"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 29 de junho de 2013

CADÊ A ESTADISTA?

Foto: Roberto Stuckert filho

Na manhã da última quarta-feira, num dos muitos encontros políticos do “pacto nacional” que prometera na TV dias antes, a presidente Dilma Rousseff aceitou receber para uma conversa, no Palácio do Planalto, os presidentes das principais centrais sindicais do país.

Não houve papo. Dilma defendeu, por 40 minutos ininterruptos, a proposta que sacudira o Brasil nos últimos dias: uma reforma política com participação popular.

Em seguida, determinou que cada convidado teria apenas dez minutos para dizer o que pensava – mas nem tanto. Wágner Freitas, presidente da CUT, central ligada ao PT, queria falar. Até tentou, mas foi interrompido algumas vezes por Dilma.

No momento em que Dilma parecia hostilizar qualquer contribuição que destoasse do que ela, na verdade, já decidira, era inevitável para alguns dos presentes lembrar o pobre sindicalista Artur Henrique, ex-presidente da CUT.

Em maio do ano passado, numa das raras vezes em que Dilma pediu a opinião dos sindicalistas para qualquer coisa, Henrique ousara criticar uma medida do governo. “Você está falando besteira, cala a boca!”, disse Dilma.

Desta vez, não houve grosseria. Mas sobrou rispidez – e constrangimento. No meio da reunião, um participante quis ir ao banheiro ao lado da sala, no 3° andar do Planalto. Um segurança aproximou-se, meio sem graça: “Amigo, não usa esse banheiro, vai no lá de baixo”. O sindicalista quis saber por quê. “É que, quando dá descarga, a presidenta fica muito brava com o barulho”, disse o segurança.

À medida que a reunião transcorria, quando algum sindicalista ia ao banheiro, outro soltava a piada baixinho: “Ela vai meter o braço em você...”. Não demorou para que Dilma interrompesse a conversa. “Meu tempo acabou, meu tempo acabou, não dá mais para vocês falarem”, disse.

A reunião durara menos de duas horas. Os sindicalistas saíram do gabinete presidencial convencidos de que Dilma os despreza. Saíram, também, sem entusiasmo por qualquer pacto – e sem vontade de voltar.

A personalidade de Dilma – a caminho de completar seu terceiro ano de mandato, com dez de Brasília nas costas e metida na mais grave crise política brasileira desde o mensalão – tornou-se um problema para o país.
Não apenas por causa dos abundantes episódios de rispidez com políticos e subordinados – mas, sobretudo, porque esses episódios revelam uma presidente inflexível, aparentemente incapaz de se curvar ao erro, mesmo quando confrontada com as vozes das ruas, que agora chegam a poucos metros do Planalto.

Revelam uma tecnocrata obstinada, não uma estadista consciente de que, para liderar o país num momento de crise, é preciso genuinamente buscar o diálogo não apenas com a população, mas também com todas as forças políticas que compõem a democracia brasileira.

Se o Brasil estivesse no rumo certo, as inquebrantáveis convicções de Dilma – nas opções de política econômica, na centralização obsessiva da gestão do governo, no desprezo pelos políticos – poderiam ser consideradas corretas. Mas o Brasil está no rumo certo?

Não há maquiagem na propaganda oficial que consiga camuflar os problemas no governo, apesar de os gastos com esse quesito estarem em alta no Planalto (de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as despesas com o visual da presidente subiram 681% desde dezembro de 2012 e somam R$ 3.125 a cada aparição de TV em cadeia nacional).

A aprovação de Dilma entrou em parafuso depois que as manifestações começaram. Um dos registros é do instituto Ideia, ligado a marqueteiros que trabalham para a oposição.
Antes das manifestações, 72% dos entrevistados consideravam o governo Dilma bom ou ótimo. Agora, são 46%. Houve impacto também na intenção de voto.

Há duas semanas, Dilma tinha 54%. Caiu para 44%. Marina Silva (Rede) ganhou 4 pontos percentuais e foi para 24%. Aécio Neves (PSDB) somou mais 2 e foi para 20%. Eduardo Campos (PSB) tem 5%. A avaliação de governadores e prefeitos de capitais caiu 30 pontos, em média.

Levantamentos feitos nos Estados por outros institutos também mostram o derretimento dos governantes. Dados em mãos do PT baiano a colocam no patamar dos 30 pontos. No Amazonas, ela ficou com 32. Esses números começam a lançar sementes de dúvidas sobre sua reeleição e impõem a necessidade de mudança em seu comportamento para recobrar o rumo político. Mas, sem reconhecer erros, será possível mudar?

 29 de junho de 2013
(Trecho da reportagem de capa da revista ÉPOCA deste fim de semana)

"GENERAIS-DITADORES" BRASILEIROS MORRERAM SEM DINHEIRO, ENQUANTO LULA...

