Laís Legg, excelente interlocutora, me escreve:
- Oi, Janer: mesmo que digam que estou pregando no deserto, resolvi começar uma cruzada contra o assassinato do vernáculo. Acabo de ler, no Terra, "fulano e ciclano". Ora, "ciclano" é um termo usado na química (são os hidrocarbonetos cíclicos). Parece que os atuais jornalistas nunca ouviram falar do termo "sicrano", que horror.
É luta perdida, Laís. Hoje, há jornalistas que já não conseguem distinguir entre mau e mal. Já tive alunas de Letras, em final de curso, que escreviam “eu poço”.
Ainda há pouco, eu comentava a inscrição de uma cruz em uma igreja do interior de Santa Catarina: “sauva tua auma”. São passados os tempos em que os padres falavam inclusive latim. A História é uma eterna luta entre alfabetizados e analfabetos, dizia Nestor de Hollanda, de saudosa memória. Segundo o autor, cá e lá os alfabetizados teriam ganho algumas batalhas: alguns já estavam infiltrados no Exército.
- Puxa, Janer, se alguém da tua estatura intelectual joga a toalha, a causa está perdida. Penso que, com um pitaco aqui e outro acolá, talvez a coisa melhore. Será que não existe quem queira se aprimorar? Será que a nova geração pensa "sou como sou, e daí?". Não querem trilhar a estrada do conhecimento e ir acrescentando, aos poucos, novos aprendizados?
Em maio passado, Laís, provocou celeuma o livro Por uma Vida Melhor, adotado pelo Ministério da Educação, que considera ser válido o uso da língua popular, ainda que com seus erros gramaticais.
Dizer "nós pega o peixe" ou "os menino pega o peixe", seria aceitável. Para quem não tem escola, sem dúvida é aceitável. Mas a escola existe para ensinar os alunos a falar corretamente. Se não ensina, não tem porque existir. Quando um livro, adotado pelo MEC, abre tal exceção, não vejo muita esperança.
Que um pessoa inculta cometa tais erros, até que se entende. Bem ou mal, esta pessoa passa seu recado. Se alguém diz “vendo dois peixe por dez real”, eu sei o que ela quer dizer. O grave é quando profissionais que tem a língua como instrumento de trabalho escrevem tais barbaridades.
Quando a profissão não era regulamentada, jornalista era quem sabia escrever. Hoje, é quem tem diploma. O que nada tem a ver com saber escrever.
Ano passado, me escrevia a leitora Solange Maria Mendonça Campos:
- Prezado Janer, eu dava uma aula, no curso médico de graduação, para uma turma do 5º. ano. Ou seja, os senhores/as ali presentes estavam quase formados. O tema era "Depressão: sintomas e sinais universais na clinica médica básica". Arrisquei: "a insônia é o arauto da depressão" (feliz expressão de um grande psiquiatra francês, daqueles da velha cepa, que quase moravam dentro do hospital).
- Mal-estar na classe. Repeti, e constatei pela perplexidade dos rostos à minha frente, que ninguém sabia o que era arauto. Expliquei quem era em outros tempos, e sua função social então. Alguns entenderam, e fizeram a associação óbvia, a maioria não. Então desenhei no quadro (acho que aí em SP diz-se lousa?) um daqueles arautos de desenho animado de Disney, com plumas no chapéu, corneta com aquela bandeira, etc. Aí eles entenderam quem era o arauto, mas eu ainda tive de explicar que assim como o arauto fazia, tocando a corneta, a insônia vinha anunciar, etc. Foi neste dia que comecei a pensar em não dar mais aula.
Decorrências da falta de leitura, Solange, da cultura televisiva. Vi isto de perto em meus dias de redação nos grandes jornais. Já contei mas vou contar de novo, pois é história que merece ser repetida ad aeternum. Há uma tendência, entre os jornalistas – particularmente os da Folha de São Paulo – de nada escrever que um leitor mediano não entenda. Se a palavra é inevitável, lá vem explicação. Sempre que você encontrar a palavra latrocínio, o redator abre parênteses e explica: roubo com morte. Como se precisasse explicar o que é latrocínio.
A partir daí, decorre uma conseqüência lógica. Se o jornalista desconhece o significado de uma palavra, é óbvio que o reles leitor também a desconhece. E o jornalista, pretendendo ser didático, prefere evitá-la. Transcrevo minhas aventuras nos dias de Folha, que estão em meu livro Como ler jornais, editado em 2006.
Certo dia me caiu nas mãos um TL (texto-legenda) para titular. Na foto, uma mulher de mãos postas e cabeça inclinada manifestava sua adoração por algo ou alguém. Nem hesitei:
EM SINAL DE PREITO
Mal o texto chegou em sua tela, o editor gritou de sua baia:
— Preito? O que é isso?
Juntei minhas mãos, inclinei a cabeça e disse:
— Preito é isto.
— Ah, mas então deve ser uma palavra muito antiga.
De fato, era bem mais antiga que eu. Como aliás a maioria das palavras que eu ou você usamos. Para aquele menino, formado na reputadíssima ECA, palavra que ele não conhecia certamente o leitor também não a conhecia. Os leitores do jornal eram nivelados pelo padrão do que ele ignorava.
Quem passou por jornais nas últimas décadas, terá dezenas destas histórias para contar. No dia 03 de outubro de 2001, a Folha superou todos seus feitos. A entrevista com Fernando Henrique Cardoso versava sobre o abate de aviões clandestinos sobre o território nacional. “Precisamos fazer um esforço grande para controlar o terrorismo, que é um inimigo suez” — assim redigiu a repórter a declaração do presidente.
A moça, que desconhecia o adjetivo soez, escreveu como pensou ter ouvido e resolveu esclarecer o leitor, que talvez não soubesse o que significava suez: "FHC se referia aos combatentes egípcios que lutaram contra os israelenses na região de Suez, em 1973, e atacavam seus oponentes por meio de túneis subterrâneos abandonados, de surpresa: ninguém sabe de onde vem". Explicação mais que oportuna, já que nem mesmo eu saberia dizer o que significa suez como adjetivo.
Ora, diria o jovem editor, o presidente se permite tais palavras porque é um erudito. Acontece que não se exige erudição de ninguém para falar em soez. As gerações novas, hostis à leitura e viciadas pelo parco vocabulário televisivo, não mais conhecem palavras elementares do vernáculo e ainda se julgam no dever de elucidar para o leitor vocábulos de cujo significado apenas suspeitam. Com este material humano, que sequer conhece a própria língua, faz-se jornalismo. Pois jornalismo, hoje, só pode exercer quem faz curso de jornalismo.
Melhor mesmo, só a história dos perdigotos, já incluída no ror dos clássicos da Folha. A notícia era sobre a epidemia de uma gripe, que se disseminava por perdigotos. O repórter, ciente de sua ignorância, fez o que deveria fazer: consultou o dicionário. Só que ficou na primeira acepção da palavra. Os leitores foram então informados que a gripe era transmitida por filhotes de perdiz. O cidadão urbano foi tranqüilizado. Como nas urbes não existem perdizes, muitos menos filhotes das ditas, não havia porque temer a gripe.
Ainda há pouco, a mesma Folha relatou diálogo significativo entre dois deputados, a respeito do lançamento de Sócrates e Thomas More, desse intelectual de escol chamado Gabriel Chalita:
- É ágil esse Chalita. Mal o cara morreu, ele lança um livro sobre o assunto.
- Só não sei em que time joga o Thomas More – ajuntou a outra sumidade.
Difícil cobrar conhecimento de jovens jornalistas, minha cara Laís, quando a incultura invade até mesmo a Academia Brasileira de Letras, venerável sodalício que se pretende um repositório da cultura pátria. Carlos Nejar, gaúcho de asfalto nascido em Porto Alegre, que gosta de anunciar-se como homem do pampa – já deve ter visto alguma coxilha na televisão – foi indicado recentemente por uma Associação Brasileira de Filosofia, ou coisa que o valha, para o Nobel da Literatura. (Cá entre nós, sou mais o Paulo Coelho). Mas antes de chegar ao cerne da questão, conto mais uma historinha.
Anos 70. Eu confraternizava com uma grácil adolescente, menina que curtia Mickey e Pato Donald, mas tinha outras virtudes que não as intelectuais. Eu lia uma Zero Hora, onde havia uma lista dos dez livros mais vendidos em Porto Alegre. Curioso por saber que tipo de literatura, além dos quadrinhos, agradaria àquela adorável cabecinha oca, perguntei-lhe qual título mais a atraía. Ela não hesitou um segundo: Casa dos Arrepios, de Carlos Nejar.
O redator da Zero, como o imortal do pampa, certamente jamais vira arreios de perto. E tascou arrepios. Por uma letrinha, Nejar teve ter perdido uma parcela considerável de leitores.
Mas vamos ao caso. Em entrevista à revista Macabéa, diz o novel nobelizável:
- Tudo depende do espírito que avança nas épocas, apesar de muita repetição e retorno às essas fontes pela dita pós-modernidade. Observa Heráclito – “não há nada de novo sob o sol”, mas tudo se faz novo se sonharmos.
Pelo jeito, o imortal homem do pampa jamais leu a Bíblia. E nunca ouviu falar do Kohelet.
11 de janeiro de 2012
Janer Cristaldo
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
O MINISTRO BEZERRA E O ÁLBUM DE FAMÍLIA
O ministro Bezerra, seu filho, seu tio, seu irmão, o sogro do seu filho e o tio da mulher do filho…
(Luciana Marques, na VEJA Online)
“Quem ama cuida” diz o ditado popular, que poderia ter sido inspirado no ‘amoroso’ ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Ao assumir a pasta, ele não se esqueceu dos mais próximos. Pensou no filho, no tio, no irmão, no sogro do filho e até no tio da mulher do filho. Juntos, os personagens quase completam um álbum de família. Entre as acusações que pesam contra Bezerra estão o nepotismo, já que diversos parentes do ministro ocupam cargos públicos. O titular da Integração também é acusado de favorecer o filho, que é deputado federal, na liberação de recursos alocados por meio de emendas parlamentares.
O artigo 37 da Constituição Federal de 1988 elenca os princípios que devem nortear a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Uma súmula aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008 proíbe a contratação de parentes de autoridades para cargos de confiança, de comissão e de função gratificada no serviço público.
Comissão de Ética
As regras de conduta estabelecidas pela Comissão de Ética Pública da Presidência também desautorizam o nepotismo: “Em nenhuma hipótese pode o agente público nomear, indicar ou influenciar, direta ou indiretamente, em entidade pública ou em entidade privada com a qual mantenha relação institucional, direta ou indiretamente, na contratação de parente consanguíneo ou por afinidade, até o quarto grau, ou de pessoa com a qual mantenha laços de compadrio, para emprego ou função, pública ou privada”.
Embora negue que sua atuação vá de encontro às normas citadas, Bezerra cedo ou tarde terá de se explicar. A Comissão de Ética Pública da Presidência tem o poder de avaliar cada caso. Espera-se que na próxima reunião do grupo, marcada para o dia 13 de fevereiro, o assunto não seja ignorado. A conferir.
12 de janeiro de 2012
Por Reinaldo Azevedo
(Luciana Marques, na VEJA Online)
“Quem ama cuida” diz o ditado popular, que poderia ter sido inspirado no ‘amoroso’ ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Ao assumir a pasta, ele não se esqueceu dos mais próximos. Pensou no filho, no tio, no irmão, no sogro do filho e até no tio da mulher do filho. Juntos, os personagens quase completam um álbum de família. Entre as acusações que pesam contra Bezerra estão o nepotismo, já que diversos parentes do ministro ocupam cargos públicos. O titular da Integração também é acusado de favorecer o filho, que é deputado federal, na liberação de recursos alocados por meio de emendas parlamentares.
O artigo 37 da Constituição Federal de 1988 elenca os princípios que devem nortear a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Uma súmula aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008 proíbe a contratação de parentes de autoridades para cargos de confiança, de comissão e de função gratificada no serviço público.
Comissão de Ética
As regras de conduta estabelecidas pela Comissão de Ética Pública da Presidência também desautorizam o nepotismo: “Em nenhuma hipótese pode o agente público nomear, indicar ou influenciar, direta ou indiretamente, em entidade pública ou em entidade privada com a qual mantenha relação institucional, direta ou indiretamente, na contratação de parente consanguíneo ou por afinidade, até o quarto grau, ou de pessoa com a qual mantenha laços de compadrio, para emprego ou função, pública ou privada”.
Embora negue que sua atuação vá de encontro às normas citadas, Bezerra cedo ou tarde terá de se explicar. A Comissão de Ética Pública da Presidência tem o poder de avaliar cada caso. Espera-se que na próxima reunião do grupo, marcada para o dia 13 de fevereiro, o assunto não seja ignorado. A conferir.
