"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 6 de junho de 2012

MINISTÉRIO DO TURISMO PAGOU R$ 39 MILHÕES PARA CONVÊNIOS "SUSPEITOS DE IRREGULARIDADES"

 

Revelação foi feita por autoridade do Ministério à indagação do deputado RomárioCom suspeitas de irregularidades, o Ministério do Turismo suspendeu a execução de convênios do programa “Bem Receber Copa”, informou hoje a assessora especial do órgão, Suzana Dieckmann.

O programa consumiu R$ 39,4 milhões, mas a assessora afirmou que o dinheiro retornará aos cofres públicos. Será?

A manifestação da senhora Dieckmann foi em resposta ao deputado Romário (PSB-RJ), na audiência pública desta terça-feira, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, sobre preparação de mão-de-obra para os megaeventos no Brasil, a partir da Copa das Confederações, no ano que vem.

PERGUNTA

Romário quis saber qual o resultado prático do convênio entre o Ministério do Turismo com o Instituto Brasileiro de Hospedagem, que embolsou R$ 17.410.520,00…

Na teoria, o convênio se destinava a “implementar a segunda etapa do projeto Escola Virtual dos Meios de Hospedagem no âmbito do Programa Bem Receber Copa”.Ufa! Mais burocrático e enrolado impossível.

RESPOSTA

A senhora Dieckmann fez sinal para um assessor, que também não sabia do que se tratava. Na dúvida, a representante do Ministério do Turismo foi à mesa do deputado Romário para pegar as informações, exibidas no Portal da Transparência da Controladoria Geral da União.

Pouco depois, Suzana Dieckmann respondeu ao parlamentar que o programa em questão destinava-se a qualificar profissionais, mas “foram cancelados no início deste ano, após denúncias de irregularidades, que estão sendo investigadas”.

Porém, o Portal da Transparência não faz qualquer referência às investigações reveladas, mas confirma o pagamento de R$ 39.449.797,00 para 12 instituições conveniadas.

Para a Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, foram pagos R$ 3,6 milhões, em janeiro de 2011, a título de “apoio técnico e pedagógico, gestão, monitoramento e avaliação do programa Bem Receber Copa”.

A mesma Fundação recebeu R$ 1,4 milhões para “estudo de mapeamento estratégico do turismo para a Copa do Mundo/FIFA no Brasil em 2014.”

Já a Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares faturou R$ 9,9 milhões do Ministério do Turismo para “promover qualificação de profissionais do segmento de alimentação e bebidas”…

DÚVIDAS SEM RESPOSTAS

Em 2010 e 2011 questionei neste blog sobre a importância prática desses convênios, diante dos elevados valores. Até hoje não obtive resposta.

Após a audiência desta terça-feira tentei entrevistar a Senhora Dieckmann. Alegando pressa para chegar a outro compromisso – o que é comum quando uma autoridade quer fugir dos repórteres – ela não conseguiu articular uma frase completa sobre o assunto e repetiu o que havia dito na audiência.

TRANSPARÊNCIA

Diante disso crescem as dúvidas sobre os atos legais desses convênios que, agora, também são do deputado Romário: afinal, para que serviram esses convênios, na prática?

Quem sabe, diante do prestígio do parlamentar, a Senhora Suzana Dieckmann apresente respostas convincentes. Será?


06 de junho de 2012
José Cruz

STEPAN NERCESSIAN DEVE DANÇAR

 

stepan nercessian deve dançar
Stepan Nercessian está com o mandato de deputado por um fio. O advogado carioca Leandro Mello Frota protocolou na Câmara Federal, abertura de processo disciplinar contra ele pela prática de atos incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar.

Stepan Nercesssian, você sabe, é ator de TV e de cinema, mas é também deputado federal licenciado. Talvez isso você até nem soubesse até agora.

Outro dia, envergonhado porque o pegaram com a boca na botija das maracutaias de Cachoeira, ele licenciou-se.

Stepan não esconde e até já disse que pediu R$ 175 mil "emprestados" a Carlinhos Cachoeira, um "amigo de 20 anos".

Comprou então uma casa por R$ 160 milhas e uma "frisa" para brincar carnaval no Rio de Janeiro. Diz que devolveu. A casa não; a frisa também não. Devolveu - diz ele - a bufunfa que pediu emprestada.

Uma grana, diga-se de passagem, tomada sem o menor decoro parlamentar do banqueiro do jogo do bicho e outras contravenções de bom tamanho.

Stepan está por um fio. Bom artista que é, deve dançar como mais um indecoroso. E talvez até mais rápido que Demósfones Torres que, por incrível que pareça, tem mais jogo de cintura.

o6 de junho de 2012
sanatório da notícia

 

VIVER E DEIXAR VIVER


Jamais usei qualquer droga. Nem mesmo tabaco. A bem da verdade, nos distantes anos 70, dei duas tragadas num baseado. Estava em Estocolmo, em um apartamento de universitários, com 19 brasileiros e três suequinhas. Me passaram o bagulho. Para não bancar o estraga-prazeres, dei uma pitada. Uma das suecas me perguntou:

- Vocês brasileiros só sabem fazer isso?
- Isso o quê?
- Puxar fumo e ficar olhando o próprio umbigo?

Brasileiros, até pode ser, respondi. Mas expliquei que não era muito brasileiro. E convidei as três para meu apartamento, onde tomamos vinho a noite toda até o amanhecer. Noite e amanhecer é modo de dizer. Era verão e as noites eram de uma luz irreal, emanada por um sol paranóico que teimava em não deitar-se.

A maconha era liberada na Suécia e a prefeitura de Estocolmo inclusive financiava bares para a meninada fumar. Tentei entrar em um deles, para ver como é que era. Fui barrado, era maior de idade. O bar era para uso exclusivo de menores. Pelo que sei, a maconha continua liberada. O nível de criminalidade, de lá para cá, aumentou. Mas não pelo consumo de drogas. E sim pela invasão de muçulmanos no país dos Sveas.

