"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

DILMA E PT: DESAFIOS PELA FRENTE

 

Com o fortalecimento da oposição, a presidente Dilma Rousseff e o PT têm grandes e novos desafios pela frente. E a forma como lidarão com esses desafios será determinante para o futuro político tanto da presidente quanto do partido. Os da presidente apresentam cinco dimensões: política, legislativa, eleitoral, econômica e social.

A dimensão política é uma das mais delicadas e difíceis. Os partidos da base continuam bastante insatisfeitos com o governo. Os aliados reclamam do modo como são tratados pelo Planalto, seja pela falta de diálogo, seja pelo espaço insuficiente no governo, seja pela falta de participação em decisões de política públicas.

A má gestão da coordenação política tem forte influência no desafio legislativo que a presidente enfrenta. Projetos de interesse do governo não são aprovados, e medidas provisórias enviadas pelo Executivo perdem validade sem que sejam votadas.

Segundo levantamento do jornal Valor, 18 medidas provisórias perderam validade na gestão Dilma. No mesmo período do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a perda de validade por falta de apreciação legislativa ocorreu apenas cinco vezes.

De acordo com levantamento da Arko Advice divulgado na semana passada, no primeiro semestre de 2011 (39 votações analisadas), o apoio aos projetos de interesse do governo foi de 54,10%. O índice caiu para 50,07% em 2012 (31 votações) e, agora (53 votações), atingiu seu patamar mais baixo: 43,85%.

O movimento de queda coincide com o comportamento da bancada do PMDB na Casa: 64,14%; 54,92%; 44,59%. Ou seja, de 2011 para 2013, o apoio do principal partido da aliança caiu quase 20 pontos percentuais.

Na dimensão eleitoral, Dilma tem dois desafios: recuperar popularidade e, apesar da queda nos índices de intenção de voto, manter a base unida, mesmo com as insatisfações.

A queda na popularidade da presidente foi expressiva, o que tem contribuído para que os aliados avaliem alternativas. De acordo com o Datafolha, a avaliação positiva do governo caiu 27 pontos percentuais entre o início e o final de junho (de 57% para 30%).

A recuperação da popularidade passa pelas questões econômica e social, os outros dois desafios que a presidente tem pela frente. Além de crescimento econômico e inflação controlada, a população quer – e isso ficou claro nas mobilizações que tomaram as ruas do país em junho e nas últimas semanas – melhoria em áreas como saúde e educação.

O PT, por sua vez, tem dois desafios pela frente, pelo menos. O primeiro será administrar o impacto negativo do encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, que será retomado no dia 14 de agosto. Em setembro, espera-se que o assunto esteja encerrado. Pessoas importantes do partido podem ser presas, como o ex-ministro José Dirceu. Simbolicamente, trata-se de um desgaste grande para a legenda.

Outra questão é o processo de eleição do novo presidente do partido, que pode acentuar ainda mais sua divisão interna. Preocupado com o tema, o ex-presidente Lula teria solicitado que alguns candidatos que concorrem ao comando da legenda contra Rui Falcão, atual presidente, desistissem de disputar.

08 de agosto de 2013
Murillo de Aragão é cientista político.

MESMICE POLITQUEIRA... ATÉ QUANDO?

Aprendiza zero

Foto Ueslei Marcelino - Reuters
 

É inacreditável, mas é verdade: a Câmara dos Deputados voltou do recesso e retirou da pauta desta semana o exame dos royalties do petróleo para Educação e da corrupção como crime hediondo. Duas das muitas reivindicações das manifestações de junho que foram aprovadas pelos senadores, mas não pelos deputados. Em troca de quê?

Da votação de uma PEC corporativa que torna obrigatório o pagamento de emendas individuais, mal-afamadas desde as fraudes dos Anões do Orçamento, em 1993. Elas destinam verba do Orçamento da União para pequenas obras ou serviços sociais em redutos eleitorais dos políticos. A garantia de liberação em 2014, ano eleitoral, de mais de R$ 6 bilhões, segundo cálculos da Câmara, será o grande efeito prático do chamado “orçamento impositivo”.

Aprovada em Comissão Especial na última terça-feira (06/08), com parecer pela constitucionalidade de Paulo Maluf (PP-SP), procurado da Interpol desde 2009, a PEC só não seguiu ontem para o plenário porque o Palácio do Planalto ameaçou ir ao STF. Para o governo, essa PEC é mais um pesadelo na agenda política.

Hoje, os parlamentares podem apresentar até dez emendas ao orçamento com limite de R$ 15 milhões, mas quase nunca o dinheiro sai do caixa. Com a justificativa de evitar a pulverização de recursos, o Executivo sustenta há décadas preferir atender, quando é o caso, emendas coletivas ou regionais vinculadas a políticas ou projetos estruturantes. Além disso, considera difícil fiscalizar a aplicação das emendas paroquiais.

Entre 2003 e 2010, a cota das emendas individuais subiu no Congresso de R$ 2 milhões para R$12,5 milhões. Mas quando o governo segura o orçamento, por queda de receitas e/ou contenção de despesas, as emendas são logo congeladas. E só costumam ser desembolsadas a conta-gotas, como moeda de troca, nas votações estratégicas. No ano passado, a parcela liberada chegou a 2% do total.

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff acenou com os primeiros R$ 2 bilhões deste ano. Ao que tudo indica, os parlamentares não acreditam na liberação. Capitaneados pelo presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deputados aliados - com exceção dos petistas, os mais favorecidos pelas emendas -, pressionam com a PEC, cuja votação foi transferida para a próxima semana. O objetivo é abrir os cofres.

Nem Eduardo Alves, do alto clero, conseguiu uma fatia expressiva. Segundo a execução orçamentária, em 2012, suas emendas pagas somaram R$ 3 milhões (1/5 do previsto). Este ano, nenhuma das verbas que reservou para seu Estado havia sido empenhada até 04/08. Alvo maior da crise de representação, a Câmara parece já ter esquecido o “clamor das ruas”.

08 de agosto de 2013
Mara Bergamaschi é jornalista e escritora.

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA


Não é mera coincidência. Esta declaração eu tirei do Grupo Resistência Democrática, do qual faço parte:
 

“São Caetano do Sul (SP) é o melhor município brasileiro para viver.  Seus indicadores socioeconômicos são os melhores do País. Mas qual o segredo de tamanho sucesso entre mais de 5500 municípios?  Talvez a resposta esteja nas urnas: os eleitores de São Caetano jamais elegeram um prefeito petista e a sua Câmara Municipal conta com apenas um vereador do PT.  Pode haver outras explicações, mas esta tem de ser considerada."
 
