"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 21 de agosto de 2012

A FALÁCIA DA UTOPIA

 

Rodrigo Constantino
Poucas coisas são tão perigosas para a liberdade como uma mentalidade utópica. Os utópicos não se caracterizam simplesmente por erros pontuais de raciocínio lógico; eles adotam todo um método mental que de uma forma misteriosa é indiferente à verdade. De certa forma, a utopia pode ser um substituto laico da religião para aqueles inconformados e incapazes de lidar com as limitações da vida imperfeita.

Em seu livro “The Uses of Pessimism”, Roger Scruton dedica um capítulo para derrubar a falácia da utopia e mostrar como ela está a um passo do totalitarismo. Parte da explicação para movimentos utópicos seria, segundo o autor, um resíduo de heresia religiosa em um mundo sem religião, ou seja, a expectativa de criar um paraíso terrestre, colocando um fim nas imperfeições do mundo.

Os utópicos podem ignorar a aprendizagem com experiências passadas e até o bom senso, abraçando um projeto absurdo e impraticável. Nada pode refutar uma utopia, e nisso reside seu fascínio. As milhões de vidas perdidas ou escravizadas nas tentativas de tornar a utopia realidade não negam a utopia; apenas provam que maquinações perversas ficaram no caminho como obstáculos indesejados. É preciso redobrar o esforço.

É exatamente com esta postura que socialistas podem ignorar todas as desgraças causadas em nome de sua utopia. A União Soviética nunca foi comunista, eles alegam. Era um “socialismo real”, ou pior, um “capitalismo de estado” (assim conseguem jogar a culpa para o lado do capitalismo). O fim, sendo inviável, jamais chega. A utopia está, desta maneira, totalmente imune a qualquer tipo de refutação.

Utopias são visões de um futuro em que todos os conflitos e problemas da vida humana são resolvidos completamente. As pessoas viverão em harmonia, felizes. O desejo dos utópicos é por uma “solução final”, não para alguns problemas, mas para todos os problemas. Tudo aquilo que cria conflitos e tensões será eliminado. A raça será pura, não haverá mais classes ou hierarquia, o mundo será um lugar de “liberdade, igualdade e fraternidade”. Cada utopia tem sua versão.

Mas o ponto importante das utopias, como frisa Scruton, é o fato de que elas não podem se concretizar. No fundo, talvez de forma subliminar, os utópicos sabem disso, e por isso se negam a descrever em maiores detalhes e de forma crítica o que exatamente eles têm em mente. As utopias acabam empacotadas de forma vaga, ainda que com a embalagem “científica”.

O caminho do totalitarismo está aberto se os utópicos conseguem chegar ao poder
Karl Marx, que criticava o socialismo utópico e considerava o seu científico, jamais foi capaz de entrar em detalhes sobre o funcionamento de seu modelo.
Todos poderiam atender a seus múltiplos desejos, caçar pela manhã, pescar na parte da tarde e até virar crítico literário de noite, pois não haveria mais divisão de trabalho nem propriedade privada. Como exatamente fazer isso sem tais mecanismos não vem ao caso.
Quem produz as ferramentas necessárias para a caça e a pesca? Marx não responde. Talvez elas brotassem do solo.

Esta meta inalcançável serve como poderosa arma para negar tudo aquilo que é real. Se eu defendo algo que não pode existir, que jamais existiu e que sequer pode ser refutado, então coloco-me em uma Torre de Marfim e, do alto de minha utopia, passo a atirar em todos os modelos atuais.
Qualquer defeito, qualquer problema existente passa a ser indício de que o modelo vigente fracassou. A utopia serve como uma condenação abstrata de tudo que nos cerca, e justifica a postura intransigente e violenta do utópico.

O ideal dos utópicos jamais é refutado, jamais é testado. Ele permanece para sempre como um horizonte distante, imaculado, oferecendo um julgamento rigoroso de tudo que existe, como um sol que não pode ser observado mas que cria uma sombra em tudo aquilo que ele lança seu brilho. E as sombras são os inimigos da pureza do sol, que precisam ser eliminados do caminho para que venha a luz.

Utópicos costumam aderir facilmente às teorias conspiratórias e simplistas, que dividem de forma maniqueísta o mundo entre bom e mau. Todos aqueles que recusam a utopia são seus inimigos. Eles não podem discordar por convicção; devem ser traidores, opressores ou, na melhor das hipóteses, alienados.

Foi assim que os jacobinos encararam todos que criticavam a Revolução Francesa, como “inimigos do povo”. Hugo Chávez, em busca de seu “socialismo do século 21”, adota a mesma tática.

Os inimigos variam de acordo com a utopia. Para os nazistas eram os judeus; para os comunistas, os burgueses; para os anarquistas, os políticos. O importante é ter um bode expiatório, de preferência bem definido, aquele que impede a realização da utopia. O crime, a violência e a destruição são justificáveis como meios para um sonho tão puro e lindo como o utópico.

A revolta e o desejo de vingança contra a realidade alimentam a utopia revolucionária. Esta sede destrutiva costuma derivar de um profundo ressentimento direcionado àqueles que, de alguma forma, conseguem contemporizar com as restrições da vida. O caminho do totalitarismo está aberto se os utópicos conseguem chegar ao poder.

21 de agosto de 2012

Fonte: revista VOTO
31 de julho de 2012
Rodrigo Constantino

"NO BRASIL, O ENSINO SUPERIOR ESTÁ DISTORCIDO."


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=AMXt3zJOo8k

Na segunda parte da conversa com Arnaldo Niskier, o especialista analisa o ensino superior no Brasil. O presidente do conselho administrativo do CIEE acredita na eficácia de projetos como o Prouni mas afirma que “só isso não basta” e que “é fundamental cuidar bem dos professores”.

21 DE AGOSTO DE 2012

PERFIL DOS QUASE 500 MIL CANDIDATOS NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

 


21 de agosto de 2012

E ASSIM DEUS FEZ O PT...


Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem decidiu dar-lhes apenas duas características. Assim:
Aos Suíços os fez estudiosos e respeitadores da lei.
Aos Ingleses, organizados e pontuais..
Aos argentinos, chatos e arrogantes.
Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados.
Aos Italianos, alegres e românticos.
Aos Franceses, cultos e finos.
Aos Brasileiros, inteligentes, honestos e petistas.
 
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade e de medo, indagou:
 
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas características, porém, aos brasileiros foram dadas três! Isto não os fará soberbos em relação aos demais povos da terra?
 
- Muito bem observado, bom anjo! exclamou o Senhor, isto é verdade. Façamos então uma correção! De agora em diante, os brasileiros, povo do meu coração, manterão estas três características, mas nenhum deles poderá utilizar mais de duas simultaneamente, como os demais povos. A saber:
 
O que for petista e honesto, não pode ser inteligente;
O que for petista e inteligente , não pode ser honesto;
E o que for inteligente e honesto, não pode ser petista.
21 de agosto de 2012

RESPOSTA DE ÉPOCA A NOTA DO BMG

Comunicado do banco foi divulgado após a publicação da reportagem "Os esquecidos do mensalão", na edição 744 da revista 

(I) "Ao contrário do que maldosamente afirma a Revista, o BMG atua no crédito consignado desde 1998 e não em 2004, como informa a reportagem. A atuação de sucesso do BMG nesse segmento já o tornava líder desde 2000. Logo, com a expertise adquirida, encontrava-se apto a se conveniar com qualquer órgão ou entidade";

ÉPOCA não afirmou que o BMG passou a atuar no mercado de crédito consignado a partir de 2004. Na reportagem, ÉPOCA limitou-se a afirmar — fundamentando-se nas investigações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União — que o BMG obteve autorização do governo para operar o crédito consignado do INSS antes dos demais bancos.
E conseguiu isso em oito dias. A denúncia da Procuradoria-Geral da República afirma: “Ficou comprovado que o Banco BMG foi flagrantemente beneficiado por ações do núcleo político-partidário (do mensalão), que lhe garantiram lucros bilionários na operacionalização de empréstimos consignados de servidores públicos, pensionistas e aposentados do INSS, a partir do ano de 2003”.

