"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 14 de abril de 2013

MARADONA COBROU US$ 2 MILHÕES DE DÓLARES PARA APARECER AO LADO DO CANDIDATO CHAVISTA NICOLÁS MADURO


Maradona: de craque do futebol a mercenário vulgar.
Segundo o jornal esquerdista britânico The Guardian, portanto insuspeito neste caso, o argentino Diego Maradona cobrou mais de US$ 2 milhões de dólares para participar como estrela do comício de encerramento da campanha eleitoral do chavista Nicolás Maduro, que se realizou em Caracas, a capital venezuelana.
 
The Guardin revela que o ex-futebolista argentino estaría enfrentando dificuldades financeiras em decorrência de suas atividades extra-matrimoniais e necessitava de dinheiro.
 
Foi aí que o cinismo de Nicolás Maduro, o filhote do finado tiranete Hugo Chávez, veio à tona, quando ao discursar afirmou: “Aqui temo Diego Armando Maradona, que veio ratificar seu amor pelo Comandante Chávez.”
O fato, sem dúvida, dá uma idéia da estatura moral de Nicolás Maduro e o que será o seu eventual governo.
 
O jornal ABC da Espanha que não costuma dar colher de chá para a vagabundagem chavista repercutiu a informação do The Guardian, que transcrevo no original em espanhol. A grande mídia brasileira que em sua maioria apoia a canalha chavista, parece que escamoteou a informação. Leiam:
 
EN ESPAÑOL - Fue invitado por Nicolás Maduro para que participara en el cierre de su campaña electoral y Diego Armando Maradona no supo ni quiso decir que no. Vestido con el diez a la espalda, Maduro le presentó en el cierre de su acto presidencial y tuvo tiempo para repartir balones y firmar autógrafos a los asistentes.
 
No obstante, el diario británico «The Guardian» publicó que el exfutbolista habría recibido una cantidad superior a 2 millones de dólares por asistir a la fiesta y a varias presentaciones. La rotativa añade que el argentino estaría pasando dificultades económicas por sus actividades extramatrimoniales y necesitaría el dinero de este tipo de actuaciones.
 
«Aquí tenemos a Diego Armando Maradona, que ha venido aratificar su amor por el Comandante Chávez», así fue presentado por Nicolás Maduro cuando el argentino hizo acto de presencia en el escenario y levantó en varias ocasiones sus brazos al cielo en un gesto que se ha intepretado como saludo a Hugo Chávez. Do site do ABC Espanha
 
14 de abril de 2013
in aluizio amorim

A DERROTA DA DEMOCRACIA OU O TRIUNFO DO CAPIMUNISMO


 
Dificilmente consegue ser derrotada uma máquina governamental que tem plenas condições de manipular o voto entre os eleitores mais ignorantes e que pode, sobretudo, fraudar a eleição nos mecanismos de apuração. Por isto, parece bastante improvável uma vitória de Rene Capriles contra Nicolas Maduro, no pleito deste domingo na Venezuela, quando o eleitorado volta às urnas quase um ano depois de ter eleito um Chávez “completamente curado do câncer” (conforme promessas na campanha).
As pesquisas mais confiáveis, no entanto, indicam uma derrota do regime de chavista - que continua mais vivo que nunca na propaganda eleitoral absolutamente fora da lei feita pelos radicais bolivarianos. Eles usaram e abusaram do canal estatal de televisão.
Uma das enquetes, feita pela empresa Datamatica semana passada, já indicava que Capriles estaria cinco pontos percentuais na dianteira de Maduro – o inconstitucional presidente interino da República Capimunista da Venezuela.
Numa sondagem feita entre 7 de março e 5 de abril pela Datamatica, Capriles teve uma subida espantosa em seu índice de popularidade. Subiu de 21,7% para 39,7%. Ao contrário, a popularidade de Maduro desabou de 55,6% para 34,9%. A intenção de voto no chavista também despencou 20,5%, enquanto o desejo manifesto de votar em Capriles cresceu 18%. De acordo com tais indicadores, se a turma de Chávez ganhar fica bem evidente a ocorrência de uma grande fraude – que dificilmente será verificada na prática, porque o governo domina a Comissão Nacional Eleitoral.
Caso ocorra uma acidental vitória de Capriles, os bolivarianos vão inviabilizar o governo dele, imediatamente. O cenário provável com Capriles conquistando o poder pelo voto seria uma Venezuela mergulhada em uma espécie de guerra civil – a não ser que Capriles consiga um milagroso apoio externo, principalmente dos EUA (que nunca se meteram tão ostensivamente em assuntos internos da Venezuela, mesmo sob a democradura Chávez).
O risco de conflito é bem concreto já que os militares exercem uma espécie de poder paralelo no regime bolivariano – o que tende a impedir qualquer modificação do sistema pela pacífica via eleitoral.
Se houver uma guerra civil, tende a durar pouco tempo. O aparelho repressivo chavista já está bem organizado e pronto para ser empregado. A oposição perde a batalha rapidamente. O curioso na história é isto acontecer em um país com a economia bastante destroçada, com desabastecimento de produtos essenciais e inflação real bem elevada - já que a moeda local (o bolivar) nada vale.
Crises sempre derrubam governos, na regra geral da história. Os venezuelanos conseguem a façanha histórica de sacramentar e manter no poder os líderes carismáticos em um governo que fabricou uma brutal crise econômica – com risco de levar o País ao caos. Tal fenômeno só pode acontecer pela via do aparelhamento da máquina estatal e da mais deslavada fraude eleitoral (crime que não se consegue provar). Eis a eficácia da democradura bolivariana.
No Brasil, corremos o risco de assistir, em 2014, a um fenômeno bem parecido. Já está mais que evidente a falência múltipla dos órgãos institucionais em nosso Capimunismo tupiniquim -um modelo econômico dependente, improdutivo, usurário e impostor.
 
