"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 24 de junho de 2012

JULGAMENTO DO MENSALÃO SÓ DEPENDE DE LEWANDOWSKI, O MINISTRO DO SUPREMO QUE É AMIGO PESSOAL DE LULA

Segundo o repórter Tiago Rogero, da Agência Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que acredita na conclusão do julgamento do processo do mensalão ainda no mês de agosto. O cronograma prevê o início do julgamento no primeiro dia do mês, desde que o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, libere a tempo os documentos para votação. Ayres Britto disse não teme nenhum tipo de atraso.
“É possível que o julgamento termine no próprio mês de agosto, se tudo correr normalmente e dentro do cronograma que estabelecemos. Aquele calendário estabelecido já levou em consideração a complexidade do caso”, disse o ministro.

A prorrogação do STF prevê sessões diárias da Côrte, de cinco horas, entre 1 e 14 de agosto, para ouvir a acusação do Ministério Público Federal e as defesas dos 38 acusados de envolvimento no principal escândalo de corrupção do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir do dia 15 começarão a ser revelados os votos dos ministros.

Ayres Britto tem motivos para estar animado, porque o ministro-revisor Ricardo Lewandowski, que é amigo íntimo de Lula, reafirmou que concluirá seu voto até o final deste mês, pois em julho o Supremo entra em recesso e os ministros não têm a dignidade cívica de fazer uma exceção e trabalhar extraordinariamente nesse período.

Se Lewandowski não concluir o voto em junho, só o fará em agosto, o que atrasará a votação. Mas espera-se que ele conclua. E lembremos que no final de agosto Cezar Peluso deixa o Supremo, por completar 70 anos. Ou seja, o prazo fatal para julgar o mensalão é 30 de agosto. E depois, em outubro, quem sai é o próprio Ayres Britto, ficando o STF com apenas 9 ministros, se até lá não for nomeado o substituto de Peluso.

O BISPO...

A GRANDE FARSA

Depois, ficam indignados quando a gente escreve ser tudo uma farsa. Mas é. O atual Congresso, para não falar nos anteriores, nada fez até agora para viabilizar a reforma política. Limitou-se a bancar o falso esquartejador, anunciando que iria por partes, mas nada de importante virou lei, quer dizer, nem limitação do número de partidos, nem financiamento público de campanhas, nem voto distrital, muito menos fim da reeleição.

Da mesma forma a presidente Dilma, que dizia ser a reforma política uma necessidade urgente, mas da exclusiva competência do Congresso.

Onde está a farsa? No fato de que sequer este ano fizeram qualquer coisa concreta, apesar de decorrido um semestre. Só agora, na véspera das férias parlamentares e a um passo do recesso branco pré-eleitoral é que voltam a anunciar a hora de mudar as instituições político-partidárias. Placidamente, deixaram que o Judiciário ocupasse todos os espaços. Os tribunais legislam sem ser incomodados.

Acordaram, Congresso e presidente, mas em plena madrugada. Continuarão de pijamas. Nada farão, apesar do jogo de cena. Sequer propostas pacíficas se desenvolverão, quanto mais as polêmicas.
Fica cada vez mais claro que nada mudará, no que depender do Congresso e até do Executivo.
Mas como é preciso demonstrar o contrário, ocupam colunas de jornal e tempo nas telinhas e microfones anunciando iniciativas de toda ordem. Também, como exigir de deputados e senadores que alterem a lei e contrariem seus próprios interesses? Ou pretender que a presidente da República crie dificuldades ao seu partido?

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GOLPE NA LÓGICA PORTUGUESA

Nossos avozinhos são historicamente conhecidos pela lógica implacável. Ninguém esquece a história do turista brasileiro que, dirigindo pelo interior de Portugal, perdeu-se e indagou de um camponês se aquela estrada seguia para Lisboa. A resposta foi seca: “não senhor”. O carro seguiu mais cem metros e o turista encontrou uma placa indicando o caminho da capital. Irritado, voltou para protestar contra o péssimo informante, que retrucou haver dito a verdade: “A estrada não vai para Lisboa, meu senhor. A estrada fica aqui. Quem vai para Lisboa são os automóveis…”

Pois até em Portugal anda tudo de pernas para o ar, inclusive a lógica. O atual presidente da União Européia, o português Durão Barroso, exige garantias de que o Brasil não plante cana de açúcar na Amazônia, e também protesta porque estamos substituindo a cultura de grãos pela matriz do etanol.

