"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 21 de março de 2013

A BOLSA-FAMÍLIA E O SUGESTIVO CASO DAS COSTUREIRAS DO CEARÁ


Muito boa a crítica (construtiva) de Percival Puggina aos diversos "vales" da época de FHC (vale-filho, vale-leite, vale-gás) que foram "arredondados" para Bolsa-Família na era PT.

Continua um programa sem saída: a mãe não é obrigada a nenhuma contrapartida. As crianças continuam trabalhando para sustentar a família, analfabetas, sem saúde, sem direito a nada; só não vê isso quem não quer.

Aí, vem um "luminar" e diz que nos países desenvolvidos é reconhecida a função social da matenidade – sim, caras-pálidas, mas lá existe um sistema fiscal, para fiscalizar se a criança está frequentando a escola, se a mãe está fumando crack com o dinheiro ganho.

Clama por divulgação a história das costureiras do Ceará: lá, a indústria têxtil tem um grande peso na economia do Estado e os empresários do setor estavam precisando de mão-de-obra.
Para isso, procuraram o governador Cid Gomes e propuseram um acordo: juntamente com o Senai, o governo ofereceu um curso de qualificação de costureira e, em contrapartida, após o curso, os empresários tinham 500 postos de trabalho para serem preenchidos por essas mulheres.

A única exigência do governador: as vagas teriam que ser destinadas a 500 mulheres clientes do programa do governo federal Bolsa-Família! Terminado o curso, os empresários esperavam assinar 500 carteiras de trabalho, remuneração de 1 salário mínimo + benefícios…

A primeira dificuldade surgiu aí: as mulheres só aceitavam o emprego se "recebessem por fora", sem anotação na carteira. Por quê? Porque, com a carteira assinada, "perderiam" a Bolsa-Família. Resultado: nenhuma, repito, nenhuma carteira assinada… Elas preferem receber o bolsa-família a trabalhar.

21 de março de 2013
Dione Castro da Silva

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)

 




21 de março de 2013

INCOMPETÊNCIA DO GOVERNO AFETA A ECONOMIA, QUASE PARALISA O PAÍS E COMPROMETE AS EXPORTAÇÕES

 

Marcha lenta – Enquanto a presidente Dilma Rousseff torrava o dinheiro do contribuinte em Roma, parecendo um “xeique de saias”, passando aos italianos a falsa sensação de que o Brasil é o paraíso e que por aqui tudo funciona maravilhosamente bem, o País assistia a longas filas de caminhões parados na rodovia Cônego Domenico Rangoni, no litoral paulista, onde os motoristas são obrigados a esperar até 14 horas para descarregar milho e soja no Terminal de Exportação do Guarujá.

A cena que chocou os brasileiros de todos os rincões comprova o que o ucho.info há anos insiste em noticiar. O governo de Dilma Rousseff, assim como o de Lula, é marcado pela incompetência de seus integrantes, que insistem em dar as costas ao planejamento. De nada adianta o Ministério da Agricultura anunciar recordes seguidos da safra agrícola, se as estradas brasileiras são insuficientes para o escoamento da produção do campo.

A inoperância do governo, que já beira a letargia, é tão aviltante, que a relação entre o preço da soja e o custo do frete ultrapassa as fronteiras do compreensível.
Uma tonelada de soja é vendida a R$ 750 no Centro-Oeste, enquanto o custo para transportar a mesma quantidade do produto até o porto de Santos, no litoral de São Paulo, é de R$ 200, o que corresponde a 26% do valor do grão.
O custo do transporte aumente se o caminhão ficar parado aguardando para descarregar.

É impossível acreditar que a economia brasileira crescerá em 2013 em patamares minimamente convincentes, uma vez que o Palácio do Planalto continua escondendo a verdade e buscando na iniciativa privada as soluções que deveriam partir do próprio governo.
O cenário torna-se ainda mais inviável quando o governo encontra eventuais parceiros privados e quer estabelecer os limites de ganho daqueles que desembolsarão o dinheiro.

O Brasil já perdeu uma década e está abrindo um novo período com perspectivas nada animadoras. Tomando por base que todo o investimento do governo federal de agora em diante será direcionado para tentar garantir a reeleição de Dilma Rousseff, os brasileiros ficarão sem saber o que é desenvolvimento durante alguns anos mais.

21 de março de 2013
ucho.info

FARRA DE DILMA EM ROMA ABAFA OS RESULTADOS MENTIROSOS DA PESQUISA QUE COLOCA A PRESIDENTE NO CÉU

 

Muita atenção – Antes que a gastança de Dilma Rousseff em Roma anestesie a opinião pública, que está a um passo de esquecer os dados da última pesquisa Ibope, cabe-nos a obrigação de lembrar que a estatística é tida como ciência, mas considera como morno o sujeito que está com a cabeça no forno ardente e os pés descalços em um iglu.

A pessoa está literalmente morta, mas a estatística não leva isso em consideração, pois toda pesquisa tem um objetivo específico.
E quando encomendada, o resultado é como roupa de alfaiate.

A pesquisa CNI/Ibope aponta que 63% dos entrevistados consideram o governo de Dilma Rousseff “ótimo” ou “bom”, enquanto que 79% dos consultados aprovam a forma de governar da presidente. O que mostra que o brasileiro não entende de política e se deixa levar por qualquer anúncio oficial mais elaborado ou um discurso ufanista.

Em um país minimamente sério, o que não é o caso do Brasil, tais resultados deveria ser comemorados exaustivamente pelo governante, mas isso não acontece porque todos sabem que essa farsa serve apenas para manter a onda positiva e permitir que Dilma continue sonhando com a reeleição, que não deve ser descartada.

