"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 6 de novembro de 2012

MAIS UM ARTIGO DE DANIEL ELLSBERG: POR QUE OBAMA É APENAS O MENOS PIOR?

 

Obama é um fantoche de Wall Street, um homem que descriminalizou a tortura, um assassino que usa drones, alguém que está lançado uma guerra inconstitucional, apoia o sequestro e a detenção sem julgamento e processou mais gente do que todos os presidentes anteriores juntos.


 Mas uma administração Romney / Ryan não seria melhor em qualquer aspecto. Seria muito pior, catastroficamente pior em uma série de questões importantes: o Irã, a economia, os direitos reprodutivos das mulheres, a cobertura de saúde pública, a rede de segurança, as mudanças climáticas, o ambiente.

A organização republicana é extremamente perigosa, não só para os EUA, mas para o mundo. Vale a pena gastar algum esforço para impedir a sua ascensão ao poder, sem semear ilusões.

A única maneira dos progressistas e democratas bloquearem Romney é convencer pessoas suficientes em estados decisivos a votar em Obama. E isso tem de incluir liberais desiludidos que estão neste momento inclinados a não votar ou a votar em um candidato de um terceiro partido (porque, como eu, eles não estão apenas decepcionados, mas desgostosos e furiosos com muito do que Obama tem feito nos últimos quatro anos e provavelmente vai continuar fazendo).

Isso não é fácil. O mantra de eleitores do terceiro partido, segundo o qual “não há diferença significativa entre os principais partidos”, equivale a dizer: “Os republicanos não são piores, em geral.” E isso é um absurdo. É loucamente divorciado da realidade do presente.

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ALAS DA DIREITA

É verdade que as diferenças entre os principais partidos não são tão grandes como seus candidatos afirmam, muito menos quanto nós gostaríamos. É mesmo justo usar a metáfora de Gore Vidal de que eles formam duas alas (“duas alas de direita”, como alguns já disseram) do Partido da propriedade, da plutocracia ou da guerra. Ainda assim, a realidade política é que uma é sem dúvida ainda pior que a outra.

Votar em Romney é algo que não serve a ninguém, a não ser aos republicanos, e ao 1%. Não é apenas compreensível, é inteiramente legítimo estar furioso com Barack Obama.
Como eu estou. Ele tem agido mal de maneira escandalosa, não apenas timidamente. Se o impeachment pudesse ser decretado pela imaginação, ele teria o dele (como George W. Bush e muitos de seus antecessores).

É inteiramente humano querer puni-lo. Mas a raiva não é geralmente propícia ao pensamento claro. E muitas vezes seu efeito pode resultar em votos para Romney.

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PUNIR O MUNDO INTEIRO

Punir Obama significa punir a maioria dos pobres e marginais na sociedade, e também os trabalhadores. Não só nos EUA, mas em todo o mundo (eu acredito que os republicanos ainda poderiam converter esta recessão em uma Grande Depressão).
Ele poderia muito bem travar uma guerra com o Irã (à qual Obama resistiu, indo contra a pressão de seu próprio partido).
A reeleição de Barack Obama, em si, não vai trazer grandes mudanças. Mas eu diria a um progressista que, se sua consciência lhe diz para votar em alguém que não seja Obama, ele precisa de uma segunda opinião. Sua consciência está lhe dando maus conselhos.

Muitas vezes eu cito uma frase de Thoreau que teve grande impacto sobre mim:
“Dê seu voto inteiro: não um pedaço de papel apenas, mas toda a sua influência.” Ele estava se referindo, nesse ensaio, à desobediência civil, ou, como ele mesmo definiu, “resistência à autoridade civil”. Isso significa usar todos os meios — redes sociais, emails, o que for — para convencer os cidadãos em dúvida a votar contra uma vitória de Romney, ou seja, na única alternativa real, Barack Obama.

Artigo transcrito do site Diário do Centro do Mundo.
Daniel Ellsberg era analista militar quando em 1971 decidiu vazar
para o New York Times e outros jornais os “Papéis do Pentagono”.
Os documentos deixavam claro que
os Estados Unidos não tinham como ganhar a Guerra do Vietnã.

EVO MORALES É O PRESIDNTE QUE RECEBE O MENOR SALÁRIO NA AMÉRICA LATINA

 

Reportagem da agência France Presse revela que o presidente da Bolívia, Evo Morales, é o chefe de Estado de menor salário da América Latina. Ele recebe remuneração mensal de apenas 15 mil bolivianos (US$ 2.100 dólares) e sempre assegurou não ter outros rendimentos, realçando a diferença com seus antecessores que, segundo ele, tinham gastos reservados que chegavam aos 10 mil dólares mensais.


