"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 17 de junho de 2013

PROTESTOS EM SÃO PAULO E AS JANELAS QUEBRADAS: NEHUMA PREOCUPAÇÃO COM A TARIFA DO ÔNIBUS

Sob um discurso de "manifestação pacífica" que só por acidente se desvirtua em vandalismo, os protestos escondem uma lógica que nada tem a ver com a tarifa.

 
protesto paulista 9 507x338 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
“Se você acha que o transporte coletivo é caro hoje,espere até você ver o que custará quando for grátis.”
— Roberto Chiocca
  
Os protestos em São Paulo parecem apenas mais um na rotina de protestos interditando a Avenida Paulista. Como já é consabido, manifestantes ocuparam a avenida contra o aumento das passagens de ônibus, de R$ 3,00 para R$ 3,20. Colocadas na perspectiva correta, as coisas tomam outra grandeza.
 
Barricadas foram armadas, ônibus foram incendiados (tentou-se até invadir a garagem de uma companhia no parque D. Pedro), a principal avenida do hemisfério teve todas as pistas fechadas, estações de metrô foram destruídas, lixeiras pegaram fogo, palavras de ordem e discursos de políticos foram proferidos, símbolos revolucionários foram pichados e bandeiras de partidos políticos comunistas pregando marxismo desabridamente foram vistas por todos os lados comandando a revolta.
 
Fazendo as contas, o aumento de R$ 0,20 (meia pra estudante) dá R$ 146 por ano (ida e volta), R$ 73 pra estudante. Quanto gastaram no protesto hoje? A conta simplesmente não bate. Incrivelmente, absolutamente nenhum jornalista até agora parece ter feito a mesma conta e concluído o inescapável: este protesto nada tem a ver com o preço da passagem.
 
Sob um discurso que conquista até os jornalistas que estão narrando a própria violência (como o aumento da passagem), propaganda partidária do PSOL, PSTU, PCO, UNE (comandada pelo PCdoB) e afins grassaram a olhos vistos.
 
Quando atos de violência destróem o patrimônio da população, reivindicando algo que custa muito menos do que o próprio protesto, cabe sempre fazer três perguntas, que nos dão o prisma completo da situação: quem quebra? Quem paga? E, se quem quebra e quem paga são pessoas distintas, quem sai ganhando com isso?

Quem quebra

Existe uma famosa teoria de criminologia chamada Teoria das Janelas Quebradas. Basicamente, ela diz que se um edifício tem janelas quebradas por vândalos, a tendência é que outros vândalos quebrem mais janelas.
A lição óbvia é para consertar os problemas enquanto são pequenos para evitar vandalismo. A lição óbvia, mas nem sempre lembrada, é que um crime que cause algum resultado (nem que seja chocar a sociedade) é imediatamente repetido (vide os casos recentes de pessoas queimadas por não terem tanto dinheiro quanto os ladrões queriam – três apenas nos últimos 2 meses).
 
facebook lança Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Os comentários deixados no ar basicamente se resumem a uma cantilena repetida ad nauseam: “Sou a favor de protestarem, mas não pode haver vandalismo”. 
Os organizadores destes protestos não são ingênuos a este ponto: sabem muito bem que a pancadaria vai acontecer – do contrário, seu lema não seria “Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar”. Não é claro o suficiente? Dêem o que eles querem, ou as pessoas da cidade, inocentes, trabalhadores, terão a vida infernizada.
 
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Isto é uma forma de reivindicação chamada terrorismo. A tática do medo generalizado, da destruição em massa, do pânico social. É o mesmo que o “flanelinha” que cobra para que o seu carro, estacionado na rua, não seja destruído, mas feita em grandes proporções, a ponto de virar notícia. Era o que Lenin chamava de “propaganda armada”.
 
O governante, diante de atos de terrorismo, pode aceitar o delicado pedido ou reprimir manifestantes espalhados, que não são um exército uniforme longe de civis inocentes como numa guerra. Qualquer atitude que tome, os terroristas saem ganhando e posando de heróis sociais e vítimas da truculência obscurantista, quando eles causaram a violência.
 
É a já comentada “agressão mínima”, como bem definida pelo professor de filosofia da USP João Virgílio. Cria-se uma situação de incômodo máximo, de impedimento completo da normalidade, que só pode acabar com alguma reação com alguma violência. Imediatamente passa-se a criticar a agressão de revide, posando-se então de vítima.
 
Como foi com o surpreendente caso do PM que quase foi linchado pelos terroristas (vídeo impressionante, vejam). Enquanto isso, conforme relato da Folha, outro vândalo “desferiu cinco ‘voadoras’ até conseguir quebrar um dos vidros da entrada da estação Trianon do metrô. Após destruir o vidro, sacou seu iPhone e registrou o feito.”
 
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Essa violência, como janelas quebradas (nesse caso, não em sentido figurado), tende a ser repetida, cada vez com força maior. Quando se tem um projeto de poder abertamente comunista (é a tal “Juventude Marxista” que está lá, fazendo propaganda dos partidos políticos PSOL, PSTU, PCO, da UNE controlada pelo PCdoB e apaniguados), não se pode pregar simplesmente uma Revolução violenta.
 
Toda a população tem horror ao que essa gente defende (e não costumam ter 1% dos votos). Todavia, a cada motivo encontrável para fomentar uma revolta, mesmo um motivo cuja conta não feche como os centavinhos do ônibus, estarão lá os partidos fazendo propaganda, aprendendo com Gramsci a comer o poder pelas bordas e se meter nas frinchas do Estado aos poucos, ao invés do papo de armas e casernas de Lenin.
 
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Não é à toa, portanto, que os organizadores desses protestos sejam os mesmos que usam de uma retórica de relativismo moral absoluto quando crimes acontecem. Porque o objetivo final dessas manifestações não é outro senão minar o poder constituído (a chamada “lei burguesa”) e a cultura de certo e errado que o sustenta.
 
protesto pstu incêndio Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Quando dentistas e motoristas são queimados vivos por não terem muito dinheiro quando são assaltados, estes formadores de opinião acabam por retirar a culpa dos bandidos de maneira cuidadosa, pelo choque que aquilo causa à população (como o blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto dizendo que é uma fatalidade, que quem fez isso deve pagar pelo que fez, mas apenas criticando a sociedade e terminando paradoxalmente afirmando que não acredita que exista culpa).
 
