Marco Aurélio Top-Top Garcia diz que Yoani não pode trabalhar no Brasil. E o assassino Battisti, pode por quê?
O aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia, figura execrável sob todos os aspectos, disse ontem no Fórum Social que Yoani Sanchez não poderá manter seu blog com críticas ao regime castrista caso peça asilo ao Brasil. “O exilado político não pode ter atividade política no país que o recebe”, disse o aspone.
No entanto, o assassino Cesare Battisti está lá no Fórum Social como convidado para vender seu livro “Ao pé do muro”, com passagem e estadia pagas pelo Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, sendo recebido com pompa e circunstância por outra figurinha difícil, o ex-ministro da Justiça que concedeu-lhe asilo e hoje governador, Tarso Genro.
E não me venham dizer que o livro não é político porque ele fala dos anos que passou preso no Brasil e, além disso, a sua simples presença no Fórum Social, babaquice eminentemente política, já é uma constatação da atividade.
Aliás, por que será que Dilma preferiu o Fórum a Davos? Insegurança por não saber o que dizer frente a tantos outros dirigentes, ou foi só para ver Battisti?
Por Ricardo Froes
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
PONTAPÉ INICIAL RUMO À PREFEITURA
Ninguém aqui no Sanatório da Notícia vai defender Kassab pelo que ele é, ou pelo que faz; nem mesmo livrá-lo dos ovos que lhe são lançados...
Mas é bom estar atento aos murmurantes e protestantes. Ali há cobra criada e mandada. A manifestação desta quarta-feira na porta da igreja da Sé não foi em homenagem ao aniversário de São Paulo. Não foi nem mesmo pela guerra urbana da reintegração de posse em São José dos Campos de Batalha; muito menos pela indignação que um dia fazia soar a voz rouca das ruas...
Os paus e pedras; ovos e bolinhas de papel desta memorável feita, foram só o pontapé inicial na campanha pela prefeitura de São Paulo.
Como o candidato do governo federal é uma piada, os panfletistas de mochila fingem que não são amestrados e levam a sério o lançamento do lulático e tragicômico Ha ha ha Haddad.
Ninguém aqui no Sanatório da Notícia vai defender Kassab pelo que ele é, ou pelo que faz; nem mesmo livrá-lo dos ovos que lhe são lançados...
Mas é bom estar atento aos murmurantes e protestantes. Ali há cobra criada e mandada. A manifestação desta quarta-feira na porta da igreja da Sé não foi em homenagem ao aniversário de São Paulo. Não foi nem mesmo pela guerra urbana da reintegração de posse em São José dos Campos de Batalha; muito menos pela indignação que um dia fazia soar a voz rouca das ruas...
Os paus e pedras; ovos e bolinhas de papel desta memorável feita, foram só o pontapé inicial na campanha pela prefeitura de São Paulo.
Como o candidato do governo federal é uma piada, os panfletistas de mochila fingem que não são amestrados e levam a sério o lançamento do lulático e tragicômico Ha ha ha Haddad.
CONTRIBUINTES E VASSALOS
STF aumentou em 41% gastos com diárias de ministros e servidores.
Campeã do aumento de despesas no ano passado, a Corte Suprema lidera o bloco dos órgãos públicos que mais futricaram os fundos dos brasileiros que pagam imposto nesse país.
Quando você sabe de um descalabro desses, começa a entender porque o governo brasileiro é bicampeão do mundo em desperdício de dinheiro e má administração.
Mas o STF não está sozinho. Ele é só o campeão nacional do país campeão mundial em má gestão governamental.
Diante desses senhores de anéis que comandam o regime de Núcleos de Domínio Social implantado há nove anos pelo governo lulático e tocado pela primeira-presidenta Dilma, o contribuínte brasileiro é um reles súdito, um triste vassalo que não tem onde cair morto.
27 de janeiro de 2012
Campeã do aumento de despesas no ano passado, a Corte Suprema lidera o bloco dos órgãos públicos que mais futricaram os fundos dos brasileiros que pagam imposto nesse país.
Quando você sabe de um descalabro desses, começa a entender porque o governo brasileiro é bicampeão do mundo em desperdício de dinheiro e má administração.
Mas o STF não está sozinho. Ele é só o campeão nacional do país campeão mundial em má gestão governamental.
Diante desses senhores de anéis que comandam o regime de Núcleos de Domínio Social implantado há nove anos pelo governo lulático e tocado pela primeira-presidenta Dilma, o contribuínte brasileiro é um reles súdito, um triste vassalo que não tem onde cair morto.
27 de janeiro de 2012
FAZER COMPRAS EM SÃO PAULO É UM SACO!
Agora é lei em São Paulo: estabelecimentos comerciais de todo tipo, inclusive supermercados, estão proibidos de fornecer sacolinhas plásticas para embalar as compras. Não fornecem, mas vendem. Por enquanto, cada uma custa 19 centavos. Pronto, está salvo o planeta Terra!
Pero no mucho. Antes que um novo Big Bang aconteça, ou desabe um simples delúbio sem arca de Noé, é bom proibirem farmácias de vender remédios em capsulas; desodorante, spray de qualquer tamanho e feitio; sandalinhas Melissa, carrinhos de brinquedo, bonecas, vasos, toalhas, cortinas, bijuterias, carrocerias, roupas, sapatos, qualquer coisa que tenha ou seja plástico e até cirurgias do mesmo padrão.
Seio de silicone, então, nem pensar. E prótese para quem perdeu os balacochetes do que um dia foi um pênis, muito menos. O Ministério da Saúde não adverte o que deve ser feito com os milhões de camisinhas one way que os mais chegados gostam de usar e botar fora.
Se ficarem nessa hipócrita operação colibri, levando água no bico para apagar o incêndio na selva de cimento, o universo vai agradecer quando São Paulo comemorar 485 bilhões de anos. Enquanto isso, o mundo fica dependendo dos destinos que lhe estão reservados pelo prefeito Gilberto Kassab e pelas chamadas forças-vivas, de São Paulo, capital mundial da ecologia de araque. Tem que ter saco de filó pra aguentar essa pandilha!
26 de janeiro de 2012
sanatório da notícia
Pero no mucho. Antes que um novo Big Bang aconteça, ou desabe um simples delúbio sem arca de Noé, é bom proibirem farmácias de vender remédios em capsulas; desodorante, spray de qualquer tamanho e feitio; sandalinhas Melissa, carrinhos de brinquedo, bonecas, vasos, toalhas, cortinas, bijuterias, carrocerias, roupas, sapatos, qualquer coisa que tenha ou seja plástico e até cirurgias do mesmo padrão.
Seio de silicone, então, nem pensar. E prótese para quem perdeu os balacochetes do que um dia foi um pênis, muito menos. O Ministério da Saúde não adverte o que deve ser feito com os milhões de camisinhas one way que os mais chegados gostam de usar e botar fora.
Se ficarem nessa hipócrita operação colibri, levando água no bico para apagar o incêndio na selva de cimento, o universo vai agradecer quando São Paulo comemorar 485 bilhões de anos. Enquanto isso, o mundo fica dependendo dos destinos que lhe estão reservados pelo prefeito Gilberto Kassab e pelas chamadas forças-vivas, de São Paulo, capital mundial da ecologia de araque. Tem que ter saco de filó pra aguentar essa pandilha!
26 de janeiro de 2012
sanatório da notícia
COMEÇA A REVOLTA CONTRA A AGENDA LGBT DE OBAMA
Internacional - Estados Unidos
Cidadãos de vários países estão fazendo resistência à expressa ordem de política externa pró-LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) do presidente Obama.
Líderes em El Salvador lançaram o site “Obama está corrompendo a política externa” e estão pedindo ao Senado dos EUA que rejeite a pessoa nomeada para ser embaixadora em seu país.
O presidente Obama anunciou em dezembro que a promoção da conduta lésbica, gay, bissexual e transgênera (LGBT) é política externa prioritária, até mesmo para inspetores militares dos EUA. Ao mesmo tempo, a secretária de Estado Hillary Clinton deu um discurso muito publicado na ONU igualando a condição LGBT com a religião.
O Departamento de Estado orientou os embaixadores no mundo inteiro a reconhecerem um “mês de orgulho gay” e divulgou uma "lista de “realizações”, inclusive o fato de que uma embaixadora dos EUA publicou um artigo de jornal promovendo a agenda LGBT em favor dos Estados Unidos.
Mari Carmen Aponte, embaixadora temporária em El Salvador, publicou um artigo igualando a desaprovação da homossexualidade à “hostilidade brutal” e “agressão” por parte “daqueles que promovem ódio”.
Os salvadorenhos têm a “responsabilidade” de se tornarem promotores das questões LGBT e “informarem nossos vizinhos e amigos sobre o que significa ser lésbica, gay, bissexual ou transgênera”, escreveu ela. O artigo dela saiu num grande jornal salvadorenho, provocando uma explosão de protestos de cidadãos ofendidos.
