"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

FINALMENTE, UM DISCURSO DE OPOSIÇÃO


Artigo de Aécio Neves (PSDB-MG) na Folha de São Paulo de hoje, intitulado "Intolerância".
"Não herdamos nada", disse a presidente Dilma no evento comemorativo dos dez anos do PT no governo federal. O que à primeira vista pode parecer apenas arrogância esconde, na verdade, um estímulo à intolerância que começa a ficar cada vez mais evidente no discurso e na prática de setores do PT.
A tolerância é componente importante da vida política, assim como o respeito ao contraditório é pressuposto dos regimes democráticos: ambos garantem a convivência entre diferenças. As recentes celebrações do petismo explicitaram com nitidez essa grave distorção.
Para muitos, trata-se de um traço do partido agravado pela posição defensiva que foi obrigado a assumir após a comprovação das irregularidades cometidas. Até a legítima defesa de iniciativas do governo passou a vir embalada por desnecessária agressividade, refletindo projeto de poder apequenado pelos seus próprios interesses. Ao mesmo tempo, talvez não por acaso, limites éticos e republicanos que ultrapassam o sentido formal da legalidade vão sendo atropelados. Foi o caso da presença da presidente em rede oficial de rádio e TV para atacar adversários.
Ao lado da defesa do controle da imprensa, ataques e calúnias que tentam destruir reputações, distribuídos nas redes sociais de forma orientada, transformaram-se em autêntica jornada contra instituições, como o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e a imprensa; contra autoridades constituídas e forças políticas que militam em outros campos.
São outras faces dessa tendência, que tem como objetivo dificultar o debate democrático. Nunca é demais lembrar que a intolerância é a antessala do autoritarismo. Acredito que esta postura, crescente em alguns setores do PT, pode ser explicada também pelo desconforto causado pela percepção da sociedade sobre as contradições entre o discurso do passado e as práticas do partido no presente.
Nesse sentido, fiz há poucos dias perguntas que, acredito, são de muitos brasileiros. Qual PT celebra dez anos no poder? O que fez do discurso da ética durante anos a sua principal bandeira eleitoral ou o que defende em praça pública os réus do mensalão?
O que condenou com ferocidade as privatizações conduzidas pelo PSDB ou o que as realiza hoje sem nenhum constrangimento? O que discursa defendendo um Estado forte ou o que fragiliza empresas públicas nacionais, como a Petrobras e a Eletrobrás?
O que ocupou as ruas lutando pelas liberdades ou o que, no governo, apoia ditaduras e defende o controle da imprensa? O PT que considerava inalienáveis os direitos individuais ou o que se sente ameaçado por uma ativista cuja única arma é a sua consciência?
Qual?
25 de fevereiro de 2013
in coroneLeaks

CIRO GOMES ABRE A MATRACA


Muito mais conhecido do que Eduardo Campos, o presidenciável do PSB, Ciro Gomes começa a minar a candidatura socialista.
O ex-ministro Ciro Gomes (PSB) abriu uma crise em seu partido ao usar o espaço que tem como comentarista esportivo numa rádio cearense para criticar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), possível candidato à Presidência . À rádio "Verdes Mares", Ciro disse que nem Campos nem os demais prováveis candidatos Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva têm proposta para o país.
"O Eduardo não tem estrada ainda. Não conhece o Brasil. O Aécio não conhece o Brasil. A Marina Silva representa uma negação ética, uma negação desses maus costumes, mas não representa a afirmação de rigorosamente nada", disse.
"Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina não têm nenhuma proposta, nenhuma visão", afirmou Ciro.
As falas causaram revolta no PSB. Um assessor de Campos disse à Folha que os irmãos Ciro e Cid Gomes, governador do Ceará, são uma corrente "marginal" na sigla e que se não estiverem dispostos a "se dobrar" à opinião do PSB, "só vai ter o caminho de sair". O vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, classificou a opinião de Ciro Gomes de "desinformada".
 
(Folha de São Paulo)
 
25 de fevereiro de 2013
in coroneLeaks

YOANI: RUMO AO APLAUSO NUM PAÍS QUE CONHECEU O COMUNISMO

 
A blogueira cubana Yoani Sánchez visita o Rio e vive seu dia de turista: em paz! (Foto: Luís Bulcão)
 
Yoani Sánchez teve, neste domingo, seu dia de turista no Rio. Passeou e tirou fotos. Não foi importunada pela canalha que a vaiou em Recife, na Bahia e em São Paulo, impedindo-a de falar. O recado é mais ou menos este: como turista, pode ficar; como dotada de uma voz política, que critica a tirania, ah, isso não pode, não!
“Reinaldo agora deu pra achar Yoani genial…” Nunca disse que o pensamento político dela me encanta. Há formulações que são até ingênuas. Mas é isso que está em debate? Ainda que ela fosse agente da CIA, teria o direito de falar. A questão é saber por que a CIA tentaria cooptá-la.
A agência deve estar mais preocupada com o Irã. Se a gente pode ter uma espécie de agente cubano dentro da secretaria-geral da Presidência, poderíamos tolerar Yoani como submarino dos EUA, né? Quanta bobagem!
O blogueira cubana segue hoje para a Europa. Parece que a primeira etapa é a República Checa. Deve ser recebida de modo civilizado, com aplausos. A razão é simples. O país passou pelo comunismo e sabe muito bem o que é o regime. Lá não existem esses bananas cooptados por professores nas escolas de segundo grau.
Os professores de lá conhecem os horrores do regime sobre a qual mente uma boa parcela dos de cá.
25 de fevereiro de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja

JUIZ AMERICANO PEDE DADOS SOBRE CONTAS DE FAMÍLIA KIRCHNER NO EXTERIOR

Juiz americano pede que banco argentino informe movimentação no exterior de família Kirchner. Pedido foi feito por Thomas Griesa ao Banco Nación
BUENOS AIRES e NOVA YORK - O juiz federal de Nova York, Thomas Griesa, em causa promovida pelo fundo-abutre NML-Elliot, pediu ao Banco Nación, da Argentina, que informe o suposto movimento de recursos ao exterior da presidente Cristina Kirchner e de seu falecido marido, Néstor Kirchner.

Segundo o documento obtido pelo jornal argentino “La Nación”, em que o juiz fez o pedido, a justificativa é conhecer os bens do Estado argentino no exterior, para pedir, eventualmente, seu embargo a fim de que o governo pague os credores privados que fizeram acordo com a Casa Rosada, entre 2001 e 2002, quando foi decretada a moratória da dívida externa argentina.

O documento explica que a Corte garantiu ao NML o acesso às informações, mas limitou-o aos bens que podem ser embargados, destacando que “o NML aceitou modificar o tamanho de seu pedido para não requerer informações sobre todos os depósitos na Argentina”. O pedido foi limitado, então, às movimentações do casal Kirchner.

Espera-se, para os próximos dias, uma audiência que pode definir multa de US$ 25 mil diários ao Banco Nación se a instituição se recusar a liberar a informação. O escritório de advocacia Dorsey & Whitney, que defende o banco nos Estados Unidos, argumenta que o Banco Nación não poderia fornecer os dados, amparado no direito ao segredo bancário que existe nos diferentes países onde opera.

O banco não respondeu às consultas do jornal argentino sobre o tema. Até agora, a entidade tem conseguido postergar os pedidos da justiça americana, lembra a publicação.

25 de fevereiro de 2013
O Globo, com ‘La Nación’

"O PAPA E A PROSTITUIÇÃO DA BONDADE"

 
A desistência do Papa é um gesto didático. Líderes de todas as partes do mundo – especialmente do Brasil – deveriam analisar cuidadosamente a decisão inesperada de Bento XVI. Além dos alegados motivos de saúde, que parecem reais, é importante observar os motivos inconfessáveis da renúncia. Depois de acusado de acobertar casos de pedofilia dentro da Igreja Católica, o Papa não parou mais de sangrar. É o tipo do escândalo que mata lentamente, por dentro, quem ainda carrega algum compromisso com a dignidade.

Os que não estão nem aí para a dignidade, porém, carregam a perversão de princípios numa boa – e até se vitaminam com ela. Os líderes populistas da América do Sul deveriam prestar atenção à renúncia do Papa e fazer uma reflexão profunda sobre a mentira. Nos governos de países como Argentina, Venezuela e Brasil, o tráfico de bondade tem forte parentesco com o que se viu na Igreja. Todos são casos de prostituição da boa-fé.

A pedofilia é abjeta. Mas a pedofilia praticada por padres é uma monstruosidade. É a covardia levada ao extremo, já que o padre é o pai espiritual, portanto aquele que traz a proteção da virtude, da confiança nos valores supremos. É pior do que a mãe gerar um filho para matá-lo. É oferecer salvaguarda moral a uma criança para, conscientemente, desmoralizá-la. Não há brutalidade comparável – nem nas guerras, nem no nazismo.

O bem travestido é a pior encarnação do mal. E esse mal hediondo disfarçado sob a batina não foi ocasional, no período em que o cardeal Joseph Ratzinger dirigiu a Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé – antes de se tornar Papa –, posto no qual teria sido no mínimo tolerante com os padres pedófilos. Foram diversos casos em meia-dúzia de países, ou seja, não foi um desatino de um ou outro indivíduo. Foi uma prática.

A renúncia de Bento XVI faz pensar na tragédia da impostura, na armadilha da bondade como fachada – cada vez mais eficiente nesses tempos repletos de mal-entendidos ideológicos. O paradoxo é triste, mas inevitável: diante dos defensores dos fracos e oprimidos, todo cuidado é pouco. A exploração da fé e da pobreza se sofisticou. E na sua vertente política, transformou os regimes de esquerda na grande fraude do século 21.

Como terá sido possível à Argentina, um país esclarecido e em plena vigência da democracia, virar refém de um governo embusteiro? Não há dúvida: lá está, cristalina, a prostituição da boa-fé. A força de Cristina Kirchner brotou da sua condição de viúva sofrida – devidamente industrializada por seus marqueteiros –, aquela que simbolizaria a luta contra as agruras da vida.

Essa semente de solidariedade cristã é traficada em várias formas de autoritarismo – chegando agora ao ponto de proibir anúncios de preços para proteger a maquiagem contra a inflação. É o manto da bondade usado para estuprar os fiéis.

