"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 27 de outubro de 2012

OS CÍNICOS FUNCIONAIS EM DEMOCRACIA


Neste sábado, véspera de segundo turno eleitoral, com início às 13h e a previsão de término às 22h, os movimentos contra corrupção de São Paulo (NasRuas e Revoltados on Line) farão um megaevento na Praça Franklin Roosevelt. DJ’s e bandas animarão a festança em homenagem ao STF e pedido de justiça quanto ao repatriamento de nossos bens. Uma performance remeterá à condenação dos quadrilheiros do Mensalão.

José Dirceu será um dos “anti-homenageados” no evento cívico. Aliás, o caso dele promete se transformar em uma piada jurídico-política, até que seja definida a pena (que não deve levá-lo à cadeia, por ser réu primário e com “excelentes antecedentes”). Enquanto solta sua radicalóide e fanática militância para atacar a Justiça – xingando os ministros que o condenaram no Mensalão de “analfabetos funcionais em doutrina democrática” -, a defesa de José Dirceu zomba da cara de quem conhece a verdadeira história do Brasil.

Os advogados José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dall´Acqua, que defendem o mega-consultor José Dirceu de Oliveira e Silva, pedem aos ministros do Supremo Tribunal Federal que abaixem sua pena nos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha levando em conta seu "relevante valor social" e "compromisso" com o Brasil.

Os advogador apelam para o Código Penal que determina que a pena de alguém deve ser atenuada quando o condenado tenha "voluntariamente, realizado, antes do fato, relevante ato de solidariedade humana e compromisso social". O papo furado é que Dirceu “lutou contra a ditadura e contribuiu para a redemocratização do País”.

O argumento é de matar de rir: "Independente de qualquer valoração política ou ideológica, é fato incontestável que José Dirceu atuou por décadas em prol de importantes valores da nossa sociedade. José Dirceu apresenta inúmeros fatos de grande valor social que, no momento da fixação da pena, devem ser vistos como uma causa efetivamente importante de grande valor pessoal e específica do agente".

Data vênia - como se fala lá no STF -, os advogados só podem estar de sacanagem com a nossa História. Dirceu nunca teve compromisso com a democracia. O projeto dele, desde a juventude, era implantar o comunismo no Brasil. E fez isso apoiando a sanguinária e covarde luta armada até quanto conseguiu. Na “luta revolucionária”, se não praticou diretamente, pelo menos apoiou os nada democráticos assassinatos, sequestros, assaltos a bancos e outros esquemas para financiar a implantação do comunismo no Brasil.

Ficando mais velho, pragmaticamente, Dirceu descobriu que o melhor negócio é usar a ideologia como instrumento de mentira. Assim, de cascata em carcata, descobriu que bom mesmo é o sistema Capimunista tupiniquim. Nele, o bom negócio é ser controlador de um imenso partido. E o partido que ele sempre manipulou ocupou o poder, e seus militantes aparelhadores da máquina estatal tiveram a chance de se locupletar ou, no mínimo, arrumar uma boquinha. Esta é a ideologia cínica de Dirceu, que agora volta a se fingir de vítima – sua especialidade ao longo da vida.

Dirceu é o capitão do grande time dos cínicos e mentirosos funcionais em democracia. O Brasil não merece o triunfo da vontade deles e de outros componentes do Governo do Crime Organizado. Eles agora querem afrontar, ainda mais, nosso precário estado democrático de Direito. Apelam para as mentiras, a intimidação e a violência. Ou alguém duvida que a crescente criminalidade, sempre coincidentemente perto das eleições, para gerar medo na população, não faz parte da cartilha pseudo revolucionária dos nazipetralhas.

Não podemos permitir a vitória deles. Ou pagaremos caro pela derrota. A visão totalitária e mistificadora imposta ao Brasil pelos petralhas não merece triunfar. Mas, como sempre, o triunfo da minoria petralha vai depender da vontade da maioria (ignorante) dos brasileiros. Aí mora o perigo...

As galinhas estão chocando o ovo da serpente e vai nascer uma ratazana com alma de crocodilo...


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

27 de outubro de 2012
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

GRACILIANO STALINISTA


(Comemora-se hoje o 120º aniversário do nascimento de Graciliano Ramos. Como nenhum jornal lembrará o passado stalinista do escritor, me permito reavivar a memória dos leitores.
Este artigo foi publicado na revista Travessia nº 6, do Curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1983).


Graciliano Ramos, escritor e militante do Partido, não escaparia ao novo dogma e um dia irá prestar culto ao deus vivo.

Já em São Bernardo, Graciliano lança o germe de uma idéia insólita na época, pelo menos no Brasil, o socialismo. Paulo Honório, o prepotente dono da terra, saído do nada, à custa de astúcia e mesmo crime, irá confrontar-se com as idéias novas de Padilha, o semi-bacharel de quem tomou a fazenda. Ao casar-se com Madalena, terá em seu leito uma inimiga. Madalena é urbanidade, cultura, civilização, por oposição à rude incultura de Paulo Honório. Há ainda padre Silvestre, que sem ser ateu e materialista, pretende salvar o país por processos violentos. Em 1934, com sua intuição, Graciliano já define as duas religiões européias, ciumentas, em luta pela América Latina.

“Padres! exclamou Luís Padilha com desprezo.
“Era ateu e transformista. Depois que eu o havia desembaraçado da fazenda, manifestava idéias sanguinárias e pregava, cochichando, o extermínio dos burgueses”.

Padre Silvestre, por sua vez, se opõe ferozmente às novas idéias:
“ - Essas doutrinas exóticas não se adaptam entre nós. O comunismo é a miséria, a desorganização da sociedade, a fome”.

Logo adiante:
“- Uma nação sem Deus! Bradava padre Silvestre a d. Glória. Fuzilaram os padres, não escapou um. E os soldados, bêbados, espatifavam os santos e dançavam em cima dos altares”.

Na época, não perceberam ainda, cristãos e marxistas, que pertencem a uma mesma religião, pequenas nuanças à parte. O que importa não são os dogmas de superfície de um sistema de pensamento, mas a corrente subterrânea que o nutre. Duas são as inovações básicas do cristianismo, por oposição ao paganismo greco-romano: a idéia de que todos os homens são iguais perante Deus (ridícula para gregos e romanos) e a de que a História tem um sentido, a Parusia. O marxismo - e aqui voltamos à intuição de Dostoievski em O Idiota - reafirma a igualdade de todos os homens, abstraindo o “perante Deus”, e também a idéia de que a História tem um sentido, só que desta vez não é mais a Parusia, mas o Estado Comunista.

A posição de Paulo Honório não é a de quem possa discutir ideais humanitários. Ao julgar Madalena materialista, conclui:

“A verdade é que não me preocupo muito com o outro mundo. Admito Deus, pagador celeste dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca de raça. Tenho portanto um pouco de religião, embora julgue que, em parte, ela é dispensável num homem. Mas mulher sem religião é horrível.”

“Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade com o Padilha, aquele imbecil. ‘Palestras amenas e variadas’. Que haveria nas palestras? Reformas sociais, ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem religião é capaz de tudo”.

Logo adiante:
“Misturei tudo ao materialismo e ao comunismo de Madalena e comecei a sentir ciúmes”.

Paulo Honório fica quatro meses sem pagar o ordenado a Padilha, agora seu empregado. E ainda faz piada:
“- Tenha paciência. Logo você se desforra. Você é um apóstolo. Continue a escrever os contozinhos sobre o proletário”.

Quando Padilha chora, pedindo emprego no fisco, Paulo Honório é cru:
“- Impossível, Padilha. Espere o soviete. Você se colocará com facilidade na guarda vermelha. Quando isso acontecer, não se lembre de mim não, Padilha, seja camarada”.

Madalena provoca em Paulo um duplo ciúme. De um lado é a mulher que se lhe foge - e sua fuga se consumará no suicídio. Por outro lado, com suas idéias, Madalena lhe quer também tomar a condição de terratenente. Se Madalena morre, a idéia de revolução persiste. Paulo Honório, que a considerava parte de seu patrimônio, é um homem que fracassa.

