"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A TURMA DOS SEM CABEÇA

ESFORÇO ADICIONAL

 

Advogados criminalistas de um modo geral têm demonstrado grande contrariedade com a linha adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Ouve-se a reclamação em toda parte, sejam os advogados defensores ou não dos acusados na ação penal 470. A despeito de toda a consistência de argumentação transmitida ao vivo pela televisão, alegam desrespeito ao "devido processo legal".

Falam em "absurdos" sem apontar precisa e incontestavelmente quais desatinos estariam sendo cometidos. Tampouco conseguem explicar o que esperavam que o STF fizesse diante de todos os atos e fatos presentes nos autos, e pelo relator perfeitamente concatenados.

Subjacente às inflamadas alusões à agressão ao Estado de direito, parece mesmo haver o temor de que o rigor na aplicação da lei torne daqui em diante mais difícil o trabalho das defesas tão acostumadas à supervalorização de formalidades quando o figurino dos réus é o do colarinho branco.

Prova de que esperavam atuar em zona de conforto foi a fragilidade da argumentação apresentada no início do julgamento. Confiantes, os advogados não entraram no jogo à altura do enfrentamento que os esperava.

Para conferir, basta revisar as sustentações orais feitas antes do início da manifestação dos ministros: pífias, notadamente se cotejadas com a substância dos votos que viriam depois.

Nenhum deles exibiu visão do conjunto. Nada que pudesse nem de leve abalar a descrição da montagem do esquema de arrecadação fraudulenta de recursos e da distribuição delituosa entre partidos e políticos com a finalidade de comprar apoio ao governo no Congresso.

Os advogados pecaram por excesso de confiança - seria ofensivo falar em preguiça - e agora reclamam porque o Supremo não caiu na conversa fiada nem se deixou impressionar pela ofensiva mistificadora da dicotomia entre julgamento "técnico" e "político".

Menosprezaram a contundência dos termos com que o tribunal recebeu a denúncia em 2007, perderam tempo em desqualificar o trabalho do Ministério Público e se escoraram na tese do crime eleitoral.

Venderam um peixe deteriorado aos clientes que, se alertados a tempo, provavelmente não teriam ficado tão calados.

Mesmo peso. O Supremo absolveu Duda Mendonça das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas basicamente pelo mesmo motivo que inocentou Fernando Collor em 1994: falhas formais na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral.
Nada a ver com tolerância ao uso do caixa 2.
Joga a chave. O PT tergiversa, fala em lançar um manifesto logo após a eleição, mas está matutando como fazer algo mais para marcar posição contra as condenações.

O que se diz nas "internas" é que o partido não pode assistir calado às prisões de José Dirceu e José Genoino.

Há quem defenda "botar fogo", sem dizer exatamente o que significaria isso.

E há quem nutra a esperança de que a presidente Dilma Rousseff assine o indulto dos prisioneiros, desconsiderando o potencial deflagrador de crise entre Poderes desse gesto.

Zumbi. A CPI do Cachoeira virou um cadáver insepulto sem ter alcançado nenhum de seus objetivos: não foi eficaz como instrumento de vingança contra "os autores da farsa do mensalão" nem revelou os laços do crime organizado com políticos e empresários envolvidos em negócios governamentais ilícitos.

Complicou a vida do governador Marconi Perillo? Sim, e daí?

Daí que só serviu para explicitar o quanto o Congresso, no contraste com o Judiciário, é um vexame completo.

17 de outubro de 2012
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

LEITE CONDENSADO E FORMICIDA?

 

Alguns leitores generosos responderam ao meu apelo e escreveram soluções para o dilema do meu personagem que, na semana passada, livra-se de um câncer no pulmão direito e esquerdo, somente para enfrentar os elos sinistros entre o formicida (o veneno que extermina) e o leite condensado (remédio que mata se ingerido em grandes doses).