Ora, pois, pois. Pela lógica, o ônus da prova cabe a quem acusa, não ao acusado. Perde o raciocínio luso sua maior característica, certamente por malandragens econômicas, já que o etanol brasileiro contraria os interesses do tal G-8, clubinho dos países mais ricos do planeta.

DESPACHOS JUDICIAIS CONFUNDEM FORMA E COTEÚDO DE PROCESSOSN

É isso aí. De uns tempos para cá magistrados têm concedido liminares que, no decorrer do tempo, não são apreciadas em definitivo e se eternizam, e na prática, substituem sentenças. Em outras situações, despachos confundem forma e conteúdo, com isso contribuindo para atrasar a solução de processos.

Veja-se por exemplo, o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, escândalo da venda de dólares a câmbio favorecido a Salvatore Cacciola. Demitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 97 ou 98, foi condenado dois anos depois. Primeiro a uma pena de 12 anos de prisão, em seguida reduzida para oito. Obteve habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Melo há aproximadamente sete anos. Está solto até hoje. O Supremo ainda não apreciou a liminar de modo definitivo. Tempo não faltou.

Agora, há poucos dias, o ministro da Corte Suprema, Antonio Dias Tofoli, acolhe petição do advogado do senador Demóstenes Torres e adia, por 72 horas, a sessão da Comissão de Ética do Senado que aprecia o projeto de cassação de seu mandato por falta de decoro parlamentar. Não tem cabimento.

Alegou a defesa que o réu não conseguiu ainda tomar conhecimento das acusações. Falso. Demóstenes Torres conhece muito bem do que pesa contra si próprio.
Mas o problema não é só este. A Comissão de Ética não tem poder de cassar parlamentar algum. Ela, antes de mais nada, conclui um projeto de resolução e encaminha ao plenário, através da Mesa Diretora.
Se fosse o caso, o ministro do STF poderia suspender a votação, por parte do plenário, se considerasse a defesa do acusado prejudicada em sua atuação. Não o trabalho da Comissão de Ética. Uma coisa nada tem a ver com outra. A tramitação da iniciativa na Comissão de Ética é apenas uma escala para a decisão final. Um absurdo suspendê-la.

É por essas e muitas outras que a Justiça brasileira é de uma lentidão enervante. Questões se arrastam há mais de vinte e trinta anos. Em alguns casos há mais de quarenta. Como a luta entre os herdeiros de Ademar de Barros e Chagas Freitas pela propriedade do jornal A Notícia que não circula mais. Foi ajuizada em 1962.

A indenização à Tribuna da Imprensa, ajuizada em 79, julgada pelo Supremo em 81 ou 82. Até hoje a empresa aguarda a execução da sentença. Os processos contra o INSS demoram, pelo menos, vinte anos. Os devedores, de modo geral, jogam com a idade dos credores. Incrível. O país assiste a tudo isso. Os governos que passam nada fazem para modernizar o sistema judicial.

Também há poucos dias, o despacho da juíza Maria da Penha Nobre Mauro. Aceitou o pedido de recuperação judicial da Delta Construções. Algo difícil, na medida em que o ministro chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, declarou a empresa de Fernando Cavendish inidônea. Se o governo Dilma Rousseff considerou a Delta inidônea, como poderá ela se recuperar se está proibida de obter novos contratos de obras públicas e não está pagando seus compromissos?

Uma coisa choca-se frontalmente com a outra. Para conceder a recuperação judicial, a magistrada teria, primeiro, que anular a medida do ministro Jorge Hage. Não definindo o tema assim, como poderá a Delta recuperar-se? A juíza afirmou em seu despacho, Folha de São Paulo de 19 de junho, que agia para preservar uma unidade produtiva e geradora de emprego, além de contribuinte fiscal.