Neste sentido, fumei mais maconha que tabaco. Lá pelos meus dez anos, eu participava de uma pecinha de teatro no primário. Representávamos os gaúchos, homens que, na visão das professoras, eram inconcebíveis sem um cigarro na boca. Dei uma tragada e joguei fora. Como não costumo usar o que não me agrada, até hoje não fumo.

Leitores que parecem não entender como alguém pode ser contra algo e ao mesmo tempo defender sua prática, querem saber afinal se sou contra ou a favor das drogas e do tabagismo. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. O cigarro é decididamente letal. Algumas drogas, nem tanto. Creio que um uso moderado de drogas como maconha e mesmo a cocaína pode proporcionar prazer sem matar ninguém. Consta que Freud era adepto da coca, e isto não prejudicou seu intelecto. De minha parte, não usaria nenhuma nem outra.

Mas se alguém quiser usá-las, nada contra. Se alguém quiser inclusive destruir-se com cigarros ou drogas, esteja a gosto. Considero que pessoas adultas sabem - ou pelo menos deveriam saber - o que fazem. Ainda há pouco, li entrevista com o ex-marido de Dilma Rousseff, que hoje só respira com o auxílio de bombas de oxigênio. Não se arrepende de seu tabagismo. Pelos prazeres que teve, acha que valeu a pena. É um ponto de vista. Más vale un gusto que cien pesos - dizia-se lá na Fronteira gaúcha.

Em Paris, vi um velhote acoplado a um tubo de oxigênio, carregado em uma maleta de rodinhas. Entrou numa tabacaria e pediu dois Gauloises. Em meu boteco em São Paulo, vi um habitué cadavérico, consumido pela cirrose - morreria dali a uma semana - bebendo tranqüilamente seu uísque. Comentei isto com uma de minhas médicas. Ela foi pragmática: se vai morrer mesmo, que curta seus últimos dias.

Você prefere 90 anos sem álcool ou 70 com cirrose? Se um dia me fizerem esta pergunta, opto serenamente pela segunda hipótese. Já minha médica tem outro enfoque: “eu não bebo e vivo bem”. Tem gente estranha neste mundo.

Da mesma forma, em virtude de minha ojeriza aos ativistas gays, há quem queira saber se sou contra ou a favor do homossexualismo. Ora, ser contra ou a favor do homossexualismo é o mesmo que ser contra ou a favor do amanhecer. O sol nem liga, vai continuar saindo. Homossexualismo é comportamento imemorial, vem do fundo dos tempos. Foi comportamento normal na Grécia e Roma antigas, até que a peste cristã transformasse o prazer em pecado.

Desde jovem convivi com homossexuais, no colégio, na universidade e no trabalho e nada vejo de anormal neles. É apenas um outro modo de ser. Mas essa militância aguerrida, que quer fazer do homossexual uma vítima, mesmo em sociedades onde os homossexuais transitam sem problemas, essa militância é abominável. Assemelham-se aos antigos comunistas, que se sentiam superiores aos demais seres humanos, porque afinal detinham a Verdade.

Jamais julguei uma pessoa por suas práticas sexuais, crenças, posses ou cor da pele. Julgo, isto sim, por sua inteligência ou cultura. Nem sentido, não tenho muita consideração pelas sumidades do mundo das artes ou da política que pontificam por aí.

Viver e deixar viver - este era o lema de Casanova, homem que soube viver. Só não gostam disto os religiosos e seguidores de filosofias fanáticas, que querem impor a todos o próprio comportamento.


06 de junho de 2012
janer cristaldo

FLUXO CAMBIAL É NEGATIVO PELA PRIMEIRA VEZ EM 2012



Pela primeira vez em 2012, o fluxo de dólares foi negativo no Brasil. Ou seja, recursos saíram do País rumo a outros mercados.

Dados divulgados nesta quarta-feira, 6, pelo Banco Central (BC) mostram que o fluxo cambial encerrou maio com saldo líquido negativo de US$ 2,691 bilhões.

O resultado mostra a primeira queda desde dezembro do ano passado e revela reversão do movimento observado de janeiro a abril, quando US$ 25,3 bilhões ingressaram no País.

A saída de dólares em maio foi concentrada exclusivamente no segmento financeiro, responsável pelo saldo negativo de US$ 6,327 bilhões. O valor foi gerado porque as transferências para o exterior alcançaram US$ 34,784 bilhões e superaram com folga o ingresso de US$ 28,457 bilhões no acumulado do mês. Nesses valores estão as operações de câmbio relacionadas a transações como venda de ações e títulos de renda fixa, remessa de lucros e dividendos, pagamento de empréstimos e investimentos produtivos, entre outros.

O mês não terminou pior porque o segmento comercial segue com números no azul. No mês, o setor trouxe US$ 3,636 bilhões, já que as exportações alcançaram US$ 22,180 bilhões e superaram as importações de US$ 18,544 bilhões em maio.

No primeiro dia de junho, o fluxo cambial foi positivo em US$ 324 milhões, sendo positivo o fluxo financeiro em US$ 79 milhões e também positivo em US$ 245 milhões o segmento comercial.

Fernando Nakagawa, da Agência Estado
06 de junho de 2012

REPASSANDO: SOBRE O FUTURO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO BRASIL

AO TRANSFERIR PARA OS CONSUMIDORES O PAPEL DE ALAVANCA DE SETOR PRODUTIVO, RESULTA: CALOTE 15a. ELEVAÇÃO EM 16 MESES

 
 
Com tantos estímulos ao consumo divulgados pelo governo nos últimos meses, o endividamento dos brasileiros continua crescendo. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a inadimplência do consumidor registrou alta de 4,32% em maio na comparação com o mesmo mês de 2011.