Começo com o Luiz Pinto de Carvalho, cujo otimismo imagina que eu tenha recebido "dezenas, talvez centenas de mensagens". Ele começa esperando que o meu personagem não cometa suicídio mas, vivendo, pague a dívida contraída de má-fé. A "moral" de sua primeira versão é simples: "foi desonesto, paga sofrendo".
Mas a par dessa sentença mensalônica, essa novidade no cenário social brasileiro: a condenação pelo Supremo dos mentores de um esquema de permanência no poder, mesmo quando tramado por altos figurantes intimamente ligados ao partido que nos governa, ele inventa outras soluções. Excluindo a fuga e a esquizofrenia da clandestinidade, Luiz muda o tempo da narrativa e faz o herói virar um pirata.
Levado à época das caravelas, ele vive várias aventuras e morre numa batalha sangrenta. Isso para fazer o personagem reviver para contar suas aventuras aos netos "que surgiram não sei bem como". Depois de todos esses finais, segue uma variante final. Com os credores à porta, o herói amplia sua vingança. Processado, ri da Justiça e morre num acesso de tosse.

Madalena Diégues Moreira Alves, minha estimada amiga, revela igualmente uma intensa vocação criativa naquilo que ela chama de uma "versão Pollyana" para o personagem. Entre a vida e a morte, vem-lhe a lembrança de uma caixinha de chocolate em pó que sua mãe guardava ao lado do leite condensado.
Resolve misturar leite condensado e chocolate e faz um brigadeiro seguindo a receita que sua mãe lhe passara antes de morrer de um câncer. Em seguida, toma um avião e revisita o médico para, paradoxalmente, lhe oferecer o doce. Lá, ele faz uma dupla descoberta: seu exame fora trocado - ele jamais teve câncer; e a enfermeira, especialista em brigadeiro, percebeu como a receita da mãe do nosso herói era especial. Associam-se nos negócios e na vida e abrem uma loja de chocolates com total sucesso. Com os extraordinários lucros, pagam as dívidas, compram uma fazenda e o formicida é usado para matar, como manda o figurino, "as formigas que cercavam a linda casa da fazenda".

Outro leitor, o Paulo Henrique Nonato escreve a amigos e distingue o cronista incluindo-o na lista. Diz de modo comovente: "Desejei muito que o Lulu ainda estivesse aqui (...) e tivesse aproveitado, da mesma forma (que o personagem), o produto da venda do apartamento assim que recebeu a notícia. Afinal" - termina o Paulo Henrique - "é claro que ele escolheria o doce".

* * * *
Essas reações levam a pensar no "quem conta um conto inventa um ponto". E na história de Machado de Assis Quem Conta Um Conto..." (publicado no Jornal das Famílias, em 1873), cujo título e enredo falam diretamente dessa atividade que nos torna humanos: "o gosto de dar notícias".
Há necessidade de criar pontos de vista, pois as narrativas só viram histórias porque não dizem tudo. Todas são sempre reativadas por receptores que estão em outros lugares e nelas podem enxergar alternativas.

Outro pensamento que me ocorreu foi verificar como os meus leitores abandonaram a realidade da história original. Nela, o personagem vive no presente; ele é um professor universitário e jamais pensaria em fazer um brigadeiro; seu câncer foi real, bem como sua dívida. Eu pedi socorro para o dilema, não para o conto porque, como disse João Guimarães Rosa, a minha história, sendo minha, era verdadeira. A mentira vem da generosidade dos leitores que a modificam a seu gosto. Uma equação matemática não pode ser modificada para ser resolvida. Romancear é fazer equações humanas.

* * * *

Finalmente, vale acrescentar que estamos vivendo num Brasil que faz a virada do acerto dos contos. Tribunais existem precisamente porque vivemos em busca do "direito". Do mais correto, do mais justo, do mais verdadeiro; numa palavra: do melhor enredo ou história. Mas quem define o verdadeiro ou o "real", cuja existência os seus inventores - os filósofos - discordam? Serão as doutrinas religiosas e políticas? Será uma palavra de ordem ou a polícia política? Serão os que estão no poder?

Se o arbitrário é o dilema e se o dilema de estar sempre entre formicida (veneno) e leite condensado (remédio) é parte da nossa condição, então não há como fugir de que o melhor é a versão que leva à liberdade, ao direito de defesa e, a partir dela, à inocência ou à condenação. Como num jogo, estabelecemos regras somente para descobrir como elas fabricam incertezas e novas versões.

