"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 19 de março de 2013

AS ESPERANÇAS QUE VÊM COM O PAPA

 

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O papa Francisco mandou uma mensagem inequívoca para dentro e para fora da Igreja no encontro com jornalistas no Vaticano, sábado passado:

O papel da imprensa cresceu muito nos últimos tempos, tornando-se indispensável. Vocês têm o compromisso de divulgar a verdade e isso nos torna muito próximos pois a Igreja quer comunicar exatamente isso, a verdade, a bondade e a beleza”.

A descrição aplica-se tanto ao papel desempenhado pela imprensa na denuncia dos casos de pedofilia envolvendo padres e bispos quanto, principalmente, na resistência aos autocratas sul-americanos que, num ambiente de crescente desinstitucionalização, vêm anulando os poderes moderadores do Judiciário e do Legislativo, seja pelo constrangimento direto, como na sua Argentina natal, seja pelo indireto com o recurso à corrupção sistemática, como no Brasil do PT.

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A imprensa “tornou-se indispensável” como último refúgio da oposição à onda de violência antidemocrática que, com poucas exceções, assola o continente sul-americano.
É bom saber que não estamos sozinhos nessa luta…

Vai, Francisco, e reconstrói a minha Igreja que está em ruinas”, foi o que teria ouvido em Assis, do Cristo na cruz, o santo de quem o novo papa tirou o seu nome.

Da Igreja para dentro é gigantesco o desafio que o novo papa enfrentará, assim como a reconciliação dela com um rebanho em dispersão. Para enfrentar esse duplo desafio dosar os limites da ação, para um lado e para o outro, será essencial.

Curiosamente, do muito que se escreveu sobre o novo papa nos jornais brasileiros deste fim-de-semana, o que mais chamou minha atenção saiu da pena de um judeu, Lee Siegel, em artigo para O Estado de S. Paulo (aqui).

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Ele fazia duas advertências.
Invocando suas memórias de infância alertava, como filho de uma religião que se expressa em termos preferencialmente racionais, para o perigo de se tornar excessivo o esforço do novo pontífice para desmistificar o papado, lembrando os efeitos indesejados do primeiro grande salto da Igreja nessa direção quando determinou que as missas deixassem de ser rezadas em latim e passassem a ser ditas nas línguas nacionais de cada rebanho.

Eu tinha inveja de meus amigos católicos. Os ritmos belos e encantatórios do idioma arcaico, o cheiro de incenso, os cantos. O vinho e as velas e hóstias – tudo tornava presente e real o mundo invisível, espiritual, que eu tão ardentemente esperava que existisse como uma alternativa melhor que aquele em que eu habitava mundanamente”.

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A razão ordena e a tudo torna inteligível. E ao faze-lo reduz o espaço para a imaginação, a diferença e a individualidade. Apaga a dimensão do sonho que é o espaço onde a religião nada de braçada.

Quem não pensou ainda, ao se deparar com a aridez de um mundo cada vez mais sem mistérios, no sentido da advertência bíblica sobre o gatilho da expulsão dos homens do Paraíso: “Não comerás da árvore do conhecimento”?

A outra advertência de Siegel, de sentido mais prático, trata em termos precisos do primeiro problema concreto com que o papa Francisco terá de se deparar.

Sem o celibato e as patologias que ele amiude origina, sem as barreiras institucionais erigidas para mulheres, sem a tolerância aos abusos de poder coexistindo com a misericórdia para os impotentes, a mensagem de amor e esperança do catolicismo – única na história humana – seria revigorada e disseminada livremente”.

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Nada como um olhar estrangeiro!
Como explicar a enorme expectativa de toda a comunidade humana com relação à eleição do novo chefe de uma igreja (crescentemente) minoritária, traduzida pelo gigantesco aparato de midia que se instalou na Praça de São Pedro nas últimas semanas, senão pelo reconhecimento universal de que “a mensagem de amor e esperança do catolicismo” é a base do que Mario Vargas Llosa descreveu, em artigo recente, como a ilustre e revolucionária cultura clássica e renascentista que (…) impregnou o mundo com ideias, formas e costumes que acabaram com a escravidão e tornaram possíveis as noções de igualdade, solidariedade, direitos humanos, liberdade e democracia ou, em outras palavras, a mensagem que está na base do que de melhor a humanidade produziu em todos os tempos?

Ao trocar o acessório (o celibato) pelo principal, a Igreja vem ha séculos derrapando na besteirada em torno do sexo e deixando em segundo plano a sedutora beleza universal da sua mensagem essencial.

papa9Que seja o papa Francisco a resgatá-la desse desvio.

19 de março de 2013
vespeiro

PIRATARIA



19 de março de 201'3

MAIS UMA TRAGÉDIA NA REGIÃO SERRANA DO RIO. ATÉ QUANDO ISSO CONTINUARÁ A ACONTECER?

 

Chuvas causaram destruição em Petropolis; o bairro Alto da Independência foi um dos mais castigados Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Bombeiros do Grupamento de Busca e Salvamento resgataram mais um corpo, no início da noite desta segunda-feira, na localidade Boca do Mato, no bairro Espírito Santo, em Petrópolis. A vítima, que é uma criança, do sexo feminino, ainda não identificada.

Segundo a prefeitura, subiu para 16 o número de mortos na tragédia provocada pelo temporal que atinge o município desde a noite de domingo. Duas das vítimas estavam internadas em hospitais e não resistiram.

Nesta noite, voltou a chover forte na região, e os bombeiros suspenderam as buscas, que serão retomadas na manhã de terça-feira.
As sirenes na região foram acionadas para alertar a população sobre os riscos de novos deslizamentos, mas muitos moradores ainda insistem em permanecer em suas casas, em áreas de risco.

Em meio ao cenário de destruição, na Boca do Mato, moradores se uniram nesta tarde para ajudar vizinhos a salvar móveis e eletrodomésticos. Agnaldo Soares, de 41 anos, passou a noite em claro, depois de ter sido obrigado a deixar a casa de dois andares.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe o governo Cabral usasse o dinheiro dos royalties para assistir os mais desamparados, ao invés de construir estádios para sediar Copa do Mundo e Olimpíada, muitas vidas certamente seriam poupadas. (C.N.)

19 de março de 2013
(O Globo)

ACREDITE SE QUISER: ALÉM DO PLANO B DE DILMA SER O PDT, PODE HAVER UM PLANO C, PARA FORMAR UMA DUPLA COM EDUARDO CAMPOS, DO PSB

 

A sucessão está cada vez mais interessante. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) fez questão de revelar aos jornalistas que conversou com a presidente Dilma Rousseff há cerca de 15 dias sobre o destino dele e do PSB em 2014.