Mas a empresa demitiu 800 empregados e ainda não os indenizou. Quanto à situação de contribuinte fiscal seria necessário, antes de decidir, consultar a Receita Federal. E também as Secretarias de Finanças dos Estados onde atua ou atuou. Mais um caso de colisão entre a forma e o conteúdo da matéria.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

UM ATAÚDE DE CHUMBO
Para ter o apoio de Juracy Magalhães, ex-presidente da UDN e governador da Bahia, que ele derrotou fragorosamente na convenção do partido para escolha do candidato à presidência da República, Jânio Quadros convidou o filho, deputado estadual Juracy Magalhães Júnior, para subchefe da Casa Civil, quando vencesse as eleições.

E fez mais. Pediu a Juracy que indicasse o vice de sua chapa, “de preferência do Nordeste”. Juracy poderia ter indicado Magalhães Pinto, presidente da UDN e candidato a governador de Minas contra Tancredo Neves. Ou o governador Cid Sampaio, de Pernambuco, no auge do sucesso. Ou ainda o deputado Aloísio Alves, do Rio Grande do Norte, vice-líder e secretário-geral da UDN, ou o deputado Seixas Dória, de Sergipe, líder da Frente Parlamentar Nacionalista, ambos candidatos a governador, com eleições certas em seus Estados.

Por vingança, Juracy indicou o vetusto ex-governador e senador de Sergipe, Leandro Maciel. Não passou muito tempo, Jânio deu o troco. Mandou um bilhete a Magalhães Pinto renunciando a candidatura, alegando que, com o vice indicado pela UDN, ia perder.
E disse a Carlos Lacerda:
“Não consigo carregar o honrado dr. Leandro Maciel. É muito pesado. É um ataúde de chumbo”.
A UDN jogou Leandro Maciel ao vento e apresentou Milton Campos, que perdeu para João Goulart, companheiro de chapa do marechal Lott, porque Fernando Ferrari, que também apoiava Jânio, dividiu os votos da vice.

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UM LADRÃO

O então governador Cacildo Maldaner, depois senador e presidente do PMDB de Santa Catarina, foi a uma cidade do interior lançar a candidatura de Aníbal, um pastor evangélico do partido, à prefeitura.
A cidade estava agitada. Aníbal havia escolhido para vice o comerciante Vavá, de péssimos antecedentes. Quando o governador subiu ao palanque com Aníbal e Vavá, ouviu vaias de todo canto. Aníbal foi logo para o microfone, abriu uma Bíblia enorme, pesada, suspendeu sobre a cabeça:
- Meus irmãos, hoje acordei resolvido a vir a este comício renunciar à minha candidatura a prefeito, porque nossos adversários andam dizendo que meu vice Vavá é ladrão. Mas, na hora de sair para cá, abri minha Bíblia, que é meu farol, e pedi a Jesus que ele me iluminasse. E ele me iluminou. Está aqui, na Bíblia, a resposta a nossos inimigos. Se Jesus, que era Jesus, o Senhor que tudo sabe e pode, morreu na cruz entre dois ladrões, por que eu, que sou seu mais humilde servo, não posso ser perfeito ao lado de um só?
Aníbal e Vavá ganharam a eleição. O ataúde não era de chumbo.

QUANDO O HUMOR RETRATA A REALIDADE


PRISÕES, PRIVATIZAÇÕES E PADRINHOS

Nos últimos dias, o “New York Times” publicou uma série de reportagens aterrorizantes sobre o sistema de casas de semi-internato de Nova Jersey -que serve como ala auxiliar, operada pelo setor privado, do sistema penitenciário estadual. A série é um modelo de jornalismo investigativo e todos deveriam ler esses artigos. Mas também é preciso que seja analisada como parte de um contexto mais amplo. Os horrores descritos são parte de um padrão mais amplo sob o qual funções do governo estão sendo a um só tempo privatizadas e degradadas.

Vamos começar pelas casas de semi-internato. Em 2010, Chris Christie, o governador de Nova Jersey – que tem conexões pessoais com a Community Education Centers, a maior operadora dessas instalações, para a qual no passado trabalhou fazendo lobby -, descreveu as operações da empresa como “uma representação do que há de melhor no espírito humano”.
Mas as reportagens revelam, em lugar disso, algo mais próximo ao inferno – um sistema mal gerido, com escassez de funcionários e equipes desmoralizadas, do qual os mais perigosos indivíduos muitas vezes escapam para causar estragos e no qual os criminosos menos violentos enfrentam terror e abusos da parte dos demais detentos.