Quase quarenta líderes de países latino-americanos repreenderam a embaixadora. Numa declaração num jornal salvadorenho, eles acusaram a representante dos EUA de “desprezar nossos profundos valores cristãos, enraizados na lei natural” ao tentar “impor… uma nova visão de valores estrangeiros e bizarros, completamente estranhos à nossa fibra moral, tencionando disfarçar isso como ‘direitos humanos’” com “um ar de superioridade”. A única coisa com que eles concordaram, declararam eles, é que a violência tem de ser repudiada “exatamente como tem de ser repudiada a violência contra os magros, os gordos, os altos ou os baixos”.
Os líderes enviaram também uma carta aos senadores dos EUA protestando contra a nomeação de Aponte. Numa audiência do Congresso em dezembro, o senador Jim DeMint leu a queixa deles e criticou a “presunção de Aponte de achar que representa as opiniões de todos os americanos” em seu artigo. “Gostaria, em nome dos Estados Unidos, de pedir desculpas ao povo salvadorenho e reassegurar que a maioria dos americanos tem os mesmos valores”, disse DeMint.
Os salvadorenhos perceberam que a agressão veio de gente acima de Aponte e lançaram nesta semana o site Obama está corrompendo as políticas externas, que registra a campanha orquestrada por autoridades americanas para promover a homossexualidade, e a contra-campanha feita por latino-americanos.
The Washington Times, um grande jornal de Washington, DC, publicou uma carta de líderes latino-americanos avisando que a promoção agressiva de direitos homossexuais constitui “guerra contra a religião”.
O governo de Obama vem colocando pessoas de outros países “nas linhas de frente”, disse a carta, e está “humilhando nossa cultura e insultando nossos valores”. Os líderes escreveram: “Apoiamos os direitos humanos legítimos de todos os nossos cidadãos. Não apoiamos ‘direitos homossexuais’ inventados.
Não apreciamos que uma embaixadora de outro país venha e passe sermão em nós. Temos a intenção de defender nossos valores morais e preservar nossas famílias”.
No Paquistão, a embaixada dos EUA realizou, em suas próprias dependências, uma “celebração de orgulho” LGBT em junho que provocou protestos em várias cidades. O líder de um dos comícios disse: “Os Estados Unidos estão desencadeando uma tempestade de valores imorais” e “resistiremos a todo custo”.
O embaixador dos EUA na Sérvia promoveu uma parada de direitos homossexuais nesse país em outubro passado que levou a tumultos com um tom explicitamente antiocidental.
Wendy Wright, 27 Janeiro 2012
Tradução: Julio Severo
Fonte: C-FAM.
Cidadãos de vários países estão fazendo resistência à expressa ordem de política externa pró-LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) do presidente Obama.
Líderes em El Salvador lançaram o site “Obama está corrompendo a política externa” e estão pedindo ao Senado dos EUA que rejeite a pessoa nomeada para ser embaixadora em seu país.
O presidente Obama anunciou em dezembro que a promoção da conduta lésbica, gay, bissexual e transgênera (LGBT) é política externa prioritária, até mesmo para inspetores militares dos EUA. Ao mesmo tempo, a secretária de Estado Hillary Clinton deu um discurso muito publicado na ONU igualando a condição LGBT com a religião.
O Departamento de Estado orientou os embaixadores no mundo inteiro a reconhecerem um “mês de orgulho gay” e divulgou uma "lista de “realizações”, inclusive o fato de que uma embaixadora dos EUA publicou um artigo de jornal promovendo a agenda LGBT em favor dos Estados Unidos.
Mari Carmen Aponte, embaixadora temporária em El Salvador, publicou um artigo igualando a desaprovação da homossexualidade à “hostilidade brutal” e “agressão” por parte “daqueles que promovem ódio”.
Os salvadorenhos têm a “responsabilidade” de se tornarem promotores das questões LGBT e “informarem nossos vizinhos e amigos sobre o que significa ser lésbica, gay, bissexual ou transgênera”, escreveu ela. O artigo dela saiu num grande jornal salvadorenho, provocando uma explosão de protestos de cidadãos ofendidos.
Quase quarenta líderes de países latino-americanos repreenderam a embaixadora. Numa declaração num jornal salvadorenho, eles acusaram a representante dos EUA de “desprezar nossos profundos valores cristãos, enraizados na lei natural” ao tentar “impor… uma nova visão de valores estrangeiros e bizarros, completamente estranhos à nossa fibra moral, tencionando disfarçar isso como ‘direitos humanos’” com “um ar de superioridade”. A única coisa com que eles concordaram, declararam eles, é que a violência tem de ser repudiada “exatamente como tem de ser repudiada a violência contra os magros, os gordos, os altos ou os baixos”.
Os líderes enviaram também uma carta aos senadores dos EUA protestando contra a nomeação de Aponte. Numa audiência do Congresso em dezembro, o senador Jim DeMint leu a queixa deles e criticou a “presunção de Aponte de achar que representa as opiniões de todos os americanos” em seu artigo. “Gostaria, em nome dos Estados Unidos, de pedir desculpas ao povo salvadorenho e reassegurar que a maioria dos americanos tem os mesmos valores”, disse DeMint.
Os salvadorenhos perceberam que a agressão veio de gente acima de Aponte e lançaram nesta semana o site Obama está corrompendo as políticas externas, que registra a campanha orquestrada por autoridades americanas para promover a homossexualidade, e a contra-campanha feita por latino-americanos.
The Washington Times, um grande jornal de Washington, DC, publicou uma carta de líderes latino-americanos avisando que a promoção agressiva de direitos homossexuais constitui “guerra contra a religião”.
O governo de Obama vem colocando pessoas de outros países “nas linhas de frente”, disse a carta, e está “humilhando nossa cultura e insultando nossos valores”. Os líderes escreveram: “Apoiamos os direitos humanos legítimos de todos os nossos cidadãos. Não apoiamos ‘direitos homossexuais’ inventados.
Não apreciamos que uma embaixadora de outro país venha e passe sermão em nós. Temos a intenção de defender nossos valores morais e preservar nossas famílias”.
No Paquistão, a embaixada dos EUA realizou, em suas próprias dependências, uma “celebração de orgulho” LGBT em junho que provocou protestos em várias cidades. O líder de um dos comícios disse: “Os Estados Unidos estão desencadeando uma tempestade de valores imorais” e “resistiremos a todo custo”.
O embaixador dos EUA na Sérvia promoveu uma parada de direitos homossexuais nesse país em outubro passado que levou a tumultos com um tom explicitamente antiocidental.
Wendy Wright, 27 Janeiro 2012
Tradução: Julio Severo
Fonte: C-FAM.
MESA DE BAR EM BRASÍLIA
- Você conhece o Dirceu?
- Aquele da Marília?
- Não, o de Passa-Quatro.
- Passa o quê?
- Aquele que foi despejado da Casa Civil... Que foi deputado cassado; que é réu no Supremo como chefe de 40 mensaleiros; que usa corrente majoritária; que é consultor de negócios públicos e notórios; que é amigo de Gabrielli e que tinha um cafofo clandestino em Brasília...
- Pô, deixa de ser puxassaco! Fale também dos maiores defeitos.
- Ei, garçom! Mais um chope!
CAPITALISMO BRASILEIRO?
Artigos - Governo do PT
Sérgio Malbergier, colunista do jornal Folha de S. Paulo, publicou hoje (26) um artigo que, a bem da verdade, poderia estar no frontispício da página oficial do Partido dos Trabalhadores. Intitulado “Era PT”, o artigo tem como tese central que o PT foi o maior promotor do “capitalismo brasileiro”. Convém, entretanto, investigarmos um pouco melhor o que “capitalismo brasileiro” significa.
O capitalismo pode ser definido, grosso modo, como um sistema econômico, social e legal, com características mais ou menos uniformes, que se desenvolveu na civilização ocidental após o período conhecido como Idade Média. Podemos definir genericamente os valores basilares desse sistema como sendo a livre empresa, o gozo dos frutos de seu próprio trabalho, a liberdade (juntamente com a responsabilidade) individual, a proteção legal aos contratos e a atuação restrita, porém especializada, do Estado. O arcabouço dos valores responsáveis pela construção da civilização ocidental – alicerçados no cristianismo e na filosofia clássica – também foi responsável pelo surgimento desse modo de produção que, ao longo dos séculos, tem se desenvolvido de maneira progressiva.
Em virtude de seu caráter amplo e do modo espontâneo com o qual se desenvolveu ao longo da história humana, o termo “capitalismo brasileiro” me parece uma contradição em termos pois se trata de um fruto de todo um processo civilizatório complexo, e não das elucubrações de um punhado de intelectuais. Se não existe um “capitalismo norte-americano”, e sendo os Estados Unidos o maior exemplo de nação capitalista do mundo, não é possível falarmos de um “capitalismo brasileiro”.
Todavia, é possível que falemos, por exemplo, em “comunismo brasileiro”, ou “fascismo brasileiro”, ou “socialismo brasileiro” – assim como podemos falar em “comunismo soviético”, ou “fascismo alemão”, ou “socialismo norte-americano”. Os constructos ideológicos modernos, baseados como são em sistemas filosóficos deliberada e meticulosamente desenvolvidos para atingir fins materiais determinados, possuem em seu próprio bojo um (pretenso) mecanismo de adaptação às realidades locais que objetiva infectá-las, sequestrar seu DNA e subvertê-las, como um retrovírus. O comunismo soviético e o comunismo chinês, apesar de serem irmãos, desenvolveram-se de modo peculiar em suas realidades específicas; ainda que possuam algumas características idênticas, diferem diametralmente em outros aspectos. Os fatores que propiciaram a revolução comunista nesses dois países são igualmente distintos, ainda que, em alguns pontos, semelhantes.