“Vai desistir ou não?”

“Eu falei com a presidente Dilma e acho que é o suficiente falar com ela sobre o que o PSB acha sobre o futuro. Estou falando com quem deve liderar o processo”, enfatizou o governador.

Campos disse também que conversou com Dilma sobre as preocupações dele para 2013 e sobre os problemas causados pelas disputas eleitorais em 2012 entre PT e PSB. Ele ressaltou que seu partido, do qual é presidente, não decidiu sobre uma candidatura em 2014.

“Ela sabe que não é a hora de o PSB decidir, porque o PSB vai decidir no seu tempo, e, se fosse decidir hoje, ela sabe o que daria”, afirmou o governador, acrescentando que continuará mantendo uma relação de respeito com Dilma e que a sucessão presidencial só será discutida em 2014.

O CANDIDATO DO PT
Como se sabe, Dilma quer ser reeleita, mas acontece que Lula também quer voltar ao poder. Embora Lula diga que defende a reeleição dela, ninguém acredita e ele já está agindo como candidato. Os dois são do PT e no partido só cabe um candidato, cujo nome é Lula.

Dilma não acredita no apoio de Lula. lembra o que o então presidente fez com Ciro Gomes, incentivando-o a trocar o domicílio eleitoral para São Paulo, para ser candidato da coligação PT-PSB a governador em 2006, para depois ser candidato a presidente pelo PT-PSB em 2010

Ciro caiu na lábia de Lula, que fechou negócio com Eduardo Campos e impediu aas duas coisas: que Ciro fosse candidato a governador de São Paulo em 2006 e a presidente em 2010, uma jogada verdadeiramente de grande habilidade política.

Agora, Lula cozinha Dilma no mesmo banho-maria de Ciro. Diz que apoia a reeleição dela, mas na hora H pode imitar dom Pedro e dizer: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação…”

TROCAR DE PARTIDO

Assim, se quiser ser reeleita, Dilma terá de trocar de partido e tem até setembro deste ano para fazê-lo. O caminho mais aconselhável é entrar para uma nova legenda, o que é facílimo. Pode até escolher. Há várias opções, a melhor delas é o PEN (Partido Ecológico Nacional), cujo número é 51, uma boa idéia.

Mas Dilma pode também entrar num outro partido, já existente, bastando alegar junto à Justiça Eleitoral que o PT está traindo seu programa, o que é a coisa mais fácil de comprovar. Desde que assumiu o poder, em 2003, o PT não tem feito outra coisa, aliando-se a banqueiros, empreiteiros, multinacionais e à escória da política brasileira – Sarney, Renan, Barbalho, Henrique Alves e até Maluf.

PLANO B

Conforme já analisamos aqui no Blog da Tribuna da Imprensa, o Plano B de Dilma seria o PDT, cujo caminho está sendo aberto pelo ex-marido Carlos Araújo, que já pediu filiação no Rio Grande do Sul, e a ficha dele vai ser abonada por Carlos Lupi, o ex-ministro do Trabalho, depois de acordo celebrado pela própria Dilma, que para tanto teve de demitir o ministro Brizola Neto. Isso é um fato, que não pode ser contestado.

Notem que, nessas mudanças ministeriais de sexta-feira, pela primeira vez Dilma não consultou Lula. Ao contrário, fez tudo sozinha. Enfim ela parece ter descolado dele e já está até fazendo acordos com partidos para a sucessão de 2014, independentemente do que Lula acha ou não, mostrando que sua candidatura à reeleição é para valer. Isso é outro fato, também incontestável.

Lula não passa recibo, finge que não está percebendo nada, porque sabe que em 2014, na hora da verdade, quem decidirá tudo será ele. Se Lula quiser sair candidato à Presidência, será aclamado pelo PT. Enquanto Dilma…

PLANO C

Agora, diante das últimas declarações de Eduardo Campos, que vive a criticar o governo, mas faz questão de preservar Dilma, pode surgir também um Plano C, com a possibilidade de Dilma sair candidata pelo PSB, com Eduardo Campos como vice, ele já de olho em 2018.

Aliás, foi o governador pernambucano que recentemente anunciou a candidatura de Dilma à reeleição, depois de uma longa reunião com ela, lembram? Depois, votou a se encontrar com a presidente, para conversar sobre sucessão.

Alguém acredita em coincidência? Essa especulação parece delírio? Então, respondam: afinal, por Dilma e Campos conversam tanto sobre sucessão, se aparentemente seriam adversários?
Essa guerra de bastidores está ficando realmente eletrizante. A possibilidade de ver a criatura Dilma enfrentando o criador Lula seria mesmo sensacional. Faltam apenas cinco meses e meio para Dilma trocar de partido ou esquecer a reeleição. Acredite se quiser.
19 de março de 2013
Carlos Newton
 

PMDB DESCOLA DO PT E ALÇA VOO SOLO PARA AS ELEIÇÕES ESTADUAIS DE 2014

 

As direções de PMDB e PSB em diferentes Estados alçam voos solo em 2014, e o enfrentamento com o PT vai ser inevitável.
Apesar de a aliança nacional também influenciar a montagem do tabuleiro de candidaturas, os partidos já está lançando seus candidatos a governador.


Pezão e Pezinho…
Em Minas Gerais, o PMDB já articula o nome do senador Clésio Andrade como sendo o mais adequado para enfrentar o candidato do governador Antonio Anastasia (PSDB), que não poderá tentar a reeleição.
O PT, por sua vez, admite que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, é o preferido para o embate.

No Rio de Janeiro, onde o atual governador Sérgio Cabral (PMDB) não poderá tentar a reeleição, as conversas em torno de seu sucessor já estão em pauta. Apesar de o comando nacional do partido ter firmado aliança em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff, a sigla já está lançando o vice-governador Luiz Fernando Pezão na corrida e ainda cobra o apoio petista. O PT, por sua vez, sinalizou como provável candidato o senador Lindbergh Farias (PT).

No caso de São Paulo, o objetivo é minar o governo do tucano Geraldo Alckmin, que deve buscar mais quatro anos de mandato. Enquanto lideranças do PMDB reafirmam que a sigla terá candidato próprio ao governo do Estado, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já veio a público informar que sua legenda também deseja lançar um concorrente próprio.

No Piauí, o PMDB iniciou as articulações para lançar o vice-governador, Zé Filho, para o governo do Estado. Ele deve enfrentar um novo nome do PSB, ainda indefinido, além de um petista.
No Ceará, o PMDB deve lançar o senador Eunício Oliveira. Já o atual prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PSB), pode ser o sucessor do governador Cid Gomes, que não pode tentar outra eleição.

