"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 15 de julho de 2012

O EXPERIMENTO ROSENHAN


Ainda na esteira da discussão sobre terapias, me escreve James Dressler:
Homeopatia... Sabe que ela é baseada na "memória da água"?? Veja http://www.nova-acropole.pt/a_memoria-agua.html . Lá pelas tantas diz: "A memória está bastante provada na eficácia das mesmas (sic) Flores de Bach ou na Homeopatia, dissoluções na água que não tem uma só molécula de (sic) substância original diluída e que mantém suas propriedades terapêuticas".

Ou seja, os caras te vendem água pura como se fosse um remédio, só porque essa água entrou em contato com a substância, por exemplo, misturo paracetamol com a água, depois retiro quimicamente todo paracetamol, mas a água funciona como se ainda tivesse a mesma quantidade paracetamol original!! É muita picaretagem.

Imagina só, e pensar que água que eu bebi ainda pouco passou há algum tempo atrás pela privada de alguém...

Há um documentário no NatGeo ou Discovery, em que um sujeito desafia a associação que representa mundialmente a homeopatia: paga um milhão de dólares se um teste com um certo número de pessoas (não lembro bem, algo como 50), der mais que 50% de melhora com o tratamento homeopático, comparando-se a quem receberia um placebo. Resultado: não deu, a homeopatia perdeu, tudo gravado e auditado pelo canal de televisão. É a maior picaretagem da história e tem até curso de nível superior.


Em 1988, meu caro James, até mesmo a prestigiosa revista científica de língua inglesa, a Nature, caiu neste embuste. Jacques Benveniste, doutor em medicina e diretor de pesquisas do Inserm, na França, foi quem criou a exótica teoria da memória da água. Isto é, a água conservaria na memória as moléculas de base com as quais havia sido colocada anteriormente em contato. A quem interessava o crime? Aos homeopatas, que se regozijaram ao supor que finalmente tinham a prova indiscutível de que a homeopatia era ciência. A memória da água fez longa carreira, mobilizou prêmios Nobel e laboratórios na Europa toda. O sóbrio Le Monde caiu como um patinho recém-emplumado, concedendo várias páginas ao embuste.

Me escreve Fernando Massen:

Sobre os excessos das terapias, psicologias e quejandos, além do excelente O Livro Negro da Psicanálise, temos o famoso "experimento de Rosenhan". Quero dizer, famoso pra quem é do meio, porque descobri há poucos anos junto com o "experimento da prisão de Stanford", entre outras coisas da psicologia.

Desconhecia este experimento, Fernando. Não deve ser por acaso que raramente é citado. Suas conclusões são demolidoras. O leitor me remete a um verbete da Wikipedia. Vamos lá:

O Experimento Rosenhan foi um famoso experimento sobre a validade do diagnóstico psiquiátrico que realizou o psicólogo David Rosenhan em 1972. Os resultados foram publicados na revista Science com o título "On being sane in insane places" ("Sobre estar sadio em lugares insanos").

O estudo de Rosenhan teve duas partes. A primeira usou colaboradores sadios, chamados de "pseudopacientes", os quais simularam alucinações sonoras numa tentativa de obter a admissão em doze hospitais psiquiátricos de cinco estados dos Estados Unidos. A segunda parte consistiu em pedir às instituições psiquiátricas que tentassem detetar os "pseudopacientes". No primeiro caso, nenhum pseudopaciente foi detectado. No segundo, o hospital catalogou de impostores uma grande quantidade de pacientes reais. O estudo é considerado como uma importante crítica ao diagnóstico psiquiátrico.

Rosenhan foi ele mesmo um pseudopaciente. Além dele tinha três psicólogos, um pediatra, um psiquiatra, um pintor e uma dona de casa, sendo cinco homens e três mulheres. Nenhum deles tinha sido considerado com problemas mentais e possuíam um vida bem estabelecida. Os pseudopacientes tentaram internação em doze hospitais diferentes. O único sintoma que os eles podiam nomear era que ouviam vozes, não muito claras, falando "vazio", "oco" e "baque". Imediatamente depois da admissão os pseudopacientes cessaram de simular qualquer sintoma, mas alguns estavam um pouco nervosos durante um curto período porque nenhum deles achava que iria ser internado e pensavam que a sua simulação seria descoberta logo, ficando expostos como fraudadores.

