"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 28 de maio de 2013

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO E OUTRAS NOTÍCIAS OPORTUNAS

Amado Batista irrita revanchistas ao admitir que mereceu tortura por colaborar com a luta armada no Brasil


 
O que seria mais uma entrevista para reforçar teses revanchistas contra o Governo dos Presidentes Militares – que a esquerda chapou no senso comum modificado dos brasileiros como “Ditadura” – acabou se transformando em mais um esclarecedor espetáculo de autocrítica de um hoje famoso personagem que se arrependeu de ter atuado em favor dos guerreilheiros, sequestradores, assaltantes e terroristas que queriam implantam um regime comunista no Brasil, nas décadas de 60-70.

O cantor Amado Batista deu uma saia justa na experiente entrevistadora Marília Gabriela, no “De Frente com Gabi” que foi ao ar na madrugada de domingo para segunda-feira, no SBT. Conhecido por ter sido preso por colaboração com a tão idolatradada “Luta armada revolucionária”, Amado Batista tirou Marília Gabriela do sério ao reconhecer que “estava errado de estar contra o governo, e, ter acobertado pessoas que queriam tomar o País à força". Amado ainda foi além: “"Fui torturado, mas merecia".

Tentando retomar o raciocínio revanchista, Marília Gabriela ainda tentou provocar: "Você passou pro lado de quem te torturou?!". Amado Batista retrucou, com a mesma serenidade que, os militares estavam certos, pois se eles não fizessem "aquilo" o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba. Por sua sinceridade, o cantor vai se transformam em mais um alvo do patrulhamento ideológico de esquerda. Acima, o trecho da surpreendente entrevista que deve ter deixado o pessoal da “Omissão da Verdade” e adjacências muito PT da vida...

Apesar dessa baixa, o esquema revanchista continua a pleno vapor. Não passa de dissimulação a declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que o governo não pretende apresentar um projeto para acabar com a Lei de Anistia de 1979. O sistema revanchista insiste no contrário. Também exige que a Comissão da Verdade revele os nomes e os atos praticados por militares que insistem terem sido “torturadores”.

No recente VII Simpósio de América Latina, com o título “A Comissão Nacional da Verdade: O Brasil revê a sua história”, promovido pelo curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, um dos homens mais ligados ao ex-Presidente Lula da Silva defendeu todas as teses revanchistas possíveis. Frei Betto declarou-se totalmente a favor da CV, mas ressaltou com veemência a necessidade revisão da Lei de Anistia:

“Eles nos puniram, mas não foram punidos. É uma situação absolutamente surreal. Não quero vingança, quero justiça, até para que acontecimentos como aqueles não se repitam. Sei que é uma frase batida, mas retrata a realidade. A Comissão da Verdade é um passo importante, mas é preciso pressão para mudar a Lei da Anistia e apurar quem foram os responsáveis”.

Ou seja, se um dos melhores amigos de Lula diz o que tem de ser feito, e a Presidenta Dilma Rousseff, ex-terrorista, concorda com tudo que é dito e já cansou de cobrar mais resultados à Comissão da Meia-Verdade, é porque o governo apenas dissimula que não deseja rever a Lei de Anistia. O governo quer, mas teme admitir com toda clareza, por puro medo de uma reação militar – mesmo que esta pareça cada vez mais remota...



Dia do Vannuchi

Hoje teremos mais um espetáculo do revanchismo petralha – sempre cumprindo o objetivo de desmoralizar as Forças Armadas como legítimas guardiãs da soberania nacional  e que representam uma ameaça concreta  ao globalitarismo do Foro de São Paulo.

O candidato brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, concederá entrevista coletiva à imprensa nesta terça-feira, às 14h, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ).
 
A eleição para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos será realizada no próximo dia 6 de junho.
 
Paulo Vannuchi é jornalista e cientista político, foi ministro dos Direitos Humanos entre 2005 e 2010 e atualmente é diretor do Instituto Lula.
 