Foi a 15ª elevação em 16 meses, nessa mesma base de comparação. Com a queda das taxas de juros e a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e outros produtos, os consumidores não se planejaram financeiramente, comprometeram grande parte da renda com o pagamento de dívidas, que muitos não vem conseguindo pagar .

"A combinação de medidas definidas pelo governo aumentou o consumo, de fato. Porém, os consumidores seguem perdendo o controle dos seus gastos", observou a economista Ana Paula Bastos, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

A especialista destacou que o aumento do consumo das famílias é um dos fatores que estimulam a economia, ainda que a tendência de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) esteja fraca.
ANA CAROLINA DINARDO
Correio Braziliense
06 de junho de 2012

VETERANOS DO IRAQUE E AFEGANISTÃO DEVOLVEM MEDALHAS EM PROTESTO CONTRA OTAN

A matéria deveria render manchetes nos jornais, mas foi pouco divulgada. Aqui no Blog, só tomamos conhecimento em mensagem enviada pelo jornalista Sergio Caldieri, com base em despacho do Partido Comunista dos EUA.


A reportagem relata que em 20 de maio veteranos norte-americanos das guerras do Iraque e Afeganistão arremessaram suas medalhas no local onde ocorria a Cúpula da OTAN, em Chicago, no que foi a mais dramática ação anti-guerra de ex-soldados desde o Vietnã. Um por um, mais de 40 membros do serviço de todos os ramos das Forças Armadas subiram ao palco para contar suas histórias enquanto milhares de manifestantes anti-OTAN ouviam e aplaudiam.

“Quero dizer para aqueles atrás de nós, nestes muros fechados onde constroem mais políticas baseadas em mentiras e medo, que não estamos mais com eles e em suas guerras injustas. Tragam nossas tropas para casa”, disse Iris Feliciano, da Marinha dos EUA, que serviu no Afeganistão em 2002. Feliciano virou-se e arremessou suas medalhas para a McCormick Place, onde a Cúpula da OTAN foi realizada em 20-21 de maio.

Ao contrário da Guerra do Iraque, que recebeu oposição significativa antes e depois da invasão de 2003, a oposição à guerra no Afeganistão, agora em seu 11º ano, tem sido mais lenta para se construir entre os americanos. Com a fadiga da guerra, uma crise econômica e os cortes orçamentais draconianos para programas públicos vitais, pesquisas recentes mostram que quase 70 % dos americanos dizem que os EUA não deveriam estar em guerra no Afeganistão.

Vestidos com uniformes, integrantes do movimento Veteranos do Iraque Contra a Guerra e do recém-formado Veteranos Contra a Guerra no Afeganistão levaram em marcha o protesto anti-OTAN, que se estendeu por várias quadras enquanto a polícia, em número quase igual – muitos em trajes anti-motim – foi às ruas ou esperava em ônibus que piscavam “My Kind of Town Chicago is” em letreiros.

Os veteranos vieram de todo o país. Quando Scott Olsen, ativista veterano do Iraque e do Occupy Oakland, subiu ao palco com um capacete, a multidão logo o reconheceu. Olsen quase foi morto no último ano pela polícia de Oakland quando dispararam gás lacrimogêneo na multidão e Olsen foi atingido na cabeça.

“Meu nome é Scott Olsen”, disse. “Estas medalhas um dia me fizeram sentir-me bem sobre o que eu estava fazendo. Elas me fizeram sentir que eu estava fazendo a coisa certa. Então eu voltei para a realidade, e eu não as quero mais”, disse Olsen, jogando no chão suas medalhas Guerra Global contra o Terror, Operação Liberdade Iraquiana, Defesa Nacional e Boa Conduta.

Esta é a primeira vez, desde a Guerra do Vietnã (quando os veteranos contra a guerra atiraram suas medalhas no Capitólio dos EUA, em Washington) que um número tão grande de veteranos de guerra protestou de tal forma dramática.
06 de junho de 2012
Carlos Newton

O OCASO MELANCÓLICO DE UM CICLO POLÍTICO

 

O confronto entre Lula e Gilmar Mendes, na lona armada pelo indefectível Nelson Jobim, é o assunto do momento. O cidadão, espantado diante das versões conflitantes, tem razões de sobra para botar as barbas de molho. Seria cômico, fosse apenas uma patuscada patrocinada por três patetas.
Mas, por envolver figuras de proa, gigantes putativos da nossa rala República, pode ser trágico. Crise institucional? Mais uma operação abafa? Em qualquer dos casos, o “barraco” protagonizado por contendores de tão elevado coturno revela e avulta a dimensão da encalacrada na qual estamos metidos.

O primeiro dos contendores, tido e havido como intuitivo genial, foi titular por oito anos da principal alavanca do poder político no Brasil. E não foi um presidente qualquer. Liderança popular construída na luta contra a ditadura, ele polarizou pela esquerda as três primeiras disputas presidenciais do novo período.
Ganhou as duas seguintes e, depois de governar, fez a sucessora. Floresceu na oposição como esperança de protagonismo político da classe trabalhadora. Governou ancorado na composição com as forças conservadoras e teve o apoio crescente do grande capital. Segundo o mais abalizado dos especialistas no assunto, ele “salvou o capitalismo brasileiro”.