O fascismo formicida diz que só há uma voz e uma resposta. O leite condensado liberal assenta-se na presença de muitas vozes e respostas. Uma democracia repousa num contínuo refazer-se. Ninguém pode se arvorar a ser dono da democracia ou do sistema político brasileiro. O passado não isenta o presente e nenhum dos dois garante um futuro.

O que, então, resta ao personagem? Sobra acatar aquilo que a coletividade considera como razoável em termos dos seus valores. O que não é fácil, neste mundo magicamente ilimitado, no qual até mesmo uma crônica corriqueira - para muitos um bom exemplo da minha subliteratura - acende várias soluções...

17 de outubro de 2012
Roberto DaMatta - O Estado de S.Paulo

AS ÚLTIMAS DO ANEDOTÁRIO "POLÍTICO" BRASILEIRO PESCADAS NO SANATÓRIO GERAL

Falta hospício


“Acabaram com a minha vida pública porque eu não cedia às chantagens desses bandidos”.

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, chefe do mensalão do DEM, garantindo em depoimento na Justiça que ele era o mocinho do filme em que aparece numa reunião da quadrilha embolsando sua parte do produto do roubo.

Conta outra, companheiro


“Não tem ninguém do mensalão na minha campanha”

Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, jurando que Lula nunca soube de nada e que há pelo menos sete anos não conversa com José Dirceu e José Genoíno.

Irmão malandro


“A regulamentação da comunicação no Brasil tem que ser realizada para que os órgãos de imprensa cumpram seus papéis com isenção na cobertura dos eventos. A mídia não pode ser partido político”.

José Guimarães, deputado federal do PT do Ceará, aquele cujo assessor inventou a cueca-cofre, explicando que, se a imprensa cobrisse com isenção o julgamento do mensalão, ninguém estaria sabendo que seu irmão José Genoino foi condenado pelo STF por corrupção ativa.

Besta quadrada


“O comportamento da mídia na véspera da eleição ameaçava a democracia”.

André Vargas, deputado federal do Paraná e secretário de comunicação do PT, ensinando que a democracia só funciona sem liberdade de imprensa.

O Pitta do PT


“Tenho plena confiança de que Fernando Haddad será um dos melhores prefeitos que São Paulo já teve”.

Paulo Maluf, deputado federal e dono do PP, nesta terça-feira, explicando que Fernando Haddad, candidato a prefeito do PT, é a versão 2012 de Celso Pitta.

Gente fina


“Diga alguma coisa inteligente e depois volte ao normal”.

Roberto Requião, senador pelo PMDB do Paraná, mandando um recado no Twitter para André Vargas.

O pontapé funcionou


“É muito bom ver um estádio que está quase pronto”.

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, durante a visita ao Mineirão, feliz com a constatação de que não foi má ideia desferir publicamente um pontapé no traseiro dos organizadores da Copa de 2014.

Besta quadrada


“Vai se dar mal quem usar o julgamento do mensalão contra petistas nas campanhas municipais neste segundo turno”.

Rui Falcão, presidente do PT, nesta segunda-feira, comunicando à nação que o eleitorado brasileiro exige que os culpados sejam tratados como inocentes, que os corruptos sejam considerados honestos e que a imprensa divulgue o que diz uma besta quadrada como Rui Falcão.

Cidade em perigo


“Tenho certeza de que a revolução que Haddad fez no MEC irá repetir em São Paulo”.

Lula, garantindo que, se Fernando Haddad virar prefeito, todos os moradores da cidade aprenderão que está certo falar “nóis pega os peixe”.

Tudo explicado


“Para nós, fotógrafo e jornalista bom é jornalista morto”.

Sebastião Juruna, advogado de Delúbio Soares, revelando com uma única frase por que é integrante do departamento jurídico do PT.


