"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

FREUD GODOY: OS ROLOS DO FAZ-TUDO DE LULA

                                      Corrupção

Auxiliar do petista desde 1989, ele ocupou cargo de confiança na mais alta administração federal e participou de ao menos dois dos mais ruidosos escândalos do PT – o mensalão e o Dossiê dos Aloprados

Freud Godoy ex-segurança de Lula, em 2006
 
                                        Freud Godoy: a serviço de Lula e do PT (J.F.Diorio/AE)
 
Freud Godoy é uma daquelas figuras que, de longa data, cerca a carreira de Luiz Inácio Lula da Silva. Faz-tudo do ex-presidente, ele atuou por vinte anos como guarda-costas do petista. A ligação nasceu na primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, e a lealdade de Freud foi recompensada quando, em 2002, o chefe elegeu-se presidente.
 
Quatorze dias depois de assumir a Presidência, Lula nomeou Freud seu assessor especial, com salário de 6 300 reais. Ele trabalhava no mesmo andar do gabinete do presidente. Apesar do cargo, seguiu atuando como um misto de segurança e auxiliar pessoal do então presidente. E prestou serviços de máxima importância ao PT.
 
 
Freud estreou no noticiário policial em 2006, no caso do Dossiê dos Aloprados, tentativa atrapalhada de petistas de comprar documentos com informações falsas sobre os candidatos do PSDB, seus adversários nas eleições daquele ano.
Às vésperas do primeiro turno, a Polícia Federal prendeu em flagrante em um hotel perto do Aeroporto de Congonhas, dois petistas portando quase 2 milhões de reais, que seriam usados para comprar o falso dossiê.
Freud Godoy foi apontado como o homem que levantou o dinheiro e era responsável por supervisionar a parte final da operação de compra do material.
 
Quando o caso veio a público, Freud pediu demissão do cargo de assessor. Tentou fazer parecer que era um mero auxiliar do presidente.
Na ocasião, reportagem de VEJA mostrou que ele era, na verdade, um personagem capital do submundo petista.
Entre as atribuições de Freud, estava a segurança das operações do PT consideradas de risco, principalmente as que envolviam dinheiro. Por um ano, até estourar o escândalo do mensalão, em maio de 2005, Freud cuidou da escolta pessoal do tesoureiro do partido Delúbio Soares – hoje condenado no julgamento do mensalão por corrupção ativa e formação de quadrilha.
 
A função de Freud na compra do dossiê foi denunciada por Gedimar Pereira dos Passos, membro do comitê de campanha de Lula em 2006 e também envolvido no caso dos Aloprados. Depois de um encontro na superintendência da PF em São Paulo, onde foi pressionado a mudar sua versão, Gedimar recuou.
 
Freud, como homem fiel a Lula, esteve envolvido também no mensalão, segundo depoimento do publicitário Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República revelado nesta terça-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo.
A CPI dos Correios, que investigou o esquema, concluiu que a empresa de Freud, a Caso Comércio e Serviço Ltda, foi beneficiária de um repasse no valor de 98 500 reais feitos pela SMP&B. A agência de publicidade de Marcos Valério era responsável por escoar o dinheiro de corrupção.
 
Em depoimento à Polícia Federal durante as investigações do caso, Freud disse ter recebido o montante como pagamento pela prestação de serviços de sua empresa à campanha presidencial de Lula em 2002.
Registrada como uma varejista de produtos de limpeza e prestadora de serviços burocráticos de escritório, a firma atuou, de forma irregular, na campanha do petista e na fase de transição do governo na área de segurança, alimentação, transporte e hospedagem de equipes de apoio.
 
Em janeiro de 2003, Freud procurou o comitê eleitoral do PT para receber o pagamento pelo serviço, no valor aproximado de 115 000 reais. “Ele disse ter sido orientado pela tesouraria do comitê a procurar uma empresa, cujo nome não foi declinado, através do número de um telefone, por meio do qual ficou sabendo tratar-se da SMP&B”, informa o inquérito da PF. “Ao contatar a empresa, foi orientado a emitir uma nota fiscal no valor do crédito existente e encaminhá-la por via postal, tendo então recebido pelo Correio um cheque de 98 500 reais.” O montante correspondia ao valor devido, com as deduções tributárias.
 
O Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, não conseguiu, na época, rastrear o destino do dinheiro depois que foi depositado na conta da empresa de Freud, no banco Santanter. Segundo o depoimento de Marcos Valério, que agora vem à tona, o dinheiro tinha como destinatário Lula e como finalidade cobrir “gastos pessoais” do então presidente.
 
A Caso Comércio e Serviço Ltda tem capital de 10 000 reais – inalterado desde sua criação, em 1988 –, segundo dados da Junta Comercial do estado de São Paulo.
A firma tem como sede um apartamento na Rua Vergueiro, no bairro Paraíso, na capital paulista. A mulher de Freud, Simone Messeguer Godoy, é sócia dele no negócio, com uma participação de 500 reais. Além dessa empresa, Freud foi sócio, até 2009 da Caso Segurança, em Santo André. Hoje a empresa está em nome da mulher e do cunhado e tem sede numa casa em uma rua pacata da cidade, com letreiro na fachada.
 