Bolsa-Mentira


 
Kroton na Investmania

Quem visitar hoje o site Investmania poderá interagir com os gestores de Relações com Investidores da *Kroton* - que recentemente se fundiu com a Anhanguera Educacional – criando um dos maiores grupos de ensino superior do mundo.

Para participar do chat, a partir das 11h da manhã, acesse: www.investmania.com.br.

O acesso ao Investmania é gratuito e todo o conteúdo apresentado será bastante acessível, tanto para os investidores iniciantes, quanto para os mais experientes.

Voo dos abutres

 
Haja, saco, doutor...

Título e cartaz da criativa campanha médica que circula pela internet:

“Você já pegou no seu saco hoje?”


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
28 de maio de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

AMAZÔNIA E A HIDRELETRICIDADE ( 1 )



 
A Amazônia, felizmente, vem despertando o interesse nacional! Ela é alvo de uma pertinaz cobiça, desde o século XVII, a qual se agudizou nos dias hodiernos, em vista da progressiva escassez de recursos naturais e matérias primas nos países desenvolvidos.
 
Ao Brasil, que detém cerca de 60% da Gran ou Pan-Amazônia, cumpre guardá-la, defendê-la e explorá-la, racionalmente, sem considerar a opinião de nacionais e estrangeiros que a desejam “preservá-la” como um intocável museu, parque ecológico ou santuário natural do planeta.
 
A floresta amazônica, por sua privilegiada posição geográfica, eis que cortada pela linha do Equador, com os seus incomensuráveis recursos hídricos, mineralógicos (minérios raros, estratégicos, de terceira geração) e biodiversidade (abrigando o maior banco genético do mundo e  30% de todas as espécies vivas), além de suas terras férteis e agricultáveis, não pode ser “congelada”, como se uma estratégica e imensa reserva técnica/almoxarifado fosse, para usufruto, a médio e longo prazo, ou mesmo antes, de nações hegemônicas que, por isso, pugnam por seu tombamento como “Patrimônio Comum da Humanidade”.
Não podemos permitir que a transformem em gigantescos laboratórios de experimentação ou em “jardins botânicos ou zoológicos”, em nome de questões ambientais, indígenas, climáticas, etc.
Traçados esses prolegômenos, lembremo-nos de que sem Energia, não há vida. A trilogia da existência da vida é Ar, Água e Sol; e o Brasil - “A Nação do Sol” e o “Império das Águas” -, possui, em superlativa abundância, tal trilogia.
 
O nosso País  detém cerca de 18% das reservas mundiais de água doce, sendo que 15% encontram-se na Amazônia. Acrescente-se, por ilustração, que a escassez de água poderá ser motivo para guerras futuras, como nos vem alertando o General Marco Antônio Felício da Silva, dedicado estudioso do assunto; os Estados Unidos já constroem, na Califórnia, grandes navios-tanques, transportadores de água.
 
A bacia do rio Amazonas (o mais volumoso e, hoje, também o maior rio do planeta, segundo recentes estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE) possui, em terras brasileiras, aproximadamente 3,8 milhões de Km2 e abrange os estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará e Amapá.
 
A bacia potamográfica amazônica é formada por inúmeros rios, muitos deles navegáveis por navios de qualquer calado. Ela forma um verdadeiro mar interior, um “mare clausum”, o “Mar Mediterrâneo Brasileiro”, que Gastão Cruls denominou de “Mare Nostrum Brasileiro”, um dos maiores tesouros com que a natureza nos prodigalizou.
 
Nesta imensa bacia, suspeita-se da ocorrência da prática criminosa da hidropirataria, por parte de navios estrangeiros dotados de sonares para a localização e captura de cardumes de peixes, em particular dos ornamentais, principalmente na foz do rio Amazonas, na divisa entre os estados do Amazonas e Amapá, além do furto de água doce a fim de que sejam estudados os seus nutrientes e fauna ictiológica. Denúncias a esse respeito foram amplamente debatidas na Câmara dos Deputados, no ano de 2010.
 