17 de outubro de 2012
Augusto Nunes

IMAGEM DO DIA

  • Próxima Foto
  • Menino coleta lixo reciclável em aterro, no Afeganistão
    Menino coleta lixo reciclável em aterro, no Afeganistão - Jawad Jalali/AFP
     
    17 de outubro de 2012

    CADA CIVILIZAÇÃO CRIA UM DEUS À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA

     

    Cada civilização fez seu Deus à sua imagem e semelhança. Os africanos fizeram seus deuses “afrodescendentes” de pele negra, os indianos com cabelos lisos, os orientais com os olhos puxados, os indígenas no norte da América com a “a pele vermelha”, os europeus aloirados e com os olhos claros, os gregos e romanos loiros e morenos-claros com olhos azuis, e por aí vai…


    E cada um diz que o seu Deus é o que é certo, é o único e o verdadeiro criador do mundo, que os outros são falsos e que, por isso, o nome do seu Deus deve ser divulgado pelo mundo e que os outros deuses devem ser desprezados – nem que para isso seja necessário uma pequena “força” de convencimento!

    Ora, será que, se os cristãos tivessem nascido na Índia, não estariam se curvando para Bhrama? Ou, se tivessem nascido no Afeganistão, não adorariam o Profeta e morreriam pelo seu nome? E se, porventura, tivessem nascido na África, não procurariam se aproximar dos deuses com sacrifícios para Obaluaiê? Ou mesmo, por acaso, nascido entre os aborígenes australianos, não adorariam Mangar-kunjer-kunja – o lagarto que criou os seres humanos – e não jurariam de “pés juntos” que este é, realmente, o Deus verdadeiro?

    Quem considera que todos os seres humanos são iguais, independente da cor, crença e raça (de acordo com o atual governo, os humanos se dividem em raças, como cachorro!) e que, por isso mesmo, acredita que toda a cultura tem o mesmo valor, terá que concordar em uma coisa: ou todos estão certos ou todos estão errados, já que ninguém é melhor do que ninguém…

    17 de outubro de 2012
    Francisco Vieira

    AS PRESENÇAS DE SEVERO GOMES

     

    Há 20 anos, numa tarde cinza, o ex-ministro Severo Gomes ia ao helicóptero em que morreria. Raro industrial de SP contra a tortura, caiu por denunciá-la.


    Severo, um democrata autêntico

    “Tinha este dom, o Severo: nele os extremos se tocavam, cessavam os contrastes. A boêmia e a disciplina. O empenho no que fazia e o à-vontade no que sabia de graça” – Otto Lara Rezende, em “A sua vida continua”, na Folha de 16 de outubro de 1992.

    Nesses dias em que a Comissão Nacional da Verdade começa a desvendar os crimes dos agentes de Estado na ditadura militar, ganham sentido as denúncias de tortura que Severo Gomes, ministro no governo Geisel, levava corajosamente ao centro de governo.

    Agora que se refazem os rastros do financiamento das equipes de torturadores pelos grandes industriais paulistas, entre os raríssimos que não contribuíram estão José Mindlin e Severo Gomes.
    Mas os protetores dos algozes jamais irão perdoar Severo, e a sua queda do ministério se dá justamente no contexto de uma provocação armada por eles.

    Liberal num governo autoritário, apoiou a realização na Universidade de Brasília da reunião de 1976 da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), uma das gigantescas assembleias pela democracia das quais sempre participava.

    Uma pesquisa sobre história da industrialização em São Paulo, em convênio com a Unicamp, chega até a mesa do general Geisel, que o chama para explicar o que o Ministério da Indústria e Comércio tinha a ver com aquilo. Severo explicou: “Presidente, como estudar a indústria sem tratar da história dos operários?”.

    O convênio serviu para consolidar ali o Arquivo de História Social Edgard Leuenroth, o maior do continente hoje. Dali saiu o belíssimo filme de Lauro Escorel, “Os Libertários”. Lembro-me da projeção do copião no apartamento de Severo, emocionado.

    Severo se inquietava com a situação das prisões no Brasil, 90 mil presos submetidos à superpopulação e a condições inumanas -hoje são 515 mil detentos, a quarta maior população carcerária do mundo, depois dos EUA, da China e da Rússia.

    Em 1983, Severo, já na oposição, convoca um grupo de amigos – Fernando Millan, Hélio Bicudo, José Gregori, Antonio Candido (seu antigo mestre que admirava) e outros- para visitar o manicômio de Franco da Rocha, onde pacientes foram massacrados pela polícia militar.