Todos os pseudopacientes foram internados, onze com diagnóstico de esquizofrenia e um com psicose maníaco-depressiva, ficando internados entre 7 e 52 dias, com uma média de 19 dias. Apesar de que as equipes médicas não detectaram a simulação, 35 de 118 pacientes expressaram sua suspeita, alguns enfaticamente: "você não está louco, você é um jornalista ou um professor universitário que está checando o hospital".

Comportamentos normais, como tomar notas, foram catalogados de sintomas da doença. Depois de realizada a primeira fase, uma prestigiosa instituição desafiou Rosenhan a mandar pseudopacientes, assegurando que seriam descobertos. Rosenhan aceitou o desafio. A instituição catalogou 41 pacientes como impostores e 42 como suspeitos, sobre um total de 193 pacientes, mas Rosenhan falou que não tinha mandado nenhum.

Depois de tal experimento, fica difícil afirmar o caráter científico do diagnóstico psiquiátrico. Mês passado, contei como fui submetido a uma junta psiquiátrica, quando universitário. Não por estar doente, mas apenas por ter feito críticas à psicanálise ante um psicanalista que, por eu ter errado de fila na seleção para um emprego, me examinava. Devia submeter-me a uma junta psiquiátrica. Se não aceitava a psicanálise, certamente era um perigoso meliante.

Compareci ao exame. Não consigo esquecer da cena. Três doutores, sentados sempre em cadeiras solenes, me olhavam do alto. Eu, numa cadeirinha de réu. Precisava do emprego, respondi como eles gostavam. Fiquei sem saber se fui condenado ou não pelos Torquemadas. Antes da sentença, consegui emprego em jornal e nem me preocupei mais com o laudo.

Citei há pouco livro que considero um clássico como contestação de certas terapias, Psicanálise, a Mistificação do Século, de Edward R. Pinckney e Cathey Pinckney. Nele, os autores citam um estudo feito na Califórnia, nos anos 60, no qual o Dr. Phillip L. Rosman, de Santa Monica, California, re-examinou 78 mulheres e 37 homens, de nove a 71 anos de idade, os quais haviam sido diagnosticados como neuróticos, psiconeuróticos,histéricos e portadores de outros problemas mentais.

Novo e cuidadoso exame revelou que todos tinham doença física orgânica. Feito o diagnóstico correto, os resultados obtidos foram os seguintes: 45 curados, 36 melhorados, três inalterados e 31 óbitos; 25 mortes resultaram de câncer que passara despercebido! Perguntam-se os autores: se um exame cuidadoso e sem parti-pris houvesse sido feito naquelas 115 pessoas, no princípio da doença, quem sabe quantos daqueles pacientes de câncer poderiam ter sobrevivido?

Segundo os autores, “freqüentemente, as doenças da tireóide se manifestam apenas através de sintomas de comportamento. Manifestações neuróticas podem ser resultantes apenas de escassez ou excesso de tireoide. Neste caso, a ingestão diária de alguns comprimidos, de baixo preço, poderia restabelecer a normalidade quase que instantânea em alguém parece padecer de doença mental. Compare esse tipo de tratamento com anos e anos de dispendioso repouso em divã, na tentativa de descobrir alguma frustração sexual infantil.

“Mas as doenças da tireóide não são as únicas que provocam sintomas semelhantes aos da neurose. Os pacientes com câncer do pulmão manifestam, freqüentemente, marcantes reações de hostilidade. Doenças infecciosas, inflamações pélvicas e até mesmo arteriais, podem produzir aqueles mesmos sintomas atribuídos pelos psicanalistas a problemas sexuais não solucionados, iniciados na infância. O que contradiz a doutrina freudiana é o fato de que, uma vez feito o diagnóstico orgânico e realizado o tratamento, ocorre o desaparecimento imediato de toda manifestação neurótica”.

Ou seja, a vigarice é universal. E ingênuos é o que não falta para cair em tais potocas.


15 de julho de 2012
janer cristaldo

FRASE DO DIA


"Para nós [do PMDB], essa história de fisiologia está superada."

Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB

15 de julho de 2012

ESPECULAÇÕES E FATOS

De uns tempos para cá, começou a ganhar circulação a ideia de que estamos marchando em direção à confluência de duas crises. Ambas graves.
De um lado, uma crise na economia, cujos sinais seriam já evidentes: redução do ritmo do crescimento, diminuição do investimento externo, retração na industria, queda no comércio internacional.

De outro, uma crise política, ainda não explicitada por completo, mas latente. Indicando-a, os recentes problemas no relacionamento político dentro da coalizão governista e uma presumida desarmonia na administração federal.

Não se estabelece com clareza quando as duas se encontrariam. Mas fica subentendido que antes de outubro de 2014. Ou seja, em tempo de influenciar - ou mesmo revolucionar - o ambiente em que ocorrerá a próxima eleição presidencial.

Trocando em miúdos: a sucessão de Dilma, antes previsível, estaria se tornando incerta. O amplo favoritismo que tem hoje seria engolido pelas crises, uma reforçando e amplificando a outra.
É desnecessário dizer que a tese da “crise perfeita que se avizinha” foi elaborada e está sendo difundida pelas oposições, muito especialmente a oposição não-partidária, na sociedade civil e na imprensa.

É difícil, atualmente, ler algum comentário ou interpretação que não a mencione ao discutir o cenário político atual e suas perspectivas. Tudo passou a ser visto em função dela.
Até coisas que nada têm de real.

Só um otimista irracional acreditaria que a economia brasileira poderia atravessar incólume as intempéries que atingem os países avançados. Vamos pagar um preço por elas e já o estamos pagando em alguns setores.

A questão não é, portanto, se teremos ou não dificuldades econômicas no futuro imediato, mas qual sua intensidade e quais suas consequências na política, mais especificamente na eleição de 2014. É isso que alguns pintam com cores sombrias, pois não gostam da perspectiva que sejam menos agudas.
Para estimar o que aguarda Dilma, convém não esquecer que Lula viveu a manifestação anterior dessa crise na economia global sem solavancos na popularidade.

Entre o final de 2008 e os primeiros meses de 2009, as pesquisas mostraram um expressivo incremento das preocupações da população a respeito de inflação, desemprego e perda de capacidade de consumo. Elas atingiram seu pico em dezembro de 2008, quando, em pesquisa da Vox Populi, 58% dos entrevistados disseram esperar a subida da inflação e 63% o aumento do desemprego.

Enquanto isso, a avaliação positiva do governo Lula sempre se manteve elevada, indo, de acordo com dados do Datafolha, de 55% em março de 2008 a 65% um ano depois, em março de 2009. Em outras palavras, atravessando a turbulência em ascensão.

O que vemos é que não há incompatibilidade entre percepção de problemas econômicos e aprovação governamental. Ao contrário do que pensam alguns, as pessoas são perfeitamente capazes de separar as duas coisas.

Quanto à “crise política”, o que estamos presenciando agora nada tem de diferente do que sempre acontece às vésperas de eleições municipais. Nelas, as alianças e coligações raramente repetem, em cada lugar, os acordos nacionais. Quem anda junto na hora de escolher presidente pode caminhar separado quando se discutem prefeituras.

Assim, as desavenças pontuais entre os partidos da base governista nada sinalizam quanto ao comportamento que adotarão daqui a dois anos. Lá, avançarão unidos - ou não - em função do que estiver acontecendo no momento, sem nem se lembrar que se enfrentaram neste ou naquele município.

Quem lê a imprensa internacional fica com impressão bem diferente do horizonte à nossa frente. Ninguém aposta - ou deseja - a “crise perfeita”.

No fundo, a tese nada mais é que a admissão de que, se nada de catastrófico ocorrer, a política brasileira continuará fundamentalmente como está.
O que equivale a reconhecer a força e a capacidade do “lulopetismo” e a julgar com severidade as oposições e suas lideranças.

15 de julho de 2012
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

OLAVO DE CARVALHO RECEBE MEDALHA TIRADENTES DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RJ.

AQUI O POLÊMICO VÍDEO NA ÍNTEGRA!