O momento é mais do que oportuno para republicar um post do jornalista Carlos Chagas, de
17 de julho de 2012, que o comentário do Fernando Arenas Jabur  desencavou dos arquivos do blog.
Oportuno porque no momento em que a nação, não suportando mais a quadrilha que se apossou do Estado, grita e se rebela nas ruas contra a vergonhosa corrupção e desgoverno a que chegamos, nada mais justo, quando se tem uma "comissão da verdade" esforçando-se para denegrir as Forças Armadas, olhando apenas para o lado 'direito', omitindo ou fazendo de conta que não existe o lado 'esquerdo', afrontando o país com as suas meias verdades, escondendo debaixo do tapete a face da verdadeira história dos difíceis anos da Revolução, trazer à luz o caráter e a honestidade dos que buscaram governar e administrar a ordem num país sublevado.
No momento em que o Brasil abriga o Fórum de São Paulo, promovendo e disseminando a nova ordem comuno-fascista na América Latina, o Brasil dá a impressão de que acordou, discordando da babel e clamando pela renovação, que somente se fará mediante uma séria Reforma Política.
Republico, pois, o post do jornalista Carlos Chagas, como uma referência ética que deve pautar o comportamento do Congresso e dos parlamentares.
m.americo


*** *** ***

Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis.
Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estrutura materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos.
Mas uma evidência salta aos olhos.
Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas.
Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.
Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.
Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.
João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos depois colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.
Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram, nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas.
Bem diferente dos tempos atuais, não é?
Por exemplo o Lulinha, filho do Lula, era até pouco tempo atrás funcionário do Butantã/SP, com um salário (já na peixada política) de R$ 1200,00 e hoje é proprietário de uma fazenda em Araraquara, adquirida por 47 milhões de reais, e detalhe, comprada à vista.
Centenas de outros políticos, também trilharam e trilham o mesmo caminho.
Se fosse aberto um processo generalizado de avaliação dos bens de todos os políticos, garanto que 95% não passariam, seria comprovado destes o enriquecimento ilícito.

QUEDA DE DILMA: AVALIAÇÃO DE "PÉSSIMO E RUIM" JÁ SUPERA "ÓTIMO E BOM" NO SUDESTE


O Sudeste tem 43% dos eleitores. Na região, o Datafolha aponta Dilma Rousseff com apenas 26% de "ótimo e bom" contra 30% de "ruim e péssimo". A queda foi brutal na região: 35% em 90 dias.

O Sul, que possui 15% dos eleitores, apresenta um empate técnico: 30% de "ótimo e bom" contra 29% de "péssimo e ruim".

No Norte e Centro-Oeste, o quadro ainda e mantém positivo para Dilma: 29% dão "ótimo e bom" e 25% cravam "péssimo e ruim" na avaliação. O Centro-Oeste tem 7% dos votos do país.

Como sempre, o Nordeste é a região que melhor avalia o governo: 40% avaliam o governo como "ótimo e bom", enquanto apenas 19% consideram o governo de Dilma "péssimo e ruim". A região tem 27% dos votos do país.
 
29 de junho de 2013
in coroneLeaks

A FARSA DE ESTELA E O RETROCESSO REVOLUCIONÁRIO


Nos últimos dias a camarada Estela (*) teve uma recaída de tempos de outrora, quando militava em organizações “revolucionárias”. Desejava o que todos desejamos, o bem comum e liberdade.
Naquele período histórico, que ela tenta contar diferente do acontecido, ela podia produzir tramas de engodo e dissimulação. Agora, tais artifícios podem conduzir á morte política a presidente Dilma, sua interface com o mundo republicano e democrático, além de levar o país à ruína e ao caos social.
 
Ao protagonizar protocolares reuniões com ministros, assessores, governadores e prefeitos e outros entes da classe política, à guisa de encaminhar soluções para a crise política que está levando, faz pelo menos três semanas, multidões às ruas para protestar contra a anomia instalada no país, além do descalabro em que se encontra o Brasil, em termos de saúde e segurança públicas, educação, transporte e outros itens de infraestrutura, a camarada Estela (não era Dilma quem lá estava, quase certeza), produziu tremenda tentativa de desvio de foco.
 
Eximiu–se de responsabilidade, transferindo-a para os assistentes de seu discurso, para o Legislativo e para o Judiciário. Como nos velhos tempos, o problema é dos outros e a revolução foi perdida porque o povo não prestava.
 
O conhecimento popular reza que todo mentiroso usa de três artifícios básicos: a transferência de responsabilidade, a construção de uma estória lógica e o desvio de foco do assunto. Aliás, isso era até treinado em organizações subversivas para uso quando o militante fosse preso ou abordado pelos homens da lei. Mas ali estava Estela, não Dilma.
 
Agora a mídia só fala de referendo, plebiscito e constituinte. Não exatamente os problemas que geraram a crise ou são da alçada do Executivo republicano.
 
Especialistas de todas as plumagens discutem diante das câmeras das emissoras de tevê, em termos de “advocatês” clássico, o que o povo não está perguntando, no momento.
 
O que o povo quer saber é porque foram construídas monumentais arenas de espetáculos enquanto a população morre á míngua à porta de paupérrimos hospitais e postos de atendimento, uma vez que de saúde nunca foram, porque não tem transporte barato e atendimento digno no serviço público.
 
