"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 10 de julho de 2012

QUEM FINANCIA A CAMPANHA DAS CENTRAIS SINDICAIS A FAVOR DOS MENSALEIROS? VOCÊ!!!

As duas maiores centrais sindicais -- CUT e Força Sindical -- prometem mobilizar suas "bases" para pressionar o STF a absolver os mensaleiros. O engajamento, anunciado pela CUT, logo foi seguido pela Força Sindical, como noticiou o blog nesta terça-feira.
Pergunto: quem financia a campanha pela impunidade da quadrilha do Mensalão? Respondo: você, com o que lhe é descontado do salário a título de pagamento da contribuição sindical equivalente a um dia de trabalho por ano.
A quase totalidade do dinheiro arrecadado na marra dos trabalhadores para manter a paquidérmica organização sindical brasileira não é pequeno. 60% do que é arrecadado vão para os sindicatos; federações e confederações ficam com outros 20%; as centrais sindicais recebem 10%. Não é pouca coisa. Só no ano passado, a CUT recebeu quase R$ 32 milhões; a Força Sindical ficou com R$ 29 milhões.
Por obra e graça do companheiro Lula, que regulamentou as centrais sindicais em 2008, essas organizações receberam o beneplácito da imunidade. Foram desobrigadas de prestar contas da aplicação dos recursos inclusive ao Tribunal de Contas da União.
A rigor, podem fazer o que quiserem coma dinheirama -- inclusive prover meios para a arregimentação de uma massa-de-manobra para ressionar o Poder Judiciário a absolver criminosos.
Dilma Rousseff, que tem sido mais dura com as centrais do que seu criador, ainda assim foi extremamente cordata com relação à fiscalização. Ao sancionar a Lei de Acesso à Informação, que obrigou sindicatos a prestar contas da fração que recebem da contribuição sindical, manteve a imunidade das centrais sindicais.
Hoje, portanto, elas gozam de um privilégio que não é dado a nenhum outro segmento da economia ou da política. Ninguém sabe, a rigor, e não existem instrumentos legais que permitam saber, o que é feito do donheiro arrancado na marra do trabalhador e destinado pelo governo a essas organizações.
Certo mesmo é que pelo menos uma parte dele vai financiar atividades como a reabilitação de Delúbio Soares, cuja volta da proscrição foi marcada por um regabofe custeado pela pelegada cutista.
Não satisfeitos em transformar a entidade numa trincheira partidária -- o que é compreensível, dada a imbricação histórica entre o partido e a central -- os novos pelegos agora se dispõe a fazer o papel de reabilitadores de deliquentes caídos.
E tudo isso às suas custas.
10 de julho de 2012
Fábio Pannunzio

PENSAMENTO DO DIA

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)



10 de julho de 2012

HEZBOLLAH DIZ QUE EUA ATACAM A SÍRIA, PARA CONSTRUIR OUTRO ORIENTE MÉDIO CONTROLADO POR ELES E ISRAEL

Ammar Al-Mussawi (diretor de Relações Internacionais do Hezbollah no Líbano, em entrevista a Ernesto Gómez Abascal, de La Haine, que foi embaixador de Cuba em vários países do Oriente Próximo. É jornalista e escritor).

Como o senhor avalia a situação atual na região?

Para nós, no Hezbollah, a questão central sempre é a Palestina, a libertação da Palestina e conseguir que esse povo irmão recupere a própria terra e seus direitos legítimos. Independentemente de problemas que realmente haja em alguns países, que provocaram tensões e enfrentamentos internos – o que o ocidente chama ‘festivamente’ de “Primavera Árabe”, termo com o qual não concordamos –, os EUA, os sionistas e seus aliados estão provocando e promovendo conflitos e divisões de todos os tipos, que jogam a favor dos interesses sionistas de Israel.

Aqueles mesmos atores provocam e estimulam os enfrentamentos sectários: entre sunitas e xiitas; entre muçulmanos e cristãos; com a minoria copta no Egito; com os curdos nos países onde vivem. Onde não encontrem terreno fértil para provocar e estimular confrontos religiosos, põem-se então a provocar e estimular lutas tribais – como fizeram na Líbia. Interessa a eles aprofundar as divisões, não promover qualquer entendimento ou qualquer paz. Interessa a eles que, em todas as regiões, haja lutas internas, que enfraquecem os grupos locais que, enfraquecidos, podem ser mais facilmente controlados. Assim, podem continuar a tentar fazer avançar seu plano de dominar todo o Oriente Médio.