Para que os brasileiros de bem e que estão acostumados a pensar, a pesquisa Ibope contratada pela Confederação Nacional da Indústria ouviu 2002 pessoas em 143 municípios, logo depois do anúncio da desoneração da cesta básica. A Rede Globo, que adula o governo e depende do Ibope, anunciou que foram ouvidas pessoas em todo o Brasil.

Pois bem, o Brasil real, que não é o mesmo da emissora da família Marinho, tem 5.564 municípios e quase 200 milhões de habitantes. Ou seja, essa pesquisa que coloca Dilma Rousseff nas alturas é um monumento à mentira.

21 de março de 2013
ucho.info

"FANTASIAS E REALIDADES"

Ninguém seria capaz de viver sem uma narrativa — sem um início, meio de fim num universo interminável

A avalanche passou. Os fatos (sempre estranhos) foram canibalizados e assim transformados em sinais, sintomas, índices, tendências, retornos e nulidades. A sociedade tem suas estruturas que lutam contra, a favor ou apesar dos fatos. Agora vai, pensamos, gritamos ou escrevemos, mas o mundo continua o mesmo.

Chávez morreu. Como outros heróis, ele morreu e, mesmo se for devidamente embalsamado, terá o destino de todos nós: um pouco mais ou menos de lembrança e o nobre esquecimento de uma paz, enfim, perpétua. Entrementes, nesses tempos de renúncias e realinhamentos políticos, surgiu — graças aos volteios do Espírito Santo — essa figura mediadora entre a nossa permanente burrice e alguma coisa que nos faça voar e tentar ver mais longe — um novo Papa. O tema nos pautou por algum tempo, mas já voltamos para a novela e para a tal política (a novidade esperada) deixando de lado o inesperado da novidade.

Assisti “Argo”, o ganhador de melhor filme do ano. Para quem curtiu Preminger, Wyler, Clair, Ford, o velho Hitch, Wilder, Truffaut e Capra, é um “bom” filme. Mas a trama interessa: como sair de uma gravata de realidade por meio de uma fantasia? Americanos são reféns na casa de uma embaixada que pode ruir e eles serão mortos por uma onda descontrolada de radicais. Ora, o radicalismo é o outro da rotina social. Rotinas são programas que seguem uma ordem automática ou “natural”.

O sinal de trânsito deve funcionar, mas quando chove ele desliga. Então surge o radicalismo de uma rua engarrafada. Nervosos, vemos baixar em cada um de nós um espírito diferente. O estranhamento é a crise dos princípios: tenho pressa e o mundo me ordena não ser preguiçoso, mas os sinais deste mesmo mundo não me deixam passar.

Voltando a “Argo”. Um agente do CIA, órgão especializado em roteirizar anormalidades, descobre que o real pode ser salvo pelo mito. Num filme, inventa-se um filme para salvar os reféns. Mudando seus papéis sociais rotineiros de inimigos demonizados do aiatolá, eles se transformam em produtores, diretores, fotógrafos e atores de um filme de ficção cientifica a ser realizado no Irã.

Temos, então, um diálogo intenso do metonímico com o metafórico. Se os radicais acreditam na montagem, podemos salvar os reféns de um roteiro absoluto dado naquele momento revolucionário. Se nossa contraficção é bem contada, o filme vira sucesso e pode ser devorado por um prêmio Oscar. Aliás, deixe que eu diga entre linhas: não pode haver nada pior do que ser consagrado. O prêmio é o fim. É o cemitério da criação.

O melhor do filme é quando no aeroporto, em Teerã, um agente desconfia do grupo, mas é envolvido na narrativa do filme de ficção que ficticiamente estaria sendo feito pelo grupo.

E, como ninguém resiste a uma piada ou narrativa, sobretudo se ela não terminou, os agentes deixam passar o grupo tal como Sherazade viveu mil e uma noites, contando uma história para o sultão e marido traído que a condenou à morte.

Tentar ver o fim (ou em alguns casos chegar aos finalmentes) é o que nos move. Eu escrevo sem saber o final. E, no final, revejo o milagre da superação da minha mediocridade por uma mediocridade escrita.

Ninguém seria capaz de viver sem uma narrativa — sem um início, meio de fim num universo interminável.

Estou no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e tenho umas duas horas para voar para Brasília. Duas horas para matar! Sessenta minutos sem narrativa ou ficção. Vale dizer, sem foco ou fantasia. Tenho que “passar hora”. Vejo um caro BMW em conveniente exposição ladeado por uma bela jovem que me informa o que interessa em toda fantasia: o preço é de 150 paus. Nem pensar...

Caminho sem rumo dentro de um lugar absolutamente demarcado pelo utilitarismo. Dizem que seria um não lugar. Eu não concordo. Somos humanos precisamente porque, entre nós, tudo tem é um lugar. Se não há lugar, há a crise.

Ando em busca de um enredo. Vejo algumas pessoas assistindo, num comedor, o jogo entre o Milan e o Barcelona. Todos ficam matando o tempo, mas o futebol ressuscita o tempo com os gols de Messi e o seu infalível enredo. Rola o jogo e os passageiros viram torcedores, tal como em “Argo” e na vida, quando fazemos uma coisa por outra. De repente um companheiro de torcida grita que perdeu o avião. O jogo ocasional englobou a viagem estabelecida. Voltou a si mesmo, xingando-se por ter sido enganado por uma fantasia.

Por via das dúvidas, armei meu despertador.

21 de março de 2013
Roberto DaMatta, O Globo

FIFA VAI EXIGIR FICHA LIMPA DE SEUS DIRIGENTES

 
Quem quiser fazer parte de um alto cargo da Fifa a partir de agora terá que apresentar um "certificado de integridade" antes da eleição ou mesmo reeleição.