Será que essa resposta vai ficar no esquecimento tal e qual o destino dado ao dinheiro que a organização da camarada Estela roubou da casa da amante de um governador de estado na década de 1970 (1968)? Bem, não adianta criticar o governador por ter amante e guardar dinheiro, pois, afinal, o mentor da camarada, um grande “cumpanheru”, e o comandante Daniel (**) também tiveram amantes e guardaram (e gastaram) dinheiro com elas.
 
O que o povo quer saber é porque o valor dos recursos gastos com suas viagens, camarada Estela, é sigiloso. Talvez seja porque essa era a conduta na clandestinidade revolucionária. O comandante Daniel também assim procedia e chegou a praticar isso quando no governo, em larga escala. Que treinamento eficaz esse, hem. Nunca mais foi esquecido.
 
O que o povo quer saber, camarada, é porque a Sra, em nome de Dilma, nomeia famigerados corruptos para ministérios “porteiras fechadas”, feitos capitanias hereditárias socialistas, entre partidos da base aliada, especialistas em dar sumiço em milhões de reais do orçamento da república que a Sra e outra “cumpanhera” vivem a destinar-lhes. Essa esquerda sempre foi muito dividida, não é, camarada Estela?
 
O que povo quer saber é porque a Rose “Bunduda” (era assim que eles a chamavam), amiga do “cumpanheru” e do comandante Daniel, foi inocentada e seus gastos como acompanhante de luxo também foram considerados sigilosos. Será que a mania de estruturas clandestinas persiste?
 
O que o povo quer saber é porque o governo brasileiro fez acordos milionários com uma organização privada – a tal de FIFA - repleta de denúncias de corrupção, praticamente se submetendo a seus critérios de gestão para realizar um grande circo internacional onde não existe pão para todos. Será que os fins ainda justificam os meios no mundo democrático e republicano? Será que o acúmulo de capital não é mais pecado para os comunistas modernos, alguns deles ministros de sua interface Dilma?
 
O que o povo quer saber é porque agora suas manifestações são infiltradas por vândalos arruaceiros, ladrões, degenerados e outras designações que seus camaradas lhes atribuem, enquanto, em outros tempos, tais atos eram considerados “revolucionários”, embora sejam de natureza semelhante? Mudou a cartilha, camarada Estela?
 
O que o povo quer saber é porque o Ministério Público não pode investigar. Será que é porque “cumpanherus” mensaleiros, graças aos bons procuradores e aos diligentes delegados, associados em forças tarefas, conseguiram suas condenações e eles estão em vias de reunirem onde a esquerda melhor se une: na cadeia?
 
O que o povo quer saber é porque o camarada Geraldo (***), mesmo condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa, foi nomeado por Dilma para função pública em Instituição federal das mais importantes e sérias de seus 39 ministérios? Será que a técnica de desmoralização das instituições nacionais, muito usada por sua organização, ainda é empregada?
 
O que o povo quer saber, camarada Estela, é porque foram perdoadas dívidas milionárias de governos ditatoriais em países africanos e de Cuba, enquanto aqui se morre exatamente por falta de recursos. Será que a Sra. e seus companheiros estão pagando dívidas de gratidão para com esse país centro-americano por ter ele financiado a morte de pessoas, as expropriações, os assaltos, a subversão da ordem, os justiçamentos, as ocupações de prédios públicos e parte de toda a desordem que varreu o Brasil entre os anos 1960 a 1980?
 
Bem, camarada Estela, o que o povo quer é a verdade e que lhe seja devolvido o que é devido. O que povo quer é respeito a seus direitos. O que o povo quer é menos corrupção e menos desfaçatez dos políticos. Apenas o que a democracia republicana lhe assegura. Melhor agir, camarada.
 
As manifestações podem levar ao fim de um regime que caminha para a consolidação democrática e que a Sra. disse defender em anos passados. Em outros tempos, também o comandante Daniel se eximiu de responsabilidades pelo fracasso de sua organização clandestina, retornou a Cuba enquanto seus companheiros eram dizimados pelas forças da lei.
 
A Sra., camarada Estela, pode estar abandonando a companheira Dilma. A Sra. e seus companheiros já lutaram contra o povo uma vez e perderam. Chame seus colegas políticos às falas. Faça-os entender que o movimento das ruas se processa na direção deles.
 