    O grupo viria a ser Comissão Teotônio Vilela de direitos humanos, que comemora agora 29 anos.
    Severo, no Senado, dedicou-se aos temas da transição política e do Estado de Direito. Na Constituinte, foi um dos relatores do artigo 5º da Constituição de 1988, que trata dos direitos individuais.

    Ali defendeu os direitos dos afrodescendentes, organizando o primeiro seminário sobre racismo na história do Senado Federal. Defendeu arduamente os povos indígenas, junto com a comissão pela criação do Parque Yanomami.

    Nos seus discursos clamava pela redistribuição da renda e da riqueza, denunciando a falta de recursos para enfrentar os problemas sociais.

    A cena embaçada em um filme, naquele 12 de outubro, há vinte anos, foi a última.
    Em um fim de tarde cinzenta em Angra dos Reis, Maria Henriqueta, sua mulher, sobe a escada de um helicóptero, onde já estavam Ulysses Guimarães e sua mulher, Mora. Antes de entrar, Severo, um lenço amarrado em volta do pescoço, sorri. A cerimônia dos adeuses foi fugaz. O que nos resta é não esquecer.

    PAULO SÉRGIO PINHEIRO, 68, é professor
    titular de ciência política aposentado da USP.

    LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)

     


    SISTEMA DE COTAS...



    TODO CUIDADO É POUCO. MISTURA DE POLÍTICA E RELIGIÃO AGRAVA O RADICALISMO NO EGITO

     

    É grave a situação e não existe perspectiva de estabilidade institucional. Misturar política e religião nunca dá certo, mas é a norma em todos os países árabes, entre os quais o Líbano é o mais ocidentalizado, digamos assim. No Egito, onde a ocidentalização também avançava, a recente eleição direta do presidente da República acabou marcada pelo ranço religioso, e a radicalização aumenta.



    Tudo converge para a famosa Praça Tahrir, no Cairo, onde raiou em 2011 a Primavera Árabe que redundou na derrubada do mumificado eterno presidente Hosni Mubarak, um coronel aviador que há décadas ocupava o poder, com apoio e financiamento dos Estados Unidos.

    Na última sexta-feira, partidários e opositores do novo presidente do Egito, Mohamed Mursi, se enfrentaram e se envolveram em diversos incidentes na Praça Tahir, onde manifestantes dos dois lados atiraram pedras e coquetéis molotov uns nos outros, vejam a que ponto chegou a radicalização religiosa. Cerca de cem pessoas ficaram feridas nos confrontos na emblemática praça da capital egípcia, segundo o ministério da Saúde.

    Tudo começou quando, atendendo ao chamado da Irmandade Muçulmana, confraria da que é membro o presidente, centenas de pessoas protestaram contra a absolvição, na quarta-feira, de personalidades do regime de Hosni Mubarak acusadas de ter ordenado uma carga com cavalos e camelos na praça para desalojar os manifestantes no começo de 2011.

    Outro protesto foi convocado por militantes laicos para reivindicar a formação de uma nova comissão constituinte mais representativa, em um momento em que a Alta Corte Administrativa deve se pronunciar sobre a legalidade da atual comissão, dominada pelos islamitas.

    Os choques começaram quando partidários da Irmandade Muçulmana destruíram o palanque de um grupo que gritava palavras de ordem contra Mursi, segundo um jornalista da Agência France Press. Segundo testemunhas, manifestantes incendiaram um ônibus que levara os partidários da Irmandade à praça.

    O Egito enfrenta grave crise econômica desde o início da Primavera Árabe. Agora, o risco maior é essa mistura de política e religião conduzir a uma situação explosiva, que faça as forças armadas egípcias intervirem e voltarem a usurpar o poder. Se a disputa for no voto, os islâmicos conservadores ganham de barbada.

    AS TELECOMUNICAÇÕES E A SEGURANÇA DO BRASIL

     

    O Comitê de Inteligência do Congresso dos Estados Unidos divulgou, nos últimos dias, relatório em que acusa os fabricantes chineses de equipamentos de telecomunicações ZTE e Huawei, de produzirem material passível de ser utilizado em ações de espionagem contra o governo norte-americano.