Na prática, os dirigentes, incluindo de presidente, vice-presidente ou mesmo membro do Conselho Executivo, terão que ter uma a ficha limpa para fazer parte da entidade que controla o futebol mundial.
 
A novidade foi informada nesta quinta-feira pela Fifa.
 
No documento, o candidato terá que incluir uma declaração assinada pelo próprio de que não recebeu nenhuma suspensão ou que tenha violado as normas de conduta contempladas no Código de Ética da Fifa ou mesmo que já tenha passado por circunstâncias de conflito de interesse.
 
Os candidatos a presidente terão que ter ainda o apoio de pelo menos cinco associações da entidade.
 
A próxima eleição para presidente será em 2015. O atual presidente, Joseph Blatter, disse que não deve disputar uma quinta reeleição quando seu atual mandato terminar desde que haja um candidato para substituí-lo que ele considere comprometido em continuar o trabalho de "globalizar" futebol.
 
21 de março de 2013
Agências internacionais

MEC MANDOU APROVAR ATÉ RECEITA DE BOLO NA REDAÇÃO DO ENEM PARA NÃO SOFRER AÇÕES JUDICIAIS. ORDEM FOI PARA AUMENTAR NOTA.


Arrependidas de terem participado das correções do Enem, duas professoras gaúchas decidiram romper o contrato de sigilo para revelar bastidores da prova. Pedindo anonimato, uma delas detalhou nesta quarta-feira a ZH (jornal Zero Hora), por telefone, como teriam recebido orientações para fazer "vista grossa" aos erros encontrados. Professora de língua portuguesa há 12 anos, diz que a ordem é para "aprovar o maior número de pessoas":
Zero Hora – Que orientação vocês receberam para as correções das redações?
Avaliadora – Recebemos uma formação, fizemos exercícios pelos quais fomos avaliadas, tudo via online. Isso partiu da Universidade de Brasília. Foram seis, sete semanas de atividades, para os 8 mil avaliadores. No dia 14 de novembro, tivemos uma reunião em que foram repassadas as verdadeiras orientações.
Fomos orientados a esquecer tudo o que se sabe, tudo o que se aprendeu, tudo o que se fez na formação. Deveríamos considerar a ideia de que é para aprovar o maior número de pessoas. Eu e a outra colega tentamos desistir, mas nosso grupo já estava um pouco defasado. Como já tínhamos nos comprometido, ficamos.
ZH – A senhora pensou em desistir ao ouvir as orientações?
Avaliadora – Sim, porque eu questionei o que eu estaria fazendo ali. Qual o meu papel de especialista em linguística de texto, de professora de língua portuguesa, de pesquisadora da área, se teria de fazer vista grossa e considerar uma série de absurdos?
ZH – Que tipo de coisas falaram que se deveria fazer vista grossa?
Avaliadora – Por exemplo, num texto, se aparecesse a palavra imigração ou imigrante, que era o tema, eu não poderia anular. Eu deveria pelo menos dar um ponto. Se ele escrevesse uma receita de bolo, mas pusesse imigração em algum momento, eu teria de considerar, não poderia anular. Outra coisa que eu fiquei muito chocada: se aparecesse um texto como poesia, ou narrativa, mas que tivesse a ver com o tema, e que se eu sentisse que em algum momento ele estava defendendo de alguma forma o ponto de vista dele, não poderia anular também, teria que dar um. A grosso modo, a orientação era essa: não anulem, só em último caso. A forma como fazem a seleção dos professores também é questionável. É tudo indicação. Ninguém te pede diploma.
ZH – Não se exige comprovação de formação dos professores?
Avaliadora – Não. Não existe.
ZH – Se alguém fingir que é professor pode ser avaliador?
Avaliadora – Pode. Se ninguém pede documentação... A inclusão parte de convites. Acho que funciona por ligações políticas. Essas pessoas são convidadas a ocupar esses cargos mais elevados e vão convidando pessoas que conhecem. Quem me convidou sabe que sou formada em Letras e faço correção há mais de 10 anos... mas será que isso ocorre no Brasil inteiro?
ZH – Eles chegaram a dizer explicitamente que era para evitar dar nota baixa?
Avaliadora – Sim. Que era para evitar, porque nos anos anteriores eles receberam inúmeros recursos, que tiveram que responder na Justiça, e que isso onera a União. O tiro saiu pela culatra. Me arrependo até de ter participado. Financeiramente não vale a pena. Pagam R$ 1,90 por redação, tu tens uma meta diária de cem redações (3 mil redações por mês)... para quem trabalha e gosta de fazer um trabalho qualificado é bem complicado.
ZH – O processo é uma enganação?
Avaliadora – Sim. É um enganar... até o candidato, em relação a suas condições. Me considero enganada. Recebi formação, manual que estudei, e numa reunião me dizem para esquecer tudo isso.
 
21 de março de 2013
in coroneLeaks

O PESADELO PARISIENSE DA CASA PRÓPRIA

 

Nesta quarta-feira, jantei com amigos franceses. No cardápio, as conversas começaram pelos temas de sempre, crianças, trabalho, férias e logo caíram na pergunta inevitável “acharam o apartamento para comprar?”.
Sim, a compra de um “chez soi” também é a preocupação número um dos franceses e faz parte dos assuntos preferidos da mesa do jantar, ainda que seja um pouco indigesto.

Tentarei, em poucas palavras, traçar o quadro do mercado imobiliário em Paris. De maneira geral, na França, os terrenos para construir são raríssimos, e na capital são inexistentes. Os apartamentos disponíveis também são poucos, o que faz o preço aumentar de maneira impressionante. O preço médio do metro quadrado em Paris é de 8.250 euros, isso quer dizer que um apartamento de 40 m2, mal dividido e precisando de reforma, pode custar mais de um milhão de reais.
Em dez anos, o preço dos imóveis em Paris triplicou, isso faz deles um investimento mais seguro que o ouro.