29 de junho de 2013
Marco Antonio dos Santos é
Empresário e professor universitário

PILOTO DA FAB É PUNIDO POR LEVAR NA POLTRONA URSO DE 2 METROS DE ALTURA QUE DILMA GANHOU DE PRESENTE



Um mimo gigante presenteado por empresários paulistas à Presidenta Dilma Rousseff da Silva, na semana em que a profusão de magapasseatas apavorava o governo, ajudou a alimentar uma crise na relação com as Forças Armadas. Um oficial da FAB acabou punido por ter aberto a enorme embalagem que continha um pesado urso de pelúcia, com dois metros de altura, ganho pela chefona-em-comando dos militares.
O caso do “Ursão da Dilma” alimentava ontem as piadas sérias entre oficiais generais acerca do governo. Também foi razão para muito mais tensão no Gabinete de Segurança Institucional – de onde a suposta revelação sobre o presentão pode ter vazado para os meios militares. Na Força Aérea, virou motivo de revolta, apenas porque o piloto, obrigado a levar o bichão de São Paulo até Brasília, teve a criativa ideia de desembalar o ursão para transportá-lo sentado, como um passageiro ilustre, em um dos jatos que serve à Presidência da República.
Para que pode servir um Urso de pelúcia com dois metros de altura? Embora o animalzão de pelúcia tenha o tamanho do abraço que a sociedade em protesto está dando no governo, a serventia prática de tal brinquedo para uma Presidenta da República parece nenhuma. Até para Dilma repassar o Ursão para seu netinho a coisa parece o exagero. De concreto, o presente para Dilma se transformou em um problema logístico para o GSI – que zela pela segurança da Presidenta.
Nas galhofas indiscretas de oficiais generais da ativa, rolava uma perguntinha irônica, com resposta previsível: qual seria o recheio de um ursão daquela dimensão? Ao saber da inusitada ocorrência, um militar até ensaiou uma resposta condigna: “Vai ver é brinquedo, não – como dizia a personagem de uma novela da Rede Globo”. A Ordem no Palácio do Planalto é não falar do assunto. Mas, agora, o medo é que vazem fotografias do bichão sendo transportado – o que pode alimentar a oposição e a turma das passeatas sem fim.
Também não parece brincadeira outra bomba que pode explodir na onda de desmoralização contra o governo. Um dossiê – cuja ameaça de divulgação pairava ontem sobre o Congresso – pode confirmar mais um grave vício de parte da classe política. A mania de promover orgias em festinhas de embalo, antes da tomada de importantes decisões, em Brasília.
O dossiê – que estaria nas mãos de um megaempresário transnacional – compromete, diretamente, a imagem de pelo menos 7 senadores e mais de 30 deputados federais - todos usuários diários de drogas pesadas. O caso pode revelar um obscuro tráfico de drogas no Congresso Nacional. Os políticos viciados costumam comprar e usar os entorpecentes em programas sexuais particulares e bacanais para classe A, em mansões de Brasília.
A maioria dos políticos que participam de tais orgias regadas a drogas e sexo costumam traficar mais que a costumeira influência. Nas farras, costumam ser decididos grandes negócios que rendem polpudos “mensalões”. Alguns participantes mais carentes até cometem o erro primário de se apaixonar pelas caríssimas garotas de programa que lhe servem sexualmente. No clima de paixão, bebedeira e doideira, acabam revelando o que não deveriam. Os segredos de alcova, que se transformam recheios dos dossiês, também os torna alvo constante de extorsões.
A estranha estória do ursão presidencial e a droga dos políticos em Brasília (perdão pela redundância da expressão) são apenas alguns componentes do sério anedotário da mais grave crise institucional vivida pelo Brasil. Ainda seremos obrigados a assistir a coisas inimagináveis de agora até a sucessão presidencial em 2014...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

29 de junho de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

MAIS UMA VITÓRIA DA LBB


           Povildo – leão vegetariano que tornou-se o mascote da LBB
Parabéns a todos os brasileiros membros da LBB – a Legião Brasileira de Bobalhões. Mais uma conquista alcançada em 2013 agora nos orgulha perante o resto do mundo..Temos a “festa da democracia com voto obrigatório,” temos “a greve sem prejuízo da população” e finalmente conquistamos a “manifestação de protesto sem violência”.
Essas linhas vão ser sobre isso, meus amigos, mas sem esquecer as homenagens tradicionais aos expoentes da “Unidiversidade” Pública Brasileira – uma instituição onde a única coisa que se ensina é “que todos tem o direito de entrar nela.” Aproveito também a oportunidade para apresentar aos leitores o mascote da LBB – Povildo, o leão vegetariano. Peço que seja tratado com todo respeito e informo que ele porta o lema da instituição – “Mais importante do que acreditar em alguma coisa é não ter preconceito contra todas as outras”.
Povildo, o nosso leãozinho, foi trazido para o Brasil depois de uma visita que Paulo Freire fez à África por ocasião de uma conferência intitulada “Agressão física ao professor brasileiro como direito do estudante oprimido”. Ainda filhote, nosso mascote foi amamentado no seio com leite da própria professora Marilena Chauí e cresceu feliz lendo Luiz Fernando Veríssimo enquanto escutava Chico Buarque...
Na adolescência foi trazido aqui para Porto Alegre e encantou os estudantes das Faculdades de Filosofia e História da UFRGS. Deixou na época, através de seu estilo predileto que são os aforismas, grandes lições. Disse ele que “o importante é o principal; todo o resto é secundário” e causou alguma polêmica afirmando que “os resultados são indissociáveis do processo que a eles  conduzem”. 
Nem tudo foram flores na vida de Povildo – vítima de uma profunda crise religiosa, ele chegou à conclusão definitiva de que o importante é ir à Igreja Católica aos domingos, frequentar a Universal na quarta, e visitar o terreiro da Mãe Joana na sexta-feira sempre,  é claro, mantendo amizade com seus amigos ateus e trocando e-mails até hoje com os satanistas.
Em 1989 Povildo foi visto aqui na cidade usando algumas pedras do Muro de Berlin para fazer reparos na Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Sumiu de vista durante algum tempo até ser fotografado uma vez com o jogador Edmundo, quando esse dizia-se preocupado com a violência no futebol, e com Axl Rose quando esse afirmou estar entristecido com as letras agressivas no rock de Los Angeles.
Povildo, para que não conhece, é um animal tranquilo...Nunca se acorda antes da 11 da manhã e independentemente da casa em que se encontre, seu dono sempre lhe entrega a Folha de São Paulo para que seja interpretada e lida em voz alta pelo nosso leão. Costuma comer alface e tomar sempre água mineral francesa nas refeições enquanto escuta Ênia como trilha sonora de fundo e passa os olhos despreocupados sobre o último livro de Paulo Coelho.
Uma das poucas peculiaridades que tem é que, quando doente, não se sabe bem por que, torna-se feroz se levado ao SUS e já se mostrou agressivo perto de escolas públicas e paradas de ônibus. O fenômeno recente mais interessante na vida do leão aconteceu em outubro de 2012 quando cerca de 190 milhões de brasileiros pararam de fazer absolutamente qualquer coisa que estivessem fazendo para ver o que aconteceria com “Carminha” no final de “Avenida Brasil”.
 