 
 
 
 
 
 
 
 
08 de agosto de 2013
in blog do mario fortes

PREEMINÊNCIA, HEGEMONIA, DOMINAÇÃO, EXPLORAÇÃO: REALIDADE OU MITO?

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Admitamos desde o início e de modo incontroverso: preeminência, hegemonia, dominação, exploração são realidades concretas (com perdão pela redundância); todas essas situações e interações fazem parte do mundo como ele é, desde o início dos tempos até nossos dias.
O “mundo como ele é” foi e é justamente feito dessas realidades desagradáveis, até brutais, que não devem ser travestidas por qualquer visão “panglossiana” da história das civilizações humanas. Os mitos, entretanto, começam quando se pretende explicar o mundo como ele é apenas por meio dessas realidades tangíveis, algumas até “intangíveis”, ou seja, existentes virtualmente, quase despercebidas materialmente.

“Intelectuais” assim proclamados acreditam que a dominação “ideológica” dos países avançados sobre os periféricos é ainda mais insidiosa e totalitária do que a dominação econômica, tecnológica ou militar.
Devem ser pessoas que não acreditam na força da cultura ou que superestimam a capacidade dos países ricos de moldar os “corações e mentes” dos povos dos países “dominados” à sua imagem e semelhança. Seria desdenhar muito da fraqueza destes últimos e sobrevalorizar à outrance o poder de sedução dos primeiros.

De um ponto de vista puramente histórico e sociológico – abstraindo, portanto, as implicações políticas, militares e até culturais daqueles fenômenos ou processos envolvidos nos conceitos expressos no título deste ensaio, todos eles envolvendo primazia, sujeição e até a dominação a mais brutal de alguns povos sobre outros –, deve-se reconhecer que essas situações foram e são muito comuns na história da humanidade.

Não se deve esquecer, por exemplo, que nove décimos da história humana registrada foram transcorridos sob a marca de instituições tão brutais – e, no entanto, tão “normais” no plano das realidades efetivas – quanto a escravidão, a eliminação (e mais frequentemente ainda a mutilação física) dos vencidos na guerra, a sujeição de mulheres e crianças ao poder dos conquistadores, a ocupação e apropriação violenta de espaços e recursos, enfim, toda sorte de exações e arbitrariedades que ainda permanecem conosco em grande medida, a despeito de todos os progressos humanitários e no plano do direito internacional realizados desde um século ou mais. Infelizmente, o mundo ainda não é o que gostaríamos que fosse.

Mas tampouco o mundo permanece aquele campo aberto de caça à disposição dos imperialistas, como ele se apresentava ainda cem anos atrás: os tempos de disputa pela África e de “grande jogo” na Ásia central já se encerraram há muito tempo, embora as fragilidades dessas regiões sejam persistentes e os centros atuais de poder estejam projetando seus novos interesses sobre velhos e novos provedores de recursos estratégicos.
A China, por exemplo, tem exercido uma ofensiva em direção desses países dotados de matérias primas e recursos estratégicos que se parece muito com a antiga “diplomacia do dólar”, conduzida pelos EUA desde os tempos de William Taft e Theodore Roosevelt, no início da projeção imperial da grande República.

Por outro lado, a emergência do direito internacional, como matriz condutora – ainda que não a força decisiva – das relações internacionais desde a criação da ONU, tem atuado para refrear os impulsos imperiais e os projetos de dominação.

Embora velhos e novos impérios continuem a existir – muitos deles virtuais, baseados no livre comércio e nos investimentos, como é o caso dos EUA, eventualmente garantidos por bases militares e por ameaças e pressões ocasionais – eles já não mais podem ditar soberana e exclusivamente as condições segundo as quais a comunidade internacional irá organizar sua estrutura institucional e sua agenda de trabalho: é preciso agora fazer um esforço mínimo de construção de consenso e de aprovação de resoluções, por mais que muitas delas sejam desrespeitadas no momento seguinte (como no caso da invasão do Iraque, que careceu da legitimidade tão buscada pela potência invasora).

Não se pode esquecer, também, que o último resquício do velho colonialismo, a Comissão de Tutela da ONU – burocrática herdeira de algumas possessões coloniais vindas da Liga das Nações – já deixou de existir, por falta absoluta de “clientela”.

Nada disso diminui a força do poder e o poder da força nas relações internacionais, mas reduz consideravelmente a latitude de ação dos velhos poderes imperiais do passado. Alguns desses poderes, dos tempos presentes, são pelo menos obrigados a atuar dentro de alguns parâmetros que respeitam, ainda que formalmente, a soberania e a independência das novas nações independentes.
Se não o fazem, eles são constrangidos em sua ação internacional pela ausência de legitimidade intrínseca conferida às suas iniciativas em várias outras áreas.
Os países ‘vítimas’ da violência imperial já não são mais inermes, como no passado, na medida em que dispõem de instrumentos do direito internacional e instâncias de apelo que não existiam antes da criação da ONU, ou mesmo dos tribunais da Haia e outras cortes especializadas.

Em qualquer hipótese, os princípios westfalianos têm vigência absoluta, posto que estamos lidando com estados constituídos, não com territórios indefinidos, estes na completa ausência de estruturas governamentais reconhecidas pela comunidade internacional.
Mesmo a alegada capacidade das empresas multinacionais mais poderosas, em face da fragilidade de pequenos estados, sempre aventada pelos mesmos ‘intelectuais’ como fator de pressão e mesmo de dependência em favor dessas empresas ou de seus estados de origem não se sustenta levando em conta a capacidade normativa do mais modesto país da região mais pobre do mundo.
Concretamente isso quer dizer que o país mais miserável da Terra, cujo PIB nacional representa, hipoteticamente, menos de 10% do faturamento da maior empresa multinacional – não importa o produto ou serviço – pode, se assim o desejar, proibir completamente as operações dessa empresa em seu território soberano, por meio de uma simples medida normativa ou até de caráter administrativo.

Independentemente, porém, dos progressos, mesmo relativos, do direito internacional e da arquitetura institucional em construção, a verdade é que os conceitos destacados no título se referem a uma realidade e, sobretudo, a uma filosofia em larga medida inadequadas ao mundo atual.
Não que os fenômenos e processos neles contidos tenham desaparecido por completo do cenário internacional; mas é que eles estão largamente contidos pelos efeitos combinados da evolução da institucionalidade internacional, da construção de estados e do desenvolvimento da interdependência contemporânea; a previsão é que eles se tornem cada vez mais raros.