Quanto ao capitalismo, entretanto, isso não acontece. Parece estranho dizer isso, mas o sucesso do sistema capitalista está baseado, seja no Brasil, seja na Inglaterra ou em Cingapura, nos mesmos parâmetros: garantias legais de execução de contratos, proteção à propriedade privada, livre empresa e atuação especializada do Estado. Em seu livro “Mistério do Capital”, o economista peruano Hernando de Soto demonstra, com estatísticas e levantamentos de toda sorte, exatamente isso. Os próprios Estados Unidos, com seu paulatino e firme desenvolvimento das garantias legais de propriedade e de liberdade econômica desde a era colonial, são exemplo claro disso.
Ao contrário do que o Sr. Malbergier diz, o PT não é responsável pelo sucesso do “capitalismo brasileiro” simplesmente porque não existe nenhum “capitalismo brasileiro”. Nossa exorbitante carga tributária, nossa arcaica legislação trabalhista (de caráter fundamentalmente fascista, inspirada na Carta de Lavoro do governo Mussolini), a sufocante burocracia necessária à abertura de uma pequena empresa, as relações promíscuas entre grandes corporações e o governo (Eike Batista que o diga), o tamanho mastodôntico da máquina pública, a grande quantidade de políticas públicas que objetivam a dependência da população ao governo, tudo isso pode ser chamado muito melhor de fascismo brasileiro, ou socialismo brasileiro, do que de “capitalismo brasileiro”.
De acordo com o Index of Economic Freedom da Heritage Foundation, que mede o nível de liberdade econômica no mundo inteiro, o Brasil está na posição nº 99 – atrás de países como Azerbaijão (91), Mongólia (81), Namíbia (76) e Botsuana (33). Na América Latina, está muito aquém do Chile (7º) ou do nosso vizinho Uruguai (29). O índice Economic Freedom of the World, do Fraser Institute, colocava o Brasil na 87ª posição em 2002; em 2009, estávamos na 102ª posição. Antes de pensar que essas medições nada têm que ver com o nosso “capitalismo brasileiro” – e a inestimável contribuição do PT para desenvolvê-lo –, que isso é coisa de organizações malévolas serviçais do capital especulativo ianque (e que estão nas mãos daquele 1% contra quem o Occupy Wall Street dizia lutar), vamos considerar algumas coisas.
Dos parâmetros utilizados na medição de liberdade econômica de um país, há aqueles diretamente relacionados com a dinâmica econômica – como legislação, tributação, etc. – e os que mantêm relação indireta com a economia. Um destes parâmetros é a corrupção. O critério que mede esse quesito no levantamento da Heritage Foundation chama-se “Liberdade de Corrupção” (Freedom From Corruption), e calcula, numa escala que varia de 0 a 100, quão livre da corrupção encontra-se um determinado país. No caso do Brasil, a nota é 37, o que o deixa na 70ª posição geral nesse quesito. Nesse ponto, concordo plenamente com o Sr. Malbergier: o Partido dos Trabalhadores teve contribuição crucial para o “capitalismo brasileiro”. A quantidade de escândalos que estouraram desde a eleição de Lula em 2002 foi um recorde histórico que tem sido orgulhosamente mantido pelo governo Dilma – sete ministros derrubados por malfeitos é um escore difícil de igualar.
Quanto a parâmetros diretamente relacionados com a economia, dois critérios importantes são “Liberdade Empresarial” (Business Freedom) e “Liberdade Laboral” (Labor Freedom); respectivamente, o Brasil encontra-se na 138ª e na 101ª posição referente a esses dois pontos. Para se abrir uma empresa no Brasil, são necessários aproximadamente 120 dias e uma quantidade obscena de papéis, taxas e que tais. Aliadas a um sistema tributário sufocante e altamente restritivo, essas características do “capitalismo brasileiro” empurram quase 50% da força de trabalho nacional para a informalidade. O montante final de ativos mortos – aqueles bens que não podem ser fungíveis, ou seja, não podem ser transformados em capital de fato – gerado a partir dessa situação é grotesco. Aqui também vemos uma preciosa contribuição do Partido dos Trabalhadores.
A respeito da relação intrínseca entre propriedade e liberdade, Richard Pipes diz: “Enquanto a propriedade, de certa forma, é possível sem liberdade, o contrário, por sua vez, é inconcebível.” Ainda que exista efetivamente um incremento de propriedade no fenômeno confusamente conceituado como “capitalismo brasileiro”, esse incremento não tem acontecido através da liberdade individual, mas à revelia dela. Vivendo em um país cujo governo pretende controlar a economia com precisão algorítmica e ser visto como o verdadeiro promotor do desenvolvimento humano, é quase impossível ver qualquer coisa que se assemelhe, ainda que ligeiramente, ao capitalismo. Melhor fosse chamar isso de “totalitarismo brasileiro”.
Felipe Melo, 27 Janeiro 2012
Sérgio Malbergier, colunista do jornal Folha de S. Paulo, publicou hoje (26) um artigo que, a bem da verdade, poderia estar no frontispício da página oficial do Partido dos Trabalhadores. Intitulado “Era PT”, o artigo tem como tese central que o PT foi o maior promotor do “capitalismo brasileiro”. Convém, entretanto, investigarmos um pouco melhor o que “capitalismo brasileiro” significa.
O capitalismo pode ser definido, grosso modo, como um sistema econômico, social e legal, com características mais ou menos uniformes, que se desenvolveu na civilização ocidental após o período conhecido como Idade Média. Podemos definir genericamente os valores basilares desse sistema como sendo a livre empresa, o gozo dos frutos de seu próprio trabalho, a liberdade (juntamente com a responsabilidade) individual, a proteção legal aos contratos e a atuação restrita, porém especializada, do Estado. O arcabouço dos valores responsáveis pela construção da civilização ocidental – alicerçados no cristianismo e na filosofia clássica – também foi responsável pelo surgimento desse modo de produção que, ao longo dos séculos, tem se desenvolvido de maneira progressiva.
Em virtude de seu caráter amplo e do modo espontâneo com o qual se desenvolveu ao longo da história humana, o termo “capitalismo brasileiro” me parece uma contradição em termos pois se trata de um fruto de todo um processo civilizatório complexo, e não das elucubrações de um punhado de intelectuais. Se não existe um “capitalismo norte-americano”, e sendo os Estados Unidos o maior exemplo de nação capitalista do mundo, não é possível falarmos de um “capitalismo brasileiro”.
Todavia, é possível que falemos, por exemplo, em “comunismo brasileiro”, ou “fascismo brasileiro”, ou “socialismo brasileiro” – assim como podemos falar em “comunismo soviético”, ou “fascismo alemão”, ou “socialismo norte-americano”. Os constructos ideológicos modernos, baseados como são em sistemas filosóficos deliberada e meticulosamente desenvolvidos para atingir fins materiais determinados, possuem em seu próprio bojo um (pretenso) mecanismo de adaptação às realidades locais que objetiva infectá-las, sequestrar seu DNA e subvertê-las, como um retrovírus. O comunismo soviético e o comunismo chinês, apesar de serem irmãos, desenvolveram-se de modo peculiar em suas realidades específicas; ainda que possuam algumas características idênticas, diferem diametralmente em outros aspectos. Os fatores que propiciaram a revolução comunista nesses dois países são igualmente distintos, ainda que, em alguns pontos, semelhantes.
Quanto ao capitalismo, entretanto, isso não acontece. Parece estranho dizer isso, mas o sucesso do sistema capitalista está baseado, seja no Brasil, seja na Inglaterra ou em Cingapura, nos mesmos parâmetros: garantias legais de execução de contratos, proteção à propriedade privada, livre empresa e atuação especializada do Estado. Em seu livro “Mistério do Capital”, o economista peruano Hernando de Soto demonstra, com estatísticas e levantamentos de toda sorte, exatamente isso. Os próprios Estados Unidos, com seu paulatino e firme desenvolvimento das garantias legais de propriedade e de liberdade econômica desde a era colonial, são exemplo claro disso.
Ao contrário do que o Sr. Malbergier diz, o PT não é responsável pelo sucesso do “capitalismo brasileiro” simplesmente porque não existe nenhum “capitalismo brasileiro”. Nossa exorbitante carga tributária, nossa arcaica legislação trabalhista (de caráter fundamentalmente fascista, inspirada na Carta de Lavoro do governo Mussolini), a sufocante burocracia necessária à abertura de uma pequena empresa, as relações promíscuas entre grandes corporações e o governo (Eike Batista que o diga), o tamanho mastodôntico da máquina pública, a grande quantidade de políticas públicas que objetivam a dependência da população ao governo, tudo isso pode ser chamado muito melhor de fascismo brasileiro, ou socialismo brasileiro, do que de “capitalismo brasileiro”.