Neste programa, o deputado estadual Flávio Bolsonaro entregou ao filósofo, escritor e jornalista Olavo de Carvalho a Medalha Tiradentes, homenagem da Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro.
 
Olavo de Carvalho vive há pelo menos uma década nos Estados Unidos, depois de passar pelos grande jornais e revistas brasileiros. Atualmente mantém uma coluna no jornal Diário do Comércio, editado em São Paulo.
 
O ato de entrega foi o tema principal do programa que Olavo de Carvalho mantém em seu site em vídeo semanalmente, denominado TrueOutSpeak e o deputado Flávio Bolsonaro foi especialmente aos Estados Unidos para entregar a medalha a Olavo, já que foi o deputado o autor do projeto conferindo ao filósofo a comenda.
 
Vale a pena ver este vídeo. Aliás, um dos assuntos abordados durante o programa, relativo ao tema do ativismo gay, tem gerado grande polêmica através das redes sociais. O site Mídia Sem Máscara aborda a polêmica.
 
Ao fazer a postagem deste vídeo homenageio e cumprimento Olavo de Carvalho e o deputado Flávio Bolsonaro. Ainda que muitos possam discordar ideologicamente dessa homenagem e do próprio Olavo de Carvalho, o fato é que o filósofo é sem dúvida merecedor da honraria. É um intelectual, estudioso e prolífico escritor e jornalista.
 
Destaque especial merece o fato de que Olavo é um dos poucos polemistas do Brasil, um país onde 99% da população cultiva o deletério hábito da falsa cordialidade que só serve para esconder a covardia e o oportunismo. Inclui-se aí a maioria esmagadora dos jornalistas brasileiros.
 
15 de julho de 2012
in aluizio amorim

APRIMORE O SEU INGLÊS...

O PT INVESTE NO FUTURO...


15 de julho de 2012

O FUTEBOL BRASILEIRO, QUE DEVERIA SER O CENTRO DE EXCELÊNCIA TÉCNICA, VAI PARA OUTROS CAMINHOS

No passado, os craques eram as únicas estrelas do futebol. Com o tempo, surgiram outros personagens badalados, como treinadores, investidores, empresários, agentes dos técnicos e dos atletas e, agora, marqueteiros. Não tenho nada contra o marketing. Pelo contrário. É uma atividade digna, importante e necessária. Acho apenas que os marqueteiros são excessivamente otimistas.



Quando chega um contratado, jogador comum, como Marcelo Moreno, no Grêmio, é anunciado como um craque, uma celebridade.
Quando Ronaldinho chegou ao Flamengo, venderam a ilusão de que ele era ainda um magistral jogador. O torcedor acreditou. Como o time não agradava, Ronaldinho era o mais vaiado, mesmo quando era o destaque. No Atlético, como a expectativa é menor, ele ganha menos, e o time tem vencido, ele é aplaudido, mesmo jogando menos que no Flamengo.

As novas estrelas são Seedorf e Forlán. Parece que chegaram o Seedorf dos melhores momentos e o Forlán da Copa de 2010. Seedorf tem sido mais badalado que Forlán. O marqueteiro do Botafogo deve ser mais otimista. Forlán, por ser mais jovem, tem mais chance de jogar bem por mais tempo.

Nos últimos anos, jogadores famosos e caros, contratados pelos times brasileiros, vieram porque não tinham mais lugar nas melhores equipes da Europa. Muito melhor jogar aqui que na China, Rússia, Ucrânia, países árabes e outros lugares. Da mesma forma, não há mais razão dos jovens e bons jogadores brasileiros, como Paulinho, irem para esses países periféricos.

Mesmo veteranos e em fim de carreira, a maioria desses jogadores, por terem sido excepcionais, ainda são destaques nos times brasileiros. O mesmo deve ocorrer com Seedorf e Forlán. Isso justifica suas contratações, desde que os clubes paguem também suas dívidas e impostos. A Timemania, criada para isso, foi um grande fracasso.

O que mais me preocupa é ver que o futebol brasileiro, hoje tão badalado, que deveria ser o centro de excelência técnica no mundo, formador dos maiores craques, grande produtor de trabalhos, é, cada vez mais, uma indústria de negócios, de celebridades, do espetáculo e do entretenimento.