O Hezbollah busca em primeiro lugar a unidade de todas as forças locais e nacionais. A mobilização para a unidade é nossa escolha principal. Somos contrários a qualquer tipo de sectarismo.
A guerra de 2006 contra o Hezbollah no Líbano foi dirigida pelos EUA. Condoleeza Rice, secretária de Estado, empenhou-se pessoalmente nos detalhes de como criar ali a guerra, na certeza de que, em guerra, derrotaria o Hezbollah. Viajou muito pela região, mas não conseguiram nos derrotar.
De fato, aconteceu o contrário: nós derrotamos Israel e os EUA. Perderam a batalha pelo Líbano. Temos imensa capacidade de recuperação. Eles não. As derrotas pesam muito mais sobre eles, do que sobre nós.

Hoje, o Hezbollah tem capacidade de resposta militar muito maior do que tinha quando foi atacado por EUA e Israel. Se voltarem a nos atacar, responderemos. Podemos responder e atacá-los com absoluta precisão em qualquer ponto do território ocupado pelos sionistas. Eles sabem disso. Por isso, nunca mais voltaram a atacar frontalmente o Hezbollah. Porque sabem que estamos em condições de dar-lhes resposta demolidora.

E sobre a Síria? O que seu partido pensa da situação na Síria?

Agora, é a Síria que enfrenta guerra movida contra o país pelos EUA. O objetivo é sempre o mesmo: criar um novo Grande Oriente Médio controlado por EUA e Israel. Por trás de tudo, está a ambição de controlar os recursos energéticos com vistas ao século 21 – quando o gás natural passará a ter papel mais importante. Se se observa o mapa, vê-se que a Síria é o caminho natural para levar até o Mediterrâneo os gasodutos que partem das fontes de gás no Irã, no Iraque e no Qatar, onde se localizam as principais reservas. Já se descobriram poços importantes de gás também na Síria e no Líbano.
A monarquia que governa o Qatar tem especial interesse nisso, e há enormes reservas de gás no território qatari. A monarquia que governa o Qatar tem enorme poder, porque ali está instalada a maior base dos EUA no Golfo. Por que não põem o mesmo empenho ‘democrático’, como dizem, para defender os palestinos, que lutam contra o sionismo?

A Arábia Saudita não faz diferente. Aqui no Líbano, em várias mesquitas, recolhe-se dinheiro para ajudar a oposição na Síria: nunca fizeram nada de semelhante, para ajudar a resistência palestina.
Quanto à atual correlação de forças na Síria, entendemos que a situação não é simples, mas que o governo sírio tem capacidade para resistir e derrotar os agressores. Ano passado, quando começaram as ações terroristas, a oposição e os EUA diziam que o governo de Assad cairia em três meses. Depois, falaram em seis meses. Agora, já não se fala em prazos. A mais recente avaliação da situação síria, feita pela inteligência de Israel, prevê que Assad pode permanecer anos no poder.

Diferente do que se viu acontecer na Líbia, as Forças Armadas sírias estão coesas e mantêm plena capacidade de combate. Praticamente não há deserções, e as poucas deserções que houve foram casos individuais, pessoais. O inimigo também não conseguiu seduzir funcionários das embaixadas sírias. Por isso, precisamente, depois de muito tentar subornar o pessoal diplomático sírio, os países da União Europeia tomaram a decisão, apenas teatral, de expulsar os embaixadores.

A oposição síria, por sua vez, está muito dividida; e os EUA não conseguiram promover qualquer união, cenográfica que fosse, apesar da muitas reuniões dos chamados “amigos da Síria”.
A guerra contra Síria é prova da hipocrisia e das duas línguas que falam Obama e os imperialistas: dizem que combatem o terrorismo, mas, hoje, já estão aliados à Al Qaeda, aos salafistas e a todos os tipos de terroristas e extremistas que cometem crimes na Síria.

O Egito é país muito importante. Como o Hezbollah vê a evolução da situação no Egito, depois das eleições?

Sobre o Egito e os resultados das eleições, está muito claro que os EUA andaram trabalhando muito para salvar o que conseguissem salvar, do regime deposto. Os elementos do Conselho Militar, muito comprometidos com os interesses dos EUA, conseguiram impor condições para limitar o poder do presidente e dos Irmãos da Fraternidade Muçulmana.

Apoiamos a ideia de formar um governo de unidade nacional. Chegar à presidência não significa obter o poder. Ter a maioria parlamentar também não significa ter poder. Para produzir mudanças a favor dos interesses do povo, é preciso fazer uma verdadeira revolução, e isso não é possível, se permanecem, nas instituições e estruturas do poder, as mesmas forças que lá estavam nos governos anteriores.

ENTREVISTA COM O PROFESSOR ANTONIO CÃNDIDO

Prof. Antonio Cândido, aos 93 anos, diz que o socialismo é uma doutrina triunfante.

Para colocar ainda mais lenha no aceso debate político-ideológico que se trava no Blog da Tribuna, vamos publicar os principais trechos de uma instigante entrevista concedida à jornalista Joana Tavares, do Brasil de Fato, pelo crítico literário, professor, sociólogo, militante Antonio Candido. Com extraordinária lucidez e precisão, ele explica a sua concepção de socialismo, que diz ser uma doutrina trunfante, partindo para uma tese surpreendente e inovadora. A entrevista nos foi enviada por Sergio Caldieri, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.