08 de agosto de 2013
Paulo Roberto de Almeida 

"CRÍTICAS CONTRA JOAQUIM BARBOSA"

 



Além do patrulhamento político que vem sofrendo por parte dos envolvidos no escândalo do mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, passou a ser tratado de forma desabrida por entidades de juízes e até por parlamentares, por causa de sua oposição à instalação de quatro novos Tribunais Regionais Federais (TRFs).

A criação das quatro cortes foi autorizada pela Emenda Constitucional (EC) n.º 73, mas o ministro alegou que elas são desnecessárias e, acolhendo um recurso da Associação Nacional de Procuradores Federais, concedeu liminar suspendendo a instalação de todas elas.

A associação de procuradores questionou a constitucionalidade da EC 73, alegando que, pela Carta Magna, mudanças na estrutura administrativa do Poder Judiciário só podem ser propostas pela cúpula da instituição e não pelo Legislativo, como foi o caso do projeto que resultou na EC 73.
A criação de quatro TRFs também tem a oposição do Executivo, que teme os gastos perdulários da Justiça Federal com a construção de sedes suntuosas e contratação indiscriminada de servidores.

Recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou levantamento que mostra que existem alternativas mais baratas e eficientes para a expansão da segunda instância da Justiça Federal e demonstra, com números, que os desembargadores de um dos TRFs ficarão sem ter o que fazer, por falta de demanda.

Desde que concedeu a liminar, o presidente do Supremo vem sendo duramente criticado pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado André Vargas (PT-PR). Um dos principais defensores da EC 73, uma vez que ela cria um TRF em seu Estado, Vargas disse que Joaquim Barbosa não sabe travar “diálogos inteligentes”, por ter “problemas psicológicos”.

Segundo o parlamentar, “interpretar a opinião do ministro é um problema mais psicológico do que político ou operacional”.

Mais descorteses ainda foram as associações de juízes que defendem a EC 73. Elas alegaram que, por ter criticado a aprovação da EC 73, o presidente do Supremo não teria isenção para conceder a liminar pedida pela Associação Nacional dos Procuradores Federais.
E, numa tentativa de constranger o ministro Joaquim Barbosa, as associações de juízes decidiram consultar o Conselho Nacional de Justiça, por ele presidido, se magistrados podem ser diretores ou proprietários de empresas no exterior e usá-las para adquirir imóvel em outros países.

O motivo dessa iniciativa é uma informação divulgada pela imprensa de que Joaquim Barbosa teria, no ano passado, constituído uma empresa na Flórida para adquirir um apartamento de 73 metros quadrados em Miami, gozando dos benefícios fiscais que o governo local concede a pessoas jurídicas.

O imóvel teria sido adquirido por um valor entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão e o ministro teria utilizado o dinheiro que recebeu a título de pagamentos e vantagens funcionais extraordinárias pagas aos ministros dos tribunais superiores. Joaquim Barbosa alegou que adquiriu o apartamento “em conformidade com a legislação americana” e afirmou que a constituição da empresa – uma prática comum nos Estados Unidos – foi recomendada por seu advogado.

A publicação dessa notícia às vésperas da retomada do caso do mensalão não foi gratuita. “Acredito que um magistrado não pode ser diretor de empresa e um ministro do Supremo é magistrado”, diz o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Toldo.

Apesar da conhecida incontinência verbal do ministro Joaquim Barbosa, que muitas vezes faz críticas desnecessariamente rudes a jornalistas, políticos e magistrados, não há nada que o desabone em sua conduta pública.

O que causa estranheza são os expedientes das associações de juízes, que parecem ter perdido a compostura na defesa de interesses políticos e corporativos.

08 de agosto de 2013
Editorial do Estadão

PGR DÁ PARECER PELA CASSAÇÃO DE ROSEANA SARNEY

Denúncia aponta que o governo do Maranhão aumentou o repasse de recursos públicos para os municípios às vésperas das eleições de 2010.

Roseana Sarney, ex-senadora (PMDB-MA) e atual governadora do Maranhão
Roseana Sarney, governadora do Maranhão (Joedson Alves/AE)

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou parecer pela cassação do mandato da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e de seu vice, Washington Luiz Oliveira (PT), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2010. O processo foi movido pelo ex-governador José Reinaldo Tavares, que disputou as eleições para o Senado em 2010, e tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As investigações mostraram que o governo do estado intensificou a celebração de convênios e aumentou o repasse de recursos para os municípios às vésperas das eleições de 2010. Conforme dados do parecer, nos três dias antes da convenção em que Roseana foi lançada à reeleição, foram firmados 670 convênios, com repasses de 165 milhões de reais para diversos municípios maranhenses.

Os convênios eram firmados em tempo recorde, conforme o MP, e serviriam para financiar pavimentação de ruas, construção de quadras e distribuição de casas populares. "No prazo de dois dias, eles eram assinados, publicados no órgão oficial e o dinheiro creditado na conta do município, cujos saques, de acordo com notícia nos autos, eram feitos em espécie, diretamente na boca do caixa", afirmou Gurgel no parecer.

De acordo com o MP, a intenção de Roseana era minar a candidatura dos concorrentes e cooptar o apoio de prefeitos e lideranças comunitárias para sua eleição. "Dezenas de prefeitos de oposição, filiados ao PSDB, PSB, PDT e PC do B, abandonaram completamente os candidatos Jackson Lago e Flávio Dino nas eleições para o governo do Estado e passaram a apoiar a reeleição da governadora em troca dos convênios milionários, liberados às vésperas das eleições", argumentou Gurgel.

Outro programa, cuja implementação às vésperas das eleições configuraria abuso de poder, previa a construção distribuição de casas populares. De acordo com o Ministério Público, houve aumento exponencial de gastos com o programa no ano eleitoral, sendo que a maior parte dos recursos foi liberada nos meses que antecederam as eleições.

"No caso em exame, não se pode afirmar que a celebração dos convênios constituiu ato normal ou regular de governo. Houve, na ação governamental. Quase todos os convênios e transferências aos municípios, no ano de 2010, foram realizados no mês de junho", afirmou Gurgel. "Essa ação tinha um objetivo claro e imediato: interferir no processo eleitoral em curso e beneficiar as candidaturas dos recorridos, dando a eles condições diversas dos demais candidatos", concluiu o procurador.

O processo contra Roseana aguardava o parecer para ser julgado pela Justiça Eleitoral. Não há prazo para que o caso seja levado ao plenário da Corte.