O Brasil segue a mesma receita. Na sequência das estripulias administrativas blindadas pela santificação de Lula, a mulher-presidente – que simboliza a ascensão das minorias, o poder do fraco e outras miragens – faz o que bem entende com a boa-fé do eleitorado.

Depois dos truques contábeis para disfarçar a gastança política do dinheiro público, surge a contabilidade criativa para o milagre social. O marketing da bondade do governo Dilma conseguiu anunciar um índice de erradicação da miséria superior ao número de miseráveis existentes no país. Os dados do IBGE atestam a fraude, mas os números nada podem diante da fé.

Ao contrário de Dilma, Lula, Cristina, Chávez e companhia, o Papa não conviveu tranquilamente com o flagrante da corrupção ideológica em seu reino. Segurou as pontas, mas foi murchando. Sua saída de cena é melancólica, mas também é inspiradora.

Enfim um líder que não se aferra ao poder a todo custo. Seu antecessor, sem ter que lidar com um prontuário desses, fez o mundo assistir ao vivo à sua morte lenta. João Paulo II dizia que o sofrimento era parte da sua missão. Acabou impondo a todos um espetáculo de agonia física na fronteira da dignidade, recusando-se a ver grandeza na renúncia.

Ao jogar a toalha, Bento XVI foi no mínimo original. E do jeito que o golpe da bondade se espalha por aí, talvez tenha sido o último líder a se envergonhar da mentira.

25 de fevereiro de 2013
Guilherme Fiuza

NO PALCO, UM TOM HANKS DESAGRADÁVEL

Conhecido por personagens edificantes, ator estreia na Broadway como jornalista polêmico, em peça escrita pela amiga Nora Ephron
 

Tom Hanks no Broadhurst Theatre, onde encena “Lucy guy”
Foto: Piotr Redlinski/The New York TimesTom Hanks no Broadhurst Theatre, onde encena “Lucy guy”Piotr Redlinski/The New York Times

NOVA YORK - Tom Hanks fala palavrões. E é muito animador ouvi-los dele, o homem que definiu o que é decência ao longo de três décadas em Hollywood, com suas atuações em “Splash — uma sereia em minha vida”, “Forrest Gump: o contador de histórias”, “Apollo 13” e “Toy Story”. Se, na tela, Hanks agrada às vovós, em pessoa ele é muito mais solto e imprevisível — como bem lembrou sua velha amiga Nora Ephron, muitos anos atrás, quando enviou a ele o roteiro de uma cinebiografia, “Lucky guy”. De cara, o ator detestou o seu personagem, Mike McAlary, colunista investigativo dos tabloides de Nova York nos anos 1980 e 1990.

— Disse a Nora que McAlary parecia um verdadeiro idiota — conta Hanks, usando uma expressão bem mais picante e exata que idiota, já que a força do jornalista vinha de sua determinação em ser o maior, o pior e o mais legítimo f.d.p. que já foi atrás de tiras corruptos.

Só alguns anos depois, ao esbarrar em Nora durante a divulgação do filme “Larry Crowne — O amor está de volta”, Hanks reviu sua opinião. Ele era coautor, estrela e diretor do longa, que foi fracasso de crítica e de público. A diretora, por sua vez, representava para ele dias mais felizes, em colaborações como “Sintonia de amor” (1993) e “Mensagem para você” (1998).

Será que as plateias vão aceitá-lo?

Eles voltaram a conversar sobre “Lucky guy” — ela transformara o roteiro numa peça, da qual Hugh Jackman chegara a fazer uma leitura —, e o ator pediu para ver a versão mais recente do texto. Dessa vez, ele se viu atraído não só pela fanfarronice de McAlary, mas por sua ânsia em se tornar merecedor da própria celebridade.

— Olhe, o título é “Cara de sorte”. É sobre alguém que é quase merecedor do que conquistou. E eu entendo isso — diz Hanks, durante entrevista no palco do Broadhurst Theatre, onde a peça, sua estreia na Broadway, está para começar (na próxima sexta-feira) uma temporada de 15 semanas. — Ainda me sinto às vezes como se quisesse ser tão bom quanto esse ou aquele ator. Vejo o trabalho deles e fico achando que nunca vou chegar lá. Gostaria muito de chegar.

Mas será que as plateias vão aceitá-lo como um cara desagradável? Tom Hanks ainda é um ator genial, que tende a lidar com a pressão sendo palhaço. Mas ele também se atirou num papel que exige ausência de vaidade, dizem seu diretor e atores amigos. Ele tem um bigode grisalho, como McAlary, e está tentando preservar as arestas do personagem.

— Toda vez que você sai para fazer algo novo, acaba envolvido em uma reinvenção, e todo ator que diz o contrário está apenas tentando diminuir as expectativas — conta Hanks, que estudou para ser ator de teatro nos anos 1970, mas rapidamente se mudou para a TV e, depois, para o cinema.