O Brasil, afortunadamente, pode dispor de variadas fontes energéticas como as hidráulica, petrolífera, eólica, solar, nuclear, do carvão, do etanol e da biomassa. Mas o sistema funciona à base da energia hidrelétrica (algo em torno de 80% da produção nacional), complementada por usinas termelétricas.
 
E a Amazônia é fundamental para o aumento de nossa matriz energética, como abordaremos no próximo artigo.
 
28 de maio de 2013
Manoel Soriano Neto é Coronel do Exército e Historiador Militar.

ECONOMIA DE MERCADO OU CAPITALISMO DE ESTADO?


Estudo inédito, intitulado Is China a Market or a Non-Market Economy?, elaborado pelo Center For Global Trade and Investments da EESP/FGV, a pedido da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), enfatiza que a nação asiática, a despeito da maneira como se apresenta no mercado internacional, utiliza-se de práticas e de um modelo que a mantêm muito distante de ser uma economia de mercado, condição que há tempos vem pleiteando.
 
Como essa distorção provoca graves danos ao comércio global, entendemos que o Brasil, que teve a corajosa iniciativa de colocar em discussão em Genebra a questão da guerra cambial, reúna todas as condições para propor a abertura de um Working Party na Organização Mundial do Comércio (OMC), em defesa da economia mundial, já profundamente abalada pela duradoura crise desencadeada em 2008.
 
Por essa razão, encaminhamos o relatório da Fundação Getúlio Vargas às autoridades do governo brasileiro. Para se entender melhor toda essa questão, é importante lembrar que, em 11 de dezembro de 2001, a China tornou-se membro da OMC, assumindo o compromisso de transformar sua economia de Estado em de mercado. Conforme o acordo, em 2016, 15 anos após sua adesão, deverá ter concluído as reformas de seu sistema econômico que, naquele momento, terá de estar operando em sua plenitude nos moldes do que podemos chamar de capitalismo civilizado.
 
No entanto, o estudo demonstra cabalmente que Pequim paralisou há cerca de cinco anos as medidas que tornariam o país uma economia de mercado. Mais preocupante é o fato de que, em alguns casos, verificaram-se retrocessos em relação a avanços anteriormente observados. Sintomas claros disso são a permanência de número elevado de grandes empresas estatais com fortes vínculos com a cúpula dirigente do Estado em todos os seus níveis, a manutenção de incontáveis subsídios proibidos e acionáveis perante a OMC e a desvalorização artificial de sua moeda no mercado cambial.
 
Ou seja, enquanto continua a desfrutar do tratamento de Nação Mais Favorecida pelos membros da OMC, a China segue adotando estratégias pouco identificadas com o capitalismo democrático, que lhe propiciaram impressionante crescimento de suas exportações e causam danos generalizados às indústrias dos países de legítima economia de mercado. 
 
Segundo dados da OMC e do Banco Mundial, as exportações chinesas de produtos manufaturados saltaram de US$ 237 bilhões, em 2001, para U$S 1,8 trilhão, em 2011. O fulminante movimento também pode ser observado no setor têxtil e de confecção. Nesses segmentos, no mesmo período, as exportações da China saíram de US$ 50 bilhões para US$ 241 bilhões, uma expansão de cinco vezes, em 10 anos.
 
Para o Brasil, esse aumento foi ainda mais expressivo. Em 2011, as importações brasileiras de origem chinesa no setor têxtil e de confecção somaram US$ 3 bilhões, contra US$ 91 milhões em 2001, representando o expressivo crescimento de 32 vezes. Em 2012, nossas importações atingiram US$ 3,3 bilhões, sendo US$ 1,5 bilhão correspondente ao segmento de vestuário/confeccionados, que em 2001 somava US$ 64 milhões.
 