12 de janeiro de 2012
Por Reinaldo Azevedo
MUÇULMANOS: LÍDERES MUNDIAIS EM PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS
Notícias Faltantes - Perseguição Anticristã
9 dos 10 piores países agressores seguem leis islâmicas.
O relatório também aponta que na Coréia do Norte, a população cristã, entre 200 e 400 mil, continua na completa clandestinidade, enquanto que outros 50 a 70 mil estão em “terríveis campos de trabalhos forçados”.
Nove das 10 nações que mais perseguem cristãos seguem principalmente a lei islâmica, e a “Primavera Árabe” que percorre partes do norte da África gerou um surto de repressão, de acordo com relatório publicado pela organização Open Doors (Portas Abertas).
O país restante da lista dos 10 é a Coréia do Norte, liderada por um regime comunista fanático que considerava os seus dois antigos líderes como deuses.
Os 10 classificados pelo relatório este ano são, na ordem, Coréia do Norte, Afeganistão, Arábia Saudita, Somália, Irã, Maldivas, Uzbequistão, Iêmen, Iraque e Paquistão.
Segundo o relatório, chamado World Watch List, os maiores avanços na perseguição de cristãos vieram de dois países africanos no calor da “Primavera Árabe”. O Sudão subiu da posição 35 para 16, e a Nigéria subiu de 23 para o 13.
Os resultados do relatório, de acordo com o presidente do escritório americano da Open Doors, Carl Moeller, podem ser atribuídos ao extremismo islâmico.
Moeller afirma que: “De acordo com nossa pesquisa, a tendência está na Nigéria, no Sudão, por toda aquela região da África, onde o extremismo do norte pretende pressionar os cristãos e animistas do sul.
Estamos vendo muita violência, e a Nigéria é um grande exemplo disso. O sul do país é praticamente todo cristão, evangélico, pentecostal, bastante vigorosos no seu cristianismo”.
Moeller diz ainda que o norte do país é completamente diferente.
“O norte é dominado politica e religiosamente por elementos extremistas caracterizados pelo grupo radical Boko haram”.
Esse nome, que vem de uma região da Nigéria que viu aumentar a violência anticristã, significa "a educação ocidental é um pecado”.
A rejeição ao Ocidente parece total para os membros desse grupo, segundo Moeller.
“O Boko Haram, em pleno Natal, bombardeou cinco igrejas na Nigéria, e há poucos dias explodiu bombas na cidade de Kano, onde diversas áreas estão em estado de emergência”, acrescenta.
Moeller acredita que a maioria dos muçulmanos não aspira à violência.
“Há um grande debate dentro do próprio islã. Ainda há vários estudos abrangentes que indicam que a grande maioria dos muçulmanos não possuem perspectivas violentas. Isso ocorre no Ocidente e em todos os outros lugares. Milhões de muçulmanos são capazes de viver em paz com seus vizinhos de outras religiões pelo mundo” observa Moeller.
No entanto, o problema é quem parece estar guiando o movimento.
“A forma como as ideias muçulmanas são propagadas pelo mundo está em sua maioria nas mãos dos extremistas. São eles que clamam fidelidade aos ensinamentos de Maomé e do Corão. Ao fazer isso, eles se posicionam como verdadeiros crentes do islã, e isso é um forte argumento para aqueles que querem ser fieis à sua herança religiosa”, afirma Moeller.
O extremismo está crescendo como uma proporção do islã mundial.
“Estamos vendo a natureza dos atos de violência se tornando mais extremos e mais difundidos. Há uma ou duas décadas atrás, ela era bastante limitada a homens-bomba no centro do Oriente Médio, da Palestina e alguns outros lugares. Hoje estamos vendo ataques de homens-bomba na Ásia, na Indonésia, na África, na Nigéria, por todo o mundo, e isso é preocupante para todos os cristãos que vivem nesses países”, afirma Moeller.
Embora concorde com os números da perseguição, a editora do site Atlas Shrugs questiona a questão do extremismo.
“O que o Dr. Moeller chama, na melhor das intenções, de ‘extremismo’ é na verdade o comportamento islâmico predominante”, afirma Geller.
“Ele é sancionado, e mesmo estimulado pelo Corão e por Maomé. Os ‘extremistas’ são na verdade os muçulmanos que ousam ser pacíficos”, afirma.
Moeller diz que há uma tendência visível que se segue a um aumento da população muçulmana de qualquer país.
“Vemos claramente que em lugares onde a educação islâmica é dominante, o extremismo tende a ser mais popular. Podemos ver as revoluções que aconteceram no ano passado como um exemplo disso. Derrubar um ditador é maravilhoso, e como americanos na nossa liberdade, ecoamos isso. A grande questão no momento é pelo que esses ditadores estão sendo substituídos, pois parece que o islamismo radical está saindo na vantagem em todas as eleições e em todas as novas formações de governo que estão acontecendo no norte da África.
O Egito, por exemplo, pode em breve estar sob controle da Irmandade Islâmica, uma organização cujo propósito é criar um califado mundial, uma sociedade muçulmana.
Em 2012, talvez vejamos uma transição para o extremismo apoiado pelo governo, e isso também é preocupante”, afirma Moeller.
Jonathan Racho, do International Christian Concern, uma organização cristã de direitos humanos, diz que concorda com as conclusões do relatório sobre o aumento da perseguição.
“Como se pode ver no relatório, a perseguição de cristãos acontece em sua maioria nos países islâmicos”, afirma. “A perseguição de cristãos está piorando, e o mundo precisa estar atento a esse problema”.
Os países de 11 a 20 na classificação são Eritréia, Laos, Nigéria, Mauritânia, Egito, Sudão, Butão, Turcomenistão, Vietnã e Chechênia, também dominados por interesses muçulmanos.
Os “aliados” dos EUA que estão entre os 50 países que mais perseguem cristãos são China, Kuwait, Turquia e Índia.
O relatório aponta que na Coréia do Norte, a população cristã, entre 200 e 400 mil, continua na completa clandestinidade, enquanto que outros 50 a 70 mil estão em “terríveis campos de trabalhos forçados”.
Segundo Moeller, “Como a morte de Kim Jong-il no mês passado e a sucessão do seu filho Kim Jong-Un irão afetar a condição dos cristãos na Coréia do Norte é difícil de determinar ainda tão cedo. Certamente a situação para os crentes continua perigosa.
Ser um cristão árabe ou praticar o cristianismo secretamente em um país dominado pelo islamismo é um desafio enorme.
Os cristãos geralmente são perseguidos por extremistas, pelo governo, pela comunidade e até pelas próprias famílias. Como reflete o relatório World Watch List publicado este ano, a perseguição de cristãos nesses países muçulmanos continua a crescer. Embora muitos tivessem achado que a Primavera Árabe traria mais liberdade, incluindo a liberdade religiosa para as minorias, é certo que isso ainda não foi o caso”.
O relatório afirma que mais de 300 cristãos foram mortos por sua fé na Nigéria no ano passado, embora se acredite que o número real seja o dobro ou o triplo disso.
Ele afirma ainda que a China possui a maior igreja perseguida, com 80 milhões de membros, mas sua posição caiu dos principais 20 este ano para a posição 21. No ano passado o país estava em 16. Isso se deve em grande parte ao fato de os pastores de igrejas domésticas terem aprendido a brincar de “gato e rato” com o governo.
A lista é baseada em um questionário desenvolvido pela Open Doors para medir o grau de perseguição em mais de 60 países. Os questionários são preenchidos pela equipe da Open Doors atuando nos países, e então cruzados com a ajuda de especialistas independentes para chegar a uma pontuação numérica por país. Os países então são classificados de acordo com a pontuação.
Escrito por Michael Carl, 11 Janeiro 2012
Tradução: Luis Gustavo Gentil
Original: Muslims global leaders in persecuting christians
9 dos 10 piores países agressores seguem leis islâmicas.
O relatório também aponta que na Coréia do Norte, a população cristã, entre 200 e 400 mil, continua na completa clandestinidade, enquanto que outros 50 a 70 mil estão em “terríveis campos de trabalhos forçados”.
Nove das 10 nações que mais perseguem cristãos seguem principalmente a lei islâmica, e a “Primavera Árabe” que percorre partes do norte da África gerou um surto de repressão, de acordo com relatório publicado pela organização Open Doors (Portas Abertas).
O país restante da lista dos 10 é a Coréia do Norte, liderada por um regime comunista fanático que considerava os seus dois antigos líderes como deuses.
Os 10 classificados pelo relatório este ano são, na ordem, Coréia do Norte, Afeganistão, Arábia Saudita, Somália, Irã, Maldivas, Uzbequistão, Iêmen, Iraque e Paquistão.
Segundo o relatório, chamado World Watch List, os maiores avanços na perseguição de cristãos vieram de dois países africanos no calor da “Primavera Árabe”. O Sudão subiu da posição 35 para 16, e a Nigéria subiu de 23 para o 13.
Os resultados do relatório, de acordo com o presidente do escritório americano da Open Doors, Carl Moeller, podem ser atribuídos ao extremismo islâmico.
Moeller afirma que: “De acordo com nossa pesquisa, a tendência está na Nigéria, no Sudão, por toda aquela região da África, onde o extremismo do norte pretende pressionar os cristãos e animistas do sul.
Estamos vendo muita violência, e a Nigéria é um grande exemplo disso. O sul do país é praticamente todo cristão, evangélico, pentecostal, bastante vigorosos no seu cristianismo”.
Moeller diz ainda que o norte do país é completamente diferente.
“O norte é dominado politica e religiosamente por elementos extremistas caracterizados pelo grupo radical Boko haram”.
Esse nome, que vem de uma região da Nigéria que viu aumentar a violência anticristã, significa "a educação ocidental é um pecado”.
A rejeição ao Ocidente parece total para os membros desse grupo, segundo Moeller.
“O Boko Haram, em pleno Natal, bombardeou cinco igrejas na Nigéria, e há poucos dias explodiu bombas na cidade de Kano, onde diversas áreas estão em estado de emergência”, acrescenta.
Moeller acredita que a maioria dos muçulmanos não aspira à violência.
“Há um grande debate dentro do próprio islã. Ainda há vários estudos abrangentes que indicam que a grande maioria dos muçulmanos não possuem perspectivas violentas. Isso ocorre no Ocidente e em todos os outros lugares. Milhões de muçulmanos são capazes de viver em paz com seus vizinhos de outras religiões pelo mundo” observa Moeller.
No entanto, o problema é quem parece estar guiando o movimento.
“A forma como as ideias muçulmanas são propagadas pelo mundo está em sua maioria nas mãos dos extremistas. São eles que clamam fidelidade aos ensinamentos de Maomé e do Corão. Ao fazer isso, eles se posicionam como verdadeiros crentes do islã, e isso é um forte argumento para aqueles que querem ser fieis à sua herança religiosa”, afirma Moeller.
O extremismo está crescendo como uma proporção do islã mundial.
“Estamos vendo a natureza dos atos de violência se tornando mais extremos e mais difundidos. Há uma ou duas décadas atrás, ela era bastante limitada a homens-bomba no centro do Oriente Médio, da Palestina e alguns outros lugares. Hoje estamos vendo ataques de homens-bomba na Ásia, na Indonésia, na África, na Nigéria, por todo o mundo, e isso é preocupante para todos os cristãos que vivem nesses países”, afirma Moeller.
Embora concorde com os números da perseguição, a editora do site Atlas Shrugs questiona a questão do extremismo.
“O que o Dr. Moeller chama, na melhor das intenções, de ‘extremismo’ é na verdade o comportamento islâmico predominante”, afirma Geller.
“Ele é sancionado, e mesmo estimulado pelo Corão e por Maomé. Os ‘extremistas’ são na verdade os muçulmanos que ousam ser pacíficos”, afirma.
Moeller diz que há uma tendência visível que se segue a um aumento da população muçulmana de qualquer país.
“Vemos claramente que em lugares onde a educação islâmica é dominante, o extremismo tende a ser mais popular. Podemos ver as revoluções que aconteceram no ano passado como um exemplo disso. Derrubar um ditador é maravilhoso, e como americanos na nossa liberdade, ecoamos isso. A grande questão no momento é pelo que esses ditadores estão sendo substituídos, pois parece que o islamismo radical está saindo na vantagem em todas as eleições e em todas as novas formações de governo que estão acontecendo no norte da África.
O Egito, por exemplo, pode em breve estar sob controle da Irmandade Islâmica, uma organização cujo propósito é criar um califado mundial, uma sociedade muçulmana.
Em 2012, talvez vejamos uma transição para o extremismo apoiado pelo governo, e isso também é preocupante”, afirma Moeller.
Jonathan Racho, do International Christian Concern, uma organização cristã de direitos humanos, diz que concorda com as conclusões do relatório sobre o aumento da perseguição.