Entretanto, este é um crime individual, que exige muito sangue frio, e apenas posteriormente se tem uma multidão de formadores de opinião aliviadores e a portadecadeiosfera para defendê-los de maneira não muito direta.
 
Contudo, isso gera uma sensação de liberação da violência. Vide quantos vândalos, com muitos hormônios e pouca responsabilidade, se jactam dos atos que cometeram até no Facebook?
Ninguém (ainda) tem coragem de dizer “queimei um dentista hoje!”, mas encontramos no Facebook quem diga “queimamos 2 ônibus hoje!”, com comentários reclamando de terem tirado as pessoas do ônibus antes. Que tal lembrar que essa é apenas uma forma retórica bonita para não dizer “queimamos vários inocentes de uma vez hoje”?
 
protesto queima onibus paulo 1 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
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Estes partidos políticos estão pouco se lixando para o preço da tarifa. Se assim o fosse, a UNE, controlada pelo PCdoB, não precisaria estar nas ruas com… bandeiras da UNE e UJS (igualmente do PCdoB). Poderia apenas mandar um e-mail para a vice-prefeita, por sinal prefeita em exercício enquanto Fernando Haddad está em Paris, que é do próprio PCdoB, e pedir pra conversar. Eles não querem conversar. Eles querem desgastar o governo e fazer propaganda partidária e comunista.
 
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Fazendo seus forrobodós apenas quando há uma causa inatacável por trás (como preços altos, que ninguém, afinal, quer pagar), até mesmo as pessoas mais contrárias à violência e à concentração de poder através de violência caem na esparrela do discurso bonzinho, e separam a organização de um protesto da violência que esse próprio protesto gera, protegendo a causa alardeada – ou seja, acreditando em propaganda partidária, tão somente porque ela é feita no meio da rua, e não no horário eleitoral.
 
Não importa que slogans, palavras de ordem, discursos revolucionários de candidatos por partidos sejam proferidos, ou que símbolos, faixas e bandeiras comunistas sejam hasteados e apareçam até no Jornal Nacional, na cara de todo mundo: enquanto ainda falam em “manifestantes” neutros, aparentemente ninguém percebe que o objetivo da manifestação, afinal, não tem a mais remota conexão com o preço da tarifa de ônibus.
 
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Como bem definiu Janer Cristaldo, o protesto, “na verdade, só beneficia o atual prefeito. Haddad apela a Dona Dilma – como já apelou – e, se esta se digna a soltar algum lastro, ele se transforma no prefeito que foi sensível aos apelos populares”.
 
Mais uma vez, os ideólogos que sabem fazer controle social como quem joga Sim City saem ganhando de um jeito ou de outro. Não há “sonhos” românticos nem utopias: há vandalismo e inconseqüência.
 
Os organizadores, até um “estudante” de 19 anos, não ganharam as primeiras páginas dos jornais, não deram suas primeiras entrevistas para a imprensa na vida? Acham que isso não teve mais impacto na vida deles do que 20 centavos a menos por dia, aproximadamente 25 vezes menos do que dão para um trombadinha não riscar o carro do papai na balada do fim de semana?
 
protesto corpo Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Se fosse possível desvincular o protesto da violência, não veríamos Leonardo Sakamoto reclamando de alguém sugerir um protesto onde não haveria quebra-quebra e não se atrapalharia a população, como o Parque do Ibirapuera (e por que atrapalhar a população inocente, senão com o objetivo de ter quebra-quebra?). Nem veríamos, nas páginas dos organizadores da baladinha, até uma enquete discutindo se é para ter vandalismo ou não (!!!).
 
protesto enquete vandalismo 2 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 

Quem paga

Outro teórico que também tem uma teoria sobre janelas quebras é o grande economia Frédéric Bastiat. Em seu livro O que se vê, o que não se vê, Bastiat explica sua teoria de economia justamente com uma vidraça quebrada.
 
Teorias com aparentes excelentes intenções como a social-democracia costumam querer criar empregos artificiais, como compilados na famosa idéia de Maynard Keynes: é preciso pagar para algumas pessoas cavarem buracos e outras para tapá-los.
Curiosamente, costuma-se pensar que a social-democracia enriquece os pobres ao invés de mantê-los sem oportunidades, mas ninguém pergunta por que essa teoria mantém os trabalhadores geradores de riqueza pagando para manter operários e, por que não, até quem limpa banheiros em suas pobres funções.

Bastiat mostrou o erro, através da superstição comum de seu tempo (de que uma vidraça quebrada gera riqueza, porque garante o trabalho do vidraceiro). O que uma pessoa gasta com o novo vidro, afinal, ela gastaria com outra coisa, se a janela não tivesse sido quebrada. Assim, se vê uma relação econômica (a compra de um novo vidro) e não se vê outra (a compra que poderia ter sido feita).
 
Ora, o tal “Movimento Passe Livre”, que organiza a patifaria, tem a idéia francamente panaca de haver “condução de graça”, idéia que nem o mais radical dos regimes comunistas tentou pôr em prática. O preço da tarifa é calculado através do preço pago pelo usuário, mais subsídios. O subsídios são “concedidos” pelo Estado, com o dinheiro que arranca da população (não é da carteira do Haddad que sai).
 
Diminuir o preço da passagem é aumentar os subsídios – ou seja, fazer a população pagar de todo jeito, mas sem saber quanto está pagando. Pior: para o Estado e sua estrutura fechada, cheia de corrupção.
 
O que é mais sensato, senão diminuir subsídios, que acabam financiando empresas cupinchas da prefeitura, com um cartel livre de concorrência – o que impede que outras empresas entrem no mercado com serviço mais barato e mais eficiente, mas não podem por causa do monopólio do Estado?
 
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Então privatiza essa porcaria, fia!
Escondendo a conta de quem paga a cota, é possível realizar outro truque que as pessoas de esquerda cometem sem perceber: a inversão radical de sujeito e objeto da ação humana.
Como fazem no caso de um assalto frio (a culpa é da vítima, porque ela “ostentou”), assim também podem inverter direitos: pedem por bens públicos destruindo patrimônio público, pedem direito de ir e vir atrapalhando o direito de ir e vir das pessoas e até mesmo consideram que o tal direito significa que toda a população tem obrigação de lhes pagar sua passagem.
 