Mas voltemos a meus amigos da noite passada, Sylvie e Christophe, que estão procurando uma casa. Com três filhos, eles desistiram de Paris e agora procuram na periferia próxima. A questão é sempre a mesma, será que vale a pena pagar uma fortuna por uma imóvel que nem se aproxima das expectativas? Após meses de busca, eles encontraram uma casa com “potencial”, mas o veredito do arquiteto foi mortal: derrubem e construam outra no lugar.

Casais como meus amigos são obrigados a sair de Paris para terem mais espaço, mas também se afastam das vantagens da cidade, a principal delas é o transporte público. Conseguir um empréstimo bancário em tempos de crise é outro drama, mas isso e o aluguel ficam reservados para outro capítulo da novela, pois não caberiam neste post.


Stéphane Plaza, apresentador.

A questão do imóvel é tão importante na França que entre os programas com maior audiência da televisão, dois são relacionados diretamente com o mercado imobiliário. Eles são apresentados pela mesma pessoa, Stéphane Plaza, que se transformou no chuchu dos franceses.
Com um senso de humor sutil e os dentes devidamente clareados, como se espera de um corretor imobiliário, Plaza ajuda as pessoas a encontrar casas e apartamentos ou vender imóveis que não encontram comprador.

O curioso da história é que o próprio apresentador anda há meses buscando um local no Marais, um dos bairros mais caros de Paris, para instalar sua corretora e até agora não encontrou. Prova de que as coisas não andam fáceis nem para os profissionais.

21 de março de 2013
Ana Carolina Peliz é jornalista, mora em Paris há cinco anos onde faz um doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação na Universidade Sorbonne Paris IV.

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Por simples curiosidade, resolvi estabeler a equivalência de valores dos imóveis no Brasil, em três Estados - Rio de Janeiro , São Paulo e Ceará, em áreas nobres das Capitais, e apurei o seguinte quadro:

PARIS > 8.250 EUROS O M2 > 40 M2 >  330.000 EUROS >   R$ 849.000,00 > + REFORMAS

SÃO PAULO > IBIRAPUERA > R$ 11.080,00 M2 > 4.308 EUROS M2
SÃO PAULO > JARDIM EUROPA > R$ 8.480,00 M2 > 3.295 EUROS M2

RIO DE JANEIRO > LEBLON > R$ 18.332,00 M2 > 7.248 EUROS M2
RIO DE JANEIRO > SÃO CONRADO > R$ 11.514,00 M2 > 4.475 EUROS M2

FORTALEZA (CE) > ALDEOTA > COBERTURA COM PISCINA, 4 SUITES, ESCRITÓRIO, COZINHA COMPLETA, ARMÁRIOS EMBUTIDOS, PISO DE GRANITO, LAZER COMPLETO, 4 VGS, 265 M2 > R$ 4.150,00 M2 > 1.612 EUROS M2 > 427.180 EUROS > R$ 1.100.000,00

O exemplo do imóvel dado da cidade de Fortaleza (CE), é um imóvel de luxo, cobertura, em bairro nobre. Um imóvel de 40m2 também em bairro nobre teria um preço estimado em 46.000 euros (R$ 118.000,00)
Câmbio do dia 19 de março de 2013 (1 euro  =  2,5729 reais)
m.americo
       


 

BNDES FINANCIA CONSTRUTORAS NA ÁFRICA QUE FINANCIAM PALESTRAS DE LULA LÁ


Três construtoras com histórico de doações eleitorais para as campanhas presidenciais petistas e de execução de obras do governo federal custearam a viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a África, encerrada anteontem. Lula ficou seis dias no continente e passou por Gana, Benin, Guiné Equatorial e Nigéria. Durante a viagem, fez duas palestras custeadas por empreiteiras.
A primeira, em Gana, foi paga em conjunto pela Odebrecht e pela Queiroz Galvão, além de uma empresa de seguros local chamada SIC. A segunda foi bancada pela construtora Andrade Gutierrez, que doou mais de R$ 2 milhões a Lula quando ele concorreu à reeleição, em 2006. Naquele ano, a Odebrecht injetou cerca de R$ 200 mil na campanha do petista. A Queiroz Galvão não fez doações.
Em 2010, a campanha da presidente Dilma Rousseff recebeu R$ 9,38 milhões da Queiroz Galvão, R$ 15,7 milhões da Andrade Gutierrez e R$ 2,4 milhões da Odebrecht.A informação de que a viagem fora paga pelas empreiteiras foi publicada ontem pelo jornal O Globo e confirmada pelo Instituto Lula, que, no entanto, não informou os valores pagos sob a alegação de que são dados "reservados".
Segundo a assessoria do instituto, as palestras foram para convidados das empresas.
O transporte e a hospedagem também foram custeados por elas. Os pagamentos são feitos à LILS, empresa aberta pelo ex-presidente justamente para receber pelas palestras. As palestras são a principal fonte de renda de Lula desde que ele deixou a Presidência.
Em 2011 ele proferiu diversas, entre elas à Microsoft, à Tetra Pak e à LG. Em 2012, por causa do câncer que o acometeu e das eleições municipais, quase não fez nenhuma.
No mercado, estima-se que um evento com o ex-presidente custe cerca de R$ 200 mil. Às plateias africanas, Lula falou sobre como a experiência do Brasil no combate à pobreza ajudou a desenvolver a economia e da relação Brasil-África. (Estadão)
 
21 de março de 2013
in coroneLeaks
 

ENEM DE DILMA/MERCADANTE: CORRETORES RECEBERAM R$ 2,35 POR REDAÇÃO

Para professores, processo desgasta e afeta qualidade da avaliação


 Corrigir cem textos em duas horas compromete os critérios de avaliação? E se, a cada prova revisada, o corretor ganhasse menos de R$ 3?
Após o “Globo” revelar correções polêmicas de redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ao longo da semana, abriu-se um debate em torno das condições de trabalho de quem fica por trás das provas.