“Como se pode ver no relatório, a perseguição de cristãos acontece em sua maioria nos países islâmicos”, afirma. “A perseguição de cristãos está piorando, e o mundo precisa estar atento a esse problema”.
Os países de 11 a 20 na classificação são Eritréia, Laos, Nigéria, Mauritânia, Egito, Sudão, Butão, Turcomenistão, Vietnã e Chechênia, também dominados por interesses muçulmanos.
Os “aliados” dos EUA que estão entre os 50 países que mais perseguem cristãos são China, Kuwait, Turquia e Índia.
O relatório aponta que na Coréia do Norte, a população cristã, entre 200 e 400 mil, continua na completa clandestinidade, enquanto que outros 50 a 70 mil estão em “terríveis campos de trabalhos forçados”.
Segundo Moeller, “Como a morte de Kim Jong-il no mês passado e a sucessão do seu filho Kim Jong-Un irão afetar a condição dos cristãos na Coréia do Norte é difícil de determinar ainda tão cedo. Certamente a situação para os crentes continua perigosa.
Ser um cristão árabe ou praticar o cristianismo secretamente em um país dominado pelo islamismo é um desafio enorme.
Os cristãos geralmente são perseguidos por extremistas, pelo governo, pela comunidade e até pelas próprias famílias. Como reflete o relatório World Watch List publicado este ano, a perseguição de cristãos nesses países muçulmanos continua a crescer. Embora muitos tivessem achado que a Primavera Árabe traria mais liberdade, incluindo a liberdade religiosa para as minorias, é certo que isso ainda não foi o caso”.
O relatório afirma que mais de 300 cristãos foram mortos por sua fé na Nigéria no ano passado, embora se acredite que o número real seja o dobro ou o triplo disso.
Ele afirma ainda que a China possui a maior igreja perseguida, com 80 milhões de membros, mas sua posição caiu dos principais 20 este ano para a posição 21. No ano passado o país estava em 16. Isso se deve em grande parte ao fato de os pastores de igrejas domésticas terem aprendido a brincar de “gato e rato” com o governo.
A lista é baseada em um questionário desenvolvido pela Open Doors para medir o grau de perseguição em mais de 60 países. Os questionários são preenchidos pela equipe da Open Doors atuando nos países, e então cruzados com a ajuda de especialistas independentes para chegar a uma pontuação numérica por país. Os países então são classificados de acordo com a pontuação.
Escrito por Michael Carl, 11 Janeiro 2012
Tradução: Luis Gustavo Gentil
Original: Muslims global leaders in persecuting christians
O SUL NO NORTE
Artigos - Desinformação
Desníveis econômicos entre nações não podem, por si, ser causa de conflitos políticos ou de guerras sem que uma longa e complexa manobra estratégica e propagandística os converta nisso.
Se você quer saber qual será a política de amanhã, leia as publicações acadêmicas de hoje: nada se grita nas praças que antes não se tenha sussurrado em sala de aula, longe das atenções dos "analistas políticos" da mídia, sempre os últimos a saber. O prazo de maturação em que as ideias dos professores se transformam em moda política é de uns vinte e cinco ou trinta anos, o tempo de uma troca de gerações.
Decorridos alguns meses do desmantelamento da URSS, um amigo meu, militar de alta patente, veio entusiasmado me mostrar uns trabalhos publicados em revistas de estudos estratégicos, que falavam de uma nova divisão geopolítica do mundo: em vez do conflito Leste-Oeste entre regimes comunistas e capitalistas, tínhamos então a disputa Norte-Sul entre países ricos e países pobres.
Em linguagem popularizada, dramatizada em slogans e chavões de fácil repetição, a tese ressurge agora pela boca de dois entre os mais notórios garotos-propaganda do esquerdismo internacional: o escritor uruguaio Eduardo Galeano e o deputado suíço Jean Ziegler
(v. http://www.youtube.com/watch?v=MyxO-gL_ZnM). Falta só um pouquinho, portanto, para que a guerra Norte-Sul se consolide como verdade de evangelho, repetida em todos os jornais e botequins do universo pela "parcela mais esclarecida da população".
No entanto, a teoria não se tornou nem um pouquinho melhor nesse ínterim. Ao contrário, a falsidade e a má intenção que a inspiravam no começo tornaram-se ainda mais patentes.
Não preciso, por isso, senão repetir aqui o que naqueles dias remotos expliquei ao meu estupefato amigo. Primeiro: desníveis econômicos entre nações não podem, por si, ser causa de conflitos políticos ou de guerras sem que uma longa e complexa manobra estratégica e propagandística os converta nisso.
Mas mesmo neste caso não se pode dizer que a pobreza seja a "causa" da disputa: a causa verdadeira é a ação política deliberada que a usou eficazmente como pretexto.
E notem que não é do dia para a noite que se infunde na cabeça de um povo empobrecido por oligarquias ociosas e corruptas a ideia de que todos os seus males vêm do estrangeiro.
Segundo: política e guerra custam muito dinheiro, especialmente numa era de tecnologia avançada, e nenhuma nação pobre se arriscaria a enfrentar os vizinhos mais prósperos, nem mesmo no campo puramente político-diplomático, se não tivesse por trás um amigo rico e poderoso a instigá-la e financiá-la para isso. Mas neste caso o verdadeiro agente não seria a nação pobre e sim o aliado rico, empenhado em bater com mão alugada.
Era exatamente a situação que se havia observado nas guerras da Coreia e do Vietnã, onde os americanos não se batiam contra tropas locais esfarrapadas, mas contra o bloco comunista inteiro que as movia como peças de xadrez. Havia também a possibilidade de tratar-se de uma falsa nação pobre, isto é, uma nação rica com povo pobre, cujas oligarquias exploradoras tentassem aliviar conflitos internos canalizando o ódio popular contra bodes expiatórios estrangeiros, tal como faz hoje o Irã.
Mas mesmo neste caso o dedo do aliado rico estaria lá, orientando e dirigindo tudo mais ou menos discretamente. Terceiro: a teoria original de Marx enfocava a luta de classes na escala das nações individuais, cada uma com sua burguesia e seu proletariado supostamente em antagonismo perpétuo. Mas já na década de 30 Josef Stálin lançou a ideia de enfocar os conflitos internacionais, reais ou possíveis, como lutas de classes, as nações pobres no papel de "proletariado", as ricas no de "burguesia".
Com a ajuda de centenas de milhares de agentes espalhados pelo mundo, e com aquela desenvoltura que os comunistas têm de tomar figuras de linguagem como se fossem descrições científicas da realidade, logo a ideia se universalizou sob a forma do "terceiromundismo". Na época, só gente muito burra ignorava que as nações pobres alegadamente neutras, mas dedicadas a uma política antiocidental sistemática, eram manipuladas pelo bloco comunista.
Sabendo-se que a queda da URSS não modificou substancialmente o esquema de poder na Rússia nem atenuou em nada a ação do movimento comunista internacional, a teoria Norte-Sul não passava em 1990, como não passa hoje, de uma reedição melhorada do "terceiromundismo" stalinista, a ser acionada em condições estratégicas mais que favoráveis.
De um lado, o triunfalismo ocidental empenhado em celebrar afoitamente a "vitória na guerra fria" encobriu sob um manto de confortável invisibilidade a ação comunista internacional, dando-lhe o descanso necessário para se rearticular em novo formato e reaparecer no mundo com identidade trocada, sem um centro de comando aparente e dispensada, portanto, de arcar com qualquer responsabilidade histórica pelos crimes da URSS e da China.
De outro lado, o processo mesmo da "globalização" e o fortalecimento inaudito dos organismos internacionais como núcleos de um governo mundial em formação determinaram claramente o desmantelamento da indústria norte-americana, a transformação maciça da imigração forçada em arma de dissolução das soberanias nacionais no Ocidente, o desgaste dos EUA e da Europa em sucessivas crises econômicas e a emergência da China como potência concorrente ameaçadora.
Que momento melhor haveria para um ataque geral ao Ocidente sob o pretexto de guerra dos pobres contra os ricos, do "Sul" contra "o Norte"? Quem, numa hora dessas, se lembrará de observar que os agentes principais do processo –Rússia, China, Irã – ficam no Norte?
Escrito por Olavo de Carvalho, 11 Janeiro 2012
Publicado no Diário do Comércio.
Desníveis econômicos entre nações não podem, por si, ser causa de conflitos políticos ou de guerras sem que uma longa e complexa manobra estratégica e propagandística os converta nisso.
Se você quer saber qual será a política de amanhã, leia as publicações acadêmicas de hoje: nada se grita nas praças que antes não se tenha sussurrado em sala de aula, longe das atenções dos "analistas políticos" da mídia, sempre os últimos a saber. O prazo de maturação em que as ideias dos professores se transformam em moda política é de uns vinte e cinco ou trinta anos, o tempo de uma troca de gerações.
Decorridos alguns meses do desmantelamento da URSS, um amigo meu, militar de alta patente, veio entusiasmado me mostrar uns trabalhos publicados em revistas de estudos estratégicos, que falavam de uma nova divisão geopolítica do mundo: em vez do conflito Leste-Oeste entre regimes comunistas e capitalistas, tínhamos então a disputa Norte-Sul entre países ricos e países pobres.
Em linguagem popularizada, dramatizada em slogans e chavões de fácil repetição, a tese ressurge agora pela boca de dois entre os mais notórios garotos-propaganda do esquerdismo internacional: o escritor uruguaio Eduardo Galeano e o deputado suíço Jean Ziegler
(v. http://www.youtube.com/watch?v=MyxO-gL_ZnM). Falta só um pouquinho, portanto, para que a guerra Norte-Sul se consolide como verdade de evangelho, repetida em todos os jornais e botequins do universo pela "parcela mais esclarecida da população".
No entanto, a teoria não se tornou nem um pouquinho melhor nesse ínterim. Ao contrário, a falsidade e a má intenção que a inspiravam no começo tornaram-se ainda mais patentes.
Não preciso, por isso, senão repetir aqui o que naqueles dias remotos expliquei ao meu estupefato amigo. Primeiro: desníveis econômicos entre nações não podem, por si, ser causa de conflitos políticos ou de guerras sem que uma longa e complexa manobra estratégica e propagandística os converta nisso.
Mas mesmo neste caso não se pode dizer que a pobreza seja a "causa" da disputa: a causa verdadeira é a ação política deliberada que a usou eficazmente como pretexto.
E notem que não é do dia para a noite que se infunde na cabeça de um povo empobrecido por oligarquias ociosas e corruptas a ideia de que todos os seus males vêm do estrangeiro.
Segundo: política e guerra custam muito dinheiro, especialmente numa era de tecnologia avançada, e nenhuma nação pobre se arriscaria a enfrentar os vizinhos mais prósperos, nem mesmo no campo puramente político-diplomático, se não tivesse por trás um amigo rico e poderoso a instigá-la e financiá-la para isso. Mas neste caso o verdadeiro agente não seria a nação pobre e sim o aliado rico, empenhado em bater com mão alugada.
Era exatamente a situação que se havia observado nas guerras da Coreia e do Vietnã, onde os americanos não se batiam contra tropas locais esfarrapadas, mas contra o bloco comunista inteiro que as movia como peças de xadrez. Havia também a possibilidade de tratar-se de uma falsa nação pobre, isto é, uma nação rica com povo pobre, cujas oligarquias exploradoras tentassem aliviar conflitos internos canalizando o ódio popular contra bodes expiatórios estrangeiros, tal como faz hoje o Irã.
Mas mesmo neste caso o dedo do aliado rico estaria lá, orientando e dirigindo tudo mais ou menos discretamente. Terceiro: a teoria original de Marx enfocava a luta de classes na escala das nações individuais, cada uma com sua burguesia e seu proletariado supostamente em antagonismo perpétuo. Mas já na década de 30 Josef Stálin lançou a ideia de enfocar os conflitos internacionais, reais ou possíveis, como lutas de classes, as nações pobres no papel de "proletariado", as ricas no de "burguesia".
Com a ajuda de centenas de milhares de agentes espalhados pelo mundo, e com aquela desenvoltura que os comunistas têm de tomar figuras de linguagem como se fossem descrições científicas da realidade, logo a ideia se universalizou sob a forma do "terceiromundismo". Na época, só gente muito burra ignorava que as nações pobres alegadamente neutras, mas dedicadas a uma política antiocidental sistemática, eram manipuladas pelo bloco comunista.
Sabendo-se que a queda da URSS não modificou substancialmente o esquema de poder na Rússia nem atenuou em nada a ação do movimento comunista internacional, a teoria Norte-Sul não passava em 1990, como não passa hoje, de uma reedição melhorada do "terceiromundismo" stalinista, a ser acionada em condições estratégicas mais que favoráveis.