PSB TEM 12 CANDIDATOS

O PSB pretende montar pelo menos 12 candidaturas próprias aos governos dos Estados em 2014 para fortalecer o nome do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos.

A busca por palanques regionais é um dos principais desafios da sigla – que teve nove candidaturas em 2010 – para reduzir a vantagem da presidente Dilma e do senador Aécio Neves (PSDB).
Os socialistas já têm alternativas consideradas fortes em seis Estados: Amapá, Piauí, Paraíba, Espírito Santo, Ceará e Pernambuco.

Já nos três maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – ainda não há nomes considerados viáveis, mas o partido está buscando alternativas.

19 de março de 2013
Isabella Lacerda (O Tempo)

SINDICALISMO EM XEQUE E UMA JUSTIÇA MÍOPE

 

O sindicalismo brasileiro está em xeque, a maior Central Sindical do país, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que reúne 2,2 sindicatos dos 14 mil existentes, em todo território nacional, com um total de 2,5 milhões de associados, num universo de 47 milhões de trabalhadores com carteira assinada, quer substituir o imposto sindical referente a um dia de trabalho por ano, pela “taxa negocial”.


Vai encontrar resistência porque as demais centrais são contrárias à substituição do modelo atual. O interesse em manter o atual status tem motivo: é que no ano de 2012 a arrecadação do imposto superou R$ 2 bilhões, desses: 60% destinado aos sindicatos, 20% para federações, 10% confederações e outros 10% ficam com as centrais sindicais.

De fato a CUT aposta na sua estreita relação com o poder em Brasília para ver acalentado um sonho da agremiação, mas para isso é preciso que a presidente Dilma Rousseff dê a palavra final. Neste episódio, um senão, em meio à turbulência eleitoral presidencial de 2014, Dilma terá que avaliar se a proposta, (que ao que tudo indica), em pouco altera o sistema, já que manterá a obrigatoriedade do imposto na forma de taxa, pode ou não atrapalhar a sua reeleição.

ACIRRANDO ÂNIMOS

A proposta em si, não é traumática, mas está acirrando os ânimos entre as centrais sindicais do país, que reunidas representam 80% a mais dos quadros da CUT, e força por força, este indicador coloca os oposicionistas na vantagem pelo veto à mudança. Na versão da CUT, o governo vai manter o imposto sindical por um período, para depois transforma-lo em taxa negocial, mas que pesará ainda mais para o trabalhador, que passara a ter um desconto extra no seu salário.

Dilma não “lavou as mãos na questão”, pelo contrário, solicitou aos técnicos do governo, então, duas soluções: criar um dispositivo legal que obrigue os sindicatos a aplicar o dinheiro que será obtido com a taxa negocial apenas com saúde e educação. E por outro, quer que o dinheiro fique exclusivamente com os sindicatos, evitando que ele seja repatriado, entre federações, confederações e centrais.

Há pouco o governo estabeleceu novas regras rígidas para o registro sindical, dificultando a proliferação de “sindicatos de fachada”, criados apenas para abocanhar parte do dinheiro arrecadado com a cobrança do imposto sindical. Mas isso não sinaliza que o imposto sindical tenha o destino social preconizado em seu estatuto, já que a maioria dos sindicatos não dispõe de estrutura para atender as necessidades dos trabalhadores.

19 de março de 2013
Roberto Monteiro Pinho

BANCADA DO PSC EXAMINA HOJE SAÍDA DE FELICIANO DA PRESIDÊNCIA DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

 

Integrantes da bancada do PSC vão se reunir hoje para discutir o impacto da indicação de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A reunião foi convocada pelo líder da bancada, André Moura (SE). Feliciano não deve participar.


Chorando no vídeo

Por meio de nota, Moura lamentou as reações contra o pastor. “Existem repercussões em todo o país que não devem ser desconsideradas pelo partido”, disse. “Temos confiança que o Feliciano desempenhará o cargo com eficiência e respeito a todas as correntes de opinião. Contudo, a Câmara e o PSC precisam estar em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira”.

Já o vice-presidente nacional do partido, Everaldo Pereira, por meio de assessoria,disse que a sigla manterá Feliciano no cargo.

Aproveitando o clima de protesto que ronda a escolha do pastor para o posto, parlamentares envolvidos com os direitos humanos lançam amanhã a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. Os deputados Domingos Dutra (PT-MA) e Nilmário Miranda (PT-MG), dois dos idealizadores da frente, são ex-presidentes do colegiado.

VÍDEO É DISTRIBUÍDO

Marco Feliciano divulgou, ontem, em sua conta no Twitter um vídeo com críticas aos que se opõem à sua eleição na comissão.

O vídeo, de quase nove minutos, foi publicado no YouTube na conta da produtora Wap TV Comunicação, que tem, entre seus donos, Wellington Oliveira. Além de produzir os programas de Feliciano, Oliveira é funcionário do gabinete do deputado em Brasília. A produtora, entretanto, fica no Rio. Ele nega qualquer vínculo da sua produtora com o vídeo.

O material que, entre outras, traz uma cena de Feliciano chorando, diz que o deputado está “cansado, sobrecarregado, caluniado” e que “sua última alternativa” é renunciar. “O deputado pastor Marco Feliciano decidiu renunciar sua privacidade (sic), noites de paz e sono tranquilo, momentos preciosos com a própria família” para não “renunciar à Comissão de Direitos Humanos para que a sua família seja preservada”, diz o vídeo.

19 de março de 2013
(do jornal O Tempo)

CHÁVEZ E O REDESENHO DO MUNDO

 

A impressionante reação mundial à morte do presidente Hugo Chávez da Venezuela, sobretudo no hemisfério ocidental, pôs em forte destaque o mundo “multipolar” pelo qual Chávez lutou. 55 países fizeram-se representar por chefes de Estado em seu funeral (todos os países latino-americanos). 14 países latino-americanos decretaram luto oficial – entre os quais o governo direitista do Chile.


Na contramão da comoção planetária, e da homenagem solene prestada por respeitados chefes de Estado latino-americanos, a Casa Branca limitou-se a uma declaração grosseira e fria e – para horror de muitos latino-americanos – sequer ofereceu condolências.

O que se vê é que presidente mais demonizado – apesar de democraticamente eleito e reeleito – da história do mundo tinha muitos amigos e admiradores – e não só “estados inimigos” como Irã ou Síria, imediatamente e incansavelmente mencionados no ‘jornalismo’ e nos ‘noticiários’ nos EUA.
A ‘mídia’ nos explica agora que a simpatia se dirigiria ao petróleo venezuelano. Mas nenhum rei da Arábia Saudita jamais foi amado e homenageado como Chávez, vivo ou morto.