Até chegar à Broadway, o astro de Hollywood fez um caminho tortuoso — mas também tocante. McAlary, que ganhou um prêmio Pulitzer em 1998 por seus textos sobre a violência cometida por policiais conta o imigrante haitiano Abner Louima, morreu pouco depois, naquele mesmo ano, de câncer no cólon, aos 41 anos. Logo depois, Nora Ephron, ex-repórter do “New York Post”, que muito estimava os tabloides, começou a pesquisar a vida do jornalista e passou anos reescrevendo o roteiro, chegando a dar a ele o título de “Histórias sobre McAlary”.

Uma vez que Hanks embarcou no projeto, Nora passou a se encontrar semanalmente com o diretor da peça, o ganhador do Tony George C. Wolfe (de “Anjos na América”), para afiar o dispositivo central da trama — outros jornalistas contando os causos de McAlary e discutindo por causa deles — até que o foco no personagem fosse ajustado. Enquanto isso, porém, a diretora estava lutando contra a leucemia. Para a surpresa dos amigos e dos colaboradores, ela morreu em junho do ano passado, aos 71 anos.

— Era estranho para mim vê-la trabalhando tão rápido — diz Wolfe. — Não tinha a menor ideia do cronograma invisível que Nora estava seguindo. Depois que ela morreu, ficamos ainda mais determinados a montar a peça.

Sem Nora, George C. Wolfe e Tom Hanks se tornaram os carregadores do bastão de “Lucky guy”. O ator leu muitos dos artigos de McAlary e entrevistou alguns de seus velhos amigos, terminando por concordar com um ponto que a diretora defendia.

— Ela dizia que o cara era bom quando cobria o assunto que conhecia, os tiras e escândalos relativos a eles. Em outros casos, ele claramente patinava — diz Hanks que, ao perceber essas imperfeições, evitou transformar McAlary em um dos seus clássicos personagens edificantes.

Talvez o maior desafio para o ator sejam as cenas do jornalista com sua mulher, Alice, que ele deixou sozinha várias noites em casa para correr atrás de alguma dica para reportagem ou ir beber com os colegas.

— Será que o público vai comprar um Tom Hanks que trata sua mulher tão mal? — pergunta-se Maura Tierney, atriz que interpreta Alice. — É fundamental para a peça que o público aceite Tom como um cara desagradável, e acho que ele está conseguindo. Ele realmente pôs a vaidade de lado.

— Não tenho medo, porque acho que teremos uma produção muito boa — assegura Hanks. — Mas temo que seja eu o responsável por um mau resultado. Veja só, eu tenho uma considerável quantidade de filmes e projetos que não deram certo! Mas toda noite, quando volto para casa, ouço a voz nítida de Nora. E é quando eu fico mais animado com a peça.

25 de fevereiro de 2013
Patrick Healy, do New York Times - O Globo

A CIA AGRADECE

 

Digamos que proceda a desconfiança disseminada pelo governo cubano de que a blogueira Yoani Sánchez é, sim, agente da CIA, a agência de espionagem americana.

Por sinal, estão em cartaz dois filmes, merecedores do Oscar, que destacam a eficiência da CIA: "A hora mais escura", sobre a captura e morte de Bin Laden, e "Argo", que trata do resgate de um grupo de americanos reféns do regime iraniano.

O que a CIA esperava da passagem de Yoani pelo Brasil?


Que ela tivesse oportunidades para falar mal de Cuba, há mais de 50 anos sob o controle dos irmãos Castro (Fidel e Raul). E que a imprensa, ocupada com os assuntos internos do país, dedicasse à blogueira um mínimo de atenção.

Ela viajou ao Brasil a convite do jornal O Estado de S. Paulo. Ali, certamente, teria espaço garantido, como teve.

Com o quê a CIA não contava?

Com a adesão entusiástica aos seus planos dos partidos brasileiros de esquerda.

Por toda sua vida, a esquerda batalhou para chegar ao poder. E a CIA, e os serviços de espionagem que a antecederam, sempre atrapalharam.

A esquerda tentou chegar pela primeira vez em 1935 ao deflagrar a Intentona Comunista. O movimento fracassou em menos de 72 horas. Um vexame. Limitou-se à tomada de alguns quartéis.

A renúncia em 1961 de Jânio Quadros permitiu que o vice João Goulart ascendesse à presidência da República. A esquerda imaginou que se o manobrasse com apuro e arte, o poder acabaria ao alcance de suas mãos.

Os militares derrubaram Goulart e empolgaram o poder durante 21 anos. Depois se passaram três eleições para que na quarta, cavalgando o ex-metalúrgico Lula, a esquerda finalmente chegasse lá.

Uma esquerda dócil, é bem verdade, que renunciara à maioria dos seus dogmas. A esquerda possível, haja visto que seu principal líder nunca foi de esquerda.

Embora atraente devido às suas miçangas, o penoso exercício do poder desfigurou a esquerda por completo, a ponto de forçá-la a sentar no banco dos réus.

Nem por isso se pensou que pudesse tê-la despojado de inteligência. Foi o que aconteceu, a se levar em conta dezenas de episódios.

Faltará ao governo cubano a energia do passado?

Não me refiro ao "paredon" como instrumento de castigo para os que contrariam os interesses do regime.

O "paredon" saiu de moda. Mas entre ele e uma reles admoestação deve haver um meio termo para se punir o desastrado embaixador que pediu a ajuda de ativistas políticos tão espertos quanto ele.