Fruto de uma mania especulativa e desonesta que povoa nosso imaginário consumista, a inflação voltou com força – principalmente no setor essencial de alimentação, o que penaliza todo mundo. O preço alto do tomate já virou piada de mau gosto...
Apesar da crise, da corrupção crescente na máquina pública (com formas cada vez mais sofisticadas de mensalões), das obras públicas anunciadas que nunca chegam ao fim, das reformas política e tributária que ficam só no campo da promessa, tudo indica que Dilma Rousseff desponte como favorita para a eleição de 2014.
O motivo para o triunfo da vontade petralha e de seus comparsas é bem $imple$: a máquina partidária PT-PMDB teria nada menos que R$ 100 milhões (até agora) para investir na reeleição a todo e qualquer custo. E a petralhada faz uma bela poupança em Euros. Só falta agora reconquistar a confiança do setor financeiro – que preferia uma gestão socialista fabiana para o Brasil.
Os banqueiros fazem ameaças nos bastidores de que tendem a apoiar um Aécio Neves da vida ou apostar em uma versão mais light do atual regime, com a candidatura de Eduardo Campos. O problema será convencer o eleitorado ignorante que o Neto de Tancredo Neves ou o neto de Miguel Arraes podem ser páreo para a Dilma Rousseff (cujo desafio imediato é conseguir dar uma segurada na crise que estava prevista desde bem antes da eleição dela, em 2010).
Uma vitória bolivariana neste domingo servirá apenas para mostrar que as máquinas encasteladas no poder têm plenas condições de perpetuação. No final das contas, o que fica evidente é a derrota da chamada democracia representativa – quando a massa ignara ou a fraude eleitoral bem feita produzem líderes demagogos, corruptos e incompetentes para governar países potencialmente ricos, porém pobres de visão realmente democrática e desenvolvimentista.
Luiz Inácio Lula da Silva é um grande exemplo de tal fenômeno político escatológico. Finalmente investigado por corrupção no Mensalão – mas com grandes chances de sair ileso por causa do poder político e econômico que tem de sobra -, Lula ainda promete que será o principal cabo eleitoral que reelegerá Dilma Rousseff.
O duro é que ele tem razão. Hoje, Lula só pode ser derrotado pela própria saúde – que inspira cuidados concretos. Se tiver voz e pulmão, o "guerreiro do povo brasileiro" fará ainda muito estrago político... Hoje, eu votaria em Lula para Presidente. Do Banco Mundial, do Federal Reserve, do Banco Central Europeu... O cara é um brilhante multiplicador de votos e também de moeda estrangeira... In Lula they trust...
No mais, o triunfo da vontade petralha tem tudo para se realizar em 2014, apesar dos danosos efeitos da crise econômica. O fato concreto é que a petralhada não tem oposição suficiente e muito menos eficiente para derrotá-la. E se a seleção brasileira da CBF vencer a Copa de 2014, tudo fica ainda mais fácil...
Lula lendo um livrinho de cabeça para baixo é uma montagem descarada. Mas a brincadeira tem um poder simbólico concreto. Lula escreve a história ao contrário, como lhe convém. O sujeito Lula um dia vai morrer - como todo mundo. Mas o mito Lula, não. E o sindicalista de (excelentes) resultados já é mais eterno que os diamantes da Rose guardados na Europa.
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
14 de abril de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.
alerta total

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE






14 de abril de 2013

PEC 37 CONHECIDA COMO A "PEC DA IMPUNIDADE", É REJEITADA POR POLÍTICOS E REPRESENTANTES DO MP

 

Diga não – “Eu sou contra a PEC 37”, assim iniciou a sua fala o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) durante evento promovido pelo Ministério Público da Paraíba na manhã desta sexta-feira (12), na Estação Ciência Cultura e Artes em João Pessoa.

A Proposta de Emenda à Constituição número 37 pretende acrescentar um parágrafo à Carta Magna, restringindo a investigação criminal às polícias Civil e Federal.

Sendo assim, o Ministério Público e demais instituições não poderão mais investigar crimes.

“Posso dizer que se existe um abuso e excesso nas instituições públicas, também existem as corregedorias que investigam e os controles internos que devem ser aprimorados cada vez para punir eventuais abusos, mas não podemos confundir interesses de alguns com o poder republicano do Ministério Público. Estou neste evento para levar ao Congresso a nossa força e opinião contra a aprovação da proposta e acredito, com toda certeza, que não vai passar”, afirmou o senador.

O senador paraibano lembrou que desde a Assembleia Nacional Constituinte, cuja Carta Magna foi promulgada em 1988, já se posicionou favorável ao poder de investigação do Ministério Público.

“Óbvio que por ser uma Instituição formada por homens e mulheres, o MP também é passível de erros, desvios e decisões equivocadas, movidas por personalismo ou ideologias, por exemplo, mas sem sombra de dúvida, os relevantes trabalhos realizados ao longo dos anos pela Instituição superam em muito os eventuais equívocos”, expressou Cássio.

Ele registrou que no Brasil atual não existe a menor possibilidade de uma proposta dos moldes da PEC 37 ser aprovada pelo Congresso Nacional “o Brasil não aceitaria abrir mão das suas conquistas”, concluiu.

A quem interessa

Tirar do Ministério Público, como um todo, o poder de investigação interessa apenas aos criminosos e corruptos que se valem do dinheiro grosso imundo para preservar a impunidade. Em um país onde a corrupção é a reza diária de parte dos operadores do Estado, imaginar que investigações policiais serão isentas é o mesmo que acreditar em cegonha.

Em Paulo, promotores e procuradores promoveram nesta sexta-feira (12) um ato contra a aprovação da PEC 37. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Marcio Elias Rosa, afirmou que a referida proposta está “em desacordo com a realidade do Brasil” e que o Ministério Público deve continuar a investigar atos de corrupção e crimes econômicos, popularmente conhecidos como crimes do colarinho branco.