Freud Godoy disse nesta terça-feira que pretende processar Marcos Valério. “A minha vida, a vida da minha empresa já foram escancaradas. Se tivesse uma vírgula a mais teriam achado”, disse em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo, nesta terça.
 
“Faz seis anos que eu não vejo o presidente Lula, não vejo ninguém e agora o cara vai lá e fala um negócio desses. Eu quero ver provar. Se não provar, vai tomar mais uma ação.”
 
12 de dezembro de 2012
Carolina Freitas
VEJA – (11/12/2012)

LULA E SARNEY: UM CONSIDERA O OUTRO ACIMA DA CONSTITUIÇÃO E DAS LEIS. OU: UM GOVERNO DA NOVA ARISTROCRACIA ABSOLUTISTA

 
Vocês já leram o que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), declarou sobre Luiz Inácio Lula da Silva? Antes de chegar lá, algumas considerações.
 
Já escrevi vários textos neste blog demonstrando como o PT “modernizou” a velha impunidade no Brasil. Surgido com a aura de partido operário, uma vez no poder, consolidou a sua maioria no Congresso juntando-se ao que havia de pior na política brasileira. Aquela reputação, então, de partido das massas serviu para lavar a reputação de gente como José Sarney e Fernando Collor e para tentar macular a honra de pessoas decentes que decidiram resistir ao partido.
 
É nesse ambiente que a República assistiu a um pacto realmente histórico, que não tinha o Brasil como preocupação central: entre Luiz Inácio Lula da Silva e José Sarney.
 
O primeiro queria a influência do segundo para consolidar a hegemonia de seu partido; o segundo queria a lavanderia de reputações do primeiro para “limpar” a própria biografia e um salvo-conduto que mantivesse seus próprios interesses e os de seu grupo protegidos do escrutínio legal e democrático.
 
Cada um recebeu do outro aquilo de que precisava: um para continuar no poder, ainda que não mais hegemônico e como peça subordinada da nova força; o outro para se consolidar como a nova metafísica influente, porém dialogando, à sua maneira, com a “tradição” — na verdade, tratou-se de preservar as estruturas arcaicas da República.
Nesse encontro, ou nesse conluio histórico, ambos saíram ganhando, e só o Brasil e os brasileiros perderam, é evidente. Um tem a certeza de que o outro está acima da lei. Fundou-se, assim, uma estranha Aristocracia Absolutista.
 
Em 2009. José Sarney enrolou-se no escândalo dos atos secretos do Senado. Descobriu-se que a Casa tinha duas gestões: aquela que se dava à luz do dia e a outra, a real, que se movia nas sombras. Naqueles tempos, dois notórios moralistas —o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o então senador Aloizio Mercadante (hoje ministro da Educação) — se tornaram célebres pelas críticas a Sarney.
 
O primeiro, com o estilo circense de sempre, deu ao peemedebista um cartão vermelho na tribuna do Senado. Mercadante, líder do PT na Casa, exigia que o partido apoiasse a moção para levar Sarney ao Conselho de Ética.
Como não conseguiu, anunciou, estimulado por seus seguidores no Twitter, a renúncia à função de líder em “caráter irrevogável”. Lula o chamou, deu-lhe uma carraspana, ele continuou líder, parou de pedir que Sarney fosse investigado e ainda admitiu que errou ao afirmar que renúncia era “irrevogável”.
Um pequeno grande passo para a revolução do caráter e da língua, que viu o significado de uma palavra se converter no seu contrário.
 
Lula se manifestou publicamente em defesa de Sarney e da maneira mais indecorosa que conseguiu. Estava ali mesmo, nas terras do Cazaquistão. Nosso Borat estava cuidando de espalhar mundo afora seu entendimento superior sobre política externa e tudo o mais que há de grandioso em “sua” humanidade. Indagado sobre Sarney pelos repórteres brasileiros, deu a seguinte declaração:

 “Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim, e depois não acontece nada. O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.”
 
Está tudo dito aí. Segundo Lula, alguns homens, pela sua história, não podem ser tratados como “pessoas comuns” diante da lei. Em todo o mundo democrático, os heróis costumam ser aqueles que lutaram justamente para que TODOS PASSASSEM A SER HOMENS COMUNS. No Brasil, Lula nos ensinou que o certo é o contrário.
 
Amor com amor se paga

Hoje foi a vez de Sarney, presidente do Senado — e do Congresso — pagar literalmente na mesma moeda. Referindo-se à reportagem do Estadão sobre o depoimento que Marcos Valério prestou ao Ministério Público, disse o “homem incomum”:

 “Primeiro eu não li [a reportagem], e, se existiu [o depoimento de Valério], é uma profunda inverdade porque a pessoa que disse não tem autoridade para falar sobre o presidente Lula, que é um patrimônio do País, da história do País, por sua vida e tudo que ele tem feito”.
 
Vamos pensar

Sarney poderia ter-se limitado a desqualificar Valério como fonte confiável de informação. Já seria um procedimento complicado (direi por quê), mas vá lá… Notem, no entanto, que ele foi adiante. Valério não seria o único homem carente de moral para criticar Lula; os demais, todos nós, também o são. Sarney está a dizer que este “patrimônio do país”, “por sua vida e tudo que ele tem feito”, está acima da régua com que se mede a moralidade comum — e notem que não se está aqui e em nenhum lugar a falar da vida pessoal.
Sarney está a dizer, em suma, que “Lula não é um homem comum”.
São duas falas escandalosas numa República.
É espantoso que homens públicos digam isso já na segunda década do Século 21. Já se passaram mais de dois séculos do Iluminismo Inglês (quem preferir a versão com sangue pode escolher o francês…).
 
