Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
PRIVILÉGIO CONCEDIDO PELA PETROBRAS À MULTINACIONAL WHITE MARTINS PRECISA SER INVESTIGADO.
A acusação é grave demais.
Em agosto de 2007, o jornal do Sindicato dos Petroleiros publicou uma denúncia gravíssima de que o mercado brasileiro de Gás Natural Liquefeito (GNL) estava entregue à White Martins, uma empresa dos EUA.
A manobra se deu através do Consórcio Gemini, composto por 60% de ações da White Martins e 40% da Gaspetro (subsidiária da Petrobrás), sendo a multinacional inidônea e já tendo sido punida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a devolução aos cofres públicos de R$ 6,6 milhões, em julho de 2006.
Em 2007, no dia 20 de julho, o engenheiro e ex-empresário do ramo de gases industriais e medicinais João Vinhosa denunciou a Gemini à Polícia Federal. Vinhosa foi integrante do Conselho Nacional do Petróleo, durante seis anos, na década de 1980, e hoje trabalha como professor universitário.
Na carta então encaminhada ao Diretor-Geral da PF, Paulo Lacerda, o empresário destaca uma série de irregularidades que teriam sido cometidas pela White Martins. Dizia que a constituição dessa sociedade foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob pressão, pois, na época, a Petrobras divulgou ostensivamente propagandas que mostravam a existência do Gemini como fato consumado.
De acordo com Vinhosa, a associação da Petrobras entrega o mercado de GNL aos EUA com a White Martins e na prática, privatizou esse estratégico setor, possibilitando, inclusive, que a Gemini contratasse (sem licitação e pela eternidade) a própria sócia majoritária White Martins para a prestação da totalidade dos serviços necessários à operação da sociedade. Logo, torna-se evidente que, ao ficar com apenas 40% da Gemini, a Petrobrás privatizou nosso GNL da pior maneira possível.
O engenheiro Vinhosa denuncia também que, de 1995 a 2000, sempre que o Exército Brasileiro abria licitação para a contratação de fornecedores de gás natural, apenas a White Martins oferecia propostas. Com isso, durante cinco anos a União gastou R$ 7,80 por metro cúbico de GNL.
De acordo com Vinhosa, a partir de 2000, houve um racha entre as corporações e a licitação foi vencida por uma empresa que ofereceu R$ 1,35 pelo metro cúbico do gás (na mesma concorrência, a White Martins ofereceu R$ 1,63, demonstrando de que os habituais R$ 7,80 eram superfaturados).
“Além disso, a White Martins lesou a Agência Brasileira de Inteligência e o Hospital do Câncer do Rio de Janeiro”, disse Vinhosa, relatando que em 1999 o então presidente do Inca, Dr. José Kogut, declarou: “Na época em que denunciamos os preços exorbitantes, teve um representante da empresa (White Martins) que veio ao nosso gabinete. Eu disse que
aquele não era papel de um homem decente. Que ele estava matando pacientes com câncer”. Essa notícia saiu em O Globo (10/07/99).
Após as denúncias, a Petrobrás afirmou que os processos judiciais contra a
White Martins estão sub judice, não havendo ainda em qualquer deles sentença condenatória contra essa empresa.
O tema surpreendeu a Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Tanto que a entidade enviou carta à direção da Companhia solicitando esclarecimentos a respeito das denúncias de irregularidades no Consórcio Gemini. Não houve resposta.
A White Martins pertence à Praxair Inc., sediada nos EUA. Se o mercado brasileiro de Gás Natural Liquefeito continuar entregue ao consórcio Gemini, não seria exagero dizer que a Petrobrás entregou aos EUA a administração do negócio. Na opinião de Vinhosa, “foi um crime de lesa-pátria ter tornado a Praxair Inc. a grande beneficiária do nosso Gás Natural Liquefeito”.
Em maio de 2009, o engenheiro denunciou a Gemini diretamente em carta à então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que na condição de ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, avalizou a criação de tal sociedade. Não houve resposta.
De lá para cá, em sucessivos artigos publicados em diversos sites e blog, Vinhosa não para da denunciar a Gemini, sem que ninguém responda a ele. Suas acusações são públicas. Não dá para compreender é porque a oposição não se interessa em apurar nem cobra uma manifestação de Dilma a respeito das graves denúncias.
É claro que uma associação com uma multinacional para explorar o GNL brasileiro, ficando a Petrobras com a minoria do negócio, é assunto que carece de explicações muito detalhadas. É preciso ser esclarecido. O silêncio da Petrobras, do Ministério das Minas e Energia e do Planalto tem de se quebrado. E a influente Associação dos Engenheiros da Petrobras, o que diz sobre isso?
Carlos Newton
27 de janeiro de 2012
Em agosto de 2007, o jornal do Sindicato dos Petroleiros publicou uma denúncia gravíssima de que o mercado brasileiro de Gás Natural Liquefeito (GNL) estava entregue à White Martins, uma empresa dos EUA.
A manobra se deu através do Consórcio Gemini, composto por 60% de ações da White Martins e 40% da Gaspetro (subsidiária da Petrobrás), sendo a multinacional inidônea e já tendo sido punida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a devolução aos cofres públicos de R$ 6,6 milhões, em julho de 2006.
Em 2007, no dia 20 de julho, o engenheiro e ex-empresário do ramo de gases industriais e medicinais João Vinhosa denunciou a Gemini à Polícia Federal. Vinhosa foi integrante do Conselho Nacional do Petróleo, durante seis anos, na década de 1980, e hoje trabalha como professor universitário.
Na carta então encaminhada ao Diretor-Geral da PF, Paulo Lacerda, o empresário destaca uma série de irregularidades que teriam sido cometidas pela White Martins. Dizia que a constituição dessa sociedade foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob pressão, pois, na época, a Petrobras divulgou ostensivamente propagandas que mostravam a existência do Gemini como fato consumado.
De acordo com Vinhosa, a associação da Petrobras entrega o mercado de GNL aos EUA com a White Martins e na prática, privatizou esse estratégico setor, possibilitando, inclusive, que a Gemini contratasse (sem licitação e pela eternidade) a própria sócia majoritária White Martins para a prestação da totalidade dos serviços necessários à operação da sociedade. Logo, torna-se evidente que, ao ficar com apenas 40% da Gemini, a Petrobrás privatizou nosso GNL da pior maneira possível.
O engenheiro Vinhosa denuncia também que, de 1995 a 2000, sempre que o Exército Brasileiro abria licitação para a contratação de fornecedores de gás natural, apenas a White Martins oferecia propostas. Com isso, durante cinco anos a União gastou R$ 7,80 por metro cúbico de GNL.
De acordo com Vinhosa, a partir de 2000, houve um racha entre as corporações e a licitação foi vencida por uma empresa que ofereceu R$ 1,35 pelo metro cúbico do gás (na mesma concorrência, a White Martins ofereceu R$ 1,63, demonstrando de que os habituais R$ 7,80 eram superfaturados).
“Além disso, a White Martins lesou a Agência Brasileira de Inteligência e o Hospital do Câncer do Rio de Janeiro”, disse Vinhosa, relatando que em 1999 o então presidente do Inca, Dr. José Kogut, declarou: “Na época em que denunciamos os preços exorbitantes, teve um representante da empresa (White Martins) que veio ao nosso gabinete. Eu disse que
aquele não era papel de um homem decente. Que ele estava matando pacientes com câncer”. Essa notícia saiu em O Globo (10/07/99).
Após as denúncias, a Petrobrás afirmou que os processos judiciais contra a
White Martins estão sub judice, não havendo ainda em qualquer deles sentença condenatória contra essa empresa.
O tema surpreendeu a Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Tanto que a entidade enviou carta à direção da Companhia solicitando esclarecimentos a respeito das denúncias de irregularidades no Consórcio Gemini. Não houve resposta.
A White Martins pertence à Praxair Inc., sediada nos EUA. Se o mercado brasileiro de Gás Natural Liquefeito continuar entregue ao consórcio Gemini, não seria exagero dizer que a Petrobrás entregou aos EUA a administração do negócio. Na opinião de Vinhosa, “foi um crime de lesa-pátria ter tornado a Praxair Inc. a grande beneficiária do nosso Gás Natural Liquefeito”.
Em maio de 2009, o engenheiro denunciou a Gemini diretamente em carta à então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que na condição de ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, avalizou a criação de tal sociedade. Não houve resposta.
De lá para cá, em sucessivos artigos publicados em diversos sites e blog, Vinhosa não para da denunciar a Gemini, sem que ninguém responda a ele. Suas acusações são públicas. Não dá para compreender é porque a oposição não se interessa em apurar nem cobra uma manifestação de Dilma a respeito das graves denúncias.
É claro que uma associação com uma multinacional para explorar o GNL brasileiro, ficando a Petrobras com a minoria do negócio, é assunto que carece de explicações muito detalhadas. É preciso ser esclarecido. O silêncio da Petrobras, do Ministério das Minas e Energia e do Planalto tem de se quebrado. E a influente Associação dos Engenheiros da Petrobras, o que diz sobre isso?
Carlos Newton
27 de janeiro de 2012
A ESCORCHANTE CARGA TRIBUTÁRIA
27 de janeiro de 2012
Carga tributária do PT esfola os brasileiros em quase R$ 1 trilhão em 2011.
Os brasileiros pagaram uma quantia recorde de impostos e contribuições no ano passado. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 27, pela Receita Federal, a arrecadação federal somou R$ 969,907 bilhões no ano passado.
O volume representou um crescimento de R$ 143,388 bilhões em relação ao verificado em 2010, que já havia sido o maior da história até então, quando totalizou R$ 897,988 bilhões. A arrecadação do ano passado registrou uma alta real de 10,10% em relação ao ano anterior.