“A população brasileira libertou-se dos escuros porões da ditadura, mas ainda há escuridão para boa parte da população. Há crianças sem esperança, idosos sem sonhos, há miséria, exclusão, há moradores de rua e gente que não tem o que comer. Grande parte dessa carestia é resultante da prática de crimes contra a administração, delitos econômicos, sonegação fiscal. Nosso compromisso é reverter essas mazelas”, afirmou o procurador-geral.

Presidente da Associação Paulista do Ministério Público, Felipe Locke Cavalcanti, declarou que a aprovação da PEC 37 deixaria impunes os políticos que praticaram atos de corrupção.

“É preciso saber que essa PEC interessa aos corruptos, aos malfeitores, àqueles que agridem a sociedade”, disse Locke. “Nós temos um caso célebre, onde infelizmente um malfeitor, um criminoso, um corrupto, remete dinheiro ao exterior e tem ordem de prisão expedida pelas principais cortes internacionais e no Brasil é um dos principais defensores dessa PEC da Impunidade, não sem razão, pois é o principal beneficiário dela.”

14 de abril de 2013
ucho.info

A MORTE DE MAGGIE THATCHER E AS VIÚVAS DE MARX

 
“Tudo queera sólidoe estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condiçõesde existência e suasrelações recíprocas.”   (Manifesto do partido comunista, por Karl Marx e Friedrich Engels.)

 
Realmente o mundo anda estranho. O mundo, não, as pessoas, ou, ainda melhor, os grupelhos de viúvas de Marx, Gramsci, Stalin, Mao, Che e, porque não, Chávez, mais localizado, mas “importantíssimo” em termos de América Latina.
Coitados, sobrou-lhes Kim Jong-un, um fardo difícil de carregar, e Raúl Castro, outra mala sem alça. E mais ninguém.
 
Já que com esses palhaços sem graça não há jeito do circo funcionar, os tais grupelhos resolveram se apegar a tudo que há de estranho e insólito para ver se chamam atenção para si e para suas ideias de jerico: Alah virou um deus a ser respeitado; Ahmadinejad é um bravo que luta contra o imperialismo yankee; judeus voltaram a ser os “inimigos” a serem derrotados; Gloria Gaynor nas alturas e aos gays de boa vontade que querem casar-se entre si; os fetos são descartáveis, e agora até as mortes viraram motivo de comemoração e alegria.
 
As bizarras comemorações dos ingleses adeptos dessa “nova ordem mundial” da morte de Margareth Thatcher são a demonstração mais eloquente de que as viúvas perderam o senso de vez e que seus falecidos não lhes deixaram heranças que se prezem, muito menos vergonha na cara.
 
“Burn in hell, Maggie” (queime no inferno) grafitados nos muros, comemorações nas ruas regadas a champanhe e aos gritos de “bruxa”, todos cantando “Ding dong, the witch is dead” (a bruxa está morta), uma música de 74 anos do “Mágico de Oz”, assustaram os ingleses “normais” que nunca viram manifestações desse tipo para a morte de algum político. Acho até que ninguém no mundo viu. Logo os ingleses?...
 
Infelizmente foi esse o tipo de legado que sobrou dos avatares da esquerda para as viúvas: a total falta de valores morais e éticos e o desrespeito a quem os tem. É o que elas têm, é o que elas usam.
 
14 de abril de 2013

TEM VIÉS ELEITORAL A POSIÇÃO CONTRÁRIA DO GOVERNO À PROPOSTA DE ALCKMIN PARA MENORES INFRATORES

 

Conversa fiada – Secretário-geral da Presidência da República, o petista Gilberto Carvalho disse nesta sexta-feira (12) que o governo é radicalmente contra a redução da maioridade penal. Carvalho, que alegou questões programáticas do Partido dos Trabalhadores, lembrou que sua declaração não tinha qualquer viés eleitoral e nem estava embasada na proposta do governador Geraldo Alckmin, que deseja endurecer as regras aos menores infratores.

Entre as medidas propostas pelo tucano estão o aumento do período da internação dos menores na Fundação Casa e a separação dos infratores pela modalidade de crime cometido.

“A gente é completamente contra. Não quero falar em uso político, não estou me referindo à declaração do governador. Estou me referindo ao tema da [redução da] maioridade penal, que temos uma posição historicamente contrária”, disse o secretário.

O discurso de Carvalho deixou claro que o anúncio palaciano está lambuzado de interesses eleitorais, pois o secretário da Presidência sequer entendeu a proposta de Alckmin, que em nenhum momento focou a redução da maioridade penal, o que seria uma solução para a onda de crimes que assusta a população.
O PT está de olho no governo paulista e, de agora em diante, tudo o que for proposto por Geraldo Alckmin será contestado pelo Palácio do Planalto.

Se aceitasse a proposta do governador de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff e seu obediente e manipulado staff dariam não apenas um tiro no pé do PT, mas feririam mortalmente os embusteiros projetos sociais do messiânico Lula para os jovens brasileiros.
Ao PT palaciano não importa qual é a necessidade da população, pois em primeiro plano estão os interesses dos atuais donos do poder e a necessidade de blindar Dilma e garantir a continuidade do plano totalitarista da legenda.

Enquanto isso, quadrilhas aliciam menores para a prática de crimes dos mais variados, tendo como pano de fundo uma legislação frouxa e um sistema penal superlotado e que não recupera. Tal cenário é o ideal para a implantação de um regime ditatorial disfarçado.

14 de abril de 2013
ucho.info

EMENDA DAS DOMÉSTICAS É TÃO CONFUSA QUE SEUS CRIADORES NÃO SABEM COMO APLICAR AS REGRAS

 

Bússola quebrada – A incompetência da extensa maioria dos políticos impede qualquer brasileiro de sonhar com dias diferentes e melhores, mas a sociedade insiste em permanecer nessa pasmaceira contemplativa, como se o cenário que se apresenta fosse dos melhores.