    Os EUA são useiros e vezeiros em espionar a rede e os sistemas de telefonia com programas que captam palavras-chave que imaginam estar ligadas a mensagens supostamente emitidas por organizações “terroristas” ou governos estrangeiros hostis.

    As acusações foram prontamente refutadas pelas empresas. De acordo com seus portavozes, o objetivo do relatório é prejudicar o acesso de seus produtos ao mercado norte-americano. O episódio serve para nos mostrar a crescente ligação entre segurança nacional e telecomunicações.
    Desde a privatização do sistema, temos nos descuidado dessa preocupação com a nossa estratégia nacional de defesa.

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    DESNACIONALIZAÇÃO

    Nos anos 1990, a Telebras foi criminosamente esquartejada, vendida e desnacionalizada pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. E a sua recuperação parcial está sendo sabotada.
    Até mesmo os satélites Brasilsat, por cujos canais passa a comunicação de nossas Forças Armadas, vital em caso de conflito, foram entregues ao controle estrangeiro, mediante a Embratel.


    O Grupo francês Alcatel-Lucent acaba de anunciar um contrato com a empresa norte-americana Seaborn Networks, para a instalação de um cabo ótico submarino, de 100 gigabites, entre Nova Iorque e São Paulo, com conexão em Fortaleza.

    Curiosamente, o executivo-chefe da Seaborn Networks, Larry Schwartz, é citado, na página principal do site da própria empresa, como um especialista cujos artigos são rotineiramente publicados em páginas ligadas ao “establishment” estratégico-nacional norte-americano, como o Council of Foreign Relations (Conselho de Relações Externas) e o Center for International Security & Arms Control (Centro de Segurança Internacional e de Controle de Armas) da Universidade de Stanford.

    Pouco importando o teor dos artigos de Mr. Schwartz, estamos na iminência de ter, nos próximos anos, nosso tráfego de internet, de transmissão de dados e de voz, com os Estados Unidos e (via EUA) com o resto do mundo, fisicamente controlado, e eventualmente filtrado e monitorado, por uma empresa estrangeira. Essa empresa, sediada em país estrangeiro, é comandada por um especialista norte-americano ligado ao universo da “segurança internacional” e da tecnologia da informação.

    A ANATEL, que teoricamente deve autorizar a instalação do cabo em território brasileiro, tem conhecimento disso? Essa ligação submarina faz parte, por acaso, das quatro que estão previstas para ser instaladas pela Telebrás nos próximos anos? Com a palavra, o nosso Congresso. Não o dos Estados Unidos.

    17 de outubro de 2012
    Mauro Santayana

    SELEÇÃO APRESENTA OUTRO FUTEBOL E TOSTÃO COMEÇA A TER ESPERANÇA

     

    Belas vitória e atuação do Brasil. O Japão facilitou, quis marcar à frente e jogar como se fosse grande. O Brasil terá mais dificuldades contra fortes adversários e equipes médias, que marcam bem atrás para contra-atacar.


    Kaká está bem

    O futebol que se joga hoje nos campeonatos brasileiros, com excesso de faltas, chutões, jogadas aéreas e muito tumulto, não tem nada a ver com o futebol da seleção brasileira, com muita troca de passes, compacto, contra-ataques, marcação na frente, volantes que atacam e defendem, sem centroavante fixo e sem um meia de ligação, único responsável pela armação das jogadas.
    Os quatro mais adiantados são meias e atacantes. Os quatro dão passes e fazem gols.

    Evidentemente, só teremos uma ótima seleção quando o time jogar bem, com regularidade e no mesmo nível das melhores seleções. Mas esse é o caminho. Infelizmente, na primeira má atuação e/ou derrota, vão pedir, por convicção e/ou para fazer média com torcedores de clubes, vários jogadores e mudanças no esquema tático. É óbvio que o Brasil tem de ter um bom e típico centroavante como opção.

    Kaká confirmou, mais uma vez, pela movimentação, que só não é titular do Real Madrid porque há, em sua posição, outros excelentes jogadores dentro do elenco. Ao lado de atacantes velozes, agressivos e que fazem gols, como Cristiano Ronaldo, Iguaín e Benzema, o técnico Mourinho prefere um típico armador (Özil) a um jogador veloz e com característica de atacante, como Kaká.
    Pela primeira vez, estou com esperanças de o Brasil ter um ótimo time para a disputa da Copa do Mundo de 2014.