Em sua defesa, a governadora e seu vice afirmaram não haver relação direta entre a assinatura dos convênios e sua vitória nas eleições de 2010. Além disso, argumentou que nenhum convênio foi firmado no período vedado pela legislação eleitoral e disse que o programa de distribuição de casas populares estava autorizado por lei e era executado desde o ano anterior às eleições.
08 de agosto de 2013
in blog do beto
(Com Estadão Conteúdo)

GOVERNO DO PT PODE TRANSFORMAR NOSSO PAÍS NUM CUBABRASIL DA MESMA MANEIRA QUE A VENEZUELA VIROU CUBAZUELA

Veja o que ocorreu na Venezuela
SUPREMA CORTE DA VENEZUELA NEGA RECURSO DA OPOSIÇÃO, CONVALIDA FRAUDE ELEITORAL E ACIONA O MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INVESTIGAR E PUNIR O CANDIDATO OPOSICIONISTA CAPRILES!


 O que acaba de ocorrer na Venezuela é algo inaudito e serve de exemplo para os cidadãos brasileiros neste momento assediados pelo governo do Lula e da Dilma, que agora com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pressiona o Congresso e a população brasileira a aceitar uma reforma política de interesse exclusivo do PT que quer se eternizar no poder e implantar no Brasil o "socialismo do século XXI", eufemismo para designar um regime comunista do tipo cubano.

O processo é parecido com o que aconteceu na Venezuela, onde Estado de Direito Democrático foi para o lixo entrando em vigência um regime ditatorial comunista.
O ditador é o filhote de Chávez, Nicolás Maduro que para chegar ao poder rasgou a própria constituição escrita e aprovada pelos próprios chavistas. Maduro se apossou do poder como vice-presidente enquanto Chávez sumiu em Cuba, onde foi se tratar.
Até hoje ninguém viu o cadáver e nem se sabe onde está sepultado.

Entretanto, o vice-presidente na Venezuela não é eleito, mas nomeado pelo presidente. Assim, conforme a Constituição o presidente da Assembléia Nacional (deputados) teria de assumir provisoriamente a presidência marcando imediatamente as eleições. Mas nem isso ocorreu.

Maduro se adonou simplesmente do poder para em seguida concorrer ao pleito enquanto Hugo Chávez desaparecia em Havana.

A eleição é contestada de forma veemente pela oposição, já que há inúmeros fatos concretos de ocorrência de fraudes que incluem o voto de eleitores falecidos, voto assistido, ameaças de grupos armados, enfim, uma coisa vergonhosa e para a qual a comunidade internacional fechou os olhos.

Isto quer dizer que as Nações democráticas - ou consideradas como tal - simplesmente deram as costas para o povo venezuelano esbulhados no seus direitos de forma truculenta pelos comuno-fascistas bolivarianos.

Face a essa brutal ação da ditadura chavista, a Mesa de Unidade Democrática (MUD) que reúne todos os partidos de oposição, tendo à frente o candidato Henrique Capriles, interpôs recurso pleiteando a anulação da eleição junto à Suprema Corte de Justiça.

Decorridos quase cinco meses da interposição desse recurso, a Suprema Corte finalmente se pronunciou nesta quarta-feira negando-se a conhecer as denúncias contidas no recurso, denegando-o portanto, e ainda remeteu os autos para o Ministério Público para que processe - pasmem - Henrique Capriles, sob acusação de atacar o tribunal dentre outras barbaridades.

Capriles, de autor do recurso, passará, provavelmente, a ser o réu em ação e sujeito a uma investigação que visa processá-lo criminalmente.

Tudo nos moldes do que ocorria na ex-URSS e ocorre em Cuba, Coréia do Norte e demais repúblicas comunistas que utilizam a justiça e o direito para massacrar a oposição, até que não reste mais nenhuma dissidência.

No vídeo acima a Globovisión, das poucas emissoras que ainda se arrisca a fazer algumas matérias mais contundentes, entrevista um professor de Direito Constitucional.

Mas como se depreende das respostas desse jurista, o Estado de Direito Democrático já não existe mais na Venezuela.

O desmonte das instituições democráticas começou há 14 anos, quando o tiranete Hugo Chávez assumiu o poder jurando que respeitaria a Constituição. Mas não demorou muito já estava ele fazendo um "reforma política", como quer o PT agora no Brasil com o apoio e anuência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), completamente aparelhada pelos esbirros do PT.

Chávez fechou o Senado e criou uma Assembléia Nacional de deputados controlada pelo chavismo.
E mesmo nas últimas eleições legislativas Chávez promulgou uma lei que alterou o coeficiente eleitoral de forma a evitar que a maioria da Assembléia fosse controlada pela Oposição. Na realidade, a vitória foi da Oposição, mas também aí os oposicionistas foram esmagados.

O finado tiranete Hugo Chávez, como coronel Exército, também tratou de aparelhar as Forças Armadas, que por incrível que pareça, também são suspeitas de envolvimento com o narcotráfico operado pelos terroristas das FARC que integram também o esquerdista Foro de São Paulo, fundado por Lula e Fidel Castro em 1990, e que esteve reunido no Brasil na última semana num hotel em São Paulo. Esse foro é quem formula as estratégias políticas na América Latina tendo por objetivo a implantação de regimes comunistas em todo o continente latino-americano.

À Oposição venezuelana resta agora recorrer às instâncias internacionais num processo complicado e demorado e que não terá resultado prático, o de não deixar que a fraude eleitoral caia no esquecimento.

Mas as entidades internacionais, como a OEA também estão completamente aparelhadas. A ONU também é outra organização internacional vinculada ao movimento esquerdista internacional, enquanto o Mercosul é presidido pela Venezuela!

ATENÇÃO! PT TENTA FAZER O MESMO NO BRASIL! REFORMA POLÍTICA, PLEBISCITO E REFERENDO SÃO TUDO GOLPE COMUNISTA DO PT!

 Concluindo: é por esses motivos todos que acabo de expor neste rápido artigo, que o Congresso brasileiro não pode, sob hipótese nenhuma, levar adiante a propalada reforma política proposta pelo PT, já que é golpe no estilo da Venezuela sem tirar nem por.
Além disso os eleitores brasileiros não deverão subscrever nenhum documento pleiteando tais reformas. É um golpe do PT! Repito: é o primeiro passo do golpe comunista como ocorreu na Venezuela, onde está em vigência uma ditadura sanguinária e corrupta.

 Transcrevo a seguir reportagem do jornal El Nacional no original em espanhol a notícia informando que o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela denegou o recurso e ainda por cima acionou o Ministério Público para investigar e processar o candidato oposicionista Henrique Capriles. Leiam:

EN ESPAÑOL LA NOTÍCIA DE "EL NACIONAL" - Además de rechazar las impugnaciones de los resultados de las elecciones presidenciales del 14 de abril, la Sala Constitucional del Tribunal Supremo de Justicia impuso una multa de 100 unidades tributarias (10.700 bolívares) a Henrique Capriles Radonski y remitió copia del fallo al Ministerio Público para que se determine si el demandante incurrió en delito a través de sus expresiones contra el máximo tribunal del país.