O Congresso Nacional jamais serviu como palco para uma legião de políticos tão despreparados e de baixíssimo nível intelectual. Sem saber fazer política, a maioria preocupa-se apenas em garantir e perpetuar as benesses, fazer negociatas que permitam pagar dívidas de campanha e colocar seus herdeiros na fila do parlamento. Esse é o cardápio diário da política nacional.

A maior prova dessa incompetência ficou vidente na Emenda Constitucional que estendeu direitos trabalhistas aos empregados domésticos. O que não significa que esses trabalhadores não façam jus a tais direitos.
O assunto estava no desvio há décadas, mas por interesses político-eleitorais a matéria foi aprovada com celeridade e repleta de buracos como um queijo suíço. Não se pode criar uma lei que na sequência lança uma série de dúvidas que ninguém sabe responder e dependerá de regulamentações que exigirão estudos demorados.

Esses legisladores de araque são de tal forma incompetentes, que nem mesmo eles sabem como resolver o problema em suas próprias casas.
A quase totalidade de deputados e senadores está perdida em relação aos procedimentos que devem ser adotados com os empregados domésticos que lhes servem.

Trata-se de mais um absurdo da política nacional, que beneficiou apenas e tão somente um punhado de aproveitadores de plantão, até porque o próximo ano será de eleições.
Custava esperar mais algumas e aprovar de forma coesa uma regra que já era tardia?

14 de abril de 2013
ucho.info

PAPA FRANCISCO NOMEIA COMISSÃO PARA ESTUDAR REFORMA NA CÚRIA

 

Com a iniciativa, Pontífice acata sugestão dos cardeais proposta durante as reuniões que antecederam o conclave


Papa Francisco cumprimenta o representante da Colômbia junto à ONU, Nestor Osorio, durante uma reunião privada no Vaticano
Foto: OSSERVATORE ROMANO / REUTERS
Papa Francisco cumprimenta o representante da Colômbia junto à ONU, Nestor Osorio, durante uma reunião privada no VaticanoOSSERVATORE ROMANO / REUTERS

VATICANO - O Papa Francisco deu início neste sábado à sua esperada revolução com a criação de um grupo de oito cardeais, formado por representantes de cinco continentes, que irão estudar uma reforma na Cúria romana após os últimos escândalos da Igreja Católica. Com a iniciativa, o Pontífice acata sugestão dos cardeais proposta durante as Congregações Gerais que precederam o conclave, segundo um comunicado do Vaticano.

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De acordo com o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, o grupo acumulará “funções de assessoramento e não tomará decisões”, sendo designado para “aconselhar e ajudar o Papa”. e foi constituído para aconselhar o governo da Igreja Universal e estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica promulgada por João Paulo II em 1988.
A Constituição regula a composição e as competências dos distintos organismos que formam a cúria.

O argentino Jorge Bergoglio, que completa um mês de pontificado neste sábado, tem surpreendido o mundo por gestos considerados inovadores, por seu caráter humilde e próximo aos fiéis, mas ainda não havia tomado decisões sobre as organizações da Igreja.

A reforma foi um dos principais temas das Congregações, quando ainda estava latente o escândalo do Vatileaks - roubo de documentos que revelaram a existência de divisões entre os membros da Igreja, corrupção financeira e pedofilia - pesando sobre o papado de Bergoglio a necessidade de trazer mais transparência e confiança ao Vaticano, além de reduzir as cargas econômicas.

Participarão do grupo o presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, o italiano Giuseppe Bertello, o arcebispo de Santiago do Chile, o cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa, o arcebispo de Bombai, Oswald Gracias, o arcebispo de Munique, Reinhard Marx, e o arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo), Laurent Monsengwo Pasinya.

A lista se completa com o arcebispo de Boston, Sean Patrick O'Malley, um dos cardeais mais comprometidos na luta contra os padres pedófilos, assim como o arcebispo de Sidney, George Pell, e o de Tegucigalpa, Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, que terá a função de coordenador. O bispo de Albano, na Itália, Marcello Semeraro, será o secretário.

A primeira reunião coletiva do grupo foi fixada para os dias 1º, 2 e 3 de outubro. O Papa Francisco, no entanto, já está em contato com integrantes do mencionado grupo. Ainda não se sabe qual será a frequência dos encontros.

14 de abril de 2013
O Globo
 

OLHAR IMEDIATO

 

O Brasil tem olhado muito para o imediato e pouco para as tendências. Olha o saldo comercial de cada mês esperando que ele volte para o azul, sem ver que o mundo inteiro está negociando alianças comerciais poderosas. Acredita que o investimento virá com os pacotes do governo, e há uma crise de confiança sobre as empresas brasileiras e do empresariado em relação ao crescimento.
O número da inflação estourou o teto, e o governo diz que é alta sazonal de alimentos. Existem preços que vão cair, mas o mundo está atravessando o nono ano consecutivo em que fatores climáticos extremos afetam safras de commodities.

Os alimentos têm ficado mais caros na média. Além do mais, a inflação subiu estruturalmente do centro para o teto da meta. O país está sem espaço para acomodar choques. E eles sempre acontecem.
O governo comemora a revisão que fez nos contratos de energia elétrica, que foi o grupo que mais puxou a inflação para baixo. Como não comemorar uma conta de luz mais baixa? É ótima notícia.

As más noticias que ninguém quer ouvir são as várias pressões elevando estruturalmente o preço da energia, a opacidade dos subsídios públicos na construção das hidrelétricas, e o uso das térmicas que anulará parte do efeito da queda dos preços.
Pior, as empresas elétricas, sejam estatais ou privadas, ficaram sem capacidade de investir.

O grupo de Eike Batista foi tão celebrado como exemplo do capitalismo brasileiro e hoje está rondando o governo atrás de socorro.
Tomara que ele supere os problemas que estão transformando em pó suas ações, mas ele se alavancou com IPOs em que prometeu o que não estava preparado para entregar e em empréstimos do BNDES para os quais deu como garantia ações cujo valor está se desfazendo.