Em Chávez, nada era simulacro ou demagogia. Sempre dizia o que pensava – o que nem sempre é adequado, num chefe de Estado. Mas a maioria dos venezuelanos amava aquela franqueza, porque dava a Chávez uma densidade, uma realidade que poucos políticos têm: era, portanto, alguém em quem se podia confiar.

REAÇÃO A URIBE

A atitude não mudava em relação a outros governos. Embora tenha tido grandes brigas públicas com alguns governos, praticamente nunca criticou outro chefe de Estado, a menos que tivesse sido atacado antes. Manteve boas relações até com o governo direitista de Alvaro Uribe da Colômbia, durante vários anos; até que Uribe virou-se contra ele, o que Chávez interpretou (provavelmente com razão) como Uribe agindo sob ordens dos EUA.

Quando Manuel Santos, que fora ministro da Defesa de Uribe, tornou-se presidente da Colômbia, em agosto de 2010 e decidiu restabelecer boas relações com Chávez, encontrou a porta aberta. As relações foram imediatamente recompostas. Chávez era amigável com qualquer um que não o agredisse.

Mas havia mais que traços de personalidade e a busca de alianças – das quais Chávez precisava, se quisesse sobreviver, depois que o governo Bush declarou publicamente, em 2002, que tinha intenções de derrubá-lo (embora essa informação tenha passado praticamente sem qualquer notícia na imprensa-empresa dos EUA, há provas documentais consistentes do envolvimento de Washington no golpe militar de 2002 contra Chávez. Chávez tinha visão solidária do mundo. Ele e seu governo construíram inúmeras políticas que não se orientavam pelo princípio de que “nações não têm amigos: nações têm interesses”.

A IMPRENSA-EMPRESA

Por outro lado, a história de Chávez também mostra o enorme poder da imprensa-empresa, a chamada ‘mídia’, no serviço de modelar a opinião pública. Muitos governos conhecem bastante bem as realizações do governo Chávez, mas, porque a imprensa-empresa norte-americana e, por via de repetição, a imprensa-empresa latino-americana só veiculavam, quase exclusivamente, ‘informação’ negativa sobre a Venezuela, durante 14 anos – sempre ‘informação’ exageradamente negativa e não raras vezes, ‘informação’ falsa –, a maior parte da população no hemisfério ocidental jamais conheceu sequer os fatos básicos sobre a Venezuela ou sobre o governo de Chávez.

Poucos sabem que, depois que Chávez alcançou o controle sobre a indústria do petróleo, a economia da Venezuela passou a crescer muito bem; a pobreza foi reduzida à metade e a pobreza extrema, em mais de 70%. Poucos sabem que a maior parte desses ganhos veio do crescimento do emprego no setor privado, não de “esmolas do governo”. Poucos sabem que milhões de venezuelanos ganharam acesso a serviços públicos de saúde pela primeira vez; e que melhoraram todos os indicadores de educação (o número de matriculados no ensino superior duplicou); e que o número de aposentados saltou, de 500 mil, para mais de dois milhões.

De fato, a imprensa-empresa ocidental praticamente pintou a Venezuela como total fracasso econômico e político. E bem poucos sabem que nada há que assemelhe a Venezuela a algum tipo de “estado autoritário”. De fato, a imprensa-empresa venezuelana ainda faz, até hoje, campanha contra o governo.

É um tipo de ‘jornalismo’ que ensina a não saber o que Chávez fez pelo hemisfério – não só os bilhões de dólares que distribuiu como ajuda, pelo programa Petrocaribe e outros, mas também – como Lula da Silva explicou – o papel que desempenhou na promoção da unidade continental e da segunda independência da América Latina.

Essa independência é muito mais que questão de orgulho nacional ou regional; é mais, até, que uma das mais radicais mudanças geopolíticas, até aqui, do século 21. É mudança que teve consequências imensas para os latino-americanos, onde a pobreza já caiu, de 42% no início da décadas, para 27%, em 2009. Difícil imaginar esse tipo de avanço econômico e social, no tempo em que a região vivia sob tutelagem do FMI/Washington; de fato, na região, como um todo, entre 1980 e 2000, o crescimento do PIB per capita foi praticamente zero.

SÓ MENTIRAS

A maioria das pessoas em todo o hemisfério ocidental receberam uma visão à moda “Tea Party”, da Venezuela, com a imprensa-empresa liberal e de direita, praticamente idêntica, sem noticiar praticamente nenhum fato, só mentiras, sobre a Venezuela e seu governo.

Por tudo isso, trava-se hoje uma nova batalha pela definição do legado de Chávez – e muitos já lutam para preservar os ‘ganhos’ que conseguiram na campanha para demonizar Chávez. Para esses, a onda de simpatia e de respeito por Chávez e por seu governo que se vê crescer em todo o mundo é problema real.

Fato é que, durante os 14 anos de governo Chávez, os EUA perderam a maior parte da influência que sempre tiveram na América Latina, especialmente na América do Sul. Pode-se pois dizer com razoável certeza, que, na batalha contra Washington, Chávez venceu. E, com ele, a região e o planeta venceram. Por isso, será para sempre honrado, respeitado e lembrado – como foi, dia 8/3/2013, por praticamente todo o mundo.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

19 de março de 2013
Mark Weisbrot (Center for Economic and Policy Research, em Washington)

ESCOLA, EDUCAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE VALORES TRADICIONAIS

 


Um assunto recorrente nos dias de hoje é a tal “crise na escola”. O que muitos não se dão conta, é que esta crise decorre não do esgotamento natural de um sistema, mas da destruição paulatina daquilo que entendemos por educação. E essa destruição ocorre de forma dissimulada.



O fato é que está em andamento um processo complexo, que preconiza o desmantelamento da educação tal como a conhecemos. Trata-se de uma série de ações em que as demandas por um “novo tempo” rechaçam o engrandecer do espírito de reflexão do individuo, tendo como foco o jovem em formação.


Tudo em nome de adequações culturais (o que é extremamente questionável do ponto de vista antropológico) e conceitos igualitários louváveis em sua essência, mas discutíveis quanto à forma pela qual se propõe a aplicá-los.

Esse processo embute o solapamento da consciência do individuo em favor de uma espécie de pensamento único, com bandeiras bem claras. Este pensamento único reivindica-se dono de uma verdade absoluta.