"(II) Ao apreciar o convênio do BMG com o INSS, o Tribunal de Contas da União – TCU, através de seus Ministros, decidiu que 'os vícios nos termos de convênio foram tempestivamente identificados pela Procuradoria, não havendo notícias de quaisquer efeitos danosos à instituição tampouco aos beneficiários da Previdência Social, consoante a propósito concluído pela própria Corregedoria da entidade'. 'Ademais, não estou convencido de que a celeridade na condução do processo do BMG foi responsável, como aduz a unidade técnica, pelos lucros auferidos no banco nas operações objeto do convênio'. 'Nesse sentido, observo que o BMG não atuou sem concorrência, já que a Caixa Econômica exercia a atividade de empréstimos em consignação há algum tempo, com a vantagem de ser uma instituição sólida, de alta credibilidade e pagadora de benefício'. 'Outrossim, evidencia-se da tabela de fls. 51/54 do volume principal que a taxa de juros praticada pelo BMG era bem competitiva, o que justificaria a alavancagem significativa desse negócio. Tal particularidade, não mencionada nos pareceres, é de suma importância, já que o tomador de empréstimo sempre vai buscar a condição que lhe é mais favorável. Cabe assinalar, por oportuno, que os resultados do banco continuaram a ser expressivos mesmo depois da entrada de outras instituições financeiras nesse mercado, consoante observado na tabela de fls.04/06 do vol.7.'";

As frases reproduzidas acima pelo BMG são do ministro Guilherme Palmeira, do Tribunal de Contas da União (TCU), relator do processo nº 014.276/2005-2. Foram proferidas durante o julgamento do caso, em julho de 2006. Antes da análise pelo plenário, no entanto, os auditores do TCU fizeram uma extensa apuração sobre o caso e concluíram que o então diretor-presidente do INSS, Carlos Bezerra, favoreceu “indevidamente” o BMG. Os técnicos sugeriram penalizar Carlos Bezerra com aplicação de multa, declaração de inabilitação para o exercício de cargo na administração pública e envio de cópia do processo ao Ministério Público Federal.

Durante o julgamento, apesar do que entendeu o ministro Guilherme Palmeira, o ministro Augusto Sherman apresentou voto divergente. “Considera-se procedente representação para aplicar multa máxima ao responsável (Carlos Bezerra), tendo em vista que a celebração de convênio com o BMG não observou o procedimento administrativo adequado e os termos do ajuste não estarem em conformidade com dispositivos de lei, tendo havido privilégio indevido ao BMG”, disse Sherman.

“As irregularidades encontradas nos procedimentos adotados pelo ex-presidente do INSS e o tratamento desigual dado aos pedidos de instituições financeiras que, em princípio, encontravam-se em situação similar, priorizando-se os do BMG, denotam, a meu ver, explícito e indevido favorecimento a essa instituição financeira (...)
Entendo que a situação é gravíssima, porque houve a participação direta do então presidente do INSS no atendimento privilegiado e fora dos procedimentos usuais e legais aos pedidos formulados diretamente pelo BMG”.
Os ministros votaram e consideraram a representação dos auditores procedente, rejeitando as justificativas apresentadas por Carlos Bezerra, então diretor do INSS. Bezerra foi penalizado com multa de R$ 15 mil.

(III) "Em sentido totalmente oposto do noticiado na matéria, o Tribunal de Contas da União também examinou as cessões de crédito feitas pelo BMG à Caixa Econômica Federal, tendo concluído que 'a operação tinha amparo legal, foi financeiramente vantajosa para a CEF', não vislumbrando 'qualquer indício de violação ao princípio da moralidade' (Acórdão n. 930/2006-TCU ). Assim, leviano sugerir que o BMG tenha sido beneficiado nesta ou em qualquer outra contratação com o Governo Federal e suas autarquias";

ÉPOCA não sugeriu que a operação de cessão de créditos do BMG à Caixa Econômica Federal tenha sido irregular. ÉPOCA restringiu-se a afirmar que, após três meses de operação em condições favoráveis no mercado de crédito consignado do INSS, o BMG conseguiu vender sua carteira à Caixa por R$ 1 bilhão.

No mesmo acórdão 930/2006 citado pelo BMG, o procurador-chefe do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, afirma ter havido “infringência aos princípios da impessoalidade e da moralidade, mediante o favorecimento propiciado pela Caixa ao BMG nas operações de cessão de carteira de crédito consignado do INSS”.

Furtado diz ainda que houve “celeridade incomum na negociação com o BMG”, que durou apenas 23 dias. Furtado baseou sua denúncia em trabalho do corpo técnico do TCU. Na denúncia do mensalão, a PGR considerou a venda “ extremamente suspeita”.

(IV) "Em relação às operações firmadas com o PT e com as empresas ligadas ao Sr. Marcos Valério em data bem anterior ao convênio firmado com o INSS, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) reconhece os empréstimos como reais e verdadeiros, pois foram concedidos pelo banco com 'efetiva observância da legislação e princípios de boa técnica bancária'”. Por fim, o acórdão entende que os empréstimos foram concedidos “'mediante garantias, reais e pessoais, suficientes, no momento de constituição, a efetivamente segurar o risco da operação'”.

Na reportagem, ÉPOCA não questionou a legalidade desses empréstimos. Nos autos da denúncia do mensalão, porém, o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza afirma: “Buscando o recebimento de ganhos indevidos do governo federal, o que de fato ocorreu, os dirigentes do BMG também injetaram recursos milionários na empreitada delituosa, mediante empréstimos simulados”.

No relatório final sobre o caso, o delegado Luis Flávio Zampronha, da Polícia Federal, concluiu que o BMG foi usado por Marcos Valério para distribuir dinheiro a beneficiários do mensalão.

O relatório da PF foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e, posteriormente, à Procuradoria-Geral da República. Com base nele, a PGR abriu investigação específica sobre “as irregularidades supostamente praticadas pelo deputado Carlos Bezerra nos convênios firmados entre o BMG e o INSS para a operacionalização de crédito consignado a segurados e pensionistas”.

Recentemente, a PGR determinou ainda que sejam investigados repasses feitos pela empresa de Marcos Valério a pessoas físicas e jurídicas “cujos recursos são oriundos dos empréstimos fraudulentos tomados no Banco do Brasil, Rural e BMG”.
O banco BMG continua sob investigação não apenas no Supremo Tribunal Federal — mas também na Justiça Federal de Minas Gerais, onde foi denunciado por gestão fraudulenta, ao lado de Marcos Valério, Delúbio Soares e José Genoíno.