Estamos, na ficção militante de Graciliano, face a um mundo em transformação. As vítimas são seres cultos e civilizados, Madalena e Padilha. O carrasco é o ser bárbaro, que inclusive admite sua bárbarie. As vítimas são socialistas, comunistas. Paulo Honório, o boçal, opõe-se às idéias novas professadas pelas vítimas. Qual partido resta ao leitor tomar?

Graciliano, como tantos outros, não menos ilustres, caiu na arapuca. É militante do partido desde 1945 e, em 1952 - duas décadas após as denúncias de Gide, oito anos após O Zero e o Infinito, de Koestler, e do debate de Albert Camus com d’Astier de la Vigerie - nosso escritor vai adorar o deus encarnado. Adoração não tão derramada, como a do apologético O Mundo da Paz, de Amado. Mas ainda adoração.

A primeira frase da carta enviada de Moscou, datada de 1º de maio de 1952, diz tudo e dispensaria mais comentários:
“Clarita, Luísa, Ricardo: cá estamos na Terra Santa”.

O seco Graciliano, de repente, vira místico desbordado. Em Moscou, encontrará Jorge Amado, já Prêmio Stalin. Tudo é festa e deslumbramento.

“Tenho bebido vodca, ido várias vezes ao Kremlin, à Praça Vermelha, visto a Catedral de São Basílio e o túmulo de Lênin. Ontem visitei a VOKS: doces, frutas, vinho, arranjo do programa, discurso do Presidente, um professor de cabeça pelada. À noite, Romeu e Julieta no teatro Bolshoi, com Ulanowa no papel de Julieta. Havia talvez mais de duzentas figuras. Nunca imaginei coisa semelhante. Hoje, a festa para que fomos convidados. O desfile começou às dez horas e deve ter-se prolongado até sete da noite. Deixamos o Kremlin às três horas. Víamos, de longe, com dificuldade, a cabeça de Stalin. Furor de aplausos na multidão”.

Graciliano apanha então binóculos para melhor ver seu deus:

“Subi à última plataforma exterior do Kremlin, fui andando para a esquerda, cheguei a poucos metros do túmulo de Lênin, no momento em que Stalin ia subindo a escada. Aproximei-o com o binóculo. Está velho, gordo e curvo. Nessa altura um tipo se avizinhou e quis tomar-me o binóculo. Fingi não entendê-lo. ‘Sou estrangeiro, não compreendo o russo’. Stalin passou. Recuei dez metros, quis examinar os figurões que estavam ali a pequena distância; outro guarda, falando e gesticulando, deu-me a entender que era proibido usar binóculos. Ignoro o motivo desta proibição”.

Antes de passarmos à entusiástica transcrição deste episódio em Viagem, cabe determo-nos alguns segundos em uma frase de sua carta:

“Enquanto as organizações operárias desfilavam, Kaluguin perguntou-me quais os meus livros que deveriam ser traduzidos em russo. Talvez nenhum, respondi. E expliquei minha divergência com o pessoal daí”.

As divergências de Graciliano se referem ao zdanovismo. O alagoano se recusava a submeter-se às normas do realismo socialista, tentação à qual não resistiu Amado. Importante sublinhar nesta frase de Graciliano a proposta da edição de livros.

Afirmar que a fortuna internacional de escritores como Graciliano e Amado deve-se mais às suas relações com o Partido do que a seus talentos é enunciar o óbvio. Mas trata-se de um óbvio sacrílego, pois implica afirmar que tais escritores utilizaram o partido como agência publicitária, ou que o Partido os utilizou como agentes publicitários.

De qualquer forma, fica claro na carta de Graciliano que as traduções são decorrência da viagem, e ninguém recebe mordomias gratuitamente. O sucesso de Amado na Europa, por exemplo, decorre de suas primeiras traduções em russo. Da URSS, Amado passa à extinta RDA, de onde Meyer-Clason, seu tradutor, o puxa para a Alemanha Ocidental. Só depois sua literatura chegará a Paris e demais países europeus. Em Viagem, Graciliano volta ao tema e concluí que seus livros em nada interessariam àqueles homens.

“São narrativas de um mundo morto, as minhas personagens comportam-se como duendes. Na sociedade nova ali patente, alegre, de confiança ilimitada em si mesma, lembrava-me da minha gente fusca, triste, e achava-me um anacronismo. Essa idéia, que iria assaltar-me com freqüência, não me dava tristeza. Necessário conformar-me: não me havia sido possível trabalhar de maneira diferente: vivendo em sepulturas, ocupara-me em relatar cadáveres”.

Ignoraria Graciliano os milhões de cadáveres que o stalinismo já havia amontoado? Muita tinta já rolara no Ocidente em torno às purgas, deportações e campos de concentração. Mas crente que se preza não quer ver. Ao crente, basta crer.

Uma ligeira dúvida perpassa o espírito de Graciliano e seus companheiros ao verem a cidade cheia de retratos de Stalin, “a demonstração de solidariedade irrestrita não impressionava bem o exterior”. Mas a senhora Nikolskaya, a guia, julga tal observação leviana e absurda, para consolo dos crentes:

“Nenhum russo admitia que as coisas se passassem de outra maneira. Essa réplica, isenta de motivos era, no meu juízo, superior a um longo discurso esteado em razões. Estávamos diante de um fato, e condená-lo à pressa, ao cabo de alguns passeios na rua, parecia-me ingenuidade. Com certeza ele era necessário, e devíamos, antes de arriscar opinião, investigar-lhe a causa. Realmente não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um presidente de república na América do Sul. Não temos em geral nenhum respeito a esses indivíduos”.

Para o escritor alagoano, Stalin é o “estadista que passou a vida a trabalhar para o povo, nunca o enganou. Não poderia enganá-lo. Esforçou-se por vencer o explorador, viu-o morto - e seria idiota supor que, alcançada a vitória, desejasse a ressurreição dele. É, desde a juventude, um defensor da classe trabalhadora. Esta expressão, razoável há trinta e cinco anos, tornou-se desarrazoada, pois aqui já não existem classes”.

Graciliano está há poucos dias em Moscou, não fala o russo, tem roteiros rígidos de passeios e visitas, e já afirma peremptoriamente que não mais existe na Rússia uma sociedade de classes. Vista de nossos dias, sua afirmação é de uma ingenuidade atroz. Independentemente desta distância crítica, nada permite a um homem que pensa, fazer tais ilações generalizantes a partir de tão parca experiência do povo soviético. Sem falar que Graciliano nada entendia da língua russa.

O seco criador de Paulo Honório, inimigo de adjetivações supérfluas, passa a cultivar os adjetivos:

“Não admitimos nenhum culto a pessoas vivas, perfeitamente: a carne é falível, corruptível, inadequada à fabricação de estátuas. Mas não se trata de nenhum culto, suponho: esse tremendo condutor de povos não está imóvel, de nenhum modo se resigna à condição de estátua. Homens embotados, afeitos à corrupção e à fraude, percebemos isto: a massa tem confiança absoluta nele e manifesta a confiança impondo-lhe a obrigação de admitir as ruidosas aclamações e os retratos. (...) Agradecimentos e louvores palpitam na alma da multidão, e recusá-los seria uma ofensa, um erro que nenhum político bisonho cometeria”.

Stalin, modesto dirigente, é coagido a aceitar a religiosa adoração das massas agradecidas. E Graciliano, que sequer pode olhar para Stalin com binóculos, chega à conclusão que “este tremendo condutor de povos” não é o monstro que o Ocidente imagina:

“Deixavam-me passar. E deixavam-me subir a escadaria, galgar as insignificantes barreiras de meio metro, avizinhar-me do homem que a burguesia odeia com razão. Stalin não vive numa toca, defendida por metralhadoras e canhões”.


VELHO GRAÇA VÊ O MENINO

O homem que, em rápido turismo por Moscou, afirma não mais existir a sociedade de classes na União Soviética, mais adiante nos alerta para o perigo das generalizações. É quando passeia pelos jardins do Kremlin, em meio a “cinzas preciosas”. Lá estão as de John Reed, americano, portanto inimigo, pelo menos em princípio. Mas Reed escreveu a grande reportagem da Revolução. Logo, “esse nome nos enche de sentimentos bons. Perigoso entregar-nos a generalizações feitas à pressa. Nem toda a gente na América deseja aniquilar a humanidade com bombas atômicas e bactérias. Não vamos responsabilizar duzentos milhões de indivíduos, oito milhões e meio de quilômetros quadrados, porque um oficial de instinto ruim tentou furtar uma estatueta amarela no Hotel Savoy”.