O segundo contendor, tido e havido como jurista astuto e competente, ocupou pelo tempo de praxe o mais alto posto do nosso Poder Judiciário. No Supremo Tribunal Federal, onde foi presidente e continua ativo e influente, ele opera no contraponto radical daquele tipo de juiz que só fala nos autos, não se mete em política, nem se faz sócio de empresas e negócios. Ele, ao contrário, se faz sócio de empreendimentos, faz política de forma ostensiva e fala pelos cotovelos. Tudo às claras.
Ao dar plantão noturno para revogar a ordem de prisão contra Daniel Dantas, ele se definiu por inteiro. Julgou salvar, no corpo do banqueiro, o espírito que anima as nossas instituições. Sem dúvida, ocupa um lugar ímpar entre os pares da “sereníssima República”, uma espécie de luminar da “direita togada”.

O anfitrião do encontro, cada vez mais tido e havido como trapalhão, é um caso à parte. Ao longo das últimas décadas, passeou sua figura espalhafatosa pelos mais altos escalões dos três poderes. No Legislativo, sua marca indelével foi a da trapaça na Constituinte (textos não votados incluídos na Carta Magna).
  Foi ministro e presidente da Suprema Corte e saiu de lá com um apelido nada glorioso para a função exercida: “líder do governo no Judiciário”. No Executivo, foi titular de ministérios e frequentou o alto escalão dos vários governos do período. Afastado por falastrão do governo em curso, continua circulado nas altas esferas dos poderes público e privado. O episódio em pauta deve reforçar-lhe a fama de pé frio, uma espécie de Rasputin desastrado.

O encontro, que explodiu como desencontro um mês depois, existiu e foi pedido por Lula. Essa, por enquanto, é a única certeza. As amizades e tratativas pregressas que possibilitaram a sua realização, bem como o teor e o tom do que foi dito ali, saíram da penumbra do segredo para a ofuscante luminosidade das versões interessadas. O cidadão, nos dois casos, segue mal servido. Por isso, barbas de molho e atenção redobrada para os desdobramentos do episódio.

Mais do que indignado, o ex-presidente Lula deve estar arrependido. Qualquer que tenha sido sua motivação ao pedir o encontro, o tiro saiu pela culatra. Ele, ao que tudo indica, ainda não elaborou seu novo lugar na engrenagem do poder. 
Por ser turno, Gilmar Mendes, como revela a adjetivação pedestre de suas reiteradas denúncias, partiu para o ataque como forma de defesa. Ao explicar o motivo do retardo na sua explosão de revolta, deixou patente a fonte de seus temores. Fez lembrar Roberto Jefferson.

A chamada turma do “deixa disso” já saiu em campo. Entre a cruz e a caldeirinha, os magistrados do Supremo buscam formas de contemporização. O atual presidente, Ayres Brito, remete o problema para o âmbito das relações pessoais. A sua veia poética prefere tratá-lo como uma patuscada patética.
A presidente Dilma, até por dever de ofício, já disparou os poderosos mecanismos da operação abafa. No discurso de desagravo ao ex-presidente, ela pareceu elogiá-lo ao dizer que “as pessoas nos lugares certos e na hora certa mudam os processos e transformam a realidade”. Na contraface do espelho, onde a alma se revela, pode se ler diferente: a mesma pessoa, no lugar errado e na hora errada, pode escangalhar tudo.

O ex-presidente, indignado com as ofensas do juiz boquirroto, vai exigir dele retratações para tantas injúrias? Vai processá-lo? O ministro do Supremo, que acusa o ex-presidente de operar uma central de boatos a serviço de criminosos, vai exigir explicações na barra dos tribunais? Ou ficará o dito pelo não dito e tudo seguirá como dantes no quartel de Abrantes? Crise institucional ou operação abafa?
Não se sabe, de antemão, o rumo dos acontecimentos. Uma coisa, no entanto, é certa. O episódio em pauta abre uma fase nova na atual conjuntura. Marcada pelo rescaldo de resíduos tóxicos acumulados (mensalão/CPMI Delta, Cachoeira/ Demóstenes), ela define os termos do ocaso melancólico de um ciclo político.

Leo Lince
(Transcrito do Correio da Cidadania)
06 de junho de 2012

CHARGE DO DUKE

 


06 DE JUNHO DE 2012

PROPOSTA INDECENTE

 

PauloBrossard
Episódio ocorrido em abril, dia 26 para ser mais preciso, só agora divulgado pela “Veja” – edição de 30 de maio –, e depois publicado em toda a imprensa, marcou de forma indelével a sucessão de fatos discrepantes da ética pública e privada. Continua a repercutir em seus desdobramentos, dada a sua particularíssima singularidade, assim pelo já noticiado como pelo que deixou de sê-lo. A circunstância do encontro promovido por iniciativa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, no escritório do ministro Nelson Jobim, com o ministro Gilmar Mendes, por si só justificaria a maior das repercussões; realmente as três personagens são indiscutivelmente fora de qualquer dúvida integrantes do alto estamento nacional.

Segundo a mesma fonte, o ex-presidente, que já tomara a iniciativa de promover a reunião, dirigindo-se ao ministro do STF, Gilmar Mendes, com uma finura de dar ciúmes ao Itamaraty, sustentou sem meias palavras a inconveniência de realizarem-se as eleições municipais antes do julgamento do processo criminal conhecido como mensalão. Não é preciso dizer que a liberdade que se autoconsentiu o ex-presidente chocaria um frade de pedra. Como é sabido, há coisas que podem ser pedidas a um juiz e há coisas que não podem, em caso algum, ser objeto de um pedido a um magistrado. Dir-se-á que o ex-presidente não tem formação jurídica, mas é um ex-presidente e isto bastaria para que ele, como qualquer pessoa sabe, que há coisa que um ex-presidente não pode fazer. O decoro inerente a quem exerceu o mais alto cargo da nação inibe certas liberdades que qualquer pessoa, mesmo a mais modesta, em sã consciência sabe, que não pode praticar.