Brasil de Fato – O que o senhor lê hoje em dia?

Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.

Brasil de Fato – O senhor é socialista?

Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Brasil de Fato – Por quê?

Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

Brasil de Fato – O socialismo, como luta dos trabalhadores?

Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto, ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

Brasil de Fato Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para os que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo.

VIOLÊNCIA DE GRAÇA...


DILMA COMPRA RETROESCAVADEIRAS

Como não me cabe fazer a análise técnica da política econômica do governo, limito-me a tecer comentários acerca desta ou daquela medida, quando é o caso.

Esse é o caso do último pacote anunciado por Dilma Rousseff e Guido Mantega, com pompa e circunstância, no Palácio do Planalto. É o oitavo pacote, emergencial como os outros, tentando conter a tendência da economia brasileira à estagnação.

Como disse outro dia, a festa acabou, o banquete que Lula encontrou pronto tratou de usufruir dele politicamente o mais que pôde, distribuindo benesses a torto e a direito, sem se preocupar com o futuro.
Garantiu desse modo a própria popularidade e elegeu Dilma, que recebeu como herança, além de ministros corruptos, o encargo de continuar a festa.

Mas, embora não tivessem percebido, a festa acabara e nenhuma medida havia sido tomada para manter a mesa farta. É que, para isso, seria necessário que o país crescesse e, para crescer, seria preciso investir nos setores estruturais. Sucede que isso não é próprio de governos populistas, uma vez que investimentos, cujos resultados custam a aparecer, não interessam.

Acontece que o processo econômico não obedece à vontade de Lula, pois tem suas próprias leis e exigências. Disso resulta que, esgotado o potencial contido nas medidas do governo anterior, a economia começou a ratear, quase parando. Dilma acordou e começou a produzir pacotes.
Como se sabe, os partidos revolucionários não têm programa de governo, pois acreditam que, como o mal da sociedade é a burguesia, basta eliminá-la para chegar-se à sociedade perfeita.

Os exemplos não faltam. O PT, embora não fosse revolucionário de fato, trouxe deles essa herança e, assim, ao assumir o governo do país, adotou o programa do governo anterior, que havia combatido ferozmente. Mas ficou nisso: esgotadas as possibilidades do programa herdado, não tem o que pôr no lugar, a não ser os pacotes emergenciais que se sucedem.

Outra característica do governo petista, afora não ter programa, e por isso mesmo, é valer-se da propaganda para ganhar a opinião pública. Esse é um recurso muito usado pelos governos populistas, já que, para o povo em geral, quer o pacote dê resultado ou não, fica a notícia de que o governo está trabalhando, resolvendo os problemas.

O PAC é exemplo disso: para o grande público (o eleitor), o governo está “acelerando” o crescimento do país, mas, na realidade, dos R$ 80 bilhões aprovados no Orçamento deste ano, só gastou até agora menos de ¼ dele. Sabem por quê?

Porque lhe falta competência técnica para realizar os projetos. E, se lhe falta, é porque o preenchimento dos cargos executivos não é determinado por critério técnico, mas político. Não por acaso, o governo espantosamente admite que cada ministério pertence a determinado partido, que o usa politicamente.

E, por falar em acaso, foi exatamente agora, a poucos meses das eleições, que Dilma decidiu lançar seu oitavo pacote. Mas não foi só por isso. Foi também porque o pacote anterior, reduzindo os juros para estimular o consumo, não deu certo, porque as famílias já estão demasiado endividadas. Por isso mesmo, no caso deste oitavo pacote, quem compra não é o cidadão, mas o governo. É ele quem se endivida. É que alguém tem que comprar, do contrário o país para.

Aliás, para dizer a verdade, em todos os países, quem mais compra é mesmo o governo; no nosso, também. Daí que me pareceu estranho o modo solene como foi anunciado o pacote, em palácio e com a presença de empresários e prefeitos.

Fiquei sinceramente surpreso ao ouvir da boca do ministro Guido Mantega que o pacote consistia em comprar coisas como retroescavadeiras, tratores, caminhões, ambulâncias, que devem ser compras normais em qualquer governo, por meio de seus ministérios.

Mas quem comprará retroescavadeiras, desta vez, não será o ministro, mas a própria presidente da República. Estranho, não? Devo entender, então, que aquilo que deveria ser um procedimento corriqueiro é agora anunciado como uma extraordinária decisão presidencial. É isso mesmo ou sou eu que estou entendendo mal?
(Artigo publicado por sugestão do comentarista Mauro Julio Vieira)

UM POEMA AOS AMIGOS, NA GENIALIDADE DE JORGE LUIZ BORGES

Rubem Braga dizia que a poesia é necessária, e o comentarista Mário Assis, sempre presente, nos envia um genial poema do argentino Jorge Luis Borges (1899 — 1986), que se imortalizou como escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta.