“En vista de la gravedad de las ofensas y términos irrespetuosos que el demandante vertió en su escrito, esta Sala Constitucional estima necesario remitir al Ministerio Público, como titular de la acción penal, copia certificada del presente fallo y del escrito presentado por la parte actora, con el objeto de que realice un análisis detallado de dichos documentos e inicie las investigaciones que estime necesarias a fin de determinar la responsabilidad penal a que haya lugar”, indica la sentencia dictada ayer.

 Aunque en el fallo de la Sala Constitucional no se precisan las expresiones que considera ofensivas e irrespetuosas, dedica varias páginas a rechazar las dudas sobre su imparcialidad: “No sólo la representación actora incurrió en la mencionada falta a la majestad del Poder Judicial al que, paradójicamente, acudió en su defensa, sino que en diversas oportunidades y a través de distintos medios ha acusado expresa y radicalmente a la judicatura y, en particular, a esta Sala Constitucional, como un órgano completamente parcializado y llegó incluso a afirmar que este máximo juzgado obedecía la línea del partido de gobierno”.

La Sala Constitucional afirma que Capriles Radonski actuó de mala fe: “No se acude a los tribunales con el ánimo de resolver una disputa, sino para acusar al árbitro por no someterse a sus designios y voluntades”. Considera que las descalificaciones del Poder Judicial trivializan el debate democrático y minan la credibilidad de las instituciones.

 El máximo tribunal se adelantó a señalar que lo dicho por Capriles Radonski en el libelo de su demanda no corresponde al ejercicio de la libertad de expresión. Por el contrario, sugirió que los hechos constituyen el delito de vilipendio y citó la controversial sentencia 1942, dictada el 15 de junio de 2003, la cual establece el sentido y alcance de ese delito: “Denigrar públicamente a las instituciones del Estado puede tener como fin el debilitamiento y desprestigio de estas, para así lograr un desacato colectivo a lo que ellas –conforme a la ley– deban obrar o cumplir”.


Ramón José Medina, uno de los apoderados de Capriles, dijo que la criminalización de la expresión es un manido artificio del Gobierno. Aseguró que el debate sobre el presunto fraude electoral y el control oficialista de de todos los poderes públicos proseguirá en instancias internacionales.
Lamentó que, en vez de permitir el debate jurídico de cada una de las irregularidades denunciadas, el TSJ validó de un plumazo los resultados del 14A.

“Además –agregó el dirigente de la MUD– la Sala Constitucional incurrió en ultra petita, pues decretó la legitimidad de Maduro, a pesar de que no le correspondía. La legitimidad no se decreta, sino se gana mediante elecciones limpias y la aceptación popular del gobernante”.

El dato


 Vía Twitter, Capriles manifestó sus primeras reacciones: “Nos multan por decir y defender la verdad. ¡Honor que nos hacen! ¡Hemos desenmascarado a esas instituciones y el pueblo hará que cambien! Inadmisible es la falta de justicia es nuestro país, más de 50 venezolanos asesinados cada
día, la corrupción del Gobierno”.
Do site do jornal El Nacional
08 de agosto de 2013
in blog do navarro

CORRUPÇÃO E DEMOCRACIA

 

Outro dia escrevi aqui na coluna, a propósito das investigações sobre a formação de um cartel de empresas estrangeiras na construção do metrô paulista, que “o pior dos mundos para a democracia seria se ficar provado o que os petistas chapa-branca já dão como certo nos blogs e noticiários oficiais: que o esquema seria uma espécie de irrigação permanente de dinheiro ilegal para as campanhas eleitorais dos tucanos desde o governo Covas”.

Foi o que bastou para que esses mesmos pseudojornalistas a serviço do governo petista distorcessem minhas palavras, atribuindo a mim a tese de que as acusações contra o PT são boas para a democracia, e as contra o PSDB seriam prejudiciais.

Para um leitor de boa-fé está claro que não tratava da corrupção em si, mas da maneira como ela fora praticada. Uma coisa são casos de corrupção de agentes políticos isolados, que acontecem em todos os países, outra bem diferente é a organização política se transformar em criminosa para garantir recursos ilegais para a manutenção do poder.

A ação individual de um político desonesto é menos danosa para a democracia do que a de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele. Foi o que aconteceu justamente no mensalão do PT.

Se as investigações do caso Siemens em São Paulo levarem à conclusão de que o PSDB montou um projeto de poder em São Paulo desde o governo Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra, financiado pelo desvio de verbas públicas, estaremos diante de uma manipulação política com o mesmo significado, embora com alcance regional, enquanto o mensalão tentou manipular nada menos que o Congresso Nacional.

Na definição do presidente do Supremo, Ayres Britto, no julgamento do mensalão, “(…) sob a inspiração patrimonialista, um projeto de poder foi feito, não um projeto de governo, que é exposto em praça pública, mas um projeto de poder que vai além de um quadriênio quadruplicado. É um projeto que também é golpe no conteúdo da democracia, o republicanismo, que postula a renovação dos quadros de dirigentes e equiparação das armas com que se disputa a preferência dos votos”.

Segundo outro ministro do STF, o decano Celso de Mello, “há políticos, governantes e legisladores que corrompem o poder do Estado, exercendo sobre ele ação moralmente deletéria, juridicamente criminosa e politicamente dissolvente”.

Não há nada, no entanto, até agora, que aponte para um esquema dessa envergadura, pelo menos na parte da documentação do processo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a que tive acesso. Há, aliás, indicações claras de que o acordo de leniência entre a Siemens e o Cade se destinava a investigar as ações daquela empresa na formação de cartel “no Brasil” todo.

Não há explicações para o fato de a investigação estar limitada a São Paulo e ao Distrito Federal, quando os diretores da Siemens citam contratos de trem e metrô em sete estados. Em cinco deles, a empresa responsável é a estatal federal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). São citados contratos da CBTU que foram vítimas do cartel em Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte.

O PSDB considera que ao escolher dois estados governados por partidos de oposição (PSDB em São Paulo e DEM no Distrito Federal na época) para investigar, o CADE assumiu um viés político.

Outro fato importante é que pessoas que tiveram acesso às mais de 1.500 páginas do inquérito garantem que os documentos, depoimentos e trocas de e-mails de executivos da Siemens em poder do CADE não citam uma única vez o PSDB e o governador Geraldo Alckmin.