Muitos amigos meus informaram ter visto Povildo rondando suas casas naquela noite e até hoje a questão gera lendas urbanas..depois disso o bicho desapareceu outra vez até que agora, em junho de 2013,  escutou-se um rugido fenomenal que “acordou o país inteiro”..era Povildo indignado porque sua salada de alface estava mal temperada e a água mineral que lhe serviram não estava na temperatura correta...
Dedicado à Laura, minha filha de 4 aninhos...

29 de junho de 2013
Milton Pires é Médico.

VALORIZAÇÃO REAL


Por qual motivo temos que acelerar tanto as coisas? Seria melhor esperar os fatos e fenômenos acontecerem naturalmente na sua devida ordem hierárquica e cronológica.
 
As pessoas perderam a noção do verdadeiro sentido da palavra “valor”. Não importa mais o quanto você deseja desde que seja recompensado em seguida.
 
Segundo o dicionário, o sentido de valor comentado neste texto refere-se ao caráter dos seres pelo qual são mais ou menos desejados ou estimados por uma pessoa ou grupo.
 
Por isso tem tanta gente querendo acelerar seus quinze minutos de fama profetizados por Andy Warhol. O importante não é o valor financeiro senão o valor da exposição. Sempre visando uma exposição com retorno financeiro imediato.
 
Mas isso pode ocorrer em vários níveis. Na escola sempre tem aquele indivíduo que força para obter a atenção dos outros. No trabalho não é muito diferente. Numa festa ou reunião de pessoas, muitas vezes há a disputa por quem é o mais palhaço.
 
Essa metralhadora de purpurina e colares de melancia são necessários mesmo?
 
Então, o valor de alguém está relacionado ao quanto ele consegue chamar a atenção em contraponto daquele que faz questão de exercitar suas virtudes e competências inatas.
 
Um belo traseiro uma hora despenca. A sabedoria e a experiência só tendem a aumentar.
Desta maneira, em nossa sociedade, o falso valor está naquele que diz saber. Por outro lado, aquele que sabe é o que esperou o gelo derreter. No final das contas, bebe mais numa temperatura adequada para acalmar a sede.
 
29 de junho de 2013
Fabrizio Albuja é Jornalista e Professor Universitário.

SINAL DE ALERTA


Temos de estar atentos às armadilhas que rondam o atual momento do “despertar” coletivo para os problemas que nos afligem desde a implantação da república.

1 – Encontrar uma forma ágil de exibir para a polícia quem são os baderneiros e ladrões que denigrem o movimento durante as passeatas ordeiras.

2 – Não promover passeatas diárias na mesma cidade ainda que existam propósitos claros que a justifiquem. Nem todo dia será possível reunir 200.000 pessoas e a queda (mesmo de 10%) de participantes dará a impressão que o movimento está perdendo força.

3 – Não aceitar referendos que apenas servem para apoiar ou não decisões “costuradas” entre os políticos que se sentem ameaçados com a pressão popular e criam factóides para embromar a galera já esgotada.

4 – Rejeitar plebiscito com menos de 5 questões.

5 – Exigir que as questões sugeridas no plebiscito tenham sido aprovadas preventivamente por meia dúzia de entidades civis ainda com crédito na sociedade.
Isto posto, mantenhamos a atenção focada nas ratazanas que certamente estão em busca de montagens circenses para distrair o povo já saturado de tantas fantasias.

29 de junho de 2013
Haroldo P. Barboza é Professor e Escritor.