Neste contexto, qualquer intento de permitir ao jovem em formação compreender seu papel no mundo, estimulá-lo a disciplinar seu pensamento, a valorizar a importância de sua autoconsciência, tudo é considerado um atraso, um atentado à liberdade da criança e do adolescente em escolher, por si mesmo, o que julga importante para a sua vida.

Considerando-se essa situação, não é de surpreender o comportamento autodestrutivo crescente do jovem de hoje. Afinal, que valor ele deveria dar a vida, se jamais lhe foi proposto refletir sobre ela, sopesando as consequências de seus atos sobre a sua existência e à dos demais que lhe estão próximos? E, mais importante: que percepção ele terá sobre o que estão fazendo com a vida dele, uma vez que jamais foi encorajado a desenvolver seu senso critico?

“LIBERDADE”

Em tempo, o uso que se faz da palavra liberdade lhe revelam novos sentidos, por demais elásticos e, assim, convenientes em qualquer situação, na qual outros termos, menos dignos, porém mais apropriados, caberiam melhor.

Reparem a forma como nossos jovens são tratados e retratados na mídia. O espantoso reside no fato de que uma amostra de meia dúzia de indivíduos, alienados de seu histórico familiar, guiados por um roteiro prévio onde todos sabem que opiniões devem ser as mais adequadas (elementar pressão de grupo) é tomada, em regra, como representante dos anseios de todo um universo. A partir daí, isto se torna mais uma arma para aqueles que defendem a derrubada de qualquer outro modo de pensar que não se coadune com os “novos tempos”, tão caros a determinados segmentos, mas deliberadamente tornados obtusos quanto ao que realmente significam.

Não que o jovem não deva ter voz. Contudo, não há por que ter receio em afirmar que não estão preparados para atuar sobre tudo. Por duas razões: em primeiro lugar, sempre foram alvo daqueles que os tinham (e os têm) como massa de manobra para fins nem sempre dignos; em segundo, há de se considerar a experiência de vida, que sempre tem muito a nos dizer. Se os mais experientes aprendem a cada dia, reavaliam suas crenças e opiniões, por que acreditar que jovens imaturos devem ser os fieis da balança de nossos dias?

O jovem rebelde é tudo, menos um super-homem. Sua rebeldia nada mais é do que um sinal de sua fragilidade, do tatear de quem começa a lidar com o mundo. E é justamente esta característica que o torna presa fácil dos vampiros de números, que precisam de multidões que deem a aparência de legitimação aos seus interesses. A multidão fascina…

O objetivo maior, hoje, é a derrubada, sem critério algum, de toda e qualquer forma de tradição (atualmente palavra maldita) em favor de novas maneiras de pensar e agir, em nome dos anseios de uma “nova era”. O que é uma contradição, em si. Pois se algo se tornou tradicional é porque resistiu às mudanças temporais, consolidou-se a despeito da fluidez dos costumes.

Uma tradição pode ser questionada. Mas questionar é muito diferente de extirpar e classificar como peças de museu vivas aqueles que se arriscam a defender a relevância de certos valores, sobretudo numa sociedade carente de um norte, perdida e atônita, que olha para a frente e não tem a menor ideia do que está por vir.

Uma vez abandonados num caminho escuro, os jovens devem se lançar nele sem qualquer apoio, ou amparando-se naqueles para quem as trevas são simples estorvo, pois conhecedores do caminho?

19 de março de 2013
Ricardo Dantas Faria

AS REFORMAS IMPRESCINDÍVEIS QUE O BRASIL JAMAIS FARÁ

O fim do regime presidencialista-pluripartidário. A derrubada do sistema político, com 29 partidos que vivem do dinheiro alheio. Sem nenhuma representatividade. E acabar o horário eleitoral gratuito.

Numa sucessão burra e interessadamente antecipada, só se fala em renovação, de homens e de idéias. Mas não acontece, nem acontecerá coisa alguma, é impossível governar com essa República, que já nasceu arcaica e anacrônica.


Depois da Revolução Industrial da Inglaterra de 1780 (que multiplicou a produção por três), surgiram as Repúblicas do Ocidente. Muitos esquecem que o aumento da produção exigiu novos consumidores, e estes estavam “dentro de casa”, eram os escravos.

A Europa inteira os libertou, a escravidão continuou apenas nos EUA, Cuba e Brasil.

Os três países levaram praticamente 100 anos para libertar esses escravos, mas na prática levou muito mais tempo. Mesmo o regime que perdura até hoje, vai avançando lentamente, quando se trata da realidade.

O NASCIMENTO DAS REPÚBLICAS

As mais importantes foram as dos EUA e da França, quase na mesma época, 1786 e 1789. A dos EUA, marcada pela determinação dos “pais fundadores”, a da França, dominada pelas palavras mágicas, “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, nem sempre presentes, mas empolgantes e emocionantes. Sem falar no hino que era estadual (a Marselhesa) e se tornou nacional e universal.

A do Brasil levou 100 anos (1889) para se concretizar, mas nasceu toda errada, sem rumo e sem orientação. Um ano antes “acabava” a escravidão, depois da tão louvada e tresloucada “Lei do Ventre Livre”. Na verdade, “prorrogação” dada aos senhores de engenho, que perdiam parte mínima do seu poder de enriquecer explorando homens e mulheres.

A República no Brasil ficou velha em 41 anos (até 1930), mas nesse tempo só andou para trás, entronizou o retrocesso.

A REPÚBLICA QUE NÃO ERA A DOS NOSSOS SONHOS E CONTINUA NÃO SENDO

Em 1860, Saldanha Marinho lançou o jornal diário “A República”, que surgiria 29 anos depois. Mas devorando seus filhos mais ilustres, e dando todo Poder a dois marechais que como coronéis vieram rompidos e hostilizados da estranha Guerra do Paraguai.

A grande inflação brasileira surgiria com as doações, privilégios e favorecimentos aos “heróis” dessa “guerra”. Assumindo o ministério da Fazenda em 1889, Rui Barbosa foi “atingido” duramente por essa avalanche de novos ricos sem trabalhar e pelo Poder incontestável dos dois marechais, Deodoro e Floriano.

A República surgiu militar, militarista e militarizada, responsável por tudo o que aconteceu até 1930. E com outras formas e nomes, implantou e se aproveitou de duas ditaduras. Uma de 15 anos, outra de 21.

O PRESIDENCIALISMO-PLURIPARTIDÁRIO MALUCO DE 1934, QUE DURA ATÉ HOJE

1930 foi uma revolução sem aspas. Os bravos tenentes que surgiram em 1922 dando a impressão de que eram revolucionários de verdade, chegaram ao Poder em 1930. E cumpriram o que acontecia e acontecera em outros países, e criado a definição: “Não há ninguém mais conservador do que um revolucionário no Poder”.