Resultado: transformaram a vilegiatura de Yoani em um baita sucesso de audiência.

Não o debitem, porém, apenas à ignorância das seções juvenis de partidos e de organizações que ainda pregam a implantação do comunismo no país.

Por que as direções de partidos como o PT e o PC B não desautorizaram os atos de hostilidade dos seus militantes contra a blogueira cubana?

Ora, porque estavam de acordo com eles. Sabiam quem os encomendara. Calaram por conveniência.

Nem assim conseguiram esconder suas impressões digitais deixadas em cada um dos atos.

Yoani foi à Câmara falar em uma comissão técnica. Deputados do PT, em desespero, convenceram Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, a convocar uma sessão extraordinária.

Evitariam assim que a TV Câmara transmitisse a exposição de Yoani.

Realizou-se a sessão. Mas Yoani foi até lá confraternizar com seus algozes. Ou seus cúmplices.

A verdade é que a semana que passou não teve para ninguém - nem para Dilma, lançada candidata à reeleição, nem para Lula que a lançou, nem para Aécio que discursou no Senado.

Só deu Yoani.

Comovida, a CIA agradece aos seus agentes voluntários.

25 de fevereiro de 2013
ricardo noblat

ECOCHATOS, SE ACALMEM. É MAIS UM FENÔMENO NATURAL. AGRADEÇAM AOS AMERICANOS QUE PODEM ANTECIPÁ-LO


Sol visto por um telescópio de raios X. Supertempestade ocorre a cada 200 anos, segundo especialistas. Foto do site de O Globo
 
Leiam esta matéria que transcrevo após este prólogo. A princípio, é apenas uma reportagem referente a um fenômeno: tempestade solar. Os menos atentos não serão capazes de verificar que é também uma matéria essencialmente política, pois é uma prova inelutável de que o ecochatismo não passa de um delírio que marca o renascimento do antropocentrismo no século XXI.

Antes que algum ecochato ofereça uma pauta que será, evidentemente, absorvida pela idiotia jornalística, tentando lançar a culpa dessa explosão solar sobre os ombros dos pobres mortais, informo com exclusividade - isto é um furo jornalístico, hehe... - que o evento solar é mais um fenômeno natural e que independe da ação dos seres humanos.
Tanto é que ocorre pelo menos a cada 200 anos. A última supertempestade ocorreu em 1859!

Ainda bem que os americanos já possuem no espaço um engenho que antecipa em 30 minutos a fantástica explosão solar que terá efeitos funestos sobre diversos equipamentos eletro-eletrônicos e correlatos.

Os "sonháticos" da Marina Silva e demais gurus do catastrofismo ecológico que se acalmem. Nem eliminando todos os seres humanos da Terra se evitará que o Sol pare de se consumir em sucessivas explosões até que desapareça. Quando isso acontecer o "aquecimento global" também terá terminado e, com ele, a vida sobre a Terra. Assim sendo, melhor é exultar o calor que ainda emana o velho astro.

O mundo terá um aviso com antecedência de apenas 30 minutos quando a supertempestade solar mais forte desde 1859 atingir a Terra, revelam cientistas. Tempestades solares que mereçam esta classificação ocorrem a cada 200 anos. Como a última causou transtornos ao nosso planeta em 1859, os cientistas já se preparam para o evento, que poderia paralisar as redes de comunicações, incluindo GPS e telefones celulares.

A Academia Real de Engenharia da Grã-Bretanha disse que a explosão de radiação maciça é inevitável e que o governo deve criar um conselho de clima espacial. A entidade iria dirigir e supervisionar a estratégia do governo para lidar com a tempestade solar, a qual poderia provocar apagões, tirar de operação um em cada 10 satélites, além de interromper a navegação de aeronaves e outros meios de transporte. Embora eventos climáticos solares aconteçam em intervalos regular, a Terra não experimentou uma supertempestade desde o início da era espacial.

Na ocasião do último evento extremo, no século XIX, a Terra foi atingida por uma onda de partículas energéticas após uma grande explosão solar. A radiação causou faíscas em postes telegráficos e incêndios. Em todo o mundo, o céu noturno foi iluminado por efeitos semelhantes aos da aurora boral. Mas naquela época não havia satélites em órbita ou microchips sensíveis no caminho das partículas.

A supertempestade solar teria sido letal para os astronautas da Missão Apollo, caso tivesse ocorrido quando eles estavam na Lua.
Atualmente, um satélite já envelhecido, chamado Advanced Composition Explorer (ACE), fornece, com cerca de 15 minutos antecedência, um aviso de Ejeção de Massa Coronal - uma enorme nuvem de plasma de partículas carregadas, a mais perigosa durante uma tempestade solar.

Os cientistas estão preocupados com o que vai acontecer se o Ace falhar. A substituição de Ace, chamado Discover, deve ser lançado pela agência espacial americana, a Nasa, apenas no ano que vem.
Do site do jornal O Globo
 
25 de fevereiro de 2013
in aluizio amorim

EM 1994 COMEÇOU A DISPUTA PRESIDENCIAL PSDB-PT.

Agora o resultado está 3 a 2. Em 2014, completando 20 anos, o PT estará vencendo por 4 a 2. O país não será também vencedor. Mas com o PSDB, retrocesso certo, um país novamente perdedor.