De um lado, o triunfalismo ocidental empenhado em celebrar afoitamente a "vitória na guerra fria" encobriu sob um manto de confortável invisibilidade a ação comunista internacional, dando-lhe o descanso necessário para se rearticular em novo formato e reaparecer no mundo com identidade trocada, sem um centro de comando aparente e dispensada, portanto, de arcar com qualquer responsabilidade histórica pelos crimes da URSS e da China.
De outro lado, o processo mesmo da "globalização" e o fortalecimento inaudito dos organismos internacionais como núcleos de um governo mundial em formação determinaram claramente o desmantelamento da indústria norte-americana, a transformação maciça da imigração forçada em arma de dissolução das soberanias nacionais no Ocidente, o desgaste dos EUA e da Europa em sucessivas crises econômicas e a emergência da China como potência concorrente ameaçadora.
Que momento melhor haveria para um ataque geral ao Ocidente sob o pretexto de guerra dos pobres contra os ricos, do "Sul" contra "o Norte"? Quem, numa hora dessas, se lembrará de observar que os agentes principais do processo –Rússia, China, Irã – ficam no Norte?
Escrito por Olavo de Carvalho, 11 Janeiro 2012
Publicado no Diário do Comércio.
HISTÓRIAS DO SEBASTIÃO NERY
Um busto para Maluf
Três coronéis mandavam em Patos, na Paraíba: Miguel Satiro (pai do ex-deputado e governador Ernani Satiro), que era do governo; capitão Roldão Meira de Vasconcelos, que comandava a oposição. E João Olinto de Melo e Silva (pai dos irmãos Melo e Silva: o banqueiro Drault Ernani, o deputado Bivar Olinto e o empresário Adelgilson).
Acordavam cedo, muito cedo, e a força deles vinha sobretudo daí. Todas as manhãs, bem cedo, antes de a cidade despertar, os três se encontravam para um papo a três, onde punham em dia os fatos e boatos, segredos e intrigas da cidade. E nada vazava da conversa dos três.
Se a história era inconveniente, nem eles mesmos contavam um para o outro. Um dia, um filho do capitão Roldão, o Manduquinha, violentou a negra Sebastiana, menina levada, que toda a cidade conhecia. Naquela manhã, era só no que Patos falava. De manhã cedo, os três já tinham se encontrado:
- Bom dia, compadre.
- Bom dia. O que é que há de novo?
- E há alguma coisa de novo?
- Que eu saiba, não.
- Os compadres sabem?
- Eu também não sei.
- Nem eu.
E os três velhos, prudentes e convenientes, saíram, cada um para sua casa.
***
MARANHÃO
O parágrafo 3 do art. 14 da Constituição de 88 diz:
“São condições de elegibilidade: VI – a idade mínima de a) 35 anos para presidente e vice-presidente da República e senador; b) 30 anos para governador e vice-governador; c) 21 anos para deputado federal, deputado estadual, prefeito e vice-prefeito; d) 18 anos para vereador”.
As Constituições anteriores diziam a mesma coisa. Mas no Brasil sempre se consegue uma exceção, sabe-se lá como. Na Paraíba, em 3 de outubro de 1954, o estudante de Direito José Maranhão, nascido em 6 de setembro de 1936, elegeu-se deputado estadual pelo PTB, com apenas 18 anos.
Ao que se sabe, o único no País, até hoje. Um deputado inconstitucional? Problema da Assembléia da Paraíba.
Justiça se lhe faça: reeleito em 58 e 62, sempre pelo PTB, e em 66 pelo MDB, fez excelentes mandatos, tanto que, em 69, o golpe militar, com o AI-5, lhe cassou o mandato e os direitos políticos.
***
GARIBALDI
O povo deu a resposta. Com a anistia, em 79, Maranhão voltou à ação política e em 82, 86 e 90 se elegeu deputado federal pelo PMDB, sempre entre as maiores votações do Estado. Em 94, tornou-se vice-governador na chapa de Antonio Mariz, que morreu em 95 e ele assumiu definitivamente o governo, sendo reeleito em 98. Depois, foi, eleito senador em 2002, voltou ao governo com a cassação de Cassio Cunha Lima em 2009. Fez uma extensa carreira.
***
MALUF
A lei do Monopólio Estatal do Petróleo era clara: só a Petrobras podia explorar petróleo. Mas Maluf assumiu o governo de São Paulo em março de 79 (mesmo dia de Figueiredo), era candidato a presidente da República e resolveu criar seu paraíso petrolífero: fundou uma empresa estadual de petróleo, a Paulipetro, contratou um punhado de geólogos de talento e ousadia e investiu na empreitada muitos milhões do governo de São Paulo.
A tese deles era óbvia: se a Petrobras estava encontrando oleo e gás, perfurando a 2 mil, 3 mil metros de profundidade, na bacia de Santos, bastava furar mais fundo, além dos 3 mil metros, chegando a 5 ou 7 mil, e o petróleo tambem apareceria. Mas havia dois obstáculos instransponíveis: só a Petrobras podia perfurar, e buscar petróleo a 5 mil metros ou mais era inviável, na época.
***
BUSTO
Maluf teimou, insistiu e a Petrobras foi à Justiça, que o obrigou a desativar e fechar a Paulipetro, por ilegal e aventureira, e pagar uma alta multa por dar prejuízos ao Estado. A Paulipetro entrou no folclore nacional. Mas a história é sempre ela. Quando menos se espera, ela volta.
Em 2008, na mesma bacia de Santos, a Petrobras descobriu o fantástico campo de óleo e gás Tupi, o maior já achado no País, com 8 bilhões de barris de petroleo, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, e hoje viável economicamente, diante do preço internacional do petróleo, a US$ 100 por barril.
Logo, os talentosos e ousados geólogos paulistas arrebanhados por Maluf tinham razão. Só não tinham a lei nem o tempo a favor deles.
O perigo, agora, é Maluf entrar na Justiça reivindicando uma indenização petrolífera e uma reparação histórica: por exemplo, que o campo Tupi se chame “campo Maluf” ou, quem sabe, um busto na sede da Petrobras.
12 de janeiro de 2012
Sebastião Nery
O DRAMA DA CASA PRÓPRIA
População cresce, constroi-se pouco, preço dos imóveis sobe 26 por cento
Reportagem importante de Marcelo Rehder e Soberta Scrivano, O Estado de São Paulo de quarta-feira 4, focaliza o panorama visto da ponte do mercado imobiliário do país no ano de 2011. Com base em informações de Eduardo Zylberstajn, coordenador do Fipezap, instituto especializada no tema, revela que os preços dos apartamentos subiram em média 26%.
Na cidade do Rio de Janeiro: 35%, por ser a cidade, penso eu, um pólo de atração nacional e até internacional. Na capital paulista 27%. Em Brasília 14 pontos, em Belo Horizonte 22 e em Salvador 6,8%. São estes os principais submercados. Como se constata, a valorização dos imóveis superou de muito a inflação encontrada pelo IBGE, pouco inferior a 7 pontos para o espaço de doze meses.
Várias são as razões a meu ver. Primeiro o aumento populacional da ordem de 1,2% equivalendo a mais 2 milhões de pessoas a cada ano no país. Como a média de pessoas por unidade habitacional situa-se em torno de 4, para empatar a oferta com o índice demográfico seria necessário que se construísse no Brasil 500 mil residências por ano. As construções não atingem tal nível. Oferta reprimida para uma demanda permanentemente elástica. Consequência: preço para cima, dentro da eterna lei da oferta e da procura.
Em segundo lugar, impulsionando a busca intensa da casa própria a sensação de estabilidade para as famílias. Em terceiro, o fator inflacionário que se embute logicamente na oscilação dos preços. Em quarto lugar, 2011 foi um ano muito ruim para as aplicações na Bovespa. O recuo, como os jornais publicaram há poucos dias superou 18%. Em consequência, houve fuga de capitais. Uma parte expressiva voltou-se para o setor imobiliário, mesmo sabendo que sua liquidez não é tão rápida. Mas neste caso entram os juros, os quais, na definição clássica de Lorde Keynes, são uma renúncia à liquidez. Some-se a tudo isso um forte fator especulativo, no Brasil muito intenso e permanente.
Os financiamentos imobiliários, de outro lado, apresentam taxas superiores às reposições salariais. Trava-se assim uma corrida entre a ilusão de poder pagar o crédito com a visão realista do mercado financeiro. As desistências no meio do caminho são numerosas, mas as empresas, como é até lógico, ocultam essa face da questão. A publicidade se multiplica de forma firme e até sofisticada, oferecendo paraísos. Não se trata propriamente de propaganda enganosa, mas é que os prazos de construção demandam créditos bancários de suporte e, com isso, as etapas com frequência escapam à previsões.
Mais um complicador para os compradores. Quem dessa forma, têm que arcar maias tempo com as despesas paralelas da moradia em que se encontram. Porém os repórteres de O Estado de São Paulo assinalam que a subida mais forte dos preços ocorreu no primeiro semestre de 2011. Não no final do exercício. Por exemplo: no Rio, os preços avançaram 1,7% em novembro em relação a outubro. Mas somente 1,1 em dezembro em relação a novembro. E sustentam em seus textos que a aceleração perdeu o ímpeto. A previsão para 2012 é um aumento mais moderado de preços. De qualquer forma, o valor médio do metro quadrado, embora este aspecto seja na minha opinião difícil de observar pela variação da qualidade e da localização dos edifícios, ficou em 7 mil e 500 reais. No Rio. Até 3 quartos. Para os apartamentos de 4 quartos a média atingiu 9 mil e 500 reais o metro quadrado.
Finalmente uma outra questão, esta colocada por mim. Os financiamentos imobiliários apresentam um complicador na exigência de parcela extra. Exclui compradores em potencial. A capitalização da poupança é baixa e, por isso, os incorporadores dependem dos bancos para equilibrar seus débitos com as empresas construtora. O quadro geral é esse. Há um nó a ser desatado. Afinal o dinheiro é mercadoria não perecível e que gira quase no ritmo da Selic. Que é o dobro dos acordos salariais.
Reportagem importante de Marcelo Rehder e Soberta Scrivano, O Estado de São Paulo de quarta-feira 4, focaliza o panorama visto da ponte do mercado imobiliário do país no ano de 2011. Com base em informações de Eduardo Zylberstajn, coordenador do Fipezap, instituto especializada no tema, revela que os preços dos apartamentos subiram em média 26%.
Na cidade do Rio de Janeiro: 35%, por ser a cidade, penso eu, um pólo de atração nacional e até internacional. Na capital paulista 27%. Em Brasília 14 pontos, em Belo Horizonte 22 e em Salvador 6,8%. São estes os principais submercados. Como se constata, a valorização dos imóveis superou de muito a inflação encontrada pelo IBGE, pouco inferior a 7 pontos para o espaço de doze meses.
Várias são as razões a meu ver. Primeiro o aumento populacional da ordem de 1,2% equivalendo a mais 2 milhões de pessoas a cada ano no país. Como a média de pessoas por unidade habitacional situa-se em torno de 4, para empatar a oferta com o índice demográfico seria necessário que se construísse no Brasil 500 mil residências por ano. As construções não atingem tal nível. Oferta reprimida para uma demanda permanentemente elástica. Consequência: preço para cima, dentro da eterna lei da oferta e da procura.
Em segundo lugar, impulsionando a busca intensa da casa própria a sensação de estabilidade para as famílias. Em terceiro, o fator inflacionário que se embute logicamente na oscilação dos preços. Em quarto lugar, 2011 foi um ano muito ruim para as aplicações na Bovespa. O recuo, como os jornais publicaram há poucos dias superou 18%. Em consequência, houve fuga de capitais. Uma parte expressiva voltou-se para o setor imobiliário, mesmo sabendo que sua liquidez não é tão rápida. Mas neste caso entram os juros, os quais, na definição clássica de Lorde Keynes, são uma renúncia à liquidez. Some-se a tudo isso um forte fator especulativo, no Brasil muito intenso e permanente.
Os financiamentos imobiliários, de outro lado, apresentam taxas superiores às reposições salariais. Trava-se assim uma corrida entre a ilusão de poder pagar o crédito com a visão realista do mercado financeiro. As desistências no meio do caminho são numerosas, mas as empresas, como é até lógico, ocultam essa face da questão. A publicidade se multiplica de forma firme e até sofisticada, oferecendo paraísos. Não se trata propriamente de propaganda enganosa, mas é que os prazos de construção demandam créditos bancários de suporte e, com isso, as etapas com frequência escapam à previsões.