Desde segunda-feira (18), o jornal mostra exemplos de redação com notas contraditórias em relação ao conteúdo. Além de textos com graves erros como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel” que receberam pontuação máxima, outros que incluíam a receita de Miojo e o hino de Palmeiras não foram anulados.
 
Na última edição do Enem, um time de 5.683 corretores teve a missão de avaliar mais de quatro milhões de redações num espaço de menos de um mês. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), cada redação corrigida significava R$ 2,35 no bolso do professor convocado pelo órgão.

Todo o processo é feito virtualmente: o corretor recebe lotes com 50 provas cada e as corrige. Assim que termina uma leva, outra é enviada a ele. Segundo o MEC, em média cada corretor cuidou de 60 provas por dia. Mas, de acordo com alguns avaliadores entrevistados pelos repórteres, este número pode ser muito maior. Segundo o professor Wander Lourenço, o processo de correção é desgastante, o que acaba comprometendo o nível da avaliação. Ele foi corretor em 2011, mas não aceitou o desafio no ano passado.

— Corrigi 4.200 redações em menos de 20 dias em 2011. Fiquei muito apavorado. Eu tinha aceitado as condições porque precisava de dinheiro, mas a experiência foi tão traumática que decidi não participar da correção do último Enem — conta o docente.

Para se corrigir uma prova do Enem, é preciso ter formação em Letras e ter sido convocado por um supervisor regional do MEC, que dá instruções à sua equipe de corretores. Em geral, são chamados professores conhecidos do supervisor, na mesma lógica de um cargo de confiança. Cada “time” tem, em média, de 25 a 30 professores aptos a avaliar as provas. Não há contrato de exclusividade com os convocados.

Em outros vestibulares, a situação, no papel, não é muito diferente. A Unicamp informou que conta com cerca de 90 corretores, número que pode variar a cada ano, dependendo do total de candidatos. Em 2013, eles precisaram corrigir 67 mil redações, que devem ser analisadas por pelo menos dois professores, ou até por um terceiro, quando há discrepância de dois pontos ou mais entre as notas dos outros avaliadores.

Não há um tempo estipulado para a correção de cada texto, mas, segundo a Unicamp, os corretores trabalham de oito a dez horas por dia para cumprir sua meta diária de aproximadamente 200 redações. Se um professor corrigir 200 textos em dez horas, ele dedicará, em média, três minutos a cada trabalho — isso sem qualquer interrupção.

O que consta no papel, no entanto, nem sempre descreve a realidade. O professor de Letras da Universidade Estácio de Sá Luiz Carlos de Sá Campos chegou a avaliar cerca de mil redações em seis dias na última edição do Enem, mas desistiu ainda durante o processo porque o trabalho era muito “estafante”.

Para Luiz Carlos, o MEC deveria chamar mais professores a fim de retirar a sobrecarga dos corretores e elevar a qualidade da correção.
 — Mas talvez isso não fosse interessante para o governo, já que a média geral das redações provavelmente cairia — sugere o professor.

Há quem entenda que o número atual de corretores do Enem é adequado. Para um supervisor — que preferiu não se identificar por causa de um contrato de sigilo com o MEC —, seria normal um professor corrigir cem redações por dia, o que não lhe tomaria mais de três horas, segundo ele. Além de também considerar “justa” a remuneração paga aos corretores, ele alega que prefere o modelo de convocação estabelecido por laços entre os supervisores regionais e seus colegas professores.

— Nem sempre um concurso público é a melhor maneira de chamarmos os que têm mais experiência. Não é essa a ideia — explica.

Já uma professora especialista em estudos linguísticos que foi corretora do Enem na última edição fez duras críticas. Ela contou que foi convidada por alguém que já era avaliador da prova de redação para fazer parte do grupo de corretores. Segundo ela, em nenhum momento foi pedido que apresentasse seu diploma ou a comprovação de seu trabalho e sua experiência na área.

A avaliadora revelou que uma semana antes da reunião os corretores foram chamados para uma conversa fechada com supervisores, sobre como deveria ser o processo de correção das redações. Nesse encontro, dois pontos causaram indignação da avaliadora:

— Acho preocupante a indicação. Em nenhum momento é solicitado o diploma. Fico me perguntando que segurança o MEC tem. Como eles sabem se eu tenho formação ou não? Isso é uma questão grave. Outra questão é que foi dito que bastava o candidato mencionar a palavra imigração ou imigrante em qualquer parte do texto e ele não poderia ser eliminado — contou ela.

Para anular, de acordo com ela, apenas em casos extremos, em que não se falasse em imigração ou o candidato não desse a entender que estava falando do tema.
O supervisor chegou a dizer que mesmo um poema inserido na redação seria válido.

— Se um candidato escrevesse uma poesia em vez de um texto argumentativo e desse para eu perceber que essa poesia tinha pelo menos um argumento qualquer relacionado à imigração, isso também seria considerado.

Ela disse que as redações com receitas de Miojo e o hino do Palmeiras não a surpreendem. A professora explicou que anulou pouquíssimas redações por causa disso. Uma das que foram desclassificadas era de uma aluna que escreveu um texto falando do filho, do marido, da gravidez, mas não disse que era imigrante.