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Fica-se a dúvida: para passagem grátis São Paulo-NY, temos de quebrar o quê? Afinal, de celulares até uma carona, o que é fomentado é uma cultura de hedonismo, em que a distância entre o desejo e a conquista do objeto desejado deve ser encurtada à força, e às custas alheias.
Assim, a vontade de gratuidade e a lei do menor esforço (até para descobrir quem paga a conta) de jovens pouco inteligentes se torna poderoso instrumento de achincalhe político. Obviamente que eles próprios contarão a história.
 
Óbvio, pedem alguns centavinhos a menos sob slogans batidos, e causam prejuízos astronômicos. Destróem bancas de jornais, portas de lojas, causam engarrafamentos (poluição e gasolina queimada), além do rastro de destruição com pichações de símbolos comunistas para todos os lados.
Destróem o que deixarão para o povo pagar, dizendo que lutam pelo povo – para se ter uma idéia, cada barril que incendiaram em uma animada algazarra, sob bandeiras tremelicando o número de suas legendas, custa mais de R$ 700.
Os cones saem pela bagatela de R$ 112, o que pagaria mais de um ano e meio de passagem para um estudante.
Enquanto isso, fazem tranqüilamente propaganda partidária no meio do caos que criaram, sabidos de que ninguém investigará se estão infringindo o art. 243 do Código Eleitoral. PCdoB, PSOL, PSTU, PCO e congêneres podem dormir tranqüilos depois da divertidíssima festinha dessa semana.
 
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Quem ganha

Claro que as dezenas de milhares de pessoas que vão à manifestação não têm um mínimo lampejo do que está acontecendo. Se consideram no máximo de sua “consciência política” por não querer pagar a mais pelo ônibus (este óbvio que um neném já tem consciência). Apenas são massa de manobra útil a quem organiza as pessoas, os ânimos e os confrontos.
 
Os partidos, demonstrando um desprezo monumental pelo preço da tarifa de ônibus, demonstram apenas querer poder para o partido. Não é à toa que estão mais preocupados em “repetir Porto Alegre” (o caos que instauraram na cidade) com bandeiras até com o número de votação do PSOL do que fazer algum comentário sobre quem vai pagar a gasolina para os ônibus andarem. Afinal, por que não protestam contra a Petrobras, ou pedem para mais empresas privadas poderem competir e oferecer serviços mais baratos, ao invés de um cartel criado pelo próprio governo com suas concessões?
 
protesto juntos 509x338 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Aliás, como mostrou Reinaldo Azevedo, a Associação Alquimídia, que é dona do domínio na internet do Movimento Passe Livre, que organiza essa manifestação, recebe verba da Petrobras, do MinC e da Lei Rouanet.
E será mera coincidência que paulistas queiram “repetir Porto Alegre” com tantas bandeiras da associação Juntos!, do PSOL, quando o domínio do negócio é da própria Luciana Genro?
 
protesto luciana genro Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Além de uma nova roupagem para a violência como arma política (o que Herbert Marcuse chamava de “tolerância revolucionária”), os discursos e os atos das massas coordenadas pela esquerda são unificados apenas com vias a garantir a unidade do grupo e seu fortalecimento. Vide que todas as pessoas, quando comentam o acontecido, precisam se justificar. É de se duvidar que alguém tenha ouvido uma única pessoa não declarar sua opinião na base do “Protestar é legítimo, mas sem vandalismo…”, como se fechar todas as pistas da principal Avenida do hemisfério não fosse, justamente, conquistar um território onde tudo se torna lícito longe da polícia.
 
Os atos dos manifestantes, não fazendo sentido economicamente, mas conseguindo granjear uma larga massa de manobra, apenas marcando quem é do grupo contra quem não é – ainda fortalecidos por um tema sensível, o que faz com que ninguém se posicione contra o protesto em si (só contra “o vandalismo”, como se fosse um desvio, e não o objetivo verdadeiro do próprio protesto). Não importa que usem de fatos que se contradizem, fora a conta econômica que não bate.
 
Flávio Gomes, por exemplo, é um sujeito único no mundo. Todas, absolutamente todas as suas opiniões sobre Fórmula 1 parecem as mais sensatas possíveis – nem Koen Vergeer ou Dennis Jenkinson, muito mais bem informados, costumam ter opiniões tão acertadas. Aí Gomes sai das pistas e… nunca fala uma única coisa que preste. Sobre os protestos, para defender “alguma coisa” indefinida, saiu-se com essa:
 
tweet flaviogomes 01 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Claro que Flávio Gomes sabe que a tal “juventude direitosa” não fecha avenidas nem hasteia bandeiras comunistas e de partidos de extrema-esquerda, portanto, estava apenas tentando limpar a barra dos esquerdistas que causaram o furdunço.
A função de sua frase não era nem exatamente ser contra o protesto, mas apenas garantir a seus amigos limpinhos: “até parece que a violência seria de esquerda, se começa o quebra-pau, naturalmente vire de direita”..É só ver uma foto do Estadão para tentar analisar se “direitosos reaças” usam bandeiras comunistas tão apreciadas por Flavio Gomes:
 
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Horas depois, Gomes sai-se com essa:
tweet flaviogomes 02 Protestos em São Paulo e as janelas quebradas: nenhuma preocupação com a tarifa do ônibus
 
Como disse o @roberto_alm, mas não era a “juventude direitosa reaça” que estava no protesto? É a tal “direitona” que adora quebrar coisas, ferir pessoas e incitar o caos pela cidade? Pela lógica, isso é um paradoxo evidente, mas serve ao pensamento dialético de pessoas preocupadas tão somente em proteger seu partido: se o protesto tem causa justa, é de esquerda.
Se mostra sua real cara, basta dizer sem motivo algum que é “de direita” (o inimigo do grupinho). Se o resultado foi ruim, é de esquerda, mas dá munição para a direita (?!). O que importa é proteger o grupo com a mentira que for a todo custo.
 
Obviamente, Gomes parte da confusão entre significante e significado dos termos “esquerda” e “direita” sem se perguntar, afinal, “what’s left?”. É assim que a esquerda trabalha: dividindo a sociedade com discursos prontos e unificados pelo dog whistle, como já explicamos aqui.
Assim, toda vez que você critica algo, mesmo a maior violência (e cada vez conseguem mais violência, como mostra a teoria das janelas quebradas), acaba automaticamente caindo em outro grupo, pelo discurso deles. Vira “direitoso reaça”, “tucano”, “fascista”.
 