Os delatores premiados da empresa também não citam nominalmente em nenhum momento os funcionários públicos da CPTM ou do Metrô como praticantes de atos ilícitos como recebimento de propinas e comissões em licitações públicas.

Como o CADE cuida apenas da parte referente à tentativa de neutralizar a competição nas licitações públicas, outras investigações do Ministério Público e da Polícia Federal revelarão mais detalhes da formação do cartel, que a Siemens praticou em mais de uma centena de países.

08 de agosto de 2013
Merval Pereira, O Globo
 

NO PAC PETRALHA, OS ATRASOS CONTINUAM

A Ferrovia Oeste-Leste deveria ter sido inaugurada em 30/07/2013 pelo governo ordinário. Até hoje, nenhum pedaço trilho foi instalado na extensão de 1.022 quilômetros



A presidente Dilma Rousseff continua falando sobre planejamento e investimento como se os governos do PT, instalados em Brasília há dez anos e sete meses, tivessem exibido excelente desempenho nesses dois quesitos. Bem ao contrário, nunca foram além do falatório, como demonstra o fiasco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Se fracassos valessem comemoração, mais um teria sido celebrado no dia 30 de julho. Naquela data deveria ter sido inaugurada, segundo a programação inicial, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), concebida para ligar o Cerrado baiano a Ilhéus, num percurso de 1.022 quilômetros.

Nenhum pedaço de trilho foi instalado nessa extensão, como informou na quarta-feira passada reportagem do jornal Valor. O novo prazo terminará no fim de 2015. O mesmo expediente — alongar prazos e classificar como "adequada" a execução — tem sido usado para muitos outros projetos, porque o atraso é uma característica do PAC, apesar do tom triunfal dos balanços apresentados pelas autoridades.

Um bom exemplo é o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro (BR-493), obra lançada em 2007. Deveria ter sido inaugurada em 2010. O prazo foi esticado até 2014, com o lançamento do PAC 2, mas nem esse vai ser cumprido. A nova data prevista pelo Ministério do Planejamento é 31 de dezembro de 2016.

Também prevista para 2010, a conclusão da obra de restauração e pavimentação da BR-163 no trecho entre Santarém (PA) e Guarantã do Norte (MT) foi empurrada para 2013 e em seguida para o fim de 2015. Além desses e de outros projetos rodoviários, também estão atrasados grandes investimentos em ferrovias. A entrega da Nova Transnordestina, entre o Piauí e Pernambuco, foi transferida de 2010 para 2015.

O trecho da Ferronorte entre dois pontos de Mato Grosso — Alto Araguaia e Rondonópolis — deve ser concluído até o fim de 2013, segundo a nova previsão, com três anos de atraso.

Os péssimos resultados na área de saneamento são especialmente escandalosos. Segundo informou em junho o Instituto Trata Brasil, uma organização civil de interesse público, só 20 das 138 obras programadas para 28 cidades com mais de 500 mil habitantes haviam sido terminadas, embora os contratos tivessem sido assinados entre 2007 e 2008.

Segundo o presidente do instituto, Édison Carlos, governos estaduais e municipais apresentaram projetos mal preparados para captar os financiamentos. Em seguida, mais de três anos foram gastos para a reelaboração dos projetos. Segundo dados do Trata Brasil, faltam serviços de coleta de esgotos para 54% da população. O quadro mais grave é encontrado no Norte e no Nordeste.

Bem antes das manifestações de rua contra as más condições da educação e da saúde, o contraste entre os gastos da Copa e o pouco empenho em promover a melhora do quadro sanitário já era apontado em discussões sobre o PAC Saneamento.

Também nesse caso faltou competência para planejar, desenhar projetos e conduzir a execução. Isso explica a maior parte dos fiascos acumulados tanto no PAC como em outras ações de responsabilidade federal. O governo falha na condução dos projetos vinculados ao Orçamento e na avaliação e acompanhamento das obras atribuídas a empresas, sejam estatais ou privadas.

Até junho, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) aplicou apenas 23,6% dos R$ 13,5 bilhões autorizados no Orçamento para este ano. Dos R$ 821,3 milhões previstos para manutenção de trechos rodoviários no Sudeste só R$ 17 milhões — 2,1% do total — foram desembolsados até fim do semestre, segundo a organização Contas Abertas, especializada em finanças públicas.

Esse tipo de informação é recorrente. Mas, em vez de cuidar da administração, a cúpula federal prefere mudar os prazos das obras, classificar como adequada a execução de projetos atrasados e inflar os balanços do PAC com os programas habitacionais. Neste caso, parte dos números corresponde a meros financiamentos, até para compra de imóveis usados.

08 de agosto de 2013
Estadão
in abobado

O GOVERNO PETRALHA E OS PACTOS FURADOS

O repúdio da classe médica aos excessos e desmandos cometidos pela gestão do PT pode ser medido pela baixa adesão de profissionais do setor ao programa Mais Médicos



No auge dos protestos de junho, Dilma Rousseff convocou prefeitos e governadores para fazer figuração num evento em que anunciou cinco "pactos" voltados a responder aos clamores das ruas. Passados menos de dois meses, nenhuma de suas propostas parou de pé. Pelo jeito, o que a presidente promete não se escreve: a cada decisão de seu governo corresponde um recuo.

Ontem foi a vez de cair por terra a proposta de ampliar de seis para oito anos o período de graduação em Medicina e de forçar os estudantes da área a atuar por dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Apresentada como forma de ampliar o acesso da população brasileira à saúde, o que é altamente desejável, a medida enfrentou feroz resistência dos profissionais do setor, o que é fartamente compreensível.

Mesmo forçado a retroceder, o governo federal teima em inventar soluções que nada resolvem. Quer, agora, obrigar os médicos a prestar dois anos de residência no SUS. Só não diz como vai fazer para acolher os estudantes em processo de formação: para os 15 mil médicos que se graduam por ano no país, há apenas 11,2 mil vagas disponíveis para residência, segundo a Folha de S.Paulo.

"Residência em posto de saúde para atenção básica, sem supervisão, não é residência. É serviço civil (obrigatório) apresentado de outra forma", resume Carlos Vital, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina. "É uma forma de baratear, já que o médico receberá uma bolsa de R$ 2.900 para trabalhar 60 horas semanais", completa Beatriz Costa, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes.

Hoje a residência não é obrigatória: quem cumpre os seis anos de estudo do curso está apto a exercer a Medicina, com direito garantido por lei. Com a nova proposta, que ainda dependerá do crivo do Congresso, isso pode mudar, atingindo até quem já está cursando a faculdade. Trata-se, portanto, de mais um ato arbitrário, uma das marcas do governo petista.