— Eu anulei justificando que ela não era imigrante. Não mencionava a palavra imigrante — contou.

A avaliadora corrigiu mais de 1.500 redações entre 15 de novembro de 9 de dezembro, em seu tempo fora do trabalho. De acordo com ela, o ideal seria corrigir cada uma por 20 a 30 minutos, mas para vencer a meta de cem redações por dia não era possível ficar nem dez minutos com cada texto. A professora chegou a dizer que, quando as redações foram liberadas para consulta dos candidatos, ela já esperava que os estudantes reclamassem dos problemas:

— Seria quase inevitável pensar que não fosse vir à tona toda essa questão, e sabíamos que isso cairia sobre os avaliadores. Não me surpreendeu porque eu li coisas absurdas. Essa orientação para fazer vistas grossas deve ser para mascarar a má qualidade da educação. O aluno de ensino médio não domina a sua própria língua materna.

Apesar de o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ter afirmado que erros de grafia não necessariamente comprometem as chances de um texto ser avaliado com nota máxima, o “Guia do Participante” do próprio instituto classifica esse tipo de desvio como o “mais grave” ou “grave”, a depender da complexidade da palavra escrita.

A falta de concordância quando o sujeito vem antes do verbo também é considerada um desvio “mais grave”. Segundo o manual, essas “inadequações do uso linguístico ao registro formal escrito (...) são penalizadas na Competência 1 (demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita)”. Apesar disso, como mostrou o “Globo” na segunda-feira, redações que continham desvios do tipo receberam nota 1000.

21 de março de 2013
Leornardo Vieira, Juliana dal Piva e Manuela Andreoni - O Globo

PF DESARTICULA QUADRILHA ACUSADA DE DESVIAR VERBAS PARA OBRAS CONTRA A SECA NO CEARÁ

A Polícia Federal (PF) deflagrou operação, nesta quinta-feira (21), para desbaratar uma suposta "organização criminosa" que atuaria no Ceará desde 2004 desviando recursos federais repassados a municípios do Estado.

A operação Cactus --referência à planta tradicional do sertão nordestino-- conta com apoio da CGU (Controladoria-Geral da União) e investiga, entre outros supostos desvios, recursos destinados para o combate à seca no Estado.
Ao todo estão sendo cumpridos 62 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará. Policiais estão, nesta manhã, em três Estados --além do Ceará, há mandados sendo cumpridos em Goiás e Rio Grande do Norte-- e no Distrito Federal.
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Veja imagens da seca no Nordeste88 fotos

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17.jan.2013 - Carcaça de uma cabra em Uauá, no sertão baiano, nesta quinta-feira (17), em meio à seca na região. Os gastos com a realização de festa de Carnaval serão controlados em 139 municípios do Rio Grande do Norte que estão em estado de calamidade devido à estiagem desde o ano passado. A recomendação do MPC (Ministério Público de Contas), feita na última terça-feira (15), abrange também prefeituras do Estado que estão com folhas salariais em atraso Leia mais Lunae Parracho/Reuters
No Ceará, os mandados estão sendo cumpridos em 18 cidades, entre elas Fortaleza. A maioria das cidades onde está sendo cumpridos os mandados fica no sertão do Estado. Segundo a PF, 288 policiais e 12 auditores da CGU participam da ação. Até o momento não houve informações de prisões.
Em Natal, a busca e apreensão foram feitas na casa do ex-diretor geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), Elias Fernandes. Ele disse que está "tranquilo" com a apuração e afirmou que deixou os policiais federais à vontade para buscar documentos. Segundo Fernandes, os policiais não deram pistas de que tipo de documentos buscavam.
O ex-diretor do Dnocs foi afastado do cargo em janeiro de 2012, após ser acusado de beneficiar o seu estado-natal, o Rio Grande do Norte, de beneficiamento nos repasses do Dnocs. Ele negou a prática de favorecimento e falou em "distribuição equitativa dos recursos".

Denúncia

 
Segundo investigação da CGU, um ex-prefeito do município de Itatira (a 212 km de Fortaleza) --que não teve o nome revelado-- estaria atuando como lobista e líder de uma "associação criminosa, cuja atuação junto a prefeituras do estado do Ceará e de outras unidades da federação visava a facilitar a obtenção de recursos federais, na forma de convênios ou contratos de repasse, inclusive mediante emendas parlamentares".
O município de Itatira é um dos mais de 1.200 mil municípios nordestinos em emergência pela seca que atinge a região desde o final de 2011.
A CGU informou ainda que o grupo se infiltraria em órgãos federais repassadores dos recursos, com apoio de servidores públicos e outros agentes, "com o intuito de garantir os repasses para os projetos e prefeituras de interesse do grupo e de evitar que esses projetos passassem por acompanhamento e fiscalização, como forma de garantir a ocultação de irregularidades e fraudes."
Para as fraudes, o grupo faria simulação de licitações, com uso de empresas controladas pela associação. Para a CGU, houve "enriquecimento desproporcional dos diversos participantes da quadrilha, dentre os quais se destacam o mentor do esquema, seu filho e sua principal assistente."
21 de março de 2013
Carlos Madeiro - UOL

ATÉ A DEMOCRACIA DE BOTSWANA É MAIS PERFEITA QUE A NOSSA


O Brasil tem uma "democracia imperfeita" de acordo com estudo divulgado nesta semana pelo Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisas da revista britânica "The Economist". Segundo a consultoria, o país aparece na 44ª colocação em um ranking com 167 países, com 7,24 pontos em uma escala que vai até 10. Em 2012, o Brasil aparecia em 45º lugar e teve a mesma pontuação.
No ranking deste ano, países mais pobres como Timor Leste, Chipre e Botswana aparecem à frente do Brasil. As primeiras colocações da lista são ocupadas por países escandinavos: Noruega, Suécia e Dinamarca, além da Islândia. O ranking é preparado a partir de 60 indicadores que são agrupados em categorias como funcionamento do governo, processo eleitoral, cultura política e liberdades civis.
 