>>Resposta do BMG à revista ÉPOCA

>>Reportagem Os esquecidos do mensalão

21 de agosto de 2012
REDAÇÃO ÉPOCA

4 MITOS SOBRE O MENSALÃO

4 mitos sobre o mensalão

Para negar a existência de um esquema de corrupção, a propaganda petista criou uma versão que nega os fatos. Parte da defesa abraçou essa versão na semana passada

Num artigo recente, o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, defensor do ex-ministro José Dirceu no julgamento do mensalão, comparou o processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) ao mito da caverna, alegoria criada pelo filósofo grego Platão. Nela, homens vivem acorrentados dentro de uma gruta, olhando para sombras e tomam essas sombras pela realidade. A segunda semana do julgamento deixou uma dúvida.

Quem está, afinal, vendo uma imagem distorcida dos fatos? É, como quer Juca, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel – que, no dizer dos advogados de defesa, fez uma denúncia “inconsistente”?
 Ou são os próprios advogados de defesa, que, em suas sustentações orais, confundiram mais do que esclareceram – e ajudaram a propagar mitos sobre o mensalão?

CONSTRUTORES DE MITOS Alguns dos principais réus  do mensalão. Para contestar as provas de corrupção surgidas durante a investigação,  os mensaleiros e seus apoiadores criaram falsas versões sobre o que aconteceu    (Foto: Folhapress (5) e  AE (4))

Os fatos sobre “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”, nas palavras de Roberto Gurgel, são cristalinos. Em 6 de junho de 2005, o deputado federal Roberto Jefferson, do PTB, deu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo dizendo que deputados da base aliada recebiam todo mês R$ 30 mil para apoiar o governo – e tal estipêndio tinha o apelido de mensalão.

Seis dias depois, em 12 de junho, no plenário da Câmara, fez outra denúncia: havia um esquema de repasse de dinheiro a partidos que compõem a base de sustentação do governo, idealizado pelo deputado José Dirceu, comandado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e “tendo como pombo-correio o senhor Marcos Valério, um carequinha que é publicitário lá em Minas Gerais”.

A entrevista do dia 6 tinha algo de emocional: Jefferson queria se vingar do deputado José Dirceu, que, segundo ele imaginava, vazara informações sobre corrupção no PTB para a imprensa. A fala do dia 12, mais precisa, motivou as investigações que se seguiram.
Elas acabaram comprovando a existência do esquema denunciado pelo líder petebista – um caso em que, pela primeira vez no Brasil, altos representantes de um poder (o Executivo) são flagrados corrompendo altos representantes de outro poder (o Legislativo).
O julgamento que ora se desenrola no STF visa estabelecer a responsabilidade de cada acusado no esquema, com base nas provas coletadas pela acusação.

Esses são os fatos. A propaganda petista, ao tentar dizer que o mensalão foi um mito, propaga seus próprios mitos sobre o caso. Parte da defesa abraçou-os na semana passada. Ei-los.

Mito 1 


 Se não há prova de pagamento mensal, não houve mensalão

Tal mito foi brandido, na semana passada, por três advogados: Alberto Toron, que representa o ex-deputado João Paulo Cunha; Márcio Thomaz Bastos, defensor do diretor do Banco Rural José Roberto Salgado; e Marcelo Leonardo, advogado do publicitário Marcos Valério.
Diz essa versão que não há evidências de que o PT montara, no governo Lula, um esquema de repasse de dinheiro a parlamentares em troca de apoio político ao governo.

 A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, nunca denunciou um pagamento mensal do governo a parlamentares. Por uma razão simples.
A acusação coletou provas sobre a segunda afirmação de Roberto Jefferson, aquela feita com a razão – não a primeira, feita com base na emoção. O que a PGR denunciou foi um esquema de “compra de apoio político”, fartamente sustentado por provas testemunhais e documentais.
Elas mostram que os pagamentos aos deputados eram regulares, embora não fossem necessariamente mensais. Os extratos bancários provam que todo mundo recebeu – e todo mundo confirma que recebeu. O
s líderes partidários afirmaram em seus depoimentos ter levado dinheiro. Roberto Jefferson (PTB) afirmou ter recebido R$ 4 milhões do PT.
Valdemar Costa Neto (PL) confirmou ter recebido R$ 10 milhões.

Os deputados José Janene e Pedro Corrêa também confirmaram que o PP recebeu dinheiro. Além dos depoimentos, as investigações identificaram dezenas de saques feitos nas agências do Banco Rural em Brasília, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte.
E também foram descobertos cheques recebidos pelos acusados.

A palavra “mensalão” foi uma criação de Roberto Jefferson. Ela depois se tornaria uma gíria para tipos bem diferentes de corrupção – “mensalão mineiro”, “mensalão do DEM”, “mensalinho” etc. O mensalão deve ser entendido no sentido de compra de apoio político com dinheiro sujo – não necessariamente com pagamento mensal. A confusão só serve à propaganda que tenta negar os fatos.

Mito 2


 Não há relação entre os saques e as votações do congresso


  Os réus dizem que não há relação entre as datas dos pagamentos feitos pelo valerioduto e os votos dos parlamentares envolvidos. O advogado Arnaldo Malheiros, que defende Delúbio, entregou aos ministros gráficos cujo objetivo era mostrar como o apoio de PL, PTB e PMDB ao governo diminuiu na mesma época em que os saques do mensalão aumentaram.
Se o mensalão tivesse sido verdadeiro, disse ele, o PT seria um “traído feliz”. “Não teria sido compra muito útil ou inteligente”, afirmou. “Jamais foi feito repasse de dinheiro a parlamentares para compra de votos”, disse Marcelo Leonardo, defensor de Marcos Valério.

As afirmações dos advogados ignoram uma das especificidades do mensalão: antes de corromper parlamentares, o Executivo corrompeu partidos. As negociações com o PL (atualmente PR), PTB e PP foram feitas com os líderes das legendas, respectivamente Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e José Janene.


Durante o mensalão, o governo Lula obteve do Congresso o que bem queria, como mostrou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel – e partidos como PTB, PP e PL incharam como balões. Gurgel destacou a atuação de deputados do PTB, do PP, do PL e do PMDB na aprovação das reformas da previdência e da reforma tributária, em 2003.

Além disso, apoio político não se resume a votos favoráveis. Aliados servem também – e sobretudo – para proteger o governo, evitando convocações e requerimentos desagradáveis. Ou até para não fazer nada.

Em fevereiro de 2004, ÉPOCA revelou que o principal assessor de José Dirceu, Waldomiro Diniz, pedira propina ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. A crise causou abalos, mas a oposição só conseguiu assinaturas para uma CPI no Senado, onde não havia mensalão. Na Câmara, onde havia, nem sinal de CPI.

Mito 3


 O dinheiro era só caixa dois eleitoral


 Trata-se da versão criada durante o escândalo para salvar o governo Lula. O advogado Malheiros usou essa tese para rebater as acusações contra Delúbio Soares: “Ele fez caixa dois de campanha, isso ele não nega.
Agora, ele não corrompeu ninguém”. Há, de fato, situações de caixa dois eleitoral narradas no processo do mensalão. Mas não há só isso – e, de qualquer modo, elas são irrelevantes para a gravidade dos crimes.
Do ponto de vista ético, pouco importa se o dinheiro ilegal foi usado para pagar dívidas eleitorais ou para qualquer outra finalidade. Importa que houve, comprovadamente, compra de apoio político. Como admitiu o deputado Valdemar Costa Neto em entrevista a ÉPOCA, em junho de 2005, o PL não apoiaria o governo se não recebesse R$ 10 milhões.