POEMA AOS AMIGOS
Jorge Luis Borges

Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para as tuas dúvidas ou temores,
Mas posso ouvir-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar
O teu passado nem o teu futuro.
Mas quando necessitares de mim
Estarei junto a ti.

Não posso evitar que tropeces,
Somente posso oferecer-te a minha mão
Para que te sustentes e não caias.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são os meus,
Mas desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.

Não julgo as decisões
Que tomas na vida,
Limito-me a apoiar-te,
A estimular-te
E a ajudar-te sem que me peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves atuar,
Mas sim, oferecer-te o espaço
Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma mágoa
Te parte o coração,
Mas posso chorar contigo
E recolher os pedaços
Para armá-los novamente.

Não posso decidir quem foste
Nem quem deverás ser,
Somente posso
Amar-te como és
E ser teu amigo.

Todos os dias, penso
Nos meus amigos e amigas,
Não estás acima,
Nem abaixo nem no meio,
Não encabeças
Nem concluís a lista.
Não és o número um
Nem o número final.

E tão pouco tenho
A pretensão de ser
O primeiro
O segundo
Ou o terceiro
Da tua lista.
Basta que me queiras como amigo

Dormir feliz.
Emanar vibrações de amor.
Saber que estamos aqui de passagem.
Melhorar as relações.
Aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração.
Acreditar na vida.

Obrigado por seres meu amigo.

10 de julho de 2012

CONSULTORIA DIRCELOCCI

Megaconsultores vocacionados, somos todos filhos de Deus que, por sinal, continua brasileiro. Com base no mercado negro das relações institucionais, estamos chegando na praça nacional com a empresa de consultoria Dircelocci - Aquela que não dá, nem deixa dar calocci.

A ideia é ganhar milhões de reais da noite pro dia dando palpite na base do tráfico de influência.

Nossos consultores só agem depois de preencher o único e indispensável requisito de ser assim-assim, unha e carne, boca a boca com o governo e suas circunstâncias.

Em assim sendo, dadivosos e magnânimos, de pronto oferecemos as primeiras sugestões para você transformar pequenas empresas em grandes negócios:

01) - Funde agora mesmo uma escola privada. As públicas são legítimas privadas: só ensinam bosta.

02) - Inaugure já um hospital tipo assim SUS das Elites que não incendeie e, de quebra, cure tudo que é doença, de nó nas tripas a câncer no esgoto. Os hospitais da rede pública você sabe bem com lidam com gripe aviária, dengue, bicho do pé... Bota um hospital desses, bota. Você vai gostar.

03) - Coloque agora mesmo uma linha de ônibus todinha sua, sem sócios nem parceiros. O transporte urbano tá caindo de maduro. O risco é mínimo. A não ser que você seja prefeito e um partido político encomende o seu transpasse.

04) - Nas cercanias desse ramo, coloque um firma de porteiras especializadas em pedágios rodoviários. Estrada sem porteira é acidente e assalto na certa, você decide.

05) - Aproveite, enquanto Thomaz Bastos não emplaca um habeas para Carlinhos Cachoeira e implante uma rede de joguinhos infantís tipo bingo, rifa, jogo do bicho, da velha... Nem se preocupe com roletas, cassinos, videotapes, sexo, droga e rock 'n roll.

06) - Monte uma firma de licitações, nem pense em abrir uma empreiteira. É dinheiro posto fora e dá muito mais trabalho do que fraudar concorrências públicas.

o7) - Crie logo uma empresa de não fazer nada. Você manda seus funcionários diagnosticarem qualquer problema, eles não resolvem coisa alguma e cobram a visita especializada em tudo que se possa imaginar. Dá dinheiro, sem trabalho.

08) - Implante na sua rua, na zona da cidade onde você mora com a sua família, um serviço de guarda-noturno. A violência urbana é o selo de garantia do mais retumbante sucesso. É que, como se percebe, as empresas e os aparatos de segurança já não merecem a confiança de ninguém. Guarda-noturno é tiro certo.

09) Abra um instituto. Fazer palestras é beleza. Lava dinheiro que não acaba mais. Só tem um detalhe, palestra é no viva-voz; por escrito periga você tropeçar no português da esquina. O arriscado dessa proposta é que um instituto é quase igual àquela empresa de não fazer nada, lá atrás.

10) Eia pois, gente boa e crédula, que chegamos ao mais seguro e rentável negócio na relação top ten da novel Consultoria Dircelocci - Aquela que não dá, nem deixa dar calocci... Só para mostrar boa vontade, vamos lhe dar a dica no amor e graça, por absoluto e profundo espírito republicano, anote aí: abra já, já em cada bairro, em cada vila, em cada canto do centro da sua cidade, um comitê de campanha eleitoral, para fazer amigos, coalizar pessoas, arrecadar dinheiro e influenciar eleitores. Com uma rede de comitês eleitorais você deita pobre hoje e acorda milionário amanhã.