Grave, vergonhoso, é a confirmação do suborno recebido por Ricardo Teixeira e João Havelange. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que suborno não era crime. E o presidente atual da CBF, José Maria Marín, fala que Ricardo Teixeira continuará recebendo R$ 100 mil por mês pelo cargo de assessor da entidade. Lamentável!

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BOM E RUIM


O Cruzeiro, dentro de sua limitação técnica, fez uma boa partida na derrota para o Inter, em Porto Alegre, como tinha ocorrido na derrota para o São Paulo. O time não piorou em relação às vitórias anteriores. Os dois últimos adversários é que eram melhores.

Se Ceará estiver em forma, Léo deve voltar à zaga. Mateus e Victorino são fracos. Mateus é ainda pior. Borges é um bom centroavante, goleador, mas, como estava mal no Santos, e o Cruzeiro já tem um artilheiro, Wellington Paulista, não vejo com o mesmo otimismo a chegada dele. Os volantes do Cruzeiro são guerreiros, aplicados, mas com pouca qualidade técnica. Falta um ótimo armador. Mesmo veterano, Riquelme seria um bom reforço.

Tostão (jornal O Tempo, de BH)

ENTRE AS GRANDES OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE, POR QUE APENAS A UNIMED FOI PUNIDA?

Como os jornais noticiaram, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) enfim decidiu suspender a comercialização de 268 planos de saúde de 37 operadoras por não terem cumprido os prazos mínimos de atendimento. A medida não afeta os beneficiários desses planos, cerca de 3,5 milhões de pessoas. As empresas apenas ficam impedidas de ganhar novos clientes, ou seja, a punição é mínima, não afeta o faturamento.

Entre as grandes operadoras, apenas a Unimed foi punida, nas seções de Brasília, Centro-Oeste e Tocantins, Maceió, São Paulo e Guararapes (em Pernambuco). Nenhuma outra sofreu punição, como se as demais grandes operadores funcionassem da forma mais correta possível.
Por que punir apenas a Unimed? Ora, porque é a única grande operadora fruto de uma união de cooperativas, com diferentes razões sociais. Assim, fica mais fácil puni-la, se é que podemos considerar que houve punição.

“A ANS está proibindo que esses planos possam ser vendidos enquanto a operadora não prestar atendimento adequado àqueles que já os possuem. Não prejudica o beneficiário, pelo contrário, protege essas pessoas”, justificou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, jogando para a arquibancada, como se diz no linguajar futebolístico.

Segundo a repórter Clarissa Thomé, do Estadão, os planos estariam sendo avaliados a cada três meses, de acordo com o cumprimento dos prazos de atendimento. Os que tiveram a comercialização suspensa foram mal avaliados duas vezes. A comercialização desses produtos fica suspensa a partir do dia 13. Se os planos insistirem na venda, poderão ser multados em R$ 250 mil.

De acordo com o diretor geral da ANS, Mauricio Ceschin, “houve atrasos em consultas, exames, no atendimento corriqueiro”.

Bem, essa suposta eficiência da Agência está causando espécie. As grandes operadoras estão repletas de processos judiciais por mau atendimento, mas não foram punidas. Alguém realmente acredita na seriedade da Agência Nacional de Saúde Suplementar?

POLÍTICOS MARCAM PRESENÇA NA MARCHA PARA JESUS

A VERSÃO MODERNA DO PMDB

Com todo o respeito aos patriarcas que sobraram no PMDB, fiéis à legenda responsável pela queda da ditadura militar e à memória de gente como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Mário Covas e outros, a verdade é que o partido continua indo atrás da vaca. Para o brejo, onde se encontra submergindo cada vez mais.

A última do PMDB, ou do grupo que o controla, é de não ter mesmo candidato à presidência da República em 2014. Arriscar-se, de jeito nenhum. Já está decidido que apoiarão a reeleição de Dilma Rousseff, se ela concorrer, ou do Lula, se ele se apresentar.
Ou de quem os companheiros indicarem. A palavra de ordem no partido é manter-se sempre à sombra do poder, qualquer que ele seja, beneficiando-se com ministérios, diretorias de estatais e altas funções, das ostensivas às encobertas. Ou antes não apoiaram Fernando Henrique?

