"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 1 de março de 2013

MICHAEL BEHE E OS LIMITES DO DARWINISMO

    
          Artigos - Ciência 
Michael Behe presta um serviço inestimável à ciência ao sublinhar a dúvida metódica (e não a dúvida céptica, que é uma coisa diferente), em detrimento da certeza cientificista própria do darwinismo.

Eu penso que o mais importante deste vídeo que segue — de uma conferência do bioquímico Michael Behe, professor da universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, e gravado recentemente — é a redução ao absurdo da narrativa darwinista. Um exemplo da narrativa darwinista é este texto do professor Galopim de Carvalho segundo o qual “as células são produto de evolução atômica”.
A forma de reduzir ao absurdo este conceito do professor Galopim de Carvalho é a de descrever (e não, “explicar”, porque a ciência não “explica” o universo, no sentido literal do termo) o que se passa dentro de uma célula, por exemplo; ou descrever como uma pessoa se torna imune à infecção pelo vírus da malária.

Ou seja, a assunção genérica e “mágica” da narrativa do professor Galopim de Carvalho, segundo a qual “as células são produto de evolução atômica” — e que é aceita pela população em geral como um mito urbano que justifica o darwinismo, por um lado, e que por outro lado transforma o darwinismo em uma espécie de dogma moderno que pretende substituir os dogmas da religião tradicional — é “desmontada” ou desconstruída pela simples explicação genérica do que se passa efetivamente a nível celular.

Este tipo de intervenção pública de Michael Behe é importante porque desmascara, aos olhos dos povos, os atuais mentores do cientificismo positivista — como parece ser o caso do professor Galopim de Carvalho, e entre muitos outros —; e desmistifica e demitifica o novo “clero” dogmático interpretado pelo cientista que transforma a ciência — conforme defendido por Augusto Comte, no século XVIII — em uma nova religião imanente e materialista.

Ao contrário de positivistas fundamentalistas, como por exemplo Richard Dawkins, Michael Behe presta um serviço inestimável à ciência ao sublinhar a dúvida metódica (e não a dúvida céptica, que é uma coisa diferente), em detrimento da certeza cientificista própria do darwinismo, certeza essa que se transforma numa espécie de fé própria de uma religião materialista, absurda, e intelectual e espiritualmente chã e básica.

Num mundo moderno, em que o ser humano perdeu o seu sentido, a denúncia do dogma darwinista através da ciência propriamente dita deve ser um dos principais deveres dos (verdadeiros) cientistas.
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01 de março de 2013
Orlando Braga

A INTIMIDADE DO DITADOR JOSEPH STÁLIN

 

Sessenta anos depois da morte do ditador Joseph Stálin, um novo livro revela detalhes de sua vida pessoal

PAI COREUJA Stálin com sua filha, Svetlana, em 1936.  O líder da União Soviética a chamava de “Chefinha” e “Pardalzinho” (Foto: AP)
 
Em 1935, numa de suas raras visitas à mãe, o tirano soviético Joseph Stálin (1879-1953) se viu diante de um desafio inusitado: explicar qual era, exatamente, sua profissão. “Mamãe, lembra-se do nosso czar? Pois bem! De certa forma, sou o novo czar”, disse ele. Ela não ficou satisfeita: “Pondo tudo na balança, você teria feito melhor virando padre”.

Episódios como esse, narrados no livro A vida privada de Stálin (Zahar, 256 páginas, R$ 54,90), apresentam uma faceta pouco conhecida de um homem que a história eternizou como ditador sanguinário, responsável pela morte de milhões de pessoas nos 30 anos em que esteve no poder. Escrito pela pesquisadora francesa Lilly Marcou, especialista em história do comunismo, o livro reúne documentos pessoais de Stálin e seus descendentes para decifrar a intimidade do personagem.

O resultado é uma figura contraditória. Impiedoso e gélido com aqueles que julgava adversários, Stálin jamais deixou de desejar “mil anos de vida” a sua “mamãe”. Constantemente lamentava não ter tempo suficiente para ver seu “Pardalzinho”, a filha Svetlana Alliluyeva. “Ele era uma pessoa terrivelmente contraditória”, afirma Lilly.

As raízes dessa contradição estão, segundo ela, no contraste entre a infância humilde de Stálin e o poder que ele adquiriu ao longo da vida. Stálin nasceu no pequeno vilarejo de Gori, na Geórgia, num ambiente de extrema pobreza. Sua mãe era faxineira e ama de leite na casa de um aristocrata. Seu pai era um homem violento, que agredia mãe e filho. Bom aluno nos colégios locais, conseguiu entrar num seminário, mas não realizou o sonho materno de ter um filho padre.


Revoltava-se contra a disciplina imposta pelos padres e articulava motins com seus colegas. Tornou-se revolucionário na adolescência. Aos 26 anos, casou-se com Ekaterina Svanidze, uma mulher submissa e religiosa.
Amava-a tanto que aceitou casar-se numa igreja, contrariando a ideologia comunista. Teve com ela apenas um filho, Iakov, que morreu anos depois num campo de concentração nazista.
Após a morte da mulher, em 1907, casou-se novamente, com Nadejda Alliluyeva, 20 anos mais jovem que ele e filha de militantes bolcheviques. Com ela, teve dois filhos: Vassili e Svetlana, sua preferida.

TRAIÇÃO EM FAMÍLIA Svetlana Alliluyeva, filha de Stálin, no colo do ardiloso Lavrentiy Beria, em 1936. Beria é acusado de ter cometido “assassinato por omissão” no caso de Stálin (Foto: Ria Novosti/AFP)
 
Mesmo depois de se tornar a autoridade máxima do Partido Comunista, em 1924, Stálin manteve muitos de seus hábitos antigos. Era constantemente presenteado com valiosas obras de arte, mas passou anos vestindo o mesmo sobretudo que o protegeu do frio durante a Revolução Russa.
Viajava com frequência para a cidade de Sóchi, no litoral russo, para se recuperar de crises reumáticas. Lá, costumava colher frutas frescas para enviar a Svetlana.