Mas o que aumenta de maneira formidável a indecência da proposição é que a indecorosidade foi ainda mais longe, na medida em que o mesmo ex-titular da Presidência da República se permitiu anunciar ao ministro Gilmar Mendes que tinha o “controle” sobre a CPI, recém criada pelo Congresso, e que teria condições de “blindar” a pessoa do ministro aludindo a viagem que fizera a Berlim com a participação suspeita do esquema contraventor que hoje ocupa a mídia nacional. O ministro que teria sido alvejado diretamente pelo ex-presidente, sempre pela mesma fonte, replicou que ia a Berlim como o seu generoso e solícito protetor ia a São Bernardo, e que fizera a viagem, custeada com recursos seus como poderia demonstrar e veio fazê-lo, até porque em Berlim reside uma filha.
O decoro inerente a quem exerceu o mais alto cargo da nação inibe certas liberdades que qualquer pessoa sabe que não pode praticar
Esse aspecto parece ser de todos o mais grave, porque no fundo deste estratagema ressaltam os elementos de um delito e não pode recomendar, como não recomenda, a sua utilização por quem, em certo momento foi portador das insígnias nacionais. O caso tem outros aspectos, igualmente graves e constrangedores, também aludidos na matéria, mas que me abstenho de aflorá-los pelas limitações que o espaço me impõe. Não posso deixar, porém, de observar que o ex-presidente da República e o dono do escritório não confirmaram os mencionados oferecimentos apontados pelo ministro Gilmar Mendes.

Mas o que me parece particularmente sugestivo é que ambas as personalidades não disseram uma palavra do que fora tratado na reunião de 26 de abril. Afinal de contas, dada a eminência de seus participantes, não é de admitir-se que houvessem se reunido para uma rodada de canastra, tratar da escalação da Seleção Brasileira ou dos desafios da Copa. Já que a proposta indecente, confirmada pelo ministro Gilmar Mendes, não mereceu a confirmação dos outros convivas do encontro, não estariam eles na contingência de levar ao conhecimento da nação a sua versão do que lá foi tratado?

Paulo Brossard
06 de junho de 2012
Fonte: Zero Hora

CICLISTA MORRE ATROPELADO ENQUANTO PROCURAVA VAGA EM HOSPITAL

O GOVERNO INCENTIVA O CRIME


O Ministério da Saúde estuda a adoção de uma política de redução de danos e riscos para o aborto ilegal, informa reportagem de Johanna Nublat, publicada na Folha desta quarta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Trata-se de orientar o sistema de saúde a acolher a mulher decidida a fazer o aborto clandestino e dar a ela informação sobre riscos à saúde e métodos existentes.
A ideia é polêmica porque pode envolver a indicação de métodos abortivos considerados mais seguros que outros, como o uso de misoprostol -princípio ativo do remédio estomacal Cytotec, amplamente usado em abortos, apesar de ter venda restrita.
 
A ideia ainda está em fase de discussão interna, dentro de uma política maior de planejamento reprodutivo e combate à mortalidade materna.
O modelo foi adotado pelo governo do Uruguai em 2004, como resposta ao alto número de mortes maternas decorrentes do aborto inseguro.
 
O aborto é um crime, portanto o governo está orientando a como cometer um crime de forma segura.
 
O governo deveria estar fazendo campanhas ensinando as pessoas a evitar a gravidez e não a cometer assassinato de incapaz.
 
O próximo passo será o Ministério da Saúde estar dando cursos sobre formas eficientes de se cometer suicídio.
 
De como cometer a eutanásia de forma segura.
 
O Ministério da Justiça estará dando cursos e orientações de como explodir com segurança um caixa eletrônico com dinamite. Como assaltar sem correr o risco de levar um tiro da polícia.
 
Outro treinamento que o Ministério da Justiça deverá dar aos bandidos nas penitenciarias será o de como entrar com drogas no Brasil sem ser detectado pela Policia Federal, ou como negociar a troca de itens roubados por drogas.
 
Quem sabe o governo vá passar a tabelar o preço de itens roubados em número de pedras de crack?
 
É isto que podemos esperar de um governo de criminosos que só estão interessados em manter-se no poder e usando recursos públicos em benefício próprio.
 
Corja de assassinos!
 
06 de junho de 2012

A ESFINGE DECIFRADA

 


“Gosto mais de ser interpretado do que de me explicar”, informa uma anotação no diário que reúne milhares de frases manuscritas por Getúlio Vargas entre 1930 e 1942. E os autores dos livros sobre Getúlio sempre preferiram a interpretação à cansativa busca de informações que ajudassem a decifrar a esfinge, berra a imensidão de obras inspiradas no maior personagem do Brasil do século XX.
A fusão do silêncio e da preguiça confinou Getulio, por quase sessenta anos, em palavrórios deformados pela veneração, pelo afeto, por rancores, pela miopia ou pela vassalagem. Só agora o homem que transformou o tempo em cúmplice foi resgatado do universo imaginário por uma biografia genuína.
Getúlio ─ Dos Anos de Formação à Conquista do Poder (Companhia das Letras; 629 páginas; 52,50 reais) conta o caso como o caso foi. Até que enfim.

O primeiro volume da trilogia concebida pelo cearense Lira Neto (autor também de biografias da cantora Maysa e do Padre Cicero) descreve a trajetória da lenda entre o outono de 1882, quando chegou ao mundo, e a primavera de 1930, quando chegou ao poder. (O segundo volume tratará do período que vai de 1930 e 1945 e o ultimo se estenderá até a morte em 1954.) Em dois anos e meio de pesquisas, que incluíram consultas a fontes primárias e incursões por estantes ainda indevassadas, Lira Neto juntou tantas informações relevantes que não sobrou espaço para análises acadêmicas e especulações sem serventia. Melhor para os leitores.