Mais um complicador para os compradores. Quem dessa forma, têm que arcar maias tempo com as despesas paralelas da moradia em que se encontram. Porém os repórteres de O Estado de São Paulo assinalam que a subida mais forte dos preços ocorreu no primeiro semestre de 2011. Não no final do exercício. Por exemplo: no Rio, os preços avançaram 1,7% em novembro em relação a outubro. Mas somente 1,1 em dezembro em relação a novembro. E sustentam em seus textos que a aceleração perdeu o ímpeto. A previsão para 2012 é um aumento mais moderado de preços. De qualquer forma, o valor médio do metro quadrado, embora este aspecto seja na minha opinião difícil de observar pela variação da qualidade e da localização dos edifícios, ficou em 7 mil e 500 reais. No Rio. Até 3 quartos. Para os apartamentos de 4 quartos a média atingiu 9 mil e 500 reais o metro quadrado.
Finalmente uma outra questão, esta colocada por mim. Os financiamentos imobiliários apresentam um complicador na exigência de parcela extra. Exclui compradores em potencial. A capitalização da poupança é baixa e, por isso, os incorporadores dependem dos bancos para equilibrar seus débitos com as empresas construtora. O quadro geral é esse. Há um nó a ser desatado. Afinal o dinheiro é mercadoria não perecível e que gira quase no ritmo da Selic. Que é o dobro dos acordos salariais.
12 de janeiro de 2012
Pedro do Coutto
Reportagem importante de Marcelo Rehder e Soberta Scrivano, O Estado de São Paulo de quarta-feira 4, focaliza o panorama visto da ponte do mercado imobiliário do país no ano de 2011. Com base em informações de Eduardo Zylberstajn, coordenador do Fipezap, instituto especializada no tema, revela que os preços dos apartamentos subiram em média 26%.
Na cidade do Rio de Janeiro: 35%, por ser a cidade, penso eu, um pólo de atração nacional e até internacional. Na capital paulista 27%. Em Brasília 14 pontos, em Belo Horizonte 22 e em Salvador 6,8%. São estes os principais submercados. Como se constata, a valorização dos imóveis superou de muito a inflação encontrada pelo IBGE, pouco inferior a 7 pontos para o espaço de doze meses.
Várias são as razões a meu ver. Primeiro o aumento populacional da ordem de 1,2% equivalendo a mais 2 milhões de pessoas a cada ano no país. Como a média de pessoas por unidade habitacional situa-se em torno de 4, para empatar a oferta com o índice demográfico seria necessário que se construísse no Brasil 500 mil residências por ano. As construções não atingem tal nível. Oferta reprimida para uma demanda permanentemente elástica. Consequência: preço para cima, dentro da eterna lei da oferta e da procura.
Em segundo lugar, impulsionando a busca intensa da casa própria a sensação de estabilidade para as famílias. Em terceiro, o fator inflacionário que se embute logicamente na oscilação dos preços. Em quarto lugar, 2011 foi um ano muito ruim para as aplicações na Bovespa. O recuo, como os jornais publicaram há poucos dias superou 18%. Em consequência, houve fuga de capitais. Uma parte expressiva voltou-se para o setor imobiliário, mesmo sabendo que sua liquidez não é tão rápida. Mas neste caso entram os juros, os quais, na definição clássica de Lorde Keynes, são uma renúncia à liquidez. Some-se a tudo isso um forte fator especulativo, no Brasil muito intenso e permanente.
Os financiamentos imobiliários, de outro lado, apresentam taxas superiores às reposições salariais. Trava-se assim uma corrida entre a ilusão de poder pagar o crédito com a visão realista do mercado financeiro. As desistências no meio do caminho são numerosas, mas as empresas, como é até lógico, ocultam essa face da questão. A publicidade se multiplica de forma firme e até sofisticada, oferecendo paraísos. Não se trata propriamente de propaganda enganosa, mas é que os prazos de construção demandam créditos bancários de suporte e, com isso, as etapas com frequência escapam à previsões.
Mais um complicador para os compradores. Quem dessa forma, têm que arcar maias tempo com as despesas paralelas da moradia em que se encontram. Porém os repórteres de O Estado de São Paulo assinalam que a subida mais forte dos preços ocorreu no primeiro semestre de 2011. Não no final do exercício. Por exemplo: no Rio, os preços avançaram 1,7% em novembro em relação a outubro. Mas somente 1,1 em dezembro em relação a novembro. E sustentam em seus textos que a aceleração perdeu o ímpeto. A previsão para 2012 é um aumento mais moderado de preços. De qualquer forma, o valor médio do metro quadrado, embora este aspecto seja na minha opinião difícil de observar pela variação da qualidade e da localização dos edifícios, ficou em 7 mil e 500 reais. No Rio. Até 3 quartos. Para os apartamentos de 4 quartos a média atingiu 9 mil e 500 reais o metro quadrado.
Finalmente uma outra questão, esta colocada por mim. Os financiamentos imobiliários apresentam um complicador na exigência de parcela extra. Exclui compradores em potencial. A capitalização da poupança é baixa e, por isso, os incorporadores dependem dos bancos para equilibrar seus débitos com as empresas construtora. O quadro geral é esse. Há um nó a ser desatado. Afinal o dinheiro é mercadoria não perecível e que gira quase no ritmo da Selic. Que é o dobro dos acordos salariais.
Reportagem importante de Marcelo Rehder e Soberta Scrivano, O Estado de São Paulo de quarta-feira 4, focaliza o panorama visto da ponte do mercado imobiliário do país no ano de 2011. Com base em informações de Eduardo Zylberstajn, coordenador do Fipezap, instituto especializada no tema, revela que os preços dos apartamentos subiram em média 26%.
Na cidade do Rio de Janeiro: 35%, por ser a cidade, penso eu, um pólo de atração nacional e até internacional. Na capital paulista 27%. Em Brasília 14 pontos, em Belo Horizonte 22 e em Salvador 6,8%. São estes os principais submercados. Como se constata, a valorização dos imóveis superou de muito a inflação encontrada pelo IBGE, pouco inferior a 7 pontos para o espaço de doze meses.
Várias são as razões a meu ver. Primeiro o aumento populacional da ordem de 1,2% equivalendo a mais 2 milhões de pessoas a cada ano no país. Como a média de pessoas por unidade habitacional situa-se em torno de 4, para empatar a oferta com o índice demográfico seria necessário que se construísse no Brasil 500 mil residências por ano. As construções não atingem tal nível. Oferta reprimida para uma demanda permanentemente elástica. Consequência: preço para cima, dentro da eterna lei da oferta e da procura.
Em segundo lugar, impulsionando a busca intensa da casa própria a sensação de estabilidade para as famílias. Em terceiro, o fator inflacionário que se embute logicamente na oscilação dos preços. Em quarto lugar, 2011 foi um ano muito ruim para as aplicações na Bovespa. O recuo, como os jornais publicaram há poucos dias superou 18%. Em consequência, houve fuga de capitais. Uma parte expressiva voltou-se para o setor imobiliário, mesmo sabendo que sua liquidez não é tão rápida. Mas neste caso entram os juros, os quais, na definição clássica de Lorde Keynes, são uma renúncia à liquidez. Some-se a tudo isso um forte fator especulativo, no Brasil muito intenso e permanente.
Os financiamentos imobiliários, de outro lado, apresentam taxas superiores às reposições salariais. Trava-se assim uma corrida entre a ilusão de poder pagar o crédito com a visão realista do mercado financeiro. As desistências no meio do caminho são numerosas, mas as empresas, como é até lógico, ocultam essa face da questão. A publicidade se multiplica de forma firme e até sofisticada, oferecendo paraísos. Não se trata propriamente de propaganda enganosa, mas é que os prazos de construção demandam créditos bancários de suporte e, com isso, as etapas com frequência escapam à previsões.
Mais um complicador para os compradores. Quem dessa forma, têm que arcar maias tempo com as despesas paralelas da moradia em que se encontram. Porém os repórteres de O Estado de São Paulo assinalam que a subida mais forte dos preços ocorreu no primeiro semestre de 2011. Não no final do exercício. Por exemplo: no Rio, os preços avançaram 1,7% em novembro em relação a outubro. Mas somente 1,1 em dezembro em relação a novembro. E sustentam em seus textos que a aceleração perdeu o ímpeto. A previsão para 2012 é um aumento mais moderado de preços. De qualquer forma, o valor médio do metro quadrado, embora este aspecto seja na minha opinião difícil de observar pela variação da qualidade e da localização dos edifícios, ficou em 7 mil e 500 reais. No Rio. Até 3 quartos. Para os apartamentos de 4 quartos a média atingiu 9 mil e 500 reais o metro quadrado.
Finalmente uma outra questão, esta colocada por mim. Os financiamentos imobiliários apresentam um complicador na exigência de parcela extra. Exclui compradores em potencial. A capitalização da poupança é baixa e, por isso, os incorporadores dependem dos bancos para equilibrar seus débitos com as empresas construtora. O quadro geral é esse. Há um nó a ser desatado. Afinal o dinheiro é mercadoria não perecível e que gira quase no ritmo da Selic. Que é o dobro dos acordos salariais.
12 de janeiro de 2012
Pedro do Coutto
MAIS UM ESCÂNDALO NO JUDICIÁRIO
Mais um escândalo no Judiciário. Desta vez, no Tribunal de Justiça de Minas, com favorecimentos na promoção a desembargador.
Começam a aparecer mais podres do Judiciário, denunciados pelos próprios juízes. Segundo a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais privilegiou parentes de desembargadores e ex-dirigentes de outra entidade de classe, em detrimento de juízes mais antigos. Entre os beneficiados estão justamente juízes que hoje atacam durante o Conselho Nacional de Justiça, vejam só que coincidência.
O que acontece na realidade é que Conselho Nacional de Justiça, em função da gravíssima denúncia da Anamages, está julgando o pedido de anulação das promoções de 17 juízes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, entre 2006 e 2009.
Segundo a denúncia dos juízes, além de não observar critérios como antiguidade e produtividade, o Tribunal sequer publicou as decisões em edital. Entre os promovidos irregularmente a desembargador estão Nelson Missias, atual secretário-geral da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), e Doorgal Andrada, ex-vice-presidente da entidade, que por coincidência está movendo a ação no Supremo Tribunal Federal para reduzir os poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça.
Ao ser promovido, Missias era o 46º na lista de antiguidade. Andrada, o 41º. Agora, apanhado em flagrante, Missias vê uma “trama” da Anamages e diz que o órgão “não tem credibilidade e legitimidade para questionar promoções”. Já Andrada é mais cauteloso e afirma que “aquilo que o CNJ decidir, eu vou aplaudir”.
Quanto ao Tribunal de Justiça de Minas, que nem tem como se defender, a presidência já informou que “vai aguardar a decisão do CNJ e cumprir o que for determinado”.
Por tudo isso, quando se diz aqui no Blog que o Judiciário é um poder apodrecido, não aparece uma só viva alma para contestar.
12 de janeiro de 2012
Carlos Newton
Começam a aparecer mais podres do Judiciário, denunciados pelos próprios juízes. Segundo a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais privilegiou parentes de desembargadores e ex-dirigentes de outra entidade de classe, em detrimento de juízes mais antigos. Entre os beneficiados estão justamente juízes que hoje atacam durante o Conselho Nacional de Justiça, vejam só que coincidência.
O que acontece na realidade é que Conselho Nacional de Justiça, em função da gravíssima denúncia da Anamages, está julgando o pedido de anulação das promoções de 17 juízes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, entre 2006 e 2009.
Segundo a denúncia dos juízes, além de não observar critérios como antiguidade e produtividade, o Tribunal sequer publicou as decisões em edital. Entre os promovidos irregularmente a desembargador estão Nelson Missias, atual secretário-geral da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), e Doorgal Andrada, ex-vice-presidente da entidade, que por coincidência está movendo a ação no Supremo Tribunal Federal para reduzir os poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça.
Ao ser promovido, Missias era o 46º na lista de antiguidade. Andrada, o 41º. Agora, apanhado em flagrante, Missias vê uma “trama” da Anamages e diz que o órgão “não tem credibilidade e legitimidade para questionar promoções”. Já Andrada é mais cauteloso e afirma que “aquilo que o CNJ decidir, eu vou aplaudir”.
Quanto ao Tribunal de Justiça de Minas, que nem tem como se defender, a presidência já informou que “vai aguardar a decisão do CNJ e cumprir o que for determinado”.
Por tudo isso, quando se diz aqui no Blog que o Judiciário é um poder apodrecido, não aparece uma só viva alma para contestar.
12 de janeiro de 2012
Carlos Newton
ANOTAÇÕES DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS
Antes tarde do que nunca
Denúncia profunda acaba de ser publicada em artigo, na Folha de S. Paulo, contra “a avalanche do pensamento único, cujo codinome é neoliberalismo, apoiado por Estados corrompidos pelo sistema financeiro internacional”. Idéia-base calcada em Marx? Lênin? Luiz Carlos Prestes ou Leonel Brizola?