>> Anton Nossik: “A vida é barata na Rússia”

Sua relação com a mãe era menos próxima. Os dois trocavam cartas afetuosas, mas Stálin raramente ia à Geórgia visitá-la.
Seus filhos já eram crescidos quando visitaram a avó pela primeira vez, em 1935. Passaram apenas uma tarde com ela. No resto da viagem, Stálin e sua família se hospedaram na casa dos familiares de Lavrentiy Beria, chefe do NKVD, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos.

Beria era um sádico faminto por poder que se tornou um dos auxiliares mais próximos de Stálin. Segundo Lilly, a forte influência de Beria sobre Stálin foi uma das causas para a onda de perseguições e execuções de oposicionistas ao regime soviético entre 1934 e 1939.
Lilly afirma que Beria usava sua influência sobre Stálin para eliminar quem dificultasse sua escalada rumo ao topo da burocracia soviética.

PEREGRINAÇÃO Centenas de russos reunidos para visitar o túmulo de Stálin em 2010. O genocídio cometido por seu governo não extinguiu o culto a sua imagem (Foto: Misha Japaridze/AP)
 
A atenção dada pela história ao temperamento de Stálin e à influência da vida pessoal em suas decisões diminuiu gradualmente a partir do governo de seu sucessor, Nikita Kruschov.
Ele foi o primeiro a acusar Stálin de genocídio. As revelações de Kruschov sobre Stálin foram parte de um esforço do Partido Comunista para anular o culto à personalidade do ditador.

Durante seu governo, Stálin foi um ídolo popular, cuja imagem paternal era construída pela máquina de propaganda do partido. Ela alimentava o fanatismo.
Na Segunda Guerra Mundial, quando Moscou estava ameaçada pelas tropas alemãs, Stálin circulou pelas ruas da cidade num carro conversível, e os jornais fizeram a imagem circular pelo país inteiro.

A euforia causada por sua presença no metrô de Moscou com a família, em 1932, provocou tumultos e morte. O fervor stalinista sobreviveu à revelação das barbáries praticadas em seu governo. Depois de 1953, seu jazigo no Kremlin tornou-se um ponto de peregrinação de comunistas. Em 2008, ele foi eleito pelos telespectadores da rede de televisão russa VID o terceiro maior russo de todos os tempos – apesar de ter nascido na Geórgia.

Stálin (Foto: Divulgação)
 
A vida pessoal atormentou Stálin em seus últimos anos. Os depoimentos a que Lilly teve acesso apresentam indícios de que ele nunca superou o suicídio de sua segunda mulher, em 1932.
Punia-se moralmente diante de seus cunhados por não ter percebido a tempo as crises de depressão e bipolaridade de Nadejda.
Nos jantares de família, Stálin oferecia brindes à memória dela. Também nunca perdoou seu cunhado, Pável Alliluyev, que presenteou a irmã em segredo com um revólver. A morte da mãe, em 1937, aumentou sua solidão. Stálin não foi ao enterro. Ortodoxa fervorosa, ela foi sepultada de acordo com os ritos comunistas.

Recebeu do filho apenas uma coroa de flores. O próprio Stálin, que vivia sempre rodeado por familiares, morreu cercado somente por serviçais. Ele pode ter sido traído por Beria. Na noite de 4 de março de 1953, seu apartamento no Kremlin, a sede do governo, estava silencioso demais.

Quando seus seguranças entraram no cômodo, encontraram-no quase desacordado sobre uma mesa. A paranoia que cercava Stálin era tamanha que apenas Beria poderia autorizar a entrada de médicos no prédio. Ele não o fez durante toda a madrugada. Quando Stálin foi levado ao hospital, aos 74 anos, era tarde para conter a hemorragia cerebral. Para Lilly, sua morte foi “assassinato por omissão”.

Outra historiadora, Nina Kruscheva, professora de relações internacionais do New School College de Nova York e bisneta de Nikita Kruschov, o sucessor de Stálin, discorda da tese de Lilly de que Stálin tenha sido uma figura ambígua.

“O fato de ter sido um ditador desqualifica as coisas boas que ele tenha feito”, disse ela a ÉPOCA. Sua própria família chegou à mesma conclusão. Em 1967, sua filha, Svetlana, o Pardalzinho, pediu asilo político aos Estados Unidos e denunciou os crimes cometidos pelo pai. Os mimos de Stálin a sua filha favorita não foram suficientes para comprar sua lealdade no longo prazo.