Portanto, é pertinente uma avaliação pelos países membros da OMC, visando à implementação de medidas que detenham o progressivo desmantelamento das empresas do mundo capitalista, promovido pela economia de Estado dos chineses.

Nesse sentido, um Working Party certamente evidenciaria as práticas desleais e proporcionaria uma reavaliação da legitimidade dos privilégios que o mundo concedeu à China ao aceitá-la como membro daquela organização multilateral, confiante, à época, de que os compromissos por ela assumidos seriam cumpridos.
 
O estudo da Fundação Getúlio Vargas aborda com precisão factual o questionamento da China como economia de mercado. O relato pormenorizado das distorções, mostrando as violações à legislação da OMC, demonstra a inadequação dessas normas para tratar de economias estatais.
 
Assim, é fundamental reavaliar o status econômico de Pequim e de outros países em situação similar. Afinal, a OMC foi criada para preservar a saudável e necessária concorrência das nações e empresas verdadeiramente alinhadas aos preceitos civilizados do comércio. 
 
28 de maio de 2013
Aguinaldo Diniz Filho é presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção). 

QUE POVINHO É ESTE?


 
A pergunta sobre "que País é este" infernizou o cérebro de estudiosos durante décadas.
Os mais céticos, após acompanhar como a nossa “macunaímica” sociedade leva a sua vidinha, mudaram o seu foco de estudos, e chegaram à brilhante conclusão que esta M... não tem solução. As moscas mudam, mas o povinho é o mesmo.
Sim, é o mesmo. A sua educação prossegue abaixo do que poderíamos esperar.
Como quase todo mundo tem um pezinho na negritude, sempre há a esperança de que possa pegar uma boquinha na cota racial. Como a sua convicção sexual depende dos benefícios financeiros, admitir que seja chegado a um membro do mesmo sexo, masculino ou feminino, é uma gratificante decisão. Sem contar que contará com a boa vontade do liberal inzoneiro populacho.
Continua esperando que os outros quebrem o seu galho, em especial o governo. A turma, descaradamente, prefere ganhar o peixe fritinho do que pescar, limpar e queimar os dedinhos numa frigideira.
Vimos o tumulto que foi “o vai acabar a bolsa família”. A galera foi ao desespero.
A irresponsabilidade, ou seja, o direito de não assumir qualquer compromisso é uma das suas virtudes. Ao longo de centenas de anos foi se forjando um amor às coisas terrenas, em especial à dos outros, ao carnaval, ao trio elétrico, à marcha gay, à bolsa de qualquer natureza, que é difícil mudar hábitos tão arraigados.
Jeitoso por sua própria natureza, nem se preocupa que para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
Em geral, prefere acreditar que é assim, um incompreendido, por descaso dos outros, que culpados, devem pagar.
Acreditam que nunca deveriam passar dos dezoito anos, idade que os protege contra as garras da justiça. Como exigir de um desabonado pela riqueza fácil que ele tenha amor pelos seus semelhantes?
A sociedade deveria condoer - se de um menor que desnorteado mata outra pessoa, influenciado pela descompostura de sua sociedade, que não lhe fornece os bens que ele tem direito.
Se os graúdos se locupletam com maracutaias mirabolantes, “por que não eu”, desafiam os parasitas entre os jogos de futebol? 
É fácil imaginar que devido ao esforço do desgoverno em cortar impostos para a compra de determinados bens (eletrodomésticos, carros...), decretar gratuita a cirurgia para troca de sexo, promover a distribuição de remédios, do kit gay e de uma montoeira de benesses, a reeleição da madame de um só neurônio será mamão com açúcar.
Como pretender que este desprezível inocente acredite que os pesados impostos não sejam para a construção de um País melhor para todos, e sim para o seu usufruto, e que por mais filha da p.. que ele seja , o seu voto vale tanto quanto o meu e de milhões que trabalham e pagam?
Não importa. Destacamo - nos na criminalidade mundial, no número de acidentes automobilísticos, no consumo de bebidas alcoólicas e das drogas, nos baixos índices escolares, no número de estupros (para alguns uma demonstração da nossa virilidade).
Como abrir mão da bolsa escola, da bolsa família, da bolsa invasão, da bolsa prostituta, da camisinha, da pílula do dia seguinte, do seguro desemprego, do auxilio reclusão, da fome zero, do vale gás, do vale transporte, do vale refeição e do sorteio da casa própria?
É proverbial a nossa independência, tanto que breve seremos uma nação impar, divididos em comunidades, a dos índios, dos negros (que poderão fracionar a unidade nacional), dos gays, dos viciados, a dos perseguidos, a dos sem terra e dos sem teto.
E um belo dia o desgoverno do PT, em apoteótica cerimônia, dividirá os bens nacionalmente, e todos serão iguais perante a quem estiver no trono.
Neste dia, o sucesso do “tudo pelo social” será conhecido em todo o mundo, que não perguntará que povo é este. 
Bom, ao que tudo indica, nunca saberemos, mas é provável que este povinho seja eternamente o produto mal acabado do eterno do País futuro.
 