O crescimento ficou abaixo da projeção feita pelo Fisco para 2011, que era um intervalo de alta entre 11,00% e 11,50%. Especificamente em relação a dezembro do ano passado, a arrecadação somou R$ 96,632 bilhões, o que significa uma queda real de 2,69% na comparação com o mesmo mês de 2010, mas uma alta de 21,76% na comparação com novembro.
O resultado do mês passado ficou dentro do esperado por analistas consultados pelo AE Projeções, que previam uma arrecadação de R$ 94,8 bilhões a R$ 104,9 bilhões, mas abaixo da mediana projetada, de R$ 98 bilhões.
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
Carga tributária do PT esfola os brasileiros em quase R$ 1 trilhão em 2011.
Os brasileiros pagaram uma quantia recorde de impostos e contribuições no ano passado. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 27, pela Receita Federal, a arrecadação federal somou R$ 969,907 bilhões no ano passado.
O volume representou um crescimento de R$ 143,388 bilhões em relação ao verificado em 2010, que já havia sido o maior da história até então, quando totalizou R$ 897,988 bilhões. A arrecadação do ano passado registrou uma alta real de 10,10% em relação ao ano anterior.
O crescimento ficou abaixo da projeção feita pelo Fisco para 2011, que era um intervalo de alta entre 11,00% e 11,50%. Especificamente em relação a dezembro do ano passado, a arrecadação somou R$ 96,632 bilhões, o que significa uma queda real de 2,69% na comparação com o mesmo mês de 2010, mas uma alta de 21,76% na comparação com novembro.
O resultado do mês passado ficou dentro do esperado por analistas consultados pelo AE Projeções, que previam uma arrecadação de R$ 94,8 bilhões a R$ 104,9 bilhões, mas abaixo da mediana projetada, de R$ 98 bilhões.
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
ANOTAÇÕES POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS
Michel Temer: entre a República e o PMDB
O que mais se ouve em Brasília, esta semana, é que o Dnocs faz parte da cota do PMDB e que a presidente Dilma não tem direito nem coragem de substituir sua diretoria. Mais ainda: que o ministério das Cidades pertence ao PP e Mário Negromonte não pode ser demitido, ainda que seu chefe de gabinete tenha sido afastado por “falta de motivação” para o exercício do cargo.
Trava-se a mesma luta entre os partidos e o palácio do Planalto em torno da Funasa, dos ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Industrial e quase toda a estrutura governamental loteada pelos aliados desde o governo Lula. Enquanto isso, são desencontradas as informações.
Na sede do governo, assessores anunciam que a presidente Dilma mandou passar o rodo numa série de feudos partidários onde irregularidades vem sendo detectadas e até comprovadas. No Congresso, líderes desafiam o Executivo, em chantagem explícita, ameaçando votar contra projetos e interesses oficiais caso seus representantes sejam demitidos.
Estranha foi a informação de ontem: só quando retornar de Cuba e do Haiti, dia 2 de fevereiro, a presidente tratará da questão. No meio das escaramuças encontra-se o vice-presidente Michel Temer, a partir de hoje no exercício da presidência, lutando pela preservação dos espaços conquistados na administração federal.
Nem pensa em ajudar Dilma, afastando ele mesmo as desgastadas figuras sob fogo batido das denúncias. Entre a República e o PMDB, já se definiu pelo partido. O caso do Dnocs acaba de levar o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, ao paroxismo. Lembrou que com 80 deputados e 20 senadores, seu partido está blindado contra a demissão de seus indicados.
Faz como questão de honra a permanência do diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, seu apadrinhado. Acha que o governo não vai brigar por tão pouco. Afinal, o PMDB sustentou os ministros Fernando Pimentel, Fernando Bezerra e Paulo Bernardo, quando vitimas de acusações variadas.
Encontra-se a presidente numa daquelas situações definitivas. Ou aceita as pressões, deixando óbvia sua situação de prisioneira das quadrilhas partidárias ou dá um murro na mesa, demonstrando ser ela quem manda. Até porque, Havana e Port-Au-Prince estão ligadas com Brasília, pelo telefone…
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EFEITOS SEM CAUSA
Na tragédia das Torres Gêmeas, foi fácil identificar o culpado. Era Osama Bin Landen, a partir de então perseguido pelo planeta inteiro, até ser encontrado e justiçado pelos Estados Unidos. Ainda que guardadas as proporções, a queda de três edifícios no centro do Rio compõe situação parecida. De quem foi a culpa? Das autoridades municipais e estaduais que não fiscalizaram obras e estruturas? Das empresas encarregadas de zelar pela segurança das propriedades? Dos moradores? Do material com que foram construídas e reformadas as construções? Do acaso?
Nenhum avião foi lançado contra o centro do Rio, como em Nova York. Mas os efeitos foram os mesmos, ainda que felizmente com muito menos vitimas. O risco é de permanecerem efeitos sem causa…
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SERRA, A REVANCHE
Aguarda-se para os próximos dias um gesto ou uma palavra de José Serra, com a imagem e o futuro postos em frangalhos pelos comentários feitos por Fernando Henrique Cardoso. Os partidários do ex-governador insistem para ele deixar a amizade de lado e responder à altura os comentários de estar velho e ultrapassado para disputar outra vez a presidência da República.
No mínimo deveria denunciar a intromissão indevida do sociólogo no ainda inexistente plano de vôo dos tucanos. Permanecer calado, como quem recebeu um golpe mortal em suas pretensões, equivalerá a concordar com o amigo.
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FOGO AMIGO OU INIMIGO?
O prefeito Gilberto Kassab precisa apurar a origem do movimento de protesto que levou cerca de 800 pessoas a agredi-lo na saída da Igreja da Sé, depois da missa pelos 458 anos de fundação de São Paulo. Manifestação espontânea não foi, já que ninguém vai à missa levando tomates, ovos e pedras no bolso.
Mas de onde teria partido o vandalismo? Populares indignados com a ação policial em São José dos Campos certamente não, dada a distância e a preocupação dos desalojados em encontrar novas moradias. Reação de militantes do PT, infensos ao apoio do prefeito à candidatura de Fernando Haddad? Também não, porque os companheiros tem celebrado acordos piores. Ressurgimento da solerte ideologia comunista há tantos anos escoada pelo ralo? De jeito nenhum. Ataque da esquadrilha dos tucanos? Por quê?
A consequência das dúvidas deixa em aberto o futuro do prefeito e de seu possível candidato a sucedê-lo. Mas não será difícil identificar alguns, na massa de 800 vândalos.
Carlos Chagas
27 de janeiro de 2012
O que mais se ouve em Brasília, esta semana, é que o Dnocs faz parte da cota do PMDB e que a presidente Dilma não tem direito nem coragem de substituir sua diretoria. Mais ainda: que o ministério das Cidades pertence ao PP e Mário Negromonte não pode ser demitido, ainda que seu chefe de gabinete tenha sido afastado por “falta de motivação” para o exercício do cargo.
Trava-se a mesma luta entre os partidos e o palácio do Planalto em torno da Funasa, dos ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Industrial e quase toda a estrutura governamental loteada pelos aliados desde o governo Lula. Enquanto isso, são desencontradas as informações.
Na sede do governo, assessores anunciam que a presidente Dilma mandou passar o rodo numa série de feudos partidários onde irregularidades vem sendo detectadas e até comprovadas. No Congresso, líderes desafiam o Executivo, em chantagem explícita, ameaçando votar contra projetos e interesses oficiais caso seus representantes sejam demitidos.
Estranha foi a informação de ontem: só quando retornar de Cuba e do Haiti, dia 2 de fevereiro, a presidente tratará da questão. No meio das escaramuças encontra-se o vice-presidente Michel Temer, a partir de hoje no exercício da presidência, lutando pela preservação dos espaços conquistados na administração federal.
Nem pensa em ajudar Dilma, afastando ele mesmo as desgastadas figuras sob fogo batido das denúncias. Entre a República e o PMDB, já se definiu pelo partido. O caso do Dnocs acaba de levar o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, ao paroxismo. Lembrou que com 80 deputados e 20 senadores, seu partido está blindado contra a demissão de seus indicados.
Faz como questão de honra a permanência do diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, seu apadrinhado. Acha que o governo não vai brigar por tão pouco. Afinal, o PMDB sustentou os ministros Fernando Pimentel, Fernando Bezerra e Paulo Bernardo, quando vitimas de acusações variadas.
Encontra-se a presidente numa daquelas situações definitivas. Ou aceita as pressões, deixando óbvia sua situação de prisioneira das quadrilhas partidárias ou dá um murro na mesa, demonstrando ser ela quem manda. Até porque, Havana e Port-Au-Prince estão ligadas com Brasília, pelo telefone…
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EFEITOS SEM CAUSA
Na tragédia das Torres Gêmeas, foi fácil identificar o culpado. Era Osama Bin Landen, a partir de então perseguido pelo planeta inteiro, até ser encontrado e justiçado pelos Estados Unidos. Ainda que guardadas as proporções, a queda de três edifícios no centro do Rio compõe situação parecida. De quem foi a culpa? Das autoridades municipais e estaduais que não fiscalizaram obras e estruturas? Das empresas encarregadas de zelar pela segurança das propriedades? Dos moradores? Do material com que foram construídas e reformadas as construções? Do acaso?
Nenhum avião foi lançado contra o centro do Rio, como em Nova York. Mas os efeitos foram os mesmos, ainda que felizmente com muito menos vitimas. O risco é de permanecerem efeitos sem causa…
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SERRA, A REVANCHE
Aguarda-se para os próximos dias um gesto ou uma palavra de José Serra, com a imagem e o futuro postos em frangalhos pelos comentários feitos por Fernando Henrique Cardoso. Os partidários do ex-governador insistem para ele deixar a amizade de lado e responder à altura os comentários de estar velho e ultrapassado para disputar outra vez a presidência da República.