    17 de outubro de 2012
    Tostão (O Tempo)

    MENSALÃO: PETISTAS DEVEM SER CONDENADOS POR FORMAÇÃO DE QUADRILHA ANTES DO SEGUNDO TURNO


    Os ministros do STF querem acelerar o julgamento do mensalão e definir até o dia 25 todos os condenados e as penas que terão de cumprir.
    Relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa viaja dia 27, véspera das eleições municipais, para Dusseldorf (Alemanha), onde se submeterá a tratamento de saúde. Só deverá retornar ao Brasil em 3 de novembro.
    Por isso, ministros afirmam que o caso precisa estar encerrado até lá. Para essa arrancada final, o tribunal deve repetir a celeridade demonstrada no julgamento do publicitário Duda Mendonça, iniciado e concluído no mesmo dia.
    Nas próximas sessões ocorreriam os últimos julgamentos. Na semana que vem, os ministros se concentrariam no cálculo das penas. Três sessões seriam reservadas para solucionar pendência.
     
    A conclusão do julgamento dará nova munição às campanhas de adversários do PT pelo País, que já têm explorado, por exemplo, a condenação do ex-ministro José Dirceu e dos ex-dirigentes do partido José Genoino e Delúbio Soares. Até lá, além de julgar se houve a formação de uma quadrilha para cometer os crimes denunciados pelo Ministério Público, a definição das penas indicará quais réus terão de cumprir pena em regime fechado ou em semiaberto.
    Para conseguir esse "sprint final", o tribunal deve repetir nas próximas sessões a celeridade vista no julgamento do publicitário Duda Mendonça, o ex-marqueteiro de Lula absolvido dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi a primeira vez que o tribunal conseguiu iniciar e concluir o julgamento de uma fatia do processo no mesmo dia.
    Nesta quarta-feira, 17, conforme a expectativa do relator, o tribunal deve encerrar o julgamento dos ex-deputados petistas Professor Luizinho – já absolvido pela maioria –, João Magno e Paulo Rocha e do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. Os quatro são acusados de lavagem de dinheiro por terem recebido recursos do esquema. O encerramento desse item depende dos votos dos ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto.
    Em seguida, o relator do processo deve começar a ler seu voto sobre a acusação de que Dirceu e outros 12 réus do processo formaram uma quadrilha destinada à prática de todos os crimes que tornaram viáveis, segundo o Supremo, o esquema de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do governo Lula. Barbosa adiantou que o voto relativo a essa fatia tem cerca de cem páginas.
    Revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski adiantou que seu voto será breve. Isso deixaria tempo para os oito ministros remanescentes concluírem, ainda na quinta-feira, o julgamento da acusação de formação de quadrilha.
    Na próxima semana, os ministros se concentrariam apenas no cálculo das penas. Três sessões seriam reservadas para solucionar alguns impasses, como julgamentos que terminaram empatados – até agora, é o caso de quatro réus –, definir as penas e decidir sobre a imediata prisão dos condenados. A fim de evitar numerosas divergências, alguns ministros defendem reservadamente uma negociação prévia das penas. Caso contrário, o julgamento poderia ter diversas propostas de penas para cada um dos réus.
    Encerrado o julgamento, o caso do mensalão entra em nova fase. Para que as penas comecem a ser cumpridas, conforme entendimento da maioria dos ministros, é preciso que o acórdão do julgamento seja publicado e que todos os recursos sejam julgados. A publicação do acórdão pode demorar meses. Depois disso, abre-se prazo para que os advogados e o Ministério Público entrem com recurso. Até o fim do julgamento desses recursos, conforme entendimento pacífico da Corte, os réus não podem ser presos.
     
    (Estadão)
     
    17 de outubro de 2012
    in coroneLeaks

    PALOCCI MULTIPLICA LÍNGUA PRESA EM DEZ VEZES


    Palocci multiplica língua presa em dez vezes

    Palocci iniciou um tratamento de choque com o Dr. Gregory Bloch para conseguir escandir, com veemência, as expressões "consultoria" e "patrimônio declarado".