Esse é o espírito que se colhe na rede suja da Internet, financiada por estatais, especialmente bancos públicos. Não se quer saber o que se fez ou que se deixou de fazer com a coisa pública — é mentira que se esteja escarafunchando a vida privada de Lula; quando se toca nessa franja, é porque uma das personagens investigada era de seu círculo de relações íntimas, mas estava incrustada no escritório da Presidência, em São Paulo.
 
E quem negociou com Valério? Esse é qualificado?

Sarney desqualifica Marcos Valério. Huuummm… É, eu também não acho que se deva acreditar cegamente na sua palavra. Ele é quem é e fez o que fez. Foi condenado a mais de quarenta anos por oito crimes.
 
Mas me digam aqui: e os que fizeram negócios escusos com ele? Esses merecem crédito? E as reuniões palacianas? Não foram só estas, não! A banqueira Katia Rabello, em depoimento em juízo, narrou encontros com Dirceu e Valério na Casa Civil. Sarney tem de dizer em que Dirceu, por exemplo, é melhor do que o empresário que operou o esquema.
 
Encerro

Agora já sabemos — e Dilma, infelizmente, quase diz as mesmas palavras de Sarney — por que os petistas estão tão furiosos; agora já sabemos por que a rede suja decidiu chafurdar na lama: toda essa gente considera um absurdo que Lula esteja submetido às mesmas leis dos homens comuns.
 
Por suas ditas grandes obras, ele teria conquistado o direito à inimputabilidade e à impunidade. E ai daquele que ousar dizer o contrário! Ele partem pra cima: xingam, mentem, insultam, aviltam, ameaçam. Tudo com dinheiro público.
 
12 de dezembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

VALÉRIO DENUNCIA AO MP: 2% DE TODA A VERBA DE PUBLICIDADE DO BANCO DO BRASIL IAM PARA O CAIXA DO PT. HÁ TRÊS RESPOSTAS PARA ISSO: A DE DILMA, A DE SERNEY E A DE JOAQUIM BARBOSA. ESCOLHA A SUA...

 
Vamos ver até quando as instituições suportam as revelações de Marcos Valério sem que se proceda a uma investigação na esfera propriamente criminal e também na política.
 
Ele esteve lá dentro. Ele esteve no centro de uma organização criminosa, comandada, segundo o STF, por uma quadrilha que tinha um chefe: José Dirceu.

O Estadão traz nesta quarta mais uma informação do depoimento de operador do mensalão ao Ministério Público, em reportagem de Felipe Recondo, Alana Rizo e Fausto Macedo.
E a acusação é do balacobaco: segundo Valério 2% de todos os contratos do Banco do Brasil com agências de publicidade eram repassados para o PT.
Antes que avance nas informações que estão no Estadão, algumas considerações.
 
Na reportagem de capa que VEJA publicou em meados de setembro com as revelações que Marcos Valério fez a interlocutores seus, ficamos sabendo que, segundo o publicitário, o mensalão movimentou pelo menos R$ 350 milhões. Em entrevista à Folha no dia 13 de agosto, o delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, que investigou o caso, afirmou:

 “O dinheiro [do mensalão] não viria apenas de empréstimos ou desvios de recursos públicos, mas também poderia vir da venda de informações, extorsões, superfaturamentos em contratos de publicidade, da intermediação de interesses privados e doações ilegais.”
 
Reitero: é a declaração de um delegado da Polícia Federal, não de algum oposicionista ou, como eles querem, de algum “reacionário” golpista. Até porque os reacionários golpistas do passado, hoje em dia, são todos aliados do PT. Sigamos.
 
Informa a reportagem do Estadão:

 “Em dois anos, os repasses do Banco do Brasil às cinco agências de publicidade com quem mantinha contrato superaram R$ 400 milhões — uma delas era a DNA Propaganda, de Valério. Ou seja, segundo o empresário disse à Procuradoria-Geral da República em setembro, os desvios que abasteceram o mensalão podem ter sido bem maiores do que os que levaram o Supremo Tribunal Federal a condenar Valério e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.”
 
Nem diga! Na verdade, segundo a CPI dos Correios, entre 2003 e 2004, o Banco do Brasil repassou às agências R$ 434 milhões. O leitor já fez a conta: 2% sobre esse montante renderam ao partido, se Valério estiver falando a verdade, R$ 8.680.000. Sim: oito milhões, seiscentos e oitenta mil reais. Só nesse caso.
Sendo tudo como ele diz, a rapinagem contra o banco foi bem maior do que os R$ 2,9 milhões ligados à tal bonificação de volume e os R$ 74 milhões do esquema Visanet. O leitor que faz conta é também desconfiado: “Se esse esquema era empregado no Banco do Brasil, por que não nas outras estatais?”. Pois é.
 
Aí, então, é preciso fazer a pergunta: “Mas foi mesmo assim? Valério fala a verdade?”. Há três respostas para isso:

 1) Há a resposta José Sarney:
“Ninguém tem moral para fazer uma acusação como essa”.