01 de março de 2013
FILLIPE MAURO

EM 2012, PIB CRESCEU TRÊS OU QUATRO VEZES MENOR DO QUE O PT MENTIU PARA O PAÍS


Dilma havia prometido 3,5% , mesmo sabendo que não iria conseguir. Agora especialistas afirmarm que o crescimento será entre 0,8% e 1,2%. Ou seja: três ou quatro vezes menos do que a mentira que o PT aplicou nos brasileiros.
Para analistas e economistas consultados pelo AE Projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter fechado 2012 com alta de 0,8% a 1,2%. Com base no intervalo das estimativas de 41 instituições, a mediana ficou em 0,9%, que, se for alcançada, será bem inferior aos 2,7% de 2011. O número será conhecido nesta sexta-feira, às 9 horas, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga as Contas Nacionais Trimestrais.
O crescimento projetado pelo mercado financeiro, se levada em conta a mediana da pesquisa, está muito perto do calculado pelo Banco Central (BC) recentemente, como mostrou o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. A falta de solução da crise global associada a problemas domésticos, como o mau desempenho da produção industrial e a queda nos investimentos, levou o BC a reduzir a expectativa de crescimento de 1,6% para 1% em 2012.
Os economistas ouvidos admitem que as políticas de incentivo surtiram algum efeito positivo sobre a atividade, ao permitirem, por exemplo, a desova dos estoques do setor automotivo no ano passado. As ações, disseram, também estimularam o consumo, tanto que os gastos das famílias brasileiras são citados como importantes condutores da expansão do PIB em 2012. Do lado da oferta, na contramão, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter mantido fraco desempenho em 2012.
Para a equipe econômica do Banco Fator, os baixos investimentos no período deverão ter deixado o PIB com uma alta de apenas 0,9% no ano passado, taxa que representa a mediana do levantamento.
A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, também destaca a FBCF como uma das responsáveis pela fraca expansão esperada, de apenas 0,9% do PIB em 2012. Segundo ela, apesar da estimativa de crescimento do consumo das famílias, de 2,8%, a taxa que mede os investimentos deve ter recuado 4,6% em 2012.
O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, está um pouco mais otimista, ao projetar alta de 1% no PIB de 2012. Para ele, as medidas de estímulo tiveram impacto positivo sobre a economia.
Na opinião de Souza Leal, se não fossem problemas pontuais que marcaram o primeiro semestre de 2012, o ritmo da economia seria outro, bem melhor. Dentre essas questões, o economista citou a quebra de safra de arroz e soja na América do Sul, que diminuiu o crescimento do PIB em 0,4 ponto porcentual no primeiro trimestre, o protecionismo argentino e o fato de a indústria ter começado 2012 muito estocada.
 
(Estadão)
 
01 de março de 2013
in coroneLeaks

PARTIDOS QUEREM DILMA, MAS NÃO QUEREM SABER DO PT EM 2014


PT briga com o PMDB no Rio. PSB briga com PT no Ceará e Pernambuco. Logo, logo, PT vai começar a brigar com o PSD em Santa Catarina. PT vai brigar com PMDB e PP no Rio Grande do Sul.
E este é o quadro em praticamente todos os estados para 2014. Não adianta Lula sair por aí fazendo seminários.
 
A unidade do PT só existe em torno da reeleição de Dilma, mas pode comprometer o seu tempo de TV.

Quem vai querer comprometer os seus preciosos segundos na campanha presidencial, se não vai poder utilizar esta vantagem nas eleições para governadores?
Nenhum partido vai queimar o seu filme para apoiar o PT nacional, que precisa aprender que não dá para querer tudo ao mesmo tempo.
 
Este é um tema que merece mais debate e mais análise. Como está a situação no seu estado? Use a área de comentários e mande o seu recado.
 
01 de março de 2013
in coroneLeaks

INDIGNAI-VOS!

ANTIGAMENTE OS CARTAZES NA RUA COM ROSTOS DE CRIMINOSOS OFERECIAM RECOMPENSA, HOJE EM DIA PEDEM VOTOS.

 

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Nos Estados Unidos, na Espanha, em Portugal, na França, na Grécia...
A morte de Stéphane Hessel esta semana deixou órfãos em todo o mundo.
Foi um livro quase panfleto escrito pelo intelectual francês, com o título Indignai-vos, o inspirador de movimentos que ocuparam as ruas nesses países para cobrar reformas que acabem com o abismo entre ricos e pobres e tornem o mundo menos desigual.
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Hessel nasceu em Berlim, em 1917, naturalizou-se francês em 1937, lutou contra a ocupação da França pelas tropas de Hitler, sobreviveu aos campos de concentração nazistas e foi um dos redatores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Durante a vida inteira, nunca perdeu a capacidade de se revoltar diante das injustiças sociais.
Lançou Indignai-vos quando tinha 93 anos.
Morreu na quarta-feira, aos 95.
Sua capacidade de indignação faz falta ao Brasil.
O país, que passou 500 anos dominado pela direita corrupta, viu o poder trocar de mãos e experimenta hoje um período de distribuição de renda impensável até pouco tempo atrás.
Mas as mudanças pararam por aí.
A corrupção, que desvia dos cofres públicos dinheiro que poderia melhorar a educação e a saúde, por exemplo, continua a envergonhar o país.
Quem ousa denunciar as falcatruas é classificado como golpista.

Ora, golpista é quem traiu a população, prometendo uma reforma ética na política e depois aliou-se ao que havia de mais podre no Congresso e caiu de boca nas práticas que antes condenava.
Na Grécia, esta semana, um tribunal condenou à prisão perpétua, pelo crime de peculato, o ex-presidente de Salônica, segundo maior município do país.
Ele foi julgado culpado pelo desvio de 17 milhões de euros do erário entre 1999 e 2010.

Agora, imagine uma coisa dessas no Brasil.
Nem pensar!
Aqui, corrupto nenhum, de direita ou de esquerda, jamais iria passar o resto da vida numa cadeia. Pelo contrário, mesmo condenados, eles continuam a debochar de nós, os eleitores, e atuar com a maior desfaçatez na cena política brasileira.

Plácido Fernandes Vieira Correio Braziliense
01 de março de 2013

"DE(S)CÊNIO"

           FGTS Vale e Petrobras desabam em fevereiro, mês de pouco ganho

 
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Fevereiro foi um mês magro para investidores.
O calendário de apenas 17 dias úteis reduziu o retorno de aplicações em juros e houve ainda fortes perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Os trabalhadores que destinaram parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ações da Petrobras e Vale tiveram as piores rentabilidades nas aplicações financeiras.

O FGTS Petrobras derreteu 17,17% no mês até o dia 25, segundo dados da Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O tombo foi resultado da nova política de distribuição de dividendos (lucro pago ao acionista) e do fraco resultado de 2012 da estatal.

Já o FGTS Vale recuou 10,95% no mês, com o menor preço do minério de ferro e preocupações sobre o marco regulatório da mineração.

- O mês foi ruim e sem boas opções para investidores. Nas aplicações de juros, os ganhos foram baixos - disse o administrador de investimentos Fabio Colombo.

Os fundos DI (pós-fixados) foram a melhor aplicação do mês, mas o retorno foi de apenas 0,41%. Os fundos de renda fixa (prefixados) ganharam minguados 0,27%.