RODAPÉ - Seja precavido. Quando ganhou o suficiente para não precisar mais andar aos abraços e queijos malufando na cara dos outros, junte tudo em uma caravanda de 11 caminhões e faça a sua mudança para casa.
Relaxe e goze.

10 de julho de 2012
sanatório da notícia

LÁ DAS BANDAS DO SANATÓRIO

Dom por Dom
Reprodução
Morreu de infarto do miocárdio no Rio de Janeiro, aos 91 anos de idade, o cardeal Dom Eugênio Sales. Coitado. Ele pode até vir nos puxar os pés esta noite, mas os internos aqui do Sanatório sempre foram mais Dom Hélder Câmara.

ALIADO É POUCO
Essa coisa de Eduardo Campos um dia jantar com Lulalelé e no outro almoçar com Dilma, quer dizer o seguinte: o PSB não é o PMDB. Gosta do poder e coisa e tal, mas também quer ser governo. Para Eduardo Campos, não basta ser aliado; tem que participar.

QUARTA-FEIRA
Nos estertores de seu mandao senatorial, Demósfones Torres usando o púlpito do plenário, avisou a banda larga do Senado com uma ameaça que não chega a provocar medo em ninguém: - Amanhã pode ser você! Choveu no molhado: o plenário estava vazio, uma vez mais. E "amanhã" para essa pandilha imune é só um outro dia. E quarta-feira é de cinzas.

SEM SINTONIA
A Globo já não sabe mais o que fazer com o programa da Fátima Bernardes. Mal a Gretchen saiu da "Fazenda", aquela pornochanchada da Record, e pronto! Teve mais pontos no Ibope que a mulher de William Bonner. Qualquer dia, até sem sair de casa, ela perde para a Patrícia Poeta.

CULPA DA VEJA
A revista Veja agora está sendo acusada de destruir a imagem de Bruno, aquele goleirão do Flamengo que gostava de mandar esconder seus namoros. A revista publicou uma carta que fez o novo advogado de Bruno dizer que ele é gay e gosta de comer Macarrão. A cadeia faz isso, gente. Bruno pode até nem sair da prisão, mas está saindo do armário.

VELHA AMIZADE
O que causa estranheza até agora é que a revista Veja não tenha publicado nada de secreto sobre as íntimas relações de Demósfones Torres com Carlinhos Cachoeira. Até aqui, para todos os efeitos, eles são apenas bons amigos.

FAMA
Quem é mais famoso hoje no Brasil: aquele copeiro carioca que ficou sem o bolão da MegaSena, ou o morador de rua que entregou de mão beijada para a polícia paulistana o pacote com R$ 20 mil?!?

Reprodução
A equipe médica do Sírio-Libanês quase morreu de medo quando o agora famoso cantor Pedro Leonardo, saiu em cadeira de rodas com atestado de perfeita saúde. O garoto quase morreu sufocado de tanto beijo que levou do pai e do parceiro Thiago.
10 de julho de 2012
sanatório da notícia

O GOLPE DA INVEJA

o golpe da inveja
Roberto Requião com inveja de Álvaro Dias.
Roberto Requião, senador paranaense que gosta de tirar máquinas de fotógrafos na marra e que, nas horas vagas, preside a representação brasileira no Mercosul, está morrendo de inveja do seu conterrâneo, Álvaro Dias, o mais recente conquistador do Paraguai.

Roberto Requião vitupera que "os que apóiam o golpe que derrubou Fernando Lugo são os mesmos que golpearam João Goulart"!

Só não diz que Dilma Vana, Cristina Kirchner e Zé Mujica que chamam de golpe o impeachment do bispo-papão, são os mesmos golpistas que aproveitaram a ocasião e escantearam na marra o Paraguai para enfiar a Venezuela no Mercosul.

PERFIL
Brasília é o Brasil cheio de mulheres de feias e homens vazios.

BULHUFAS
Deixa que a gente conte pra vocês: o Seedorf , sem trancinhas, é para o Botafogo, o que Carlos Alberto é para o Vasco da Gama.

VELHA MANIA
Sou brancodependente de pão com presunto defumado, queijo prato e maionese industrial, com mostrada apimentada caseira. meus regimes vêm morrendo
sucessivamente antes de mim. O sanduíche aberto é uma provocação; o uísque, um tapa.
 
10 de julho de 2012
sanatório da notícia

HUMOR NIGÉRRIMO!!!

