora, então, enorme nariz.
Mas o grande estímulo para drástica redução do seu entusiasmo consiste na certeza da condição vitalícia de sua ocupação em cargo público. Essa convicção lhe conduz para o entorpecimento do ânimo e do empenho. Não é para menos, pouco é exigido e tudo lhe é garantido, inclusive a sua aposentadoria com vencimento integral.
Os privilégios da classe propiciam a distorção democrática, talvez a merecer reformulação na vitaliciedade do posto. Mas esse é um tema sujeito a inúmeras discussões em âmbito nacional.
A toga faz bem para a sociedade. Dá a sensação de segurança e alimenta a esperança de justiça no Brasil. A toga torna solene o ato praticado pelo homem que a veste e solene deve ser para a importância do ato que pratica. Mas a toga, mesmo rota e embranquecida pelo tempo, não pode ser usada em ombros sujos e venais. Graças a Deus, são escassos, ínfimos no país, juízes de letra minúscula, enxovalhados e desgraçados por ações criminosas.
O Judiciário brasileiro é limpo, mas os seus distintos delegados poderiam afastar a adoção de algumas atitudes menores no exercício de suas atribuições: a postura aristocrática; o voto prolixo que apenas atende à vaidade do seu prolator; a arrogância e a onipotência perante o mundo jurídico e até fora dele; a exigência de palácios para o abrigo de uma justiça ainda maltrapilha; o cumprimento de prazos; a falta de gestos de compaixão com trôpegos advogados de ternos puídos que trafegam pelos corredores dos tribunais e apenas reivindicam justiça breve para os clientes mais carentes; a clava forte para os aproveitadores e lobistas; a resistência injustificada, a não ser em virtude de inamovível obstáculo, para o empenho na prestação jurisdicional.
A sociedade tomou partido na questão do Conselho Nacional de Justiça em confronto com a Associação dos Magistrados, mas, seguramente, pouca atenção daria a esse irrelevante conflito interno do Poder Judiciário acaso se fizesse justiça eficiente no Brasil.
Francisco de Assis Chagas de Mello e Silva
SOBRE ÍDOLOS, HIPOCRISIA, FALSIDADE, PATIFARIA E CONGÊNERES
Em fevereiro, publiquei aqui um texto do Janer Cristaldo, tratando sobre como "a estória se repete" na forma de tragédia ou palhaçada, parodiando o trabalhador aquele que sempre viveu pendurado nas burras de algum amigo rico enquanto se dedicava a criticar a riqueza alheia.
Voto a publicar o texto, ilustrando-o com imagens colhidas na rede mundial.
Presidente Francês apela a recursos da Era de Stalin
por Janer Cristaldo
Pois... isso de chefes de Estado do Ocidente ficarem se roçando junto a dirigentes árabes acaba caindo mal. Agora que Kadaffi mandou bombardear os manifestantes em cidades líbias e promete publicamente matar quem lhe faça oposição, como ficam na fotografia os líderes ocidentais?
Tony Blair recebeu afavelmente o ditador e o qualificou como parceiro na guerra contra o terror.
Logo Kadaffi, que deu apoio aos terroristas que explodiram um avião sobre Lockerbie, matando 270 pessoas.
Silvio Berlusconi encontrou em Kadaffi uma alma gêmea.
Condoleeza Rice foi homenageada pelo assassino com jantar de gala.
Kadaffi acaba de declarar que não irá deixar a Líbia, que é "a nação de seus ancestrais", e irá morrer no "honrado solo de seu país".
Traduzindo: vai matar mais gente, até que não possa matar mais ninguém. Ditador nenhum gosta de morrer no honrado solo de seu país. Ditador sempre prefere morrer em exílio dourado.
Lula o considerava “amigo e irmão”. Ao longo de seus oito anos de mandato, teve quatro encontros com o ditador. Em um deles posa com Kadaffi, ornado com um de seus berrantes parangolés, de um amarelo de doer os olhos. Justifica:
- Quando o primeiro-ministro britânico se reúne com o Kadaffi, todo mundo acha o máximo, mas quando eu me reúno com ele, todos criticam - rebateu Lula à época do segundo encontro.
Ou seja: se o premiê britânico abraça um tirano, eu também posso abraçar. Curiosa lógica.
Mas o melhor está acontecendo na França. Em 2007, o coronel Muamar Kadaffi visitou um de seus congêneres, o presidente Nikolas Sarkozy. Em tais encontros, a praxe é que o evento seja registrado com uma fotografia oficial. Nesta foto, um Sarkozy sorridente, em gesto afável, aperta a mão do ditador, que por sua vez ergue o braço esquerdo em sinal de plena adesão.
Segundo leio no Nouvel Obs, a França aderiu à prática soviética de eliminar da história companhias inconvenientes. Stalin era mestre nisto.