Ao visitar o Kremlin, o espírito de Graciliano é tomado por sensações místicas (os itálicos são nossos):

“...pisamos o núcleo de Moscou, a cidadela venerável exposta de longe ao mundo com júbilo ou furor, conforme as circunstâncias. Sim senhores. Estamos dentro dela - e as pedras santas das muralhas não caíram em cima de nós para esmagar-nos, estorvar a profanação”.
“É verdade: miseráveis sapatos americanos, brasileiros, pezunham na terra sagrada por diversas razões. Estamos no Kremlin”.

Ante a guia que lhe narra a história do castelo, Graciliano sente-se “aluno chinfrim, seguro o lápis e o caderno, abro os olhos e os ouvidos, quero aprender”.

“Andamos noutros refúgios de religião, transformados em museus, vemos riquezas semelhantes às do primeiro, ouvimos datas, noções peregrinas, toda uma santa arqueologia que a revolução guardou com zelo piedoso".

Sala de São Jorge: “o Deus dele não podia equiparar-se ao Deus existente na Catedral de S. Basílio, fora do Kremlin”.

Iríamos muito longe se enumerássemos as evocações religiosas suscitadas em Graciliano por sua visita ao Kremlin. Passemos então à visita do escritor ao berço em que nasceu o novo Deus, a cidade de Gori: “o monumento a que nos referimos é apenas uma casa miúda, de tijolos nus, sem reboco”.

Nos dois quartos que perfazem apenas dois metros, morava o velho Djugatchivili, sapateiro. Joseph nasce em 1879 e destinava-se à profissão religiosa, já que o ofício de sapateiro rendia pouco. Troque-se o sapateiro por marceneiro, a cabana por manjedoura, coloque-se uma nova no firmamento, adicione-se mais três magos, e essa história já conhecemos. Olhando o ambiente, inconscientemente, o Velho Graça - como era chamado por seus amigos - chega a trair-se: “Onde estava a cama do menino?”

Perseguir em Viagem este preito stalinista até o fim, tornar-se-ia monótono. Passemos a uma consideração final do autor:

“Meses depois, no meu país, homens sagazes e verbosos censurar-me-iam a ignorância a respeito da União Soviética. Tinham-me os guias exibido coisas necessárias à propaganda e eu, ingênuo, acreditara nelas. Indispensável aceitar verdades ocultas abaixo das aparências brilhantes. E, sem nunca ter ido à URSS, explicar-me-iam, generosos, horrores medonhos, trabalhos forçados, enxovias horríveis, fuzilamentos diários. Seria preciso admitir que as moças do Teatro Paliachivili e a menina do Instituto Marx-Engels estavam nesses lugares para enganar-me. Os transeuntes eram impostores, a serviço da polícia. As fábricas, as escolas, os palácios de pioneiros, tudo logro. Venenos do socialismo”.

Por ironia, esta irônica hipótese de Graciliano é a que acaba se configurando como a realidade da época stalinista. No XX Congresso, três anos após a morte do escritor e de seu deus, Kruschev abre as cortinas do grande teatro e revela a face do mais operoso assassino do século. Como pode Graciliano ter-se deixado embarcar em tal canoa?

Wilson Martins, ao analisar suas contradições, em O Modernismo, parece tê-lo entendido:

“Uma análise pormenorizada dessas contradições não poderia ignorar um tema que, por enquanto, deixo de lado: esse individualista e esse clássico tornou-se militante do Partido Comunista, no qual via, bem entendido, apenas os aspectos idealísticos e programáticos. O seu livro de turismo à União Soviética é, nesse particular, extremamente revelador: não me parece temerário supor que a realidade comunista, uma vez instalada no Brasil, causar-lhe-ia a mesma repugnância que a realidade republicana (no sentido radicalista da palavra). Viagem é, do começo ao fim, um livro de evasão: não de evasão do Brasil, mas de evasão da própria viagem que o escritor realizava.

Não será preciso grande acuidade psicológica para perceber que Graciliano Ramos esforça-se subconscientemente, não apenas para aceitar o que lhe contam e o que lhe mostram, mas para sufocar qualquer veleidade de espírito crítico ou de curiosidade inoportuna. Tocando a Terra Prometida, ele eliminou, por um processo muito simples de sublimação psicológica, qualquer contato com o mundo imediato e com ele próprio: Graciliano Ramos não via a URSS da geografia, da política ou da sociologia, viu a URSS tal como ela se configura no mito mental que os comunistas do mundo inteiro e nomeadamente os do Brasil elaboraram pouco a pouco em anos e anos de diáspora imaginária”.

Não é difícil entender este movimento psicológico. Imaginemos um escritor de talento, isolado em um obscuro rincão de qualquer país, em nosso caso, o Brasil. Seu talento não é reconhecido em nível merecido e sua recompensa é o cárcere. Um belo dia,é convidado pelos dirigentes de uma prestigiosa revolução a visitar o paraíso terrestre. Neste éden ignoto, onde é recebido com tapetes vermelhos, mal chega já lhe perguntam quais de seus livros devem ser traduzidos na sociedade ideal. A qual escritor não comoveria tal convite?

Em Viagem, vemos quão amargas são as marcas deixadas pelo Brasil em Graciliano. De que jeito vivem em sua terra? - pergunta-lhe uma advogada. O alagoano não se furta a explicar:

“Caí num monólogo triste, falando interiormente às deliciosas vizinhas erguidas no fim da platéia. Isso mesmo. Entalam-nos o crânio, somos coagidos a não pensar direito: as nossas idéias se esfarelam, espalham-se em torno de pequenas misérias. E nem só os pensamentos se reduzem. Os corpos também se aniquilam, nas prisões e fora delas. Uma prensa invisível nos comprime. O ar em nossa terra é denso, pesado; às vezes necessitamos esforço para respirar. E até isso nos roubam, estragando-nos os pulmões: ao sair da cadeia, estamos tuberculosos. Como vivemos? Propriamente não vivemos: aquilo não é vida. Quando entramos na Colônia Correcional, dizem-nos - “Não vêm corrigir-se. Vêm morrer. E ninguém tem direitos. Nenhum direito”. Espanta-nos a franqueza. Numa existência de animais, ficamos semanas em jejum completo. Descerram-se enfim as grades, vemos o Sol. Não realizaram, pois a ameaça? Não nos mataram? Em parte, realizaram: estamos na verdade quase mortos. Ganhamos cabelos brancos e rugas. Assim tão fracos, tão velhos, não conseguiremos trabalhar. Arrasaram-nos”.

Segunda ironia na viagem do Velho Graça: tentando descrever o Brasil a partir de sua experiência pessoal, na verdade descreve a sociedade dos gulags, da qual é hóspede privilegiado.

Tão intensa é sua vontade de crer, que vê como grande avanço do socialismo a aniquilação das diferenças individuais. Em Moscou, pergunta à sua guia se uma transeunte próxima seria empregada em oficina ou repartição pública. A senhora Nikolskaya, moscovita, não consegue satisfazer-lhe a curiosidade: “É impossível saber. Não achamos distinção”. O viajante cede então ao utópico sonho de Lênin, o da sociedade em que o pedreiro seria também engenheiro:

“Um ofício não é superior a outro - e os homens tendem a uniformizar-se. Essa idéia choca o nosso individualismo pequeno-burguês: achamos vantagens nas discrepâncias, receamos tornar-nos rebanho. E nem vemos que somos um rebanho heterogêneo, medíocre, dócil ao proprietário. Queremos guardar o privilégio imbecil de não nos assemelhar-nos ao vizinho. Enfraquecendo-nos, julgamo-nos fortes. Realmente, somos bestas”.

O gesto é de contrição.