Quem aplicou na caderneta de poupança depois de 4 de maio de 2012, ou seja, já com as novas regras, viu o dinheiro render 0,41%. Pelas regras antigas, o ganho foi de 0,50%, o piso de rendimento da caderneta.

Esse pouco de retorno foi ainda corroído pela inflação. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou uma alta de 0,29% no mês.

O aplicador que apostou na renda variável se decepcionou. Os fundos de ações que acompanham o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, perdeu 5,28% em fevereiro. No ano, o Ibovespa acumulou baixa de 5,79%, o terceiro pior resultado entre 94 índices de ações acompanhados pela Bloomberg News. Só perde para a Jamaica e a Eslováquia.

Segundo Hersz Ferman, gestor da Yield Capital, o fraco crescimento da economia brasileira explica uma fatia do mau resultado da Bolsa. Os investidores, principalmente os estrangeiros, são avessos às intervenções que o governo tem feito na economia, como na Petrobras e Vale, além dos setores elétrico e financeiro.

- O real mais valorizado também é ruim para o estrangeiro, já que deixa nosso mercado de ações mais caro para investir. A inflação alta também não ajuda a atrair os gringos - diz Ferman.

Os fundos cambiais (que investem em diferentes moedas, principalmente o dólar americano) perderam 0,57% no mês. Segundo analistas, o desejo do governo de ver a moeda num patamar mais baixo, para evitar uma alta maior da inflação, seria o principal motivo da perda dos fundos.

Já os fundos multimercados multiestratégias - que têm gestores profissionais e investem em diferentes ativos, como câmbio, juros e ações - acumularam, na média, perdas de 0,42% em fevereiro.
Bruno Villas Bôas O Globo
01 de março de 2013

O VALE TUDO QUE VEM POR AÍ

Na política econômica, o vale-tudo passou a ser o nome do jogo. O que esperar no atual biênio eleitoral?

Um ano antes do esperado, foi dada a largada da disputa pela sucessão presidencial. A mobilização prematura com a eleição de 2014 deverá aumentar em muito as dificuldades que já vêm marcando a condução da política econômica no País. Em vez de um ano de campanha presidencial a cada quatro, a política econômica vem tendo de lidar com um biênio eleitoral a cada dois.
 
No último governo, houve antecipação similar. Às voltas com a crise mundial e com o enorme desafio de eleger uma sucessora sem experiência eleitoral prévia, o presidente Lula decidiu começar cedo. Lançou sua candidata com muita antecedência. E atravessou 2009 já em frenético clima de campanha eleitoral.
 
Reeleger a presidente não parece um desafio tão grande como o de 2010. Mas, garantida, a reeleição ainda não está. O desempenho do governo vem deixando a desejar, a economia continua rateando e é bem provável que a base aliada chegue a 2014 seriamente desfalcada.
 
Tendo tudo isso em conta, Lula decidiu que o mais prudente seria deflagrar desde já a campanha da reeleição. A antecipação ajudaria a esvaziar os rumores de que o PT, preocupado com os riscos da reeleição, estaria considerando um Plano B para 2014. E, por outro lado, obrigaria as forças políticas mais propensas a abandonar o barco governista a decidir logo se vão ou se ficam, sem esperar para ver o que vai acontecer com a economia em 2013.
 
Na divisão de trabalho que se estabeleceu, o ex-presidente Lula se encarregará da complexa montagem da coalizão política que dará respaldo à reeleição. E a presidente ficará com as mãos livres para tentar melhorar o desempenho da economia e afastar de vez os temores que ainda mantêm vivo o espectro do Plano B.
 
Que efeitos terá a antecipação da disputa eleitoral sobre a condução da política econômica? É bom não ter ilusões. A política econômica está fadada a se tornar ainda menos sóbria, mais imediatista e mais improvisada do que já vem sendo há algum tempo. O principal desafio da presidente é mostrar ao PT e ao País uma expansão do PIB em 2013 que caracterize, de forma inequívoca, superação do regime de crescimento entravado dos últimos dois anos. E o Planalto parece disposto a apostar o que for necessário na consecução desse objetivo.
 
Isso significa que a economia deve atravessar 2013 sob as tensões de uma política de estímulo à demanda que deixará a inflação sob permanente pressão. No script eleitoral que passou a pautar a política econômica, é difícil ver como o Banco Central poderá receber luz verde do Planalto para atuar na contramão do estímulo à demanda, impondo novo ciclo de elevação da taxa de juros.
 
Tudo indica que a contenção de danos do lado da inflação será feita de forma bem mais primitiva. E que o governo não relutará em fazer uso cada vez mais intenso de intervenções diretas na formação de preços de mais peso no IPCA. Tanto nas medidas de estímulo à demanda agregada como na política de administração do índice de preços, o vale-tudo deverá ser o nome do jogo, como bem ilustram dois exemplos concretos.
 
Cético sobre sua capacidade de desentravar a tempo o investimento público na esfera federal, o governo está empenhado em relaxar de todas as formas as restrições orçamentárias de Estados e municípios, para que possam ampliar em grande medida seus dispêndios, sem maiores preocupações com a preservação de regras que vinham assegurando a sustentabilidade fiscal dos governos subnacionais.
 
Tendo em vista a precariedade da oferta de energia elétrica, as usinas térmicas deverão ser mantidas em operação por muitos meses. Em condições normais, isso deveria implicar repasse do aumento de custo de geração de energia aos consumidores. Para evitar que isso ocorra, o governo quer que o Tesouro arque com os custos das térmicas ou, pelo menos, financie as distribuidoras para que o repasse do aumento de custo aos consumidores seja suavemente diluído no tempo.
 