Escritor talentoso, Lira Neto enfileira episódios eletrizantes que atormentaram uma república ainda na infância e enfraquecida pelo parto prematuro. A narrativa lembra o roteiro de um filme de ação que saiu da tela para provar que a realidade pode ser mais turbulenta e surpreendente que qualquer história inventada. Getúlio precisou remover, contornar ou implodir formidáveis pedras no caminho para chegar ao Palácio do Catete, onde permaneceria ate 1945 e voltaria a morar como presidente eleito de 1950 a 1954. Entre uma eleição decidida nas urnas e outra resolvida a bala, o conciliador vocacional teve de sobreviver a mais uma guerra civil gaúcha, a duelos com correligionários ciumentos ou adversários brutais, além dos sucessivos levantes promovidos por tenentes rebelados desde a primeira noite no quartel, que começaram com o hino ao absurdo composto pelos 18 do Forte e desembocaram na Coluna Prestes.

Pois ainda melhor que a história é o elenco, que soma os melhores e mais brilhantes atores de duas gerações admiráveis. Uma composta de veteranos como o gaúcho Borges de Medeiros, o mineiro Antônio Carlos de Andrada ou o fluminense Washington Luís, começava a sair de cena depois de fundar a República. Outra, que aposentaria a República precocemente envelhecida, juntava jovens como o sergipano Siqueira Campos, o cearense Juarez Távora ou os gaúchos Oswaldo Aranha, João Neves da Fontoura, Batista Lusardo, Luís Carlos Prestes e Flores da Cunha.

Até que a vitória em 1930 o transformasse em estrela incontrastável, Getulio teve de caçar espaços na ribalta atulhada de protagonistas ou coadjuvantes que encarnavam personagens secundários com a aplicação de candidatos ao papel principal. Getúlio, por exemplo, garantiu a vaga no grupo de elite ao encarnar o mais leal dos ministros de Washington Luís e, em seguida, o mais obediente discípulo de Borges de Medeiros. Washington Luís só acreditou na deserção do aliado quando Getúlio aceitou enfrentar como candidato oposicionista o sucessor escolhido pelo presidente, Júlio Prestes. E o caudilho que governou o Rio Grande do Sul por 25 anos resolveu transformar em herdeiro aquele filho do amigo Manuel Vargas, general dos chimangos de São Borja.

O maior politico do século nasceu quando o subordinado que sabia obedecer começou a mandar. Alojado no Palácio Piratini em 1928, mostrou em poucos meses que, além de provido das qualidades exibidas pelos parceiros, tinha virtudes que faltavam aos eventuais concorrentes. Culto como Washington Luis, sedutor como Oswaldo Aranha, corajoso como Neves da Fontoura, matreiro como Antônio Carlos de Andrada, Getúlio aprendeu a adivinhar a mudança dos ventos e esperar a hora certa. Proibiu-se de cultivar ódios, ressentimentos ou mesmo antipatias ao decidir que, se ninguém e tão amigo que não possa virar inimigo, também não existem inimigos que não possam ser convertidos em amigos.

Lira Neto demonstra que o líder nascido e criado num mundo dividido em metades incompatíveis superou o mais paciente e habilidoso dos negociadores mineiros na arte da conciliação. Quatro anos depois de trocar tiros com os maragatos de Assis Brasil, apareceu no Piratini trocando amabilidades com o chefe do exercito inimigo. A reconciliação inverossímil permitiu que em 1930, pela primeira vez em 100 anos, os disparos dos combatentes gaúchos não reduzissem a população do Rio Grande do Sul. A revolução comandada por um devoto do convívio dos contrários, coerentemente, foi encerrada pela batalha que não houve em Itararé.

Ainda incompleto, o retrato do mito já permite a contemplação de um estadista diplomado com louvor. Num país que confunde teimosia com coerência, Getulio foi sempre contemporâneo do mundo ao redor. Positivista de berço, transformou os cristãos no alvo preferencial do discurso do orador da turma da faculdade de direito. Militante do Partido Republicano, endossou os princípios autoritários de Júlio de Castilhos. Durante a ascensão do fascismo na Itália, flertou com as ideias recitadas por Benito Mussolini. Forjado no Brasil rural, apressaria a gestação do Brasil industrializado. Metamorfose nem sempre é outro nome do oportunismo.

Passados 100 anos, o confronto entre os tempos de Getulio e a era Lula informa que no palco sensivelmente modernizado se movem atores de quinta categoria. A plateia não sofreu mudanças notáveis. Antes como agora, eleitores desinformados não conseguem interessar-se por tramas que vão desenhando o futuro da nação. Os netos dos que viam em Getulio o “pai dos pobres” agora enxergam em Lula o “exterminador da fome” e aplaudem as proezas imaginárias da superexecutiva Dilma Rousseff. O que mudou dramaticamente ─ para pior ─ foi o elenco.

As luminosas singularidades que contracenaram, como aliados ou adversários, contracenaram com o presidente suicida foram substituídos por canastrões sem cura e amadores bisonhos. De longe e afundado na abulia, o povo continua validando decisões aprovadas nas coxias. Pena que Oswaldo Aranha não tenha sobrevivido à virada do século. Ele achava que o Brasil em que viveu era “um deserto de homens e de ideias”. Ao ouvir Lula berrando num palanque que é melhor que Getulio Vargas, descobriria que foi traído pela impaciência. Deveria ter esperado cinquenta anos para emitir o diagnóstico.

06 de junho de 2012
Augusto Nunes

A GRANDE FRAUDE DA EDUCAÇÃO

PSDB RESPONSABILIZA FILHOTE DE LULA PELA GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS.
Lula, o inventor de Haddad.
Lideranças do PSDB unificaram o discurso nesta terça-feira, 5, para atacar a greve de mais de 15 dias que atinge cerca de 80% das universidades federais do País, deixando mais de dois milhões de estudantes sem aulas.
 