Tem sempre de justificar por que discorda de algo facilmente discordável, e é associado com o que mais odeia ser associado. É assim que a esquerda nos domina e nos prende.
E é por isso que esses protestos existem. Não por 20 centavos.
 
17 de junho de 2013
Flávio Morgenstern

POPULARIDADE DE DILMA DESABA DENTRO DO PT. MENSALEIROS E SIMPATIZANTES QUEREM A VOLTA DE LULA


Ontem à noite, no twitter, a hashtag #apoioDilma "não subiu". Morreu na praia. Normalmente, o PT colocaria as suas milícias virtuais a apoiar o movimento na internet. Não o fez. Grande parte do PT não quer mais Dilma. Quer Lula de volta.
 
Leiam, abaixo, matéria do Valor Econômico.

Lula e Dilma em evento pelos 10 anos do PT em Curitiba na semana passada: fomentadores de desavença vão do movimento sindical ao meio empresarial.
Um encontro recente reuniu sindicalistas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reclamavam do estilo da presidente Dilma Rousseff. Um deles sugeriu o retorno de Lula, que lhe respondeu com um palavrão. Foi quando Paulo Okamotto, braço-direito do petista, entrou na sala. Lula lhe disse: "Esses f... d... p... estão querendo que eu volte". Okamotto respondeu: "Não seria uma má ideia, presidente".
Lula, então, revidou com outro palavrão: "Ah, vá.... você também".

A postura de cada um nesse episódio é um bom retrato de como anda o ambiente no PT sobre o movimento "Volta Lula". Há petistas que sonham; sindicalistas que pressionam; e o próprio, que diz que não quer. A dúvida é se sua rejeição suportaria o risco de entregar o projeto de poder petista a outro grupo político antecipadamente, se essa ameaça for mais latente em meados de 2014. Como essa resposta hoje inexiste, a especulação permanece e aumenta, alimentada por incertezas na economia e queixas na base aliada, PT inclusive.

Para falar sobre o assunto com petistas é preciso primeiro romper uma barreira similar à existente quando abordados sobre o mensalão. A diferença é que, neste caso, eles querem falar. A partir daí, há dois grupos. Os que querem evitar que o assunto vá adiante, por receio de contaminar o partido, depois a base aliada, virar movimento político e tornar a ideia irreversível. E os que querem que ocorra exatamente tudo isso aí.

Esses compõem a maioria dos que o Valor conversou nas últimas duas semanas e têm ou já tiveram postos de destaque. Declaram coisas do tipo: "com Dilma não dá mais", "é um governo muito só", "de pouco diálogo", "ela não tem vínculo com ninguém no PT", "ela só se sustenta na sua popularidade", "tem muita gente insatisfeita com o método e com o conteúdo", "que acha que o modelo econômico adotado passou a concentrar renda, pois retira da sociedade e concentra em poucos setores da economia" e "o que dá segurança a ela é o PT e Lula".

Apontam que a solidão de Dilma no PT é bem medida pela condição em que se encontram os homens-forte de sua campanha. Dois estão longe dela. José Eduardo Dutra exerce um cargo apagado na Petrobras e Antonio Palocci continua a ser o elo do mercado com Lula, a quem entrega os relatos constantes de insatisfação do setor produtivo e financeiro com o governo Dilma - quando o próprio Lula não ouve essas críticas diretamente. O que sobrou, José Eduardo Cardozo, é um ministro da Justiça que desempenha mais funções burocráticas do que políticas.

Os relatos, porém, dão conta de que não se trata de um movimento interno organizado ligado a alguma corrente ou a algum Estado, embora revelem que ele seja mais perceptível no meio sindical, em especial na Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ou ainda em movimentos sociais, como a União Nacional por Moradia Popular e o Movimento Sem Terra. Todos que aderem a esta tese só aguardam uma faísca, um sinal, ou uma declaração pública de alguém que a defenda para que ela se espalhe e ganhe força.

Há a sensação ainda de que esse debate reservado tem reflexos nas discussões das eleições internas da legenda em novembro ou na montagem dos palanques estaduais. Por exemplo, em São Paulo, Dilma tem preferência pela candidatura de seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Os lulistas preferem Alexandre Padilha, da Saúde.

Na Bahia, o Palácio do Planalto patrocina as conversas para ceder a vaga ao vice, Otto Alencar (PSD). O próprio Lula apostava no ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli. Na disputa pelo diretório petista de Minas houve um racha. Os ex-ministros de Lula Luiz Dulci e Patrus Ananias apoiam Gleide Andrade, secretária estadual de finanças do PT-MG. Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, apoia o deputado federal Odair Cunha, vice-líder do governo no Congresso.
Por outro lado, os petistas que tentam conter o falatório em geral exercem ou já exerceram cargos de direção no partido e se preocupam com os efeitos negativos que dele podem decorrer.

"Uma coisa é muita gente achar que a Dilma tem que aprender com o Lula, outra é que trocar uma presidente bem avaliada por outro, é suicídio", "passaria a mensagem que ela não deu certo", "eles (Lula e Dilma) já decidiram isso", "não podemos permitir surgir qualquer fato que ajude a oposição", "é atirar para dentro do quartel" e "tem que ter cuidado para essas conversas de corredor não virarem clima político".

Esse grupo parte do princípio de que Lula já enterrou esse assunto e que retomá-lo, mais do que prejudicial, é contraproducente e sem resultado prático. Garantem que as eleições internas passarão longe deste tema e estarão muito mais centradas em discutir a relação do PT com o governo do que em substituir a presidente da condição de candidata à reeleição. "Será o momento e o espaço de expressar, de discutir a relação do partido com o governo. Hoje o diálogo está muito ruim, o partido não consegue expressar o conjunto de sua diversidade", disse um petista que acompanha de perto o chamado Processo de Eleições Diretas (PED).
 
17 de junho de 2013
in coroneLeaks

QUEM ESTÁ POR TRÁS DOS PROTESTOS "APARTIDÁRIOS"


1 - Protestos comandados por PSOL, PSTU e franjas radicais do PT possuem cunho ideológico
 
O jornalista Daniel Favero, Terra, assina a notícia a seguir, mas o editor registra que os protestos em Porto Alegre e nas outras capitais levam as assinaturas dos grupelhos comunistas alojados no PSOL, PSTU e PT.
 