 
A história presidencial de FHC se consolida em 1994. Mas na verdade começa em duas outras oportunidades. 1986, suplente em exercício de senador, se candidata a senador de verdade.
Eram duas vagas, o companheiro de chapa, Mario Covas. 1993, depois do impeachment de Collor, Itamar assume e como tinha apenas dois anos de mandato, equivocadamente se decide por FHC para seu sucessor.
E joga toda a máquina na eleição e vitória do sociólogo da Fundação Ford.
 


Examinemos ligeiramente as barbaridades políticas, eleitorais e financiadoras que FHC praticou.
Em 1986 existiam 3 candidatos a governador de São Paulo. Um deles era Maluf, que iria lançar para o Senado o ex-“governador” da ditadura, José Maria Marin. (Esse mesmo que 25 anos depois controla a paixão dos cidadãos, que é o futebol).

FHC teve vários encontros com Maluf, até na sua própria casa, o que irritou profundamente a grande figura que era sua mulher, Dona Ruth.
Fez acordo com Maluf, este não lançou candidato ao Senado, apoiou FHC. E ainda insiste em falar em moralidade. Criticou Lula quando apareceu publicamente com o mesmo Maluf.

O segundo candidato a governador era Antonio Ermírio de Moraes, riquíssimo e com obsessão pela política. Critiquei muito Ermírio de Moraes, um dia, no Grand Slam de Roland Garros, seu irmão José me disse: “Helio, você tem razão. Eu já falei com o Antonio, empresário ou político, as duas coisas, não”.

Antonio Ermirio ia lançar para o Senado um dos maiores amigos de FHC, este falou: “Com candidato ao Senado, você não terá meu apoio”. Ermírio de Moraes “demitiu” imediatamente o previsível candidato ao Senado, FHC ficou sozinho, ele e Covas.

O terceiro candidato a governador, a maior figura do PMDB de São Paulo, era Orestes Quércia, que foi eleito fácil e disparadamente. Sem adversários.

FHC teve 8 milhões de votos, a mesma coisa de Covas. Foi a última disputa pelo PMDB, fundaram logo o PSDB. Dizia: “Não posso conviver com Quércia”. Com Maluf e outros, podia?

Veio o impeachment de Collor, Itamar, excelente figura, mas rigorosamente ingênuo, nomeou FHC para tudo. Ministro da Fazenda, Ministro do Exterior, candidato a presidente em 1994. Mas FHC não tinha nenhuma segurança de vitória.
Basta este exemplo: o mandato de presidente era de 5 anos, FHC seduziu Itamar para reduzir o mandato para quatro anos.

Ora, quem disputa a presidência com todo o apoio da máquina e do presidente no Planalto, por que reduzir o mandato? A não ser que não acredite na própria vitória. Ganhou, “compraria” a reeleição pela primeira vez na História da República.

EM 1998, LULA É QUE NÃO
ACREDITAVA NA VITÓRIA
 
Contabilizada a destituição da cláusula pétrea que proibia a reeleição, Lula se lançou apenas para consolidar a vaga em 2002. Foi o que aconteceu. Mais forte pela própria trajetória e favorecido pela trajetória negativa e angustiante de FHC, eis Lula transformado em presidente.

Reeleito em 2006, tentou o terceiro mandato GERAL, Lula não conseguiu, como FHC também não conseguira. Na verdade os dois só têm esse traço parecido: se deixarem, não saem do Poder, ou voltam, dependendo da idade.

SEM NENHUM SUSTO, O PT IRÁ
AMPLIAR A VANTAGEM EM 2014
 
Que o PT obterá a quarta vitória seguida, nenhuma dúvida. E pode até nem ser com o PSDB, que vem se desmanchando política, eleitoral, partidariamente.
Há muito tempo o candidato do PSDB é Aécio Neves. Mas também há muito tempo, o neto de Tancredo não se firma nem se confirma como candidato.

A sorte de Aécio é que seus substitutos dentro do partido seriam Serra e Alckmin, já três vezes derrotados. Mas a falta de sorte é que, sem São Paulo, Aécio não ganha eleição. E para infelicidade geral, quando se juntam São Paulo e PSDB, a equação só se fecha com Serra e Alckmin.

DONA MARINA SILVA E OS
SEUS 20 MILHÕES DE VOTOS
 
É um equívoco infeliz, Dona Marina pensava mesmo que fosse surgir como terceira força. Não é nem a quarta nem a quinta, se quisesse ser já deveria ter tentado há 20 anos. Agora é muito tarde.
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PS – Desculpem, a culpa não é minha nem do blog. Todos se lançaram na aventura presidencial, com 20 meses de antecedência. O que fazer?

PS2 – E como existe muita coisa não esclarecida, temos que tentar. Sem privilégio para ninguém, total isenção.

25 de fevereiro de 2013
Helio Fernandes

HOJE É O DIA. ROSEMARY, A COMPANHEIRA DE VIAGENS DE LULA, TEM DE SE APRESENTAR À JUSTIÇA FEDERAL

 

A ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, tem de comparecer hoje ao cartório da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, para mostrar que ainda não se evadiu.