28 de maio de 2013
Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

POR QUE O DESCONFORTO?


 
O Brasil é um país dissimulado. Declara-se não racista mas é racista. Os governantes fazem invariáveis campanhas eleitorais prometendo dedicação à saúde, educação e segurança mas não mandam seus filhos para a escola pública, não se deixam atender por hospitais da rede do SUS e moram em locais com segurança reforçada.
Os eleitores, convencidos  de que, ao votar, participam de uma festa da democracia, não têm certeza, devido à estranha e duvidosa apuração eletrônica, que seu voto  vai para o candidato por ele escolhido.
O governo brada estar buscando a eficiência e competitividade mas forma um Ministério com 39 componentes, possui uma Secretaria de Direitos Humanos que nitidamente blinda bandidos e cria uma comissão altamente parcial e politizada que se intitula da verdade mas só focaliza uma faceta dela.
A classe política é dominada por caciques que se eternizam no poder, desinteressados em qualquer modalidade de reforma política ou eleitoral, embora sempre afirmem estar buscando ambas.
Possuímos um Congresso onde uma percentagem assustadora de membros, jactando-se com o título de lídimos e honestos representantes do povo, está envolvida em processos cabeludos  e corrupções escabrosas.
Diante desse quadro de mentiras caleidoscópicas, do qual uma pequena parte foi aqui referida, cabe a pergunta: por que este espasmo de desconforto manifestado pelo Parlamento quando uma autoridade importante, a única que ainda conta com  credibilidade na sociedade, afirma que os partidos políticos são de mentirinha e o Legislativo é dominado pelo Executivo visando à aprovação de projetos de seu interesse em troca de benefícios paroquiais, quase individuais?
 
28 de maio de 2013
Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar-e-Guerra reformado

FIM DO BOLSA FAMÍLIA: A NECESSIDADE DO MEDO


 
 
Já escrevi antes sobre o medo. Volto agora ao tema em função desse episódio, patético, protagonizado pela  Caixa Econômica Federal com relação ao Bolsa Família. Em texto anterior expliquei que todo Estado totalitário tem como fundamento três características – a burocracia, a violência, e a desinformação. Lembro desde logo que essa teoria não é minha.

Está muito bem detalhada em As Origens do Totalitarismo de Hannah Arendt e serve, ao meu ver, como uma luva para o o Brasil petista. Faço aqui questão de salientar a expressão Brasil petista e não Brasil do PT. Sustento que,  a exemplo de Alemanha Nazista, é esse o conceito a ser usado.

O episódio desencadeado pelo boato do fim do Bolsa Família pode ser compreendido nos termos da  teoria de Arendt à medida que aceitarmos a indução de medo como uma forma de violência.

Acho desnecessário falar aqui sobre a burocracia num país com quarenta ministérios e não vejo sentido em mencionar a desinformação numa sociedade que acredita mais nas redes sociais (até porque não existem muitas alternativas) do que nos seus jornalistas sérios.