Antes de regressar ao Brasil, nas proximidades do aeroporto de Moscou, o escritor tira o chapéu à horrenda arquitetura que nos legou Brasília. Vê casas e, intimamente, propõe a destruição delas:

“Há na vizinhança do aérodromo casinholas de madeira, lastimosas, lôbregas, a cair de velhice. Não exibem realmente a miséria das nossas favelas, mas tristes, feias, abrigam enorme desconforto. Vestígios de outras épocas, impressionam mal o visitante. Próxima se eleva a universidade, imensa, e isto aumenta a penúria dos infelizes pardieiros. Conveniente destruí-los, pensei, evitar-nos a visão molesta. O prejuízo não seria grande: os habitantes das minguadas velharias, pouco numerosos, achariam sem esforço asilo noutros lugares, e os estrangeiros de maus instintos, resolvidos a torcer o nariz ao socialismo, perderiam num instante aparências de razões badaladas com rigor lá fora: os indivíduos aqui não têm onde morar: na cidade enorme, sete milhões de criaturas se alojam a custo, várias famílias arrumando-se num quarto miúdo. Estupidez, é claro. Mas por que não suprimir a causa da estupidez?”

O cauteloso escritor que se recusa a escrever sobre um mosteiro em Sukhumi, cidade balneária, porque “não me aventuro a expor conhecimentos arranjados à pressa, numa carreira de oitenta quilômetros por hora”, mal passa alguns dias em uma cidade de sete milhões de habitantes, com passeios orientados a palácios e museus, sente-se à vontade para escrever que é estupidez afirmar que os sete milhões de moscovitas habitam mal. Haja fé.

A senhora Nikolskaya, com ar de forte desprezo, o esclarece:
“- Estão aí as belezas do individualismo”.

O ensejo de Graciliano Ramos cumpriu-se. As belezas do individualismo não mais existem em Moscou. Todo moscovita, Nomenklatura à parte, vivia em blocos cinzas de concreto, e o problema habitacional persistia ainda nos dias de regime marxista, a ponto de jovens combinarem casamentos brancos com o fim exclusivo de obter do Estado alguns parcos metros quadrados. E o que é pior: a desoladora arquitetura staliniana acabou sendo transplantada para o Planalto Central brasileiro e, salvo terremoto ou bomba atômica, ali restará séculos afora.

Ao final da viagem, em Gagra, vilarejo às margens do Mar Negro, os anfitriões mais vez cobram o escritor. Uma professora lhe pergunta se não vai escrever um livro sobre a União Soviética.
“Não sei, minha senhora. Acho que não. Faltam-me observações, demoro pouco”.

Na despedida, na Geórgia, Leonidze, presidente da União dos Escritores - a quem o convidado oficial da VOKS (Sociedade para as Relações Culturais da URSS com os Países Estrangeiros) dedica um capítulo, indignado com a imprecisão de seus informes - afirma que a viagem renderá a ele, Graciliano, um livro.
“- Muito difícil. Ignorância completa”.

Mas renderia, ainda que póstumo. E o criterioso Graciliano, que recusava dobrar-se aos ditames de Zdanov, acaba escrevendo uma obra-prima de realismo socialista. Enquanto suas ficções não são ficções, mas a realidade do homem nordestino, seu relato de viagem não é real, mas ficção pura, e das mais infelizes.

Sobrevivesse Graciliano ao XX Congresso, qual seria sua atitude? Ignoramos. Era, sem dúvida alguma, um homem íntegro. Mas a necessidade de crer em algo é mais forte, no homem, do que sua coerência.


27 de outubro de 2012
janer cristaldo

O DEBATE ENTRE SERRA E HADDAD: AS DIFERENÇAS FICARAM EVIDENTES!


Eleição municipal de São Paulo interessa sim ao Brasil inteiro! já que esta metrópole sozinha comanda a economia nacional.
 
Dito isto não precisaria reprisar o fato de que entregar São Paulo para o PT, o partido dos mensaleiros, é entregar além do anel, o dedo e tudo o mais. Trata-se portanto de um ato suicida, enquanto por si só pisoteia a honra dos cidadãos de bem da mais importante cidade do Brasil e da América Latina. E mais: consagra um mau exemplo debochado e infame que conspurca a Nação.

No derradeiro debate desta noite em que José Serra, a despeito de seus defeitos comuns a qualquer ser humano, mas uma das poucas reservas morais da política brasileira, teve que ouvir os impropérios e mentiras do petista Haddad, ficou muito claro que é o candidato com maior capacidade e, sobretudo, confialidade.

Além da questão eleitoral este pleito em São Paulo faz emergir de forma inelutável uma guerra de valores: de um lado o PT mensaleiro e malufista; de outro um político que reúne inegavelmente qualidades excepcionais, tanto em preparo técnico quanto pelo vasto legado de suas ações como deputado, senador, ministro, governador e prefeito. E muito mais: a derrota do PT significa a vitória da democracia que continua sendo ameaçada!
Do outro lado, o lado do mensalão, um sujeito trêmulo, inquieto, nervoso, gaguejando e agredindo gratuitamente, negando o inegável, tegiversando e falseando a verdade dos fatos.
Foi por isso que José Serra deu um verdadeiro banho de civilidade e educação e, quando fustigou o adversário, o fez de forma educada e se pautando na evidência dos fatos.

Ficou muito claro o desnível entre os dois. Houve momentos em que cheguei sentir vergonha alheia. Principalmente por ver o candidato petista fazendo aquele discurso completamente vazio, ou seja, pleno apenas de palavras ocas, sem ter, obviamente o que mostrar, já que se tornou conhecido não por ações de relevo enquanto esteve no Ministério da Educação, mas pelo descalabro dos vazamentos das provas do Enem.

Quando o assunto girou em torno da saúde foi humilhante, haja vista que José Serra sempre tratou com verdadeira obsessão esse tema e contabiliza um dos maiores feitos já registrados na história do Ministério da Saúde, quando criou os genéricos barateando verdadeiramente os medicamentos.
Não vou me estender nesta análise porque não há necessidade de provar nada. Quem viu o debate pôde constatar que não se concebe o fato de que num momento em que o PT é eviscerado no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) revelando-se suas entranhas apodrecidas pelas corrupção do mensalão, os eleitores paulistanos possam descurar esta realidade.
Um debate cheio de regrinhas e espaço diminuto para alguém discorrer sobre coisas complexas como construção de metrô, hospitais, estradas, urbanização de favelas, segurança pública, educação, saúde e o escambau não tem grande importância em termos de conteúdo. É um momento em que o marketing político fala mais alto.
Entretanto, valeu a pena num aspecto: serviu para que o eleitor tenha elementos para uma segura conclusão, já que agora lhe é possível estabelecer um claro termo de comparação. O "velho" de guerra José Serra mostrou-se inclusive mais ágil, atento e concentrado do que seu contendor, o "novo".
Houve um momento que foi crucial, quando Haddad deu aquela "sumida", perdendo o fio da meada, no que foi chamado à atenção por José Serra que o fez voltar à realidade após inexplicável "viagem"...
Estão aí de forma geral, algumas informações e considerações que reputo importantes para os paulistanos pensarem duas vezes antes de votar:
entregar São Paulo para o PT do mensalão ou resguardar a metrópole do assaque a que estará exposta caso o resultado do pleito favoreça o partido do mensalão.

OS "BOLIBURGUESES"

"EXCREMENTO DO DIABO", O COMBUSTÍVEL QUE DÁ VIDA AOS "BOLIBURGUESES", OS NOVOS RICOS ÁULICOS DE HUGO CHÁVEZ.
 
A jornalista argentina Olga Wornat assina no jornal La Nación, de Buenos Aires, uma reportagem que dá uma idéia da transformação da Venezuela sob a ditadura de Hugo Chávez.
 
O tiranete conseguiu dividir o país em três classes: um setor esclarecido que repudia a supressão da liberdade individual, outro completamente ignorante que apóia a aventura comunista e um outro muito especial cognominado de "boliburgueses", ou seja, os burgueses bolivarianos, os novos ricos aliados de Chávez e que usam a proximidade com o ditador para enriquecer com negócios ilícitos ou lícitos, vinculados ao manejo do petróleo, produto qualificado de "excremento do diabo", por Juan Pablo Pérez Alfonzo, legendario fundador de la OPEP.