No mínimo deveria denunciar a intromissão indevida do sociólogo no ainda inexistente plano de vôo dos tucanos. Permanecer calado, como quem recebeu um golpe mortal em suas pretensões, equivalerá a concordar com o amigo.
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FOGO AMIGO OU INIMIGO?
O prefeito Gilberto Kassab precisa apurar a origem do movimento de protesto que levou cerca de 800 pessoas a agredi-lo na saída da Igreja da Sé, depois da missa pelos 458 anos de fundação de São Paulo. Manifestação espontânea não foi, já que ninguém vai à missa levando tomates, ovos e pedras no bolso.
Mas de onde teria partido o vandalismo? Populares indignados com a ação policial em São José dos Campos certamente não, dada a distância e a preocupação dos desalojados em encontrar novas moradias. Reação de militantes do PT, infensos ao apoio do prefeito à candidatura de Fernando Haddad? Também não, porque os companheiros tem celebrado acordos piores. Ressurgimento da solerte ideologia comunista há tantos anos escoada pelo ralo? De jeito nenhum. Ataque da esquadrilha dos tucanos? Por quê?
A consequência das dúvidas deixa em aberto o futuro do prefeito e de seu possível candidato a sucedê-lo. Mas não será difícil identificar alguns, na massa de 800 vândalos.
Carlos Chagas
27 de janeiro de 2012
BRASIL E RIO MARAVILHA (DELES): MÍDIA MUNDIAL APREENSIVA POR COPA E OLIMPÍADAS
O desabamento de três prédios no coração do Rio de Janeiro foi notícia no mundo inteiro, provocando questionamentos sobre a cidade que vai sediar nos próximos anos a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.
Em matéria sobre o caso, o "Wall Street Journal" afirma que a tragédia chama a atenção "para a infraestrutura caindo aos pedaços da cidade que se prepara para abrigar dois eventos esportivos internacionais":
"Os aeroportos, avenidas e outras infraestruturas da cidade estão envelhecidos, e sofreram com a falta de cuidados durante as décadas de fraco crescimento econômico. As autoridades esperam que, com os eventos esportivos e o boom da economia, possam dar uma revitalizada na cidade litorânea", diz o jornal, lembrando ainda que o Rio vem sofrendo uma série de explosões ligadas a vazamento de gás.
O site internacional da BBC aposta no mesmo tom, mostrando preocupação pelo "estado da infraestrutura do Rio, enquanto o Brasil se prepara para receber dois eventos esportivos de grande porte".
Em seu site, o "Washington Post" montou uma fotogaleria com 15 imagens da tragédia, com o título simples e direto:
"Prédios do Rio de Janeiro desabam".
Ao lado das imagens de escombros e buscas por sobreviventes, o jornal assinalava que corpos haviam sido encontrados, mas 21 pessoas continuavam desaparecidas.
O site do britânico "The Guardian" exibia um vídeo de um minuto, destacando que algumas pessoas que passavam pelo local sentiram um forte cheiro de gás após a queda dos edifícios.
O "Le Monde" também optou por uma fotogaleria, afirmando que "o desabamento de três prédios deu um ar de campo de guerra ao bairro histórico do Rio de Janeiro". O jornal francês informou ainda que a região é muito frequentada durante o dia, mas fica quase deserta à noite.
Em matéria intitulada "Cinco mortos e desaparecidos no desabamento de três prédios no Rio de Janeiro", o argentino "Clarín" diz que as causas da tragédia ainda são desconhecidas, mas informa que as investigações se concentram principalmente na possibilidade de problemas estruturais nas construções.
A notícia ganhou a manchete da seção internacional do site chileno Emol, com a matéria "Sobe para cinco o número de mortos por desabamento de três edifícios no Rio".
A notícia ganhou destaque até mesmo na TV russa Primeiro Canal.
Em matéria de um minuto, o apresentador afirmou que o prédios desabaram após uma explosão.
27 de janeiro de 2012
O Globo
Em matéria sobre o caso, o "Wall Street Journal" afirma que a tragédia chama a atenção "para a infraestrutura caindo aos pedaços da cidade que se prepara para abrigar dois eventos esportivos internacionais":
"Os aeroportos, avenidas e outras infraestruturas da cidade estão envelhecidos, e sofreram com a falta de cuidados durante as décadas de fraco crescimento econômico. As autoridades esperam que, com os eventos esportivos e o boom da economia, possam dar uma revitalizada na cidade litorânea", diz o jornal, lembrando ainda que o Rio vem sofrendo uma série de explosões ligadas a vazamento de gás.
O site internacional da BBC aposta no mesmo tom, mostrando preocupação pelo "estado da infraestrutura do Rio, enquanto o Brasil se prepara para receber dois eventos esportivos de grande porte".
Em seu site, o "Washington Post" montou uma fotogaleria com 15 imagens da tragédia, com o título simples e direto:
"Prédios do Rio de Janeiro desabam".
Ao lado das imagens de escombros e buscas por sobreviventes, o jornal assinalava que corpos haviam sido encontrados, mas 21 pessoas continuavam desaparecidas.
O site do britânico "The Guardian" exibia um vídeo de um minuto, destacando que algumas pessoas que passavam pelo local sentiram um forte cheiro de gás após a queda dos edifícios.
O "Le Monde" também optou por uma fotogaleria, afirmando que "o desabamento de três prédios deu um ar de campo de guerra ao bairro histórico do Rio de Janeiro". O jornal francês informou ainda que a região é muito frequentada durante o dia, mas fica quase deserta à noite.
Em matéria intitulada "Cinco mortos e desaparecidos no desabamento de três prédios no Rio de Janeiro", o argentino "Clarín" diz que as causas da tragédia ainda são desconhecidas, mas informa que as investigações se concentram principalmente na possibilidade de problemas estruturais nas construções.
A notícia ganhou a manchete da seção internacional do site chileno Emol, com a matéria "Sobe para cinco o número de mortos por desabamento de três edifícios no Rio".
A notícia ganhou destaque até mesmo na TV russa Primeiro Canal.
Em matéria de um minuto, o apresentador afirmou que o prédios desabaram após uma explosão.
27 de janeiro de 2012
O Globo
COM A FACA NOS DENTES
Partidos da base de apoio de Dilma Rousseff voltaram a expor a luta renhida que travam por nacos de poder.
PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário.
Pelo que, afinal, brigam tanto?
Pelo bem do país é que não é.
A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público.
Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.
Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf.
Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.
Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero "fogo amigo", percalços de um governo naturalmente fatiado.
Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.
O Globo mostra hoje(26/1) a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d'água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto.
Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.
Este é apenas "mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá", resume o jornal em editorial na edição de hoje(26/1).
Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa.
Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.
Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus "aliados".
"O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?", disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo.
Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.
Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto.
Ele estaria "desmotivado". O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.
A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe - com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras - foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.
Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores - em síntese, sem rumo e sem alma.
São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação.
Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos.
Que projeto de país, afinal, nos oferecem?
Fonte: Instituto Teotônio Vilela
PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário.
Pelo que, afinal, brigam tanto?
Pelo bem do país é que não é.
A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público.
Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.
Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf.
Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.
Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero "fogo amigo", percalços de um governo naturalmente fatiado.
Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.
O Globo mostra hoje(26/1) a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d'água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto.
Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.
Este é apenas "mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá", resume o jornal em editorial na edição de hoje(26/1).
Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa.
Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.
Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus "aliados".
"O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?", disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo.
Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.
Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto.
Ele estaria "desmotivado". O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.
A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe - com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras - foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.
Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores - em síntese, sem rumo e sem alma.
São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação.
Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos.
Que projeto de país, afinal, nos oferecem?
Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O SORRISO DE BATTISTI É AFRONTA AO POVO ITALIANO
Alguns jornais da quarta-feira, 25/01/12, estamparam uma foto do ex-terrorista Cesare Battisti, militante da esquerda italiana, sorrindo. O sorriso obviamente que é um instinto e reação natural de todo e qualquer ser humano.
A foto foi tirada em Porto Alegre onde o homicida, condenado em seu país de origem, lança um livro durante o Forum Social Temático que ali se realiza. No caso de Battisti, no entanto, um sorriso fotografado e publicado na mídia, soará sempre como uma autêntica afronta ao povo italiano.
Decisão judicial de um país soberano como o nosso não se discute, mas não há dúvida que os italianos vão protestar sempre pela concessão, em princípio definitiva, de refúgio político a Battisti.
A Itália, com toda razão, clama por justiça e recorreu à Corte Internacional de Justiça, em Haia, para tentar anular a decisão da Justiça Brasileira e trazê-lo de volta, para o cumprimento da pena.
Os italianos permanecem indignados.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu acatar, tempos atrás, por maioria dos votos de seus ministros, a decisão tomada anteriormente pelo Presidente Lula de não extraditar Battisti, sendo-lhe também concedida a liberdade. O direito, a meu ver, é da Itália e das famílias das vítimas do ativista, militante de uma organização comunista, nos anos 70, que pegou em armas para a prática de terrorismo além de assassinar quatro pessoas, sendo condenado a 30 anos de prisão pela Justiça Italiana.
Caracteriza-se -se o Brasil, com tal discutível decisão, perante o cenário mundial, não há dúvida, como um novo ‘albergue’ de assassinos terroristas, como já se não bastasse ser o país do direito penal mínimo, onde criminosos, cometam o crime que cometerem, são beneficiados por progressões de regime carcerários, redução de penas, visitas íntimas, saídas para visita ao lar ( boa parte não regressa à prisão), razoável alimentação, ociosidade plena no cárcere, etc, etc…, tudo pago pelos impostos de todos nós em nome dos “direitos humanos”.
Dois pesos e duas medidas com relação ao caso, por exemplo, dos dois lutadores de boxe que durante os Jogos Panamericanos no Rio, em 2007, tentaram fugir da ditadura cubana e foram imediatamente devolvidos ao “companheiro Fidel”.