MÍDIA COMPRADA



Lula pagava para blogueiros chapas-brancas elogiarem governo 
 
A solução Lula – No meio do turbilhão da crise, louve-se a sinceridade do deputado petista, André Vargas, vice-presidente da Câmara.
Na reunião de ontem entre Rui Falcão e a bancada do PT na Câmara, Vargas foi direto ao ponto. Discutia-se a falta de diálogo entre o governo Dilma e a sociedade. Disse Vargas, conforme O Globo de hoje com, repita-se, impressionante sinceridade:
- A comunicação do governo é uma porcaria. O Lula mantinha uma canalização de recursos para alguns blogs e a Dilma cortou tudo.
 
O que Vargas está dizendo na maior cara-de-pau é exatamente isso: Lula dava um dinheirinho de verba pública para blogueiros chapas-brancas elogiarem o governo. E sugerindo a Dilma que acalme esses mesmo blogueiros dando-lhes uns trocados.
 
Mais que uma “solução petista”, a sugestão de Vargas é uma espécie de denúncia. (Radar On-line)

http://www.jornaldamidia.com.br/2013/06/26/lula-pagava-para-blogueiros-chapas-brancas-elogiarem-governo/#.Uc3cUm2XRhF
 
29 de junho de 2013
in mario fortes

UM DOS "PAIS DO REAL" PREVÊ ESTAGFLAÇÃO


A consequência provável é que os pibinhos que se vêm se manifestando desde 2011 continuarão a mostrar sua cara feia neste e no próximo ano. Não é só a cara, o nome também é feio: trata-se da estagflação, uma combinação de estagnação com inflação.
O governo colhe os frutos de se ter comportado como o proverbial aprendiz de feiticeiro. Brincou com a inflação que tanto custou a ser contida há 19 anos, ao promover uma expansão descontrolada do crédito dos bancos públicos e dos gastos governamentais, ao postergar os reajustes dos preços controlados e ao não deixar o Banco Central atuar a tempo para conter a alta dos preços.
Agora terá que lidar não só com as novas demandas populares mas também com a estagflação que ronda a economia.

29 de junho de 2013
Edmar Bacha, em artigo em O Globo

PDT E PSB DESISTEM DE APOIAR O PT NO PLEBISCITO



Carlos Lupi, presidente do PDT, já disse que o partido não aprova o voto em lista fechada, sonho de consumo do PT golpista. Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara dos Deputados, desqualificou o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, que foi à reunião com Dilma e se propôs a sediar encontro na quarta-feira.
 
"O PSB não vai se agarrar a frente alguma. Vamos defender na reforma política nossas próprias posições'', diz o deputado gaúcho, com aval de Eduardo Campos.
 
A bancada do Senado seguirá essa orientação. É hora de estraçalhar o partido do Mensalão, no bom sentido. Sem o apoio das ruas e com os aliados livres para tomar o seu caminho, nunca na história deste país haverá oportunidade igual.
 
29 de junho de 2013
in coroneLeaks

TEMENDO NOVA VAIA NO CURRÍCULO, DILMA NÃO VAI AO MARACANÃ

BRASIL – Povo nas ruas
A presidenta está com medo de circular no meio do povo brasileiro. A certeza era absoluta que não seria bem recebida no Maracanã. Aliás, sua ausência frustra o torcedor, que antes do jogo gostaria de exercer os eu direito de vaiar sua Excelência. A assessoria diz que ela está ocupada e por isso vai ficar em Brasília escondida no fundo do poço. Temos certeza que mesmo com a sua ausência o povo vai dar um jeito de vaiá-la simbolicamente, ela merece.

Úúúúúúúúúúúúúúúúúúúúú!
 
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Ao lado do presidente da FIFA, Joseph Blatter, a presidenta Dilma Rousseff, tenta fazer cara de paisagem, ao ouvir as vaias na abertura da Copa das Confederações no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
 
A presidente Dilma Rousseff, como esperado, decidiu não comparecer, neste domingo, ao jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confederações. A ideia inicial de Dilma era estar presente no Maracanã no encerramento do campeonato, mas, depois das sonoras vaias, em Brasília, na abertura da competição, no estádio Nacional (Mané Garrincha), e das manifestações populares, mudou de ideia e resolveu esconder-se do povo.

Foi avaliado que o público dominante no Maracanã seria hostil à sua presença, e as chances de se repetir as vaias da abertura da Copa das Confederações, eram de 100%.

É uma pena, pois o Rio de Janeiro, estado onde os torcedores são ainda mais irreverentes, poderiam desfrutar da glória de ter vaiado dois presidentes petistas, no exercício do mandato, já que em 2007, o seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi vaiado no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos.

Não há uma justificativa oficial para a mudança de planos da presidente. Vão ficar inventado desculpas que ela vai ficar trabalhando no texto das perguntas para o plebiscito, na elaboração das regras para contratação dos médicos estrangeiros e se preparando para uma reunião ministerial.