A posição de todos eles não é reduzir os preços das passagens, mas conduzir ao passe livre, isto é, às passagens gratuitas, como lance politica e ideologicamente comprometido com a estatização da economia por completo - o comunismo.
 
Passe livre significa ônibus de graça, o que significa custos suportados por todos os contribuintes - mais e piores impostos para todos e não só para quem anda de ônibus. Como se sabe, 80% das passagens de ônibus já são custeadas pelas empresas, que liberam vales-transporte. 
 
Motivados pelos rumores de que a liminar que baixou o preço da passagem de ônibus em Porto Alegre (RS) será derrubada, e em solidariedade ao movimento de São Paulo, centenas de manifestantes se reuniram em frente à prefeitura da capital gaúcha na noite desta quinta-feira (13/6).
Munidos de cartazes, e alguns com os rostos cobertos, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a criminalização da manifestação, e faziam referências aos protestos na Turquia. "Acabou o amor, isso aqui vai virar uma Turquia", bradavam.
 
"Vem para luta contra o governo, somos povo e a passagem nós vamos baixar", eram as frases ditas pelos manifestantes acompanhados pelo som de tambores, e iluminados por sinalizadores.
 
Por volta da 18h, eles começaram a se reunir em frente à prefeitura, enquanto a Guarda Municipal montou um cordão de isolamento para evitar novas invasões. Já a Tropa de Choque a PM observava a alguns metros de distância a movimentação.
2 - Saiba quem está por trás do vandalismo político em curso no Brasil
 
O editor acompanhou atentamente todo o desenrolar das manifestações de rua ocorridas em São Paulo e em Porto Alegre nesta quinta-feira a noite (13/6). O que acontece em São Paulo é muito mais grave, mas ontem a noite a Polícia Militar inviabilizou a violência através de movimentos táticos impressionantes, afastando todos os grupos do grande palco que procuravam, a avenida Paulista.
 
Em São Paulo, as ações dos grupos agressivos da violência política possuem cobertura política que começa a ser bem identificada, porque o objeto das manifestações é claramente o de emparedar o governador tucano Geraldo Alckmin, livrando a cara do prefeito do PT, Fernando Haddad, que é a autoridade que decretou o aumento das passagens de ônibus.
Em Porto Alegre há inversão de mão: aqui, o objeto é o prefeito do PDT, José Fortunati, e o governador Tarso Genro, PT, é poupado até mesmo quando lança a Brigada no encalço dos manifestantes mais criminosos.
 
As ações de violência física que ocorreram em Porto Alegre e depois Fortaleza e Recife, mas agora também no Rio e São Paulo, começaram em Florianópolis durante o verão. A mídia localiza em Porto Alegre o início de tudo, mas isto é falso.
 
Sai tudo sob o manto protetor da marca "Movimento Passe Livre". O dono do negócio é um petista conhecido em Santa Catarina, que trabalha sob grossa irrigação de dinheiro público federal, portanto do governo do PT. Conheça o movimento via seu site: www.mpl.org.br.
 
O registro “Passe Livre” pertence a uma entidade chamada Alquimídia e tem um responsável: Thiago Skárnio, que começou tudo em Florianópolis. Alquimídia é financiada pelo governo Dilma: tem patrocínio do Ministério da Cultura, da Petrobras e pode captar recursos da Lei Rouanet.
 
No seu blog diário, o jornalista Reinaldo Azevedo informa hoje que Skárnio pertence a grupos que querem “o controle social da mídia”. Ou por outra: ele quer dinheiro da Petrobras, do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet e quer também controlar o que os outros podem ou não noticiar.
3 - Imobilizada com papai no Piratini, Luciana Genro cria ONG que participa da liderança dos protestos terroristas de São Paulo
 
Na edição desta sexta-feira o editor postou informações recentes que investigou em Porto Alegre e São Paulo, visando conhecer o destino da ex-deputada Luciana Genro, filha do governador Tarso Genro.
 
O editor pesquisava dados para a nota que postou sobre o julgamento da ação movida pelo empresário Humberto Busnello contra ela e seu companheiro, o vereador Pedro Ruas.
Nos diretórios do PSOL no RS e em SP, o editor obteve a confirmação de que ela viaja pelo Brasil, faz base atual em SP e promove sua campanha presidencial. No RS, ela não pode ser candidata a nada. É proibição da lei, que proíbe candidaturas de parentes do governador, visando impedir acumpliciamentos.
 
As notas estão logo abaixo.
A surpresa deste sábado é a seguinte nota disponibilizada pelo jornalista Reinaldo Azevedo:
 
- As coisas vão ficando cada vez mais divertidas. Nos distúrbios de rua, especialmente em São Paulo, a gente nota a presença ostensiva de bandeiras amarelas. Há ali a assinatura de um “movimento”, que tem página na Internet: chama-se “Juntos”. O endereço é juntos.org.br. Mais uma vez, fui fazer a divertida brincadeira de saber quem e o dono do registro. Tchan, tcha, tcham! 
 
Sim, trata-se de Luciana Genro, militante do PSOL, filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT). Ela anda um tanto afastada da política por razões de saúde, mas o vereador Pedro Ruas, de Porto Alegre, dá toda força à turma e a substitui com sobras. O “Juntos” é uma espécie de movimento social do PSOL. No “Quem somos”, eles se revelam (em vermelho).
 
O programa do braço social do PSOL avisa: “Juntos! é um movimento nacional de juventude. Surgiu no início de 2011 em São Paulo e vem conquistando a simpatia de jovens de todo o Brasil"
 
Reinaldo Azevedo revela que "basta que tenha uma causa, qualquer uma, e que se indigne com alguma coisa. Boa parte dos “revolucionários” modernos, estes que promovem a baderna em várias cidades brasileiras, com destaque para São Paulo e Rio, não têm mais, a exemplo de seus congêneres do passado, Karl Marx como referência. O marxismo, já afirmei aqui algumas vezes, é difícil. A leitura da teoria propriamente dita é chata. É diferente do Marx divertido de “O 18 Brumário” ou de “A Ideologia Alemã” — ainda assim, também esses livros são ignorados.
 