Nada feito. O autor é o professor Delfim Netto, na sua colaboração semanal. Fica desmentida a falácia de que todo mundo é esquerdista na juventude e acaba como adepto do mercado, na velhice. O vetusto mestre, entrado nos oitenta anos, vem demonstrar o oposto. Depois de chefiar a política econômica e a própria economia nacional por duas décadas, com essa simples frase Delfim rende-se à evidência do breve desaparecimento desse pernicioso modelo que por tanto tempo assolou o planeta. Felizmente, agora em vias de escoar pelo ralo.
A crise econômica na Europa não deixa outra alternativa. Os corruptos chegaram ao limite da prática de sustentar o aumento de impostos, a redução de salários, os cortes nos programas sociais e o incentivo ao desemprego como forma de as nações saírem da crise. Quem rasga a cartilha do sistema financeiro internacional é um de seus antigos leitores. Não estamos perdidos, muito pelo contrário…
***
A LÓGICA LUSITANA
Faz tempo que deixaram de circular entre nós as célebres “piadas de português”, que denegriam nossos avozinhos. Em vez delas ouve-se até hoje, nos dois lados do Atlântico, histórias que só fazem justiça à lógica, ao tirocínio e ao valor do povo lusitano, nem tanto quanto o nosso. De vez em quando, porém, assistem-se bissextas recaídas daquela moda ultrapassada.
Não apenas quem tem voltado de Lisboa, mas quantos aqui acessam essa imensidão de canais a cabo de televisão, estranham que em todos os programas portugueses, dos jornalísticos aos de auditório, os de humor e os de esporte, sem exceção, vê-se num dos cantos das telinhas o refrão “Não Há Crise”. Trata-se de um incentivo ao ânimo da população, mas não dá para esconder ser a crise palpável, em Portugal. Como coisa parecida o governo brasileiro adotou nos anos bicudos da ditadura, com o abominável “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, é melhor calar…
***
FILHA ENJEITADA
Até hoje é assim, mas quando do advento da Nova República era pior. Ninguém queria a Funai. Refugavam todos os futuros ministros do presidente Tancredo Neves. Já convidado para o ministério do Interior, num despacho com o presidente eleito, Ronaldo Costa Couto sugeriu descartar-se da Funai, opinando que ela fosse deslocada para o novo ministério da Cultura. Afinal, índios e antropólogos seriam bem acolhidos por José Aparecido de Oliveira.
Tancredo não vacilou um minuto, recusando a proposta com uma observação: “Se eu fizer isso, no dia seguinte o Aparecido estará promovendo um desfile de índios brasileiros pelo Champs-Elissés…
Outra envolvendo a Funai e Tancredo aconteceu quando, às vésperas da posse que não houve, um senador pelo Rio Grande do Sul sugeriu ao presidente eleito um nome para a entidade. Ficando de estudar, como sempre fazia, ao despedir-se Tancredo indagou do senador: “O que você tem contra esse seu indicado?”
***
NOME MAL ESCOLHIDO
Houve tempo em que sempre que um governo não queria resolver determinado problema, criava para enfrentá-lo uma “força-tarefa”. Era um bate-cabeça e uma confusão de ministros, funcionários, acadêmicos e diletantes reunidos semanas a fio. Nenhum resultado prático surgia, mas as reuniões geravam notícias, até manchetes, como se estivesse sendo resolvida a grave questão, logo esquecida.
Precisa cuidar-se a presidente Dilma, ao menos com a denominação de “força-tarefa”, escolhida para designar o grupo de seis ministros e montes de altos funcionários com a missão de remediar os efeitos das chuvas que assolam o país. Eles tem todas as chances de não resolver nada, por conta da superposição de tarefas entre vários ministérios, sem falar no ego de cada um. Melhor faria a presidente se definisse apenas um encarregado, ou uma encarregada para o trabalho. O risco é de não haver nem força nem tarefa.
12 de janeiro de 2012
Carlos Chagas
Denúncia profunda acaba de ser publicada em artigo, na Folha de S. Paulo, contra “a avalanche do pensamento único, cujo codinome é neoliberalismo, apoiado por Estados corrompidos pelo sistema financeiro internacional”. Idéia-base calcada em Marx? Lênin? Luiz Carlos Prestes ou Leonel Brizola?
Nada feito. O autor é o professor Delfim Netto, na sua colaboração semanal. Fica desmentida a falácia de que todo mundo é esquerdista na juventude e acaba como adepto do mercado, na velhice. O vetusto mestre, entrado nos oitenta anos, vem demonstrar o oposto. Depois de chefiar a política econômica e a própria economia nacional por duas décadas, com essa simples frase Delfim rende-se à evidência do breve desaparecimento desse pernicioso modelo que por tanto tempo assolou o planeta. Felizmente, agora em vias de escoar pelo ralo.
A crise econômica na Europa não deixa outra alternativa. Os corruptos chegaram ao limite da prática de sustentar o aumento de impostos, a redução de salários, os cortes nos programas sociais e o incentivo ao desemprego como forma de as nações saírem da crise. Quem rasga a cartilha do sistema financeiro internacional é um de seus antigos leitores. Não estamos perdidos, muito pelo contrário…
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A LÓGICA LUSITANA
Faz tempo que deixaram de circular entre nós as célebres “piadas de português”, que denegriam nossos avozinhos. Em vez delas ouve-se até hoje, nos dois lados do Atlântico, histórias que só fazem justiça à lógica, ao tirocínio e ao valor do povo lusitano, nem tanto quanto o nosso. De vez em quando, porém, assistem-se bissextas recaídas daquela moda ultrapassada.
Não apenas quem tem voltado de Lisboa, mas quantos aqui acessam essa imensidão de canais a cabo de televisão, estranham que em todos os programas portugueses, dos jornalísticos aos de auditório, os de humor e os de esporte, sem exceção, vê-se num dos cantos das telinhas o refrão “Não Há Crise”. Trata-se de um incentivo ao ânimo da população, mas não dá para esconder ser a crise palpável, em Portugal. Como coisa parecida o governo brasileiro adotou nos anos bicudos da ditadura, com o abominável “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, é melhor calar…
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FILHA ENJEITADA
Até hoje é assim, mas quando do advento da Nova República era pior. Ninguém queria a Funai. Refugavam todos os futuros ministros do presidente Tancredo Neves. Já convidado para o ministério do Interior, num despacho com o presidente eleito, Ronaldo Costa Couto sugeriu descartar-se da Funai, opinando que ela fosse deslocada para o novo ministério da Cultura. Afinal, índios e antropólogos seriam bem acolhidos por José Aparecido de Oliveira.
Tancredo não vacilou um minuto, recusando a proposta com uma observação: “Se eu fizer isso, no dia seguinte o Aparecido estará promovendo um desfile de índios brasileiros pelo Champs-Elissés…
Outra envolvendo a Funai e Tancredo aconteceu quando, às vésperas da posse que não houve, um senador pelo Rio Grande do Sul sugeriu ao presidente eleito um nome para a entidade. Ficando de estudar, como sempre fazia, ao despedir-se Tancredo indagou do senador: “O que você tem contra esse seu indicado?”
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NOME MAL ESCOLHIDO
Houve tempo em que sempre que um governo não queria resolver determinado problema, criava para enfrentá-lo uma “força-tarefa”. Era um bate-cabeça e uma confusão de ministros, funcionários, acadêmicos e diletantes reunidos semanas a fio. Nenhum resultado prático surgia, mas as reuniões geravam notícias, até manchetes, como se estivesse sendo resolvida a grave questão, logo esquecida.
Precisa cuidar-se a presidente Dilma, ao menos com a denominação de “força-tarefa”, escolhida para designar o grupo de seis ministros e montes de altos funcionários com a missão de remediar os efeitos das chuvas que assolam o país. Eles tem todas as chances de não resolver nada, por conta da superposição de tarefas entre vários ministérios, sem falar no ego de cada um. Melhor faria a presidente se definisse apenas um encarregado, ou uma encarregada para o trabalho. O risco é de não haver nem força nem tarefa.
12 de janeiro de 2012
Carlos Chagas
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
SERVIDOR CONHECIDO POR BLOQUEAR REAJUSTES TEM O MAIOR SALÁRIO DO GOVERNO: R$ 51 MIL
Reportagem de Ana D’Angelo e Cristiane Bonfanti no Correio Braziliense mostra que Marcus Pereira Aucélio, engenheiro florestal e analista de controle do Tesouro Nacional, é realmente o homem do dinheiro.
Segundo na hierarquia do Tesouro Nacional, como subsecretário de Política Fiscal, Aucélio é mais conhecido como a autoridade que de fato diz não aos pedidos de recursos de parlamentares e até de ministros para todo tipo de despesa, incluindo reajustes salariais para servidores públicos.
Tão potente quanto o poder da sua canetada é o tamanho do seu contracheque. embolsa por mês R$ 51 mil por causa do cargo, quase o dobro do teto do funcionalismo previsto na Constituição, atualmente de R$ 26.723,13.
É bem mais que os salários recebidos por ministros, que abocanham remunerações de até R$ 45,7 mil, conforme mostrou o Correio Braziliense no domingo. Os contracheques são inflados por jetons, recebidos pela participação em conselhos de estatais e de empresas privadas com capital da União.
O salário do subsecretário do Tesouro é de R$ 23,7 mil, mas ele ganha mais R$ 27,3 mil de dois conselhos — da Petrobras e da AES Eletropaulo — e do Comitê de Auditoria do Banco Regional de Brasília (BRB). Mas seus vencimentos podem chegar a R$ 70 mil num mês. Basta que ele participe de uma reunião mensal do Conselho Fiscal da Vale, do qual é suplente, caso o titular não possa comparecer.
***
FORA DA LEI
Decreto presidencial determina que os representantes da União nessas companhias só podem receber por, no máximo, dois conselhos. Mas quem se preocupa com isso?
Procurado pelas repórteres, o Ministério da Fazenda se negou a informar quais entidades o subsecretário do Tesouro integra e a base legal para que ele embolse jetons de três delas. Da AES Eletropaulo, em que a União tem uma participação minoritária, o segundo homem do Tesouro ganha R$ 3,8 mil brutos por mês. Pela participação no Conselho Fiscal da petrolífera, embolsa outros R$ 7.090. O que lhe rende mais, no entanto, é o trabalho na auditoria do Banco Regional de Brasília, R$ 16.405,78 brutos.
Embora também receba um megassalário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganha um pouco menos que Aucélio, seu subordinado. A participação nos conselhos da BR Distribuidora e da Petrobras elevou os rendimentos de Mantega de R$ 26,7 mil para R$ 40,9 mil. O mesmo ocorreu com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior.
Já o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, embolsa, no total, R$ 38,7 mil. Ele engorda o salário de R$ 26,7 mil de ministro em mais R$ 12 mil ao participar da administração das empresas privadas Brasilprev e Brasilcap.
Conforme já publicamos, Celso Amorim, da Defesa, é agraciado com R$ 45,7 mil, por participar do conselho da Itaipu, além da aposentadoria como embaixador, é claro. E o secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, abocanha R$ 41,1 mil brutos mensais.
Com salários nesse nível, pagos pelo povo, mais o cartão corporativo, como diz Helio Fernandes, que maravilha viver!.
11 de janeiro de 2012
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Vai que é tua, Tafarel !!!
Segundo na hierarquia do Tesouro Nacional, como subsecretário de Política Fiscal, Aucélio é mais conhecido como a autoridade que de fato diz não aos pedidos de recursos de parlamentares e até de ministros para todo tipo de despesa, incluindo reajustes salariais para servidores públicos.
Tão potente quanto o poder da sua canetada é o tamanho do seu contracheque. embolsa por mês R$ 51 mil por causa do cargo, quase o dobro do teto do funcionalismo previsto na Constituição, atualmente de R$ 26.723,13.
É bem mais que os salários recebidos por ministros, que abocanham remunerações de até R$ 45,7 mil, conforme mostrou o Correio Braziliense no domingo. Os contracheques são inflados por jetons, recebidos pela participação em conselhos de estatais e de empresas privadas com capital da União.
O salário do subsecretário do Tesouro é de R$ 23,7 mil, mas ele ganha mais R$ 27,3 mil de dois conselhos — da Petrobras e da AES Eletropaulo — e do Comitê de Auditoria do Banco Regional de Brasília (BRB). Mas seus vencimentos podem chegar a R$ 70 mil num mês. Basta que ele participe de uma reunião mensal do Conselho Fiscal da Vale, do qual é suplente, caso o titular não possa comparecer.
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FORA DA LEI
Decreto presidencial determina que os representantes da União nessas companhias só podem receber por, no máximo, dois conselhos. Mas quem se preocupa com isso?