Morales dá oexemplo…

“É o presidente que menos ganha com relação aos países vizinhos, é um dos mais pobres da América Latina”, afirmou a ministra da Comunicação, Amanda Dávila, entrevistada pela rede governamental de mídia, em resposta a uma publicação na imprensa local sobre a suposta fortuna do presidente.

Morales, que quando criança foi criador de lhamas e jovem foi trompetista e ‘cocalero’ (plantador de pés de coca), informou em 2006, ao chegar ao governo, um patrimônio de 779.000 bolivianos (US$ 111.900 dólares) que triplicou após sete anos no poder.
Atualmente, tem um patrimônio líquido de 2,7 milhões de bolivianos (pouco mais de US$ 350 mil dólares), revelou o jornal El Deber da cidade de Santa Cruz, que teve acesso à declaração de renda do presidente na controladoria.

Por lei, todos os funcionários públicos bolivianos devem fazer uma declaração de bens e rendimentos.

“Penso que o informe da controladoria é um informe correto, é público”, afirmou a porta-voz do governo, explicando que “é um patrimônio que aumenta apenas pela valorização dos bens”.

O salário de Morales é equivalente ao do presidente uruguaio, José Mujica, que decidiu doar à ação social parte de sua remuneração. Mujica se recusa a morar o palácio presidencial uruguaio e dirige pessoalmente seu carro, um fusca 87 azul claro.
Enquanto isso, no Brasil…

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)

 


PASSA UM BOI, PASSA A BOIADA

 

Volto ao assunto porque, malgrado venha suscitando pouco interesse, ele é política e socialmente relevante em todos os seus aspectos. Quando o Supremo declarou constitucional o sistema de cotas raciais adotado pela UnB, ocorreu algo extraordinário. Ficou óbvio que os ministros queriam aprovar o sistema. A Constituição, não obstante, vedava a discriminação racial.




Coube ao relator, Ricardo Lewandowski, esgueirar seu voto favorável às cotas por uma estreita ponte pingente (daquelas que balançam mas não caem). E sobre ela cruzou a insuperável barreira constitucional. Como? Elementar, meu caro Toffoli: as cotas raciais só devem viger enquanto necessárias, doutrinou ele. Ou seja, provisoriamente. Pronto! Passou o boi.

Naquela ocasião, escrevi um artigo afirmando que, a partir de tão destrambelhada decisão, todo certame intelectual, toda prova de habilitação, todo exame de ordem, todo concurso para magistratura, que não previsse cotas raciais seria provisoriamente inconstitucional. Com efeito, se a necessidade de discriminar impunha-se sobre o cristalino óbice da Carta, então deveria prevalecer para tudo mais.

Não deu outra. Está passando a boiada. Vários concursos já enveredaram por aí. Tenho recebido mensagens de pessoas queixosas com a discriminação sofrida em processos seletivos.
Afinal, se haver cursado tal ou qual curso superior era pré-requisito do concurso, que diferença pode haver entre o diploma de um branco e o diploma de um negro? Ambos superaram as barreiras de entrada e saída da Universidade.
Por que, então, continuar levando em conta a cor da pele? Considerá-los hipossuficientes, mesmo com diplomas sob o braço, insulta os negros! Isso, para mim, é racismo da pior espécie, ofensivo, aviltante.

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DEMAGOGIA

Por trás de tanta falta de juízo há política e ideologia. Há a completa submissão dos prejudicados, incapazes de levantar um dedo e balançá-lo para a esquerda e para a direita dizendo não. Há a multidão dos que creem que nada têm a ver com isso, embora paguem religiosamente todas as contas. E há a demagogia, que é, sempre, um sucesso de público, notadamente quando distribui agrados e favores.

Por mais que os fatos se encarreguem de desacreditá-los, sempre surgem novos demagogos e novas formas de sedução para atrair eleitores. Aliás, não nos faltariam estadistas se a mentira e a demagogia não fossem mais sedutoras do que a verdade. Mas, pelo jeito, jamais precisaremos, nas funções de Estado, criar cotas para os menos capazes nem para os menos responsáveis.

Fui dar uma olhada no ministério de dona Dilma, que anuncia para dezembro a adoção da política de cotas para os concursos públicos federais. São 25 ministérios de fato, mais nove secretarias e seis órgãos com status de ministério, ligados, também, diretamente à Presidência da República. Total, para fins protocolares: 40 senhores ministros e ministras.
Quantos negros? Lamento informar que apenas um. Aliás, uma. Não por acaso, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Não sei por que, após essa constatação, me sobreveio a sensação de que alguém, em algum lugar, estava sendo hipócrita. Se o governo vê com tão bons olhos uma política de cotas raciais, por que não a adota no próprio governo? Uma ministra cotista entre 40 colegas?