Fonte:  Políbio Braga
 
COMENTO:  do exposto, verifica-se que enquanto a PMSP, sob comando de um governador do PSDB, atua de acordo com seu papel de instituição policial, reprimindo os excessos cometidos pelos manifestantes, a Brigada Militar de Tarso Genro observa e garante o direito à manifestação dos manifestantes gaúchos.
Os vandalismos na capital gaúcha entram na conta dos otários que pagam impostos. Mas isso não representa ação partidária. Pelo menos é o que pensam os gnomos ajudantes de Papai Noel.
 
17 de junho de 2013

A GOTA QUE FALTAVA

  

Para entender melhor o que está acontecendo na rua, imagine que você é o presidente de um um país fictício. Aí você acorda um dia e resolve construir um estádio. Uma “arena”.
O dinheiro que o seu país fictício tem na mão não dá conta da obra. Mas tudo bem. Você é o rei aqui. É só mandar imprimir uns 600 milhões de dinheiros que a arena sai.
 
Esses dinheiros vão para bancar os blocos de concreto e o salário dos pedreiros. Eles recebem o dinheiro novo e começam a construção. Mas também começam a gastar a grana que estão recebendo. E isso é bom: se os caras vão comprar vinho, a demanda pela bebida aumenta e os vinicultores do seu país ganham uma motivação para produzir mais bebida. Com eles plantando mais e fazendo mais vinho o PIB da sua nação fictícia cresce.
 
Imprimir dinheiro para construir estádio às vezes pode ser uma boa mesmo.
Mas e se houver mais dinheiro no mercado do que a capacidade de os vinicultores produzirem mais vinho? Eles vão leiloar as garrafas. Não num leilão propriamente dito, mas aumentando o preço.
 
O valor de uma garrafa de vinho não é o que ela custou para ser produzida, mas o máximo que as pessoas estão dispostas a pagar por ela. E se muita gente estiver com muito dinheiro na mão, essa disposição para gastar mais vai existir.
 
Agora que o preço do vinho aumentou e os vinicultores estão ganhando o dobro, o que acontece? Vamos dizer que um desses vinicultores resolve aproveitar o momento bom nos negócios e vai construir uma casa nova, lindona. E sai para comprar o material de construção.
 
Só tem uma coisa. Não foi só o vinicultor que ganhou mais dinheiro no seu país fictício. Foi todo mundo envolvido na construção do estádio e todo mundo que vendeu coisas para eles. Tem bastante gente na jogada com os bolsos mais cheios. E algumas dessas pessoas podem ter a idéia de ampliar as casas delas também. Natural.
 
Então as empresas de material de construção vão receber mais pedidos do que podem dar conta. Com vários clientes novos e sem ter como aumentar a produção do dia para a noite, o cara do material de construção vai fazer o que? Vai botar o preço lá em cima, porque não é besta.
 
Mas espera um pouco. Você não tinha mandado imprimir 600 milhões de dinheiros para fazer um estádio? Mas e agora, que ainda não fizeram nem metade das arquibancadas e o material de construção já ficou mais caro?
Lembre-se que o concreto subiu justamente por causa do dinheiro novo que você mandou fazer.
Mas, caramba, você tem que terminar a arena. A Copa das Confederações Fictícias está logo ali…
 
Então você dá a ordem: “Manda imprimir mais 1 bilhão e termina logo essa joça”.
Nisso, os fabricantes de material e os funcionários deles saem para comprar vinho… E a remarcação de preços começa de novo. Para quem vende o material de construção, tudo continua basicamente na mesma. O vinho ficou mais caro, mas eles estão recebendo mais dinheiro direto da sua mão.
 
Mas para outros habitantes do seu país fictício a situação complicou. É o caso dos operários que estão levantado o estádio. O salário deles continua na mesma, mas agora eles têm de trabalhar mais horas para comprar a mesma quantidade de vinho.
 
O que você fez, na prática, foi roubar os peões. Ao imprimir mais moeda, você diminuiu o poder de compra dos caras. Inflação é um jeito de o governo bater as carteiras dos governados.
 
Foi mais ou menos o que aconteceu no mundo real. Primeiro, deixaram as impressoras de dinheiro ligadas no máximo. Só para dar uma ideia: em junho de 2010, havia R$ 124 bilhões em cédulas girando no país.
Agora, são R$ 171 bilhões. Quase 40% a mais. Essa torrente de dinheiro teve vários destinatários. Um deles foram os deputados, que aumentaram o próprio salário de R$ 16.500 para de R$ 26.700 em 2010, criando um efeito cascata que estufou os contracheques de TODOS os políticos do país, já que o salário dos deputados federais baliza os dos estaduais e dos vereadores.
Parece banal. E até é. Menos irrelevante, porém, foi outro recebedor dos reais novos que não paravam de sair das impressoras: o BNDES, que irrigou nossa economia com R$ 600 bilhões nos últimos 4 anos.
 
Parte desse dinheiro se transformou em bônus de executivo. Os executivos saíram para comprar vinho… Inflação. Em palavras mais precisas, o poder de compra da maioria começou a diminuir. Foi como se algumas notas tivessem se desmaterializado das carteiras deles.
 
Algumas dessas carteiras, na verdade, sempre acabam mais ou menos protegidas. Quem pode mais tem mais acesso a aplicações que seguram melhor a bronca da inflação (fundos com taxas de administração baixas, CDBs que dão 100% do CDI…, depois falamos mais sobre isso). O ponto é que o pessoal dos andares de baixo é quem perde mais.
 
Isso deixa claro qual é o grande mal da inflação: ela aumenta a desigualdade. Não tem jeito. E esse tipo de cenário sempre foi o mais propício para revoltas. Revoltas que começam com aquela gota a mais que faz o barril transbordar. Os centavos a mais no ônibus foram essa gota.
 
17 de junho de 2013
Alexandre Versignassi

TALVEZ O PROTESTO O REPRESENTE, LEITOR




Falar que as manifestações que perturbam a ordem em São Paulo, Rio e outras cidades são causadas apenas por uma diferença de R$ 0,20 é uma bobagem. É ater-se apenas a um dos sintomas de um perigo muito maior e corrosivo, que é a perda do controle da inflação.

Talvez estejamos assistindo ao primeiro grande protesto popular contra a desvalorização da moeda, o aumento trotante de preços e inconscientemente contrário à política econômica do governo Dilma. E é nisto que talvez tais protestos o representem, leitor, ligue você para os 20 centavos a mais na passagem ou não.