(Folha de São Paulo)
 
21 de março de 2013
in coroneLeaks

VENEZUELA: O QUE FAZER?

Venezuela: o que fazer?
Ninguém em seu juízo perfeito pode negar a evidência do controle absoluto que o governo dispõe sobre todos os órgãos do Estado. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) converteu-se praticamente em um ministério eleitoral a serviço do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), de Chávez.

Ante este sombrio panorama não temos outra opção que, sob protesto, reafirmar nossa vontade democrática e ir votar em 14 de abril e apoiar a valente luta que Henrique Capriles fará para resgatar os valores fundamentais de nossa sociedade.


Não nos referimos nesta ocasião ao famoso texto de Lenin, senão à resposta que se deveria dar frente ao incomensurável abuso de poder que vieram praticando descaradamente os herdeiros de Chávez.

Ninguém em seu juízo perfeito pode negar a evidência do controle absoluto que o governo dispõe sobre todos os órgãos do Estado. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) converteu-se praticamente em um ministério eleitoral a serviço do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), não se cumpriu com o disposto na Constituição para designar o cargo vacante de Controlador Geral da República, o Ministério Público só se ativa quando recebe ordens precisas provenientes de Miraflores, a Assembléia não reflete o resultado do voto popular uma vez que os que perderam as eleições legislativas são, por umas manobras arteiras para alterar a representação popular, maioria. A Força Armada se confessa chavista e intervém descaradamente no debate político e por último, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) interpreta a Constituição de maneira atropelada para assegurar a perpetuação do chavismo sem Chávez no poder.

Frente a estes fatos perversos que são o embrião de um Estado totalitário, o que quê devemos fazer, os que acreditamos, do mesmo modo que Churchill, que “a democracia é o menos mal dos sistemas políticos”?

Em primeiro lugar, não silenciar sobre o abuso de poder, denunciar sistematicamente as violações à Constituição, exigir que o CNE responda à verdadeira distribuição política dos votos e não continue sendo um dócil instrumento do governo, reclamar as contínuas e persistentes violações dos direitos humanos, assinalar as conseqüências negativas para todos da desacertada política econômica do governo que nos converte em venezuelanos mais pobres, e culpar o governo por não saber enfrentar a violência desmedida que ganha cada dia que passa mais mortes.

Ante este sombrio panorama não temos outra opção que, sob protesto, reafirmar nossa vontade democrática e ir votar em 14 de abril e apoiar a valente luta que Henrique Capriles fará para resgatar valores fundamentais de nossa sociedade como são a tolerância, o diálogo, a combinação e a responsabilidade de administrar os recursos do Estado em benefício de todos e não de um só segmento.

A luta será desigual, os abusos estarão na ordem do dia, porém a única coisa que não podemos nos permitir é nos render incondicionalmente. O país não se acabará no dia 14, a menos que renunciemos a lutar pelo restabelecimento de uma verdadeira democracia em nosso país. Por isso, e apesar de todos os obstáculos, temos que apoiar Capriles e não deixar de votar nesse domingo crucial pelo nosso futuro.

21 de março de 2013
Editorial do Analitica.com

Tradução: Graça Salgueiro

O QUE AS ESCOLAS NOS ESTADOS UNIDOS ENSINAM SOBRE A GUERRA DO IRAQUE?

Pano quente – Completados dez anos da incursão norte-americana em Bagdá, a Guerra do Iraque gradualmente deixa o campo das “atualidades” para ser estudada nas páginas dos livros de história.
À medida que o assunto míngua no noticiário, muitos começam a se perguntar como o tema é abordado nas escolas dos Estados Unidos.

Será que os jovens norte-americanos confrontam e discutem a presença das tropas do seu país em outro continente?

Para achar a resposta, Jonathan Zimmerman, da publicação Salon, foi às apostilas e livros didáticos usados nos colégios dos EUA. E teve uma feliz surpresa. “Os livros apresentam um balanço complexo e equilibrado da guerra no Iraque, sem as manipulações que diversas vezes mancharam a historiografia norte-americana”, diz.

Aparentemente livres de propaganda chapa-branca das ações dos EUA, as apostilas incluem passagens de fôlego sobre temas controversos. Tanto os prisioneiros torturados e abusados pelas tropas dos EUA fora do país, quanto a volta da vigilância interna são lembrados nas páginas dos livros.

O buraco, no entanto, é mais embaixo: uma combinação de política educacional com decisões judiciais restritivas parece fazer com que os jovens pouco ou nada saibam sobre o que foi empreendido no Iraque.

Política educacional e tribunais

Zimmerman lembra ainda que nunca houve uma “era de ouro” para as escolas dos EUA — em que professores e alunos protagonizassem debates e discussões profundas sobre os assuntos do cotidiano. Durante as duas grandes guerras, por exemplo, houve demissões dos professores que ousaram fazer um contraponto. No Vietnã, o contrário: docentes tentavam frear manifestações vindas dos próprios alunos.

Atualmente, o problema é outro e o pensamento crítico, ainda mais rarefeito. Estudiosos reclamam que não há mais tempo para tentar levantar questões desse tipo.
Desde os anos 1980, o sistema educacional nos EUA passa por um processo forte de padronização do ensino, que impõe exames periódicos para avaliar os alunos e, por extensão, as escolas.
A pressão por bons resultados nos testes acaba por ditar o ritmo (intenso) e o conteúdo (canônico) nas salas de aula — sem que haja brechas para digressões.