Quase todos os integrantes dos partidos aliados de Lula não apresentaram comprovantes de que usaram os recursos entregues por Valério para quitar dívidas eleitorais.

O PTB não apresentou nenhuma nota fiscal para provar que gastou os R$ 4 milhões recebidos do PT com despesas eleitorais. O mesmo se dá com o PL, com o PMDB, com o PP…
O então assessor parlamentar do PP, João Cláudio Genu, sacou R$ 1,1 milhão. Segundo os depoimentos dos deputados José Janene e Pedro Corrêa, o dinheiro foi usado para pagar advogados. Mas também não apareceu nenhuma nota fiscal para confirmar isso.
Apenas o depoimento de Genu admitindo que entregava o dinheiro à liderança do PP no Congresso.


Mito 4


 Não há prova do envolvimento de josé dirceu


“Não há, no entender da defesa, nenhuma prova, nenhum documento, nenhuma circunstância que incrimine José Dirceu”, disse o advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, na semana passada.
Os propagadores desse mito afirmam que Dirceu se afastara do PT quando assumiu a pasta da Casa Civil no governo Lula.
Não faltam evidências, no entanto, da participação de Dirceu no mensalão. Elas estão nos depoimentos dos líderes partidários do PP e do PL. Ambos confirmaram o poder de Dirceu para autorizar qualquer acordo envolvendo o PT.
E também nos depoimentos de Roberto Jefferson, o autor original das denúncias. Ele afirmou que as reuniões para chegar ao acordo do PTB com o PT foram feitas com Genoino, Marcelo Sereno, Delúbio Soares e Dirceu, que “homologava todos os acordos daquele partido (PT)”.
Jefferson afirma que Genoino, apesar de ser presidente do PT, não tinha autonomia para “bater o martelo”.
Valério, em seu depoimento, corrobora essa tese. Segundo ele, Delúbio assegurou que Dirceu sabia das operações financeiras. A mulher de Valério também disse que Dirceu sabia e, em seguida, Valério confirmou o que sua mulher dissera.
Delúbio disse que só agia por orientação partidária, nunca sozinho. Em depoimento à Justiça Federal, em 14 de dezembro de 2007, o deputado Pedro Corrêa, do PP, afirmou que manteve várias reuniões com Dirceu, Genoino e Sílvio Pereira, o Silvinho, secretário-geral do PT e homem de confiança de Dirceu. Silvinho e Genoino administravam o PT.

Em 2003, um dos sócios de Valério, Rogério Tolentino, comprou o apartamento da ex-mulher de Dirceu, Angela Saragoça. Angela ainda conseguiu um financiamento imobiliário no Banco Rural. Para completar, Marcos Valério ajudou-a a arrumar emprego no BMG, o outro banco acusado de participar do mensalão. Se Dirceu conhecia tão pouco Valério, por que Valério ajudou tanto sua ex-mulher?


***
A luz da realidade desmente a sombra dos mitos. Na próxima vez em que citar Platão, o advogado Juca poderia buscar inspiração no Livro VIII da República. Nele, Platão compara os políticos a zangões, que vivem de sugar bens públicos em benefício próprio. Embora pessimista, a frase ganha contornos de triste realidade diante das provas do mensalão.

21 de agosto de 2012
LEANDRO LOYOLA E MARCELO ROCHA, Época

REMEMBER INGERSOLL


Dos States, recebo mensagem de Jeffrey Schmidt:
Splendid view. Your suggestions for one to read is narrow-minded. Where is your liberal recommendations for someone who reasons the , "freedom of religion is completely contingent on freedom from religion"?

I know I know, your intellectual interest is so much higher then so call Christians. You spend hours and hours reading the Bible, to clone German Baron d'Holbach: "It is only by dispelling the clouds and phantoms of Religion, that we shall discover Truth, Reason, and Morality".

A cada oportunidade q Vc tem, you’re demanding that others, adhere to your sense of esthetics, forcing your ideologies. Compreendo your lack of belief in gods, not having a sacred scripture, atheist Priest or Pope.

That's your belief, I respect that. The guy that embraces the Bible no sovaco, nao vai tentar fazer Vc trocar de camiseta. You should respect that. Mencionando o sovaco, sua intencao foi clara, derogatory statement.

Please, I know you're smarter then that. Humility is the paradox.

See ya, Jeff
Bom, meu caro Jeff, não vou recomendar obras que dizem ser a Bíblia um livro eivado de amor, escrita por um deus amoroso. Não vou recomendá-los por serem mentirosos. Esses livros existem aos montes, apesar das evidências de que a Bíblia é um livro cheio de ódio, discriminação, sangue, massacres, genocídios. Fico pasmo quando vejo leitores do Livro que nele não vêem as matanças ordenadas por Jeová. Ora, direis, Cristo veio para suavizar o texto brutal do Antigo Testamento. Suavizar umas ovas. Que promete Cristo para quem com ele não está? A danação eterna. Hitler pelo menos condenava os judeus apenas aos fornos crematórios e deixava a vida post-mortem ao critério de cada um.

Os livros que recomendo são todos calcados nos textos bíblicos. Nada a ver com o catecismo católico, que deturpa até mesmo os Mandamentos – e inclusive omite alguns – para adaptar a Bíblia à doutrina da Igreja. Se a Bíblia é um amontoado de textos incongruentes, isto não é problema dos autores que recomendo, mas dos escribas e editores bíblicos.

Sim, sou leitor da Bíblia, mas não despendo horas para lê-la. É o livro que mais consulto, é verdade, já que costumo escrever sobre temas religiosos. A partir de um certo momento de minha vida, apaixonei-me pelo estudo da história das religiões. É muito melhor que essa literatura que anda por aí. Pois a literatura não chega a propor uma ética, não impõe crenças nem padrões de comportamento. Enquanto que os costumes todos do Ocidente, bem ou mal, estão eivados de cristianismo. Lendo história das religiões, entendo melhor minha época. Obviamente, vou privilegiar a história do cristianismo, que é a religião predominante na geografia em que habito. Vivesse no Oriente Médio, estaria estudando o Corão.

Em minha biblioteca, tenho mais de dez bíblias, sendo duas no computador. E cerca de uns quinhentos livros sobre cristianismo, judaísmo e islamismo. Mais alguns poucos sobre budismo e hinduísmo. Não é muito. Representam apenas uns dez por cento de minha biblioteca. O setor de literatura marxista e história do comunismo é bem maior. Mas esta religião teve vida curta e já morreu. Continuo estudando a que permanece viva.

Os barões d’Holbach foram muitos na História. Entre eles, Voltaire, Jean Meslier, Nietzsche, Bertrand Russel. Nos Estados Unidos tivemos Robert Green Ingersoll (1833-1899), livre-pensador norte-americano, hoje pouco conhecido, mas grande orador e líder político norte-americano em sua época, notável por sua cultura e defesa do agnosticismo.

- Alguém tinha de dizer a verdade sobre a Bíblia – diz Ingersoll -. Os padres não ousariam, porque seriam expulsos de seus púlpitos. Professores nas escolas não ousariam porque assim, perderiam seus salários. Políticos não ousariam. Eles seriam derrotados. Editores não ousariam. Perderiam seus leitores. Comerciantes não ousariam. Perderiam seus clientes. Homens da alta sociedade não ousariam. Perderiam prestígio. Nem balconistas ousariam. Eles seriam dispensados. Então, decidi eu mesmo fazer isto.