Não dá para aceitar sem protestar uma estratégia dessas. Primeiro porque como ainda o maior partido nacional, o PMDB tinha obrigação de apresentar candidato próprio, depois de tanto anos atrelado aos outros.
Depois, porque contentar-se com as migalhas do banquete antes servido por Fernando Henrique, depois pelo Lula, agora por Dilma, significa carimbar passaporte para o desaparecimento.
Pouco representa para o partido dispor do maior número de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores e senadores.
Já perdeu em número de deputados federais e mais perderá, desse jeito. Quer apenas bilhete para usufruir das benesses governamentais. O preço a pagar tem sido o envelhecimento, a perda de identidade e, acima de tudo, a subserviência.
Os companheiros do PT olham de cima para baixo essa federação de divergências transformada num aglomerado insosso, informe e inodoro, cujo objetivo maior, agora, é eleger Henrique Eduardo Alves presidente da Câmara.

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PARANÓIA

A paranóia ecológica e ambientalista internacional não tem limites. Surgiu na Europa uma nova acusação contra o Brasil, que além de queimar florestas, poluir rios, plantar cana e arrombar a camada de ozônio, transforma-se agora no maior produtor de gás metano, ameaça fundamental ao aquecimento do planeta.

Sabem porque essa investida? Porque as vacas andam fazendo cocô em demasia, responsável pela formação e pela invasão de gás metano na atmosfera.
Lá da Holanda surge a denúncia de que possuímos o maior rebanho bovino do mundo, o que é verdade. Mas que, por conta disso, somos os maiores produtores de gás metano, ou melhor, as vacas é que são.

Fazer o quê? Condenar as vacas? Submeter o rebanho a um regime rígido, para que produza menos bosta? Limitar a natalidade no pasto? Ou vender menos carne no mercado internacional, favorecendo a concorrência?

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O MESMO DE SEMPRE

Vale reproduzir nota publicada nesta coluna em 2006, em pleno primeiro governo do Lula:
“Raras vezes se viu, no Senado, amontoado tão cheio de impropérios, agressões e adjetivos virulentos como no discurso de um fim de tarde, esta semana, do senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Extrapolou e abusou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, nas críticas ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O chanceler foi chamado de “anedota de proporções planetárias, mentiroso, megalomaníaco, nanico, trapalhão, pitbull” e dezenas de outros rótulos, tudo por conta do apoio do Brasil a um egípcio derrotado dias atrás para diretor-geral da Unesco.
Convenhamos, por mais que o Itamaraty tenha errado ao rejeitar a candidatura de um brasileiro, fica difícil incluir a catilinária do senador oposicionista no rol dos pronunciamentos que honram o Congresso.
Foi tão chocante o impacto de suas palavras que José Sarney, na presidência dos trabalhos, encerrou abruptamente a sessão, negando até mesmo apartes a Eduardo Suplicy e Marina Silva, que pretendiam defender o ministro agredido.”
Pois é. O passado muitas vezes nos dá lições que só aprendemos no futuro…

SETOR DE TRANSPORTE FEZ INFLAÇÃO RECUAR EM JUNHO PARA SÓ 0,08%?

Francamente, é difícil acreditar na afirmação que se encontra no título em relação à qual acrescentei um ponto de interrogação. Difícil acreditar, mas foi o que o IBGE divulgou e está na reportagem de Luciene Carneiro, Ronaldo Dercole e Lino Rodrigues, O Globo edição de 7 de julho.

Em maio, de acordo com o IBGE, a taxa inflacionária atingiu 0,36%. A queda, explica a coordenadora do índice de preços, Eulina Nunes, deveu-se a um recuo ocorrido nos preços dos automóveis, consequência da nova redução do IPI. Muito bem. Os carros passaram a apresentar preços menores.

Mas dai a projetar o valor de mercado dos automóveis no grupo transporte, como um todo, vai um abismo. O grupo transporte não é formado majoritariamente pelo custo de veículos e sim pelas tarifas de ônibus, trens, lanchas, passagens aéreas, preço dos combustíveis. Reduzir sociologicamente o custo transporte ao preço dos produtos da Fiat, Volks, Ford, GM, não creio que faça sentido.