Ressalte-se também o caso do argentino Manuel Pincentini, criminoso de direita, envolvido na chamada Operação Condor, no cone sul, extraditado para o seu país de origem para responder pelos crimes cometidos. Ou seja: opositor da esquerda e criminoso de direita são extraditados, mas a terrorista de esquerda concede-se refúgio político.
Fica o país, portanto, doravante aberto e receptivo aos terroristas do mundo, inclusive os da Al-Qaeda e das Farc, para que aqui também se refugiem sob o argumento jurídico de crimes conexos a crimes políticos ou em nome do fundamento religioso e de que em seus países de origem serão vítimas de “perseguição”.
A Itália esclarece inclusive que Battisti, independente dos atos terroristas que cometeu, no caso dos quatro assassinatos foi considerado um criminoso comum, fato que derruba o argumento brasileiro de “perseguição política”.
A Itália almeja, portanto, o cumprimento de uma decisão soberana de sua Justiça , dentro de um estado de pleno direito, inclusive quando o citado país tinha, paradoxalmente, um governo de centro-esquerda. A pena para o homicida é de 30 anos de prisão pelos quatro homicídios. É isso que a Itália deseja: a extradição e que a sentença seja cumprida e não desconsiderada pelo Brasil.
Com a palavra as organizações internacionais protetoras de direitos humanos, que sempre permanecem em estranho silêncio quando que lhes convém. Com tanta benevolência, no país da criminologia misericordiosa, Battisti, livre, leve e solto, pode até de se tornar comentarista político. Espaço de mídia certamente não lhe faltará.
Milton Corrêa da Costa
27 de janeiro de 2012
A foto foi tirada em Porto Alegre onde o homicida, condenado em seu país de origem, lança um livro durante o Forum Social Temático que ali se realiza. No caso de Battisti, no entanto, um sorriso fotografado e publicado na mídia, soará sempre como uma autêntica afronta ao povo italiano.
Decisão judicial de um país soberano como o nosso não se discute, mas não há dúvida que os italianos vão protestar sempre pela concessão, em princípio definitiva, de refúgio político a Battisti.
A Itália, com toda razão, clama por justiça e recorreu à Corte Internacional de Justiça, em Haia, para tentar anular a decisão da Justiça Brasileira e trazê-lo de volta, para o cumprimento da pena.
Os italianos permanecem indignados.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu acatar, tempos atrás, por maioria dos votos de seus ministros, a decisão tomada anteriormente pelo Presidente Lula de não extraditar Battisti, sendo-lhe também concedida a liberdade. O direito, a meu ver, é da Itália e das famílias das vítimas do ativista, militante de uma organização comunista, nos anos 70, que pegou em armas para a prática de terrorismo além de assassinar quatro pessoas, sendo condenado a 30 anos de prisão pela Justiça Italiana.
Caracteriza-se -se o Brasil, com tal discutível decisão, perante o cenário mundial, não há dúvida, como um novo ‘albergue’ de assassinos terroristas, como já se não bastasse ser o país do direito penal mínimo, onde criminosos, cometam o crime que cometerem, são beneficiados por progressões de regime carcerários, redução de penas, visitas íntimas, saídas para visita ao lar ( boa parte não regressa à prisão), razoável alimentação, ociosidade plena no cárcere, etc, etc…, tudo pago pelos impostos de todos nós em nome dos “direitos humanos”.
Dois pesos e duas medidas com relação ao caso, por exemplo, dos dois lutadores de boxe que durante os Jogos Panamericanos no Rio, em 2007, tentaram fugir da ditadura cubana e foram imediatamente devolvidos ao “companheiro Fidel”.
Ressalte-se também o caso do argentino Manuel Pincentini, criminoso de direita, envolvido na chamada Operação Condor, no cone sul, extraditado para o seu país de origem para responder pelos crimes cometidos. Ou seja: opositor da esquerda e criminoso de direita são extraditados, mas a terrorista de esquerda concede-se refúgio político.
Fica o país, portanto, doravante aberto e receptivo aos terroristas do mundo, inclusive os da Al-Qaeda e das Farc, para que aqui também se refugiem sob o argumento jurídico de crimes conexos a crimes políticos ou em nome do fundamento religioso e de que em seus países de origem serão vítimas de “perseguição”.
A Itália esclarece inclusive que Battisti, independente dos atos terroristas que cometeu, no caso dos quatro assassinatos foi considerado um criminoso comum, fato que derruba o argumento brasileiro de “perseguição política”.
A Itália almeja, portanto, o cumprimento de uma decisão soberana de sua Justiça , dentro de um estado de pleno direito, inclusive quando o citado país tinha, paradoxalmente, um governo de centro-esquerda. A pena para o homicida é de 30 anos de prisão pelos quatro homicídios. É isso que a Itália deseja: a extradição e que a sentença seja cumprida e não desconsiderada pelo Brasil.
Com a palavra as organizações internacionais protetoras de direitos humanos, que sempre permanecem em estranho silêncio quando que lhes convém. Com tanta benevolência, no país da criminologia misericordiosa, Battisti, livre, leve e solto, pode até de se tornar comentarista político. Espaço de mídia certamente não lhe faltará.
Milton Corrêa da Costa
27 de janeiro de 2012
ENTREVISTA: YOANI SANCHEZ
Yoani espera que Dilma mostre preocupação com direitos humanos
A blogueira cubana Yoani Sánchez espera que a presidente Dilma Rousseff escute "a maravilhosa diversidade de vozes cubanas" na visita que fará a Cuba na próxima terça e que esteja tão preocupada com os investimentos brasileiros na ilha como com os direitos dos cidadãos cubanos comuns.
"Que essa visita não seja apenas de tapete vermelho", afirmou Sánchez à Folha.
A premiada blogueira opositora do regime dos Castro recebeu anteontem da embaixada brasileira em Havana visto de turista para visitar o Brasil no próximo mês.
Ela solicitou o documento para participar, no dia 10, do lançamento do documentário "Conexão Cuba-Honduras", de Dado Galvão, em Jequié (Bahia).
Para estar presente no evento, porém, falta o mais difícil: a anuência do governo cubano. Havana exige dos cidadãos cubanos uma autorização de saída, o chamado "cartão branco", e o critério de concessão dele tem corte político.
Há quatro anos a blogueira tenta sair de Cuba sem sucesso.
Ela vê um "gesto positivo" na concessão protocolar do visto, a poucos dias da visita de Dilma. Diz oscilar entre o "ceticismo e a esperança".
Para a blogueira, Dilma chega à Havana num momento complicado, de aumento de "agressividade verbal" contra opositores após a morte, depois de 50 dias em greve de fome, do prisioneiro político Wilmar Villar há oito dias.
Conta que o nível de vigilância aumentou: foi seguida ao buscar seu passaporte na embaixada brasileira, anteontem, e que o marido foi detido na segunda.
"Esperamos que Dilma esteja interessada não só no estado da construção do porto de Mariel mas também no estado da construção dos direitos cidadãos em Cuba", disse.
Dilma não deve tocar publicamente em temas de direitos humanos na ilha e a intenção oficial é carregar o caráter pragmático e de vantagens econômicas mútuas da relação bilateral, cujo maior símbolo é justamente o porto ao qual a blogueira faz referência.
Mariel é o maior projeto da relação bilateral atualmente: está sendo feito pela brasileira Odebrecht com financiamento de US$ 600 milhões do BNDES --o governo brasileiro deve aprovar a última parcela de US$ 230 milhões do empréstimo.
Leia abaixo a entrevista.
FOLHA - Vê alguma sinalização política de Brasília na concessão do visto de turista Tem esperança de vir?
YOANI SÁNCHEZ - Queria ter essa esperança [de que há uma sinalização política].
Estou entre a esperança e o ceticismo. Sem dúvida nenhuma, é um gesto positivo, de respeito ao meu trabalho jornalístico, a mim como cidadã, antes de ter a ver com a carta que enviei à Dilma ou o apelo pela ajuda dela.
Cumpriu-se um trâmite burocrático de uma simples cidadã, e isso talvez seja importante simbolicamente também. Entreguei todos os requisitos, antecedentes penais e tudo que pediam no tempo requerido. Não havia um só motivo para não conceder o visto e eu o recebi.
Tenho um passaporte cheio de visto de vários lugares, do Chile, da Espanha. Nos últimos quatro anos tem sido assim: eu recebo o visto para entrar em outros países, mas não para sair daqui.
FOLHA - O que espera da visita de Dilma?
YOANI - Esperamos dela é uma agenda muito mais ampla do que contatos com o governo e com a Chancelaria. Esperamos que ela esteja interessada não só no estado da construção do porto de Mariel [obra financiada pelo BNDES e feita pela Odebrecht] mas também no estado da construção dos direitos cidadãos em Cuba.
Que essa visita não seja apenas de tapete vermelho, que ela se aproxime e consiga escutar a maravilhosa diversidade de vozes cubanas.
Dilma chega a Cuba num período complicado, de aumento da agressividade oficial, de radicalização do discurso por causa da morte de Wilmar Villar, há oito dias. Tem havido detenções e muita violência verbal contra nós que informamos sobre o caso.
Hoje, no Granma [jornal oficial], há uma reflexão de Fidel Castro cheia de ataques que faz lembrar a Primavera Negra [a prisão de quase 75 dissidentes em setembro de 2003].
Desde a morte de Wilmar, aumentou a vigilância. Ontem [anteontem] justamente, quando fui à embaixada brasileira apanhar meu passaporte, havia dois homens em dois carros me vigiando. Essa situação acontece quando há esse tipo de tensão, após uma detenção importante, morte por greve de fome. O cerco é bastante forte. Na segunda passada, meu marido [Reinaldo Escobar, blogueiro] foi detido. Uma dessas detenções de curta duração sem nenhum papel de comprovação. Esse é o 'estilo Raúl'.