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

 


CORONEL CRITICA A NOVELA 'SALVE JORGE!' POR DENEGRIR EXÉRCITO

 

Sou Coronel de Artilharia da turma de 1978 e estou na reserva desde 31 Dez 2009, desde então trabalhando no mundo corporativo.


Uma ficção exagerada?

Estou longe de ser mais um membro da reserva enfurecida, que vê sombras onde não existem, mas não poderia deixar de expressar minha indignação com a imagem que estão delineando da nossa Força, com episódios cada vez mais estarrecedores envolvendo personagens que representam a oficialidade do Exército Brasileiro, num posto que se pressupõe maturidade, equilíbrio e comprometimento com nossos valores mais caros, cultuados desde os bancos acadêmicos (capitães de cavalaria, no nosso Exército, só saem da AMAN).

As demonstrações de deslealdade, desequilíbrio, petulância e falta de ação de comando dão aos expectadores a ideia que o nosso Exército é aquele saco de gatos, a que ficou reduzido o brioso e tradicional Regimento Andrade Neves.

Vivo sendo questionado por civis de minhas relações, a perguntar se isso acontece dentro dos quarteis e sistematicamente tenho que explicar que essa não é a expressão da verdade (penso que esse passivo deva cair no colo de inúmeros militares da reserva e da ativa).

De qualquer maneira, nem sempre teremos um Coronel R1 disponível para explicar ao público externo que aqueles capitães e aquele Coronel Comandante, que não conhece sua oficialidade, são obra de uma orquestração muito sutil para reduzir o EB a expressão mais simples e nos nivelar por baixo, como se os valores que cultuamos e fazemos questão de apregoar fossem mero embuste.

Francamente… a ideia de fazer propaganda da Força Terrestre na novela das 21h, da Rede Globo, foi no mínimo ingênua e a concordância em utilização de instalações de uma unidade tradicional de Cavalaria para aquela patifaria, beira a irresponsabilidade. Um exército que se preza (e é o nosso caso), não necessita andar na mídia fazendo parte de historietas, a troco de migalhas, de luzes ou da simpatia da mídia.

Decisões como esta atingem a todos nós, da ativa e da reserva e põe em dúvida a credibilidade de uma instituição secular, que desde o nascimento da nacionalidade está presente nos momentos mais críticos da história do Brasil, preservando, defendendo e cultuando valores que nem de longe são mostrados naquela novelinha de quinta categoria.

(Artigo enviado por Mário Assis)

AS JOGADAS AÉREAS SÃO IMPORTANTES

 

Por causa do ambiente de revolta em Belo Horizonte contra os árbitros, como se houvesse um grande complô para derrubar o Atlético, torcedores, dirigentes, técnico e jogadores ficaram excessivamente tensos.



No primeiro turno, quando tudo dava certo, o Atlético fazia muitos gols pelo alto, porém, tinha muito mais variações. No segundo turno, aumentaram as jogadas aéreas, a ansiedade e a pressão para ganhar o título.

As jogadas aéreas são necessárias e importantíssimas quando ocorrem por meio de bolas paradas e de passes da linha de fundo, quando o jogador olha e coloca a bola na cabeça do companheiro. Assim saiu o gol do Atlético contra o Flamengo. Deveria ter ocorrido outras vezes.

Quando eu era menino, o técnico do time, Itaíbis, sempre dizia: “É proibido dar chutões”. Imagino que a maioria dos técnicos brasileiros da época, de todas as categorias, pedia a mesma coisa. Isso mudou, para pior. Outras coisas melhoraram. Criaram um outro futebol.

Quando escrevo, faço como cidadão e cronista do presente. Uso meus conhecimentos e experiências do passado para entender o presente.

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BOM PASSE

Cruyff, mestre de Guardiola, dizia que só se forma um grande time com zagueiros que têm bom passe. Por isso, o Barcelona insistiu na contratação de Thiago Silva.

A imprensa divulgou que consta no planejamento financeiro do Barcelona para o próximo ano uma despesa de 40 milhões para a contratação de um jogador, sendo que dez milhões já teriam sido pagos. Seria Neymar? Se eu fosse dono de um clube, por esse preço, só pagaria por dois jogadores, Neymar ou Cristiano Ronaldo.

Paulo Calçade, o comentarista de jogo da TV que mais gosto, tem falado muito nas mudanças de estratégia do Barcelona, após a entrada do técnico Tito Vilanova, que era auxiliar de Guardiola. Assisti a todas as partidas e não vi nenhuma alteração na filosofia e na estratégia de jogo. Vou prestar mais atenção.