São duas iniciativas emblemáticas que dão bem ideia do que vem por aí.
01 de março de 2013
Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio. O Globo

A IMORALIDADE PERSISTE

 
Novidade propriamente dita não é, mas há que registrar que os parlamentares tornaram a passar a perna no povo. A rasteira consiste em fazer crer que, atendendo aos justos reclamos da sociedade, cortaram na carne para erradicar o obsceno pagamento dos dois salários anuais extras - o 14.º e o 15.º - que em tempos idos outros políticos se autoconcederam e legaram às gerações futuras de deputados e senadores. A história verdadeira é outra.
Ainda em 1938, os congressistas instituíram uma ajuda de custo quadrienal para cobrir os gastos de mudança dos mandatários para a capital federal (o Rio de Janeiro à época) e dela para os seus Estados de origem, se o eleitor dispensasse os seus serviços ao término da legislatura. A paga seria perfeitamente aceitável se se limitasse aos parlamentares de primeira viagem que viessem a ter o infortúnio de refazer as malas ao cabo de quatro anos. Mas, já então, se tratava de uma esbórnia: o benefício se estendia, nas duas pontas, aos políticos que se reelegessem, não importando quantas vezes.
O que eles fizeram, depois, foi anualizar a imoralidade, multiplicando-a assim por quatro, sob a forma de dois salários extras a cada exercício. (Os senadores, cujo mandato é de oito anos, recebiam 16 pagamentos.) E o que os seus sucessores acabam de fazer - fingindo ir ao encontro das cobranças da opinião pública por um mínimo de decoro também na apropriação dos recursos do contribuinte - foi restabelecer a prática original. Preservados, vai sem dizer, os privilégios daqueles que não precisam voltar aos seus pagos por terem sido despejados de suas cadeiras, mas para "ouvir as bases" - ou melhor, cuidar da reeleição.
Para isso, aliás, os deputados recebem a afamada verba indenizatória de até R$ 34.258,50. A bolada se destina a ressarci-los das despesas com passagens aéreas, contas de telefone e correspondência e, cúmulo da exorbitância, com os seus escritórios políticos. Os seus funcionários, quando transferidos dos gabinetes no Legislativo, são pagos com dinheiro público. O político tem até R$ 78 mil mensais para remunerar, entre outros, os funcionários que pode contratar para o seu gabinete. Acrescentem-se R$ 3,8 mil mensais a título de auxílio-moradia - como se o Congresso não dispusesse de apartamentos funcionais para alojar a ampla maioria de deputados e senadores. E por aí vai.
Nessa macedônia de gastança e espertezas contábeis de todos os tamanhos, há o que evidentemente configura o equivalente ao proverbial assalto ao trem pagador. É inconcebível que parlamentares reeleitos recebam - a cada quatro anos, como era e voltará a ser, que diria anualmente - adjutórios para se instalar em Brasília ou dali regressar, quando instalados já estão e assim permanecem. É inaceitável a superlotação de seus gabinetes, bancada pelos impostos da população, de arregalar os olhos dos ocupantes dos principais Parlamentos do mundo democrático, o Congresso dos Estados Unidos e a Câmara dos Comuns da Grã-Bretanha.
As suas mordomias são café pequeno perto das que se outorgam os seus colegas brasileiros. Com a fundamental diferença de que aqueles correm o risco real de perder os mandatos quando desandam. Em outros países cujos legisladores se sentiriam em casa se exercessem o ofício em Brasília, a indignação da sociedade chega a transbordar. Foi o que se viu nas recentes eleições italianas. Um em cada quatro eleitores votou no Movimento Cinco Estrelas, criado praticamente às vésperas do pleito pelo comediante Beppe Grillo, com uma radical plataforma antipolítica. Por ele, além de outras mudanças, o Estado simplesmente deixaria de financiar a atividade partidária.
A demonização dos políticos e o desprezo pela instituição básica da democracia - o Parlamento - decerto constituem um perigoso equívoco. A denúncia dos abusos cometidos pelos mandatários eleitos para servir ao povo e não para se servir do seu dinheiro é um imperativo permanente, mas não substitui o debate sem ideias preconcebidas do quanto a população brasileira deve desembolsar para que a representem no corpo do Estado. Descartada a indecência das cifras atuais, não pode ser pouco a ponto de restringir a política aos abonados.
01 de março de 2013
Editorial O Estado de SãoPaulo

"UMA ESTRATÉGIA FORA DO TEMPO"

É difícil até de acreditar que estejam ocorrendo simultaneamente fatos tão esdrúxulos na área energética brasileira como os que têm sido estampados diariamente pela comunicação. Mas que refletem como estamos perdidos em nossa estratégia - ou falta dela - nesse setor vital. E como estamos perdendo um tempo e recursos que nos custarão muito caro.

Em meio às notícias sobre apagões e disputas de concessionárias com a área federal de energia, ficamos sabendo (Folha de S.Paulo,14/2) que o governo "prepara uma mudança" em que, "para não ficar tão dependente das hidrelétricas" e de eventuais baixas no seu sistema de reservatórios de água, vai pôr as usinas térmicas para funcionar ao lado das hidráulicas, "em um sistema híbrido ou hidrotérmico".


E isso poderá ser feito até com uso de carvão mineral ou de novos projetos de usinas nucleares.
Como? - perguntará o cidadão. Usinas a carvão não constituem o formato que mais poluentes emite, nesta hora de tanto temor com aquecimento da atmosfera e mudanças climáticas? Não são de energia muito mais cara até que a de turbinas eólicas, das quais temos muitas dezenas já implantadas e sem funcionar - porque o governo não constrói as linhas de transmissão?


Não há térmicas a óleo diesel com custo de geração até dez vezes mais alto que o das as eólicas? Usinas nucleares não estão sendo desativadas na Alemanha, no Japão e em outros países, por causa da insegurança e da falta de destino para o lixo nuclear produzido em seus reatores?

Não é só. Informa-se também que agora, mais de duas décadas depois da construção da usina de Tucuruí, se decidiu construir (a que custo?) a linha de transmissão que afinal levará sua energia do Pará para o Amapá e o Amazonas - depois de esses Estados passarem décadas consumindo energia gerada pelo caro e poluente óleo diesel, para podermos destinar grande parte (a cada hora se fornece um número) da energia de Tucuruí a empresas de outros países produtoras de alumínio e ferro gusa.