Do laboratório do governo saem pacotes frequentes e, mesmo assim, o país está crescendo cada vez menos. Os dados mostram que o crescimento anual desenha uma escadinha que desce.

O pibinho de 2012 não foi um ponto fora da curva, é o país que não tem conseguido crescer. Os dados de investimento desenham a mesma descendente: o país teve no ano passado queda da taxa de investimento.

No comércio exterior o mais sério não é o fato de que no primeiro trimestre de 2013 houve déficit, depois de termos nos acostumado com superávits. É que o volume de comércio não cresce e as escolhas que o Brasil tem feito são erradas ou estão atrasadas.

Há quem admita no governo que o comércio exterior anda mal. Os Estados Unidos negociam acordo com a Europa, a Ásia se une a países do pacífico do lado de cá do mundo, a China negocia acordos com os seus vizinhos da Ásia e com a África.
O mundo gira, a lusitana roda, mas o Brasil não sai do lugar. Os Estados Unidos negociam acordos bilaterais com vários países da América do Sul.

O Mercosul está hoje na mão da Argentina: um país em crise cambial, com ágio no dólar paralelo.
O controle do câmbio na Argentina espanta até as empresas brasileiras; como podemos nos manter atados a eles nas negociações de comércio internacional?

As cinco estatais criadas em dois anos e quatro meses de governo Dilma fizeram algo pelo crescimento? Foram apenas mais cadeiras a serem oferecidas aos integrantes da aliança governamental, como se 39 ministérios não fossem o suficiente.

O governo tem olhos apenas para as eleições de 2014 — tipo ideia fixa, obsessiva —, não o olhar para o horizonte à frente, necessário para agir preventivamente.

A oposição permanece dividida e mais interessada nas brigas intestinas e na administração das ambições do que em saber o que propor como alternativa diante do quadro de dificuldades do país.
Uma nova candidatura apareceu dentro da órbita governamental. Parece, na sua ambiguidade, estar cunhando moeda de troca, e não oferecendo uma alternativa. Enquanto isso, o Congresso se esforça em bases diárias para perder a confiança do cidadão.

As projeções da maioria dos economistas do mercado financeiro só conseguem acertar se forem de curtíssimo prazo. A série histórica revela erros crassos. É o que preocupa, e não o fato de que na semana passada a inflação estourou o teto da meta.
Este é apenas um dos sintomas do mal nacional: a falta de visão de para onde afinal de contas se quer ir.

14 de abril de 2013
Míriam Leitão, O Globo

FRASE DO DIA

"A presidente não deveria falar tão frequentemente sobre questões conjunturais da economia. Muito menos bater boca com pessoas ligadas ao mercado financeiro. Este comportamento traz desgastes desnecessários e passa a impressão de que seus ministros não têm autonomia para conduzir o dia a dia de suas áreas."


Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista

14 de abril de 2013

ÍNDIOS EXECUTAM BRUTALMENTE UM PRODUTOR RURAL. É A GUERRA NO CAMPO, CAUSADA PELA OMISSÃO DO GOVERNO FEDERAL


João da Silva, sim, este é nome, um dos índios que massacraram o produtor rural.
É profundamente lamentável o covarde assassinato, com características de execução, do produtor rural Arnaldo Alves Ferreira, de 68 anos, perpetrado por um grupo de indígenas, ontem, em Douradina, Mato Grosso do Sul. Segundo relatos de testemunhas e da Imprensa, pois o caso ainda está sob investigação, um grupo de índios prendeu, amarrou, espancou, esfaqueou e flechou o idoso até a morte. Não era um “ruralista”. Não era um fazendeiro. Era um agricultor familiar, um pequeno produtor, dono de uma propriedade de 60 hectares, vizinha a uma das 52 áreas de conflito existentes somente naquele estado.

O Campo está vivendo uma situação de guerra, resultado da atuação desastrosa e sem fiscalização da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). O Ministério Público, que deveria ser o “fiscal das leis”,transformou-se em aliado deste órgão, desconsiderando e relativizando o direito de propriedade. 
O Conselho Indigenista Missionário (CIMI), com suporte de ONGS internacionais, completa este tripé que vem aterrorizando o meio rural. Por sua vez, o Governo Federal, que deveria ser o árbitro, envia aos locais conflagrados, via de regra, o Secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, que, pasmem!, é ex-assessor político do CIMI e conhecido defensor de invasões.É o total aparelhamento do Governo Federal, haja vista que a atual presidente da FUNAI é ex-esposa de Maldos.
É esta verdadeira máfia indigenista fazendo o sangue de inocentes correr por todo o Brasil.

A CNA emitiu nota oficial na tarde de hoje, apelando ao Governo Federal para que determine o cessamento imediato dos processos de demarcação em andamento. Que aguarde a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os embargos declaratórios propostos pela Procuradoria Geral da República, em relação as 19 condicionantes estabelecidas pelo tribunal para demarcação de terras indígenas, no julgamento do caso Raposa Serra do Sol. Que devolva a paz e a segurança jurídica ao Campo.
 
Abaixo assinado pela CPI da Funai
Clique aqui e assine.
 
É inadmissível que a FUNAI continue agindo ao arrepio da Constituição Federal e alimente uma verdadeira guerra que já se alastra por todo o Brasil, A democracia, o estado de direito, o país não podem mais conviver com tamanha irresponsabilidade.
Como sempre, até agora, as instituições de direitos humanos não se manifestaram. Não foi um índio. Não foi um sem-terra. Foi um pequeno produtor rural. Para estes grupelhos, quem trabalha não é gente.
 
14 de abril de 2013
in coroneLeaks

BRASILEIROS DESCONHECEM PATROCINADORES DA COPA DO MUNDO DE 2014

Brasileiros desconhecem patrocinadores da Copa do Mundo de 2014

 
Amnésia consumista – A aproximação da Copa do Mundo 2014 também reacende a discussão sobre a efetividade do patrocínio aos eventos deste tipo.