FOLHA - Você pediu um encontro com a presidente Dilma. Algum sinal de que vá acontecer?
YOANI - Até agora não há nenhuma sinalização. Creio que não haverá espaço.
FOLHA - No Twitter, você citou se comparou à Dilma, na foto em que ela aparece sendo julgada por militares durante a ditadura. Por quê?
YOANI - A foto de Dilma é emblemática, me impressionou muito. É como eu me sinto nesse momento: embora não tenha sido condenada nem julgada, eu também me sinto numa prisão em formato de ilha, na qual as grades são o mar.
Apesar das diferenças de momento histórico, o que há de semelhante, creio, é a covardia do repressor. Eles que a julgam não mostram a cara. Os meus repressores também não dão as caras: não dão um motivo claro e público pelo qual não tenho permissão para sair do país.
Tenho lido sobre a presidente Dilma e vejo semelhanças de biografia. Essa formação de aqui e acolá, de imigrantes que atravessaram o Atlântico. Em um determinado momento, Dilma descartou a luta violenta e por meio da luta política chegou à Presidência. Desde o princípio, eu optei pela luta pela palavra, pelo jornalismo.
FOLHA - Qual é a situação de força dos opositores em Cuba. Há ambiente para uma "primavera cubana"?
YOANI - A primavera cubana ainda não está madura. É como um fruto ainda na árvore: tem de passar frio, sol. Há muito medo. Num Estado totalitário, o medo pode ser paralisante.
A sociedade civil é muito fragmentada. Os que discordam de algo são insultados na TV.
Num país onde só há TV estatal, isso é uma espécie de 'morte social', ser chamado de conspirador, de mercenário.
Por outro lado, os mais rebeldes e inconformados acabam deixando a ilha. O exílio é uma grande válvula de escape. E à diferença dos países do norte da África, não temos meios de mobilização digital, fazer uma convocatória à uma praça.
A porcentagem de pessoas com acesso a celular e internet é muito baixa. Num país com 11 milhões de cubanos, só 1 milhão tem celular, controlado por uma empresa estatal e com tarifas muito altas.
Desmond Boylan - 9.fev.2011/Reuters
A blogueira cubana Yoani Sánchez, que tenta mais uma vez visitar o Brasil,desta vez para conferir estreia de documentário
FLÁVIA MARREIRO, DE SÃO PAULO
27/01/2012
A blogueira cubana Yoani Sánchez espera que a presidente Dilma Rousseff escute "a maravilhosa diversidade de vozes cubanas" na visita que fará a Cuba na próxima terça e que esteja tão preocupada com os investimentos brasileiros na ilha como com os direitos dos cidadãos cubanos comuns.
"Que essa visita não seja apenas de tapete vermelho", afirmou Sánchez à Folha.
A premiada blogueira opositora do regime dos Castro recebeu anteontem da embaixada brasileira em Havana visto de turista para visitar o Brasil no próximo mês.
Ela solicitou o documento para participar, no dia 10, do lançamento do documentário "Conexão Cuba-Honduras", de Dado Galvão, em Jequié (Bahia).
Para estar presente no evento, porém, falta o mais difícil: a anuência do governo cubano. Havana exige dos cidadãos cubanos uma autorização de saída, o chamado "cartão branco", e o critério de concessão dele tem corte político.
Há quatro anos a blogueira tenta sair de Cuba sem sucesso.
Ela vê um "gesto positivo" na concessão protocolar do visto, a poucos dias da visita de Dilma. Diz oscilar entre o "ceticismo e a esperança".
Para a blogueira, Dilma chega à Havana num momento complicado, de aumento de "agressividade verbal" contra opositores após a morte, depois de 50 dias em greve de fome, do prisioneiro político Wilmar Villar há oito dias.
Conta que o nível de vigilância aumentou: foi seguida ao buscar seu passaporte na embaixada brasileira, anteontem, e que o marido foi detido na segunda.
"Esperamos que Dilma esteja interessada não só no estado da construção do porto de Mariel mas também no estado da construção dos direitos cidadãos em Cuba", disse.
Dilma não deve tocar publicamente em temas de direitos humanos na ilha e a intenção oficial é carregar o caráter pragmático e de vantagens econômicas mútuas da relação bilateral, cujo maior símbolo é justamente o porto ao qual a blogueira faz referência.
Mariel é o maior projeto da relação bilateral atualmente: está sendo feito pela brasileira Odebrecht com financiamento de US$ 600 milhões do BNDES --o governo brasileiro deve aprovar a última parcela de US$ 230 milhões do empréstimo.
Leia abaixo a entrevista.
FOLHA - Vê alguma sinalização política de Brasília na concessão do visto de turista Tem esperança de vir?
YOANI SÁNCHEZ - Queria ter essa esperança [de que há uma sinalização política].
Estou entre a esperança e o ceticismo. Sem dúvida nenhuma, é um gesto positivo, de respeito ao meu trabalho jornalístico, a mim como cidadã, antes de ter a ver com a carta que enviei à Dilma ou o apelo pela ajuda dela.
Cumpriu-se um trâmite burocrático de uma simples cidadã, e isso talvez seja importante simbolicamente também. Entreguei todos os requisitos, antecedentes penais e tudo que pediam no tempo requerido. Não havia um só motivo para não conceder o visto e eu o recebi.
Tenho um passaporte cheio de visto de vários lugares, do Chile, da Espanha. Nos últimos quatro anos tem sido assim: eu recebo o visto para entrar em outros países, mas não para sair daqui.
FOLHA - O que espera da visita de Dilma?
YOANI - Esperamos dela é uma agenda muito mais ampla do que contatos com o governo e com a Chancelaria. Esperamos que ela esteja interessada não só no estado da construção do porto de Mariel [obra financiada pelo BNDES e feita pela Odebrecht] mas também no estado da construção dos direitos cidadãos em Cuba.
Que essa visita não seja apenas de tapete vermelho, que ela se aproxime e consiga escutar a maravilhosa diversidade de vozes cubanas.
Dilma chega a Cuba num período complicado, de aumento da agressividade oficial, de radicalização do discurso por causa da morte de Wilmar Villar, há oito dias. Tem havido detenções e muita violência verbal contra nós que informamos sobre o caso.
Hoje, no Granma [jornal oficial], há uma reflexão de Fidel Castro cheia de ataques que faz lembrar a Primavera Negra [a prisão de quase 75 dissidentes em setembro de 2003].
Desde a morte de Wilmar, aumentou a vigilância. Ontem [anteontem] justamente, quando fui à embaixada brasileira apanhar meu passaporte, havia dois homens em dois carros me vigiando. Essa situação acontece quando há esse tipo de tensão, após uma detenção importante, morte por greve de fome. O cerco é bastante forte. Na segunda passada, meu marido [Reinaldo Escobar, blogueiro] foi detido. Uma dessas detenções de curta duração sem nenhum papel de comprovação. Esse é o 'estilo Raúl'.
FOLHA - Você pediu um encontro com a presidente Dilma. Algum sinal de que vá acontecer?
YOANI - Até agora não há nenhuma sinalização. Creio que não haverá espaço.
FOLHA - No Twitter, você citou se comparou à Dilma, na foto em que ela aparece sendo julgada por militares durante a ditadura. Por quê?
YOANI - A foto de Dilma é emblemática, me impressionou muito. É como eu me sinto nesse momento: embora não tenha sido condenada nem julgada, eu também me sinto numa prisão em formato de ilha, na qual as grades são o mar.
Apesar das diferenças de momento histórico, o que há de semelhante, creio, é a covardia do repressor. Eles que a julgam não mostram a cara. Os meus repressores também não dão as caras: não dão um motivo claro e público pelo qual não tenho permissão para sair do país.
Tenho lido sobre a presidente Dilma e vejo semelhanças de biografia. Essa formação de aqui e acolá, de imigrantes que atravessaram o Atlântico. Em um determinado momento, Dilma descartou a luta violenta e por meio da luta política chegou à Presidência. Desde o princípio, eu optei pela luta pela palavra, pelo jornalismo.
FOLHA - Qual é a situação de força dos opositores em Cuba. Há ambiente para uma "primavera cubana"?
YOANI - A primavera cubana ainda não está madura. É como um fruto ainda na árvore: tem de passar frio, sol. Há muito medo. Num Estado totalitário, o medo pode ser paralisante.
A sociedade civil é muito fragmentada. Os que discordam de algo são insultados na TV.
Num país onde só há TV estatal, isso é uma espécie de 'morte social', ser chamado de conspirador, de mercenário.
Por outro lado, os mais rebeldes e inconformados acabam deixando a ilha. O exílio é uma grande válvula de escape. E à diferença dos países do norte da África, não temos meios de mobilização digital, fazer uma convocatória à uma praça.
A porcentagem de pessoas com acesso a celular e internet é muito baixa. Num país com 11 milhões de cubanos, só 1 milhão tem celular, controlado por uma empresa estatal e com tarifas muito altas.
Desmond Boylan - 9.fev.2011/Reuters
A blogueira cubana Yoani Sánchez, que tenta mais uma vez visitar o Brasil,desta vez para conferir estreia de documentário
FLÁVIA MARREIRO, DE SÃO PAULO
27/01/2012
YOANI SANCHEZ
Se Yoani não pode manter o blog no Brasil, expulsem já o escritor assassino Battisti.
Ontem o Brasil diplomático já saiu em defesa do ditador assassino Fidel Castro e de seu irmão acostumado a vendar os olhos de presos políticos antes dos mesmos serem assassinados com um tiro de pistola.
O assessor de Dilma para assuntos bolivarianos Marco Aurélio Garcia declarou que Yoani Sanchez, a quem o Brasil concedeu visto, se quiser se exilar no Brasil terá que parar o seu blog, pois não pode ter atividade política como exilada.