Como se sabe, Rose foi companheira preferencial do então presidente Lula em viagens a 32 países, no período de menos de três anos, e sempre na ausência de dona Marisa Letícia.
Desde a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que em 23 de novembro desbaratou o esquema montado por ela para vender pareceres de agências reguladoras e da própria Advocacia-Geral da União, Rose está sendo processsada por corrupção e formação de quadrilha.

A companheira de Lula está proibida de deixar o país e tem de se apresentar ao cartório da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, de 15 em 15 dias. Para evitar a imprensa, ela vem utilizando a garage privativa do Fórum, por decisão da juíza substituta , Adriana Zanetti, que também proibiu que repórteres, fotógrafos e cinegrafistas se aproximem de Rose no Fórum.

A magistrada atendeu a um pedido do advogado da ex-chefe de Gabinete da Presidência da República, que apresentou a justificativa de que a ré está “com trauma de exposição”, desde que foi demitida do cargo em função do escândalo.

A juíza aceitou o argumento, e Rose está entrando e saindo pela garage privativa de magistrados, sempre acompanhada de seu fiel e compreensivo marido, João Batista de Oliveira.

“Nenhum outro réu solicitou (a mesma condição de Rose)”, destacou a assessoria de imprensa da Justiça. “Esse foi o primeiro caso na 5ª Vara Criminal Federal, para garantir a ordem nas dependências do fórum.”

FAVORECIMENTO

O mais incrível é que, por causa de Rose, a Coordenadoria do Fórum Criminal editou a portaria 6/2013, em que determina que os jornalistas que tiverem interesse em fazer imagens na parte interior do fórum com câmera de vídeo, máquina fotográfica ou similares “devem requerer autorização prévia via petição aos respectivos juízos das varas”.

E pior ainda: a tal “portaria” prevê que qualquer juiz poderá solicitar “o isolamento temporário e extremamente necessário dos acessos e/ou passagens pelos corredores e halls das entradas principais e dos elevadores, com apoio da Seção de Segurança do Fórum e até de reforço policial, a fim de garantir e preservar a integridade física das partes envolvidas nos autos dos processos”.

Traduzindo tudo isso: a fiel companheira de viagens de Lula não está sendo favorecida apenas pela juíza Adriana Zanetti, mas também pela própria direção do Fórum Criminal de São Paulo.
25 de fevereiro de 2013
Carlos Newton

PAPA BENTO XVI REALIZA A ÚLTIMA MISSA DOMINICAL

 

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25 de fevereiro de 2013

UM NÓ PARA O LULA DESATAR

 

Caso 2014 fosse ano apenas de eleições presidenciais, nem seria preciso realizá-las. Com um pouco de exagero, até os tucanos apoiariam Dilma Rousseff, na maior coligação partidária de nossa História. Não haveria uma única legenda interessada em ficar à margem do poder.



Como serão eleições gerais, para o Congresso, os governos estaduais e as assembleias legislativas, mistura-se a equação, complicando-se as previsões. Por isso o Lula preocupa-se tanto em manter a coligação que respalda a sucessora.
Só por milagre obterá sucesso, mesmo assim às custas do PT, se os companheiros estiverem dispostos ao sacrifício. Porque para garantir o apoio a Dilma, o PT precisará abrir espaço para candidatos a governador do PMDB, do PSB, do PP, do PR, do PDT, do PSD e penduricalhos.

Esses partidos jogarão sua sobrevivência na tentativa de dominar estados grandes e pequenos. Disputarão as preferências populares, sem falar nas oposições, com PSDB, DEM e PPS à frente. E com o PT, se não quiser voltar a ser um pequeno partido.

Por enquanto, do lado do governo, prevalece a credibilidade nas promessas de unidade em torno do segundo mandato de Dilma e de uma educada tertúlia entre os diversos candidatos a governador. Quando as campanhas esquentarem, porém, será lambada para todos os lados. Atrás do voto do eleitorado valerá tudo.

Esperar a presidente frequentando os variados palanques é sonho de noite de verão, devendo a recíproca ser verdadeira: se ela apoiar um candidato a governador do PT despertará a animosidade dos demais partidos da base, com reflexo simultâneo nas eleições presidenciais.
Eis um nó para o Lula desatar, agora que passa a cuidar em tempo integral da coligação.

PERDENDO TEMPO

Vai se completar uma semana desde que o Lula, de público, manifestou-se pela candidatura de Dilma à reeleição.
Aguardava-se que o governador Geraldo Alckmin fizesse o mesmo com relação a Aécio Neves, quer dizer, afastando sua própria candidatura presidencial e contribuindo para a unidade no ninho dos tucanos. Até agora, porém, nenhum sinal à vista.

SINAL DOS TEMPOS

Tancredo Neves era careca e tinha sua arcada dentária inferior projetada sobre a superior. Jamais pensou em implante de cabelos ou em ir ao dentista para corrigir o defeito. Tinha outros objetivos em mente.
Já o neto acaba de passar pelo bisturi para tirar rugas e outras melhorias no visual. Sinal dos tempos…
25 de fevereiro de 2013
Carlos Chagas

SEMANA DE VAIAS E OFENSAS

 

Já me defrontei várias vezes com alguns desses cãezinhos que, embora aparentemente apenas barulhentos, a qualquer descuido te atacam os calcanhares.