Parte delas foi fechada em sua origem e veio para cá exatamente para se beneficiar dos preços subsidiados da energia de Tucuruí.

Agora não se sabe quanto custará a linha de transmissão rumo ao norte, que terá de partir de um ponto 300 quilômetros ao sul de Belém e cruzar grandes distâncias, depois de ultrapassar o Rio Amazonas (por cima? Por baixo? A que preço?).

Enquanto isso, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) que, tal como já ocorreu em 2012, o atraso na construção de linhas de transmissão de energia impedirá que novos parques eólicos comecem a operar este ano (Folha de S.Paulo, 4/1) - e isso custará R$ 600 milhões mais aos consumidores.


Porque as usinas eólicas construídas e que não podem operar recebem da mesma forma do governo, além de o consumidor pagar mais caro pela energia de termoelétricas.

E isso quando as eólicas passaram a dominar os leilões de energia do governo federal em 2012 (10 de 12 projetos). Porque o preço médio da energia que fornecerão ficará em R$ 87,94 por megawatt/hora (MWh), mais barato até que o de hidrelétricas.

Trocar energia eólica por termoelétrica não condiz com as insistentes advertências que nos chegam de toda parte. Ainda há pouco um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse no Fórum Econômico de Davos (mercadoetico, 12/2) que "as próximas gerações serão assadas, tostadas, fritas e grelhadas" se não formos competentes para lidar com as questões do clima.


E o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Jim Yong Kim, acrescenta que "o aquecimento põe em risco o desenvolvimento de outros setores, inclusive o econômico".

Mas nós seguimos agravando nosso déficit na balança comercial importando mais insumos energéticos, como petróleo, gasolina, diesel, querosene de aviação, até etanol. Enquanto isso, o presidente Barack Obama - apesar das contradições internas dos Estados Unidos nesse tema - coloca a questão do clima como um dos tópicos centrais de sua mensagem de início de mandato:


"Os seres humano estão influenciando mudanças no clima de forma sem precedentes; em 50 anos a temperatura terrestre subirá 2 graus Celsius; as chuvas, 5%; o nível do mar, 8 polegadas; e as populações mais vulneráveis serão as pobres e indígenas".

Chegou a dar um ultimato ao Congresso: ou ele aprova um plano para reduzir as emissões, "ou a Casa Branca irá sozinha". Segundo o presidente, "podemos acreditar que a supertempestade Sandy, a mais severa seca em uma década, os piores incêndios florestais são apenas coincidência. Ou acreditar no esmagador julgamento da ciência - e agir antes que seja tarde" (Reuters).

É evidente que há e haverá contradições, com os Estados Unidos, enquanto isso, voltados para gigantescos projetos na área de combustíveis fósseis, especialmente os da extração em rochas de xisto e no Ártico. Mas não anulam as advertências.

No Brasil, "o governo está desmantelando o sistema elétrico", diz Roberto D'Araujo, do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina) - citado por Mário Osava em Inter Press Service (IPS), 8/2. Enquanto isso, os preços da energia dobraram desde 1995 e os subsídios aos combustíveis em geral chegaram a US$ 2 bilhões mensais.


Nesse quadro, a Petrobrás, já às voltas com os graves problemas mencionados há pouco por sua presidente, não consegue discutir com a sociedade como será a polêmica exploração da camada pré-sal (que tem isso que ver com a retórica oficial do governo de reduzir as emissões e aceitar compromissos na área do clima?).

Que tecnologias pretende utilizar? A que custos financeiros? E com que riscos ambientais, para os quais tem sido alertada? Quanto custaria o petróleo, sabidamente de alto teor de enxofre e problemática emissão? Quem o compraria, nessas condições?

E assim vamos, com grande parte do mundo (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Japão, até a Arábia Saudita) caminhando a largos passos para as energias eólica e solar, enquanto por aqui ficamos enredados na confusão, nos apagões, em mais custos, etc.

01 de março de 2013
Washington Novaes, O Estado de São Paulo

DILMA ROUSSEFF AFAGA OS NOVOS LÍDERES DO PMDB NO CONGRESSO E MINA PSB

 
Os petistas escolheram a capital cearense para a segunda rodada de seminários do partido, onde falaram sobre políticas de bem-estar social, direitos humanos e inclusão social


No dia mais agudo da disputa pelas candidaturas governistas à Presidência em 2014, o PT promoveu um seminário em Fortaleza para exaltar as realizações da legenda na área social, a presidente Dilma Rousseff recebeu em Brasília os novos líderes do PMDB no Congresso, e o governador Eduardo Campos prosseguiu com as reuniões em Recife para avaliar as declarações do ex-deputado Ciro Gomes (CE). A bolsa de especulações explodiu a dois dias da convenção nacional do PMDB, marcada para sábado, em Brasília.

Os petistas escolheram a capital cearense para a segunda rodada de seminários do partido — o tema de ontem foram as políticas de bem-estar social, direitos humanos e inclusão social — justamente para fincar uma bandeira na área de influência do PSB de Eduardo Campos.

E contaram com a ajuda dos irmãos Ciro e Cid Gomes (governador do Ceará), que reafirmaram o apoio à reeleição de Dilma no ano que vem.

Ciro disse, no domingo, que Eduardo “não tem estrada ou visão de país” para ser candidato a presidente. Cid, por sua vez, disse ontem à plateia petista em Fortaleza que, “ao longo dos 16 anos em que exerci cargos executivos, estive ao lado do PT e o PT esteve ao meu lado”.
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Lula e o PT insuflam o discurso dos Gomes para tentar adiar ao máximo a decisão de Eduardo Campos de candidatar-se ao Planalto. Dilma recebeu Cid, na terça-feira. Lula visitará obras do governador em Redenção, no interior cearense, ao lado do governador.