A história é terrível. Mas, como eu disse, é necessário vê-la no contexto mais amplo de uma campanha nacional da direita norte-americana pela privatização de funções de governo, o que enfaticamente inclui a administração de prisões. O que move essa campanha?
Seria tentador dizer que ela reflete a crença dos conservadores na magia do mercado, na superioridade da concorrência livre sobre o planejamento governamental. E essa é certamente a maneira pela qual os políticos da direita gostariam de ver a questão enquadrada.

Mas basta pensar por um minuto para perceber que uma coisa que as empresas que formam o completo penitenciário privado – companhias como a Community Education ou a gigante setorial Corrections Corporation of America – não fazem é concorrer em um mercado livre. Elas na realidade vivem de contratos governamentais. Assim, não existe mercado, e portanto nenhum motivo para prever ganhos mágicos de eficiência.

E o fato é que, apesar das muitas promessas de que privatizar penitenciárias resultaria em grande economia de custos, essa economia – como concluiu um estudo abrangente conduzido pelo Serviço de Assistência Judiciária, parte do Departamento da Justiça norte-americano – “simplesmente não se concretizou”. Os operadores privados de penitenciárias só conseguem economizar dinheiro por meio de “reduções em quadros de funcionários, nos benefícios conferidos aos trabalhadores e em outros custos trabalhistas”.

Assim, é hora de conferir: as penitenciárias privadas economizam dinheiro porque empregam menos guardas e outros funcionários, e pagam menos a eles. E em seguida lemos histórias de horror sobre o que acontece nas prisões. Que surpresa!

O que deixa a questão dos motivos reais para a campanha pela privatização das penitenciárias, e de praticamente tudo mais.

Uma resposta é que a privatização pode servir como forma encoberta de elevar o endividamento do governo, já que este deixa de registrar despesas antecipadas (e pode até arrecadar dinheiro pela venda de instalações existentes), e eleva os custos de longo prazo de maneira invisível pelos contribuintes.

Já ouvimos muito sobre dívidas estaduais ocultas em forma de passivos de pensão futuros; mas não ouvimos o bastante sobre as dívidas futuras que estão sendo acumuladas agora na forma de contratos de longo prazo com empresas privadas empregadas para operar penitenciárias, escolas e muito mais.
Outra resposta para a privatização é que ela representa uma forma de eliminar funcionários públicos, que têm o hábito de formar sindicatos e tendem a votar nos democratas.

Mas a principal resposta certamente está no dinheiro. Pouco importa o efeito que a privatização tenha ou não sobre os orçamentos estaduais. Pense, em lugar disso, nos benefícios que ela traz para os fundos de campanha e as finanças pessoais dos políticos e seus amigos.
Com a privatização de mais e mais funções governamentais, os Estados se tornam paraísos de pagamento nos quais contribuições políticas e pagamentos a amigos e parentes se tornam parte da barganha na obtenção de contratos do governo. As empresas estão tomando o controle dos políticos ou os políticos estão tomando o controle das empresas? Pouco importa.

É claro que alguém vai certamente apontar que as porções não privatizadas do governo também enfrentam problemas de influência indevida, que os sindicatos dos guardas penitenciários e professores têm influência política e esta ocasionalmente distorce as decisões governamentais.

É justo. Mas essa influência tende a ser relativamente transparente. Todo mundo sabe sobre as aposentadorias supostamente absurdas do setor público; já revelar o inferno das casas de semi-internato de Nova Jersey requereu meses de investigação pelo “New York Times”.

O que importa, portanto, é que não se deve imaginar aquilo que o “New York Times” descobriu sobre a privatização de prisões em Nova Jersey como exemplo isolado de mau comportamento. Trata-se, na verdade, quase certamente de apenas um vislumbre de uma realidade cada vez mais presente, de uma conexão corrupta entre privatização e apadrinhamento que está solapando as funções do governo em muitas regiões dos Estados Unidos.