    BRASILIA - Fontes ligadas a consultorias misteriosas revelaram ontem que o ministro Antonio Palocci, ao contrário do mercado imobiliário paulistano de alto luxo, entrou em depressão.
    Confuso e desorientado, o ministro foi visto por um amigo banqueiro caminhando pelos becos e vielas de Brasília, na calada da noite, sussurrando: "Eu não consigo me fazer entender! Não consigo!".
    A língua de Palocci estaria tão presa que ele nem conseguiria pronunciar as palavras mais simples, como "negociata".

    Uma junta de empreiteiros foi convocada para avaliar o estado de saúde de Palocci.
    "A incompreensão de suas justificativas decorrem de um fenômeno que ataca, principalmente, homens públicos que vieram - ou já tiveram passagem - pelo sindicalismo.

    O tempo de incubação varia, mas a língua presa pode deduplicar de uma hora para outra numa doença denominada tervigestive crônica", revelou o fonoaudiólogo Franco Serra Azeredo Covas.

    Fontes ligadas aos fundos de pensão de estatais afirmam que, antes de ser acometido pelo mal, o ex-presidente Lula pronunciava normalmente palavras "brasileiros", "companheiros", "estetoscópio" e "obséquio".
    "Tenho provas de que o Vicentinho era locutor mais requisitado de uma rádio romântica em Ibiúna. Inclusive, cantava boleros como ninguém!", revelou Gilberto Carvalho, enquanto balançava exames laboratoriais feitos por Palocci numa clínica em Mauá.

    O estrategista João Santana recomendou que todos os membros do PT começassem a falar com a língua presa para confundir a imprensa.

    17 de outubro de 2012
    The i-Piaui Herald

    LEI GERAL DA COPA PROÍBE JOGOS NARRADOS POR GALVÃO BUENO


    Lei Geral da Copa proíbe jogos narrados por Galvão Bueno

    Aldo Rebelo costura, no Congresso, a inclusão de uma lei que proíba a convocação de Felipe Melo

    BRASILIA - Entre tapas e beijos, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, convocaram a imprensa para anunciar os principais pontos da Lei Geral da Copa. "Valcke e eu temos nossas diferenças, mas chegamos a um acordo.

    Aumentamos a cota de ingressos para patrocinadores e amigos da Fifa de 90% para 95%. Em troca, ele flexibilizou o superfaturamento das obras.
    Sei que abri mão das entradas, mas tive que pensar no país", discursou Aldo. Em seguida, os dois, abraçados, apresentaram os pontos acolhidos por unanimidade na Câmara e no Senado.

    Artigo 1. Fica proibida a narrrrrrrrrrrração de Galvão Bueno durante toda a Copa. O locutor deverá passar férias forçadas em Cuba durante o evento. Poderá receber uma ligação diária de Rrrrrrrrronaldo. A Rede Globo terá ainda de reduzir em pelo menos 60% a emissão de gases histérico-ufanistas durante a transmissão do evento. Cléber Machado terá direito a apenas dois comentários sábios-filosofantes por jogo.

    Artigo 2. Cada delegação, desde já, fica obrigada a empregar oito parlamentares do PMDB. Fixamos aqui a cota de, no mínimo, dois familiares do Sarney por continente.

    Artigo 3. A livre circulação de argentinos será restrita ao aprazível Estado de Roraima. Qualquer cidadão com sotaque espanhol ou camisa do Maradona que não respeitar a medida será obrigado a realizar trabalhos comunitários para uma ONG maranhense.

    Artigo 3A. Fica acordado que o hino da Argentina será interpretado a cada jogo, ao vivo, por Susana Vieira.
     
    Artigo 4. A circulação de ex-BBBs sem calcinha em camarotes fica proibida em jogos diurnos.

    Artigo 5. Messi será imediatamente nacionalizado brasileiro e incorporado ao PMDB.
    Estarrecido com o fato de não haver nenhum jogador do Palmeiras na seleção, José Serra prometeu enviar uma nota de repúdio a João Havelange. Ao ser informado de que o brasileiro não era mais presidente da Fifa, ficou surpreso: "Mudou?".

    17 de outubro de 2012
    The i-Piaui Herald