As mudanças que vi são de preferências individuais. O novo técnico gosta demais de Pedro, um jogador apenas disciplinado e esforçado. Tito Vilanova tem colocado Fábregas na reserva de Iniesta e Xavi. Guardiola, que não queria deixar um craque fora da equipe, avançava Iniesta pela esquerda e colocava Fábregas no meio-campo. Prefiro também o time com mais craques.
06 de novembro de 2012
Tostão (O Tempo)

PRESIDENTE DO SUPREMO JÁ ACHA VIÁVEL REDUZIR PENA DE VALÉRIO

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, disse, ontem, em Recife, que uma eventual redução da pena imposta no julgamento do mensalão a Marcos Valério “é viável”, mas que o assunto ainda não foi discutido.

“Claro que, no plano das possibilidades, é viável”, afirmou. “Teoricamente, tudo é possível quando do ajuste final do que nós chamamos de dosimetria”, disse. Segundo ele, porém, nada ainda foi definido.

DIante dessa afirmação de Ayres Britto, fica a expectativa. Afinal, o que foi dito por Valério em seu último depoimento, em setembro, quando pediu o benefício da delação pemiada?

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TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO BC

Os jornais revelam que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a abertura de investigação para apurar se Marcos Valério realizou tráfico de influência no Banco Central (BC) em favor dos bancos Rural e Econômico.

A nova apuração foi decidida em agosto pelo ministro Joaquim Barbosa, após a Procuradoria Geral da República dizer que há “indícios de que foram praticadas condutas ilícitas” nas gestões feitas por Valério no BC – que avaliava processos de socorros financeiros às instituições.

Relatório da Polícia Federal (PF) afirma que as investidas de Valério tinham como alvo os socorros ao Banco Mercantil de Pernambuco, do qual o Rural era um dos donos, e ao Banco Econômico.

A PF aponta que Valério fez 17 reuniões no BC entre 2003 e 2005, oito delas sobre o levantamento da liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, nas quais se apresentava como representante do Rural. Segundo relatório da PF, Valério tentou influenciar diretores do BC nas negociações. “Decisões que poderiam resultar em ganhos que giravam em torno de R$ 700 milhões”, diz o relatório.

Para o delegado Luís Flávio Zampronha, “Valério não obteve sucesso na investida”. Mas a conduta será investigada porque a configuração do crime de tráfico de influência não exige a consumação dos atos pretendidos.

A defesa de Valério negou que ele tenha cometido atos ilegais em seus contatos com representantes do BC. Já a autarquia informou que as reuniões do publicitário no órgão seguiram as regras da instituição e nenhum dos pedidos teve seguimento no BC.

06 de novembro de 2012
Carlos Newton

PT CONTINUA ACREDITANDO QUE EXISTE A NOVA CLASSE MÉDIA COM RENDA PER CAPITA DE R$ 291 MENSAIS

 

Em matéria de factóides (simulações de fatos), o governo do PT está se mostrando imbatível. Depois de criar a nova classe média, inventada pelo economista Marcelo Nery, que ganhou pelos serviços prestados a importante presidência do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, agora o novo factóide do governo são os “planos” para essa nova classe média.



Como se sabe, quando trabalhava na Fundação Getúlio Vargas, Nery realizou uma obra de contorcionismo econômico para concluir que toda família com renda per capita de R$ 291 já teria saído da pobreza e entrado na classe média. Assim, uma família de cinco pessoas, com renda mensal de apenas R$ 1.455, no entender do criativo economista, tinha de ser considerada de classe média.

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RICOS E POBRES

A imprensa engoliu esse factóide goela abaixo e o governo adotou a tal nova classe média. Agora, os repórteres Lu Aiko Otta e João Domingos, do Estadão, dão segmento ao lance e anunciam que o PT pretende utilizar a gestão de Fernando Haddad em São Paulo a partir de 1º de janeiro de 2013 para reciclar sua agenda programática.

“A promessa de Haddad de ‘derrubar os muros’ que separam a população pobre da rica será complementada, segundo petistas, por um trabalho conjunto da Prefeitura com a presidente Dilma Rousseff, com foco especial na nova classe média, um contingente de 40 milhões de consumidores surgido na última década”, afirmam os jornalistas, mas ressalvando que nem tudo é delírio, pois às vezes as autoridades caem na real.

“Em conversas com seus conselheiros políticos, Dilma costuma repetir que essa parte da população brasileira continua sem acesso a planos de saúde e a escolas particulares. Acabará cobrando, portanto, a melhoria desses serviços do poder público”, diz a reportagem do Estadão, especulando sobre o óbvio ululante celebrado por Nelson Rodrigues.