O mesmo, por exemplo, que dizer que o preço das refeições não subiu em junho porque restaurantes de luxo não elevaram os preços da lagosta sob as várias formas em que é servida.

Os restaurantes populares, a quilo, pesam infinitamente mais no consumo do que os de luxo, marcados por um refinamento degustativo. Pode-se dizer, outro exemplo, que o setor de bebidas não contribuiu para a inflação porque o Chateau Patrus, um dos vinhos mais caros, não aumentou? Assim, se distorce qualquer cálculo.

Onde entraram os alugueis no levantamento do IBGE? Regidos pelo IGPM da Fundação Getúlio Vargas, nos contratos anuais, eles foram reajustados em torno de 5%. O mesmo critério se aplica às prestações de casa própria. Como foram considerados estes? Não foram. Aliás não costumam ser, uma vez que a compra a prazo de imóveis não é considerada despesa e sim investimento.

Há muitas formas de conter, não os preços, mas os índices públicos. Uma delas é basear o cálculo nos preços mínimos. Eles de fato existem. Porém para praticá-los os consumidores necessitam ir a pelo menos quatro supermercados. Num o feijão é mais barato. No outro, o arroz. Num terceiro, a batata e o tomate.

Num outro plano situam-se as massas e os óleos. Tudo bem. Os pesquisadores lançam os valores mínimos. Mas quem pode ir a quatro supermercados por dia? Basta dar um exemplo: se o feijão em Realengo, zona norte do Rio, estiver mais em conta do que em Ipanema, nem por isso quem mora neste bairro vai se deslocar pela Avenida Brasil adentro.

Outra coisa. Como a inflação pode recuar se os juros bancários e do comércio se mantêm nas alturas? O financiamento dos carros aparentemente é a base de zero de juros. Mas, claro, só na aparência. Porque a taxa (real) vem embutida nos preços.
O sistema comercial possui máquinas de correção. Nós, assalariados, não dispomos de tal instrumento. A diferença está aí.

Não estou querendo dizer que a inflação esteja disparando. Apenas frisar que não acredito num acréscimo, em junho, de apenas 0,08%. Não faz sentido.
O que o IBGE diz a respeito dos preços dos remédios? Pode sustentar que o governo distribui medicamentos gratuitamente para pressão arterial e diabetes. Perfeito. Mas qual a quantidade distribuída comparada com o número de pessoas acometidas de tais problemas?

Se formos considerar a iniciativa de maneira isolada, e dividir os casos estimados pela distribuição gratuita, casos excepcionais, vamos apontar uma queda num fator básico de inflação. Mas com qual peso essa distribuição de graça entra na média final dos preços dos medicamentos? Os 0,08 levantam descrédito.

O papel e a tela do computador aceitam tudo. O bolso dos consumidores é outra questão. E tem mais uma coisa: não adianta nublar os números. A realidade termina sempre dissolvendo as nuvens da fantasia.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

OS CONTEINERES DE TEMER

Alcântara era contínuo do palácio do governo do Rio de Grande do Norte. Afonso Pena, presidente da República, ia visitar o Estado. Alcântara pediu para fazer parte da comitiva que ia esperar o presidente na estação ferroviária de Nova Cruz, divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte.

O governador deixou. Mas o secretário do governador achou um absurdo. Onde se viu contínuo esperando presidente? Chamou o Alcântara:

- O governador deixou, você vai. Mas antes de o trem chegar na estação, você salta no triângulo, (ponto da manobra dos trens, na entrada das estações).

O trem do governador chegou na frente. Alcântara saltou no triângulo. Daí a pouco o trem do presidente entra no triângulo para fazer manobra. Alcântara sobe, vai entrando, dá com o presidente, é o primeiro a dar as boas-vindas a Sua Excelência. E vai mostrando a cidade da janela.

Quando o trem do presidente chega à estação, o governador, o secretário do governador, os puxa-sacos do governador, todos levam o maior susto. E Alcântara aparece na porta, ao lado do presidente, apresentando-o às autoridades estaduais.