                                  Amargas constatações

No pais onde a CUT e a UNE marcham pela impunidade dos mensaleiros e Lula samba com Maluf quem acha dinheiro dos outros e devolve tem de acabar mesmo morando na rua.


fernaslm
10 de julho de 2012

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Como dizia o outro, preferia perder o amigo a perder a piada, fazer humor com o gesto do casal de morador de rua, que apenas seguiu o reto caminho da honestidade e da humildade, devolvendo o dinheiro encontrado, produto de roubo, pelo que se viu no noticiário, não me dá o mínimo desejo de rir.
Num país onde campeia a bandalheira e o crime, realmente parece ridicula a honestidade, sobretudo quando praticada por pessoas extremamente necessitadas, carentes de toda a dignidade, habitantes do submundo da miséria e da desigualdade.
Confesso que me emocionei diante da atitude desse casal, ao assistir um pouco da história, de como acharam por bem devolver o dinheiro - uma verdadeira fortuna (quase R$ 20 mil), se considerada a condição em que vivem - , do orgulho de seus parentes distantes, moradores do interior do Maranhão, que por treze anos não tinham notícias ou sequer sabiam se Rejaniel de Jesus Silva Santos ainda estaria vivo.
Claro que há pessoas que pensam ser um "dever moral" devolver o dinheiro. Tratam o gesto de Rejaniel como se fosse uma obrigação, algo completamente desimportante, como se vivessemos no mais honesto dos mundos. Não conseguem enxergar algo de louvável em tal atitude.
Outras, talvez mais cegas, já qualificam a devolução do dinheiro como uma "imbecilidade".
E assim, cumprem o velho provérbio "cada cabeça, cada sentença", cegos, porém, ao que há de emblemático em tal ação...

Um trecho da notícia:
(...)
Um dos sócios do restaurante invadido, Miguel Kikuchi, de 42 anos, disse não ter acreditado, quando a polícia ligou e o informou de que o dinheiro havia sido encontrado e devolvido. “Pensei que era trote”, afirmou. “É inimaginável que alguém faria uma coisa dessas. Difícil de acreditar.”
O casal, que trabalha catando material reciclável nas ruas da capital e vive há mais de um ano na rua, aceitou na hora a proposta de emprego. “Vou ganhar treinamento para me capacitar e aprender alguma coisa”, disse Rejaniel de Jesus Silva Santos, de 36 anos.
“Da limpeza até a cozinha, posso trabalhar onde quiserem.”
O homem contou que era auxiliar de limpeza antes de ir morar na rua. “Eu perdi o emprego e tive que vender minha casa, na Divineia, região de São Mateus [Zona Leste].”
Depois de devolver o dinheiro, Santos e a mulher, Sandra Regina Domingues, também com 36 anos, foram levados até o restaurante japonês e fizeram uma refeição bem brasileira: bife, arroz, feijão e batata frita. “Uma vez na vida eu me lembrei que sou gente. Há tanto tempo eu não me sento para ter uma refeição tão boa.”
(...)
Pois é... Fico pensando aqui com os meus botões, quantos de nós, simples mortais, com a pança cheia, com todo o conforto que a vida pode oferecer desde higiene e alimentação,  até a casa e seus artefatos eletrônicos, quantos de nós cumpriríamos o "dever moral" de devolver a 'grana'?
Quantos de nós, diante das imoralidades e escândalos que nos cercam diariamente, praticados pelas 'celebridades' do glamuroso mundo da política, cumpriríamos  o nosso dever, e não justificaríamos uma improbidade com aquela velha ´'historinha', se todo mundo rouba, que obrigação tenho eu de não roubar?
Aplaudo  Rejaniel de Jesus, que superando suas necessidades, ou impondo sobre elas os seus princípios - que enfaticamente credita aos ensinamentos de sua mãe - cumpriu humildemente o seu dever de cidadão, ainda que neste nosso país habitem Malufs e Lulas, e organizações que não merecem o nosso respeito e que lutam pela impunidade de mensaleiros.
Apenas isso é o que falta ao nosso Brasil: VIRTUDES REJANIELANAS ou  as virtudes dos catadores de material reciclável...
m.americo

MER COCÔ SUL

Sponholz


10 de julho de 2012

PIADIM DU DIA: O MINEIRIM ARQUEÓLOGO

Durante escavações no Estado do Rio de Janeiro, arqueólogos fluminenses descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000 d.C. Os cientistas cariocas concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.
Os paulistas, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras óticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2000 anos de idade. Os cientistas paulistas concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra ótica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, em Belo Horizonte, foi publicado por cientistas mineiros o seguinte estudo:Após escavações arqueológicas no subsolo de Contági, Betim, Barbacen, Passa-Quato, Pó di Carda, Jijifó, Sans Dumont, Pôso Alegre, Santantoin do Monte, Vargin, Nanuque, Águas Formosas, Moncarmelo, Carnerim, Lagoa Dorada, Sanjão Del Rei, Beraba, Berlândia, Belzonte, Bosta do Raguari, Divinópis, Pará de Mins, Furmiga, Vernador Valadars, Tiófi Otoni, Piui, Carmo do Cajuru, Lagoa Santa, Morro do Ferro, Biraci e diversas outras cidades mineiras, até uma profundidade de 500 metros, não foi encontrado absolutamente nada. Concluindo então que os antigos mineiros já dispunham, há 5000 anos, de uma rede de comunicações sem-fio: ‘wireless’.
Nota dos arqueólogos: Por isso se pronuncia “UAIrelés!"
10 de julho de 2012

ALÔ... ALÔ... CARIOCAS! PREST'ENÇÃO!!!