- Há milhões de pessoas que acreditam que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus - milhões que crêem que este livro é um cajado e uma guia, conselheiro e consolador, que ele preenche o presente com paz e o futuro com esperança - milhões crêem que ele é a fonte da lei, da justiça e piedade, e que através de seus sábios e benignos ensinamentos o mundo conquistou sua liberdade, riqueza e civilidade - milhões que imaginam que este livro é uma revelação da sabedoria e amor de Deus na mente e coração do homem - milhões que têm neste livro como uma tocha que conquista a escuridão da morte e que derrama seu brilho numa outra vida - uma vida sem lágrimas.

- Eles esquecem sua ignorância e selvageria, seu ódio à liberdade, sua perseguição religiosa; eles lembram do céu mas esquecem as masmorras do sofrimento eterno. Eles esquecem que este livro aprisiona a mente e corrompe o coração. Esquecem que ele é inimigo da liberdade de pensamento.

Remember Ingersoll, um dos esquecidos precursores de Bart Ehrman e da recente safra de neoateus como Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, Daniel Dennet. Estes autores, na verdade, estão apenas ampliando a trilha aberta pelo orador americano e o mais das vezes o repetem. O que hoje é quase unanimidade entre os estudiosos contemporâneos da Bíblia, foi aventado há mais de século por Ingersoll.

Você afirma: “The guy that embraces the Bible no sovaco, nao vai tentar fazer Vc trocar de camiseta”. Pelo jeito você nunca os viu. Nada conhecem do livro que portam sob o sovaco, mas pretendem-se os donos da verdade. Olham para ateus e demais crentes com comiseração. E fazem proselitismo 24 horas por dia. Até criancinhas se pretendem apóstolos. Certa vez, ao sair de um bar que ficava ao lado de uma igreja evangélica, fui cercado por um bando de criancinhas de Bíblia em punho. Queriam catequizar-me, os pivetes. Para eles, quem não trocar de camiseta está condenado ao fogo dos infernos.

Não sou proselitista, meu caro Jeff. Não peço a ninguém que adira às minhas convicções. Não forço a ideologia de ninguém. Ser ateu não é para qualquer um. Enfrentar o que chamo de a intempérie metafísica exige uma fortaleza de espírito que nem todo mortal possui. Ateísmo é postura de fortes, de homens que não choramingam como carpideiras diante da morte. Espíritos frágeis, melhor se abster.

Nunca pretendi roubar a fé de quem dela precisa para viver. Mas me reservo o direito de dizer o que penso sobre a cultura que me cerca.


21 de agosto de 2012
janer cristaldo

A ORIGEM DA BÍBLIA, SEGUNDO INGERSOLL


Algumas famílias de viajantes - pobres, esfarrapados, sem educação, arte ou poder; descendentes daqueles que foram escravizados por centenas de anos; ignorantes como os habitantes da África Central e recém-fugidos dos seus senhores no deserto de Sinai. Seu comandante era Moisés, um homem que havia sido educado pela família do faraó e havia aprendido a mitologia e as leis do Egito.

Com o propósito de controlar seus seguidores ele fingiu que fora instruído e assistido por Jeová, o deus dos fugitivos. Tudo o que acontecia era atribuído à interferência do seu Deus. Moisés dizia que encontrara esse Deus cara a cara; que no topo do Monte Sinai ele recebera as tábuas de pedra nas quais, pelos dedos de Deus, os dez mandamentos haviam sido escritos, e que Jeová havia dito quais os sacrifícios e cerimônias que o agradavam e quais as leis que deveriam governar esse povo.

Deste modo a religião judaica e o código de leis foram estabelecidos. Não foi dito que esta religião e esse código de leis se estenderiam a toda a humanidade.

Naquela época esses andarilhos não tinham qualquer relacionamento com outros povos. Não havia linguagem escrita, eles não sabiam ler ou escrever. Não havia meios de trazer essas mensagens a outros povos, de modo que elas ficaram enterradas no linguajar dessas tribos ignorantes, miseráveis e desconhecidas por mais de dois mil anos.

Muitos séculos depois de Moisés, o líder, estar morto, muitos séculos depois que todos os seus seguidores já não mais existissem, o Pentateuco foi escrito, o trabalho de muitos escribas, e para dar força e autoridade, disseram que Moisés fora o autor.

Sabemos hoje que o Pentateuco não foi escrito por Moisés. Cidades são mencionadas que não existiam na época em que Moisés viveu. Dinheiro, cunhado séculos após sua morte, é citado.

Então, muitas regras não se aplicavam a viajantes do deserto -- leis sobre agricultura, sobre o sacrifício de bois, ovelhas e bezerro, sobre tecelagem de roupas, sobre colheitas, sobre o preparo de sementes, sobre casas e templos, sobre cidades e refúgios, e sobre muitos outros assuntos que nada diziam respeito a migrantes famintos do deserto e das pedras.

Hoje admitem os Teólogos inteligentes e honestos que Moisés não foi o autor do Pentateuco, mas todos admitem que ninguém sabe quem eram os autores, quem escreveu qual daqueles livros, este ou aquele capítulo e linha. Sabemos que os livros não foram sequer escritos numa mesma geração. Que não foram escritos por uma só pessoa. Que está repleto de erros e contradições. Sabe-se que Josué não escreveu o livro que leva seu nome porque trata de eventos que ocorreram muito tempo após sua morte.

Ninguém conhece ou finge conhecer o autor dos julgamentos; o que sabemos é que foi escrito séculos após os julgamentos deixarem de existir. Ninguém conhece o autor de Ruth, nem o primeiro e segundo de Samuel; o que sabemos é que Samuel não escreveu os livros que levam seu nome. No 25º capítulo do primeiro Samuel é citada a criação de Samuel pela bruxa de Endora.

Ninguém sabe quem foi o autor do primeiro e segundo livro dos reis ou o primeiro e segundo livro das Crônicas; tudo o que sabemos é que esses livros são de nenhum valor.

Sabemos que os Salmos não foram escritos por David. Nos Salmos a escravidão é citada, e isto não aconteceu até quinhentos anos após David ter ido dormir com seus pais.

Sabemos que Salomão não escreveu os livros dos Provérbios ou as Canções; que Isaías não foi o autor do livro que leva seu nome; que ninguém sabe o autor de Eclesiastes, Jó, Ester, ou qualquer outro livro do Velho Testamento, com exceção de Ezra.

Sabemos que Deus não é mencionado ou de qualquer outra maneira citado no livro de Ester. Sabemos também que o livro é cruel, absurdo e impossível.

Deus não é mencionado no salmo de Salomão, o melhor livro do Velho Testamento. E sabemos que Eclesiastes foi escrito por um não-crente.

Sabemos que os judeus não decidiram qual dos livros eram inspirados – autênticos - até o segundo século depois de Cristo.

Sabemos que a idéia da inspiração teve um crescimento gradual, e que a inspiração havia sido determinada por aqueles que tinham certos fins a atingir.

21 de agosto de 2012
janer cristaldo

A ENTREVISTA DO DIOGO MAINARDI



AQUI ESTÁ A ENTREVISTA DO PROGRAMA RODA VIVA NA ÍNTEGRA

Há alguns minutos postei aqui no blog a transmissão direta da entrevista do escritor e jornalista Diogo Mainardi. Entretanto, ao final dessa enrtrevista, decidi retirar o vídeo aqui do blog pois já estava em off.
Entretanto, verifico no contador de entrada do blog que há dezenas de acessos ao blog, principalmente via Google, procurando pela entrevista.
 