De acordo com o Index of Economic Freedom da Heritage Foundation, que mede o nível de liberdade econômica no mundo inteiro, o Brasil está na posição nº 99 – atrás de países como Azerbaijão (91), Mongólia (81), Namíbia (76) e Botsuana (33). Na América Latina, está muito aquém do Chile (7º) ou do nosso vizinho Uruguai (29). O índice Economic Freedom of the World, do Fraser Institute, colocava o Brasil na 87ª posição em 2002; em 2009, estávamos na 102ª posição. Antes de pensar que essas medições nada têm que ver com o nosso “capitalismo brasileiro” – e a inestimável contribuição do PT para desenvolvê-lo –, que isso é coisa de organizações malévolas serviçais do capital especulativo ianque (e que estão nas mãos daquele 1% contra quem o Occupy Wall Street dizia lutar), vamos considerar algumas coisas.
Dos parâmetros utilizados na medição de liberdade econômica de um país, há aqueles diretamente relacionados com a dinâmica econômica – como legislação, tributação, etc. – e os que mantêm relação indireta com a economia. Um destes parâmetros é a corrupção. O critério que mede esse quesito no levantamento da Heritage Foundation chama-se “Liberdade de Corrupção” (Freedom From Corruption), e calcula, numa escala que varia de 0 a 100, quão livre da corrupção encontra-se um determinado país. No caso do Brasil, a nota é 37, o que o deixa na 70ª posição geral nesse quesito. Nesse ponto, concordo plenamente com o Sr. Malbergier: o Partido dos Trabalhadores teve contribuição crucial para o “capitalismo brasileiro”. A quantidade de escândalos que estouraram desde a eleição de Lula em 2002 foi um recorde histórico que tem sido orgulhosamente mantido pelo governo Dilma – sete ministros derrubados por malfeitos é um escore difícil de igualar.
Quanto a parâmetros diretamente relacionados com a economia, dois critérios importantes são “Liberdade Empresarial” (Business Freedom) e “Liberdade Laboral” (Labor Freedom); respectivamente, o Brasil encontra-se na 138ª e na 101ª posição referente a esses dois pontos. Para se abrir uma empresa no Brasil, são necessários aproximadamente 120 dias e uma quantidade obscena de papéis, taxas e que tais. Aliadas a um sistema tributário sufocante e altamente restritivo, essas características do “capitalismo brasileiro” empurram quase 50% da força de trabalho nacional para a informalidade. O montante final de ativos mortos – aqueles bens que não podem ser fungíveis, ou seja, não podem ser transformados em capital de fato – gerado a partir dessa situação é grotesco. Aqui também vemos uma preciosa contribuição do Partido dos Trabalhadores.
A respeito da relação intrínseca entre propriedade e liberdade, Richard Pipes diz: “Enquanto a propriedade, de certa forma, é possível sem liberdade, o contrário, por sua vez, é inconcebível.” Ainda que exista efetivamente um incremento de propriedade no fenômeno confusamente conceituado como “capitalismo brasileiro”, esse incremento não tem acontecido através da liberdade individual, mas à revelia dela. Vivendo em um país cujo governo pretende controlar a economia com precisão algorítmica e ser visto como o verdadeiro promotor do desenvolvimento humano, é quase impossível ver qualquer coisa que se assemelhe, ainda que ligeiramente, ao capitalismo. Melhor fosse chamar isso de “totalitarismo brasileiro”.
Felipe Melo, 27 Janeiro 2012
UMA FÁBRICA DE MAIS-VALIA IDEOLÓGICA
A televisão é uma usina ideológica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pareça ser. E ideologia, como definiu Marx, é o encobrimento da realidade, engano, ilusão, falsa consciência. Então, se considerarmos que a maioria da população latino-americana, aí incluída a brasileira, se informa e se forma através desse veículo, pensá-la e analisá-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo. Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu clássico Os Guardiões da Liberdade, os meios atuam como sistema de transmissão de mensagens e símbolos para o cidadão médio. “Sua função é de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indivíduos os valores, crenças e códigos de comportamento que lhes farão integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade.” Não é sem razão que bordões, modas e gírias penetram nas gentes de tal forma que a reprodução é imediata e sistemática.
Um termômetro dessa usina é a famosa “novela das oito”, que consolidou um lugar no imaginário popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O horário nobre é usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam à classe dominante, funcionando como uma sistemática propaganda que visa à manutenção do estado de coisas. É clássica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vinculação entre o bem e o rico. Sempre há um empresário bondoso, uma empresária generosa, um fazendeiro de grande coração. E, se a figura principal começa a novela como pobre é certo que, por sua natural bondade, chegará ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque fica implícito que o bem está colado à riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez.
A lógica da “democratização”
Outro elemento bastante comum nas novelas é o da beleza da submissão. Como os protagonistas são sempre pessoas ricas, eles estão obviamente cercados dos serviçais que, no mais das vezes, os amam e são muito “bem-tratados” pelos patrões. Logo, por conta disso, agem como fiéis cães de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. É o empregado-amigo (?) da vilã Tereza Cristina. Ele atua na casa da milionária como um mordomo, cúmplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe ameaça tirar tudo o que já lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as mãos como um cachorrinho amestrado. Tudo é tão sutil que não há quem não se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescendência, até porque ainda é retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil.
Mas, se o servilismo de Crô pode ser questionado pela profunda afetação, outros há que aparecem ainda mais sutis. É o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fiéis. Ou ainda a relação dos demais trabalhadores com os patrões “bonzinhos”, como é o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos e o Renê. Todos são “amigos” e fazem os maiores sacrifícios pelos patrões, reforçando a ideia de que é possível existir essa linda conciliação de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Renê, por exemplo, foi demitido pela vilã, não recebeu os salários, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-querença. Coisa de chorar.
Nesses folhetins também os preconceitos que interessam aos dominantes acabam reforçados sob a faceta de “promoção da democracia”. O negro já não aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do núcleo pobre, mas é generoso e sabe qual é o “seu lugar”. É o caso do ético funcionário da loja de motos. Um bom rapaz que, no máximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente “sem-noção”, no mais das vezes caricaturada, como é o caso da garota que prevê o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empresários comuns, a não ser nas roupas exotéricas. Ou o personagem do Zé Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, não aceitava vender suas terras e, no final, “fica bom”, entregando sua propriedade para a empresária boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais também encontram espaço nas novelas, dentro da lógica da “democratização”, mas continuam sendo retratados de forma folclórica, como é o caso do Crô, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. Já o índio, como é invisível na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cléo Pires, vem de forma folclórica e desconectada da vida real. E assim vai...
Fabricando o consenso
Gente há que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano após ano, mas essa é realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que reforçar as relações de produção consolidadas pelo sistema capitalista. Até porque são financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de “mais-valia ideológica”. Ou seja, a pessoa que está em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produção dessa sociedade, consumindo não só os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas também os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de “produção”, sempre a serviço da classe dominante. Assim, diante da TV – e sem um olhar crítico – as pessoas não descansam, nem desfrutam.
É certo que a televisão e os grandes meios não definem as coisas de forma automática. Como bem já explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunicação também carregam dentro deles a contradição e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a visão crítica. Momentos há em que os estereótipos aparecem de maneira tão ridícula que provocam o contrário do que se pretendia ou personagens adquirem tanta força que provocam um explodir da consciência. E, nesses lampejos, as pessoas vão fazendo as análises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos não são frequentes nem sistemáticos, o que só confirma a função de fabricação de consenso que é reservada aos meios. Um caso interessante é o do transexual que está sendo retratado na novela da Record, que passa às dez horas. “Dona Augusta” é nascida homem e se faz mulher, sem a folclorização do que é retratado na Globo. É “descoberta” pelo filho que a interna como louca. Toda a discussão do tema é muito bem feita pelos autores, sem estereótipos, sem falsa moral. Mas, é a TV dos bispos evangélicos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como “doença”. São as contradições.
De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. Não para ensinar aos que “não sabem”, mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo véu do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que não aparece, o que não se explicita, também é necessário discutir sobre o que é inculcado, dia após dia, como a melhor maneira de se viver. Pois é nesse entremeio de coisas ditas, malditas e não ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante.
Elaine Tavares em 24/01/2012
***
[Elaine Tavares é jornalista, Florianópolis, SC]
Um termômetro dessa usina é a famosa “novela das oito”, que consolidou um lugar no imaginário popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O horário nobre é usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam à classe dominante, funcionando como uma sistemática propaganda que visa à manutenção do estado de coisas. É clássica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vinculação entre o bem e o rico. Sempre há um empresário bondoso, uma empresária generosa, um fazendeiro de grande coração. E, se a figura principal começa a novela como pobre é certo que, por sua natural bondade, chegará ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque fica implícito que o bem está colado à riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez.
A lógica da “democratização”
Outro elemento bastante comum nas novelas é o da beleza da submissão. Como os protagonistas são sempre pessoas ricas, eles estão obviamente cercados dos serviçais que, no mais das vezes, os amam e são muito “bem-tratados” pelos patrões. Logo, por conta disso, agem como fiéis cães de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. É o empregado-amigo (?) da vilã Tereza Cristina. Ele atua na casa da milionária como um mordomo, cúmplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe ameaça tirar tudo o que já lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as mãos como um cachorrinho amestrado. Tudo é tão sutil que não há quem não se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescendência, até porque ainda é retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil.