Dividiram o país entre eles, cada um se apossou de um Estado, recriaram as “Capitanias Hereditárias”, enriqueceram e se eternizaram no Poder. Ficaram dominando de 1930 a 1945, e ainda tiveram fôlego para mandar numa parte de 1964.

De golpe em golpe chegaram a generais, brigadeiros, almirantes, morreram em odor de santidade, embora tivessem servido apenas a eles mesmos, e sacrificado o país.

Em 1934 surgiu o pluripartidarismo, que juntado ou agregado ao presidencialismo, produziu essa tragédia, que resiste “bravamente” até hoje. E como eu disse no título, não vai acabar jamais. Por que não acabará? Porque tem que ser iniciativa e conclusão do Congresso, que não cortará seus próprios privilégios. Poderão aumentar, sem constrangimento. Reduzir? De maneira alguma.

AS REFORMAS IMPRESCINDÍVEIS, QUE SÓ FORAM AUMENTANDO COM O TEMPO

1 – Tem que acabar imediatamente o pluripartidarismo sem representatividade. O pluripartidarismo não é positivo, mas também não é rigorosamente negativo.

2 – O que não pode existir: partido sem representação, que não elege ninguém. Podem se manter, mas sem a volumosa ajuda do Fundo (anual) Partidário.

3 – Dizimar imediatamente essa multiplicidade de siglas sem deputados ou senadores. São 29 partidos, alguns sem deputados ou senadores. Pelo menos 10 não elegem ninguém. E outros 10 têm uma representatividade tão pequena, que se não se “ajeitassem” ou se “arrumassem” com o governo, não valeriam nada. Assim, ficariam só 9.

4 – Jorge Gerdau, que é bom empresário dele mesmo, é péssimo analista. Por isso, disse que “39 ministérios é burrice”.

5 – Uma das mais urgentes decisões: acabar com o horário eleitoral dito gratuito, mas que é pago generosamente. Hoje, os acordos e coalizões são feitos com base no tempo desse horário.

6 – Isso funciona o ano todo. Periodicamente aparecem no rádio e na televisão, siglas e personagens inteiramente desconhecidos. São “candidatos” profissionais sem voto, saem da eleição mais ricos do que entraram.

7 – Disse ali em cima que ficariam 9 partidos. Muitos não representam nada, mas recebem muito. Exemplo: o PCdoB. Tem 10 ou 12 deputados e um senador, cujo mandato termina em 2014 (Ceará) e não se reelege.

8 – Tem o ministério mais importante (o dos Esportes) há 12 anos, e garantido por mais 3, até a Olimpíada.

9 – Não adianta falar em acabar com o voto proporcional, isso é importante, mas sozinho não adianta nada.

10 – Não perdi tempo chamando atenção para fatos fundamentais. Ao contrário, sem mudar esses itens, tudo ficará igual. E não adianta o “socialista” de Pernambuco falar em renovação.

19 de março de 2013
Helio Fernandes

GOVERNO ATRASA CONSTRUÇÃO DE CASAS E EXPÕE MORADORES DA REGIÃO SERRANA A NOVAS TRAGÉDIAS

Casas prometidas por Dilma Rousseff e Sérgio Cabral não saem do papel e valor gasto com aluguel social passa de 86 milhões de reais, sem evitar mortes

 
Depois da forte chuva de domingo (17), ruas e casas ficaram alagadas em Duque de Caxias no bairro Santa Cruz da Serra, no Rio de Janeiro
 
 
Depois da forte chuva de domingo (17), ruas e casas ficaram alagadas em Duque de Caxias no bairro Santa Cruz da Serra, no Rio de Janeiro - Cléber Júnior/Extra//Agência O Globo
Antes mesmo de recolher corpos, os gestores públicos têm, na ponta da língua, uma explicação para as tragédias na Região Serrana do Rio: chove muito, mais que o esperado.

O “esperado” para este mês em Petrópolis, segundo a Defesa Civil do Estado do Rio, era de 270 milímetros de chuva. Em algumas áreas, como no bairro Quitandinha, entre o domingo e a segunda-feira foi registrado acúmulo de 390 milímetros.

Na tarde de segunda, quando o número de mortos já se aproximava de duas dezenas, o governador Sérgio Cabral anunciou a liberação de 3 milhões de reais para remediar os danos da tragédia. Para as vítimas das chuvas deste mês - e para os que sobreviveram à tragédia de 2011 - o discurso soou como a velha cantilena de outros verões.

Quando a chuva varreu as cidades de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis na madrugada de 12 de janeiro de 2011, soterrando mais de 1.000 pessoas em questão de algumas horas, as promessas também vieram com rapidez.

Em Teresópolis, seria construído o bairro Parque Ermitage, com a instalação de 1.655 unidades habitacionais e quarenta unidades comerciais, além de um parque público.
Em Petrópolis, o bairro Mosela seria brindado com 112 novos apartamentos e quatro unidades de comércio. Nova Friburgo, onde a chuva foi mais impiedosa, ganharia 4.309 casas, oitenta unidades comerciais e um espaço para a instalação de quarenta unidades industriais.

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A situação, passados dois anos, é a seguinte: em Teresópolis, 3.580 famílias recebem o aluguel social, a maioria por causa do temporal de janeiro de 2011 e parte devido às chuvas de abril de 2012.
O município é responsável pelo pagamento de 780 famílias, e o governo do estado desembolsa 500 reais para cada uma das 2.800 famílias que recebem o aluguel social. Em Petrópolis, 876 famílias recebem o aluguel social, segundo a secretaria estadual de Assistência Social. Em Nova Friburgo, 2.700 famílias recebem o benefício.

Essa gente toda espera, há dois anos, pulando de casa em casa. Alguns resolveram a seu modo: voltaram para áreas interditadas exatamente pelo risco de deslizamento ou alagamento.

Segundo o relatório publicado pela Comissão de Acompanhamento da Recuperação da Região Serrana do Rio de Janeiro, elaborado pela Assembleia Legislativa do estado e publicado em dezembro de 2012, por mês são gastos 3,6 milhões de reais com o pagamento do aluguel social a 7.479 famílias – as 7.236 das três cidades e outras espalhadas pelo estado. Desde a catástrofe de 12 de janeiro, o montante ultrapassou a casa dos 86,4 milhões de reais. Com esse dinheiro seria possível construir mais de 1.515 casas populares. Até agora, nenhuma saiu do papel.

“O programa de reconstrução como um todo está bem aquém do desejado”, resume o deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB), presidente da CPI que investigou as causas da tragédia de 2011. “A única ação concreta foi a instalação das sirenes de alerta.
A grande dificuldade ainda é encontrar terrenos para a construção das casas”, reconhece.