Paul Krugman (Folha de S. Paulo)
24 de junho de 2012

MUDANÇAS NO MAPA LATINO AMEAÇAM O MERCOSUL

Surgiu uma novidade no mapa político e econômico da América Latina: México, Colômbia, Peru e Chile uniram-se com o objetivo de dar plena liberdade às suas empresas e aos seus 215 milhões de habitantes para transitar, estudar, trabalhar, movimentar capitais e fazer negócios sem precisar de licença prévia dos governos locais.

É o que prevê a Aliança do Pacífico, o novo bloco regional cuja criação foi anunciada na semana passada pelos presidentes Felipe Calderón (México), Juan Manuel dos Santos (Colômbia), Ollanta Humala (Peru) e Sebastián Piñera (Chile). Está prevista a adesão do Panamá e da Costa Rica no segundo semestre.

Foi um movimento surpreendente, rápido e eficaz. Em dezembro de 2010, o então presidente peruano Alan García lançou a ideia, recebida com entusiasmo por México, Colômbia e Chile. Um ano depois, eles se reuniram e fixaram o prazo de seis meses para um entendimento definitivo. Em março, chegaram a um consenso em inédita reunião de cúpula, por teleconferência. Agora, em Antofagasta, no deserto do Atacama, assinaram o acordo básico.

Trata-se de um compromisso ambicioso, no qual se pretende a livre circulação de pessoas, mão de obra, capitais, bens, serviços e mercadorias, integração de redes de ensino (especialmente universidades), instituições financeiras (Bolsas de Valores) e criação de instâncias institucionais comuns, supranacionais.

As regras desse novo bloco são simples: para entrar é preciso ter tratado de livre comércio com todos os sócios, ser uma democracia, possuir estabilidade jurídica e constitucional. Ao Panamá e à Costa Rica, provisoriamente “sócios-observadores”, faltam acordos comerciais.

Definiu-se que em dezembro entra em vigor o regime de livre circulação de mercadorias, ou seja, eliminam-se barreiras aduaneiras e regras de origem sobre o que é produzido pelos sócios.
Não é pouca coisa: México, Colômbia, Peru e Chile compõem um mercado de 215 milhões de consumidores, somam 35% do PIB da América Latina e são responsáveis por 55% das exportações desse pedaço do planeta.

Há aspectos geopolíticos relevantes. México, Colômbia, Panamá e Costa Rica são países bi-oceânicos, com saídas para o Pacífico e o Atlântico. Além disso, os integrantes da Aliança têm economias abertas, baseadas em acordos bilaterais de comércio com China, EUA, União Europeia, Japão, Coreia, Taiwan, Cingapura e os principais centros econômicos do Oriente Médio.

Na prática, significa que está nascendo um bloco político e econômico capaz de rivalizar com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), fissurado pelas disputas entre sócios em torno de barreiras crescentes sobre um comércio regional de US$ 100 bilhões anuais.
Aliança define distanciamento do Chile, Peru e Colômbia do Mercosul.

A Aliança marca um definitivo distanciamento do Chile, Peru e Colômbia do Mercosul, anulando todas as gestões prévias para suas participações no bloco do Atlântico Sul. Impõe o contraste de uma alternativa mais eficaz ao Mercosul, numa etapa em que Uruguai e Paraguai debatem a conveniência de continuar atados a um projeto de integração com escasso repertório de benefícios para suas economias. E deixa ainda mais isolados a Venezuela, o Equador e a Bolívia, onde floresce a desagregação política, social e econômica.

O tempo vai mostrar se os governos de México, Colômbia, Peru e Chile, com Panamá e Costa Rica, serão realmente capazes de converter a Aliança em “uma plataforma de articulação política, integração econômica e comercial e de projeção para o mundo, com ênfase na região Ásia-Pacífico”, como prevê a ata de constituição do novo bloco.

É certo, porém, que a iniciativa tem o frescor da inovação em um continente onde, depois de três décadas, o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai continuam patinando na retórica palanqueira sobre a integração como meio de ampliar os direitos sociais, políticos e econômicos de mais de 200 milhões de pessoas.
Artigo enviado pelo general Luiz Gonzaga Schroeder Lessa

24 de junho de 2012
Marcio Augusto Lacerda

BRASIL MARAVILHA SEM "MARQUETINGUE"

1,73 milhão de cheques sem fundos, 2012 teve o pior mês de maio desde a crise de 2009.