Vereadores do Rio de Janeiro extorquem R$ 63 anuais de cada carioca
 
Reportagem de Dorio Ewbank Victor e Luiz Gustavo Schmitt no Globo de ontem, mostra o quão inúteis, irresponsáveis e desonestos são os vereadores do Rio de Janeiro. Há quatro anos, às vésperas das eleições municipais de 2008, eu andei ensaiando mostrar a folha corrida de cada um, mas foi muito trabalho: os canalhas eram muitos e eu, um só. Mas vamos à matéria:
Com 8% de projetos aprovados, Câmara custa R$ 398 milhões/ano, R$ 63 a cada carioca
A Câmara Municipal do Rio, a segunda mais cara entre as capitais do país, segundo a ONG Transparência Brasil, custa aos cofres públicos R$ 398 milhões por ano, ou R$ 7,8 milhões por vereador. É como se cada carioca tivesse que desembolsar, anualmente, R$ 63 para manter a estrutura em torno de seus 51 representantes. Este investimento significativo, porém, tem dado pouco retorno quando se verifica o nível de produtividade de seus parlamentares. Segundo levantamento feito pelo GLOBO, de fevereiro a junho deste ano, apenas 8% dos projetos apresentados foram aprovados pela Casa.
Das 244 propostas apresentadas no primeiro semestre deste ano, só 20 foram aprovadas. As demais aprovadas pelos parlamentares foram apresentadas entre 2004 (início da gestão anterior) e 2011. Essa morosidade tem provocado um acúmulo de projetos, que não têm previsão de serem votados.
Além disso, o cancelamento de sessões no plenário por falta de quorum provoca acúmulo de projetos. Só este ano, 13 das 71 sessões foram canceladas. O GLOBO registrou sessões que contaram com apenas três parlamentares; o mínimo para iniciar é de sete. As sessões são às terças, quartas e quintas.
Prefeitura usa regime de urgência
Dos 20 projetos aprovados em segunda discussão este ano, 13 são projetos de lei (PL). Destes, nove são de autoria da prefeitura. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, não houve prioridade em aprovar só projetos do Executivo este ano. A explicação é que as matérias da prefeitura entram em regime de urgência, com tramitação mais rápida pelas comissões do que PLs.
Segundo assessores e parlamentares que não quiseram se identificar, os próprios vereadores escolhem os projetos que devem entrar na ordem de votação. Mas eles acabam escolhendo os de sua autoria ou de aliados. O objetivo é fortalecer a sua imagem dentro da Câmara e tentar prejudicar os adversários.
Em várias ocasiões, os vereadores combinam faltar à sessão ordinária, para participar somente da extraordinária, que começa mais tarde, às 18h. O motivo seria combinar votos, ou mesmo vetar projetos de parlamentares da base adversária no plenário.
Na opinião do diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, o número excessivo de projetos apresentados é, na verdade, uma forma de os vereadores se autopromoverem:
- Os parlamentares apresentam os projetos não só para serem transformados em leis, mas também para fazer figuração dentro da Câmara. Existem projetos de lei surreais, como, por exemplo, limitando lucros de empresas, o que é fora da alçada deles. No entanto, a atividade legislativa não é a principal do parlamento, e, sim, fiscalizar o Executivo, coisa que eles não fazem.
O número total de projetos acumulados na Câmara não foi informado pela Câmara de Vereadores. Segundo a assessoria, não existe uma contabilidade final das matérias apresentadas que ainda não foram votadas.
A vereadora Teresa Berguer (PSDB), que na semana passada entrou com um ofício na Mesa Diretora da Câmara para que sejam divulgadas as faltas dos vereadores, informou que um dos fatores que provocaram o acúmulo de projetos foi um número significativo de sessões canceladas no ano passado por falta de quorum.
- O outro fator que provoca esta lentidão na aprovação dos projetos é que, antes de votar as propostas, os vereadores precisam analisar os vetos do Executivo, e isso acaba tomando grande parte do tempo da sessão - ressaltou.
Em maio deste ano, o vereador Rubens Andrade (PSB) protestou durante uma das sessões de votação no plenário. Na ocasião, o painel eletrônico de presença registrava 48 parlamentares, mas apenas 20 estavam no local.
- Esta é a segunda semana (em que ele tentava votar um projeto sem quórum). Estou me sentindo prejudicado - reclamou Andrade à época. Nesta semana, o vereador minimizou: - De lá para cá, o Legislativo acelerou os trabalhos de votação. Mas ainda estamos longe de alcançar o ideal.