Segundo dados divulgados pela agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research, o futebol é a modalidade esportiva mais praticada pelos brasileiros – com 16% do total e 35% entre os homens.

É também o esporte profissional preferido para acompanhar pelos meios de comunicação: 41% dos brasileiros declaram acompanhar os jogos e competições esportivas de futebol, sendo o esporte de maior audiência declarado com quase o dobro do segundo colocado, o vôlei.

E diante desta “paixão nacional” o mercado de publicidade e propaganda já conta com uma grande missão para o período que antecede a Copa do Mundo Fifa 2014: mostrar ao público brasileiro quais as marcas e empresas que estarão presentes de forma oficial nos estádios e nas campanhas ligadas ao maior evento esportivo do planeta.
E esta tarefa promete não ser das mais fáceis.

Segundo pesquisa realizada entre os dias 22 de fevereiro e 7 de março pela agência, junto a cerca de mil pessoas em mais de 70 cidades brasileiras e nas cinco regiões do País, 47% dos brasileiros não sabem ou não lembram o nome de nenhuma marca/empresa que protagonizará os principais comerciais ou estampará os outdoors das principais cidades do País como patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo de Futebol.

Entre as mulheres o desconhecimento é ainda maior, chegando a 58%. E quanto maior a faixa etária dos entrevistados, cresce também a falta de informação a respeito do tema, chegando a atingir 67% das pessoas com idades acima de 60 anos.

Ainda entre as pessoas que revelaram lembrar-se de ao menos uma marca, houve confusão. Das dez marcas mais lembradas, apenas três são realmente parceiras oficiais do evento: Coca-Cola, Itaú e Adidas.

A Coca-Cola lidera no quesito lembrança de marca entre patrocinadores oficiais, com 32% no geral, chegando a 38% entre os homens e a 47% na região Sul (maior índice por região). A marca de refrigerantes também mostrou grande aderência por parte dos mais jovens, sendo lembrada por 38% dos indivíduos com idades entre 16 e 24 anos, e 36% das pessoas entre 25 e 34 anos.
No que se refere às classes sociais, a líder em lembrança teve 44% entre os indivíduos da classe B.

Na segunda posição em lembrança espontânea, um claro exemplo de confusão do consumidor associado ao poder de imagem de marca. A Nike, que sequer figura entre os patrocinadores oficiais do evento, teve 18% de lembrança total.

Em 3º lugar no geral um empate técnico entre 4 dos maiores bancos do país – Caixa Econômica, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú. A curiosidade é que, destes, apenas o último (Itaú) é de fato, patrocinador oficial da Copa.

Adidas vem logo na sequencia com 10% de lembrança empatada com a Petrobras. Nenhuma outra marca atingiu o mínimo de dois dígitos de lembrança espontânea e, como previsto, houve muita pulverização a respeito da citação sobre os patrocinadores oficiais da Copa do Mundo Fifa 2014, com relativo destaque também às marcas Vivo, Brahma, Skol, Guaraná Antarctica e TIM.

“Fica evidente o fato de existir muita confusão por parte da população entre patrocinadores da Copa do Mundo Fifa 2014, patrocinadores da seleção brasileira de futebol e patrocinadores de outras modalidades esportivas”, comenta Davi Bertoncello, Sócio-Diretor Executivo da Hello Research.

“Outro fator a ser considerado é que as empresas patrocinadoras devem potencializar seus investimentos em comunicação a partir da Copa das Confederações quando faltará um ano para a Copa do Mundo. Isso poderá mudar este cenário por completo”, complementa.

A pesquisa da Hello Research destaca ainda outras marcas/empresas apontadas pelos brasileiros com possíveis presenças na Copa, a partir da análise de ambos os sexos. Confira:


Neste estudo foram ouvidos indivíduos de ambos os sexos, de todos os graus de escolaridade, com idade entre 16 e 70 anos.

“Entendemos que os números atuais não são confortáveis, mas não é um fato para preocupação, apenas um sinal de alerta. As marcas investem pesado para fazer parte desta grande festa, mas só tiram proveito deste fato, uma vez que as pessoas associem sua marca a competição. E, para isto, só existe um caminho, comunicação”, destaca Bertoncello. (Do AdNews)

14 de abril de 2013
ucho.info

"THATCHER E SEU FIEL CONSORTE"


O low profile mantido pelo inquilino adjunto da residência oficial de Downing Street se apoiava no pouco apreço que ele reservava aos jornalistas
Por tamanha enrascada ninguém esperava, até porque Margaret Thatcher já estava fora do poder há 23 anos e, debilitada e com demência há mais de cinco, sequer aparições públicas mais fazia. Parecia destinada a ocupar levas de historiadores do século XX, como a mulher que maior poder político exerceu na arena mundial. E continuaria a gerar montanhas de análises sobre as transformações que impôs à sociedade britânica como chefe de governo. O que ninguém previu foi que a Dama de Ferro ainda ressuscitaria velhas paixões depois de falecida.

O anúncio de sua morte, na segunda-feira passada, gerou previsíveis manifestações de pesar, respeito e reverência para quem foi a figura mais dominante da Grã-Bretanha desde Winston Churchill em 1940. Só que o monopólio da narrativa apologética durou pouco. Paralelo ao luto oficial de quem vê em Thatcher a líder que salvou e modernizou o país, brotou a céu aberto o rancor armazenado por milhões de excluídos por sua política. Sindicalistas, mineiros, servidores públicos, todo o tecido social da Inglaterra de espinha dorsal quebrada que teve de se adequar à era Thatcher, pelo visto não esqueceu. Nem perdoou.

Ninguém estranha quando mortes de ditadores e tiranos são festejadas por opositores que a eles sobreviveram. Já o falecimento de líderes ou ex-líderes de países democráticos suscita, no máximo, indiferença em quem não quer se juntar ao luto nacional. Ofensas e regozijo são considerados de mau gosto. No caso de Margaret Thatcher, contudo, está valendo tudo.