Zunindo nesse excremento, feitos escaravelhos num monte de esterco, os "boliburgueses" exibem um modo de vida extravagante e "kitsh", superlotando as suntuosas lojas de marcas famosas nos shoppings de Caracas ou exibindo seus carros luxuosos como BMW e Ferrari, tendo amarrado ao pulso Audemars Piguet ou Patek Philippe, que estão entre as marcas de relógios suíços mais caros e que deslumbram esses novos ricos.

Transcrevo no original em espanhol um excerto dessa reportagem de Olga Wornat, com link ao final para leitura completa. Vale a pena ler:

EN ESPAÑOL - "El rico es un animal con forma humana", le dice el presidente a un humilde habitante de un barrio miserable de las afueras de Caracas.
 
El hombre, moreno, encorvado y flaco, lo observa en silencio y asiente. "Ser rico es muy malo, sabes", repite Chávez, mientras le coloca las manos sobre los hombros. El hombre, asiente de nuevo. El mandatario vuelve a la carga, mientras las cámaras lo graban: "Yo no he dicho que ser rico es malo, sólo estoy tomando una frase de mi Señor, de mi Cristo en el que creo.
 
El profeta Isaías maldijo a los ricos. Cristo y los profetas eran socialistas porque luchaban por los pobres contra los ricos como en esta revolución." Todos aplauden al presidente que se ríe y continúa con su discurso, mientras recorre las calles de tierra de la barriada donde se hacinan miles de venezolanos.

Lejos de allí, en las zonas VIP de la ciudad, la realidad es diametralmente opuesta. Las tiendas de los shoppingS están llenas. Las joyerías de lujo reciben a sus clientes que llegan acompañados de sus custodios y salen con sus joyas simuladas en cajas de chocolate.
 
Los restaurantes de lujo están abarrotados de neomillonarios que conversan en voz alta, hacen bromas y se ríen a carcajadas. Entre ellos, empresarios reunidos con funcionarios y hasta con algunos militares, de perfil más bajo, pero no por ello menos voraces. Todos hablan de negocios.
 
Todos visten trajes de marca, camisas hechas a medida, corbatas de seda y grandes y costosos relojes suizos. Audemars Piguet, Hublot, Vacheron, Jaeger-Le Coultre y Patek Philippe, son los mas solicitados a las joyerías de Caracas. Tienen aviones, yates y mansiones en Miami y en Europa.
 
Vacacionan en playas exóticas o disfrutan del frío de la Patagonia argentina, donde aprovechan la temporada de esquí. Adoran las 4x4 Hummer, Toyota o Cherokee, el BMW, la Ferrari y el Audi. Exhiben el último modelo de BlackBerry (nunca cargan menos de tres), que en nada se parece al Vergatario, el celular "revolucionario" que promociona el presidente.
 
Coleccionan caballos árabes y obras de arte, y se mueven con un ejército de custodios. Dejan jugosas propinas en dólares y les encanta exhibirse con bellas y voluptuosas jóvenes, aspirantes a modelos o finalistas del Miss Venezuela; chicas pragmáticas, cuya máxima aspiración es asegurarse el futuro y vivir como reinas.

Es difícil entender lo que sucede en la Venezuela de Chávez, un país exuberante, mágico, violento y contradictorio, donde parece que hoy sólo reina el absurdo y el disparate. Desde el fondo de los tiempos, la lucha por el poder giró alrededor del aprovechamiento licito e ilícito del petróleo. El "excremento del diablo", como lo llamo Juan Pablo Pérez Alfonzo, legendario fundador de la OPEP.
Lo más desconcertante es cómo convivieron durante 14 años un discurso "socialista y revolucionario", un presidente que se declara en guerra contra los ricos para salvar a los pobres, con la ostentación, el lujo, el exhibicionismo y el enriquecimiento obsceno de funcionarios, familiares, amigos, empresarios y banqueros mimados por el gobierno, en un país que padece una grave crisis económica, altísima inflación, control de cambios, desabastecimiento, desigualdad e inseguridad. La pregunta que surge es: ¿Chávez es consciente de esta situación? ¿Cómo se entiende su relato?
 
Haga CLICK AQUI para leer toda la história. Incrible!
 
27 de outubro de 2012
in aluizio amorim

O DEBATE SOBRE ELEIÇÕES NA VEJA.COM




27 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

SERRA DÁ UM BANHO NO DEBATE

Haddad se viu na contingência até de elogiar programas criados pelo adversário e confundiu segurança com arrogância
 
Sim, sim, claro!, eu vou votar no tucano José Serra, como todo mundo sabe. Se alguém achar que isso turva a minha objetividade, basta não levar em conta o que escrevo e acabou.
Vamos lá. Serra teve um desempenho muito superior ao do petista Fernando Haddad — creio que o debate da Globo estará na Internet daqui a pouco, e quem não acompanhou o embate pode fazer a sua própria avaliação. Refiro-me ao conteúdo das respostas e ao comportamento dos postulantes. Se isso vai resultar em voto ou não, aí não tenho como prever.
 
Num encontro que durou apenas uma hora, num ritmo frenético, com intervalo de dois minutos entre um bloco e outro, os detalhes fazem diferença. Chamo a atenção para alguns.
 
1 – provocado por Serra, o petista se viu na contingência de elogiar dois programas criados pelo adversário — o Mãe Paulistana e o Remédio em Casa;

2 – o petista também se comprometeu, caso eleito, em honrar o compromisso firmado pela atual gestão com os professores, que prevê reajuste de 25%;

3 – Haddad disse também que, se prefeito, vai manter o contrato com as Organizações Sociais que administram aos aparelhos de saúde; isso desmente seu programa de governo;

4 – Visivelmente inseguro, treinado para se mostrar sempre assertivo, Haddad acabou se mostrando, na verdade, agressivo. Serra percebeu e apontou isso. Restou ao petista dizer que sua agressividade era fruto de sua indignação;

5 – nervoso, Haddad se perdeu num dado momento e não sabia se estava respondendo, perguntando ou contraditando o adversário.
 
Muito bem! O PT tem feito uma campanha subliminar arrogante e preconceituosa, sugerindo que Haddad é o novo e a renovação — na verdade, quer chamar Serra de “velho”, mas evita a expressão mais agressiva. Pois bem: o “velho” não se perdeu no debate; o novo parecia meio aéreo. Ocupava-se menos de fazer propostas do que de atacar o oponente. Não fez uma boa figura a qualquer um que tenha acompanhado o debate com atenção. Será essa a percepção da maioria que assistiu ao embate? Não sei.
 
No debate, ficou claro que Haddad não tem programa nenhum para a mulher gestante — na verdade, nem mesmo pensou sobre o assunto. Indagado sobre a questão pelo adversário, saiu-se com um truque vexaminoso. Respondeu que o tucano só via a mulher como mãe. Ele, Haddad, veria a mulher de modo integral. E tentou jogar nas costas do oponente até a violência doméstica… Uma piada!
 
Mensalão

Um dos temas sorteados foi “corrupção”. O tucano pediu a Haddad que explicasse como o mensalão aconteceu. O petista resolveu atacar os tucanos e disse que tudo começou com o PSDB, a resposta manjada de sempre. “Não finja que você não sabe o que aconteceu em Minas Gerais, Serra.” O tucano contra-atacou: “O que aconteceu de certo na Justiça é que José Dirceu e outros dirigentes petistas foram condenados. Se havia algo de errado lá, pior é quem copiou o procedimento”.
 
Organizações Sociais

Haddad está preocupado com o desgaste provocado pela descoberta de que seu programa de governo propõe o fim do convênio do município com as Organizações Sociais na área de saúde. Cometeu o erro de perguntar a Serra o que ele pensa sobre as parcerias público-privadas. Por que erro? Porque quem responde a uma questão fala por último; tem direito à tréplica. E coube ao tucano lembrar o óbvio: Haddad quer justamente o fim das parcerias na área da saúde. Serra carimbou no adversário o que, no fim das contas, está no programa do petista: a intenção de expulsar as OSs da gestão dos hospitais municipais.
 