Assim, me vejo na obrigação de orientar os leitores interessados em ver a íntegra da entrevista que o site da TV Cultura tem uma sessão com as gravações em vídeo das entrevistas do programa Roda Viva completas. Não verifiquei se já está a de Diogo Mainardi, mas suponho que amanhá já deva estar disponível para os internautas interessados.
 
Os vídeos têm ótima qualidade. É que uma vez feita a postagem no blog permanece o registro no Google mesmo depois que o post foi deletado. Portanto, fica a indicação para que procurem no site da TV Cultura que certamente irão encontrar gravações de todas as entrevistas do Roda Viva. Fica o meu agradecimento à atenção de todos. Espero que esta dica possa lhes ser últil.

MAS..., SEMPRE TEM UM MAS...hehe...A entrevista já está aqui na íntegra para quem quiser vê-la aqui e agora em ótima qualidade de som e imagem.
Quem chegou até aqui não irá perder mais a viagem.
Mais uma vez obrigado a todos vocês.
 
21 de agosto de 2012
in aluizio amorim

AS PALAVRAS EXEMPLARES DO MINISTRO MARCO AURÉLIO MELLO

E eu não errei de personagem! Ninguém, como ele, foi tão duro com o mensalão e com os mensaleiros! Leiam e espalhem este texto!

O então presidente Lula e Marco Aurélio Mello numa mesma solenidade. Em 2006, o ministro enxergou com clareza a extensão dos crimes cometidos

Sabem que proferiu até hoje a condenação mais clara, veemente, inequívoca e irrespondível dos mensaleiros? O ministro Marco Aurélio de Mello! Sim, ele mesmo! Eu, que o tenho criticado muito nos últimos tempos, não teria a menor dificuldade de assinar como se fossem minhas palavras que são suas. E, se as reflexões daquele Marco Aurélio estão presentes no Marco Aurélio de agora, a ambos devoto a minha admiração. Do que estou falando? Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Eu não sei se os mensaleiros serão condenados ou absolvidos. Isso é com os membros do Supremo e com a consciência de cada um. Eu não fico tentando adivinhar o voto desse ou daquele.
Limito-me a relatar e a comentar a fala dos ministros e sua atuação dentro e fora do tribunal. Muitos leitores andaram a me fazer cobranças por conta de algumas críticas que fiz aqui a Marco Aurélio Mello. Compreendo a razão. Já o elogiei muitas vezes, ele sabe disso, na contramão até da opinião considerada “correta” pela média da imprensa. Isso nunca me pautou. Não tenho o menor receio de ficar com a minoria se achar que ela está certa.

“E agora critica por quê?” Porque não me alinho com pessoas, mas com ideias; não apoio esta ou aquela personagens da vida pública em razão de afinidades pessoais, mas de suas escolhas e atitudes. Elogiei Marco Aurélio, um homem notavelmente inteligente, e outros tantos quando tomaram atitudes que considerei acertadas; e os critiquei quando, a meu juízo, erraram. Fiz consideração parecida quando tratei do ministro Dias Tóffoli. Fui crítico severo de sua indicação, o que não impediu de reconhecer as muitas vezes em que proferiu votos exemplares. E voltei a demonstrar meu desconforto agora, quando não se declarou impedido, o que acho que deveria, sim, ter feito.

Conversei com Marco Aurélio ao telefone umas três ou quatro vezes. Encontramo-nos uma única, num evento social. Em todas elas, uma prosa agradável, vivaz e inteligente. Sempre admirei o que parece ser a sua independência e certo espírito desafiador de falsos consensos. Ele sabe disso porque escrevi isso. As minhas críticas de agora estão relacionadas, especialmente, à sua loquacidade fora do tribunal. Não quero repisá-las porque estão em arquivo.
Costumo dizer que não dou conselhos a gente mais rica e mais poderosa do que eu. E acrescentaria uma terceira restrição: também não aconselho os mais sábios. Em matéria de direito, ele é doutor, e eu não sou nem mesmo aprendiz. A minha opinião — não o meu conselho — é a de que não deve se confundir, ainda que o fizesse por excesso de rigor, com aqueles que pretendem fazer do STF uma caricatura de tribunal de exceção. Só isso!
Ao ser judicioso sobre alguns colegas — ainda que pudessem estar errados —, acaba como aliado objetivo de quem não está dando a menor bola para as instituições da República. E isso, definitivamente, não está à sua altura e à altura de sua história no tribunal. POUCO IMPORTA, REITERO, QUAL SEJA O SEU VOTO.

Viva este Marco Aurélio!

Agora, sim, quero retomar o primeiro parágrafo. No dia 4 de maio de 2006, o ministro Marco Aurélio assumiu, pela segunda vez, o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Fez um discurso primoroso (íntegra aqui). No exercício da Presidência da República, estava o senador Renan Calheiros (acho que Viajandão Inácio da Silva estava fora do país). Vejam que coisa: Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça e hoje advogado de um dos réus do mensalão, estava presente à posse. E ouviu do ministro as seguintes palavras. Leiam com atenção! Os destaques são meus. Volto depois.
(…)
Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira – composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta – um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques – o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir.


Não há, nessas afirmações – que lamento ter de lançar -, exagero algum de retórica. Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza.
A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.

A repulsa dos que sabem o valor do trabalho árduo se transformou em indiferença e desdém, como acontece quando, por vergonha, alguém desiste de torcer pelo time do coração e resolve ignorar essa parte do cotidiano. É a tática do avestruz: enterrar a cabeça para deixar o vendaval passar. E seguimos como se nada estivesse acontecendo. Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz de conta.
Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam – o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis. Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados.

Se, por um lado, tal conduta preocupa, porquanto é de analfabetos políticos que se alimentam os autoritarismos, de outro surge insofismável a solidez das instituições nacionais. O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito. Não paira dúvida sobre a permanência do regime democrático.
Inexiste, em horizonte próximo ou remoto, a possibilidade de retrocesso ou desordem institucional. De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes. Em Medicina, “crise” traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.

Nesse processo de convalescença e cicatrização, é inescusável apontar o papel do Judiciário, que não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o País.
Quem ousará discordar que a crença na impunidade é que fermenta o ímpeto transgressor, a ostensiva arrogância na hora de burlar todos os ordenamentos, inclusive os legais?
Quem negará que a já lendária morosidade processual acentua a ganância daqueles que consideram não ter a lei braços para alcançar os autoproclamados donos do poder?
Quem sobriamente apostará na punição exemplar dos responsáveis pela sordidez que enlameou gabinetes privados e administrativos, transformando-os em balcões de tenebrosas negociações?

Essa pecha de lentidão — que se transmuda em ineficiência — recai sobre o Judiciário injustamente, já que não lhe cabe outro procedimento senão fazer cumprir a lei, essa mesma lei que por vezes o engessa e desmoraliza, recusando-lhe os meios de proclamar a Justiça com efetividade, com o poder de persuasão devido. Pois bem, se aqueles que deveriam buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos preferem ocultar-se por trás de negociatas, que o façam sem a falsa proteção do mandato. A República não suporta mais tanto desvio de conduta.
(…)

Àqueles que continuam zombando diante de tão simples obviedades, é bom lembrar que não são poucos os homens públicos brasileiros sérios, cuja honra não se afasta com o tilintar de moedas, com promessas de poder ou mesmo com retaliações, e que a imensa maioria dos servidores públicos abomina a falta de princípios dos inescrupulosos que pretendem vergar o Estado ao peso de ideologias espúrias, de mirabolantes projetos de poder. Aos que laboram em tamanhas tolices, nunca é demais frisar que se a ordem jurídica não aceita o desconhecimento da lei como escusa até do mais humilde dos cidadãos, muito menos há de admitir a desinformação dos fatos pelos agentes públicos, a brandirem a ignorância dos acontecimentos como tábua de salvação.