Mas, se o servilismo de Crô pode ser questionado pela profunda afetação, outros há que aparecem ainda mais sutis. É o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fiéis. Ou ainda a relação dos demais trabalhadores com os patrões “bonzinhos”, como é o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos e o Renê. Todos são “amigos” e fazem os maiores sacrifícios pelos patrões, reforçando a ideia de que é possível existir essa linda conciliação de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Renê, por exemplo, foi demitido pela vilã, não recebeu os salários, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-querença. Coisa de chorar.
Nesses folhetins também os preconceitos que interessam aos dominantes acabam reforçados sob a faceta de “promoção da democracia”. O negro já não aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do núcleo pobre, mas é generoso e sabe qual é o “seu lugar”. É o caso do ético funcionário da loja de motos. Um bom rapaz que, no máximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente “sem-noção”, no mais das vezes caricaturada, como é o caso da garota que prevê o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empresários comuns, a não ser nas roupas exotéricas. Ou o personagem do Zé Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, não aceitava vender suas terras e, no final, “fica bom”, entregando sua propriedade para a empresária boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais também encontram espaço nas novelas, dentro da lógica da “democratização”, mas continuam sendo retratados de forma folclórica, como é o caso do Crô, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. Já o índio, como é invisível na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cléo Pires, vem de forma folclórica e desconectada da vida real. E assim vai...
Fabricando o consenso
Gente há que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano após ano, mas essa é realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que reforçar as relações de produção consolidadas pelo sistema capitalista. Até porque são financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de “mais-valia ideológica”. Ou seja, a pessoa que está em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produção dessa sociedade, consumindo não só os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas também os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de “produção”, sempre a serviço da classe dominante. Assim, diante da TV – e sem um olhar crítico – as pessoas não descansam, nem desfrutam.
É certo que a televisão e os grandes meios não definem as coisas de forma automática. Como bem já explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunicação também carregam dentro deles a contradição e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a visão crítica. Momentos há em que os estereótipos aparecem de maneira tão ridícula que provocam o contrário do que se pretendia ou personagens adquirem tanta força que provocam um explodir da consciência. E, nesses lampejos, as pessoas vão fazendo as análises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos não são frequentes nem sistemáticos, o que só confirma a função de fabricação de consenso que é reservada aos meios. Um caso interessante é o do transexual que está sendo retratado na novela da Record, que passa às dez horas. “Dona Augusta” é nascida homem e se faz mulher, sem a folclorização do que é retratado na Globo. É “descoberta” pelo filho que a interna como louca. Toda a discussão do tema é muito bem feita pelos autores, sem estereótipos, sem falsa moral. Mas, é a TV dos bispos evangélicos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como “doença”. São as contradições.
De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. Não para ensinar aos que “não sabem”, mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo véu do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que não aparece, o que não se explicita, também é necessário discutir sobre o que é inculcado, dia após dia, como a melhor maneira de se viver. Pois é nesse entremeio de coisas ditas, malditas e não ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante.
Elaine Tavares em 24/01/2012
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[Elaine Tavares é jornalista, Florianópolis, SC]
O CÂNCER TEM CURA NO BRASIL
E então, no meio de um desses jornais de TV, você é supreendido por uma reportagem especial sobre os heróis brasileiros que venceram o câncer. Tudo começou com a visitinha de médico feita por Luiz Erário da Silva ao ator Reynaldo Gianechini que já recebera alta do hospital Sírio Libanês.
Aí, surgiram os cânceres, as lutas e as vitórias de Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Dilma Rousseff, Glória Perez, Patrícia Pilar, Herson Capri, Gianechini, Lula. Sim, o câncer tem cura no Brasil! Até faz bem para audiência e para qualquer eleição.
Nenhum dos grandes exemplos de firmeza, determinação, coragem e superação se tratou e nem pensa em se tratar pelo SUS. Sim, o câncer das elites tem cura no Brasil.
Que bom para eles. Que pena para o resto dos brasileiros que estão na fila de espera há tanto tempo.
27 de janeiro de 2012
sanatório da notícia
Aí, surgiram os cânceres, as lutas e as vitórias de Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Dilma Rousseff, Glória Perez, Patrícia Pilar, Herson Capri, Gianechini, Lula. Sim, o câncer tem cura no Brasil! Até faz bem para audiência e para qualquer eleição.
Nenhum dos grandes exemplos de firmeza, determinação, coragem e superação se tratou e nem pensa em se tratar pelo SUS. Sim, o câncer das elites tem cura no Brasil.
Que bom para eles. Que pena para o resto dos brasileiros que estão na fila de espera há tanto tempo.
27 de janeiro de 2012
sanatório da notícia
HUFFINGTON POST TAMBÉM FALA FRANCÊS
Ao assumir a direção do Le Monde, em fevereiro do ano passado, Erik Izraelevwicz escreveu um editorial em que dizia que “no campo da informação, a revolução introduzida pela internet não para de modificar o panorama. A experiência do Huffington Post nos Estados Unidos nos obriga a repensar nosso jornal, a nos situar numa cultura multimídia”. O Huffington Post americano tem 37 milhões de leitores por mês, o que faz dele o jornal online mais lido do mundo.
O Huffington Post francês foi lançado numa operação de marketing digna das grandes marcas, dia 23 de janeiro, na sede do jornal mais respeitado da França, Le Monde, que tem 34% do capital do novo jornal online. O jornal vai competir com os bem-sucedidos Rue89 e Mediapart, criados exclusivamente online, sem versão impressa, por jornalistas oriundos do Libération e do Le Monde, respectivamente.
Sem censura
Lançado nos Estados Unidos em 2005, o Huffington Post superou a versão online do The New York Times (uma exceção, pois as marcas da imprensa escrita ainda têm um lugar importante entre a mídia online). A versão francesa é totalmente produzida em Paris por uma redação de oito jornalistas (a redação americana tem 200) comandados pela jornalista Anne Sinclair, diretora editorial, que na vida privada é madame Strauss-Kahn.
Além de uma bem-sucedida carreira no jornalismo ela goza de uma quota de popularidade excepcional, tendo sido eleita a mulher do ano em 2011, seguida de Christine Lagarde e Martine Aubry. Anne Sinclair prometeu fazer um jornal tipicamente francês, em harmonia com a cultura do país, e anunciou blogs assinados por grandes personalidades do mundo político e cultural.
O lançamento reuniu um número de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos nunca visto em entrevista coletiva. Mais de 200 profissionais da imprensa foram à sede do Le Monde para conhecer o projeto. A fundadora do Huff Post, Arianne Huffington, veio dos Estados Unidos e apresentou seu novo rebento cercada dos responsáveis pela versão francesa: Louis Dreyfus, presidente do grupo Le Monde, Matthieu Pigasse, um dos acionistas do Le Monde e presidente da holding Les Nouvelles Editions Indépendantes (que edita o Huff além da revista impressa Les Inrockuptibles), David Kessler, diretor do Huff Post francês, Paul Ackermann, redator-chefe.
Mas parte daquele enxame de profissionais da imprensa se deslocou para ver e ouvir a mulher de Dominique Strauss-Kahn, que garantiu que todos os assuntos vão ser tratados pelo jornal, sem censura ou autocensura – mesmo a suíte do affaire que envolve seu marido, pois sabe separar vida privada da vida profissional.
Duas marcas
Propriedade do grupo AOL desde fevereiro do ano passado, o Huffington Post foi anunciado por Arianna Huffington como um modelo da informação online, misturando assuntos sérios com a leveza do lazer e da cultura e apresentando “storytellings com emoção e não apenas números e personagens”. Segundo Anne Sinclair, o jornal não é nem de direita nem de esquerda, mas “republicano e humanista”. E pretende ser sério e divertido.
O Huffington Post francês tem cinco rubricas: eleições presidenciais 2012, economia, internacional, cultura e tendências (que inclui novas tecnologias, arte de viver, moda e lazer).
Apesar de serem parceiras, as duas marcas que se unem no novo jornal – Le Monde e Huffington Post – são separadas e as redações totalmente independentes.
Por Leneide Duarte-Plon em 26/01/2012
O Huffington Post francês foi lançado numa operação de marketing digna das grandes marcas, dia 23 de janeiro, na sede do jornal mais respeitado da França, Le Monde, que tem 34% do capital do novo jornal online. O jornal vai competir com os bem-sucedidos Rue89 e Mediapart, criados exclusivamente online, sem versão impressa, por jornalistas oriundos do Libération e do Le Monde, respectivamente.
Sem censura
Lançado nos Estados Unidos em 2005, o Huffington Post superou a versão online do The New York Times (uma exceção, pois as marcas da imprensa escrita ainda têm um lugar importante entre a mídia online). A versão francesa é totalmente produzida em Paris por uma redação de oito jornalistas (a redação americana tem 200) comandados pela jornalista Anne Sinclair, diretora editorial, que na vida privada é madame Strauss-Kahn.