É célebre a foto de um discurso de Lênin, em 1920, na qual a foto de Trotsky foi apagada. E isso quase um século antes do photoshop.
Pois bem. No atual site da Presidência da República, que faz a cobertura completa do governo Sarkozy, com mais de dez mil fotografias, a foto do ditador líbio apertando a mão de Sarkozy sumiu. Nem precisa mais retoques, nem photoshop. Basta detonar a foto.
Espantoso ver, em 2011, um presidente francês usando recursos stalinistas dos anos 20 do século passado.
Fonte: Janer Cristaldo
COMENTO
Não chega a causar tanto espanto, agora que o ex-lider e atual ex-ditador está comprovadamente morto, verificarmos o quanto esse pessoal ama a democracia e a paz mundial.
O terrorista dos anos 80, líder do mundo árabe nos 20 anos seguintes, rebaixado a tirano nos últimos dez meses, teve seu reino bombardeado por forças militares da OTAN, com o apoio histérico das líderanças políticas francêsa, italiana e alemã e um suporte moral mais discreto das demais "potências", sob o argumento de defesa da população civil.
Certamente, os mortos em tais bombardeios não faziam parte da população civil. Interessante ninguém se preocupar com a população civil da Somália.
Como no Iraque, as grandes multinacionais dedicadas ao ramo da construção já se organizam para a "reconstrução" do país, em troca, é claro dos petrodólares líbios.
Nada a favor de Muammar Kadafi (ou Ghadhafi na melhor aproximação da pronúncia oficial), mas se a "nova direção" líbia tentar pensar em estabelecer condições para essa "reconstrução", não vai se sustentar por muito tempo.
Mas ao vermos as fotos mostrando, em um momento, sua recepção com cordialidade pelos dirigentes mundiais e sabendo-se que no momento seguinte essas mesmas pessoas incentivaram sua destruição como autoridade e como ser humano, dá um certo mal estar e descrença geral na honestidade do bicho gente.
É certo que alguém já afirmou com precisão que no jogo diplomático não existe amizade entre países, mas somente interesses nacionais, todavia assistir tanta falsidade e hipocrisia em "líderes" mundiais é muito desconfortável. É claro que não é novidade. Saddan Hussein, Osama Bin Laden, o próprio Bachar Al Assad (aparente "bola da vez") já serviram de exemplo de como o vento muda ao soprar sobre os tais interesses nacionais, mas que é nojento é!
O jornalista Carlos Chagas, ainda hoje, escreveu:
"O espetáculo medieval do assassinato e mutilação do cadáver de Muamar Kadaffi nos leva à suposição de no futuro o falecido passar de ditador a vítima, depois mártir e finalmente a herói em seu país. Será sempre bom lembrar que Napoleão, depois de Waterloo, era mostrado na imprensa européia como o monstro sanguinário isolado em Santa Helena até a morte. Com os Bourbon outra vez no trono, a Santa Aliança e a volta das monarquias absolutas, ficou sufocado o sentimento majoritário francês, a ponto de divulgarem que o “filho da Revolução” tornara-se o “genro da Reação. Passadas poucas décadas, no reinado de Luis Felipe, com o corpo de Napoleão transladado a Paris, atravessando a cidade em cortejo monumental, milhões de cidadãos ficaram nas ruas para pranteá-lo. Cada país tem o Napoleão que merece. Kadaffi foi um déspota cruel, impôs sua vontade por 42 anos, mas criou uma nova Líbia, com maciços investimentos em educação e saúde públicas. Melhor aguardar o pronunciamento da História."
De tudo, nos resta que a vaidade humana é uma grande imbecilidade. E temos tanta gente "se achando o máximo"!
Voto a publicar o texto, ilustrando-o com imagens colhidas na rede mundial.
Presidente Francês apela a recursos da Era de Stalin
por Janer Cristaldo
Pois... isso de chefes de Estado do Ocidente ficarem se roçando junto a dirigentes árabes acaba caindo mal. Agora que Kadaffi mandou bombardear os manifestantes em cidades líbias e promete publicamente matar quem lhe faça oposição, como ficam na fotografia os líderes ocidentais?
Tony Blair recebeu afavelmente o ditador e o qualificou como parceiro na guerra contra o terror.
Logo Kadaffi, que deu apoio aos terroristas que explodiram um avião sobre Lockerbie, matando 270 pessoas.
Silvio Berlusconi encontrou em Kadaffi uma alma gêmea.
Condoleeza Rice foi homenageada pelo assassino com jantar de gala.
Kadaffi acaba de declarar que não irá deixar a Líbia, que é "a nação de seus ancestrais", e irá morrer no "honrado solo de seu país".
Traduzindo: vai matar mais gente, até que não possa matar mais ninguém. Ditador nenhum gosta de morrer no honrado solo de seu país. Ditador sempre prefere morrer em exílio dourado.