Sobre a votação de projetos de anos anteriores, a assessoria de comunicação da Câmara informou que na ordem do dia podem constar até cinco projetos de cada vereador, independentemente do ano em que a proposta foi criada. Os parlamentares encaminham os requerimentos solicitando a inclusão de matérias para entrarem na pauta de votação. A assessoria ressaltou que a ordem do dia é organizada pela presidência da Casa, todas as sextas-feiras, para vigorar na semana seguinte.
Folha salarial representa 70% dos gastos no Rio
Casa gasta R$ 2,6 milhões com selos postais por ano e funcionários comissionados são o dobro dos efetivos
Só para pagar salários da Câmara do Rio, são necessários 278 milhões com gastos de pessoal (vereadores, servidores efetivos e comissionados) e encargos sociais, de um orçamento de R$ 398 milhões. Os funcionários comissionados equivalem ao dobro dos concursados: 1.415, ante outros 776 efetivos, de acordo com o Portal Transparência.
Cada parlamentar pode nomear até 20 cargos de indicação política. A lista é extensa: um assessor-chefe; um consultor; um assessor especial; dois assessores; dois assistentes; seis oficiais de gabinete e sete auxiliares de gabinete. O salário bruto desses profissionais varia de R$ 2,4 mil a R$ 15 mil. Por baixo, a estimativa é que o gasto mensal com esses cargos é de cerca de R$ 3,8 milhões para os 51 gabinetes ou R$ 46 milhões anuais.
No entanto, o custo dos comissionados não para por aí. Eles também recebem R$ 775 de auxílio alimentação, R$ 516 de auxílio saúde, R$ 516 de auxílio transporte e ainda uma gratificação classificada como “dedicação legislativa”. Essa última poderia variar entre R$ 500 e R$ 2,1 mil, segundo o Portal Transparência da Casa.
Esses valores foram incluídos no site após questionamentos do GLOBO, feitos na quinta-feira. Até então, eles só estavam discriminados nos vencimentos dos funcionários efetivos da Casa. A página, que saiu do ar entre a noite de sexta-feira e sábado à tarde, não informava, porém, os encargos especiais, uma espécie de gratificação de cerca de R$ 2 mil, que pode ser concedida a no máximo cinco funcionários de um vereador.
Para Claudio Weber Abramo, diretor- executivo da Transparência Brasil, a estrutura inflada da Câmara se justifica só por um motivo: a satisfação dos interesses eleitorais dos vereadores.
— Toda essa estrutura serve para abrigar os cabos eleitorais. É uma prática disseminada em todo o país — afirma Abramo.
A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) explica que a Casa precisa de mais transparência:
— A Câmara precisa se adequar à Lei de Acesso à Informação Pública. O portal Transparência não informa as despesas detalhadas e tem pouca serventia à população — diz a vereadora.
A Câmara também tem gastos curiosos. Um vereador tem direito a utilizar mil litros de gasolina por mês. O preço médio da gasolina no Rio de Janeiro custa R$ 2,81, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os parlamentares despendem R$ 1,7 milhões para abastecer seus veículos anualmente. Os pagamentos são feitos por meio de um cartão em postos de um rede credenciada pela Casa.
Considerando que um carro, em média, percorre dez quilômetros por litro, cada vereador poderia andar por 10.000 quilômetros mensais. A Câmara não explicou quais são os postos credenciados para abastecimento.
Em tempos de internet e redes sociais, as cartas se tornam cada vez menos utilizadas como meio de comunicação. Apesar disso, todo mês cada vereador recebe 4 mil selos ao custo de R$ 1,10. Sendo assim, ao longo de um ano, essas despesas alcançam R$ 2,6 milhões. De acordo com assessores de gabinetes, os selos são utilizados pelos parlamentares durante as campanhas eleitorais e também para o envio de cartas de felicitações em datas comemorativas.
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara de Vereadores do Rio, Jorge Felipe, preferiu não comentar o assunto, assim como o presidente da Comissão de Finanças, o vereador professor Uóston (PMDB).
10 de julho de 2012

É TRISTE! MAS... VALE A PENA LER DE NOVO


“Me perguntaram outro dia se estamos preparados para o que puder acontecer na Europa. Eu posso assegurar a vocês que nós estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados”.


Dilma Rousseff, em 21 de maio deste ano, no clímax da discurseira em Laguna, consumando o espetacular atropelamento simultâneo da gramática, da lógica, da estatística, do bom senso e da verdade.

10 de julho de 201
in Augusto Nunes