“Nosso grande desafio é o da melhoria dos serviços públicos, porque esses 40 milhões que entraram na classe média recentemente ainda têm renda muito baixa”, admitiu o deputado Paulo Teixeira (SP), um dos petistas que trabalhará na tentativa de transformar projetos da gestão Haddad num laboratório para o programa de governo do partido com vistas à campanha de 2014.

CHEGA A 92 O NÚMERO DE POLICIAIS MORTOS EM SÃO PAULO

 

FATALIDADE MAS QUEIMAS DE ARQUIVO

 

São milhares os casos de queima de arquivo em nossa história. Aliás, da história do mundo inteiro. Vamos ficar em três exemplos recentes. Em 1962 Gregório Fortunato estava para ser libertado em poucos dias, por ato do presidente João Goulart.
Em 1954 mobilizara a Guarda Pessoal da presidência da República, que chefiava, para tentar assassinar o jornalista Carlos Lacerda, responsável por impiedosa campanha contra o presidente Getúlio Vargas. Identificado, Gregório viu-se condenado a mais de vinte anos de prisão.


“Vou contar tudo…”

Gregório jamais abriu a boca para revelar se havia um mandante ou se o atentado onde morreu um oficial da Aeronáutica fora de sua iniciativa. Prestes a ganhar a liberdade, teria manifestado o desejo de contar tudo e revelar a quem obedecia, ou quem o havia estimulado. Morreu esfaqueado na Penitenciária Lemos Brito por um preso meio débil mental, incapaz de revelar o porquê de seu ato.

Um corte na história nos leva ao assassinato de PC Farias, o caixa de campanha de Fernando Collor, responsável pelas contas pessoais e familiares do então presidente da República, óbvio achacador dos meios econômicos e financeiros da época. Poucos empresários escaparam de sua coleta milionária. Denunciado e condenado, conseguiu sair clandestinamente do país, passando a viajar pelo mundo.

Identificado na Tailândia, foi recambiado para o Brasil, ficando algum tempo na prisão, beneficiando-se em seguida para estabelecer-se em Alagoas. Lá, foi morto por uma namorada recente, que se suicidou em seguida.
Pairaram dúvidas sobre os policiais militares encarregados de sua segurança, mas nada foi apurado. Crime passional, concluíram.

Não faz pouco mataram o prefeito de Santo André, Celso Daniel, um dos companheiros mais chegados ao Lula, recém-eleito presidente. O caso foi dado como crime comum, ele teria sido vítima de latrocínio, um assalto seguido de morte.
Ampla cortina de fumaça envolveu o episódio, inconcluso como os outros dois referidos. Cheio de buracos, como agora levanta Marcos Valério, operador do mensalão e já condenado a 40 anos de prisão.
A República vai tremer, se o publicitário vier a falar o que sabe e o que viu, como anuncia num dia para desmentir no seguinte.

É preciso tomar cuidado com as coincidências. Mesmo estando em liberdade, pois sua sentença ainda não transitou em julgado, Valério assemelha-se a um arquivo vivo. Não pela lei, mas pela natureza das coisas, o Supremo Tribunal Federal é responsável por sua segurança.
Adianta pouco imaginar que se já estivesse preso, estaria imune a atentados. Basta lembrar o que aconteceu com Gregório Fortunato.
De qualquer forma, cabe ao poder público zelar pela vida dos cidadãos. Depois, quando as coisas acontecem, e como acontecem, a palavra fica com os ingênuos e com os outros, para os quais tudo não passou de fatalidade.

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CONFUSÃO

A confusão é geral no acampamento dos companheiros, ora inclinados a declarar guerra ao Supremo Tribunal Federal, ora contidos pelo bom-senso do ex-ministro Márcio Thomas Bastos.
Chegaram a sustentar que a presidente Dilma Rousseff não deveria comparecer à cerimônia de estado da posse de Joaquim Barbosa como presidente da mais alta corte nacional de justiça. Prevaleceu o bom-senso, ela cumprirá o protocolo, mas nem por isso acalmou-se o PT.