Na segunda-feira à noite, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), jantou com Campos. Na ocasião, reforçou a importância de o PSB permanecer na base aliada para reeleger Dilma.
 
01 de março de 2013
Paulo de Tarso Lyra, Karla Correia e Guillermo Antonioli - Correio Braziliense

PRODUÇÃO DA PETROBRAS EM JANEIRO CAIU 6,9% DE 2012 PARA 2013

                      Produção da Petrobras continua a cair


Começou bem o ano para a Petrobras….
 
A produção de petróleo da Petrobras em janeiro caiu 6,9% em comparação a janeiro de 2012, de acordo com fontes oficiais.
Em relação ao mês anterior, dezembro, o desempenho também foi frágil: queda de 3,3%. É um percentual de queda maior do que o esperado pelo mercado.
Em 24 de abril de 2006, fanfarrão, Lula dizia em alto em bom som que a autossuficiência do Brasil havia, enfim, chegado. Fala Lula:
- A autossuficiência significa que somos donos do nosso nariz. A Petrobras conseguiu o seu intento que o povo brasileiro buscou durante cinqeenta anos: ser autossuficiente.

01 de março de 2013
Lauro Jardim - Veja

MEGALOMANIA INSPIRA MAIS UMA MANCHETE ANTOLÓGICA DO DIÁRIO DO COMÉRCIO

 

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O Diário do Comércio voltou a mostrar aos concorrentes, nesta quinta-feira, como se faz uma primeira página.
AGORA, LULINCOLN DA SILVA, resume a manchete principal, ilustrada pela fotomontagem que coroa a cabeça do palanque ambulante com uma superlativa cartola Ÿ, marca registrada do estadista que aboliu a escravidão e impediu o esfacelamento dos Estados Unidos. Subtítulo:
 
A boa notícia é que Lula está ‘lendo muito’ (convidados da festa de 30 anos da CUT gargalharam, ao ouvi-lo’). A ruim é que ele agora encarna o presidente Abraham Lincoln.
 
O diário dirigido pelo jornalista Moisés Rabinovici complementa a aula com a segunda manchete: Veja o PT censurando o cartaz do Mensalão.
 
Na foto ao lado, dois funcionários do partido carregam para os porões do Congresso um painel, instalado pela oposição, que lembra a grande roubalheira descoberta em 2005. Compreensivelmente, o ano foi excluído da exposição em que o PT festeja as proezas que jura ter protagonizado desde o nascimento em 1980.
As duas notícias ficaram fora das primeiras páginas do Estadão, da Folha e do Globo. Os três maiores jornais do país confinaram em espaços mofinos Ÿ e, pior ainda, trataram como se fossem coisa séria Ÿ duas brasileirices singularíssimas.
 
Mesmo no País do Carnaval, não é todo dia que um surto de megalomania faz um chefe de seita enxergar Abraham Lincoln quando se olha no espelho. Nem pode ser reduzido a irrelevância rotineira o roubo de um painel que denuncia o sumiço de um ano inteiro.
São fatos que merecem manchete. E merecem o tratamento sarcástico que ilumina a primeira página do Diário do Comércio. Os vigaristas que debocham do Brasil decente reagem a acusações gravíssimas e denúncias de grosso calibre como se fossem confrontados com a previsão do tempo. Só se sentem atingidos no fígado quando o calibre da bala é engrossado pela ironia impiedosa.
Editores de jornais vivem se queixando da falta de leitores. Como demonstra o confronto das primeiras páginas desta quinta-feira, o que falta é argúcia, independência intelectual, coragem e talento.
 
01 de março de 2013
Augusto Nunes - Veja Online

"A VINGANÇA DO GRILO FALANTE"

 
Grillo não é um Tiririca, é inteligente e informado, anárquico e desbocado. O ideólogo é o pensador Casaleggio. Nada será como antes no país de Dante 

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No clássico infantil de Carlo Collodi, o Grilo Falante é a consciência de Pinóquio, que o adverte, aconselha e incomoda, mas o boneco mentiroso não o ouve e prefere a companhia de raposas felpudas e gatos gatunos. Infantil? Parece mais uma profecia metafórica da tsunami que devastou os políticos e partidos mentirosos e gatunos nas eleições italianas, quando o Movimento Cinco Estrelas, fundado pelo comediante Beppe Grillo, conquistou 25% dos votos e fez 109 deputados e 54 senadores.

Grillo recusou o financiamento público legal, não foi a nenhum debate na televisão, não deu entrevistas e fez toda a campanha pelas redes sociais, percorrendo o país num trailer emprestado e lotando as praças em grandes manifestações contra os políticos e partidos. Não aceitou doações de empresas, só individuais, e fez a campanha mais barata da história. O M5E se diz um não partido e não tem sede física nem assembleias, é tudo na nuvem digital. As decisões e candidaturas são votadas on-line pelos militantes sem qualquer hierarquia.

Os homens e mulheres eleitos pelo Cinco Estrelas são de todas as classes sociais e regiões, têm idade média de 37 anos e nenhuma experiencia política. No Parlamento, querem o tratamento de “cidadão” e não de “honorável”, porque os políticos mentirosos e gatunos o desmoralizaram. Não exigem cargos nem participação em ministérios e estatais, mas ficha limpa e concursos públicos.

Não se sabe o que os “grilos” farão no Parlamento, mas com certeza não vão se aliar a nenhuma coalizão partidária, no máximo votarão as propostas caso a caso, como independentes. Grillo não é um Tiririca, é inteligente e informado, anárquico e desbocado, como um mix de Bussunda e Rafinha Bastos. O cofundador e ideólogo do movimento é o pensador Gianroberto Casaleggio, um dos maiores estrategistas da internet na Itália.

O irônico é que os grandes partidos de centro-esquerda e de centro-direita, com medo das ruas, encerraram suas campanhas em teatros, o palco dos comediantes, enquanto o cômico levava multidões ao delírio nas praças, território dos políticos. Nada será como antes no país de Dante.