Que fique claro: a cubana não quer exílio, quer poder sair e poder voltar em liberdade. O que ocorre é que Cuba não dá autorização de saída:
"Tenho um passaporte cheio de visto de vários lugares, do Chile, da Espanha. Nos últimos quatro anos tem sido assim: eu recebo o visto para entrar em outros países, mas não para sair daqui."
Garcia impôs a condição de silêncio e censura à Yoani Sanchez ontem, no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, onde o assassino italiano Cesare Battisti, exilado no Brasil, foi recebido pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro, em ato político, no Palácio Piratini, onde o autoridade declarou que, quando ministro da Justiça, concedeu asilo ao terrorista que assassinou quatro pessoas porque não poderia entregá-lo ao governo corrupto da Itália.
O bandido acoitado no Brasil pelo PT também lançou um livro de conteúdo totalmente politico. No entanto, Garcia quer dar tratamento diferenciado à cubana, porque o Brasil lambe as botas da ditadura daquele país, fechando os olhos para crimes hediondos que contesta em outros países. Se seria crime Yoani Sanchez manter o seu blog no Brasil, expulsem agora mesmo o escritor assassino Cesare Battisti.
Leia aqui a entrevista com Yoani Sanchez. E, por favor, não venham com gracinhas e olavismos de que a moça aí é uma "desinformante" do comunismo. As questões ideológicas são papo para depois, no dia em que a ditadura cubana acabar.
Agora Yoani é uma inimiga declarada e perseguida por uma ditadura assassina, merecendo total apoio. Está confrontando o cinismo brasileiro diante de Cuba. Está fazendo política no pequeno espaço que tem.
coroneLeaks
27 de janeiro de 2012
Ontem o Brasil diplomático já saiu em defesa do ditador assassino Fidel Castro e de seu irmão acostumado a vendar os olhos de presos políticos antes dos mesmos serem assassinados com um tiro de pistola.
O assessor de Dilma para assuntos bolivarianos Marco Aurélio Garcia declarou que Yoani Sanchez, a quem o Brasil concedeu visto, se quiser se exilar no Brasil terá que parar o seu blog, pois não pode ter atividade política como exilada.
Que fique claro: a cubana não quer exílio, quer poder sair e poder voltar em liberdade. O que ocorre é que Cuba não dá autorização de saída:
"Tenho um passaporte cheio de visto de vários lugares, do Chile, da Espanha. Nos últimos quatro anos tem sido assim: eu recebo o visto para entrar em outros países, mas não para sair daqui."
Garcia impôs a condição de silêncio e censura à Yoani Sanchez ontem, no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, onde o assassino italiano Cesare Battisti, exilado no Brasil, foi recebido pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro, em ato político, no Palácio Piratini, onde o autoridade declarou que, quando ministro da Justiça, concedeu asilo ao terrorista que assassinou quatro pessoas porque não poderia entregá-lo ao governo corrupto da Itália.
O bandido acoitado no Brasil pelo PT também lançou um livro de conteúdo totalmente politico. No entanto, Garcia quer dar tratamento diferenciado à cubana, porque o Brasil lambe as botas da ditadura daquele país, fechando os olhos para crimes hediondos que contesta em outros países. Se seria crime Yoani Sanchez manter o seu blog no Brasil, expulsem agora mesmo o escritor assassino Cesare Battisti.
Leia aqui a entrevista com Yoani Sanchez. E, por favor, não venham com gracinhas e olavismos de que a moça aí é uma "desinformante" do comunismo. As questões ideológicas são papo para depois, no dia em que a ditadura cubana acabar.
Agora Yoani é uma inimiga declarada e perseguida por uma ditadura assassina, merecendo total apoio. Está confrontando o cinismo brasileiro diante de Cuba. Está fazendo política no pequeno espaço que tem.
coroneLeaks
27 de janeiro de 2012
HISTÓRIAS DO SEBASTIÃO NERY
O Mão Cheinha
Esta é uma velha e clássica história de Teresina. Mão Cheinha era louco lá no Ceará. Trouxeram-no para o Sanatório Meduna, Hospital de Psiquiatria, instituição modelo que o gênio do médico e deputado Clidenor de Freitas fundou em Teresina na década de 30 do século passado, implantando métodos revolucionários para a época, abolindo as correntes e enfermarias fechadas.
Com o tempo, Mão Cheinha virou louco-chefe. Tomava conta dos outros. Há sempre um muito louco cuidando dos menos loucos. No jardim enorme do sanatório, onde os doentes, soltos, passavam o dia, havia, entre muitas outras, uma alta mangueira que nunca dava manga.
Mão Cheinha não entendia aquilo. Mangueira tinha que dar manga. Um dia, chamou oito loucos: “Olha, minha gente, vocês são mangas maduras. Vão lá para cima. Quando eu gritar, as mangas caem, porque manga madura cai, uma a uma.”
###
AS MANGAS
Os oito subiram. Mão Cheinha gritou:
– Manga um!
Poff!! E um louco se esborrachou no chão.
– Manga dois! Manga três! Manga quatro! Manga cinco! Manga seis!
E eles iam se largando lá de cima e arrebentando-se cá embaixo. Mão Cheinha gritou:
– Manga sete!
O sete respondeu:
– Mão Cheinha, chama a manga oito, que eu ainda estou verde!
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TARSO GENRO
Em política, é inevitável. Aparece sempre um Mão Cheinha. Abriu uma brecha, lá está ele, com as soluções mais estapafúrdias. É o espertinho, o pescador de águas turvas. Ou maluco como Mão Cheinha ou muito vivo como nosso herói, com seus olhinhos miúdos de laboratório.
Em 2006, com Palocci escondido com medo da cadeia, para ocupar o posto de leão-de-chácara dos banqueiros no governo Lula, surgiu lá do Rio Grande do Sul o Tarso, que é um ossinho duro de roer, e ninguém sabe de quem é genro. Rapaz brilhante, preparado, Tarso resolveu matricular-se a serviço do mal.
###
DESUMANIDADES
Em 2006, a Malu Delgado estava em um seminário, em SP, do Cebrap, fundado por FH, e do Inglês IDS (Institute of Developement Studies), onde Tarso pôs as mangas de fora, defendeu as mais radicais e desumanas propostas da Febraban, dos banqueiros e seus vampiros sociais:
1. “Tarso defendeu redução drástica de despesas, com cortes de salários (sic), pensões (sic) e aposentadorias (sic) como uma medida exemplar”.
2. “Disse ser preciso remover o conceito arcaico de direito adquirido e eliminar privilégios que a Constituição deu a quem não contribuiu”.
Isso aí é uma maneira disfarçada, tortuosa, digamos a palavra exata, covarde, de mandar recados para agradar os banqueiros, sem abrir o jogo:
1. Como acabar com o “conceito arcaico do direito adquirido?” Lula iria querer dar uma de Chávez, mudar na bruta a Constituição para anular pensões e aposentadorias garantidas pela Constituição e fixadas por leis?
2. Quando Tarso fala em “eliminar privilégio que a Constituição de 88 deu aos que não contribuíram”, ele está fazendo uma das mais brutais e imundas ameaças que alguém já fez no País. Quer acabar com os 6,1 milhões de aposentadorias rurais e as dos inválidos e velhos assistidos pelo INSS, que nunca contribuíram ou não contribuíram com regularidade para a Previdência Social e se aposentaram ganhando hoje um mísero salário mínimo.
3. O Funrural foi criado pelo regime militar (era meio salário mínimo de aposentadoria), ampliado pelo governo Collor (que passou para um salário mínimo) e consagrado pela Constituição de 88.
4. Outra sugestão nitidamente nazista é desvincular as aposentadorias do salário mínimo. É mais um criminoso mata-velhinho do PT, como o Berzoini. Quer congelar as aposentadorias, até perderem totalmente o valor.
Tarso é o Mão Cheinha dos velhinhos.
Sebastião Nery
27 de janeiro de 2012
Esta é uma velha e clássica história de Teresina. Mão Cheinha era louco lá no Ceará. Trouxeram-no para o Sanatório Meduna, Hospital de Psiquiatria, instituição modelo que o gênio do médico e deputado Clidenor de Freitas fundou em Teresina na década de 30 do século passado, implantando métodos revolucionários para a época, abolindo as correntes e enfermarias fechadas.
Com o tempo, Mão Cheinha virou louco-chefe. Tomava conta dos outros. Há sempre um muito louco cuidando dos menos loucos. No jardim enorme do sanatório, onde os doentes, soltos, passavam o dia, havia, entre muitas outras, uma alta mangueira que nunca dava manga.
Mão Cheinha não entendia aquilo. Mangueira tinha que dar manga. Um dia, chamou oito loucos: “Olha, minha gente, vocês são mangas maduras. Vão lá para cima. Quando eu gritar, as mangas caem, porque manga madura cai, uma a uma.”
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AS MANGAS
Os oito subiram. Mão Cheinha gritou:
– Manga um!
Poff!! E um louco se esborrachou no chão.
– Manga dois! Manga três! Manga quatro! Manga cinco! Manga seis!
E eles iam se largando lá de cima e arrebentando-se cá embaixo. Mão Cheinha gritou:
– Manga sete!
O sete respondeu:
– Mão Cheinha, chama a manga oito, que eu ainda estou verde!
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TARSO GENRO
Em política, é inevitável. Aparece sempre um Mão Cheinha. Abriu uma brecha, lá está ele, com as soluções mais estapafúrdias. É o espertinho, o pescador de águas turvas. Ou maluco como Mão Cheinha ou muito vivo como nosso herói, com seus olhinhos miúdos de laboratório.
Em 2006, com Palocci escondido com medo da cadeia, para ocupar o posto de leão-de-chácara dos banqueiros no governo Lula, surgiu lá do Rio Grande do Sul o Tarso, que é um ossinho duro de roer, e ninguém sabe de quem é genro. Rapaz brilhante, preparado, Tarso resolveu matricular-se a serviço do mal.