Procurado pelas repórteres, o Ministério da Fazenda se negou a informar quais entidades o subsecretário do Tesouro integra e a base legal para que ele embolse jetons de três delas. Da AES Eletropaulo, em que a União tem uma participação minoritária, o segundo homem do Tesouro ganha R$ 3,8 mil brutos por mês. Pela participação no Conselho Fiscal da petrolífera, embolsa outros R$ 7.090. O que lhe rende mais, no entanto, é o trabalho na auditoria do Banco Regional de Brasília, R$ 16.405,78 brutos.
Embora também receba um megassalário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganha um pouco menos que Aucélio, seu subordinado. A participação nos conselhos da BR Distribuidora e da Petrobras elevou os rendimentos de Mantega de R$ 26,7 mil para R$ 40,9 mil. O mesmo ocorreu com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior.
Já o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, embolsa, no total, R$ 38,7 mil. Ele engorda o salário de R$ 26,7 mil de ministro em mais R$ 12 mil ao participar da administração das empresas privadas Brasilprev e Brasilcap.
Conforme já publicamos, Celso Amorim, da Defesa, é agraciado com R$ 45,7 mil, por participar do conselho da Itaipu, além da aposentadoria como embaixador, é claro. E o secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, abocanha R$ 41,1 mil brutos mensais.
Com salários nesse nível, pagos pelo povo, mais o cartão corporativo, como diz Helio Fernandes, que maravilha viver!.
11 de janeiro de 2012
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Vai que é tua, Tafarel !!!
ESSES SERVIDORES COM SALÁRIOS DE ATÉ R$ 51 MIL SÃO FASCISTÕES INCRUSTADOS NO ESTADO
O problema do capitalismo para ganhar apoio do povo é que você não cria uma empresa para gerar empregos, mas sim para ganhar dinheiro. É onde entra a função redistribuidora do Estado, com sua atuação reguladora.
Alguns Estados fazem isso corretamente, mas outros ainda estão infestados pelo vírus fedorento dos capitalistas, verdadeiros microgametas ensandecidos, e pelo espírito anacrônico e maldito dos senhores de escravos, “serpens antique, immundissime spiritus, omnis incursio adversarii”, como diziam os exorcistas sobre o hipotético demônio na Idade Média.
O Estado moderno e socialista permite, e até incentiva, a iniciativa privada, mas fiscalizando-a estreitamente e dela cobrando também forte contribuição social. Assim mesmo, quid pro quod. Mas não se exime de exercer, ele próprio, primordial e efetiva função produtiva, reservando-se o direito de ser o mais forte em benefício da integridade nacional e da defesa do povo.
Defesa econômica, social, armada e nuclear. A defesa de uma nação precisa conter uma forte conotação ideológica.
Existem os que desejam um Estado forte para melhor poderem roubá-lo.
Quando os burgueses putrefactos percebem um Estado forte e poderoso, atiram-se a ele como um bando de bacantes, gritando pela boca de seus demônios que é preciso enfraquecer o Estado, roubando, evidentemente, o patrimônio público. Eis a necessidade vital de uma KGB nacional com seu patíbulo, com seu cadafalso.
11 de janeiro de 2012
Paulo Solon
Alguns Estados fazem isso corretamente, mas outros ainda estão infestados pelo vírus fedorento dos capitalistas, verdadeiros microgametas ensandecidos, e pelo espírito anacrônico e maldito dos senhores de escravos, “serpens antique, immundissime spiritus, omnis incursio adversarii”, como diziam os exorcistas sobre o hipotético demônio na Idade Média.
O Estado moderno e socialista permite, e até incentiva, a iniciativa privada, mas fiscalizando-a estreitamente e dela cobrando também forte contribuição social. Assim mesmo, quid pro quod. Mas não se exime de exercer, ele próprio, primordial e efetiva função produtiva, reservando-se o direito de ser o mais forte em benefício da integridade nacional e da defesa do povo.
Defesa econômica, social, armada e nuclear. A defesa de uma nação precisa conter uma forte conotação ideológica.
Existem os que desejam um Estado forte para melhor poderem roubá-lo.
Quando os burgueses putrefactos percebem um Estado forte e poderoso, atiram-se a ele como um bando de bacantes, gritando pela boca de seus demônios que é preciso enfraquecer o Estado, roubando, evidentemente, o patrimônio público. Eis a necessidade vital de uma KGB nacional com seu patíbulo, com seu cadafalso.
11 de janeiro de 2012
Paulo Solon
O BRASIL E A CULTURA DO ROUBO
Em maio passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou mais de 8 mil processos de prestação de contas de projetos culturais, envolvendo R$ 3,8 bilhões pendentes de análise no Ministério da Cultura (MinC).
Isso ocorre porque a força de trabalho disponível no MinC não consegue acompanhar o montante de projetos aprovados anualmente.
O TCU realizou auditoria para verificar a regularidade da concessão das renúncias de receitas previstas na lei e constatou que o MinC não verifica como o recurso público está sendo gasto, nem examina notas fiscais ou outros comprovantes de despesa para fins de liberação dos incentivos fiscais.
“A intempestividade na análise das prestações de contas dificulta a recuperação de eventuais danos aos cofres públicos além de comprometer a concessão segura de novos incentivos”, alertou o relator da auditoria, ministro-substituto André Luís de Carvalho. ( Agência TCU)
A pergunta é: o que o governo do PT fez de maio até agora para que estas prestações de contas fossem feitas? Quando é para recuperar dinheiro público, a Dilma não monta força-tarefa.
11 de janeiro de 2012
coroneLeaks
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Sem pretender negligenciar o questionamento do Coronel, insisto na minha pergunta, que venho fazendo ao longo de algum tempo, muito embora a pergunta do texto seja importantíssima, prefiro continuar insistindo na minha, a semelhança daquele senador romano, que na tribuna repetia insistentemente ao final de seus discursos, incitando os cidadãos romanos e o Senado à guerra com Cartago, com a frase "delenda Cartago est".*
Leio na Revista Forbes que o sr. Luis Inácio Lula da Silva acumula uma fortuna de US$ 2 bilhões. Não quero nem citar o seu filho Lulinha, que de empregado no Jardim Zoológico, tornou-se um mega-empresário. Fico com o pai, entre tantos outros personagens dramaticamente corruptos, porque considero esse cidadão, a raiz do mal, o fundamento de todo o caos, a origem da corrupção institucionalizada. Essa a razão porque escolho o sr. Lula da Silva, e claro, pela assustadora "denúncia" da Forbes.
Um simples metalúrgico, que trabalhou apenas 22 anos, divididos entre o Sindicato e o trabalho, acumula uma fortuna de US$ 2 bilhões?! Exatamente após cumprir 2 mandatos de presidente da república? E um pequeno adendo: dados de 2006. De lá para a frente, com certeza mais alguns zeros se somaram...
E se mais não fosse, que tal discutirmos a preterição do Brasil na posição de 5o. colocado no ranking dos políticos mais corruptos?
O grupo Transparência Internacional elaborou uma lista com a relação dos políticos mais corruptos de todos os tempos. Veja quem são eles:
o campeão é o ex-ditador da Indonésia MOHAMED SUHARTO, acusado de roubar entre US$ 15 bilhões e US$ 35 bilhões.
O vice-campeão é o ex-presidente das Filipinas FERDINAND MARCOS, que desviou entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões.
A terceira colocação fica com MOBUTU SEKO, ex-presidente do Zaire. Ele desviou US$ 5 bilhões entre 1965 e 1997.
Em quarto lugar SANI ABACHA, presidente da Nigéria, entre 1993 e 1998. Estima-se um roubo de US$ 2 bilhões a US$ 5 bilhões enquanto ele esteve no poder.
E finalmente em quinto lugar, vem o crudelíssimo genocida SLOBODAN MILOSEVIC, ex-presidente da ex-Iuguslávia. Calcula-se que ele tenha desviado cerca de US$ 1 bilhão entre 1989 e 2000.
Esse quinto lugar é que deveria ser do Brasil, ou melhor, do sr. Lula, preterido injustamente pelo Slobodan, se acreditarmos na revista Forbes. Ao sr. Lula coube US$ 2 bilhões, que até prova em contrário, de origem duvidosa.
Eu creio que cabe discutir com essa tal de Transparência Internacional, depois de ratificar-se a informação da Forbes, a performance do sr. Lula e o seu merecido lugar...
Volto assim, como Catão, a minha pergunta...
Ela é a seguinte: não há no Congresso quem interrogue legalmente sobre a origem dessa dinheirama? Não há no Congresso quem investigue a procedência da notícia? Não há quem mobilize a Receita Federal para que peça explicações ao sr. Lula da Silva e ao seu filho? E na mídia? Nenhum jornalista investigativo trouxe para Pindorama a veracidade de tal informação? Ninguém investigou?! Por que tamanho desinteresse?!
Porque paira tamanho silêncio sobre um fato da maior gravidade? Porque a Receita Federal, não interroga a procedência dessa grana, depois de apurar a veracidade da fonte? Ninguém no Congresso para cutucar o vespeiro?
Diante de tanta corrupção, que transformou esse país num paraíso de ladrões, paira o silêncio sobre as origens obscuras da fortuna do sr. Lula da Silva. A sombra de frondosos laranjais, a Forbes aponta a fortuna do sr. Lula da Silva, e nós, brasileiros, boquiabertos, sem compreender nadica de nada, pasmos, esboçamos a admiração estupefata própria dos imbecis...
Penso que o Brasil se transformou numa gigantesca "caixa-preta"... Ou numa "caixa-verde", tantas são as "verdinhas" que pairam, como a espada de Damocles, sobre as cabeças de nossos indigníssimos políticos...
Pobre Brasil, pobre povo, usurpado em sua cidadania, em sua dignidade, em seus direitos, passivamente cumprindo suas obrigações de cidadão, bovinamente caminhando para o matadouro.
m.americo
* "Delenda Cartago est". Depois das muitas batalhas, o ódio dos romanos contra os cartagineses transformou-se em sentimento nacionalista. No século II a.C., coube a Catão, o censor, personificar obsessivamente uma campanha pela destruição de Cartago.
Nos seus discursos, no Senado, Catão sempre os encerrava com a frase Delenda Cartago est (Cartago seja destruída).
O sucesso dessas pregações selou o destino da cidade. Cartago seria arrasada e teria suas terras aradas e saturadas de sal, além de receber uma grande maldição.
Isso ocorre porque a força de trabalho disponível no MinC não consegue acompanhar o montante de projetos aprovados anualmente.
O TCU realizou auditoria para verificar a regularidade da concessão das renúncias de receitas previstas na lei e constatou que o MinC não verifica como o recurso público está sendo gasto, nem examina notas fiscais ou outros comprovantes de despesa para fins de liberação dos incentivos fiscais.
“A intempestividade na análise das prestações de contas dificulta a recuperação de eventuais danos aos cofres públicos além de comprometer a concessão segura de novos incentivos”, alertou o relator da auditoria, ministro-substituto André Luís de Carvalho. ( Agência TCU)
A pergunta é: o que o governo do PT fez de maio até agora para que estas prestações de contas fossem feitas? Quando é para recuperar dinheiro público, a Dilma não monta força-tarefa.
11 de janeiro de 2012
coroneLeaks
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Sem pretender negligenciar o questionamento do Coronel, insisto na minha pergunta, que venho fazendo ao longo de algum tempo, muito embora a pergunta do texto seja importantíssima, prefiro continuar insistindo na minha, a semelhança daquele senador romano, que na tribuna repetia insistentemente ao final de seus discursos, incitando os cidadãos romanos e o Senado à guerra com Cartago, com a frase "delenda Cartago est".*
Leio na Revista Forbes que o sr. Luis Inácio Lula da Silva acumula uma fortuna de US$ 2 bilhões. Não quero nem citar o seu filho Lulinha, que de empregado no Jardim Zoológico, tornou-se um mega-empresário. Fico com o pai, entre tantos outros personagens dramaticamente corruptos, porque considero esse cidadão, a raiz do mal, o fundamento de todo o caos, a origem da corrupção institucionalizada. Essa a razão porque escolho o sr. Lula da Silva, e claro, pela assustadora "denúncia" da Forbes.
Um simples metalúrgico, que trabalhou apenas 22 anos, divididos entre o Sindicato e o trabalho, acumula uma fortuna de US$ 2 bilhões?! Exatamente após cumprir 2 mandatos de presidente da república? E um pequeno adendo: dados de 2006. De lá para a frente, com certeza mais alguns zeros se somaram...
E se mais não fosse, que tal discutirmos a preterição do Brasil na posição de 5o. colocado no ranking dos políticos mais corruptos?
O grupo Transparência Internacional elaborou uma lista com a relação dos políticos mais corruptos de todos os tempos. Veja quem são eles:
o campeão é o ex-ditador da Indonésia MOHAMED SUHARTO, acusado de roubar entre US$ 15 bilhões e US$ 35 bilhões.