Para os líderes tucanos, o responsável por essa crise é o ex-ministro da Educação e atual pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.
 
A atuação do ex-ministro, que chegou a ser classificada de "revolucionária" pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista ao Programa do Ratinho, na semana passada, é considerada precária pelos tucanos e, por isso mesmo, deverá ser utilizada como alvo de críticas pela campanha do tucano José Serra.
 
A estratégia de utilizar a greve nas universidades federais para criticar a atuação de Haddad no Ministério da Educação mobilizou desde o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, e o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, até lideranças locais em São Paulo, como o vereador Floriano Pesaro. "Ele (Haddad) terá muito a explicar, até porque deixou o governo para disputar uma eleição", criticou Dias. Para o líder do PSDB no Senado Federal, durante o tempo em que Haddad foi ministro, não houve planejamento no setor e sobraram planos eleitoreiros: "Muito marketing para pouco resultado."
 
Em entrevista à Agência Estado, Sérgio Guerra classificou de "fraudulento" o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), desenvolvido por Haddad quando era ministro. "(O programa) foi anunciado de uma forma que não se confirmou, é fraudulento. A universidade do ABC, com problemas de gestão e logística, teve evasão de 42% (dos alunos) no ano passado. A gestão dele não o credencia a ser prefeito nem sequer a continuar como ministro. O que ele desenvolveu, nem o ENEM nem o Reuni, não convence ninguém", disse o presidente nacional da sigla.
 
Para o vereador Floriano Pesaro, Haddad criou "universidades de papel", sem recursos e em locais que faltam até água. Ao listar os problemas enfrentados pelos estudantes em universidades de todo o País, o tucano destacou que a gestão de Haddad chegou a inaugurar, em Guarulhos, universidades sem salas de aula e sem infraestrutura. E questionou o projeto de vereadores do PT de condecorar Haddad com a medalha Anchieta, a mais alta honraria do município: "Tenho argumentado que isso é uma afronta aos professores das universidades federais, que estão 80% parados. Isso faz parte do marketing eleitoral do PT, sempre criando factoides, são cidades cenográficas."
 
Sérgio Guerra chegou a fazer um comparativo das gestões de José Serra, como ministro da Saúde, e de Haddad, como titular da Educação. "Se (Haddad) tivesse sido um ministro da Educação como o Serra foi da Saúde, teria sido perfeito." E garantiu que o tucano convenceu não apenas os aliados, mas também os adversários quando esteve no comando deste ministério. E continuou nas críticas ao petista: "A greve (das universidades federais) é uma marca registrada de Haddad." Em seguida, questionou a legitimidade da candidatura do afilhado político do ex-presidente Lula: "Haddad não tem legitimidade. Não foi escolhido em prévias. (Foi escolhido pela) falta de democracia do Lula."
 
Do site do jornal O Estado de S. Paulo
 
06 de junho de 2012
in aluizio amorim

MINISTÉRIO DA SAÚDE ESTUDA FORMA OBLÍQUA DE LEGALIZAR E PATROCINAR O ABORTO

E o faz às escondidas, contra a vontade da sociedade. Dilma precisa saber que democracias não podem ter agenda secreta

Caras e caros, lancem este texto na rede e façam o debate. O Ministério da Saúde discute uma proposta verdadeiramente asquerosa na sua sanha para tentar legalizar o aborto por vias oblíquas. E Eleonora Menicucci, aquela, está no meio…

Se eu tivesse de escolher uma metáfora para a chamada política de redução de danos para os dependentes químicos, por exemplo, seria esta: “Vá lá e flerte com o demônio; você certamente conseguirá domá-lo”. A dita-cuja é considerada uma alternativa moderna e mais humana a um conjunto de ações contra as drogas, que vai da repressão a tráfico e consumo ao tratamento médico propriamente dito.
A “redução de danos” consiste em considerar o mal inevitável e em oferecer, então, condições mais seguras para experimentá-lo. ONGs que lidam com esse conceito, com o patrocínio do poder público, já distribuíram a viciados, por exemplo, kits com seringas para substâncias injetáveis e cachimbinhos para o consumo de crack.
Na minha república, estariam todos na cadeia por incitação ao consumo de drogas. Por aqui, estão escrevendo artigos em jornais e integram programas públicos que lidam com viciados… Pois é! Agora, o conceito de “redução de danos”, de flerte supostamente civilizado com o mal, chegou ao aborto.

O Ministério da Saúde, acreditem os senhores, estuda uma forma de organizar na rede pública um atendimento pré-aborto, que se destinaria a orientar a mulher que quer interromper a gravidez sobre os melhores métodos para fazê-lo, preparando-a para a coisa e já agendando o atendimento pós-procedimento.

Dado que o aborto é crime fora das agora três exceções — estupro, risco de morte da mãe e feto com diagnóstico de anencefalia —, o Ministério da Saúde, segundo entendi, está querendo se estruturar para fornecer a expertise necessária à prática de um crime. Como o hospital público não pode fazer o aborto puramente eletivo, estaria atuando como o pré-atendimento dos açougueiros clandestinos de almas. A alternativa, segundo se entende de reportagem de Johanna Nublat na Folha de hoje, é a rede pública de saúde se transformar numa central de distribuição de um remédio abortivo. Leiam trechos. Volto em seguida.

*
O Ministério da Saúde estuda a adoção de uma política de redução de danos e riscos para o aborto ilegal. Trata-se de orientar o sistema de saúde a acolher a mulher decidida a fazer o aborto clandestino e dar a ela informação sobre riscos à saúde e métodos existentes. A ideia é polêmica porque pode envolver a indicação de métodos abortivos considerados mais seguros que outros, como o uso de misoprostol - princípio ativo do remédio estomacal Cytotec, amplamente usado em abortos, apesar de ter venda restrita.