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DESUMANIDADES
Em 2006, a Malu Delgado estava em um seminário, em SP, do Cebrap, fundado por FH, e do Inglês IDS (Institute of Developement Studies), onde Tarso pôs as mangas de fora, defendeu as mais radicais e desumanas propostas da Febraban, dos banqueiros e seus vampiros sociais:
1. “Tarso defendeu redução drástica de despesas, com cortes de salários (sic), pensões (sic) e aposentadorias (sic) como uma medida exemplar”.
2. “Disse ser preciso remover o conceito arcaico de direito adquirido e eliminar privilégios que a Constituição deu a quem não contribuiu”.
Isso aí é uma maneira disfarçada, tortuosa, digamos a palavra exata, covarde, de mandar recados para agradar os banqueiros, sem abrir o jogo:
1. Como acabar com o “conceito arcaico do direito adquirido?” Lula iria querer dar uma de Chávez, mudar na bruta a Constituição para anular pensões e aposentadorias garantidas pela Constituição e fixadas por leis?
2. Quando Tarso fala em “eliminar privilégio que a Constituição de 88 deu aos que não contribuíram”, ele está fazendo uma das mais brutais e imundas ameaças que alguém já fez no País. Quer acabar com os 6,1 milhões de aposentadorias rurais e as dos inválidos e velhos assistidos pelo INSS, que nunca contribuíram ou não contribuíram com regularidade para a Previdência Social e se aposentaram ganhando hoje um mísero salário mínimo.
3. O Funrural foi criado pelo regime militar (era meio salário mínimo de aposentadoria), ampliado pelo governo Collor (que passou para um salário mínimo) e consagrado pela Constituição de 88.
4. Outra sugestão nitidamente nazista é desvincular as aposentadorias do salário mínimo. É mais um criminoso mata-velhinho do PT, como o Berzoini. Quer congelar as aposentadorias, até perderem totalmente o valor.
Tarso é o Mão Cheinha dos velhinhos.
Sebastião Nery
27 de janeiro de 2012
MARINA SILVA: DEMOCRACIA ELETRÔNICA MOVIDA A SANTO DAIME
Para Marina Silva, ex-ministra, ex-verde e ex-brasileira, agora a serviço do Príncipe Charles e da sua ONG, a WWF, o lance é "democratizar a democracia". Ontem ela discorreu para ongolóides embascados as suas idéias sobre uma "nova política" sem partidos ou a "política 2.0", onde os nicks do twitter e os anonymus da blogosfera farão uma revolução por intermédio das redes sociais, uma primavera brasileira. Vejam, abaixo, trechos do discurso iluminado da Musa dos Créditos de Carbono:
"Isso se vê em todo o mundo, no Chile, na Espanha, nos Estados Unidos. Agora as pessoas querem ser sujeitos, estamos diante da possibilidade de democratizar a democracia".
"Essa cultura foi capaz de produzir tudo, e se for o caso em tempo real, mas há quem não tenha".
Entenderam? A democracia marinista doispontozero não precisa de partidos políticos, de Congresso, de representação popular. Basta juntar o Greenpeace, a WWF, o Imazon, mais meia dúzia de patrocinadores que exploram a floresta, outra meia dúzia de especuladores no mercado de ficção dos créditos de carbono, e pronto! A rede está formada. Aí é só sair a tuitar e a postar no facebook para mudar o mundo em tempo real. É, só falta a Doida Verde levitar.
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
"Isso se vê em todo o mundo, no Chile, na Espanha, nos Estados Unidos. Agora as pessoas querem ser sujeitos, estamos diante da possibilidade de democratizar a democracia".
"Essa cultura foi capaz de produzir tudo, e se for o caso em tempo real, mas há quem não tenha".
Entenderam? A democracia marinista doispontozero não precisa de partidos políticos, de Congresso, de representação popular. Basta juntar o Greenpeace, a WWF, o Imazon, mais meia dúzia de patrocinadores que exploram a floresta, outra meia dúzia de especuladores no mercado de ficção dos créditos de carbono, e pronto! A rede está formada. Aí é só sair a tuitar e a postar no facebook para mudar o mundo em tempo real. É, só falta a Doida Verde levitar.
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
DILMA DEMITE NO DNOCS UM RETROCESSO DE 50 ANOS NO TEMPO
A presidente Dilma Roussef – reportagem de Gerson Camaroti e Andre de Souza, O Globo de quarta-feira 25 – resolveu demitir o diretor do DNOCS, Elias Fernandes Neto, acusado pela própria Controladoria Geral da União, de ter firmado contratos irregulares no montante de 320 milhões de reais. É da corrente do deputado Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara.
Por coincidência, a quase totalidade dos recursos destinou-se a obras no Rio Grande do Norte, estado do líder do partido. O dinheiro foi remetido e pago. Os investimentos ainda estão por se realizar. A foto que ilustra a reportagem é de Givaldo Barbosa.
O título deste artigo recorre à linguagem poética, figurativa, já que retrocessos, não sendo pessoas, não podem ser demitidos. Mas é poesia dramática, pois o que aconteceu no Departamento Nacional de Obras Contra Secas representa um recuo de exatamente 53 anos, quando, para evitar casos assim, o presidente Juscelino Kubitschek criou a SUDENE e entregou seu comando a um homem como Celso Furtado.
JK queria acabar com a chamada indústria das secas. Alcançou pleno êxito enquanto aquele economista brilhante permaneceu à frente da Superintendência. No entanto, infelizmente, não conseguiu assegurar o seu projeto, pois hoje vê-se o papel desempenhado por Elias Fernandes Neto.
A indústria das secas ressurgiu.Ela se faz presente no Nordeste desde o Império. Dom Pedro II visitou a região durante uma estiagem e dizem os livros que se desfez de jóias da realeza para ajudar o combate à miséria causada pela falta de chuvas. Foram construídos, já na República, açudes monumentais como Orós e Banabuiu, ambos no Ceará, mas o problema continua.
Celso Furtado era um homem, além de competente, absolutamente honesto. Imagine-se as pressões que se desencadearam contra ele. Desabaram várias tempestades contra sua presença na região.Numa delas, em entrevista a mim, então repórter do Correio da Manhã, ele explicou detalhadamente seu plano de promover a industrialização do Nordeste, já que chovia pouco na área e, portanto, as atividades rurais não poderiam, por si só, assegurar o desenvolvimento econômico com reflexo na renda do trabalho.
Açudes, apenas não resolviam, se não houvesse canalização das águas para torná-las perenes. Mas os grandes fazendeiros, que possuíam açudes particulares, não desejavam e se opunham a tal solução. Democratizar a água, bem essencial, representava diminuir seu poder de comando no voto.
A luta foi difícil. O Correio da Manhã, por orientação de seu Redator Chefe, Luiz Alberto Bahia, sustentava firmemente a posição de Celso Furtado. Não era difícil um posicionamento honesto e lógico, características tanto de Bahia quanto de Furtado. Além disso, suas medidas iniciais refletiram internacionalmente.
Em 1960, ano seguinte ao do surgimento da SUDENE, John Kennedy elegeu-se presidente dos EUA. Convidou Celso para falar sobre a Superintendência na Casa Branca. Foi notícia nos principais jornais do mundo. Começava uma nova era, não revolucionária, mas essencialmente reformista. Não interessava ao conservadorismo. Menos ainda aos conservadores.
Entusiasmado com o plano da SUDENE, Kennedy, em 61, nomeou JK para presidente executivo da Aliança Para o Progresso, inspirada na Operação Panamericana, ideia de JK para eliminar o subdesenvolvimento no continente. Nomeado por John Kennedy, presidente da APP, JK, em 64, teve que depor perante o tenente coronel Ferdinando de Carvalho no quartel da Polícia do Exército, no Rio. Bem, isso pertence à história.
Triste, agora, que para reencontrar o caminho do futuro Dilma Roussef tenha que demitir os atores de um recuo de 53 anos no tempo. O objetivo certo é o futuro, mas políticos querem eternizar o passado.
27 de janeiro de 2012
Pedro do Coutto
Por coincidência, a quase totalidade dos recursos destinou-se a obras no Rio Grande do Norte, estado do líder do partido. O dinheiro foi remetido e pago. Os investimentos ainda estão por se realizar. A foto que ilustra a reportagem é de Givaldo Barbosa.
O título deste artigo recorre à linguagem poética, figurativa, já que retrocessos, não sendo pessoas, não podem ser demitidos. Mas é poesia dramática, pois o que aconteceu no Departamento Nacional de Obras Contra Secas representa um recuo de exatamente 53 anos, quando, para evitar casos assim, o presidente Juscelino Kubitschek criou a SUDENE e entregou seu comando a um homem como Celso Furtado.
JK queria acabar com a chamada indústria das secas. Alcançou pleno êxito enquanto aquele economista brilhante permaneceu à frente da Superintendência. No entanto, infelizmente, não conseguiu assegurar o seu projeto, pois hoje vê-se o papel desempenhado por Elias Fernandes Neto.
A indústria das secas ressurgiu.Ela se faz presente no Nordeste desde o Império. Dom Pedro II visitou a região durante uma estiagem e dizem os livros que se desfez de jóias da realeza para ajudar o combate à miséria causada pela falta de chuvas. Foram construídos, já na República, açudes monumentais como Orós e Banabuiu, ambos no Ceará, mas o problema continua.
Celso Furtado era um homem, além de competente, absolutamente honesto. Imagine-se as pressões que se desencadearam contra ele. Desabaram várias tempestades contra sua presença na região.Numa delas, em entrevista a mim, então repórter do Correio da Manhã, ele explicou detalhadamente seu plano de promover a industrialização do Nordeste, já que chovia pouco na área e, portanto, as atividades rurais não poderiam, por si só, assegurar o desenvolvimento econômico com reflexo na renda do trabalho.