O vice-campeão é o ex-presidente das Filipinas FERDINAND MARCOS, que desviou entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões.
A terceira colocação fica com MOBUTU SEKO, ex-presidente do Zaire. Ele desviou US$ 5 bilhões entre 1965 e 1997.
Em quarto lugar SANI ABACHA, presidente da Nigéria, entre 1993 e 1998. Estima-se um roubo de US$ 2 bilhões a US$ 5 bilhões enquanto ele esteve no poder.
E finalmente em quinto lugar, vem o crudelíssimo genocida SLOBODAN MILOSEVIC, ex-presidente da ex-Iuguslávia. Calcula-se que ele tenha desviado cerca de US$ 1 bilhão entre 1989 e 2000.
Esse quinto lugar é que deveria ser do Brasil, ou melhor, do sr. Lula, preterido injustamente pelo Slobodan, se acreditarmos na revista Forbes. Ao sr. Lula coube US$ 2 bilhões, que até prova em contrário, de origem duvidosa.
Eu creio que cabe discutir com essa tal de Transparência Internacional, depois de ratificar-se a informação da Forbes, a performance do sr. Lula e o seu merecido lugar...
Volto assim, como Catão, a minha pergunta...
Ela é a seguinte: não há no Congresso quem interrogue legalmente sobre a origem dessa dinheirama? Não há no Congresso quem investigue a procedência da notícia? Não há quem mobilize a Receita Federal para que peça explicações ao sr. Lula da Silva e ao seu filho? E na mídia? Nenhum jornalista investigativo trouxe para Pindorama a veracidade de tal informação? Ninguém investigou?! Por que tamanho desinteresse?!
Porque paira tamanho silêncio sobre um fato da maior gravidade? Porque a Receita Federal, não interroga a procedência dessa grana, depois de apurar a veracidade da fonte? Ninguém no Congresso para cutucar o vespeiro?
Diante de tanta corrupção, que transformou esse país num paraíso de ladrões, paira o silêncio sobre as origens obscuras da fortuna do sr. Lula da Silva. A sombra de frondosos laranjais, a Forbes aponta a fortuna do sr. Lula da Silva, e nós, brasileiros, boquiabertos, sem compreender nadica de nada, pasmos, esboçamos a admiração estupefata própria dos imbecis...
Penso que o Brasil se transformou numa gigantesca "caixa-preta"... Ou numa "caixa-verde", tantas são as "verdinhas" que pairam, como a espada de Damocles, sobre as cabeças de nossos indigníssimos políticos...
Pobre Brasil, pobre povo, usurpado em sua cidadania, em sua dignidade, em seus direitos, passivamente cumprindo suas obrigações de cidadão, bovinamente caminhando para o matadouro.
m.americo
* "Delenda Cartago est". Depois das muitas batalhas, o ódio dos romanos contra os cartagineses transformou-se em sentimento nacionalista. No século II a.C., coube a Catão, o censor, personificar obsessivamente uma campanha pela destruição de Cartago.
Nos seus discursos, no Senado, Catão sempre os encerrava com a frase Delenda Cartago est (Cartago seja destruída).
O sucesso dessas pregações selou o destino da cidade. Cartago seria arrasada e teria suas terras aradas e saturadas de sal, além de receber uma grande maldição.
VERANEIO NO RIO GRANDE DO SUL. BAH, TCHÊ!!! QUE DELÍCIA!!!
(Para conhecimento nacional e reconhecimento regional)
Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.
Não sei se vocês, de outros Estados, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do País: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada! Apenas uma linha reta: areia de um lado, o mar do outro.
Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas, deveria estar em Santa Catarina! Característica nossa, não gostamos de intermediários.
Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia. Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.
O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa. É marrom.
Cor de barro iodado, é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.
Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra.
Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.
<> <> Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de Nordestão – e o Sul, cuja origem é a Antártida.
O Nordestão é vento com grife e estilo.... estilo vendaval. Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa.
A propósito, provoca um fenômeno único no Universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água.
Outra coisa: nosso mar é pra macho: água gelada. Vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.
Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo Nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do sul: caça ao guardassol.
Guardassol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo dele, em pequenas cadeiras de alumínio que não agüentam seu peso e se enterram na areia.
Chega o Nordestão e... lá se vai o guardassol, voando alegremente pela orla. E você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.
O vento Sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.
Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados.
A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato (porque fica longe do mar), cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta. Quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno.
Você, como gaúcho legítimo, vai lá e compra um.
Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete.
Se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.
Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo, é claro, ao plano-diretor do condomínio, que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo. O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro.
Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos. Colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV a cabo, plasma ou LCD, linhas telefônicas, enfim, construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos. E veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval.
Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar vagabundeando nas nossas praias. Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite.
Quase todos na mesma hora, ida e volta.
É assim que, na sexta-feira, lá pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio, depois de percorrer uns 120 Km, lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.
Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite. E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio.
Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo: "Graças a Deus que terminou esta bosta e veraneio!
11 de janeiro de 2012
Darcy Dickel
Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.
Não sei se vocês, de outros Estados, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do País: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada! Apenas uma linha reta: areia de um lado, o mar do outro.
Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas, deveria estar em Santa Catarina! Característica nossa, não gostamos de intermediários.
Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia. Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.
O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa. É marrom.
Cor de barro iodado, é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.
Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra.
Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.
<> <> Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de Nordestão – e o Sul, cuja origem é a Antártida.
O Nordestão é vento com grife e estilo.... estilo vendaval. Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa.
A propósito, provoca um fenômeno único no Universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água.
Outra coisa: nosso mar é pra macho: água gelada. Vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.
Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo Nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do sul: caça ao guardassol.
Guardassol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo dele, em pequenas cadeiras de alumínio que não agüentam seu peso e se enterram na areia.
Chega o Nordestão e... lá se vai o guardassol, voando alegremente pela orla. E você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.
O vento Sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.
Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados.
A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato (porque fica longe do mar), cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta. Quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno.
Você, como gaúcho legítimo, vai lá e compra um.
Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete.
Se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.
Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo, é claro, ao plano-diretor do condomínio, que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo. O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro.
Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos. Colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV a cabo, plasma ou LCD, linhas telefônicas, enfim, construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos. E veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval.
Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar vagabundeando nas nossas praias. Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite.
Quase todos na mesma hora, ida e volta.
É assim que, na sexta-feira, lá pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio, depois de percorrer uns 120 Km, lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.
Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite. E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio.
Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo: "Graças a Deus que terminou esta bosta e veraneio!
11 de janeiro de 2012
Darcy Dickel
NA CABRALÂNDIA, SÓ 8 DAS 170 ÁREAS DE RISCO DO RIO PASSARAM POR OBRAS
“O planejamento não inclui apenas fazer o diagnóstico. Também é necessário fazer o tratamento. E foi a parte do tratamento que não foi feita durante esse um ano”, afirma o presidente do Crea-RJ
Após a tragédia que matou quase mil pessoas na Região Serrana, em 2011, foram detectadas 170 áreas com alto risco de deslizamento de encostas. Passado um ano, em apenas oito desses lugares as obras de recuperação do talude foram iniciadas - e não necessariamente terminadas.
A informação consta no relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de janeiro de Janeiro (Crea -RJ), divulgado nesta quarta-feira. Segundo o presidente da entidade, Agostinho Guerreiro, essas obras deveriam ter sido finalizadas no período de estiagem, que foi até outubro de 2011.
“O planejamento não inclui apenas o diagnóstico. Também é necessário fazer o tratamento. E foi a parte do tratamento que não foi feita durante esse um ano”, afirma Guerreiro.
Um dos responsáveis pelo relatório foi o assessor de Meio Ambiente do Crea e engenheiro civil sanitarista Adacto Ottoni. Ele foi à Região Serrana na semana passada para elaborar o balanço do que foi feito e do que precisa ser executado.
Conclusão: “Basta cair metade da chuva que atingiu a serra no ano passado para se ter uma nova tragédia”, disse Ottoni.
O relatório lista medidas que deveriam ser adotadas, mas que foram negligenciadas pelo poder público. Uma delas é a falta de providências em relação aos deslizamentos e às enchentes.
A conseqüência é o entupimento do sistema de drenagem na parte baixa das encostas, o assoreamento e a poluição. A desocupação desordenada do solo também foi ponto de destaque. São desmatadas áreas de preservação permanente para que famílias morem ou para a execução de atividades agrícolas e de pecuária.
A ocupação de topos de morros, taludes de encostas com inclinação acima de 45º e faixas marginais de proteção de rios vai contra o próprio Código Florestal. “É um total descumprimento da lei”, diz Guerreiro.
Já é o terceiro estudo feito pelo Crea sobre os riscos que assombram a serra. Os três apontam saídas possíveis, mas, até o momento, o documento pouco foi usado pelos órgãos públicos. O Conselho afirma ainda que o poder público só executou medidas de curto prazo, e deixou de lado obras estruturais, de médio e longo prazo, que devem ser postas em prática logo após o período das chuvas.
(…)
Por Cecília Ritto, na VEJA Online
Por Reinaldo Azevedo
Após a tragédia que matou quase mil pessoas na Região Serrana, em 2011, foram detectadas 170 áreas com alto risco de deslizamento de encostas. Passado um ano, em apenas oito desses lugares as obras de recuperação do talude foram iniciadas - e não necessariamente terminadas.
A informação consta no relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de janeiro de Janeiro (Crea -RJ), divulgado nesta quarta-feira. Segundo o presidente da entidade, Agostinho Guerreiro, essas obras deveriam ter sido finalizadas no período de estiagem, que foi até outubro de 2011.
“O planejamento não inclui apenas o diagnóstico. Também é necessário fazer o tratamento. E foi a parte do tratamento que não foi feita durante esse um ano”, afirma Guerreiro.
Um dos responsáveis pelo relatório foi o assessor de Meio Ambiente do Crea e engenheiro civil sanitarista Adacto Ottoni. Ele foi à Região Serrana na semana passada para elaborar o balanço do que foi feito e do que precisa ser executado.
Conclusão: “Basta cair metade da chuva que atingiu a serra no ano passado para se ter uma nova tragédia”, disse Ottoni.
O relatório lista medidas que deveriam ser adotadas, mas que foram negligenciadas pelo poder público. Uma delas é a falta de providências em relação aos deslizamentos e às enchentes.
A conseqüência é o entupimento do sistema de drenagem na parte baixa das encostas, o assoreamento e a poluição. A desocupação desordenada do solo também foi ponto de destaque. São desmatadas áreas de preservação permanente para que famílias morem ou para a execução de atividades agrícolas e de pecuária.
A ocupação de topos de morros, taludes de encostas com inclinação acima de 45º e faixas marginais de proteção de rios vai contra o próprio Código Florestal. “É um total descumprimento da lei”, diz Guerreiro.
Já é o terceiro estudo feito pelo Crea sobre os riscos que assombram a serra. Os três apontam saídas possíveis, mas, até o momento, o documento pouco foi usado pelos órgãos públicos. O Conselho afirma ainda que o poder público só executou medidas de curto prazo, e deixou de lado obras estruturais, de médio e longo prazo, que devem ser postas em prática logo após o período das chuvas.
(…)
Por Cecília Ritto, na VEJA Online
Por Reinaldo Azevedo
JAQUES WAGNER INSTALA CONSELHO PARA "ORIENTAR" ÓRGÃOS ESTADUAIS DE COMUNICAÇÃO
Folha de São Paulo
O governador Jaques Wagner (PT) empossou ontem os 27 membros de um conselho para criar a política de comunicação da Bahia e "orientar" a atuação dos órgãos estatais de TV e rádio.
Criado por lei estadual de maio de 2011, o Conselho de Comunicação da Bahia é o primeiro do gênero do país. Tem sete membros do governo baiano, dez indicados por empresas de comunicação e dez de movimentos sociais.
Wagner negou que o colegiado vá interferir ou controlar o conteúdo de veículos de comunicação, mas o texto genérico da lei confere atribuições aos conselheiros também na esfera privada.
A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) disse que a criação do conselho é inconstitucional porque cabe à esfera federal legislar sobre o tema.
O governador Jaques Wagner (PT) empossou ontem os 27 membros de um conselho para criar a política de comunicação da Bahia e "orientar" a atuação dos órgãos estatais de TV e rádio.
Criado por lei estadual de maio de 2011, o Conselho de Comunicação da Bahia é o primeiro do gênero do país. Tem sete membros do governo baiano, dez indicados por empresas de comunicação e dez de movimentos sociais.
Wagner negou que o colegiado vá interferir ou controlar o conteúdo de veículos de comunicação, mas o texto genérico da lei confere atribuições aos conselheiros também na esfera privada.
A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) disse que a criação do conselho é inconstitucional porque cabe à esfera federal legislar sobre o tema.
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