Além de uma bem-sucedida carreira no jornalismo ela goza de uma quota de popularidade excepcional, tendo sido eleita a mulher do ano em 2011, seguida de Christine Lagarde e Martine Aubry. Anne Sinclair prometeu fazer um jornal tipicamente francês, em harmonia com a cultura do país, e anunciou blogs assinados por grandes personalidades do mundo político e cultural.
O lançamento reuniu um número de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos nunca visto em entrevista coletiva. Mais de 200 profissionais da imprensa foram à sede do Le Monde para conhecer o projeto. A fundadora do Huff Post, Arianne Huffington, veio dos Estados Unidos e apresentou seu novo rebento cercada dos responsáveis pela versão francesa: Louis Dreyfus, presidente do grupo Le Monde, Matthieu Pigasse, um dos acionistas do Le Monde e presidente da holding Les Nouvelles Editions Indépendantes (que edita o Huff além da revista impressa Les Inrockuptibles), David Kessler, diretor do Huff Post francês, Paul Ackermann, redator-chefe.
Mas parte daquele enxame de profissionais da imprensa se deslocou para ver e ouvir a mulher de Dominique Strauss-Kahn, que garantiu que todos os assuntos vão ser tratados pelo jornal, sem censura ou autocensura – mesmo a suíte do affaire que envolve seu marido, pois sabe separar vida privada da vida profissional.
Duas marcas
Propriedade do grupo AOL desde fevereiro do ano passado, o Huffington Post foi anunciado por Arianna Huffington como um modelo da informação online, misturando assuntos sérios com a leveza do lazer e da cultura e apresentando “storytellings com emoção e não apenas números e personagens”. Segundo Anne Sinclair, o jornal não é nem de direita nem de esquerda, mas “republicano e humanista”. E pretende ser sério e divertido.
O Huffington Post francês tem cinco rubricas: eleições presidenciais 2012, economia, internacional, cultura e tendências (que inclui novas tecnologias, arte de viver, moda e lazer).
Apesar de serem parceiras, as duas marcas que se unem no novo jornal – Le Monde e Huffington Post – são separadas e as redações totalmente independentes.
Por Leneide Duarte-Plon em 26/01/2012
O CARTUNISTA FANTASIADO
A Folha de S.Paulo traz para suas páginas, na edição de sexta-feira (27/1), um incidente protagonizado por seu cartunista Laerte Coutinho, que desde 2010 se exibe em público vestido de mulher. Laerte não se assume homossexual, apenas se declara adepto do crossdressing, ou a prática de se vestir como o gênero oposto.
Travestido, Laerte comparece com alguma frequência a uma pizzaria na zona oeste de São Paulo, costumeiramente acompanhado de sua namorada. Numa dessas noites, ele foi censurado por um sócio do restaurante por usar o banheiro feminino.
O caso foi parar nas redes sociais, por iniciativa do cartunista, que também anunciou sua intenção de ingressar com ação na Justiça para assegurar seu suposto direito de usar o banheiro que quiser.
Tudo não passaria de mais uma grotesquerie destes tempos em que sexualidade, genitalidade e a obsessão pela exposição midiática se misturam num grande cenário de reality show, não fosse o jornal trazer a querela à suas páginas, com pretensão de transformá-la em polêmica relevante.
Lei específica
Laerte não teve cerceado seu acesso ao restaurante, foi atendido normalmente como qualquer cliente. Apenas lhe foi solicitado que usasse o banheiro dos homens, pois, no entendimento dos proprietários da pizzaria, sua presença no sanitário feminino havia provocado constrangimento em uma cliente que ali se encontrava com uma filha pequena.
Segundo a Folha, o caso foi parar na Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, depois que Laerte se queixou no Twitter, julgando-se discriminado. De acordo com o jornal, ele recebeu um telefonema da coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, que lhe teria dado apoio, garantindo que pode reivindicar seus direitos. O jornal apenas não informa que direitos são esses – se o de andar travestido, de usar o banheiro das mulheres em lugares públicos, ou de se declarar cidadão com dupla cidadania. Segundo afirmou, o cartunista quer poder escolher qual banheiro usar, conforme seu humor estiver mais feminino ou masculino em cada circunstância.
O caso já mobilizou associações de travestis e transexuais, embora Laerte não se declare nem uma coisa nem outra. Consultada pela Folha, a presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que não há uma lei específica para o caso.
Uma questão para o Supremo
Na redação do jornal, colegas do cartunista dizem que ele teve o comportamento alterado após a perda de um filho, morto em acidente automobilístico. Laerte Coutinho afirma que se encontra em pleno domínio de suas emoções e elabora uma intrigante teoria acerca da conveniência de romper o que chama de “código da cultura binária”. Vestir-se de mulher sem deixar de se comportar como homem seria uma dessas atitudes que, na sua opinião, poderiam criar uma “cultura alternativa” para a sociedade, cujas regras ele considera limitadoras.
Mas ele não pode reclamar o prêmio no quesito originalidade: por mais que insista na teoria da quebra de tabus, o cartunista não pode escapar ao fato de estar apenas imitando o artista plástico Flávio de Carvalho, que se exibiu em público vestindo saias, como parte de um manifesto artístico, no distante ano de 1956.
Ao se declarar nem homem nem mulher, Laerte Coutinho apenas repete na vida civil o que faz na política o prefeito de São Paulo. Para evitar interpretações maliciosas, basta lembrar que, ao lançar seu partido, Gilberto Kassab afirmou que o PSD não seria de direita, nem de esquerda e muito menos de centro.
Mas como aqui tratamos de analisar a imprensa, voltemos ao texto da Folha de S.Paulo. A rigor, o jornal paulista não demonstra ser contra ou a favor das escolhas de vestuário e de banheiros de seu cartunista. Apenas pretende que o tema seja assunto de interesse jornalístico, da mesma forma como o Globo e demais veículos do grupo Globo pretenderam que fosse tomado como questão relevante na vida real o comportamento de personagens do Big Brother Brasil debaixo do edredon.
Considerando-se a recente carnavalização do Judiciário, é muito provável que a questão do banheiro do cartunista travesti acabe no Supremo Tribunal Federal – e poderíamos então acompanhar um instigante debate entre os senhores ministros sobre o gênero de vestimentas mais nobres, como a batina sacerdotal ou a toga dos magistrados.
Enquanto isso, talvez fosse o caso de a Folha de S.Paulo produzir um reality show protagonizado por Laerte, através do qual os internautas e telespectadores pudessem opinar na escolha de seus adereços e fazer apostas sobre o banheiro que ele irá usar.
O show não pode parar. Já o jornalismo...
Luciano Martins Costa em 27/01/2012
Travestido, Laerte comparece com alguma frequência a uma pizzaria na zona oeste de São Paulo, costumeiramente acompanhado de sua namorada. Numa dessas noites, ele foi censurado por um sócio do restaurante por usar o banheiro feminino.
O caso foi parar nas redes sociais, por iniciativa do cartunista, que também anunciou sua intenção de ingressar com ação na Justiça para assegurar seu suposto direito de usar o banheiro que quiser.
Tudo não passaria de mais uma grotesquerie destes tempos em que sexualidade, genitalidade e a obsessão pela exposição midiática se misturam num grande cenário de reality show, não fosse o jornal trazer a querela à suas páginas, com pretensão de transformá-la em polêmica relevante.
Lei específica
Laerte não teve cerceado seu acesso ao restaurante, foi atendido normalmente como qualquer cliente. Apenas lhe foi solicitado que usasse o banheiro dos homens, pois, no entendimento dos proprietários da pizzaria, sua presença no sanitário feminino havia provocado constrangimento em uma cliente que ali se encontrava com uma filha pequena.
Segundo a Folha, o caso foi parar na Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, depois que Laerte se queixou no Twitter, julgando-se discriminado. De acordo com o jornal, ele recebeu um telefonema da coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, que lhe teria dado apoio, garantindo que pode reivindicar seus direitos. O jornal apenas não informa que direitos são esses – se o de andar travestido, de usar o banheiro das mulheres em lugares públicos, ou de se declarar cidadão com dupla cidadania. Segundo afirmou, o cartunista quer poder escolher qual banheiro usar, conforme seu humor estiver mais feminino ou masculino em cada circunstância.
O caso já mobilizou associações de travestis e transexuais, embora Laerte não se declare nem uma coisa nem outra. Consultada pela Folha, a presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que não há uma lei específica para o caso.
Uma questão para o Supremo
Na redação do jornal, colegas do cartunista dizem que ele teve o comportamento alterado após a perda de um filho, morto em acidente automobilístico. Laerte Coutinho afirma que se encontra em pleno domínio de suas emoções e elabora uma intrigante teoria acerca da conveniência de romper o que chama de “código da cultura binária”. Vestir-se de mulher sem deixar de se comportar como homem seria uma dessas atitudes que, na sua opinião, poderiam criar uma “cultura alternativa” para a sociedade, cujas regras ele considera limitadoras.
Mas ele não pode reclamar o prêmio no quesito originalidade: por mais que insista na teoria da quebra de tabus, o cartunista não pode escapar ao fato de estar apenas imitando o artista plástico Flávio de Carvalho, que se exibiu em público vestindo saias, como parte de um manifesto artístico, no distante ano de 1956.