Há muito, mas muito tempo mesmo, o medo tornou-se uma constante na vida do brasileiro. A coisa chegou a tal ponto que fazer  uma lista dos motivos seria desperdício  para o leitor. A novidade, se é que posso usar esse termo, é o sentido político que esse sentimento assumiu.

O medo da sociedade brasileira provocado por uma organização criminosa como o Partido dos Trabalhadores vai muito além da prisão, da tortura, ou dos desaparecimentos das décadas de 60 e 70. Sustento que o medo no Brasil petista tem “vida própria”. Passou a ser uma espécie de categoria do pensamento, uma proposição a priori que não necessita de demonstração e que passou, ela sim, a a dirigir a nossa racionalidade.

Vivemos com medo de absolutamente tudo – violência, doenças, pobreza, corrupção, injustiça..enfim, a lista é interminável mas talvez seja a primeira vez em toda história do Brasil que vivemos com medo sem acreditar que possa haver algo melhor.

É a falta de esperança, acompanhada pelo medo, que nos leva a um nível de sofrimento..um sofrimento que nunca antes na história desse país havia acontecido. O medo provocado pela ralé do PT tem em comum com os medos de Hitler e Stalin a história de uma governo que não tem oposição alguma.

O sentido da violência e do medo na perspectiva tática do PT não pode ser explicado em termos tradicionais. O medo não serve para  manter esse tipo de gente no governo; mas  no poder. Há que se fazer aqui uma profunda distinção e lembrar sempre que o poder é capacidade de gerar consenso. Governo no Brasil pode significar qualquer outra coisa; menos  poder.

Já expliquei em artigo anterior como surgiu o poder do PT na sociedade brasileira. Aqui, e para terminar, sustento que o medo constante faz parte da sua forma de governar. Medo que, como demonstrado pelo caso do Bolsa Família, serviu para mostrar que na teoria petista as coisas poderiam ser “muito piores” se ele, PT,  não estivesse no governo. 

Esqueçam portanto o mensalão, Rosemary Noronha, Celso Daniel, e tantos outros escândalos desses últimos dez anos e fiquem vocês, os pobres dependentes do Bolsa Família, convencidos de que  “a vida pode  ficar bem ruim se nós do  PT não estivermos aqui para defendê-los”. Isso se chama mensagem subliminar. Em outra ocasião escrevo mais sobre ela falando das suas origens em Goebbels na década de 1930.

Lembrem-se todos os brasileiros que de agora em diante terão além das necessidades históricas de saúde, educação e segurança, mais uma necessidade terrível e que vai fazê-los esquecer de todas as outras – a necessidade do próprio medo...
 
28 de maio de 2013
Milton Simon Pires é Médico.

ENTREVISTA COM CACÁ DIEGUES - PRODUTOR E DIRETOR DE CINEMA

“Devo ser um coronel de merda”
Cacá Diegues-Produtor e diretor de cinema
 

Nascido em Maceió, o cineasta Carlos Diegues é um dos fundadores do Cinema Novo, movimento cinematográfico influenciado pelo Neo-realismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa. Desse movimento, surgiram nomes de peso da sétima arte nacional como os renomados Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra.
 
Em 1961, em colaboração com David Neves e Affonso Beato, o mesmo, realizou o curta-metragem Domingo, um dos filmes pioneiros do movimento.
 
Em 1962, no CPC, Diegues dirige seu primeiro filme profissional, em 35mm, Escola de Samba Alegria de Viver, episódio do longa-metragem Cinco Vezes Favela (os demais episódios são dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges). Seus três primeiros longas-metragens – Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969) – são filmes típicos daquele período voluntarista, inspirados em utopias para o cinema, para o Brasil e para a própria humanidade.