A MÁFIA E O BRASIL CARCOMIDO

Empresa ligada a advogado omitiu ao Fisco R$ 7 milhões





Relatório da Receita Federal à CPI do Cachoeira informa que a empresa Data Traffic omitiu R$ 7,2 milhões ao Fisco, entre outras movimentações financeiras, entre 2007 e 2010.

Até um mês atrás, a empresa tinha entre seus sócios Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O senador é apontado pelas investigações da Operação Monte Carlo como um dos principais operadores do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A empresa tem quatro contratos com o governo de Marconi Perillo (PSDB-GO). Um deles diz respeito justamente a monitoramento tributário. Pelo relatório da Receita, a Data Traffic amealhou R$ 39,7 milhões em 2007. Mas só declarou o recebimento de R$ 32,5 milhões.

O restante, R$ 7,5 milhões, teria sido omitido do Fisco. No relatório, encaminhado à CPI, o auditor encarregado de analisar as contas da empresa alerta que a omissão "pode indicar irregularidade tributária".

O relatório informa ainda que, em 2010, a empresa comprou R$ 4,3 milhões em equipamentos, mas só declarou a aquisição de R$ 804 mil. Para a Receita, este é mais um "indício de irregularidade tributária" na contabilidade da Data Traffic. A auditoria levanta suspeitas ainda sobre a evolução da massa salarial e da distribuição de lucros.

"Chamam a atenção os elevados valores de lucros e dividendos distribuídos quando comparados a receita bruta", diz a Receita. Só em 2008, a divisão dos lucros teria alcançado nada menos que 50,24% da receita bruta da empresa.

Kakay disse que era um mero acionista e que nada sabe sobre a contabilidade da empresa.

- Fui acionista, não sou mais. Tinha 7,5% das cotas da empresa. Mas vendi mês passado. Não sei nem quem são os diretores ou o presidente da empresa - disse o advogado.

Kakay vendeu a participação dele para um irmão. O presidente da Data Traffic, Luiz Moreira Castro, disse que desconhece qualquer irregularidade.

- É uma situação nova para mim. Teria que pesquisar para ver. Mas, se tivesse alguma coisa, teria uma ação (de fiscalização) da Receita, e isso não tem -disse o executivo.


Jailton de Carvalho O Globo

24 de junho de 2012

CASTA! BRASIL CARCOMIDO 2





O Ministério Público entrou na Justiça contra o alto custo da assistência médica prestada aos senadores. Alega que há distorções nos valores pagos.

Um senador chegou a gastar R$ 740 mil num convênio.


O benefício é vitalício e não há limite para as despesas médicas de senador em exercício e dependentes. O MP aponta falta de critérios nos procedimentos cobertos, dando margem a gastos abusivos.

Um senador ganhou reembolso de R$ 78 mil pela colocação de 22 coroas de porcelana.

Ilimar Franco, O Globo

24 de junho de 2012
camuflados

MANUAL DO TWITER DO PARTIDO CHAVISTA PSUV VAZA NA INTERNET E REVELA QUE GOEBBELS É O INSPIRADOR DOS CHAVISTAS!

Um blogueiro venezuelano de oposição vazou com exclusividade no blog Zonatwive, o Manual do Twitter do PSUV o partido chavista. Ao pesquisar mais a fundo o blogueiro chegou até a Comissão de Agitação e Propaganda dos chavistas e se surpreendeu ao encontrar lá a citação das lições de Joseph Goebbels, chefe da propaganda do nazismo.
Transcrevo no original em espanhol o texto do blogueiro venezuelano com link ao final para ler tudo:
Goebbels, guru do chavismo