O alvo agora é a mídia, que estaria estimulando os julgadores do mensalão a não pouparem os mensaleiros, como se fosse possível influenciá-los. Pensam em ressuscitar a proposta de controle estatal sobre os meios de comunicação, apesar de excessos aparecerem diariamente nas primeiras páginas dos jornais.
Jogam os petistas, pela janela, montes de serviços prestados ao país, o maior dos quais foi surgirem como valor diferente dos demais partidos. Estão ficando iguais, ou já ficaram…

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

Um crime aéreo


RIO – 1947. João Goulart e Leonel Brizola acabavam de ser eleitos deputados estaduais pelo Rio Grande do Sul. Jango, 30 anos, advogado, fazendeiro, por São Borja. Brizola, 25 anos, líder universitário, estudante de Engenharia, por Porto Alegre. Nunca se haviam visto. Conheceram-se no dia da instalação da Assembleia Constituinte.



Tocou o telefone na Assembleia, chamando Brizola. Era Rubem Berta, presidente da Varig, então uma pequena empresa aérea criada pelo alemão Mayer, afastado da direção durante a guerra. A Varig vivia praticamente de sua linha para Montevidéu, em uns Electras pequenos. E queria fazer a linha de Buenos Aires, mas Peron, presidente da Argentina, não concordava. Berta pedia a interferência de Brizola.
Brizola e Jango foram a Getúlio, exilado em Itu, e pediram sua ajuda. Seguiram para Buenos Aires, telefonaram para Peron.

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BRIZOLA

Perón atendeu pessoalmente e os convidou para o café da manhã:
- Deputados, este senhor Berta é de confiança?
- É um homem capaz, sério, que está construindo uma empresa aérea.
- Amanhã podem buscar a autorização da linha para Buenos Aires.

Os dois voltaram para Porto Alegre com a linha na mão. Veio a campanha eleitoral de 1950, a Varig pôs um avião à disposição de Getúlio e outro à disposição do brigadeiro Eduardo Gomes. Vitorioso Vargas, Berta começou a lutar por uma linha para Nova York. A Pan American tinha linha para o Rio, ele queria a reciprocidade. Mas, na Aeronáutica, o ministro Nelio Moura e o brigadeiro Teixeira eram contra. Achavam que a linha devia ser dada à Aerovias Brasil, então mais poderosa do que a Varig.

Berta ligou de novo para Brizola, já líder do PTB na Assembleia. Brizola veio ao Rio com o ofício da Varig na mão, foi ao Catete, conversou com Getúlio, que assinou a autorização para a Varig.
Mas como voar para Nova York? Era preciso comprar três Constellations. Novamente Brizola veio ao Rio, Getúlio autorizou a compra com aval do Banco da Província do Rio Grande do Sul. Naquele dia, a Varig ganhava “os céus do mundo”.

No exílio, Brizola encontrou-se em Nova York com um grupo de pilotos da Varig. Levantaram um brinde póstumo para Rubem Berta.

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VARIG

A aviação brasileira nasceu assim, cresceu assim, uma historia de tempos heroicos. Primeiro, em 1927, a alemã Condor (“Sindicato Condor”), que na guerra abrasileirou-se como Cruzeiro do Sul. Depois, a Varig, Aerovias, Real, Panair,Vasp, Transbrasil,TAM, Gol, etc, comandantes e comissários, aeronautas que durante anos cortaram os céus do Brasil, dia e noite, abrindo e ampliando fronteiras, construindo a unidade nacional.

Agora, volto de viagem e leio esta dolorida mensagem de 28 de setembro, assinada por um desses bravos heróis, comandante Raimundo Ribeiro, que conheço há anos, dos tempos da Cruzeiro e da “nossa Varig”:

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AERUS

- “Meu caro Sebastião Nery, o caso “AERUS’ é o seguinte: um Instituto de Seguridade Social, criado na década de 80 para suplementar a aposentadoria dos aeronautas, que, como sabes, o teto do INSS é bem baixo. Por motivos vários, este plano foi dilapidado e nós participantes ficamos a ver “navios”, ou quase.

Em 2006, houve intervenção no plano e daí à sua liquidação foi um pulo. Após vários anos de lutas judiciais, a UNIÃO foi responsabilizada por não haver intervido no momento oportuno através de sua Agência Reguladora SPC, hoje PREVIC. No dia 13/07/2012, o juiz dr. Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da 14ª vara federal – DF, determinou à União repassar ao AERUS os valores devidos, sob pena de multa diária de R$ 60.000,00.

A decisão não foi cumprida. Em 24/09/2012, a decisão foi ratificada e a multa majorada para R$ 220.000,00 por dia de atraso a partir do 15º dia.Tem havido manifestações dos interessados nos escritórios da AGU nos Estados a até agora não há indicativo de cumprimento da decisão judicial.

Para teres uma ideia, eu recebia cerca de R$ 7.000,00 mensais e hoje recebo R$ 1.044,00 até dezembro. Grande abraço do comandante Ribeiro”.
E agora, presidente Dilma? A senhora vai tolerar essa indignidade?