Ruidosas chopadas em Brixton e Glasgow se sucederam alegremente desde o anúncio fúnebre que enlutou a nação. Enquanto se programa o solene e grandioso enterro de quarta-feira próxima, ao qual comparecerá a rainha, até mesmo um membro da força policial britânica já postou um tweet saudando “o mundo agora melhor, com esta morte que chegou 87 anos atrasada”. Foi expulso da corporação, é claro. Passeatas, protestos, acrimônia na internet não arrefecem. Polêmica em vida, Margaret Thatcher reemergiu além túmulo com todo seu potencial divisionário.

Em um único quesito, pode-se afirmar sem medo de erro, a primeira- ministra sempre obteve aprovação unânime: na figura do fiel consorte que ocupou 10, Downing Street a seu lado durante os anos no poder.

Denis Thatcher era um executivo de sucesso na indústria petrolífera, recém-aposentado, quando Margaret Hilda Roberts, com quem casara mais de duas décadas antes, se tornara líder do Partido Conservador. Além do sobrenome, deu à esposa a segurança financeira necessária para que ascendesse na política fazendo carreira solo.

Quando Margaret chegou no topo, como primeira mulher a comandar uma potência ocidental, não existia protocolo nem roteiro nem título nem “job description” para um consorte masculino. E ainda menos para um consorte tão claramente desinteressado em alterar o estilo de vida privado que levara até então. De início, foi um prato cheio para caricaturistas e humoristas. Pouco a pouco, porém, Denis foi ganhando a simpatia nacional ao definir os limites mínimos de sua obrigação e temperar suas poucas aparições públicas com o humor leve e solto que faltava à mulher.

Preencheu o papel com inteligência intuitiva, sem provocar arranhão na agenda pública da mulher — o que é notável, sobretudo se comparado ao desempenho de tantas primeiras-damas mundo afora. De ideias ainda mais conservadoras do que as da própria esposa, ele teve o bom senso de manter as suas em círculo fechado. E teve a sorte de um célebre descuido seu só ter se tornado público quando Thatcher já estava fora do poder: “Mantenha a Suíça branca”, aconselhara ele ao presidente daquele país, durante um jantar em 1984.

O low profile mantido pelo inquilino adjunto da residência oficial de Downing Street se apoiava no pouco apreço que ele reservava aos jornalistas. Chamava-os de “répteis”. Um provérbio aprendido com o pai lhe ensinara a arte de não dizer nada: “O homem só mata a baleia quando ela esguicha”.

Dennis Thatcher também caiu no gosto popular por nunca ter parado de tomar o seu gin de todas as horas, boas ou más (em eventos oficiais em que bebidas alcoólicas não eram servidas, encarregava o agente de segurança da esposa de abastecê-lo de “água especial”). Atravessou com cavalheirismo uma estrutura familiar oposta à moldura conservadora do seu entorno social. “Casei com uma das mulheres mais grandiosas que o mundo já produziu. Já o que eu produzi, soa pequeno: lealdade”, concluiu, ao final..

Denis Thatcher morreu dez anos atrás, aos 88 anos e recebeu louvas em uníssono de todos os partidos. Alguns, como é de praxe, se excederam. “Ele foi um verdadeiro grande homem. Sem ele, seria impossível imaginar a sra. Thatcher alcançando o sucesso que alcançou”, proclamou o líder conservador Duncan Smith. Bobagem.

Fato é que em onze anos numa posição propícia a jogos de poder e intrigas palacianas, o sr. Thatcher passou ao largo desses exercícios. E ainda deu uma contribuição espontânea à cartilha do enxugamento do Estado, tão cara à primeira-ministra: ele não dispunha de funcionários a seu serviço, não gerou despesa, não inventou nenhuma obra de caridade para se ocupar.

“Centavos não caem do céu, é preciso trabalhar aqui na terra para ganhá-los”, ensinou Margaret Thatcher durante a cruzada privatizante que transformou tão profundamente a Grã-Bretanha. Sugestão insolente enviada esta semana à comissão organizadora do cortejo fúnebre e exéquias: em respeito às ideias defendidas pela falecida, o enterro, que custará perto de 15 mil libras esterlinas (algo próximo a R$ 45 mil) deveria ser privatizado, numa operação calculada para dar lucro ao governo.

Dorrit Harazim é jornalista, O Globo
14 de abril de 2013

"O DESCASO COM AS OBRAS PÚBLICAS"

Reajustes orçamentários e contratação de serviços adicionais se tornaram práticas recorrentes na maioria dos empreendimentos no Brasil

A sociedade brasileira vive atualmente um dilema curioso. Diante da necessidade de decidir entre duas situações contraditórias, a escolha geralmente recai sobre a proposta que oferece resultados mais imediatos.
Não importa se tal decisão possa trazer consequências negativas de longo prazo. O que interessa atualmente é o aqui e agora. O futuro pouco importa.

Infelizmente, essa tem sido uma prática comum nas decisões do poder público, especialmente quando o assunto envolve a cidade. A obsessão de realizar obras vistosas, mesmo que de baixa qualidade, tem sido uma constante nos dias de hoje.
Partindo do pressuposto de que tudo é descartável, barbaridades são cometidas em nome de uma ideologia focada apenas na eficiência produtiva e nos seus resultados imediatos.
Os jornais publicam diariamente as consequências perversas resultantes desse tipo de atitude.

Houve época em que as obras públicas extrapolavam os seus objetivos específicos e algumas se transformavam em marcos do desenvolvimento urbano da cidade. Obviamente que naquele tempo já existiam falcatruas, tanto na contratação dos serviços como durante a execução das obras.

Hoje, contudo, esse processo adquiriu novos contornos e uma impressionante sofisticação. As grandes obras se transformaram em uma espécie de bilhete premiado para lobistas espertalhões, políticos inescrupulosos e empreiteiros ávidos por lucros fáceis.
Algumas emendas nos orçamentos da União, dos estados e dos municípios refletem, com clareza, os interesses escusos e favorecimentos de diversas naturezas.
Reajustes orçamentários e contratação de serviços adicionais se tornaram práticas recorrentes na maioria das obras públicas no Brasil.