01 de março de 2013
Nelson Motta, O Globo

NA PROPAGANDA DO PMDB, RENAN SE DEFENDE E CHALITA NÃO APARECE



Presidente do Senado foi alvo de petição que mobiliou 1,6 mi de pessoas na internet pedindo sua renúncia

SÃO PAULO - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou a propaganda partidária do PMDB, veiculada nesta quinta-feira, 28, no rádio e na TV, para defender a liberdade de expressão nas redes sociais e para afirmar que "nada é maior" do que a vontade dele de acertar. Desde que assumiu o cargo, uma campanha pede para que ele renuncie.

Uma petição na internet já reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas com esse fim. O peemedebista tem um currículo marcado por denúncias de irregularidades, que o levaram, inclusive, a deixar a presidência da Casa em 2007.

Veja também:
"É com a convicção de que ninguém pode ser proibido de dizer o que pensa nem de expressar seus sentimentos que eu chego à presidência do Senado.
Democracia é respeitar as divergências, é conviver com as diferenças. Para os erros da democracia, mais democracia. Para as redes sociais, mais liberdade", afirmou. E, em seguida, emendou:

"A contribuição do PMDB para o momento democrático que vivemos hoje é enorme, assim como é enorme a minha vontade de acertar. Neste momento posso afirmar nada é maior do que ela".

Ausência.
Além de Renan, outros 15 peemedebistas estrelaram os dez minutos de propaganda a que o partido tem direito semestralmente. Apesar de tantas presenças, houve pelo menos uma ausência importante: a do deputado Gabriel Chalita, que no ano passado foi o candidato da sigla à Prefeitura de São Paulo.

Esta semana, Chalita foi acusado de receber propina quando era secretário estadual da Educação. Por conta das denúncias, o deputado teria sido descartado pelo Planalto de assumir uma pasta na possível reforma ministerial preparada pela presidente Dilma Rousseff.

O vice-presidente da República foi escalado para encerrar a propaganda. Em sua fala, ele pediu unidade ao partido, que enfrenta diversas brigas internas.
"À medida que as conquistas são alcançadas, aumenta nossa responsabilidade e, por isso, aumenta também a necessidade de estarmos cada vez mais unidos e fortes para darmos continuidade ao nosso projeto", afirmou.

01 de março de 2013
Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

BANCADA EVANGÉLICA DA CÂMARA DEVE PRESIDIR COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

Pastor Marcos Feliciano, virtual novo presidente do colegiado, escreveu em 2011 que amor entre pessoas do mesmo sexo levaria ao ódio e ao crime

 
SÃO PAULO - A lista do Partido Social Cristão (PSC) para chefiar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara é encabeçada pelo deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP).

Veja também:
Feliciano avalia que a Comissão se tornou um espaço de defesa de 'privilégios' de gays - Divulgação
Divulgação
 
Feliciano avalia que a Comissão se tornou um espaço de defesa de 'privilégios' de gays
 
Em 2011, Feliciano foi protagonista de uma polêmica ao escrever, em sua página no Twitter, que o amor entre pessoas do mesmo sexo leva “ao ódio, ao crime e à rejeição”. Escreveu ainda que descendentes de africanos são “amaldiçoados”.
 
Um acordo de lideranças fechado na quarta-feira, 27, estabeleceu que a presidência da comissão ficará com o PSC. O PT, que tradicionalmente comanda esse colegiado, abriu mão da vaga em favor da sigla cristã, que faz parte da base de apoio do governo Dilma Rousseff. Feliciano afirmou no início da tarde desta quarta-feira, 28, que seu nome seria o escolhido. Após publicação de reportagem no estadão.com.br, o líder do PSC na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), afirmou que há quatro nomes na disputa pela presidência da comissão.

‘Papai do Céu’. Entre os projetos de lei apresentados por Feliciano, há um que institui o programa “Papai do Céu na Escola” na rede pública de ensino e outro que pretende sustar a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu como entidade familiar a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele propôs ainda um projeto de lei para punir quem sacrifica animais em rituais religiosos, prática adotada em algumas cerimônias do candomblé.

Feliciano afirma que a comissão hoje se tornou um espaço de defesa de “privilégios” de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais e defende “maior equilíbrio”. Ele diz ter feito um cálculo: 90% do tempo da última gestão da comissão foi dedicado a assuntos relacionados à comunidade LGBT, deixando “em segundo plano” outras minorias como índios, quilombolas e “crianças”.

O pastor afirma que sua religião “o gabarita” para fazer um bom trabalho à frente do órgão. “Se tem alguém que entende o que é direito das minorias e que já sofreu na pele o preconceito e a perseguição é o PSC, o cristianismo foi a religião que mais sofreu até hoje na Terra”, disse.

Reação. A possibilidade de Feliciano assumir a presidência da comissão causou revolta entre parlamentares. O deputado Jean Wyllys (PSOL-SP) afirmou ser “assustador” que o pastor assuma o órgão. “Ele é confessadamente homofóbico e fez declarações racistas sobre os africanos”, disse.
Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), ex-vice-presidente da comissão, a escolha do pastor marcaria uma fase “obscura” do colegiado. Segundo a parlamentar, a conduta de Feliciano atenta contra “os princípios básicos dos direitos humanos”.

Responsabilidade. Wyllys ataca o PT e afirma que o partido é corresponsável pela entrega da comissão ao PSC. “A gente já sabia dessa articulação dos evangélicos para tomar a comissão de direitos humanos. E o PT abriu mão deliberadamente, mesmo sabendo. É um problema grave que deve ser jogado nas costas do PT”, disse. Kokay discorda que seu partido assuma o possível ônus da nomeação de Feliciano. “Tem que se responsabilizar quem o colocou lá (na Câmara)”, afirmou ela.

01 de março de 2013
Bruno Lupion e Ricardo Chapola, de O Estado de S. Paulo