06 de novembro de 2012
Sebastião Nery

DESÂNIMO GERAL NA POLÍCIA FEDERAL

 

Veteranos delegados estão assustados com o momento atual do Departamento de Polícia Federal (DPF), instituição que marcou época no início do governo Lula, mas que desde a saída do seu então diretor, Paulo Lacerda, entrou em um declínio de prestigio e dos serviços apresentados e, segundo estes delegados, estaria atingindo o fundo do poço.



Há uma total desmotivação do corpo de funcionários – delegados, agentes, escrivães, peritos e servidores – que acaba por refletir nos trabalhos efetuados. Funcionários em geral não acreditam nos propósitos do diretor-geral, Leandro Daiello Coimbra, e do próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em defender e incentivar a instituição.

Nas superintendências, falta comando e, ao mesmo tempo, uma maior cobrança da Direção Geral aos superintendentes. Aliás, desde a posse de Daiello Coimbra, no início do governo Dilma, em 2011, ele só se reuniu uma vez com todos os 27 superintendentes: na recente greve dos policiais.
O desânimo geral não está relacionado apenas à questão salarial. O problema é mais sério e compromete o resultado dos trabalhos.

http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2012/11/03/desanimo-geral-na-policia-federal/#.UJY0PbjEhmw.facebook (Artigo enviado por Sonia Souza)

CURIOSIDADES LITERÁRIAS

Monteiro Lobato revolucionou a venda de livros

A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 20 de julho de 1897, e é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta e 20 sócios correspondentes estrangeiros. Seu primeiro presidente foi Machado de Assis.
A primeira mulher admitida foi Rachel de Queiroz, em 1977. Esta instituição foi a primeira academia do mundo a eleger uma mulher para a Presidência (Nélida Pinõn, em 1995).



Monteiro Lobato é o autor da frase “um país é feito de homens e livros”.
O escritor revolucionou o mercado literário em uma época em que o Brasil tinha poucas livrarias: Seus livros eram vendidos em mercearias, armazéns e farmácias, assim como pelo reembolso postal, fomentando de maneira criativa a cultura em nosso país.
Criou também sua própria editora. Sua atuação foi inovadora, seja como escritor ou como empresário.
O primeiro acidente de automóvel no Brasil foi causado pelo poeta Olavo Bilac. Ele bateu numa árvore em 1897.

Jorge Amado teve seus livros publicados em 52 países e traduzidos para 48 idiomas.

A Bíblia é o livro mais vendido no mundo. Em segundo lugar vem o Guinness World Book of Records.

Virginia Woolf, Goethe e Hemingway tinham o hábito de escrever em pé.

José Lins do Rego era fanático por futebol. Torcia pelo Flamengo, no Rio de Janeiro. Nelson Rodrigues, outro fanático por futebol, afirmou uma vez que “O videoteipe é burro”, quando ficou provado pênalti contra o seu Fluminense.

Fernando Pessoa levava seus heterônimos a sério. Em uma ocasião ele compareceu bastante atrasado a um encontro com José Regio, escritor português, declarando ser Álvaro de Campos, e que Pessoa não pôde ir ao encontro.
O primeiro romance do mundo foi escrito em 1007 por uma mulher, Murasaki Shibiku, “A história de Genji”, conta a história de um príncipe que procura amor e sabedoria.
23 de abril, dia de São Jorge, é comemorado o dia mundial do Livro, por iniciativa da Unesco.
A data foi escolhida em razão de uma tradição catalã, onde os cavaleiros oferecem uma rosa vermelha de São Jorge às suas damas, e recebem um livro delas.

José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue, de 59 anos, deixou a medicina para se dedicar à carreira de escritor, e já publicou mais de mil livros, tornando-se recordista mundial. O autor escreve histórias policiais, românticas e de ficção.
A altíssima produtividade não visava figurar no Guinness Book, mas somente garantir seu sustento, considerando as baixas quantias que recebia, ele precisava escrever muito. Ryoki chegou a dominar 95% do mercado de pocket books no Brasil.

Barbara Cartland é outra recordista. Ela escreveu mais de 700 romances, que venderam um bilhão de cópias. Barbara escrevia um livro a cada duas semanas.

J.K. Rowling escreveu todos os livros do Harry Potter à mão.
Onze Minutos, de Paulo Coelho foi o livro mais vendido do mundo em 2003.

(Transcrito do site Revista Literária)
06 de novembro de 2012

A SINUCA AMERICANA

 

Os Estados Unidos advertiram o governo de Israel contra seu projeto de ataque preventivo às instalações nucleares do Irã, conforme noticiou The Guardian, em sua edição de 4ª feira.
O aviso não foi das autoridades civis de Washington, e, sim, dos comandantes das tropas militares norte-americanas em operação na região do Golfo – o que, ao contrário do que se pode pensar, é ainda mais sério.