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O GOLINHO DE CONHAQUE

Seguem para Natal. Cansado, o presidente chega ao palácio e pede logo um banho. De repente, abre a porta do banheiro, mete a cabeça:

- Onde está o Alcântara?
Alcântara aparece, entra, sai. Ninguém entendia nada. E Alcântara sendo chamado, e Alcântara atendendo.

No dia da partida, à beira do cais (o presidente voltou de navio), Afonso Pena chama Alcântara, dá-lhe um abraço e lhe fala alguma coisa no ouvido. Alcântara sorriu, saiu, não disse nada a ninguém.

Um mês depois, o Diário Oficial publicava um ato de Afonso Pena nomeando Alcântara administrador do Porto de Santos. Foi um escândalo no Rio Grande do Norte.

No bolso do paletó, tamanho portátil, Alcântara carregava uma garrafinha de conhaque francês. E Afonso Pena era maluco por um golinho de conhaque francês.

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OS CONTÊINERES

Em 2002, o então deputado Michel Temer, líder portuário do PMDB, passando por cima e contrariando uma expressa decisão judicial, decretou a intervenção no diretório regional do PMDB de São Paulo, cassando os mandatos de toda a diretoria, eleita com 70% em convenção.

Em Brasília, no governo e na oposição, no Senado e na Câmara, ninguém estava entendendo a fúria cassatória de Temer, sobretudo porque o PMDB governista, na época financeiramente cooptado para apoiar Serra, saiu das eleições humilhado, sem dar a vitória ao candidato em nenhum Estado.

O mistério acabou quando Temer nomeou como interventor no PMDB de São Paulo o ex-deputado Wagner Rossi. Não era uma nomeação, era uma confissão de crime. Não era um golinho de conhaque, era um porre.

Wagner Rossi era aquele que em 2001 subira às capas das revistas e às manchetes dos jornais, ao lado de Michel Temer, ambos com as mãos no lado, como responsáveis pelo escândalo dos contêineres engravidados no Porto de Santos. O inquérito terminou acusando-os e os processos continuavam. Pois foi exatamente o sócio Rossi que Temer foi buscar para ‘‘operar” outro contêiner: o fundo partidário do PMDB de São Paulo.
Quanto aos inquéritos, não deram em nada. Naufragaram.

Sebastião Nery
15 de julho de 2012

NO PASSO DAS TARTARUGAS...


              Lentidão da Justiça ameaça Mensalão.
Prestes a ir a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), os réus do mensalão conseguiram se livrar, até agora, de condenações em outras frentes de investigação abertas pelo Ministério Público Federal (MPF). Processos que tramitam na primeira instância da Justiça Federal com base na Lei de Improbidade Administrativa estão emperrados e não há, a médio prazo, perspectiva de julgamento. As ações geraram pilhas de papéis espalhados por diferentes varas e recheados de erros de instrução jurídica, o que vem favorecendo a defesa dos acusados. No caso do STF, os ministros começam a julgar o caso em 2 de agosto, com perspectiva de veredicto no mês seguinte.

Os quatro integrantes do chamado núcleo central do esquema — José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula; José Genoino, ex-presidente do PT; Delúbio Soares, ex-tesoureiro; e Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do partido — e o operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, são acusados de improbidade administrativa em cinco processos na Justiça Federal de Brasília. Nesses processos de origem cível, as sanções por atos de improbidade podem ser a suspensão dos direitos políticos por até dez anos e o ressarcimento dos danos causados ao patrimônio público. No caso do STF, a ação penal prevê pena de prisão.

Por diferentes razões, que vão além da estratégia dos advogados ou das provas colhidas nos autos, os réus estão longe de uma condenação. Uma das ações está parada porque o MPF incluiu erroneamente um homônimo de um dos acusados de improbidade. Em vez de Lúcio Bolonha Funaro, a pessoa incluída, citada e depois excluída do processo foi Lúcio Funaro. A Justiça ainda não localizou o verdadeiro acusado. A busca é feita desde 2009.
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15 de julho de 2012
coroneLeaks

A ESQUECIDA MEMÓRIA HISTÓRICA

UMA DEFINIÇÃO CURTA, GROSSA, MAS VERDADEIRA...


Definição





15 de julho de 2012