Polemista inquieto, ele continua a trabalhar como jornalista e a escrever críticas, ensaios e manifestos cinematográficos, em diferentes publicações, no Brasil e no exterior.
Em 1969, após a promulgação do AI-5, Diegues deixa o Brasil, vivendo primeiro na Itália e depois na França, com sua esposa, a cantora e musa da Bossa Nova Nara Leão.
De volta ao Brasil, Diegues realiza mais dois filmes – Quando o Carnaval Chegar (1972) e Joanna Francesa (1973). Em 1976, dirige Xica da Silva, seu maior sucesso popular.
Em 1978, Diegues inventa em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a expressão “patrulhas ideológicas”, para denunciar alguns setores da crítica que desqualificavam os produtos culturais não alinhados a certos cânones da esquerda política mais ortodoxa. Nesse período de início da redemocratização do país e de renovação do cinema brasileiro, realiza Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1980), dois de seus maiores sucessos.

Em 1981, integrou o júri no Festival de Cannes. Em 1984, realiza o épico Quilombo, uma produção internacional comandada pela Gaumont francesa, um velho sonho de seu realizador.
Numa fase crítica da economia cinematográfica do país, realiza dois filmes de baixo custo, Um Trem para as Estrelas (1987) e Dias Melhores Virão (1989). Na mesma fase, realiza, em parceria com a TV Cultura, Veja esta Canção (1994).
Quando a nova Lei do Audiovisual finalmente é promulgada, ele é um dos poucos cineastas veteranos ainda em atividade – trabalhando com comerciais, documentários, videoclipes. A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina – o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos no mundo.

É oficial da Ordem das Artes e das Letras (l’Ordre des Arts et des Lettres) da República Francesa. Também é membro da Cinemateca Francesa. O governo brasileiro também lhe concedeu o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país. Tem dois filhos, Isabel e Francisco, do seu casamento com Nara Leão.
Tem três netos: José Pedro Diegues Bial (2002), filho de Isabel; e Monah André Diegues (2004) e Mateo André Diegues (2005), filhos de Francisco. Desde 1981, é casado com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães.

Nessa entrevista exclusiva ao portal Panorama Mercantil, o alagoano que adotou o Rio de Janeiro como sua cidade desde os 6 anos de idade, fala de tudo um pouco, desde às artes e indo até a política, e ainda rebate com força, uma crítica pesada do cineasta pernambucano Cláudio Assis, que o chamou de “coronel” do cinema nacional.
 
Panorama Mercantil-Em uma entrevista, o diretor Cláudio Assis, afirmou que  o senhor juntamente com a família Barreto, são os coronéis do cinema nacional.  Como vê essa forte declaração?

 
Cacá Diegues-Há anos que não ganho um edital público, nem mesmo com “5XFavela”, um filme que estava dando uma oportunidade a mais de 250 jovens moradores de favela que desejavam ser cineastas. Devo ser um “coronel” de merda. 
Panorama-O senhor leva em consideração a análise dos críticos sobre a sua obra?

 
Diegues-Leio as críticas com atenção, mas sei distinguir as que valem à pena e as que não valem. Também escrevo sobre cinema, desde jovem. E acho que já vi mais filmes e escrevo melhor do que muitos dos críticos. 
Panorama-Quando o cinema brasileiro se tornará uma indústria de fato?

 
Diegues-Quando for um consenso que todos os filmes precisam ser feitos para ocuparem todas as telas, quando a diversidade for reconhecida como a principal virtude de nosso cinema. 
Panorama-Muita gente (entre os quais alguns cineastas) afirmam que  o Brasil coloca demasiadamente, a “estética da pobreza” nas telas, sendo que deveriam enaltecer outros aspectos. O senhor considera essa visão válida?

 
Diegues-Não sei o que é “estética da pobreza”, uma expressão muito ambígua. Sou a favor da defesa dos pobres, mas contra a defesa da pobreza. 
Panorama-O senhor afirmou há alguns anos, que sem uma forte  parceria com a televisão, o cinema brasileiro não teria futuro. Ainda pensa da mesma forma? E se pensa, nos diga porque chegou a tal conclusão?