 2) Há a resposta Dilma Rousseff:
“Tudo não passa de uma conspiração”.

 3) Há a resposta Joaquim Barbosa:
“Isso tem de ser investigado”.
 
Aí a questão é saber com qual devem se alinhar as pessoas de bem. A história conta a favor da forma como os bancos oficiais e estatais usam a verba de publicidade no governo petista? Repetindo o ministro Marco Aurélio Mello, “a resposta é desenganadamente negativa”. O julgamento do mensalão demonstrou a lambança feita no próprio BB.
 
E se tem, hoje em dia e já há muitos anos, uma forma oblíqua de desvio de recursos públicos que consiste em usar a verba publicitária das estatais para financiar páginas e veículos que têm o claro propósito de caluniar, injuriar e difamar ministros do Supremo, o procurador-geral da República, personalidades da oposição e a própria imprensa.
 
E tudo em defesa de um partido e do governo de turno. É como se a verba de publicidade estatal tivesse o objetivo de financiar um projeto de poder.
 
Os responsáveis

 Informa ainda a reportagem do Estadão:
 
Segundo Valério disse no depoimento, o suposto esquema de desvio de dinheiro público que teria de ir para a publicidade foi criado por [Henrique]Pizzolato e Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil, que integra a estrutura do Banco do Brasil. O ex-diretor do Banco do Brasil negou nesta terça-feira que tenha cobrado “pedágio” das agências de publicidade. Guimarães não foi localizado pela reportagem.
 
Agências

O Banco do Brasil tinha contrato com a DNA, de Valério, com a Ogilvy Brasil Comunicação Ltda. e com a D+Brasil, todos originados de licitação de 2003, primeiro ano do governo petista. De 2002, vinham contratos com a Grottera Comunicação e Lowe Lintas Partners.
 
A estratégia de sempre

Quando estourou o escândalo em 2005, os petistas ficaram inicialmente desorientados. Lula, vocês se lembram, chegou a pedir desculpas ao país. Quanto o partido percebeu que as oposições sabiam ainda menos o que fazer, surfando num erro de cálculo estúpido, que custa caro (e como custa!) até hoje, o partido teve tempo de se reorganizar e de contra-atacar. Inventou-se, então, a teoria vigarista do “golpe contra Lula” e da “mídia golpista”.
 
No ano seguinte, já refeitos do primeiro baque, os petistas protagonizaram o “escândalo dos aloprados”, em que brilhou Freud Godoy. Aí vieram os cartões corporativos, o dossiê contra FHC elaborado na Casa Civil, o escândalo Erenice Guerra, o novo dossiê contra Serra em 2010…
 
É uma gente que não gosta da normalidade institucional. Neste ano, para intimidar a imprensa, o Supremo e a Procuradoria-Geral da República, o partido tentou transformar a CPI do Cachoeira num pelotão de fuzilamento de adversários. É claro que é espantoso que tenham ido tão longe — e podem dar de barato: não conhecemos da missa nem a metade.
 
Em todas essas ocasiões, a resposta do partido foi sempre a mesma, repetida nesta terça por Dilma Rousseff, ainda que com outras palavras: trata-se apenas de uma conspiração.
 
Como avançaram com pouca resistência, foram ficando a cada dia mais ousados. E se vive, então, a situação em que o presidente da Câmara dos Deputados afirma, com todas as letras, que não está certo de que vá cumprir uma decisão do Supremo Tribunal Federal caso ela não seja do seu agrado. Mas isso fica para daqui a pouco.
Vamos dar início a uma campanha: “Conta tudo, Valério!”.
 
PS – Indagam: “Mas esse Valério não é um jogador?”. Claro que é. Por isso mesmo, a lógica indica que está a dizer coisas que, aposta ele, podem ser comprovadas se investigadas.
Ele sabe que eventuais chances de integrar um programa de proteção a testemunhas iriam para o ralo em caso de blefe. O que ele pode fazer, isto sim!, é não contar tudo. Embora indesejável, é coisa diferente de mentir.
 
12 de dezembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

OPERAÇÃO MONTE CARLO: "SOU O GARGANTA PROFUNDA DO PT" (CARLINHOS CACHOEIRA)

Ao deixar a prisão, bicheiro disse que revelará tudo o que sabe. Mais tarde, advogado atribuiu fala ao "calor do momento"


Prisão de Carlinhos Cachoeira nesta sexta (07/12), em Goiânia

O bicheiro Carlinhos Cachoeira, entre idas e vindas na prisão (Ricardo Rafael/O Popular/ Futura Press)

O contraventor Carlinhos Cachoeira deu a entender nesta terça-feira, ao deixar a prisão, que pretende fazer revelações que podem comprometer o PT. “Sou o Garganta Profunda do PT”, disse o bicheiro ao ser libertado do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estava preso desde sábado.

De acordo com o jornal O Popular, Cachoeira prometeu revelar, nesta quarta, tudo o que sabe. Não é a primeira vez que ele faz a ameaça.
Até agora, no entanto, o contraventor nada disse. Procurado pela reportagem do site de VEJA, Nabor Bulhões, advogado de Cachoeira, negou que o cliente esteja disposto a fazer revelações e atribuiu a declaração do bicheiro à “emoção do momento”.