A presidente Dilma Rousseff afirmou, da Itália, que uma parte do problema é a insistência de algumas famílias para permanecer em locais perigosos. “Nós temos um sistema de prevenção, o problema é que muitas vezes as pessoas não querem sair”, analisou.
“E é uma situação muito difícil, porque choveu quase o tanto que chove um ano em certas regiões do Brasil”, disse a presidente, insistindo na corrente que torna as chuvas de verão uma “novidade” para o poder público.

Em Teresópolis, o quadro atual é desanimador em relação às 1.655 unidades habitacionais que seriam construídas pela parceria entre governos estadual e federal. Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Social de Teresópolis, Maria das Graças dos Santos, depois de dois anos, a obra ainda vai começar. “O prazo para quando começarem a construir é de pelo menos um ano”, explica. Ou seja: não há perspectiva de melhora para o verão de 2014.

Segundo a Secretaria de Obras do estado do Rio de Janeiro, órgão responsável pelas ações na Região Serrana, o grande obstáculo é encontrar terrenos apropriados para a construção das casas. Embora em abril de 2011, três meses depois da tragédia, Vicente de Paula Loureiro, subsecretário de Urbanismo Regional e Metropolitano da secretaria estadual de Obras, tenha dito que essas áreas já estavam definidas, tudo indica que a situação real era um pouco diferente. Em 2011, Loureiro estava mais otimista.

“Os locais que avaliamos têm capacidade para receber cerca de 7.000 unidades”, observou em 2011. “Temos recursos para fazer 6.000, através do Governo Federal, e mais 1.000, referentes a doações das empresas. Estamos ainda averiguando áreas para conseguir avançar mais, pois a demanda pode ser maior, já que ainda precisaremos tirar algumas famílias de áreas de risco”.

Quase dois anos depois de garantir que todos os desabrigados da Região Serrana estariam “morando em suas novas residências até o fim de 2012”, Loureiro trabalha com uma nova data: o segundo trimestre de 2013 – isso para a entrega das primeiras unidades. Em vez da construção de 7.235 imóveis, como divulgado anteriormente, agora são prometidas apenas 4.702 residências.
Encontrar o terreno é só a primeira fase da resolução do problema. “Após a escolha dos terrenos, é necessário aguardar o trâmite burocrático e os impasses jurídicos para a desapropriação dos terrenos disponíveis”, avisa a secretaria.
Só depois é possível realizar os procedimentos para “a escolha das empresas que construirão as unidades habitacionais”.

Burocracia – Para Antônio Fagundes, subsecretário de Assistência e Desenvolvimento Social e Trabalho de Nova Friburgo, “a boa vontade esbarra na burocracia”.
Em 2011, no comando de um dos sessenta abrigos de Nova Friburgo, ele enfrentava representantes dos ministérios públicos, de entidades ligadas aos Direitos Humanos e de instituições responsáveis por menores infratores para garantir o mínimo de conforto aos desabrigados.
“Hoje, temos que vencer a burocracia da Caixa Econômica, dos governos estadual e federal e dos órgãos ambientais”, diz.

Em junho de 2011, Dilma Rousseff assinou um chamamento público para a construção de 6.874 empreendimentos na região (6.641 unidades habitacionais, 188 unidades comerciais e 45 industriais), além de contratos para a recuperação e reconstrução de pontes e contenção de encostas das áreas afetadas. A presidente anunciou também a revitalização de toda a rede de transporte, drenagem, abastecimento de água, esgoto, pavimentos, coleta de lixo e energia.

Enquanto no Japão a rodovia que liga Ibaraki a Tóquio, destruída no tsunami de 2011, demorou seis dias para ser reconstruída, as pontes da região serrana continuam implorando por socorro há 798 dias. Das quase 100 pontes que sofreram algum tipo de dano, apenas onze tiveram as obras de recuperação concluídas.

“Em 30 dias foram restabelecidos a maioria dos acessos, devolvendo à população o direito de ir e vir”, explica a Secretaria de Obras. “Foram construídos caminhos alternativos e pontes provisórias, retomando o transporte público e o escoamento da produção agrícola”. Como não é raro no Brasil, o provisório corre sério risco de tornar-se definitivo.

Para tentar justificar tamanha demora, a secretaria informa que “a grande magnitude da tragédia alterou o curso e a vazão dos rios, impossibilitando a utilização de estudos existentes, o que não permitiu que as obras contratadas pudessem ser realizadas em 180 dias, que é o prazo das contratações emergenciais”. Além das onze pontes concluídas, o governo promete reconstruir outras 52. Desse total, nove estão em fase de conclusão. O resto permanece no estágio de “elaboração de projetos”.
 
Investimentos – Segundo a Secretaria de Obras, serão investidos mais de 2,2 bilhões de reais na Região Serrana do Rio, sendo 1,6 bilhão de reais de recursos federais e 600 milhões de reais de recursos estaduais – dinheiro que será aplicado em “ações emergenciais para a retomada da normalidade das cidades, pagamento de aluguel social, obras de contenção de encostas, dragagem de rios, reconstrução de pontes, construção de moradias, entre outros”.

Embora as promessas sejam bem mais contidas agora, o montante é três vezes o que foi anunciado nos meses que se sucederam à tragédia. Em junho de 2011, Dilma Rousseff anunciou um investimento de 699,12 milhões de reais, sendo 351,24 milhões de reais do Orçamento Geral da União, 277,87 milhões de reais do estado do Rio e 40 milhões de reais da iniciativa privada.

19 de março de 2013
Branca Nunes, Cecília Ritto e Pâmela Oliveira

A FALTA DE OPOSIÇÃO NO BRASIL, EM QUALQUER ESFERA, MATA MUITO MAIS DO QUE AS CHUVAS

 

Mais do que as chuvas, o que mata no Brasil é a falta de oposição. Explico. Em qualquer esfera de gestão, podem reparar, o país praticamente só tem situação. Essa história de não ser nem de “direita nem de esquerda nem de centro” (by Gilberto Kassab), de “não ser nem oposição nem situação, mas ter posição” (by Marina), de “não fazer oposição rancorosa, mas programática” (by qualquer tucano, com raras exceções), isso tudo é um desastre para os desassistidos, para os pobres.
 
Os políticos são permanentemente cooptados, e não se tem nem mesmo a voz de alerta. Quase todos apoiam o prefeito, quase todos apoiam o governador, quase todos apoiam o presidente… E ninguém chama as coisas pelo nome para não perder a boquinha.
 