A geração de lucro é, sem dúvida, uma contingência inerente a qualquer atividade empresarial. Todavia, não se justifica ampliar margens de lucro forjando obras desnecessárias e de baixa qualidade.
Muito menos, apelar para o encarecimento da mão de obra e dos materiais de construção para justificar reajustes previamente planejados. A incapacidade de sobreviver em um mercado competitivo não pode ser acobertada por acordos nocivos aos interesses da sociedade.
Não adianta enaltecer o resultado das concessões de obras públicas e das parcerias público-privadas se o controle do produto oferecido está muito aquém do desejado.

No Rio, as intermináveis intervenções na Cidade das Artes, a perdulária reforma do Maracanã e o recente colapso técnico do Elevado do Joá e do Engenhão demonstram o quanto são verdadeiros o desperdício e a malversação dos recursos públicos.
A estes exemplos soma-se um significativo número de edificações produzidas pelo programa Minha Casa Minha Vida, em sua maioria de péssima qualidade arquitetônica e construtiva.

A decomposição estrutural dos prédios recém-construídos para receberem as vítimas da tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, mostra a que ponto se chegou com os desvios éticos e morais no trato da coisa pública. Este e outros casos são exemplos escandalosos que envergonham os que não compactuam com esse tipo de tramoia generalizada.

Zelar pelo aprimoramento de critérios técnicos que assegurem resultados compatíveis com a destinação da obra que está sendo realizada é um pressuposto indissociável da melhoria da qualidade do produto final oferecido.
Planejar pensando no futuro é uma prática que deve ser retomada o mais rapidamente possível. Basta de tratar as construções — especialmente a moradia — como um bem descartável semelhante a outro qualquer. A sociedade brasileira está longe de ter status financeiro para arcar com o ônus dessa equivocada pretensão.
Enquanto os responsáveis — diretos e indiretos — por esse conjunto de desatinos permanecerem impunes não há dúvida de que a farra com o dinheiro público irá continuar indefinidamente.

Luiz Fernando Janot é arquiteto e urbanista,
O Globo
14 de abril de 2013

POR QUE DILMA FEZ QUASE TUDO ERRADO NO COMBATE À ALTA DOS PREÇOS?

O tomate e a ameaça da inflação.Por que o governo Dilma fez quase tudo errado no combate à alta dos preços

 
tomate (Foto: Shutterstock)

Capa - Edição 777 (Foto: Shutterstock)

>>Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA:


"Estou usando uma joia.” Com essa frase, a apresentadora Ana Maria Braga apresentou o colar de tomates de seu figurino no programa da quarta-feira passada. Foi apenas uma das muitas piadas que pipocaram ao longo da semana sobre o mais novo símbolo da inflação. Numa piada da internet, a atriz Claudia Raia, chefe de uma quadrilha internacional de prostituição na novela das 9, diz que mudará de ramo e traficará tomates.

Em outra, um caqui que se passa por tomate vai para a cadeia. Alguém sugeriu um novo programa social – Meu Tomate Minha Vida. Na semana em que a inflação acumulada nos últimos 12 meses ultrapassou o teto da meta estipulada pelo Banco Central, o Brasil se transformou no “país do tomate”. Com alta de 122% em um ano, o fruto contribuiu para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar o período em 6,59%.

Não se acredita num descontrole que leve o país aos patamares de inflação do final dos anos 1980, quando, na casa dos 1.000% ao ano, ela obrigava os brasileiros a apostar corrida, entre as gôndolas dos supermercados, com os funcionários responsáveis pela remarcação de preços.

É um erro, porém, comparar os índices desses dois períodos, tantas foram as mudanças da economia na conquista da estabilidade. Mesmo que o patamar atual não pareça assustador, ele é. Índices desse porte estão longe de representar um problema trivial. Um primeiro efeito: na semana passada, os supermercados divulgaram que, em fevereiro, registraram queda de 2,1% nas vendas de alimentos e bebidas, em comparação com o mesmo mês de 2012.

O consumo diminuiu sobretudo entre a classe média e os mais pobres. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas para famílias de menor renda caíram 4% em 12 meses. Essa situação – em que os maiores beneficiários do crescimento recente da economia brasileira perdem poder de compra – é a principal fonte de preocupação para o futuro político da presidente Dilma Rousseff.


Dois dias antes da divulgação do IPCA, a presidente convocara a seu gabinete três de seus principais consultores econômicos: o ex-ministro Delfim Netto, Luiz Gonzaga Beluzzo e Yoshiaki Nakano, que cuidou das contas de várias administrações tucanas. O governo só se pronunciou sobre o assunto depois que o índice foi divulgado, na última quarta-feira.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não pouparia esforços para evitar a alta de preços e quis demonstrar otimismo. Afirmou que a entressafra agrícola terminará em breve, que as pressões sobre o setor de serviços estão mais brandas. Também lembrou que a inflação de março foi a mais baixa do ano – segundo ele, um bom sinal. Procurado por ÉPOCA para comentar o assunto, Mantega não quis dar entrevista.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também não quis se pronunciar. Na sexta-feira, durante um evento em São Paulo, Mantega afirmou que “as medidas que forem necessárias serão tomadas pelo governo”. “Não titubeamos em tomar as medidas, inclusive, posso dizer, mesmo medidas que são consideradas não populares, como elevação da taxa de juros, quando isso é necessário”, afirmou. “O Banco Central tem dito que não há e não haverá tolerância com a inflação”, disse Tombini no mesmo dia.

14 de abril de 2013
ISABEL CLEMENTE, COM REPORTAGEM DE VINÍCIUS GORCZESKI, MURILO RAMOS, MARCELO OSAKABE E ANA LUÍZA CARDOSO- Epoca