Carlinhos Cachoeira foi libertado depois de ter um habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na tarde desta terça.

Garganta profunda - O termo utilizado por Cachoeira para insinuar que tem informações desabonadoras sobre o PT remete a um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos.
Garganta Profunda era o codinome usado por uma fonte que ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, a revelar o escândalo Watergate nos anos 1970, um esquema de operações ilegais de espionagem contra adversários políticos do então presidente Richard Nixon. A série de reportagens alimentada pelas informações dele levou à renúncia de Nixon.
 
A verdadeira identidade do Garganta Profunda permaneceu em segredo até 2005, quando um ex-vice-diretor do FBI, William Mark Felt, admitiu ter sido a fonte de Woodward e Bernstein.

VEJA – 11/12/2012
Laryssa Borges, de Brasília

PODER PARALELO


A personagem mais misteriosa flagrada pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, vai ganhando contornos mais nítidos conforme avançam as investigações. Documentos a que VEJA teve acesso revelam que a ex-secretária Rosemary Noronha, a Rose — cujo poder emanava do fato de ter mantido uma relação íntima com o ex-presidente Lula por quase duas décadas — era bem mais influente do que se supunha e mais próxima do ex-ministro José Dirceu do que fizeram crer as primeiras informações.
A força de Rose, que nasceu e cresceu no governo Lula, continuou na administração de Dilma Rousseff, a ponto de ela conseguir a façanha de, numa só empreitada, envolver três dos mais importantes auxiliares da presidente para atender aos interesses da quadrilha a que prestava serviços.

Há quinze dias, Rose foi demitida do cargo de chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, para onde foi levada por Lula. A Polícia Federal descobriu que ela usava suas credenciais para facilitar a ação de um bando que vendia decisões administrativas em órgãos públicos — e a indiciou por corrupção passiva e tráfico de influência.

Desde então, Rose deixou seu apartamento na Rua 13 de Maio, centro de São Paulo, para se refugiar na casa de uma de suas filhas, Mirelle, na Mooca, Zona Leste da cidade. Lá, encontra seus advogados e, por duas vezes, recebeu uma cabeleireira. Nas poucas vezes que saiu de casa, escondeu-se por trás de um lenço na cabeça e um par de óculos escuros.
A perspectiva de ter de depor diante do Congresso foi afastada por ora. Parlamentares governistas trabalharam para evitar que ela, conhecida por seu temperamento instável, comparecesse diante das mesmas comissões que ouviram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a operação da PF. Caso tivesse ido, Rose teria muito que contar.

Veja teve acesso a mensagens eletrônicas trocadas entre ela e Paulo Vieira — exonerado do cargo de diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) depois de ter sido apontado pela polícia como o chefe da quadrilha que negociava pareceres — numa operação destinada a garantir a promoção da juíza Vivian Josete Pantaleão Caminha para o cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região. Cabe à presidente da República escolher os magistrados que serão promovidos.

É comum que os interessados façam um périplo por Brasília para apresentar seus respectivos currículos. Era a segunda vez que a juíza Vivian disputava a vaga. Na primeira tentativa, em 2011, ela não conseguiu a indicação.
Na segunda, neste ano, decidiu pedir ajuda. A magistrada soube que "uma certa secretária próxima aos ministros" poderia conseguir o que ela sozinha jamais conseguiria: acesso ao poder.

A "certa secretária" era Rosemary Noronha. A pedido de Paulo Vieira, a ex-chefe do escritório presidencial conseguiu agendar encontros da juíza com o ministro da Justiça. José Eduardo Cardozo, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Luís Adams. e o secretário executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos, um dos assessores mais próximos da presidente.

O lobby surtiu o efeito desejado, e a promoção foi assinada pela presidente Dilma em 8 de outubro de 2012. Os assessores atenderam aos pedidos de reunião com a juíza que se candidatava a desembargadora. "Caro Paulo, tarefa cumprida", diz Rosemary a Paulo Vieira, o chefe da quadrilha dos pareceres, sobre o agendamento das audiências com Cardozo. Adams e Vasconcelos.

A mensagem foi enviada em 1º de agosto deste ano. O Ministério da Justiça confirmou que a audiência com José Eduardo Cardozo foi marcada a pedido do escritório da Presidência em São Paulo, ressaltando que esse tipo de conversa entre o ministro e candidatos é praxe no processo de seleção dos desembargadores.
Beto Vasconcelos também confirmou que a audiência foi solicitada por Rosemary Noronha e que ele igualmente recebeu outros candidatos a vaga. Já a AGU disse que a então juíza solicitou o encontro, mas que Adams não pôde recebê-la na data agendada. Rosemarv Noronha provou que realmente representava um poder paralelo.

Veja teve acesso a novos detalhes do inquérito da Operação Porto Seguro. Os papéis detalham o funcionamento do esquema de corrupção e mostram o espraiamento da quadrilha por órgãos do governo federal, até chegar a gabinetes do primeiro escalão. Na última sexta-feira, a Polícia Federal entregou à Justiça uma nova leva de documentos.
São mais quarenta volumes, com uma descrição detalhada do conteúdo de arquivos de computadores, contratos, recibos e dinheiro apreendidos no escritório da Presidência em São Paulo e nas casas dos suspeitos.
É essa munição que mantém Lula e o PT calados. Além da intimidade com o ex-presidente. Rose usava como trunfo para suas ações a proximidade com o mensaleiro José Dirceu.