Arrogância

Haddad foi treinado por João Santana para ser arrogante, para jogar sempre na ofensiva, com o peito meio estufado, o queixo projetado, o olhar severo, na linha: “Aqui há alguém pronto para a guerra”.
Nesta sexta, Serra administrou melhor a guerra de imagens — até porque tem mesmo mais conteúdo. Seu olhar esteve sempre sorridente; respondeu e perguntou com segurança; não agrediu o adversário. E ainda teve tempo de ironizar: “Você está muito agressivo…”.
 
Eu não faço pesquisa de opinião pública, como sabem, e ando cada vez mais desconfiado de quem faz, por razões óbvias. Escrevo o que vi. Assistiu-se em São Paulo ao embate da experiência serena, que tem ideias próprias, com a arrogância quase juvenil de quem mais sabe atacar do que propor. Arrogância juvenil num homem de 50 anos não tem a menor graça.
 
27 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

GOVERNO DA INGLATERRA RECRUTA JOVENS APRENDIZES DE ESPIÕES VIRTUAIS


Sede da GCHQ - CROWN COPYRIGHT

RIO - As agências de inteligência da Inglaterra estão recrutando aprendizes de espiões cibernéticos em uma tentativa de aproveitar os talentos da “geração Xbox”.
 
Cerca de cem jovens de 18 anos terão a chance de treinar para uma carreira no serviço secreto, lutando contra guerras cibernéticas e criminosos da internet.
 
O esquema, anunciado pelo secretário de Relações Exteriores, William Hague, é predominantemente destinado à GCHQ (QG das Comunicações Governamentais - Government Communications Headquarters), a agência de Comunicação Eletrônica do governo britânico, que integra o Serviço de Inteligência do país.
 
Alguns recrutas também vão trabalhar nas outras agências - o Serviço Secreto de Inteligência, MI6; e o Serviço de Segurança, MI5.
 
A iniciativa marca uma ruptura com as práticas do passado, quando as agências recrutavam, principalmente, jovens graduados em universidades.
 
Discursando em Bletchley Park - a casa britânica dos analistas de código na Segunda Guerra Mundial - William Hague disse que é importante selecionar as pessoas mais talentosas para garantir a qualidade da perícia cibernética do Reino Unido no futuro.
Serão os jovens inovadores desta geração que ajudarão a ma
nter nosso país seguro nos próximos anos, contra ameaças que são tão sérias quanto algumas das que enfrentamos durante a Segunda Guerra Mundial”, disse ele, segundo o jornal britânico “The Sun”.
 
Hoje, não estamos em guerra, mas todos os dias eu vejo provas de ataques deliberados e organizados contra a propriedade intelectual e as redes do governo no Reino Unido, partindo de criminosos virtuais ou estrangeiros, com o potencial de minar a nossa segurança e competitividade econômica”, continuou o secretário de Relações Exteriores.
 
Autoridades disseram que o programa de aprendizagem da inteligência, agora, visa aproveitar as habilidades da “geração Xbox”, que cresceu no mundo das redes sociais, conexões globais e jogos interativos.
 
Os recrutas serão submetidos a um programa de dois anos de formação, com cursos de graduação em comunicação, segurança e engenharia na Universidade De Montfort, em Leicester.
 
Eles também irão estudar para um diploma de nível 4 na área de TI, software, web e competência profissional em telecomunicações.
 
 
COMENTO: Serviço de Inteligência funciona assim. Verifica suas necessidades, escolhe quem pode fazer parte de seus quadros, recruta e treina. E mesmo assim sofre traições, vazamentos, defecções, etc. Por aqui, seleciona-se "concurseiros" (a bem da verdade, há que se reconhecer que há bons profissionais oriundos de concursos na ABIN, mas o predomínio é dos que simplesmente buscaram um "bom emprego" - o que não significa que gostem de "um bom trabalho").

SUPREMO: A REPERCUSSÃO DE UM JULGAMENTO EM RELAÇÃO AO PAÍS

 

O desfecho do julgamento do Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão, Ação Penal 470, mobilizou o país, sensibilizou a opinião pública, mesmo que a maioria não veja no episódio, como é natural, motivos para festejar.



Afinal de contas, a rigor, condenações não se festejam. Lamentam-se. Mas no lamento inevitável, e interior da sociedade, projeta-se a surpresa de que tudo não acabou em pizza.

Ministros e ministras nomeados por Lula e pela presidente Dilma votaram pela condenação de personagens que integraram o governo lulista. Revelaram assim independência. Deixaram assinalado que a nomeação para a Corte Suprema é um reconhecimento, não um favor. E a gratidão da escolha não influiu e direcionou a consciência do voto de cada um. Houve ampla margem de votos para condenações como as de Marcos Valério e Delúbio Soares.
Outras mais apertadas. Mas o Supremo decidiu. Ninguém pode afirmar que o julgamento terminou num prato de pizza, com fatias divididas entre os réus apontados pelo Ministério Público e cuja peça acusatória acolhida pelo ministro Joaquim Barbosa, escolhido relator.

O relator acolheu a denuncia, melhor dizendo as denúncias em 2007. Cinco anos se passaram. A força da verdade prevaleceu. Aliás, prevalece sempre nos patamares mais altos dos Poderes.
A população nota pouco essa verdade, desfocada no tempo por tantas impunidades, sobretudo no plano econômico. Porém basta recuar no tempo, rodar o filme da história política brasileira desde agosto de 54, governo constitucional de Vargas, para que se descortinem as consequências.

O atentado da rua Toneleros causou a queda do governo com a morte do presidente. No ano seguinte, dois movimentos militares, 11 e 21 de novembro, asseguraram a posse de Juscelino em janeiro de 56, cumprindo-se assim a vontade das urnas. Naquela ocasião, o Supremo Tribunal Federal, acompanhando voto magistral do ministro Nelson Hungria forneceu substância jurídica aos dois movimentos político militares.

Em 61, Jânio Quadros, eleito em outubro de 60, renunciou ao mandato. Houve forte crise, mas o vice João Goulart assumiu. Não controlou as forças que o apoiavam, perdendo o rumo político e o equilíbrio que lhe era essencial.
Resultado: a ordem constitucional foi rompida em 64 e o país mergulhou numa noite de arbítrio que se estendeu por 21 anos. As diretas já e a vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral retomaram a avenida democrática da liberdade.

Observa-se, a rigor, que todos esses episódios de alto porte nunca terminaram em pizza. Agora, em 2012, o Supremo não condenou somente os personagens principais dos acontecimentos de 2003.
De fato condenou a impunidade, o conceito de que para poderosos nada dá em nada. Condenou a pizza como princípio, a pizzaria como um fim em si mesmo. As penas destinadas a cada um importam menos do que a abrangência da matéria julgada pelo STF. A sociedade se fez ouvir.

EM SP, HADDAD TEM 49% E SERRA 36% - DIZ IBOPE

 

VERGONHA NACIONAL

 

O que dizer do apagão da madrugada de ontem, iniciado na noite de quinta-feira? Vergonha nacional, importando menos saber de quem foi a culpa. A verdade é que não dá para um país tido como a sexta economia do mundo conviver com seguidos colapsos na distribuição de energia. Dessa vez, atingindo o Nordeste e parte do Norte e do Centro-Oeste.



Seria bom que o mensalão frutificasse em outras atividades: há que apurar as responsabilidades, bem como as causas. Entre essas, sem dúvida, a privatização de boa parte do setor de geração e distribuição, crime praticado no governo Fernando Henrique.
Às empresas que se apoderaram do patrimônio publico interessa o lucro, acima de tudo. Quanto menos investimentos, melhor. O resultado aí está, sem que o Estado possa dar qualquer solução.

Aproximam-se a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Já imaginaram em meio a apagões? Nossa desmoralização seria universal. Melhor resolver logo o impasse: realizar aqueles certames com o sistema energético recuperado ou pedir desculpas pelo seu cancelamento. Chegar ao ano que vem, a 2014 e a 2016 em meio a esse contraste não dá.