Lembrei-me deles ao assistir as manifestações que militantes do PT e do PCdoB prepararam para recepcionar Yoani Sánchez em sua visita a algumas capitais brasileiras. Latiam palavras de ordem e só não morderam a senhora porque não sairia bem nas fotos.



Essas manifestações correspondem ao que foi previamente denunciado pela revista Veja: a embaixada de Cuba organizou, dias atrás, reunião com representantes dos dois partidos mencionados. Nesse encontro, visando a preparar essas manifestações através das redes sociais, foram distribuídos CDs com informes sobre a visitante.

A reunião de fato ocorreu e o Planalto confirmou o inimaginável: um membro da equipe do ministro Gilberto Carvalho foi convidado e compareceu! A embaixada de Cuba proporcionou mais uma demonstração de que continua tratando o Brasil como quintal de Fidel Castro. Há uma boa lista de precedentes.

Tenho grande dificuldade de compreender como Yoani Sánchez consegue fazer o que faz em Cuba. A personagem não se encaixa no bom conhecimento que tenho da situação cubana. Quando colocada diante dessa perplexidade, ela explica que se tornou demasiadamente conhecida para que as autoridades atuem com rigor contra ela.

A resposta é quase satisfatória, mas tropeça na segunda pergunta: como foi que ela, desconhecida, conseguiu afrontar as barreiras do sistema repressivo até ganhar, de fato, grande notoriedade?

CARÁTER TOTALITÁRIO

Por dever de consciência, digo aos leitores o que sei e não vou além porque não me exponho ao risco de cometer injustiça. Meu tema, aliás, é outro.
Tomarei Yoani Sánchez pelo que diz ser, a embaixada de Cuba pelo que organizou e os manifestantes pelo que são.

Nessa perspectiva, resulta inevitável denunciar o caráter totalitário, antidemocrático e fascista dessa fraternidade ideológica e partidária organizada em matilha no Foro de São Paulo. Mordem quem se atreve a divergir deles. E mordem quem diz que eles fazem isso. Depois, dormem tranquilos, recostados no travesseiro de pedra de suas consciências.

Eis por que, leitores, tanto me interesso pela questão cubana. Cuba não é apenas um museu da arqueologia política, onde ainda passeiam como senhores da terra os dinossauros do totalitarismo comunista.
Ela é, também, nas opiniões que se emitem aqui sobre o regime lá incrustado, um excelente filtro para identificar muitos charlatães da democracia. Dize-me a quem vaias e dir-te-ei quem és.

25 de fevereiro de 2013
Percival Puggina

GENTE FINA É OUTRA COISA. LUIZ ESTEVÃO DÁ FESTA PARA 2 MIL CONVIDADOS NO LAGO SUL

 

Segundo reportagem de Diego Amorim, publicada no “Correio Braziliense”, Luiz Estevão promoveu um evento que mobilizou o fim-de-semana de Brasília.

Condenado pela Justiça Federal e com parte dos bens bloqueados, o senador cassado ofereceu, na noite da última sexta-feira, a festa milionária, para cerca de 2,2 mil convidados, em sua mansão, para celebrar os dezeseis anos da filha Luiza.
Um DJ de renome internacional foi contratado ao custo estimado de US$ 300 mil.

Luiz Estevão e a mulher, Cleucy, desfrutaram da animação que tomou conta da pista de dança montada na casa da família: Veuve Clicquot à vontade (Carlos Moura/CB/D.A Press)

A decoração da megaestrutura construída no jardim da residência, localizada na QI 5 do Lago Sul, teve direito a cores fortes, iluminação em LED e muito brilho . Os convidados foram recebidos por manobristas, nos dois lados da rua.

A comemoração teve dois buffets – um deles com 70 garçons. Nas bandejas, copos e taças, champanhe Veuve Clicquot, vodca Grey Goose e uísque Black Label. Nos banheiros, medicamentos para ressaca (Engov e sal de frutas).

DJ SUECO

O DJ sueco Avicii, de 23 anos, abrilhantou o evento. Avicii é o número três do mundo na lista de 2012 da revista britânica DJ Magazine, especializada em música eletrônica, e o 10º mais bem pago no mundo em 2011, segundo a revista Forbes. O cachê dele é estimado em US$ 300 mil.

Sobre a condenação a quatro anos e oito meses de prisão, ocorrida no início do mês por sonegação fiscal, o ex-senador diz esperar revisão. Afirma que os débitos alvos da ação foram parcelados e vêm sendo pagos.
Admite que desde o episódio que levou à cassação de seu mandato, no Senado em 2000, respondeu a 41 processos judiciais. Destes, 36 já foram arquivados e cinco ainda estão em andamento.

Em 2012, Luiz Estevão fez acordo com a Advocacia-Geral da União para pagar R$ 468 milhões por desvios na obra do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, escândalo que envolveu o juiz Nicolau dos Santos Neto. Estevão foi o primeiro senador cassado da história do País após a redemocratização.
25 de fevereiro de 2013
José Alberto Vantuil

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

 

 
 
25 de fevereiro de 2013