Em conversas interceptadas pela PF com autorização judicial. Rose revela a intimidade que tinha com o chefe da quadrilha. "Eu fui almoçar com o Zé ria casa dele (...). Ele acha que tem grandes chances de ser condenado a quatro anos e cumprir um terço da pena", diz Rose. Paulo Vieira, seu interlocutor, procura tranquilizar a amiga, que se dizia "super preocupada" com a possibilidade de Dirceu ir para a cadeia. ‘"Preso ele não vai, não. Rose (...). Sem chance", afirma o chefe da quadrilha dos pareceres sobre o chefe da quadrilha do mensalão.

Uma semana antes de ser detida pela Polícia Federal, Rose e seu marido, João Vasconcelos, passaram o feriado de 15 de novembro, como mostram as fotos em que a ex-secretária apareceu ao lado do ex-ministro José Dirceu (de bermuda da marca francesa Vilebrequin, à venda por cerca de 600 reais no Brasil) e da namorada dele, Evanise Santos (de óculos Prada), numa casa de frente para o mar na praia em Camaçari, na Bahia, Rose ainda era a chefe do gabinete regional da Presidência.

Não é o único episódio a demonstrar a proximidade dos dois. Em maio deste ano, quando o STF ainda se preparava para julgar o mensalão, Rose contou a Paulo Vieira que havia levado Dirceu para fazer compras, para relaxar. "Fiquei feliz. Levei ele ao Ricardo Almeida à tarde para fazer umas roupas que ele tava precisando, e achei ele melhor, porque ultimamente ele andava muito nervoso. Achei um astral melhor."
Não foi à toa, portanto, que, no dia em que foi detida pela PF. Rose telefonou para Dirceu para informar o que estava ocorrendo. Ele disse que nada podia fazer.

Antes, ela tentara, sem sucesso, falar com o ministro da Justiça, o mesmo que acolhera seu pedido de audiência com a juíza Vivian. Os rolos de Rosemary e Paulo Vieira ilustram à perfeição como certos petistas construíram uma carreira bem-sucedida graças aos laços de intimidade com os amigos do governo.

Os dois se conheceram no berço do PT, em São Bernardo do Campo. A amizade ganhou mais força após a chegada de Lula à Presidência. A influência de Rose sobre o então presidente levou Paulo a traçar uma estratégia para aproximar-se ainda mais dela. Ao descobrir que ela se considerava uma exímia decoradora, viu nisso uma oportunidade. Naquele período, ele fazia dinheiro com leilões judiciais de imóveis, que comprava barato, reformava, decorava e revendia com lucro.

Convidou-a, então, para ajudá-lo no negócio. Em 2004, Paulo, filiado ao partido, ganhou uma senhora boquinha na administração: a nomeação para presidente do Conselho Fiscal da Companhia Docas do Estado e São Paulo, a Codesp. Ele foi indicado pelo PT de São Paulo. Efetivado no cargo, Paulo Vieira atendeu a um pedido feito por telefone pelo deputado estadual Rui Falcão, atual presidente do partido, para que recebesse o empresário e ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM).

 Não era propriamente um pedido, mas uma "missão partidária". conforme expressão usada por Falcão. Ele nega: "Nunca pedi nada disso. Nunca tive qualquer relação com os citados".

O resto da história está contada no inquérito. Para a Polícia Federal, Vieira ajudou Miranda a conseguir pareceres favoráveis à ocupação de duas ilhas no litoral paulista. As investigações dão a dimensão exata de como se misturam interesses públicos e privados no Brasil.

12 de dezembro de 2012
VEJA - (08/12/2012)

E AGORA TSE?

Hacker revela no Rio como fraudou eleição

Um novo caminho para fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado ontem (10/12) para as mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na Rua do Russel n° 1, no decorrer do seminário "A urna eletrônica é confiável?", promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.

Acompanhado por um especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e de um delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como -- através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi – interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros - sem nada ser oficialmente detectado.

"A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada", explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.

O depoimento do hacker – disposto a colaborar com as autoridades – foi chocante até para os palestrantes convidados para o seminário, como a Dra. Maria Aparecida Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito em 2002 ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema eletrônico de votação em uso no país desde 1996.

Rangel, que está vivendo sob proteção policial e já prestou depoimento na Polícia Federal, declarou aos presentes que não atuava sozinho: fazia parte de pequeno grupo que – através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi – alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A fraude, acrescentou, era feita em beneficio de políticos com base eleitoral na Região dos Lagos – sendo um dos beneficiários diretos dela, ele o citou explicitamente, o atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). A deputada Clarissa Garotinho, que também fazia parte da mesa, depois de dirigir algumas perguntas a Rangel - afirmou que se informará mais sobre o assunto e não pretende deixar a denúncia de Rangel cair no vazio.

Fernando Peregrino, coordenador do seminário, por sua vez, cobrou providências:

"Um crime grave foi cometido nas eleições municipais deste ano, Rangel o está denunciando com todas as letras - mas infelizmente até agora a Polícia Federal não tem dado a este caso a importância que ele merece porque ele atinge a essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros" – argumentou Peregrino.