Ao se declarar nem homem nem mulher, Laerte Coutinho apenas repete na vida civil o que faz na política o prefeito de São Paulo. Para evitar interpretações maliciosas, basta lembrar que, ao lançar seu partido, Gilberto Kassab afirmou que o PSD não seria de direita, nem de esquerda e muito menos de centro.
Mas como aqui tratamos de analisar a imprensa, voltemos ao texto da Folha de S.Paulo. A rigor, o jornal paulista não demonstra ser contra ou a favor das escolhas de vestuário e de banheiros de seu cartunista. Apenas pretende que o tema seja assunto de interesse jornalístico, da mesma forma como o Globo e demais veículos do grupo Globo pretenderam que fosse tomado como questão relevante na vida real o comportamento de personagens do Big Brother Brasil debaixo do edredon.
Considerando-se a recente carnavalização do Judiciário, é muito provável que a questão do banheiro do cartunista travesti acabe no Supremo Tribunal Federal – e poderíamos então acompanhar um instigante debate entre os senhores ministros sobre o gênero de vestimentas mais nobres, como a batina sacerdotal ou a toga dos magistrados.
Enquanto isso, talvez fosse o caso de a Folha de S.Paulo produzir um reality show protagonizado por Laerte, através do qual os internautas e telespectadores pudessem opinar na escolha de seus adereços e fazer apostas sobre o banheiro que ele irá usar.
O show não pode parar. Já o jornalismo...
Luciano Martins Costa em 27/01/2012
A IMPRENSA QUE SE MERECE
“Uma canção não pode ser uma solução. É, ao contrário, uma pequena felicidade, uma coisinha para suportar o quotidiano”.
Este comentário de Benjamin Biolay, um renomado compositor e cantor da atualidade musical francesa, faz parte de uma entrevista que ele e sua parceira Juliette Gréco (a lendária musa dos existencialistas parisienses) concederam à revista semanal do Le Monde (14/1/2012).
A frase do compositor não pode deixar de chamar a atenção do observador de imprensa que, ausente por pouco mais de um mês do país, lê comparativamente jornais franceses e brasileiros. Por mais global que seja a crise editorial do jornalismo clássico (jurássico, diriam alguns), salta aos olhos uma diferença qualitativa das pautas. A impressão que se tem é que, aqui (especialmente no Rio de Janeiro), ao contrário da reflexão do compositor francês, a canção – tomada como metonímia do espetáculo – assume as proporções de definição de cultura pública nacional.
Claro, estamos bem cientes da importância da canção no cenário público mundial. É muito admissível a hipótese de Tim Blanning (cf. O Triunfo da Música, Editora Companhia das Letras, 2011) de que a música, beneficiando-se de todas as inovações tecnológicas, atingiu na contemporaneidade uma posição de supremacia frente às demais práticas artísticas, como a literatura, as artes plásticas, o cinema e o teatro. Sem fazer distinções culturalmente hierárquicas entre a música erudita e a canção popular, ele atribui aos grandes nomes da canção mundial, os popstars, uma capacidade de influenciar mudanças políticas, sociais e culturais, sem paralelo com outros artistas.
Cultura do espetáculo
Esse posicionamento pode ser discutível, mas o fato é que, em sua potência de automodelagem, a música faz-se de algum modo mimese, não na acepção platônica de “cópia”, mas na aristotélica de “jogo”, que se entende também como poiesis,uma forma vívida de fazermos a experiência da realidade ou, em termos da filosofia clássica, como “uma ocupação que é agradável por e para ela mesma”. E o grande mobile do jogo é a comunicação:
“Jogar na ausência de espectadores humanos passaria como loucura. Tudo isso tem, pois, uma relação essencial com a sociabilidade, e aquilo que nós mesmos experimentamos no imediato é inteiramente secundário. A comunicação, e aquilo que a partir daí se reflete sobre nós, é a única coisa que nos atrai” (Immanuel Kant em Réflexions).
De fato, a observação da dinâmica cultural na contemporaneidade tem evidenciado que a música, em sua forma mais popular, a canção, cria um real próprio, às vezes um “real em estado selvagem”, que permite um “renascimento” em termos de identidade pessoal e coletiva. A palavra “jogo” é certamente mais adequada do que “arte”, porque não se trata da fabricação externa de algo, e sim de uma experiência forte que modela tanto o criador quanto o seu público.
Mais do que “arte”, está aí em questão a “experiência estética”, cuja definição é ao mesmo tempo abrangente e vaga no pragmatismo filosófico de um educador como John Dewey, por exemplo. A experiência estética que gira ao redor da canção, mas se completa em looks particulares (roupas, adornos, piercings, tatuagens, estilos de vida etc.), senão em drogas, faz parte da condição “marginal” dos jovens desde os anos 1950. O que começou naquela época como rock’n roll e se estende até hoje como funk ou hip-hop é, na verdade, uma série de experiências com formas somáticas de resistência e satisfação.
Nada disso é novidade, disso tudo bem se sabe. Mas também se sabe que, ao mesmo tempo, nesse contexto de mutações significativas, trabalho, comunicação, arte e, mesmo, amor dependem cada vez mais dos objetivos das partidas jogadas pelo dinheiro. Em outras palavras, essa cultura do espetáculo que compõe a substância do tempo atual e do mundo vivido por cada um de nós tem parte ligada com a hegemonia do mercado e, portanto, com a ideologia de financeirização do mundo.
Pergunta incômoda
Seria, assim, perfeitamente natural que a comunicação social ou o jornalismo stricto sensu fosse totalmente absorvido por essa nova configuração da realidade e daí resultasse algo que já se insinua nas pautas da imprensa brasileira de hoje, em que a notícia, em sua acepção histórica, vem dando lugar à fofoca (a exemplo das redes sociais) e aos informes e relatos sobre o mundo do espetáculo.
Noticiário, colunas intelectualizadas e colunas de faits-divers debruçam-se com sofreguidão cansativa sobre os detalhes existenciais de personagens repetidas, exatamente como no Twitter ou no Facebook. Cada novo show,seja boa ou reles a sua promessa, é conotado como História nacional.
E daí? Poderia perguntar alguém angelicamente afinado com esse suposto espírito do tempo. Afinal de contas, seria isso mesmo o que deseja o cidadão já redefinido por alguns autores como “cidadão-consumidor”. Todos estariam satisfeitos ou confortáveis com a história virtualizada no espetáculo.
Mas um espírito de porco poderia também indagar: será este mesmo o destino de um jornalismo comprometido com a elucidação da realidade? Será que a História real acabou? O parceiro de Juliette Gréco, por mais mergulhado que esteja na cultura do espetáculo, parece pensar que não.
Muniz Sodré em 24/01/2012
***
[Muniz Sodré é jornalista, escritor e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro]
Este comentário de Benjamin Biolay, um renomado compositor e cantor da atualidade musical francesa, faz parte de uma entrevista que ele e sua parceira Juliette Gréco (a lendária musa dos existencialistas parisienses) concederam à revista semanal do Le Monde (14/1/2012).
A frase do compositor não pode deixar de chamar a atenção do observador de imprensa que, ausente por pouco mais de um mês do país, lê comparativamente jornais franceses e brasileiros. Por mais global que seja a crise editorial do jornalismo clássico (jurássico, diriam alguns), salta aos olhos uma diferença qualitativa das pautas. A impressão que se tem é que, aqui (especialmente no Rio de Janeiro), ao contrário da reflexão do compositor francês, a canção – tomada como metonímia do espetáculo – assume as proporções de definição de cultura pública nacional.
Claro, estamos bem cientes da importância da canção no cenário público mundial. É muito admissível a hipótese de Tim Blanning (cf. O Triunfo da Música, Editora Companhia das Letras, 2011) de que a música, beneficiando-se de todas as inovações tecnológicas, atingiu na contemporaneidade uma posição de supremacia frente às demais práticas artísticas, como a literatura, as artes plásticas, o cinema e o teatro. Sem fazer distinções culturalmente hierárquicas entre a música erudita e a canção popular, ele atribui aos grandes nomes da canção mundial, os popstars, uma capacidade de influenciar mudanças políticas, sociais e culturais, sem paralelo com outros artistas.
Cultura do espetáculo
Esse posicionamento pode ser discutível, mas o fato é que, em sua potência de automodelagem, a música faz-se de algum modo mimese, não na acepção platônica de “cópia”, mas na aristotélica de “jogo”, que se entende também como poiesis,uma forma vívida de fazermos a experiência da realidade ou, em termos da filosofia clássica, como “uma ocupação que é agradável por e para ela mesma”. E o grande mobile do jogo é a comunicação:
“Jogar na ausência de espectadores humanos passaria como loucura. Tudo isso tem, pois, uma relação essencial com a sociabilidade, e aquilo que nós mesmos experimentamos no imediato é inteiramente secundário. A comunicação, e aquilo que a partir daí se reflete sobre nós, é a única coisa que nos atrai” (Immanuel Kant em Réflexions).
De fato, a observação da dinâmica cultural na contemporaneidade tem evidenciado que a música, em sua forma mais popular, a canção, cria um real próprio, às vezes um “real em estado selvagem”, que permite um “renascimento” em termos de identidade pessoal e coletiva. A palavra “jogo” é certamente mais adequada do que “arte”, porque não se trata da fabricação externa de algo, e sim de uma experiência forte que modela tanto o criador quanto o seu público.