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CONFUSÃO

O interregno que o ministro Marco Aurélio batizou de recesso servirá, por duas semanas, para o bom-senso voltar a prevalecer no plenário do Supremo Tribunal Federal. Na quinta-feira a confusão foi geral.
Importa menos se por falta de experiência da mais alta corte nacional de justiça em lidar com questões penais de tamanha amplitude.
Ou mesmo pela densidade de fatores políticos envolvendo o julgamento, pois a verdade é que nossos maiores detentores de vasto saber jurídico não se entenderam. Não puderam simplificar ou muito menos traduzir em decisões uniformes a aplicação da lei.
Não é preciso e nem seria possível que todos partilhassem da mesma concepção, mas do jeito que as coisas ficaram, melhor mesmo foi aproveitar o período em que o ministro Joaquim Barbosa se submeterá a tratamento médico, na Alemanha, para um exercício de meditação em separado.

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ENTÃO POR QUE ESTAMOS NO PORÃO?

Ninguém acreditou quando a Alemanha de Hitler aliou-se à Rússia de Stalin, em 1939, antes da deflagração da II Guerra Mundial. Importava às duas nações ganhar tempo, ou seja, os nazistas para preparar-se para invadir os comunistas, e estes para preparar a resistência. Mesmo assim, falsas gentilezas marcaram suas relações durante quase dois anos.

Num desses períodos, em novembro de 1940, Molotov, ministro de Relações Exteriores da URSS, foi a Berlim, sendo recebido por Ribbentrop, seu correspondente alemão. Conversavam, mentindo, ou mentiam conversando, quando o dono da casa jactou-se de o Império Britânico estar completamente liquidado. O visitante não resistiu à tentação e atalhou: “então por que estamos os dois neste abrigo anti-aéreo?”

Naquela hora aviões ingleses bombardeavam a capital do III Reich, obrigando todo mundo a refugiar-se nos porões…

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A HORA DA VERDADE

Vale insistir nas oscilações dos números das pesquisas eleitorais, agora que estamos a um dia das decisões. É a hora da verdade, quando os institutos corrigem previsões açodadas ou encomendadas, para não passarem o vexame de ser desmentidos pelas urnas.
É prematuro avançar qual a margem de vitória de Fernando Haddad sobre José Serra, ou, mesmo, se esse vai ser o pronunciamento final dos paulistanos. Vale o mesmo para Salvador, Fortaleza e outras capitais e grandes cidades. Se pesquisa ganhasse eleição, ficaria muito mais barato seguí-las.

CAVALOS E BAIONETAS

 

O terceiro e último debate entre Mitt Romney e Obama teve um bom momento de risos, mas traz reflexões. Quando o candidato republicano, notório belicista, reclamou contra a fragilidade da defesa do país, ao afirmar que a Marinha tem menos navios do que os tinha em 1916, foi contestado com ironia por Obama: mas, governador, também temos menos baionetas e menos cavalos.



Ter menos navios, menos cavalos e menos baionetas não torna os Estados Unidos um país militarmente débil. Como sabemos, eles continuam sendo a maior potência militar do mundo, a que dispõe de mais efetiva tecnologia para a destruição e a morte.
Além de seus mísseis, capazes de atingir com precisão qualquer ponto do planeta, e de seus artefatos nucleares, com o poder de arrasar o mundo, os arsenais ianques dispõem de armas novas, já testadas, movidas a propulsão magnética, e de aviões não tripulados que identificam eletronicamente os alvos e os atingem sem interferência humana. A cada dia mais, a tecnologia dispensa os soldados nas operações destrutivas, e os reserva para tarefas de ocupação.

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PELA FORÇA

Quando qualquer nação não consegue defender seus interesses, legítimos, ou não, mediante a diplomacia – o meio mais antigo e efetivo da política externa ,- apela para as armas. O uso da força é proporcional à debilidade do convencimento político.
Na maioria das vezes, como demonstra a história, as nações com ambição imperial combinam pressões diplomáticas e ameaça militar, antes do uso efetivo das armas. Nesse particular, os Estados Unidos são exemplo mais duradouro, desde que surgiram como estado independente.

Ao mesmo tempo, a guerra pode ser vista como expediente do medo. É preciso, nesta razão zarolha, destruir o inimigo, antes que ele ameace a nossa existência. Não foi a coragem germânica que fez Hitler, mas o medo. E o medo cresce, na medida em que se acumulam os atos de violência bélica contra os outros. Sempre se teme a possível retaliação.

Outro problema é o desgaste do poder militar, quando lhe falta o apoio moral dos povos a que pretende servir. Sem convicção é difícil vencer os conflitos armados. É o que ocorreu na guerra do Vietnã, e volta a ocorrer hoje, com relação ao Oriente Médio, não só nos Estados Unidos, mas também na Europa. Ainda assim, os analistas consideram que o debate sobre política internacional interessa menos aos eleitores norte-americanos de hoje.

O que os move é a situação econômica, com o empobrecimento da maioria da população, e o enriquecimento, sempre mais atrevido, dos rentistas. O predomínio da ganância, na estrutura do poder nos estados modernos, está – mais uma vez – dividindo as sociedades nacionais. Isso tanto pode conduzir às revoluções libertadoras, quanto à apatia e ao conformismo, sob a tirania plutocrática.

UM VOTO QUE NÃO DEI E LAMENTO NÃO TER PODIDO DAR

 

Por alguma razão que não sei precisar, amanheci pensando com quem, em minha vida, havia me surpreendido positivamente com o que fez ao ganhar uma eleição. Só consegui me lembrar de uma única pessoa, em quem não votei, mas cujo governo me fez realmente ver diferenças significativas. Sonhei com esse governo durante toda a noite passada. Foi o governo do então petista Cristovam
Buarque, no Distrito Federal.



Devo confessar que, até hoje, lamento um voto que nunca dei: Cristovam Buarque para governador, em 1994. Eu votava em Minas, e não em Brasília. Mas Cristovam me surpreendeu.

Por várias razões: em primeiro lugar, porque, quando saía à noite do Congresso Nacional, comecei a perceber que haviam sumido das ruas os menores que vendiam todo tipo de bugigangas entre as mesas na calçada de restaurantes e bares de Brasília. Entre eles, havia crianças vendendo panos de prato, bombons e bonecas. Eu ficava no maior aperto no coração, pensando que qualquer deles poderia ter sido meu filho ou um dos meus netos.

Em segundo lugar, porque, procurando entender onde teriam ido parar aqueles menores, fiquei sabendo de seu programa de Bolsa Educação, que, a julgar por seu último artigo, publicado no domingo, dia 21, ele já não considera uma política pública capaz de ajudar, efetivamente, a promover a justiça social.
Portanto, Cristovam não se compraz, não se deita sobre os feitos que deram fama a ele e a outros, inclusive a Lula. Ele continua a buscar soluções.

Em terceiro lugar, porque ele conseguiu realizar meu velho sonho de fazer da travessia das ruas um procedimento seguro para as pessoas, e não um espaço privilegiado das motos e dos automóveis. Lembro-me de quando começou essa verdadeira revolução.
Havia ainda um problema peculiar na capital federal: a péssima qualidade do asfalto das ruas fazia com que, nas primeiras chuvas, os carros deslizassem como se estivessem sobre quiabos, e as colisões eram frequentes. Era um transtorno. Um perigo que a gente via por todo lado.

O governador exigiu a observância dos limites de velocidade na malha urbana, colocou “pardais” e, o melhor de tudo, iniciou uma campanha para educar pedestres e motoristas a respeitarem primeiro a vida e, depois, a velocidade dos que querem se locomover nos grandes centros. Faixas, com e sem sinais, foram colocadas nas ruas e nas avenidas.
Bastava o pedestre esticar o braço para fazer pararem todos os carros em circulação e poder atravessar sem sobressaltos.
De início, antes da aplicação de multas, a advertência pedagógica. Depois de certo tempo, as pessoas começaram a ganhar confiança na nova ordem e a atravessar sem medo. Depois, foi preciso até coibir o excesso de desordem, ocasionado pelos que achavam que bastava pôr o pé no chão e decretar a freada dos veículos.

Quero, com isso, dizer: ainda há gente que consegue governar pensando, antes de tudo, em nosso próprio bem-estar.