(…)

 No que depender desta Presidência, o Judiciário compromete-se com redobrado desvelo na aplicação da lei. Não haverá contemporizações a pretexto de eventuais lacunas da lei, até porque, se omissa a legislação, cumpre ao magistrado interpretá-la à luz dos princípios do Direito, dos institutos de hermenêutica, atendendo aos anseios dos cidadãos, aos anseios da coletividade.

Que ninguém se engane: não ocorrerá tergiversação capaz de turbar o real objetivo da lei, nem artifício conducente a legitimar a aparente vontade das urnas, se o pleito mostrar-se eivado de irregularidades. Esqueçam, por exemplo, a aprovação de contas com as famosas ressalvas. Passem ao largo das chicanas, dos jeitinhos, dos ardis possibilitados pelas entrelinhas dos diplomas legais. Repito: no que depender desta Cadeira, não haverá condescendência de qualquer ordem. Nenhum fim legitimará o meio condenável. A lei será aplicada com a maior austeridade possível – como, de resto, é o que deve ser. Bem se vê que os anticorpos de que já falei começam a produzir os efeitos almejados. Esta é a vontade esmagadora dos brasileiros.

No mais, é aguçar os sentidos, a coragem, é aumentar a dedicação, acurar a inteligência e desdobrar as horas e as forças, no intuito único de servir à aspiração geral por um pleito limpo, civilizado e justo. É o que o Brasil merece e espera. É o que solenemente prometo ao assumir esta Presidência.
Muito obrigado.

Voltei

Tudo foi dito ali, nas barbas do presidente em exercício — e acho que Marco Aurélio teria dito a mesma coisa ainda que presente o titular — e do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Marco Aurélio tem clareza de que o escândalo apelidado de mensalão era a expressão do “segmento da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura (…)”

O ministro lamenta a banalização da corrupção e se refere explicitamente à denúncia formulada pelo então procuragor-geral da República: “Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza”. E tem consciência do papel que está reservado ao Poder Judiciário: “Nesse processo de convalescença e cicatrização, é inescusável apontar o papel do Judiciário, que não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o País.”

Convicções

Ao Marco Aurélio que pensa e age assim, o meu reconhecimento. Não quero aqui tomar o que vai acima como antecipação do seu voto, mas me parece que o ministro com as convicções de 2006 iluminará o ministro que vai votar em 2012. Afinal, sabe que os brasileiros abominam “a falta de princípios dos inescrupulosos que pretendem vergar o Estado ao peso de ideologias espúrias, de mirabolantes projetos de poder”.

O que eu espero de Marco Aurélio — porque ele tem história que me autoriza a ter esta esperança — é a consideração de que o eventual uso do dinheiro do mensalão para cuidar de eleições (passadas ou, então, futuras) é um elemento que agrava a situação dos réus, não uma porta de saída para a impunidade. A ser assim, ao peculato, à lavagem de dinheiro, à corrupção ativa, à corrupção passiva, à formação de quadrilha, a isso tudo, juntou-se a descarada tentativa de fraudar o próprio processo democrático. Aqueles crimes foram instrumentos de um crime de lesa democracia.
Prefiro acreditar que o ministro de 2006 está presente no ministro de 2012, com os mesmos valores.

21 de agosto de 2012
Reinaldo Azevedo

HADDAD PODE TER QUE PAGAR R$ 800 MIL POR PREJUÍZOS AO ERÁRIO COM CRIAÇÃO DO KIT GAY


O TCU (Tribunal de Contas da União) cobrou explicações do MEC (Ministério da Educação) sobre um suposto prejuízo de R$ 800 mil com a suspensão da distribuição do "kit anti-homofobia", lançado pelo então ministro Fernando Haddad, candidato ao PT à Prefeitura de São Paulo. Segundo acórdão do TCU, o valor foi gasto com a produção do material, mas a distribuição foi vetada pela presidente Dilma Rousseff após pressões de evangélicos, que o apelidaram de "kit gay". O kit continha três vídeos e um guia para professores interessados em abordar o tema com alunos do ensino médio -a partir de 14 anos.

O MEC chegou a afirmar que o material estava guardado e poderia ser usado pelo ministério, mas a explicação não convenceu o tribunal. No acórdão, o tribunal requer ao MEC que explique as razões técnicas para a o arquivamento do material e informe qual foi a autoridade superior do governo responsável por autorizar o kit.

Segundo o ministro José Jorge, apesar de a ação do ministério ter sido paralisada, o MEC não consegue comprovar qual será a destinação dos kits. José Jorge diz que "não é razoável a alegação de que o material se encontra pendente da análise de sua adequação e utilização". Caso o tribunal entenda que houve prejuízo, deve ser aberta tomada de contas especial para cobrar a reparação dos danos causados. O MEC afirmou que não foi notificado e que deverá "se reportar exclusivamente" ao TCU. Haddad não vai se manifestar sobre o caso.(Folha de São Paulo)
 
21 de agosto de 2012
in coroneLeaks

ADVOGADOS DOS MENSALEIROS TENTAM TUMULTUAR O JULGAMENTO

 

Existe uma tática jurídica de caráter antiético que recomenda tumultuar o processo, sempre que o desfecho se mostra desfavorável. É exatamente essa a estratégia de 20 dos advogados que atuam no julgamento do mensalão, que se reuniram para apresentar uma petição conjunta ao Supremo, alegando que a votação fatiada altera a constitucionalidade do julgamento.

Pela metodologia aprovada pelos ministros na quinta-feira, os votos serão dados em blocos, e não de uma vez só. E os advogados sustentam que o sistema provocará uma “verdadeira aberração” na cultura jurídica por conta do “voto amputado” do ministro Cezar Peluso.

Como o ministro Cezar Peluso se aposenta obrigatoriamente no dia 3 e participa da votação somente até 31 de agosto, que cai numa sexta-feira, os advogados afirmam que até lá Peluso deverá participar de, no máximo, seis sessões no julgamento e não conseguirá julgar vários mensaleiros.

Na petição, não ficou bem explicado o que isso verdadeiramente tem a ver com a constitucionalidade do julgamento. No linguajar impoluto dos criminalistas, o modelo “toma por princípio a versão acusatória e afronta o postulado do devido processo legal, bem como dispositivos do regimento interno”.

###

CÁLCULO DAS PENAS

Para esses ilustres causídicos, ao votar de forma fatiada e deixando o cálculo das penas para a fase final do julgamento, os ministros estarão criando uma situação “que desnatura a constitucionalidade do julgamento”.

Eles então pedem que o Supremo esclareça, “diante da obscura ordem estabelecida para o julgamento”, o roteiro de votação a ser seguido, inclusive com o modelo de votação de cálculo de penas.