Mais do que “arte”, está aí em questão a “experiência estética”, cuja definição é ao mesmo tempo abrangente e vaga no pragmatismo filosófico de um educador como John Dewey, por exemplo. A experiência estética que gira ao redor da canção, mas se completa em looks particulares (roupas, adornos, piercings, tatuagens, estilos de vida etc.), senão em drogas, faz parte da condição “marginal” dos jovens desde os anos 1950. O que começou naquela época como rock’n roll e se estende até hoje como funk ou hip-hop é, na verdade, uma série de experiências com formas somáticas de resistência e satisfação.
Nada disso é novidade, disso tudo bem se sabe. Mas também se sabe que, ao mesmo tempo, nesse contexto de mutações significativas, trabalho, comunicação, arte e, mesmo, amor dependem cada vez mais dos objetivos das partidas jogadas pelo dinheiro. Em outras palavras, essa cultura do espetáculo que compõe a substância do tempo atual e do mundo vivido por cada um de nós tem parte ligada com a hegemonia do mercado e, portanto, com a ideologia de financeirização do mundo.
Pergunta incômoda
Seria, assim, perfeitamente natural que a comunicação social ou o jornalismo stricto sensu fosse totalmente absorvido por essa nova configuração da realidade e daí resultasse algo que já se insinua nas pautas da imprensa brasileira de hoje, em que a notícia, em sua acepção histórica, vem dando lugar à fofoca (a exemplo das redes sociais) e aos informes e relatos sobre o mundo do espetáculo.
Noticiário, colunas intelectualizadas e colunas de faits-divers debruçam-se com sofreguidão cansativa sobre os detalhes existenciais de personagens repetidas, exatamente como no Twitter ou no Facebook. Cada novo show,seja boa ou reles a sua promessa, é conotado como História nacional.
E daí? Poderia perguntar alguém angelicamente afinado com esse suposto espírito do tempo. Afinal de contas, seria isso mesmo o que deseja o cidadão já redefinido por alguns autores como “cidadão-consumidor”. Todos estariam satisfeitos ou confortáveis com a história virtualizada no espetáculo.
Mas um espírito de porco poderia também indagar: será este mesmo o destino de um jornalismo comprometido com a elucidação da realidade? Será que a História real acabou? O parceiro de Juliette Gréco, por mais mergulhado que esteja na cultura do espetáculo, parece pensar que não.
Muniz Sodré em 24/01/2012
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[Muniz Sodré é jornalista, escritor e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro]
INOVAÇÃO: MILÍCIA IDEOLÓGICA E COBRANÇA DE PEDÁGIO
A “luta de classes” já havia chegado ao Pinheirinho comandando pelos leninistas… E os “burgueses” eram os… leninistas! Aqui, o depoimento de um morador que pagava taxa para a milícia ideológica
Publiquei aqui na segunda-feira um post intitulado “VOCÊ NÃO VERÁ NA IMPRENSA POLITICAMENTE CORRETA - Pinheirinho era dominado por milícia ideológica que cobrava taxa de moradores e comerciantes”, em que se lia, por exemplo:
“A área estava submetida a um rígido controle, como direi?, ideológico. Tudo ali tinha preço. Para morar no Pinheirinho, era preciso pagar uma taxa aos “donos do pedaço”, uma espécie de adesão de caráter político, entendem?
E variava de acordo com a área, a qualidade do barraco, essas coisas. Não era exatamente um aluguel, mas uma espécie de taxa de “condomínio (…) Os comerciantes também precisavam pagar uma ‘taxa’ de administração aos leninistas que administravam aquele conjunto - no mínimo, R$ 500. E, vejam que coisa!, nunca o Ministério Público se interessou por isso. Era uma forma de milícia, evidentemente, só que com horizonte redentor. Basta colocar os repórteres para ouvir, e a verdade virá à tona.”
Foi uma gritaria desgraçada. “Está demonizando os movimentos sociais!” Pois é… Vejam agora este filme. Volto em seguida:
O tal Marrom é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, como sabem, embora não atue mais na área. Também é membro do PSTU, que é quem mandava no Pinheirinho, com os métodos que vê. Alguns bobalhões me diziam: “Prove! Prove!” Pois é. Quem pagava a taxa-leninismo fala por mim…
Ah, sim: aquela tal Helena Silvestre, a que mentiu à TV de Chávez denunciando mortos no Pinheirinho, afirmou num congresso que ela não quer só moradia, não. O objetivo é acabar com o capitalismo.
Como a gente nota, a luta de classes já havia se infiltrado no Pinheirinho… Já afirmei naquele post sobre Lula e seu fotógrafo: espere tudo de um esquerdista, menos que ele viva segundo a disciplina que pretende impor aos outros.
27 de janeiro de 2012
Reinaldo Azevedo
Publiquei aqui na segunda-feira um post intitulado “VOCÊ NÃO VERÁ NA IMPRENSA POLITICAMENTE CORRETA - Pinheirinho era dominado por milícia ideológica que cobrava taxa de moradores e comerciantes”, em que se lia, por exemplo:
“A área estava submetida a um rígido controle, como direi?, ideológico. Tudo ali tinha preço. Para morar no Pinheirinho, era preciso pagar uma taxa aos “donos do pedaço”, uma espécie de adesão de caráter político, entendem?
E variava de acordo com a área, a qualidade do barraco, essas coisas. Não era exatamente um aluguel, mas uma espécie de taxa de “condomínio (…) Os comerciantes também precisavam pagar uma ‘taxa’ de administração aos leninistas que administravam aquele conjunto - no mínimo, R$ 500. E, vejam que coisa!, nunca o Ministério Público se interessou por isso. Era uma forma de milícia, evidentemente, só que com horizonte redentor. Basta colocar os repórteres para ouvir, e a verdade virá à tona.”
Foi uma gritaria desgraçada. “Está demonizando os movimentos sociais!” Pois é… Vejam agora este filme. Volto em seguida:
O tal Marrom é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, como sabem, embora não atue mais na área. Também é membro do PSTU, que é quem mandava no Pinheirinho, com os métodos que vê. Alguns bobalhões me diziam: “Prove! Prove!” Pois é. Quem pagava a taxa-leninismo fala por mim…
Ah, sim: aquela tal Helena Silvestre, a que mentiu à TV de Chávez denunciando mortos no Pinheirinho, afirmou num congresso que ela não quer só moradia, não. O objetivo é acabar com o capitalismo.
Como a gente nota, a luta de classes já havia se infiltrado no Pinheirinho… Já afirmei naquele post sobre Lula e seu fotógrafo: espere tudo de um esquerdista, menos que ele viva segundo a disciplina que pretende impor aos outros.
27 de janeiro de 2012
Reinaldo Azevedo
MP DENUNCIA JUÍZES QUE VENDERAM SALA DE ASSOCIAÇÃO PARA PAGAR SUAS DÍVIDAS
O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília denunciou criminalmente, por apropriação indébita, os juízes federais Moacir Ferreira Ramos e Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos - ex-presidentes da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região (Ajufer), entidade que reúne magistrados do Distrito Federal e de 13 Estados.
Ramos (presidente da associação entre 2008-2010) e Solange (presidente por dois mandatos, de 2002 a 2006) são acusados de terem vendido, em fevereiro de 2010, sem autorização de assembleia da Ajufer, a única sala comercial da entidade, no edifício Business Point, Setor de Autarquias Sul, em Brasília. O dinheiro da venda, R$ 115 mil, segundo o MPF, foi usado para abater dívidas de empréstimos que os dois magistrados tinham com a Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex).
Ramos é autor de representação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, que o afastou liminarmente da função em novembro de 2010. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, cassou a decisão de Calmon, mas, por maioria de votos, os desembargadores do TRF-1 restabeleceram a ordem de afastamento do juiz Moacir Ramos. A juíza Solange continua exercendo suas funções. Em outra acusação, o Ministério Público Federal atribui crime de receptação a um terceiro juiz federal, Charles Renaud Frazão de Moraes, que também presidiu a Ajufer.
(…)
27 de janeiro de 2012
Fausto Macedo, no Estadão
Ramos (presidente da associação entre 2008-2010) e Solange (presidente por dois mandatos, de 2002 a 2006) são acusados de terem vendido, em fevereiro de 2010, sem autorização de assembleia da Ajufer, a única sala comercial da entidade, no edifício Business Point, Setor de Autarquias Sul, em Brasília. O dinheiro da venda, R$ 115 mil, segundo o MPF, foi usado para abater dívidas de empréstimos que os dois magistrados tinham com a Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex).
Ramos é autor de representação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, que o afastou liminarmente da função em novembro de 2010. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, cassou a decisão de Calmon, mas, por maioria de votos, os desembargadores do TRF-1 restabeleceram a ordem de afastamento do juiz Moacir Ramos. A juíza Solange continua exercendo suas funções. Em outra acusação, o Ministério Público Federal atribui crime de receptação a um terceiro juiz federal, Charles Renaud Frazão de Moraes, que também presidiu a Ajufer.
(…)
27 de janeiro de 2012
Fausto Macedo, no Estadão
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