Volando con mi escoba, conseguí en el internet un manual de twitter del PSUV. Al analizar el presente manual, el cual presumo es del año 2010. Aparentemente, en dicho manual se utiliza como ejemplo un ciudadano llamado “Ignacio Capote”, cuyo perfil en twitter es @ignaciocapote y quien tiene la particularidad de que todos los que siguen su cuenta, a la vez siguen a Cuba debates. Podemos observar que en el manual se utilizan una palabras que no son del uso común nuestro país, ejemplo “almohadilla”. Lo que demostraría claramente, la ideologización de los militantes del PSUV por factores externos, por no decir cubanos. Vean el manual, y saquen Uds. sus propias conclusiones. Agrego al manual, un artículo de la comisión de Comunicación, Propaganda y Agitación directamente tomada del Site del PSUV.
Al buscar, temas de propaganda para entender el objeto de la Comisión de Comunicación, Propaganda y Agitación. Encontré como referencia, algunos principios de la propaganda Nazi, propuesta por Joseph Goebbels que demuestran las formas como los alemanes lograron distorsionar la realidad. Seguramente, en aquellos tiempos no había aquel “iluminado” que les quería hacer decir: “Primero Dios y después mi Comandante” … Sátrapas!!! hasta la próxima. HACER clic AQUÍ para leer y ver las FOTOS
23 de junho de 2012
in aluizio amorim

GOVERNO DA DILMA NÃO FALA MAIS EM GOLPE

AFIRMA QUE "NÃO TOMARÁ MEDIDAS QUE PREJUDIQUEM O POVO IRMÃO DO PARAGUAI"
O Itamaraty vermelhão: hora de mudar de cor pelo bem do Brasil.
O governo da dona Dilma baixou a bola e já não fala mais em "golpe". Convocou o embaixador brasileiro no Paraguai apenas para "consultas". E afirma que não tomará "medidas que prejudiquem o povo irmão do Paraguai".
 
Nestas alturas a nota do Itamaraty, completamente aparelhado pelo PT, é ridícula, haja vista que Dilma e seus sequazes passaram a sexta-feira ameançado o novo governo paraguaio e insuflando a revolta dos partidários do presidente destituído legalmente de acordo com o que rege a Constituição daquele país.
Tanto é que no entardecer deste sábado - em que pese a instigação de parte da grande imprensa e seus jornalistas comunistas - o presidente Federico Franco participou de uma missa que reuniu mais de mil pessoas na praça da Catedral em Assunção, num clima de completa normalidade.
 
De quebra ainda obteve o explícito apoio do Vaticano, da Alemanha e da Espanha que foram os primeiros a reconhecer o novo Governo.
Com o advento do PT ao poder, a diplomacia brasileira tradicionalmente respeitada e competente, passou a ser utilizada como um "aparelho do PT", protagonizando trapalhadas como a que se viu no episódio de Honduras.
Desta feita, contrariando ao mais elementar manual de diplomacia, o governo brasileiro sob o jugo do PT, mais uma vez pisou feito na bola, quando deveria ser contido e protocolar, exercendo a diplomacia em suas declarações, justo num momento de crise de um país vizinho como o qual o Brasil mantém estreita relação, o que não se viu até sexta-feira e na imprensa deste sábado.
Eis a íntegra da nota do Itamaraty que está sendo publicada nos sites noticiosos brasileiros:

"O Governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa. O Brasil considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental da democracia, condição essencial para a integração regional.

Medidas a serem aplicadas em decorrência da ruptura da ordem democrática no Paraguai estão sendo avaliadas com os parceiros do MERCOSUL e da UNASUL, à luz de compromissos no âmbito regional com a democracia.

O Governo brasileiro ressalta que não tomará medidas que prejudiquem o povo irmão do Paraguai.

O Brasil reafirma que a democracia foi conquistada com esforço e sacrifício pelos países da região e deve ser defendida sem hesitação.

O Embaixador do Brasil em Assunção está sendo chamado a Brasília para consultas."
 
24 de junho de 2012
in aluizio amorim

BRINCANDO COM A VERDADE...



Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro para ler.
(Groucho Marx)

24 DE JUNHO DE 2012

LUGO REAPARECE E FALA NO "MICROFONE ABERTO" DA TV PÚBLICA PARAGUAIA


 
Nesta madrugada, o presidente deposto Fernando Lugo, do Paraguai, falou aos seus seguidores no microfone aberto instalado defronte à TV pública, em Assunção. Disse que aceitou o julgamento para evitar violência no país. Justamente ele que não conseguiu, nos últimos anos, impedir o massacre ocorrido em função da sua falta de comandao, onde morreram seis policiais e onze sem-terra.
 
24 de junho de 2012