O argumento dos militares é o de que esse ataque, além de não produzir os efeitos desejados – porque o Irã teria como retomar o seu programa nuclear – traria dificuldades políticas graves aos aliados ocidentais na região, sobretudo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes – de cujo abastecimento direto depende a 5ª Frota e as bases das forças terrestres e aéreas que ali operam.

Embora as dinastias árabes pró-ocidentais temam o poderio militar do Irã, temem mais a insurreição de seus súditos, no caso de que se façam cúmplices de novo ataque a outro país muçulmano. Nunca é demais lembrar que os Estados Unidos e a Europa dependem também do petróleo que passa pelo golfo e atravessa o Canal de Suez, controlado pelo Egito.

Há, nos Estados Unidos – e, entre eles, alguns estrategistas do Pentágono – os que pensam ser hora de ver em Israel um país como os outros, sem a aura mitológica que o envolve, pelo fato de servir como lar a um povo milenarmente perseguido e trucidado pela brutalidade do nacional-socialismo. Uma coisa é o povo – e todos os povos têm, em sua história, tempos de sacrifício e de heroísmo, embora poucos com tanta intensidade quanto o judeu e, hoje, o palestino – e outra o Estado, com as elites e os interesses que o controlam.

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DOMÍNIO MILITAR


Nenhum outro governo – nem mesmo o dos Estados Unidos – são tão dominados pelos seus militares quanto o de Israel. Eminente pensador judeu resumiu o problema com a frase forte: todos os estados têm um exército; em Israel é o exército que tem um Estado.

O Pentágono acredita que uma guerra total contra o Irã seria apoiada pelos seus aliados da região, mas os observadores europeus mais sensatos não compartilham o mesmo otimismo. A ofensiva diplomática de Israel na Europa, em busca de apoio para – em seguida às eleições norte-americanas – uma ação imediata contra Teerã, não tem surtido efeito.
Londres avisou que não só é contrária a qualquer ação armada, mas, também, se nega a permitir o uso das ilhas de Diego Garcia e Ascenção (cedidas pela Inglaterra para as bases ianques no Oceano Índico), como plataforma para qualquer hostilidade contra o país muçulmano.

Negativa da mesma natureza foi feita pela França, que, conforme disse François Hollande a Netanyahu, não participará, nem apoiará, qualquer iniciativa nesse sentido. É possível, embora não muito provável, que Israel conte com Ângela Merkel. Israel tem esperança na vitória de Romney, e a comunidade israelita dos Estados Unidos se encontra dividida.

Os banqueiros e grandes industriais de armamento, de origem judaica, trabalham com afã para a derrota de Obama. E há o temor de que, no caso da vitória republicana, os israelitas venham a aproveitar o esvaziamento do poder democrata para o ataque planejado.

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DOMÍNIO MILITAR


Além disso, Netanyahu não tem o apoio unânime entre os militares de seu país para esse projeto. Amy Ayalon, antigo comandante da Marinha, e dos serviços internos de segurança, o Shin Bet, disse que Israel não pode negar a nova realidade nos países islâmicos:
“Nós vivemos – avisa – em novo Meio Oriente, onde as ruas se fortalecem e os governantes se debilitam”. E vai ao problema fundamental: se Israel quer a ajuda dos governos pragmáticos da região, terá que encontrar uma saída para a questão palestina.

É esta também a opinião, embora não manifestada com clareza, do governo de Obama, de altos chefes militares americanos, e dos círculos mais sensatos da comunidade judaica naquele país.

O fato é que os Estados Unidos se encontram em uma situação complicada. Eles não têm condições militares objetivas para entrar em nova guerra na região, sem resolver antes o problema do Iraque e do Afeganistão. Seus pensadores mais lúcidos sabem que invadir o Irã poderá significar a Terceira Guerra Mundial, com o envolvimento do Paquistão no conflito e, em movimento posterior, da China e da Rússia. Washington, na defesa de seus interesses geopolíticos, deu autonomia demasiada a Israel, armando seu exército e o ajudando a desenvolver armas atômicas.
Já não conseguem controlar Tel-Avive.
Estarão dispostos, mesmo com o insensato Romney, a partir para uma terceira guerra mundial? No tabuleiro de xadrez, se trata de “xeque ao Rei”; na mesa de bilhar, de sinuca de bico.

(Do Blog de Santayana)
 
06 de novembro de 2012
Mauro Santayana