Economistas explicam assim o atual processo inflacionário: a melhor partilha da renda trouxe mais pessoas ao consumo – o que é ótimo –, mas não incentivou de maneira sólida a produção industrial, as exportações, a competitividade. A produção freou; o consumo não. Preços sobem, perde-se a noção do valor do dinheiro. Gasta-se mais, cobra-se mais ainda.

O maior problema é quando essa ciranda de preços se torna uma verdade autoevidente: o consumidor para de questionar os preços por aceitar que, no Brasil, “é assim mesmo” – seja no chope do bar da moda, seja no transporte público que até melhora, mas em ritmo lento.

Não que o Movimento Passe Livre pretenda se ver assim, como uma crítica macroeconômica à política econômica de Guido Mantega. Suas palavras giram em torno da ideia de que o transporte público seja bancado só pelos impostos, como a educação e a saúde. É filosoficamente interessante, mas uma olhada em escolas e hospitais públicos mostra que o desafio da qualidade sem ônus ao usuário, no Brasil, é utopia. E não há metrópole no mundo com um sistema de transportes inteiramente grátis.

Porém, a bandeira hoje é contra o aumento da passagem, que sim, foi guindado pela inflação – ainda que abaixo do índice do período. A rigor, não é preciso abraçar todos os ideais do MPL: basta questionar se o serviço vale o preço e o aumento – algo que deveríamos fazer em qualquer compra, em qualquer refeição, em qualquer serviço e que, por não fazermos, contribui para acelerar a roda do processo inflacionário.

Quando se reúnem 10 mil pessoas, o sentimento nunca é homogêneo: é claro que há universitários com iPhone, assim como há gente de periferia, movimentos partidários e simpatizantes independentes, e cada um leva às ruas seus motivos, intenções e interpretações. E os R$ 0,20 talvez sejam apenas o símbolo barato de uma discussão maior, à qual o Planalto deveria atentar.

Sou e serei contrário a todo tipo de vandalismo, assim como sou contra a violência policial. Mas a perturbação da "ordem" de um ciclo inflacionário calcado em inércia da política econômica federal é muito bem-vinda.
 
17 de junho de 2013
 Márvio dos Anjos

O GRANDE PROTESTO NACIONAL NÃO É SOBRE PASSAGENS DE ÔNIBUS

A juventude que vai às ruas no Brasil inteiro não se manifesta apenas contra passagens de ônibus. Já passou da hora de aceitar esse fato.

 
protesto fortaleza O grande protesto nacional não é sobre passagens de ônibusManifestantes em Fortaleza
 
Não, não se trata de vinte centavos na passagem de ônibus em São Paulo. E não se trata apenas de São Paulo: é nacional. Praticamente todas as regiões do país e suas grandes capitais são palcos desses protestos.
 
Quais as causas? São várias, inúmeras, e até mesmo um aspecto quase “sem causa” que, na verdade, é aquela motivação totalmente legítima de uma juventude que pretende fazer parte de algo grande e simbólico historicamente.
 
Mas, claro, há sim as motivações concretas. Claro que há. Dois textos ótimos circularam explicando o mesmo estopim. O querido Marvio dos Anjos tratou do tema em alguns tuítes que deram origem a esta bela análise; Alexandre Versignassi foi pelo mesmo caminho, de maneira bem didática.
 
Mas seria só a inflação? Creio que não. Ela é o estopim, a tal “gota d’água”. Há muito mais aí. São anos e anos de corrupção, de condenações que não resultam em nada, de dinheiro do povo indo pro bolso de ladrões enquanto os serviços públicos são uma porcaria.
 
E no país inteiro. Sim, os protestos, como já dito, tem amplitude nacional. E é exatamente por isso que a galera governista fica entre o repúdio-com-alguma-análise e a adesão-sem-dar-nome-aos-bois. Jovens de Fortaleza não vão às ruas porque São Paulo está ruim; jovens de Curitiba não o fazem por divergir de como está Brasília; jovens do Rio não estão inconformados com Salvador. E todos os vice-versa possíveis aí.
Aceitem os fatos, portanto: a revolta é nacional.
 
Criou-se a ideia de que o povo “aceita” os desmandos do governo, a corrupção impune, os mais variados escândalos, sempre em nome da popularidade dos mandatários. Governistas, não raro, respondiam às crises mais graves com pesquisas ou vitórias eleitorais.
 
Foi assim que cresceu essa geração que agora está nas ruas. Eles tinham de seis a doze anos quando o PT assumiu o governo e, agora, com capacidade e organização para ir às ruas, e sem aquele ranço idiota de quem estava na faculdade quando o governo era “neoliberal”, sabem MUITO bem o que está havendo e NÃO pretendem aliviar porque “há um projeto maior em curso” (a velha lorota dos que passaram esses dez anos encobrindo os desmandos do partido do coração).
 
O desespero também aparece no fato de que, pela primeira vez em muitos e muitos anos, o grande partido central não tem o menor controle sobre os manifestantes. Não são sindicatos ou entidade estudantil que recebem fábulas do governo, mas sim jovens que, no país inteiro, rebelam-se contra esse mesmo governo.
 
Assim, não se trata de vinte centavos em uma passagem. São dez anos de corrupção sem os responsáveis punidos, são os mais variados escândalos, são os gastos absurdos da Copa, são os preços que aumentam enquanto as pessoas perdem o poder aquisitivo…
 
A inflação é a gota d’água num balde de indignação e inconformismo NACIONAL que transbordou depois dessa década de abuso. A conta chegou agora e não adianta fingir desconhecer quem deve pagá-la. Aceitem a responsabilidade por tudo isso, pois parece estar acabando a “década do migué”.
 
Enfim, temos uma juventude corajosa e sem rabo preso com o partido do governo (até mesmo por memória afetiva de tempos colegiais). Os jovens-velhos que passaram esses anos todos encobrindo as mutretas não sabem o que fazer.
E isso é ótimo. O Brasil de fato precisava.
 
17 de junho de 2013
Gravatai Merengue

FRASE DO DIA



"É um jeito moleque do torcedor brasileiro. Qualquer político que fosse ao estádio e anunciassem o nome seria recebido da mesma forma."