Por ordem de apresentação, falaram no seminário o presidente da FLB-AP, que fez um histórico do voto no Brasil desde a República Velha até os dias de hoje, passando pela tentativa de fraudar a eleição de Brizola no Rio de Janeiro em 1982 e a informatização total do processo, a partir do recadastramento eleitoral de 1986.

A Dra. Maria Aparecida Cortiz, por sua vez, relatou as dificuldades para fiscalizar o processo eleitoral por conta das barreiras criadas pela própria Justiça Eleitoral; citando, em seguida, casos concretos de fraudes ocorridas em diversas partes do país – todos abafados pela Justiça Eleitoral.
Detalhou fatos ocorridos em Londrina (PR), em Guadalupe (PI), na Bahia e no Maranhão, entre outros.

Já o professor Pedro Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho permanente do TSE em "blindar" as urnas em uso no país, que na opinião deles são 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são "ultrapassadas e inseguras".
Ele as comparou com sistemas de outros países, mais confiáveis, especialmente as urnas eletrônicas de terceira geração usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimirem o voto, ainda registram digitalmente o mesmo voto em um chip embutido na cédula, criando uma dupla segurança.

Encerrando a parte acadêmica do seminário, falou o professor Luiz Felipe, da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em 1992, no segundo Governo Brizola, implantou a Internet no Rio de Janeiro junto com o próprio Fernando Peregrino, que, na época, presidia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Luis Felipe reforçou a idéia de que é necessário aperfeiçoar o sistema eleitoral brasileiro - hoje inseguro, na sua opinião.

O relato de Rangel – precedido pela exposição do especialista em redes de dados, Reinaldo, que mostrou como ocorre a fraude dentro da intranet, que a Justiça Eleitoral garante ser segura e inexpugnável – foi o ponto alto do seminário.

Peregrino informou que o seminário será transformado em livro e tema de um documentário que com certeza dará origem a outros encontros sobre o mesmo assunto - ano que vem.
Disse ainda estar disposto a levar a denuncia de Rangel as últimas conseqüências e já se considerava um militante pela transparência das eleições brasileiras: "Estamos aqui comprometidos com a trasnparência do sistema eletrônico de votação e com a democracia no Brasil", concluiu. (OM)

12 de dezembro de 2012
http://pdt.org.br/index.php/noticias/voto-eletronico-hacker-revela-no-rio-como-fraudou-eleicao
Ana Prudente

TEORIA IDIOTA


 

A “Teoria da Conspiração” fomentada pelos que querem transformar o país em uma corruptocracia fascista é de uma imbecilidade sem par: afirmam seus propagadores: “Lula e Valério: as revelações seriam uma tentativa de “golpe das elites” com a participação dos ministros do Supremo”.
 
Pode existir alguma coisa mais imbecil e idiota do que isso?
 
1     1)  O STF tem maioria de togados indicados pelo PT e sua base aliada.
2    2)  Grandes empresários e banqueiros - os que se deixaram corromper e subornar - têm sido insaciáveis beneficiários da transformação do país em um Paraíso de Patifes. 
3    3)  As elites, burguesias e oligarquias público-privadas, lotadas de canalhas esclarecidos, cúmplices do socialismo de mentirinha, e parceiros dedicados na transformação do país em uma corruptocracia fascista, são também muito beneficiadas pelo produto bilionário do suborno e da corrupção, assim como pela transformação do poder público em um Covil de Bandidos.
 
Toda essa gente sórdida, canalhas esclarecidos pertencentes às classes mais “afortunadas” da sociedade, assim como os milhares feitos ignorantes com a falência da educação, devem estar planejando o contrário, isto é, tentar a qualquer custo manter o petismo no poder para continuarem a comer a bunda dos contribuintes na beirada do prato da corrupção e do suborno, assim como do financiamento assistencialista de uma vida indolente sem a luta pelo mérito, e ainda continuar a usufruir dos benefícios eleitorais do mais vergonho assistencialismo para a compra de votos já conhecido no mundo para a formação de tropas de desocupados e preguiçosos, tropas de “elite” do PT para sair à rua defendendo esses bandidos, à primeira ordem do Retirante Pinóquio.
 
Parem de falar besteira seus idiotas e entendam que o mundo da Justiça não aparelhada por vocês começa a despencar nas suas cabeças que nada fazem nada de bom para o país, mas somente pensam em como roubar cada vez mais os contribuintes.
 
Vocês não passam de uns merdas que devem mofar sentido o cheiro do esgoto de uma prisão, masmorras onde são jogados seus milhares de vítimas ausentes do benefício da educação, da assistência médica, da saúde e da cultura, obrigações fundamentais do Estado que deveria transformar indivíduos abandonados à própria sorte em lutadores por uma vida melhor para suas famílias, mas com respeito aos códigos legais do país.
 