O repúdio da classe médica aos excessos e desmandos cometidos pela gestão do PT pode ser medido pela baixa adesão de profissionais do setor ao programa Mais Médicos. O governo esperava atender uma demanda de 15.460 profissionais registrada pelos municípios, mas apenas 4.657 médicos se inscreveram, o que dá em torno de 30%.

A maior parte da categoria não se animou a encarar um regime de trabalho que não garante direitos trabalhistas, não assegura boas condições de atuação e ainda abre brecha para o exercício duvidoso da Medicina por médicos "importados" sabe-se lá com quais qualidades. Entidades médicas declararam guerra ao governo, enquanto profissionais e estudantes da área de saúde passaram a nutrir especial antipatia pela gestão Dilma, suspendendo atendimento em vários estados nos últimos dias.

Além da arbitrariedade, outra marca da atual administração é o improviso. Assim como o recuo no programa Mais Médico, todos os demais "pactos" propostos por Dilma em junho tiveram que ser posteriormente engavetados. O da Constituinte exclusiva para mudar pontos do sistema político não durou 24 horas, sorte não muito diferente do plebiscito com o mesmo objetivo, que só sobreviveu por duas semanas.

Dilma também não conseguiu fazer prosperar sua proposta que previa destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação. O texto foi alterado no Congresso e ainda suscita muita controvérsia pela falta de clareza sobre que emprego será dado aos bilhões que virão das novas reservas do país. O quarto pacto furado refere-se ao compromisso do governo federal com a responsabilidade fiscal. É tão risível que nem vale comentário…

Da mesma forma, até hoje não se sabe como se concretizará o anúncio, feito na mesma data, de destinação de R$ 50 bilhões para obras de mobilidade urbana. O governo não consegue dizer de onde virá o dinheiro. Uma das hipóteses talvez seja a possibilidade de permitir a estados e municípios que aumentem seu endividamento, divulgada hoje por O Estado de S.Paulo. Daí viria 70% do que o governo disse que investiria, mas que, pelo jeito, governadores e prefeitos terão que se virar para conseguir — e depois pagar.

Com suas idas e vindas, fazendo e depois desfazendo, o governo de Dilma Rousseff perde tempo precioso. Suas propostas acabam se mostrando infrutíferas e suas soluções, inviáveis. Quando o improviso evidencia-se, lança-se mão de arbitrariedades. Nem de um jeito nem do outro, porém, se encontram caminhos capazes de melhorar as condições de vida dos brasileiros e responder, efetivamente, aos problemas que se apresentam.

08 de agosto de 2013
abobado
Instituto Teotônio Vilela

SOBRE A INTERNET



Estou na Internet desde o seu surgimento no Brasil. Peguei o finalzinho da era BBS, ainda não como usuário, mas como observador curioso. Assim que foi tecnologicamente possível, assinei Internet em casa, com modem de 14 kbps, conexão discada e provedor Mandic.
Nem o Google existia; e para conversar usava-se o ICQ. Mesmo assim eu percebi que ali estava um divisor de águas na História - quem me conhece, sabe.
No começo fiquei maravilhado com a possibilidade de conversar com pessoas distantes, de lugares desconhecidos, afinal o conteúdo ainda não era tão grande e a lenta e picotada conexão da época impedia downloads ou sites pesados. Apenas com o tempo os artigos, os livros e, mais tarde, os vídeos começaram a circular, e então a Internet mostrou todo seu potencial.
Naquele momento eu achei que o mundo caminharia para o sucesso necessariamente: a disseminação de cultura e informação na dimensão inimaginável que a Internet oferecia certamente iria conduzir a população a um nível de conhecimento também incomparável na História.
Ahhhh, como eu estava enganado...
Hoje, mais de 15 anos depois da chegada da Internet, o que vejo é muito mais sombrio. Vejo algo como um curto período de liberdade e acesso à informação que está chegando ao fim sem que a maioria tenha aproveitado seu enorme potencial. Explico, em três partes:
A) A maioria das pessoas subutiliza a Internet, aproveitando muito pouco aquilo que ela oferece. Seja por desconhecimento, seja por preguiça ou mau gosto, quase sempre os internautas usam a rede para futilidades e fofocas – para comprovar, basta uma rápida pesquisa nos sites mais visitados ou nos trend topics do Twitter.
B) A liberdade na Internet está chegando ao fim e quem não a utilizou como poderia, não poderá mais. Nos EUA, mais de 70.000 blogs foram retirados do ar desde a chegada do Sr. Hussein Obama à presidência; no Brasil, país que mais fez pedidos de censura ao Google, não existe esse dado, mas eu conheço alguns blogs que foram retirados do ar e ouvi sobre outros que foram intimidados com processos, ameaças e perseguições. Fora isso, o número de leis criadas para limitar a liberdade na Internet é enorme e contam com o apoio de um monte de ONGs, de todos partidos políticos e até de jornalistas!!!
A+B=C
C) Como não acredito que o plano dos globalistas deixaria a rede mundial de computadores de fora, tenho certeza que o crescimento da Internet foi planejado para ocupar o espaço da mídia convencional, que com o tempo será totalmente substituída por uma forma de mídia totalmente controlável, que além de administrar o conteúdo emitido, monitora o conteúdo recebido pelo rebanho.
Nunca devemos esquecer que a Internet nasceu como ARPAnet, uma rede de comunicação militar americana, que possibilita rastrear toda e qualquer informação e, mais ainda, permite modificar um conteúdo já publicado, assim como Winston reescrevia a História em 1984.
 
 
 
08 de agosto de 2013
ordem natural

RABO DE PALHA

O caso Siemens.

Engraçado que o paspalho do min. da justiça José Eduardo Cardozo esta cantando de galo pra cima do Geraldo (refiro-me as denuncias de propina Metrô e CPTM), exigindo apurações e mais apurações e quando estourou o escândalo da rameira Rose e quiçá amante do homem, uma verdadeira chefe de quadrilha que agia dentro do governo o que já mereceria cadeia e abertura de uma CPI, ele e demais membros do governo, sequer deram um pio sobre este escândalo.
Outra coisa, ontem assisti pela Globo que o ex-presidente da Petrobras Gabrielli (aquele que não deveria gerenciar sequer uma banca de jornal, é medíocre), foi chamado a dar explicações sobre a compra milionária de uma refinaria em Pasadena (EUA), pagaram 1 bilhão de dólares quando custava 1/10 deste valor e agora tentaram vender e pasmem, foi oferecida a Petrobras só 100 milhões. Isto sim merecia uma CPI e cadeia para estes meliantes, começando pelo ex-presidente o "ratão-mor" que foi quem quase que obrigou (contra a orientação de especialistas nesta área) a Petrobras a investir em refinarias e hoje esta pagando o preço altíssimo por este erro estratégico.
Ai eu pergunto, onde esta a oposição que não se manifesta. Isso realmente me assusta!