José Guimarães (CE), líder do PT na Câmara, sobre as vaias a Dilma no Estádio Mané Garrincha

17 de junho de 2013

PT VAI ESCONDER DILMA DO POVO PARA EVITAR NOVA VAIA


A vaia recebida no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, está cercando de cuidados a participação da presidente Dilma Rousseff da final da Copa das Confederações, no Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 30 de junho.
A assessoria do Palácio do Planalto confirmou neste domingo que ela estará no estádio onde o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu manifestação semelhante em 2007, durante os Jogos Pan-americanos.
Aliados e integrantes do governo já decidiram que não haverá o tradicional discurso presidencial para evitar novos apupos.
A intenção dos petistas é solicitar à Fifa que a presença seja tratada de forma discreta. Além de evitar o microfone, anúncios da presença e imagens dela no telão não deverão ser mostradas. 
 
17 de junho de 2013
in coroneLeaks

VAIAS REAIS E VIRTUAIS EM DILMA


Além da inesquecível vaia dada em Dilma por 70.000 pessoas na abertura vista por um bilhão de telespectadores no mundo, no sábado, na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, a presidente também recebeu vaias virtuais.
 
A hashtag #chupadilma foi para os trends mundiais e ficou mais de 12 horas em primeiro lugar no twitter.
Como se não bastasse, as páginas da Assembleia Legislativa da Bahia, do Procon de Rio Verde (GO) e da Secretaria de Transportes de São Paulo foram alvo de um grupo de hackers ontem.
 
Nas mesmas, foram publicadas fotos da presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de abertura da Copa das Confederações e dos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo e no Piauí.
 
E as seguintes mensagens:
 
"Porque (sic) nosso governo anda agredindo tanto o povo? Afinal o que fizemos de tão ruim? Afinal, vivemos ou não em uma democracia? O limite acabou!! Inflação, corrupção, repressão, censura, tarifas, impostos? Copa? Para quem?". "Que se dane a copa do mundo. Eu não vou fingir para inglês' ver. E você Dilma? Porque (sic) chateada com vaias? Seu governo não vale 1% do nosso sangue e impostos!!", escreveram os manifestantes.
 
17 de junho de 2013
in coroneLeaks

SÃO PAULO, RIO, MINAS E DF TERÃO ATOS EM NOVA ONDA DE PROTESTO

Polícia de São Paulo quer negociar trajeto e manifestantes resistem
 
 
Dublin. Manifestantes ocuparam o principal parque da capital irlandesa Foto: reprodução/facebook
Dublin. Manifestantes ocuparam o principal parque da capital irlandesareprodução/facebook

Manifestantes e policiais estarão hoje, mais uma vez, frente a frente em São Paulo e em pelo menos outras três capitais do país – Rio, Brasília e Belo Horizonte. A quinta jornada de protestos contra o aumento das passagens na capital paulista, anunciada pelos organizadores como a maior até aqui, terá inicio no fim da tarde, no Largo do Batata, em Pinheiros. O governo estadual, preocupado com as consequências, abriu negociações, mas os líderes do Movimento Passe Livre (MPL) não aceitam discutir com as autoridades o percurso do protesto. O secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, garantiu que a polícia não usará a Tropa de Choque da PM, nem gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha.
O movimento espera a participação de 20 mil pessoas. Nas redes sociais, quase 190 mil haviam confirmado presença. Algumas sugeriam o uso de escudos e capacetes para se defender da polícia. Mas o governo, depois do desgaste sofrido pela atuação violenta da polícia nos últimos protestos, está agora agindo com cautela. O objetivo da reunião prevista para hoje com o MPL, explicou Grella, é permitir que a Polícia Militar possa planejar com antecedência a melhor forma de minimizar os transtornos à cidade. Na quinta-feira passada, foi o descumprimento de um acordo feito entre líderes do grupo e a PM sobre o percurso que provocou o confronto.
 
— O fundamental é definirmos o trajeto. É a melhor maneira de reduzir o incômodo para o restante da população e de proteger os próprios manifestantes. Com isso, faremos um ordenamento do trânsito, com bloqueio de ruas e adjacências — afirmou.
 
Mas os organizadores relutam em negociar o percurso:
 
— Estamos abertos ao diálogo, mas acreditamos que os manifestantes são os responsáveis por definir o trajeto. O papel da PM é garantir a liberdade do povo de se manifestar, e nós vamos ocupar vias importantes da cidade, sobretudo porque devemos reunir cerca de 20 mil pessoas — disse Mayara Vivian, integrante da linha de frente do MPL.
 
Para reunir o maior número de manifestantes em São Paulo, os organizadores contam com a adesão de entidades ligadas à Central Sindical e Popular-Conlutas. No perfil do movimento no Facebook, pessoas defendiam o direito de levar vinagre, usado para reduzir os efeitos do gás lacrimogêneo. O secretário de Segurança, contudo, garantiu que o produto não será necessário diante da expectativa de uma passeata pacífica, sem a Tropa de Choque. O número de policiais que estarão nas ruas para acompanhar o protesto não foi divulgado.
 
— Não vai precisar de vinagre porque não vai ter bomba — disse Grella.
 
Por precaução, a estação do metrô Pinheiros, ponto de partida da passeata, ontem já estava cercada por tapumes. A concessionária informou que o objetivo é “proteger o patrimônio público e resguardar a segurança de seus usuários”. Ontem, jovens se reuniram para Praça Roosevelt para confeccionar cartazes.
 
Protesto na estreia de BH na Copa
 
Manifestações menores, em solidariedade ao ato de São Paulo, deverão ocorrer em mais três cidades. Em Brasília, o grupo pretende se reunir em frente ao Museu Nacional, na Esplanada, às 16h, e seguir para o Congresso. No Rio, o ato começará na Candelária, partindo provavelmente pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Em Belo Horizonte, a mobilização acontecerá no dia da estreia da capital mineira na Copa das Confederações. A concentração está marcada para as 13h na Igreja São Francisco de Assis, próxima do Mineirão.
 
Os mineiros vão protestar apesar de uma proibição judicial. Na última quinta-feira, liminar do desembargador Carlos Augusto de Barros Levenhagen, do Tribunal de Justiça, a pedido do governo estadual, proibiu qualquer tipo de manifestação no estado durante o evento esportivo.

17 de junho de 2013
Roberta Scrivano e Sílvia Amorim - O Globo
Colaboraram: Letícia Fernandes (Rio), Vinicius Sassine (Brasília) e Ezequiel Fagundes (Belo Horizonte)