Geraldo Almendra
12 de dezembro de 2012

REABERTURA DO BAÚ DE VALÉRIO MOSTRA QUE OS FIGURÕE DO PT SÓ COFIAM EM BANDIDO MUDO

 

 
Publicado em 26 de agosto, o post reproduzido na seção Vale Reprise advertiu que a mais explosiva caixa preta do Brasil poderia tornar ainda mais sombrio o horizonte dos passageiros do mensalão.
“Marcos Valério ameaçou abrir o bico caso ficasse sozinho no barco a caminho do naufrágio”, alertou o título. Os dois parágrafos finais evocaram os sinais de perigo:
 
“Depois da primeira prisão preventiva, Marcos Valério avisou mais de uma vez que (…) afundaria atirando e tinha balas na agulha tanto para mensaleiros juramentados quanto para Lula. Nesta semana, com um recado em código, o advogado Marcelo Leonardo valeu-se de uma linguagem codificada para reiterar as ameaças do cliente: ‘Quero ver o que o tribunal vai decidir sobre os políticos’, disse Leonardo depois da condenação de Valério pelas maracutaias envolvendo o Banco do Brasil.
 
Tomara que Valério reaja ao risco do naufrágio solitário com o cumprimento da promessa.
Tomara que conte tudo, do mensalão mineiro à roubalheira imensa descoberta em 2005.
Tomara que não poupe nenhuma das figuras com as quais contracenou, de Eduardo Azeredo a José Dirceu, de Clésio Andrade a Lula.
O tumor da corrupção impune assumiu dimensões tão perturbadoras que talvez só possa ser lancetado por um quadrilheiro de grosso calibre. Alguém como Marcos Valério”.
 
O depoimento à Procuradoria-Geral da República, parcialmente divulgado pelo Estadão desta segunda-feira, comprova que Valério começou a cumprir a promessa. E deixou claro que o volume de segredos armazenados na memória não cabe numa caixa preta convencional: exige um baú.
 
Pelo histórico do operador do mensalão, é provável que o depoimento tenha misturado muitos fatos com alguma fantasia. Não será difícil separar o real do imaginário: Para separar o real do imaginário, basta que o Ministério Público e a polícia cumpram seu dever e investiguem com isenção e coragem o que Valério contou.
 
Previsivelmente, a seita lulopetista já decidiu que é tudo mentira e faz o que pode para desqualificar o velho parceiro. “Não se pode confiar numa pessoa dessas”, recitou Rui Falcão, presidente do PT.
Não explicou quando e por quais motivos ocorreu a quebra de confiança que foi incondicional entre 2002 e meados de 2005. Até a descoberta do esquema do mensalão, nenhum dirigente do partido ousou duvidar do publicitário mineiro.
 
Autorizado pelo PT, o bandido amigo movimentou malas de dinheiro e contas bancárias, rubricou e assinou empréstimos de bom tamanho, distribuiu propinas e abriu contas em paraísos fiscais uma das quais se prestou ao acerto financeiro com o marqueteiro do rei, Duda Mendonça.
Decerto não foi a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal que transformou Valério “numa pessoa dessas”.
 
Ele não é mais bandido que José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e outras obscenidades que continuam a merecer da seita lulopetista, mais que confiança, um respeito reverencial. Enquanto permaneceu de boca fechada, Valério pareceu muito confiável aos olhos dos figurões da seita lulopetista. Perdeu a credibilidade quando começou a falar.
 
O PT tem muito apreço por bandidos mudos. A Justiça deve dar tratamento preferencial aos que falam. A delação premiada existe para encorpar a voz dos que sabem muito. Em matéria de quadrilhas protegidas por governantes brasileiros, ninguém sabe mais que Marcos Valério.
 
12 de dezembro de 2012
Augusto Nunes

RECADOS À PRESIDENTE DA REPÚBLICA E AO PRESIDENTE DO SENADO


1. Lamentável, Senhora Presidente, é a senhora se dignar a dar palpite defendendo esse patife que a antecedeu na péssima administração do país.
 
Como poderia alguém "destituí-lo da sua imensa carga de respeito" que ele nunca teve?
 
Lamentável, Senhora Presidente, é a decepção que a senhora transmite aos cidadãos honestos que ainda acreditavam não haver conluio entre a senhora e a quadrilha chefiada por esse rufião barato!
 
Lamentável é a conclusão que se chega de que a senhora simplesmente é parte fundamental nesse esquema espúrio de destruição de nossa tênue Democracia para a instalação de uma Larapiocracia!
 
 
2. O imperador do Maranhão teria dito: "Primeiro eu não li (a reportagem) e, se existiu (o depoimento de Valério), é uma profunda inverdade porque a pessoa que disse não tem autoridade para falar sobre o presidente Lula, que é um patrimônio do País, da história do País, por sua vida e tudo que ele tem feito". 
 
Não sei o que provoca mais profundo nojo em qualquer pessoa decente!
O sujeito que o Supremo Cachaceiro já definiu como não sendo uma "pessoa comum", depois de chamá-lo clara e nitidamente de LADRÃO, se apressar em classificar como "inverdade" a declaração que sequer conhece o conteúdo, desacreditando o denunciante; ou a definição dada ao maior canalha que já surgiu na política brasileira como "um patrimônio do País, da história do País, por sua vida e tudo que ele tem feito".

 
Desde quando falta de caráter, de moral, de ética, é fator de elevação de alguém ao patamar de "patrimônio do país"? Só mesmo em tuas fazendas, senador patife!
 
12 de dezembro de 2012
mujahdin cucaracha