Solicitam também que o Supremo autorize acesso aos votos parciais do ministro relator Joaquim Barbosa durante as sessões e em “momento precedente à sua leitura”, o que qualquer leigo entende ser impossível, pois como é que se iria divulgar um voto que ainda não foi dado e que pode ser modificado até o momento da apresentação?

Por fim, os advogados querem cópia do memorial entregue, na semana passada, pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo contra as defesas dos réus feitas durante o julgamento. E neste ponto eles têm toda razão, pois devem ter acesso a todas as peças dos processos.
O resto é uma tremenda conversa fiada, exclusivamente para tumultuar o processo.

SUPREMO DIZ QUE JULGAMENTO SERÁ FATIADO

 

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS

SOBRE O FUTURO MERCADO SUCESSÓRIO


Houve tempo em que era moda, na Bolsa de Valores, jogar no mercado futuro. Hoje a prática anda um pouco enfraquecida, mas ainda funcionando.

Agora, se a economia empalideceu, a política passou a ganhar fortes matizes. Além do julgamento do mensalão, da CPI do Cachoeira e das eleições municipais, eventos que terminarão quando chegar o fim do ano, passará a reinar absoluta a sucessão presidencial de 2014, apesar de faltarem dois anos. Isso porque já se torna impossível não imaginar a disputa futura. Apesar de encontrar-se em aberto a disposição das forças partidárias, dá para projetar as preliminares.

Dilma Rousseff, apesar de não haver avançado uma só palavra a respeito, é candidatíssima à reeleição. Em especial depois de o Lula dizer que apenas aceitará candidatar-se caso a sucessora não queira, e em seguida à correção de dona Marisa, para quem o marido estava brincando quando aventou a hipótese.

Supondo-se a atual presidente candidata pelo PT, não obstante a má vontade dos companheiros que não conseguiram transformar o governo num condomínio, a pergunta refere-se diretamente à sua popularidade. Continuando como vai, não haverá força no PT capaz de afastá-la.

Tudo indica que o PMDB acomodou-se desde já, pretendendo continuar a compor a chapa oficial, com Michel Temer na vice-presidência. A concordância de Dilma com as indicações de Renan Calheiros para presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, na Câmara, selou a base da aliança a ser mantida.

Existem problemas na periferia, é claro: o PSB de Eduardo Campos anda indócil para emplacar a candidatura do governador de Pernambuco. Ele seria aquele fator capaz de desarticular as forças tradicionais, como já aconteceu nos tempos da candidatura de Fernando Collor. Poucos esperavam, mas aconteceu.

Do lado das oposições ortodoxas, com muito pouca ortodoxia, bicos estão batendo na tentativa de os tucanos alçarem vôo. Geraldo Alckmin rompeu a paz ao admitir sua candidatura, decisão que logo despertou José Serra. Imaginava-se o governador paulista acomodado à reeleição a que tem direito, bem como Serra enclausurado na prefeitura paulistana, no caso de vencer em outubro. Derrotado, estaria fora de cogitações, mas vitorioso, apesar de proclamar que apóia Alckmin, na verdade está dizendo que continua no páreo presidencial.

Os paulistas acabam de queimar esses planos, porque no fundo não admitem a prevalência dos mineiros. Assim, atingiram as pretensões quase certas de Aécio Neves vir a candidatar-se. Também, é preciso saber se o ex-governador de Minas está mesmo disposto a enfrentar Dilma e correr o risco de perder, se o governo dela continuar enfeixando a mesma popularidade. Ele é moço. Tem tempo.

Antes da inusitada afirmação de Alckmin, já examinava a possibilidade de voltar ao governo mineiro, onde dispõe de cadeira cativa, até porque o governador Anastásia é inelegível para 2014 .

Sobram os penduricalhos. O PMDB só se animaria a quebrar o entendimento com Dilma caso ela tomasse rumo descendente, o que não é o caso. Mas o PTB, o PDT, o PP e o PR estão aí mesmo para barganhar. Fernando Collor gostaria de tentar a sorte pelos trabalhistas, Cristóvam Buarque, pelos brizolistas. Marina Silva pelos ecologistas. E que outros mais dispostos a acreditar em milagres?

Mercado futuro em política é assim. Em condições normais de temperatura e pressão, costumam realizar-se as hipóteses mais previsíveis, ainda que garantir, ninguém garanta. Quem quiser apostar que aposte, mas será sempre bom aguardar.

###

ENQUANTO ISSO…

A longa, precisa e preciosa análise de Mauro Santayana no blog da Tribuna da Imprensa, no fim de semana, exprimiu um alerta que a nenhum governante será dado ignorar. Nem a consciência da nação. O colega demonstrou por onde anda o futuro da indústria bélica nacional, atropelada não só pelas multinacionais, mas pelos governos das principais nações do planeta. Querem destruir o pouco que reconstruímos, depois do lesa-pátria neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Quem perdeu o texto precisa recuperá-lo.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

GUERRA SANTA ELEITORAL


Gilberto Freyre, pai da sociologia e da antropologia brasileira, que longamente resistiu à ditadura de Getúlio Vargas, foi candidato à Constituinte em 45, em Pernambuco, pela Esquerda Democrática, banda socialista da UDN, que depois virou Partido Socialista Brasileiro.

Foi o orador oficial do comício que recebeu Luiz Carlos Prestes em Recife, “a cidade vermelha”, logo depois que ele saiu da cadeia. E deixou a multidão em silêncio, quando o saudou citando o filósofo Unamuno:
- Ave ferida, pelicano rasgado em pleno peito.
A Liga Eleitoral Católica (LEC), irada, vetou sua candidatura.

###

GILBERTO FREYRE

Monsenhor Sales, vigário de Soledade, todo rendado, todo massageado, cabelos emproados e oratória barroca, sempre que via dona Madalena, mulher de Gilberto Freyre, nas missas, entre os fiéis, desancava-o no sermão, condenando sua candidatura como “comunista”.

Gilberto Freyre foi tolerando e monsenhor Sales subindo de tom. Até que um dia deu esta declaração ao Diário de Pernambuco:

- Eu não digo que Monsenhor Sales não deva usar algum carmin. Mas que use tanto quanto está usando é demais.
Monsenhor Sales se calou, Gilberto Freyre se elegeu, apesar da Liga Eleitoral Católica.

###

IMPOR CANDIDATOS

A Liga Eleitoral Católica foi uma tentativa frustrada, inquisitorial, meio medieval, da Igreja Católica, nas décadas de 30 e 40, até as eleições de 50, de impor e vetar candidatos em época de eleições.

Em 32, nos preparativos das eleições de 3 de maio de 33 para a Constituinte de 34, Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, e Sobral Pinto, membros do católico Centro Dom Vital, fundado pelo poderoso ativista cultural Jackson de Figueiredo, propuseram ao cardeal do Rio, dom Sebastião Leme, a criação de um partido político católico.

Dom Leme não aprovou a idéia e propôs a “formação de um organismo eleitoral sem caráter partidário, que atuasse como grupo de pressão”. Foi então criada a LEC, dirigida por uma Junta Nacional, cujo presidente era Pandiá Calógeras e Alceu Amoroso Lima secretário-geral.

Fazia listas aprovando e vetando candidatos. O eleitorado não tomava conhecimento. Foi assim em 33, depois na Constituinte de 45 e em 50, quando impugnou em vão a candidatura de Café Filho à vice-presidência da República com Getúlio Vargas.
Não deu certo. O eleitorado não rezava pela mesma cartilha deles.

21 de agosto de 2012
Sebastião Nery