Até quando escrevo, já são 16 mortos em Petrópolis, com um número não-sabido de desaparecidos.
Ainda me lembro de Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia na tragédia passada, a anunciar radares e programas miraculosos. Sérgio Cabral não fala muito nessas horas porque ele costuma dar sumiço.
Ontem, os parlamentares do Rio estavam excitadíssimos é com a liminar sobre o royalties do petróleo (ver post) e não tinham muito tempo para os mortos.
Cuidavam do mundo dos muito vivos.
 
A região serrana do Rio está entregue às cobras. Ao desastre das chuvas, segue-se o desastre administrativo nas três esferas de gestão: municipal, estadual e federal. E não há ninguém para botar a boca no trombone. A culpada passou a ser mesmo a natureza.
Dilma falou sobre a nova tragédia lá da Itália. Agora quer medidas para tirar pessoas à força das áreas de risco. No período da seca teria sido mais fácil, não é?
 
Leiam texto publicado da VEJA.com:
 
Com 16 mortes confirmadas e um número incerto de desaparecidos, a cidade de Petrópolis vive, desde a madrugada de segunda-feira, o pesadelo da volta dos deslizamentos. As mortes de agora e as imagens do Rio Quitandinha varrendo o centro histórico não chegam a ser novidade para a população que, há pouco mais de dois anos, foi atingida pela maior tempestade de que se tem notícia na história recente do país: entre a noite de 11 de janeiro e a madrugada do dia 12, mais de 1.000 pessoas desapareceram sob a lama, 72 delas no Vale do Cuiabá.
 
Petrópolis experimenta agora o eco da tragédia que, no ano passado, se manifestou em Teresópolis, no feriado de 1º de maio, uma maldição que se abate de tempos em tempos também sobre Nova Friburgo. Em todos os casos, a sensação de desamparo e de exposição ao acaso convergem para a situação ainda vulnerável que essas cidades enfrentam sempre que a chuva – algo anterior a todas as cidades – se anuncia no céu da região.
 
A confirmação das 16 mortes veio no início da noite, à medida que novos desaparecimentos se confirmavam com o encontro de corpos sob escombros e lama. Às 19h30, três pessoas eram procuradas pelas equipes de resgate. O número de ocorrências registradas pela Defesa Civil nas últimas 24 horas chegou a 368. Cerca de 250 agentes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil auxiliam as operações de busca por desaparecidos.
 
Reforçadas desde a tragédia de 2010, a Defesa Civil também teve suas perdas: dois técnicos que auxiliavam na retirada de moradores de uma área de risco em Petrópolis morreram num desabamento, na Vila São Joaquim, no bairro Quitandinha. Os mortos são Fernando Fernandes de Lima, 44 anos, experiente em resgates naquela região, onde já foi subcoordenador de Defesa Civil municipal, e Paulo Roberto Filgueiras, 37, técnico em enfermagem e integrante do grupo de voluntários Anjos da Serra.
 
A tragédia de 2010 deixou claro que o problema não é de contenção de encostas, como se gostaria, ou de aperfeiçoamento de previsões meteorológicas, apenas. Contribuem para o cenário de precariedade todas as variáveis possíveis, agravadas por um histórico de construções irregulares e com técnicas inadequadas para uma área de solo instável e sujeito a altos volumes de chuva. Diante desse quadro, a solução definitiva para a Região Serrana do Rio – como para milhares de outras áreas de risco Brasil afora – dependeria de um maciço investimento em habitação, com remanejamento de bairros inteiros.
 
Alertas

Seria ingenuidade supor que os mesmos governos que permitiram – e incentivaram – as ocupações irregulares sejam capazes de reverter esse quadro com rapidez. A solução, então, veio na forma de sirenes que fazem o básico: avisam os moradores que a chuva torna inseguras as casas onde ainda vivem.
 
As sirenes são a versão brasileira dos sistemas de informação usados em áreas com risco de furacões, nevascas, terremotos e outras tragédias naturais.
A Defesa Civil informou que, recentemente, começou a haver resistência para os moradores em áreas incluídas nesse programa – um indício preocupante de que, tal como antes, moradores se acostumam com o risco, à medida que se repetem os acionamentos, e passam a se expor além do que é razoável.
 
Os rios Piabanha e Quitandinha estão em alerta máximo, com risco de transbordar. Conforme o balanço mais atualizado da Defesa Civil, Petrópolis tem 21 pontos de escorregamento ou alagamento.
As localidades mais afetadas foram Quitandinha, Bingen, Independência e Doutor Thouzet. Cerca de 560 pessoas estão desalojadas ou desabrigadas. As aulas na cidade foram suspensas e o prefeito decretou três dias de luto oficial pelas mortes.
 
Pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em um período de apenas 24 horas – das 7h de domingo às 7h de segunda – choveu em alguns pontos quase o dobro da média de 151 milímetros que era esperada para todo o mês de março. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre 9h de domingo e 9h de segunda, a região do Quitandinha acumulou 399 mm e a Rua Coronel Veiga, que liga o bairro ao centro, registrou 338 mm.
 
Sem ter construído uma casa sequer das prometidas para Petrópolis, o governador Sérgio Cabral repetiu a fórmula: anunciou liberação de 3 milhões de reais para amenizar o sofrimento dos moradores. Mais que o anúncio do governador e o posicionamento da presidente Dilma Rousseff, de Roma, onde defendeu medidas mais drásticas para remover moradores de áreas de risco, são as previsões meteorológicas: a Região Serrana do Rio deve ter uma trégua da chuva até o fim de semana. É pouco, mas é melhor que esperar pelas casas que, em dois anos, não têm ainda um tijolo sequer.
 
Transtornos

Os prejuízos materiais no Centro Histórico também foram muitos. A água invadiu lojas e, ao longo da avenida Coronel Veiga, que dá acesso ao local, pontos de alagamento atingiram mais de um metro e meio. Outras áreas da cidade ficaram parcialmente inundadas. O assessor político Sidney Nascimento, morador de Itaipava, contou que seu bairro e o distrito de Correas tiveram problemas por causa da cheia do Rio Piabanha, que corta a cidade.
 
As sirenes instaladas nas localidades que apresentam mais risco podiam ser ouvidas enquanto bombeiros, guarda civis e soldados do Exército faziam a remoção de escombros e ajudavam moradores a retirar seus pertences de casas ameaçadas. O prefeito Rubens Bomtempo anunciou a contratação de 500 pessoas para uma frente emergencial de trabalho. Segundo ele, cerca de 5.000 pessoas vivem em área de risco em Petrópolis.
 
19 de março de 2103
Por Reinaldo Azevedo