Pior que isso, está se consolidando uma jurisprudência nas cortes norte-americanas que impõe limites às liberdades de discurso dos professores dentro das suas próprias salas de aula. Basta ver o caso de Deborah Mayer, professora de uma escola primária no estado de Nova York. Em 2003, durante uma das suas atividades surgiu na sala de aula uma discussão a respeito de uma manifestação antiguerra.
Uma de suas alunas perguntou a Mayer se ela iria a um protesto desse tipo. Ela disse que sim e que as pessoas deveriam procurar maneiras pacíficas de resolver os conflitos. A declaração foi repudiada pelos pais e, após a polêmica, a escola não quis renovar o contrato de trabalho com Mayer.

Ela acionou a Justiça e, após diversas cortes locais validarem a decisão da diretoria do colégio, o caso chegou até a Suprema Corte dos EUA em 2006. Julgando a questão, os magistrados do mais alto tribunal do país decidiram que funcionários públicos não têm liberdade irrestrita para manifestar seu pensamento no local de trabalho. Suas palavras pertencem ao empregador.

Em suma, o professor atua como um “ventríloquo cívico”, pago para repetir frases que são colocadas na sua boca. Não importa que o professor tenha uma opinião própria, se a matriz curricular do colégio compactua com o discurso “Support our Troops”, então é o que será feito.

O resultado é o que Zimmerman chama de “silêncio ensurdecedor” a respeito da Guerra do Iraque nas escolas dos EUA. O assunto não é discutido e os jovens não percebem a sua ausência. A escola da filha de Zimmerman, por exemplo, adota um dos livros didáticos completos e balanceados sobre o conflito. No entanto, a versão utilizada em sala de aula é a edição de 2002, impressa antes das terras iraquianas serem invadidas. (Da Revista Samuel)

21 de março de 2013
ucho.info

CÂMARA "JOGA ÁGUA" EM MEDIDAS PARA REDUZIR CUSTO

 
Propostas para economizar gastos são anuladas em 90% com criação de cargos e aumento da cota parlamentar. “Prefeito” da Casa diz que números não importam, mas, sim, o caráter justo das ações

Gustavo Lima/Ag. Câmara
Distribuição de cargos feita por Henrique Alves praticamente anula a economia provocada por corte em gastos
Ao menos do ponto de vista econômico, têm pouco significado as medidas tomadas pela Câmara para resgatar sua imagem perante a sociedade e reduzir seu custo de funcionamento, mostra levantamentoexclusivo do Congresso em Foco. Na quarta-feira (20), a Casa “jogou água” em medidas que ela própria tomou para economizar gastos desde que o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) assumiu a presidência do órgão. As ações de austeridade já significavam uma economia de menos de 1% do orçamento da Câmara – que é de mais de R$ 4 bilhões por ano. E devem ficar de cinco a dez vezes menores com a decisão tomada ontem de criar mais cargos para contemplar partidos e de aumentar a cota parlamentar, instituída em 2009 depois que o Congresso em Focorevelou a farra das passagens aéreas. Para o primeiro secretário da Casa, espécie de “prefeito” do órgão, o importante não é o saldo financeiro, mas a justiça das medidas adotadas a partir de agora.
As medidas que praticamente anulam o empenho de austeridade da gestão Henrique Alves foram tomadas simultaneamente à prometida redução das horas extras na Câmara. Levantamento feito pelo Congresso em Foco mostra que a economia com o fim do 14º e 15º salários e com as mudanças no serviço adicional serão de aproximadamente R$ 29 milhões este ano e de R$ 34 milhões a partir do ano que vem.
Porém, reduz em até dez vezes esse impacto a criação de cargos para acomodar funcionários do PSD, criado por Gilberto Kassab (ex-DEM) em 2011, e abastecer com mais pessoal o novo Centro de Estudos e Debates, a Corregedoria, comissões permanentes, a 2ª Vice-presidência e a Liderança da Minoria. Soma-se a isso a decisão de aumentar a verba do cotão em 12%, usado para pagar passagens aéreas, aluguel de escritórios políticos, consultorias, gastos com combustíveis, hospedagem e transporte. Essas despesas criam gastos de mais R$ 24 milhões este ano e R$ 32 milhões de 2014 em diante.
O saldo ainda é positivo para a Câmara: restaria uma economia de R$ 5,6 milhões este ano, R$ 3,7 milhões no ano que vem e R$ 3,3 milhões em 2015. Mas o valor representa 0,14%, 0,09% e 0,08%, respectivamente, do orçamento da Casa, que teve R$ 4,1 bilhões reservados para gastos no ano passado.
Só para este ano, as medidas anunciadas ontem reduzem em R$ 23 milhões, ou cinco vezes menos, o que a Câmara poderia economizar apenas com as horas extras moderadas e o fim dos salários extras dos deputados. Nos próximos dois anos, a perda na austeridade será de R$ 31 milhões, ou dez vezes menos.
Acerto
A decisão sobre o cotão ainda não virou projeto de resolução, mas foi acertada pela Mesa ontem. A pedido dos deputados, funcionários da Casa fecham estudos detalhados sobre a conta do reajuste, mas uma análise preliminar aponta despesas extras de R$ 23 milhões por ano, mais do que se espera poupar com as mudanças nas horas extras.
Na hora de criar os cargos, os projetos de resolução apresentados ontem ignoram medidas não formalizadas ainda, como o aumento do cotão e a redução das horas extras. Dessa forma, os números mostram que a austeridade na Câmara teria ainda menos significado financeiro. A economia seria de 0,06% a 0,12% do orçamento da Casa – variando de R$ 2,3 milhões a R$ 4,8 milhões por ano.