27 de outubro de 2012
Sandra Starling

COM UM AMIGO ASSIM...


Houve alguns exageros nos comentários sobre a divulgação, OFICIALMENTE PELO GOVERNO ALCKMIN, ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO, DOS DADOS SOBRE ASSASSINATOS NA CAPITAL PAULISTA.
Portanto, não é culpa da Folha de São Paulo. É CULPA DO ALCKMIN, QUE QUER FERRAR COM SERRA, OU OS QUE ME ATACAM ACHAM QUE INVENTEI A NOTÍCIA ABAIXO?
Dados divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública mostram que a capital registrou 135 casos de homicídios com 144 vítimas no mês passado. O aumento é de 96% em comparação ao mesmo período de 2011, que teve 69 casos com 71 vítimas. No acumulado entre janeiro e setembro, a alta foi de 22% na cidade. Foram 920 casos com 983 vítimas -pode haver mais de uma morte em um mesmo boletim de ocorrência, caso das chacinas.
Conforme dados da secretaria, setembro foi o mês recordista em número de assassinatos desde janeiro de 2010, quando o governo estadual passou a divulgar todo mês as estatísticas criminais.
No Estado todo, o aumento dos registros de homicídio foi de 27% em setembro e de 8% no acumulado do ano. O crime de latrocínio (roubo seguido de morte) é outro que também disparou. Segundo os dados oficiais, de janeiro a setembro foram 263 ocorrências.
É o maior número de casos desde 2004, quando foram registrados 291 latrocínios. Entre as explicações para o aumento da violência, está o acirramento do confronto entre criminosos e a polícia.
Desde junho, quando os bandidos da facção criminosa PCC iniciaram uma série de ataques contra outros criminosos e policiais, 1.539 pessoas foram mortas. Só nesses quatro meses do ano, o aumento foi de 12% no Estado e de 30% na capital.
As mortes orquestradas pelo PCC, segundo a polícia, partiram de chefes presos e foram dadas após PMs da Rota matarem seis suspeitos na Penha, na zona leste.
Desde então, foram registradas 38 mortes de policiais, até setembro, seguidas por dezenas de mortes de supostos criminosos em várias regiões da cidade. Seus assassinos costumam ser motoqueiros, usando capacetes e roupas escuras.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) nega que os ataques sejam coordenados e afirma que há muito "folclore" sobre o crime organizado.
Já o deputado Olímpio Gomes, da comissão de segurança da Assembleia, diz que há o risco da existência de novos esquadrões da morte, com a participação de policiais.
O comandante da PM, Roberval França, negou que haja um descontrole da criminalidade no Estado. "Houve mais casos de mortes por motivos passionais, ataques entre criminosos e por cobrança de dívidas de drogas", afirmou.
 
27 de outubro de 2012
in coroneLeaks

CONDIÇÕES OBJETIVAS

 

Observado o sagrado direito ao esperneio, há que se considerar a lógica na análise da anunciada reação que estaria sendo preparada por PT e adjacências contra as condenações de José Dirceu e José Genoino, logo após as eleições.

De um lado existe o desejo, justo na perspectiva de quem o manifesta, de buscar algum tipo de saída menos desonrosa para se confrontar com a dura possibilidade da condenação de dois símbolos do partido à prisão por corrupção e formação de quadrilha.

Nesse cenário o PT já nem seria mais igual aos outros partidos, mas o único a ter dirigentes na cadeia. Compreende-se, portanto, a aflição, pois não se trata de mera derrota eleitoral, mas da perda da liberdade e do nivelamento ao patamar de criminosos comuns.

É dolorido, embora decorrência inexorável dos atos julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
De outro lado estão as condições objetivas para a eficácia dessas reações. Não parecem favoráveis. Nos últimos anos não foram poucas, não obstantes frustradas, as tentativas de transformar o mensalão em obra de ficção escrita pelos inimigos.

Se o PT não conseguiu "desmontar a farsa" antes nem durante o julgamento, muito menos agora terá capacidade de desmentir a palavra final da Justiça.

Não há manifesto que contradiga a fundamentação das sentenças, não há esforço de retórica que dê aos condenados o status de presos políticos, não há injúria que abale a credibilidade do Supremo. Não há ativismo que mobilize multidões em defesa dos presos, não há indignação capaz de obscurecer a indignidade cometida no uso partidário do patrimônio coletivo.

Não há, enfim, objetivamente o que fazer. E por isso acabará prevalecendo o discurso do "cumprimento democrático" da decisão. Apenas e tão somente porque não existe opção.

Antes tarde. O rigor do tratamento dado a Marcos Valério, seja pelo papel de protagonista na dita "organização criminosa", seja pelo volume das penas, ultrapassa em muito o esperado pelo empresário quando colaborou de maneira comedida com a Justiça na fase de instrução do processo.
Como ainda enfrenta várias ações em primeira instância, há quem veja interesse em colaborar mais ativamente de forma a se beneficiar do instituto da delação premiada. Recurso que, para ser concedido, precisa se mostrar comprovadamente eficaz.

Enquanto o cenário era de dúvida, Valério jogou com ameaças veladas. Agora a certeza do duro destino extingue as razões da dubiedade.

Crime e castigo. O publicitário Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério e condenado por peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, escreveu um longo depoimento para o jornal Correio Braziliense.

Perplexo com o desfecho do caso, diz algo importante para a compreensão desse tipo de episódio: "Sou um criador publicitário que não soube enxergar os riscos".

Quais riscos? Pelo que se depreende do relato, não percebeu o perigo de embarcar em operações financeiras nebulosas, de fazer crescer a agência de publicidade mediante aproximação com o partido do poder como "uma porta certa" para campanhas eleitorais, de não pesar nem medir consequências a despeito dos sinais de que havia algo de profundamente errado nas negociações de sua empresa com o PT.

E por que não enxergou os riscos? Porque a tradição de condescendência no trato de crimes contra a administração pública dispensava a análise prévia do custo-benefício.

Ao conferir tratamento mais igualitário a esse tipo de ilícito, o Supremo introduz o fator de equilíbrio entre perdas e ganhos na decisão da freguesia interessada em se locupletar naquele conhecido balcão.

27 de outubro de 2012
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

JOSÉ DIRCEU VAI TER QUE SEQUESTRAR UM EMBAIXADOR, SE QUISER FUGIR. DE NOVO


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a apreensão dos passaportes dos condenados no processo do mensalão. A medida, preventiva, tem como objetivo de evitar que os réus fujam do País para escapar da prisão.
Gurgel reconhece que STF não deve decretar prisão imediata após estabelecer as penas em definitivo - ANDRE DUSEK/ESTADÃO
O STF já sinalizou que fixará penas severas para os condenados a serem cumpridas em regime inicialmente fechado. Operador do esquema, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza recebeu penas cuja soma é de 40 anos, 1 mês e 6 dias de prisão. Para o sócio dele Ramon Hollerbach o Supremo estabeleceu por enquanto penas num total de 14 anos, 3 meses e 20 dias.
 
O desejo de Gurgel é que os réus condenados sejam presos imediatamente após a proclamação do resultado do julgamento do mensalão, que não tem previsão para acabar. No entanto, o procurador-geral reconhece que dificilmente o tribunal determinará as prisões imediatas. A praxe da Corte é esgotar todos os recursos para, só então, expedir os mandados de prisão.
 
Para evitar fugas, o procurador-geral pediu a apreensão de passaportes. Segundo pessoas próximas a ele, Gurgel começou a pensar na iniciativa ao saber, no mês passado, que um dos réus do processo, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, estava na Itália desde julho, mesmo já tendo sido condenado pelo STF. Mas Pizzolato retornou ao Brasil às vésperas do primeiro turno da eleição municipal.
 
Mesmo com o retorno de Pizzolato, Gurgel quer se precaver para evitar episódios como a fuga do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que é italiano e fugiu para sua terra natal para escapar do risco de prisão após ter sido processado por crime contra o sistema financeiro. Cacciola somente foi extraditado para o Brasil depois de ter viajado para Mônaco. (Estadão)
 
27 de outubro de 2012
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