“Como essa discussão é nova para nós, não fechamos o que seria um rol de orientação. Queremos estabelecer, até do ponto de vista ético, qual é o limite para orientar as equipes”, diz o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães. A ideia ainda está em fase de discussão interna, dentro de uma política maior de planejamento reprodutivo e combate à mortalidade materna. O modelo foi adotado pelo governo do Uruguai em 2004, como resposta ao alto número de mortes maternas decorrentes do aborto inseguro.

Tratada com cautela, a proposta foi abordada pela ministra Eleonora Menicucci (Mulheres), na semana passada, em um seminário sobre mortes maternas. Em 2011, morreram de janeiro a setembro 1.038 mulheres no parto e na gestação, número considerado alto. Em 2005, o governo estimava em 1 milhão os abortos induzidos anualmente, mas não há cruzamento com os óbitos. Menicucci e Magalhães dizem, por outro lado, que está mantida a posição de governo de não mexer na legislação que criminaliza o aborto. “Já temos a ideia de que isso não é crime, o crime é o ato em si”, diz o secretário.
(…)

Voltei

É tudo de um cinismo asqueroso. Magalhães, este monstro do pensamento jurídico, já tem “a ideia” de que crime é o ato em si, não a colaboração para a sua execução. Não é o que está no Artigo 29 do Código Penal, a saber:

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

Atentem para o “de qualquer modo”. A ingestão deliberada do misoprostol é só o método que vai conduzir à morte do feto — que é o crime. Recomendar a sua administração ou ministrar à mulher remédios preventivos, que a tornem mais apta a usar a droga abortiva, parece incidir de maneira cristalina no parágrafo primeiro desse Artigo 29.

É evidente que dona Menicucci — aquela que foi aprender a fazer aborto com as próprias mãos em clínicas clandestinas da Colômbia e que atuava num grupo que ensinava as mulheres a praticar o autoaborto — tinha de estar no debate dessa nojeira homicida. Ninguém precisa acreditar apenas em mim. Se vocês clicarem aqui, encontrarão um texto técnico, em inglês, sobre as condições de uso do Cytotec (misoprotol) e sua efetividade.
Ele só é “recomendado” até a 12ª semana de gravidez. Em 70% dos casos, o aborto ocorre em até 12 horas, mas pode chegar a 72 horas, com contrações, hemorragias etc. Digam-me cá: esse atendimento pré-aborto ficaria devidamente registrado na ficha da mulher? Algo assim: “Recomendou-se nesta data que Fulana de tal ingerisse Cytotec ou introduzisse a droga na vagina…” Atenção! Nem a Organização Mundial da Saúde concluiu um estudo sobre o uso desse remédio com essa finalidade.

Número de mortes

Vocês se lembram que, até havia uns dois meses, afirmava-se em cena aberta que se praticavam no Brasil um milhão de abortos por ano, com a morte de 200 mil mulheres? Em fevereiro, peritos da ONU esfregaram esses números da cara de Dona Menicucci, cobrando providências, e ela os acatou. Nem poderia ser diferente, não é? Abortista e confessadamente aborteira, ela está entre aqueles que ajudaram a produzir essa farsa. Com dados do IBGE,
provei que esses números eram estupidamente mentirosos. O número de mulheres mortas estava sendo multiplicado por, deixem-me ver, 200!!! Vejam lá no texto da Folha.
O governo insiste na falácia daquele milhão de abortos, mas o número de mulheres mortas caiu brutalmente, não é? De janeiro a setembro, 1.038 ocorrências na gestação e no parto. Atenção! Mesmo nesse universo, é impossível saber quantas pereceram em razão de abortos provocados.
Os terroristas do abortismo resolveram aposentar um dos números falaciosos (as 200 mil mortes, que nunca ocorreram), mas mantiveram o outro — os supostos 1 milhão de abortos provocados.

Agenda oculta


Vai mal o governo também nessa questão. Não gosto de agendas ocultas. Elas fraudam a democracia. Dilma era favorável à legalização do aborto. Disse isso mais de uma vez. Declarou ter mudado de opinião quando se fez candidata. A máquina de propaganda petista tentou operar o milagre de criminalizar — um escândalo moral!!! — quem dizia a verdade sobre a opinião do partido e da então candidata.
O Tribunal Superior Eleitoral cometeu a vergonha de pôr a Polícia Federal no encalço de católicos que distribuíram panfletos sobre o tema, numa agressão arreganhada à liberdade de expressão.


Eleita, Dilma nomeou para o Ministério das Mulheres uma abortista fanática e aborteira confessa e mantém o tema como agenda permanente do governo, embora escolha sempre um caminho oblíquo.

O debate não é vergonhoso só por causa do mérito: o assassinato; o debate não é vergonhoso só por causa do estelionato eleitoral: Dilma disse que não daria curso a essa questão; o debate não é vergonhoso só por causa da covardia política: tenta-se a legalização da prática por vias tortas. O debate também é vergonhoso porque o atendimento à saúde no Brasil é um descalabro. Impor essa agenda a um serviço que larga os miseráveis em macas pelos corredores, em hospitais e postos de atendimento que são verdadeiros pardieiros, é um desses luxos a que só o fanatismo ideológico se consente.

E tudo por quê? Porque os “progressistas” não abrem mão de legalizar os assassinatos virtuosos. Numa democracia convencional — isto é, saudável —, a oposição tomaria a palavra nesta quarta no Congresso e obrigaria o governo a se explicar. A nossa vai ficar em silêncio porque não considera que este seja um tema relevante. A vanguarda da morte está assanhada. Cadê a vanguarda da vida? Se o governo quer legalizar o aborto, que tenha a coragem de fazer o debate às claras.

06 de junho de 2012
Reinaldo Azevedo