Lula o considerava “amigo e irmão”. Ao longo de seus oito anos de mandato, teve quatro encontros com o ditador. Em um deles posa com Kadaffi, ornado com um de seus berrantes parangolés, de um amarelo de doer os olhos. Justifica:
- Quando o primeiro-ministro britânico se reúne com o Kadaffi, todo mundo acha o máximo, mas quando eu me reúno com ele, todos criticam - rebateu Lula à época do segundo encontro.
Ou seja: se o premiê britânico abraça um tirano, eu também posso abraçar. Curiosa lógica.
Mas o melhor está acontecendo na França. Em 2007, o coronel Muamar Kadaffi visitou um de seus congêneres, o presidente Nikolas Sarkozy. Em tais encontros, a praxe é que o evento seja registrado com uma fotografia oficial. Nesta foto, um Sarkozy sorridente, em gesto afável, aperta a mão do ditador, que por sua vez ergue o braço esquerdo em sinal de plena adesão.
Segundo leio no Nouvel Obs, a França aderiu à prática soviética de eliminar da história companhias inconvenientes. Stalin era mestre nisto.
É célebre a foto de um discurso de Lênin, em 1920, na qual a foto de Trotsky foi apagada. E isso quase um século antes do photoshop.
Pois bem. No atual site da Presidência da República, que faz a cobertura completa do governo Sarkozy, com mais de dez mil fotografias, a foto do ditador líbio apertando a mão de Sarkozy sumiu. Nem precisa mais retoques, nem photoshop. Basta detonar a foto.
Espantoso ver, em 2011, um presidente francês usando recursos stalinistas dos anos 20 do século passado.
Fonte: Janer Cristaldo
COMENTO
Não chega a causar tanto espanto, agora que o ex-lider e atual ex-ditador está comprovadamente morto, verificarmos o quanto esse pessoal ama a democracia e a paz mundial.
O terrorista dos anos 80, líder do mundo árabe nos 20 anos seguintes, rebaixado a tirano nos últimos dez meses, teve seu reino bombardeado por forças militares da OTAN, com o apoio histérico das líderanças políticas francêsa, italiana e alemã e um suporte moral mais discreto das demais "potências", sob o argumento de defesa da população civil.
Certamente, os mortos em tais bombardeios não faziam parte da população civil. Interessante ninguém se preocupar com a população civil da Somália.
Como no Iraque, as grandes multinacionais dedicadas ao ramo da construção já se organizam para a "reconstrução" do país, em troca, é claro dos petrodólares líbios.
Nada a favor de Muammar Kadafi (ou Ghadhafi na melhor aproximação da pronúncia oficial), mas se a "nova direção" líbia tentar pensar em estabelecer condições para essa "reconstrução", não vai se sustentar por muito tempo.
Mas ao vermos as fotos mostrando, em um momento, sua recepção com cordialidade pelos dirigentes mundiais e sabendo-se que no momento seguinte essas mesmas pessoas incentivaram sua destruição como autoridade e como ser humano, dá um certo mal estar e descrença geral na honestidade do bicho gente.
É certo que alguém já afirmou com precisão que no jogo diplomático não existe amizade entre países, mas somente interesses nacionais, todavia assistir tanta falsidade e hipocrisia em "líderes" mundiais é muito desconfortável. É claro que não é novidade. Saddan Hussein, Osama Bin Laden, o próprio Bachar Al Assad (aparente "bola da vez") já serviram de exemplo de como o vento muda ao soprar sobre os tais interesses nacionais, mas que é nojento é!
O jornalista Carlos Chagas, ainda hoje, escreveu:
"O espetáculo medieval do assassinato e mutilação do cadáver de Muamar Kadaffi nos leva à suposição de no futuro o falecido passar de ditador a vítima, depois mártir e finalmente a herói em seu país. Será sempre bom lembrar que Napoleão, depois de Waterloo, era mostrado na imprensa européia como o monstro sanguinário isolado em Santa Helena até a morte. Com os Bourbon outra vez no trono, a Santa Aliança e a volta das monarquias absolutas, ficou sufocado o sentimento majoritário francês, a ponto de divulgarem que o “filho da Revolução” tornara-se o “genro da Reação. Passadas poucas décadas, no reinado de Luis Felipe, com o corpo de Napoleão transladado a Paris, atravessando a cidade em cortejo monumental, milhões de cidadãos ficaram nas ruas para pranteá-lo. Cada país tem o Napoleão que merece. Kadaffi foi um déspota cruel, impôs sua vontade por 42 anos, mas criou uma nova Líbia, com maciços investimentos em educação e saúde públicas. Melhor aguardar o pronunciamento da História."
De tudo, nos resta que a vaidade humana é uma grande imbecilidade. E temos tanta gente "se achando o máximo"!
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