 
Diegues-Cheguei a essa conclusão observando o mundo e o que se passa no audiovisual de todos os continentes. Nesse sentido, estamos atrasados algumas décadas, com essa besteira recorrente de opor cinema e televisão. 
Panorama-Em uma certa oportunidade, o senhor afirmou que o que afastava o brasileiro do cinema, era a recessão econômica. De alguns anos para cá, a economia se fortaleceu, mas mesmo assim temos poucos expectadores nas salas, se formos comparar o tamanho da população. Onde está o erro então?

 
Diegues-Hoje se faz filmes em todo lugar do mundo e se multiplicaram os meios de difusão deles. A sala não é mais a única forma de mostrar um filme e quem pensa assim está sendo um dinossauro preconceituoso. 
Panorama-Os EUA fornece apenas 3% do seu mercado para o cinema estrangeiro. Aqui no Brasil ocorre o contrário, são os brasileiros que lutam para ter um pequeno espaço de exibição nas salas do seu próprio país. Isso nunca irá mudar?

 
Diegues-Só quando os nossos filmes forem, em todos os segmentos, melhores do que os deles. 
Panorama-Por que as pessoas tem sempre a mania de dizer que o  senhor “aderiu ao sistema”. Se “aderir ao sistema” é levar a sua arte a um número maior de pessoas, com uma estrutura financeira melhor do que se tinha em outrora, isso não seria bom?

 
Diegues-Não me incomodo com isso, nem penso sobre isso. Faço os filmes que tenho necessidade pessoal de fazer, para que os outros encontrem algum divertimento, conhecimento e encantamento em suas vidas. 
Panorama-Hoje conhecendo como poucos o cinema nacional, o senhor considera possível fazer um filme altamente crítico e humanista, e ainda captar recursos para o mesmo?

 
Diegues-Depende de aonde você pretende captar. A verdadeira democracia na produção de cinema no Brasil será quando houver guichês para todos os tipos de filmes. 
Panorama-O senhor disse em uma certa ocasião que esse não era o país dos seus sonhos, mas se fosse um intelectual do PT, um cineasta do PSDB ou um artista do PCdoB jamais poderia dizer isso. Afinal, a arte representa interesses, e quem não representa esses interesses “está fora” por assim dizer?

 
Diegues-O intelectual existe para fazer pensar e não para agradar partidos. Não quero submeter o que penso a nenhuma cartilha partidária. 
Panorama-Alguns dizem que o cinema hollywoodiano é maléfico  porque tira as condições de igualdade de exibição com o resto do mundo.  Outros dizem que o cinema hollywoodiano é benéfico, afinal é a indústria  que movimenta a sétima arte em escala global. E o senhor acredita que ela é  benéfica ou  maléfica?

Diegues-Depende do filme a que você estiver se referindo. Os americanos aprenderam a fazer filmes ao gosto mundial. Alguns são bons, outros são muito ruins. Alguns bons não são muito vistos, outros ruins fazem sucesso. Não é justo, mas não posso proibir o público de ir ao cinema e ver o filme que quiser.
 
Panorama-Alguns cineastas, afirmam que o cinema produzido no Brasil ainda está atrás dos nossos vizinhos, especialmente de Argentina,  Uruguai e Chile. Até que ponto isso é uma  verdade?

Diegues-Não é e nunca foi verdade. Vemos no Brasil apenas os poucos filmes bons de outros países latino-americanos, ignoramos a farta produção de porcarias que não são exportadas. Mas isso também se passa conosco, não podemos dizer que somos melhores do que eles.
 
Panorama-O que o senhor pode adiantar de “O Grande  Circo Místico”, que o senhor deve começar a filmar em outubro desse ano?

Diegues-Que é um filme que sonho fazer há muito tempo e para o qual estou me preparando há três anos.

28 de maio de 2013
Colaboração do Jornalista Eder Fonseca
Panorama Mercantil