No dia seguinte às vaias, em Brasília, na capital federal, os auxiliares diretos da presidente Dilma asseguraram que ela não se intimidaria e estaria presente na final. Mas os planos mudaram com a ampliação dos protestos, principalmente em volta dos estádios, e levaram a presidente a desistir de ir ao Rio de Janeiro para não ganhar uma nova vaia no currículo.

A previsão de estar no Maracanã neste domingo, para a final da Copa das Confederações, chegou a entrar na previsão de agenda da presidente Dilma, mas sumiu do sistema de informações.

O escalão precursor, que viaja antecipadamente para verificar as condições da cidade a ser visitada pela presidente, nem chegou a ser acionado. Na noite de sexta-feira, a informação oficial era que Dilma não iria ao Rio de Janeiro.

Desde o início a presidente Dilma tinha intenção de comparecer à final da Copa das Confederações. Tanto que, em fevereiro, quando esteve na Nigéria, chegou a desejar boa sorte ao time nigeriano na Copa das Confederações e afirmou: "Asseguro que sua seleção será muito bem recebida no Brasil, em junho, para a Copa das Confederações. Tenho certeza que o presidente Goodluck Jonathan e eu assistiremos juntos à final Brasil e Nigéria no Maracanã".

Reinaldo Azevedo comenta no seu Blog: "Seus assessores avaliaram que seria catastrófico levar uma vaia estrepitosa aos olhos do Brasil inteiro e da imprensa internacional".

"É uma ironia e tanto, não? Os eventos esportivos foram pensados como o símbolo do “Brasil Grande da Era Lulista”. A final de amanhã deveria ser o primeiro momento de consagração. E, no entanto, Dilma terá de se esconder", concluiu.

Em resumo: Dilma está no fundo do poço, suando frio, e assustada, como uma ratazana de porão, com medo do povo brasileiro. Não podia ser melhor o final da Copa das Confederações. Só falta agora o Brasil golear a Espanha.

29 de junho de 2013
Fontes: O Globo, Estadão, Super Esporte, Folha de S. Paulo, Blog do Reinaldo Azevedo, Terra
in toinho passira

COM MEDO DE VAIA NO MARACANÃ, DILMA NÃO VAI AO JOGO

 

       Na quarta-feira, escrevi aqui: “O Brasil está na final da Copa das Confederações. Venceu o Uruguai por 2 a 1.
Coitada da presidente Dilma Roussseff! Terá de encarar o Maracanã.

A chance de uma vaia de dimensões oceânicas é gigantesca. As peças de propaganda para excitar o patriotismo e o ufanismo começam a se transformar num peso”.

Pois é… Dilma tomou uma decisão: não vai! E isso também é um vexame. Seus assessores avaliaram que seria catastrófico levar uma vaia estrepitosa  aos olhos do Brasil inteiro e da imprensa internacional.

É uma ironia e tanto, não? Os eventos esportivos foram pensados como o símbolo do “Brasil Grande da Era Lulista”. A final de amanhã deveria ser o primeiro momento de consagração.
E, no entanto, Dilma terá de se esconder.
 
29 de junho de 2013
Por Reinaldo Azevedo

O GOLPE DO PT

 

Quando os manifestantes nas ruas dizem que não se sentem representados pelos partidos políticos, e criticam a defasagem entre representante e representado, estão falando principalmente da reforma política

Mas há apenas uma razão para que o tema tenha se tornado o centro dos debates: uma manobra diversionista do governo para tentar assumir o comando da situação, transferindo para o Congresso a maior parte da culpa pela situação que as manifestações criticam.

O governo prefere apresentar o plebiscito sobre a reforma política como a solução para todos os males do país e insistir em que as eventuais novas regras passem já a valer na eleição de 2014, mesmo sabendo que dificilmente haverá condições de ser realizado a tempo, se não pela dificuldade de se chegar a um consenso sobre sua montagem, no mínimo por questões de logística.

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, convocou para terça-feira uma reunião com todos os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para começar a organizar a logística para um possível plebiscito.

Ministra Carmem Lúcia, presidente do TSE
Ao mesmo tempo, a diretoria de Tecnologia do TSE já começou a estudar qual a maneira mais rápida de montar uma consulta popular nas urnas eletrônicas.

Só depois dessas reuniões, o TSE terá condições de estimar o tempo previsto para implementar o plebiscito, e até mesmo sua viabilidade, já que o sistema binário (de sim ou não) pode não ser suficiente para a definição de temas tão complexos quanto o sistema eleitoral e partidário.

Mas já há movimentos dentro do governo no sentido de que o prazo mínimo de um ano para mudanças nas regras eleitorais, definido pela Constituição, seja reduzido se assim o povo decidir no plebiscito.

Ora, isso é uma tentativa de golpe antidemocrático que pode abrir caminho para outras decisões através de consultas populares, transformando-nos em um arremedo de república bolivariana. A questão certamente acabará no Supremo, por inconstitucional. A insistência na pressa tem boas razões.

O sonho de consumo do PT seria mudar as regras do jogo com a aprovação das candidaturas em listas fechadas, em que o eleitor vota apenas na legenda, enquanto a direção partidária indica os candidatos eleitos.Como o partido com maior apelo de legenda, o PT teoricamente seria o de maior votação.