Açudes, apenas não resolviam, se não houvesse canalização das águas para torná-las perenes. Mas os grandes fazendeiros, que possuíam açudes particulares, não desejavam e se opunham a tal solução. Democratizar a água, bem essencial, representava diminuir seu poder de comando no voto.
A luta foi difícil. O Correio da Manhã, por orientação de seu Redator Chefe, Luiz Alberto Bahia, sustentava firmemente a posição de Celso Furtado. Não era difícil um posicionamento honesto e lógico, características tanto de Bahia quanto de Furtado. Além disso, suas medidas iniciais refletiram internacionalmente.
Em 1960, ano seguinte ao do surgimento da SUDENE, John Kennedy elegeu-se presidente dos EUA. Convidou Celso para falar sobre a Superintendência na Casa Branca. Foi notícia nos principais jornais do mundo. Começava uma nova era, não revolucionária, mas essencialmente reformista. Não interessava ao conservadorismo. Menos ainda aos conservadores.
Entusiasmado com o plano da SUDENE, Kennedy, em 61, nomeou JK para presidente executivo da Aliança Para o Progresso, inspirada na Operação Panamericana, ideia de JK para eliminar o subdesenvolvimento no continente. Nomeado por John Kennedy, presidente da APP, JK, em 64, teve que depor perante o tenente coronel Ferdinando de Carvalho no quartel da Polícia do Exército, no Rio. Bem, isso pertence à história.
Triste, agora, que para reencontrar o caminho do futuro Dilma Roussef tenha que demitir os atores de um recuo de 53 anos no tempo. O objetivo certo é o futuro, mas políticos querem eternizar o passado.
27 de janeiro de 2012
Pedro do Coutto
DILMA E A FAXINA ÉTNICA: CORRUPTOS DA RAÇA PETISTA FICAM, DAS OUTRAS TRIBOS CAEM.
O governo decidiu demitir ontem o diretor-geral do Dnocs (órgão federal de combate à seca), Elias Fernandes, após receber ameaças do PMDB, que tentava mantê-lo no cargo. A ação também "atropelou" Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), que comanda ministério ao qual o órgão é subordinado.A demissão foi uma reação às declarações do líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), padrinho político do diretor do Dnocs. Em entrevista à Folha ele disse duvidar que o governo brigaria com "metade da República" e "com o maior partido do Brasil".
O governo começou a cogitar tirar Fernandes do cargo depois que veio a público um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) mostrando desvios de R$ 192 milhões na estatal. No início da semana, o ministro Fernando Bezerra, pressionado pelo governo, confirmou que haveria mudanças no órgão, o que levou Eduardo Alves a sair em defesa do afilhado. Mas, em dezembro de 2011, segundo documento obtido pela Folha, o ministro trabalhou para segurar o peemedebista no Dnocs. Na época, ele encaminhou um ofício para a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) dizendo que, após analisar relatório da CGU, não havia necessidade de fazer uma "intervenção ministerial" por considerar a medida "demasiadamente drástica".
No documento, ele diz que os problemas se resolveriam apenas com a exoneração do diretor administrativo, o único que não tinha mais padrinho político. A demissão de Fernandes foi determinada ontem pela presidente Dilma Rousseff. Coube à ministra da Casa Civil informar o vice-presidente, Michel Temer (SP), e Bezerra da decisão. Temer vinha trabalhando para segurar o diretor do Dnocs no cargo ou buscar uma saída honrosa. Atropelado, o vice-presidente reclamou com aliados.
No governo já há quem avalie que Eduardo Alves perdeu a condição de indicar o próximo dirigente do Dnocs após subir o tom. Ele, porém, escreveu ontem no microblog Twitter que indicará o "novo nome".No PMDB, a reação à demissão foi em tom de retaliação. Parlamentares disseram que não ajudarão mais ministros envolvidos em irregularidades. "Vamos avaliar nossa postura a partir de agora", disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que também perdeu uma vaga no Dnocs.
(Da Folha de São Paulo)
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
O governo começou a cogitar tirar Fernandes do cargo depois que veio a público um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) mostrando desvios de R$ 192 milhões na estatal. No início da semana, o ministro Fernando Bezerra, pressionado pelo governo, confirmou que haveria mudanças no órgão, o que levou Eduardo Alves a sair em defesa do afilhado. Mas, em dezembro de 2011, segundo documento obtido pela Folha, o ministro trabalhou para segurar o peemedebista no Dnocs. Na época, ele encaminhou um ofício para a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) dizendo que, após analisar relatório da CGU, não havia necessidade de fazer uma "intervenção ministerial" por considerar a medida "demasiadamente drástica".
No documento, ele diz que os problemas se resolveriam apenas com a exoneração do diretor administrativo, o único que não tinha mais padrinho político. A demissão de Fernandes foi determinada ontem pela presidente Dilma Rousseff. Coube à ministra da Casa Civil informar o vice-presidente, Michel Temer (SP), e Bezerra da decisão. Temer vinha trabalhando para segurar o diretor do Dnocs no cargo ou buscar uma saída honrosa. Atropelado, o vice-presidente reclamou com aliados.
No governo já há quem avalie que Eduardo Alves perdeu a condição de indicar o próximo dirigente do Dnocs após subir o tom. Ele, porém, escreveu ontem no microblog Twitter que indicará o "novo nome".No PMDB, a reação à demissão foi em tom de retaliação. Parlamentares disseram que não ajudarão mais ministros envolvidos em irregularidades. "Vamos avaliar nossa postura a partir de agora", disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que também perdeu uma vaga no Dnocs.
(Da Folha de São Paulo)
27 de janeiro de 2012
coroneLeaks
O RETORNO DOS "MAIS IGUAIS"
Em Campos (RJ), um juiz que dirigia sem cinto de segurança esbofeteou uma guarda municipal
Aqui em Campos dos Goytacazes, um juiz esbofeteou uma jovem guarda municipal. O Meritíssimo se recusou a colocar o cinto de segurança. A guarda insistiu, ele recusou, ela multou, ele disse o famoso “Sabe com quem está falando?”. Ela disse que isso não importava. Resultado: tabefe.
Vou usar minha prerrogativa de Engenheiro Agrônomo quando me encontrar com um energúmeno desses aí: NEMATICIDA para os VERMES, INSETICIDA para os INSETOS E TUNGAS (coitadinhos, até uns são bem mais nobres do que essa fauna arrogante que existe por aí), e HERBICIDAS para as ERVAS DANINHAS que aniquilam com as tentativas de florescimento civilizado da nossa pobre sociedade.
Luiz de Moraes Rego Filho
26 de janeiro de 2012
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Quando pensávamos que a era "dos mais iguais perante a lei" extinguira-se, eis que como fênix, ressurge das cinzas, para o nosso espanto. Ou será que sempre estiveram ao nosso derredor, e ocupados com o aluvião dos escândalos, não dedicamos a ela a atenção necessária?
É bem possível, ou pelo menos uma hipótese. A arrogância com que somos tratados politicamente pelos nossos homens públicos, produz esse fruto podre. Enquanto a "res pública" afunda no desmando da corrupção, esse fruto podre de uma sociedade "sem lei, nem rei", sente-se no direito de espalhar-se, tratando o cidadão que cumpre com as suas obrigações, como mero serviçal a seu serviço, não lhe cabendo a "descortesia" de apontar erros ou infrações que "os mais iguais" possam cometer.
É inacreditável! Iniciou-se o 'retorno das múmias', desencavando o velho chavão "sabe com quem está falando", o que absolve "os mais iguais" dessa "intolerância" dos que teimam em punir os "malfeitos", e que insistem em acreditar que 'a lei é igual para todos'.
Felizmente eles ainda acreditam!!! Para a surpresa 'dos mais iguais'...
m.americo
Aqui em Campos dos Goytacazes, um juiz esbofeteou uma jovem guarda municipal. O Meritíssimo se recusou a colocar o cinto de segurança. A guarda insistiu, ele recusou, ela multou, ele disse o famoso “Sabe com quem está falando?”. Ela disse que isso não importava. Resultado: tabefe.
Vou usar minha prerrogativa de Engenheiro Agrônomo quando me encontrar com um energúmeno desses aí: NEMATICIDA para os VERMES, INSETICIDA para os INSETOS E TUNGAS (coitadinhos, até uns são bem mais nobres do que essa fauna arrogante que existe por aí), e HERBICIDAS para as ERVAS DANINHAS que aniquilam com as tentativas de florescimento civilizado da nossa pobre sociedade.
Luiz de Moraes Rego Filho
26 de janeiro de 2012
NOTA AO PÉ DO TEXTO
Quando pensávamos que a era "dos mais iguais perante a lei" extinguira-se, eis que como fênix, ressurge das cinzas, para o nosso espanto. Ou será que sempre estiveram ao nosso derredor, e ocupados com o aluvião dos escândalos, não dedicamos a ela a atenção necessária?
É bem possível, ou pelo menos uma hipótese. A arrogância com que somos tratados politicamente pelos nossos homens públicos, produz esse fruto podre. Enquanto a "res pública" afunda no desmando da corrupção, esse fruto podre de uma sociedade "sem lei, nem rei", sente-se no direito de espalhar-se, tratando o cidadão que cumpre com as suas obrigações, como mero serviçal a seu serviço, não lhe cabendo a "descortesia" de apontar erros ou infrações que "os mais iguais" possam cometer.
É inacreditável! Iniciou-se o 'retorno das múmias', desencavando o velho chavão "sabe com quem está falando", o que absolve "os mais iguais" dessa "intolerância" dos que teimam em punir os "malfeitos", e que insistem em acreditar que 'a lei é igual para todos'.
Felizmente eles ainda acreditam!!! Para a surpresa 'dos mais iguais'...
m.americo
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