08 de agosto de 2013
in mario fortes

UM PAÍS, A ÉTICA, AS RAPOSAS E AS PEQUENAS MENSAGENS

 
Nosso país é um daqueles lugares engraçados, onde algumas coisas acontecem que, se você as contasse, todos diriam serem mentiras. Fraudes, falcatruas, roubos e toda sorte de ilícitos são cometidos por figuras conhecidas e reconhecidas da política nacional e da sociedade, sem que nenhuma consequência danosa atinja essas pessoas.
 
Muito disso se deve a nossa própria cultura egoísta de levar vantagem em tudo e do fato de termos perdido velhos ideais saudáveis do cotidiano como honra, lealdade, honestidade e decência. Não me refiro ao puritanismo vazio e hipócrita. Quero me referir à postura ética e cidadã que todos deveríamos ter.
 
Costumamos bater no peito e exigir nossos direitos, mas desrespeitamos sem pestanejar os direitos dos outros. Gritamos “Fora Sarney” ou “Fora Renan”; mas pagamos a propina do guarda de trânsito para não sermos multados ou furamos a fila de qualquer coisa só para nos sentirmos “espertos”.
 
O Brasil é um país que carece de exemplos a serem seguidos. Carece de líderes na total acepção da palavra. Carece de metas claras no trato da “coisa pública” e, principalmente, carece de seriedade em todos os setores de sua sociedade.
 
Por mais que se tente mudar essa realidade tão desesperadora, são as pequenas mensagens emanadas das altas esferas do poder que solapam qualquer perspectiva de que algo mude num futuro próximo.
Muito mais dos que os Mensalões, os Propinodutos e todos os escândalos que vemos pipocar nos jornais a cada dia; são os detalhes da cara de pau dos corruptos e desonestos que mais impressionam e marcam negativamente nossa gente.
 
Todos nós sabemos que um juramento é algo de foro íntimo e que, muitas vezes, para algumas pessoas é meramente uma chata formalidade a ser ultrapassada ao assumir um determinado cargo ou responsabilidade. No entanto, por mais que sejam apenas palavras bonitas colocadas num papel para serem ditas numa cerimônia; o juramento tem certo “cheiro de verdade”.
A retirada da menção ao exercício ético do mandato de senador, no juramento de posse, pode não significar nada na prática laborativa do cargo e, muito menos, ser incapaz de constranger ou deter os velhos e novos corruptos e demagogos que infestam o Senado Federal. Contudo, é uma das pequenas coisas que servem de exemplo do desprezo e da degeneração que hoje reina na atividade pública brasileira.
 
Qual a objetividade de deixar a palavra ética no juramento de posse dos senadores? Como eu disse: absolutamente nenhuma. Mas, sua retirada tem o poder de chocar e de tornar vívida a ideia de que aqueles que ali estão a desprezam.
 
Da mesma forma, a escolha do advogado Elano Rodrigues Figueiredo para dirigir a ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar) é outra dessas pequenas mensagens emanadas do Congresso Nacional para a sociedade assumindo que a esperteza e a bandalheira são o que valem. Afinal de contas, é impossível imaginar que os senadores que aprovaram seu nome desconheciam que esse senhor advogava há anos em prol das empresas de planos de saúde. A “malandragem” e a “esperteza” desse senhor saltam aos olhos de qualquer um ao sabermos que ele omitiu intencionalmente tal fato de seu currículo apresentado aos senadores.
 
Como muitas das coisas inexplicáveis que acontecem em nosso país; fica difícil buscar argumentos que amparem a aceitação do nome do advogado para a chefia da agência sem que haja algum “acerto” por trás disto. Como aceitar um possível desconhecimento dos senadores da figura pública e notória do advogado e de suas ligações longas e íntimas com as empresas que terá de fiscalizar?
 
Sua própria atitude de omitir oficialmente esse relacionamento do currículo apresentado para a sabatina do Senado não transmite a ideia de uma postura ética e de lisura na condução de sua administração de tão importante órgão.
O que os nobres senadores fizeram foi, literalmente, colocar a raposa para vigiar o galinheiro.
 
Enquanto formos infestados de raposas e espertalhões; as pequenas mensagens negativas continuarão emanando para a sociedade fomentando a cultura do “meu primeiro” e o egoísmo hipócrita que recheia cada ato dos habitantes dessa nação de “malandros otários”.
E você, o que pensa disso?
 
08 de agosto de 2013
arthurius maximus

EM UM CERTO PAÍS CHAMADO BRASIL...



08 de agosto de 2013

RETRATO INSTANTÂNEO



(...) "Com toda a certeza,  a submissão dos médicos aos desígnios do governo será , em breve, lembrada apenas como mais uma das muitas falsas soluções simples para problemas complexos emanadas  do laboratório de trapalhadas do Palácio do Planalto.
As propostas oficiais somem na mesma velocidade com que aparecem. Lembra-se do plebiscito para consultar o povo sobre a reforma política que acabaria com todos os males da nação? Está morto e enterrado. Lembra-se da idéia de trazer  6000 médicos cubanos para suprir a carência de mão de obra especializada na saúde no interior do Brasil? Esqueça.
Alguém no governo acordou para o fato de que, se a ditadura cubana tem poder de exportar gente como mercadoria, esse tipo de comércio humano é inaceitável para os padrões humanitários brasileiros.

É inescapável a conclusão de que o Planalto está imerso em um momento de "realismo fantástico", aquela corrente da literatura em voga em meados do século passado que, ao contrário do gênero de terror em que  o sobrenatural assusta, espera que o leitor ache a coisa mais natural do mundo que pessoas mortas passeiem pelas ruas das cidades e que bois possam voar.
Essa tem sido a tônica das decisões tomadas pelo governo.

Fala-se da distribuição de dezenas de bilhões de reais, como se dinheiro nascesse em árvore. Decide-se o destino de médicos que ainda nem entraram na faculdade. Convoca-se um plebiscito em um dia para descobrir no seguinte que isto é uma tolice.

 O economista Joseph Schumpeter (1883 - 1950) deu a esse padrão de comportamento o nome de "racionalidade subjetiva", circunstância em que as pessoas - em vez de adaptar o pensamento e a ação às novas realidades - tentam encaixotar a realidade na sua moldura mental.
Isso não tem chance de dar certo."

08 de agosto de 2013
Veja