Mas, se as mudanças não acontecerem dentro do cronograma estabelecido pelo Palácio do Planalto, será fácil culpar o Congresso pela inviabilização da reforma política, ou o TSE.

Já no 3º Congresso do PT, em 2007, o documento final — que Reinaldo Azevedo, da “Veja”, desencavou — defende exatamente os pontos anunciados pela presidente Dilma em seu discurso diante dos governadores e prefeitos. Ela própria admitiu que gostaria que do plebiscito saíssem o voto em lista e o financiamento público de campanha. Até mesmo a Constituinte exclusiva, que acabou sendo abortada, está entre as reivindicações do PT desde 2007.

“Para que isso seja possível, a reforma política deve assumir um estatuto de movimento e luta social, ganhando as ruas com um sentido de conquista e ampliação de direitos políticos e democráticos”, diz o documento do PT.Para os petistas, “a reforma política não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou ser incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos dos seus integrantes”.

A ideia de levar a reforma para uma Constituinte exclusiva tem como objetivo impedir que “setores conservadores” do Congresso introduzam medidas como o voto distrital e o voto facultativo, “de sentido claramente conservador”, segundo o PT.

De acordo com o mesmo documento, “a implantação, no Brasil, do financiamento público exclusivo de campanhas, combinado com o voto em listas preordenadas, permitirá contemplar a representação de gênero, raça e etnia”.

Portanto, a presidente Dilma está fazendo nada menos que o jogo do seu partido político, com o agravante de ser candidata à Presidência da República na eleição cujas regras pretende alterar.

29 de junho de 2013
Merval Pereira, O Globo

APROVAÇÃO DE DILMA DESPENCA PARA 30% SEGUNDO DATAFOLHA


Pesquisa Datafolha finalizada ontem mostra que a popularidade da presidente Dilma Rousseff desmoronou. A avaliação positiva do governo da petista caiu 27 pontos em três semanas. Hoje, 30% dos brasileiros consideram a gestão Dilma boa ou ótima. Na primeira semana de junho, antes da onda de protestos que irradiou pelo país, a aprovação era de 57%. Em março, seu melhor momento, o índice era mais que o dobro do atual, 65%. 

A queda de Dilma é a maior redução de aprovação de um presidente entre uma pesquisa e outra desde o plano econômico do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, quando a poupança dos brasileiros foi confiscada. Naquela ocasião, entre março, imediatamente antes da posse, e junho, a queda foi de 35 pontos (71% para 36%). 

Em relação a pesquisa anterior, o total de brasileiros que julga a gestão Dilma como ruim ou péssima foi de 9% para 25%. Numa escala de 0 a 10, a nota média da presidente caiu de 7,1 para 5,8. Neste mês, Dilma perdeu sempre mais de 20 pontos em todas regiões do país e em todos os recortes de idade, renda e escolaridade. 

O Datafolha perguntou sobre o desempenho de Dilma frente aos protestos. Para 32%, sua postura foi ótima ou boa; 38% julgaram como regular; outros 26% avaliaram como ruim ou péssima. Após o início das manifestações, Dilma fez um pronunciamento em cadeia de TV e propôs um pacto aos governantes, que inclui um plebiscito para a reforma política. A pesquisa mostra apoio à ideia (confira na pág. A8). A deterioração das expectativas em relação a economia também ajuda a explicar a queda da aprovação da presidente. A avaliação positiva da gestão econômica caiu de 49% para 27%.

A expectativa de que a inflação vai aumentar continua em alta. Foi de 51% para 54%. Para 44% o desemprego vai crescer, ante 36% na pesquisa anterior. E para 38%, o poder de compra do salário vai cair --antes eram 27%.
Os atuais 30% de aprovação de Dilma coincidem, dentro da margem de erro, com o pior índice do ex-presidente Lula. Em dezembro de 2005, ano do escândalo do mensalão, ele tinha 28%.

Com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a pior fase foi em setembro de 1999, com 13%. Em dois dias, o Datafolha ouviu 4.717 pessoas em 196 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.(Folha de São Paulo)

Como o povo não sabe do que está falando, há apoio para o plebiscito

A iniciativa da presidente Dilma Rousseff de propor um plebiscito para destravar a reforma política foi bem aceita pela população.
Segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros acham que Dilma agiu bem ao propor uma consulta popular sobre a criação de um grupo de representantes eleitos pelo povo para propor mudanças na Constituição. 
Só 19% entendem que ela agiu mal. Outros 14% não souberam responder.

Quando o Datafolha pediu uma opinião específica sobre a reforma política, 73% afirmaram que são a favor da apreciação desse tema por parte do grupo de eleitos. Opiniões contrárias somam 15%. O apoio ao plebiscito ocorre de forma mais ou menos uniforme entre homens e mulheres e em todas as faixas de renda, idade e escolaridade. No Nordeste, a aceitação é de 74%. No Sul, de 57%.
 
(FSP)
 
29 de junho de 2013
in coroneLeaks